Turquia-FSA Toma Jarablus Do ISIS Sem Luita

FSA
Membros do FSA apoiados por tanques turcos entram em Jarablus

Tropas turcas e os chamados militantes “moderados islâmicos” do Exército Livre Sírio (FSA) entrarom no centro da cidade de Jarablus e assumirom todos os edifícios públicos do Estado islâmico. Há relatos de que quase nengum confronto ocorriu entre os dous bandos, os militantes do ISIS tinham evacuado a cidade dias antes. Filmagens de militantes do FSA também mostram que nom há presença de civis nela.

Mais de 20 tanques turcos e mais de 500 tropas do FSA entrarom no Norte Síria esta manhá como parte da operaçom “Escudo do Eufrates”, o que as autoridades turcas chamam um “ataque aos terroristas do Estado Islâmico e as YPG.”

Fontes curdas relataram o bombardeio turco dos bairros de maioria curda no leste e oeste de Jarablus, onde polo menos 49 civis forom mortos.

Mais de 3000 civis fugirom para a vizinha Manbij, que foi libertada do Estado Islâmico polas Forças Democráticas da Síria (SDF) recentemente.

As autoridades curdas condenarom a incursom da Turquia como ocupaçom, e o co-presidente do PYD Saleh Moslem dixo: Turquia entrou no lamaçal sírio e seram derrotados como o Daesh (Estado Islâmico). Analistas curdos e alguns meios de comunicaçom internacionais tenhem enfatizado que a verdadeira meta da incursom militar nom é o IS mas as forças lideradas polos curdos que estavam preparando umha operaçom militar para libertar Jarablus, Al-Bab e Mare do IS e unir os três cantões de Rojava .

Esta afirmaçom é corroborada polas autoridades turcas que digerom que nom permitiriam que umha entidade curda se criara na sua fronteira.

Enquanto isso, autoridades norte-americanas, incluindo o vice-presidente Joe Biden, declararom o seu apoio à operaçom e “convidarom” às YPG a voltar ao leste do Eufrates. Muitos comentaristas chamam à postura dos EUA de “traiçom” contra os curdos. [Mídias “oficialistas” dos EUA tentam vender esta operaçom eleitoralmente como um éxito frente o ISIS].

Em resposta o comandante das YPG Redur Xelil dixo a Reuters que a decisom de retornar ao leste do Eufrates os seus combatentes deveria ser tomada polo Comando Geral das SDF (organizaçom que aglutina a árabes, siriaco-assírios, turcomanos e curdos).

O Ministro de Exteriores da Turquia Mevlut Cavusoglu também confirmou o apoio dos EUA dizendo que a operaçom fora planejada com os EUA “desde o princípio”, e advertiu ao PYD / YPG de recuar ou no caso contrário eles iriam “fazer o que for necessário.”

Comentadores digerom que os EUA, Iram, Rússia, Síria e o Governo Regional do Curdistam (KRG) derom luz verde e concordarom com a operaçom.

No entanto, o Ministério de Assuntos Exteriores sírio, também condenou a incursom como umha “violaçom da soberania do país”, e dixo que “a Turquia está substituindo um grupo terrorista por outro.”

A Rússia também valorou ao travês do Ministério das Relaçons Exteriores dizendo que eles estam receosos sobre os desenvolvimentos na fronteira Turco-Síria.

Fontes turcas estam a dizer que a operaçom poderia continuar até Al-Bab e Mare, com um empurrom final sobre Manbij, o que provavelmente levaria a confrontos com as SDF.

Recolhido de Kurdish Question.

 

Turquia, Síria e Iram Atacam Rojava: Ilham Ehmed

Ilham EhmedA co-presidente do Conselho Democrático da Síria (MSD) Ilham Ehmed afirmou que o ataque a Hesekê por forças do regime da Síria é o resultado dum “novo conceito” acordado entre os regimes de Turquia, Iram e Síria (Baath), e acrescentou que era um processo e situaçom novos. Ehmed dixo: “Mas nom está totalmente claro se isto é estratégico (de longo prazo) ou táctico (curto prazo). É evidente que há um grande jogo aqui e o Estado turco está à frente del”.

Ilham Ehmed falou com Ajansa Nûçeyan a Firatê (Agência de Notícias do Eúfrates – ANF) sobre o contexto do conflito entre Rojavan e as forças do regime da Síria na cidade de Hesekê no 8 dia (e final) de luitas. [Conflito encerrado o 23 de agosto de 2016 na sequência de um cessar-fogo no que as forças do regime da Síria retiram-se completamente de Hesekê.)

Ilham Ehmed salientou que foi a primeira vez que o regime lançou um ataque planejado antecipadamente sobre Rojava e dixo: “Este ataque é um ataque polo poder e ocupaçom. É um ataque para usurpar a vontade do povo que se criou nos últimos cinco anos. É por isso a resistência e a postura contra este ataque polo nosso povo e as nossas forças continua. Nom imos recuar desta posiçom e nunca imos ajoelhar “.

“Esta é umha mensagem para a Turquia”

Ehmed dixo que as forças do regime lançaram ataques a cidades como Hesekê e Qamishli antes, mas que o nível de preparaçom e o alcance do ataque era a primeira vez. Enfatizou que este ataque nom foi realizado por umha unidade local ou pequena, mas partiu do regime.

“Este ataque é um resultado do “novo conceito” acordado entre os regimes de Turquia, Iram e Baath [Síria de Assad]. É umha situaçom e processo novo. Mas nom está totalmente claro se é estratégico ou tático. É evidente que há um grande jogo aqui e o Estado turco está à frente del.

O regime abstivo-se de tais conflitos até agora, e mantinha as sensibilidades entre os curdos e o estado em mente. Apesar de haver ataques ocasionais e retaliaçons contra eles, o uso de avions de combate, declaraçons chamando as forças de segurança na regiom “PKK” mostra que eles falam a língua do Estado turco.

