“Turquia quere formar um Estado sunita na Síria”

Ebdo Ibrahim, Presidente do Conselho de Defesa de Afrin / ANHA

O presidente do Conselho de Defesa do Cantom de Afrin da Federaçom Rojava-Norte da Síria, Ebdo Ibrahim, falou com a ANHA e dixo que a Turquia pretende dividir as terras sírias para criar um estado sunita entre Jarablus, al-Bab e Aleppo.

Na entrevista publicada abaixo Ibrahim fai avaliaçons sobre os recentes desenvolvimentos na regiom de Aleppo e Shahba.

Como avalia os desenvolvimentos militares em Afrin, Shahba e Aleppo?

As contradiçons continuam entre os grupos armados no sexto ano da crise síria, levando ao crescimento da crise. As potências internacionais que dim que estam tentando resolver a crise na Síria estam aprofundando ainda mais a crise. Esta situaçom é especialmente válida para a regiom de Shahba.

No início da Campanha de Libertaçom Martir Faysal Abu Leyla de Manbij, os grupos Jabhat al-Nusra, Ahrar al-Sham, Nour al-Din al-Zenki e Fatah Halab posicionados em torno de Aleppo dirigiram-se a Shahba para apoiar ao ISIS e intensificar os ataques a Rojava.

Quando os planos do Estado turco falharom, a regiom foi diretamente intervida. Depois que os combatentes do Conselho Militar de Manbij libertaram Manbij, o estado turco ocupou Jarablus. Agora [estado turco] continuam ocupando al-Bab e Aleppo. Alguns grupos em Azaz estam cumprindo as ordens do estado turco.

A Turquia ocupou Jarablus em duas horas, eles levaram a cabo a travessia das gangues do ISIS vestindo-as com as roupas de al-Nusra. Neste ponto, a OTAN em particular e as potências internacionais precisam perguntar-se: Como a Turquia persuadiu as gangues de al-Nusra a se retirarem de Aleppo? Pesados combates onde civis estam sendo objetivo estám ocorrendo em distritos de Aleppo leste. Por que há umha luita pesada nessas áreas em particular? Qual é o valor geopolítico dessas áreas?

Quem ganhar em Aleppo vai ganhar na Síria em geral. Entom, se o regime ganha em Aleppo, eles seram os únicos a vencer na crise síria. Houvo assentamentos entre o regime e grupos armados em muitas áreas da Síria, como Damasco, Daraa e al-Waer, por que nom deveria acontecer em Aleppo também?

Aleppo tem importância estratégica para a Turquia também. Ao mesmo tempo tem a especialidade de ser um centro econômico e financeiro. Por esta razom, a Turquia quer reviver o seu período otomano ocupando esta regiom. Turquia usa os cidadaos da Síria como material de negociaçom como umha ameaça contra a UE. No entanto, infelizmente, o povo da Síria vive desconhecendo a verdade da Turquia.

O regime e a Turquia reunirom-se em Damasco com a coordenaçom do Iram. O regime tomaria Aleppo, Turquia ocuparia Jarablus, portanto, os acordos entre as duas partes forom encerrados. Isto porque a Turquia temia que as Forças Democráticas da Síria libertassem a regiom de al-Bab e assim conduzindo à libertaçom de umha rota Afrin e Kobane.

As forças das YPG tornaram possível atravessar mais de seis mil civis do leste de Aleppo até o distrito de Sheikh Maqsoud. Que impacto esse número poderia ter sobre as questons sociais e de segurança de Sheikh Maqsoud, já que o bairro ainda está sob cerco?

Umha situaçom como esta também aconteceu em Afrin. O cantom de Afrin recebira milheiros de migrantes sírios e um campo foi feito para os migrantes devido a medidas de segurança. Mas apesar da densidade presente em Sheikh Maqsoud, o aumento da povoaçom criará efeitos negativos. Isso ocorre porque o bairro ainda está sob cerco. Por outro lado os ataques contra o bairro continua. Apesar disso, os moradores do bairro e as forças de defesa receberam os migrantes.

Algumhas fontes de notícias dim que há divisom entre as milícias no leste de Aleppo, que achas que há de certo nisso?

Os ataques intensos do regime e o avanço nos distritos em Aleppo leste e o distanciamento de Turquia das suas próprias bandas conduziram à divisom entre eles. Muitos membros das milícias desertarom e fugirom entre a povoaçom civil. As milícias optam por este método, porque sabem que seriam presos se fugiram a Turquia.

Como avalias a visita ao Iram do subsecretário do MIT (Inteligência Turca), Hakan Fidan, e do ministro turco de Relaçons Exteriores, Mevlut Cavusoglu?

Esta nom é umha situaçom nova. Depois do derrube do aviom de guerra russo, a Turquia já se desculpou com a Rússia. A Turquia dá apoio ao governo no sul do Curdistam. A visita ao Iram ocorre em um momento em que os ataques contra Rojava estam aumentando. Recentemente, a Turquia pediu ajuda contra os ataques às Posiçons de Defesa Medya [áreas controladas polo PKK].

Hoje, o Conselho Militar de al-Bab está realizando umha grande resistência contra as bandas da  SNC [Coaliçom Nacional Síria]. A SNC retirou as suas milícias em Jarablus e entregou-nas ao exército ocupante turco. O Conselho Militar de al-Bab nom permitiu que a Turquia ocupasse a regiom de Shahba. A resistência do Conselho Militar de al-Bab mostra que se os povos da regiom estam unidos, entom eles podem se opor à ocupaçom turca.

A Turquia quere dividir o norte da Síria e formar um estado sunita desde Jarablus, al-Bab e Aleppo-Idlib. No entanto, as forças SDF nom permitiram que isso ocorra.

Esta entrevista foi feita por: Seydo Ibo, Cafer Cafo, Aylina Kilic.

Publicado em Hawarnews e Kurdishquestion.

 

“O PKK nunca permitirá a institucionalizaçom do fascismo de Erdogan-MHP na Turquia”

cemil-bayikEntrevista a Cemil Bayik, co-presidente do Conselho Executivo da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK)

O co-presidente do Conselho Executivo da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK), a organizaçom gardachuva do movimento curdo, Cemil Bayik, falou à ANF sobre os acontecimentos na Turquia, a aliança entre o AKP e o MHP, bem como umha possível operaçom transfronteiriça contra o PKK.

Bayik dixo que umha onda de fascismo estava varrendo a Turquia e que a prisom de parlamentares do Partido Democrático do Povo (HDP) era a última prova disso.

Eles estam fundindo nacionalismo e religiom

“Erdogan e Devlet Bahceli [líder ultra-nacionalista do MHP] uniram-se na Turquia e estam tentando institucionalizar o fascismo. Para fazer isso estam tentando remover todos os obstáculos no seu caminho.

“Se eles estam aprisionando deputados do HPD, bloqueando sedes do HDP para impedi-lo operar, aprisionando membros do HDP, apreendendo municípios no Curdistam através da nomeaçom de administradores, destruindo cidades, deslocando centos de milheiros de pessoas, abusando dos curdos, democratas e intelectuais, torturando presos, executando prisioneiros de Guerra, amarrando-os à parte de trás dos veículos e arrastando os seus cadáveres, expondo os corpos nus das mulheres mortas, permitindo que os animais “dizimem os cadáveres das pessoas que matarom; é porque querem institucionalizar o fascismo.

“Para conseguir isso, precisam silenciar os meios de comunicaçom, intelectuais e artistas. É por isso que eles fecharom as mídias da oposiçom e prenderom jornalistas. Eles querem impor a sua propaganda e fazer as pessoas acreditarem nela. Estam fundindo nacionalismo e religiom para formar as bases sociais para o fascismo. Todo o  mundo precisa estar ciente disso.”

Eles querem tomar a todos como reféns

Bayik continuou a afirmar que o governo e os seus aliados estavam realmente fracos e recorrendo a essas políticas por causa disso.

“Estam praticando umha guerra psicológica muito intensa. Eles estam muito fracos; é por isso que estam fechando associaçons, mídias e partidos e tentando silenciar a todos. Se fossem fortes, eles nom fariam isso.”

A luita intra-curda está a ser provocada

Bayik também observou que o governo e o MHP estavam tentando avançar os sistemas de guarda de aldeia e vigia na regiom curda da Turquia para fortalecer o que el chamou de “traiçom”.

“Eles querem organizar umha força traiçoeira que esteja em colaboraçom com eles e levá-los a atacar curdos. Desta forma, querem transformar a questom curda em umha questom intra-curda, em vez de um problema entre os curdos e o Estado.”

Umha luita alternativa precisa ser desenvolvida

O co-presidente do KCK dixo que o regime na Turquia entraria em colapso se os setores progressistas da sociedade se juntassem.

“Os jovens e as mulheres em particular tenhem um papel importante; intelectuais, artistas, escritores, acadêmicos, jornalistas e trabalhadores também. Alauitas, diferentes grupos nacionais e culturais e democratas sunitas também. Todos os que estam preocupados com este regime precisam de unir-se e formar umha aliança. Se o figeram, esse regime entraria em colapso. Este regime nom tem apoio internacional; o seu apoio interno é fraco. Eles estam tentando retratar-se como tendo um monte de apoio, mas isso nom é verdade.

“Eles tenhem medo de perder o poder, sendo aprisionados e julgados; É por isso que estam recorrendo a essas açons. Erdogan quer transformar o AKP no partido fundador do novo regime e el próprio no seu chefe. Isso significará repressom, prisom, tortura e afrontas para todos os povos e religions. É por isso que todos os círculos que estam contra a institucionalizaçom do fascismo fundado sobre a unificaçom do nacionalismo e a religiom precisam formar umha luita alternativa.

O estado de emergência nom tem legitimidade

Bayik também comentou sobre o estado de emergência na Turquia e dixo que estava sendo armado contra as pessoas.

“O governo usou a tentativa de golpe de Estado do 15 de julho como umha oportunidade para declarar o estado de emergência. Eles figeram isso para adicionar legitimidade às políticas que iriam implementar. Erdogan tem o estado de emergência militar. Está tentando enganar as forças internas e internas dessa maneira. O estado de emergência nom tem qualquer legitimidade.”

Os curdos nom vom cumprimentar o exército turco com flores

Bayık também mencionou declaraçons recentes das autoridades turcas que sugerem umha operaçom em áreas controladas polo PKK na regiom do Curdistam (KRG), ressaltando que Erdoğan nom seria capaz de derrotar o PKK apesar do provável apoio que receberia.

“Erdogan di que vai erradicar o PKK. Com isso, el está tentando fortalecer o nacionalismo, o chauvinismo e o fascismo na Turquia. El quere o genocídio dos curdos. Quere eliminar os círculos seculares, socialistas e democratas para construir um regime baseado no nacionalismo e na religiom. É por isso que Erdogan está a tentar demonizar o PKK e os curdos aos olhos da sociedade turca e da comunidade internacional.

“É claro que el quere erradicar o PKK, que sabe é a única maneira de perpetrar um genocídio curdo e institucionalizar o seu próprio regime fascista. Considera o PKK um grande obstáculo para este objetivo e ataca o PKK e qualquer pessoa relacionada a el com grande raiva. No entanto, Erdogan só trará a sua própria queda dessa maneira, assim como Hitler fixo.

“El nunca poderá erradicar o PKK. El nom é forte o suficiente para fazer isso, mesmo se usa todos os meios do estado e recebe o apoio de algumhas forças internacionais e regionais, e até de alguns curdos. O PKK é um movimento apoiado e formado por milhons de pessoas. Nom está composto apenas por um pequeno quadro, nem por um pequeno movimento de guerrilha. O PKK tem um lugar nos coraçons e mentes do povo curdo, democratas, patriotas e socialistas. O PKK é a esperança dos oprimidos, de todos os oprimidos fora da Turquia também. Se Erdoğan quer erradicar o PKK, terá de massacrar todos os curdos, todos os oprimidos, todos os intelectuais, democratas, escritores e artistas que simpatizam com el.

“Eles [as autoridades turcas] falarom recentemente em conduzir umha operaçom em Qandil (base do PKK). Deixe-os vir, se podem. O povo curdo nom vai cumprimentá-los com flores. A Turquia provavelmente experimentará a maior derrota da sua história.”

O PKK jamais permitirá que o fascismo se torne institucionalizado na Turquia

O co-presidente do Conselho Executivo do KCK, Cemil Bayik, encerrou a entrevista dizendo que nom poderia haver democracia, liberdade ou justiça ou um futuro seguro na Turquia a menos que o AKP e o MHP fossem eliminados.

“Se as pessoas querem garantir o seu futuro, devem luitar contra o fascismo de Erdogan-Bahceli. O PKK jamais permitirá que o fascismo se torne institucionalizado na Turquia. O PKK nom luita apenas para si e para os curdos, mas sim para a humanidade, a democracia e a justiça. Esta é umha luita por todos e haverá umha vitória definitiva se for apoiada por todos.”

Publicada em ANF – Ajansa Nûçeyan a Firatê e KurdishQuestion.

 

“A Unidade no Curdistam do Sul terá um impacto positivo nas 4 Partes do Curdistam”

desmitasO co-presidente do Partido Democrático dos Povos (HDP), Selahattin Demirtaş falou sobre a visita em andamento do seu partido à Regiom do Curdistam (KRG) após a sua reuniom com o ex-líder da PUK (Uniom Patriótica do curdistam, segundo partido histórico da KRG), Jalal Talabani.

Em uma entrevista com Roj News, Demirtaş dixo que a visita tornara-se umha necessidade para abrir o caminho do Congresso Nacional Curdo e acrescentou: “Todos os nossas povos nas quatro partes do Curdistam querem que isso aconteça e querem que as tensons entre curdos diminuam.”

Iniciativa para limpar o caminho para o Congresso Nacional

Demirtaş dixo: “As tensons entre os partidos políticos no Sul do Curdistam tenhem um impacto negativo e reflexo sobre todo  o Curdistam. Sentimos a necessidade de tomar umha iniciativa na abertura do diálogo entre os partidos curdos de acalmar essa tensom e talvez abrir o caminho para o Congresso Nacional Curdo. Em última análise, o HDP tem um projeto e ideias para a resoluçom da questom curda. Também percebemos que todos os problemas estam ligados uns aos outros. Por esta razom, a evoluçom da Rojava e o Curdistam do Sul afeta-nos diretamente. Isso nom significa que estejamos a nos intrometer nos assuntos dos partidos políticos aqui. Nós estamos tentando ajudá-los a criar laços mais estreitos e manter canais de diálogo abertos. Os partidos digerom-nos que valorizam os nossos esforços.”

O co-presidente do HDP também acrescentou que era normal que os partidos políticos curdos pensaram de maneira diferente sobre as questons, mas que todas as questons, Ao final, teriam de ser resolvidas através do diálogo, algo que todos os lados estam dispostos a fazer.

Vimos desejo de umha soluçom para os problemas

“Até agora, em todas as reunions que tivemos, com Masoud e Nechirvan Barzani, o KDP, Komala, Yakgrtu (Uniom Islâmica do Curdistam) e outros partidos políticos e indivíduos, temos visto um grande desejo de resolver os problemas. Há grande desconforto com a forma como estam as cousas. Há muitas razons para os problemas que estam sendo enfrentados e cada umha tem umha abordagem diferente. Isso é compreensível. Mas nós vimos que há o desejo de reiniciar um diálogo, reúnir-se em torno de umha mesa e envolver-se diretamente. Usar a linguagem e abordagem dos partidos “um para o outro é muito importante. Um insulto ao outro e acusaçons através dos mídias tenhem que parar e todos concordam com isso. Este acordo nos faria felizes. É claro que nom é fácil de resolver todo imediatamente. Também nom é possível com umha visita e certamente nom é da responsabilidade do HDP. Os partidos políticos aqui vam resolver as questons entre si. Nós apenas queremos facilitar as cousas e abrir a porta para começar o diálogor”

Barzani assumirá as suas responsabilidades

O co-presidente do HDP também dixo que a abordagem do líder do KDP Masoud Barzani para resolver as questons em torno de unidade nacional foram positivas e que el tinha-se prometido que iria exercer as suas responsabilidades em relaçom ao Congresso Nacional.

