Que é o “TAK” e quem som os seus membros?

TAKpor Amed Dicle

Umha análise dos  Falcons da liberdade do Curdistam (TAK); umha organizaçom que recebeu ampla atençom depois das suas açons em Ankara, é importante se quigermos compreender o que está acontecendo na Turquia e Curdistam. Na verdade, nom som os curdos, mas o estado quem deve explicar o porque da existência da organizaçom TAK que é resultado direto das políticas estatais. Ainda assim, imos dar umha olhada na estrutura geral desta organizaçom.

De acordo com a informaçom no seu site, os Falcons da Liberdade do Curdistam (Teyrêbazên Azadiya Kurdistan-TAK) foi formada no 2004. No seu site, o TAK afirma que nom realizou nengumha açom entre o 2004 e 2005, e iniciou as suas açons nas cidades turcas no 2006.

O TAK realizou a sua primeira açom o 22 de maio do 2007. O membro do TAK,  Güven Akkuş (Erdal Andok) realizou umha açom no Anafartalar Bazaar no distrito de Ankara Ulus. Akkuş era de Maraş, cresceu em Istambul, e juntou-se a organizaçom na Europa. O TAK afirmou que o alvo de Akkus era Yaşar Büyükanıt, o entom Chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Turquia, a açom nom foi bem sucedida.

O contexto político, quando este ataque foi perpetrado, era intenso como o de hoje, com sinais de que o preso líder curdo Abdullah Öcalan estava sendo envenenado, causando indignaçom entre os curdos em todo o planeta.

No seu site, o TAK diz que realizou açons entre 2006 e 2012, mas nom há informaçons sobre os detalhes destas. Em 2013 e 2014, a organizaçom nom realizou nengumha açom. Retomou as suas açons o 23 de dezembro do 2015, com um ataque no Aeroporto de Sabiha Gökçen, e perpetrou duas açons em Ancara no 2016.

Na sua declaraçom do 30 de dezembro de 2015, o TAK descreveu as metas, açons e tática do Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK) e outras organizaçons curdas como “respostas demasiado leves e ineficazes para a guerra que o fascismo da República Turca está travando contra o povo curdo» e anunciado o início de um novo processo.

O TAK nom realizou açons durante as negociaçons entre o Estado turco e Movimento Curdo (2013-2015) em Imrali, mas declarou que seria ativa após o final do processo de negociaçom.

Na mesma declaraçom, o TAK enfatizou que iria vingar a opressom e a massacre dos curdos.

Em outras palavras, o TAK posicionou-se como umha organizaçom de vingança. Além disso, organizou-se em funçom de responder a todas as ameaças e pressons que se dirigem aos curdos e a Öcalan.

Após os recentes ataques em Ancara, muitas pessoas argumentaram que o TAK era afiliado ao PKK ou sob a sua influência. O TAK nom é o PKK. O PKK declarou inúmeras vezes que nom tinha relaçons com o TAK. O PKK é um movimento com projetos políticos e sociais e umha perspectiva. Organiza-se em muitas aspectos diferentes da vida e tem milheiros de guerrilheiros. Nom é lógico para um movimento que tem estruturas militares criar outro grupo militar. As suas acçons som contra soldados e as forças militares nom desafiam as leis da guerra, e vê os ataques contra civis como crimes de guerra.

O PKK assinou a Convençom de Guerra de Genebra em 1994 e lançou investigaçons sobre as suas açons durante os anos 1980 que resultarom em mortes de civis. Criticou os ataques e condenou a morte e danos a civis, mesmo se eles foram acidentais.

O TAK salienta que tem como alvo as instituiçons e economia do Estado turco. Declarou que nom tem como alvo os civis, e manifestou a sua tristeza polas mortes de civis em Ancara.

Como entendemos a partir de declaraçons recentes da organizaçom, o TAK percebe a guerra do PKK como incompleta e adota umha linha mais radical de açom.

A partir das declaraçons do TAK, podemos ver que alguns dos membros da organizaçom estiveram no PKK no passado. Muitos membros do TAK provenhem dos grupos sociais que forom criadas através da luita do PKK. No entanto, o TAK e a juventude organizada nel, vem os esforços do PKK para umha soluçom política como inadequada, e formam outras organizaçons que visam intensificar o nível da luita.

Argumentando que o TAK e o PKK som o mesmo só pode ser guerra psicológica ou simples ignorância.

Entom, poderia o PKK parar o TAK se quigesse?

A resposta a esta pergunta é nom.

No seu site, o TAK afirma que nom recebem ordens do PKK e continuaram as suas açons até a libertaçom de Öcalan e o povo curdo.

Esta questom nom é simples; está além de hierarquias e relaçons orgânicas. As dimensons sociológicas e emocionais do problema som mais profundas do que o que a maioria das pessoas pensa.

Por que o TAK existe, quando umha organizaçom radical como o PKK já está a travar umha luita política, militar e social?

Esta é a pergunta que deve ser feita, porque milheiros de jovens no Curdistam acreditam que um resultado só pode ser alcançado através da luita contra o Estado turco. Milheiros de pessoas cantam “vingança” nas ruas e chamam o PKK para se vingar. Há razons sociológicas por trás pola qual algumhas pessoas vingam-se. Milheiros de jovens curdos levam as fotos de militantes TAK nas ruas da Turquia, Londres, Berlim, Paris e Bruxelas.

Milheiros de jovens criticam o PKK por nom luitar durante o processo de negociaçom em Imrali. Se vas a qualquer evento que reúna milheross de curdos, vai ver que muitas pessoas compartilham a perspectiva do TAK. Podes observar milheiros de jovens expressando-se de forma semelhante.

Por isso, é impossível compreender a situaçom, se separas a realidade no Curdistam e do povo curdo. Muitos grupos que som sensíveis ao questomm/problema curdo ainda estam a compreender a situaçom. Eles nom entendem por que milhares de jovens chegam ao ponto de se juntar ao TAK. Eles concentram-se nos componentes políticos da situaçom em oposiçom aos sociológicos.

No seu site, o TAK nom oferece um projeto político para o futuro. Umha vez que cada açom tem razons e consequências políticas, a política é a única maneira para dissolver o TAK. É necessário remover as condiçons sociais e políticas que levam a tais açons, e temos assistido a essa necessidade, em 2013 e 2014. Depois que o estado terminou o processo de negociaçom e fala de retomar as suas massacres, o TAK reativou-se. A Política impede que tais organizaçons obtenham umha base social.

Devemos examinar por que pessoas de 20 anos sacrificam-se e organizam-se para este fim. É mais favorável examinar o TAK através da sociologia em oposiçom a análise política simples.

Quem som essas pessoas?

Os membros do TAK som os conhecidos, vizinhos e parentes de Taybet Inan, umha mulher de 60 anos de idade e mae de 8 filhos, que foi morta e cujo corpo foi deixado apodrecer na rua pola polícia em Silopi …

Eles som os seus pares, ccompanheiros de escola e companheirasas de Hacı Birlik cujo cadáver foi arrastado atrás de um veículo blindado em Şırnak …

Eles som os amigos de Mahsum cujo cadáver foi atropelado por tanques em Diyarbakir…

Eles som os amigos de Ekin Van, cujo corpo foi exibido nu depois da sua execuçom em Varto …

Eles som os conhecidos e amigos das dúzias de mulheres e homens que forom queimados vivos em sotos, em Şırnak …

Eles som os irmaos e irmás de centos de crianças que forom baleados enquanto jogavam na frente das suas casas …

Eles som os filhos de famílias cujas casas foram destruídas em Sur e os seus parentes foram executados na rua…

Eles som as crianças que nas ruas que graffitarom por riba de “Se orgulhoso se es Turco, obedece se nom o es” escritos nos muros pola policia e soldados do estado turco …

Para resumir, qualquer jovem curdo dará milheiros de razons para a adesom ao TAK.

É impossível aprovar a morte de civis. É direito de todos criticar e condenar estas vítimas. Devemos criticar mais e deixar claro que atacar civis nom é aceitável em nengumha guerra. No entanto, todos estes pontos nom mudam a realidade do TAK, porque as realidades acima descrita formam as emoçons e pensamentos de milheiros de pessoas.

Quantos intelectuais Turcos que analisam a questom curda hoje sabem dos “sotos da barbárie ‘em Cizre, ou Taybet Inan, Hacı Birlik, Ekin Van, e Miray, de 3 meses, em Cizre que foi baleado nos braços do seu avô?

É impossível para as pessoas que nom tenhem idéia sobre estes ter um conhecimento do TAK. É por isso que muitos curdos vem as suas críticas ao TAK como repugnantes e hipócritas.

Examinando o TAK como umha reaçom contemporânea nom deu nengum resultado. A única maneira para desativar tais estruturas é o final da opressom do Estado e a negaçom do povo curdo. Caso contrário, o TAK vai continuar as suas açons e até mesmo novos TAKS surgiram. Algumhas autoridades do AKP que criticam o PKK hoje lembramos que digeram que mais PKK surgiriam se a questom curda nom é resolvida. A situaçom é exactamente a mesmo para o TAK.

Se milheiros de pessoas estám prontas para “sacrificar as suas vidas’ e a maioria da sociedade curda nom acredita em umha resoluçom dentro das ‘fronteiras turcas,” é hora de re-examinar completamente a situaçom. Centrar-nos nas avaliaçons dos resultados, em vez de nas razons das açons é a opçom mais fácil.

 Publicado em Kurdishquestion.

 

“A resistência é vida, o silêncio é morte”: Entrevista exclusiva com Faysal Sariyildiz

Faysal Sariyildiz 01O deputado Faysal Sarıyıldız do Partido Democrático do Povo por Şırnak foi a única fonte de informaçom desde dentro do distrito sitiado de Cizre nos últimos dous meses. El informou à opiniom pública através das mídias sociais e fixo muitos apelos a organizaçons internacionais para acabar com o cerco em Cizre e impedir a massacre de civis.

Sarıyıldız foi eleito por primeira vez para o Parlamento em 2011 como candidato do Partido da Paz e a Democracia (BDP), o antecessor do HDP, enquanto el estava na prisom por alegada pertença a umha organizaçom terrorista. Foi preso em 2009, como parte das operaçons conra a KCK e liberado em 2014 sem ter sido julgado ou condenado. Foi re-eleito para o Parlamento em 2015.

Kurdish Question entrevistou o Sr. Sarıyıldız na esteira das massacres dos sotos para ter umha imagem mais clara, sem censura e imediata da situaçom em Cizre.

Onde está agora Mr. Sarıyıldız?

Estou no distrito de Cizre de Şırnak, onde há um toque de recolher durante 62 dias sob as ordens do governo do AKP e a decisom do Governador de Şırnak.

Em quais bairros estam ocorrendo as operaçons e assédios?

As operaçons e assédios nom estam limitados a certos bairros. O assédio está a ser implementado em cada canto do centro do distrito. No entanto, há umha concentraçom nos bairros de Nur, Cudi, Sur e Yafes, que estam sob intenso ataque e assédio.

Qual é a povoaçom que vive nesses bairros neste momento?

