Iram e Turquia estam arrastando os curdos na sua guerra fria no Oriente Médio

hassan-rouhani-and-recep-tayyip-erdogan-in-ankara-2016-photo-epa
O presidente iraniano, Hassan Rouhani, com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. EPA

Por Abdul-Qahar Mustafa

A rivalidade entre a Turquia e o Iram por dominar o Oriente Médio nom é algo novo. É de feito o legado do conflito histórico entre dous impérios, os persas e os turcos que dominarom o Oriente Médio por várias vezes e sob diferentes nomes e ideologias na história. No entanto, essas duas etnias tenhem desenvolvido os seus impérios e expandido os seus interesses ao custo de violar os direitos humanos de outros grupos étnicos minoritários como curdos, baloches, árabes, assírios, armênios, alavis, jazidis e gregos.

Hoje, vejo que o governo turco e iraniano, as fontes e os herdeiros dos impérios otomano e Safávida estam realizando a mesma missom dos seus antepassados. Eles estam tentando usar a povoaçom curda repetidas vezes como umha ferramenta para minar o poder e a influência de uns e os outros e expandir os seus interesses no Oriente Médio.

Assim como nos séculos passados, esses dous regimes antidemocráticos estam usando todos os meios possíveis, desde as suas capacidades militares e econômicas superiores, a religiom islâmica até o uso da força, ameaça, coaçom, abuso, intimidaçom, prisons ilegais, agressom e exploraçom de grupos de minorias étnicas, como os curdos, para desafiar uns aos outros política, económica e militarmente no Médio Oriente.

Olhando para as suas políticas no Oriente Médio, podedes facilmente notar que ambos os regimes fascistas, Turquia e Iram estam luitando umha guerra fria com o outro. A primeira grande batalha está sendo travada no Iraque e na Síria, onde as suas tradicionais rivalidades e interesses conflitem pode ser visto em pleno vigor. No entanto, o problema aqui é, tanto a Turquia como o Iram estam tentando levar os curdos no seu conflito de interesses. Eles estam arrastando os curdos para os seus conflitos usando a cenoura e a vara com as minorias curdas do Iraque, Síria, Iram e Turquia e conseguindo que eles cooperem e tomem partido nos seus conflitos.

Há momentos em que usam promessas enganosas de recompensar a proteçom dos curdos, incentivos econômicos, independência, autonomia e liberdade se cooperarem. No entanto, quando os curdos se recusam a cooperar com qualquer das partes, eles tomam medidas punitivas contra os curdos, como sançons econômicas, agressons militares, prisons arbitrárias, tortura e até mesmo assassinatos.

Obviamente, há muitas razons para a rivalidade e a guerra fria entre turcos e persas no Oriente Médio. Primeiro, o Iram considera a Turquia como um aliado de Israel e EUA, porque a Turquia já reconheceu Israel como um Estado e tem todo tipo de relaçons com Israel. Portanto, o Iram percebe a Turquia como umha ameaça à sua segurança e interesses econômicos no Oriente Médio, enquanto a Turquia pensa do Iram como um estado que pode ser bom e ruim para a Turquia porque quando os interesses da Turquia entram em conflito com EUA, UE, a Turquia muda o seu curso de imediato e estende as suas maos para países como o Iram, que estam enfrontados com Israel, EUA e países da UE.

Turquia encontra o Iram como umha peza eficaz para negociar alguns acordos com Israel e Arábia Saudita. A Turquia oferece acordos para trabalhar com Israel e Arábia Saudita e ajudá-los a desafiar o poder político e a influência do Iram no Oriente Médio, e possivelmente atrair os sunitas, curdos e turcomanos para unificar a sua voz no Iraque, no futuro parlamento sírio e votar polo reconhecimento do Estado de Israel. Mas, em troca, a Turquia aceita que os EUA, a UE, os sauditas e os israelitas cumpram as suas próprias exigências e expectativas.

Além disso, a Turquia quer que os EUA e a UE desistam dos seus supostos apoios políticos, militares e econômicos com os curdos no Iraque, na Síria e na Turquia e, segundo, pressionem os cipriotas gregos o suficiente para compartilhar a sua riqueza de recursos naturais com a povoaçom cipriota turca. Terceiro para permitir que a Turquia tenha acesso aos benefícios do maior mercado do mundo da Europa e quarto para conceder aos cidadaos turcos a visa para viajar para a Europa. A Turquia promete aos EUA e à UE distanciar-se da Rússia e do Iram se concordam com as exigências políticas e económicas da Turquia na Europa e no Médio Oriente.

Para alcançar o sucesso no seu plano, a Turquia precisa do apoio dos curdos e outras povoaçons sunitas e turcomanas para fazer qoe os seus planos se tornem realidade. A Turquia está pressionando os curdos iraquianos a abandonar o seu apoio ao governo xiita em Bagdá e, em vez disso, fazer umha frente política unida com turcos e o bloco sunita para mudar o equilíbrio do poder político em Bagdá a favor dos sunitas. No entanto, os curdos querem permanecer neutros nesses conflitos. Mas a Turquia está arrastando os curdos a apoiar o seu plano. Está usando a aproximaçom da puniçom e das recompensas com os curdos no Iraque, Turquia e Siria a fim de ajudar a Turquia e suportar o seu negócio político, econômico e de segurança com Israel e Arábia Saudita no Médio Oriente.

Por exemplo, a Turquia recentemente prendeu vários políticos curdos do HDP e os enviou para a cadeia. Também emitiu um mandado de prisom para o líder sírio curdo Saleh Muslin. Mais as forças militares turcas foram desprazadas para distritos do sudeste perto da fronteira iraquiana, em cima de outras bases militares que já existem no norte do Iraque desde 1997.

