“A Paz e umha soluçom da Questom Curda só é possível através da luita”

a-paz-e-a-solucom-da-questom-curdaReproducimos o artigo publicado nos jornais curdos Azadiya Welat e Yeni Özgür Politika, e  traduzido ao inglês por ANF English do co-presidente do Conselho Executivo da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK), Cemil Bayık sobre a posiçom da KCK (organizaçom garda-chuva que inclue ao PKK) da última mensagem do lider do PKK, Abdullah Öcalan e a apreensom de municípios curdos.

Cemil Bayik escribiu:

“Nom lembro de outro líder fascista na história do mundo que admita abertamente a sua crueldade como o Presidente da Turquia Erdoğan. Erdoğan agora di que vai eliminar o povo curdo, sem necessidade de oculta-lo. Alguns dos adeptos curdos de Erdogan tentam encobrir a sua mentalidade fascista, mas Erdoğan rasga através dessas tampas. El di que vai eliminar os curdos. Di que nom pode haver naçom, vontade política, nem nengumha administraçom na regiom [curda] com exceçom da turca. A repetiçom constante de que existe so umha naçom, umha bandeira, um estado e um pvo todos os dias, Erdoğan desnuda a sua mentalidade monolítica e rejeita os curdos, a sua vontade política e o seu país; o Curdistam. Todos as autoridades turcas estam a dizer agora que eles vam continuar a guerra até que eliminar a todos os guerrilheiro curdos.

Ninguém deve esperar umha soluçom para a questom curda do governo do Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP). Aqueles que esperam quaisquer passo do AKP seguem esse discurso e essas práticas seram enganandos. Quando o AKP e os seus aliados fascistas [MHP, CHP, Ergenekon], dim que vam destruir e exterminar os curdos, nom se pode cair presa ao descuido ou baixar a guarda. A democratizaçom da Turquia e umha soluçom para a questom curda nom é possível sem dificuldades. A resposta [negativa] do governo aos esforços de Öcalan para a paz estám aí para todos as  verem. Atualmente, a vontade do povo curdo está sob um ataque mais direto. Eles querem completar o genocídio quebrando essa vontade. Nom há dúvida sobre isso. Esta é a decisom, abordagem objetiva, e a prática da política colonialista genocida [do Estado turco].

O que é importante, porém, é a posiçom do povo curdo e as forças democráticas contra esta política. Umha cousa deve ser considerada: A questom curda só pode ser resolvida através de umha luita pola democracia e a administraçom democrática. A mentalidade dominante na Turquia nega os curdos e quer eliminá-los; esta é a política do estado e do governo, portanto, é impossível resolver a questom curda com os partidos políticos e governos atuais. O problema nom é que as reivindicaçons políticas [dos curdos] sejam muito grandes ou pequenas; o problema é a política em curso do Estado turco de negaçom e genocídio. Assim, somente através do estabelecimento de umha administraçom democrática na Turquia, através de umha luita pola democracia e a liberdade, pode a questom curda ser resolvida. Caso contrário, com a mentalidade anti-democrâtica e de governo, esse problema nom pode ser resolvido. Umha abordagem racional nom se pode esperar com esses governos. Neste sentido, é apenas possível aumentar a luita contra eles. Nada se pode fazer pola democracia, a liberdade e a paz antes de compreender este feito e agir em conformidade. Qualquer pessoa com qualquer expectativa fora deste quadro estará enganando a si mesmo e ao povo. E isso permitirá ao colonialismo genocida a implementarem das suas políticas, sem qualquer resistência.

Durante a mais recente visita a Imrali [o 11 de setembro do 2016], Öcalan dixo novamente que, se o estado quisesse, a questom curda poderia ser resolvida em seis meses. Isto é um feito. Öcalan procura resolver a questom curda sem problematizar fronteiras estatais e manifestar essa autonomia democrática no âmbito da democratizaçom da Turquia. Isso é a atribuçom da democracia. Mas a mentalidade na Turquia nom aceita a libertaçom, existência, língua ou cultura dos curdos e, portanto, nom permite a autonomia democrática; e utiliza todas as armas de guerra ao extremo para quebrar a vontade do povo pola liberdade e a democracia.

Há duas maneiras de soluçom para a questom curda e ambas estam interligadas. Umha  é democratizar Turquia em umha luita conjunta com as forças democráticas do país e a outra é que o povo curdo crie a sua própria soluçom democrática e a defenda. Se esta dupla luita é realizado, em seguida, a Turquia irá democratizar e a questom curda será resolvida. Nom podemos esperar na expectativa de que quem está no poder dea os passos.

Sem dúvida, todos querem umha soluçom sem dificuldades, sem conflito e guerra. O Movimento de Libertaçom Curdo tentou esse caminho com paciência, mas nom foi possível. Nós mostramos as abordagens mais razoáveis, mas nom funcionou. Nas condiçons actuais, quem pensa que a liberdade e da paz pode ser alcançada sem resistência, está enganando a si mesmos e colocando o seu pescoço para fora sob a lâmina do colonialismo genocida. A paz e a umha vida livre e democrática nom pode ser conquistada sem resistência.

A paz e umha soluçom só som possíveis através da luita. Tayyip Erdoğan dixo que a opressom e ataques até agora forom so o começo; eles nom estám parando, estám em marcha e vam fazer mais. Assim, todo aquel que fale de outra cousa senom a luita, está a servir os objectivos do colonialismo genocida. Neste sentido, qualquer discurso de paz que nom exija do desenvolvimento da luita ou nom se está esforçando ativamente para desenvolver a luita nom deve ser atendido. Neste sentido, o único pensamento na mente de quem quer a paz e umha soluçom deve ser luita, luita, luita.”

 

 

Entrevista a Selahattin Demirtaş, co-presidente do HDP: “Nom temos outra opçom do que estar bem organizados e atentos, prontos para qualquer cousa”

demirtas 25Öcalan avisara a Erdogan sobre esta questom. ” Di-lhe, el nom entende, está agindo como um idiota “, dixo Öcalan. “Continuar o processo de resoluçom apoia-o , se esse processo termina, a mecânica do golpe vai intervir e el vai acabar como o Morsi de Egito”, avisou.

Selahattin Demirtaş, co-presidente do Partido Democrático dos Povos, definiu a tentativa de golpe como “umha tentativa de golpe de Estado duns golpistas contra outros golpistas “, e acrescentou: “Umha atitude clara deve ser adoptada contra as duas mentalidades golpistas e a luita deve ser reforçada, porque a mentalidade golpista que tentou tomar o poder através das forças militares usando tanques e canhons é ilegítima e  governar por meio de umhas eleiçons que se realizarom com umha guerra, violência, e o bombardeamento de cidades, é também um golpe civil.”

Demirtaş, lembrou que o Líder Curdo Abdullah Öcalan avisara a Erdogan sobre a “mecânica golpista” em todo o processo de diálogo, dixo que o Movimento de Libertaçom Curdo nom “aproveitou a tentativa de golpe” quando ocorreu:  as “guerrilhas curdas poderiam ter aproveitado essa tentativa e apreender muitas cidades, mas isso seria jogar da mentalidade pró-golpista. O movimento curdo, por nom fazer umha escolha entre as duas mentalidades pró-golpistas, mantivo umha postura digna, que insiste na luita democratica dos povos. No entanto, pessoas como Erdogan nom tenhem a capacidade de entender essa postura digna”.

O co-presidente do HDP chamou a “solidariedade” ao mencionar que com os grupos racistas e jihadistas que tomarom as ruas após a tentativa de golpe corre-se o risco de linchamentos e massacres.

Conversamos com Demirtaş sobre a tentativa de golpe que tivo lugar o 15 de Julho.

O que aconteceu ainda precisa de uma definiçom geral. Que foi exatamente?

Em primeiro lugar, é óbvio que houvo umha tentativa de golpe militar desde que o Exército empreendeu umha atividade militar que estendeu até bombardear o edifício do parlamento, a fim de derrubar o governo e tomar o poder. Que isso seja feito polo exército, pola força das armas exige que seja definido como umha tentativa óbvia de golpe de Estado. Umha vez que é definido de forma diferente, fica difícil de abordar a questom.

No entanto, as condiçons em que a tentativa de golpe se levou a cabo, os que desencadearom a tentativa de golpe, a posiçom do governo do AKP, estas som realmente aquelas que precisam ser definidas porque o poder atual é o poder que está governando através de um golpe de estado civil. Umha tentativa de golpe de golpistas contra golpistas … Se isso nom é precisamente definido, a questom nom pode ser feita. Entom, a posiçom tomada será igualmente errada e tal erro iria jogar nas maos do AKP no âmbito de um slogan “anti-golpe”.

É necessário tomar umha posiçom clara contra as duas mentalidades pró-golpistas e deve ser realizado um esforço. Um golpe civil para governar por meio de umhas eleiçons que foi realizada na sequencia da guerra, a violência, o bombardeando de cidades é tam ilegal quanto as forças golpistas que tentarom alcançar o poder através de meios militares, com tanques e armas.

Nós já levamos resistindo ao golpe do AKP por mais de um ano. O AKP, que extorquiu o poder desde o ano passado, nom pode ser absolvido só porque um bando dentro do exército acaba de tentar usurpar o poder. Estamos contra o golpe, principalmente; apresentamos a nossa posiçom como tal e ponto final. É necessário trabalhar umha política baseada em umha perspectiva que nom encobra o golpe feito polo AKP também. Nos nossos informes, apontamos a umha liga pola democracia tanto contra a mentalidade pró-golpista dentro do AKP como a camarilha pró-golpista dentro do exército. A alternativa é umha liga pola democracia, porque os próximos desenvolvimentos iram determinar o futuro do país. Ou o AKP vai embora e as forças da democracia terám o poder ou o AKP vai fazer o seu próprio golpe permanente, institucionalizando-o, aproveitando esta tentativa de golpe militar.

Como poderia esta camarilha golpista acreditar que a tentativa seria bem sucedida? Em quem ou o que confiavam?

Desconheço-o. A camarilha golpista nom tinha apoio político. Di-se que o golpe foi realizado sem apoiar-se em nengumha alternativa política. Há só umha cousa que eu sei: nom era umha camarilha que dependesse do HDP ou das forças que o HDP representa. Essa é a única cousa da que temos certeza. No entanto, se a camarilha tinha quaisquer contacto com outras forças políticas ou foi um golpe planejado por algumas outras forças políticas? Nom podemos sabe-lo. Pode ficar claro nas próximas semanas ou meses. No entanto, na Turquia algum tem sempre um entendimento de que espera a ajuda de um golpe. Houvo sempre umha mentalidade pró-golpista que acredita que nengumha força, exceto o exército pode consolidar a democracia no país, mas nom podo saber com quem essas pessoas tenhem relaçons políticas.

Esperava essa tentativa de golpe? Recebeu algumha especulaçom ou já preveia umha coisa assim?

Fazer tal previsom seria difícil, mas ao mesmo tempo durante as conversas em Imrali, o Sr. Öcalan descreveu a mecânica do golpismo e ilustrou-no correctamente com exemplos históricos. El muito bem explicou como as chamadas mecânicas golpistas funcionam na Turquia. Assim, el previa que a mecânica golpista seria implementada umha vez que o processo de resoluçom acabara. E, nesse sentido, advertiu a Erdoğan muitas vezes. El dizia: “Di-lhe, el nom entende, está agindo como um idiota.” Continuamente o avisou, dizendo: ” Continuar o processo de resoluçom apoia-o , se esse processo termina, a mecânica golpista vai intervir e el vai acabar como o Morsi de Egito”.

Como forom os passos concretos da mecânica golpista depois de rematar o processo?

Sim, poidemos observar e muito bem compreender a mecânica golpista durante essas conversas. Quando o processo terminou, a chamada mecânica golpista já estava em funcionamento de algumha forma. A guerra contra os curdos, a destruiçom no Curdistam, o esforço do exército a tomar a iniciativa de novo, Erdogan pondo-se em reserva do exército, a renuncia do seu poder sobre o exército, a sua proposta de aliança para um bloco nacional-fascista e a rendiçom da sua vontade a esse grande bloqueo, el praticamente fazendo tudo o que este bloco quer só para ganhar a guerra contra os curdos forom realmente os sinais da mecânica golpista em funçom.

Será que o Bloco de Estado Turco, que foi formada como umha consequência da guerra contra os curdos, leva a isso?

O Staff General obtivo todas as promessas de Erdogan antes de entrar na batalha das cidades. Ou seja, entregou o sistema presidencial, e, no máximo, haveria presidência com partidos políticos, Erdogan iria desistir da idéia de aproveitar todos os poderes do Estado para si mesmo; aprovaria a lei de impunidade e nom haveria caminho de volta para as negociaçons do processo de resoluçom. Tais promessas forom feitas e, portanto, o exército começou a luitar nas cidades.