De acordo com o censo do 2015 a povoaçom de Cizre é de 131, 816. Os quatro bairros que mencionei componhem os 2/3. Devido aos ataques devastadores e extra-legais do estado, as pessoas que vivem nos bairros Cudi, Nur e Sur forom totalmente deslocadas, enquanto mais da metade da povoaçom em Yafes também deixarom as suas casas. Além disso, a política de deslocamento forçado do estado também foi implementado em bairros onde os ataques nom se estam concentrando. Podemos dizer que mais de 100.000 pessoas forom deslocadas.

Há mais de 2 meses que Cizre estivo sob assédio; que estam comendo e bebendo a gente, ou seja, como estam vivendo?

As pessoas consumirom tudo do que se tinham abastecido durante este tempo. Em Cizre, as relaçons sociais e de vizinhança som fortes. Além disso, há solidariedade coletiva porque as pessoas pertencem à mesma identidade política. No entanto, há sérias dificuldades por causa da duraçom do cerco. Por exemplo, o estado permitiu somente um par de lojas abertas determinados dias. Mas só as pessoas que vivem perto destas lojas poderiam tirar proveito disso. As pessoas que vivem longe dessas lojas nos bairros sob fortes ataques nom podem acessar as suas necessidades. Porque se saes da casa para comprar pam podes ser baleado ou atingido por estilhaços de um morteiro; em suma, morrer. O preço de sair a rua é a morte. Além disso, a polícia recentemente impediu que estas lojas abram.

Ao mesmo tempo, as forças estatais impedirom a dúzias de camions que continham alimentos e outras necessidades enviadas de todo o país como ajuda entrar no distrito.

Por causa dos ataques a infra-estrutura do distrito foi destruída. As forças do estado conscientemente atacarom o sistema de água e de águas residuais, bem como os transformadores de energia elétrica. Houvo falta de água durante dias. Um trabalhador do município foi para amanhar os tanques de água danificados, mas foi baleado no braço polas forças estatais; o seu braço tivo que ser cortado.

As pessoas chamam-no pedindo ajuda? Que tipo de cousas pedem?

O pedido mais comum durante o cerco foi polos cadáveres e feridos para ser levados os hospitais. Os pedidos de ajuda das pessoas retidas nos edifícios, as pessoas que estam sob ameaça de morte e as pessoas cujas casas forom queimadas também som comuns. Isso ocorre porque o Estado desligou todos os canais de comunicaçom entre as instituiçons e as pessoas; nom há nengumha via de diálogo. Os municípios nom som capazes de levar os serviços para as pessoas devido ao cerco e toque de recolher.

As pessoas pensam que porque eu som deputado eu poderei atender os seus pedidos. No entanto por causa de ser da oposiçom e a linha política que represento, os pedidos que eu fago nom deve som levados em consideraçom. Os cadáveres e feridos forom deixados nas ruas durante dias apesar dos repetidos apelos para que poidam ser recuperados. Pedidos como estes seriam atendidos imediatamente em países onde há umha democracia enraizada e a justiça e o direito está em vigor. Mas os pedidos humanos som ignorados na Turquia, que é administrado por um governo anti-democrático e totalitário.

Onde é que as pessoas que migrarom de Cizre forom? Tem algumha informaçom sobre a sua situaçom?

As pessoas que tiveram que deixar as suas casas e meios de subsistência por causa dos constantes e graves ataques por parte das forças estatais. Quando os curdos falam de devastaçom e desastre fam referência a Kobanê e Sinjar. Dous terços de Cizre em verdade nom som diferentes de Kobanê e Sinjar. As casas forom viradas em ruínas. Quase nom há casas que os bombardeios de tanques e morteiros nom bateram. Esta foi umha política consciente para deslocar as pessoas. As forças do governo violarom o direito à vida.

Houvo migraçom interna no primeiro mês do cerco. Os ataques estavam concentrados nos bairros Cudi, Nur, Yafes e Sur. As pessoas forçadas a se deslocar destas áreas migrarom para o centro do distrito ou bairros onde os ataques eram menos graves. Alguns forom morar com parentes e outros forom acolhidos por pessoas. No entanto, quando os ataques começarom a se espalhar para esses bairros, mais umha vez migrarom, desta vez para as aldeias vizinhas, o centro de Şırnak, Idil, Diyarbakir e cidades turcas. Na década de 1990 os ataques do Estado provocarom que os curdos migraram das zonas rurais para as zonas urbanas, agora está ocorrendo o oposto; porque o estado está a transformar as cidades curdas no inferno.

Por que o estado está atacando Cizre tam severamente?

Se analisarmos o significado histórico e político da Cizre, pode-se ver que tem umha qualidade simbólica, tanto para o estado como também para o povo curdo. Para compreender por que o Estado declarou o mais longo cerco e toque de recolher e cometerom atrocidades, impedindo as pessoas de enterrar os seus seres queridos e a queima de pessoas vivas, deve-se olhar para a história da resistência em Cizre.

Durante toda a década de 90 Cizre foi o lugar de maior tirania e repressom. Os feitos na celebraçom do Newroz (Ano Novo curdo), em 1992 ainda estam frescas na nossa memória. Mais de 100 civis forom mortos e centos feridos em ataques para evitar as celebraçons do Newroz. Nos mesmos anos as aldeias forom arrasadas, as migraçons forçadas, execuçons extrajudiciais e as valas comuns forom moeda diária em Cizre. O Estado viu os direitos humanos e as liberdades básicas como luxos para as pessoas deste distrito.

No entanto, apesar de toda a violência e repressom, entom e agora, o povo de Cizre nom deu nengumha concessom e nom se ajoelhou. A demanda de Cizre pola liberdade e igualdade e a resistência contra as políticas do Estado turco de negaçom e assimilaçom foi sempre inquebrável. Apesar da política de assimilaçom do estado Cizre resistiu a turquificaçom e protegeu a sua autêntica identidade cultural e política independente. É por isso que sempre foi um alvo para quem está no poder. Assim como Cizre estava no coraçom da rebeliom contra o Império Otomano em 1847, tornou-se símbolo da resistência para o povo curdo na década de 1990.

Portanto, o estado acredita que se Cizre, como um dos centros de resistência, é liquidado, entom podem fortalecer a sua soberania nas outras cidades do Curdistam. Mas eu acredito que a barbárie do Estado em Cizre durante o cerco foi gravada na memória coletiva do povo tam profundamente que vai criar raiva e umha reaçom organizada. As pessoas aqui forom obrigadas a umha experiência desumana e tirânica que vai passar de geraçom em geraçom.

Faysal Sariyildiz 02Que significam as barricada e trincheiras?

Significa umha forma de auto-defesa contra a política de negaçom e aniquilaçom do Estado. É claro que o povo curdo nom está feliz com a vida atrás das trincheiras, no meio de batalhas, deixando as suas casas e enterrando os seres queridos todos os dias. No entanto, há umha insistência em que os curdos vivem como escravos. Aqueles por trás das trincheiras se oponhem a isso. A maioria deles estiverom discriminados polo Estado; detidos, presos e torturados ou perderom um parente na guerra ou incendiarom a sua aldeia. Eles nom confiam no Estado. Eu sei disso porque me reunim com os jovens o ano passado, quando as negociaçons (entre o movimento curdo e o estado) ainda estavam em andamento, para que eles fecharam as trincheiras. Eles escutarom o chamado de Öcalan e figerom-no. No entanto, o mesmo dia as forças estatais dispararom e matarom umha criança, Nihat Kazanhan, desde um veículo blindado. É o conceito de guerra do estado que obrigou a Cizre a cavar trincheiras.

Há diálogo entre você e os funcionários / instituiçons estaduais?

Apesar das muitas tentativas de fazer contato e atender durante todo o cerco, o governador de distrito Cizre nom respondeu o telefone nem respondeu aos nossos pedidos para umha reuniom. O diálogo com a polícia nom evoluiconou além das constantes ameaças que nos fam.

Quem acha que está comandando as operaçons militares em Cizre? As forças de Ancara ou as locais? Quantas equipes das forças especiais, soldados, policiais etc. há em Cizre no momento?

O que aconteceu em Cizre nom é umha questom local. O mesmo aconteceu e continua a acontecer em muitas outras vilas e cidades curdas. Os funcionários do governo também afirmarom em várias ocasions que esta é umha operaçom global. Por isso, é claro que estas operaçons estam sendo planejadas e usam as instituiçons burocráticas e instrumentos políticos de todo o estado. Em março do 2015, quando o processo de resoluçom ainda estava em curso, o governo do AKP aprovou o projeto “Paquete de Segurança Interna” no Parlamento como preparaçom para o que está acontecendo hoje. Todas as operaçons que som implementadas aqui som suportadas, incitadas, e dirigidas por autoridades estaduais e do governo, incluindo o presidente, primeiro-ministro, ministro do Interior, ministro da Defesa, chefe de gabinete, governadores provinciais, governadores etc. Aqueles que executam a operaçom no terreno som pessoal do Estado. Eles estam pagos polo Estado e estám usando equipamento militar do estado. Há mais de 10.000 soldados e forças policiais especiais participando activamente na operaçons em Cizre. Se levarmos em conta todos os tipos de artilharia pesada, existem suficientes soldados e forças especiais para verificar cada casa em Cizre.

Houvo massacres em 3 sotos. Poderia dar-nos algumha informaçom concreta sobre estas massacres?

Havia cerca de 130 pessoas nos ‘3 sotos da morte’, a metade deles mortos ou feridos. Eu e as famílias dos presos falamos com a delegacia da polícia Cizre e a equipe de saúde do estado inúmeras vezes de levá-los para o hospital. Mas cada solicitaçom foi recusada por motivos de “segurança”. Os edifícios com os feridos presos forom atacados por vários dias. Eles forom deixados sob os escombros, sem comida e água por vários dias. O Estado violou todas as regras humanas e legais e massacrou os feridos de umha forma selvagem.

Nom temos informaçons concretas sobre o primeiro soto. Mas as ambulâncias do município recuperarom os corpos que forom tirados a rua polas forças estatais a 50 m de distância do soto. Nom sabemos ao certo se forom retirados do prédio. No entanto, temos a certeza de que polo menos 110 pessoas que se refugiarom nos edifícios forom massacrados, a maioria deles queimados vivos. Há polo menos 28 pessoas desaparecidas. (Umha vez que a entrevista rematara confirmou-se, que polo menos, 145 pessoas morreram).

Umha vez que o bloqueio marcial começou 62 dias atrás 209 pessoas forom mortas, as identidades de 80 pessoas forom confirmadas, enquanto o resto ainda nom estam claras. Nós acreditamos que o número de vítimas vai subir. Há muitos mais cadáveres nas ruas e nas casas.

O Estado e a imprensa turca afirmou que essas pessoas nom evacuarom os sotos apesar dos apelos. Por que essas pessoas nom deixarom os sotos?

As afirmaçons de funcionários do Estado e os meios de comunicaçom de que as pessoas nom evacuarom os sotos apesar de ter a oportunidade som para enganar a opiniom pública internacional. Se isso fosse verdade eles poderiam prova-lo. Tivem contato por telefone com as pessoas assediadas, falamos muitas vezes. Conheço muitos deles do seu trabalho na esfera social, política e de mulheres. Quase 50 estudantes universitários que tinham viajado a Cizre em solidariedade também estavam entre os feridos. Quando as ambulâncias tentarom alcançar os sotos as forças do estado tiroteiarom a cena e nom lhes permitirom a entrada na área por razons de “segurança”. Em vez de permitir que eles foram levados para o hospital, desde o início o estado abandonou à morte e queria massacrá-los. Eles figerom isso, queimarom-os vivos.