Além disso, na recente visita da delegaçom da KRG à Turquia, o primeiro-ministro turco dixo ao primeiro-ministro Nechirvan Barzani, do governo regional do Curdistam, que a Turquia ajudaria financeiramente aos curdos no futuro, enquanto continua bombardeando a zona da fronteira da regiom do Curdistam iraquiano. Centos de aldeans e agricultores curdos abandonarom as suas casas e fazendas e fugirom para as vilas e cidades no norte do Iraque. É claro que a Turquia está usando a abordagem de recompensa e puniçom para conseguir que os curdos abandonem as suas ambiçons e esforços para obter independência, autonomia ou o seu apoio ao bloco xiita. Em vez disso, a Turquia quer que os curdos ouçam e cooperem com a Turquia para alcançar os seus planos estratégicos no Oriente Médio.

Creio que a agenda oculta da Turquia é, querem nom só trazer os curdos da Turquia, Síria e Iraque sob o seu control, e usá-los para atingir o seu objetivo no Oriente Médio. Os turcos em geral nom querem ver nengum tipo de área autônoma curda ou curdistam independente. Eles querem que os curdos sejam subservientes a eles. Eles querem usar os curdos para luitar polos seus interesses contra os seus países rivais no Oriente Médio. Eles tentarom todo para impedir que o governo dos EUA e o Iraque, nom permitiram que os curdos tivessem autonomia no norte do Iraque, e estam fazendo agora também para impedir que os curdos obtenham umha área autônoma no território sírio.

A Turquia também tenta explorar a questom da hegemonia do Iram no Oriente Médio como umha oportunidade para fazer um acordo com os EUA, Israel e a UE e obter concessons a partir deles. O que isto significa na minha opiniom é que a Turquia quer se tornar um  país independente poderoso no mundo livre da influência e ordens de fora. Significa também que a Turquia quer alimentar a sua povoaçom turca às custas dos curdos e dos iranianos. No entanto, o Iram está desafiando a Turquia nesse sentido. O Iram está jogando o mesmo jogo com a Turquia.

O Iram também quer que os curdos trabalhem com todas as forças xiitas no Iraque, na Síria e no Iram, para negar à Turquia a chance de desafiar o poder dos blocos de xaque no Oriente Médio ou obter quaisquer concessons de Israel e da Arábia Saudita às custas de ferir os interesses do Iram no Oriente Médio. Na verdade, o Iram já está lidando com as ameaças à segurança da Arábia Saudita, Israel e ISIS, por isso quer fazer tantos aliados quanto puder no Oriente Médio para se fortalecer contra essas ameaças e garantir que o regime islâmico sobreviva.

O Iram prometeu aos curdos da Síria e Iram proteçom, ajuda financeira e autonomia, desde que nom combatam o regime de Assad ou se rebelem contra o regime islâmico em Teeram e os seus aliados no Líbano e no Iraque. O Iram prometeu aos curdos da Síria e Iram proteçom, ajuda financeira e autonomia, desde que nom combatam o regime de Assad ou se rebelem contra o regime islâmico em Teeram e os seus aliados no Líbano e no Iraque. O Iram também exigiu que os curdos continuem aliados na luita contra o ISIS. Prometeu aos iraquianos e sírios ajuda econômica e apoio político se os curdos nom iam contra os seus interesses no Oriente Médio. No entanto, advertiu os curdos a se absterem de mostrar qualquer apoio ou estabelecer qualquer tipo de relaçom com Israel, ou entom eles (os curdos) enfrentariam umha dura puniçom polo Iram.

O Iram quer fazer negócios com os curdos iraquianos, mas sob a mesma condiçom de os curdos tomarem partido em um conflito com a Turquia. Na verdade, o Governo Regional do Curdistam (KRG) teria concordado com um plano para construir dous oleodutos de petróleo de Kirkuk para o Iram para que a KRG se tornasse menos dependente da Turquia. No entanto, tanto a Turquia como Israel nom estam felizes com tal porque em primeiro lugar, Israel é um comprador do petróleo da KRG que é enviado através do porto turco de Ceyhan e, em segundo lugar, a Turquia rendimentos do oleoduto que atravessa o seu solo, e terceiro Israel nom quer que o Iram benefice do petróleo da KRG , e a quarta, Turquia sabe que os curdos som mais dependentes economicamente da Turquia, quanto mais control a Turquia pode ter sobre eles em todas as formas possíveis.

Quando os curdos permanecem neutros nos seus conflitos de interesses ou quando fazem negócios com os opositores do Iram, como Turquia e Israel, o Iram rebela-se contra os interesses dos curdos e usa a sua força militar e econômica superior e a sua influência no Iraque e na Síria e persegue os curdos bombardeando as zonas curdas da fronteira com o Iram, ou ordena que as forças de Assad bombardearem as áreas civis curdas na Síria ou congela o orçamento anual dos curdos do iraque, para tipicamente fazer que os curdos se movam na sua linha de ditados.

Estes dous regimes fascistas sabem muito bem que os curdos nom tenem capacidade económica e militar suficientemente fortes para resistir à sua pressom política e económica, e que nom se podem defender contra as agressons militares da Turquia ou do Iram, aproveitando os pontos fracos dos curdos e chantageá-los até que eles os obrigam a ceder às suas demandas e trabalham para eles. Eles vêem os curdos como umha raça inferior que nom serve para nada, exceto para servir os interesses dos persas e dos turcos, como se os seus milhons de povoaçom persa e turca, e o seu poder econômico e militar superior nom fosse suficiente para realizar as suas missons por si mesmos, sem vitimizar os curdos nos seus conflitos de interesses e luitas no Oriente Médio.

Nom há dúvida de que os curdos nom querem ser chantageados ou intimidados para trabalhar de um lado contra o outro. Os curdos iraquianos tenhemm tentado todos os meios possíveis para permanecer neutrais na rivalidade e guerra fria entre xiitas e sunitas no Oriente Médio. Os curdos já pagarom um alto preço, perdendo milheiros de vidas na luita contra o ISIS e a sua povoaçom sofrendo a crise econômica. Eles certamente nom precisam ser arrastados para outro conflito no Oriente Médio.

