Mensagens desde a prisom dos co-presidentes do HDP Demirtas e Yuksekdag

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Figen Yuksekdag e Selahattin Demirtas / HDP

Os co-presidentes do Partido Democrático Popular (HDP – Partido Democrático dos Povos) Selahattin Demirtas e Figen Yuksekdag, enviaram as primeiras mensagens desde a prisom.

Os co-presidentes forom detidos nas primeiras horas da manhá do venres e formalmente acusados de pertença a umha organizaçom ilegal no mesmo dia.

Demirtas, que foi levado em helicóptero a prisom de máxima segurança Tipo F [com celas de ilhamento e ate agora para cumprir condeas em firme] de Edirne, na Turquia europeia, enviou umha carta curta ao través do seu avogado.

Nela, o co-presidente do HDP escriviu:

“Gostaria primeiro de estender o meu mais caloroso amor e respeito a todos os amigos. A nossa ilegal prisom limita-se a somar-se à escuridade profunda ao que o nosso país está sendo arrastado a cada dia. No entanto, aqueles que pensam que nos podem obrigar a render nesta escuridade devem saber muito bem que um único fósforo, umha única vela é suficiente para iluminar a escuridade. Qualquer que seja o nosso lugar e condiçons, continuaremos, se é necessário, a arder como umha vela para que o nosso povo viva em paz num futuro livre. Todo o mundo deve continuar o seu trabalho como parte da luita pola democracia e deve luitar sem pausa para levantar essa escuridade para o nosso futuro brilhante. A minha moral é alta, minha saúde é boa. Com agarimo.”

A outra co-presidente do partido Figen Yuksekdag, que foi transferido para a prisom de máxima segurança Tipo F de Kocaeli, também enviou umha nota manuscrita para os militantes do HDP.

“Apesar de todo, eles nom podem erradicar a nossa esperança ou quebrar a nossa resistência. Seja na prisom ou nom, o HDP e nós, ainda somos a única opçom da Turquia para a liberdade e a democracia. E é por isso que eles tenhem tanto medo de nós. Nom, nem um só de vos, deixede-vos desmoralizar; Nom deixar cair a sua guarda, nem enfraquecer a resistência. Nom esqueçades que este ódio e agressom está enraizada no medo. O amor e a coragem ao final vam ganhar. Com meu caloroso amor e saudaçons.”

O HDP considera a prisom ilegal dos 9 deputados como a de “reféns.”

Recolhido de Kurdishquestion.com

 

Entrevista a Selahattin Demirtaş, co-presidente do HDP: “Nom temos outra opçom do que estar bem organizados e atentos, prontos para qualquer cousa”

demirtas 25Öcalan avisara a Erdogan sobre esta questom. ” Di-lhe, el nom entende, está agindo como um idiota “, dixo Öcalan. “Continuar o processo de resoluçom apoia-o , se esse processo termina, a mecânica do golpe vai intervir e el vai acabar como o Morsi de Egito”, avisou.

Selahattin Demirtaş, co-presidente do Partido Democrático dos Povos, definiu a tentativa de golpe como “umha tentativa de golpe de Estado duns golpistas contra outros golpistas “, e acrescentou: “Umha atitude clara deve ser adoptada contra as duas mentalidades golpistas e a luita deve ser reforçada, porque a mentalidade golpista que tentou tomar o poder através das forças militares usando tanques e canhons é ilegítima e  governar por meio de umhas eleiçons que se realizarom com umha guerra, violência, e o bombardeamento de cidades, é também um golpe civil.”

Demirtaş, lembrou que o Líder Curdo Abdullah Öcalan avisara a Erdogan sobre a “mecânica golpista” em todo o processo de diálogo, dixo que o Movimento de Libertaçom Curdo nom “aproveitou a tentativa de golpe” quando ocorreu:  as “guerrilhas curdas poderiam ter aproveitado essa tentativa e apreender muitas cidades, mas isso seria jogar da mentalidade pró-golpista. O movimento curdo, por nom fazer umha escolha entre as duas mentalidades pró-golpistas, mantivo umha postura digna, que insiste na luita democratica dos povos. No entanto, pessoas como Erdogan nom tenhem a capacidade de entender essa postura digna”.

O co-presidente do HDP chamou a “solidariedade” ao mencionar que com os grupos racistas e jihadistas que tomarom as ruas após a tentativa de golpe corre-se o risco de linchamentos e massacres.