As quatro partes do Curdistam estám aqui ‘

Demirtaş também falou sobre os confrontos actuais nas cidades curdas e os ataques do governo do AKP turco ao HDP. “Todo o mundo está ciente da nossa luita contra o governo estadual e o AKP turco. Acreditamos que, se pudermos garantir as relaçons entre os curdos terá um impacto positivo no Norte (Curdistam-Turquia) e Rojava. Por esta razom, é importante que haja unidade dentro de cada parte do Curdistam. Quero enfatizar que nom estamos aqui para resolver os nossos próprios problemas. Estamos a visitar para ajudar a resolver problemas entre os partidos aqui [do Sul do] Curdistam e questons de alianças e de diálogo no Norte e na Rojava. As pessoas tenhem grandes expectativas em nós. Nom so os partidos políticos, mas todo o povo nas quatro partes do Curdistam querem que sejamos bem sucedidos e desejam que as tensons entre curdos diminuam.”

Acampamento *Makhmour
*[O acampamento de refugiados de Makhmour foi fundado no 1994 com milheiros de curdos que fugirom da repressom na Turquia.]

A umha pergunta de um jornalista sobre a extradiçom de alguns curdos que tinham a sua autorizaçom de residência cancelada e foram entregues à Turquia pola KRG, Demirtaş dixo: “Eu falei esse tema ao Sr. Nechirvan Barzani e dixo que tinha expectativas a esse respeito . El está muito sensível e dixo que iria lidar com o problema. Prometeu que iria atender os problemas que enfrentam as pessoas [do Norte-Turquia] que trabalham aqui e também quaisquer problema no campo de Makhmour.”

“É uma honra estar resistindo para o nosso povo

Em relaçom à prisom de deputados do HDP Demirtaş declarou ter notícias de que o presidente da Turquia Erdogan tinha dado instruçons para isso e comentou: “Quero que o povo saiba que eles nom precisam de se preocupar por nós, polos seus deputados. Assim como todos os outros filhos deste povo sabemos como resistir, nós também imos torná-los orgulhosos. Nem umha soa pessoa vai ajoelhar ou obedecer as suas ordens e nrm umha soa pessoa vai dizer nada [no tribunal]. Este é o nosso dever e é umha honra. É umha honra resistir polo nosso povo.”

As pessoas devem-se levantar ‘

O co-presidente do HDP continuou; “Mas as pessoas também precisam de se levantar polos seus e suas deputadas. Quando há umha prisom, independentemente de quem é, todos devem tomar as ruas e fazer ouvir as suas vozes. Esta questom nom é o nosso problema pessoal. Devemos mostrar a Erdogan de que as cousas nom podem continuar desta forma. Imos resistir, imos resistir com o nosso povo. Imos levar perante os tribunais aos autores dos crimes contra o nosso povo; aqueles que queimarom e destruírom as nossas casas, mataram os nossos jovens e queimarom vivos os nossos companheiros,  nom vam ficar impunes.”

“O Presidente Öcalan fixo um chamado. Dixo que estava pronto [para a resoluçom]. El disse que tinha um projeto que poderia resolver o problema [curdo] em seis meses. Mas el também sabe que o AKP e Erdogan nom quere isso. A única maneira que nós podemos torná-lo possível é mantermos fortes, resistir e mostrar ao estado mais umha vez que eles nom podem nos fazer ajoelhar usando as armas, os bombardeos  e os tanques.”

Falando em curdo

Demirtaş respondeu as críticas de que ele era “o líder de um partido curdo, mas nom sabia falar curdo”, respondeu no dialeto curdo **Kurmancki (Zazaki).
**O zaza é um dialeto falado por 1,5-3 milhons de pessoas dos 15-20 milhons de curdos que vivem em Turquia].

Demirtaş dixo que era um curdo zaza e fala zazaki com a sua família e compreende Kurmanji e Sorani [os dous dialetos maioritários do curdo], mas nom sabe falar o suficientemente bem para fazer discursos políticos. “Por essa razom eu fago os meus discursos em turco”, dixo, antes de passar a perguntar se isso era algo para se envergonhar. “Sim, é algo para se envergonhar. Mas nom é a minha vergonha. É a vergonha do Estado turco. É a vergonha das suas políticas de assimilaçom. Essa política [de dizer que os líderes curdos som incapazes de falar curdo] é guerra suja, psicológica dos meios de comunicaçom controlados polo Estado turco. O nosso povo nom os ouve”, respondeu.

“Eu gostaria de falar todos os dialetos da minha língua materna: Zazaki, Kurmanji, Sorani e os outros dialetos. Ao invés de criticar as políticas de assimilaçom do estado eles estam tentando de nos envergonhar, o que mostra como desonrados eles som. Esta pode ser umha carência para nós, mas para eles é umha fonte de vergonha “.

 

Publicado em Roj News

 

 

Entrevista com o Responsável de Relaçons Exteriores do PKK: Riza Altun

Pro-Kurdish demonstrators dance and hold a flag showing Abdullah Ocalan, the jailed leader of the Kurdistan Workers' Party (PKK) during a protest in Frankfurt, Germany April 10, 2016. A 'Peace March for Turkey and the EU', organized by "Avrupa Yeni Turkler Komitesi" (AYTK, European New Turks Committee) was held in Frankfurt and other German cities on Sunday. Counter-demonstrations by Kurdish and leftist groups were simultaneously held to demonstrate against what they say are the nationalist-Islamist policies of  Erdogan.     REUTERS/Ralph Orlowski - RTX29BHQ
Protesto em Frankfurt, Alemanha, 10 de abril de 2016. (Foto de REUTERS / Ralph Orlowski)

Os curdos som o povo mais oprimido da regiom nos últimos 100 anos. Embora eles tenhem umha presença forte, antiga e bem estabelecida na regiom, que entanto, caiu vítima dos conflitos nacionalistas dos impérios que os dominarom e governarom, bem como dos interesses das potências coloniais na regiom.

A entidade federal estabelecida no norte do Iraque foi a mais importante “realizaçom” até à data, conforme os curdos olham com grande otimismo repetir o mesma experiência no norte da Síria na regiom que chamam Rojava.

Mas essa experiência continua pendente, com a Síria envolvida em umha guerra geral infinitamente complexa. Na Turquia, por outro lado, os curdos enfrentam a mais desprezível das perseguiçons étnicas, apesar de serem o maior grupo dos povos com a história mais longa de luita armada, pola que pagou um preço muito alto cheio de sacrifícios incalculáveis.

Os curdos som agora um jogador de destaque na arena de Oriente Médio, particularmente desde a eclosom da chamada Primavera Árabe. O Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK) surgiu como um influente criador de cenários, especialmente na Síria e na Turquia, e a sua presença no Iraque aumentou consideravelmente, especialmente na guerra contra o Estado islâmico (IS), onde tropas curdas fam parte ao longo das várias frentes de batalha.

Para entender melhor as aspiraçons do PKK, nom há nada melhor do que entrevistar um dos seus líderes mais destacados e fundadores, que ocupou vários cargos importantes, o mais recente responsável de relaçons exteriores do Partido.

Em outras palavras, el é ministro de Relaçons Exteriores do partido, um trabalho muito sensível nestes tempos de interesses regionais e internacionais cruzados. Seu nome é Riza Altun, bem conhecido no Líbano e na Síria desde os tempos de residência de Abdullah Ocalan em ambos os países.

Na Turquia, por outro lado, é umha das pessoas mais queridas. Os líderes do PKK nom ficam em um lugar por muito tempo, como eles estam constantemente em movimento, entrar em contato com Altun nom foi fácil, mesmo através de meios tecnológicos modernos.

Contudo no final, e graças a esses mesmos meios de comunicaçom, As-Safir conseguiu a realizaçom desta entrevista com el, na qual expressou o ponto de vista do partido neste momento crítico na história da regiom, incluindo a Turquia, em particular , após a última tentativa de golpe militar lá.

As-Safir: Imos começar com uma questom clássica: Ainda luitam por um estado curdo independente na Turquia?

Altun: Nós nom vemos a causa curda como baseada sobre as aspiraçons nacionalistas ou étnicas específicas. Acreditamos que é a base para alcançar a liberdade de todos os povos do Oriente Médio e a pedra angular da relaçom simbiótica entre todos os componentes da regiom.

Em termos gerais, a nossa postura está ligada aos laços históricos e sociais que existem entre todos os povos do Oriente Médio. Uma revisom da história da regiom revela que sempre as aspiraçons nacionalistas forom a base para o estabelecimento de uma entidade separada, ditos anseios invariavelmente levarom a conflitos étnicos, nacionalistas, religiosos ou até mesmo sectários com outros componentes da sociedade. Portanto, estamos a tentar evitar cometer os mesmos erros. Se fôssemos seguir o mesmo caminho, encontrariamos-nos imersos no mesmo lamaçal que actualmente aflige o Oriente Médio, e isso acrescentaria às outras questons controversas da regiom. Estamos à procura de umha soluçom para o status quo vigente, conforme o nosso objetivo é encontrar umha resposta baseada na “democratizaçom” dos países que respeitem a sua própria pluralidade étnica, religiosa e sectária.

Em vez de um estado independente e apelar a separaçom, partiçom e similares, devemos-nos concentrar em conseguir a liberdade social para todos os habitantes da regiom. Antes da Primeira Guerra Mundial, nom havia estados [árabes], mas sim umha naçom árabe composta de clas e tribos, que fazia a essas comunidades mais interdependentes do que atualmente. Mas depois da guerra, a naçom [árabe] foi dividida em muitos estados, levando a um aumento dos problemas e incongruências entre os componentes da referida naçom.

As-Safir: Isso significa que as chamadas anteriores do PKK por um estado independente estavam erradas?

 Altun: Prefiro nom caracterizá-las como certas ou erradas. Naquela época, chamamos polo estabelecimento de um Estado independente, mas se esse estado fosse atingido em seguida, teríamos-nos focado na democratizaçom e incutir liberdades nela. Isso nom aconteceu. Com o tempo, o termo “independência” foi substituído polo de ‘liberdade’, porque este último é fundamental para nós e outros como nós. Por definiçom, a palavra “independência” nom inclue a noçom de liberdade, mas a “liberdade” sim inclue o da independência.

Após a I Guerra Mundial, a divisom do Oriente Médio em estados nacionais só criou mais problemas. Portanto centrar-se na criaçom de um Estado curdo nacional iria exacerbar os problemas existentes, mantendo o foco na liberdade é a chave para alcançar o sucesso.

A chamada Primavera Árabe rejeitou os regimes do Oriente Médio que surgirom após a Primeira Guerra Mundial. Isses regimes nunca poderiam levar à liberdade, felicidade e bem-estar.

O movimento takfiri Salafista representado polo ISIS surgiu em paralelo com a revolta da Primavera Árabe.

Assim, o foco deve ser sobre a forma de enfrentar esse movimento e os ideais defendidos polo IS e o movimento salafista visto que a soluçom nom pode vir através deles, e a sua metodologia nom poderia mesmo levar ao estabelecimento de um califado.

Por outro lado, as potências capitalistas e imperialistas também querem que as suas políticas avanzem através das suas intervençons. Esses poderes causarom a divisom do Oriente Médio em estados que eles voltarom umm contra o outro. Esta mentalidade orientalista que confere um caráter ao contrário sobre o Oriente nom é uma receita para o sucesso. Onde está indo o Oriente Médio? Que podemos fazer em meio dessa turbulência? As entidades nacionalistas surgirom, assim como os problemas. Nom temos nengum problema no surgimento de entidades nacionalistas que reflectem identidades nacionais, mas o problema reside no fanatismo nacional dentro dessas entidades. Como resultado, nom devemos esforçarmos de separar a nossa liberdade da dos que nos rodeiam.

As variâncias étnicas e a diversidade som importantes. Mas se chegamos a umha encruzilhada, seja para unir ou separar, entom a nossa posiçom favorece a unidade na diversidade. Vou-me referir, neste caso, aos curdos, árabes e persas, mas excluo aos turcos, que se instalarom mais tarde na regiom e nom som indígenas como as outras três civilizaçons que mantiverom as suas identidades étnicas, enquanto davam forma coletivamente a cultura da regiom.

Nossas respectivas culturas, costumes, cozinhas e assim por diante som semelhantes e representam umha unidade integrada. Como se pode chamar à separaçom da referida unidade? Nós afirmamos que somos todos muçulmanos e o Islám prega o direito de todas as religions para expressar as suas crenças. No entanto, vemos que o abate sectário está sendo perpetrado em nome do Islam, como as comunidades som postas umha contra a outra. Como é isso representativo do Islám, e como pode levar a umha soluçom? É a antítese dos princípios mais básicos do Islám. O plano proposto por Ocalan baseia-se na democratizaçom de todo o Oriente Médio, com todas as entidades a oportunidade de expressar-se como parte desta federaçom regional.

 As-Safir: A sua proposta é umha soluçom perfeita para os crescentes problemas da regiom. Mas, no caso da Turquia, existem outros grupos da sociedade turca, como os nacionalistas e os secularistas fervorosos, bem como extremistas islâmicos. A sua proposta angaria aceitaçom dentro desses grupos? Por que o problema curdo nom foi resolvido ainda? Que outras opçons tenhem os curdos na ausência de umha resposta positiva: confrontaçom pacífica através do parlamento ou umha continuaçom do conflito armado?

 Altun: O que eu digem sobre umha mudança de mentalidade será difícil de alcançar durante umha noite. Mas quando existe a estrutura apropriada para tal mudança, entom acreditamos que todos as povos do Oriente Médio vam abraçar esta mentalidade, com exceçom de povos com más intençons. Todos os povos que forom vítimas da opressom, exploraçom e destruiçom da guerra, que viverom em desespero, estam agora em busca de esperança. Acreditamos que esta proposta representa a esperança que as pessoas aspiram a alcançar.

O que dis sobre a realidade turca é verdade, a situaçom é complicada, mas temos vindo a resistir durante os últimos 40 anos.

O movimento kemalista tradicional insiste em permanecer no poder, mas el está em um situaçom de declínio. Mesmo os movimentos nacionalistas começarom a perder o seu brilho na sociedade.

[Recep Tayyip] Erdogan e a mentalidade do seu partido é sectária e explora as contrariedades do Oriente Médio para fazer avançar as suas políticas. Mas, ultimamente, o referido movimento diminuiu a um estado terrível.

A nossa proposta nom é perfeita, e será traduzida em acçom assim que surgir a oportunidade. Por exemplo, as partes que surgiram de confrontar o estado vinherom como resultado do tipo de mentalidade que nos chamamos de adoptar. As eleiçons do 7 de Junho forom muito importantes a esse respeito, pois impedirom a realizaçom do sonho de Erdogan de ter umha maioria parlamentar. O Partido Republicano do Povo [MHP] e o Partido [de Açom] Nacionalista [MHP] nom conseguirom formar umha verdadeira oposiçom ao Partido da Justiça e o Desenvolvimento [AKP]. A verdadeira oposiçom foi liderada polo Partido Democrático dos Povos [HDP], graças à mentalidade que defendida no chao e a inclusom de esquerdistas, alauítas, étnicas, comunistas, cristians e outras minorias. Essa mentalidade está baseada na democracia e no feito de que ela permite que essas minorias sabem que eles estariam autorizados a expressar-se livremente.

