“A resistência é vida, o silêncio é morte”: Entrevista exclusiva com Faysal Sariyildiz

Faysal Sariyildiz 01O deputado Faysal Sarıyıldız do Partido Democrático do Povo por Şırnak foi a única fonte de informaçom desde dentro do distrito sitiado de Cizre nos últimos dous meses. El informou à opiniom pública através das mídias sociais e fixo muitos apelos a organizaçons internacionais para acabar com o cerco em Cizre e impedir a massacre de civis.

Sarıyıldız foi eleito por primeira vez para o Parlamento em 2011 como candidato do Partido da Paz e a Democracia (BDP), o antecessor do HDP, enquanto el estava na prisom por alegada pertença a umha organizaçom terrorista. Foi preso em 2009, como parte das operaçons conra a KCK e liberado em 2014 sem ter sido julgado ou condenado. Foi re-eleito para o Parlamento em 2015.

Kurdish Question entrevistou o Sr. Sarıyıldız na esteira das massacres dos sotos para ter umha imagem mais clara, sem censura e imediata da situaçom em Cizre.

Onde está agora Mr. Sarıyıldız?

Estou no distrito de Cizre de Şırnak, onde há um toque de recolher durante 62 dias sob as ordens do governo do AKP e a decisom do Governador de Şırnak.

Em quais bairros estam ocorrendo as operaçons e assédios?

As operaçons e assédios nom estam limitados a certos bairros. O assédio está a ser implementado em cada canto do centro do distrito. No entanto, há umha concentraçom nos bairros de Nur, Cudi, Sur e Yafes, que estam sob intenso ataque e assédio.

Qual é a povoaçom que vive nesses bairros neste momento?

De acordo com o censo do 2015 a povoaçom de Cizre é de 131, 816. Os quatro bairros que mencionei componhem os 2/3. Devido aos ataques devastadores e extra-legais do estado, as pessoas que vivem nos bairros Cudi, Nur e Sur forom totalmente deslocadas, enquanto mais da metade da povoaçom em Yafes também deixarom as suas casas. Além disso, a política de deslocamento forçado do estado também foi implementado em bairros onde os ataques nom se estam concentrando. Podemos dizer que mais de 100.000 pessoas forom deslocadas.

Há mais de 2 meses que Cizre estivo sob assédio; que estam comendo e bebendo a gente, ou seja, como estam vivendo?

As pessoas consumirom tudo do que se tinham abastecido durante este tempo. Em Cizre, as relaçons sociais e de vizinhança som fortes. Além disso, há solidariedade coletiva porque as pessoas pertencem à mesma identidade política. No entanto, há sérias dificuldades por causa da duraçom do cerco. Por exemplo, o estado permitiu somente um par de lojas abertas determinados dias. Mas só as pessoas que vivem perto destas lojas poderiam tirar proveito disso. As pessoas que vivem longe dessas lojas nos bairros sob fortes ataques nom podem acessar as suas necessidades. Porque se saes da casa para comprar pam podes ser baleado ou atingido por estilhaços de um morteiro; em suma, morrer. O preço de sair a rua é a morte. Além disso, a polícia recentemente impediu que estas lojas abram.

Ao mesmo tempo, as forças estatais impedirom a dúzias de camions que continham alimentos e outras necessidades enviadas de todo o país como ajuda entrar no distrito.

Por causa dos ataques a infra-estrutura do distrito foi destruída. As forças do estado conscientemente atacarom o sistema de água e de águas residuais, bem como os transformadores de energia elétrica. Houvo falta de água durante dias. Um trabalhador do município foi para amanhar os tanques de água danificados, mas foi baleado no braço polas forças estatais; o seu braço tivo que ser cortado.

As pessoas chamam-no pedindo ajuda? Que tipo de cousas pedem?

O pedido mais comum durante o cerco foi polos cadáveres e feridos para ser levados os hospitais. Os pedidos de ajuda das pessoas retidas nos edifícios, as pessoas que estam sob ameaça de morte e as pessoas cujas casas forom queimadas também som comuns. Isso ocorre porque o Estado desligou todos os canais de comunicaçom entre as instituiçons e as pessoas; nom há nengumha via de diálogo. Os municípios nom som capazes de levar os serviços para as pessoas devido ao cerco e toque de recolher.

As pessoas pensam que porque eu som deputado eu poderei atender os seus pedidos. No entanto por causa de ser da oposiçom e a linha política que represento, os pedidos que eu fago nom deve som levados em consideraçom. Os cadáveres e feridos forom deixados nas ruas durante dias apesar dos repetidos apelos para que poidam ser recuperados. Pedidos como estes seriam atendidos imediatamente em países onde há umha democracia enraizada e a justiça e o direito está em vigor. Mas os pedidos humanos som ignorados na Turquia, que é administrado por um governo anti-democrático e totalitário.

Onde é que as pessoas que migrarom de Cizre forom? Tem algumha informaçom sobre a sua situaçom?

As pessoas que tiveram que deixar as suas casas e meios de subsistência por causa dos constantes e graves ataques por parte das forças estatais. Quando os curdos falam de devastaçom e desastre fam referência a Kobanê e Sinjar. Dous terços de Cizre em verdade nom som diferentes de Kobanê e Sinjar. As casas forom viradas em ruínas. Quase nom há casas que os bombardeios de tanques e morteiros nom bateram. Esta foi umha política consciente para deslocar as pessoas. As forças do governo violarom o direito à vida.

Houvo migraçom interna no primeiro mês do cerco. Os ataques estavam concentrados nos bairros Cudi, Nur, Yafes e Sur. As pessoas forçadas a se deslocar destas áreas migrarom para o centro do distrito ou bairros onde os ataques eram menos graves. Alguns forom morar com parentes e outros forom acolhidos por pessoas. No entanto, quando os ataques começarom a se espalhar para esses bairros, mais umha vez migrarom, desta vez para as aldeias vizinhas, o centro de Şırnak, Idil, Diyarbakir e cidades turcas. Na década de 1990 os ataques do Estado provocarom que os curdos migraram das zonas rurais para as zonas urbanas, agora está ocorrendo o oposto; porque o estado está a transformar as cidades curdas no inferno.

Por que o estado está atacando Cizre tam severamente?

Se analisarmos o significado histórico e político da Cizre, pode-se ver que tem umha qualidade simbólica, tanto para o estado como também para o povo curdo. Para compreender por que o Estado declarou o mais longo cerco e toque de recolher e cometerom atrocidades, impedindo as pessoas de enterrar os seus seres queridos e a queima de pessoas vivas, deve-se olhar para a história da resistência em Cizre.

Durante toda a década de 90 Cizre foi o lugar de maior tirania e repressom. Os feitos na celebraçom do Newroz (Ano Novo curdo), em 1992 ainda estam frescas na nossa memória. Mais de 100 civis forom mortos e centos feridos em ataques para evitar as celebraçons do Newroz. Nos mesmos anos as aldeias forom arrasadas, as migraçons forçadas, execuçons extrajudiciais e as valas comuns forom moeda diária em Cizre. O Estado viu os direitos humanos e as liberdades básicas como luxos para as pessoas deste distrito.

No entanto, apesar de toda a violência e repressom, entom e agora, o povo de Cizre nom deu nengumha concessom e nom se ajoelhou. A demanda de Cizre pola liberdade e igualdade e a resistência contra as políticas do Estado turco de negaçom e assimilaçom foi sempre inquebrável. Apesar da política de assimilaçom do estado Cizre resistiu a turquificaçom e protegeu a sua autêntica identidade cultural e política independente. É por isso que sempre foi um alvo para quem está no poder. Assim como Cizre estava no coraçom da rebeliom contra o Império Otomano em 1847, tornou-se símbolo da resistência para o povo curdo na década de 1990.

Portanto, o estado acredita que se Cizre, como um dos centros de resistência, é liquidado, entom podem fortalecer a sua soberania nas outras cidades do Curdistam. Mas eu acredito que a barbárie do Estado em Cizre durante o cerco foi gravada na memória coletiva do povo tam profundamente que vai criar raiva e umha reaçom organizada. As pessoas aqui forom obrigadas a umha experiência desumana e tirânica que vai passar de geraçom em geraçom.

Faysal Sariyildiz 02Que significam as barricada e trincheiras?

Significa umha forma de auto-defesa contra a política de negaçom e aniquilaçom do Estado. É claro que o povo curdo nom está feliz com a vida atrás das trincheiras, no meio de batalhas, deixando as suas casas e enterrando os seres queridos todos os dias. No entanto, há umha insistência em que os curdos vivem como escravos. Aqueles por trás das trincheiras se oponhem a isso. A maioria deles estiverom discriminados polo Estado; detidos, presos e torturados ou perderom um parente na guerra ou incendiarom a sua aldeia. Eles nom confiam no Estado. Eu sei disso porque me reunim com os jovens o ano passado, quando as negociaçons (entre o movimento curdo e o estado) ainda estavam em andamento, para que eles fecharam as trincheiras. Eles escutarom o chamado de Öcalan e figerom-no. No entanto, o mesmo dia as forças estatais dispararom e matarom umha criança, Nihat Kazanhan, desde um veículo blindado. É o conceito de guerra do estado que obrigou a Cizre a cavar trincheiras.

