Quem tomará al-Bab?

mapa-norte-de-siria-artigoPor Fabrice Balanche

O último reduto do ISIS no leste da Síria está pronta para cair, e dadas as grandes implicaçons estratégicas para os curdos, a Turquia, os “rebeldes” e outros atores, um deles pode agir com rapidez para determinar o seu destino.

Após as cidades sírias de Manbij e Jarabulus foram recentemente libertadas do ISIS, os observadores começaram a se concentrar em al-Bab, a última grande cidade do ISIS – ao oeste da sua auto-proclamada capital em Raqqa. Vários atores estam a pouca distância da cidade, de modo que quem vai tentar conquistá-la primeiro? De acordo com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, os “rebeldes” sírios devem liberar al-Bab, com a ajuda do exército turco, que já está dentro da Síria a so 30 km de distância. Mas os desenvolvimentos militares no terreno sugerem um cenário diferente. O 3 de outubro, as forças das SDF, lideradas polos curdos, tomarom Arima, umha fortaleza do ISIS na estrada de Manbij apenas a vinte quilômetros ao leste de al-Bab, enquanto outras unidades das SDF tenhem avançado a vinte quilómetros ao oeste da cidade. Enquanto isso, o exército sírio está a so dez quilômetros ao sul.

Al-Bab durante a guerra

Em 2011, cerca de 100.000 pessoas viviam na área de al-Bab. A cidade nom sofreu muitos combates durante a guerra, tornando-se um bom destino para os refugiados de outras partes da província de Aleppo. Hoje, tem umha maioria da povoaçom árabe sunita com umha minoria curda. Tal como acontece com a maioria das outras zonas da província, o pessoal administrativo e das forças policiais do regime Assad deixou a cidade na primavera de 2012 e as forças rebeldes assumirom o control. Em Janeiro de 2014, o ISIS apreendeu al-Bab e controla-a desde entom.

Dada a história da pré-guerra da cidade, umha parte significativa da povaçom pode muito bem simpatizar com credo radical do Estado Islâmico; a partir de 2003, por exemplo, muitos jovens de  al-Bab forom para o Iraque a luitar contra as tropas americanas. Mais recentemente, o grupo tem enfrentado algumha oposiçom local em al-Bab mas menos do que em Manbij, onde os protestos contra os esforços de recrutamento do ISIS em novembro do 2015 provocou um forte ciclo de rebeliom e repressom.

Ao mesmo tempo, nom parece particularmente empenhado em manter al-Bab. Após umha série de derrotas na fronteira turca e em Manbij, al-Bab perdeu a maioria da sua importância estratégica para o ISIS, e meios, tais como ARA News começarom a relatar que as famílias dos soldados do ISIS estiverom partindo para Raqqa, juntamente com a polícia local, campos de treinamento, depósitos de suprimentos militares, e o tribunal islâmico. O ISIS agora parece focado em defender Raqqa e o Val do Eufrates, especialmente dada a campanha da coalizom supostamente iminente contra o seu último grande reduto do Iraque, Mosul.

O exército sírio está mais próximo

Desde novembro de 2015, quando retomou o aeroporto militar de Kuweires, forças do exército do regime de Assad estam a so dez quilómetros ao sul de al-Bab. O regime tem realizado ataques aéreos sobre a cidade e posiçons do ISIS, mas nom tentou tomar o control. No entanto, enquanto a primeira prioridade do exército é reconquistar a cidade Aleppo, pode nom ser capaz de se mover contra al-Bab, ao mesmo tempo. De janeiro a março, o exército tomou a área entre Aleppo e Kuweires ao fechar simultaneamente o corredor norte de Azaz a Aleppo com a ajuda das milícias xiitas e as forças curdas (ainda é incerto se os curdos estavam coordenados diretamente com o regime em qualquer forma ou apenas luitando um inimigo comum, mas os resultados das suas ofensivas simultâneas estám claras). E desde agosto, milheiros mais de combatentes xiitas chegarom a Aleppo para ajudar o exército a retomar toda a cidade. Além disso, o pró-oposiçom Observatório Sírio de Direitos Humanos e o pró-regime al-Masdar News publicarom o 21 de setembro que cerca de 3.000 soldados russos estavam presentes em al-Safira no sudeste de Aleppo, embora a alegaçom nom tenha sido confirmado desde entom.