Com isso, o regime sírio está dando a Turquia a mensagem: “Aceite-me permanecer no poder. Convença os seus grupos aliados a fazer o mesmo. E eu vou agir como vocé e falar como vocé contra os curdos. “A Turquia quer tomar o seu lugar político em Damasco” e ser influente novamente por isso está recebendo essas mensagens. ”

“O Regime turco fixo promessas que nom irá manter”

Ilham Ehmed também dixo que a Turquia tinha feito algumhas promessas ao regime em umha base anti-curda e continuou:

“Até agora, Erdogan tinha chamado a Assad ditador. Apoiou muitos grupos terroristas, incluindo o ISIS e da oposiçom e tivo-os luitando contra o regime. Turquia perdeu todos os seus amigos na regiom e tivo a novas negociaçons com o regime na esperança de reforçar-se, revivendo a sua política e bloquear o projeto de federalismo democrático liderado polos curdos. Eles declararom verbalmente ao regime que lhes iam permitir obter o apoio de grupos de oposiçom e figerom a promessa a nom opor-se a que Assad permanecera no poder. Em troca, eles pedirom que o regime parara os curdos. Em consonância com isso, a Turquia fixo umha declaraçom imediata após o ataque (em Hesekê) e expressou que o regime tinha finalmente visto que os curdos representam umha ameaça para eles também.

“A Turquia nom abandonou Aleppo mesmo agora. Na prática, eles deixam a fronteira aberta e grupos jihadistas e muniçons passam por esta fronteira diariamente. Assim, mesmo se eles entram em umha negociaçom com o regime e dim estas coisas, na prática, eles continuam a fazer o mesmo. Turquia quer levarar a guerra de volta para as regions da Síria e Rojava que forom liberadas de todas as bandas de jihadistas. A Turquia nom tem interesse na destruiçom do ISIS e a estabilidade na regiom. ”

“O Iram está a liderar a guerra”

Comentando sobre os actores políticos e militares no conflito de Hesekê, Ilham Ehmed dixo que o ataque era politicamente do Estado turco, e do Irm na prática, e acrescentou:

“Na verdade, a principal força de combate em Hesekê é o Iram. Portanto, estas duas forças estam atacando diretamente. Foi também o Iram quem luitou em Qamishli antes. Iram quer organizar-se na regiom. Quer criar os seus próprios grupos entre os árabes. Neste sentido, quer criar o seu próprio projecto na Síria através de grupos próximos ao regime. É por isso que a guerra lançada em Hesekê neste último processo também foi desenvolvida contra o interesse das pessoas árabes na administraçom autónoma democrática, sobre que eles se juntaram às Forças Democráticas da Síria e à Assembleia Democrática da Síria, e aquecendo para o projeto da federaçom democrática. Eu nom acho que essa aliança entre Turquia, Iram e o regime sírio seja permanente. Porque eles tenhem muitos conflitos políticos e estes nom som conflitos que poidam ser resolvidos facilmente. Mas, polos seus próprios interesses, estam-se unindo contra os curdos, porque eles vêem os curdos como umha ameaça.”

O papel da Rússia ainda nom está claro ”

Ehmed também mencionou o papel da Rússia na nova situaçom e dixo que a Rússia sente que eles precisam a Turquia do seu lado para determinar a situaçom em Aleppo e que eles chegarom a um acordo sobre algumhas questons. A co-presidente da MSD dixo que queriam determinar se este acordo era umha parte do conceito, e afirmou: “Por outro lado, vemos o silêncio da Rússia contra este ataque polo regime como a aprovaçom do ataque. Mas esperamos que nom seja assim. Rússia deve clarificar a sua abordagem. A Rússia aprova a destruiçom de regions curdas, e esse tipo de ataque contra umha força que tem luitado o ISIS e a fragmentaçom na Síria e desenvolveu a democracia?  Rússia deve responder a esta pergunta.”

Uma guerra muito destrutiva pode-se desenvolver ”

Alertando os poderes envolvidos no novo processo, Ehmed afirmou que a situaçom segurava grandes perigos para todos os lados. “Essas alianças e este ataque a Hesekê som perigosos. As forças hegemônicas no Oriente Médio estam prontas agora para defender qualquer tipo de terror do ISIS, entrar numha guerra muito destrutiva, e fazer os povos da Turquia vítimas desta guerra; eles estam fazendo isso so para reforçar um conceito que vai contra o projeto de democratizaçom da regiom que começou em Rojava. O silêncio das forças internacionais e a coalizom também está contribuindo a possibilidade de umha guerra ainda maior.

“A situaçom nom interessa a Rússia ou os EUA

“Existe a possibilidade de que no futuro os interesses das potências internacionais vaiam colidir e que isso vaia abrir o caminho para umha guerra muito maior. Se se trata disso, ninguém pode pará-la. É por isso que há um grande perigo. Os acordos que Rússia e EUA tenham atingido sobre a questom de Aleppo, a questom Síria, em geral, e os acordos na luita contra o ISIS podem ser perturbados por esta guerra. Esta situaçom nom é do interesse da Rússia ou dos EUA. Neste sentido, as forças da coalizom, ambas forças devem fazer umha avaliaçom urgente da situaçom e declarar que eles estam com com as forças democráticas que criarom projectos para a democracia e fraternidade dos povos como base para o seu projeto.”

Nós nunca imos ajoelhar ”

Ilham Ehmed também comentou sobre a posiçom da povoaçom de Hesekê contra os ataques: “Até agora, a esses ataques resistirom as Unidades de Protecçom do Povo (YPG), Asayish (Segurança / Polícia) e Unidades de Defesa Civil (HPC). É claro que a postura das pessoas também tem sido muito importante. O povo de Hesekê e, especialmente, os árabes em Hesekê exibirom umha postura verdadeiramente importante e valiosa. Muitas pessoas forom evacuadas por razons de segurança, e os que permanecem estam resistindo.

“Esta agressom polo regime sírio é um ataque polo poder e ocupaçom. O objectivo é usurpar a vontade dos povos que criamos na regiom nos últimos cinco anos. É por isso que a resistência e a importante posiçom do nosso povo e forças continua. Nós nunca iremos voltar atrás e nunca imos ajoelhar. Mas estamos esperando que o regime vaia entender isso e tornar-se consciente de como o Estado turco quer trazê-los ao acordo [anti-curdo] de Adana (1998), mais umha vez, e que nom há nada a ganhar lá para eles. O regime tem de reconsiderar esta decisom e apagar o fogo que eles começarom. Se eles figeram isso, será a fim dos interesses do Estado turco na regiom.”