Há diálogo entre você e os funcionários / instituiçons estaduais?

Apesar das muitas tentativas de fazer contato e atender durante todo o cerco, o governador de distrito Cizre nom respondeu o telefone nem respondeu aos nossos pedidos para umha reuniom. O diálogo com a polícia nom evoluiconou além das constantes ameaças que nos fam.

Quem acha que está comandando as operaçons militares em Cizre? As forças de Ancara ou as locais? Quantas equipes das forças especiais, soldados, policiais etc. há em Cizre no momento?

O que aconteceu em Cizre nom é umha questom local. O mesmo aconteceu e continua a acontecer em muitas outras vilas e cidades curdas. Os funcionários do governo também afirmarom em várias ocasions que esta é umha operaçom global. Por isso, é claro que estas operaçons estam sendo planejadas e usam as instituiçons burocráticas e instrumentos políticos de todo o estado. Em março do 2015, quando o processo de resoluçom ainda estava em curso, o governo do AKP aprovou o projeto “Paquete de Segurança Interna” no Parlamento como preparaçom para o que está acontecendo hoje. Todas as operaçons que som implementadas aqui som suportadas, incitadas, e dirigidas por autoridades estaduais e do governo, incluindo o presidente, primeiro-ministro, ministro do Interior, ministro da Defesa, chefe de gabinete, governadores provinciais, governadores etc. Aqueles que executam a operaçom no terreno som pessoal do Estado. Eles estam pagos polo Estado e estám usando equipamento militar do estado. Há mais de 10.000 soldados e forças policiais especiais participando activamente na operaçons em Cizre. Se levarmos em conta todos os tipos de artilharia pesada, existem suficientes soldados e forças especiais para verificar cada casa em Cizre.

Houvo massacres em 3 sotos. Poderia dar-nos algumha informaçom concreta sobre estas massacres?

Havia cerca de 130 pessoas nos ‘3 sotos da morte’, a metade deles mortos ou feridos. Eu e as famílias dos presos falamos com a delegacia da polícia Cizre e a equipe de saúde do estado inúmeras vezes de levá-los para o hospital. Mas cada solicitaçom foi recusada por motivos de “segurança”. Os edifícios com os feridos presos forom atacados por vários dias. Eles forom deixados sob os escombros, sem comida e água por vários dias. O Estado violou todas as regras humanas e legais e massacrou os feridos de umha forma selvagem.

Nom temos informaçons concretas sobre o primeiro soto. Mas as ambulâncias do município recuperarom os corpos que forom tirados a rua polas forças estatais a 50 m de distância do soto. Nom sabemos ao certo se forom retirados do prédio. No entanto, temos a certeza de que polo menos 110 pessoas que se refugiarom nos edifícios forom massacrados, a maioria deles queimados vivos. Há polo menos 28 pessoas desaparecidas. (Umha vez que a entrevista rematara confirmou-se, que polo menos, 145 pessoas morreram).

Umha vez que o bloqueio marcial começou 62 dias atrás 209 pessoas forom mortas, as identidades de 80 pessoas forom confirmadas, enquanto o resto ainda nom estam claras. Nós acreditamos que o número de vítimas vai subir. Há muitos mais cadáveres nas ruas e nas casas.

O Estado e a imprensa turca afirmou que essas pessoas nom evacuarom os sotos apesar dos apelos. Por que essas pessoas nom deixarom os sotos?

As afirmaçons de funcionários do Estado e os meios de comunicaçom de que as pessoas nom evacuarom os sotos apesar de ter a oportunidade som para enganar a opiniom pública internacional. Se isso fosse verdade eles poderiam prova-lo. Tivem contato por telefone com as pessoas assediadas, falamos muitas vezes. Conheço muitos deles do seu trabalho na esfera social, política e de mulheres. Quase 50 estudantes universitários que tinham viajado a Cizre em solidariedade também estavam entre os feridos. Quando as ambulâncias tentarom alcançar os sotos as forças do estado tiroteiarom a cena e nom lhes permitirom a entrada na área por razons de “segurança”. Em vez de permitir que eles foram levados para o hospital, desde o início o estado abandonou à morte e queria massacrá-los. Eles figerom isso, queimarom-os vivos.

Com esta massacre do estado, à sua maneira, queriam ensinar aos que resistem a liçom e também o castigo e intimidar as pessoas de outras cidades curdas; isso também era umha ameaça para os que estám contra o estado nas cidades ocidentais da Turquia. Usando a retórica “Estamos perdendo o país polos terroristas”, o governo tentou esconder as suas práticas extra-legais e consolidar o bloco nacionalista e conservador.

Além disso, devido à crescente supressom dos meios de comunicaçom nos últimos anos, é impossível falar de uns mídias livres que informaram do que está acontecendo aqui. Os meios de comunicaçom atuais estam no lugar para legitimar todas as açons do governo e do estado. Um pequeno grupo de meios de comunicaçom livres som constantemente reprimidas com os jornalistas sendo mortos, presos e impedidos de fazer o seu trabalho. Portanto, nom é possível obter informaçom imparcial ou detalhada sobre o que está acontecendo nas cidades curdas nos mídia. Em suma, o Estado está a implementar todos os métodos de guerra psicológica à sua disposiçom.

Sabemos que os sotos em Cizre tenhem um significado especial. Desde os anos 90 as pessoas refugiarom-se nos sotos. Poderia contar mais sobre isso?

Um soto ou adega é um espaço onde as pessoas se refugiam dos ataques do estado. Este espaço é, especialmente para Cizre, histórico. Tendo experimentado a tirania do estado, a soluçom de Cizre forom os sotos. Se o povo de Cizre nom tivera construído sotos para defender e proteger-se, massacres maiores poderiam ter ocorrido.

Você é deputado por Şırnak. Umha criança desta cidade. Sabemos que perdeu muitos amigos recentemente. Como descreveria o seu estado de ánimo? Poderia nos contar o momento em que mais luitou?

O sofrimento em Cizre foi indescritível. Como podoo distinguir entre a dor causada pola morte da mae Hediye, que depois de me pedir ajuda durante umha semana, foi morta por um projetil de tanque, ou o assassinato do bebê de 3 meses Miray e o seu avô em umha emboscada sangrenta ou a morte do meu amigo Aziz, que foi morto por um único tiro na cabeça quando se dirigia salvar a umha mulher ferida, ou a perda do meu camarada Seve, que escondeu a sua convicçom na revoluçom no seu sorriso? Mas umha criança escreveu “A resistência é vida, o silêncio é morte” em umha parede com carvom em meio do bombardeio de tanques também me afetou profundamente. Porque este foi o grito de Cizre …

Eu acho que essas palavras e frases explicam Cizre e o meu estado mental; silêncio, gritos desoladores, resistência, vida, destroços, água, tirania, migraçom, coragem, liberdade, rostos ensangüentados, jovens com rostos luminosos, esperança…

Fixo chamadas a muitas organizaçons internacionais recentemente. Recebeu algumha resposta?

Nom houvo resposta significativa ou medidas tomadas em resposta às cartas escritas e as chamadas feitas por mim e o Partido Democrático dos Povos até agora.

Como podem ser paradosos ataques do Estado ?

Tanto quanto nós podemos dizer as forças estatais nom tenhem a intençom de cessar os ataques no futuro próximo. O estado quer encobrir o seu fracasso político na Síria e Rojava com esses ataques. Além disso, quer desacreditar, criminalizar e suprimir a motivaçom criada polos desenvolvimentos em Rojava, bem como as exigências feitas polos curdos durante o processo de soluçom, que forom vistas polo mundo como legítimas. A oposiçom unificada e organizada formada polas forças democráticas é a única cousa que pode enfraquecer os ataques do Estado. O apoio da opiniom pública internacional também é muito importante.

Onde acha que os desenvolvimentos nos estam levando?

A situaçom actual da economia capitalista significa que os recursos energéticos e as suas vias tornarom-se questons importantes. As potências imperialistas estam constantemente fazendo novos movimentos devido às consideráveis reservas de petróleo e gás na regiom. Os desenvolvimentos aqui, especialmente desde a primeira Guerra do Golfo, estam criando novas contradiçons, novas alianças, novos problemas e novas oportunidades todos os dias. Além disso o sectarismo está sendo aprofundado usando o Daesh (ISIS). Junto com isso nós igualmente temos os desejos democráticos e as luitas dos povos da regiom contra os regimes autoritários.

