“O PKK nunca permitirá a institucionalizaçom do fascismo de Erdogan-MHP na Turquia”

cemil-bayikEntrevista a Cemil Bayik, co-presidente do Conselho Executivo da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK)

O co-presidente do Conselho Executivo da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK), a organizaçom gardachuva do movimento curdo, Cemil Bayik, falou à ANF sobre os acontecimentos na Turquia, a aliança entre o AKP e o MHP, bem como umha possível operaçom transfronteiriça contra o PKK.

Bayik dixo que umha onda de fascismo estava varrendo a Turquia e que a prisom de parlamentares do Partido Democrático do Povo (HDP) era a última prova disso.

Eles estam fundindo nacionalismo e religiom

“Erdogan e Devlet Bahceli [líder ultra-nacionalista do MHP] uniram-se na Turquia e estam tentando institucionalizar o fascismo. Para fazer isso estam tentando remover todos os obstáculos no seu caminho.

“Se eles estam aprisionando deputados do HPD, bloqueando sedes do HDP para impedi-lo operar, aprisionando membros do HDP, apreendendo municípios no Curdistam através da nomeaçom de administradores, destruindo cidades, deslocando centos de milheiros de pessoas, abusando dos curdos, democratas e intelectuais, torturando presos, executando prisioneiros de Guerra, amarrando-os à parte de trás dos veículos e arrastando os seus cadáveres, expondo os corpos nus das mulheres mortas, permitindo que os animais “dizimem os cadáveres das pessoas que matarom; é porque querem institucionalizar o fascismo.

“Para conseguir isso, precisam silenciar os meios de comunicaçom, intelectuais e artistas. É por isso que eles fecharom as mídias da oposiçom e prenderom jornalistas. Eles querem impor a sua propaganda e fazer as pessoas acreditarem nela. Estam fundindo nacionalismo e religiom para formar as bases sociais para o fascismo. Todo o  mundo precisa estar ciente disso.”

Eles querem tomar a todos como reféns

Bayik continuou a afirmar que o governo e os seus aliados estavam realmente fracos e recorrendo a essas políticas por causa disso.

“Estam praticando umha guerra psicológica muito intensa. Eles estam muito fracos; é por isso que estam fechando associaçons, mídias e partidos e tentando silenciar a todos. Se fossem fortes, eles nom fariam isso.”

A luita intra-curda está a ser provocada

Bayik também observou que o governo e o MHP estavam tentando avançar os sistemas de guarda de aldeia e vigia na regiom curda da Turquia para fortalecer o que el chamou de “traiçom”.

“Eles querem organizar umha força traiçoeira que esteja em colaboraçom com eles e levá-los a atacar curdos. Desta forma, querem transformar a questom curda em umha questom intra-curda, em vez de um problema entre os curdos e o Estado.”

Umha luita alternativa precisa ser desenvolvida

O co-presidente do KCK dixo que o regime na Turquia entraria em colapso se os setores progressistas da sociedade se juntassem.

“Os jovens e as mulheres em particular tenhem um papel importante; intelectuais, artistas, escritores, acadêmicos, jornalistas e trabalhadores também. Alauitas, diferentes grupos nacionais e culturais e democratas sunitas também. Todos os que estam preocupados com este regime precisam de unir-se e formar umha aliança. Se o figeram, esse regime entraria em colapso. Este regime nom tem apoio internacional; o seu apoio interno é fraco. Eles estam tentando retratar-se como tendo um monte de apoio, mas isso nom é verdade.

“Eles tenhem medo de perder o poder, sendo aprisionados e julgados; É por isso que estam recorrendo a essas açons. Erdogan quer transformar o AKP no partido fundador do novo regime e el próprio no seu chefe. Isso significará repressom, prisom, tortura e afrontas para todos os povos e religions. É por isso que todos os círculos que estam contra a institucionalizaçom do fascismo fundado sobre a unificaçom do nacionalismo e a religiom precisam formar umha luita alternativa.

O estado de emergência nom tem legitimidade

Bayik também comentou sobre o estado de emergência na Turquia e dixo que estava sendo armado contra as pessoas.

“O governo usou a tentativa de golpe de Estado do 15 de julho como umha oportunidade para declarar o estado de emergência. Eles figeram isso para adicionar legitimidade às políticas que iriam implementar. Erdogan tem o estado de emergência militar. Está tentando enganar as forças internas e internas dessa maneira. O estado de emergência nom tem qualquer legitimidade.”

Os curdos nom vom cumprimentar o exército turco com flores

Bayık também mencionou declaraçons recentes das autoridades turcas que sugerem umha operaçom em áreas controladas polo PKK na regiom do Curdistam (KRG), ressaltando que Erdoğan nom seria capaz de derrotar o PKK apesar do provável apoio que receberia.

“Erdogan di que vai erradicar o PKK. Com isso, el está tentando fortalecer o nacionalismo, o chauvinismo e o fascismo na Turquia. El quere o genocídio dos curdos. Quere eliminar os círculos seculares, socialistas e democratas para construir um regime baseado no nacionalismo e na religiom. É por isso que Erdogan está a tentar demonizar o PKK e os curdos aos olhos da sociedade turca e da comunidade internacional.

