Iram e Turquia estam arrastando os curdos na sua guerra fria no Oriente Médio

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O presidente iraniano, Hassan Rouhani, com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. EPA

Por Abdul-Qahar Mustafa

A rivalidade entre a Turquia e o Iram por dominar o Oriente Médio nom é algo novo. É de feito o legado do conflito histórico entre dous impérios, os persas e os turcos que dominarom o Oriente Médio por várias vezes e sob diferentes nomes e ideologias na história. No entanto, essas duas etnias tenhem desenvolvido os seus impérios e expandido os seus interesses ao custo de violar os direitos humanos de outros grupos étnicos minoritários como curdos, baloches, árabes, assírios, armênios, alavis, jazidis e gregos.

Hoje, vejo que o governo turco e iraniano, as fontes e os herdeiros dos impérios otomano e Safávida estam realizando a mesma missom dos seus antepassados. Eles estam tentando usar a povoaçom curda repetidas vezes como umha ferramenta para minar o poder e a influência de uns e os outros e expandir os seus interesses no Oriente Médio.

Assim como nos séculos passados, esses dous regimes antidemocráticos estam usando todos os meios possíveis, desde as suas capacidades militares e econômicas superiores, a religiom islâmica até o uso da força, ameaça, coaçom, abuso, intimidaçom, prisons ilegais, agressom e exploraçom de grupos de minorias étnicas, como os curdos, para desafiar uns aos outros política, económica e militarmente no Médio Oriente.

Olhando para as suas políticas no Oriente Médio, podedes facilmente notar que ambos os regimes fascistas, Turquia e Iram estam luitando umha guerra fria com o outro. A primeira grande batalha está sendo travada no Iraque e na Síria, onde as suas tradicionais rivalidades e interesses conflitem pode ser visto em pleno vigor. No entanto, o problema aqui é, tanto a Turquia como o Iram estam tentando levar os curdos no seu conflito de interesses. Eles estam arrastando os curdos para os seus conflitos usando a cenoura e a vara com as minorias curdas do Iraque, Síria, Iram e Turquia e conseguindo que eles cooperem e tomem partido nos seus conflitos.

Há momentos em que usam promessas enganosas de recompensar a proteçom dos curdos, incentivos econômicos, independência, autonomia e liberdade se cooperarem. No entanto, quando os curdos se recusam a cooperar com qualquer das partes, eles tomam medidas punitivas contra os curdos, como sançons econômicas, agressons militares, prisons arbitrárias, tortura e até mesmo assassinatos.

Obviamente, há muitas razons para a rivalidade e a guerra fria entre turcos e persas no Oriente Médio. Primeiro, o Iram considera a Turquia como um aliado de Israel e EUA, porque a Turquia já reconheceu Israel como um Estado e tem todo tipo de relaçons com Israel. Portanto, o Iram percebe a Turquia como umha ameaça à sua segurança e interesses econômicos no Oriente Médio, enquanto a Turquia pensa do Iram como um estado que pode ser bom e ruim para a Turquia porque quando os interesses da Turquia entram em conflito com EUA, UE, a Turquia muda o seu curso de imediato e estende as suas maos para países como o Iram, que estam enfrontados com Israel, EUA e países da UE.

Turquia encontra o Iram como umha peza eficaz para negociar alguns acordos com Israel e Arábia Saudita. A Turquia oferece acordos para trabalhar com Israel e Arábia Saudita e ajudá-los a desafiar o poder político e a influência do Iram no Oriente Médio, e possivelmente atrair os sunitas, curdos e turcomanos para unificar a sua voz no Iraque, no futuro parlamento sírio e votar polo reconhecimento do Estado de Israel. Mas, em troca, a Turquia aceita que os EUA, a UE, os sauditas e os israelitas cumpram as suas próprias exigências e expectativas.

Além disso, a Turquia quer que os EUA e a UE desistam dos seus supostos apoios políticos, militares e econômicos com os curdos no Iraque, na Síria e na Turquia e, segundo, pressionem os cipriotas gregos o suficiente para compartilhar a sua riqueza de recursos naturais com a povoaçom cipriota turca. Terceiro para permitir que a Turquia tenha acesso aos benefícios do maior mercado do mundo da Europa e quarto para conceder aos cidadaos turcos a visa para viajar para a Europa. A Turquia promete aos EUA e à UE distanciar-se da Rússia e do Iram se concordam com as exigências políticas e económicas da Turquia na Europa e no Médio Oriente.

Para alcançar o sucesso no seu plano, a Turquia precisa do apoio dos curdos e outras povoaçons sunitas e turcomanas para fazer qoe os seus planos se tornem realidade. A Turquia está pressionando os curdos iraquianos a abandonar o seu apoio ao governo xiita em Bagdá e, em vez disso, fazer umha frente política unida com turcos e o bloco sunita para mudar o equilíbrio do poder político em Bagdá a favor dos sunitas. No entanto, os curdos querem permanecer neutros nesses conflitos. Mas a Turquia está arrastando os curdos a apoiar o seu plano. Está usando a aproximaçom da puniçom e das recompensas com os curdos no Iraque, Turquia e Siria a fim de ajudar a Turquia e suportar o seu negócio político, econômico e de segurança com Israel e Arábia Saudita no Médio Oriente.

Por exemplo, a Turquia recentemente prendeu vários políticos curdos do HDP e os enviou para a cadeia. Também emitiu um mandado de prisom para o líder sírio curdo Saleh Muslin. Mais as forças militares turcas foram desprazadas para distritos do sudeste perto da fronteira iraquiana, em cima de outras bases militares que já existem no norte do Iraque desde 1997.

Além disso, na recente visita da delegaçom da KRG à Turquia, o primeiro-ministro turco dixo ao primeiro-ministro Nechirvan Barzani, do governo regional do Curdistam, que a Turquia ajudaria financeiramente aos curdos no futuro, enquanto continua bombardeando a zona da fronteira da regiom do Curdistam iraquiano. Centos de aldeans e agricultores curdos abandonarom as suas casas e fazendas e fugirom para as vilas e cidades no norte do Iraque. É claro que a Turquia está usando a abordagem de recompensa e puniçom para conseguir que os curdos abandonem as suas ambiçons e esforços para obter independência, autonomia ou o seu apoio ao bloco xiita. Em vez disso, a Turquia quer que os curdos ouçam e cooperem com a Turquia para alcançar os seus planos estratégicos no Oriente Médio.

Creio que a agenda oculta da Turquia é, querem nom só trazer os curdos da Turquia, Síria e Iraque sob o seu control, e usá-los para atingir o seu objetivo no Oriente Médio. Os turcos em geral nom querem ver nengum tipo de área autônoma curda ou curdistam independente. Eles querem que os curdos sejam subservientes a eles. Eles querem usar os curdos para luitar polos seus interesses contra os seus países rivais no Oriente Médio. Eles tentarom todo para impedir que o governo dos EUA e o Iraque, nom permitiram que os curdos tivessem autonomia no norte do Iraque, e estam fazendo agora também para impedir que os curdos obtenham umha área autônoma no território sírio.