Outro exemplo dessa mentalidade é a revoluçom de Rojava na Síria. Em al-Qamishli, por exemplo, árabes, curdos, armênios, circassianos e turcomanos, entre outros, todos vivem na cidade. Nós nunca sequera defendimos que era umha cidade curda. Nós nom exigimos a sua expulsom, mesmo quando os árabes foram levados aló como parte de umha política de arabizaçom. Nós nom usamos o termo “Estado” em Rojava, porque o seu uso significa que está sendo imbuída umha identidade nacionalista, com umha etnia particular, representando a maioria, enquanto que outras etnias som excluídas. Propusemos umha alternativa que é o cantom, onde cada grupo étnico pode representar-se a si mesmo e administrar os seus próprios assuntos, através de umha autoridade maior [central], como é o caso agora.

Nós fazemos isto um ponto que os curdos nom se intrometem nos  assuntos dos siríacos ou outros povos “, na condiçom de que nengum outro povo deve constituir umha séria ameaça para o bem-estar dos outros.

As-Safir: Mas a experiência de Rojava é atualmente insustentável na Turquia, e o Partido Democrático dos Povos recebeu o 13% dos votos na Turquia, alterando assim a equaçom política pós-07 de junho, embora nom o suficiente para instigar a mudança. Vam manter a sua presença no parlamento, apesar da aparente falta de progresso ou é a confrontaçom armada a única saída? Em outras palavras, que papel desempenhara a força militar nesta fase?

 Altun: A nossa luita é multifacetada e inclui frentes de açom social, intelectual, diplomática, meios de comunicaçom e até mesmo militares, com o método utilizado, dependendo da atitude do Estado, enquanto tentamos explorar as oportunidades que nós achamos que tenhem alguma possibilidade de sucesso. Quando o Estado usa o poder militar para ameaçar a sua própria existência, encontra-se forçado a usar a violência para defender-se, como ocorreu recentemente. Qualquer avanço na frente militar será usado para efetuar umha mudança democrática.

Temos estado recentemente submetidos a grande pressom e fomos assim forçados a recorrer à resistência armada. Partidos e meios de comunicaçom estavam fechados, a imunidade parlamentar levantada e detençons, deixando-nos, mas umha via disponível; ou seja, o uso de força.

 As-Safir: De volta para a Turquia. Quem executou e estava atrás do último golpe de Estado? Que efeito terá isso sobre a guerra contra os curdos e a causa curda, em geral, particularmente após o exército turco fosse humilhado durante o golpe? Isso afetará a motivaçom do exército na sua guerra contra os curdos?

Altun: A situaçom na Turquia é altamente complexa, tornando difícil qualquer prognóstico futuro. Erdogan está a promover a ideia de que Gulen organizou o golpe. O que é falso e qualquer papel por este teria seria extremamente restrito.

Na Turquia, o poder tradicional kemalista está sendo confirmado através de umha tutela militar com umha mentalidade anti-curda, anti-Islam e anti-socialista. A ascensom de Erdogan ao poder foi através do apoio ocidental devido à falta de perspectivas disponíveis ao regime, como resultado das suas tradiçons kemalistas, entre elas a opressom dos curdos. Durante o reinado de Erdogan, o caminho foi extremamente irregular, mas no final, a tradiçom kemalista foi quebrada. Dous desses movimentos kemalistas existiam entre os militares – os que estavam tentando de se adaptar às políticas de Erdogan e outro que é mais tradicional, que considero que foi o responsável do golpe. Contudo, ao mesmo tempo, o mesmo movimento encontrou apoio entre outras facçons do exército insatisfeitas com o governo de Erdogan. O golpe fracassou, e atualmente estamos testemunhando um contra-golpe imbuído de um carácter civil. Estamos diante de um homem, chamado Erdogan, que nom reconhece a ordem constitucional. Mais de 50.000 pessoas foram presas até agora. Todos os professores universitários perderom os seus empregos, e 17.000 professores presos, com o número subindo cada dia.

O verdadeiro golpe é o que Erdogan está actualmente a realizar. Mesmo se nós assumimos que a tentativa de golpe fôsse bem-sucedida, o regime conseqüente nom teria sido democrático, mas anti-curdo. Nengum deles é melhor do que o outro: nem Erdogan nem o exército. Após as eleiçons do 7 de Junho, Erdogan rebelou-se contra os resultados, em um movimento que representou o golpe inicial, quando o regime se transformou em presidencial como outras instituiçons forom marginalizados, entre eles o Judiciário. O mais recente golpe militar foi um contra-golpe contra o golpe inicial de Erdogan, mas falhou, levando ainda um novo golpe.

Em suma, Erdogan é umha ameaça para os curdos e a regiom como um todo. As cousas que el fai nom passam de um prelúdio para futuras acçons seguindo as suas alianças com o IS, Jabhat al-Nusra, Ahrar al-Sham e outros movimentos reaccionários que el quixo explorar para se tornar o líder da regiom.

As-Safir: Vai aumentar a repressom interna e anti-curda após o golpe?

 Altun: Erdogan nom conseguiu atingir o seu aspirado papel, e el agora está tentando normalizar as relaçons com alguns, como Israel e Rússia. El só tem a Qatar e Arábia Saudita do lado del. Até tinha umha linha com os Estados Unidos, e o seu declínio levou-no a reavaliar as suas políticas. Internamente, os acontecimentos mudarom a situaçom no terreno, incluindo o seu monopólio da estrutura de poder. El até abandona os seus companheiros dentro do partido, e só um cortejo aquiescênte permanece ao seu lado, levando-o a cooperar com outras forças, a fim de atingir os seus objetivos. Todos estes desenvolvimentos prepararam o terreno para a última tentativa de golpe.

Erdogan nunca vai reavaliar as suas políticas passadas, mas vai continuar a aplicá-las. Chegou a umha bifurcaçom no caminho: quer permanecer no poder e matar todos os que se oponhem a el, ou ser morto. Nom há outra opçom. Se fosse a ser responsabilizado polas suas açons, el seria considerado culpavel de assassinato, corrupçom e dos subornos que recebe. Além disso, as suas açons nom conseguirom pôr fim a futuras tentativas de golpe. El vai tentar governar a Turquia, apesar do caos, mas vai embarcar Turquia em um caminho ainda mais caótico. As suas açons som claras, e el vai manter este curso e manter a mesma política contra os curdos da Síria. A questom curda é a chave para os problemas que a Turquia enfrenta, e é a chave que abre a porta para a salvaçom. Ou umha soluçom é atingida, ou a crise continua.

As-Safir: Entom el vai continuar a apoiar a oposiçom síria, apesar do golpe e a sua preocupaçom com questons internas?

Altun: Quando o Partido da Justiça e o Desenvolvimento chegou ao poder, Erdogan reconheceu a causa curda e comprometeu-se a apoiar umha retórica democrática. El dixo que iria resolver a questom curda; afirmaçons que o 80% das pessoas deu-lhes a bem-vinda, quando as conversas começarom a encontrar umha soluçom para o problema curdo. Mas voltou atrás na sua palavra e retomou as políticas adotadas anteriormente. Porque el nom conseguiu resolver a questom curda, abriu a porta para umha recorrência de futuros golpes militares. Esta onda de golpes de Estado nom vai ser interrompida até que a estabilidade seja restaurada na Turquia em breve, ou no futuro. Rejeitamos a política de Erdogan, assim como rejeitamos o golpe militar. Nós temos umha terceira linha de pensamento, segundo a qual a questom curda deve ser resolvida democraticamente.

As-Safir: Será que Erdogan perdurara devido à necessidade dos Estados Unidos del?

 Altun: A relaçom da Turquia com o Ocidente é estratégica. O Ocidente abraçou a [Mustafa Kemal] Ataturk porque este último tinha inclinaçons ocidentais. O problema reside no feito de que os turcos tenhem a sua própria cultura, mas abraçam e vivem um estilo de vida ocidental. O Ocidente utiliza os turcos como umha ferramenta contra os seus adversários. Eles aspiram a umha Turquia na OTAN e na Uniom Europeia, embora a Turquia nom concordara com as fantasias ocidentais durante a Guerra do Iraque. Por primeira vez, os kemalistas abandonarom as políticas dos EUA, levando à decisom de permitir a chegada de Erdogan e os islamitas ao poder, com os americanos jogando o papel preeminente nesse plano de matar dous pássaros com umha pedra, em que as tradiçons kemalistas decrépitas seriam superadas por novas políticas de Erdogan.

Erdogan nom é um líder nascido da vontade do povo. Os Estados Unidos preparou e trouxo-o ao poder. A estrela de Erdogan brilhou de um dia para o outro apesar de que el desprovida de qualquer estatuto oficial, exceto polo feito de que visitou os EUA, onde passou algum tempo e foi tratado como um líder. Posteriormente a isso, a fractura aumentou entre Erdogan e os EUA, devido às suas políticas contraditórias a Síria, Iraque, Líbia, Israel, Egito e outras questons. América nom podia mais tolerar as suas políticas que causarom problemas incalculáveis. Embora o Ocidente proclamou ser contra o último golpe, permanecerom em silêncio durante as primeiras horas, até que se tornou claro que o golpe tinha falhado. As declaraçons teriam sido diferentes se o golpe tivera sucesso.

As-Safir: Isso significa que os EUA desempenharom um papel no golpe?

Altun: Talvez. Guardou silêncio conforme desenrolavam-se os acontecimentos.

 As-Safir: Mas por que os EUA se envolveriam em um golpe destinado ao fracasso?

Altun: O papel da América, se houver, nom pode ser verificada. Mas Erdogan acusa a Gulen de orquestrar-lo, e este último vive nos EUA, onde nunca poderia ter organizado um golpe de Estado sem o conhecimento dos Estados Unidos.

A abordagem dos EUA ‘para a Turquia é diferente da sua abordagem para outros países. Nom importa o quam irritada pode tornar-se com a Turquia, nom deixa de ser na necessidade dos seus serviços. Existem problemas entre a Turquia e o Ocidente, mas isso nom significa que nom necessitem a Turquia, que tem um papel designado para desempenhar na regiom.

 As-Safir: Dige-ches que Erdogan adotou políticas nom em linha com as dos EUA, apesar do feito de que Washington o levou ao poder. Por quê? É por causa das suas aspiraçons de reviver o Império Otomano ou o desejo de monopolizar o poder na regiom? El nom sabe que a sua sobrevivência depende da aprovaçom dos Estados Unidos?

Altun: A ascensom de Erdogan ao poder nom tem nada a ver com as mudanças que el iniciou umha vez no poder. Erdogan surgiu devido a que as tradiçons nacionalistas, que el traiu, assim como el traiu a Necmettin Erbakan no processo, preferindo abraçar as políticas extremistas Salafistas islâmicas umha vez que assumiu o poder.

No início, Erdogan deveria ter governado por um período de tempo específico, mas os desenvolvimentos no Médio Oriente inflarom o seu ego e levou-no a adotar políticas autoritárias até o ponto onde pensou que era o líder dos sunitas no mundo muçulmano, conforme aspirava a construir um novo califado otomano, levando à sua fractura com os EUA. Todas as suas declaraçons tinham umha base no Islam, e a ironia é que a mesma Turquia, que abandonou a sua herança Oriental para adoptar tradiçons ocidentais mudou de curso para defender fortemente a sua herdança oriental e enfrentar o Ocidente.

As-Safir: Será que a América temer umha Turquia forte?

Altun: Medo da popularidade que Erdogan alcançara era motivo de preocupaçom para os americanos, levando a disputas entre eles ultimamente.

As-Safir: Há contactos entre o PKK e os EUA?

 Altun: Existem contatos, mas eles som de um nível baixo e nom incluem qualquer coordenaçom.

As-Safir: Contactos directos?

Altun: Estam em algum lugar entre diretos e indiretos.

As-Safir: Som positivos?

Altun: Caracterizar-los depende da regiom em questom. Por exemplo, na Rojava, os americanos apoiarom o modelo que surgiu lá e esforçarom-se para impedir a intervençom turca na área. Mas, por outro lado, os EUA fam vista grossa às massacres, assassinatos e a repressom perpetrada contra os curdos por parte do Estado turco. Os EUA coopera com as Unidades de Proteçom do Povo Curdo, fornece-lhes apoio e impede a intervençom turca. O papel os EUA é de duplo fio em funçom dos seus interesses, e a relaçom com Washington é, portanto, de natureza táctica.

As-Safir: Será que os americanos prometerom apoiar umha federaçom curda na Síria?

 Altun: Absolutamente nom. A política dos Estados Unidos é pragmática. Nom apoiam o federalismo, mas nom o rejeitam abertamente. Permite suportar a ideia até que o seu resultado seja evidente. Os interesses dos EUA ditam a sua abordagem do assunto. Adota umha atitude conciliatória para com todos. Nos bastidores, afirma que nom se opon à ideia de umha federaçom, mas publicamente diz que está contra o particionamento, tendo em mente que o federalismo nada tem a ver com o particionamento.

As-Safir: Será que Washington permitirá aos curdos atingir Afrin e conectar as regions curdas da área?

Altun: Os EUA estam a manobrar todos os elementos relevantes para impedir de obstruir o avanço dos Curdos cara Afrin. Mas está igualmente dizendo a Turquia que nom iria reconhecer a entidade curda de Rojava.

As-Safir: Tenhem contato com o regime sírio?

 Altun: Temos tido relaçons com Damasco desde o início, e os contactos nunca pararom. Mas eu nom podoo dizer que as reunions entre nós som numerosas.

As-Safir: Será que a saída de Ocalan da Síria afectou às relaçons com Damasco?

Altun: Honramos o nosso relacionamento e a ajuda que Damasco nos deu no passado.

As-Safir: A adoçom da nomenclatura federal sem consultar previamente afetou às relaçons à experiência, com as pessoas vendo-o como um movimento secessionista. É secessionista?

 Altun: Nós também criticamos a imposiçom de essa perspectiva, a redacçom do seu anúncio e o uso de Rojava nel porque Rojava continua a ser umha parte integrante da Síria unida. O anúncio deveria ter sido redigido de forma diferente e que se opôm ao texto do anúncio da federaçom. Apoiamos a criaçom de umha federaçom no norte da Síria, entom por que nom necessitamos de umha Rojava federal? Qual seria o destino do território sírio restante? Eles nom pensam sobre o resto da Síria.

As-Safir: De quem foi que falha? Nom há coordenaçom entre vocês e as autoridades de Rojava?

Altun:. Nom há coordenaçom no sentido de “Fazede isto ou aquilo”. Nós nom interferimos diretamente para lá, mas sim oferecemos sugestons, sem dar instruçons específicas.

Nós também criticamos te-lo anunciado antes da conclusom de um terreno adequado para o seu anúncio, que deu a impressom de que estava sendo imposta como um feito consumado, e isso é prejudicial. O plano deveria ter sido explica-lo antes de ser feito o anúncio. Nós preferimos o uso Federaçom do Norte da Síria e chamamos para a eliminaçom de Rojava do nome porque Rojava significa umha federaçom de identidade curda. Norte da Síria é o lar de todos os seus componentes, e a liberdade dos curdos nom está condicionada ao grau de liberdade doutros habitantes da regiom. A nossa atençom, portanto, é instituir umha revoluçom intelectual, sem a qual as questons tendem a ficar mais complicadas.

Riza AltunEntrevista realizada por Mohamed Noureddine e publicada em árabe em As-Safir, e traducida ao inglês por Kamal Fayad para Al-Monitor.