Com esta massacre do estado, à sua maneira, queriam ensinar aos que resistem a liçom e também o castigo e intimidar as pessoas de outras cidades curdas; isso também era umha ameaça para os que estám contra o estado nas cidades ocidentais da Turquia. Usando a retórica “Estamos perdendo o país polos terroristas”, o governo tentou esconder as suas práticas extra-legais e consolidar o bloco nacionalista e conservador.

Além disso, devido à crescente supressom dos meios de comunicaçom nos últimos anos, é impossível falar de uns mídias livres que informaram do que está acontecendo aqui. Os meios de comunicaçom atuais estam no lugar para legitimar todas as açons do governo e do estado. Um pequeno grupo de meios de comunicaçom livres som constantemente reprimidas com os jornalistas sendo mortos, presos e impedidos de fazer o seu trabalho. Portanto, nom é possível obter informaçom imparcial ou detalhada sobre o que está acontecendo nas cidades curdas nos mídia. Em suma, o Estado está a implementar todos os métodos de guerra psicológica à sua disposiçom.

Sabemos que os sotos em Cizre tenhem um significado especial. Desde os anos 90 as pessoas refugiarom-se nos sotos. Poderia contar mais sobre isso?

Um soto ou adega é um espaço onde as pessoas se refugiam dos ataques do estado. Este espaço é, especialmente para Cizre, histórico. Tendo experimentado a tirania do estado, a soluçom de Cizre forom os sotos. Se o povo de Cizre nom tivera construído sotos para defender e proteger-se, massacres maiores poderiam ter ocorrido.

Você é deputado por Şırnak. Umha criança desta cidade. Sabemos que perdeu muitos amigos recentemente. Como descreveria o seu estado de ánimo? Poderia nos contar o momento em que mais luitou?

O sofrimento em Cizre foi indescritível. Como podoo distinguir entre a dor causada pola morte da mae Hediye, que depois de me pedir ajuda durante umha semana, foi morta por um projetil de tanque, ou o assassinato do bebê de 3 meses Miray e o seu avô em umha emboscada sangrenta ou a morte do meu amigo Aziz, que foi morto por um único tiro na cabeça quando se dirigia salvar a umha mulher ferida, ou a perda do meu camarada Seve, que escondeu a sua convicçom na revoluçom no seu sorriso? Mas umha criança escreveu “A resistência é vida, o silêncio é morte” em umha parede com carvom em meio do bombardeio de tanques também me afetou profundamente. Porque este foi o grito de Cizre …

Eu acho que essas palavras e frases explicam Cizre e o meu estado mental; silêncio, gritos desoladores, resistência, vida, destroços, água, tirania, migraçom, coragem, liberdade, rostos ensangüentados, jovens com rostos luminosos, esperança…

Fixo chamadas a muitas organizaçons internacionais recentemente. Recebeu algumha resposta?

Nom houvo resposta significativa ou medidas tomadas em resposta às cartas escritas e as chamadas feitas por mim e o Partido Democrático dos Povos até agora.

Como podem ser paradosos ataques do Estado ?

Tanto quanto nós podemos dizer as forças estatais nom tenhem a intençom de cessar os ataques no futuro próximo. O estado quer encobrir o seu fracasso político na Síria e Rojava com esses ataques. Além disso, quer desacreditar, criminalizar e suprimir a motivaçom criada polos desenvolvimentos em Rojava, bem como as exigências feitas polos curdos durante o processo de soluçom, que forom vistas polo mundo como legítimas. A oposiçom unificada e organizada formada polas forças democráticas é a única cousa que pode enfraquecer os ataques do Estado. O apoio da opiniom pública internacional também é muito importante.

Onde acha que os desenvolvimentos nos estam levando?

A situaçom actual da economia capitalista significa que os recursos energéticos e as suas vias tornarom-se questons importantes. As potências imperialistas estam constantemente fazendo novos movimentos devido às consideráveis reservas de petróleo e gás na regiom. Os desenvolvimentos aqui, especialmente desde a primeira Guerra do Golfo, estam criando novas contradiçons, novas alianças, novos problemas e novas oportunidades todos os dias. Além disso o sectarismo está sendo aprofundado usando o Daesh (ISIS). Junto com isso nós igualmente temos os desejos democráticos e as luitas dos povos da regiom contra os regimes autoritários.

Um dos exemplos mais importantes disso som os curdos. Os curdos querem a democracia e o auto-governo. Há umha luita ativa por isso em Rojava. As demandas na Turquia dos curdos estam a ser recusadas; a sua luita criminalizada, suprimida e deslegitimiçada. No entanto, nesta era da comunicaçom nom vai ser tam fácil como era antes negar a demanda do povo pola democracia, a igualdade e a liberdade. Os curdos continuarám luitando por isso; a sua demanda por umha “cidadania igual e livre” na Turquia é significativa e preciosa. É umha exigência universal, legítima e democrática. Entom, até que um regime democrático no que os curdos tenham um estatus e opiniom vai continuar esta luita.

Obrigado por dar-nos esta entrevista e polo seu tempo.

Obrigado.

Esta entrevista foi publicada em duas partes 1 e 2 em Kurdish Question.

 

Chamada urgente: Nom esperes até amanhá quando seja tarde demais para Sur!

Chamada Urgente
O estado de sítio permanente declarado polo governo do AKP em várias províncias curdas desde o 16 de agosto do ano passado continua a agravar a situaçom extrema que compromete os direitos humanos básicos e as liberdades na área, incluindo o direito à vida e à segurança pessoal.

Até hoje, os toques de recolher declararom-se em sete províncias e vinte municípios, em 395 dias. Esta política de Estado clara e diretamente viola os fundamentos da Constituiçom da República da Turquia, bem como os princípios básicos do direito internacional humanitário, em primeiro lugar as disposiçons da Convençom de Genebra para a proteçom de civis em zonas de guerra e de conflito. O exemplo mais claro de violência sistemática e massacres cometidos, acaba de dar-se na cidade de Cizre, na província de Sirnak, tudo sem que a opiniom pública turca e internacional se manifestaram: polo menos 165 civis que se refugiaram nos sotos de edifícios residenciais em meio de operaçons militares forom bombardeados até a morte polas forças de segurança turcas. Enquanto o governo AKP continua a negar a sua responsabilidade nas massacres de civis em Cizre sob o pretexto de se tratar da luita “anti-terrorista”.

Mais umha vez, as notícias do histórico bairro de Sur em Diyarbakir aterrorizam-nos, porque leva 80 dias sob toque de recolher, desde 11 de dezembro de 2015. De acordo com fontes locais e da imprensa, desde o 18 de fevereiro, cerca de 200 pessoas, incluindo crianças e pessoas feridas, permanecem presos nos sotos de edifícios residenciais no bairro de Sur, onde estám a ter lugar violentos ataques das forças de segurança. Nos últimos dias, membros e representantes do nosso partido tentarom entrar em contato com representantes do governo, exigindo umha investigaçom oficial sobre essas afirmaçons e a abertura de um corredor seguro para mover os civis encurralados. No entanto, todos os nossos esforços e exigências permanecem sem resposta. Estamos extremamente preocupados com a possibilidade de que a massacre de Cizre poida repetir-se em Sur.

Tendo em conta esta possibilidade, também estamos muito preocupados com o silêncio mostrado pola comunidade internacional contra a violência e as massacres que ocorrem nas cidades curdas.

Temos transmitido à comunidade internacional de que o seu silêncio só serve para encorajar o governo do AKP e suas forças de segurança nas suas práticas ilegais e desumanas nas cidades curdas. É mais do que provável que, se a Comunidade Internacional erguera as suas vozes, agora nom haveria centos de cadáveres recuperando-se nas ruínas de Cizre…

Fazemos um chamamento urgente a todas as instituiçons internacionais, organizaçons humanitárias e ativistas para tomar as suas responsabilidades o mais rápido possível e também que instem o Governo turco que cesse de umha vez o estado de violência nas cidades curdas e proteja as vidas de civis encurralados nos sotos de Sul.

Nom deixes que amanhá seja muito tarde para Sur!

Hişyar ÖZSOY, Vice-co-presidente do HDP Encarregado das Relaçons Exteriores

 

Mehmet Tunç: O povo curdo está orgulhoso tua

The Kurdish People Are Proud Of You Mehmet Tunç Artigopor Nurcan Baysal

O artigo publicado abaixo é umha carta aberta ao Parlamento Europeu que foi enviada a cada deputado/a e órgao da UE.

Há muitas pessoas feridas que se refugiarom nos sotos, em Cizre durante quase um mês. Houvo um homem que nos informou da verdade, ao mundo inteiro, o Parlamento Europeu, sobre o que está acontecendo em Cizre, era este homem o co-presidente da Assembléia do Povo de Cizre Mehmet Tunç.

Apesar da notícia da morte de Mehmet Tunç está sendo compartilhada nas redes sociais desde há dous dias eu nom queria acreditar. Nos últimos dous dias, telefone em mao, falando com pessoas de lugares que vam desde Cizre a Bruxelas, tenho tentado descobrir o que aconteceu com el. Eu nom queria acreditar que este homem corajoso morrera.

Esta noite, recebim a notícia de que Mehmet Tunç morrera. Eu falara com Mehmed duas semanas atrás, quando eu estava em Bruxelas para moderar um seminário como parte da 12º conferência “Uniom Europeia, Turquia, Oriente Médio e os Curdos”. Mehmet Tunç figera umha chamada ao Parlamento Europeu desde o soto no que tomaram refúgio:

“A situaçom nom é como como se mostra nos meios de comunicaçom. Existe umha massacre em Cizre; estamos diante de um genocídio. Todas as casas forom bombardeadas, utilizam tanques. Armas que som usadas contra os inimigos estam sendo usadas contra o seu próprio povo polo governo do AKP e o Estado turco. Há umha tragédia acontecendo em Cizre. Durante 60 dias, as pessoas agora estam sem pam nem água. Apenas 10 mil de umha povoaçom de 120.000 permanecem. O estado deslocou forçadamente as pessoas. Políticas semelhantes foram implementadas na década de 1990. 4 mil aldeias forom arrasadas e as pessoas movidas para lugares como Cizre. Eles despovoarom as aldeias para acabar com o PKK. Agora eles estam despovoando as cidades e dizendo que é para acabar com o PKK.

Há certamente umha tragédia em Cizre. 28 pessoas forom feridas em umha casa em Cizre. 5 dos feridos morrerom por perda de sangue. Nom há água. Nós saimos do edifício para obter água e fomos disparados por franco-atiradores. Nom podemos sair. O edifício de quatro andares foi completamente destruído com ataques de morteiros. Estou dentro desse prédio agora. A situaçom é crítica. É por isso que eu estou chamandoos nossos amigos lá. Por favor, parem esta selvageria. Vostedes som o suficiente fortes para parar esta massacre em Cizre. Vostedes som o suficiente fortes para alertar o governo do AKP e levantar o cerco em Cizre. Nom fazendo-o vostedes também vam-se tornar cúmplices da massacre aqui.”