A Turquia também tenta explorar a questom da hegemonia do Iram no Oriente Médio como umha oportunidade para fazer um acordo com os EUA, Israel e a UE e obter concessons a partir deles. O que isto significa na minha opiniom é que a Turquia quer se tornar um  país independente poderoso no mundo livre da influência e ordens de fora. Significa também que a Turquia quer alimentar a sua povoaçom turca às custas dos curdos e dos iranianos. No entanto, o Iram está desafiando a Turquia nesse sentido. O Iram está jogando o mesmo jogo com a Turquia.

O Iram também quer que os curdos trabalhem com todas as forças xiitas no Iraque, na Síria e no Iram, para negar à Turquia a chance de desafiar o poder dos blocos de xaque no Oriente Médio ou obter quaisquer concessons de Israel e da Arábia Saudita às custas de ferir os interesses do Iram no Oriente Médio. Na verdade, o Iram já está lidando com as ameaças à segurança da Arábia Saudita, Israel e ISIS, por isso quer fazer tantos aliados quanto puder no Oriente Médio para se fortalecer contra essas ameaças e garantir que o regime islâmico sobreviva.

O Iram prometeu aos curdos da Síria e Iram proteçom, ajuda financeira e autonomia, desde que nom combatam o regime de Assad ou se rebelem contra o regime islâmico em Teeram e os seus aliados no Líbano e no Iraque. O Iram prometeu aos curdos da Síria e Iram proteçom, ajuda financeira e autonomia, desde que nom combatam o regime de Assad ou se rebelem contra o regime islâmico em Teeram e os seus aliados no Líbano e no Iraque. O Iram também exigiu que os curdos continuem aliados na luita contra o ISIS. Prometeu aos iraquianos e sírios ajuda econômica e apoio político se os curdos nom iam contra os seus interesses no Oriente Médio. No entanto, advertiu os curdos a se absterem de mostrar qualquer apoio ou estabelecer qualquer tipo de relaçom com Israel, ou entom eles (os curdos) enfrentariam umha dura puniçom polo Iram.

O Iram quer fazer negócios com os curdos iraquianos, mas sob a mesma condiçom de os curdos tomarem partido em um conflito com a Turquia. Na verdade, o Governo Regional do Curdistam (KRG) teria concordado com um plano para construir dous oleodutos de petróleo de Kirkuk para o Iram para que a KRG se tornasse menos dependente da Turquia. No entanto, tanto a Turquia como Israel nom estam felizes com tal porque em primeiro lugar, Israel é um comprador do petróleo da KRG que é enviado através do porto turco de Ceyhan e, em segundo lugar, a Turquia rendimentos do oleoduto que atravessa o seu solo, e terceiro Israel nom quer que o Iram benefice do petróleo da KRG , e a quarta, Turquia sabe que os curdos som mais dependentes economicamente da Turquia, quanto mais control a Turquia pode ter sobre eles em todas as formas possíveis.

Quando os curdos permanecem neutros nos seus conflitos de interesses ou quando fazem negócios com os opositores do Iram, como Turquia e Israel, o Iram rebela-se contra os interesses dos curdos e usa a sua força militar e econômica superior e a sua influência no Iraque e na Síria e persegue os curdos bombardeando as zonas curdas da fronteira com o Iram, ou ordena que as forças de Assad bombardearem as áreas civis curdas na Síria ou congela o orçamento anual dos curdos do iraque, para tipicamente fazer que os curdos se movam na sua linha de ditados.

Estes dous regimes fascistas sabem muito bem que os curdos nom tenem capacidade económica e militar suficientemente fortes para resistir à sua pressom política e económica, e que nom se podem defender contra as agressons militares da Turquia ou do Iram, aproveitando os pontos fracos dos curdos e chantageá-los até que eles os obrigam a ceder às suas demandas e trabalham para eles. Eles vêem os curdos como umha raça inferior que nom serve para nada, exceto para servir os interesses dos persas e dos turcos, como se os seus milhons de povoaçom persa e turca, e o seu poder econômico e militar superior nom fosse suficiente para realizar as suas missons por si mesmos, sem vitimizar os curdos nos seus conflitos de interesses e luitas no Oriente Médio.

Nom há dúvida de que os curdos nom querem ser chantageados ou intimidados para trabalhar de um lado contra o outro. Os curdos iraquianos tenhemm tentado todos os meios possíveis para permanecer neutrais na rivalidade e guerra fria entre xiitas e sunitas no Oriente Médio. Os curdos já pagarom um alto preço, perdendo milheiros de vidas na luita contra o ISIS e a sua povoaçom sofrendo a crise econômica. Eles certamente nom precisam ser arrastados para outro conflito no Oriente Médio.

As políticas dos curdos parecem ser claras e justas em relaçom aos seus vizinhos. Pode-se dizer que tenhem umha atitude amigável e açons razoáveis que tomam ao lidar com os seus vizinhos. Acredito firmemente que os curdos nom querem tomar partido ou favorecer aos xiitas sobre os sunitas ou vice-versa. Eles preferem ter boas relaçons com a Turquia e o Iram sem discriminaçom.

Os curdos da Turquia e da Síria também querem permanecer neutros no conflito e nos confrontos entre o exército de Assad e o exército sírio livre. Na verdade, todos os partidos curdos, do Iraque, da Turquia, do Iram e da Síria tenhem a mesma opiniom de nom tomar um ou outro lado na guerra fria entre xiitas e sunitas ou entre o Iram e a Turquia. Os curdos estam bastante focados em ter uma coexistência pacífica com árabes, turcos e persas igualmente.

Nom acho razoável se os curdos tomam partido por algum de ambos os regimes, a Turquia ou o Iram, especialmente quando se sabe que esses dous regimes nom só som  antidemocráticos, mas também tenhem um alto registro histórico de violaçom dos direitos humanos dos curdos?

Se a Europa e os Estados Unidos realmente defendem a democracia, os direitos humanos e nom os interesses partculares, nom devem permitir que a Turquia ou o Iram devorem os curdos polos seus próprios ilegítimos interesses políticos e econômicos no Oriente Médio. E se realmente acreditam na justiça, devem aplicar duras sançons econômicas e um boicote ao turismo tanto no Iram quanto na Turquia imediatamente, encerrar as negociaçons de adesom à UE e congelar participaçom da Turquia da OTAN até que volte a democracia.

Abdul-Qahar Mustafa é um estudante graduado da High School de Saint Louis em Canadá. Ele é defensor da justiça, democracia e direitos humanos. Atualmente vive em Sarsang / Duhok, no Curdistam iraquiano.

Publicado em ekurd.

http://ekurd.net/iran-turkey-dragging-kurds-2016-11-28

O fracasso contínuo do sistema internacional na questom curda

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Cidade curda destruída por artilharia militar turca

Por Hawzhin Azeez

Na semana passada, o estado turco, liderado polo presidente Erdogan e o seu governo do AKP, envolveu-se em umha das repressons mais preocupantes sobre os membros eleitos curdos do parlamento. O processo que começou com a prisom dos co-alcaldes de Diyarbakir continuou com a prisom dos co-presidentes do Partido Democrático do Povo (HDP) Selahattin Demirtas, Figen Yuksekdag e 7 deputados.