 

Entrevista a Selahattin Demirtaş, co-presidente do HDP: “Nom temos outra opçom do que estar bem organizados e atentos, prontos para qualquer cousa”

demirtas 25Öcalan avisara a Erdogan sobre esta questom. ” Di-lhe, el nom entende, está agindo como um idiota “, dixo Öcalan. “Continuar o processo de resoluçom apoia-o , se esse processo termina, a mecânica do golpe vai intervir e el vai acabar como o Morsi de Egito”, avisou.

Selahattin Demirtaş, co-presidente do Partido Democrático dos Povos, definiu a tentativa de golpe como “umha tentativa de golpe de Estado duns golpistas contra outros golpistas “, e acrescentou: “Umha atitude clara deve ser adoptada contra as duas mentalidades golpistas e a luita deve ser reforçada, porque a mentalidade golpista que tentou tomar o poder através das forças militares usando tanques e canhons é ilegítima e  governar por meio de umhas eleiçons que se realizarom com umha guerra, violência, e o bombardeamento de cidades, é também um golpe civil.”

Demirtaş, lembrou que o Líder Curdo Abdullah Öcalan avisara a Erdogan sobre a “mecânica golpista” em todo o processo de diálogo, dixo que o Movimento de Libertaçom Curdo nom “aproveitou a tentativa de golpe” quando ocorreu:  as “guerrilhas curdas poderiam ter aproveitado essa tentativa e apreender muitas cidades, mas isso seria jogar da mentalidade pró-golpista. O movimento curdo, por nom fazer umha escolha entre as duas mentalidades pró-golpistas, mantivo umha postura digna, que insiste na luita democratica dos povos. No entanto, pessoas como Erdogan nom tenhem a capacidade de entender essa postura digna”.

O co-presidente do HDP chamou a “solidariedade” ao mencionar que com os grupos racistas e jihadistas que tomarom as ruas após a tentativa de golpe corre-se o risco de linchamentos e massacres.

Conversamos com Demirtaş sobre a tentativa de golpe que tivo lugar o 15 de Julho.

O que aconteceu ainda precisa de uma definiçom geral. Que foi exatamente?

Em primeiro lugar, é óbvio que houvo umha tentativa de golpe militar desde que o Exército empreendeu umha atividade militar que estendeu até bombardear o edifício do parlamento, a fim de derrubar o governo e tomar o poder. Que isso seja feito polo exército, pola força das armas exige que seja definido como umha tentativa óbvia de golpe de Estado. Umha vez que é definido de forma diferente, fica difícil de abordar a questom.

No entanto, as condiçons em que a tentativa de golpe se levou a cabo, os que desencadearom a tentativa de golpe, a posiçom do governo do AKP, estas som realmente aquelas que precisam ser definidas porque o poder atual é o poder que está governando através de um golpe de estado civil. Umha tentativa de golpe de golpistas contra golpistas … Se isso nom é precisamente definido, a questom nom pode ser feita. Entom, a posiçom tomada será igualmente errada e tal erro iria jogar nas maos do AKP no âmbito de um slogan “anti-golpe”.

É necessário tomar umha posiçom clara contra as duas mentalidades pró-golpistas e deve ser realizado um esforço. Um golpe civil para governar por meio de umhas eleiçons que foi realizada na sequencia da guerra, a violência, o bombardeando de cidades é tam ilegal quanto as forças golpistas que tentarom alcançar o poder através de meios militares, com tanques e armas.

Nós já levamos resistindo ao golpe do AKP por mais de um ano. O AKP, que extorquiu o poder desde o ano passado, nom pode ser absolvido só porque um bando dentro do exército acaba de tentar usurpar o poder. Estamos contra o golpe, principalmente; apresentamos a nossa posiçom como tal e ponto final. É necessário trabalhar umha política baseada em umha perspectiva que nom encobra o golpe feito polo AKP também. Nos nossos informes, apontamos a umha liga pola democracia tanto contra a mentalidade pró-golpista dentro do AKP como a camarilha pró-golpista dentro do exército. A alternativa é umha liga pola democracia, porque os próximos desenvolvimentos iram determinar o futuro do país. Ou o AKP vai embora e as forças da democracia terám o poder ou o AKP vai fazer o seu próprio golpe permanente, institucionalizando-o, aproveitando esta tentativa de golpe militar.

Como poderia esta camarilha golpista acreditar que a tentativa seria bem sucedida? Em quem ou o que confiavam?

Desconheço-o. A camarilha golpista nom tinha apoio político. Di-se que o golpe foi realizado sem apoiar-se em nengumha alternativa política. Há só umha cousa que eu sei: nom era umha camarilha que dependesse do HDP ou das forças que o HDP representa. Essa é a única cousa da que temos certeza. No entanto, se a camarilha tinha quaisquer contacto com outras forças políticas ou foi um golpe planejado por algumas outras forças políticas? Nom podemos sabe-lo. Pode ficar claro nas próximas semanas ou meses. No entanto, na Turquia algum tem sempre um entendimento de que espera a ajuda de um golpe. Houvo sempre umha mentalidade pró-golpista que acredita que nengumha força, exceto o exército pode consolidar a democracia no país, mas nom podo saber com quem essas pessoas tenhem relaçons políticas.

Esperava essa tentativa de golpe? Recebeu algumha especulaçom ou já preveia umha coisa assim?

Fazer tal previsom seria difícil, mas ao mesmo tempo durante as conversas em Imrali, o Sr. Öcalan descreveu a mecânica do golpismo e ilustrou-no correctamente com exemplos históricos. El muito bem explicou como as chamadas mecânicas golpistas funcionam na Turquia. Assim, el previa que a mecânica golpista seria implementada umha vez que o processo de resoluçom acabara. E, nesse sentido, advertiu a Erdoğan muitas vezes. El dizia: “Di-lhe, el nom entende, está agindo como um idiota.” Continuamente o avisou, dizendo: ” Continuar o processo de resoluçom apoia-o , se esse processo termina, a mecânica golpista vai intervir e el vai acabar como o Morsi de Egito”.

Como forom os passos concretos da mecânica golpista depois de rematar o processo?

Sim, poidemos observar e muito bem compreender a mecânica golpista durante essas conversas. Quando o processo terminou, a chamada mecânica golpista já estava em funcionamento de algumha forma. A guerra contra os curdos, a destruiçom no Curdistam, o esforço do exército a tomar a iniciativa de novo, Erdogan pondo-se em reserva do exército, a renuncia do seu poder sobre o exército, a sua proposta de aliança para um bloco nacional-fascista e a rendiçom da sua vontade a esse grande bloqueo, el praticamente fazendo tudo o que este bloco quer só para ganhar a guerra contra os curdos forom realmente os sinais da mecânica golpista em funçom.

Será que o Bloco de Estado Turco, que foi formada como umha consequência da guerra contra os curdos, leva a isso?

O Staff General obtivo todas as promessas de Erdogan antes de entrar na batalha das cidades. Ou seja, entregou o sistema presidencial, e, no máximo, haveria presidência com partidos políticos, Erdogan iria desistir da idéia de aproveitar todos os poderes do Estado para si mesmo; aprovaria a lei de impunidade e nom haveria caminho de volta para as negociaçons do processo de resoluçom. Tais promessas forom feitas e, portanto, o exército começou a luitar nas cidades.

Se lembrar, dixo-se no início que esta era umha guerra do Palácio e as pessoas estavam reagindo fortemente contra Erdogan nos funerais de soldados e policias. O exército também duvidava de luitar nas cidades e formulou um parecer sobre nom entrar nas cidades. Nos primeiros momentos os tanques entraram na cidade em Silvan e em pouco tempo eles afastarom os tanques da batalha, o exército expressou a Erdogan que nom iam entrar na cidade. Depois disso, Erdogan entregou-lhes a sua vontade, a fim de fazer um acordo com o exército e tornar o exército à luita nas cidades e entrar às cidades com tanques e armamento militar.

As relaçons e mecanismos internacionais também começarom a exercer pressom sobre Erdogan.

Isto foi completamente a mecânica golpista definida polo Sr. Öcalan. Estava funcionando perfeitamente. Enquanto a paz e o acordo nom forom feitas e umha aliança nom foi formada com os curdos, a guerra contra os curdos desencadeou o mecanismo de golpe como um relógio quando chega a hora.

Neste caso, nom deve estar surpreendido com a tentativa de golpe, certo?

Nom, nom estou surpreso. Estávamos esperando tal processo, mas é claro que era impossível para nós adivinhar, prever ou fornecer informaçons sobre o golpe. No entanto, nom ficamos chocados quando aconteceu porque se estava aproximando abertamente. Como isso aconteceria era um mistério. Seria um golpe pós-moderno como o do 28 de fevereiro, ou o exército completaria o golpe, aproveitando-se de Erdogan com o o exército ganhando lentamente a iniciativa da guerra no campo? Isso nom o sabiamos. No entanto, também se sabia que nom havia só umha camarilha no exército. Estruturas comunitários, chauvinistas, nacionalistas, americanistas forom separando-se em facçons. Nom é possível afirmar que esses grupos concordem entre si o 100% e concordem com Erdogan.

Sabe-se que houvo tensom antes de o Conselho Militar e que havia divergências antes das consultas. O Conselho Militar foi muito importante este ano. Cada conselho militar nos últimos anos tem sido muito importante, mas o Conselho Militar desse ano foi histórico para eles. Esperava-se que a tensom subiria. No entanto, ninguém estava esperando que isso se transformar em uma tentativa de golpe.

Após a tentativa de golpe, alguém do governo chamou ou tentou contatar com você?

Nom, ninguém o fixo. Houvo troque de informaçons com os nossos colegas, mas ninguém do governo contactou-nos.

Que vai acontecer? Por exemplo, pode haver uma mudança de política sobre a guerra curda? A paz pode estar na agenda? Ou será que a política de violência continuará a aumentar?

Isso depende da atitude que adote o Erdogan e o AKP. Na verdade, apareceu umha oportunidade. O Sr. Öcalan, durante as negociaçons, falou constantemente sobre a estrutura paralela no governo. “Essa mentalidade pró-golpista sempre foi um obstáculo para umha resoluçom”, alertou. Se essa mentalidade pró-golpista realmente vai ser dissolvida e se chegamos a um ponto onde a política civil e a resoluçom do problema curdo nom sejá abordado de forma provocativa; Se Erdogan realmente presta atençom aos avisos do Sr. Öcalan, um processo saudável e duradouro para a paz pode continuar. Em última análise, o enfraquecimento da mentalidade pró-golpista e a tradiçom golpista no exército, da vida civil, judicial, e da burocracia é para o benefício da democracia. No entanto, uma vez que há umha outra mentalidade golpista como o AKP contra nós, umha verdadeira compreensom da democracia nom surge.

 Que seria necessário para umha evoluçom em umha direcçom diferente?

Isso pode vir a ser umha oportunidade se Erdoğan entra em sentido e aqueles em torno del possuem a inteligência para perceber a magnitude do perigo e que a mecânica do golpismo nom desaparecera e compreender que a ameaça de golpe nom chegará ao fim enquanto a questom curda nom for resolvida em paz; umha democracia institucional e umha constituiçom libertária nom está na açom. No entanto, eu acho que isso é umha probabilidade muito pequena porque o AKP sempre usou essas oportunidades em favor da sua consolidaçom, o reforço do seu próprio poder, nom em favor da democracia. [As negociaçons com a] Uniom Europeia, cessar-fogo, processo de retirada dos guerrilheiros [retirada das fronteiras turcas], o AKP tentou-se beneficiar de todos estes.

Os resultados das eleiçons do 7 de junho de 2015 eram certamente umha oportunidade de democratizaçom e reconciliaçom e o AKP nom quixo usá-lo, tampouco. O AKP queria fortalecer-se novamente com umha instrumentalizaçom da guerra para as seguintes eleiçons do 1 de Novembro de 2015.

Ou seja, existe umha oportunidade para começar umha nova democracia em cima de umha fracassada tentativa de golpe; no entanto, o AKP nom é um partido capaz de fazer tal cousa e Erdoğan tampouco nom é um líder capaz de fazê-lo. Portanto, em vez de estar na expectativa de AKP e Erdoğan, precisamos ampliar o campo da democracia e levar, também, umha luta muito mais dura contra as duas mentalidades golpistas. A tensom vai aumentar a cada passo desde as multitudes que saem às ruas por Erdoğan nom estám em umha luita pola democracia ou algo assim. O primeiro-ministro está falando sobre alegria, mas este tem sido simplesmente umha festa de alguns reaccionários.

 Vários meios estam dizendo que há movimento nas ruas, o que é preocupante e prestes a cometer linchamentos …

Sim, mentalidade pró-ISIS, grupos pró-ISIS, incluindo Huda-PAR [um partido político islâmico do Curdistam Norte], AKP, todos os religiosos, grupos reacionários que estam fazendo um “tour de force” nas praças e exibindo o que entendem por democracia também. Eles nom querem ver ninguém, mesmo como cidadaos. Especialmente durante a tentativa de golpe, você já viu mesmo o que fizeram a os pobres recrutas fanfarrons inocentes. Até ontem, os que gritavam “mártires som imortais, a pátria está unida” quando os soldados de reempraço morriam na guerra estam agora linchando e torturando a esses soldados, cortando as suas gargantas.

A este respeito, estes grupos reacionários constituem umha ameaça importante, impedendo umha esperançosa democracia. É necessário dar a luita contra eles, mas também porque eles vam ficar mais atrevidos e funcionando por livre em todos os campos. Em todos os campos, eles vam tentar agir de forma mais imprudente. Eles podem realizar campanhas de linchamento contra os curdos, alevitas, esquerdistas, forças progressistas; eles podem até tentar massacres umha vez que estas pilhas se sentam muito mais forte a partir de agora. Esta será umha ilusom deles, mas eles nom som capazes de se libertar dos seus próprios delírios. Essa mentalidade reacionária está desprovida de qualquer análise histórica; desprovida de fazer avaliaçons políticas corretas; desprovida de compreensom dos equilíbrios internos da sociedade. A mentalidade de quem nom tem idéia de tudo isso pensa que pode mudar tudo com base só na força bruta.

Na verdade, a tentativa de golpe foi desativada graças ao posicionamento de companheiros de todos os partidos políticos, incluindo-nós. Claro, nós nom fizemos isto para apoiar o AKP mas o AKP vai tentar avaliá-lo assim e vai querer tomar vantagem delo. No entanto, se eles foram um pouco éticos e inteligentes, o AKP iria perceber o quam valiosa é a postura anti-golpista do HDP e do Movimento de Libertaçom Curdo. Eles dirigiriam em direçom à democratizaçom e reformas, deduzindo fazer isso nom para si mesmos. Mas eles nom tenhem umha mentalidade assim.

Qual é a posiçom do Movimento de Libertaçom Curdo contra o golpe?

Erdogan estivo acusando o movimento curdo de estar conspirando contra el junto com as estruturas paralelas. El está tentando explicar o término do cessar-fogo com este ponto de vista. Esta tentativa de golpe demonstra claramente que nom é o caso. O movimento curdo nom mostrou nengum ato de incorreçom durante as horas da tentativa de golpe na prática. Isso deve ser observado nos livros de história. Essa ampla guerra ainda está em curso, mas nem um só guerrilheiro do movimento curdo disparou sequer umha bala naquela noite. A guerrilha nom tomou posiçom com os golpistas. O povo curdo nom tomou partido com os golpistas. A guerrilha curda poderia tirar proveito dessa tentativa e entrar em várias cidades. Mas isso seria jogar nas mans dos golpistas. O movimento curdo nom escolheu entre as duas mentalidades pró-golpistas, demonstrando umha postura digna, persistente na luita dos povos pola democracia. Mas mentalidades como a de Erdogan nom tenhem a capacidade de entender essa honrosa postura.