As políticas dos curdos parecem ser claras e justas em relaçom aos seus vizinhos. Pode-se dizer que tenhem umha atitude amigável e açons razoáveis que tomam ao lidar com os seus vizinhos. Acredito firmemente que os curdos nom querem tomar partido ou favorecer aos xiitas sobre os sunitas ou vice-versa. Eles preferem ter boas relaçons com a Turquia e o Iram sem discriminaçom.

Os curdos da Turquia e da Síria também querem permanecer neutros no conflito e nos confrontos entre o exército de Assad e o exército sírio livre. Na verdade, todos os partidos curdos, do Iraque, da Turquia, do Iram e da Síria tenhem a mesma opiniom de nom tomar um ou outro lado na guerra fria entre xiitas e sunitas ou entre o Iram e a Turquia. Os curdos estam bastante focados em ter uma coexistência pacífica com árabes, turcos e persas igualmente.

Nom acho razoável se os curdos tomam partido por algum de ambos os regimes, a Turquia ou o Iram, especialmente quando se sabe que esses dous regimes nom só som  antidemocráticos, mas também tenhem um alto registro histórico de violaçom dos direitos humanos dos curdos?

Se a Europa e os Estados Unidos realmente defendem a democracia, os direitos humanos e nom os interesses partculares, nom devem permitir que a Turquia ou o Iram devorem os curdos polos seus próprios ilegítimos interesses políticos e econômicos no Oriente Médio. E se realmente acreditam na justiça, devem aplicar duras sançons econômicas e um boicote ao turismo tanto no Iram quanto na Turquia imediatamente, encerrar as negociaçons de adesom à UE e congelar participaçom da Turquia da OTAN até que volte a democracia.

Abdul-Qahar Mustafa é um estudante graduado da High School de Saint Louis em Canadá. Ele é defensor da justiça, democracia e direitos humanos. Atualmente vive em Sarsang / Duhok, no Curdistam iraquiano.

Publicado em ekurd.

http://ekurd.net/iran-turkey-dragging-kurds-2016-11-28

O Inimigo do meu inimigo. Receita para o abismo

Cierzo 00Por Cierzo Bardenero

Recomendamos a leitura deste artigo para aqueles que “querem saber, entender e opinar” além de “bons e maus” no grande conflito no Oriente Médio. Titulares exagerados, e o sectarismo na imprensa e redes, fam desanimar o leitor ou resultam tendências xenófobas quando se afronta este conflito. E este artigo contribui como poucos a construir umha opiniom fundamentada.
Zabaltzen

[Este artigo de começos do outubro do 2014, quase dous, mantem as linhas gerais do que aconteceu, e está aconcento no Oriente Médio. Às vezes fam falha artigos que mais que analissar os feitos pontuais elevem o foco e deam a visom global do por que se chegou a esta situaçom. Logo de andar tempo perdido pola computadora penso que segue tendo a mesma claridade e interesse que quando foi escrito]

Só depois que Sinjar no qual dúzias de milheiros de pessoas pertencentes a minoria religiosa Jazidi foram condenados a conversom ou extermínio, e especialmente após a execuçom do jornalista americano James Foley, a opiniom pública ocidental descobriu a existência do Estado Islâmico (EI), ISIS, ou ISIL. O EI é umha organizaçom que usa a violência extrema para implementar o seu programa político-religioso sobre os territórios que ocupa na Síria e no Iraque, cujo objetivo declarado é a criaçom de um califado islâmico nos territórios pertencentes ao Iraque, Síria, Líbia, Palestina , Sinai e Chipre prévio ao estabelecimento do califado global. Mas chegar a esta situaçom foi trabalho de todos os protagonistas da área nas décadas anterioas em umha absurda estratégia política baseada em: “O inimigo do meu inimigo nom é meu amigo … mas pode ser útil. O que levou a umha contenda em múltiplas frentes que seguem a ocorrer na Síria, Iraque e Líbano com potencial para expandir-se para outros países do Oriente Médio. ”

Oriente Médio
Mapa do Oriente Medio

IraqueSíria

 Um dos pilares fundadores dessa estratégia é a divisom entre os ramos sírio e iraquiano do partido Baath nesses países que governarom depois de umha fusom entre elas e o Egito (Nasser) em 1963, que falhou pouco depois do nascimento. Ao longo do tempo as relaçons entre eles forom provocando cada vez mais purgas freqüentes de militantes Baath em ambos os ramos de militantes acusados de simpatizar com o ramo do outro país. A cousa intensificou a meados dos anos 70 em que umha organizaçom terrorista misteriosa ligada à Irmandade Muçulmana começou a atentar contra políticos, militares e pessoas de profissons liberais de confissao alawi (o mesmo que Al Assad e a cúpula do partido Baath sírio) e suspeitava-se que estava financiado polo ramo iraquiano do partido Baath (do deposto Saddam Hussein). Esta campanha terrorista foi ainda mais dura e transformada em guerra aberta desde 1979 em que foi visto como umha clara tentativa de exterminar a povoaçom alawi síria, que foi sangrentamente esmagada na massacre de Hama em 1982, enviando a prisom ou ao exílio ao islamistas sobreviventes.

A oportunidade para a vingança (e por duas vezes) viu depois da morte de Hafez al-Assad e a sua substituiçom à frente do país começou na última década. Bashar al-Assad, numha tentativa de tímida abertura abriu a porta para os Irmaos Muçulmanos presos e até brincou a legalizar esta organizaçom e outras, para transformar o país em umha democracia de estilo ocidental, mas em um gesto incompreensível de EUA, naquela época estava envolvido na derrubada de Saddam Hussein, em vez de atrai-lo a coligaçom, dedicou-se a torpedear a abertura e impor sançons à Síria que fecharom a porta a umha transiçom para a democracia e levou a segurança da Síria a promover a transferência de membros da Irmandade Muçulmana liberadoa a fazer a jihad contra os americanos que ocupavam o Iraque e acessoriamente facilitar a entrada de membros da Al Qaeda ao Iraque pola província de Al Anbar.