Esta última repressom ocorre em linha com os acontecimentos do fracassado golpe militar de julho. Desde entom, milheiros de funcionários públicos, professores, trabalhadores municipais, jornalistas e acadêmicos e também soldados forom presos ou demitidos. Esta repressom realça as preocupantes tendências políticas em curso na Turquia. A chamada democracia na Turquia está em sérios problemas e em rápido declínio.

A única marca da democracia da Turquia é a vergonhenta e transparente prisom de deputados, detençom de ativistas e tortura e assassinato de manifestantes.

A única certeza no sistema internacional com as suas leis farsas e falsas instituiçons é o contínuo silêncio cúmplice em vista das graves violaçons dos direitos humanos contra os curdos, grupos de esquerda e outras minorias na Turquia e as invasons inspiradas no neo-otomanismo imperialistas do AKP do Curdistam da Síria e o Iraque. A única liberdade que a imprensa internacional expressa é a sua escolha coletiva contínua de permanecer em grande parte silenciosa sobre essas violaçons. Enquanto a esquerda global permanece negligentemente subjugada, paralisada pola inaçom e indecisom.

Este pesadelo orwelliano representa o fracasso de toda a fundaçom da Nova Ordem Mundial. As suas instituiçons neoliberais, imperialistas e estatistas, outrora símbolo do argumento xenófobo da “Fim da História”, definido como o epítome da sua essência imperial, representam agora a realidade que sempre foi para os oprimidos e colonizados: violentas instituiçons indiferente e de empatia seletiva que determinam o destino das naçons, agora nom com canetas em mapas, mas com o clique de alguns botons em smartphones todo o direito das pessoas de existir ou perecer. E todo isso diante de um público global insaciável que consome com avidez o sofrimento dos oprimidos e exigem imagens cada vez mais violentas das nossas opressons para cumprir  o seu mórbido canibalismo.

Nom se engane, a resoluçom da “Questom Curda” pode ser o maior caminho rumo à estabilidade coletiva coletiva e à paz imediata, ou, se as tendências continuarem, pode implodir em outro conflito prolongado sem fim à vista. A única diferença é que agora a nossa opressom e a violência associada nom será mais contida nitidamente em nossos lares e eiras, como tem sido por décadas e séculos. Mas ela se vai espalhar na sua eira também.

Nom se esqueça que a responsabilidade nom deve ser sobre os oprimidos para provar a sua humanidade e, portanto, o seu direito à existência. Eles já estam carregados com o fardo insuportável da resistência desesperada pola sua própria sobrevivência. Mas em vez disso, a responsabilidade deve ser sempre à elite informada, privilegiada para reafirmar e recuperar a sua humanidade, fazendo algo sobre isso.

E assim imos esperar.

Enquanto permanecemos, coletivamente, no precipício de umha era perigosa.

Hawzhin AzeezHawzhin Azeez tem um doutorado em Ciência Política e Relaçons Internacionais. Ela é defensora dos direitos das mulheres e dos refugiados. Está atualmente trabalhando na reconstruçom de Kobane através do Conselhode  Reconstruçom de  Kobane.

Publicado em kurdish question.

 

“A Liberdade Prevalecerá”

dermitas-prisomEm sua carta desde a prisom, o co-presidente do HDP, Selahattin Demirtaş, dixo: “Imos nos mobilizar com inteligência, emoçom e entusiasmo, aumentar a consciência social e despertar, e sair desta espiral.”

O Partido Democrático dos Povos (HDP) realizou a sua quarta reuniom sem a presença de 8 deputados e dos co-presidentes Selahattin Demirtaş e Figen Yüksekdağ. O Vice-Presidente do Grupo Çağlar Demirel leu em voz alta a carta de Demirtaş, que tinha sido censurada polos funcionários da Prisom de Edirne durante a reuniom do grupo HDP.

Seguindo a mensagem do co-presidente do HDP Selahattin Demirtaş:

“Caros amigos parlamentares, cárregos e membros do partido, amigos e jornalistas, saúdos para cada um de vostedes. Pedo desculpas por quaisquer deficiência que esta mensagem poida ter, quando estou escrevendo em condiçons onde apenas a caneta e o papel estam disponíveis. Como sempre, estamos em pé com entusiasmo contra a injustiça e a crueldade com a que estamos confrontados.

Meus queridos amigos, Oriente Médio, Mesopotâmia e Anatólia estam sob ataques e intervençons sem precedentes. Organizaçons da selvageria e a violaçom, como o ISIS e as organizaçons afiliadas a Al-Qaeda, transformam-se em mecanismos de massacre e genocídio cultural. Essas organizaçons, que alegam representar o Islam, nom contribuem ao Islam ou qualquer outra religiom e adotarom umha agressom que tenta erradicar valores da humanidade que tenhem milheiros de anos. A insistencia em criar umha naçom baseada em umha língua e umha identidade na Turquia tratou cruelmente as diferentes identidades, línguas e cores destas terras. Aqueles que querem que a república se encontre com a democracia forom rotulados como “inimigos internos”, “terroristas” ou “traidores”. Todos os desejos de transformaçom democrática na sociedade forom oprimidos pola violência e opositores, artistas, acadêmicos, empregadores, políticos e jornalistas e outras pessoas forom presas e exiladas.

Estas políticas implementadas pola ideologia hegemónica e propagada polo AKP formam também o eixo da política externa do governo. O eixo político sectário tem sido o principal determinante da política externa e a Turquia enfrenta um colapso na arena diplomática.

O erro mais crítico em um período tam crítico é formar estratégias baseadas em políticas sectárias e nacionalistas. Infelizmente, isso é o que o AKP está fazendo agora. Este é exatamente onde a nossa diferença, a diferença do HDP, torna-se visível. Pode-se ver que a defesa de todas as identidades e grupos de fé para garantir a sua coexistência livre e igual através da perspectiva da naçom democrática é crucial em um momento em que o racismo, o nacionalismo, o sectarismo e o sexismo aterrorizam toda a nossa geografia.

Continuaremos a nossa luita na prisom com grande moral e entusiasmo. Nom reteram o nosso clamor pola paz, porque estamos sendo tratados injustamente. Trataremos a violência, as armas ou a morte como reparaçons, enquanto luitamos contra a injustiça. Mobilizaremos-nos com inteligência, emoçom e entusiasmo, aumentaremos a consciência social e despertaremos e sairemos desta espiral. Por último, desejo agradecer e cumprimentar a todos os que nos apoiam dentro e fora da Turquia. Eu estendo a minha solidariedade aos administradores do jornal Cumhuriyet, à imprensa livre, jornalistas e colunistas, e a todos os presos políticos. A liberdade prevalecerá.”

Publicado em Ajansa Nûçeyan a Firatê – ANF.