“É claro que el quere erradicar o PKK, que sabe é a única maneira de perpetrar um genocídio curdo e institucionalizar o seu próprio regime fascista. Considera o PKK um grande obstáculo para este objetivo e ataca o PKK e qualquer pessoa relacionada a el com grande raiva. No entanto, Erdogan só trará a sua própria queda dessa maneira, assim como Hitler fixo.

“El nunca poderá erradicar o PKK. El nom é forte o suficiente para fazer isso, mesmo se usa todos os meios do estado e recebe o apoio de algumhas forças internacionais e regionais, e até de alguns curdos. O PKK é um movimento apoiado e formado por milhons de pessoas. Nom está composto apenas por um pequeno quadro, nem por um pequeno movimento de guerrilha. O PKK tem um lugar nos coraçons e mentes do povo curdo, democratas, patriotas e socialistas. O PKK é a esperança dos oprimidos, de todos os oprimidos fora da Turquia também. Se Erdoğan quer erradicar o PKK, terá de massacrar todos os curdos, todos os oprimidos, todos os intelectuais, democratas, escritores e artistas que simpatizam com el.

“Eles [as autoridades turcas] falarom recentemente em conduzir umha operaçom em Qandil (base do PKK). Deixe-os vir, se podem. O povo curdo nom vai cumprimentá-los com flores. A Turquia provavelmente experimentará a maior derrota da sua história.”

O PKK jamais permitirá que o fascismo se torne institucionalizado na Turquia

O co-presidente do Conselho Executivo do KCK, Cemil Bayik, encerrou a entrevista dizendo que nom poderia haver democracia, liberdade ou justiça ou um futuro seguro na Turquia a menos que o AKP e o MHP fossem eliminados.

“Se as pessoas querem garantir o seu futuro, devem luitar contra o fascismo de Erdogan-Bahceli. O PKK jamais permitirá que o fascismo se torne institucionalizado na Turquia. O PKK nom luita apenas para si e para os curdos, mas sim para a humanidade, a democracia e a justiça. Esta é umha luita por todos e haverá umha vitória definitiva se for apoiada por todos.”

Publicada em ANF – Ajansa Nûçeyan a Firatê e KurdishQuestion.

 

Carta desde prisom da jornalista e feminista curda Zehra Doğan

770x500cc-zehra-dogan-odul-mansetZehra Doğan era editora da agência feminista de notícias Jinha Ajansa Nûçeyan a Jinê  que escriviu umha carta desde a sua cela na prisom de Mardin (Curdistam turco). Entre as acusaçons que lhe fai o régime turco está a de retratrar, com os seus debujos, a violenta repressom de Ankara no território do Curdistam do Norte.

Durante cinco meses, Zehra Doğan estivo informando desde Nuseibin (província de Mardin). O dia em que ela deixou a cidade, foi detida pola polícia e encarcerada, enquanto aguarda julgamento. Na sua cobertura das notícias e as suas pinturas de cidades sitiadas como Cizre, Derik, Dargeçit e Nuseibin, Zehra retrata mulheres que tentam recuperar as suas crianças sob bandeiras brancas; cidades queimadas e destruídas; lamentos de mulheres; e a luita nas cidades. Eis, a carta de Zehra:

“Sempre tentei a existir através das minhas pinturas, as minhas notícias, e a minha luita como mulher. Agora, embora eu estou presa entre quatro paredes, eu ainda acho que absolutamente cumprim o meu dever integramente. Neste país, escuro como a noite, onde todos os nossos direitos foram riscados com o vermelho do sangue, eu sabia que ia ser presa.

Quero repetir o ensinamento de Picasso: realmente acha que alguém que usa os pinceis é simplesmente alguém que usa os seus seus pinceis para pintar insetos e flores? Nengum artista dá as costas à sociedade; um pintor tem que usar o pincel como uma arma contra os opressores. Nem mesmo os soldados nazistas julgarom a Picasso por causa das suas pinturas, e eu estou sendo julgada por causa dos meus debujos

DoganVou continuar a debujar. Quando uma mulher assume essa profusom de cores, pode sair da prisom às pinceladas. Mas elas som só pinceladas …. Nom esqueças, que é a minha mao quem segura o pincel!”

Recolhida da web de Jinha.

 

 

Por que é importante parar a “guerra da Turquia contra os curdos”?

Why it is Important to Stop Turkey’s War On The Kurdspor Memed Aksoy

Mália que o artigo está feito para a manifestaçom de Londres, considero que é também muito claro para qualquer outro lugar.

Vários grupos de solidariedade curdos e nom-curdos de todo o espectro político estam organizando umha manifestaçom o 06 de março de 2016 em Londres sob a lenda “Parar a guerra da Turquia contra os curdos.” Esta é a primeira vez na história que umha manifestaçom nacional está a ser organizada nesta escala em solidariedade com os curdos. Vem em um momento crucial para o povo curdo, mas também para todos os povos do Médio Oriente.