Se lembrar, dixo-se no início que esta era umha guerra do Palácio e as pessoas estavam reagindo fortemente contra Erdogan nos funerais de soldados e policias. O exército também duvidava de luitar nas cidades e formulou um parecer sobre nom entrar nas cidades. Nos primeiros momentos os tanques entraram na cidade em Silvan e em pouco tempo eles afastarom os tanques da batalha, o exército expressou a Erdogan que nom iam entrar na cidade. Depois disso, Erdogan entregou-lhes a sua vontade, a fim de fazer um acordo com o exército e tornar o exército à luita nas cidades e entrar às cidades com tanques e armamento militar.

As relaçons e mecanismos internacionais também começarom a exercer pressom sobre Erdogan.

Isto foi completamente a mecânica golpista definida polo Sr. Öcalan. Estava funcionando perfeitamente. Enquanto a paz e o acordo nom forom feitas e umha aliança nom foi formada com os curdos, a guerra contra os curdos desencadeou o mecanismo de golpe como um relógio quando chega a hora.

Neste caso, nom deve estar surpreendido com a tentativa de golpe, certo?

Nom, nom estou surpreso. Estávamos esperando tal processo, mas é claro que era impossível para nós adivinhar, prever ou fornecer informaçons sobre o golpe. No entanto, nom ficamos chocados quando aconteceu porque se estava aproximando abertamente. Como isso aconteceria era um mistério. Seria um golpe pós-moderno como o do 28 de fevereiro, ou o exército completaria o golpe, aproveitando-se de Erdogan com o o exército ganhando lentamente a iniciativa da guerra no campo? Isso nom o sabiamos. No entanto, também se sabia que nom havia só umha camarilha no exército. Estruturas comunitários, chauvinistas, nacionalistas, americanistas forom separando-se em facçons. Nom é possível afirmar que esses grupos concordem entre si o 100% e concordem com Erdogan.

Sabe-se que houvo tensom antes de o Conselho Militar e que havia divergências antes das consultas. O Conselho Militar foi muito importante este ano. Cada conselho militar nos últimos anos tem sido muito importante, mas o Conselho Militar desse ano foi histórico para eles. Esperava-se que a tensom subiria. No entanto, ninguém estava esperando que isso se transformar em uma tentativa de golpe.

Após a tentativa de golpe, alguém do governo chamou ou tentou contatar com você?

Nom, ninguém o fixo. Houvo troque de informaçons com os nossos colegas, mas ninguém do governo contactou-nos.

Que vai acontecer? Por exemplo, pode haver uma mudança de política sobre a guerra curda? A paz pode estar na agenda? Ou será que a política de violência continuará a aumentar?

Isso depende da atitude que adote o Erdogan e o AKP. Na verdade, apareceu umha oportunidade. O Sr. Öcalan, durante as negociaçons, falou constantemente sobre a estrutura paralela no governo. “Essa mentalidade pró-golpista sempre foi um obstáculo para umha resoluçom”, alertou. Se essa mentalidade pró-golpista realmente vai ser dissolvida e se chegamos a um ponto onde a política civil e a resoluçom do problema curdo nom sejá abordado de forma provocativa; Se Erdogan realmente presta atençom aos avisos do Sr. Öcalan, um processo saudável e duradouro para a paz pode continuar. Em última análise, o enfraquecimento da mentalidade pró-golpista e a tradiçom golpista no exército, da vida civil, judicial, e da burocracia é para o benefício da democracia. No entanto, uma vez que há umha outra mentalidade golpista como o AKP contra nós, umha verdadeira compreensom da democracia nom surge.

 Que seria necessário para umha evoluçom em umha direcçom diferente?

Isso pode vir a ser umha oportunidade se Erdoğan entra em sentido e aqueles em torno del possuem a inteligência para perceber a magnitude do perigo e que a mecânica do golpismo nom desaparecera e compreender que a ameaça de golpe nom chegará ao fim enquanto a questom curda nom for resolvida em paz; umha democracia institucional e umha constituiçom libertária nom está na açom. No entanto, eu acho que isso é umha probabilidade muito pequena porque o AKP sempre usou essas oportunidades em favor da sua consolidaçom, o reforço do seu próprio poder, nom em favor da democracia. [As negociaçons com a] Uniom Europeia, cessar-fogo, processo de retirada dos guerrilheiros [retirada das fronteiras turcas], o AKP tentou-se beneficiar de todos estes.

Os resultados das eleiçons do 7 de junho de 2015 eram certamente umha oportunidade de democratizaçom e reconciliaçom e o AKP nom quixo usá-lo, tampouco. O AKP queria fortalecer-se novamente com umha instrumentalizaçom da guerra para as seguintes eleiçons do 1 de Novembro de 2015.

Ou seja, existe umha oportunidade para começar umha nova democracia em cima de umha fracassada tentativa de golpe; no entanto, o AKP nom é um partido capaz de fazer tal cousa e Erdoğan tampouco nom é um líder capaz de fazê-lo. Portanto, em vez de estar na expectativa de AKP e Erdoğan, precisamos ampliar o campo da democracia e levar, também, umha luta muito mais dura contra as duas mentalidades golpistas. A tensom vai aumentar a cada passo desde as multitudes que saem às ruas por Erdoğan nom estám em umha luita pola democracia ou algo assim. O primeiro-ministro está falando sobre alegria, mas este tem sido simplesmente umha festa de alguns reaccionários.

 Vários meios estam dizendo que há movimento nas ruas, o que é preocupante e prestes a cometer linchamentos …

Sim, mentalidade pró-ISIS, grupos pró-ISIS, incluindo Huda-PAR [um partido político islâmico do Curdistam Norte], AKP, todos os religiosos, grupos reacionários que estam fazendo um “tour de force” nas praças e exibindo o que entendem por democracia também. Eles nom querem ver ninguém, mesmo como cidadaos. Especialmente durante a tentativa de golpe, você já viu mesmo o que fizeram a os pobres recrutas fanfarrons inocentes. Até ontem, os que gritavam “mártires som imortais, a pátria está unida” quando os soldados de reempraço morriam na guerra estam agora linchando e torturando a esses soldados, cortando as suas gargantas.

A este respeito, estes grupos reacionários constituem umha ameaça importante, impedendo umha esperançosa democracia. É necessário dar a luita contra eles, mas também porque eles vam ficar mais atrevidos e funcionando por livre em todos os campos. Em todos os campos, eles vam tentar agir de forma mais imprudente. Eles podem realizar campanhas de linchamento contra os curdos, alevitas, esquerdistas, forças progressistas; eles podem até tentar massacres umha vez que estas pilhas se sentam muito mais forte a partir de agora. Esta será umha ilusom deles, mas eles nom som capazes de se libertar dos seus próprios delírios. Essa mentalidade reacionária está desprovida de qualquer análise histórica; desprovida de fazer avaliaçons políticas corretas; desprovida de compreensom dos equilíbrios internos da sociedade. A mentalidade de quem nom tem idéia de tudo isso pensa que pode mudar tudo com base só na força bruta.

Na verdade, a tentativa de golpe foi desativada graças ao posicionamento de companheiros de todos os partidos políticos, incluindo-nós. Claro, nós nom fizemos isto para apoiar o AKP mas o AKP vai tentar avaliá-lo assim e vai querer tomar vantagem delo. No entanto, se eles foram um pouco éticos e inteligentes, o AKP iria perceber o quam valiosa é a postura anti-golpista do HDP e do Movimento de Libertaçom Curdo. Eles dirigiriam em direçom à democratizaçom e reformas, deduzindo fazer isso nom para si mesmos. Mas eles nom tenhem umha mentalidade assim.

Qual é a posiçom do Movimento de Libertaçom Curdo contra o golpe?

Erdogan estivo acusando o movimento curdo de estar conspirando contra el junto com as estruturas paralelas. El está tentando explicar o término do cessar-fogo com este ponto de vista. Esta tentativa de golpe demonstra claramente que nom é o caso. O movimento curdo nom mostrou nengum ato de incorreçom durante as horas da tentativa de golpe na prática. Isso deve ser observado nos livros de história. Essa ampla guerra ainda está em curso, mas nem um só guerrilheiro do movimento curdo disparou sequer umha bala naquela noite. A guerrilha nom tomou posiçom com os golpistas. O povo curdo nom tomou partido com os golpistas. A guerrilha curda poderia tirar proveito dessa tentativa e entrar em várias cidades. Mas isso seria jogar nas mans dos golpistas. O movimento curdo nom escolheu entre as duas mentalidades pró-golpistas, demonstrando umha postura digna, persistente na luita dos povos pola democracia. Mas mentalidades como a de Erdogan nom tenhem a capacidade de entender essa honrosa postura.

Temos de estar preparados para um desafio mais difícil em qualquer caso. Precisamos estar preparados para umha luita muito mais difícil em todas as áreas. Erdogan e a sua mentalidade realizou “operaçons ilegais de inteligência”, umha vez no poder. Nas operaçons contra o KCK eles prenderom milheiros de pessoas e, em seguida, anunciarom ter prendido milheiros de pessoas erradas. Mais tarde, na operaçom Ergenekon, foi o mesmo. Em operaçons contra a comunidade Gulenista, eles estam prendendo pessoas aleatórias. Agora sobre a tentativa de golpe o AKP está novamente prendendo ou cessando a qualquera que eles vêem como umha ameaça. Nom há espaço para a justiça ou equidade no mundo de Erdogan. Agora, todos os grupos da oposiçom que pareçam ser opostas a Erdogan podem ser julgadas e removidas do exército e do aparelho judicial. Isso requer atençom. Os golpistas devem ser julgados, presos e condenados perante a lei. Mas no disfarce das operaçons anti-golpe, grupos de oposiçom podem ser ainda mais oprimidos, canais de televisom e meios de comunicaçom podem ser fechados. Todos isto requere mais atençom. Nom devemos permanecer em silêncio contra as políticas injustas cara círculos inocentes.

E, claro, organizar o povo, entretanto, é umha obriga.

Mas como? A confusom é comum tanto na sociedade curda como na frente democrâtica. Ou seja, que pode fazer-se para intervir no processo?

A tentativa de golpe é tam recente e ainda nom está totalmente sob control. Ainda estam desaparecidos helicópteros e comandantes do exército cuja localizaçom é desconhecida. O seu paradeiro nom é certo. Por isso, Erdogan e a sua linha da frente ainda estam nervosos. Aparentemente, o golpe nom está totalmente reprimido. A parte sistemática e ampla do golpe está terminado, mas os seus pontos focais nom estam identificados. Tanto quanto se pode ver, esta é a imagem. A sociedade também está um pouco intranquila. Claro que a sociedade está contra os golpistas, mas as multitudes do AKP está levando às ruas estám realizando manifestaçons reacionárias, e assemelham jihadistas, membros do ISIS, assim que a sociedade em geral nom pode demonstrar a sua postura anti-golpe nas ruas e praças. Somente as multitudess organizadas como turbas polo AKP estam inundando as praças.

É claro que as águas voltaram limpas em um par de dias. Nom devemos deixar o espaço público nas maos das turbas reacionáris. Devemos tomar as praças, dizendo que “nem o golpe palaciano, nem o golpe militar”, “nom há nengumha opçom mas que a democracia”, e tomar as ruas contra todas as mentalidades golpistas. Porque as ruas som legítimas. O AKP leva vantagem deste quando se trata do seu ganho, e quando nom é, eles tentam bloquear as ruas, aterrorizar as ruas. Nós nom devemos cair nesse enredo, essa tirania do AKP. Umha cousa é clara agora: As ruas nom som legítimas só para o AKP. Quando a oposiçom encha as ruas no futuro, se o AKP tenta oprimir e dominar as ruas, todos devem lembrar-lhe o AKP a legitimidade das ruas.

Os linchamentos forom comuns nas ruas; pobres soldados fanfarrons sendo abatidos. O Erdogan nom mencionou nengum deles. Por favor, lembre, quando nós chamamos as pessoas às praças para a Resistência de Kobanê, nós nom chamamos para a violência, e 48 membros do HDP forom assassinados de um total de 55 pessoas. O AKP tentou r mesmo botarnos a culpa a nós. Hoje, eles estam linchando pessoas na televisom ao vivo, estam matando jovens recrutas, inocentes que foram redigidos pola força ao serviço militar obrigatório, o que o primeiro-ministro chama de “festa da democracia” e o Presidente da República chama “direito de manifestaçom”. O povo deve estar atento a eles. Se estas turbas continuam governando o país e fortalecendo-se, o seu desejo é o de que haja linchamentos. Eles gostariam de governar com esta mentalidade e temos de tomar as ruas para impedir-lhes sentir esse falso poder.

 Entom prevê umha ameaça de linchamentos e massacres?

O AKP pode dirigir essas massas, esses grupos para atacar certos bairros. Todo o mundo precisa de prestar atençom. Bairros curdos, bairros alevitas, e esquerdistas podem-se transformar em objetivos. Todo o mundo tem direito a necessária defesa contra qualquer ataque. No caso dessa situaçom, umha força de resistência legítima seria necessária que fôra organizada para atuar independentemente de quem ataque.