O regime e os seus aliados tenhem interesse em tomar al-Bab antes que fagam os “rebeldes” apoiados por Turquia. Embora militares sírios e turcos reunirom-se o mês passado em Bagdá e chegarom à “compreensom” sobre o papel da Turquia no norte de Aleppo, Damasco e Ancara estam ainda em competiçom sobre o destino geral do norte da Síria. Se os “rebeldes” devem tomar al-Bab, eles nom só representam umha ameaça para Aleppo, mas também podem usar o recuo do Estado Islâmico como umha oportunidade para avançar em direçom a Raqqa e outras partes do val do Eufrates. E, em termos simbólicos, deixando os “rebeldes” assumir al-Bab, quando o exército está a apenas alguns quilómetros de distância seria um sinal de fraqueza. Além disso, a cidade poderia cair para o regime com relativa facilidade, como aconteceu em Palmyra, quando as forças do ISIS essencialmente abandonarom a cidade pouco antes do exército cerca-la.

Em alternativa, o regime pode permitir que as SDF tomem al-Bab dado o modus vivendi instável, mas em curso que estabeleceram há algum tempo. Um pequeno corredor das SDF – de forma realista, um corredor curdo – que se estenda desde Manbij a al-Bab ate Afrin poderia servir como umha barreira defensiva no norte de Aleppo, talvez dissuadir os “rebeldes” pró-turcos de atacar o exército. O regime também pode acreditar que nom pode manter facilmente al-Bab, porque a maioria árabe sunita local poderá ver as forças da milícia do exército e associados como ocupantes xiitas; em contraste, a mistura de combatentes árabes e curdos sunitas das SDF provavelmente seriam mais aceitos. Neste cenário, nom se pode descartar a possibilidade de a Rússia dar as SDF o apoio aéreo de que precisam para avançar em al-Bab. Afinal de contas, facilitando a criaçom de um corredor curdo poderia impedir a Turquia, que apoia os  “rebeldes” árabes de fazer novos avanços contra o ISIS, reduzindo assim o incentivo de Washington para apoiá-los.

O “Escudo do Eufrates”

A partir de agosto, umha coalizom de “rebeldes” árabes chamado de “Escudo do Eufrates” rapidamente conquistou Jarabulus e outras áreas da fronteira com a ajuda do exército turco, entom progrediu devagar e com cuidado ao sul. O grupo guarda-chuva tem facilmente libertado aldeias turcomanas, mas encontrou mais dificuldades ao tentar libertar aldeias árabes. Em primeiro lugar, as suas forças só som de 1.000 a 1.500 combatentes. Em segundo lugar, para além de umha unidade turcomana (a brigada de Sultan Murad), a maioria dos combatentes da coalizom som árabes da província de Idlib, ao oeste, por isso eles nom tenhem laços reais com a povoaçom árabe local. Em contraste, o ISIS estivo a recrutar e doutrinar combatentes locais desde o 2013, e muitos deles estam agora interessados em luitar para salvar o seu território e evitar represálias potencialmente sangrentas de facçons rebeldes islâmicas.

Além disso, o Escudo do Eufrates nom pode avançar sem artilharia e apoio aéreo da Turquia, e nom está claro o quam longe Ancara está preparada para ir a esse respeito. Por um lado, Erdogan afirmou na Assembléia Geral da ONU no mês passado que tomariam cerca de 5.000 quilômetros quadrados de território no total (ou 2.000 milhas quadradas) – isto é cinco vezes a área que atualmente ocupa, o que presumivelmente significa tomar al-Bab. Avançando sobre a cidade também bloquea os esforços curdos para juntar o seu cantom ocidental de Afrin e o cantom oriental de Kobane em umha zona unificada ao longo de toda a fronteira com a Turquia; na verdade, impedindo esse resultado parece ser a principal razom de Erdogan para entrar na Síria.

Por outro lado, algumhas autoridades turcas indicarom reservadamente que a Ankara nom lhe  convém enviar tropas para a Síria mais profundamente, talvez porque Erdogan e Vladimir Putin, aparentemente concordaram com algumhas linhas de marcaçom implícitas sobre o quam longe cada um vai ir. Parece pouco provável que Putin ficaria satisfeito com umha presença turca dentro de al-Bab e tam perto de Aleppo, na que as forças russas estam fortemente comprometidas com a retomada. Al Bab é também a melhor influência de Moscou sobre a Turquia e as SDF.