Publicado em Kurdish Question baseado em umha entrevista da ANF- Ajansa Nûçeyan a Firatê.

 

 

Movimento curdo: A Turquia precisa tomar medidas para a resoluçom da questom curda

Bandeiras KCK Ocalan e PKKNota: A declaraçom da KCK, organizaçom guarda chuva do Movimento Curdo foi feita no sábado, 20 de agosto, antes do ataque em Gaziantep à um casamento curdo que deixou 51 pessoas mortas e mais de 150 feridos, o ataque foi atribuído ao ISIS.

Devido à sua importância, no que diz respeito à questom curda, estamos publicando-a detalhadamente abaixo.

A Co-Presidência do Conselho Executivo da Uniom das Comunidades do Curdistam (KCK), divulgou umha declaraçom sobre o estágio que a questão curda atingiu, ataques contra o Movimento Curdo (MC), apelam para um retorno às negociaçons (entre o MC e o Estado Turco) e as etapas necessárias de resoluçom a serem tomadas no futuro.

A KCK salientou que o movimento curdo sentiu a necessidade de re-expressar a sua abordagem em meio a demandas e as chamadas feitas por determinados governos, instituiçons internacionais, organizaçons do Governo Regional do Curdistam (KRG), as Forças Democráticas e o Partido Popular Democrático (HDP) na Turquia por um retorno às negociaçons para a resoluçom da questom curda. A KCK enfatizou que é o Estado turco, quem deve dar um passo para a resoluçom do problema.

A KCK listou os seguintes passos de urgência para a resoluçom:

“Como Movimento de Libertaçom Curdo, estamos prontos para cumprir nossas responsabilidades em todos os aspectos, se o governo do AKP demonstra ter a vontade necessária em resolver a questom curda e assegura que o povo turco vai dar um passo para isso, umha delegaçom parlamentar que envolva o HDP teria de dialogar com o nosso líder Abdullah Öcalan e decidir iniciar as negociaçons muito em breve, oportunidades seram criadas para que nosso líder se reúna com todos os partidos políticos dentro e fora do parlamento, incluindo organizaçons comunitárias que tenhem propostas para a democratizaçom e resoluçom de problemas – principalmente com os alevitas, organizaçons nom-governamentais e intelectuais”.

Observando que o fracasso da tentativa de golpe em 15 de julho foi umha grande oportunidade para a Turquia, A KCK dixo que o governo do AKP tirou proveito desta falha mobilizando assim um contra-golpe.

AKP, responsável pola tentativa de golpe na Turquia

A KCK alegou também que o governo do AKP impujo um isolamento agravado ao líder Öcalan desde 05 de abril de 2015 e rejeitou o acordo de Dolmabahçe, feito em 28 de fevereiro de 2015 entre o MC e o Estado turco. Acrescentou que o governo turco “começou a implementar a sua política e mobilizaçom de guerra”, um mecanismo de golpe para suprimir a questom curda após os resultados das eleiçons gerais do 05 de junho de 2015, que deixou o AKP sem maioria no Parlamento.

“Nosso líder Öcalan, lançou um processo de cessar fogo no final de 2012 e declarou um manifesto para a democratizaçom da Turquia no Newroz de 2013. Com um plano de três fases, el projetou a democratizaçom da Turquia, declarou a sua intençom de retirar as forças da guerrilha (PKK) das fronteiras turcas e, o PKK liberou soldados, policias e um governador de distrito. Por ter, o movimento, tomado estes passos, nosso líder tentou encorajar o estado turco a tomar medidas para a democratizaçom. No entanto, o governo do AKP se absteve de tomar medidas de resoluçom da questom curda e sustentou o cessar-fogo apenas em prol das suas próprias decisons “.

‘Plano Colapso’ colocado em açom

“Ao sustentar o cessar-fogo, apesar de todas as abordagens negativas do estado, nosso movimento deu ao governo do AKP umha oportunidade para tomar medidas em prol da resoluçom da questom curda e a democratizaçom. Em cada reuniom com o Estado e as delegaçons do HDP, o líder Öcalan advertiu aos partidos da existência de um “estado paralelo dentro do estado” e enfatizou que estas estruturas com ligaçons exteriores nom queriam a resoluçom da questom curda. Alertou repetidamente que o impasse nessa resoluçom criara um mecanismo de golpe de estado, e que este mecanismo entraria em açom ao menos que se desse um passo para sua resoluçom.

No entanto, Erdoğan e o seu entorno nom levaram em conta os esforços do nosso líder e o ambiente de nom-conflito que el negociara seriamente, nom avançou um passo sequer no fortalecimento de tais esforços.

Como resultado, o governo do AKP, na pessoa de Erdoğan, trouxe em vigor o “mecanismo de golpe” ao decidir pola guerra durante a reuniom do Conselho de Segurança Nacional (MGK), em 30 de outubro de 2014. O “Plano Colapso”, criado para esmagar o Movimento de Libertaçom Curdo, foi decidido nesta reuniom e logo das manifestaçons do 6 e 8 de outubro, ajudando a evitar a queda de Kobane.”

O Conselho de Segurança Nacional propujo que o exército esmagasse o movimento curdo

A KCK enfatizou que se entregara nas maos do exército turco a tentativa de esmagar a luita durante a mesma reuniom do Conselho de Segurança Nacional acima mencionada, e que isto ativou o ‘mecanismo de golpe’ e reforçou a facçom de dentro do exército turco que a efetivou.

Recordando as observaçons do entom primeiro-ministro Ahmet Davutoglu “Solicitei ao exército e à polícia para que se preparassem em 2014”, a KCK disse que isso era umha clara confissom do papel do governo do AKP na formaçom das fundaçons que ativaram o “mecanismo de golpe.”

O isolamento de Öcalan

A declaraçom da KCK lista os principais desenvolvimentos que levarom à ativaçom do “mecanismo de golpe” tais como: a rejeiçom do Acordo de Dolmabahçe, imposiçom de isolamento agravado a Öcalan desde 5 de abril,  rejeiçom dos resultados das eleiçons de 7 de junho e o início de umha “guerra generalizada” o 24 de julho de 2015.