Estamos passando por dias e horas críticos. O golpe nom foi totalmente anulado. Outras facçons também podem tomar medidas para um golpe. O AKP está a abusar das sensibilidades sociais, provocando-os, tentando levar a nossa postura anti-golpe a um rendimento político, e isso pode desencadear outros movimentos sociais. Nom temos outra opçom do que estar bem organizados e atentos, prontos para qualquer cousa.

Entrevista realizada por OSMAN OĞUZ e publicada na web do HDP.

 

Por que é importante parar a “guerra da Turquia contra os curdos”?

Why it is Important to Stop Turkey’s War On The Kurdspor Memed Aksoy

Mália que o artigo está feito para a manifestaçom de Londres, considero que é também muito claro para qualquer outro lugar.

Vários grupos de solidariedade curdos e nom-curdos de todo o espectro político estam organizando umha manifestaçom o 06 de março de 2016 em Londres sob a lenda “Parar a guerra da Turquia contra os curdos.” Esta é a primeira vez na história que umha manifestaçom nacional está a ser organizada nesta escala em solidariedade com os curdos. Vem em um momento crucial para o povo curdo, mas também para todos os povos do Médio Oriente.

As atrocidades cometidas polas forças do Estado turco em vários bairros curdos desde julho do 2015 som a ponta do iceberg em relaçom ao que poderia acontecer no Curdistam do Norte, a Turquia e o resto da regiom se esta guerra nom é parada. 178 pessoas forom queimadas vivas, incluindo mulheres e crianças em 3 ‘sotos da morte’ em Cizre em fevereiro; centos de outros forom mortos em Sur, Idil, Nusaybin, Dargeçit, Silopi e em outros lugares desde a implementaçom dos bloqueios marciais e cercos. Mais de um milhom de pessoas forom deslocadas e os distritos mencionados acima transformarom-se em paisagens distópicas por equipes e soldados especiais das forças policiais usando artilharia, tanques e substâncias químicas.

A juventude curda principalmente, estam tentando defender essas áreas, cavando trincheiras e erguendo barricadas no que se transformou em umha guerra urbana, por primeira vez na história do conflito entre o Estado turcos e os curdos. Outros, como Abdulbaki Somer, o autor do atentado Ancara, em um estado de desespero sentido por muitos curdos, tentou vingar-se atacando o Estado turco no seu próprio quintal. Sabemos que “a guerra é umha continuaçom da política por outros meios”, mas deve haver umha outra maneira de acabar com este conflito, que se parece cada vez mais a umha guerra civil. E todos nós sabemos o que isso significa, se olharmos do outro lado da fronteira com a Síria; polo menos 11 milhons de deslocados, 470.000 mortos ou feridos, um habitat inteiro arrasado e todo um país destruído.

O atual conflito no Curdistam do Norte também é umha extensom da guerra na Rojava e Síria. Embora seja um assunto complicado com as alianças que se sobreponhem, mudanças diárias e realpolitik, a única constante da guerra tem sido a inimizade da Turquia contra a Revoluçom da Rojava e o seu apoio a grupos jihadistas para luitar contra os ganhos de Rojava. O temor a que Rojava ganhe reconhecimento internacional é tam grande que Erdogan admitiu que cometeu o erro de permitir que os curdos no sul do Curdistam (N.Iraq) obter a autonomia, mas nom vai repetir o erro cometido na Síria, mesmo que leve a um conflito regional. Assim, a Turquia continua alimentando a guerra em Rojava e Síria, criando e apoiando, marcas de banda cada vez maiores de mercenários na sua fronteira, que está tornando mais difícil um cessar-fogo sustentável ou conversaçons de paz. A política sectária do governo do AKP também está alimentando a guerra e o caos no Iraque, que está mantendo os curdos dependendo do Estado turco.

A fobia dos curdos da Turquia deriva da fundaçom da República Turca que foi construída sobre a negaçom e aniquilaçom dos curdos especificamente e de qualquer cousa nom-turca em geral. É por isso que a igualdade, um status e reconhecimento para os curdos em qualquer lugar é considerado como umha ameaça para o Estado-naçom turco e a sua soberania. E isso é. Porque a igualdade e reconhecimento dos curdos vai significar umha constituiçom e sociedade plural, inclusiva e democrática, bem como as bases da democracia radical em toda a Turquia, Curdistam do Norte (Bakur) e do Curdistam Oeste (Rojava). Este é um anátema para o AKP e grande parte da elite dominante turca, tanto à esquerda como à direita. Por isso, o governo do AKP e Erdogan estam-se tornando cada vez mais autoritários, nacionalistas e por falta de umha palavra melhor fascistas. A proibiçom de jornais e canais de televisom, a prisom de jornalistas, acadêmicos, ativistas de direitos humanos e políticos eleitos e a militarizaçom e islamizaçom da sociedade som todos indicadores perigosos que a Turquia está em caminho da destruiçom.

Há umha tendência nos seres humanos de tomar medidas, umha vez que é tarde demais. As condiçons agora estam para a guerra total ou umha paz duradoura. O resultado só pode ir de duas maneiras entre os curdos e turcos. A guerra da Turquia contra os curdos está derrubando as escalas em favor do conflito, devemos apoiar em favor da paz. O silêncio dos governos, dos meios de comunicaçom e organizaçons internacionais precisa ser e vai ser quebrado polas pessoas. Nós nom poidemos impedir a guerra civil na Síria; imos impedi-la na Turquia e o Curdistam do Norte.

A característica mais importante desta demonstraçom é que está sendo organizado por pessoas de todo o mundo, nom so curdos. Espero que a ideia se espalhe por todo o mundo e as pessoas, em solidariedade com os curdos e os povos do Oriente Médio vam se juntar para dar um golpe contra as políticas imperiais, intromissons e imposiçons das chamados ditaduras regionais e e regimes opressivos, bem como as “superpotências”.

Parar a guerra da Turquia contra os curdos significa evitar a guerra civil na Turquia e Curdistam do Norte, isso significa parar a morte, destruiçom, deslocamento e migraçom, significa contribuir ao fim da guerra na Síria, Iraque e em toda a regiom, significa fortalecer o terreno para umha soluçom política e pacífica para a questom curda na Turquia e significa o fortalecimento da democracia, direitos humanos, fraternidade e liberdade no Oriente Médio para todos.

Nota: Existem entre 400,000-500,000 curdos e turcos que vivem no Reino Unido, principalmente em Londres. Cada um deles tem família, amigos e seres queridos que vivem na Turquia e Curdistam do Norte. A maioria deles nom têm conhecimento ou sente-se impotente diante do perigo que estamos enfrentando. Este é o dia no que cada curdo e Turco deve sair para exigir um fim a esta guerra que ameaça quebrar a sociedade e levar a Turquia de volta cem anos atrás.

Publicado em Kurdish Question, para mas informaçom em: www.stopwaronkurds.org

 

Mehmet Tunç: O povo curdo está orgulhoso tua

The Kurdish People Are Proud Of You Mehmet Tunç Artigopor Nurcan Baysal

O artigo publicado abaixo é umha carta aberta ao Parlamento Europeu que foi enviada a cada deputado/a e órgao da UE.

Há muitas pessoas feridas que se refugiarom nos sotos, em Cizre durante quase um mês. Houvo um homem que nos informou da verdade, ao mundo inteiro, o Parlamento Europeu, sobre o que está acontecendo em Cizre, era este homem o co-presidente da Assembléia do Povo de Cizre Mehmet Tunç.

Apesar da notícia da morte de Mehmet Tunç está sendo compartilhada nas redes sociais desde há dous dias eu nom queria acreditar. Nos últimos dous dias, telefone em mao, falando com pessoas de lugares que vam desde Cizre a Bruxelas, tenho tentado descobrir o que aconteceu com el. Eu nom queria acreditar que este homem corajoso morrera.

Esta noite, recebim a notícia de que Mehmet Tunç morrera. Eu falara com Mehmed duas semanas atrás, quando eu estava em Bruxelas para moderar um seminário como parte da 12º conferência “Uniom Europeia, Turquia, Oriente Médio e os Curdos”. Mehmet Tunç figera umha chamada ao Parlamento Europeu desde o soto no que tomaram refúgio:

“A situaçom nom é como como se mostra nos meios de comunicaçom. Existe umha massacre em Cizre; estamos diante de um genocídio. Todas as casas forom bombardeadas, utilizam tanques. Armas que som usadas contra os inimigos estam sendo usadas contra o seu próprio povo polo governo do AKP e o Estado turco. Há umha tragédia acontecendo em Cizre. Durante 60 dias, as pessoas agora estam sem pam nem água. Apenas 10 mil de umha povoaçom de 120.000 permanecem. O estado deslocou forçadamente as pessoas. Políticas semelhantes foram implementadas na década de 1990. 4 mil aldeias forom arrasadas e as pessoas movidas para lugares como Cizre. Eles despovoarom as aldeias para acabar com o PKK. Agora eles estam despovoando as cidades e dizendo que é para acabar com o PKK.

Há certamente umha tragédia em Cizre. 28 pessoas forom feridas em umha casa em Cizre. 5 dos feridos morrerom por perda de sangue. Nom há água. Nós saimos do edifício para obter água e fomos disparados por franco-atiradores. Nom podemos sair. O edifício de quatro andares foi completamente destruído com ataques de morteiros. Estou dentro desse prédio agora. A situaçom é crítica. É por isso que eu estou chamandoos nossos amigos lá. Por favor, parem esta selvageria. Vostedes som o suficiente fortes para parar esta massacre em Cizre. Vostedes som o suficiente fortes para alertar o governo do AKP e levantar o cerco em Cizre. Nom fazendo-o vostedes também vam-se tornar cúmplices da massacre aqui.”

E vostedes, o Parlamento Europeu, agora som cúmplices desta massacre!

Mehmet Tunç, o homem que apelou a vostedes, também foi massacrado. Talvez el foi massacrado porque el difundiu a todo o mundo, a verdade sobre o que está acontecendo no bairro sitiado de Cizre. Eu nom sei se vostedes vam ter vergonha, mas eu tenho-a, vergonha porque eu nom fum quem de deter a sua iminente morte.

Esta talvez seja a última vez que falamos, mas nós imos morrer orgulhosos e honoráveis

Há poucos dias Mehmet Tunç falou a umha TV desde o soto de um segundo edifício em Cizre, onde muitas pessoas feridas estavam presas. “Estas talvez sejam as minhas últimas palavras”, dixo e continuou:

“Estamos face-a-face com umha segunda massacre no Hotel Madimak. Esta é umha vergonha da humanidade. As feridas da massacre de 1993, ainda nom foram curadas e aqui 30-40 pessoas ardem até a morte. A fumaça encheu o prédio e as chamas estam a começar a entrar. Os bombeiros precisam urgentemente de vir aqui e extinguir o fogo. Há pessoas que perderom as suas extremidades; há crianças, pessoas muito feridas. Eles vam-nos queimar vivos. Eu nom tenho nengumha dúvida de que isso vai ser umha vergonha pendurada sobre toda a Turquia, toda a humanidade e as Naçons Unidas. No momento, existem polo menos 37 pessoas aqui …

No momento estamos aguardando a morte. Quando este edifício colapse a humanidade vai ficar sob os escombros. Eles nom seram capazes de explicar isto…

Dirijo-me ao povo curdo agora. Esta é umha luita … Vostedes devem manter a sua moral alta. Só porque as pessoas vam morrer neste soto, isso nom significa que a longa luita pola liberdade terminara. Mas temos estado gritando, gritando, apelando para as pessoas durante 60 dias. O povo de Cizre transformou os seus corpos em escudos contra tanques, morteiros, lança-chamas e lança-foguetes. Nom tenho nengumha dúvida [sobre essa resistência]; Estou enviando saudaçons a todos os amigos que continuam a luita. Apesar do frio, a fome e a sede, o povo de Cizre nom se ajoelhara. É por isso que as pessoas que quedam necessitam estar orgulhosos de nós.

Eu sei que eles (as forças do estado) estam próximas. Existe o perigo de que eles vaiam executar-nos lentamente. Eles vinherom ontem e ameaçarom-nos dizendo: ‘Entregade-vos ou imos queima-los vivos a todos. Imos a asfixia-los a todos. ‘Eu nom conheço a intençom do governo do AKP, a governadoria do Ministério do Interior. Mas há crueldade em Cizre neste momento. Há massacrse. Mas nom nos imos ajoelhar…”

Mehmet Tunç nunca aceitou a tirania contra o seu povo, nem mesmo no seu último alento; el ficou naquel soto para ajudar os feridos e foi massacrado por fazê-lo. As pessoas no soto sabiam que as chamadas para “render-se” significavam umha massacre. É por isso que nom deixarom o soto. O 6 de fevereiro, em Cizre, Abdullah Gün, de 16 anos, confiou na chamada para se render e foi disarado por equipes das Forças Especiais como deixou o soto, el e outros que também estavam. Foi exatamente por esse motivo que Mehmet Tunç apelou a vostedes. Com o seu apoio os feridos em Cizre poderiam ter saído desses sotos de umha forma digna e segura.