 

 

 

O último cravo no caixom do processo de paz na Turquia

Democratic Society Party (DTP) leader Ahmet Turk, who was banned from politics for five years, attends a news conference in AnkaraResumo: Após a detençom do alcalde de Mardin, reviver o processo de paz entre militantes curdos e o governo turco nom é mais que um sonho.

Por Cengiz Çandar

Ahmet Turk é um homem com pose. Semelha a personificaçom da nobreza e a dignidade. A sua personalidade nobre vem com seu passado feudal; é o descendente de um senhorio curdo e chefes tribais em umha vasta terra ao longo da fronteira da Turquia. Enquanto a sua dignidade dá a impressom de que vem de dentro, em vez de ser parte da sua ascendência aristocrática curda, a combinaçom de ambas cria um líder muito carismático.

Mesmo o seu apelido, em certo sentido, o torna único e um centro de atraçom. Turk é um apelido irónico para um curdo que dedicou a sua vida polos direitos curdos na sua luita contra o Estado turco. Ainda assim, sugere também que o destino dos curdos é inseparável do dos turcos na Turquia.

Com a sua crescente idade – tem 75 anos – e o seu cabelo, bigode e sobrancelhas cada vez mais grisalhos, Turk ganhou a imagem de um homem sábio. No entanto, el nom cuidou do seu corpo tam bem quanto podia; é um fumante muito pesado e incurável apesar de ter problemas de saúde que incluírom cirurgia. Para el, acender cigarros um após o outro é umha forma de conforto. É umha espécie de alívio necessário da tensom permanente que tem sido o seu destino durante toda a sua vida.

El é o político curdo mais velho e o mais velho do parlamento turco. Foi eleito por primeira vez em 1973, por um partido turco de centro-direita. Foi eleito por Mardin seis vezes, estivo envolvido na política social-democrata turca e desde meados da década de 1990 el surgiu como a figura paterna na cena política curda. Foi o presidente de vários partidos políticos curdos – que forom banidos um após o outro – até 2011. Essa foi a última vez que el foi eleito para o parlamento. Em 2015, deixou a política de Ankara para servir a Mardin como o seu alcalde.

Foi removido do cargo há umha semana polo governo nacional como parte da repressom que começou após a tentativa fracassada de golpe em julho. O 21 de novembro, foi detido e nom se lhe permitiu atender aos seus avogados durante cinco dias.

Durante umha longa conversa em Mardin, em 2009, no terraço de um hotel com vistas para as aparentemente infinitamente extensas planícies do norte da Mesopotâmia em direçom à Síria, el lembrou as suas memórias da intensa tortura a que foi submetido na notória prisom de Diyarbakir durante o governo militar. Estava tam sereno como sempre. Eu nom me conseguim controlar e interrompim, gritando-lhe, “Vostede está fora de si? Que está fazendo agora? “El olhou para mim com olhos intrigados,” Que quer dizer? “Eu dixem-lhe,” Escuitando a sua história de quase 30 anos atrás, eu nom consigo entender. Para umha pessoa como vostede, que passou por essas coisas, ou tem que marchar às montanhas ou tem que deixar a política para sempre e optar por se tornar uma nom-pessoa obediente. Mas vostede ainda está ativo na política, apesar das pressons, insultos e ameaças. “El só baixou os olhos e continuou as suas histórias sobre a prisom de Diyarbakir com a sua voz calma característica.

El tem sido um nome muito conhecido na Turquia – participando na esfera política legítima e instituiçons políticas legais como umha voz da razom para acabar com a violência em relaçom à questom curda – a sua detençom chocou a segmentos muito amplos da sociedade.

O colunista de Hurriyet, Ahmet Hakan, descreveu Turk como a figura mais pacífica, mais inclusiva, mais anti-violenta, mais moderada e mais sábia do movimento político curdo, e a mais propensa a comprometer-se. “A sua detençom nom vai ajudar, mas que para aumentar a nossa desesperança e pessimismo ainda mais”, Hakan acrescentou.

“Desesperança e pessimismo “em relaçom ao quê?

A resposta é em relaçom à resoluçom do conflito curdo por meios pacíficos e políticos; Ou seja, através de negociaçons. Umha jornalista conservadora considerada islâmica não podia deixar de pedir em um site recém-lançado: “Ahmet Turk está detido. Bem. Mas com quem se vai falar para resolver o problema curdo?” O artigo foi acompanhado por uma foto do presidente Recep Tayyip Erdogan com Turk do ano de 2009; Esse encontro simbolizara a “abertura curda” quando o governo de Erdogan tinha iniciado umha iniciativa para resolver a questom curda.

A detençom de uma figura tam importante como Turk, é precisamente a manifestaçom da escolha de Erdogan e a o seu governo de que a Turquia nom está mais interessada em resolver a sua questom curda por meio de negociaçons com o movimento político curdo.

A detençom de Turk é umha ligaçom dramática na cadeia de movimentos que começou com as prisons dos co-prefeitos do centro político e cultural curdo de Diyarbakir e alcançou magnitudes muito perigosas com a prisom do co-presidentete do Partido Democrático dos Povos (HDP) Selahattin Demirtas e 10 deputados do partido que constitui o terceiro maior bloco no parlamento turco. Os quase 50 deputados restantes forom removidos do parlamento e nom estam envolvidos em atividades legislativas. O deputado por Mardin do HDP Mithat Sancar alegou que a vida de Demirtas está em perigo. Demirtas foi transferido para a prisom de Edirne, na cidade mais ocidental da Turquia, na fronteira com a Bulgária. Esta também é onde a maioria dos suspeitos do Estado islâmico estam presos.

A detençom de Turk nom é apenas um elo final da cadeia da repressom sobre os valores políticos curdos, é mais um insulto à injúria para os curdos.

Umha ativista dos direitos civis curdos de Diyarbakir, Nurcan Baysal, escreveu que Turk representa muitas cousas simultaneamente para os curdos. Acima de tudo, el representa a memória dos curdos da história das suas luitas. “Dete-lo é deter a longa história do povo curdo [luitando] polos seus direitos”, concluiu.

O simbolismo da detençom de Turk é a exibiçom da determinaçom do regime de Erdogan na Turquia para acabar com as demandas representadas polo movimento político curdo, umha vez por todas. O movimento político curdo é umha rubrica usada para definir o espectro político que vai desde a insurgência curda representada polo Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK) até os representantes eleitos dos curdos na política turca.

Um exemplo disto é a detençom de Demirtas, indiscutivelmente a figura política mais brilhante e popular na Turquia, que competiu contra Erdogan nas eleiçons presidenciais de 2014 e que liderou um partido pró-curdo acima do limiar de 10% que lhe permitia entrar no parlamento nas eleiçons gerais de 2015. A detençom de Turk, a figura política curda mais veterana e amante da paz, equivale – se se pode fazer umha comparaçom com a questom irlandesa – de aniquilar totalmente o Sinn Fein em termos de negociaçons e só enfrentar com o PKK (ou, como era no caso irlandês, enfrentando so o Exército Republicano Irlandês).