“Entende-se agora que o apoio dos poderes externos dados à política de guerra do AKP, depois da eleiçom do 07 de junho, está relacionado com a ativaçom deste “mecanismo de golpe”. Esta é a razom pola qual as potências externas fecharom os olhos para o governo do AKP. Eles estam queimando cidades curdas e massacrando centos de civis. O plano era que o “mecanismo de golpe” obteria resultados mais breves em um ambiente de conflito onde o AKP e PKK fossem enfraquecidos.”

A tentativa de golpe de 15 de julho começou em dezembro de 2015

A KCK observou que a tentativa de golpe do 15 de julho tivo o seu início o 14 de dezembro 2015, quando entom o governo do AKP deu sinal verde para que o Exército turco entrasse em cidades curdas com tanques, artilharia e armas pesadas “esmagando o povo curdo que declarava a autonomia.”

“Erdoğan e Ahmet Davutoglu comentarom ‘Nosso bravo exército derrotou os terroristas’ [a respeito de Sur, Cizre e Nusaybin] e isso significou que o “mecanismo de golpe” tinha sido ativado e decidiu tomar o poder do Estado. Sua reivindicaçom com esse exército era ‘Nós somos aqueles que luitam contra o PKK, estamos assumindo esse fardo pesado, e, portanto, nós somos os únicos que podem governar e determinar a política’. Os tanques, artilharia, helicópteros e jatos que foram bastante eficazes nas montanhas do Curdistam, agora mudam sua mira para Ancara, Istambul e Izmir. A fracassada tentativa de golpe surgiu como umha consequência das políticas que procuravam respostas para a questom curda e acabou por profundar o impasse. O governo do AKP afirma que este golpe foi encenado polos círculos de [Fethullah] Gülent. A verdade, porém, é que os membros do AKP desempenharom um papel importante no golpe, tanto ideológica quanto politicamente”.

A KCK dixo que sempre houveram círculos democráticos e curdos na Turquia e que os mesmos permaneceram contra os golpes de Estado, “como testemunhamos durante o golpe militar de 1980 e a guerra suja lançada polos militares na década de 90 contra os curdos.” A KCK acrescentou que ambas as partes, tanto os círculos curdos quanto democráticos, foram as que mais sofreram com os golpes.

Notando que o fracasso da tentativa de golpe de 15 de julho foi umha grande oportunidade para o povo turco, A KCK dixo que o governo do AKP nom pensar na resoluçom da questom curda e nem na democratizaçom, através das quais o mecanismo de golpe poderia ter sido eliminado.

A KCK mudou de ideia

A declaraçom da KCK observa que o movimento curdo tinha considerado fazer umha nova avaliaçom da situaçom após a recente tentativa de golpe, mas decidiu nom fazê-la devido à abordagem negativa do governo do AKP, e dixo ainda que tinha concordado que o partido precisava avançar para promover a democracia, a resoluçom da questom curda e mostrar umha verdadeira postura anti-golpe, mas que isso nom ocorreu no pós-golpe.

Em vez disso, o Estado continuou seu discurso chauvinista, declarando o estado de emergência, e anunciou a suspensom das negociaçons com Imrali (ilha turca onde Öcalan está detido) exibindo umha abordagem desfavorável ao HDP com Erdoğan instrumentalizando tudo para se manter no poder.

Resposta aos grupos que pedem negociaçons

“Mas, recentemente, foram publicados, mais umha vez, apelos e declaraçons sobre as  nossas necessidades e abordagens por certos estados, instituiçons internacionais que trabalham em soluçons de conflitos pacíficos, organizaçons cooperativas do Curdistam Iraquiano (KRG), grupos de poder na Turquia, HDP e as forças democráticas.

Nosso líder Öcalan, e nosso movimento tem, desde 20 de março de 1993 feito grandes esforços para umha soluçom política e democrática à questom curda e declaramos cessar-fogo mais de dez vezes para esse fim. Além disso, o movimento mostrou-se favorável em retirar as forças armadas das fronteiras turcas (2013) e quase o 40% das forças de guerrilha foram retiradas com muito mais mobilidade nesse sentido. Mas o Estado e o AKP nom tomarom as medidas necessárias para acabar com a negaçom aos curdos e estenderom as suas políticas genocidas, a situaçom que criou o atual e intenso conflito veio à tona. ”

O AKP tirou proveito do cessar-fogo

A KCK afirmou também que os recentes confrontos tinham se tornado mais violentos do que os anteriores, porque o governo do AKP tirou proveito do acordo de cessar-fogo para os seus próprios fins.

“Erdoğan e o governo do AKP utilizarom todos os cessar-fogos que tinham sido declarados para reforçar a sua permanência no poder. Eles criarom umha falsa esperança de resoluçom para isso. Erdoğan abordou a questom curda, como umha questom fundamental da Turquia de forma irresponsável a fim de promover os seus interesses e os do seu partido. El interrompeu o povo curdo, as forças democráticas, e todo povo turco, embora pudesse ter oferecido todas as condiçons e oportunidades para a soluçom da questom curda. Outros poderes políticos desconfiarom desse abuso de Erdogan e nom oferecerom o apoio necessário.

Portanto, esta experiência mostra-nos que a declaraçom de cessar-fogo, sem um fim para a utilizaçom da mesma só vai manter a política de uso ferramental que o partido fai, portanto, servindo à sua insistência em nom resolver a questom curda. As questons relativas ao cessar-fogo nom devem mais ser abordadas no interesse de um determinado partido, mas vistas como um problema que toda a Turquia enfrenta. Palavras, passos ou açons que nom som em prol de umha soluçom e servem apenas para enganar nom tenhem nengum significado. Repetir isso nom ajudará em nada, além de piorar a situaçom.

Nom foi o PKK nem o Movimento de Libertaçom Curdo quem criarom esse conflito. O PKK foi formado pola falta de umha soluçom para a questom curda, e chamou a atençom para isso, bem como o fortalecimento dos fundamentos de umha soluçom, umha vez que luitou contra as políticas de negaçom e de extermínio”.

O Estado turco deve dar um passo

Na sua declaraçom, a KCK foi inflexível com o feito de que o Estado turco precisa dar o primeiro passo para as negociaçons serem feitas.