As atrocidades cometidas polas forças do Estado turco em vários bairros curdos desde julho do 2015 som a ponta do iceberg em relaçom ao que poderia acontecer no Curdistam do Norte, a Turquia e o resto da regiom se esta guerra nom é parada. 178 pessoas forom queimadas vivas, incluindo mulheres e crianças em 3 ‘sotos da morte’ em Cizre em fevereiro; centos de outros forom mortos em Sur, Idil, Nusaybin, Dargeçit, Silopi e em outros lugares desde a implementaçom dos bloqueios marciais e cercos. Mais de um milhom de pessoas forom deslocadas e os distritos mencionados acima transformarom-se em paisagens distópicas por equipes e soldados especiais das forças policiais usando artilharia, tanques e substâncias químicas.

A juventude curda principalmente, estam tentando defender essas áreas, cavando trincheiras e erguendo barricadas no que se transformou em umha guerra urbana, por primeira vez na história do conflito entre o Estado turcos e os curdos. Outros, como Abdulbaki Somer, o autor do atentado Ancara, em um estado de desespero sentido por muitos curdos, tentou vingar-se atacando o Estado turco no seu próprio quintal. Sabemos que “a guerra é umha continuaçom da política por outros meios”, mas deve haver umha outra maneira de acabar com este conflito, que se parece cada vez mais a umha guerra civil. E todos nós sabemos o que isso significa, se olharmos do outro lado da fronteira com a Síria; polo menos 11 milhons de deslocados, 470.000 mortos ou feridos, um habitat inteiro arrasado e todo um país destruído.

O atual conflito no Curdistam do Norte também é umha extensom da guerra na Rojava e Síria. Embora seja um assunto complicado com as alianças que se sobreponhem, mudanças diárias e realpolitik, a única constante da guerra tem sido a inimizade da Turquia contra a Revoluçom da Rojava e o seu apoio a grupos jihadistas para luitar contra os ganhos de Rojava. O temor a que Rojava ganhe reconhecimento internacional é tam grande que Erdogan admitiu que cometeu o erro de permitir que os curdos no sul do Curdistam (N.Iraq) obter a autonomia, mas nom vai repetir o erro cometido na Síria, mesmo que leve a um conflito regional. Assim, a Turquia continua alimentando a guerra em Rojava e Síria, criando e apoiando, marcas de banda cada vez maiores de mercenários na sua fronteira, que está tornando mais difícil um cessar-fogo sustentável ou conversaçons de paz. A política sectária do governo do AKP também está alimentando a guerra e o caos no Iraque, que está mantendo os curdos dependendo do Estado turco.

A fobia dos curdos da Turquia deriva da fundaçom da República Turca que foi construída sobre a negaçom e aniquilaçom dos curdos especificamente e de qualquer cousa nom-turca em geral. É por isso que a igualdade, um status e reconhecimento para os curdos em qualquer lugar é considerado como umha ameaça para o Estado-naçom turco e a sua soberania. E isso é. Porque a igualdade e reconhecimento dos curdos vai significar umha constituiçom e sociedade plural, inclusiva e democrática, bem como as bases da democracia radical em toda a Turquia, Curdistam do Norte (Bakur) e do Curdistam Oeste (Rojava). Este é um anátema para o AKP e grande parte da elite dominante turca, tanto à esquerda como à direita. Por isso, o governo do AKP e Erdogan estam-se tornando cada vez mais autoritários, nacionalistas e por falta de umha palavra melhor fascistas. A proibiçom de jornais e canais de televisom, a prisom de jornalistas, acadêmicos, ativistas de direitos humanos e políticos eleitos e a militarizaçom e islamizaçom da sociedade som todos indicadores perigosos que a Turquia está em caminho da destruiçom.

Há umha tendência nos seres humanos de tomar medidas, umha vez que é tarde demais. As condiçons agora estam para a guerra total ou umha paz duradoura. O resultado só pode ir de duas maneiras entre os curdos e turcos. A guerra da Turquia contra os curdos está derrubando as escalas em favor do conflito, devemos apoiar em favor da paz. O silêncio dos governos, dos meios de comunicaçom e organizaçons internacionais precisa ser e vai ser quebrado polas pessoas. Nós nom poidemos impedir a guerra civil na Síria; imos impedi-la na Turquia e o Curdistam do Norte.

A característica mais importante desta demonstraçom é que está sendo organizado por pessoas de todo o mundo, nom so curdos. Espero que a ideia se espalhe por todo o mundo e as pessoas, em solidariedade com os curdos e os povos do Oriente Médio vam se juntar para dar um golpe contra as políticas imperiais, intromissons e imposiçons das chamados ditaduras regionais e e regimes opressivos, bem como as “superpotências”.

Parar a guerra da Turquia contra os curdos significa evitar a guerra civil na Turquia e Curdistam do Norte, isso significa parar a morte, destruiçom, deslocamento e migraçom, significa contribuir ao fim da guerra na Síria, Iraque e em toda a regiom, significa fortalecer o terreno para umha soluçom política e pacífica para a questom curda na Turquia e significa o fortalecimento da democracia, direitos humanos, fraternidade e liberdade no Oriente Médio para todos.

Nota: Existem entre 400,000-500,000 curdos e turcos que vivem no Reino Unido, principalmente em Londres. Cada um deles tem família, amigos e seres queridos que vivem na Turquia e Curdistam do Norte. A maioria deles nom têm conhecimento ou sente-se impotente diante do perigo que estamos enfrentando. Este é o dia no que cada curdo e Turco deve sair para exigir um fim a esta guerra que ameaça quebrar a sociedade e levar a Turquia de volta cem anos atrás.