Mehmet Tunç era um civil. Embora existam jovens armados nos sotos em Cizre, há também muitos civis, inclusive crianças. Independentemente de quem está nesses sotos, mesmo se estam armados da cabeça aos pés, um estado nom pode queimá-los vivos. Este é um crime de guerra; este é um crime contra a humanidade!

Os cadáveres das 27 pessoas queimadas até a morte no soto em Cizre estam, quando eu escrevo estas linhas, sendo levado para o necrotério. Nom houvo nengumha notícia durante 10 dias dos feridos presos em outro soto.

Também estaamos envergonhados de vostedes, o Parlamento Europeu!

Vostedes assistirom a morte de um homem, um político e um civil, que apelou a vostedes, que lhes pediu ajuda a vostedes. Vostedes só mirarom e nom figerom nada quando as pessoas feridas em Cizre forom queimadas vivas. E ainda assim vostedes so miram a tirania, a selvageria que está sendo cometida contra o povo curdo.

DEVIAM TER VERGONHA! ENVERGONHADOS dos princípios que tantas vezes falam de aplicar, mas so quando lhes convem!

Esta vergonha permanecerá como umha mancha sobre a civilizaçom dos direitos humanos dos que vostedes estám tam orgulhosos!

Seu povo está orgulhoso de vostede Mehmet Tunç!
The Kurdish People Are Proud Of You Mehmet Tunç nurcan-baysalEste artigo foi escrito por Nurcan Baysal e originalmente publicado em turco em T24 e traduzido o Inglês por Kurdish Question.

 

Os olhos do mundo estam voltados em Turquia

The Worlds Eyes Are On Turkey Artigopor Sarah Parker, este artigo foi originalmente publicado em Left Unity

A situaçom na Turquia está mudando rapidamente, mas para ver onde estam as cousas agora, é útil olhar para trás, aos acontecimentos dos últimos sete meses. O 7 de Junho de 2015, o partido de ampla esquerda e pró-curdo HDP alcançou mais do 13% dos votos nas eleiçons gerais turcas, umha grande vitória, quebrando o limiar eleitoral e ganhando 80 cadeiras, e privando o partido AKP e o presidente Erdogan da maioria parlamentar necessária para que o AKP governara sozinho, e a maioria absoluta que precisavam para passar a um sistema presidencial mais forte de governo.

The Worlds Eyes Are On Turkey Artigo 02O fundo

Mas entre o 25 e o 28 de Junho mais de 200 civis forom assessinados em Kobanî polo ISIS em um ataque surpresa, já que o exército turco continuou a ignorar ou ajudar os ataques do ISIS sobre os curdos sírios, e o 11 de Julho a KCK (a Uniom de Comunidades do Curdistam) emitiu umha declaraçom explicando que as numerosas violaçons militares turcas de 2 anos de cessar-fogo na Turquia nom seria mais tolerado, e que, por exemplo, todos os esforços seriam feitos polo povo curdo, incluindo a guerrilha, para parar da construçom de represas para fins militares. O 16 de Julho as Forças de Defesa do Povo anunciarom que guerrilheiros estavam realizando açons de aviso em resposta ao abrupto aumento de atividade militar turca incluindo bombardeios em áreas de defesa da guerrilha. O 17 de julho Erdogan repudiou os “Acordos de Dolmabahçe”, do 28 de fevereiro como base para a paz entre a Turquia e os curdos, um sinal claro de que o processo de paz estava acabado e a guerra começava de novo.

O 23 de julho os EUA e a Turquia chegarom a um acordo polo que a Turquia entraria na chamada coalizom anti-ISIS e que os EUA poderiam usar a base aérea de Incirlik perto de Diyarbakir [3]. Este foi fiada por um suporte cético como um sinal de que a Turquia pode começar a lidar com o ISIS, ao contrário de ignorá-los ou assistindo-os. Dentro das 48 horas do acordo, a Turquia tinha feito alguns bombardeios sobre o território do ISIS na Síria, (depois pouco mais foi ouvido sobre este aspecto da campanha) e começou umha campanha aérea sistemática contra acampamentos da guerrilha no norte do Iraque, que continuou ininterruptamente até agora. Após um período de tentativas tímidas para formar um governo de coalizom, o 24 de agosto Erdoğan chamou para novas eleiçons para o 1 de novembro. Estas forom em umha atmosfera de intimidaçom flagrante depois de mais de 100 ataques contra as sedes do HDP e o bombardeio de umha manifestaçom pola paz convocada por organizaçons do movimento de trabalho e do HDP o 10 de Outubro, em que 102 pessoas foram mortas e mais de 400 feridos. Nengum grupo reivindicou o atentado, mas pensa-se que foi realizado por pessoas com ligaçons ao ISIS. Os votos do HDP ainda estiverom sobre o limiar do 10%, mas o voto do AKP aumentou apenas o suficiente para que o partido conseguira a maioria absoluta.

Autogoverno e resistênciaThe Worlds Eyes Are On Turkey Artigo 03

Desde o início de Agosto de 2015, assembleias municipais no Curdistam da Turquia começarom declarando o autogoverno, e isso foi confirmado pola reuniom do Congresso Popular Democrático o 28 de Dezembro de 2015 após o AKP de Erdogan roubou as re-eleiçons do 1 de novembro. A idéia é para construir a mais forte possível auto-organizaçom local como um meio de auto-defesa e como um passo no caminho para a liberdade por causa da perseguiçom do Estado turco. Os jovens inicialmente cavarom valas e colocarom barricadas para impedir a entrada a estas áreas a polícia e o exército. Mesmo que em muitas destas áreas os bairros já foram literalmente sitiados por 10.000 soldados por meses, o exército turco, a polícia e as forças especiais nom forom capazes de retomar-los apesar de ter expulsado a alguns moradores. Os piores cercos som os dos distritos de Cizre e Silopi, na província de Sirnak, e o de Sur, o centro histórico de Amed (Diyarbakir), atualmente sob bombardeio de morteiros pesados polo exército turco, que vem tentando desde há mais de 40 dias recapturar os bairros sob controle das novas forças de autodefesa e da povoaçom local.

Um representante do Conselho Popular de Cizre hoje (18 de janeiro) apelou por um levantamento em todo o Curdistam para apoiar a resistência curda. A resistência está no seu 33º dia em Silopi, onde os bairros estám frequentemente sob o fogo de tanques e 26 civis forom mortos, mas o Estado concedeu levantamento do toque de recolher durante o dia desde o 19 janeiro. O deputado do HDP Ferhat Encü di que as cousas som muito piores do que após o golpe militar do 1980. As dadas mais recentes som de que 283 civis forom mortos nos cercos desde o 12 de julho, enquanto se estima que 300.000 pessoas forom expulsas das suas casas nas profundezas do inverno.

A esquerda precisa despertar ao feito de que a guerra curda desceu das montanhas para as cidades e que milheiros de pessoas estam em umha resistência heróica a um importante membro da OTAN que tem dito repetidamente que esmagaram rua a rua a resistência, e fazer algum trabalho sério de solidariedade.

O grupo guarda-chuva do KCK, Koma Civakên Kurdistan (Uniom de Comunidades do Curdistam) instou às pessoas a ficar e apoiar a resistência se eles som capazes de, embora muitas pessoas tenham recuado para outros distritos, como a situaçom é muito perigosa, com pessoas que estam à vista mortos por franco-atiradores ou artilheiria, enquanto o Estado cortou água e electricidade. Deve ser notado que os centros de resistência som as cidades curdas do sudeste, que sofrerom repressom por setenta anos, além de discriminaçom e elevado desemprego, e onde o HDP recebeu muitos votos nas eleiçons, tanto em junho como em novembro de 2015, e estam perto de Rojava e o Curdistam do Iraque.

Quanto o comandante das Forças de Defesa do Povo, Murat Karayilan dixo na sua mensagem de Ano Novo: “O AKP desencadeou um ataque furioso sobre nós. As guerrilhas e também a juventude nas cidades, todos os componentes da sociedade curda, estam fazendo a sua parte na resistência “. As unidades de autodefesa forom anunciadas em mais e mais lugares, o último dos quais é umha unidade feminina (YPS-Jin) em Nusaybin. A participaçom das mulheres na luita cresce todo o tempo, e claramente a resistência das mulheres e a sua determinaçom de luitar pola liberdade é a enorme força do movimento. No geral, a resistência contra o poder do Estado turco é um feito notável e talvez de algumha forma explica o silêncio de outros membros da Otan.

Relativo ao resto da sociedade

Olhando para o Estado turco como um todo, Tariq Ali realizou umha interessante entrevista em Telesur chamado “A Turquia é umha sociedade em ebuliçom” no qual Sungur Savran destaca eventos de referência dos últimos três anos: junho-setembro de 2013, a revolta Gezi, 6-12 outubro 2014 a serhildan (levante) em áreas curdas da Turquia com milhons de pessoas na rua, e “quando ficou claro que o PKK tinha unidades armadas até mesmo nas cidades pequenas’, e a greve dos metalúrgicos do 2015, quando em maio dúzias de milheiros levantaram-se primeiro contra os sindicatos amarelos e depois contra os patrons, em umha onda que se espalha de Bursa a Izmir, Ancara, Istambul, um desenvolvimento promissor, pois o movimento operário tinha estado em grande parte dormente durante muitos anos.

Savran argumentou que as forças seculares nas grandes cidades da Turquia, a pequena burguesia e as camadas superiores da classe operária que costumavam votar o CHP (antigo partido de Ataturk, nacionalista, mas social-democrata) agora se estam tornando compreensivos com os curdos e começando votar o HDP; é vital para os socialistas continuar a trabalhar para desenhar este bloco na órbita do HDP. El também observa que Erdogan começou a mobilizar activamente os grupos de extermínio da direita (em parte porque nom pode confiar inteiramente no exército, em parte, ainda secular ligado à NATO) para usar contra a classe trabalhadora na Turquia, e contra os esquerdistas, alevitas e curdos.

Esta foi umha das razons que as pessoas decididas a colocar as barricadas – eles sabiam que teriam de se defender, cedo ou tarde.

Os desenvolvimentos mais recentes que ligarom o oeste da Turquia à guerra contra os curdos no sudeste som a bomba que matou 10 turistas, principalmente alemaes em Istambul, e a declaraçom dos Academicos pola Paz, que foi assinada por mais de 1000 acadêmicos na Turquia e muitos de fora. Os acadêmicos que assinarom a declaraçom apelando para a paz e o fim da repressom forom acusados de traiçom, e ameaçados tanto por Erdogan, como polo conhecido chefe do crime Sedat Peker. Todas as assinaturas estam sob investigaçom criminal, muitos forom presos, e alguns já forom despedidos dos seus empregos, com relatos de pressom a ser-lhes aplicadas, tais como marcas em destaque a ser colocada nas portas do escritório dos signatários. Um movimento está-se juntando na sua defesa, que, felizmente, tornou-se rapidamente internacionalizada, e recebeu considerável cobertura dos mídias, como Erdogan talvez imprudentemente estendeu a sua crítica para Noam Chomsky e Tariq Ali, os conhecidos apoiantes de luitas de libertaçom que assinarom a declaraçom. Na última contagem 299 acadêmicos na Gram-Bretanha assinarom umha declaraçom de apoio. Noam Chomsky e Tariq Ali digerom que só vai ir a Turquia se for convidado por o povo curdo e o HDP, em resposta ao convite feito polo presidente Erdogan.

Tanto o HDP e Partido Republicano do Povo (CHP) condenarom as ameaças de Erdogan e expressarom a sua preocupaçom polo caminho ao que el está levando à sociedade. O deputado do HDP Faysal Sariyildiz convidou a Chomsky para visitar a regiom do Curdistam e convidou a Erdogan e Davutoglu para conversar com el para ver a situaçom por si mesma, que acompanha os convites com a afirmaçom muito gráfica que descreve as condiçons sob o cerco, que pode ser lida aqui.

Turquia em Síria e o Iraque

É enganoso analisar as actividades do Estado turco dentro das fronteiras turcas isoladamente: a sua política exterior próxima também deve ser compreendida. Deve-se notar que o Estado turco está profundamente envolvido em operaçons militares e outras interferências no norte da Síria e norte do Iraque, tentando recuperar o rol de antiga potência regional, através de tentativas egoístas para explorar as queixas legítimas da oposiçom ao regime na Síria, juntamente com umha última tentativa para bloquear a luita do povo curdo e os seus aliados tanto na Síria como no norte do Iraque.

Só para dar umha descriçom geral sobre a luita curda na Síria, o PYD curdo (Partido de Uniom Democrática) e o seu braço militar as YPG (Unidades Defesa do Povo) na Síria, digerom constante que iriam defender as suas próprias áreas se eram atacados e figerom isso. Estam actualmente a continuar a defender os três auto-declarados cantons autónomos de maioria curda e mistos de Afrin, Kobanî e Jazira (Qamishli e Hasakah), e a área de maioria curda de Shaikh Maqsud em Alepo. As batalhas para romper o isolamento do cantom ocidental de Afrin e defender Sheikh Maqsud, recentemente bombardeada polo regime e atualmente sob ataque pesado novamente polas forças de Al Nusra e Ahrar Al Sham, e cortar as linhas de abastecimento desde Turquia o ISIS e cara o leste via Raqqa e Shengal a Mosul, estam ocorrendo actualmente.