“É o Estado turco, que deve dar um passo para a soluçom da questom curda e garantir umha soluçom duradoura. Se o governo nom consegue fazer isso, o povo curdo irá criar a sua própria soluçom e continuará a luitar por umha vida livre e democrática. Ninguém deve esperar umha abordagem diferente do povo curdo e do Movimento de Libertaçom. No entanto, o Estado turco nem sequer dá um passo, nem tolera a criaçom da própria soluçom do povo curdo. O Estado turco nom pode sair deste ciclo vicioso se nom abandona as suas políticas e alianças anti-curdas.”

A saúde e segurança de Öcalan

“Como Movimento de Libertaçom Curdo, sabe-se que tivemos de recorrer à guerra por necessidade. A história tem provado que a paz na Turquia virá com a soluçom da questom curda, e que isso só é possível com a libertaçom dos povos curdos e do líder Abdullah Öcalan, que iram desempenhar um papel importante na realizaçom desta soluçom. Nosso líder é a ponte fundamental entre os povos turcos e curdos. O líder Öcalan tem apresentado a abordagem mais razoável para a soluçom da questom curda, mas a sua abordagem nom foi correspondida, polo contrário, foi colocado sob isolamento mais rigoroso.

Enquanto era sabido que os golpistas estavam muito irritados com o nosso líder por causa dos seus análises, as preocupaçons do nosso povo a respeito da sua saúde e segurança nom foram respondidas, assim como a nom concessom ao acesso polos avogados da sua família e garantia dos seus direitos mais básicos. Nom respondendo a essa demanda urgente isso prova que ainda nom existem políticas para a soluçom democrática da questom curda. Se houvesse qualquer intençom de umha soluçom política democrática, umha reuniom com Öcalan teria sido estabelecida. Neste contexto, o isolamento agravado imposto ao nosso líder é, na sua essência, um isolamento da soluçom política democrática.”

Possível soluçom caso o Estado turco tome medidas

A KCK enfatizou que umha soluçom para a questom curda poderia acontecer em um curto espaço de tempo, caso o Estado turco e o governo tomassem iniciativas. “Se desenvolverem umha política para essa soluçom, a questom curda será resolvida dentro de um mês, e a paz virá para a Turquia. Como movimento de libertaçom, a nossa preferência é por umha soluçom política democrática. É claro que vamos fazer todos os sacrifícios necessários para isso, o que requer umha postura do estado e do governo que garanta que eles nom vam instrumentalizar os cessar-fogos e períodos livres de conflito. Ninguém deve esperar um passo so unilateral nesta questom.

No entanto, se o governo do AKP mostra ter vontade de resolver a questom curda e selar um compromisso com o povo turco tomando assim as medidas necessárias tais como dar início às negociaçons para umha soluçom imediata com reunions entre a Comissom Parlamentar incluindo o HDP e o nosso líder, garantirem que Öcalan terá a oportunidade de se reunir com a sua organizaçom [KCK / PKK] e todas as partes dentro e fora do Parlamento, todos os grupos dentro da Turquia que tenhem pontos de vista sobre a democratizaçom e soluçons para os seus próprios problemas, principalmente os alevitas, ONGs e organizaçons intelectuais; nós, como Movimento de Libertaçom estamos preparados para cumprir todos os deveres no âmbito das medidas a serem tomadas e os compromissos recíprocos.

Esta nom é uma imposiçom, nem umhas pre-condiçons. Estas som as etapas necessárias para certificar de que nom retornaremos às condiçons terríveis em que nos encontramos hoje. Grandes perdas e dor forom causadas polas políticas que instrumentalizarom assuntos relacionados com a soluçom da questom curda.

Se as políticas de negaçom e extensom genocidas [contra os curdos] foram descartadas, nós, como Movimento de Libertaçom seremos os defensores mais destacados e praticantes de umha soluçom que permitirá ao povo turco viver em fraternidade. Este tem sido o nosso objetivo em todas essas décadas de longa luita, e vamos concretizar isso.

Publicado em Kurdish Question baseando-se na declaraçom da KCK publicada em ANF.

 

 

 

Campanha pola liberdade da novelista Asli Erdogan

Asli ErdoganA escritora foi detida o mércores como parte da operaçom de fechamento do jornal de esquerda “Ozgur Gundem” (Agenda Livre). Depois de três dias sob custódia policial, foi decretada a sua prisom preventiva. O seu crime: opinar. Asli Erdoğan tinha optado pola paz nos seus escritos em ‘Ozgur Gundem “. Na sua defesa, a escritora argumentou a sua extensa carreira em vários meios.

Asli Erdoğan é autora de sete livros de ficçom. Livros com muito sucesso que forom traduzidos para quinze idiomas. É considerada umha das cinquenta autores do futuro da literatura turca. Asli Erdoğan foi acusada polo Régime turco de “espalhar propaganda” equivalente, em termos ocidentais, a um crime de opiniom. De acordo com o juiz turco, Asli Erdoğan promove “quebrar a unidade e integridade territorial do Estado”. Como o Reino de Espanha, a República da Turquia baseia-se na unidade indissolúvel da naçom, pátria comum e indivisível e as forças armadas, por meios violentos, deve defender essa integridade territorial. Como em Espanha, a “naçom-se” fictícia identifica-se como só um dos seus componentes, umha das línguas, ignorando as minorias. No caso turco:  curdos, armênios, laz, assírios, gregos … Asli Erdoğan está na prisom por opinar. Escrever nom é delito, e Turquia é o país do mundo que mais jornalistas presos tem.

O silêncio é cumplice.

Petiçom em linha pola liberdade de Asli Erdoğan.

 

A política anti-alevi da Turquia nos tempos do Estado Islâmico

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Mulheres Alevi-curdas resistem às políticas insidiosas de assentamentos de refugiados do Estado turco em Terolar. Foto: Kurdish Question

Por Dilar Dirik

Os alevis som parte central do movimento de libertaçom curdo e da política de esquerdas e progressistas turcas.