Temos de estar preparados para um desafio mais difícil em qualquer caso. Precisamos estar preparados para umha luita muito mais difícil em todas as áreas. Erdogan e a sua mentalidade realizou “operaçons ilegais de inteligência”, umha vez no poder. Nas operaçons contra o KCK eles prenderom milheiros de pessoas e, em seguida, anunciarom ter prendido milheiros de pessoas erradas. Mais tarde, na operaçom Ergenekon, foi o mesmo. Em operaçons contra a comunidade Gulenista, eles estam prendendo pessoas aleatórias. Agora sobre a tentativa de golpe o AKP está novamente prendendo ou cessando a qualquera que eles vêem como umha ameaça. Nom há espaço para a justiça ou equidade no mundo de Erdogan. Agora, todos os grupos da oposiçom que pareçam ser opostas a Erdogan podem ser julgadas e removidas do exército e do aparelho judicial. Isso requer atençom. Os golpistas devem ser julgados, presos e condenados perante a lei. Mas no disfarce das operaçons anti-golpe, grupos de oposiçom podem ser ainda mais oprimidos, canais de televisom e meios de comunicaçom podem ser fechados. Todos isto requere mais atençom. Nom devemos permanecer em silêncio contra as políticas injustas cara círculos inocentes.

E, claro, organizar o povo, entretanto, é umha obriga.

Mas como? A confusom é comum tanto na sociedade curda como na frente democrâtica. Ou seja, que pode fazer-se para intervir no processo?

A tentativa de golpe é tam recente e ainda nom está totalmente sob control. Ainda estam desaparecidos helicópteros e comandantes do exército cuja localizaçom é desconhecida. O seu paradeiro nom é certo. Por isso, Erdogan e a sua linha da frente ainda estam nervosos. Aparentemente, o golpe nom está totalmente reprimido. A parte sistemática e ampla do golpe está terminado, mas os seus pontos focais nom estam identificados. Tanto quanto se pode ver, esta é a imagem. A sociedade também está um pouco intranquila. Claro que a sociedade está contra os golpistas, mas as multitudes do AKP está levando às ruas estám realizando manifestaçons reacionárias, e assemelham jihadistas, membros do ISIS, assim que a sociedade em geral nom pode demonstrar a sua postura anti-golpe nas ruas e praças. Somente as multitudess organizadas como turbas polo AKP estam inundando as praças.

É claro que as águas voltaram limpas em um par de dias. Nom devemos deixar o espaço público nas maos das turbas reacionáris. Devemos tomar as praças, dizendo que “nem o golpe palaciano, nem o golpe militar”, “nom há nengumha opçom mas que a democracia”, e tomar as ruas contra todas as mentalidades golpistas. Porque as ruas som legítimas. O AKP leva vantagem deste quando se trata do seu ganho, e quando nom é, eles tentam bloquear as ruas, aterrorizar as ruas. Nós nom devemos cair nesse enredo, essa tirania do AKP. Umha cousa é clara agora: As ruas nom som legítimas só para o AKP. Quando a oposiçom encha as ruas no futuro, se o AKP tenta oprimir e dominar as ruas, todos devem lembrar-lhe o AKP a legitimidade das ruas.

Os linchamentos forom comuns nas ruas; pobres soldados fanfarrons sendo abatidos. O Erdogan nom mencionou nengum deles. Por favor, lembre, quando nós chamamos as pessoas às praças para a Resistência de Kobanê, nós nom chamamos para a violência, e 48 membros do HDP forom assassinados de um total de 55 pessoas. O AKP tentou r mesmo botarnos a culpa a nós. Hoje, eles estam linchando pessoas na televisom ao vivo, estam matando jovens recrutas, inocentes que foram redigidos pola força ao serviço militar obrigatório, o que o primeiro-ministro chama de “festa da democracia” e o Presidente da República chama “direito de manifestaçom”. O povo deve estar atento a eles. Se estas turbas continuam governando o país e fortalecendo-se, o seu desejo é o de que haja linchamentos. Eles gostariam de governar com esta mentalidade e temos de tomar as ruas para impedir-lhes sentir esse falso poder.

 Entom prevê umha ameaça de linchamentos e massacres?

O AKP pode dirigir essas massas, esses grupos para atacar certos bairros. Todo o mundo precisa de prestar atençom. Bairros curdos, bairros alevitas, e esquerdistas podem-se transformar em objetivos. Todo o mundo tem direito a necessária defesa contra qualquer ataque. No caso dessa situaçom, umha força de resistência legítima seria necessária que fôra organizada para atuar independentemente de quem ataque.

Estamos passando por dias e horas críticos. O golpe nom foi totalmente anulado. Outras facçons também podem tomar medidas para um golpe. O AKP está a abusar das sensibilidades sociais, provocando-os, tentando levar a nossa postura anti-golpe a um rendimento político, e isso pode desencadear outros movimentos sociais. Nom temos outra opçom do que estar bem organizados e atentos, prontos para qualquer cousa.

Entrevista realizada por OSMAN OĞUZ e publicada na web do HDP.

 

“A resistência é vida, o silêncio é morte”: Entrevista exclusiva com Faysal Sariyildiz

Faysal Sariyildiz 01O deputado Faysal Sarıyıldız do Partido Democrático do Povo por Şırnak foi a única fonte de informaçom desde dentro do distrito sitiado de Cizre nos últimos dous meses. El informou à opiniom pública através das mídias sociais e fixo muitos apelos a organizaçons internacionais para acabar com o cerco em Cizre e impedir a massacre de civis.

Sarıyıldız foi eleito por primeira vez para o Parlamento em 2011 como candidato do Partido da Paz e a Democracia (BDP), o antecessor do HDP, enquanto el estava na prisom por alegada pertença a umha organizaçom terrorista. Foi preso em 2009, como parte das operaçons conra a KCK e liberado em 2014 sem ter sido julgado ou condenado. Foi re-eleito para o Parlamento em 2015.

Kurdish Question entrevistou o Sr. Sarıyıldız na esteira das massacres dos sotos para ter umha imagem mais clara, sem censura e imediata da situaçom em Cizre.

Onde está agora Mr. Sarıyıldız?

Estou no distrito de Cizre de Şırnak, onde há um toque de recolher durante 62 dias sob as ordens do governo do AKP e a decisom do Governador de Şırnak.

Em quais bairros estam ocorrendo as operaçons e assédios?

As operaçons e assédios nom estam limitados a certos bairros. O assédio está a ser implementado em cada canto do centro do distrito. No entanto, há umha concentraçom nos bairros de Nur, Cudi, Sur e Yafes, que estam sob intenso ataque e assédio.

Qual é a povoaçom que vive nesses bairros neste momento?

De acordo com o censo do 2015 a povoaçom de Cizre é de 131, 816. Os quatro bairros que mencionei componhem os 2/3. Devido aos ataques devastadores e extra-legais do estado, as pessoas que vivem nos bairros Cudi, Nur e Sur forom totalmente deslocadas, enquanto mais da metade da povoaçom em Yafes também deixarom as suas casas. Além disso, a política de deslocamento forçado do estado também foi implementado em bairros onde os ataques nom se estam concentrando. Podemos dizer que mais de 100.000 pessoas forom deslocadas.

Há mais de 2 meses que Cizre estivo sob assédio; que estam comendo e bebendo a gente, ou seja, como estam vivendo?

As pessoas consumirom tudo do que se tinham abastecido durante este tempo. Em Cizre, as relaçons sociais e de vizinhança som fortes. Além disso, há solidariedade coletiva porque as pessoas pertencem à mesma identidade política. No entanto, há sérias dificuldades por causa da duraçom do cerco. Por exemplo, o estado permitiu somente um par de lojas abertas determinados dias. Mas só as pessoas que vivem perto destas lojas poderiam tirar proveito disso. As pessoas que vivem longe dessas lojas nos bairros sob fortes ataques nom podem acessar as suas necessidades. Porque se saes da casa para comprar pam podes ser baleado ou atingido por estilhaços de um morteiro; em suma, morrer. O preço de sair a rua é a morte. Além disso, a polícia recentemente impediu que estas lojas abram.

Ao mesmo tempo, as forças estatais impedirom a dúzias de camions que continham alimentos e outras necessidades enviadas de todo o país como ajuda entrar no distrito.

Por causa dos ataques a infra-estrutura do distrito foi destruída. As forças do estado conscientemente atacarom o sistema de água e de águas residuais, bem como os transformadores de energia elétrica. Houvo falta de água durante dias. Um trabalhador do município foi para amanhar os tanques de água danificados, mas foi baleado no braço polas forças estatais; o seu braço tivo que ser cortado.

As pessoas chamam-no pedindo ajuda? Que tipo de cousas pedem?

O pedido mais comum durante o cerco foi polos cadáveres e feridos para ser levados os hospitais. Os pedidos de ajuda das pessoas retidas nos edifícios, as pessoas que estam sob ameaça de morte e as pessoas cujas casas forom queimadas também som comuns. Isso ocorre porque o Estado desligou todos os canais de comunicaçom entre as instituiçons e as pessoas; nom há nengumha via de diálogo. Os municípios nom som capazes de levar os serviços para as pessoas devido ao cerco e toque de recolher.

As pessoas pensam que porque eu som deputado eu poderei atender os seus pedidos. No entanto por causa de ser da oposiçom e a linha política que represento, os pedidos que eu fago nom deve som levados em consideraçom. Os cadáveres e feridos forom deixados nas ruas durante dias apesar dos repetidos apelos para que poidam ser recuperados. Pedidos como estes seriam atendidos imediatamente em países onde há umha democracia enraizada e a justiça e o direito está em vigor. Mas os pedidos humanos som ignorados na Turquia, que é administrado por um governo anti-democrático e totalitário.

Onde é que as pessoas que migrarom de Cizre forom? Tem algumha informaçom sobre a sua situaçom?

As pessoas que tiveram que deixar as suas casas e meios de subsistência por causa dos constantes e graves ataques por parte das forças estatais. Quando os curdos falam de devastaçom e desastre fam referência a Kobanê e Sinjar. Dous terços de Cizre em verdade nom som diferentes de Kobanê e Sinjar. As casas forom viradas em ruínas. Quase nom há casas que os bombardeios de tanques e morteiros nom bateram. Esta foi umha política consciente para deslocar as pessoas. As forças do governo violarom o direito à vida.

Houvo migraçom interna no primeiro mês do cerco. Os ataques estavam concentrados nos bairros Cudi, Nur, Yafes e Sur. As pessoas forçadas a se deslocar destas áreas migrarom para o centro do distrito ou bairros onde os ataques eram menos graves. Alguns forom morar com parentes e outros forom acolhidos por pessoas. No entanto, quando os ataques começarom a se espalhar para esses bairros, mais umha vez migrarom, desta vez para as aldeias vizinhas, o centro de Şırnak, Idil, Diyarbakir e cidades turcas. Na década de 1990 os ataques do Estado provocarom que os curdos migraram das zonas rurais para as zonas urbanas, agora está ocorrendo o oposto; porque o estado está a transformar as cidades curdas no inferno.

Por que o estado está atacando Cizre tam severamente?

Se analisarmos o significado histórico e político da Cizre, pode-se ver que tem umha qualidade simbólica, tanto para o estado como também para o povo curdo. Para compreender por que o Estado declarou o mais longo cerco e toque de recolher e cometerom atrocidades, impedindo as pessoas de enterrar os seus seres queridos e a queima de pessoas vivas, deve-se olhar para a história da resistência em Cizre.

Durante toda a década de 90 Cizre foi o lugar de maior tirania e repressom. Os feitos na celebraçom do Newroz (Ano Novo curdo), em 1992 ainda estam frescas na nossa memória. Mais de 100 civis forom mortos e centos feridos em ataques para evitar as celebraçons do Newroz. Nos mesmos anos as aldeias forom arrasadas, as migraçons forçadas, execuçons extrajudiciais e as valas comuns forom moeda diária em Cizre. O Estado viu os direitos humanos e as liberdades básicas como luxos para as pessoas deste distrito.

No entanto, apesar de toda a violência e repressom, entom e agora, o povo de Cizre nom deu nengumha concessom e nom se ajoelhou. A demanda de Cizre pola liberdade e igualdade e a resistência contra as políticas do Estado turco de negaçom e assimilaçom foi sempre inquebrável. Apesar da política de assimilaçom do estado Cizre resistiu a turquificaçom e protegeu a sua autêntica identidade cultural e política independente. É por isso que sempre foi um alvo para quem está no poder. Assim como Cizre estava no coraçom da rebeliom contra o Império Otomano em 1847, tornou-se símbolo da resistência para o povo curdo na década de 1990.

Portanto, o estado acredita que se Cizre, como um dos centros de resistência, é liquidado, entom podem fortalecer a sua soberania nas outras cidades do Curdistam. Mas eu acredito que a barbárie do Estado em Cizre durante o cerco foi gravada na memória coletiva do povo tam profundamente que vai criar raiva e umha reaçom organizada. As pessoas aqui forom obrigadas a umha experiência desumana e tirânica que vai passar de geraçom em geraçom.

Faysal Sariyildiz 02Que significam as barricada e trincheiras?

Significa umha forma de auto-defesa contra a política de negaçom e aniquilaçom do Estado. É claro que o povo curdo nom está feliz com a vida atrás das trincheiras, no meio de batalhas, deixando as suas casas e enterrando os seres queridos todos os dias. No entanto, há umha insistência em que os curdos vivem como escravos. Aqueles por trás das trincheiras se oponhem a isso. A maioria deles estiverom discriminados polo Estado; detidos, presos e torturados ou perderom um parente na guerra ou incendiarom a sua aldeia. Eles nom confiam no Estado. Eu sei disso porque me reunim com os jovens o ano passado, quando as negociaçons (entre o movimento curdo e o estado) ainda estavam em andamento, para que eles fecharam as trincheiras. Eles escutarom o chamado de Öcalan e figerom-no. No entanto, o mesmo dia as forças estatais dispararom e matarom umha criança, Nihat Kazanhan, desde um veículo blindado. É o conceito de guerra do estado que obrigou a Cizre a cavar trincheiras.

Há diálogo entre você e os funcionários / instituiçons estaduais?

Apesar das muitas tentativas de fazer contato e atender durante todo o cerco, o governador de distrito Cizre nom respondeu o telefone nem respondeu aos nossos pedidos para umha reuniom. O diálogo com a polícia nom evoluiconou além das constantes ameaças que nos fam.

Quem acha que está comandando as operaçons militares em Cizre? As forças de Ancara ou as locais? Quantas equipes das forças especiais, soldados, policiais etc. há em Cizre no momento?

O que aconteceu em Cizre nom é umha questom local. O mesmo aconteceu e continua a acontecer em muitas outras vilas e cidades curdas. Os funcionários do governo também afirmarom em várias ocasions que esta é umha operaçom global. Por isso, é claro que estas operaçons estam sendo planejadas e usam as instituiçons burocráticas e instrumentos políticos de todo o estado. Em março do 2015, quando o processo de resoluçom ainda estava em curso, o governo do AKP aprovou o projeto “Paquete de Segurança Interna” no Parlamento como preparaçom para o que está acontecendo hoje. Todas as operaçons que som implementadas aqui som suportadas, incitadas, e dirigidas por autoridades estaduais e do governo, incluindo o presidente, primeiro-ministro, ministro do Interior, ministro da Defesa, chefe de gabinete, governadores provinciais, governadores etc. Aqueles que executam a operaçom no terreno som pessoal do Estado. Eles estam pagos polo Estado e estám usando equipamento militar do estado. Há mais de 10.000 soldados e forças policiais especiais participando activamente na operaçons em Cizre. Se levarmos em conta todos os tipos de artilharia pesada, existem suficientes soldados e forças especiais para verificar cada casa em Cizre.