Conversamos com Demirtaş sobre a tentativa de golpe que tivo lugar o 15 de Julho.

O que aconteceu ainda precisa de uma definiçom geral. Que foi exatamente?

Em primeiro lugar, é óbvio que houvo umha tentativa de golpe militar desde que o Exército empreendeu umha atividade militar que estendeu até bombardear o edifício do parlamento, a fim de derrubar o governo e tomar o poder. Que isso seja feito polo exército, pola força das armas exige que seja definido como umha tentativa óbvia de golpe de Estado. Umha vez que é definido de forma diferente, fica difícil de abordar a questom.

No entanto, as condiçons em que a tentativa de golpe se levou a cabo, os que desencadearom a tentativa de golpe, a posiçom do governo do AKP, estas som realmente aquelas que precisam ser definidas porque o poder atual é o poder que está governando através de um golpe de estado civil. Umha tentativa de golpe de golpistas contra golpistas … Se isso nom é precisamente definido, a questom nom pode ser feita. Entom, a posiçom tomada será igualmente errada e tal erro iria jogar nas maos do AKP no âmbito de um slogan “anti-golpe”.

É necessário tomar umha posiçom clara contra as duas mentalidades pró-golpistas e deve ser realizado um esforço. Um golpe civil para governar por meio de umhas eleiçons que foi realizada na sequencia da guerra, a violência, o bombardeando de cidades é tam ilegal quanto as forças golpistas que tentarom alcançar o poder através de meios militares, com tanques e armas.

Nós já levamos resistindo ao golpe do AKP por mais de um ano. O AKP, que extorquiu o poder desde o ano passado, nom pode ser absolvido só porque um bando dentro do exército acaba de tentar usurpar o poder. Estamos contra o golpe, principalmente; apresentamos a nossa posiçom como tal e ponto final. É necessário trabalhar umha política baseada em umha perspectiva que nom encobra o golpe feito polo AKP também. Nos nossos informes, apontamos a umha liga pola democracia tanto contra a mentalidade pró-golpista dentro do AKP como a camarilha pró-golpista dentro do exército. A alternativa é umha liga pola democracia, porque os próximos desenvolvimentos iram determinar o futuro do país. Ou o AKP vai embora e as forças da democracia terám o poder ou o AKP vai fazer o seu próprio golpe permanente, institucionalizando-o, aproveitando esta tentativa de golpe militar.

Como poderia esta camarilha golpista acreditar que a tentativa seria bem sucedida? Em quem ou o que confiavam?

Desconheço-o. A camarilha golpista nom tinha apoio político. Di-se que o golpe foi realizado sem apoiar-se em nengumha alternativa política. Há só umha cousa que eu sei: nom era umha camarilha que dependesse do HDP ou das forças que o HDP representa. Essa é a única cousa da que temos certeza. No entanto, se a camarilha tinha quaisquer contacto com outras forças políticas ou foi um golpe planejado por algumas outras forças políticas? Nom podemos sabe-lo. Pode ficar claro nas próximas semanas ou meses. No entanto, na Turquia algum tem sempre um entendimento de que espera a ajuda de um golpe. Houvo sempre umha mentalidade pró-golpista que acredita que nengumha força, exceto o exército pode consolidar a democracia no país, mas nom podo saber com quem essas pessoas tenhem relaçons políticas.

Esperava essa tentativa de golpe? Recebeu algumha especulaçom ou já preveia umha coisa assim?

Fazer tal previsom seria difícil, mas ao mesmo tempo durante as conversas em Imrali, o Sr. Öcalan descreveu a mecânica do golpismo e ilustrou-no correctamente com exemplos históricos. El muito bem explicou como as chamadas mecânicas golpistas funcionam na Turquia. Assim, el previa que a mecânica golpista seria implementada umha vez que o processo de resoluçom acabara. E, nesse sentido, advertiu a Erdoğan muitas vezes. El dizia: “Di-lhe, el nom entende, está agindo como um idiota.” Continuamente o avisou, dizendo: ” Continuar o processo de resoluçom apoia-o , se esse processo termina, a mecânica golpista vai intervir e el vai acabar como o Morsi de Egito”.

Como forom os passos concretos da mecânica golpista depois de rematar o processo?