Apesar de que ao princípio Al Qaeda recebeu um forte apoio da povoaçom árabe sunita na sua luita contra os americanos e o governo de Bagdá (nas maos da maioria xiita) ao longo do tempo e devido ao seu o sectarismo e intolerância transformou-se em um problema tam grande que até mesmo as tribos sunitas e o governo dos EUA juntaram forças para combatê-los e reduzir à prática marginalizaçom AQI [AlQaeda de Iraque], e a cousa teria seguido assim se nom for porque na Síria o mesmo que erguerom em 1964 e 1976 -82 novamente erguerom em 2011 aproveitando a demandas populares contra a inflaçom, o custo de vida e a falta de alimentos devido às más colheitas que derivarom em um conflito armado aberto contra o governo, tanto assim que a Irmandade Muçulmana já em 2011-2012 representavam mais do 30% do FSA [Exército Livre Sírio], ao que há de sumar dúzias de brigadas independentes de grupos mais extremistas, como os salafistas, Takfiris e até mesmo um ramo da Al Qaeda chamado Jabhat Al Nusra.

É neste momento em que os EUA e a Europa também começavam a participar da doutrina do inimigo do meu inimigo, enviando armas e equipamentos pesados em colaboraçom com a Turquia, Qatar e Arábia Saudita, e Ocidente alegando que as armas iam destinadas às maos a moderados, a composiçom do FSA fazia que se estivesse equipando com armas pesadas (conscientemente) a brigadas que tinham fortes laços com grupos extremistas e até mesmo Jabhat Al Nusra com a esperança de domar o dragom umha vez que caíra Bashar Assad.

O que ninguém foi quem de prever é um problema na hierarquia do comando dentro da Al Qaeda ia provocar a cisom do ramo iraquiano da Al Qaeda e ista, com o tempo, varrera ou absorvera as restantes brigadas rebeldes, recebendo grandes quantidades de armas modernas, com as que pouderom assaltar o norte do Iraque (de povaçom árabe sunita) que esperava qualquer milícia que poidera enfrentar-se a um governo iraquiano em maos xiitas e curdas e retornar um poder que tinha monopolizado desde o estabelecimento do Iraque apesar de só representar o 25 % da povoaçom.

Em semanas, o Estado Islâmico com um número muito pequeno de homens liderou umha coalizom militar com os restos do baathismo iraquiano que tomou todas as províncias de povoaçom árabe sunita, chegando às portas de Bagdá enquanto limpavam etnicamente de xiitas, cristiaos e jazidis os territórios tomados. O avanço foi tam rápido e o colapso do Estado iraquiano tam alto que a Jordânia e a Arábia Saudita pugeram-se em alerta máxima para prevenir umha possível invasom dos seus respectivos países.

Cierzo 01 Extensom do ISIS a 22 de Setembro do 2014
Extensom do ISIS a 22 de Setembro do 2014

Umha vez consolidado o território no Iraque e proclamado o Califado, o ISIS voltou os seus olhos para a Síria lançando umha ofensiva total com o material de guerra iraquiano (recém doado polos EUA), tanto contra os restantes rebeldes, curdos como contra o Estado sírio, ofensiva que no momento parece imparável quando a suspeita e o ódio das muitas facçons em conflito impede aceitar umha estratégia conjunta para lidar com o ISIS.

Também no Iraque o sectarismo prevaleceu ao feito de parar o ISIS, e assim os curdos aproveitarom para ocupar militarmente os seus territórios históricos no norte do Iraque e em Bagdá era impossível formar um governo ante o impasse de Al Maliki e a divisom dos outros partidos.

Nesta situaçom os EUA e o Iram chegarom a um acordo para substituir al-Maliki como primeiro-ministro e por um candidato do seu próprio partido, também de confissom xiita pero mais diplomático, que resultou na chegada de equipamentos militares e homens do Iram e apoio aéreo norte-americano e que conseguiu deter o avanço do ISIS às portas de Bagdá (onde começa a área do país de maioria xiita) e umha ofensiva contra os curdos, que ameaçava chegar às portas da Regiom Autónoma Curda e a sua capital Erbil e polo caminho fazia um rastro de massacres contra as minorias xiitas, cristians e jaziguis.

Jordânia

O exemplo da Jordânia é um caso de como um país pode ser engolido por um turbilhom que el ajudou a criar e que, em virtude das suas alianças internacionais, no início da guerra civil síria, ofereceu as suas bases para que os Estados Unidos e outros paises treinaram contingentes de jovens sírios o que se chamou o Exército Livre Sírio (FSA) e permitir que a sua fronteira servesse como retaguarda e zona desde onde lançar ataques às províncias do sul de Daraa e Quneitra.

Diante da chamada para a Jihad na Síria centos de jovens radicais dos baluartes radicais de Ma’an e Zarqa e outras grandes cidades juntarom-se às brigadas da Irmandade Muçulmana do  FSA ou a grupos mais radicais como os salafistas de Ahrar al-Sham ou al Nusra. Isso começou a alarmar os serviços secretos jordanianos que temerom o retorno do contingente de milheiros de homes para casa para continuar a jihad.

O surgimento do ISIS terminou por complicar as cousas porque provocou o fracasso das organizaçons rebeldes e assim centos de homes que tinham sido treinados na Jordânia junto com os próprios jihadistas da Jordânia e toneladas de armas passarom a maos do ISIS cujo objetivo declarado era o estabelecimento um Estado islâmico transfronteiriço que incluia Jordânia entre outros.