Isto tem umha dimensom relacionada com a Síria também. Há alguns dias, um deputado do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, que queria permanecer anónimo, dixo-me que há um forte empenho em ver o Partido da Uniom Democrática Curda (PYD) e as Unidades de Protecçom do Povo (YPG) destruidas na fronteira com a Turquia.

O movimento político curdo da Turquia está intimamente relacionado com o PYD e as YPG na Síria. Eles interagem. E enquanto o governo da Turquia está reprimindo os seus próprios curdos, el também está buscando esmagar o PYD, que o governo vê como umha extensom síria do movimento curdo da Turquia.

Especialmente agora, na sequência da detençom de Turk, reviver o processo de paz com os curdos na Turquia nom é mais que um sonho.

A detençom de Turk talvez mesmo significa que a questom curda da Turquia entrou no episódio mais grave na sua longa história.

 

cengiz-candarCengiz Candar é um dos colunistas da Al-Monitor para Turquia. Jornalista desde 1976, é autor de sete livros em língua turca, principalmente em assuntos do Oriente Médio, incluindo o best-seller Mesopotâmia Express: Uma viagem na história. Atualmente, é um Distinguished Visiting Scholar no Instituto de Estudos Turcos da Universidade de Estocolmo (SUITS).

Publicado em Al-Monitor.

 

 

Estou como Diyarbakir: desassossegada, furiosa, ressentida, mas ainda estou em pé!

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TOMAs turcos em Amed

Por Nurcan Baysal  

Enquanto os nossos representantes eleitos estám presos, sabemos que o governo selecionou um grupo de pessoas de famílias influentes para lançar um novo “processo de paz”.

No último venres, 370 organizaçons da sociedade civil forom fechadas polo governo sob a alegaçom de apoiar grupos terroristas. 50 dessas organizaçons som de Diyarbakir [Nome turdo da cidade de Amed, considerada  a capital de Bakur, o Curdistam sob administraçom turca], a minha cidade. Há associaçons que apóiam as famílias que perderom as suas casas durante os toques de recolher ou famílias que vivem abaixo da linha de pobreza na regiom. As associaçons que defendemm os direitos das mulheres e das crianças, os direitos lingüísticos curdos, as pessoas “desaparecidas”, pola reconciliaçom, a cultura curda, os direitos dos avogados forom todas fechadas polo governo.

Sarmaşık é umha das associaçons que estava trabalhando sobre a pobreza. Sarmaşık tem regularmente dado apoio alimentar a 32.000 pessoas todos os meses durante os últimos 11 anos.

2 dias atrás, eu estava caminhando para o encontro com a imprensa de Sarmaşık para protestar contra o seu fechamento. Havia muitos tanques, TOMAs [veículo anti-distúrbio com canos de água] e policias na entrada da rua. No encontro com a imprensa, havia so umha câmera, porque a maioria dos meios de comunicaçom forom fechados 2 meses atrás. Havia apenas 10-15 pessoas participando da reuniom de imprensa, mas havia dúzias de policias bloqueando a rua.

Após o encontro com a imprensa, eu estava sentado em um café. Apenas algumhas mesas estavam cheias. O proprietário do café dixo-me: “Depois da prisom do presidente Selahattin (Selahattin Demirtaş, co-presidente do Partido Democrático do Povo), o café ficou vazio por alguns dias. Agora as pessoas começaram a voltar, mas nom é como antes. Há umha grande tristeza.”

Outro dono de loja em Suriçi dixo que as pessoas na cidade estám com medo e muitas pessoas nom visitaram a área de Sur há meses [Sur é a parte antiga amuralhada património da humanidade que estivo meses sob toque de recolher e foi arrassada polo exército turco ante o silêncio da comunidade internacional e a UNESCO]. Em umha cidade cercada com milheiros de tanques, TOMAs, polícia e exército, esse medo é muito compreensível.

Além do medo, existem outras razons para o silêncio na cidade.

Os curdos luitarom pola paz por muitos anos. Apesar de cem anos de injustiça, indignaçom e pressom, os curdos, com os seus municípios, representantes políticos e sociedade civil, apoiarom a paz com todas as partes do seu ser. O Estado turco tem respondido a estes esforços de paz com indignaçom, assassinatos, bombardeios e encarceramento. Esta foi umha grande decepçom. Os curdos ficarom profundamente ofendidos polo Estado. Os curdos estám desesperados. As pessoas sofrem aqui. Eles estám ressentidos e tristes. É realmente difícil saber como esses sentimentos afetaram o futuro.

Todo na cidade lembra-nos que estamos em guerra. Em todos os lugares está cheio de barricadas policiais. Os edifícios do município, as estradas principais, mesmo os parques da cidade estám cercados por barricadas da polícia. Ao caminhar na cidade, temos de passar entre as barricadas, tanques e TOMAs. Enquanto comemos em um restaurante, comemos nossa comida entre policias que carregam grandes armas. Mesmo o Parque Anıt, o parque infantil no centro da cidade está cheio de bandeiras turcas. As nossas antigas muralhas da cidade estam cobertas com grandes bandeiras turcas. Há polícias vestidos de civil ou uniforme, soldados e equipes especiais em todos os lugares, em cada esquina, em cada rua.

Nom é fácil viver assim, manter-se de pé, segurar a esperança. Não é realmente fácil continuar vivendo.

Já nom temos os nossos meios de comunicaçom. Foram fechados. Nom temos mais organizaçons da sociedade civil. Forom fechadas. Já nom temos o nosso governo municipal democraticamente eleito. Administradores estatais forom nomeados para administrar os nossos municípios. Nom temos mais os nossos representantes no parlamento. A maioria deles forom detidos. Prender os nossos representantes eleitos foi esmagador. Nom so como indivíduos, mas como cidade, como comunidade todos nós sofremos!

Enquanto os nossos representantes eleitos estam na prisom, nós sabemos que o governo selecionou um grupo de pessoas de famílias influentes para lançar um novo “processo de paz”. Lançar um “processo de paz” sem representantes curdos parece absurdo. Eu amaldiço este país, que continua a cometer os mesmos erros ano após ano.

Meus amigos que vivem no Ocidente, muitas vezes me ligam e perguntam: “Como estás?

Eu estou como Diyarbakir: desassossegada, furiosa, ressentida, mas eu ainda estou em pé!

The Kurdish People Are Proud Of You Mehmet Tunç nurcan-baysalNurcan Baysal é umha autora curda que publicou numerosos livros e artigos sobre a questom curda da Turquia.

Publicado em opendemocracy.

 

Jinwar : A Aldeia de Mulheres Livres em Rojava

jinwarEm Rojava, o Comitê de Construçom da Aldeia de Mulheres Livres do Kongreya Star [confederaçom de organizaçons de mulheres em Rojava,] começou a construir umha aldeia de mulheres chamada “Jinwar” contra a violência contra as mulheres.