E vostedes, o Parlamento Europeu, agora som cúmplices desta massacre!

Mehmet Tunç, o homem que apelou a vostedes, também foi massacrado. Talvez el foi massacrado porque el difundiu a todo o mundo, a verdade sobre o que está acontecendo no bairro sitiado de Cizre. Eu nom sei se vostedes vam ter vergonha, mas eu tenho-a, vergonha porque eu nom fum quem de deter a sua iminente morte.

Esta talvez seja a última vez que falamos, mas nós imos morrer orgulhosos e honoráveis

Há poucos dias Mehmet Tunç falou a umha TV desde o soto de um segundo edifício em Cizre, onde muitas pessoas feridas estavam presas. “Estas talvez sejam as minhas últimas palavras”, dixo e continuou:

“Estamos face-a-face com umha segunda massacre no Hotel Madimak. Esta é umha vergonha da humanidade. As feridas da massacre de 1993, ainda nom foram curadas e aqui 30-40 pessoas ardem até a morte. A fumaça encheu o prédio e as chamas estam a começar a entrar. Os bombeiros precisam urgentemente de vir aqui e extinguir o fogo. Há pessoas que perderom as suas extremidades; há crianças, pessoas muito feridas. Eles vam-nos queimar vivos. Eu nom tenho nengumha dúvida de que isso vai ser umha vergonha pendurada sobre toda a Turquia, toda a humanidade e as Naçons Unidas. No momento, existem polo menos 37 pessoas aqui …

No momento estamos aguardando a morte. Quando este edifício colapse a humanidade vai ficar sob os escombros. Eles nom seram capazes de explicar isto…

Dirijo-me ao povo curdo agora. Esta é umha luita … Vostedes devem manter a sua moral alta. Só porque as pessoas vam morrer neste soto, isso nom significa que a longa luita pola liberdade terminara. Mas temos estado gritando, gritando, apelando para as pessoas durante 60 dias. O povo de Cizre transformou os seus corpos em escudos contra tanques, morteiros, lança-chamas e lança-foguetes. Nom tenho nengumha dúvida [sobre essa resistência]; Estou enviando saudaçons a todos os amigos que continuam a luita. Apesar do frio, a fome e a sede, o povo de Cizre nom se ajoelhara. É por isso que as pessoas que quedam necessitam estar orgulhosos de nós.

Eu sei que eles (as forças do estado) estam próximas. Existe o perigo de que eles vaiam executar-nos lentamente. Eles vinherom ontem e ameaçarom-nos dizendo: ‘Entregade-vos ou imos queima-los vivos a todos. Imos a asfixia-los a todos. ‘Eu nom conheço a intençom do governo do AKP, a governadoria do Ministério do Interior. Mas há crueldade em Cizre neste momento. Há massacrse. Mas nom nos imos ajoelhar…”

Mehmet Tunç nunca aceitou a tirania contra o seu povo, nem mesmo no seu último alento; el ficou naquel soto para ajudar os feridos e foi massacrado por fazê-lo. As pessoas no soto sabiam que as chamadas para “render-se” significavam umha massacre. É por isso que nom deixarom o soto. O 6 de fevereiro, em Cizre, Abdullah Gün, de 16 anos, confiou na chamada para se render e foi disarado por equipes das Forças Especiais como deixou o soto, el e outros que também estavam. Foi exatamente por esse motivo que Mehmet Tunç apelou a vostedes. Com o seu apoio os feridos em Cizre poderiam ter saído desses sotos de umha forma digna e segura.

Mehmet Tunç era um civil. Embora existam jovens armados nos sotos em Cizre, há também muitos civis, inclusive crianças. Independentemente de quem está nesses sotos, mesmo se estam armados da cabeça aos pés, um estado nom pode queimá-los vivos. Este é um crime de guerra; este é um crime contra a humanidade!

Os cadáveres das 27 pessoas queimadas até a morte no soto em Cizre estam, quando eu escrevo estas linhas, sendo levado para o necrotério. Nom houvo nengumha notícia durante 10 dias dos feridos presos em outro soto.

Também estaamos envergonhados de vostedes, o Parlamento Europeu!

Vostedes assistirom a morte de um homem, um político e um civil, que apelou a vostedes, que lhes pediu ajuda a vostedes. Vostedes só mirarom e nom figerom nada quando as pessoas feridas em Cizre forom queimadas vivas. E ainda assim vostedes so miram a tirania, a selvageria que está sendo cometida contra o povo curdo.

DEVIAM TER VERGONHA! ENVERGONHADOS dos princípios que tantas vezes falam de aplicar, mas so quando lhes convem!

Esta vergonha permanecerá como umha mancha sobre a civilizaçom dos direitos humanos dos que vostedes estám tam orgulhosos!

Seu povo está orgulhoso de vostede Mehmet Tunç!
The Kurdish People Are Proud Of You Mehmet Tunç nurcan-baysalEste artigo foi escrito por Nurcan Baysal e originalmente publicado em turco em T24 e traduzido o Inglês por Kurdish Question.

 

Umha carta desde o soto da morte em Cizre

A letter from the basement of death in Cizre ArtigoPor Asya Tekin

Traemos uma carta enviada ao político curdo-dinamarquês Serdal Benli da jornalista curda Asya Tekin que nos últimos dous meses estivo na cidade curda de Cizre assediada polas forças armadas turcas que causarom a morte de mais de um cento de civis. Como os outros moradores, ela ainda está presa na cidade.

A carta vem com a notícia de que o exército turco bombardeou e queimou até a morte a 60 civis em dous subsolos em Cizre.

O número 23 da estrada Bostanci no bairro de Cudi, Cizre … Este é o nosso novo endereço onde a nossa consciência nom nos deixa esquecer. Pergunto-me quantas pessoas passarom por esta rua. Pergunto-me quantas pessoas roçarom esta estrada tam escura como um poço preto quando andavam na rua. Talvez eu tenha passado por aqui. Talvez eu tenha esfregado os seus tijolos, frios como o gelo.

Os gritos das crianças, mulheres, jovens e pais que estam aqui, no número 23 da estrada Bostanci estám soando nos nossos ouvidos. A rua que costumava ser o cenário de pessoas felizes dançando e cantando é agora o centro de umha dor que nunca vai aliviar, nunca desaparecera. 28 pessoas estam chorando quando umha voz vinda do telefone grita: “Venhem” Gritos, mais gritos, as vozes de mulheres podem ser ouvido através do telefone. Umha voz de mulher é ouvida acima das outras. “Desonrosos!”, Ela exclama e os gritos de repente param. Agora, todo mundo que ouviu aquelas vozes através do telefone, fixarom a sua atençom no número 23 da estrada Bostanci.

A estrada é como um poço escuro … O tempo parou. Os cantores na rua passarom em silêncio. A Estrada Bostanci fica preta. Nengum grito se ouve, nengum grito. Nengumha voz de umha mulher gritando “desonrosos.” Que viu ela que a fixo dizer isso? Quais forom esses sons, soam como provenientes de armas. A Estrada Bostanci está escura agora. Escura como um poço negro, onde os gritos e os gritos dos oprimidos nom podem ser ouvidos.

Em vez do sol nascente, o fume está aumentando de um fogo tam intenso que a humanidade nom pode respirar. Nós nom podemos respirar, eles nom podem respirar. A Estrada Bostanci nom pode respirar. Homens desconhecidos em chaleques a prova de bala e capacetes e com armas nas suas maos estam invadindo a Estarda Bostanci. Eles nom pertencem a esta rua e eles nunca conhecerom as crianças da Estrada Bostanci. Eles nunca os virom jogar, nom presenciarom a sua felicidade.

É fácil de ver que eles som estranhos a esta estrada enquanto com hesitaçom avançam. Estes muros testemunham tudo. Estes estranhos na estrada também estam com medo dos muros, eles derrubarom-os um por um com as suas armas e nom conhecemos os seus nomes.

Por dias estes muros forom escondendo os filhos da Estrada Bostanci para protegê-los, mas em vam, porque aqui estam os estranhos, os homens desconhecidos na Estrada Bostanci.

Os moradores estam nervosos e sussurrando os uns com os outros. O proprietário do número 23 da Estrada Bostanci di que há um poço no soto, que foi coberto. Espero que as pessoas perceberam isso; que tenham bebido água do poço. Espero que amanhecerá no soto.

Todos os dias, vejo a Estrada Bostanci nos meus sonhos e tenho pesadelos sempre que fecho os meus olhos: Eu estou de viagem e o meu destino é a Estrada Bostanci. Eu tenho a minha câmera e o meu microfone comigo; está a minha amiga Asmin que é câmera. Todas as vezes que fecho os meus olhos, eu estou nessa jornada. Eu chego ao soto na Estrada Bostanci. 28 pessoas estam deitadas inconsciente sob as paredes destruídas. Apenas alguns deles podem abrir os olhos. Eu coloco as minhas câmeras a distância. “Para de filmar, Asmin! Água! Água! “Asmin dá-me água, em vez de dar-lha aos feridos no soto, eu bebo soa. Eu acordo em uma piscina do meu próprio suor. “Nom, a água é para os feridos”, exclamo. Eu amaldiçoo-me por beber a água em vez de dar-lha aos feridos.

Kevin Carter vem a minha mente, o fotógrafo sul-Africano, que tirou umha foto de umha menina negra que estava morrendo de fome e um abutre nas proximidades. O abutre finalmente voou para longe após a foto foi tirada e Kevin Carter também deixou sem ajudar a menina. Embora a fotografia desencadeou que organizaçons humanitárias arrecadaram doaçons, Kevin Carter sofreu umha grave depressom polo feito de que el deixou à menina. El cometeu suicídio. Ou nos tornamos Kevin Carter ou …

Agora estou luitando contra a minha consciência culpavel, enquanto estou em transe, deslocando entre o meu trabalho jornalístico e o meu pesadelo. A cave é invadida por abutres e há 28 pessoas que estam com sede. Nem mesmo nos meus sonhos eu podo dar-lhes água. Eu cometo suicídio todos os dias nos 55 dias que vivim no número 23 da Estrada Bostanci no bairro Cudi em Cizre. Eu coloquei todas as minhas identidades atrás de mim, exceto a minha enquanto ser humano.

Dar um copo de água a alguém em necessidade é mais difícil do que morrer de novo e de novo. Tantas vezes eu morro nos meus pesadelos. Ou acabamos como Kevin Carter ou fazemos todo ao nosso alcance para dar um copo de água. Se for necessário, devemos morrer – nom no nosso pesadelo – mas na vida real. Se a nossa consciência morre no soto, imos morrer todos os dias. Precisamos iluminar o soto e precisamos iluminar as pessoas sobre a realidade. Pessoas em Cizre nom ousam beber água, porque tenhem vergonha de que eles podem beber enquanto outros moradores estam presos no subsolo, morrendo de sede.

Nunca viches a um povo humilhado por beber água? Eu vim e eu nom tenho a capacidade de descrevê-lo. Um homem que testemunhou os ataques na década de 1990 [umha década marcada polos abusos do Estado turco ao povo curdo] sentou ao meu lado: “Perdemos todos os nossos companheiros e heróis. Como imos viver “, dixo, rompendo, soluçando. Nom digades que os homens nom choram porque em Cizre, eles choram.