Enquanto em 2012-2013 os protestos contra o alto custo de vida e a repressom do estado levou a manifestaçons contínuas convocadas pola Irmandade Muçulmana e organizaçons salafistas, muitos deles violentos, em 2014 e com o surgimento do ISIS os protestos resultarom em confrontos armados entre as forças de segurança e partidários do ISIS, como no caso da cidade de Ma’an onde jovens armados expulsarom por dias a polícia e o exército.

Cierzo 02
Manifestaçom pró-ISIS em Ma’an Jordânia

Durante os primeiros meses deste ano, as forças de segurança contemplarom o ISIS como um perigo certo embora que geograficamente longínquo e preocuparom-se da repressom interna, mas a apreensom do norte do Iraque ate a passagem fronteiriço Jordâno-Iraquiano e as contínuas deserçons rebeldes cara o ISIS fam aumentar os temores de que estes obtenham as bases para atacar o país desde o norte e leste agindo coordenado com apoiantes internos do ISIS, de modo que os serviços de segurança procederom a rusgas contínuas e de olhar para trás a Israel e tentar reativar os acordos de ajuda mútua em caso de conflito.

Curdistam

Outro cenário onde as rivalidades podem ter levado à catástrofe tem sido a longa luita pola supremacia política no Curdistam entre Barzani e o seu partido (KDP), que governa junto à UPK (PUK) a Regiom Autônoma Curda contra este mesmo partido ao longo da década dos 90 na Regiom Autónoma curda do Iraque, e mais tarde contra o KCK (coordenadora de organizaçons curdas dlideradas polo pensamento de Abdullah Ocalan, preso na prisom turca de Inrali) e que som maioritárias tanto na Turquia como na Síria e no Iram.

Depois de uma breve experiência de autonomia curda no Iraque desde 1970 até o seu colapso em 1974, os curdos do Iraque tiverom que esperar até a primeira Guerra do Golfo para iniciar uma insurreiçom geral curda (e xiita no sul do Iraque) que levou à restauraçom da regiom autônoma curda. Umha vez alcançado o objetivo comum dos curdos iraquianos de todas as ideologias logo começarom as diferenças entre eles, especialmente depois de umhas eleiçons realizadas e um  território nom delimitado povoado por curdos e em que tanto o KDP de Barzani como a PUK de Talabani considerarom ter ganhado, começando em 1994 umha guerra em que tanto um partido como o outro ajudarom-se dos governos e exércitos dos países que os ocupavam.

Cierzo 03Assim em 1996 Barzani recorreu ao exército de Saddam Hussein para ajudá-lo a derrotar as milícias da PUK em áreas onde eles eram minoria causando umha retirada destes para a fronteira com o Iram a partir da qual eles procurarom a ajuda da Guarda Revolucionária e o PKK curdo (que na época já levava umha década de luita contra o estado turco) conseguendo recuperar o território perdido. Dado o envolvimento do PKK no conflito, o exército turco lançou umha ofensiva na Regiom Autónoma curda contra o PKK causando pesadas baixas e estabelecendo um precedente de invasons do norte da regiom autônoma curda com o consentimento do seu governo para acabar com as bases do PKK.

Em 1998, após o bombardeio do Iraque polos EUA para parar a ofensiva iraquiana contra a PUK, foi estabelecida umha zona de segurança no norte do Iraque, a retirada das suas tropas ao sul da zona de segurança, e aprovado um programa da ONU chamado Petróleo por alimentos que forneceu de enormes quantidades de dinheiro a ser geridos pola Regiom Autónoma. A possibilidade de ver fluir grandes quantidades de dinheiro que poderiam gerir conjuntamente o KDP e a PUK levaram a fazer a paz esse ano e compartilhar o poder na Regiom Autónoma curda, um acordo que dura até hoje.

Umha vez que ficou claro supremacia do KDP na Regiom Autónoma Barzani só tinha um rival importante para fazer-lhe fronte como líder dos curdos: Ocalan e o PKK que levava anos de luita contra o Estado turco, e, após a queda do bloco soviético que financiou as suas atividades contra o estado turco através de umha Síria que forneceu umha retaguarda segura e serviu como um intermediário entre o PKK e Moscovo, viu como, ao ver-se sem super-potência protetora contra umha possível agressom turca finalmente assinou um acordo de segurança que implicou a expulsom do PKK da Síria. Assim, Ocalan começou umha turnê por diferentes países na busca de asilo até que foi sequestrado polos serviços secretos turcos na Quênia e preso em uma prisom de máxima segurança.

No início deste século, e depois de alguns anos de prisom, Ocalan abandonou o marxismo-leninismo abraçando o Confederalismo Democrático em umha tentativa de unir os curdos de diferentes países em umha estrutura política sem remover as fronteiras existentes.

Para isso dissolveu o PKK e criou um guarda-chuva em que as organizaçons sectoriais, os partidos políticos e as milícias que aceitaram o Confederalismo democrático estiveram representados e servir como órgao político do povo curdo no seu conjunto chamado KCK (Confederaçom de Comunidades do Curdistam/ Koma Civakên Kurdistán.

Assim, a partir dos pontos propostos por Ocalan forom surgindo um partido político para cada estado (Kongra Gel e formaçons sucessivas que tentam lidar com as ilegalizaçons na Turquia, o PYD na Síria, o PJAK no Iram e no Iraque o PÇDK), um braço armado para cada estado, se a situaçom política o requeria (todos encontrarom as suas milícias necessárias para proteger a povoaçom curda), organizaçons de mulheres, jovens e migrantes fora do Curdistam.

E enquanto a milícia do partido trasladava-se para as montanhas no norte do Curdistam iraquiano, onde sofreu represálias contínuas do exército turco, com a aprovaçom do governo da Regiom Autônoma Curda liderada por Barzani, durante a primeira década deste século, quando se sucederom as tréguas e o retorno às armas até que o governo turco e Ocalan sentarom a negociar umha paz duradoura, negociaçom esta que veu junto com a marcha de todas as milícias do PKK às montanhas de Qandill no Curdistam iraquiano.