Um dos exemplos mais importantes disso som os curdos. Os curdos querem a democracia e o auto-governo. Há umha luita ativa por isso em Rojava. As demandas na Turquia dos curdos estam a ser recusadas; a sua luita criminalizada, suprimida e deslegitimiçada. No entanto, nesta era da comunicaçom nom vai ser tam fácil como era antes negar a demanda do povo pola democracia, a igualdade e a liberdade. Os curdos continuarám luitando por isso; a sua demanda por umha “cidadania igual e livre” na Turquia é significativa e preciosa. É umha exigência universal, legítima e democrática. Entom, até que um regime democrático no que os curdos tenham um estatus e opiniom vai continuar esta luita.

Obrigado por dar-nos esta entrevista e polo seu tempo.

Obrigado.

Esta entrevista foi publicada em duas partes 1 e 2 em Kurdish Question.

 

Chamada urgente: Nom esperes até amanhá quando seja tarde demais para Sur!

Chamada Urgente
O estado de sítio permanente declarado polo governo do AKP em várias províncias curdas desde o 16 de agosto do ano passado continua a agravar a situaçom extrema que compromete os direitos humanos básicos e as liberdades na área, incluindo o direito à vida e à segurança pessoal.

Até hoje, os toques de recolher declararom-se em sete províncias e vinte municípios, em 395 dias. Esta política de Estado clara e diretamente viola os fundamentos da Constituiçom da República da Turquia, bem como os princípios básicos do direito internacional humanitário, em primeiro lugar as disposiçons da Convençom de Genebra para a proteçom de civis em zonas de guerra e de conflito. O exemplo mais claro de violência sistemática e massacres cometidos, acaba de dar-se na cidade de Cizre, na província de Sirnak, tudo sem que a opiniom pública turca e internacional se manifestaram: polo menos 165 civis que se refugiaram nos sotos de edifícios residenciais em meio de operaçons militares forom bombardeados até a morte polas forças de segurança turcas. Enquanto o governo AKP continua a negar a sua responsabilidade nas massacres de civis em Cizre sob o pretexto de se tratar da luita “anti-terrorista”.

Mais umha vez, as notícias do histórico bairro de Sur em Diyarbakir aterrorizam-nos, porque leva 80 dias sob toque de recolher, desde 11 de dezembro de 2015. De acordo com fontes locais e da imprensa, desde o 18 de fevereiro, cerca de 200 pessoas, incluindo crianças e pessoas feridas, permanecem presos nos sotos de edifícios residenciais no bairro de Sur, onde estám a ter lugar violentos ataques das forças de segurança. Nos últimos dias, membros e representantes do nosso partido tentarom entrar em contato com representantes do governo, exigindo umha investigaçom oficial sobre essas afirmaçons e a abertura de um corredor seguro para mover os civis encurralados. No entanto, todos os nossos esforços e exigências permanecem sem resposta. Estamos extremamente preocupados com a possibilidade de que a massacre de Cizre poida repetir-se em Sur.

Tendo em conta esta possibilidade, também estamos muito preocupados com o silêncio mostrado pola comunidade internacional contra a violência e as massacres que ocorrem nas cidades curdas.

Temos transmitido à comunidade internacional de que o seu silêncio só serve para encorajar o governo do AKP e suas forças de segurança nas suas práticas ilegais e desumanas nas cidades curdas. É mais do que provável que, se a Comunidade Internacional erguera as suas vozes, agora nom haveria centos de cadáveres recuperando-se nas ruínas de Cizre…

Fazemos um chamamento urgente a todas as instituiçons internacionais, organizaçons humanitárias e ativistas para tomar as suas responsabilidades o mais rápido possível e também que instem o Governo turco que cesse de umha vez o estado de violência nas cidades curdas e proteja as vidas de civis encurralados nos sotos de Sul.

Nom deixes que amanhá seja muito tarde para Sur!

Hişyar ÖZSOY, Vice-co-presidente do HDP Encarregado das Relaçons Exteriores

 

O Estado nom fala. Só dispara

O Estado nom falapor Ercan Ayboga. Traduzido o inglês por Janet Biehl.

Desde o Verao passado o Estado turco agiu brutalmente contra toda a oposiçom no sudeste da Turquia.

Um relatório de residentes em Diyarbakir.

Vai muito frio em Amed, como é conhecida a cidade de Diyarbakir polos seus residentes. Mais de 10 centímetros de neve cobrem o chao, algo que só acontece cada três ou quatro anos. E, exatamente neste momento, a luita está aumentando no bairro antigo de Amed, Sur, e nas cidades de Cizre e Silopi, na província de Sirnak. Estou aqui no gabinete de prensa da administraçom municipal, juntamente com três jornalistas e um investigador. Estes dias, o escritório serve como base de feito para jornalistas e investigadores do oeste da Turquia e o exterior. Falamos sobre o que vem acontecendo na regiom nos últimos meses.

Os acontecimentos ocorridos aqui som quase incompreensíveis até mesmo para aqueles que vivem aqui. Todas as manhás, cada tarde, e todas as noites umha onda de cansaço invade o meu corpo enquanto eu oio tiros, detonaçons e explosons perto, em Sur. Também durante o dia, mas eu estou no trabalho. Os outros dim a mesma coisa, muitas vezes, mais dramaticamente. Muitos ficam espertos durante toda a noite, todas as noites. Na noite passada, um morteiro aterrissou no telhado, onde um deles está hospedado.

Nesta cidade de um milhom de pessoas, observamos com medo como o Estado, dúzias de vezes por dia, usa tanques e artilharia para disparar na cidade velha, para tentar quebrar a resistência de 200 a 300 jovens, organizados na ilegal YDG-H. O estado nom fala. Só dispara.

Na primavera passada o governo turco unilateralmente rompeu as negociaçons de paz com o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistam) e, em seguida, no final de julho desencadeou a guerra contra o PKK. Os jovens, em seguida, estabeleceram “espaços libertados” em várias cidades, espaços livres da repressom. Em paralelo, os conselho-democráticos de bairro do povo dos conselhos de Diyarbakir e outros 20lugares declararom autonomia..

O estado, em seguida, começou a prender activistas políticos sistematicamente no Curdistam do Norte e chegou a mil em três semanas so. Intermitentemente, entre 2009 e 2012, mais de nove mil pessoas foram presas. Muitas pessoas aqui querem que o conflito militar chegue a um fim. A maioria está enojada com que o AKP do presidente Recep Tayyip Erdogan negara o sucesso eleitoral do-pró-curdo esquerdista partido HDP nas eleiçons do 07 de junho e realizara umhas segundas eleiçons sob circunstâncias repressivas.

Como um filme ruim

Estou de caminho para casa, e ainda está nevando. Tanques rolam após minha, em direçom à cidade velha. O seu efeito sobre a cidade é aterrorizar. Isso nom pode ficar. Na primavera passada um clima rebelde prevalecia na cidade, após a cidade de Kobanî, na parte curda da Síria, foi liberada. A revoluçom da Rojava espalhou o seu esplendor brilhantemente. Hoje parece que há muito tempo e está muito longe. A paz era entom, a guerra é agora- e desta vez na cidade!

Eu penso apenas em categorias de lugares “seguros” e “perigosos”. Eu sinto como se estivesse em um filme ruim que está piorando. Entom lembro-me de algo que um amigo argentino me dixo, enquanto aqui estam fazendo um filme: “Há dous lugares surreais no planeta: México e o Curdistam”

Até outubro muitos membros do HDP em Amed -onde o partido obtivo o 78 por cento dos votos – questionavam a sentido do apelo a autonomia e todas as valas e barricadas dos jovens.

Eles ficaram atônitos. E o mais político entre eles -Amed é umha cidade muito política- nom conseguia fazer umha análise razoável. Muitos perguntavam: “Quanto tempo vai continuar? Será que eles vam se deter no próximo mês ou quando? ”

Eu acho que eles despertarom de um sonho agora e estam em estado de choque. Durante um século, nós, os curdos temos sido pessoas de segunda classe. Queremos a paz, eu sinto isso, mas queremos umha paz justa. Mesmo aqueles que perderam irmaos ou filhos nos últimos 30 anos, como guerrilheiros ou civis, polo terrorismo de estado, desejam a paz tam fortemente que eles ansiosamente acreditam em cada faísca de esperança.

Muitos desconfiam do Estado, que tem atuado cada vez mais brutal desde o verao. Os seus atos de crueldade com os toques de recolher recorrentes em Sur, desde o 1 de dezembro estam gradualmente balançando as pessoas.

Primeiro forom so os ativistas políticos, e agora até mesmo os moradores muitas vezes dim cousas como “a resistência começou” e “nom há mais nada para nós agora, mas que luitar com dignidade.”

A crítica é silenciada

Infelizmente, temos um presidente que, em um grau sem precedentes, está perseguindo toda procura da paz entre democratas curdos e nom-curdos na Turquia ocidental, eles estam, talvez, em maior estado de choque do que nós -a se estabelecer como governante eterno. Devemos resistir! Isso pode soar como propaganda ou um slogan que eleve a moral. Mas que soluçom tenhem os críticos? No passado so a resistência tivo algum efeito.