Houvo massacres em 3 sotos. Poderia dar-nos algumha informaçom concreta sobre estas massacres?

Havia cerca de 130 pessoas nos ‘3 sotos da morte’, a metade deles mortos ou feridos. Eu e as famílias dos presos falamos com a delegacia da polícia Cizre e a equipe de saúde do estado inúmeras vezes de levá-los para o hospital. Mas cada solicitaçom foi recusada por motivos de “segurança”. Os edifícios com os feridos presos forom atacados por vários dias. Eles forom deixados sob os escombros, sem comida e água por vários dias. O Estado violou todas as regras humanas e legais e massacrou os feridos de umha forma selvagem.

Nom temos informaçons concretas sobre o primeiro soto. Mas as ambulâncias do município recuperarom os corpos que forom tirados a rua polas forças estatais a 50 m de distância do soto. Nom sabemos ao certo se forom retirados do prédio. No entanto, temos a certeza de que polo menos 110 pessoas que se refugiarom nos edifícios forom massacrados, a maioria deles queimados vivos. Há polo menos 28 pessoas desaparecidas. (Umha vez que a entrevista rematara confirmou-se, que polo menos, 145 pessoas morreram).

Umha vez que o bloqueio marcial começou 62 dias atrás 209 pessoas forom mortas, as identidades de 80 pessoas forom confirmadas, enquanto o resto ainda nom estam claras. Nós acreditamos que o número de vítimas vai subir. Há muitos mais cadáveres nas ruas e nas casas.

O Estado e a imprensa turca afirmou que essas pessoas nom evacuarom os sotos apesar dos apelos. Por que essas pessoas nom deixarom os sotos?

As afirmaçons de funcionários do Estado e os meios de comunicaçom de que as pessoas nom evacuarom os sotos apesar de ter a oportunidade som para enganar a opiniom pública internacional. Se isso fosse verdade eles poderiam prova-lo. Tivem contato por telefone com as pessoas assediadas, falamos muitas vezes. Conheço muitos deles do seu trabalho na esfera social, política e de mulheres. Quase 50 estudantes universitários que tinham viajado a Cizre em solidariedade também estavam entre os feridos. Quando as ambulâncias tentarom alcançar os sotos as forças do estado tiroteiarom a cena e nom lhes permitirom a entrada na área por razons de “segurança”. Em vez de permitir que eles foram levados para o hospital, desde o início o estado abandonou à morte e queria massacrá-los. Eles figerom isso, queimarom-os vivos.

Com esta massacre do estado, à sua maneira, queriam ensinar aos que resistem a liçom e também o castigo e intimidar as pessoas de outras cidades curdas; isso também era umha ameaça para os que estám contra o estado nas cidades ocidentais da Turquia. Usando a retórica “Estamos perdendo o país polos terroristas”, o governo tentou esconder as suas práticas extra-legais e consolidar o bloco nacionalista e conservador.

Além disso, devido à crescente supressom dos meios de comunicaçom nos últimos anos, é impossível falar de uns mídias livres que informaram do que está acontecendo aqui. Os meios de comunicaçom atuais estam no lugar para legitimar todas as açons do governo e do estado. Um pequeno grupo de meios de comunicaçom livres som constantemente reprimidas com os jornalistas sendo mortos, presos e impedidos de fazer o seu trabalho. Portanto, nom é possível obter informaçom imparcial ou detalhada sobre o que está acontecendo nas cidades curdas nos mídia. Em suma, o Estado está a implementar todos os métodos de guerra psicológica à sua disposiçom.

Sabemos que os sotos em Cizre tenhem um significado especial. Desde os anos 90 as pessoas refugiarom-se nos sotos. Poderia contar mais sobre isso?

Um soto ou adega é um espaço onde as pessoas se refugiam dos ataques do estado. Este espaço é, especialmente para Cizre, histórico. Tendo experimentado a tirania do estado, a soluçom de Cizre forom os sotos. Se o povo de Cizre nom tivera construído sotos para defender e proteger-se, massacres maiores poderiam ter ocorrido.

Você é deputado por Şırnak. Umha criança desta cidade. Sabemos que perdeu muitos amigos recentemente. Como descreveria o seu estado de ánimo? Poderia nos contar o momento em que mais luitou?

O sofrimento em Cizre foi indescritível. Como podoo distinguir entre a dor causada pola morte da mae Hediye, que depois de me pedir ajuda durante umha semana, foi morta por um projetil de tanque, ou o assassinato do bebê de 3 meses Miray e o seu avô em umha emboscada sangrenta ou a morte do meu amigo Aziz, que foi morto por um único tiro na cabeça quando se dirigia salvar a umha mulher ferida, ou a perda do meu camarada Seve, que escondeu a sua convicçom na revoluçom no seu sorriso? Mas umha criança escreveu “A resistência é vida, o silêncio é morte” em umha parede com carvom em meio do bombardeio de tanques também me afetou profundamente. Porque este foi o grito de Cizre …

Eu acho que essas palavras e frases explicam Cizre e o meu estado mental; silêncio, gritos desoladores, resistência, vida, destroços, água, tirania, migraçom, coragem, liberdade, rostos ensangüentados, jovens com rostos luminosos, esperança…

Fixo chamadas a muitas organizaçons internacionais recentemente. Recebeu algumha resposta?

Nom houvo resposta significativa ou medidas tomadas em resposta às cartas escritas e as chamadas feitas por mim e o Partido Democrático dos Povos até agora.

Como podem ser paradosos ataques do Estado ?

Tanto quanto nós podemos dizer as forças estatais nom tenhem a intençom de cessar os ataques no futuro próximo. O estado quer encobrir o seu fracasso político na Síria e Rojava com esses ataques. Além disso, quer desacreditar, criminalizar e suprimir a motivaçom criada polos desenvolvimentos em Rojava, bem como as exigências feitas polos curdos durante o processo de soluçom, que forom vistas polo mundo como legítimas. A oposiçom unificada e organizada formada polas forças democráticas é a única cousa que pode enfraquecer os ataques do Estado. O apoio da opiniom pública internacional também é muito importante.

Onde acha que os desenvolvimentos nos estam levando?

A situaçom actual da economia capitalista significa que os recursos energéticos e as suas vias tornarom-se questons importantes. As potências imperialistas estam constantemente fazendo novos movimentos devido às consideráveis reservas de petróleo e gás na regiom. Os desenvolvimentos aqui, especialmente desde a primeira Guerra do Golfo, estam criando novas contradiçons, novas alianças, novos problemas e novas oportunidades todos os dias. Além disso o sectarismo está sendo aprofundado usando o Daesh (ISIS). Junto com isso nós igualmente temos os desejos democráticos e as luitas dos povos da regiom contra os regimes autoritários.

Um dos exemplos mais importantes disso som os curdos. Os curdos querem a democracia e o auto-governo. Há umha luita ativa por isso em Rojava. As demandas na Turquia dos curdos estam a ser recusadas; a sua luita criminalizada, suprimida e deslegitimiçada. No entanto, nesta era da comunicaçom nom vai ser tam fácil como era antes negar a demanda do povo pola democracia, a igualdade e a liberdade. Os curdos continuarám luitando por isso; a sua demanda por umha “cidadania igual e livre” na Turquia é significativa e preciosa. É umha exigência universal, legítima e democrática. Entom, até que um regime democrático no que os curdos tenham um estatus e opiniom vai continuar esta luita.

Obrigado por dar-nos esta entrevista e polo seu tempo.

Obrigado.

Esta entrevista foi publicada em duas partes 1 e 2 em Kurdish Question.

 

“O que está acontecendo na Síria é como umha Terceira Guerra Mundial”: Sipan Hemo, Comandante-General das YPG

sipan hemo YPGAs Unidades de Defesa do Povo, conhecidas também como YPG estabelecerom-se como força militar nos últimos quatro anos, e o número dos seus combatentes atingiu a 50.000. O núcleo da formaçom começou na regiom de Jaziar a finais do 2011, onde conseguiu vitórias contra o “Estado islâmico”, bem como nos seus confrontos com as forças do regime, Jabhat al Nusra (al-Qaeda no Levante) e facçons islamicas em períodos sucessivos. A sua formaçom militar está distribuída nas três principais regions onde o Partido da Uniom Democrática (PYD), combinado com as Unidades de Defesa do Povo (YPG) dentro do Sistema de Sociedade Democrática, declarou o estabelecimento dos 3 cantons: Jazira, Efrin e Kobanî no final de janeiro do 2014.

As YPG ganharom fama mundial durante o ataque do ISIS a Kobanî e apreenderom mais de 356 cidades, vilas e fazendas que guiarom a aliança militar entre as YPG e a coalizom liderada pelos EUA. SOHR entrevistou o comandante-general das YPG Sipan Hemo, sobre os principais pontos curdos e sírios em geral.

Em primeiro lugar, como se definem as YPG?

A melhor definiçom é o seu próprio nome Unidades de Defesa do Povo, o seu pilar fundamental consiste nos jovens curdos sírios que estam militarmente disciplinados, enquanto que a sua missom é proteger o povo no Curdistam sírio nos cantons de Rojava. Rojava é umha expressom para as regions habitadas na sua maioria polo povo curdo na Síria.

É umha facçom das forças da guerrilha HPG – o braço militar do PKK? Luitaram no território turco junto o PKK?

A YPG é umha força militar pertencente à autogestom democrática na Rojava, e está luitando fortes batalhass para proteger as suas regions, de modo que as YPG nom tenhem interesse em abrir umha frente com a Turquia expandinda em centos de quilómetros, seria um suicídio militar e, o que se di ao contrário disso é sem sentido e nom merece umha resposta.

Qual é a sua resposta às acusaçons de recrutar crianças?

Emitimos um monte de declaraçom em resposta a estas alegaçons, mas parece que algumhas pessoas insistem em repetir isso só para difamar a boa reputaçom adquirida polas YPG, todos sabemos que recrutam crianças como combatentes e homens-bomba do nome de Jihad.

Qual é a relaçom entre as Forças de Auto-Defesa, que forom anunciadas há algum tempo, e as YPG? É umha tentativa de aumentar o pessoal das YPG obrigatoriamente? É um passo permanente ou temporário?

A Auto-Defesa é um passo para organizar umha proteçom permanente, onde a sociedade em todos os seus componentes protege-se a si mesma, e ao mesmo tempo as YPG continua o com mais experiência na defesa dos nossos zonas. Por esta razom, a autodefesa é umha meta a que procuramos chegar, e o seu primeiro passo forom as YPG.

Agora, vamos falar sobre o acontecimento mais quente, que história á por trás dos últimos confrontos em al-Sheikh Maqsoud em Aleppo?

Para responder a esta pergunta, temos de ver o quadro inteiro, as provocaçons começarom atacando as nossas áreas nas aldeias de Derbalout e Diwan, bem como o seqüestro de civis e bandidagem; a última foi a tentativa de torcer o braço no seu ataque no bairro de al-Sheikh Maqsoud acreditando que é o mais fraco, porque está muito longe do centro de Efrin e devido às dificuldades em assegurar o apoio logístico, logo que o bairro estivesse sitiado por mais de umha semana e que a situaçom humanitária nom é tam ruim, especialmente porque o bairro está habitado por mais de 250000 civis de todas os componentes da sociedade.

Também chamamos a atençom para o ponto em que os membros da oposiçom nacionais estavam perturbados sobre esse ataque contra o bairro de al-Sheikh Maqsoud, eu, pola sua vez, pergunto e que gostaria que eles perguntaram-se coma mi, quem beneficia de este ataque? E quem beneficia da abertura de umha frente contra os curdos? Qual som os benefícios?

So, Jabhat al Nusra, a Brigada al-Soltan Morad e o Movimento Ahrar al-Sham que som agentes de umha outra força na luita contra os curdos, e esta força ou terceiro deu-lhes as ordens para abrir esta frente.

Qual é a perspectiva da batalha em Aleppo, é umha medida defensiva ou ofensiva?

Do nosso lado, a batalha é defensiva; respondemos às fontes de fogo e protegemos a periferia do bairro. Mas se a mesma situaçom continua, certamente vamos tomar medidas mais rigorosas, e nós mudaremos a batalha para umha posiçom ofensiva, eu nom digo que nós estexamos indo a controlar mais áreas, mas garanto que vamos prejudicá-los e atacaremos as suas áreas sob o seu control.

Acha que Ahrar al-Sham, Jabhat al Nusra, al- Zinki e outras facçons podem aliar-se para atacar Efrin?

Jabhat al Nusra acredita na Bay’ah (na terminologia islâmica, é um juramento de lealdade a um líder) e nom acredita em alianças, simplesmente porque eles nom acreditam na associaçom, esforçam-se em controlar todas as facçons que existem nas suas áreas controladas seja pola força ou o fascínio por encher os bolsos. Além disso, praticamente controla o Movimento Nour al-Din Zinki, parte do Frente al- Shamiyyah como a Legion al-Sham e mesmo os batalhons Soqor al- Jabal apoiados por USA. No entanto, qualquer pessoa que se recuse a aderir a Jabhat al Nusra vai ser assassinado como aconteceu com o Movimento Hazem, o Frente Revolucionários Sírio e Jabhat al Nusra estam revelando a realidade do seu método que é o assassinato ou o control, e depois mobilizariam-se contra Efrin. Aqui, gostaria de acrescentar algo, é triste que alguns no Exército Livre Sírio nom diferam de Jabhat al Nusra nas suas açons.

A trégua em Kefrayya e al- Fu’ah, na zona rural de Idlib terá um efeito negativo sobre Efrin, particularmente nas frentes de Atmah e Jandires?

Nós nom contamos muito sobre esse acordo, umha vez que é temporal e tático; esperamos que seja um sucesso para aliviar o sofrimento humanitário de civis, mulheres e crianças em ambos os lados. No entanto, com umha leitura realista, nom esperamos que seja um sucesso, especialmente depois das muitas violaçons que ocorrerom nos últimos dous dias. No que di respeito a Jabhat al Nusra, somos inimigos e fai que a situaçom ficar pior som as declaraçons emitidas várias vezes que, quando terminem de luitar no al- fu’ah eles vam atacar Efrin. Independentemente do acordo al- Zabadani – al- Fu’ah, a guerra entre nós foi declarada há tempo, por vezes, direta e indiretamente noutros momentos.

Como avalia a atual situaçom em al- Hasakah, e qual é o seu objetivo na área?

Do ponto de vista militar, a situaçom de al- Hasakah a Kobanî é de defesa. Entom, depois de expulsar o Daesh de al-Hasakah, Kobanî e Tal Abyad as nossas unidades estam implantadas a defensiva para repelir qualquer ataque possível realizado por militantes do ISIS.

Vemos al-Hasakah como um núcleo da nova Síria democrática. Por esta razom, estamos a trabalhar no estabelecimento de conselhos conjuntos incluindo curdos, árabes e Siríacos, e no aumento da comunicaçom entre todos os constituintes. Assim, o sucesso do nosso projeto em al-Hasakah é a motivaçom para umha soluçom semelhante que bem poderia ser aplicada em toda a Síria, umha Síria livre e democrática para todas as pessoas.

E sobre as açons militares em curso no interior de Kobanî?

A operaçom militar no campo de Kobanî está sob a sala de operaçom militar de Burkan al-Forat que inclui às YPG e algumhas facçons do Exército Livre, assim que esta operaçom vai continuar até chegarmos al-Raqqa e expulsar o Daesh dalí. As YPG está empenhada em fornecer todo tipo de apoio às facçons do Exército Livre filiadas a Burkan al-Forat para derrotar o Daesh e retomar al-Raqqa.