Enquanto as mulheres, quem criarom a revoluçom em Rojava, continuam a construir a vida, continuam as suas originais obras em todos os lugares. Começou-se a construir umha vila perto da cidade de Dirbesiye no cantom de Cizîre. A aldeia de mulheres que se chama  “Jinwar” começou a ser construída so pola solidariedade das mulheres. As obras de infra-estrutura da aldeia da vida, que é umha alternativa à violência contra as mulheres, continuaam. Em fevereiro, casas de tijolos de barro seram construídas com base nos princípios da vida ecológica. Os detalhes do projeto seram compartilhados mais tarde. O Comitê de Construçom da Vila das Mulheres Livres do Kongreya Star emitiu umha declaraçom de imprensa enquanto as mulheres estavam plantando sementeiras. Heval Rumet, da Academia de Jineologia, homenageou as irmás Mirabal em ocasiom do 25 de novembro como o Dia Internacional para a Eliminaçom da Violência contra as Mulheres e afirmou que poram em prática o projeto da aldeia de mulheres de Jinwar contra a violência contra as mulheres.

Heval, assinalou que as mulheres tinham enfrentado um genocídio das mulheres, dixo: “A ideologia de gênero pom os homens como potenciais assassinos de mulheres. A vida de cada mulher sem auto-vontade, auto-consciência, auto-organização e auto-defesa está em perigo. As mulheres, cuja vida física nom está em perigo, tenhem enfrentado a sua língua, sua cultura, seus sentimentos, seus pensamentos e seu trabalho para ser roubado e destruído. Nesse sentido, ficar de pé contra o genocídio das mulheres requer umha organizaçom multilateral e trabalhar com amor. Os projetos e as luitas exigem que se garanta que o nome da mulher nom seja referido à morte, mas a nossa cultura histórica iguala-a a vida novamente.”

Heval enfatizou que continuariam com grande asserçom e crença a desenvolver os espaços livres das mulheres sob a liderança da Jineologia, a ciência da Mulher-Vida-Sociedade e criaçom das mulheres livres. Heval expressou que plantaram sementeiras por todas as mulheres mortas e submetidas a agressons.”

1_jinha_logo_b_enPublicado em Jinha, Agência de novas feita por e de Mulheres, agora mesmo ilegalizadada em Turquia e com várias jornalistas presas em Turquia.

 

 

 

Declaraçom das YPJ (Unidades de Defensa das Mulheres) polo 25 de novembro Dia Internacional para a Eliminaçom da Violência contra as Mulheres

ypj-mitingOs valores da humanidade e da sociedade criados polas mulheres som destruídos e saqueados hoje de formas diferentes pola masculina mente hegemônica. Contra essa pilhagem, som as mulheres quem ainda defendem a vida com o seu trabalho, criatividade e esforços pacíficos. As mulheres e a vida tentarom ser destruídas pola mente patriarcal vendo a soluçom no poder das mulheres de novo com a experiência de transitar a partir das raízes da história.

A imagem da mulher submissa e escrava criada pola mente patriarcal será derrubada com a vontade das mulheres e a luita compromissa das mulheres.
Umha nova sociedade e umha nova realidade das mulheres foi criada pola revoluçom das mulheres. A revoluçom que veu à vida em Rojava sob a liderança das mulheres tem dado voz às mulheres em todas as partes.
Luitando com a filosofia da vida livre, as YPJ forjarom milheiros de mulheres insurgentes e resistentes. O legado das Irmás Mirabal foi retomado por Zilan, Sakine e Arin, e umha luita implacável tem sido travada contra todos os tipos de violência contra as mulheres.

Com a nossa luita contra o ISIS, um reflexo da mente patriarcal nos campos de batalha, centos de mulheres forom salvas da sua crueldade.

Dentro da revoluçom das mulheres com os passos históricos tomados, nós, como as YPJ prometemos a todas as mulheres em qualquer lugar mais umha vez por sempre levar a luita mas longe.

Do auto-governo à auto-imolaçom: passado e presente das mulheres curdas

mulheres-rojhelatPor Ava Homa

Viajantes ocidentais tenhem maravilhado com o feito de que as mulheres curdas foram governadores e chefes durante o Império Otomano e Persa, onde os curdos tinham regions auto-governadas, um feito do que nom se ouviu falar nos territórios vizinhos naquela época. Martin van Bruinessen, conhecido estudioso dos estudos curdos, observa que “em certos distritos do Curdistam, o domínio das mulheres era de feito tam comum que era explicitamente mencionado nos registros do direito consuetudinário (qanunnama) cumpridos polos otomanos”. [1] A constituiçom ou qanunnama para a área de Shahrizur continha disposiçons que permitiam a sucessom por umha filha. Bastante comum e aparentemente, de acordo com van Bruinessen, muito bem aceito.

Hoje, no entanto, a taxa alarmante de auto-imolaçons entre as mulheres curdas no Iram é altamente preocupante nom só para esta naçom, mas deve ser para todas as feministas e activistas dos direitos humanos em todo o mundo. O suicídio por queima supom o 0.06-1 por cento [2] de todos os suicídios em países desenvolvidos. No Iram, até o 71 por cento [3] dos suicídios som realizados por auto-imolaçom, a maioria dos quais som cometidos por mulheres nas províncias de Kermanshah, conhecido como Kermashan e Ilam entre os curdos. A maioria das vítimas som mulheres entre 18 e 27 anos. [4] Este artigo vai analisar como as mulheres curdas viverom no passado, o que causou a tragédia social de hoje e quais medidas preventivas podem e devem ser tomadas para melhorar a sua situaçom hoje.

História

Duas imagens contraditórias das mulheres curdas flutuam nas mídias internacionais. Eles fazem manchetes por serem as bravas luitadoras que combatem contra um dos grupos mais perversos do nosso tempo, o Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS). As mulheres curdas também forom vistas como governantes de tribos e territórios. Elas som as mulheres sem véu do Oriente Médio que usam vestidos coloridos, dançam de maos dadas com homes e juntam-se confortavelmente com eles abertamente no trabalho, na guerra e dentro da família.

Do outro lado do espectro, as mulheres curdas foram maltratadas e até mesmo mortas por honra, foram vítimas de mutilaçom genital feminina (FGM) e mais impressionante da auto-imolaçom, entre outras formas de violência visível e invisível. Para entender o paradoxo, é importante fornecer um contexto histórico.

Nom importa em que país os curdos se encontram, eles forom percebidos como umha ameaça à integridade territorial dos Estados dominantes. Este risco tem sido resolvido através da aniquilaçom e eliminaçom – seja gaseificaçom, execuçons e detençons arbitrárias – ou assimilaçom através da destruiçom da sua língua e cultura.

Apesar das fronteiras que separaram os curdos em quatro países diferentes, a história amarga e as tragédias que eles tenhem em comum criou umha profunda afinidade entre eles e aproximou-nos. Independentemente dos fatores geopolíticos em divisom, o que acontece com os curdos na Turquia, por exemplo, afeta os curdos no Iram, na Síria e no Iraque. Estas experiências tenhem afectado as mulheres curdas e a sua posiçom tanto na sociedade curda como nas sociedades dominantes dos territórios em que vivem. Manter esta interconexom em mente é importante para compreender as influências culturais de vários países que moldarom e continuam a moldar as realidades da vida para as mulheres curdas.