Publicado em Kurdish Question, para mas informaçom em: www.stopwaronkurds.org

 

“A resistência é vida, o silêncio é morte”: Entrevista exclusiva com Faysal Sariyildiz

Faysal Sariyildiz 01O deputado Faysal Sarıyıldız do Partido Democrático do Povo por Şırnak foi a única fonte de informaçom desde dentro do distrito sitiado de Cizre nos últimos dous meses. El informou à opiniom pública através das mídias sociais e fixo muitos apelos a organizaçons internacionais para acabar com o cerco em Cizre e impedir a massacre de civis.

Sarıyıldız foi eleito por primeira vez para o Parlamento em 2011 como candidato do Partido da Paz e a Democracia (BDP), o antecessor do HDP, enquanto el estava na prisom por alegada pertença a umha organizaçom terrorista. Foi preso em 2009, como parte das operaçons conra a KCK e liberado em 2014 sem ter sido julgado ou condenado. Foi re-eleito para o Parlamento em 2015.

Kurdish Question entrevistou o Sr. Sarıyıldız na esteira das massacres dos sotos para ter umha imagem mais clara, sem censura e imediata da situaçom em Cizre.

Onde está agora Mr. Sarıyıldız?

Estou no distrito de Cizre de Şırnak, onde há um toque de recolher durante 62 dias sob as ordens do governo do AKP e a decisom do Governador de Şırnak.

Em quais bairros estam ocorrendo as operaçons e assédios?

As operaçons e assédios nom estam limitados a certos bairros. O assédio está a ser implementado em cada canto do centro do distrito. No entanto, há umha concentraçom nos bairros de Nur, Cudi, Sur e Yafes, que estam sob intenso ataque e assédio.

Qual é a povoaçom que vive nesses bairros neste momento?

De acordo com o censo do 2015 a povoaçom de Cizre é de 131, 816. Os quatro bairros que mencionei componhem os 2/3. Devido aos ataques devastadores e extra-legais do estado, as pessoas que vivem nos bairros Cudi, Nur e Sur forom totalmente deslocadas, enquanto mais da metade da povoaçom em Yafes também deixarom as suas casas. Além disso, a política de deslocamento forçado do estado também foi implementado em bairros onde os ataques nom se estam concentrando. Podemos dizer que mais de 100.000 pessoas forom deslocadas.

Há mais de 2 meses que Cizre estivo sob assédio; que estam comendo e bebendo a gente, ou seja, como estam vivendo?

As pessoas consumirom tudo do que se tinham abastecido durante este tempo. Em Cizre, as relaçons sociais e de vizinhança som fortes. Além disso, há solidariedade coletiva porque as pessoas pertencem à mesma identidade política. No entanto, há sérias dificuldades por causa da duraçom do cerco. Por exemplo, o estado permitiu somente um par de lojas abertas determinados dias. Mas só as pessoas que vivem perto destas lojas poderiam tirar proveito disso. As pessoas que vivem longe dessas lojas nos bairros sob fortes ataques nom podem acessar as suas necessidades. Porque se saes da casa para comprar pam podes ser baleado ou atingido por estilhaços de um morteiro; em suma, morrer. O preço de sair a rua é a morte. Além disso, a polícia recentemente impediu que estas lojas abram.

Ao mesmo tempo, as forças estatais impedirom a dúzias de camions que continham alimentos e outras necessidades enviadas de todo o país como ajuda entrar no distrito.

Por causa dos ataques a infra-estrutura do distrito foi destruída. As forças do estado conscientemente atacarom o sistema de água e de águas residuais, bem como os transformadores de energia elétrica. Houvo falta de água durante dias. Um trabalhador do município foi para amanhar os tanques de água danificados, mas foi baleado no braço polas forças estatais; o seu braço tivo que ser cortado.

As pessoas chamam-no pedindo ajuda? Que tipo de cousas pedem?

O pedido mais comum durante o cerco foi polos cadáveres e feridos para ser levados os hospitais. Os pedidos de ajuda das pessoas retidas nos edifícios, as pessoas que estam sob ameaça de morte e as pessoas cujas casas forom queimadas também som comuns. Isso ocorre porque o Estado desligou todos os canais de comunicaçom entre as instituiçons e as pessoas; nom há nengumha via de diálogo. Os municípios nom som capazes de levar os serviços para as pessoas devido ao cerco e toque de recolher.

As pessoas pensam que porque eu som deputado eu poderei atender os seus pedidos. No entanto por causa de ser da oposiçom e a linha política que represento, os pedidos que eu fago nom deve som levados em consideraçom. Os cadáveres e feridos forom deixados nas ruas durante dias apesar dos repetidos apelos para que poidam ser recuperados. Pedidos como estes seriam atendidos imediatamente em países onde há umha democracia enraizada e a justiça e o direito está em vigor. Mas os pedidos humanos som ignorados na Turquia, que é administrado por um governo anti-democrático e totalitário.

Onde é que as pessoas que migrarom de Cizre forom? Tem algumha informaçom sobre a sua situaçom?