Erdogan dixo que, se os curdos cruzavam ao oeste do Eufrates isso seria umha linha vermelha para a Turquia; isso aconteceu recentemente, quando as Forças Democráticas Sírias, (o novo nome para as forças curdas de defesa e os seus aliados, que incluem árabes e algumhas unidades assírias) cruzarom o Eufrates e tomarom a represa de Tishrin e os arredores do ISIS. Presumivelmente, a atitude dos EUA é que as forças curdas sírias atualmente útis para manter o ISIS dentro dos limites, como os peshmerga da PUK no Iraque; e que, ao seu devido tempo, a Turquia estará livre para lidar com ambos. Obviamente, a maioria do povo curdo tem uma ambiçom diferente – sobrevivência, auto-determinaçom, e a democratizaçom de todo o Oriente Médio, e é o trabalho dos socialistas ficar com eles.

O Estado turco tanto para esmagar toda resistência como retomar as terras perdidas polo Império Otomano no final da Primeira Guerra Mundial, estabeleceu bases militares do exército turco no norte do Iraque, em 1991, sob o manto da zona de exclusom aérea, definiu ostensivamente para proteger os curdos do Iraque de Saddam Hussein. As bases forom usadas em 1996 em cooperaçom com o KDP para atacar os guerrilheiros do PKK. O exército turco fixo um ataque mal sucedido em bases do PKK o 26 de Dezembro do 2007 e após umha renhida luita em que as áreas sob ataque também forom defendidas por peshmergas da PUK que correrom ao norte de Sulaymaniyah e a área circundante, o exército turco tivo que recuar às pressas com pesadas perdas ; o exército fixo várias incursons mais ao longo desse inverno. O novo Parlamento do Curdistam votado em 2008 votou que as bases devem ser retiradas, e o Primeiro-Ministro da KRG Nechirvan Barzani confirmou que as bases turcas seriam fechadas, mas nada aconteceu. No final de 2011 EUA e a OTAN “tropas treinadas” deixarom o Iraque ao longo do fracasso no acordo de imunidade para as açons das tropas americanas’; a retirada do grosso principal das forças americanas tivo lugar entre Dezembro de 2007 e 2011. Em 2012, o governo iraquiano dixo que as bases turcas tinham que ser fechadas. Entom, para essa altura as forças Americanas e outras da OTAN que tinham estado no Iraque desde 2003, em grande parte retiraram-se, mas o número de forças turcas aumentou. A presença das tropas turcas nom era popular; a petiçom com 470.000 assinaturas forom coletadas no sul do Curdistam e entregues ao Parlamento Regional do Curdistam e à Presidência, em 2012, e com quase um milhom ao Parlamento e ao Governo Regional em 2015, mas forom ignoradas.

A actual situaçom no Curdistam Iraquiano é potencialmente explosiva. Turquia e outros membros da OTAN som bem conscientes de que as pessoas no sul do Curdistam estam furiosos com as corrupçons e ineficiência do seu governo, mesmo que a situaçom é menos catastrófica do que no resto do Iraque. A política da OTAN é apoiar deliberadamente o partido de Barzani, o KDP, como contraponto para a mais radical PUK baseada em Sulaimaniyah e Kirkuk, e à crescente presença de guerrilheiros aliados ou pertencentes ao PKK, no Sul do Curdistam, nom só no refúgio de montanha de Qandil, mas desde a ascensom do ISIS e da queda de Shingal e Mosul em 2014 em outras áreas.

Neste momento os peshmerga da PUK e guerrilheiros do PKK e as YJA Estrela estam segurando em conjunto um pesado assalto do ISIS no sul de Kirkuk, e nom escapou à atençom dos combatentes curdos que as forças militares turcas no Norte do Iraque estam bem posicionadas para se envolver em umha fugida do ISIS de Mosul que estam sob muita pressom lá, ou até mesmo mover-se contra a “Zona Verde” da PUK se houver um aumento do movimento de massas contra a corrupçom e a pobreza – talvez a NATO e a Turquia até mesmo ver umha presença crescente do exército turco no norte do Iraque como um substituto para o exército dos EUA.

Quebrar o silêncio

Apesar das especulaçons periódicas de que os EUA e os Estados membros da UE nom gostam de algumhas das políticas da Turquia, desde que o AKP renegou dos Acordos de Dolmabahçe entre o Estado turco e os curdos e reiniciou a guerra em julho, houvo alguns comentários de outros membros da OTAN sem excepçons com declaraçons lapidarias de apoio ao direito da Turquia de defender a sua segurança nacional. Como o inverno se aprofunda e o exército turco bombardeia cidades curdas porque nom tem sido capaz de retoma-las, há um silêncio ensurdecedor de outros governos.

O 18 de janeiro o primeiro-ministro Davutoglu visitou a David Cameron e cinco pessoas forom presas em Whitehall quando a polícia tentou impedir os manifestantes de fora do 10 de Downing Street de protestar, todo o incidente mostra claramente de que lado está ligado o governo britânico, se houvesse qualquer dúvida.

Notícias de Última Hora

Na noite do 19 de Janeiro há relatos de que o exército turco já cruzara a fronteira para a Síria em Jarablus, o último ponto de passagem do ISIS-realizada na fronteira com a Turquia, sem reacçom das forças do ISIS na área. Isso vem em meio a umha explosom de especulaçom da mídia de que as conversaçons da ONU sobre Síria será adiada porque a Turquia se recusa a aceitar que deve haver representaçom curda no lado da oposiçom nas negociaçons.

Publicado em KurdishQuestion.

 

 

Turquia: Onde Chamar pola Paz é terrorismo

Turkey Where Calling for Peace Is Terrorism Artigopor Rosa Burç, este artigo foi publicado originalmente em telesurtv.net

Turquia atraíu a atençom internacional depois de que umha carta assinada por Noam Chomsky e mais de 1.100 acadêmicos condenaram a violenta repressom do governo.

Umha declaraçom assinada por mais de 1.100 acadêmicos, incluindo o famoso linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky, pediu ao governo turco “abandonar a sua massacre deliberada” da povaçom curda do país.

O documento, que foi viral, irritou a Ancara, Recep Erdogan, o presidente, chamou a todos os signatários “escuros, desonestos e brutais.”

O documento está chamando a atençom internacional para um aliado dos EUA e membro da OTAN que está se tornando cada vez mais autoritário e empregando a violência estatal e a repressom para criar um clima de terror no país.

“O que os meios de comunicaçom estám dizendo é muito diferente do que estamos experimentando. Consulte-nos, por favor, escuite-nos ouvir e ofereça-nos ajuda”, dixo Ayse Çelik, um professor da província de Diyarbakir, que chamou o Beyaz Show – um dos programa de televisom de entretenimento mais bem cotados na Turquia. “Nom deixem que as pessoas morram, nom deixem que as crianças morram e nom deixem que as maes chorem.”

A Turquia é, provavelmente, um dos poucos países no mundo onde este tipo de declaraçons é julgadas como terrorismo, o programa de TV foi investigados por “propaganda terrorista”, e onde o apresentador do programa tivo que pedir desculpas publicamente polas suas declaraçons e manifestar o seu total apoio às operaçons militares do estado.

O chamado de Çelik era umha tentativa desesperada de romper o silêncio no país, principalmente no Oeste de Turquia. Enquanto o Ocidente se envolve com o nacionalismo e firme apoio para as narrativas que saem de Ankara nas que as operaçons militares nas províncias curdas se justificam como umha operaçom anti-terrorista em defesa do estado, a realidade política no sudeste curdo evoca umha zona de guerra, onde os toques de recolher, a tortura e as execuçons tornarom-se comuns.

O conflito turco-curdo leva mas de três décadas, e ainda atingiu novos níveis de violência recentemente. Hoje, o Estado continua a implicar a mesma lógica que há 20 anos: cortar qualquer exigência política curda através da aplicaçom de duras políticas de segurizaçom e coerçom sob as leis anti-terroristas vagamente definidas e umha constituiçom escrita em 1982 por umha junta militar liderada polo general Kenan Evren .
Depois de rematar o processo de paz com o Partido dos Trabalhadores do Curdistam ou PKK, em agosto de 2015, o governo Erdogan lançou umha ofensiva militar em cidades curdas no sudeste da Turquia. Forom impostos dúzias de toques de recolher, a mais longa está sendo a do distrito de Sur na cidade de Diyarbakir, que agora está no seu 49 dia. Os toques de recolher mais pesados forom imposta notavelmente nas cidades curdas, onde o AKP de Erdogan, ou Partido da Justiça e o Desenvolvimento, tivo poucos votos nas últimas eleiçons.

Os curdos no entanto, emanciparom-se da abordagem do estado para a questom curda na redefiniçom do conceito de democracia e luitando por umha paz digna. Hoje nom é unicamente o PKK quem desafia o Estado turco na primeira linha, mas é umha organizaçom ad-hoc de civis – mulheres, crianças, idosos – que defendem as suas vidas atrás de trincheiras e barricadas.

Resistindo um estado que conduze a sua força por meio de armas pesadas, artilharia, veículos blindados, helicópteros e detençons caprichosas sobrevivir so é possível tornando-se invisível para o Estado. Trincheiras e barricadas, portanto, som espaços de sobrevivência e nom o resultado de umha agenda separatista curda, como falsamente proclama o Estado turco.

Em impor violentos toques de recolher em um estado de emergência de facto, o Estado turco nom só coloca as cidades curdas sob assédio, mas também tem sabotado qualquer possibilidade de negociar pacificamente umha soluçom política.

A autonomia curda dentro das fronteiras turcas unicamente está sendo discutida e, assim, criminalizada como parte das chamadas “trincheiras-políticas” por colunistas e políticos tradicionais, em vez de avaliar a demanda de autodeterminaçom como um direito fundamental. Por isso, o governo do AKP nom tem nengum problema em militarizar ainda mais o conflito. Colocando as demandas curdas sob assédio, a ofensiva contra a vida de civis, certamente demonstra umha tentativa de isolar a questom curda de outras discussons em torno as deficiências democráticas da Turquia.

Embora a estratégia de isolamento do governo parecia ser bem sucedida no que di a respeito ao silenciamento das vozes críticas na parte ocidental da Turquia, foi a iniciativa dos acadêmicos chamando pola paz imediata a fim de pôr fim ao crescente número de mortes na Regiom Sudeste do país o que desencadeou umha discussom sobre a guerra da Turquia contra os seus cidadaos, nom só na Turquia ocidental, mas até mesmo internacionalmente.

A declaraçom foi inicialmente assinada por 1.128 acadêmicos de 89 universidades turcas, bem como por mais de 300 cientistas de fora do país. Noam Chomsky, Judith Butler, Etienne Balibar, David Harvey e Tariq Ali estam entre os nomes mais populares dos muitos apoiantes.

“O direito à vida, à liberdade e a segurança, e, em particular, a proibiçom da tortura e maus-tratos protegidos pola Constituiçom e as convençons internacionais forom violados”, dizia a declaraçom. “Exigimos que o estado abandone a sua massacre deliberada e deportaçom do povo curdo e outros na regiom.”

A declaraçom também pede umha delegaçom independente de observadores internacionais para ir a regiom, bem como um fim dos toques de recolher. Certamente, em um país como a Turquia, que reforça o nacionalismo através dos conceitos de traidores e terroristas, os intelectuais derom um passo à fronte, dizendo: “Nós nom formaremos parte deste crime”.

Agora todos os signatários acadêmicos estam enfrentando represálias penais e profissionais depois de que o presidente Erdogan os chamou de ” escuros traidores ” e o Conselho de Educaçom Superior (YÖK) anunciou umha investigaçom contra os estudiosos que apóiam a iniciativa. Mais de 20 acadêmicos já foram detidos por “propaganda terrorista.”

A descida da Turquia num crescente Estado autoritário está marcada polo que qualquer dissidência pacífica, apelando pola paz com os curdos, bem como difundir o conhecimento das mortes de civis, é estigmatizado como traiçom.

Em uma resposta ao ataque do AKP à liberdade acadêmica, Judith Butler afirmou que “a denominaçom da análise crítica como traiçom é umha antiga e indefensável tática dos governos que desejam ampliar os seus poderes à custa da democracia.”

Quando a prerrogativa da interpretaçom está nas maos de um estado que está em umha perigosa deriva autoritária, nom é nengumha surpresa que chamar pola paz seja percebido como umha grande ameaça para o poder do Estado.

Rosa Burç, 25 anos, é estudante pre-doutoral e Assistente de Investigaçom no Department of Comparative Government, da Universidade de Bonn. A sua investigaçom é sobre Estados-Naçom e Teorias do (pós-)Nacionalismo.

Publicado por Kurdishquestion.