Mulheres curdas como chefes e governadores

A história curda está cheia, com exemplos de mulheres poderosas, incluindo, mas nom limitado a Adele Khatun da família Ardalan (na atual Sanandaj, Província do Curdistam, Iram) que se casou com Osman Pasha de Halabja que instituiu um Tribunal de Justiça e tornou-se seu presidente. Até a sua morte, em 1924, exerceu a sua influência. Em 1920, Hapsa Khan (em Sulaimani, Curdistam iraquiano) casou com a família governante do governo autônomo de Sheikh Mahmud. Ela valorizou a educaçom e procurou umha agenda para a alfabetizaçom das mulheres. Outro exemplo é o de Leyla Zana que começou a partir de humildes começos e aos 14 anos de idade foi empurrada a um casamento forçado com um parente distante que era quase 20 anos mais velho. Ele também era um líder político curdo, mas ela superou ao seu marido e se tornou umha das mais proeminentes personalidades curdas. Ela é atualmente membro do parlamento na Turquia.[5]

Organizaçons de mulheres curdas

A segunda organizaçom oficial para as mulheres curdas no Iram foi estabelecida em 1945 durante a República do Curdistam (também conhecida como República de Mahabad). A primeira dessas organizaçons foi estabelecida pola elite em Istambul em 1919. Durante o período de autonomia curda, o Partido das Mulheres Hizbi Jenan começou a sua atividade, incentivando as mulheres a sair das suas casas e participar da vida pública. No capítulo 4, artigo 21 da Constituiçom afirma que “em todos os assuntos políticos, econômicos e sociais, as mulheres devem gozar de direitos iguais aos homes”. [6] Dous dos 16 líderes que falarom em 18 de janeiro de 1946 eram mulheres. Os seus nomes eram Khajijay Sediqi e Ismat Qazi, ambas as duas recramarom a educaçom das mulheres.

Na atualidade, as mulheres curdas na regiom semi-autônoma do Curdistam do norte do Iraque têm sido bem sucedidos na construçom de refúgios para mulheres, atribuindo uma linha especificamente para vítimas de violência doméstica e sensibilizaçom sobre os direitos das mulheres. Apesar de tais pontos brilhantes na história curda – também refletida no folclore curdo – muitas tradiçons curdas, algumhas delas descritas acima, forom e som no seu coraçom incompatíveis com as modernas idéias feministas. Nunca na história curda as mulheres forom percebidas como indivíduos independentes com direitos iguais, mas antes eram valorizadas nos seus papéis como maes da pátria. No entanto, compreender a história é importante para perceber que para os curdos a nom ter estado anda de maos dadas com a opressoom de gênero.

Auto-imolaçom no Curdistam Iraniano

No Iram, as leis misóginas afetaram todas as mulheres independentemente da sua religiom, etnia, deficiência ou orientaçom sexual, mas a opressom é em multi-camadas para os grupos nom-dominantes, ou seja, as mulheres que nom som xiitas persas que componhem a maioria da povoaçom iraniana . As mulheres curdas, em particular, experimentaram umha variedade de níveis de discriminaçom: chauvinismo nacional das naçons governantes, chauvinismo masculino da própria naçom, misoginia dos grupos islâmicos e guerra contínua. A apatridia [sem estado]também fai com que as mulheres curdas fossem ignoradas e excluídas nos estudos do Oriente Médio e do Ocidente.

Hoje, a província de Kermashan tem algumhas das mais altas taxas de auto-imolaçom feminina ao redor do mundo. Pesquisas realizadas no Hospital Kermashan mostrarom que as vítimas de queimaduras auto-infligidas eram freqüentemente mulheres, velhas, pouco instruídas (analfabetas ou apenas com o ensino primário) e casadas. Na província do Curdistam, outra pesquisa mostrou que o 58 por cento das pacientes queimadas tinham menos de 20 anos, as taxas de mortalidade eram do 76,5 por cento, com maior mortalidade em mulheres do que em homes. As causas comuns que os pacientes declararam forom: vício do cônjuge, poligamia, falta de entendimento do cônjuge e diferença de idade.[7]

Problemas mentais

Os tabus que envolvem a saúde mental tornam difícil para as pessoas compreender a depressom, por exemplo, que é umha causa comum de suicídio. Pesquisas mostram que o 22 por cento dos que cometerom suicídio sofrem de depressom, o 6,3 por cento de transtornos de pânico e o 6 por cento de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Na maioria dos pacientes, existe umha história familiar de suicídio. [8] Assim, a falta de consciência sobre a saúde mental resulta em umha falta de diagnóstico e prevençom, para que os indivíduos afetados nom recebam a ajuda de que precisam. Além do estigma social, os curdos geralmente desconfiam das autoridades, incluindo o sistema social e de saúde, o que aumenta o desafio de poder pedir ajuda quando for necessário.

Economia

Um dos problemas que a maioria das vítimas de auto-imolaçom tenhem em comum é a pobreza. Na regiom curda no Iram, o desemprego ou o subemprego desencadeiam um sentimento de vulnerabilidade e podem levar os indivíduos a se preocuparem com o seu futuro; Também cria umha sensaçom de perda e solidude, especialmente por causa do reduzido apoio social; e a falta de seguro de saúde, juntamente com a deterioraçom da situaçom que agrava as consequências de sucessos estressantes da vida.

Algumhas mulheres cujas funçons som nom remuneradas e subvalorizadas – geralmente trabalho doméstico e cuidar de crianças – experiência social e dependência financeira. Isso, à vez, pode causar um sentido negativo do eu e ter impactos negativos sobre a auto-estima. As reaçons em cadeia podem levar, por exemplo, a ter maus aptidudes para resolver problemas e a incapacidade de considerar as conseqüências de umha tentativa de auto-imolaçom, que incluem desfiguraçom, dificuldades e incapacidade. O uso do lume neste contexto também pode ser umha escolha impulsiva umha vez que os elementos necessários para a auto-imolaçom podem estar prontamente disponíveis na maioria dos lares.

Cultura

Em umha sociedade estritamente dominada polos homes, onde a identidade masculina é definida com base no nível do home de control sobre as mulheres, o corpo feminino é considerado a propriedade dos membros masculinos da família. Para estas mulheres que usam o lume é o grito mais alto por ajuda dado que sentem que o seu único ato de control sobre o seu corpo é queimando-o. A auto-imolaçom, quando repetida muitas vezes também se torna parte da cultura, na sociedade iraniana, as pessoas ouvirom freqüentemente a frase “vou-me queimar” desde a infância e nom tremem ao ouvi-la.