E, entretanto, os governos europeus que fam? Eles enviam o Presidente Erdogan dinheiro para que detenha os refugiados na Turquia e, eles fecham os olhos. A UE está, mais uma vez sequer a falar de adesom, para ligar a Turquia mais perto de si. De repente, todas as críticas dos últimos anos estam silenciadas. Ok, política de estado é umha porcaria. Mas aqueles que na Europa, ainda tenhem umha esfera pública a meio caminho de ser independente, que estamos a perder aqui. Ir ao assunto, e nom permitir que esse negócio sórdido aconteça!

“Matarom a minha mae”

Três horas mais tarde, eu estou traduzindo umha carta, um jovem de Silopi, Inan, cuja mae foi baleada na rua, no mês passado. Ela sucumbiu aos seus ferimentos, porque os atiradores da polícia dispararom a qualquer um que tentou ajudá-la. Umha semana atrás, um jornalista publicou a história no blog de um jornal turco.

Esta é talvez a traduçom mais difícil da minha vida. Eu quero-a compartilhar. “Quando soubemos que a minha mae tinha sido baleada, corremos para o lugar. Antes de chegarmos, o meu tio tentou chegar até ela, mas eles atiraram nele. Quando cheguei, os vizinhos estavam carregando o corpo do meu tio falecido. Eu perguntei sobre a minha mae, e digerom-me que ela ainda estava deitada na rua. Quando eu tentei ir até ela, eles segurarom-me. Eu chorei, chorei, chorei. Minha mae tinha caído no meio da rua e estava deitada lá. No início, ela movera-se um pouco, mas, em seguida, os seus movimentos diminuíram.

Todas as pessoas que chamamos -representantes, conselheiros regionais, governador da província –digerom que os atiradores deviam retirar-se para que pudéssemos remover o seu corpo. “Que estava sentindo minha mae quando ela estava lá? Ela sofreu. Durante sete dias, ela estivo na rua. Nengum de nós dormia, para que pudéssemos manter os cans e os pássaros longe dela; Ela ficou lá, a 150 metros de distância, e vimos como ela perdeu a sua vida. Nesses sete dias, o estado causou-nos tanto sofrimento como um ser humano pode causar em outro. Minha mae ainda tinha seu xale em uma das maos, as maos ficarom rígidas, a sua posiçom do corpo refletia a sua luta por sobreviver. O sangue estava seco.

As maos, o rosto, onde ela caiu no chao, estava coberto de sujeira, a sua roupa estava encharcada de sangue seco.

“Os crentes arrancarom a alma da minha mae. Os olhos da minha mae permaneciam aberto, com o rosto inclinado em direçom a nossa casa. Nom podo expressar quanto dor estou sentindo. Sete dias no mais profundo inverno ela estivo na rua. A cousa mais dolorosa nom é saber quanto tempo ela ficou viva. Espero que ela falecera de imediato. Eles matarom a minha mae. ”

Se nom sentes nada, re-le esta carta repetidamente.

Escalada

Nas últimas semanas nas regions curdas da Turquia, cidades e bairros forom transformados em zonas de guerra. Escondidas do público, as forças militares e policiais turcas utilizarom armas pesadas contra os rebeldes, muitas vezes jovens, e nom esquecerom nem os nom-participantes. Human Rights Watch reuniu testemunhos que mostram que as forças de segurança abrirom fogo mesmo sobre aqueles que tentavam deixar as suas casas. Grupos locais de direitos humanos relatam que mais de 150 civis forom mortos.

Após as eleiçons parlamentares em novembro, as esperanças aumentaram de que o governo turco iria acabar o curso dos confrontos que tinha começado em julho. Essas esperanças foram precipitadas. Polo contrário, a repressom intensificou-se, mesmo nas autoridades eleitas do HDP. Vários deles, incluindo o co-líder Selahattin Demirtas, forom ameaçados com acusaçons de separatismo.

 
Ercan Ayboga, filho de pais curdos turcos, estudou engenharia ambiental na Alemanha. Aos 39 anos, ele está ativo no movimento da ecologia da Mesopotâmia e trabalha para a administraçom da cidade de Diyarbakir como consultor ambiental e no gabinete de imprensa intencional. Ele apresenta a sua visom pessoal aqui.

Originalmente publicado em alemao em Woz Die Wochenzeitung e em inglês em Peace In Kurdistan Campaign, e logo em Kurdish Question.

Os olhos do mundo estam voltados em Turquia

The Worlds Eyes Are On Turkey Artigopor Sarah Parker, este artigo foi originalmente publicado em Left Unity

A situaçom na Turquia está mudando rapidamente, mas para ver onde estam as cousas agora, é útil olhar para trás, aos acontecimentos dos últimos sete meses. O 7 de Junho de 2015, o partido de ampla esquerda e pró-curdo HDP alcançou mais do 13% dos votos nas eleiçons gerais turcas, umha grande vitória, quebrando o limiar eleitoral e ganhando 80 cadeiras, e privando o partido AKP e o presidente Erdogan da maioria parlamentar necessária para que o AKP governara sozinho, e a maioria absoluta que precisavam para passar a um sistema presidencial mais forte de governo.

The Worlds Eyes Are On Turkey Artigo 02O fundo

Mas entre o 25 e o 28 de Junho mais de 200 civis forom assessinados em Kobanî polo ISIS em um ataque surpresa, já que o exército turco continuou a ignorar ou ajudar os ataques do ISIS sobre os curdos sírios, e o 11 de Julho a KCK (a Uniom de Comunidades do Curdistam) emitiu umha declaraçom explicando que as numerosas violaçons militares turcas de 2 anos de cessar-fogo na Turquia nom seria mais tolerado, e que, por exemplo, todos os esforços seriam feitos polo povo curdo, incluindo a guerrilha, para parar da construçom de represas para fins militares. O 16 de Julho as Forças de Defesa do Povo anunciarom que guerrilheiros estavam realizando açons de aviso em resposta ao abrupto aumento de atividade militar turca incluindo bombardeios em áreas de defesa da guerrilha. O 17 de julho Erdogan repudiou os “Acordos de Dolmabahçe”, do 28 de fevereiro como base para a paz entre a Turquia e os curdos, um sinal claro de que o processo de paz estava acabado e a guerra começava de novo.

O 23 de julho os EUA e a Turquia chegarom a um acordo polo que a Turquia entraria na chamada coalizom anti-ISIS e que os EUA poderiam usar a base aérea de Incirlik perto de Diyarbakir [3]. Este foi fiada por um suporte cético como um sinal de que a Turquia pode começar a lidar com o ISIS, ao contrário de ignorá-los ou assistindo-os. Dentro das 48 horas do acordo, a Turquia tinha feito alguns bombardeios sobre o território do ISIS na Síria, (depois pouco mais foi ouvido sobre este aspecto da campanha) e começou umha campanha aérea sistemática contra acampamentos da guerrilha no norte do Iraque, que continuou ininterruptamente até agora. Após um período de tentativas tímidas para formar um governo de coalizom, o 24 de agosto Erdoğan chamou para novas eleiçons para o 1 de novembro. Estas forom em umha atmosfera de intimidaçom flagrante depois de mais de 100 ataques contra as sedes do HDP e o bombardeio de umha manifestaçom pola paz convocada por organizaçons do movimento de trabalho e do HDP o 10 de Outubro, em que 102 pessoas foram mortas e mais de 400 feridos. Nengum grupo reivindicou o atentado, mas pensa-se que foi realizado por pessoas com ligaçons ao ISIS. Os votos do HDP ainda estiverom sobre o limiar do 10%, mas o voto do AKP aumentou apenas o suficiente para que o partido conseguira a maioria absoluta.

Autogoverno e resistênciaThe Worlds Eyes Are On Turkey Artigo 03

Desde o início de Agosto de 2015, assembleias municipais no Curdistam da Turquia começarom declarando o autogoverno, e isso foi confirmado pola reuniom do Congresso Popular Democrático o 28 de Dezembro de 2015 após o AKP de Erdogan roubou as re-eleiçons do 1 de novembro. A idéia é para construir a mais forte possível auto-organizaçom local como um meio de auto-defesa e como um passo no caminho para a liberdade por causa da perseguiçom do Estado turco. Os jovens inicialmente cavarom valas e colocarom barricadas para impedir a entrada a estas áreas a polícia e o exército. Mesmo que em muitas destas áreas os bairros já foram literalmente sitiados por 10.000 soldados por meses, o exército turco, a polícia e as forças especiais nom forom capazes de retomar-los apesar de ter expulsado a alguns moradores. Os piores cercos som os dos distritos de Cizre e Silopi, na província de Sirnak, e o de Sur, o centro histórico de Amed (Diyarbakir), atualmente sob bombardeio de morteiros pesados polo exército turco, que vem tentando desde há mais de 40 dias recapturar os bairros sob controle das novas forças de autodefesa e da povoaçom local.