Alcançariam essas vitórias gloriosas em Kobanî sem o apoio da coalizom liderada polos Estados Unidos?

Para ser realista, nom podemos negar o papel oferecido pola coalizom liderada polos EUA na batalha de Kobanî, mas falando francamente, eu confirmo que a resistência lendária e coragem dos nossos combatentes, bem como a sua capacidade de sacrifício estam por trás destas vitórias. Entom, a coalizom liderada polos EUA tivo um papel importante, mas nom o mais importante.

Sob estas vitórias, existem algumhas partes que os acusam de tentar separar a Síria, a fim de estabelecer umha entidade curda.

Estas som acusaçons falsas; o governo turco está subjacente a elas onde tenta retratar qualquer conflito curdo como se fosse um movimento separatista. Pola contra, aqueles que repetem essas acusaçons devem comunicar-se conosco e ver o nosso projeto, em seguida, eles vam descobrir que o nosso principal projeto para a Síria é o estabelecimento de um sistema democrático parlamentar pluralista, e que é um projeto para todos os componentes do povo sírio. É a garantia real para a unidade da Síria, entom pararam de repetir como papagaios o discurso de Erdogan. Eu gostaria também de perguntar-lhes, a permanência do Daesh em Jarablus e o rural de Aleppo é umha garantia para a unidade da Síria?

Qual é a sua resposta sobre isso de que as YPG deslocam os árabes das suas regions?

Francamente falando, fico aborrecido dessas mentiras descaradas e falsidades, emitimos umha declaraçom formal sobre isso, assim como muitas organizaçons de direitos humanos têm refutado estas alegaçons. Na guerra, é muito normal que os civis deixem as áreas conflitantes para lugares mais seguros, e o que aconteceu em todas as áreas em conflito na Síria desde Horan a Qamishlo, mas aqueles que forom perturbado polas nossas vitórias e tolerância e humanidade virarom-se para confundir o que temos conseguido. Além disso, lançamos repetidamente apelos aos cidadaos a voltar para as suas casas, e permita-me reiterar o apelo a partir desta tribuna a todos os cidadaos para voltar às suas casas.

Muito se falar sobre a sua relaçom com o regime, especialmente após os confrontos al-Hasakah, como explica essa relaçom se houver algumha?

“Essas acusaçons som dos mesmos que nos acusam que procuramos separar-nos, por isso aqueles que repetem essas acusaçons fecharom as suas mentes em dous modos, quer ficar comigo ou com o regime. Eu respondo-lhes que somos umha terceira linha. A nossa revoluçom contra a injustiça e a tirania tem a sua própria maneira especial que nom se asemelha a outras. Estamos convencidos da impossibilidade de umha soluçom militar para a crise na Síria, mas deve ser umha questom cultural, intelectual e política. Portanto, dependemos de assegurar a protecçom aos cidadaos que vam construir a nova Síria democrática; umha Síria pacífica. Somos amigos dos povos e amigos de todos aqueles que querem a democracia e a igualdade.

No passado, realizaram umha trégua com Jabhat al-Nusra e outras facçons islâmicas, se houver mediaçom realizariam umha trégua com o “Estado islâmico”?

A nossa convicçom é que o Daesh é umha força da escuridade; nom tem qualquer relaçom com o Islam e a humanidade. É umha força criminal estabelecida para destruir tudo o que é humano. Na minha opiniom, nom há grande diferença entre Jabhat al-Nusra e o Daesh mas a guerra com a al-Nusra é um pouco complexa, porque há muitos sírios nas suas fileiras e porque há algumhas partes que tentam polir a sua imagem nos mídias. Quanto à trégua, nom havia trégua unicamente entre Jabhat al-Nusra e nós, mas eles estavam com várias facçons e Jabhat al Nusra estava assinando com eles a trégua.

Por último, qual é a sua visom para umha soluçom realista da crise da Síria?

Infelizmente, o que está acontecendo na Síria, podemos chamá-lo de confronto de titans; é mais como umha terceira guerra mundial, onde as grandes potências estam luitando para dividir as zonas de influência do mundo.

A soluçom nom está na mao dos sírios agora. Ela está nas maos das potências. Vemos nisso umha guerra de mudança de mapas, divisons, acordos e mentalidades que som de centos de anos. Síria é também um centro de conflitos e a soluçom de disputas será na sua terra. Infelizmente, o nosso ponto de vista é que a guerra pode demorar dúzias de anos, e tudo o que o povo sírio pode fazer é ter a vontade e a tentativa de alcançar um projeto conjunto que os proteja, reduzir as perdas e ajudar a promover fortemente o fim da guerra.

“A guerra nom vai parar na Síria, mas vai estender-se a todo o Oriente Médio e ampliar mais do que isso, e depois verá umha migraçom reversa de todos os países para a Síria, que será o país mais seguro.

Publicado polo SOHR (Observatório Sírio dos Direitos Humanos) e posteriormente na web pessoal do jornalista curdo Mutlu Civiroglu.

 

É o tempo para a Liberdade de Öcalan e a Revoluçom no norte do Curdistam

Copreside KongragelANF – Viyan Karahan – Estrasburgo

A greve de fome de cinco dias em frente ao Conselho da Europa pola libertaçom do líder curdo Abdullah Öcalan, terminou.

Em declaraçons à ANF sobre a greve de fome, o Co-Presidente do KONGRA GEL (Congresso do Povo) Remzi Kartal foi umha acçom para chamar a atençom sobre o isolamento imposto sobre o líder curdo, Abdullah Öcalan e a guerra no Curdistam.

Kartal apontou o papel do líder curdo para a conquista da paz, e observou que o principal objetivo da Iniciativa pola Liberdade de Öcalan era chamar a umha acçom por parte da opiniom pública e as instituiçons internacionais sobre o isolamento na prisom de Imrali e a guerra no Curdistam.

Descrevendo o isolamento de Öcalan como parte da “guerra total” travada contra o povo curdo polo Estado turco, Kartal dixo que o seu objetivo era lembrar ao Parlamento Europeu, ao Conselho da Europa e CPT as promessas que figeram no passado, e mobilizá-los para cumprir as suas promessas e assumir as suas responsabilidades nesta matéria.

Chamando a atençom para a intensa guerra que está sendo realizada no Curdistam, e o papel de Öcalan para o fim desta guerra e alcanzar a paz, Kartal enfatizou que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan nom se envolvou em negociaçons com a intençom de conseguer a paz.

O Co-Presidente do KONGRA GEL enfatizou que Erdoğan nom tomou medidas que serveram o processo, el usou-no como um meio para promover os seus próprios interesses políticos e criar umha opiniom pública em favor de si mesmo. No entanto, este processo tivo um efeito benéfico no Partido Democrático dos Povos (HDP) mais do que no próprio Erdogan e o AKP.

Recordando que o Acordo de Dolmabahçe entre o AKP/estado e o movimento curdo tinha trazido o processo até certo ponto, Kartal dixo que Erdogan descartou o processo, porque el nom queria umha soluçom que teria trazido a democracia, e insistiu em estabelecer a sua própria hegemonia.

Definindo a questom curda como a questom mais fundamental no Oriente Médio, que se tornou a agenda principal na arena internacional, na esteira da Revoluçom da Rojava, Kartal disse que o mundo inteiro estava agora ciente do sistema ditatorial fascista que Erdoğan queria criar, e apontou para o movimento curdo como a única força que poderia parar a Erdoğan.

Salientando que o povo curdo que vive na Europa tem uma posiçom estratégica no que di a respeito à liberdade de Öcalan, Kartal dixo: “Os países europeus e Turquia tenhem relaçons baseadas em interesses económicos. Se nós mobilizamos a opiniom pública desses estados e trabalhamos para influenciá-los, isso vai forçar a esses estados para estabelecer relaçons baseadas nom nos seus próprios interesses, mas na paz e a igualdade.”

Kartal chamou aos curdos que vivem na Europa e os seus amigos a trabalhar para influenciar nas açons em todos os lugares que eles estam.

O Co-Presidente do KONGRA GEL Remzi Kartal terminou a sua declaraçom com a seguinte mensagem; “É tempo da liberdade do Líder Apo, da soluçom da questom curda e a revoluçom no Norte do Curdistam, do mesmo modo que a Revoluçom da Rojava foi realizada.”

Publicado por Kurdish Question.

Entrevista a Salih Muslim, co-presidente do PYD: “Rússia vai parar a intervençom de Turquia na Síria”

Salih Muslim com as bandeiras de Rojava e o Grande CurdistamA intensificaçom da intervençom militar da Rússia na Síria está prestes a alterar drasticamente o equilíbrio na naçom devastada pela guerra. O grupo que mais beneficiou da revolta som os curdos, que tenhem amplias áreas consequtivas sob o seu control e som agora os maiores aliados dos Estados Unidos na luita contra o Estado Islâmico, também conhecido como IS ou Daesh. Qual será o impacto que os movimentos russos teramm sobre os curdos da Síria? Al-Monitor entrevistou a Salih Muslim, co-presidente do Partido da Uniom Democrática (PYD), no norte da Síria:

Al-Monitor: Como é que a intervençom militar da Rússia na Síria afeta os curdos?

Muslim: Nós, como Partido da Uniom Democrática acreditamos o seguinte, e compartilhamos este ponto de vista com os Estados Unidos, bem como: Vamos luitar ao lado de quem luita o Daesh. Vamos estar ao lado de quem enfrenta a mentalidade do Daesh.

Al-Monitor: Rússia também di que o presidente sírio, Bashar al-Assad deve manter-se no poder e que defende o regime.

Muslim: Rússia alinhou-se com o regime desde o início. Este é um assunto separado. Mas, tanto quanto Assad permanecer no poder, pensamos de forma diferente. Assad nom pode permanecer no poder como antes. El pode permanecer durante um período de transiçom, durante um período de diálogo entre as partes em conflito, mas, a longo prazo, parece inconcebível que a maioria do povo sírio aceitaria a sua liderança mais.

Al-Monitor: Mas nom existe o risco de que o “período de transiçom” poderia se transformar em um “período permanente”? Tendo alcançado tantos ganhos vocês certamente buscam garantias. Rússia pode ser um fiador para os curdos?

Muslim: Temos tido relaçons com a Rússia durante os últimos três anos. Nós fomos e voltamos a Rússia, em Moscou. Mas o regime nom pode permanecer como está nem podemos retroceder o relógio. Os curdos som umha realidade. E nós somos capazes de nos defender contra o regime e contra outros. Se há de ser umha soluçom para a crise síria, precisa incorporar os direitos dos curdos e de todos os outros grupos étnicos e religiosos na Síria. Isto poderia ser conseguido sob os auspícios das Naçons Unidas. A nossa autonomia democrática [os três cantons curdos no norte da Síria] precisa ser reconhecido. E se nom o forem, imos continuar com a nossa luita. Se o problema curdo continuar sem soluçom, o problema sirio nom estará resolvido. Temos certas exigências, um sistema implantado. Qualquer soluçom que se baseie na erradicaçom destes está errado e nom pode funcionar.

Al-Monitor: Acredita que os curdos poderiam resistiro Daesh sem apoio militar dos EUA?

Muslim: Talvez as nossas baixas seriam maiores, no entanto, nós seriamos capazes de resistir. Acima de tudo, temos fé no nosso próprio povo e na justiça da nossa causa.

Al-Monitor: Voltando à Rússia, estamos ouvindo relatos de que avions russos nom estam so dirigidos contra o Daesh mas também Jabhat al-Nusra e Ahrar al-Sham. Como vai responder América, na sua opiniom?

Muslim: Eu nom acredito que a América se vai opor porque al-Nusra e Ahrar al-Sham nom som diferentes do Daesh. Eles som todas organizaçons terroristas e compartilham a mesma mentalidade radical. Al-Nusra está na lista dos EUA [do Departamento de Estado] de organizaçons terroristas. Eu nom sei se eles vam levantar objecçons sobre Ahrar al-Sham, mas eles sabem quem som. Nom há limites, nom há diferenças entre os três grupos. Mas se eles som empurrados para fora, os restantes grupos da oposiçom, que estam muito fracos, incluindo aqueles que estam luitando ao nosso lado, ligados ao Exército Sírio Livre, seram reforçados.

Al-Monitor: Você acredita que a intervençom da Rússia vai ajudar a trazer as partes para a mesa ou piorrara as coisas?

Muslim: Voltar à mesa de negociaçons parece difícil. O plano elaborado polo enviado da ONU em Síria, Staffan de Mistura, é apoiado sobretudo pola Rússia. Mas o pólo oposto, ou seja, Qatar, Arábia Saudita e a Turquia est am-se resistindo a este [plano]. Se os Estados Unidos querem abrir o caminho para umha soluçom, devem aplicar certa pressom sobre este campo. Em qualquer caso, se nom houvesse algum tipo de acordo entre a Rússia e a América, a Rússia nom teria intervindo.

Al-Monitor: O movimento da Rússia que significa para a Turquia?

Muslim: A política turca em Síria está totalmente falida. Há dous anos eu estava conversando com um oficial russo e el perguntou-me: “Qual é o maior temor dos curdos?” “A possível intervençom turca”, respondim. El riu e dixo: “Isso nom está na fronteira da Turquia [com a Síria], mas com a OTAN”, ao que eu respondim: “. Nesse caso, da-me alívio, obrigado” A Turquia nom pode intervir na Síria sem as bênçons dos grandes poderes.

Al-Monitor: E como será, a “zona livre do ISIS ” que a Turquia quer estabelecer ao oeste do rio Eufrates ao longo da chamada Linha Mare, ser afetados pola intervençom russa?

Muslim: A Rússia e os Estados Unidos parecem ter estabelecido as suas próprias zonas de influência dentro da Síria. Os EUA está ativo no norte. Os russos nom se vam intrometer no norte. Mas se a Turquia tenta intervir, em seguida, eles iram. A Rússia tem um acordo de defesa conjunta com a Síria. Eles vam impedir a intervençom turca nom para nós [curdos] defender, mas para defender a fronteira da Síria.

Al-Monitor: Quais som as perspectivas de cooperaçom entre a Turquia e a administraçom Rojava?

Muslim: Se a Turquia assumisse a luita contra o ISIS a sério desde o início, o ISIS ainda nom estaria nas fronteiras da Turquia. O ISIS está massacrar os curdos, evacua forçosamente os curdos, queima as suas aldeias. Porque é que a Turquia nom fai nada; por que é incapaz de parar isso? Propusemos cuidar de nós mesmos. Entom, por que está a Turquia a ficar no nosso caminho? Sabes que há umha brigada turcomana treinada pola Turquia chamado algo assim como “sultam” e algo mais. Todos eles desertaram para o Daesh. Foi um fiasco total.

Al-Monitor: Está dizendo que nom há esperança para a normalizaçom das relaçons com Ankara?

Muslim: Se a Turquia adopta umha posiçom mais moderada em relaçom a nós, nós, como políticos estamos prontos para falar e cousas boas poderiam resultar daí. Mas as autoridades turcas seguem chamando o PYD e as YPG [Unidades de Proteçom do Povo] “terroristas”. Que tipo de terrorismo exercemos?

Se eles tivessem ido junto com o que nós lhes proporamos há dous anos [cooperaçom] todo poderia ter sido diferente hoje. Em vez disso, de conviver fraternalmente, Turquia etiqueta-nos de inimigos.