O novo discurso de Ocalan logo prendeu nas minorias curdas na Síria e no Iram que sofriam um nível de repressom semelhante ao turco e o PYD e o PJAK tornarom-se em opçons maioritárias nas suas respeitivas comunidades. Tanto assim, que na Síria, como resultado do vácuo de poder pola guerra civil que assola o país desde 2011, o PYD conseguiu atrair a maioria da povoaçom de Rojava de todos os credos e etnias com o seu discurso e erguer um governo autónomo composto por três cantões federais com base nos princípios do Confederalismo Democrático, apesar das reticências do ramo sírio do PDK que manobrou para torpedear o processo, e a recusa em reconhecer a autonomia curda na Síria por Barzani e os órgaos políticos da Regiom Autônoma curda do Iraque.

Outro sinal de hostilidade de Barzani ao projeto político de Ocalan que sofreu o povo curdo, foi o fechamento contínuo da fronteira entre a província de Hassakah e a KRG no mais duro da ofensiva das milícias islâmicas e do ISIS contra os curdos de Rojava aos que qualificavam de apóstatas e militantes do PKK. Este processo vergonhoso culminou em 2014, quando o KRG sumou-se a Turquia ao escavar fossos profundos ao longo da fronteira para impedir a marcha dos curdos (e árabes e assírios) que fugiam da ofensiva do ISIS que pretendia erradicar a autonomia curda de Rojava.

Mas às vezes a história é caprichosa e toma a vingança, no mês de Julho de 2014, e depois de frear  o exército iraquiano a ofensiva do ISIS nas aforas de Bagdá, isso virou os olhos do ISIS contra o Curdistam iraquiano, lançando umha ofensiva contra territórios curdos do norte do Iraque protegidos por Peshmerga mas que nom som a Regiom Autónoma em sentido estrito, forçando a retirar-se aos Peshmergas quase ate as portas de Erbil e deixando à sua sorte a centos de milheiros de curdos que viveram desde tempos imemoriais nessas áreas reivindicadas pola Regiom Autónoma e com a grande desgraça de pertencer a grupos religiosos considerados heréticos polo ISIS, assim que sacrificando as forças de combate das suas respectivas frentes, membros da milícia da KCK da Turquia, Síria e do Iram chegarom à zona para combater o ISIS e evitar a certa massacre da minoria curda e umha vez afastado o perigo formar e armar umha milícia de auto-defesa dos curdos da zona de Sinjar.

Assim, a resposta solidária e altruísta às repetidas mostras de mesquinhez de Barzani trouxa enorme popularidade para a KCK no Curdistam iraquiano, onde o seu braço político (PÇDK) era bastante marginal, e isso tem forçado Barzani a colaborar com as milícias do KCK na luita contra o ISIS, a burlar o veto, a armar as milícias do KCK por estar incluídas na lista de organizaçons terroristas Ocidentais (via carregamentos de armas à PUK que esta reparte entre as outras milícias), a reconsiderar a declaraçom de independência da Autonomia curda do Iraque que baralhava meses antes (depois de receber o apoio turco e israelense a umha possível declaraçom unilateral) e assim promover a coordenaçom entre a Regiom Autónoma curda e a KCK de cara à auto-determinaçom do Curdistam e a enviar Peshmerga para ajudar às YPG a frear a  ofensiva do ISIS para erradicar o cantom autônomo curdo de Kobanê e eliminar fisicamente os seus 400.000 habitantes.

A este dia, apesar do apoio militar da Regiom Autónoma do Curdistam do Iraque e dos jovens vindos da Turquia e do exílio na Europa a situaçom em Kobanê é desesperada porque o cantom foi praticamente reduzido à cidade sofrendo ataques diários desde o oeste, sul e leste com armas pesadas, enquanto Turquia dificulta a saida de refugiados curdos e a entrada da pequena ajuda militar que recebem os curdos como armas ligeiras e voluntários. [Desde outubro de 2014, as YPG pararom e depois expulsarom da cidade o ISIS em janeiro de 2015 logo de que tomaram o 80% desta. Passando à ofensiva na luita contra o ISIS e, progressivamente, recuperando todo Canton. Criando umha força conunta com árabes, turcomanos, assírios e siriacos, as SDF que cpnseguirom unificar territorialmente o Cantom de Kobanê com o de Cizire polo Oeste; levar a linha da frente a 60 km de Kobanê no sul, e atravessando o rio Eúfrates polo oeste ate Manbij].

Líbano

Se há um lugar no Oriente Médio que melhor encarna a máxima de “O inimigo do meu inimigo …” Este é o Líbano. Desde o seu nascimento em 1920, resultado de romper o território costeiro da Síria, povoado na maior parte por maronitas que reivindicavam um Estado própria que mantivesse relaçons com o Ocidente, o Líbano viu-se arrastado a conflitos armados polas alianças regionais das diferentes minorias que componhem o país (cristians de diferentes tipos, sunitas, xiitas e drusos).

Cierzo 04
Minorias religiosas em Líbano.

Tendo obtido a independência em 1942, nom demorou mais de umha década para se tornar envolvida na agitaçom que cercou o Médio Oriente na sequência da nacionalizaçom do Canal de Suez e a subsequente guerra que envolveu Israel, Gram-Bretanha e França, por um lado, e Egito polo outro. Se a constante dos países árabes foi romper as relaçons diplomáticas com o Ocidente, o presidente recém-eleito Chaoum (de onfissom cristiam) opta por nom fazer parte da República Árabe Unida e aproximar-se diplomaticamente o Ocidente , como represália Egito e outros países árabes armam aos palestinos que foram expulsos de Israel na década passada para que este tomem o Libano estalando umha guerra civil que é sufocada polos cristians com a ajuda dos EUA.