Um representante do Conselho Popular de Cizre hoje (18 de janeiro) apelou por um levantamento em todo o Curdistam para apoiar a resistência curda. A resistência está no seu 33º dia em Silopi, onde os bairros estám frequentemente sob o fogo de tanques e 26 civis forom mortos, mas o Estado concedeu levantamento do toque de recolher durante o dia desde o 19 janeiro. O deputado do HDP Ferhat Encü di que as cousas som muito piores do que após o golpe militar do 1980. As dadas mais recentes som de que 283 civis forom mortos nos cercos desde o 12 de julho, enquanto se estima que 300.000 pessoas forom expulsas das suas casas nas profundezas do inverno.

A esquerda precisa despertar ao feito de que a guerra curda desceu das montanhas para as cidades e que milheiros de pessoas estam em umha resistência heróica a um importante membro da OTAN que tem dito repetidamente que esmagaram rua a rua a resistência, e fazer algum trabalho sério de solidariedade.

O grupo guarda-chuva do KCK, Koma Civakên Kurdistan (Uniom de Comunidades do Curdistam) instou às pessoas a ficar e apoiar a resistência se eles som capazes de, embora muitas pessoas tenham recuado para outros distritos, como a situaçom é muito perigosa, com pessoas que estam à vista mortos por franco-atiradores ou artilheiria, enquanto o Estado cortou água e electricidade. Deve ser notado que os centros de resistência som as cidades curdas do sudeste, que sofrerom repressom por setenta anos, além de discriminaçom e elevado desemprego, e onde o HDP recebeu muitos votos nas eleiçons, tanto em junho como em novembro de 2015, e estam perto de Rojava e o Curdistam do Iraque.

Quanto o comandante das Forças de Defesa do Povo, Murat Karayilan dixo na sua mensagem de Ano Novo: “O AKP desencadeou um ataque furioso sobre nós. As guerrilhas e também a juventude nas cidades, todos os componentes da sociedade curda, estam fazendo a sua parte na resistência “. As unidades de autodefesa forom anunciadas em mais e mais lugares, o último dos quais é umha unidade feminina (YPS-Jin) em Nusaybin. A participaçom das mulheres na luita cresce todo o tempo, e claramente a resistência das mulheres e a sua determinaçom de luitar pola liberdade é a enorme força do movimento. No geral, a resistência contra o poder do Estado turco é um feito notável e talvez de algumha forma explica o silêncio de outros membros da Otan.

Relativo ao resto da sociedade

Olhando para o Estado turco como um todo, Tariq Ali realizou umha interessante entrevista em Telesur chamado “A Turquia é umha sociedade em ebuliçom” no qual Sungur Savran destaca eventos de referência dos últimos três anos: junho-setembro de 2013, a revolta Gezi, 6-12 outubro 2014 a serhildan (levante) em áreas curdas da Turquia com milhons de pessoas na rua, e “quando ficou claro que o PKK tinha unidades armadas até mesmo nas cidades pequenas’, e a greve dos metalúrgicos do 2015, quando em maio dúzias de milheiros levantaram-se primeiro contra os sindicatos amarelos e depois contra os patrons, em umha onda que se espalha de Bursa a Izmir, Ancara, Istambul, um desenvolvimento promissor, pois o movimento operário tinha estado em grande parte dormente durante muitos anos.

Savran argumentou que as forças seculares nas grandes cidades da Turquia, a pequena burguesia e as camadas superiores da classe operária que costumavam votar o CHP (antigo partido de Ataturk, nacionalista, mas social-democrata) agora se estam tornando compreensivos com os curdos e começando votar o HDP; é vital para os socialistas continuar a trabalhar para desenhar este bloco na órbita do HDP. El também observa que Erdogan começou a mobilizar activamente os grupos de extermínio da direita (em parte porque nom pode confiar inteiramente no exército, em parte, ainda secular ligado à NATO) para usar contra a classe trabalhadora na Turquia, e contra os esquerdistas, alevitas e curdos.

Esta foi umha das razons que as pessoas decididas a colocar as barricadas – eles sabiam que teriam de se defender, cedo ou tarde.

Os desenvolvimentos mais recentes que ligarom o oeste da Turquia à guerra contra os curdos no sudeste som a bomba que matou 10 turistas, principalmente alemaes em Istambul, e a declaraçom dos Academicos pola Paz, que foi assinada por mais de 1000 acadêmicos na Turquia e muitos de fora. Os acadêmicos que assinarom a declaraçom apelando para a paz e o fim da repressom forom acusados de traiçom, e ameaçados tanto por Erdogan, como polo conhecido chefe do crime Sedat Peker. Todas as assinaturas estam sob investigaçom criminal, muitos forom presos, e alguns já forom despedidos dos seus empregos, com relatos de pressom a ser-lhes aplicadas, tais como marcas em destaque a ser colocada nas portas do escritório dos signatários. Um movimento está-se juntando na sua defesa, que, felizmente, tornou-se rapidamente internacionalizada, e recebeu considerável cobertura dos mídias, como Erdogan talvez imprudentemente estendeu a sua crítica para Noam Chomsky e Tariq Ali, os conhecidos apoiantes de luitas de libertaçom que assinarom a declaraçom. Na última contagem 299 acadêmicos na Gram-Bretanha assinarom umha declaraçom de apoio. Noam Chomsky e Tariq Ali digerom que só vai ir a Turquia se for convidado por o povo curdo e o HDP, em resposta ao convite feito polo presidente Erdogan.

Tanto o HDP e Partido Republicano do Povo (CHP) condenarom as ameaças de Erdogan e expressarom a sua preocupaçom polo caminho ao que el está levando à sociedade. O deputado do HDP Faysal Sariyildiz convidou a Chomsky para visitar a regiom do Curdistam e convidou a Erdogan e Davutoglu para conversar com el para ver a situaçom por si mesma, que acompanha os convites com a afirmaçom muito gráfica que descreve as condiçons sob o cerco, que pode ser lida aqui.

Turquia em Síria e o Iraque

É enganoso analisar as actividades do Estado turco dentro das fronteiras turcas isoladamente: a sua política exterior próxima também deve ser compreendida. Deve-se notar que o Estado turco está profundamente envolvido em operaçons militares e outras interferências no norte da Síria e norte do Iraque, tentando recuperar o rol de antiga potência regional, através de tentativas egoístas para explorar as queixas legítimas da oposiçom ao regime na Síria, juntamente com umha última tentativa para bloquear a luita do povo curdo e os seus aliados tanto na Síria como no norte do Iraque.

Só para dar umha descriçom geral sobre a luita curda na Síria, o PYD curdo (Partido de Uniom Democrática) e o seu braço militar as YPG (Unidades Defesa do Povo) na Síria, digerom constante que iriam defender as suas próprias áreas se eram atacados e figerom isso. Estam actualmente a continuar a defender os três auto-declarados cantons autónomos de maioria curda e mistos de Afrin, Kobanî e Jazira (Qamishli e Hasakah), e a área de maioria curda de Shaikh Maqsud em Alepo. As batalhas para romper o isolamento do cantom ocidental de Afrin e defender Sheikh Maqsud, recentemente bombardeada polo regime e atualmente sob ataque pesado novamente polas forças de Al Nusra e Ahrar Al Sham, e cortar as linhas de abastecimento desde Turquia o ISIS e cara o leste via Raqqa e Shengal a Mosul, estam ocorrendo actualmente.

Erdogan dixo que, se os curdos cruzavam ao oeste do Eufrates isso seria umha linha vermelha para a Turquia; isso aconteceu recentemente, quando as Forças Democráticas Sírias, (o novo nome para as forças curdas de defesa e os seus aliados, que incluem árabes e algumhas unidades assírias) cruzarom o Eufrates e tomarom a represa de Tishrin e os arredores do ISIS. Presumivelmente, a atitude dos EUA é que as forças curdas sírias atualmente útis para manter o ISIS dentro dos limites, como os peshmerga da PUK no Iraque; e que, ao seu devido tempo, a Turquia estará livre para lidar com ambos. Obviamente, a maioria do povo curdo tem uma ambiçom diferente – sobrevivência, auto-determinaçom, e a democratizaçom de todo o Oriente Médio, e é o trabalho dos socialistas ficar com eles.

