Dor de umha YPJ em Kobanê

YPJ Kobane 05Por Sedat Sur

Quando eu cheguei à sede das YPJ (Unidades de Defesa da Mulher) para umha conversa com luitadoras das YPJ que tomarom parte nas operaçons contra as gangues do ISIS que massacrarom a civis o 25 de junho, e que deixarom 233 pessoas martirizadas, a maioria mulheres e crianças, e 273 feridos, na porta, elas dim-me que preciso esperar, para ver se era adequado umha entrevista naquel momento. Nesse meio tempo, umha combatente responsável pola segurança na porta pede-me para sentar.

Quando eu pergunto o seu nome, ela responde que ‘Laleşin’. Em silêncio e com um olhar distante, ela carrega umha profunda tristeza no rosto. Contendo-me, pergunto-lhe porque ela está perdida em pensamentos e olha em cima. Ela começa a dizer, como se continuaramos umha conversa estabelecida anteriormente. “Nós somos combatentes, *Heval. Estamos defendendo a nossa terra e a revoluçom, nós poderiamos cair **mártires.”

Enquanto ela fala, eu tento entender porque está dizendo essas cousas. Ela acrescenta; “No entanto, a morte de civis é muito dura. Deveríamos tê-los protegido.” Agora eu entendo que Laleşin fala muito sinceramente, como se ela tomasse o seu coraçom na sua mao quando ela exprime os seus sentimentos. A dor das mortes que ela sente nom só no seu coraçom, mas também no seu corpo e até mesmo em gestos. Nom é difícil de compreender.

Por primeira vez, sinto a impressom da massacre quanto escuito a Laleşin.

“Espertei com um Rojbaş [bom dia], para ouvir imediatamente tiros, e ao saber que as gangues tinham entrado Kobanê”, di ela. Laleşin participou do primeiro grupo de combatentes das YPG / YPJ que fixo a primeira intervençom contra as gangues assassinas. Os seus comandantes designarom-na para a remoçom dos corpos dos civis e proteçom de outros civis.

“O que aconteceu em Halabja*** foi umha grande massacre que custou a vida de milhares de mulheres e crianças”, di, e di que nom é só que as pessoas morreram em Kobanê, mas também umha dor de testemunhar a morte dos seus amigos e parentes mais próximos.

“Nom é isso muito pesado, Heval?”, pergunta ela, para a qual eu nom podoo dar umha resposta. Em quanto Laleşin fala, eu lembro do escritor francês Jean Genet e do seu livro “Quatro Horas em Shatila” [“Quatre heures à Chatila”] em que fala sobre as massacres que ocorreram nos acampamentos palestinos de Sabra e Shatila em Beirute, no Líbano, em 1982, e di que “todo mundo morre sozinho”.

No entanto, como eu escuto a Laleşin, eu entendo que “Ninguém morre sozinho em Kobanê”, e que “Eles simplesmente nom morrem”. Quem poderia afirmar que umha mae que perdeu a vida com a dor do seu bebê amamentado morreu sozinha, e acabou de morrer?

Os detalhes traumáticos da massacre saem quanto Laleşin continua dizendo, que umha criança de 3 anos, escondeu-se sob a varanda da cozinha durante o ataque, e que os selvagens do ISIS pulverizarom-o a tiros logo após encontrá-lo. Ela fala sobre o assassinato de sua mae e outro irmao cujos corpos foram crivados de buracos. Os seus olhos enchem-se de lágrimas enquanto ela continua dizendo, e pergunta; “Por que as gangues nom nos atacarom? Eles deviam ter entrado em confrontos com nós. Que é o que eles querem da nossa gente e crianças? Ela reage igualmente com o estado turco e di- -É umha parte de esta massacre.

Laleşin é de Kobanê. Ela di que cresceu nas ruas onde ocorreu a massacre, jogando junto com muitos que foram mortos na massacre. “Eu entrei nas YPJ a fim de que nom houvesse massacres a ser perpetradas nestas ruas, mas eu nom conseguiu impedi-la. Isso é muito pesado e difícil de superar.”

Laleşin, que perdeu muitos amigos dela em setembro, quando o grande ataque das gangues do ISIS em Kobanê foi realizado, conta o seguinte: “Estamos prontas de qualquer maneira para ter certeza que o nosso povo nom morra, e que as nossas terras e as pessoas se tornem livres. Eu posso enterder a morte quando um luitador é martirizado. Eu mesmo sofrim feridas também, e eu podo cair mártir. Isso nom é um problema para nós. Mas, as pessoas devem viver e levar umha vida livre, elas nom devem morrer. Esta é a nossa pretensom para a existência, Heval ”

Laleşin pergunta que vai dizer a respeito da massacre o líder do povo curdo, Abdullah Öcalan. “Eu sei que el vai sentir umha profunda tristeza quando oia sobre ela. É el quem nos ensinou a estar profundamente ligadas às pessoas, para protegê-las, e a luitar pola sua liberdade”, di ela.

Laleşin finalmente acrescenta que: “Nunca permitiremos outra massacre de agora em diante. Tomaremos todas as precauçons, nom importa o que poida custar. Este povo nom sofrerá umha nova massacre, mesmo que só fique um único lutador das YPG / YPJ. Ninguém nunca vai ser capaz de colocar as maos sobre este povo. ”
*Heval: Amigo em curdo.
** A todas as pessoas que caem na luita se lhes chama mártir e rendem-se-lhe honras.
*** O ataque com gás venenoso em Halabja ocorreu o 16 de março de 1988, durante o encerramento da Guerra Iram-Iraque, quando foram utilizadas armas químicas polas forças do governo iraquiano na cidade curda de Halabja, no Curdistam iraquiano. O ataque matou entre 3.200 e 5.000 pessoas e feriu cerca de 7.000 e mais 10.000, a maioria civis;milhares morreram de complicaçons e doenças congênitas nos anos depois do ataque.

Publicado em KurdisQuestion.

 

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