Objetivos curdos

O sírio curdo Partido da Uniom Democrática (PYD), que lidera as SDF, ainda tem esperança de unificar os seus cantons em um pequeno estado que eles chamam Rojava. Assim, combatentes das SDF estam se movendo cara al-Bab desde dous lados. O 3 de outubro, avançarom ate 20 quilómetros ao oeste da cidade, o seu primeiro movimento nessa direçom desde a intervençom em agosto da Turquia. No leste, unidades das SDF de Afrin avançarom para umha distância similar em umha ofensiva reforçada por operaçons do regime e russas, como aconteceu quando os curdos tomarom o corredor de Azaz em fevereiro e a Estrada Castello em julho.

Em outubro do 2015, umha delegaçom do PYD em Washington assinalou que a Rússia propugera-lhes reconhecer Rojava e apoiar os esforços curdos para unir Kobane e Afrin. O que eles realmente queriam era umha promessa semelhante dos Estados Unidos, bem como mais apoio militar. Depois disso, as forças dos EUA apoiarom a ofensiva curda na que liberarom Manbij, que o PYD interpretou como umha aceitaçom americana de umha Rojava unificada. No entanto, quando o vice-presidente Joe Biden visitou a Turquia em agosto deste ano, el afirmou que o apoio de Washington para a ofensiva estava condicionada a que os componhentes curdos das SDF entregaram Manbij aos seus aliados árabes após libera-la e, em seguida, sair da cidade. Embora o PYD nom fixo nengumha declaraçom pública em resposta, os comentários de Biden irritou-nos muito e vai somente aumentar as possibilidade de Putin para atraí-los para o seu lado.

Cálculo Do Estado Islâmico

Como mencionei anteriormente, o auto-proclamado “califa” do ISIS Abu Bakr al-Baghdadi pode ter interesse em abandonar al-Bab, a fim de concentrar as suas forças em torno Raqqa, umha vez que el sabe que a sobrevivência do seu território está baseado nas contradiçons entre os seus inimigos. Para alguns desses inimigos, que continue o ISIS a controlar Raqqa serve, sem dúvida, os seus interesses de curto prazo: el dá o PYD umha renda estratégica para promover o seu objetivo de estabelecer umha Rojava unificada, e isso ajuda o regime de Assad a continuar a interpretar a guerra como uma luita contra o terroristas.

No mínimo, se al-Bab deve cair, é do interesse de Baghdadi que o exército sírio e/ou as SDF tomem a cidade, em vez dos” rebeldes”. O exército esta demasiado fraco para lançar umha campanha para o leste contra o val do Eufrates em qualquer momento em breve; a sua primeira prioridade é eliminar os “rebeldes” (um inimigo do ISIS) da Síria ocidental. Quanto às SDF, eles estariam mais preocupados em defender um corredor Afrin-Kobane da Turquia do que em conquistar Raqqa, umha cidade na que nom tenhem interesse.

Conclussom

Desde 2011, a maioria dos analistas ocidentais (e russos) tenhem subestimado o apoio do Iram e Moscou a Damasco e a resistência do regime de Assad, argumentando que a escassez de recursos humanos do exército sírio seria umha desvantagem insuperável. Mais umha vez, porém, o regime e os seus aliados parecem o suficientemente fortes para lançar novas ofensivas, inclusive contra al-Bab. O cerco de Aleppo parece perto do sucesso dado o recente colapso nas negociaçons de cessar-fogo EUA-Rússia, de modo que mais tropas em breve poderám ser liberados para tais ofensivas. Para ter certeza, cidades como Hama e Damasco continuam a enfrentar ameaças dos “rebeldes”, mas o perigo nom é provavelmente o suficientemente extremo para atrair enormes forças desde o distante norte no curto prazo. E se o exército e os seus aliados xiitas nom som suficientemente fortes para retomar al-Bab, Assad e os interesses de Putin ainda podem ser servido, permitindo que as SDF conquistem a cidade ou até mesmo ajudá-los a fazê-lo. Estes cenários deixam a Washington com duas alternativas importantes: apoiar um avanço das SDF em al-Bab e com o risco de antagonizar os turcos, ou empurrar para umha forte ofensiva dos “rebeldes” apoiados por Turquia para tomar a cidade rapidamente, o que poderia prejudicar as relaçons com os curdos, os principais sócio norte-americano contra o ISIS, até agora,.

Fabrice Balanche, é professor associado e director de investigaçom na Universidade de Lyon 2, e professor visitante no The Washington Institute.

 Publicado no The Washington Institute.

http://www.washingtoninstitute.org/policy-analysis/view/who-will-take-al-bab

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