O Estado turco tanto para esmagar toda resistência como retomar as terras perdidas polo Império Otomano no final da Primeira Guerra Mundial, estabeleceu bases militares do exército turco no norte do Iraque, em 1991, sob o manto da zona de exclusom aérea, definiu ostensivamente para proteger os curdos do Iraque de Saddam Hussein. As bases forom usadas em 1996 em cooperaçom com o KDP para atacar os guerrilheiros do PKK. O exército turco fixo um ataque mal sucedido em bases do PKK o 26 de Dezembro do 2007 e após umha renhida luita em que as áreas sob ataque também forom defendidas por peshmergas da PUK que correrom ao norte de Sulaymaniyah e a área circundante, o exército turco tivo que recuar às pressas com pesadas perdas ; o exército fixo várias incursons mais ao longo desse inverno. O novo Parlamento do Curdistam votado em 2008 votou que as bases devem ser retiradas, e o Primeiro-Ministro da KRG Nechirvan Barzani confirmou que as bases turcas seriam fechadas, mas nada aconteceu. No final de 2011 EUA e a OTAN “tropas treinadas” deixarom o Iraque ao longo do fracasso no acordo de imunidade para as açons das tropas americanas’; a retirada do grosso principal das forças americanas tivo lugar entre Dezembro de 2007 e 2011. Em 2012, o governo iraquiano dixo que as bases turcas tinham que ser fechadas. Entom, para essa altura as forças Americanas e outras da OTAN que tinham estado no Iraque desde 2003, em grande parte retiraram-se, mas o número de forças turcas aumentou. A presença das tropas turcas nom era popular; a petiçom com 470.000 assinaturas forom coletadas no sul do Curdistam e entregues ao Parlamento Regional do Curdistam e à Presidência, em 2012, e com quase um milhom ao Parlamento e ao Governo Regional em 2015, mas forom ignoradas.

A actual situaçom no Curdistam Iraquiano é potencialmente explosiva. Turquia e outros membros da OTAN som bem conscientes de que as pessoas no sul do Curdistam estam furiosos com as corrupçons e ineficiência do seu governo, mesmo que a situaçom é menos catastrófica do que no resto do Iraque. A política da OTAN é apoiar deliberadamente o partido de Barzani, o KDP, como contraponto para a mais radical PUK baseada em Sulaimaniyah e Kirkuk, e à crescente presença de guerrilheiros aliados ou pertencentes ao PKK, no Sul do Curdistam, nom só no refúgio de montanha de Qandil, mas desde a ascensom do ISIS e da queda de Shingal e Mosul em 2014 em outras áreas.

Neste momento os peshmerga da PUK e guerrilheiros do PKK e as YJA Estrela estam segurando em conjunto um pesado assalto do ISIS no sul de Kirkuk, e nom escapou à atençom dos combatentes curdos que as forças militares turcas no Norte do Iraque estam bem posicionadas para se envolver em umha fugida do ISIS de Mosul que estam sob muita pressom lá, ou até mesmo mover-se contra a “Zona Verde” da PUK se houver um aumento do movimento de massas contra a corrupçom e a pobreza – talvez a NATO e a Turquia até mesmo ver umha presença crescente do exército turco no norte do Iraque como um substituto para o exército dos EUA.

Quebrar o silêncio

Apesar das especulaçons periódicas de que os EUA e os Estados membros da UE nom gostam de algumhas das políticas da Turquia, desde que o AKP renegou dos Acordos de Dolmabahçe entre o Estado turco e os curdos e reiniciou a guerra em julho, houvo alguns comentários de outros membros da OTAN sem excepçons com declaraçons lapidarias de apoio ao direito da Turquia de defender a sua segurança nacional. Como o inverno se aprofunda e o exército turco bombardeia cidades curdas porque nom tem sido capaz de retoma-las, há um silêncio ensurdecedor de outros governos.

O 18 de janeiro o primeiro-ministro Davutoglu visitou a David Cameron e cinco pessoas forom presas em Whitehall quando a polícia tentou impedir os manifestantes de fora do 10 de Downing Street de protestar, todo o incidente mostra claramente de que lado está ligado o governo britânico, se houvesse qualquer dúvida.

Notícias de Última Hora

Na noite do 19 de Janeiro há relatos de que o exército turco já cruzara a fronteira para a Síria em Jarablus, o último ponto de passagem do ISIS-realizada na fronteira com a Turquia, sem reacçom das forças do ISIS na área. Isso vem em meio a umha explosom de especulaçom da mídia de que as conversaçons da ONU sobre Síria será adiada porque a Turquia se recusa a aceitar que deve haver representaçom curda no lado da oposiçom nas negociaçons.

Publicado em KurdishQuestion.

 

 

Desfazendo Anos de progressos na Turquia

Undoing Years of Progress in Turkey artigoO ex-prefeito (2004-2014) do distrito de Sur de Amed (Diyarbakir) Abdullah Demirbaş escreveu iste artigo de opiniom no New York Times:

Cidades e bairros inteiros estam sob cerco. Tanques atravessam ruas estreitas fechadas por barricadas e trincheiras. Os moradores estam presos dentro das casas durante semanas por causa dos toques de recolher. Aqueles que se aventuram fora correm o risco do fogo de atiradores. Os seus corpos ficam nas ruas por dias antes que poidam ser recolhidos. As balas voam polas janelas e edifícios desmoronados sob os bombardeios, matando aqueles que procuram abrigo nas casas.

Isto nom é a Síria. Isto é a Turquia, país candidato à Uniom Europeia, e aclamado como campeom das Primaveras Árabe. O conflito que aqui se reiniciou após a ruptura das conversaçons entre o Estado turco e o Partido dos Trabalhadores do Curdistam, ou PKK, no verao passado transformou-se em uma devastadora guerra nas cidades curdas.

Undoing Years of Progress in Turkey 02 artigoUm dos lugares mais afetados é a cidade do histórico distrito de Sur em Diyarbakir, onde eu fum prefeito de 2004 a 2014. Sur está sob toque de recolher de 24 horas desde inícios de dezembro. Muitos dos seus bairros em ruínas. Os seus monumentos históricos estam danificados, as lojas estam fechadas, os hospitais carecem de pessoal, e as escolas estam fechadas. Duzias de milheiros de pessoas fugirom.

As muralhas de Sur envolvem umha antiga cidade que foi habitada desde há milênios. As suas ruas estreitas, pátios espaçosos e elegantes estruturas de pedra som lembranças de um rico legado multicultural – um legado que sobreviveu, embora em um estado de miséria, um século de conflito. Pequenas, mas cada vez mais visíveis comunidades de armênios, assírios, caldeus, Jazidis e outras minorias convivem com adeptos de diversas interpretaçons do Islam no que agora é umha cidade curda predominantemente sunita.

Durante a última década, o nosso concelho trabalhou duro para reviver e preservar esta herança. Nós supervisionavamos a restauraçom de muitos edifícios históricos, incluindo mesquitas e igrejas. A reabertura da Igreja Armênia de Surp Giragos, que agora é a maior igreja arménia no Oriente Médio, depois de quase um século em ruínas estimulou os “escondidos” sobreviventes do genocídio de 1915 na Turquia para redescobrir e abraçar a sua herança. Os esforços de restauraçom da antiga sinagoga em memória da umha vez vibrante comunidade judaica de Sur estavam em andamento antes do estouro da violência no verao passado.

Em 2012, líderes comunitários de Sur criarom um grupo diálogo inter-religioso que reuniu representantes de diferentes religions da regiom, culturas e grupos da sociedade civil. Conhecido como o Conselho dos Quarenta, que tem desempenhado um papel crucial em que a violência sectária nom atingira a nossa cidade. Graças aos seus esforços, Sur veu a simbolizar a visom de convivência pacífica em uma regiom assolada pola intolerância.

Provoca-me imensa tristeza ao ver que o pluralismo desmorona-se junto com os edifícios de Sur. O sectarismo está a destruir a Síria diante dos nossos olhos. Para evitar o mesmo destino na Turquia, o Conselho dos Quarenta apelou ao governo para levantar os toques de recolher, e pediu a todas as partes a fim das hostilidades e voltar às negociaçons de paz no âmbito da democracia parlamentar.

O presidente Recep Tayyip Erdogan, dixo recentemente que as operaçons militares nas cidades curdas assediados continuariam até que estiveram “limpas” de “terroristas”. “Vam ser aniquilados nessas casas, nesses edifícios, nessas fossas que cavarom”, ameaçou. Mas é que a paz pode ser construída por meio da destruiçom? Décadas de políticas militares contra os curdos tenhem mostrado so que a violência gera mais violência.

Muitos moradores dessas cidades som famílias pobres que foram forçadas a fugir do campo quando o conflito entre os curdos e o Estado turco estava no seu auge na década de 1990. Aqueles que estam cavando trincheiras e declarando o “autogoverno” em Sur e outras cidades e vilas do sudeste da Turquia hoje som jovens na sua maioria adolescentes curdos em que nasceram nesses tempos passados de violência, pobreza e deslocamento, e crescerom em guetos radicalizados.

Agora, umha nova geraçom vai crescer com o trauma da morte, destruiçom e migraçons forçadas. Onde vam ir? O que será deles? E como é que umha geraçom com mais raiva de curdos e turcos vai encontrar um terreno comum? A verdade é que a minha geraçom pode ser a última que poida chegar a umha soluçom pacífica através do diálogo.