Uma paz relativa é estabelecida no Líbano até o final dos anos 60, mas depois da Guerra dos 6 Dias e o Setembro Negro de Jordania a situaçom no Líbano polariza-se, conforme os palestinos aproveitando um acordo de extraterritorialidade usam os campos de refugiados como campos de treinamento e base para lançar ataques contra Israel sem que o exército libanês poida intervir. De 1970 a 1975, a situaçom vai gradualmente degradandp e dividindo o país em dous blocos, um conservador cristiam defensor de reprimir os palestinos e de ter ligaçons com Israel e um bloco muçulmano progressista defensor de apoiar os palestinos.

A partir de 1975 começou um conflito intermitente entre as diferentes facçons libanesas (e palestinas) apoiadas por potências estrangeiras acompanhadas por invasons do Líbano, dos países vizinhos para tentar fazer a paz, ou simplesmente evitar ataques terroristas no seu território do Líbano que durou até os Acordos de Taif em 1989.

Assim, ao longo desses 15 anos viu-se como a Síria invadiu o norte do Líbano para defender os maronitas (e assim limpar as bases terroristas islâmicas desde onde se lançava a campanha terrorista de extermínio do partido Baath e os intelectuais sírios alawítas), e posteriormente mudar de aliança e juntar-se ao bloco palestino/muçulmano/esquerdista, como Israel invadiu o território libanês repetidamente para criar zonas de segurança dentro do Líbano para acabar com as campanhas terroristas no norte do seu país, como o Iram estava envolvido no conflito organizando política e militarmente ao Hizbullah xiita ou mesmo como umha segunda frente na guerra Iram-Iraque, Saddam Hussein armava os maronitas para enfrentar-se o Hizbullah, tudo isso apesar da existência de forças de interposiçom da ONU.

Os Acordos de Taif eram básicos para alcançar a paz no Líbano e consistiu na reforma do sistema eleitoral libanês, polo que os escanos no parlamento estariam divididos ao 50% entre cristians e muçulmanos, o reparto de cargos institucionais também realizada com base a critérios religiosos polo qual o presidente sempre seria um cristiam, o primeiro-ministro sunita e o porta-voz do Parlamento xiita, também todas as facçons libanesas e palestinas concordaram em desarmar-se (exceto o Hizbullah), o exército libanês ia ser o garante da segurança nacional e despregava-se pola maior parte do estado. Apesar destes acordos os combates entre o Hizbullah e Israel e o seu aliado (Exército do Sul do Líbano) continuarom ate a marcha israelense e a derrota militar do seu aliado no 2000.

Embora a paz chegara no início dos anos 90 com a assinatura dos Acordos de Taif e a derrota das milícias cristians anti-Sírias do general Michel Aoun, a ocupaçom síria continuou até o 2005, quando as mobilizaçons após a morte em atentado do Primeiro-Ministro libanês Rafiq Hariri, e conhecida como a Revoluçom dos Cedros, levou à saída do exército e dos serviços de inteligência sírios do território libanês.

À marcha síria do Líbano e a vitória eleitoral da coalizom anti-Síria liderada por Saad Hariri nas eleiçons legislativas, foi seguido por umha campanha de atentados contra os chefes das formaçons anti-Sírisa, que tinham ganhado as eleiçons o que elevou as tensons no país, até que um acordo entre Michel Aoun e Hizbullah estabeleceu os fundamentos de entendimento entre os blocos e ainda servem de base para acordos nacionais.

Apesar da partida da Síria e Israel de território libanês, os conflitos armados e o terrorismo continuarom a assolar o país, e a meados do 2006 o rapto de dous soldados israelenses na fronteira entre o Líbano e Israel resultou em umha escalada de confrontos que levou a fortes combates entre elas por semanas e só terminou após a intervençom do Conselho de Segurança das Naçons Unidas. Se em 2006 o conflito foi devido a Hizbullah, em 2007 eram militantes salafistas acampamentos palestinos, quem quase levou à guerra civil no Líbano, ao enfrontar-se  ao exército libanês por meses em um conflito onde houvo 500 mortos e cerca de mil feridos, quando as forças de segurança libanesas forom deterr em um acampamentoo perto de Tripoli os responsáveis de explodir vários autocarros em umha cidade cristiam nas proximidades. Depois de vencer militarmente, os primeiros brinquedos de erigir governos islâmicos salafistas, os anos seguintes no Líbano tenhem decorrido entre governos provisórios, crises políticas e atentados terroristas dirigidos contra líderes políticos e indiscriminados contra a povoaçom civil.

Se esta situaçom era instável em si foi agravada com o início da guerra civil síria em 2011 em que xiitas, sunitas e alawitas libaneses estiverom envolvidos na guerra civil na Síria diante de umha inibiçom incompreensível dos cristians que considerou a guerra como algo alheio a eles, enquanto observavam as milícias sunitas ligadas aos rebeldes sírios cometer massacres de cristians na vizinha província síria de Homs.

Assim que por 3 anos houvo confrontos armados entre jovens de confessom alawíta e salafistas em Trípoli e arredores, ataques indiscriminaaos bairros de maioria xiita em Beirute efectuados por grupos terroristas ligados ao ramo sírio da Al Qaeda ou ISIS, umha insurreiçom Salafi em Sidon que foi reprimida polo exército após 25 horas de combate, e o desmantelamento das milícias do xeque Ahmed Assir e a invasom direta por militantes islâmicos de Al Nusra (Al Qaeda na Síria) e ISIS à cidade de Arsal (que acolhia a dúzias de milheiros dos  milhons de refugiados sírios no Líbano) da regiom síria de Qalamoun e que resultou na expulsom das milícias fundamentalistas d a Síria, levando consigo 20 soldados libaneses reféns.