Etnocentrismo de feministas tradicionais

Umha fonte nom reconhecida de divisom entre as feministas no Iram é o etnocentrismo do grupo dominante. A maioria das ativistas nom tenhem consciência de que a etnicidade e o feminismo se cruzam, ou simplesmente tenhem medo de discutir esse importante assunto, que se tornou tabu. O Iram esforçou-se por assimilar as minorias étnicas e religiosas dentro das suas fronteiras. [9] Discutir a individualidade dos vários grupos assusta aos iranianos que acreditam que a diversidade poria em perigo a sua terra por instigar perspectivas separatistas. O separatismo no Iram nom é visto como um termo político; equivale a ‘traiçom’. As mulheres curdas, portanto, nom som reconhecidas como umha naçom com direitos legítimos. Assim, as políticas etnicamente opressivas do governo que afetam diretamente as mulheres som negadas ou ignoradas.

Na sua negaçom da intersetorialidade, mulheres ativistas transformaram-se em agentes do patriarcado e reproduzem o chauvinismo nacional. Isso também é verdade para algumhas feministas nascidas e criadas fora da capital. Elas esforçam-se para ajudar a voz do mainstream tornar-se a única voz que aborda as dificuldades das mulheres. Umha vez que elas sentem que é a única voz poderosa reconhecendo a situaçom das mulheres, elas sentem que devem dar o mainstream a sua fidelidade e atençom.

A minha campanha Stealthy Freedom, durante a qual as mulheres postarom fotos de si mesmas em plataformas de mídia social sem um véu, ganhou um apoio tremendo. [10] Assim como a campanha para permitir que as mulheres entrem em estádios esportivos – um espaço que geralmente é proibido para as siareiras. Embora estas sejam causas que valem a pena, as activistas precisam de compreender que, num país onde as mulheres sofrem com a grave injustiça da poligamia, do suicídio, da MGF e do homicídio, as campanhas precisam ir além da sensibilizaçom e desafiar as questons estruturais e institucionais que criam um ambiente propício para todas as formas de violência. No entanto dar prioridade a tais questons significaria arejar a roupa suja de umha naçom já demonizada que tenta muito difícil mostrar ao mundo que é ocidentalizada, apesar do seu governo teocrático.[11]

Além disso, maridos e pais que som oprimidos tendem a ser mais violentos com as suas contrapartes femininas.

Em geral, as mulheres curdas no Iram sofrem de umha combinaçom de opressom étnica, política, econômica e baseada no gênero. Enquanto ativistas marginalizadas reconhecem que todas as mulheres no Iram estam sujeitas a discriminaçom, elas acreditam que focalizar apenas na situaçom do grupo dominante significa fechar os olhos para as realidades sofridas por milhons de mulheres que vivem fora de Teeram ou nas suas favelas, e assim, ainda mais ostracismo na situaçom das mulheres negligenciadas. Enquanto as feministas dominantes iranianas nom reconhecem o etnocentrismo no seu próprio quintal e a opressom simultânea que subestima a experiência das mulheres, elas som agentes (inconscientes) do patriarcado ao reproduzir o chauvinismo nacional.

A história do movimento de emancipaçom das mulheres curdas, como o povo curdo, é suprimida. Mas umha sociedade progressista libertada precisa de mulheres livres, educadas e ativas. O nacionalismo nom deve continuar a ser um cam de guarda para o feminismo. Independentemente de onde a cultura foi contaminada pola misoginia, assegurar que as mulheres podam reivindicar e exercer os seus direitos é um processo de desaprendizagem. A auto-imolaçom, um dos protestos mais altos, cria um círculo vicioso: torna-se um evento familiar e comum tanto que a gravidade desse ato pode ser perdida em vítimas potenciais. Educaçom, conscientizaçom e prevençom podem reduzir essa tragédia social. Viajando a escolas secundárias de meninas e meninos, usando as mídias e as mídias sociais, ativistas e profissionais da saúde podem gerar discussons muito necessárias sobre igualdade de gênero, suicídio, prevençom e conseqüências.

Ava Homa é umha crítica, escritora, editora e oradora. Nascida e criada na regiom curda do Iram, recebeu um mestrado em língua inglesa e literatura em Teeram, outro mestrado em escrita criativa da Universidade de Windsor, Canadá, e um diploma em ediçom do George Brown College, em Toronto. Histórias e artigos de Homa aparecem em várias publicaçons em todo o Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. Recentemente, ela concluiu o romance histórico Many Cunning Passages. Ela é editora para Boularderie Island Press e Kurdistan24, a segunda vice-presidente do Conselho Nacional de Uniom de escritores do Canadá’, e  Directora da norte-americana Associaçom de Direitos Humanos para o Curdistam do Iram (KMMK-G).

Publicado em Iran Human Rights Review

[1] Martin van Bruinessen, ‘From Adela Khanun to Leyla Zana: Women as Political Leaders in Kurdish

History’ in: Shahrzad Mojab (ed.), Women of a Non-State Nation: The Kurds, Costa Mesa, CA: Mazda Publishers, Inc., 2001, pp. 95-112, http://www.let.uu.nl/~martin.vanbruinessen/personal/publications/Bruinessen_From_Adela_Khanum_to_Leyla_Zana.pdf

[2] Zainab Suhrabi, Ali Delpisheh, and Hamid Taghinejad, Tragedy of women’s self-immolation in Iran and developing communities: a review, September 2012, http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3462521/

[3] Ibid Suhrabi, Delpisheh and Taghinejad

[4] Ibid Suhrabi, Delpisheh and Taghinejad

[5] Martin van Bruinessen, ‘From Adela Khanun to Leyla Zana: Women as Political Leaders in Kurdish

History’ in: Shahrzad Mojab (ed.), Women of a Non-State Nation: The Kurds, Costa Mesa, CA: Mazda Publishers, Inc., 2001, pp. 95-112, http://www.let.uu.nl/~martin.vanbruinessen/personal/publications/Bruinessen_From_Adela_Khanum_to_Leyla_Zana.pdf

[6] Shahrzad Mojab (ed.), Women of a Non-State Nation: The Kurds, Costa Mesa, CA: Mazda Publishers, Inc., 2001 and Women and Nationalism in the Kurdish Republic of 1946 http://sites.utoronto.ca/wwdl/publications/english/mojab_03.pdf

[7] Groohi, Bahram, et al. ‘Suicidal behaviour by burns among adolescents in Kurdistan, Iran: A social tragedy.’ National Center for Biotechnology Information. U.S. National Library of Medicine, 2002.

[8] Mehdi Ghazinour, Naser Mofidi, Jorg Richter, Continuity from suicidal ideations to suicide attempts? An investigation in 18-55 years old adult Iranian Kurds, October 2010, http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19756339

[9] Ava Homa, Ethnocentrism, the weakness of Iranian democratic movements, Kurdistan 24, February 2016,

http://www.kurdistan24.net/en/opinion/9b053ced-46cf-44bb-aabb-96849f67052a/Ava-Homa

[10] My Stealthy Freedom, http://mystealthyfreedom.net/en/

[11] Christopher Thornton, The Iran We Don’t See: A Tour of the Country Where People Love Americans, Atlantic, June 2012, http://www.theatlantic.com/international/archive/2012/06/the-iran-we-dont-see-a-tour-of-the-country-where-people-love-americans/258166/