O diálogo é possível quando quem está no poder quer. Na primavera passada, os dous lados estavam à beira de um avanço após dous anos e meio de negociaçons. Os curdos, quando se lhes da umha opçom real e justa, escolherom repetidamente a política sobre a violência e optarom pola convivência em umha Turquia democrática, onde os seus direitos e identidades som reconhecidas, sobre a separaçom. Mas, como a destruiçom continua, a sua fé em umha soluçom política murcha.

Em 2007, Sur tornou-se o primeiro concelho na Turquia a oferecer serviços nas línguas locais, incluindo curdo, armênio e assírio, além do turco oficial – um movimento que enfureceu as autoridades de Ancara, a capital, e levou a minha remoçom como prefeito. Em 2009, meses depois de ser reeleito com os dous terços dos votos, fum preso sob a acusaçom de separatismo. (Eu fum liberado cinco meses mais tarde por razons de saúde e mantivem o meu papel como prefeito ao longo da minha prisom.)

Quando eu estava reunido juntamente com centos de ativistas curdos e políticos eleitos, meu filho adolescente deixou a nossa casa para se juntar ao PKK “Você está desperdiçando o tempo com a sua política e diálogo”, dixo-me el. Eu dediquei a minha vida a tentar provar que el estava errado e trae-lo em paz para casa. Eu estivem desencorajado antes, mas nunca perdim a esperança. Hoje, eu esforço-me por manter a esperança viva.

Abdullah Demirbas é o ex-prefeito do distrito de Sur de Diyarbakir e um membro fundador do Conselho dos Quarenta.

Publicado como artigo de opiniom do New York Times e republicado em KurdishQuestion.

 

Demirtaş: Silvan, A resistência é pola Liberdade curda, todos devem abraça-la

Artigo DermitasO co-presidente Partido Democrático dos Povos (HDP) Selahattin Demirtaş falou com Med nuce TV sobre a actual situaçom no distrito de Silvan, Amed (Diyarbakir).
Demirtaş descreveu a resistência de Silvan como “umha luita para determinar o status do povo curdo” e enfatizou que todos devem ver isso como umha realidade.

O co-presidente HDP dixo que a ofensiva em Silvan do Estado turco é a mais forte que levou na regiom curda até o de agora, acrescentando: “A cidade está rodeada por veículos blindados e estam vindo relatos de batidas por helicópteros. Isso nom é umha questom de” umha operaçom policial polo bem da ordem pública ‘. Há umha guerra urbana na que os militares turcos também estám participando, além das forças policiais. O Exército esta agora a juntar-se à operaçom ao lado das forças da polícia depois de um curto tempo de hesitaçom sobre entrar o centro da cidade “.

Demirtaş dixo que o povo de Silvan estam levando umha resistência significativa e corajosa contra os ataques do Estado. El dixo que todos deveriam apoiar esta resistência popular que el descreveu como mais gloriosa do que a ofensiva do estado turco.

Salientando que a situaçom em Silvan nom é um caso local, Demirtaş dixo: “Estamos passando por um processo que irá determinar o destino de centos de anos da questom curda e do Curdistam e o status dos curdos. A resistência em Silvan nom está relacionada com umha questom local, pois é umha posiçom e luita polo futuro livre do povo curdo “.

O co-presidente do HDP observou que o destino do Curdistam sírio também depende do estatus dos curdos na Turquia, acrescentando; “A insistência do povo polaa vida livre e o status deve ser encarado. A insistência do povo curdo por esta causa também é a razom por que o AKP está tornando-se tam cruel.”

De acordo com Demirtaş, é o próprio AKP quem aterroriza as pessoas depois de etiquetar a todo um povo que luita polo seu futuro como terrorista.

Assinalando que o HDP está “pronto para resistir junto com o povo até o final”, Demirtaş sublinhou que o autogoverno é um direito legítimo de base: “O povo curdo nom dará passos para trás. Agora que umha pessoa declara que sera o presidente executivo (Recep Tayyip Erdogan) e anuncia umha mudança de regime, as demandas de milhons de pessoas nom podem ser tratadas como terrorismo. O povo de Silvan esta protegendo e defendendo a sua vontade e o direito do povo curdo ao autogoverno e a autonomia. Esta demanda é parte do nosso programa do partido que está pola resistência do povo curdo “.

O co-presidente do HDP enfatizou a importância de formar um bloco contra a frente de guerra, observando que principalmente o Partido Republicano do Povo (CHP) deve tomar umha posiçom clara em relaçom às exigências fundamentais do povo curdo.

El adiantou que se vam encontrar com os líderes de alguns partidos políticos nos próximos dias para discutir a criaçom de um bloco democratico

Publicado por Kurdish Question.

Terríveis informaçons desde Cizre

BBC 01Por Selin Girit BBC News, Istambul

O que é incomum sobre a foto tirada em Cizre, umha cidade curda no sudeste da Turquia, som as garrafas de gelo ao redor de seu corpo.

Sune foi atingida por estilhaços e morreu das suas feridas, como ela nom tinha permisso para ir o tratamento no hospital, dizem os relatórios locais – por mor ao toque de recolher declarado há mais de umha semana atrás.

Ela nom poido ser enterrada durante dous dias e o seu corpo foi mantido primeiro em frio com garrafas de gelo, e depois no congelador de uma loja de frango.

O Ministério do Interior da Turquia di que mais de 30 militantes foram mortos em Cizre em confrontos entre forças de segurança e grupos militantes curdos que som o ala jovem do PKK.

Mas o Partido Democrático do Povo (HDP) fala de que polo menos 20 dos mortos eram civis.

BBC 02Sibel Yigitalp, um deputado do HDP atualmente em Cizre, contou à BBC o relato de umha família sob fogo.

“O marido de Zeynep Taskin está trabalho no estrangeiro de camioneiro”, dixo ela. “Ela queria fazerr-lhe umha chamada. Mas eles nom tinham telefone em casa. Entom ela foi para a casa do seu vizinho.”

“Quando ela estava na porta da sua casa com o seu bebê em seus braços, forom disparados. O bebê caiu no chao, ferido na orelha e na perna.”

De acordo com relatos locais, Taskin e a sua sogra Masallah Edin, que vinhera ajudá-la, forom mortas por franco-atiradores. Houvo duas outras pessoas feridas da mesma família.

“Nós chamamos os serviços de emergência do hospital. Eles digerom que nom podiam vir devido a problemas de segurança”, dixo Yigitalp. Os corpos estam mantidos em frigoríficos.

O governo turco nega as alegaçons de mortes de civis em Cizre.

Em umha entrevista na televisom, o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, dixo que “nem um civil morreu” na cidade e afirmou que o toque de recolher vai continuar enquanto for necessário.

Davutoglu insistiu que no povo de Cizre estavam sendo cuidadas e que as padarias da cidade seriam mantidas abertas.

No entanto, os relatos desde Cizre contradizem os seus comentários.

Bozo Acar, que trabalha para umha ONG, di que há cortes de energia em certas partes da cidade, nom há água, e a comida em muitas casas está-se esgotando.

“Há umha tragédia aqui. As pessoas estam sofrendo. Há choques contínuos. As bombas explodem. Ninguém pode sair. O governo di que as necessidades básicas estam atendidas, mas as pessoas aqui estam morrendo de fome”, di el.

Muitos relatos semelhantes sobre o que vem acontecendo em Cizre som compartilhados nas redes sociais. O hashtag #CizreUnderAttack tornou-se um dos temas mais trending topics mundial do Twitter.

O governador local nom estava disponível para falar com a BBC para negar ou confirmar estas informaçons.

A Kurdish militant stands near a road blockadeEm agosto, Cizre declarou um estatus de “autogoverno”, em resposta às operaçons em curso contra o PKK e as detençom de autoridades locais.

Militantes do ala jovem do PKK – a YDG-H – bloquearom as estradas e cavarom valas para impedir que as forças de segurança chegaram à cidade.

O governo turco di que as operaçons estam destinadas a desactivar as minas das estradas, fechar as valas e assegurar a segurança geral e das pessoas.

BBC 05O jovês, umha delegaçom de 30 parlamentários do HDP, incluindo o co-presidente do partido Selahattin Demirtas, forom detidos quando tentavam chegar à cidade a pé.

Ertugrul Kurkcu, um da delegaçom, dixo à BBC que eles queriam ir para Cizre para evitar o que eles chamavam de “atrocidades contra civis”.

“Nos últimos sete dias, e durante 24 horas por dia, houvo um toque de recolher no lugar. Eu nom acho que visse nada como isto, mesmo em Gaza. As pessoas em Cizre estam a viver no inferno”, dixo el .

Críticos acusam o governo de “punir” Cizre, porque o 85% da cidade votou a favor das HDP nas eleiçons de Junho.

O sucesso do HDP custou-lhe o AKP governante a sua maioria parlamentária.

As eleiçons antecipadas forom convocadas para o 1 de Novembro e as preocupaçons estam sendo expressas sobre a segurança das eleiçons, especialmente no leste e sudeste curdo do país.