Sim, poidemos observar e muito bem compreender a mecânica golpista durante essas conversas. Quando o processo terminou, a chamada mecânica golpista já estava em funcionamento de algumha forma. A guerra contra os curdos, a destruiçom no Curdistam, o esforço do exército a tomar a iniciativa de novo, Erdogan pondo-se em reserva do exército, a renuncia do seu poder sobre o exército, a sua proposta de aliança para um bloco nacional-fascista e a rendiçom da sua vontade a esse grande bloqueo, el praticamente fazendo tudo o que este bloco quer só para ganhar a guerra contra os curdos forom realmente os sinais da mecânica golpista em funçom.

Será que o Bloco de Estado Turco, que foi formada como umha consequência da guerra contra os curdos, leva a isso?

O Staff General obtivo todas as promessas de Erdogan antes de entrar na batalha das cidades. Ou seja, entregou o sistema presidencial, e, no máximo, haveria presidência com partidos políticos, Erdogan iria desistir da idéia de aproveitar todos os poderes do Estado para si mesmo; aprovaria a lei de impunidade e nom haveria caminho de volta para as negociaçons do processo de resoluçom. Tais promessas forom feitas e, portanto, o exército começou a luitar nas cidades.

Se lembrar, dixo-se no início que esta era umha guerra do Palácio e as pessoas estavam reagindo fortemente contra Erdogan nos funerais de soldados e policias. O exército também duvidava de luitar nas cidades e formulou um parecer sobre nom entrar nas cidades. Nos primeiros momentos os tanques entraram na cidade em Silvan e em pouco tempo eles afastarom os tanques da batalha, o exército expressou a Erdogan que nom iam entrar na cidade. Depois disso, Erdogan entregou-lhes a sua vontade, a fim de fazer um acordo com o exército e tornar o exército à luita nas cidades e entrar às cidades com tanques e armamento militar.

As relaçons e mecanismos internacionais também começarom a exercer pressom sobre Erdogan.

Isto foi completamente a mecânica golpista definida polo Sr. Öcalan. Estava funcionando perfeitamente. Enquanto a paz e o acordo nom forom feitas e umha aliança nom foi formada com os curdos, a guerra contra os curdos desencadeou o mecanismo de golpe como um relógio quando chega a hora.

Neste caso, nom deve estar surpreendido com a tentativa de golpe, certo?

Nom, nom estou surpreso. Estávamos esperando tal processo, mas é claro que era impossível para nós adivinhar, prever ou fornecer informaçons sobre o golpe. No entanto, nom ficamos chocados quando aconteceu porque se estava aproximando abertamente. Como isso aconteceria era um mistério. Seria um golpe pós-moderno como o do 28 de fevereiro, ou o exército completaria o golpe, aproveitando-se de Erdogan com o o exército ganhando lentamente a iniciativa da guerra no campo? Isso nom o sabiamos. No entanto, também se sabia que nom havia só umha camarilha no exército. Estruturas comunitários, chauvinistas, nacionalistas, americanistas forom separando-se em facçons. Nom é possível afirmar que esses grupos concordem entre si o 100% e concordem com Erdogan.

Sabe-se que houvo tensom antes de o Conselho Militar e que havia divergências antes das consultas. O Conselho Militar foi muito importante este ano. Cada conselho militar nos últimos anos tem sido muito importante, mas o Conselho Militar desse ano foi histórico para eles. Esperava-se que a tensom subiria. No entanto, ninguém estava esperando que isso se transformar em uma tentativa de golpe.

Após a tentativa de golpe, alguém do governo chamou ou tentou contatar com você?

Nom, ninguém o fixo. Houvo troque de informaçons com os nossos colegas, mas ninguém do governo contactou-nos.

Que vai acontecer? Por exemplo, pode haver uma mudança de política sobre a guerra curda? A paz pode estar na agenda? Ou será que a política de violência continuará a aumentar?

Isso depende da atitude que adote o Erdogan e o AKP. Na verdade, apareceu umha oportunidade. O Sr. Öcalan, durante as negociaçons, falou constantemente sobre a estrutura paralela no governo. “Essa mentalidade pró-golpista sempre foi um obstáculo para umha resoluçom”, alertou. Se essa mentalidade pró-golpista realmente vai ser dissolvida e se chegamos a um ponto onde a política civil e a resoluçom do problema curdo nom sejá abordado de forma provocativa; Se Erdogan realmente presta atençom aos avisos do Sr. Öcalan, um processo saudável e duradouro para a paz pode continuar. Em última análise, o enfraquecimento da mentalidade pró-golpista e a tradiçom golpista no exército, da vida civil, judicial, e da burocracia é para o benefício da democracia. No entanto, uma vez que há umha outra mentalidade golpista como o AKP contra nós, umha verdadeira compreensom da democracia nom surge.