Sob a autoritária, sectária-conservadora política do presidente turco e o seu partido o AKP, Turquia prendeu de refém a Uniom Europeia ao instrumentalizar o sofrimento dos refugiados sírios. El continua a fortalecer o seu governo uni-pessoas com a sua guerra contra o terror paranóico em que, paradoxalmente, junta o movimento curdo, o Estado Islâmico, acadêmicos, setores do exército, e o seu ex-mentor e colaborador Fethullah Gülen em um bloco monolítico.

Parte do plano de Erdogan é opor as comunidades umhas contra as outras para se livrar dos eventuais componentes étnicos, religiosos, ideológicos, sociais ou políticos que poidam desafiar o seu projeto profundamente sectário neo-otomano que consiste em apontar à povoaçom Alevi do país.

Desde março de 2016, os moradores das aldeias Alevi-curdas em Kahramanmaraş ou Maraş (Gurgum em curdo) estiverom a resistir activamente as políticas de assentamentos do estado. O Estado turco quer construir um acampamento da Presidência de Desastres e Gestiom de Emergência de Turquia, ou AFAD, ao redor do val da vila de Terolar – que som principalmente sunitas árabes da Síria. Enquanto fornece umha imagem impecável para o mundo exterior, estes campos de refugiados patrocinados polo Estado geralmente fornecem aos jihadistas um refúgio seguro para o tratamento, recrutamento e abrigo. Casos de abuso sexual e tráfico de seres humanos som amplamente relatados. Para estes acampamentos forom amplamente analisados os lugares onde o AKP conscientemente mobiliza os refugiados para a sua própria agenda política e ideológica. O acampamento planejado em Terolar deveria acolher umha povoaçom de refugiados maior do que a povoaçom local.

As incansáveis manifestaçons dos moradores de aldeias como Terolar e além, que percebem umha perigosa agenda por trás deste novo plano de liquidaçom, forom defrontados com violência policial durante meses. Em umha medida bastante inteligente, o governo e os seus meios retratarom essa resistência legítima como sentimentos anti-refugiados dos moradores, quando na realidade isso é parte de um projeto maior do AKP para incitar conflitos comunitários e impor dramáticas alteraçons demográficas para as regions curdas para os seus próprios ganhos económicos e políticos usando aos refugiados.

Umha história das massacres alevitas

A fim de compreender o significado da resistência em Maras, é importante conhecer a profundamente enraizada história genocida do Estado turco moderno contra a comunidade Alevi-curda, um legado anterior à administraçom abertamente religioso-sectária de Erdogan, apesar das pretensons seculares dos governos anteriores.

A negaçom e aniquilaçom sistemática daqueles que nom som turcos-e-sunitas constituiu um pilar fundador da naçom-estado turco – nom importa quanto isso enquadrada na imagem em termos progressistas, seculares. Assim, os genocídios contra os armênios, gregos pônticos, assírios e curdos – especialmente os Jazidis e alevitas – forom fundamentais e até mesmo existenciais para o paradigma “modernidade” deste estado artificial violentamente imposto , que encontrou um bode expiatório diferente em cada década, em coordenaçom com os militares, a extrema-direita e fundamentalistas islâmicos.

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Marcas em umha casa alevi

Enquanto algumhas massacres ocorrerom como campanhas de linchamento patrocinadas polo Estado ou mortes de indivíduos alevitas, outras forom planejadas operaçons de limpeza étnica em grande escala por parte do Estado. Durante décadas, “marcarom” as casas alevitas como objetivos para ataques de ódio e demonizaçom do modo de vida Alevi através de mitos urbanos, negaçom, mentiras e propaganda sendo umha constante na agenda do estado. A eliminaçom sistemática e islamizaçom forçada do pensamento, cultura, história e valores Alevis que mostram características ecológicas, comunitaristas, anti-autoritarias e muitas vezes centradas nas mulheres som motivaçons profundamente ideologicas, em quanto a filosofia Alevi incorpora umha oposiçom ao Estado autoritário, capitalista e patriarcal.

Em 1938, a cidade alevi-curda de Dersim foi implacavelmente bombardeada, matando mais de 15.000 civis, depois de umha grande revolta do povo, liderados por Seyît Riza, um respeitado líder tribal e figura política. Entre os pilotos de combate estava a filha adotiva do fundador da república turca Mustafa Kemal,  Sabiha Gökçen, pola que tem o nome o terceiro maior aeroporto da Turquia. Glorificando-a como a primeira piloto de combate feminina no mundo e a primeira mulher piloto na Turquia é umha das muitas tentativas por parte do Estado para cobrir as suas medidas genocidas com a narrativa da modernidade: umha mulher turca moderna bombardea aos curdos atrasados – umha história de modernizaçom perfeita.

Umha das maiores massacres contra os alevitas-curdos tivo lugar em 1978 em Maraş, o mesmo lugar onde o Estado tenta instalar os refugiados árabes sunitas hoje. Em um clima político já tenso cheio de confrontos entre esquerda e direita, antecipando o infame golpe militar de 1980, umha violenta matança varreu Maraş, onde casas alevitas foram atacadas, queimadas, e as pessoas assassinadas nas ruas. Mais de 100 pessoas forom assassinadas e para os alevitas, ficou claro que as autoridades contra-guerrilha do estado tinham provocado os ataques. Após este trauma colectivo, dez milheiros de pessoas fugirom para outras partes da Turquia e Europa. Muitos deixarom de ensinar aos seus filhos curdos por medo e lentamente assimilar-se como um meio de auto-preservaçom.

Alevis massacres
Ataque a alevitas no 1993 no Hotel Madimak em Sivas

A era pós-golpe estivo marcada por muitos incidentes, ecoando a grande massacre de  Maraş. Em 1993, umha multitude de linchadores fascista islâmistas atacou o hotel Madimak em Sivas, onde pensadores, artistas, escritores e intelectuais estavam-se preparando para um festival cultural Alevi. A polícia turca, na época secular, observou e, em alguns casos, até mesmo ajudou a multitude fascista que primeiramente atirou pedras ao hotel antes de prender-lhe lume, com o resultado de 33 alevis asfixiados ou queimados vivos e muitos feridos.