As pessoas que tiveram que deixar as suas casas e meios de subsistência por causa dos constantes e graves ataques por parte das forças estatais. Quando os curdos falam de devastaçom e desastre fam referência a Kobanê e Sinjar. Dous terços de Cizre em verdade nom som diferentes de Kobanê e Sinjar. As casas forom viradas em ruínas. Quase nom há casas que os bombardeios de tanques e morteiros nom bateram. Esta foi umha política consciente para deslocar as pessoas. As forças do governo violarom o direito à vida.

Houvo migraçom interna no primeiro mês do cerco. Os ataques estavam concentrados nos bairros Cudi, Nur, Yafes e Sur. As pessoas forçadas a se deslocar destas áreas migrarom para o centro do distrito ou bairros onde os ataques eram menos graves. Alguns forom morar com parentes e outros forom acolhidos por pessoas. No entanto, quando os ataques começarom a se espalhar para esses bairros, mais umha vez migrarom, desta vez para as aldeias vizinhas, o centro de Şırnak, Idil, Diyarbakir e cidades turcas. Na década de 1990 os ataques do Estado provocarom que os curdos migraram das zonas rurais para as zonas urbanas, agora está ocorrendo o oposto; porque o estado está a transformar as cidades curdas no inferno.

Por que o estado está atacando Cizre tam severamente?

Se analisarmos o significado histórico e político da Cizre, pode-se ver que tem umha qualidade simbólica, tanto para o estado como também para o povo curdo. Para compreender por que o Estado declarou o mais longo cerco e toque de recolher e cometerom atrocidades, impedindo as pessoas de enterrar os seus seres queridos e a queima de pessoas vivas, deve-se olhar para a história da resistência em Cizre.

Durante toda a década de 90 Cizre foi o lugar de maior tirania e repressom. Os feitos na celebraçom do Newroz (Ano Novo curdo), em 1992 ainda estam frescas na nossa memória. Mais de 100 civis forom mortos e centos feridos em ataques para evitar as celebraçons do Newroz. Nos mesmos anos as aldeias forom arrasadas, as migraçons forçadas, execuçons extrajudiciais e as valas comuns forom moeda diária em Cizre. O Estado viu os direitos humanos e as liberdades básicas como luxos para as pessoas deste distrito.

No entanto, apesar de toda a violência e repressom, entom e agora, o povo de Cizre nom deu nengumha concessom e nom se ajoelhou. A demanda de Cizre pola liberdade e igualdade e a resistência contra as políticas do Estado turco de negaçom e assimilaçom foi sempre inquebrável. Apesar da política de assimilaçom do estado Cizre resistiu a turquificaçom e protegeu a sua autêntica identidade cultural e política independente. É por isso que sempre foi um alvo para quem está no poder. Assim como Cizre estava no coraçom da rebeliom contra o Império Otomano em 1847, tornou-se símbolo da resistência para o povo curdo na década de 1990.

Portanto, o estado acredita que se Cizre, como um dos centros de resistência, é liquidado, entom podem fortalecer a sua soberania nas outras cidades do Curdistam. Mas eu acredito que a barbárie do Estado em Cizre durante o cerco foi gravada na memória coletiva do povo tam profundamente que vai criar raiva e umha reaçom organizada. As pessoas aqui forom obrigadas a umha experiência desumana e tirânica que vai passar de geraçom em geraçom.

Faysal Sariyildiz 02Que significam as barricada e trincheiras?

Significa umha forma de auto-defesa contra a política de negaçom e aniquilaçom do Estado. É claro que o povo curdo nom está feliz com a vida atrás das trincheiras, no meio de batalhas, deixando as suas casas e enterrando os seres queridos todos os dias. No entanto, há umha insistência em que os curdos vivem como escravos. Aqueles por trás das trincheiras se oponhem a isso. A maioria deles estiverom discriminados polo Estado; detidos, presos e torturados ou perderom um parente na guerra ou incendiarom a sua aldeia. Eles nom confiam no Estado. Eu sei disso porque me reunim com os jovens o ano passado, quando as negociaçons (entre o movimento curdo e o estado) ainda estavam em andamento, para que eles fecharam as trincheiras. Eles escutarom o chamado de Öcalan e figerom-no. No entanto, o mesmo dia as forças estatais dispararom e matarom umha criança, Nihat Kazanhan, desde um veículo blindado. É o conceito de guerra do estado que obrigou a Cizre a cavar trincheiras.

Há diálogo entre você e os funcionários / instituiçons estaduais?

Apesar das muitas tentativas de fazer contato e atender durante todo o cerco, o governador de distrito Cizre nom respondeu o telefone nem respondeu aos nossos pedidos para umha reuniom. O diálogo com a polícia nom evoluiconou além das constantes ameaças que nos fam.

Quem acha que está comandando as operaçons militares em Cizre? As forças de Ancara ou as locais? Quantas equipes das forças especiais, soldados, policiais etc. há em Cizre no momento?