 

Desfazendo Anos de progressos na Turquia

Undoing Years of Progress in Turkey artigoO ex-prefeito (2004-2014) do distrito de Sur de Amed (Diyarbakir) Abdullah Demirbaş escreveu iste artigo de opiniom no New York Times:

Cidades e bairros inteiros estam sob cerco. Tanques atravessam ruas estreitas fechadas por barricadas e trincheiras. Os moradores estam presos dentro das casas durante semanas por causa dos toques de recolher. Aqueles que se aventuram fora correm o risco do fogo de atiradores. Os seus corpos ficam nas ruas por dias antes que poidam ser recolhidos. As balas voam polas janelas e edifícios desmoronados sob os bombardeios, matando aqueles que procuram abrigo nas casas.

Isto nom é a Síria. Isto é a Turquia, país candidato à Uniom Europeia, e aclamado como campeom das Primaveras Árabe. O conflito que aqui se reiniciou após a ruptura das conversaçons entre o Estado turco e o Partido dos Trabalhadores do Curdistam, ou PKK, no verao passado transformou-se em uma devastadora guerra nas cidades curdas.

Undoing Years of Progress in Turkey 02 artigoUm dos lugares mais afetados é a cidade do histórico distrito de Sur em Diyarbakir, onde eu fum prefeito de 2004 a 2014. Sur está sob toque de recolher de 24 horas desde inícios de dezembro. Muitos dos seus bairros em ruínas. Os seus monumentos históricos estam danificados, as lojas estam fechadas, os hospitais carecem de pessoal, e as escolas estam fechadas. Duzias de milheiros de pessoas fugirom.

As muralhas de Sur envolvem umha antiga cidade que foi habitada desde há milênios. As suas ruas estreitas, pátios espaçosos e elegantes estruturas de pedra som lembranças de um rico legado multicultural – um legado que sobreviveu, embora em um estado de miséria, um século de conflito. Pequenas, mas cada vez mais visíveis comunidades de armênios, assírios, caldeus, Jazidis e outras minorias convivem com adeptos de diversas interpretaçons do Islam no que agora é umha cidade curda predominantemente sunita.

Durante a última década, o nosso concelho trabalhou duro para reviver e preservar esta herança. Nós supervisionavamos a restauraçom de muitos edifícios históricos, incluindo mesquitas e igrejas. A reabertura da Igreja Armênia de Surp Giragos, que agora é a maior igreja arménia no Oriente Médio, depois de quase um século em ruínas estimulou os “escondidos” sobreviventes do genocídio de 1915 na Turquia para redescobrir e abraçar a sua herança. Os esforços de restauraçom da antiga sinagoga em memória da umha vez vibrante comunidade judaica de Sur estavam em andamento antes do estouro da violência no verao passado.

Em 2012, líderes comunitários de Sur criarom um grupo diálogo inter-religioso que reuniu representantes de diferentes religions da regiom, culturas e grupos da sociedade civil. Conhecido como o Conselho dos Quarenta, que tem desempenhado um papel crucial em que a violência sectária nom atingira a nossa cidade. Graças aos seus esforços, Sur veu a simbolizar a visom de convivência pacífica em uma regiom assolada pola intolerância.

Provoca-me imensa tristeza ao ver que o pluralismo desmorona-se junto com os edifícios de Sur. O sectarismo está a destruir a Síria diante dos nossos olhos. Para evitar o mesmo destino na Turquia, o Conselho dos Quarenta apelou ao governo para levantar os toques de recolher, e pediu a todas as partes a fim das hostilidades e voltar às negociaçons de paz no âmbito da democracia parlamentar.

O presidente Recep Tayyip Erdogan, dixo recentemente que as operaçons militares nas cidades curdas assediados continuariam até que estiveram “limpas” de “terroristas”. “Vam ser aniquilados nessas casas, nesses edifícios, nessas fossas que cavarom”, ameaçou. Mas é que a paz pode ser construída por meio da destruiçom? Décadas de políticas militares contra os curdos tenhem mostrado so que a violência gera mais violência.

Muitos moradores dessas cidades som famílias pobres que foram forçadas a fugir do campo quando o conflito entre os curdos e o Estado turco estava no seu auge na década de 1990. Aqueles que estam cavando trincheiras e declarando o “autogoverno” em Sur e outras cidades e vilas do sudeste da Turquia hoje som jovens na sua maioria adolescentes curdos em que nasceram nesses tempos passados de violência, pobreza e deslocamento, e crescerom em guetos radicalizados.

Agora, umha nova geraçom vai crescer com o trauma da morte, destruiçom e migraçons forçadas. Onde vam ir? O que será deles? E como é que umha geraçom com mais raiva de curdos e turcos vai encontrar um terreno comum? A verdade é que a minha geraçom pode ser a última que poida chegar a umha soluçom pacífica através do diálogo.

O diálogo é possível quando quem está no poder quer. Na primavera passada, os dous lados estavam à beira de um avanço após dous anos e meio de negociaçons. Os curdos, quando se lhes da umha opçom real e justa, escolherom repetidamente a política sobre a violência e optarom pola convivência em umha Turquia democrática, onde os seus direitos e identidades som reconhecidas, sobre a separaçom. Mas, como a destruiçom continua, a sua fé em umha soluçom política murcha.

Em 2007, Sur tornou-se o primeiro concelho na Turquia a oferecer serviços nas línguas locais, incluindo curdo, armênio e assírio, além do turco oficial – um movimento que enfureceu as autoridades de Ancara, a capital, e levou a minha remoçom como prefeito. Em 2009, meses depois de ser reeleito com os dous terços dos votos, fum preso sob a acusaçom de separatismo. (Eu fum liberado cinco meses mais tarde por razons de saúde e mantivem o meu papel como prefeito ao longo da minha prisom.)

Quando eu estava reunido juntamente com centos de ativistas curdos e políticos eleitos, meu filho adolescente deixou a nossa casa para se juntar ao PKK “Você está desperdiçando o tempo com a sua política e diálogo”, dixo-me el. Eu dediquei a minha vida a tentar provar que el estava errado e trae-lo em paz para casa. Eu estivem desencorajado antes, mas nunca perdim a esperança. Hoje, eu esforço-me por manter a esperança viva.

Abdullah Demirbas é o ex-prefeito do distrito de Sur de Diyarbakir e um membro fundador do Conselho dos Quarenta.

Publicado como artigo de opiniom do New York Times e republicado em KurdishQuestion.

 

Nove perguntas e respostas para lançar umha luz sobre a violência no sudeste da Turquia

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 02 ypspor Frederike Geerdink*

Visom geral
Praticamente todos os dia estam morrendo civis na volta à violência entre o PKK e o exército turco. Alguns morrerom na rua há semanas, e nom podem ser enterrados polas suas famílias. O governo di que está luitando contra o terrorismo. Mas está? E porque é que a Europa nom di nada?

1. O que está acontecendo no sudeste da Turquia? Alguns exemplos para explicar a situaçom?

Há cadáveres nas ruas de Sur, o centro antigo da cidade de Diyarbakir. As suas famílias estam em greve de fome desde o 2 de janeiro para forçar as autoridades a permitir o enterro dos mortos, mas sem sucesso. O 13 de janeiro, a Associaçom de Direitos Humanos de Diyarbakir falou com o ajudante do governador de Diyarbakir, Mehmet Emir, que deu permisso para recolher os corpos naquela tarde. Mas quando o grupo, incluindo a deputada do HDP Sibel Yigitalp, chegarom o distrito de Sur, a polícia dixo que eles poderiam levar os corpos, mas so se que eles traiam em primeiro lugar as armas ou explosivos que jaziam na vizinhança dos corpos. Além disso, eles digerom que nom eram responsáveis pola segurança do grupo. Em seguida, o grupo considerou muito perigoso recolher os corpos. Tratava-se dos corpos de Mesut Seviktek, İsa Oran (ambos morreram o 23 de Dezembro), Ramazan Ögüt (falecido o 30 de dezembro) e Rozerin Çukur (morto o 8 de Janeiro). O mesmo acontece em outras áreas com toques de recolher.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 01 hungerstrikeOs civis estam sendo assassinados, incluindo crianças. Na semana passada em Cizre por exemplo, Hayrettin Sinik, de 10 anos, morreu de caminho para o hospital depois que el fosse ferido quando um morteiro atingiu a casa da sua família. Anteriormente, o 15 de janeiro Busra Akalin, também de 10 anos, morreu em Cizre, depois que ela foi ferida da mesma forma.

Cidades e bairros inteiros estam sendo destruídos. O exército utiliza artilharia pesada que dispara indiscriminadamente sobre áreas residenciais e sem saber contra quem e onde atingirom os projectis. Casas, mesquitas, escolas, todos estam danados, por vezes, tam fortemente que nom podem ser usados mais. O lixo acumula-se nas ruas. De acordo com Faysal Sariyildiz, deputado do HDP que está em Cizre há semanas e que relata intensivamente via twitter, a cidade cheira a lixo e pólvora.

Milheiros e milheiros de pessoas estam fugindo da violência, e porque há escassez de alimentos. Muitas vezes, a eletricidade é cortada também. O estado torna impossível às pessoas viver nas suas casas e continuar as suas vidas diárias de qualquer forma. Por vezes, durante os toques de recolher, com um pedaço de lençol branco amarrado a um pedaço de pau para tentam proteger-se contra os atiradores.

2. Logo, há uma guerra na Turquia?

Há. Mas nom é nova. Todo começou em 1984, quando o PKK realizou os seus dous primeiros ataques contra o Estado. Desde entom, tem havido umha guerra civil, de acordo com a definiçom comum de que umha guerra civil é um conflito armado dentro do território de um Estado, com a participaçom ativa desse estado, e com um número de mortes de mais de mil por ano (o que nom foi medido a cada ano desde 1984, mas com um número total de mortos de mais de 40.000, estes critérios podem ser considerados cumpridos). O termo guerra civil é um pouco enganador, guerra intra-estado seria mais preciso, umha vez que nom significa necessariamente que vários grupos de civis estam luitando entre si, o que nom é realmente o caso na Turquia: é umha guerra entre o Estado e o PKK, e explicitamente nom umha guerra entre curdos e turcos.

No entanto, umha das partes combatentes, o PKK, considera-a umha guerra colonial também. Consideram o exército turco e ao Estado turco umha potência ocupante. Nos seus primeiros anos, na década de 1970 e 1980 e ate o 1990, queriam a secessom da Turquia, mas há mais de umha década, mudaram o seu objetivo pola autonomia. Isso nom fixo as autoridades turcas menos potência ocupante, aos seus olhos, de modo que a guerra atual ainda é colonial também. Isto torna-se evidente, por exemplo, em declaraçons à imprensa da KCK (a KCK é umha organizaçom guarda-chuva de grupos curdos, da que o PKK forma parte), em que muitas vezes se referem ao exército turco como “exército de ocupaçom”.

O PKK considera a autodeterminaçom um direito, e de fato este direito está estabelecido solidamente em tratados internacionais dos que a Turquia é parte. É inevitável que, eventualmente, este conflito seja resolvido através da concessom aos curdos de algumha forma de autonomia. Quando esse dia chegue, nom é muito lógico que o exército e a polícia turca, que reprimirom e massacrarom os curdos desde antes mesmo da fundaçom da República Turca em 1923, continuará a ser a força armada legítima do Curdistam. Eles perderom essa legitimidade, comparável ao exército iraquiano nom ter nengumha funçom na regiom agora autônoma do Curdistam do Iraque, onde os peshmerga- considerados terroristas ilegais por Saddam Hussein – forom transformados nas forças armadas legítimas.

No final de 2015, o Congresso da Sociedade Democrática (DTK), um grupo guarda-chuva de dúzias de organizaçons da sociedade civil e dos conselhos locais, bem como membros de partidos políticos relacionados com o movimento curdo (HDP a nível nacional e DBP em um nível regional), sublinhou umha vez mais que a autonomia é essencial para a soluçom da questom curda. Vários prefeitos já declararom os seus municípios autônomos. Desde entom, a guerra, principalmente antes luitada nas áreas rurais das regions curdas, mudou-se para as cidades.

Por mais que o governo turco quer que o mundo exterior acredite que está, em verdade, luitando contra o PKK nas cidades e declarando os toques de recolher para proteger os cidadaos contra a repressom do PKK, os membros do PKK das montanhas nom descerom às vilas e cidades do Curdistam. A luita contra o exército e a polícia nas cidades é levada a cabo por um grupo de jovens, os YPS, os Yekîneyên Parastina Sivîl, em Inglês Unidades de Protecçom Civil. Estes grupos de jovens homens e mulheres anteriormente conhecidos como YDG-H, Movimento da Juventude Revolucionária Patriota. Eles consideram-se as forças armadas legítimas dos municípios onde foi declarado o autogoverno. Quando o YDG-H estava armado principalmente com cocktails molotov e pedras, as YPS também tenhem às vezes Kalashnikovs e lançadores de foguetes.

Há uma diferença importante entre o PKK e as YPS. As YPS podem estar afiliadas com o PKK, mas eles nom som, membros oficiais do PKK, sob o comando da liderança do PKK com base nas montanhas de Qandil, no norte do Iraque. oPelo menos, é isso o que o PKK afirma com veemência. Eles estam decidindo sobre o seu próprio curso de forma independente, e por isso o movimento da juventude pode ser comparado ao movimento das mulheres KJA (Congresso de Mulheres Livres), que também nom recebe ordens de ninguém.