Esta invasom e outras planejadas polo ISIS, com a intençom de integrar o Líbano como regiom do Estado Islâmico finalmente começarom a preocupar e envolver à maioria cristiam na luita contra o fundamentalismo islâmico que está sangrando a vizinha Síria e o Iraque e começa a abundar campanhas multireligiosa de repúdio ISIS como o surgimento de grupos de autodefesa mistas formados por cristians e xiitas e drusos que estam sendo armados e treinados por Hizbullah.

Qatar – Arábia Saudita

Surgida após a implosom do califado otomano e da uniom pola força das armas dos vários reinos da Península Arábica, Arábia Saudita pola legitimidade que lhe deu a custódia de duas das três cidades santas do Islam (Meca e Medina) erigiu-se por anos como líder e mediador de conflitos entre estados com maioria muçulmana, enquanto se apresentava como ideólogo e financiador mundial de umha versom radical do Islam (wahhabismo), que é a religiom oficial do país (por exemplo, Ben Laden).

Durante décadas Arábia gostava desta posiçom privilegiada graças à tolerância de países ocidentais que permitiam abusos dos direitos humanos no seu país e o financiamento de organizaçons terroristas que atentavam objetivos ocidentais em troca de petróleo barato; mas a estrela Saudita minguou após a Guerra do Golfo, na que Arábia tivo que recorrer a Ocidente para resolver umha guerra que, na opiniom de Bin Laden poderia ser resolvida entre os muçulmanos. Assim, enquanto Arabia declinava, Qatar foi emergindo como umha potência econômica e política na regiom disposta a disputar a liderança saudita.

Cierzo 05
Conselho de Cooperaçom do Golfo (GCC)

Embora a financiar por anos a semelhantes ou os mesmos grupos terroristas fundamentalistas em todo o mundo, a rivalidade entre os dous países cresceu ao longo do tempo, ja que patrocinavam duas correntes islamistas antagônicas (a Irmandade Muçulmana Qatar e Arábia o wahhabismo), sendo o detonante a descoberta de umha conspiraçom da Irmandade Muçulmana para tomar o poder nos Emirados Árabes Unidos, naquel tempo outro membro do Conselho de Cooperaçom do Golfo (GCC), do qual Qatar e Arábia fam parte.

A partir desse momento o CCG dividiu-se entre os partidários do Qatar (basicamente Kuwait), os partidários da Arábia Saudita (EAU que era a que sofrera a tentativa de golpe e Bahrein, com o seu trono dependente da presença do exército de Arábia para nom ser derrubado pola maioria xiita) e Omam quem advertiu que se eles marchavam se continuavam os conflitos internos. Ao ser maioria os pró-sauditas (ao que também se sumava Jordânia como um candidato a participar do GCC), estabelecerom um bloqueio por terra, mar e ar a Qatar até que abandonara a sua posiçom de promover golpes pró-Irmandade Muçulmana na zona.

Qatar e Kuwait com outro estado governado por um ramo da Irmandade Muçulmana como éTurquia (aliados do Ocidente) som os financiadores das milícias que procuram impor governos islâmicos do Norte de África (Tunísia, Líbia e Egito) ou em Oriente Médio (Líbano, Síria e Iraque); e som mesmo suspeitos de financiar o ISIS através de fundos privados e ONGs amplamente subsidiadas por esses governos, o que levou, à sua vez a umha ruptura de Arábia com o terrorismo islâmico e apoiar os governos seculares que enfrentam às milícias patrocinadas por Qatar , Kuwait e Turquia como nos casos da Líbia e do Egipto.

Assim, mália nom descobrer-se ligaçom entre Qatar e Turquia com o ISIS, tanto Arábia como Jordânia e outros membros do CCG que os apóiam tornaram-se em objectivo prioritário do ISIS e nom é de excluir que em um curto espaço de tempo campanhas terroristas em Jordânia e Arábia ou até mesmo sofrer invasons de milícias do ISIS dos seus territórios.

Conclusom

A situaçom no Médio Oriente é muito complicada após o surgimento do Estado Islâmico (ISIS) e a proclamaçom do Califado mais tarde em junho deste ano e é improvável que seja resolvida à luz dos acontecimentos relatados anteriormente devido a ressentimentos pessoais e históricos de agentes diferentes na área que impedem um acordo mínimo para combater umha organizaçom que começa a expandir os seus tentáculos ao Norte de África, Ásia Central e o Extremo Oriente, absorvendo pequenas organizaçons salafistas existentes, a excisom de franquias regionais de Al Qaeda ou a deserçom em massa de militantes destas para se juntar ao Estado Islâmico.

A cimeira em Paris para forjar umha coalizom internacional para combater o Estado islâmico é a demonstraçom prática da incapacidade, ja que parte dos envolvidos na luita nom forom convidados a ela e a maioria daqueles que comparecerom não se comprometerom com nada mais de fornecer apoio logístico para bombardear as bases do ISIS que, embora que enfraquecem a organizaçom nom a derrotam completamente, como sim o faria umha operaçom militar no terreno que estam fazendo casualmente os que nom forom convidados a cimeira, nomeadamente o Iram, Síria, Hizbullah e as milícias curdas ligadas à KCK.

Portanto, a curto prazo, nom é de excluir que, sem ter abortado o califado, o cenário do Oriente Médio se repete em outras áreas problemáticas do mundo que também estam orientadas pola máxima de que o inimigo do meu inimigo e que o caos no que está assolada Líbia desde a derrubada de Gaddafi se torne em umha plataforma para criar um califado abrangendo aos seus vizinhos Mali, Chade, Tunísia e Egito.

Publicado em outubro do 2014 em Zabaltzen.

Cierzo Bardenero, residente na Ribera de Navarra é um apaixonado pola política, história e fascinado por Catalunha e o MENA (Oriente Médio e Norte da África). Tem publicado em Zabaltzen e Endavant entre outros, e é muito ativo e atinado nas redes sociais, pode-se seguer em twitter em @Cierzo_bardener