O que aconteceu em Cizre nom é umha questom local. O mesmo aconteceu e continua a acontecer em muitas outras vilas e cidades curdas. Os funcionários do governo também afirmarom em várias ocasions que esta é umha operaçom global. Por isso, é claro que estas operaçons estam sendo planejadas e usam as instituiçons burocráticas e instrumentos políticos de todo o estado. Em março do 2015, quando o processo de resoluçom ainda estava em curso, o governo do AKP aprovou o projeto “Paquete de Segurança Interna” no Parlamento como preparaçom para o que está acontecendo hoje. Todas as operaçons que som implementadas aqui som suportadas, incitadas, e dirigidas por autoridades estaduais e do governo, incluindo o presidente, primeiro-ministro, ministro do Interior, ministro da Defesa, chefe de gabinete, governadores provinciais, governadores etc. Aqueles que executam a operaçom no terreno som pessoal do Estado. Eles estam pagos polo Estado e estám usando equipamento militar do estado. Há mais de 10.000 soldados e forças policiais especiais participando activamente na operaçons em Cizre. Se levarmos em conta todos os tipos de artilharia pesada, existem suficientes soldados e forças especiais para verificar cada casa em Cizre.

Houvo massacres em 3 sotos. Poderia dar-nos algumha informaçom concreta sobre estas massacres?

Havia cerca de 130 pessoas nos ‘3 sotos da morte’, a metade deles mortos ou feridos. Eu e as famílias dos presos falamos com a delegacia da polícia Cizre e a equipe de saúde do estado inúmeras vezes de levá-los para o hospital. Mas cada solicitaçom foi recusada por motivos de “segurança”. Os edifícios com os feridos presos forom atacados por vários dias. Eles forom deixados sob os escombros, sem comida e água por vários dias. O Estado violou todas as regras humanas e legais e massacrou os feridos de umha forma selvagem.

Nom temos informaçons concretas sobre o primeiro soto. Mas as ambulâncias do município recuperarom os corpos que forom tirados a rua polas forças estatais a 50 m de distância do soto. Nom sabemos ao certo se forom retirados do prédio. No entanto, temos a certeza de que polo menos 110 pessoas que se refugiarom nos edifícios forom massacrados, a maioria deles queimados vivos. Há polo menos 28 pessoas desaparecidas. (Umha vez que a entrevista rematara confirmou-se, que polo menos, 145 pessoas morreram).

Umha vez que o bloqueio marcial começou 62 dias atrás 209 pessoas forom mortas, as identidades de 80 pessoas forom confirmadas, enquanto o resto ainda nom estam claras. Nós acreditamos que o número de vítimas vai subir. Há muitos mais cadáveres nas ruas e nas casas.

O Estado e a imprensa turca afirmou que essas pessoas nom evacuarom os sotos apesar dos apelos. Por que essas pessoas nom deixarom os sotos?

As afirmaçons de funcionários do Estado e os meios de comunicaçom de que as pessoas nom evacuarom os sotos apesar de ter a oportunidade som para enganar a opiniom pública internacional. Se isso fosse verdade eles poderiam prova-lo. Tivem contato por telefone com as pessoas assediadas, falamos muitas vezes. Conheço muitos deles do seu trabalho na esfera social, política e de mulheres. Quase 50 estudantes universitários que tinham viajado a Cizre em solidariedade também estavam entre os feridos. Quando as ambulâncias tentarom alcançar os sotos as forças do estado tiroteiarom a cena e nom lhes permitirom a entrada na área por razons de “segurança”. Em vez de permitir que eles foram levados para o hospital, desde o início o estado abandonou à morte e queria massacrá-los. Eles figerom isso, queimarom-os vivos.

Com esta massacre do estado, à sua maneira, queriam ensinar aos que resistem a liçom e também o castigo e intimidar as pessoas de outras cidades curdas; isso também era umha ameaça para os que estám contra o estado nas cidades ocidentais da Turquia. Usando a retórica “Estamos perdendo o país polos terroristas”, o governo tentou esconder as suas práticas extra-legais e consolidar o bloco nacionalista e conservador.

Além disso, devido à crescente supressom dos meios de comunicaçom nos últimos anos, é impossível falar de uns mídias livres que informaram do que está acontecendo aqui. Os meios de comunicaçom atuais estam no lugar para legitimar todas as açons do governo e do estado. Um pequeno grupo de meios de comunicaçom livres som constantemente reprimidas com os jornalistas sendo mortos, presos e impedidos de fazer o seu trabalho. Portanto, nom é possível obter informaçom imparcial ou detalhada sobre o que está acontecendo nas cidades curdas nos mídia. Em suma, o Estado está a implementar todos os métodos de guerra psicológica à sua disposiçom.

Sabemos que os sotos em Cizre tenhem um significado especial. Desde os anos 90 as pessoas refugiarom-se nos sotos. Poderia contar mais sobre isso?

Um soto ou adega é um espaço onde as pessoas se refugiam dos ataques do estado. Este espaço é, especialmente para Cizre, histórico. Tendo experimentado a tirania do estado, a soluçom de Cizre forom os sotos. Se o povo de Cizre nom tivera construído sotos para defender e proteger-se, massacres maiores poderiam ter ocorrido.

Você é deputado por Şırnak. Umha criança desta cidade. Sabemos que perdeu muitos amigos recentemente. Como descreveria o seu estado de ánimo? Poderia nos contar o momento em que mais luitou?