Ertugrul Kurkcu di que se a violência em Cizre nom acaba em breve poderia servir de exemplo para outras áreas.

“Se a situaçom continua assim, cada cidade onde o HDP obteve grande apoio nas eleiçons de Junho seram tratados da mesma forma. Pensamos que terá consequências terríveis”.

Publicado na BBC.

Gritos de socorro desde Cizre: “a Kobane da Turquia” sob cerco

Kobane turcopor Joris Leverink

À medida que o conflito na Turquia entra em umha espiral fora de control, dúzias de pessoas forom mortas em Cizre e o exército nom mostra sinais de levantar o cerco.

Os tanques atacam o centro da cidade. A ninguém se lhe permite entrar ou sair. A eletricidade e o água forom cortadas, bem como as linhas telefônicas e o acesso à internet. As pessoas cavarom trincheiras para parar os veículos blindados de entrar nos seus bairros e pendurarom lençóis nas ruas para evitar ser vistos e baleados por atiradores de elite.

Quando lês o de acima cres que é um relatório de Kobane, de quando a cidade síria ainda estava sob ataque do Estado Islâmico (ISIS), na verdade é umha descriçom da situaçom atual em Cizre, umha cidade curda no sul da Turquia.

Cizre sob ataque

Desde que o governo turco impuxo um toque de recolher em Cizre na semana passada, os seus cidadaos forom forçados a permanecer em casa, arriscando-se a ser baleados por atiradores, assim que sair. A cidade está sob assedio total, o que significa que há polo menos umha semana que as pessoas nom tenhem acesso a alimentos frescos ou água, serviços médicos, ou qualquer outra cousa. Mesmo os feridos nom som autorizadas a ser transportados para os hospitais, com o resultado do qual um número de civis morrerom de lesons nom letais devido a perda de sangue e infecçons, entre eles um bebé de menos de dous meses.

Devido à limitaçom do telefone e acesso à internet as notícias do Cizre sitiado que atingem o mundo exterior som apenas fragmentos, o que significa que as informaçons do que está acontecendo dentro da cidade som difíceis de confirmar – um sinal muito preocupante em si.

A fim de romper o cerco – e o silêncio – o co-líder do Partido Democrático do Povo (HDP) Selahattin Demirtaş tem liderado umha marcha na tentativa de chegar à cidade a pé. Em vários casos, esta marcha foi bloqueada pola polícia em cima das ordens do ministro do Interior Selami Altinok do Partido da Justiça e Desenvolvimento no poder (AKP), que argumentou que os deputados do HDP nom estam autorizados a entrar na cidade “pola sua própria segurança.”

Enquanto tentam evadir os bloqueios policiais nas estradas que levam à cidade, seguindo pequenas trilhas através dos campos e montanhas, o co-líder do HDP sugeriu que Cizre estava sendo punido por votar um “84 por cento ao HDP” durante as últimas eleiçons de junho. Demirtaş chamou a Cizre a “Kobane da Turquia”, comparando a situaçom da cidade e a resistência dos seus cidadaos à cidade curda da Síria quando estava sob ataque do ISIS.

“Em Cizre, 120.000 pessoas forom mantidos como reféns polo Estado por umha semana”, acrescentou. “Eles colocam gelo sobre os cadáveres para detêr a putrefaçom, porque os enterros estam proibidos.”

Umha das histórias que mas me chegou é da jovem Cemile Çağırga, que foi baleada pola polícia em frente à sua casa – em que circunstâncias permanece desconhecido. Depois de sucumbir aos seus ferimentos, a sua família é incapaz de transferir o seu corpo para o necrotério, devido ao toque de recolher e a ameaça de ser alvejados por franco-atiradores e artilharia. Durante vários dias, o corpo de Cemile foi mantido em um refrigerador na casa da família antes de que a jovem poidesse ser enterrada.

Violência espiral fora de control

O cerco de Cizre ocorre num momento em que o recente recrudescimento da violência no Sudeste da regiom curda do país parece estar fora de control. Uma emboscada polos guerrilheiros curdos do PKK contra um comboio militar deixou polo menos 16 soldados mortos – mais ou menos segundo os mídias estatais – seguida dous dias depois por um outro ataque mortal em umha furgoneta da polícia, matando mais de 11 agentes.

Em resposta a esses ataques grupos nacionalistas de todo o país sairom às ruas en masse. Em muitos casos, estas marchas começarom como protestos para mostrar a sua indignaçom e raiva, mas rapidamente se transformarom em linchadores dirigidos aos bairros, lojas e pessoas curdas. Umha multitude nacionalista manifestando-se através de um bairro céntrico de Istambul gritavam “Nós nom queremos umha operaçom [militar], queremos umha massacre!”

Locais do HDP eram um objetivo popular das massas brandindo bandeiras turcas, maos erguidas no ar fazendo o “sinal do lobo” – um gesto emblemático de umha organizaçom ultra-nacionalista chamada Lobos Cinzentos, que foi acusada de inúmeros ataques racistas e xenófobos sobre armênios, curdos sírios, e até mesmo o Papa Joam Paulo II. Depois de duas noites de ataques cerca de 130 locais do partido forom destruídos ou queimados, as janelas quebradas e sinais do partido demolidos ou cobertos com bandeiras turcas.

O HDP é percebido por muitos turcos nacionalistas como o braço político do PKK, e, como tal, como umha organizaçom terrorista em si. O sucesso histórico do partido nas eleiçons de Junho, quando recolheu um sem precedentes 13 por cento dos votos e foi capaz de enviar 80 pessoas para o parlamento nacional – a primeira vez que um partido pró-curdo entrou no parlamento turco na história do país – irritou tanto a muitos nacionalistas como apoiantes do AKP.

Os nacionalistas – representados no parlamento polo Partido do Movimento Nacionalista (MHP) – preocupado por ver o que eles percebem como “terroristas curdos” dentro do parlamento; e os apoiantes do AKP virom o sonho de ver Erdogan como Sultan no século 21 foi destroçada quando o partido perdeu a maioria absoluta.

Ambas as partes tenhem razons para ser cautelosos no grande sucesso do HDP. Outra vitória curda nas próximas eleiçons de novembro viria reduzir seriamente as suas aspiraçons para ver os seus respectivos sonhos de umha utopia turca a passar: um país etnicamente puro, livre de armênios, curdos, gregos e árabes, no caso do MHP; e um revivido sultanato sob a liderança de Erdogan, no caso do AKP.

O recrudescimento da violência no leste deve ser analisado à luz das eleiçons nacionais de novembro. Mergulhando o país em umha guerra imediatamente após de quebrar as negociaçons da coalizom serve a dous propósitos. Primeiro, tenta mostrar que, sem o AKP ao volante, o país está “condenado a se desintegrar no caos e na violência”. Em segundo lugar, a escalada da violência é encorajada por causa da crença de que em tempos de crise as pessoas se voltam para um líder forte que promete restaurar a paz e a tranquilidade – se o povo lhe concede poderes excepcionais para o fazer.

Um grito a solidariedade

E enquanto os líderes do partido preparam os seus planos para restaurar o seu poder, mais umha vez as pessoas comuns som as que sofrem mais; a mae que foi baleada por um franco-atirador, segurando o seu bebê recém-nascido nos seus braços; o jovem que se cansou de ficar sentado dentro de casa e decidiu esgueirar-se fora para dar umha olhada rápida, e levou um tiro; os sete filhos que tiveram de cobrir o corpo de sua mae com garrafas de água congelada para parar a descomposiçom do corpo porque ela nom podia ser enterrada depois que fora morta a tiros.

O assédio de Cizre continua em umha violaçom flagrante de todos os costumes e valores que supostamente deveriam determinar as açons de um “país democrático.” É escandaloso que a Turquia, especialmente como um estado membro da OTAN, é permitido para bombardear os seus próprios cidadans, torturá-los coletivamente em nome de “securitizaçom” e a “luita contra o terrorismo”.

No caso de Kobane o clamor coletivo do movimento de solidariedade internacional fixo que a situaçom da cidade fosse impossível de ser ignorada. Vamos tirar as nossas liçons desta experiência e levantar as nossas vozes em solidariedade com o povo de Cizre, Silopi, Sirnak, Yüksekova, Sur e todas aquelas outras cidades, bairros e aldeias que estam sendo punidos por exigir a liberdade, torturados por recusar-se a ceder, presos por simplesmente ser curdos e disparados nas ruas por se atrever a aventurar-se fora das suas casas.

Cizre nom está so, e hora de que faigamos-lho saber ao mundo.

Joris Leverink é um jornalista freelance de Istambul, editor para ROAR Magazine e colunista de TeleSUR Inglês.

A foto é de Sertaç Kayar, mostrando ao deputado do HDP Osman Baydemir brigando com a polícia na estrada para Cizre.

Artigo publicado em Roar Magazine.