Eu acho que um dia os abutres vam voar longe do número 23 da Estrada Bostanci e amanhecerá, onde há agora uma fumaça espessa e negra.

Nós, os jornalistas nom imos cometer suicídio por um sentimento de culpa como fixo Kevin Carter. Imos iluminar este soto e dizer a verdade.

Enviamos as nossas saudaçons aos nossos colegas que vinherom ate aqui desde Istambul para apoiar os jornalistas que estam pondo as suas vidas em risco para informar sobre as realidades no Curdistam do Norte [sudeste da Turquia].

Imos proteger a vida no soto contra os abutres!
Publicado por Alliance for Kurdish Rights.

 

O Estado nom fala. Só dispara

O Estado nom falapor Ercan Ayboga. Traduzido o inglês por Janet Biehl.

Desde o Verao passado o Estado turco agiu brutalmente contra toda a oposiçom no sudeste da Turquia.

Um relatório de residentes em Diyarbakir.

Vai muito frio em Amed, como é conhecida a cidade de Diyarbakir polos seus residentes. Mais de 10 centímetros de neve cobrem o chao, algo que só acontece cada três ou quatro anos. E, exatamente neste momento, a luita está aumentando no bairro antigo de Amed, Sur, e nas cidades de Cizre e Silopi, na província de Sirnak. Estou aqui no gabinete de prensa da administraçom municipal, juntamente com três jornalistas e um investigador. Estes dias, o escritório serve como base de feito para jornalistas e investigadores do oeste da Turquia e o exterior. Falamos sobre o que vem acontecendo na regiom nos últimos meses.

Os acontecimentos ocorridos aqui som quase incompreensíveis até mesmo para aqueles que vivem aqui. Todas as manhás, cada tarde, e todas as noites umha onda de cansaço invade o meu corpo enquanto eu oio tiros, detonaçons e explosons perto, em Sur. Também durante o dia, mas eu estou no trabalho. Os outros dim a mesma coisa, muitas vezes, mais dramaticamente. Muitos ficam espertos durante toda a noite, todas as noites. Na noite passada, um morteiro aterrissou no telhado, onde um deles está hospedado.

Nesta cidade de um milhom de pessoas, observamos com medo como o Estado, dúzias de vezes por dia, usa tanques e artilharia para disparar na cidade velha, para tentar quebrar a resistência de 200 a 300 jovens, organizados na ilegal YDG-H. O estado nom fala. Só dispara.

Na primavera passada o governo turco unilateralmente rompeu as negociaçons de paz com o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistam) e, em seguida, no final de julho desencadeou a guerra contra o PKK. Os jovens, em seguida, estabeleceram “espaços libertados” em várias cidades, espaços livres da repressom. Em paralelo, os conselho-democráticos de bairro do povo dos conselhos de Diyarbakir e outros 20lugares declararom autonomia..

O estado, em seguida, começou a prender activistas políticos sistematicamente no Curdistam do Norte e chegou a mil em três semanas so. Intermitentemente, entre 2009 e 2012, mais de nove mil pessoas foram presas. Muitas pessoas aqui querem que o conflito militar chegue a um fim. A maioria está enojada com que o AKP do presidente Recep Tayyip Erdogan negara o sucesso eleitoral do-pró-curdo esquerdista partido HDP nas eleiçons do 07 de junho e realizara umhas segundas eleiçons sob circunstâncias repressivas.

Como um filme ruim

Estou de caminho para casa, e ainda está nevando. Tanques rolam após minha, em direçom à cidade velha. O seu efeito sobre a cidade é aterrorizar. Isso nom pode ficar. Na primavera passada um clima rebelde prevalecia na cidade, após a cidade de Kobanî, na parte curda da Síria, foi liberada. A revoluçom da Rojava espalhou o seu esplendor brilhantemente. Hoje parece que há muito tempo e está muito longe. A paz era entom, a guerra é agora- e desta vez na cidade!

Eu penso apenas em categorias de lugares “seguros” e “perigosos”. Eu sinto como se estivesse em um filme ruim que está piorando. Entom lembro-me de algo que um amigo argentino me dixo, enquanto aqui estam fazendo um filme: “Há dous lugares surreais no planeta: México e o Curdistam”

Até outubro muitos membros do HDP em Amed -onde o partido obtivo o 78 por cento dos votos – questionavam a sentido do apelo a autonomia e todas as valas e barricadas dos jovens.

Eles ficaram atônitos. E o mais político entre eles -Amed é umha cidade muito política- nom conseguia fazer umha análise razoável. Muitos perguntavam: “Quanto tempo vai continuar? Será que eles vam se deter no próximo mês ou quando? ”

Eu acho que eles despertarom de um sonho agora e estam em estado de choque. Durante um século, nós, os curdos temos sido pessoas de segunda classe. Queremos a paz, eu sinto isso, mas queremos umha paz justa. Mesmo aqueles que perderam irmaos ou filhos nos últimos 30 anos, como guerrilheiros ou civis, polo terrorismo de estado, desejam a paz tam fortemente que eles ansiosamente acreditam em cada faísca de esperança.

Muitos desconfiam do Estado, que tem atuado cada vez mais brutal desde o verao. Os seus atos de crueldade com os toques de recolher recorrentes em Sur, desde o 1 de dezembro estam gradualmente balançando as pessoas.

Primeiro forom so os ativistas políticos, e agora até mesmo os moradores muitas vezes dim cousas como “a resistência começou” e “nom há mais nada para nós agora, mas que luitar com dignidade.”

A crítica é silenciada

Infelizmente, temos um presidente que, em um grau sem precedentes, está perseguindo toda procura da paz entre democratas curdos e nom-curdos na Turquia ocidental, eles estam, talvez, em maior estado de choque do que nós -a se estabelecer como governante eterno. Devemos resistir! Isso pode soar como propaganda ou um slogan que eleve a moral. Mas que soluçom tenhem os críticos? No passado so a resistência tivo algum efeito.

E, entretanto, os governos europeus que fam? Eles enviam o Presidente Erdogan dinheiro para que detenha os refugiados na Turquia e, eles fecham os olhos. A UE está, mais uma vez sequer a falar de adesom, para ligar a Turquia mais perto de si. De repente, todas as críticas dos últimos anos estam silenciadas. Ok, política de estado é umha porcaria. Mas aqueles que na Europa, ainda tenhem umha esfera pública a meio caminho de ser independente, que estamos a perder aqui. Ir ao assunto, e nom permitir que esse negócio sórdido aconteça!

“Matarom a minha mae”

Três horas mais tarde, eu estou traduzindo umha carta, um jovem de Silopi, Inan, cuja mae foi baleada na rua, no mês passado. Ela sucumbiu aos seus ferimentos, porque os atiradores da polícia dispararom a qualquer um que tentou ajudá-la. Umha semana atrás, um jornalista publicou a história no blog de um jornal turco.

Esta é talvez a traduçom mais difícil da minha vida. Eu quero-a compartilhar. “Quando soubemos que a minha mae tinha sido baleada, corremos para o lugar. Antes de chegarmos, o meu tio tentou chegar até ela, mas eles atiraram nele. Quando cheguei, os vizinhos estavam carregando o corpo do meu tio falecido. Eu perguntei sobre a minha mae, e digerom-me que ela ainda estava deitada na rua. Quando eu tentei ir até ela, eles segurarom-me. Eu chorei, chorei, chorei. Minha mae tinha caído no meio da rua e estava deitada lá. No início, ela movera-se um pouco, mas, em seguida, os seus movimentos diminuíram.

Todas as pessoas que chamamos -representantes, conselheiros regionais, governador da província –digerom que os atiradores deviam retirar-se para que pudéssemos remover o seu corpo. “Que estava sentindo minha mae quando ela estava lá? Ela sofreu. Durante sete dias, ela estivo na rua. Nengum de nós dormia, para que pudéssemos manter os cans e os pássaros longe dela; Ela ficou lá, a 150 metros de distância, e vimos como ela perdeu a sua vida. Nesses sete dias, o estado causou-nos tanto sofrimento como um ser humano pode causar em outro. Minha mae ainda tinha seu xale em uma das maos, as maos ficarom rígidas, a sua posiçom do corpo refletia a sua luta por sobreviver. O sangue estava seco.

As maos, o rosto, onde ela caiu no chao, estava coberto de sujeira, a sua roupa estava encharcada de sangue seco.

“Os crentes arrancarom a alma da minha mae. Os olhos da minha mae permaneciam aberto, com o rosto inclinado em direçom a nossa casa. Nom podo expressar quanto dor estou sentindo. Sete dias no mais profundo inverno ela estivo na rua. A cousa mais dolorosa nom é saber quanto tempo ela ficou viva. Espero que ela falecera de imediato. Eles matarom a minha mae. ”

Se nom sentes nada, re-le esta carta repetidamente.

Escalada

Nas últimas semanas nas regions curdas da Turquia, cidades e bairros forom transformados em zonas de guerra. Escondidas do público, as forças militares e policiais turcas utilizarom armas pesadas contra os rebeldes, muitas vezes jovens, e nom esquecerom nem os nom-participantes. Human Rights Watch reuniu testemunhos que mostram que as forças de segurança abrirom fogo mesmo sobre aqueles que tentavam deixar as suas casas. Grupos locais de direitos humanos relatam que mais de 150 civis forom mortos.

Após as eleiçons parlamentares em novembro, as esperanças aumentaram de que o governo turco iria acabar o curso dos confrontos que tinha começado em julho. Essas esperanças foram precipitadas. Polo contrário, a repressom intensificou-se, mesmo nas autoridades eleitas do HDP. Vários deles, incluindo o co-líder Selahattin Demirtas, forom ameaçados com acusaçons de separatismo.

 
Ercan Ayboga, filho de pais curdos turcos, estudou engenharia ambiental na Alemanha. Aos 39 anos, ele está ativo no movimento da ecologia da Mesopotâmia e trabalha para a administraçom da cidade de Diyarbakir como consultor ambiental e no gabinete de imprensa intencional. Ele apresenta a sua visom pessoal aqui.

Originalmente publicado em alemao em Woz Die Wochenzeitung e em inglês em Peace In Kurdistan Campaign, e logo em Kurdish Question.

Os olhos do mundo estam voltados em Turquia

The Worlds Eyes Are On Turkey Artigopor Sarah Parker, este artigo foi originalmente publicado em Left Unity

A situaçom na Turquia está mudando rapidamente, mas para ver onde estam as cousas agora, é útil olhar para trás, aos acontecimentos dos últimos sete meses. O 7 de Junho de 2015, o partido de ampla esquerda e pró-curdo HDP alcançou mais do 13% dos votos nas eleiçons gerais turcas, umha grande vitória, quebrando o limiar eleitoral e ganhando 80 cadeiras, e privando o partido AKP e o presidente Erdogan da maioria parlamentar necessária para que o AKP governara sozinho, e a maioria absoluta que precisavam para passar a um sistema presidencial mais forte de governo.