O sofrimento em Cizre foi indescritível. Como podoo distinguir entre a dor causada pola morte da mae Hediye, que depois de me pedir ajuda durante umha semana, foi morta por um projetil de tanque, ou o assassinato do bebê de 3 meses Miray e o seu avô em umha emboscada sangrenta ou a morte do meu amigo Aziz, que foi morto por um único tiro na cabeça quando se dirigia salvar a umha mulher ferida, ou a perda do meu camarada Seve, que escondeu a sua convicçom na revoluçom no seu sorriso? Mas umha criança escreveu “A resistência é vida, o silêncio é morte” em umha parede com carvom em meio do bombardeio de tanques também me afetou profundamente. Porque este foi o grito de Cizre …

Eu acho que essas palavras e frases explicam Cizre e o meu estado mental; silêncio, gritos desoladores, resistência, vida, destroços, água, tirania, migraçom, coragem, liberdade, rostos ensangüentados, jovens com rostos luminosos, esperança…

Fixo chamadas a muitas organizaçons internacionais recentemente. Recebeu algumha resposta?

Nom houvo resposta significativa ou medidas tomadas em resposta às cartas escritas e as chamadas feitas por mim e o Partido Democrático dos Povos até agora.

Como podem ser paradosos ataques do Estado ?

Tanto quanto nós podemos dizer as forças estatais nom tenhem a intençom de cessar os ataques no futuro próximo. O estado quer encobrir o seu fracasso político na Síria e Rojava com esses ataques. Além disso, quer desacreditar, criminalizar e suprimir a motivaçom criada polos desenvolvimentos em Rojava, bem como as exigências feitas polos curdos durante o processo de soluçom, que forom vistas polo mundo como legítimas. A oposiçom unificada e organizada formada polas forças democráticas é a única cousa que pode enfraquecer os ataques do Estado. O apoio da opiniom pública internacional também é muito importante.

Onde acha que os desenvolvimentos nos estam levando?

A situaçom actual da economia capitalista significa que os recursos energéticos e as suas vias tornarom-se questons importantes. As potências imperialistas estam constantemente fazendo novos movimentos devido às consideráveis reservas de petróleo e gás na regiom. Os desenvolvimentos aqui, especialmente desde a primeira Guerra do Golfo, estam criando novas contradiçons, novas alianças, novos problemas e novas oportunidades todos os dias. Além disso o sectarismo está sendo aprofundado usando o Daesh (ISIS). Junto com isso nós igualmente temos os desejos democráticos e as luitas dos povos da regiom contra os regimes autoritários.

Um dos exemplos mais importantes disso som os curdos. Os curdos querem a democracia e o auto-governo. Há umha luita ativa por isso em Rojava. As demandas na Turquia dos curdos estam a ser recusadas; a sua luita criminalizada, suprimida e deslegitimiçada. No entanto, nesta era da comunicaçom nom vai ser tam fácil como era antes negar a demanda do povo pola democracia, a igualdade e a liberdade. Os curdos continuarám luitando por isso; a sua demanda por umha “cidadania igual e livre” na Turquia é significativa e preciosa. É umha exigência universal, legítima e democrática. Entom, até que um regime democrático no que os curdos tenham um estatus e opiniom vai continuar esta luita.

Obrigado por dar-nos esta entrevista e polo seu tempo.

Obrigado.

Esta entrevista foi publicada em duas partes 1 e 2 em Kurdish Question.

 

Turquia: Onde Chamar pola Paz é terrorismo

Turkey Where Calling for Peace Is Terrorism Artigopor Rosa Burç, este artigo foi publicado originalmente em telesurtv.net

Turquia atraíu a atençom internacional depois de que umha carta assinada por Noam Chomsky e mais de 1.100 acadêmicos condenaram a violenta repressom do governo.

Umha declaraçom assinada por mais de 1.100 acadêmicos, incluindo o famoso linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky, pediu ao governo turco “abandonar a sua massacre deliberada” da povaçom curda do país.

O documento, que foi viral, irritou a Ancara, Recep Erdogan, o presidente, chamou a todos os signatários “escuros, desonestos e brutais.”

O documento está chamando a atençom internacional para um aliado dos EUA e membro da OTAN que está se tornando cada vez mais autoritário e empregando a violência estatal e a repressom para criar um clima de terror no país.

“O que os meios de comunicaçom estám dizendo é muito diferente do que estamos experimentando. Consulte-nos, por favor, escuite-nos ouvir e ofereça-nos ajuda”, dixo Ayse Çelik, um professor da província de Diyarbakir, que chamou o Beyaz Show – um dos programa de televisom de entretenimento mais bem cotados na Turquia. “Nom deixem que as pessoas morram, nom deixem que as crianças morram e nom deixem que as maes chorem.”

A Turquia é, provavelmente, um dos poucos países no mundo onde este tipo de declaraçons é julgadas como terrorismo, o programa de TV foi investigados por “propaganda terrorista”, e onde o apresentador do programa tivo que pedir desculpas publicamente polas suas declaraçons e manifestar o seu total apoio às operaçons militares do estado.

O chamado de Çelik era umha tentativa desesperada de romper o silêncio no país, principalmente no Oeste de Turquia. Enquanto o Ocidente se envolve com o nacionalismo e firme apoio para as narrativas que saem de Ankara nas que as operaçons militares nas províncias curdas se justificam como umha operaçom anti-terrorista em defesa do estado, a realidade política no sudeste curdo evoca umha zona de guerra, onde os toques de recolher, a tortura e as execuçons tornarom-se comuns.