Há somente umha pessoa a que as YPS escutariam, e é o líder do PKK, Abdullah Öcalan. El está em isolamento na ilha prisom de Imrali desde o 5 de abril de 2015 – bem, nom pode ser descartado que por trás houvesse algum contato, mas el nom pode receber os seus familiares, avogados ou membros do HDP, e, portanto, nom pode fazer qualquer declaraçom pública através deles. Se Öcalan podesse falar novamente, a chance de que a violência diminuiria é considerável. Quanto mais tempo o isolamento continue, porém, mais difícil fica para o governo do AKP quebrá-lo: isolando-o para tentar minimizar a sua importância, mas é claro que está acontecendo o oposto, o que se demostrará claramente quando el poida falar novamente. Situaçons semelhantes aconteceram antes, como em 2012, quando houvo umha greve de fome entre os membros do PKK e prisioneiros políticos em muitas prisons na Turquia, e alguns grevistas estavam prestes a morrer. O momento no que Öcalan dixo que a greve de fome tinha que parar, os presos começarom a comer novamente.

As YPS querem o exército turco fora dos “seus” territórios; o exército naturalmente nom o aceita, iguala o PKK com as YPS e tenta aniquilá-los. É notável que nom atingiram o seu objetivo, apesar de levar alguns meses de luita, com o segundo maior exército da OTAN, contra um contingente de jovens mascarados e mulheres com Kalashnikovs e foguetes. Entom, novamente, as ruas nessas cidades, especialmente em Sur (a cidade antiga de Diyarbakir), mas também em Cizre e Silopi, som estreitas, e um tanque ou veículo blindado nom chega muito longe.

Nestas batalhas de cidade, um monte de civis morrerom – ver a questom mais tarde. É, no entanto, nada de novo que a povoaçom civil é vítima da brutalidade do estado. Na década de 1990, cerca de três mil aldeias nas áreas curdas forom queimadas polo exército e milheiros de pessoas fugirom para outros povos e cidades. É por isso que muitos dos refugiados daqueles dias terminou no distrito de Sur de Diyarbakir, onde a violência é intensa agora e onde milheiros de cidadaos, mais umha vez tiverom de fugir polas suas vidas e encontrar abrigo em outro lugar.

3. Há estatísticas sobre os toques de recolher e mortes de civis?

Sim, várias organizaçons documentam o que está acontecendo.

A Fundaçom de Direitos Humanos da Turquia (TIHV) fez um informe sobre os toques de recolher e as suas consequências. Houvo 58 oficialmente confirmados, o toque de recolher por tempo indeterminado e-ininterruptus em polo menos dezanove distritos de sete cidades (eles mencionam as províncias de Diyarbakir, Mardin, Sirnak e Hakkari, mas mais especificamente, por exemplo, Silvan, Dargeçit, Nusaybin , Sur, Silopi, Cizre, Yüksekova, Lice e outros). Nessas áreas residem, cerca de 1.377.000 pessoas. Eles afirmam que, com base em dados do seu centro de documentaçom, 162 civis forom mortos, entre os quais 29 mulheres, 32 crianças e 24 pessoas com mais de 60 anos de idade.

Também de acordo com o TIHV, só entre o 11 de dezembro de 2015 e o 8 de janeiro do 2016, 79 civis forom mortos, dos quais quatorze eram mulheres e um bebê por nascer (morto por um tiro no ventre). Dessas 79 pessoas, polo menos 22 foram baleadas dentro dos limites das suas casas, seja dentro de casa, na soleira da porta ou terraço ou no jardim. Quatro pessoas morrerom em operaçons ligadas fora das áreas do toque de recolher.

Os toques de recolher em Sur e Cizre estam em andamento: a 19 de janeiro, estavam em seus respectivos dias 49 e 38. Com base em relatos dos medios de informaçom, o TIHV afirma que em todas as áreas dos toques de recolher cerca de dez mil forças de segurança foram enviados, juntamente com centos de veículos militares blindados, como tanques, veículos blindados e canhons. A partir do 19 de janeiro, o toque de recolher em Silopi, que começou no mesmo dia como o de Cizre, foi levantado durante o dia de cinco am a seis pm, mas continuou nas horas da tarde e noite.

Para obter detalhes sobre as dadas dos toques de recolher e os nomes e idades dos civis mortos, a ‘tabela detalhada‘ para baixar que o TIHV oferece no seu site.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 03 silopiNom está claro quantos membros das forças de segurança (exército e polícia) foram mortos na violência em curso. Também nom fica claro quantos dos civis mortos eram realmente membros das YPS. Há perdas entre os membros do PKK também, mas estas mortes, em geral, nom ocorrem nas cidades, mas nas áreas rurais e nas montanhas de Qandil, onde os bombardeios polo exército turco estam em curso. Há exceçons: na cidade oriental de Van, doze membros do PKK forom executados o 10 de janeiro, mais informaçons neste artigo, e em Kiziltepe dous membros do PKK forom mortos pola polícia durante umha missom lá.

A Human Rights Watch publicou um relatório a meiados de Dezembro, e tinha meticulosamente investigado quinze mortes de civis em Setembro e Novembro, em Cizre (província de Sirnak), Silvan (Diyarbakir) e Nusaybin (Mardin). O relatório nom oferece estatísticas detalhadas, mas descreve as condiçons em que a povoaçom tem de viver, incluindo a falta de comida, água, eletricidade e assistência médica.

Emma Sinclair-Webb, investigadora na Turquia, di no relatório: “O governo turco deve controlar as suas forças de segurança, interromper imediatamente o uso abusivo e desproporcional da força, e investigar as mortes e danos causados polas suas operaçons. Ignorar ou encobrir o que está acontecendo com a povoaçom curda da regiom só iria confirmar a crença amplamente difundida no sudeste que, quando se trata de operaçons policiais e militares contra grupos armados curdos, nom há limites – nom há lei.” O relatório completo pode-se ler aqui.

Amnistia Internacional também falou contra os toques de recolher e as operaçons militares, em umha chamada “açom urgente”. Nom só eles apontam para os toques de recolher, que carecem de base jurídica, e as mortes de civis, mas também chamam a atençom para o feito de que as manifestaçons contra o toque de recolher som geralmente proibidas e atacadas pola polícia, violando assim o direito à liberdade de reuniom. A açom urgente pode ser lida aqui.

4. Quem di que os civis morrerom todos polo fogo do exército ou da polícia? Nom poderiam ser balas ou foguetes das YPS também?

Isso poderia ser. O problema é que nengumha das mortes está investigada completa e independentemente. Os corpos som levados para o necrotério, onde se escreve um informe da autópsia, e já. O Estado tem a obriga de investigar minuciosamente a morte violenta dos cidadaos, mas isso nom acontece.

5. Houvo um processo judicial no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (CEDH) para que as toques de recolher sejam declarados ilegais. Como vai isso?

O caso está pendente. Os avogados que recorrerom ao CEDH pedirom que os toques de recolher fôssem suspensos enquanto o tribunal está a deliberar o caso, mas o tribunal rejeitou isso. Como o tribunal funciona lentamente, nom é esperado um veredicto em breve, mas, provavelmente, dentro de um ano. O que significa que o veredicto só virá quando os toques de recolher atuais estejam já levantados, entom que exatamente é o ponto? Riza Turmen, ex-juiz do CEDH e ex-deputado polo maior partido da oposiçom, o CHP, agora ensinando a lei dos direitos humanos na Universidade de Bilkent, em Ancara, conta: “O tribunal vai determinar que aconterom violaçons dos direitos humanos, e é importante estabelecer isso. Vários direitos humanos som violados durante os toques de recolher, o mais importante o direito à vida, o direito de nom ser exposto a maus tratos e a privaçom de liberdade.’

Ramazan Demir é um dos avogados que assistente na CEDH. El di: “O tribunal nunca ordenara a um país acabar com os toques de recolher, mas pode encomendá-lo a tomar medidas contra as violaçons dos direitos humanos durante os toques de recolher. Até o veredicto é conhecido, imos requerer ao tribunal por casos concretos urgentes. ”

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 04 paksoyO primeiro pedido dos avogados ao tribunal o 18 de Janeirofoi: as autoridades tenhem de permitir umha ambulância recolher o ferido Hüseyin Paksoy das ruas em Cizre, onde tinha estado à espera por ajuda médica por quatro dias. Paksoy era para ser internado no hospital, mas já era tarde demais: morrera. Ramazan Demir: ‘Enquanto isso, há outras pessoas feridas que precisam de cuidados médicos. Estou constantemente ao telefone com Faysal Sariyildiz, (deputado em Cizre do HDP), que se está esforçando por tirar os feridos fora das ruas e leva-los os hospitais.’

6. Por que o movimento curdo declarou o auto-governo? Isso é contra a Constituiçom, certo?

Sim, é contra a Constituiçom. Assim sim, há fundamento legal para julgar os prefeitos que declaram a autonomia nos seus municípios.

No entanto, o movimento curdo, em todos os anos que luita polos direitos curdos, tem frequentemente violado a lei, porque eles nom consideram as leis da Turquia legítimas ou em conformidade com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos. Eles digerom: ‘Nós eramos curdos nos dias em isso era considerado um crime. Eles começarom aulas de língua curda antes de que fosse permitido legalmente. Eles falarom curdo em reunions políticas quando isso ainda era umha razom para ser processados (que foi até o outono do 2013). Eles abrirom escolas em que o curdo era a língua de instruçom embora ainda nom existia nengum fundamento legal para isso. Declarar a autonomia pode ser visto neste âmbito: os curdos nom esperam até que os direitos lhes som concedidos, egerzem-nos, e, eventualmente, o Estado vai apanhar e legalizar umha situaçom já existente.

Essas declaraçons e apoios o autogoverno som pressiom ao governo. Prefeitos som detidos e presos, e o AKP ameaça de levantar a imunidade parlamentar dos deputados do HDP que falarom em favor do autogoverno. Estes som riscos calculados polo movimento político curdo. Eles sabem que nom vam conseguir facilmente os seus direitos e estam dispostos a fazer sacrifícios pessoais.

7. Por que o governo está fazendo o que está fazendo?

Boa pergunta. Havia alguma esperança de que a violência iria diminuir após as eleiçons antecipadas do 1 de novembro, na qual o AKP recuperou a maioria no parlamento que perdera nas eleiçons gerais do 7 de Junho. Mas na verdade a violência tem-se intensificado.

Pode haver duas razons para isto. Primeiro o desejo do presidente Erdogan para modificar a constituiçom e substituir o sistema parlamentar por um presidencial, com el mesmo segurando as rédeas do poder. O AKP no entanto nom tem assentos suficientes no parlamento para mudar a Constituiçom e levá-la a um referendo: precisa de 330 votos no Parlamento (3/5 dos 550 assentos), e tem 317, treze por baixo. Por isso, precisa do apoio de treze deputados da oposiçom, e com a violência atual, eles podem ser capazes de convencer aos ultra-nacionalistas do MHP. Afinal de contas, a violência entre as eleiçons atraiu a muitos eleitores do MHP ao AKP, e um lider e deputado do MHP já mudou para o AKP antes do 1 de Novembro.

Com a violência, Erdogan teria atingido dous coelhos de umha pedrada. Pode ser capaz de ganhar mais deputados do MHP. Mas mais caos no país pode também ajudar a convencer os cidadaos turcos sobre a necessidade de umha presidência forte com poderes executivos – por enquanto, longe de que umha maioria de turcos parecem estar convencidos da Turquia ter um sistema presidencial.

Em segundo lugar, a situaçom na Síria é importante, e provavelmente a principal razom pola qual está acontecendo. No início de julho de 2015, a Turquia intensificou a sua luita contra o ISIS, abrindo as bases aéreas de Incirlik e Diyarbakir aos F16 dos americanos que queriam bombardear o ISIS na Síria e no Iraque. Antes disso, a Turquia já tinha aumentado as detençons de supostos membros do ISIS dentro da Turquia, também invadindo casas e confiscando armas e fardas de batalha. Parecia que os turcos figeram um acordo com os EUA, e talvez também com o PYD, que rege nos cantons curdos na Síria: os curdos na Síria nom iriam avançar ainda mais para o oeste ao longo da fronteira com a Turquia. A Turquia é apavorada com que os curdos sírios, filiados ao PKK, assumam o control de todas as terras que fazem fronteira com a Turquia. Do ponto de vista da Turquia, essa é umha ameaça maior do que ter o ISIS na fronteira, umha vez que eles percebem o ISIS como umha mera ameaça superável à segurança e o PKK como um perigo para a sua unidade nacional.