Os sangrentos acontecementos do bairro em grande parte alevi de Gazi em Istambul, em Março de 1995 foram mais um episódio de assassinato e violência contra os alevitas, os curdos em geral, e de esquerdas, executado por direitistas e islamistas, patrocinado polo Estado. A polícia disparou às cegas às multitudes de pessoas que se manifestarom pola massacre em Gazi. Ataques, linchamentos, marcaçons de casas para os ter em vista e as perseguiçons de alevitas em Gazi continuam ate hoje.

Como esta cronologia nom exaustiva mostra, militares laicos kemalistas, ultra-nacionalistas de extrema-direita e islamitas conservadores na Turquia sempre deixam as suas diferenças à parte e unem forças contra aqueles a quem veem como ameaças ao autoritário: um Estado, umha bandeira, umha naçom , umha língua, umha doutrina religiosa que eles tenhem em comum, com pequenas diferenças. Por meio de seu islamismo claramente político, Erdogan acaba de traer esse legado a um novo nível, ajudados pola ascensom do Estado Islâmico.

Mas há também umha longa história de resistência. Os alevis som parte central do movimento de libertaçom curdo e da esquerda e as políticas progressistas turcas. Sobretudo as mulheres alevi-curdas, que sofrerom mais que os homes esses ataques violentos, amplamente juntarom às fileiras dos diferentes grupos políticos e, especialmente, no Partido dos Trabalhadores do Curdistam, ou PKK, desde os inícios. Enquanto líder política secular, o movimento de libertaçom curdo sempre enfatizou a repressom histórica específica e as políticas genocidas contra grupos como os alevitas, Jazidis, e armênios na Turquia.

Sakine Cansiz, umha das co-fundadoras do PKK e figura de proa do movimento de mulheres curdas assassinada o 9 de janeiro do 2013, em Paris, juntamente com Fidan Dogan e Leyla Saylemez, era umha mulher alevi-curda. Fidan Dogan, também era umha mulher alevi-curda, de feito era de Maraş.

Dado esse contexto histórico, a questom da legítimidade surge em Maraş hoje como a razom pola qual o governo do AKP, que afirma repetidamente ter o 50 por cento da povoaçom do seu lado, parece nom encontrar lugar para os refugiados sunitas nos seus baluartes, mas ao invés disso, considera necessário estabelece-los no meio de zonas de povoaçom alevi-curdo, que ainda estam sob a sombra das massacres e traumas passados.

É fundamental compreender que a raiva entre os alevitas nom está dirigida contra os refugiados, mas contra as motivaçons tão sutis como insidiosas do Estado. Os moradores da aldeia de Terolar ponhem ênfase nas suas manifestaçons de que a sua comunidade, que está bem familiarizada com o significado da guerra, deslocamento, desenraizamento e ameaças existenciais, som solidárias com os refugiados sírios que precisam de asilo, mas luitam contra o governo que aproveita a miséria humana para impor novamente um genocídio cultural contra os alevitas. Receiam que as tentativas do Estado de incitar o conflito por motivos religiosos asentando refugiados árabes sunitas nas regions curdo alevitas, e para obrigar os alevitas deixar as suas casas. Considerando que o Governo turco recebeu 6 mil milhons de euros da Uniom Europeia para ajudar aos refugiados e a imensa quantidade de recursos que o Estado e o exército destinam à destruiçom das cidades curdas, resultando na massacre de centos de civis, nom parece que os recursos, logística e meios económicos constituam um problema para a política de assentamentos de refugiados prevista por Erdogan.

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Protestos em Saras

Mudança demográfica, desenvolvimento capitalista e guerra total

Dentro deste contexto, as motivaçons ideológicas, políticas e religiosas das políticas anti-alevitas do estado parecem óbvias. No entanto, nom se podem entender esses desenvolvimentos sem considerar os interesses políticos e econômicos a longo prazo do AKP que tenta alcançar através de mudanças demográficas.

Desde o Verao do 2015, o Estado turco lançou umha cruel campanha militar no Curdistam, que nom só matou centos de civis em frente aos olhos da comunidade internacional, mas também destruiu sistematicamente casas, lugares históricos significativos e infra-estruturas. Logo, torna-se claro que um dos objectivos do Estado é criar edifícios da Administraçom para o Desenvolvimento de Habitage (TOKI) nestas áreas, gentrifica-los ou instalar os refugiados sírios lá, depois de aniquilar os curdos destas regions. Este é especialmente o caso do distrito de Sur de Amed (Diyarbakir), que é património mundial da UNESCO e que foi transformado em pó e cinzas polo exército turco, forçando a mais de vinte mil pessoas a fugir. Ao mesmo tempo que  extermina fisicamente os habitantes dessas áreas, re-ajustes de infra-estrutura radicais e a elitificaçom do turismo impom umha segunda medida genocida sobre eles aniquilando a sua cultura da face da terra.

Além disso, Erdogan há muito que insinua a concessom aos refugiados sírios da cidadania turca para angariar apoio na regiom e mobilizar potenciais votos. Ao mesmo tempo, que ameaça despojar os “simpatizantes dos terroristas”, umha descriçom que abrange um amplo espectro de pessoas, incluindo acadêmicos, da sua cidadania. O objetivo deste duplo movimento é claro: umha grande mudança demográfica lado-a-lado com ambiciosos projectos de infra-estruturas capitalistas para recolonizar economicamente o Curdistam.

Ademais opor os refugiados contra os curdos em geral e os alevitas em particular, é umha questom muito delicada que o AKP tenta explorar para os seus próprios ganhos. É fácil acusar alguém de racismo anti-refugiados aos que resistem essas táticas especiais de guerra quando estas incluem a construçom de campos de refugiados. O assentamento de  refugiados sírios em áreas específicas e até mesmo prometer-lhes a cidadania é umha estratégia inteligente de Erdogan para subornar Europa, aumentar a sua popularidade com o bloco sunita-conservador na regiom, e engaja-se em um ataque genocida cultural e físico em grande escala sobre todo mundo que nom combina com a sua narrativa neo-otomana – especialmente as pessoas que prejudicam o casamento entre nacionalismo turco e islamismo conservador.

É por isso que é impossível analisar as políticas de refugiados da Turquia isoladas da sua guerra total com o Curdistam como regiom e a cultura alevi em particular.