O conflito turco-curdo leva mas de três décadas, e ainda atingiu novos níveis de violência recentemente. Hoje, o Estado continua a implicar a mesma lógica que há 20 anos: cortar qualquer exigência política curda através da aplicaçom de duras políticas de segurizaçom e coerçom sob as leis anti-terroristas vagamente definidas e umha constituiçom escrita em 1982 por umha junta militar liderada polo general Kenan Evren .
Depois de rematar o processo de paz com o Partido dos Trabalhadores do Curdistam ou PKK, em agosto de 2015, o governo Erdogan lançou umha ofensiva militar em cidades curdas no sudeste da Turquia. Forom impostos dúzias de toques de recolher, a mais longa está sendo a do distrito de Sur na cidade de Diyarbakir, que agora está no seu 49 dia. Os toques de recolher mais pesados forom imposta notavelmente nas cidades curdas, onde o AKP de Erdogan, ou Partido da Justiça e o Desenvolvimento, tivo poucos votos nas últimas eleiçons.

Os curdos no entanto, emanciparom-se da abordagem do estado para a questom curda na redefiniçom do conceito de democracia e luitando por umha paz digna. Hoje nom é unicamente o PKK quem desafia o Estado turco na primeira linha, mas é umha organizaçom ad-hoc de civis – mulheres, crianças, idosos – que defendem as suas vidas atrás de trincheiras e barricadas.

Resistindo um estado que conduze a sua força por meio de armas pesadas, artilharia, veículos blindados, helicópteros e detençons caprichosas sobrevivir so é possível tornando-se invisível para o Estado. Trincheiras e barricadas, portanto, som espaços de sobrevivência e nom o resultado de umha agenda separatista curda, como falsamente proclama o Estado turco.

Em impor violentos toques de recolher em um estado de emergência de facto, o Estado turco nom só coloca as cidades curdas sob assédio, mas também tem sabotado qualquer possibilidade de negociar pacificamente umha soluçom política.

A autonomia curda dentro das fronteiras turcas unicamente está sendo discutida e, assim, criminalizada como parte das chamadas “trincheiras-políticas” por colunistas e políticos tradicionais, em vez de avaliar a demanda de autodeterminaçom como um direito fundamental. Por isso, o governo do AKP nom tem nengum problema em militarizar ainda mais o conflito. Colocando as demandas curdas sob assédio, a ofensiva contra a vida de civis, certamente demonstra umha tentativa de isolar a questom curda de outras discussons em torno as deficiências democráticas da Turquia.

Embora a estratégia de isolamento do governo parecia ser bem sucedida no que di a respeito ao silenciamento das vozes críticas na parte ocidental da Turquia, foi a iniciativa dos acadêmicos chamando pola paz imediata a fim de pôr fim ao crescente número de mortes na Regiom Sudeste do país o que desencadeou umha discussom sobre a guerra da Turquia contra os seus cidadaos, nom só na Turquia ocidental, mas até mesmo internacionalmente.

A declaraçom foi inicialmente assinada por 1.128 acadêmicos de 89 universidades turcas, bem como por mais de 300 cientistas de fora do país. Noam Chomsky, Judith Butler, Etienne Balibar, David Harvey e Tariq Ali estam entre os nomes mais populares dos muitos apoiantes.

“O direito à vida, à liberdade e a segurança, e, em particular, a proibiçom da tortura e maus-tratos protegidos pola Constituiçom e as convençons internacionais forom violados”, dizia a declaraçom. “Exigimos que o estado abandone a sua massacre deliberada e deportaçom do povo curdo e outros na regiom.”

A declaraçom também pede umha delegaçom independente de observadores internacionais para ir a regiom, bem como um fim dos toques de recolher. Certamente, em um país como a Turquia, que reforça o nacionalismo através dos conceitos de traidores e terroristas, os intelectuais derom um passo à fronte, dizendo: “Nós nom formaremos parte deste crime”.

Agora todos os signatários acadêmicos estam enfrentando represálias penais e profissionais depois de que o presidente Erdogan os chamou de ” escuros traidores ” e o Conselho de Educaçom Superior (YÖK) anunciou umha investigaçom contra os estudiosos que apóiam a iniciativa. Mais de 20 acadêmicos já foram detidos por “propaganda terrorista.”

A descida da Turquia num crescente Estado autoritário está marcada polo que qualquer dissidência pacífica, apelando pola paz com os curdos, bem como difundir o conhecimento das mortes de civis, é estigmatizado como traiçom.

Em uma resposta ao ataque do AKP à liberdade acadêmica, Judith Butler afirmou que “a denominaçom da análise crítica como traiçom é umha antiga e indefensável tática dos governos que desejam ampliar os seus poderes à custa da democracia.”

Quando a prerrogativa da interpretaçom está nas maos de um estado que está em umha perigosa deriva autoritária, nom é nengumha surpresa que chamar pola paz seja percebido como umha grande ameaça para o poder do Estado.

Rosa Burç, 25 anos, é estudante pre-doutoral e Assistente de Investigaçom no Department of Comparative Government, da Universidade de Bonn. A sua investigaçom é sobre Estados-Naçom e Teorias do (pós-)Nacionalismo.

Publicado por Kurdishquestion.