Durante meses, o PYD e as forças armadas das YPG de feito nom se moverom mais ao oeste, e a força aérea americana nom bombardeou a área ao redor Jarablus, a cidade mais próxima ao oeste do território PYD/YPG, para apoiar militarmente as YPG, como tinha feito anteriormente por um curto período de tempo. A “linha vermelha” da Turquia era o rio Eufrates, que marcava a fronteira oeste do território do PYD / YPG. Os curdos nom a cruzarom- até o 26 de dezembro, quando as Forças Democráticas Sírias (SDF), umha aliança de diferentes milícias das que as YPG é umha parte, assumiu o control da represa de Tishrin.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 05 mapmanbijA Turquia nom foi capaz de impor a sua “linha vermelha”, e nom tem meios para fazê-lo. A única maneira de enfraquecer as YPG, de acordo com a avaliaçom da Turquia, é enfraquecer o seu irmao maior, o PKK, iniciando umha guerra total contra el e os seus jovens filiais nas cidades.

Este objetivo pode ser claro, mas é incerto se a Turquia tem umha estratégia real para ganhar esta batalha contra o PKK e as YPS. Nom foi capaz de vencer a resistência nas cidades, e, embora que afirmam que matarom centos de membros do PKK, estes números som impossíveis de verificar. A organizaçom nom perdeu o seu poder ataque, como ficou claro em um ataque do PKK em umha delegacia de polícia em Cinar, província de Diyarbakir, o 14 de Janeiro, em que um número ainda incerto de policiais (o estado di que um, o PKK reivindica mais de trinta) e cinco civis, entre os quais duas crianças morrerom (mais sobre isso mais tarde). A Turquia está enviando cada vez mais equipes especiais e equipamento militar para a regiom, que com certeza nom é um sinal de que as operaçons estejam indo bem.

A guerra realiza-se contra o povo do Curdistam, bem como, contra o movimento político curdo. Nom só muitos civis som mortos, mas também milheiros de pessoas estam fugindo das suas casas, deixando as áreas do toque de recolher, segurando bandeiras brancas e algumhas das suas pertences, e contentam com o tempo de estar com a família ou em aldeias onde eles podem ter umha pequena casa de verao . Ainda nom está claro se esta limpeza das cidades com o toque de recolher é umha estratégia do Estado, ou o resultado de umha falta de estratégia – talvez as operaçons estam levando mais tempo do esperado. Bairros e cidades inteiras som abatidos a escombros por tanques, morteiros e helicópteros. Um memorial chocante da década de 1990, quando o exército destruiu de 2000 a 3000 aldeias no sudeste e provocou centos de milheiros de pessoas fugindo.

O Estado turco está determinado a quebrar a vontade curda para obter umha maior autonomia a que têm direito. Isso parece estar intimamente envolvido com a caça que o AKP começou de representantes do movimento político curdo, mais especificamente o HDP, no parlamento tem 59 escanos. E se a imunidade de alguns deputados do HDP é levantada? E se, para ser mais específica, a imunidade de 28 deputados do HDP é levantada? Isso significaria que o 5% dos escanos parlamentares nom estariam ocupados, o que significa que novas eleiçons deveriam ser realizadas. Poderia ser este o que o AKP, leia-se Erdogan, persegue? Os rumores de que o objetivo de Erdogan som novas eleiçons começarom, e esta é umha maneira no que poderia ser realizado.

Todo o que o AKP precisa fazer em umhas novas eleiçons é que o HDP esteja sob o limiar do 10%. Se conseguirem isso, os votos dos distritos onde o HDP venceu iriam para o segundo maior partido naquel distrito, que é o AKP nas regions curda. Isso poderia fazer obter o AKP umha super-maioria de 400 escanos, especialmente quando a violência é contínua e as pessoas podem estarr convencidas da necessidade de um governo forte de partido único – correçom: um sistema presidencial, com um presidente segurando poderes executivos. A Constituiçom pode ser alterada sem referendo pola votaçom de 400 deputados em favor da mudança constitucional.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 06 weguitsurA mudança atual de muitos civis das suas cidades vai ajudar o AKP, pois ajudou o partido nas eleiçons do 1 de Novembro: análises independentes mostrarom que o HDP perdeu votos porque muitos curdos deixaram as suas cidades devido ao toque de recolher e a violência e, portanto, nom eram capazes a votar onde estavam registrados oficialmente. Com dúzias de milheiros de pessoas fugindo, e talvez uma intensificaçom dos toques de recolher em áreas onde há muita neve, umha vez que chegue a primavera, isso poderia ter um efeito significativo sobre qualquer resultado eleitoral. O HDP obtivo o 10,7% nas eleiçons do 1 de Novembro e está perigosamente perto do limiar do 10%. Poderiam retornar à estratégia anterior de correr como independentes para contornar o limite, mas isso nom é muito provável.

Especulaçons rebuscadas? Talvez, mas isto é a Turquia. Imos continuar olhando atentamente o desenvolvimento.

8. Por que o PKK matou civis no ataque em Cinar?

O próprio PKK di que os civis nom eram o objetivo. Montarom um carro-bomba para explodir em frente à delegacia de polícia em Cinar, província de Diyarbakir, umha das estaçons onde as operaçons das forças de segurança estam sendo coordenadas. De acordo com as autoridades turcas, 6 pessoas morreram, entre os quais um policia, três civis adultos e duas crianças. De acordo com o PKK, mais de trinta policias morreram e cinco civis, incluindo duas crianças. Quem tem razom? É impossível determinar isso.

Os civis eram membros da família de policias. É comum que as famílias de policias fiquem em compostos estaduais durante o destacamento policial no sudeste, geralmente por um par de anos antes de serem transferidos para outro lugar. A delegacia de polícia tinha vários andares, os superiores em uso residencial. A questom de por que os civis estam alojados no mesmo edifício que a delegacia nom está entre as perguntas que podem ser feitas na Turquia.

O PKK pediu desculpas polas mortes de civis e ofereceu condolências às famílias. Isso causou muita raiva: primeiro matam, em seguida, pidem desculpas? Um membro do PKK disse-nos: “Matar civis é um erro. Devemos-nos preocupar especialmente polas crianças, nom devemos matar civis.’
O ataque encaixa na estratégia do PKK que como me explicou o co-líder do PKK, Cemil Bayik: o PKK ataca as forças de segurança fora das cidades para tentar enfraquecer a polícia e o exército, para que possam operar de forma menos eficaz nas vilas e cidades.

9. Por que está a Europa em silêncio? E a imprensa europeia?

Europa fixo um acordo com a Turquia sobre os refugiados. Atendendo à evoluçom da Europa e das entranhas Europeias, a Europa está centrada em fazer nada para impedir os refugiados chegar à Europa. Nom é que isso seja possível, mas ao menos para os seus cidadaos cada vez mais reclamando-o, tenhem que manter as aparências. Em troca a Turquia fará os esforços para impedir os refugiados, a UE comprometeu-se a revitalizar o processo de adesom à UE com a Turquia. Turquia conhece a UE e nom vai desistir do acordo facilmente e pode violar os direitos humanos e esmagar o movimento curdo sem impedimentos por parte da UE. A UE manobra a esta situaçom cínicamente, com conhecimento de causa e, portanto, de bom grado. Nom é nada novo, porém, que a vida dos curdos estam baixos na sua lista de prioridades. Ou as vidas dos refugiados, para este assunto.

A UE e os EUA também precisam da Turquia na sua luita contra o ISIS. Turquia usa isso para conseguir a aprovaçom implícita da sua luita contra os curdos. A UE está a dar essa aprovaçom, basicamente, explicitamente, ao reconhecer o direito da Turquia para combater o terrorismo. Nom há muito mais que poidam fazer, umha vez que o PKK também está na sua lista de organizaçons terroristas. Mas nom acho que essa lista é umha espécie de lista objetiva cientificamente provada de organizaçons terroristas; a lista é umha ferramenta política para forjar amizades entre os estados (e para cortar os fluxos de dinheiro para as organizaçons da lista, entre outras cousas). Seria bom se o PKK já nom estiver na lista de organizaçons terroristas da UE, mas é por enquanto impossível tirá-la, porque isso iria prejudicar demais as relaçons entre a Turquia e a UE. Na verdade, a Turquia está a pressionar a UE para adicionar mais organizaçons curdas à lista, como a organizaçom guarda-chuva KCK.

No entanto, nom é verdade que ninguém na Europa se preocupe com o que acontece com os curdos. Recebim chamadas e também reunim com vários políticos e decisores políticos da UE que querem informar-se melhor e saber o que pode ser feito sobre as violaçons de direitos humanos atuais. Esses contatos som confidenciais, entom nom podo revelar com quem conversei, mas certifico que nom som de partidos verdes nem de esquerda que já som antigos amigos dos curdos.

E a imprensa europeia? Há jóias, e vas ve ver e ler, se mantes umha estreita vigilância. Mas, infelizmente, há muitos grandes meios de comunicaçom que confiam demais nas informaçons das autoridades turcas e nom estam dispostos ou som capazes de informar desde o território. As jóias provam que ainda é possível ir o sudeste, e, embora as áreas do toque de recolher nom estam acessíveis para a imprensa, há bastante histórias lá, que podem ser escritas. Os meios de comunicaçom que nom o fazem abandonarom a sua missom de informar e devem mover os seus traseiros lá o mais rápido possível.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey  07 Fréderike GeerdinkFrederike Geerdink é umha jornalista freelance de origem holandês que viveu em Turquia e o Curdistam entre o 2006 e 2015, quando foi deportada polo régime turco. Tem escrito numerosos artigos sobre o Curdistam e um livro sobre a matança de Roboski, onde a aviaçom turca assassinou a 34 aldeans.

O artigo foi traducido com o consentimento expresso da autora, e publicado originalmente em beaconreader (plataforma de jornalistas independentes).

 

Fatma Uyar: a luita de umha mulher no coraçom de Botan

Fatma UyarFatma Uyar, ativista dos direitos das mulheres no KJA (Congresso de Mulheres Livres), estava entre as três políticas curdas mortas na cidade de Silopi o luns. Amigos e familiares da Fatma contam a história de umha jovem mulher decidida a nom se render jamais ao patriarcado.

O luns, quando as forças do Estado turco mantinham um sangrento toque de recolher de 24 horas na cidade de Silopi, três mulheres ativistas curdas forom mortas enquanto tentavam fugir dos ataques. Umha das mulheres agora chamadas “as três flores da liberdade” era Fatma Uyar. Os amigos dim que a sua jovem vida estivo caracterizada pola resistência.

Fatma nasceu o 28 agosto de 1988, na aldeia de Duhok nas encostas do Monte Gabbar, na regiom de Botan do Curdistam. Ela foi a segunda de sete filhos. A sua família entom mudou para a capital provincial de Şırnak. Em 2009, foi enviada para a prisom por cinco anos depois de se tornar politicamente ativa na cidade. Seu pai Reşit também acabou na mesma prisom um ano depois. Depois de ter sido liberado em 2010, Fatma imediatamente devolviu o seu trabalho em Botan, tornando-se umha ativista na organizaçom de defesa dos direitos das mulheres KJA na cidade de Silopi.

O 4 de janeiro de 2016 Fatma estava em Silopi, onde o povo do Curdistam estava enfrentando um estado brutal da lei marcial depois de ter proclamado o auto-governo na cidade. Quanto policiais e soldados atacavam a cidade com tanques e artilharia, Fatma e outras duas mulheres ativistas curdas -Seve Demir e Pakize Nayir-forom mortas. Há apenas três anos amanhá, outras três mulheres ativistas curdas -Sakine Cansız, Leyla Şaylemez e Fidan Doğan-forom assassinadas em Paris. Mais umha vez, três mulheres que se levantarom contra o patriarcado forom assassinadas pola sua rebeliom.

“Ela sempre me dizia:” A mulher bonita, sempre fica em pé; nunca se render aos homens “, lembra a irmá mais nova de Fatma, Sultan. Ela di que a sua irmá estava sempre ativa e chutando, e “nunca se ajustava em qualquer lugar” e agora era o seu próprio modelo de vida. A última vez que viu Sultan à irmá foi um mês e meio atrás, quando a sua irmá levou-na espontaneamente fazer um piquenique. Entom, chegou a notícia de que Fatma estava ferida e saiu. Quando ela parou na estrada de Silopi, viu no ticker notícias de que três mulheres foram mortas. O nome de Fátima estava entre elas.

“É porque eu levo a grandeza do seu coraçom dentro de mim porque eu a amo tanto”, dixo Sultan.

A amiga de infância de Fatma, Felek Çakar di que, embora elas cresceram juntas, foi só quando as duas mulheres se envolveram no ativismo em Şırnak que elas se tornaram íntimas, sempre iam às reunions juntas.

“Ela sempre me dizia,” nom cases, nom cedas aos homens “, di Felek. “Quando ela estava na prisom, ela estava sempre a dizer de ir, e fazer cousas. Quando ela me viu trabalhar tam ativamente quando saiu, estava realmente feliz. “Felek descreveu a sua última conversa com Fatma.

“A última vez que ela me chamou, falou sobre a resistência de Silopi. E ela dixo: ‘Eu tenho esse sentimento de que estou indo a ser martirizada”.

Publicado por JINHA, Agência de Noticias de Mulheres.