O que realmente queremos é luitar o ISIS juntamente com a Turquia, Estados Unidos e as outras forças da coalizom. Além disso, nom nós opomos a umha zona de segurança. O que nos opomos é a umha zona de segurança controlada polos turcos. As zonas de exclusom aérea que foram estabelecidas no Iraque em 1992, poderiam ser aplicadas na Síria também. Se todo o norte da Síria estivera sob protecçom das Naçons Unidas, nos sentiríamos mais seguros.

Al-Monitor: Os recentes ataques do PKK contra a Turquia nom os deixarom em umha posiçom precária? Embora você argumentar que vocês som entidades separadas, que ambos estam inspirados polo fundador do PKK, Abdullah Ocalan.

Muslim: Eu nom acho que isso nos afeta militarmente. Somos organizaçons separadas. Mas a retomada do processo de paz na Turquia seria para o benefício de todos. Qualquer escalada do conflito seria em detrimento de todos. Nom somos os curdos que abraçamos a filosofia de Apo [alcunha do Abdullah Ocalan] os que somos a força de combate mais eficaz contra Daesh? Quando os ataca [o PKK], milhons de curdos sentem que est am sendo apunhalados polas costas. E eles exigem saber por que os EUA e a Europa estam permanecendo em silêncio. Se est am falando a sério sobre luitar o Daesh, entom porque nom param a Turquia? Há tais pensamentos entre os curdos.

Enquanto isso, uma tragédia humana está a ser jogada. O corpo de Aziz Guler, um cidadao turco que veu a Rojava para luitar o ISIS, nom pode ser entregue à sua família porque a Turquia nom oi deixá. Nós nom podemos entender o porquê. No passado, os cidadaos turcos que morrerom em Rojava forom entregues a suas famílias e enterradas no seu próprio país. Este nom foi mais permitido. Turquia adoptou esta política desde a retomada do conflito [com o PKK].

Al-Monitor: Você tem problemas com o Governo Regional do Curdist am (KRG) do Iraque. O presidente do KRG, Massoud Barzani, dixo que abriria rotas de abastecimento logístico desde a sua regiom a Rojava só se permitiam os combatentes curdos sírios do Partido Democrático do Curdistam da Síria (KDP-S) retornar. Você reuniu-se com o presidente Barzani em Erbil recentemente e as autoridades americanas estavam presentes nas conversaçons, mas nom forom capazes de resolver o problema. Por que nom?

Muslim: Nom há novos desenvolvimentos em relaçom a este assunto. Mas aqui está o que estamos propondo. Se eles [o KDP-S] é sério sobre a defesa dos curdos contra o Daesh, entom eles podem vir. Onde está o Daesh agora? Entre Jarablus e Azaz. Deixamos que eles venham e luitem lá. Nom há Daesh em outro lugar nas regions curdas.

Publicado em Al-Monitor.

“Nom entrar no jogo de guerra do AKP”, Duran Kalkan, do Comité Executivo do PKK

duran_kalkan_geri_cekilme_falan_yok_h536Membro do Comité Executivo do PKK Duran Kalkan convidou os soldados turcos e outras forças para nom entrar no jogo de guerra do AKP e os ataques através dos quais pretende estabelecer a sua ditadura e manter-se no poder.

O membro do Comité Executivo do Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK) Duran Kalkan falou com a TV Mednûçe sobre os mais recentes desenvolvimentos na Turquia e o Curdistam.

O Curdistam está testemunhando dias históricos, com declaraçons de auto-governo democrático, por um lado, e umha repressom crescente do Estado turco contra a procura do povo curdo de auto-governo, por outro lado. Mas, como e por que os acontecimentos chegarom a esse ponto?

Está a ser feito um esforço para deformar a verdade deliberadamente, para fazer esquecer algumhas verdades e até mesmo apagá-las da história, que incluem as negociaçons de Imrali, as negociaçons de Oslo antes disso, as negociaçons entre o nosso partido e o AKP, através de umha delegaçom do HDP e outros mediadores. As mais recentes conversaçons em Imrali chegara ao ponto do 28 de fevereiro o Acordo de Dolmabahçe com base em o “Projecto do processo de negociaçom da Paz e a Democrácia”. Alcançou-se um acordo sobre 10 pontos e decidira-se formar delegaçons para as negociaçons sobre a base desses pontos.

Agora, finge-se que todas estas cousas nunca acontecerom. O AKP está tentando apagar essas coisas da memória do povo como se nengumha negociaçom tivera lugar até agora. O líder Apo (referindo-se a Abdullah Öcalan) fixo um esforço incessante quando foi convidado a prestar apoio em face das dificuldades enfrentadas durante esses processos. Agora que nom se realizou nengumha reuniom e conversas em Imrali desde o 5 de abril, nós nom sabemos o que está acontecendo em Imrali em estes últimos quatro meses e meio. Nós nom sabemos sobre as condiçons de saúde e de segurança do líder Apo, tampouco.

Os funcionários do governo que supostamente dim que o PKK está “aumentando mais forte por causa das negociaçons de Imrali”, sem nunca questionar a razom disso, que é o feito de que o PKK está tratando o processo com sinceridade e honestidade e cada vez mais forte porque a sua atitude é abraçada pola sociedade também.

Discutimos e suscitarom-se algumhas objecçons contra os pontos declarados o 28 de fevereiro, porque nós os encontramos insuficientes, após o qual o líder Apo fixo algumhas alteraçons e nós digeramos que era “apropriado”. Nós aceitamos e ficou até o fim. Agora, o AKP atribui a sua derrota das eleiçons do 7 junho às negociaçons de Imrali. Isso nom é verdade. Durante o curso das negociaçons, os membros do AKP poderiam facilmente sair e falar com o povo como a sociedade apoiou-nos no caminho das negociaçons e a paz. Agora que as negociaçons forom suspensas, eles, entretanto nom podem sair e ter umha soa conversa com as pessoas que lhes gritam.

O AKP perdeu porque nom tratou o processo honestamente, nom porque el mantivera as conversaçons de paz em Imrali. Eles levarom o processo como um meio de vencer nas eleiçons e chegar ao poder, em vez de alcançar a paz e a democracia no país.

Umha outra questom é o feito de que nós creiamos no processo eleitoral apesar do feito de que ao lider Apo negaram-lhe as reunions, o HDP foi sujeito a ataques e repressom, os seus locais em Mersin e Adana forom bombardeados, e cometida umha massacre no miting em Amed. Apesar de todas estas cousas, manifestamos umha postura pacífica, a fim de certificar que as eleiçons tiveram lugar em um ambiente saudável.

Na esteira das eleiçons, foi avaliada a situaçom e revelou-se como um passo para o estabelecimento da democracia sob a liderança do HDP e um fim à constituição e as leis que entrarom em vigor no golpe militar do 12 de setembro.

Ahmet Davutoglu, que foi designado para formar um governo, nom fixo nada nos 45 dias, depois que el anunciou que nom poderia fazer o que el queria. É óbvio que Davutoğlu tinha atribuído a ‘nom formar um governo’ e ‘ganhar tempo. El cumpriu a sua missom muito bem.

Este Parlamento nom apresentou umha soluçom para os problemas, nem formou governo, mas el decidiu começar umha guerra contra o PKK e apresentou um mandato para umha operaçom contra o movimento curdo.

Nesse meio tempo, alguns políticos chamarom-nos para “terminar a luita e a rendiçom incondicional”. Por que fariamos isso enquanto eles nom fam nada para acabar com o conflito? O PKK tem sido um obstáculo para a soluçom dos problemas e o inicio da política democrática? Polo contrário, foi o nosso movimento quem tentou fazer que todos alcançaramos este objectivo para o bem da sociedade da Turquia, apesar da repressom imposta ao líder Apo e o povo.

Agora, el di que “umha nova eleiçom será realizada para revelar umha nova vontade”. Entom, por que foi a eleiçom realizada o 7 de junho? Por que nom revelou a vontade do povo? E agora, quem assegura que a vontade do povo seja respeitada neste momento?

Existem as eleiçons de um lado, e umha guerra do outro lado. Devemos ter a certeza se vamos enfrentar umha guerra ou umha eleiçom. Tayyip Erdogan tem sangue nas suas maos, defendendo que “a guerra vai continuar”. Quando este for o caso, é óbvio que isto nom é umha questom de eleiçons.

Por outro lado, o AKP tratou o processo com base nos seus próprios interesses e usou-na para o seu bem nas eleiçons. Em março, Erdoğan terminou o processo ao anunciar que nom havia necessidade de negociaçons mais como um processo eleitoral estava em vigor. Depois do Newroz, el adotou umha atitude clara e anunciou que suspendia o processo, acreditando que eles iriam ganhar as eleiçons e nom precisavam mais do PKK, e defendeu fortemente bater no movimento curdo. Eles tradicionalmente baterom todos aqueles com quem eles tinham feito umha aliança antes. Um por um, Erdoğan atacou e atingiu o chamado Ergenekon, o exército, a estrutura paralela, e, eventualmente, o PKK. O AKP mais tarde conversou com cada um destes círculos para formar um governo, mas nom o conseguiu.

Os resultados das eleiçons nom forom como era esperado e imaginado por Erdoğan. El nunca pensou que o HDP seria capaz de ultrapassar a barreira eleitoral [NT em Turquia precissa-se superar o 10 % dos votos para ter representaçom parlamentar], nem que o AKP nom poderia ter o poder sozinho. A sua intençom era começar umha guerra contra o PKK, umha vez que el ganhara 400 assentos no Parlamento, mas ficou chocado ao enfrentar umha situaçom inversa. Depois de superar o choque dos resultados das eleiçons, decidiu para outra eleiçom. Esta é, no entanto, nom umha nova eleiçom embora. Ele simplesmente ignora estes resultados e quer que eles sejam apagados da história.

O resultado que Erdoğan quer alcançar é conseguir 400 deputados, e el claramente quer fazer isso por meio da fraude com o exército destinado a intervir e assumir o control sobre todo no Curdistam por motivos de falta de segurança, a fim de que o AKP receba tantos votos quanto eles querem. Isto é o que eles pretendem fazer com umha nova eleiçom. Erdoğan insiste na repetiçom da eleiçom, a fim de fazer o AKP chegar ao poder, que eles nunca vam conseguir fazer por meio de umha eleiçom justa e democrática.

Isto é ditadura. Erdoğan teria repetidamente afirmar que ‘Nós vinhemos com as eleiçons, e imos-nos com eleiçons “. Por que o AKP nom deixa o poder, entom? Esta é uma maneira ditatorial tradicional para a nom deixar o poder umha vez que se tem.

O AKP começou a guerra contra o PKK, a fim de manter o seu próprio governo. Colocarom a questom do ISIS adiante como umha desculpa, mas eles nom estamo envolvidos em qualquer tipo de conflito com o ISIS. E agora, o seu plano é manter as eleiçons em um ambiente de conflito e, assim, dificultar à HDP de fazerem propaganda e deixá-lo sob o limiar, a fim de que eles cheguem ao poder mais umha vez.

Eu também gostaria de expressar que o HDP e o CHP permanecerom fracos e nom conseguirom derrotar o AKP, a Erdoğan e as políticas do MHP para o caos e a guerra através de um programa de democracia assertiva. O MHP está à procura de um golpe e Erdogan afirma ter alterado o sistema político. Esta é também a razom pola qual os curdos declararam o auto-governo em face deste impasse depois de que o Parlamento de Ancara nom reconheceu os deputados que elegeram, o que os obrigou a formar as suas próprias assembléias para resolver os seus problemas. Perante este movimento, o Estado, o poder dominante e todo mundo começou a atacar os curdos. Por que esses ataques nom se dirigem a Erdoğan, ou o MHP que chama por um golpe de Estado, mas os curdos que tomarom medidas para estabelecer o auto-governo democrático, a fim de melhorar a democracia?

Os recentes incidentes em Silvan, Varto, Silopi e Cizre som umha manifestaçom do que será feito no processo da nova eleiçom. No entanto, é o direito mais fundamental do povo para revelar a sua própria vontade, agora que os seus representantes eleitos nom conseguirom dar umha soluçom.

Você declarou que a atitude do povo nom vai mudar em umha nova eleiçom. No entanto, este conflito recente, por outro lado trouxo mudanças significativas, como a reaçom manifestada polas famílias dos soldados e polícias mortos contra o AKP, ao contrário das vezes anteriores do conflito. A que atribui a reaçom dessas famílias contra o AKP?

A sociedade curda tem um conhecimento da realidade do AKP muito boa, como eles revelaram também na eleiçom do 7 de junho. Agora, parece que a sociedade da Turquia também já começou a ver as verdades e adotando umha postura. A atitude adoptada polas famílias e maes de soldados contra a guerra em curso, é de grande importância. Atribuímos-lhe um significado e importância. Esta situaçom revela que som as mulheres e jovens que podem parar esta guerra e liderar a realizaçom de umha soluçom para os problemas. Esta guerra pode ser interrompida polas maes turcas e curdas. A este respeito, elas estam agora a adoptar umha nítida, mas ainda umha atitude tardia contra a decisom pró-guerra do Presidente. Erdoğan atreve-se a governar a Turquia só por causa da falta na sociedade de organizaçom e consciência, e a nom tomar a atitude necessária contra del.

É um desenvolvimento histórico que a sociedade agora di “basta” para as práticas do governante AKP. Todas as famílias dos soldados mortos estam mostrando agora umha reaçom. Em face desta situaçom, o que precisa ser feito é assegurar que os jovens nom se juntem ao exército para realizar o serviço militar. Os jovens turcos nom devem fazer isso para atacar os curdos, e os jovens curdos, em particular, devem evitar alistar-se no exército.

Estou mais umha vez afirmando claramente que nom tínhamos a intençom ou planos para desenvolver tal conflito, especialmente com o exército. Mudamos o nosso paradigma, assim como a nossa abordagem teórica e ideológica. Nós nom estamos rejeitando o estado ou o exército. Devem existir, mas voltar ao seu dever real. Além disso, queremos que a sociedade curda e democrática governar-se com base na sua própria organizaçom, cultura e língua. A este respeito, nós nom temos um conflito com o exército. Esta guerra foi iniciada por um ataque desenvolvido polo AKP e Erdoğan.

Como umha resposta a essas maes, eu estou chamando as forças da HPG e YJA Estrela para nom atacar os soldados que nom estejam embarcados em operaçons e ataques contra a guerrilha e o povo, os que nom estejam interessados na política do governo e estam so montando guarda na fronteira e nos postos. Isto nom está em conformidade com as nossas idéias. Aqueles que nom tomam parte nesta guerra nom deveriam ser atacados e as forças guerrilheiras devem evitar qualquer ato de ferir os civis. Caso esses actos ser cometidos, consideraremos isso um crime e julgaremos os responsáveis.

Também estou convidando os soldados e outras forças para nom se juntar o jogo de guerra do AKP e os ataques através do qual pretende estabelecer a sua ditadura e manter-se no poder. Nom haverá nengum ataque lançado do nosso lado contra eles. Os guerrilheiros devem realizar acçons de retaliaçom contra os culposos e estritamente evitar a violência contra aqueles que nom estam participando nesta guerra. Em troca disso, as forças democráticas da Turquia, especialmente as maes e famílias, nom devem enviar as suas crianças para as forças armadas, a menos que a situaçom atual seja alterada.

Os esforços para umha soluçom e o auto-governo democrático nom se pretendem para a violência, conflitos ou guerra. Estas obras som umha parte da política democrática. Isto é a forma como vemos, planejamos e executamos essas práticas a partir de um aspecto teórico. É o AKP e o próprio Erdoğan que quer aterrorizar nesta situaçom e tenta impedir essas atividades políticas e sociais e de democratizaçom, possuindo as forças militares e policiais e atacando o povo.

Publicado por ANF.