The Worlds Eyes Are On Turkey Artigo 02O fundo

Mas entre o 25 e o 28 de Junho mais de 200 civis forom assessinados em Kobanî polo ISIS em um ataque surpresa, já que o exército turco continuou a ignorar ou ajudar os ataques do ISIS sobre os curdos sírios, e o 11 de Julho a KCK (a Uniom de Comunidades do Curdistam) emitiu umha declaraçom explicando que as numerosas violaçons militares turcas de 2 anos de cessar-fogo na Turquia nom seria mais tolerado, e que, por exemplo, todos os esforços seriam feitos polo povo curdo, incluindo a guerrilha, para parar da construçom de represas para fins militares. O 16 de Julho as Forças de Defesa do Povo anunciarom que guerrilheiros estavam realizando açons de aviso em resposta ao abrupto aumento de atividade militar turca incluindo bombardeios em áreas de defesa da guerrilha. O 17 de julho Erdogan repudiou os “Acordos de Dolmabahçe”, do 28 de fevereiro como base para a paz entre a Turquia e os curdos, um sinal claro de que o processo de paz estava acabado e a guerra começava de novo.

O 23 de julho os EUA e a Turquia chegarom a um acordo polo que a Turquia entraria na chamada coalizom anti-ISIS e que os EUA poderiam usar a base aérea de Incirlik perto de Diyarbakir [3]. Este foi fiada por um suporte cético como um sinal de que a Turquia pode começar a lidar com o ISIS, ao contrário de ignorá-los ou assistindo-os. Dentro das 48 horas do acordo, a Turquia tinha feito alguns bombardeios sobre o território do ISIS na Síria, (depois pouco mais foi ouvido sobre este aspecto da campanha) e começou umha campanha aérea sistemática contra acampamentos da guerrilha no norte do Iraque, que continuou ininterruptamente até agora. Após um período de tentativas tímidas para formar um governo de coalizom, o 24 de agosto Erdoğan chamou para novas eleiçons para o 1 de novembro. Estas forom em umha atmosfera de intimidaçom flagrante depois de mais de 100 ataques contra as sedes do HDP e o bombardeio de umha manifestaçom pola paz convocada por organizaçons do movimento de trabalho e do HDP o 10 de Outubro, em que 102 pessoas foram mortas e mais de 400 feridos. Nengum grupo reivindicou o atentado, mas pensa-se que foi realizado por pessoas com ligaçons ao ISIS. Os votos do HDP ainda estiverom sobre o limiar do 10%, mas o voto do AKP aumentou apenas o suficiente para que o partido conseguira a maioria absoluta.

Autogoverno e resistênciaThe Worlds Eyes Are On Turkey Artigo 03

Desde o início de Agosto de 2015, assembleias municipais no Curdistam da Turquia começarom declarando o autogoverno, e isso foi confirmado pola reuniom do Congresso Popular Democrático o 28 de Dezembro de 2015 após o AKP de Erdogan roubou as re-eleiçons do 1 de novembro. A idéia é para construir a mais forte possível auto-organizaçom local como um meio de auto-defesa e como um passo no caminho para a liberdade por causa da perseguiçom do Estado turco. Os jovens inicialmente cavarom valas e colocarom barricadas para impedir a entrada a estas áreas a polícia e o exército. Mesmo que em muitas destas áreas os bairros já foram literalmente sitiados por 10.000 soldados por meses, o exército turco, a polícia e as forças especiais nom forom capazes de retomar-los apesar de ter expulsado a alguns moradores. Os piores cercos som os dos distritos de Cizre e Silopi, na província de Sirnak, e o de Sur, o centro histórico de Amed (Diyarbakir), atualmente sob bombardeio de morteiros pesados polo exército turco, que vem tentando desde há mais de 40 dias recapturar os bairros sob controle das novas forças de autodefesa e da povoaçom local.

Um representante do Conselho Popular de Cizre hoje (18 de janeiro) apelou por um levantamento em todo o Curdistam para apoiar a resistência curda. A resistência está no seu 33º dia em Silopi, onde os bairros estám frequentemente sob o fogo de tanques e 26 civis forom mortos, mas o Estado concedeu levantamento do toque de recolher durante o dia desde o 19 janeiro. O deputado do HDP Ferhat Encü di que as cousas som muito piores do que após o golpe militar do 1980. As dadas mais recentes som de que 283 civis forom mortos nos cercos desde o 12 de julho, enquanto se estima que 300.000 pessoas forom expulsas das suas casas nas profundezas do inverno.

A esquerda precisa despertar ao feito de que a guerra curda desceu das montanhas para as cidades e que milheiros de pessoas estam em umha resistência heróica a um importante membro da OTAN que tem dito repetidamente que esmagaram rua a rua a resistência, e fazer algum trabalho sério de solidariedade.

O grupo guarda-chuva do KCK, Koma Civakên Kurdistan (Uniom de Comunidades do Curdistam) instou às pessoas a ficar e apoiar a resistência se eles som capazes de, embora muitas pessoas tenham recuado para outros distritos, como a situaçom é muito perigosa, com pessoas que estam à vista mortos por franco-atiradores ou artilheiria, enquanto o Estado cortou água e electricidade. Deve ser notado que os centros de resistência som as cidades curdas do sudeste, que sofrerom repressom por setenta anos, além de discriminaçom e elevado desemprego, e onde o HDP recebeu muitos votos nas eleiçons, tanto em junho como em novembro de 2015, e estam perto de Rojava e o Curdistam do Iraque.

Quanto o comandante das Forças de Defesa do Povo, Murat Karayilan dixo na sua mensagem de Ano Novo: “O AKP desencadeou um ataque furioso sobre nós. As guerrilhas e também a juventude nas cidades, todos os componentes da sociedade curda, estam fazendo a sua parte na resistência “. As unidades de autodefesa forom anunciadas em mais e mais lugares, o último dos quais é umha unidade feminina (YPS-Jin) em Nusaybin. A participaçom das mulheres na luita cresce todo o tempo, e claramente a resistência das mulheres e a sua determinaçom de luitar pola liberdade é a enorme força do movimento. No geral, a resistência contra o poder do Estado turco é um feito notável e talvez de algumha forma explica o silêncio de outros membros da Otan.

Relativo ao resto da sociedade

Olhando para o Estado turco como um todo, Tariq Ali realizou umha interessante entrevista em Telesur chamado “A Turquia é umha sociedade em ebuliçom” no qual Sungur Savran destaca eventos de referência dos últimos três anos: junho-setembro de 2013, a revolta Gezi, 6-12 outubro 2014 a serhildan (levante) em áreas curdas da Turquia com milhons de pessoas na rua, e “quando ficou claro que o PKK tinha unidades armadas até mesmo nas cidades pequenas’, e a greve dos metalúrgicos do 2015, quando em maio dúzias de milheiros levantaram-se primeiro contra os sindicatos amarelos e depois contra os patrons, em umha onda que se espalha de Bursa a Izmir, Ancara, Istambul, um desenvolvimento promissor, pois o movimento operário tinha estado em grande parte dormente durante muitos anos.

Savran argumentou que as forças seculares nas grandes cidades da Turquia, a pequena burguesia e as camadas superiores da classe operária que costumavam votar o CHP (antigo partido de Ataturk, nacionalista, mas social-democrata) agora se estam tornando compreensivos com os curdos e começando votar o HDP; é vital para os socialistas continuar a trabalhar para desenhar este bloco na órbita do HDP. El também observa que Erdogan começou a mobilizar activamente os grupos de extermínio da direita (em parte porque nom pode confiar inteiramente no exército, em parte, ainda secular ligado à NATO) para usar contra a classe trabalhadora na Turquia, e contra os esquerdistas, alevitas e curdos.

Esta foi umha das razons que as pessoas decididas a colocar as barricadas – eles sabiam que teriam de se defender, cedo ou tarde.

Os desenvolvimentos mais recentes que ligarom o oeste da Turquia à guerra contra os curdos no sudeste som a bomba que matou 10 turistas, principalmente alemaes em Istambul, e a declaraçom dos Academicos pola Paz, que foi assinada por mais de 1000 acadêmicos na Turquia e muitos de fora. Os acadêmicos que assinarom a declaraçom apelando para a paz e o fim da repressom forom acusados de traiçom, e ameaçados tanto por Erdogan, como polo conhecido chefe do crime Sedat Peker. Todas as assinaturas estam sob investigaçom criminal, muitos forom presos, e alguns já forom despedidos dos seus empregos, com relatos de pressom a ser-lhes aplicadas, tais como marcas em destaque a ser colocada nas portas do escritório dos signatários. Um movimento está-se juntando na sua defesa, que, felizmente, tornou-se rapidamente internacionalizada, e recebeu considerável cobertura dos mídias, como Erdogan talvez imprudentemente estendeu a sua crítica para Noam Chomsky e Tariq Ali, os conhecidos apoiantes de luitas de libertaçom que assinarom a declaraçom. Na última contagem 299 acadêmicos na Gram-Bretanha assinarom umha declaraçom de apoio. Noam Chomsky e Tariq Ali digerom que só vai ir a Turquia se for convidado por o povo curdo e o HDP, em resposta ao convite feito polo presidente Erdogan.

Tanto o HDP e Partido Republicano do Povo (CHP) condenarom as ameaças de Erdogan e expressarom a sua preocupaçom polo caminho ao que el está levando à sociedade. O deputado do HDP Faysal Sariyildiz convidou a Chomsky para visitar a regiom do Curdistam e convidou a Erdogan e Davutoglu para conversar com el para ver a situaçom por si mesma, que acompanha os convites com a afirmaçom muito gráfica que descreve as condiçons sob o cerco, que pode ser lida aqui.

Turquia em Síria e o Iraque

É enganoso analisar as actividades do Estado turco dentro das fronteiras turcas isoladamente: a sua política exterior próxima também deve ser compreendida. Deve-se notar que o Estado turco está profundamente envolvido em operaçons militares e outras interferências no norte da Síria e norte do Iraque, tentando recuperar o rol de antiga potência regional, através de tentativas egoístas para explorar as queixas legítimas da oposiçom ao regime na Síria, juntamente com umha última tentativa para bloquear a luita do povo curdo e os seus aliados tanto na Síria como no norte do Iraque.

Só para dar umha descriçom geral sobre a luita curda na Síria, o PYD curdo (Partido de Uniom Democrática) e o seu braço militar as YPG (Unidades Defesa do Povo) na Síria, digerom constante que iriam defender as suas próprias áreas se eram atacados e figerom isso. Estam actualmente a continuar a defender os três auto-declarados cantons autónomos de maioria curda e mistos de Afrin, Kobanî e Jazira (Qamishli e Hasakah), e a área de maioria curda de Shaikh Maqsud em Alepo. As batalhas para romper o isolamento do cantom ocidental de Afrin e defender Sheikh Maqsud, recentemente bombardeada polo regime e atualmente sob ataque pesado novamente polas forças de Al Nusra e Ahrar Al Sham, e cortar as linhas de abastecimento desde Turquia o ISIS e cara o leste via Raqqa e Shengal a Mosul, estam ocorrendo actualmente.

Erdogan dixo que, se os curdos cruzavam ao oeste do Eufrates isso seria umha linha vermelha para a Turquia; isso aconteceu recentemente, quando as Forças Democráticas Sírias, (o novo nome para as forças curdas de defesa e os seus aliados, que incluem árabes e algumhas unidades assírias) cruzarom o Eufrates e tomarom a represa de Tishrin e os arredores do ISIS. Presumivelmente, a atitude dos EUA é que as forças curdas sírias atualmente útis para manter o ISIS dentro dos limites, como os peshmerga da PUK no Iraque; e que, ao seu devido tempo, a Turquia estará livre para lidar com ambos. Obviamente, a maioria do povo curdo tem uma ambiçom diferente – sobrevivência, auto-determinaçom, e a democratizaçom de todo o Oriente Médio, e é o trabalho dos socialistas ficar com eles.