Da mesma forma, nom é realista tratar o assassinato físico dos curdos do plano mestre económico neoliberal do AKP, combinado com a sua nostalgia imperial. Assim como as leis militares e decretos governamentais que legitimarom a devastaçom militarista de Dersim, em 1938, os bloqueios  militares e matanças  extrajudiciais em lugares como Cizre, Nusaybin, Yüksekova, Sur e Silopi hoje som continuaçons da síntese turca da política nacionalista, militarista, capitalista, patriarcal e religiosa. Dentro do espírito do ISIS, Erdogan está promovendo umha mudança demográfica mortal no Médio Oriente, atacando a culturas antigas que incluem identidades e estilos de vida ecológicos e centrados nas mulheres. O feito de que especialmente as mulheres estam na vanguarda da resistência em Terolar é ilustrativo do apego das mulheres alevi-curdas para as suas terras e os valores ecológicos associados a elas.

A UE é cúmplice nessa guerra quer através da vendas de armas dos Estados individualmente a Turquia, quer através do silêncio sobre as violaçons dos direitos humanos e o fascismo mália ser bem conscientes, ou através dos futuros interesses de investimento económico e jogos de guerra. Os chamados “valores europeus” estam a ser vendidos no tráfico e mercados sexuais de escravos humanos na Turquia, no trabalho de crianças refugiadas, na contínua perda de património cultural mundial, e no mar Mediterrâneo, o cemitério conjunto europeu-turco de milheiros de refugiados afogados.

A renúncia aos refugiados polos mesmos estados, instituiçons e sistemas que tenhem causado todas essas guerras é umha vergonha para todos os que crem na liberdade, a democracia e os direitos humanos. Mas desde o ponto de vista dos oprimidos, a resistência e auto-defesa continuam.

Nas palavras de Seyit Riza, que liderou a rebeliom alevi-curda na Dersim e foi executado polo Estado turco em 1937: “Eu nom podia lidiar com os seus truques e mentiras, isso volveu-se um problema para mim. Mas, eu nom me ajoelhei frente sua. Que isso lhes quite o sono”.

Dilar Dirik 34Dilar Dirik, fai parte do movimento das mulheres curdas, escritora e estudante de doutorado no Departamento de Sociologia da Universidade de Cambridge. O seu trabalho analisa o papel da luita das mulheres na articulaçom e construçom da liberdade no Curdistam. Escreve regularmente sobre o movimento de libertaçom curdo em vários meios de comunicaçom internacional.

Publicado em TeleSurtv.

 

Cristiáns Siríacos revivem a sua antiga língua

Siriaco
O Centro Ourhi em Qamishli é considerado o primeiro centro cultural e de línguas criado polos cristiáns siríacos no norte da Síria. Foto: ARA Notícias

Por Ahmed Shivesh

Os cristáns Siríaco-Assírios em Hasakah, Síria (Cantom de Cizire), como outras comunidades, estám tentando reviver a sua língua e ter educaçom na sua língua materna. A instabilidade que persiste no país deu aos siriacos-assírios umha oportunidade de ter educaçom na sua própria língua.

Antes do desencadeamento da crise na Síria, os cristiáns siriacos-assírios nom estavam autorizados a ter educaçom na sua própria língua, como os curdos. A única lingua utilizada na educaçom era o árabe, devido às políticas totalitárias do governante Partido Baath que excluíam a outras minorias étnicas. Esta comunidade cristiám mostrou agradecimento por esta grande oportunidade que veu em meio da difícil actual situaçom na Síria.

Os Siríaco-assírios iniciarom recentemente um Centro de Língua conhecido como “Ourhi Centre”, na cidade de Qamishli na província de Hasakah ao nordeste da Síria. O projeto visa educar em língua assíria e treinar a potenciais professores que teram a missom de reviver esta antiga língua.

“O nosso centro é responsável da formaçom de professores especializados em língua siríaca para que poidam ensinar diferentes matérias nesta língua”, Janeiro Malfon, diretor do Ourhi Centre.

“Esta é a primeira vez que a nossa comunidade crea na sua própria língua um centro cultural”, dixo.

Várias línguas, incluindo o assírio, estam a ser ensinadas dentro do novo currículo nas escolas, sob o patrocínio da Auto-Administraçom do Norte da Síria e Rojava.

Lorin Afram, professor de língua siríaca em Qamishli, dixo a ARA News: “Nós começamos o nosso primeiro curso de siríaco no centro com um nível institucional a fim de ensinar-lhes aos estudantes noçons básicas de siríaco escrito e falado”.

Além disso, Mirna Saliba, umha estudante de siríaco no Centro Ourhi, dixo: “Aprender a língua siríaco-assíria vai-nos ajudar a compreender melhor a nossa cultura e história, a fim de passar esse conhecimento para as próximas geraçons e garantir que aprendam a sua língua materna.”

Publicado em Ara News.

 

O silêncio fai-te cúmplice

Gunden portada 2O governo de Erdogan vem de fechar o jornal Özgür Gündem (Diário Livre), sob a manida acusaçom de “propaganda de organizaçom terrorista”, detivo quando menos a 23 pessoas na sede do jornal (incluindo aquelas que se achegarom à sua sede em mostra de solidariedade) e invadiu a casa dos editores e ex-responsáveis do jornal.

Özgur Gündem
Detançom do caricaturista Dogan Guzel

Com  umha tirada de 7.500 exemplares, desde há 27 anos, sofreu 50 vezes o seu feche e assassinarom a 89 dos seus trabalhadores. Malia tudo isso, hoje Özgür Gündem abria com a portada: “Nom nos dobraremos (às pressons)!”.

Özgür Gündem é o 46º jornal que o governo turco fecha este mes.

Se o 4 de Março do  2016, quando o governo de Erdogan tomou o control do jornal Zaman, conservador islamista e com ligaçons ao Movimento Gulen, umha onda de solidaridade percorreu as páginas de jornais e empresas de comunicaçom, de esquerdas e direitas, polo mundo adiante, e na Galiza também, hoje quase só há silêncio, um silêncio que converte em cúmplices a todas as que se chamam jornalistas, na Galiza e fora.

OzgurGundem portada
Portada de Özgür Gündem “Nom nos dobraremos”