 Que seria necessário para umha evoluçom em umha direcçom diferente?

Isso pode vir a ser umha oportunidade se Erdoğan entra em sentido e aqueles em torno del possuem a inteligência para perceber a magnitude do perigo e que a mecânica do golpismo nom desaparecera e compreender que a ameaça de golpe nom chegará ao fim enquanto a questom curda nom for resolvida em paz; umha democracia institucional e umha constituiçom libertária nom está na açom. No entanto, eu acho que isso é umha probabilidade muito pequena porque o AKP sempre usou essas oportunidades em favor da sua consolidaçom, o reforço do seu próprio poder, nom em favor da democracia. [As negociaçons com a] Uniom Europeia, cessar-fogo, processo de retirada dos guerrilheiros [retirada das fronteiras turcas], o AKP tentou-se beneficiar de todos estes.

Os resultados das eleiçons do 7 de junho de 2015 eram certamente umha oportunidade de democratizaçom e reconciliaçom e o AKP nom quixo usá-lo, tampouco. O AKP queria fortalecer-se novamente com umha instrumentalizaçom da guerra para as seguintes eleiçons do 1 de Novembro de 2015.

Ou seja, existe umha oportunidade para começar umha nova democracia em cima de umha fracassada tentativa de golpe; no entanto, o AKP nom é um partido capaz de fazer tal cousa e Erdoğan tampouco nom é um líder capaz de fazê-lo. Portanto, em vez de estar na expectativa de AKP e Erdoğan, precisamos ampliar o campo da democracia e levar, também, umha luta muito mais dura contra as duas mentalidades golpistas. A tensom vai aumentar a cada passo desde as multitudes que saem às ruas por Erdoğan nom estám em umha luita pola democracia ou algo assim. O primeiro-ministro está falando sobre alegria, mas este tem sido simplesmente umha festa de alguns reaccionários.

 Vários meios estam dizendo que há movimento nas ruas, o que é preocupante e prestes a cometer linchamentos …

Sim, mentalidade pró-ISIS, grupos pró-ISIS, incluindo Huda-PAR [um partido político islâmico do Curdistam Norte], AKP, todos os religiosos, grupos reacionários que estam fazendo um “tour de force” nas praças e exibindo o que entendem por democracia também. Eles nom querem ver ninguém, mesmo como cidadaos. Especialmente durante a tentativa de golpe, você já viu mesmo o que fizeram a os pobres recrutas fanfarrons inocentes. Até ontem, os que gritavam “mártires som imortais, a pátria está unida” quando os soldados de reempraço morriam na guerra estam agora linchando e torturando a esses soldados, cortando as suas gargantas.

A este respeito, estes grupos reacionários constituem umha ameaça importante, impedendo umha esperançosa democracia. É necessário dar a luita contra eles, mas também porque eles vam ficar mais atrevidos e funcionando por livre em todos os campos. Em todos os campos, eles vam tentar agir de forma mais imprudente. Eles podem realizar campanhas de linchamento contra os curdos, alevitas, esquerdistas, forças progressistas; eles podem até tentar massacres umha vez que estas pilhas se sentam muito mais forte a partir de agora. Esta será umha ilusom deles, mas eles nom som capazes de se libertar dos seus próprios delírios. Essa mentalidade reacionária está desprovida de qualquer análise histórica; desprovida de fazer avaliaçons políticas corretas; desprovida de compreensom dos equilíbrios internos da sociedade. A mentalidade de quem nom tem idéia de tudo isso pensa que pode mudar tudo com base só na força bruta.

Na verdade, a tentativa de golpe foi desativada graças ao posicionamento de companheiros de todos os partidos políticos, incluindo-nós. Claro, nós nom fizemos isto para apoiar o AKP mas o AKP vai tentar avaliá-lo assim e vai querer tomar vantagem delo. No entanto, se eles foram um pouco éticos e inteligentes, o AKP iria perceber o quam valiosa é a postura anti-golpista do HDP e do Movimento de Libertaçom Curdo. Eles dirigiriam em direçom à democratizaçom e reformas, deduzindo fazer isso nom para si mesmos. Mas eles nom tenhem umha mentalidade assim.

Qual é a posiçom do Movimento de Libertaçom Curdo contra o golpe?