O Estado turco tanto para esmagar toda resistência como retomar as terras perdidas polo Império Otomano no final da Primeira Guerra Mundial, estabeleceu bases militares do exército turco no norte do Iraque, em 1991, sob o manto da zona de exclusom aérea, definiu ostensivamente para proteger os curdos do Iraque de Saddam Hussein. As bases forom usadas em 1996 em cooperaçom com o KDP para atacar os guerrilheiros do PKK. O exército turco fixo um ataque mal sucedido em bases do PKK o 26 de Dezembro do 2007 e após umha renhida luita em que as áreas sob ataque também forom defendidas por peshmergas da PUK que correrom ao norte de Sulaymaniyah e a área circundante, o exército turco tivo que recuar às pressas com pesadas perdas ; o exército fixo várias incursons mais ao longo desse inverno. O novo Parlamento do Curdistam votado em 2008 votou que as bases devem ser retiradas, e o Primeiro-Ministro da KRG Nechirvan Barzani confirmou que as bases turcas seriam fechadas, mas nada aconteceu. No final de 2011 EUA e a OTAN “tropas treinadas” deixarom o Iraque ao longo do fracasso no acordo de imunidade para as açons das tropas americanas’; a retirada do grosso principal das forças americanas tivo lugar entre Dezembro de 2007 e 2011. Em 2012, o governo iraquiano dixo que as bases turcas tinham que ser fechadas. Entom, para essa altura as forças Americanas e outras da OTAN que tinham estado no Iraque desde 2003, em grande parte retiraram-se, mas o número de forças turcas aumentou. A presença das tropas turcas nom era popular; a petiçom com 470.000 assinaturas forom coletadas no sul do Curdistam e entregues ao Parlamento Regional do Curdistam e à Presidência, em 2012, e com quase um milhom ao Parlamento e ao Governo Regional em 2015, mas forom ignoradas.

A actual situaçom no Curdistam Iraquiano é potencialmente explosiva. Turquia e outros membros da OTAN som bem conscientes de que as pessoas no sul do Curdistam estam furiosos com as corrupçons e ineficiência do seu governo, mesmo que a situaçom é menos catastrófica do que no resto do Iraque. A política da OTAN é apoiar deliberadamente o partido de Barzani, o KDP, como contraponto para a mais radical PUK baseada em Sulaimaniyah e Kirkuk, e à crescente presença de guerrilheiros aliados ou pertencentes ao PKK, no Sul do Curdistam, nom só no refúgio de montanha de Qandil, mas desde a ascensom do ISIS e da queda de Shingal e Mosul em 2014 em outras áreas.

Neste momento os peshmerga da PUK e guerrilheiros do PKK e as YJA Estrela estam segurando em conjunto um pesado assalto do ISIS no sul de Kirkuk, e nom escapou à atençom dos combatentes curdos que as forças militares turcas no Norte do Iraque estam bem posicionadas para se envolver em umha fugida do ISIS de Mosul que estam sob muita pressom lá, ou até mesmo mover-se contra a “Zona Verde” da PUK se houver um aumento do movimento de massas contra a corrupçom e a pobreza – talvez a NATO e a Turquia até mesmo ver umha presença crescente do exército turco no norte do Iraque como um substituto para o exército dos EUA.

Quebrar o silêncio

Apesar das especulaçons periódicas de que os EUA e os Estados membros da UE nom gostam de algumhas das políticas da Turquia, desde que o AKP renegou dos Acordos de Dolmabahçe entre o Estado turco e os curdos e reiniciou a guerra em julho, houvo alguns comentários de outros membros da OTAN sem excepçons com declaraçons lapidarias de apoio ao direito da Turquia de defender a sua segurança nacional. Como o inverno se aprofunda e o exército turco bombardeia cidades curdas porque nom tem sido capaz de retoma-las, há um silêncio ensurdecedor de outros governos.

O 18 de janeiro o primeiro-ministro Davutoglu visitou a David Cameron e cinco pessoas forom presas em Whitehall quando a polícia tentou impedir os manifestantes de fora do 10 de Downing Street de protestar, todo o incidente mostra claramente de que lado está ligado o governo britânico, se houvesse qualquer dúvida.

Notícias de Última Hora

Na noite do 19 de Janeiro há relatos de que o exército turco já cruzara a fronteira para a Síria em Jarablus, o último ponto de passagem do ISIS-realizada na fronteira com a Turquia, sem reacçom das forças do ISIS na área. Isso vem em meio a umha explosom de especulaçom da mídia de que as conversaçons da ONU sobre Síria será adiada porque a Turquia se recusa a aceitar que deve haver representaçom curda no lado da oposiçom nas negociaçons.

Publicado em KurdishQuestion.

 

 

A vida atrás das trincheiras: a luita pola autonomia no Curdistam do Norte

Tras das BarricadasPor Ismail Eskin

(Cizre) As portas de cada casa permanecem abertas nos bairros onde há dias o estado tentou entrar com milheiros de soldados armados. Nesses espaços onde as pessoas invocarom a sua própria vontade, é impossível ver a presença do estado fora de alguns carros blindados nas principais avenidas.

Atrás das trincheiras em Cizîr (Cizre) há umha vida intimamente ligada à os que pagarom um preço pola sua causa. Há um grande entusiasmo e emoçom que nom esqueceu os sofrimentos do passado. Um povo que nom pegam à cabeça se ou nom o Estado vai continuar os seus ataques colocando à frente a sua determinaçom e dizendo “nós pagamos um preço que, se for necessário, vamos continuar pagando.” É fácil de entender o significado da resistência de Cizîr desde a solidariedade demonstrada por trás das trincheiras. Atrás das trincheiras e barricadas um “ordem de sem estado” prevalece.

É necessário dizer que o povo de Cizîr nom exigiu o auto-governo de ninguém, porque está constantemente sendo salientado, ao tomar estas medidas práticas entrarom em um caminho sem volta. Os sofrimentos que o Estado infligiu sobre o povo de Cizîr no passado permanecem como lembranças frescas. Os jovens que estam dia e noite de guarda atrás de posiçonss fortificadas com sacos de areia som a maior garantia do auto-governo. Porque um pilar fundamental da autonomia é a auto-defesa, que permite que as pessoas que residem por trás dessas fortificaçons viver em paz.

Nos meios de comunicaçom pró-governo onde eles gritam mentiras sobre como “o PKK está formando um cantom em Cizre” a questom de “quem som esses jovens” permanece oculta. Entramos numha casa aleatoriamente como convidados. Depois da comida e o chá perguntamos as pessoas que vivem na casa: “Quem som esses jovens” A matrona idosa da casa responde: “estes som os filhos do povo assassinado na década dos 90. Todos eles cresceram nestas ruas e agora eles estam tornando-se conhecidos porque nom querem ver as suas próprias famílias entre os mortos”.

Umha noite, umha festa celebra-se no bairro de Nur, onde durante 9 dias as forças das equipes especiais da polícia tentarom entrar empregando armamento pesado. As pessoas estam dançando halays em torno das fogueiras acesas. Mesmo que o bairro está cercado por unidades blindadas a moral está alta. Os buracos nos lençóis pendurados como defesa contra atiradores de elite e os buracos de bala nas paredes das casas permanecem como evidências do tipo de resistência que tivo lugar aqui.

As maes que nos dim que nos bairros onde há dúzias de milheiros de moradores nunca há incidentes de roubo permanecem como monumentos indestrutíveis na frente das suas casas. Essas maes nunca deixam de oferecer oraçons ou avisos para se “cuidar de si mesmos”, quando elas distribuem alimentos e água para a juventude. As crianças que nom tinham a necessidade de explicar as suas experiências ao longo desses muitos dias estam sorrindo e mantendo os seus “brinquedos” ao alcance da mao. Três irmaos: Baran, Helin e Esra estam jogando ao lado das trincheiras das suas casas.

Baran tem 11 anos e explica o assalto da polícia sobre o seu bairro. Explicando como as suas casas foram incessantemente bombardeadas di-nos que era “como se estivéssemos em umha guerra.” Quando lembramos ao Baran e as suas irmás que a escola está prestes a começar, el di-nos: “imos deixar de ir à escola. No entanto, se há escolas curdas, iremos. “Na conversa na intimidade que ocorre nas horas da noite, acompanhados por chá o principal tema de conversa entre aqueles que montam guarda na frente da casa é como a opiniom pública turca mantem-se indiferente às pessoas que vivem no bairro.

Em conversas onde nem umha palavra é falada sobre a “paz” os moradores de Cizîr, que agora mantenhem umha luz para o roteiro que o povo do Curdistam devem seguir, estam resistindo ombro a ombro com aqueles que eles mesmos elegiram, e nom os que nomeou o Estado ante o que já nom respondem.

Ismael Eskin publicou o artigo “Hendeklerin ardındaki yaşam” em Özgür Gündem, e traduzido ao inglês em Rojava Report.

 

Quem som os militantes curdos que luitam em Cizre?

Cizre 01Por Arwa Ibrahim

O Movimento Patriótico Juvenil Revolucionário (YDG-H) amplamente conhecido como a ala jovem de militantes urbanos do proscrito Partido dos Trabalhadores do Curdistam.

Logo de umha longa semana de toque de recolher na cidade do sudeste turco de Cizre foi levantado o sábado, as informaçons sugerem que as forças policiais turcas na área estiveram em umha briga com um grupo de jovens afiliados ao PKK chamado YDG-H.

As forças de segurança turcas digerom que as operaçons militares em Cizre e outras províncias realizaram-se para combater os ataques do PKK e para limpar de barricadas e armas as áreas.

De acordo com o jornalista francês Mattheiu Delmas, que estivo em Cizre ao longo do bloqueio, os combatentes curdos que estavam envolvidos nos combates com forças turcas durante a semana passada som originários em grande parte de Cizre, nascidos durante a política de “terra arrasada” da década de 1990 usada polo governo turco na sua luita contra o PKK.

Os jovens que constituem o Movimento Patriótico Juvenil Revolucionário (YDG-H), é amplamente conhecido por ser a ala jovem de militantes urbanos do PKK nas regions sudestes predominantemente curdo da Turquia.

O grupo tem atuado como umha força paramilitar em Cizre durante vários meses e tem fechado vários bairros curdos com os seus postos de control e patrulhas armadas, informou vice-news em um artigo sobre o grupo em fevereiro.

No documentário, membros da YDG-H admitem abertamente estar afiliados e receber ordens do PKK, mas os moradores de Cizre afirmam que os jovens locais nom estam filiados a guerrilha do PKK, dim fontes no terreno.

“Embora alguns membros do [YDG-H] dim que nom estámm filiados ao PKK, parece óbvio que eles estam. De que outra forma iriam chegar as suas maos as armas e Kalashnikovs “, di Delmas. “Todos eles falam de aprender a luitar com as YPG em Kobane.”

As Unidades de Proteçom do Povo (YPG) curdas som umha milícia afiliada ao PKK que luita ao Estado Islâmico na cidade síria de Kobane e em Rojava. O grupo libertou a cidade do ISIS – logo de meses de duraçom de um cerco- no início deste ano.

“O YDG-H e o PKK compartilham a mesma ideologia, mas possuem estratégias diferentes”, explicou Delmas. “Som jovens; umha nova geraçom de guerrilheiros que crescerom com a guerra na Síria e forom cultivados na luita em Kobane”.

O PKK tradicionalmente seguiu umha estratégia radical marxista-leninista desde a sua fundaçom polo líder Adullah Ocalan, em 1978. O grupo lançou umha violenta guerra de guerrilha em 1984, que levou a milheiros de mortes.

“Enquanto o PKK conduz umha guerra de guerrilha e baseiam-se nas montanhas, o YDG-H tomou como zona de combate os seus povos e cidades natais “, acrescentou.

De acordo com Delmas, os membros do YDG-H, estam geralmente no final da adolescência e começos dos vinte anos, só luitam nos seus próprios bairros, levando a muitos moradores a apoiá-los.

“O YDG-H luita no próprio bairro e, portanto, todos os moradores apoiá-nos. Eles dim que som os nossos filhos “, dixo.

Polo menos 20 pessoas forom mortas durante os confrontos – eles eram “terroristas” de acordo com o Governo turco, civis de acordo com os habitantes locais. A maioria forom mortos por franco-atiradores, de acordo com membros do HDP e civis locais.

Civis ou luitadores?

Mas Delmas di que vários dos que morreram provavelmente eram membros do YDG-H.

“Os veciños en Cizre din que as forzas policiais turcas só matarom civís. Aínda que seja impossivel diferenciar entre um luitador e um civil durante um funeral, os 21 mortos debem incluír membros do YDG-H “, dixo Delmas. “YDG-H tenta matar a policía e a policía intenta matalos.”

A raíz dum atentado suicida – asignado a militantes do Estado Islámico (IS) – que matou 33 persoas em Suruc, oeste de Cizre en jullo, militantes do PKK renovaron a súa campaña armada contra as forças turcas.

Unha epidemia de combates entre o goberno turco e militantes curdos, desde entón, escalou nas regións e cidades curdas como Cizre, Diyarbakir, Silopi e outras cidades no suleste. Como a policía turca tem como objetivo militantes curdos, os moços do YDG-H supostamente balearom e matarom policías e barricarom os seus barrios.

Cizre 02O soporte ao PKK cresce

A violencia estancou o “proceso de soluçom”, lançado oficialmente a começos do 2013, que pretendía acabar com o conflito de 30 anos entre o PKK e o Estado turco.

En Cizre un sentimento de frustración co Estado turco levou a moitos vecinhos a apoiar públicamente o PKK e o seu líder preso Abdullah Öcalan.

“Todo o mundo na cidade apoia a Öcalan, o PKK e o YDG-H. Dim que estám luitando pola liberdade e a democracia curda “, dixo Delmas. “Dim que Erdogan os quere matar porque non votarom por el nas últimas eleiçons.”

O intento do grupo para establecer anterior o auto-governo nas cidades turcas do sudeste pujo-o em conflito com outros grupos curdos.

Quando a crise de Kobane estalou o ano pasado, a violencia armada entre o YDG-H e o Huda-Par, sucesor do Hezbollah curdo, escalaría no sudeste de aTurquía.

Membros do YDG-H atacarom centros religiosos, associaçons e instalaçons do partido Huda-Par em Diyarbakir, Batman, Bitlis e Siirt quando Huda-Par respondeu com armas intensificarom-se os confrontos, informou al-Monitor em Outubro de 2014.

O prefeito de Diyarbakir alegou na época que o uso de armas por Huda Par foi apoiada polo governo, enquanto representantes do Huda Par acusarom o PKK de importar o caos da Síria a Turquia, informou al-Monitor.

Desde julho, mais de 100 membros das forças de segurança turcas forom mortos polos ataques do PKK e grupos filiados, enquanto centos de militantes do PKK forom mortos em operaçons em toda a Turquia e norte do Iraque, incluindo ataques aéreos, de acordo com fontes oficiais turcas.

Arwa Ibrahim após graduar-se em política e o jornalismo, completou seu mestrado em Estudos do Próximo e do Oriente Médio com foco nos movimentos sociais, a modernidade, a sociedade civil e as transformaçons urbanas. Ela trabalhou como investigadora com várias ONGs e organizaçons internacionais de desenvolvimento. Arwa foi correspondente com McClatchy Newspapers cobrindo os levantes egípcios em 2011.

Publicado o 14 de fevereiro do 2015 em Middle East Eye.

 

O assédio de Cizre termina deixando devastaçom atrás de si

Matthieu Delmas 01Por Matthieu Delmas

A vida na cidade turca do sudeste recomeça depois de um cerco do exército turco de oito dias, mas umha sensaçom de desconforto permanece entre os habitantes.

Cizre, Turquia – Após oito dias de cerco e toque de recolher imposto em Cizre, no sudeste da Anatólia, na fronteira com a Síria, durante umha operaçom do governo turco contra os curdos na cidade, os seus habitantes estam voltando para as casas com cenas de destruiçom e cheiro a morte e lixo nom recolhido.

O toque de recolher imposto na cidade terminou o sábado às 19:00 (17: 00 GMT), e os tanques do exército turco retirarom-se das portas da cidade, deixando entrar os automóveis.

Os habitantes também estavam esperando durante os últimos três dias para a chegada do Selahattin Demirtas, líder do Partido Democrático do Povo (HDP), e o começo do uma marcha de milheiros cara a cidade, a fim de pôr fim o bloqueio.

Matthieu Delmas 02Após a sua chegada, e inflamados pola sua presença, a multitude correu atrás da sua comitiva, mostrando o V do sinal da vitória. Quando el falou, responderom com gritos de ” Cizre Livre”, embora o perigo ainda espreitava. Na noite do sábado, um homem de 75 anos foi morto a tiros por um franco-atirador das forças especiais turcas, afirmarom testemunhas. Digerom que el foi baleado enquanto ia obter um pouco de pam.

Os jovens lutadores da YDG-H (a “Juventude Patriótica do Curdistam”), tampouco depugerom as armas, e continuam a sua presença no bairro de Cudi.

Umha cena de devastaçom

A destruiçom mostra como forom de violentos os combates na cidade. Cartuchos usados de Kalashnikovs e outras armas tais como Douchkas e BKCs estam espalhados ao redor, enquanto peças de morteiros também sujam as ruas. Buracos enormes nas paredes das casas atestam o uso de armas pesadas. Entre trincheiras e barricadas, os moradores enterrarom muitas das vítimas na rua. As forças policiais estam mantendo um perfil baixo, mas alguns tanques permanecem no centro da cidade. As linhas de telefonia móvel ainda estam cortadas.

Os comerciantes estam voltando a fazer o que podem em meio de lojas destruídas – após oito dias de cerco, o abastecimento de alimentos eram escassos, especialmente leite e pam de acordo com os habitantes locais. Como resultado, os moradores começam de volta nos trilhos entre veículos destruídos e casas queimadas, e também têm de lidar com longas filas nas padarias e mercearias. Umha comerciante, Aicha, nom pode conter a sua raiva. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan “é um ditador e um terrorista. El busca vingança contra nós, porque nós nom o votamos nas últimas eleiçons”, dixo.

Matthieu Delmas 03Os combatentes curdos que participarom nos combates som originários de Cizre, nascidos nos últimos 20 anos durante a política de “terra arrasada” da década de 1990 usada polo governo turco na sua luita contra o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistam).

As suas famílias forom expulsas das aldeias da regiom e forçadas a estabelecer-se em Cizre. Kawa, de 23 anos, o rosto escondido por um capuz preto e com um rifle nas maos, declarou que está luitando pola democracia. “Nós luitamos polas nossas famílias. Se nom colheramos as armas, eles [o exército turco] ia continuar matando curdos. Erdogan chama-nos terroristas, mas el é o único que aterroriza a povoaçom. Nós nom matamos civis. ”

Os jovens lutadores e outros moradores desde a semana passada construirom muros de areia na entrada de cada bairro. Lençóis foram esticados através das ruas para evitar que os atiradores desde os telhado obtenham umha visom adequada, enquanto aberturas foram feitas entre os edifícios como umha proteçom contra os tiros dos franco-atiradores.

Com o acesso ao hospital da cidade cortado durante o cerco, os ferimentos – mesmo de doença – poderiam facilmente ser fatais. Um bebê de 35 dias de idade morreu da sua doença, porque nom se poido levar ao hospital. Alguns corpos forom mantidos em frigoríficos aguardandom umha oportunidade para um enterro apropriado.

Umha semana sob cerco

Polo menos 20 pessoas forom mortas durante os confrontos – terroristas de acordo com o Governo turco, civis de acordo com os habitantes locais. A maioria forom mortos por franco-atiradores, de acordo com membros do HDP e civis locais que preferirom manter o anonimato pola sua segurança. Somando-se o sentimento de injustiça, as pessoas na da cidade alegam de que os jovens locais envolvidos – o YDG-H – nom estavam relacionados com as forças da guerrilha do PKK.

“Estes jovens, som os nossos filhos. Sabemos deles, som de Cizre. Nom som terroristas, som só patriotas “, dixo Mehmet, um residente local.

O sentimento de raiva e rebeldia som evidentes por todas partes nos muros da cidade, com a declaraçom em letras vermelhas: “Os mártires nunca morrem, o seu sangue será vingado.”

A ira nom está direcionada so ao Governo turco – representantes das mídias de todo o mundo que agora se reunem na cidade também atraem o desprezo. “Por que todos os jornalistas venhem no final da batalha? As pessoas preocupam-se com isso somente quando há dúzias de mortos. Europa fala sobre democracia, mas nom faz nada por nós “, dixo um morador, Mahmoud.

Matthieu Delmas 04A mais recente erupçom da combates entre o governo turco e curdos eclodiu após o atentado do 20 julho em Suruc, oeste de Cizre, realizada polo Estado Islâmico, mas que serve como fator desencadeante do governo central para lançar ataques aéreos contra objetivos curdos na área. Em Cizre, Diyarbakir, Silopi e outras cidades do sudeste, jovens das YDG-H também balearom e matarom policias e montarom barricadas nos seus bairros.

As eleiçons nacionais a ser realizadas o 1 de novembro, convocados após o partido de Erdogan nom conseguiu garantir umha maioria em junho, pode levar a umha reduçom da violência – ou ainda mover o país cara umha guerra civil.

Entre aqueles que retornam para as suas casas e ruínas em Cizre, a resignaçom é evidente. Umha mulher de 60 anos de idade, varre a casa dela e recolhe as telhas quebradas. “Você sabe, estamos acostumados a enterrar a nossa juventude. Tenho 60 anos e tenho a sensaçom de testemunha-lo durante toda a minha longa vida. A verdade é que temos de viver juntos. Olhe ao seu redor, nom podemos continuar assim. ”

Matthieu Delmas é um jornalista francês que estivo em Cizre durante o assédio informando desde a cidade. O artigo e as fotografias som da sua autoria.

Publicado em Middle East Eye.