Erdogan estivo acusando o movimento curdo de estar conspirando contra el junto com as estruturas paralelas. El está tentando explicar o término do cessar-fogo com este ponto de vista. Esta tentativa de golpe demonstra claramente que nom é o caso. O movimento curdo nom mostrou nengum ato de incorreçom durante as horas da tentativa de golpe na prática. Isso deve ser observado nos livros de história. Essa ampla guerra ainda está em curso, mas nem um só guerrilheiro do movimento curdo disparou sequer umha bala naquela noite. A guerrilha nom tomou posiçom com os golpistas. O povo curdo nom tomou partido com os golpistas. A guerrilha curda poderia tirar proveito dessa tentativa e entrar em várias cidades. Mas isso seria jogar nas mans dos golpistas. O movimento curdo nom escolheu entre as duas mentalidades pró-golpistas, demonstrando umha postura digna, persistente na luita dos povos pola democracia. Mas mentalidades como a de Erdogan nom tenhem a capacidade de entender essa honrosa postura.

Temos de estar preparados para um desafio mais difícil em qualquer caso. Precisamos estar preparados para umha luita muito mais difícil em todas as áreas. Erdogan e a sua mentalidade realizou “operaçons ilegais de inteligência”, umha vez no poder. Nas operaçons contra o KCK eles prenderom milheiros de pessoas e, em seguida, anunciarom ter prendido milheiros de pessoas erradas. Mais tarde, na operaçom Ergenekon, foi o mesmo. Em operaçons contra a comunidade Gulenista, eles estam prendendo pessoas aleatórias. Agora sobre a tentativa de golpe o AKP está novamente prendendo ou cessando a qualquera que eles vêem como umha ameaça. Nom há espaço para a justiça ou equidade no mundo de Erdogan. Agora, todos os grupos da oposiçom que pareçam ser opostas a Erdogan podem ser julgadas e removidas do exército e do aparelho judicial. Isso requer atençom. Os golpistas devem ser julgados, presos e condenados perante a lei. Mas no disfarce das operaçons anti-golpe, grupos de oposiçom podem ser ainda mais oprimidos, canais de televisom e meios de comunicaçom podem ser fechados. Todos isto requere mais atençom. Nom devemos permanecer em silêncio contra as políticas injustas cara círculos inocentes.

E, claro, organizar o povo, entretanto, é umha obriga.

Mas como? A confusom é comum tanto na sociedade curda como na frente democrâtica. Ou seja, que pode fazer-se para intervir no processo?

A tentativa de golpe é tam recente e ainda nom está totalmente sob control. Ainda estam desaparecidos helicópteros e comandantes do exército cuja localizaçom é desconhecida. O seu paradeiro nom é certo. Por isso, Erdogan e a sua linha da frente ainda estam nervosos. Aparentemente, o golpe nom está totalmente reprimido. A parte sistemática e ampla do golpe está terminado, mas os seus pontos focais nom estam identificados. Tanto quanto se pode ver, esta é a imagem. A sociedade também está um pouco intranquila. Claro que a sociedade está contra os golpistas, mas as multitudes do AKP está levando às ruas estám realizando manifestaçons reacionárias, e assemelham jihadistas, membros do ISIS, assim que a sociedade em geral nom pode demonstrar a sua postura anti-golpe nas ruas e praças. Somente as multitudess organizadas como turbas polo AKP estam inundando as praças.

É claro que as águas voltaram limpas em um par de dias. Nom devemos deixar o espaço público nas maos das turbas reacionáris. Devemos tomar as praças, dizendo que “nem o golpe palaciano, nem o golpe militar”, “nom há nengumha opçom mas que a democracia”, e tomar as ruas contra todas as mentalidades golpistas. Porque as ruas som legítimas. O AKP leva vantagem deste quando se trata do seu ganho, e quando nom é, eles tentam bloquear as ruas, aterrorizar as ruas. Nós nom devemos cair nesse enredo, essa tirania do AKP. Umha cousa é clara agora: As ruas nom som legítimas só para o AKP. Quando a oposiçom encha as ruas no futuro, se o AKP tenta oprimir e dominar as ruas, todos devem lembrar-lhe o AKP a legitimidade das ruas.

Os linchamentos forom comuns nas ruas; pobres soldados fanfarrons sendo abatidos. O Erdogan nom mencionou nengum deles. Por favor, lembre, quando nós chamamos as pessoas às praças para a Resistência de Kobanê, nós nom chamamos para a violência, e 48 membros do HDP forom assassinados de um total de 55 pessoas. O AKP tentou r mesmo botarnos a culpa a nós. Hoje, eles estam linchando pessoas na televisom ao vivo, estam matando jovens recrutas, inocentes que foram redigidos pola força ao serviço militar obrigatório, o que o primeiro-ministro chama de “festa da democracia” e o Presidente da República chama “direito de manifestaçom”. O povo deve estar atento a eles. Se estas turbas continuam governando o país e fortalecendo-se, o seu desejo é o de que haja linchamentos. Eles gostariam de governar com esta mentalidade e temos de tomar as ruas para impedir-lhes sentir esse falso poder.

 Entom prevê umha ameaça de linchamentos e massacres?

O AKP pode dirigir essas massas, esses grupos para atacar certos bairros. Todo o mundo precisa de prestar atençom. Bairros curdos, bairros alevitas, e esquerdistas podem-se transformar em objetivos. Todo o mundo tem direito a necessária defesa contra qualquer ataque. No caso dessa situaçom, umha força de resistência legítima seria necessária que fôra organizada para atuar independentemente de quem ataque.

Estamos passando por dias e horas críticos. O golpe nom foi totalmente anulado. Outras facçons também podem tomar medidas para um golpe. O AKP está a abusar das sensibilidades sociais, provocando-os, tentando levar a nossa postura anti-golpe a um rendimento político, e isso pode desencadear outros movimentos sociais. Nom temos outra opçom do que estar bem organizados e atentos, prontos para qualquer cousa.

Entrevista realizada por OSMAN OĞUZ e publicada na web do HDP.

 

Demirtaş: Silvan, A resistência é pola Liberdade curda, todos devem abraça-la

Artigo DermitasO co-presidente Partido Democrático dos Povos (HDP) Selahattin Demirtaş falou com Med nuce TV sobre a actual situaçom no distrito de Silvan, Amed (Diyarbakir).
Demirtaş descreveu a resistência de Silvan como “umha luita para determinar o status do povo curdo” e enfatizou que todos devem ver isso como umha realidade.

O co-presidente HDP dixo que a ofensiva em Silvan do Estado turco é a mais forte que levou na regiom curda até o de agora, acrescentando: “A cidade está rodeada por veículos blindados e estam vindo relatos de batidas por helicópteros. Isso nom é umha questom de” umha operaçom policial polo bem da ordem pública ‘. Há umha guerra urbana na que os militares turcos também estám participando, além das forças policiais. O Exército esta agora a juntar-se à operaçom ao lado das forças da polícia depois de um curto tempo de hesitaçom sobre entrar o centro da cidade “.

Demirtaş dixo que o povo de Silvan estam levando umha resistência significativa e corajosa contra os ataques do Estado. El dixo que todos deveriam apoiar esta resistência popular que el descreveu como mais gloriosa do que a ofensiva do estado turco.

Salientando que a situaçom em Silvan nom é um caso local, Demirtaş dixo: “Estamos passando por um processo que irá determinar o destino de centos de anos da questom curda e do Curdistam e o status dos curdos. A resistência em Silvan nom está relacionada com umha questom local, pois é umha posiçom e luita polo futuro livre do povo curdo “.

O co-presidente do HDP observou que o destino do Curdistam sírio também depende do estatus dos curdos na Turquia, acrescentando; “A insistência do povo polaa vida livre e o status deve ser encarado. A insistência do povo curdo por esta causa também é a razom por que o AKP está tornando-se tam cruel.”

De acordo com Demirtaş, é o próprio AKP quem aterroriza as pessoas depois de etiquetar a todo um povo que luita polo seu futuro como terrorista.

Assinalando que o HDP está “pronto para resistir junto com o povo até o final”, Demirtaş sublinhou que o autogoverno é um direito legítimo de base: “O povo curdo nom dará passos para trás. Agora que umha pessoa declara que sera o presidente executivo (Recep Tayyip Erdogan) e anuncia umha mudança de regime, as demandas de milhons de pessoas nom podem ser tratadas como terrorismo. O povo de Silvan esta protegendo e defendendo a sua vontade e o direito do povo curdo ao autogoverno e a autonomia. Esta demanda é parte do nosso programa do partido que está pola resistência do povo curdo “.

O co-presidente do HDP enfatizou a importância de formar um bloco contra a frente de guerra, observando que principalmente o Partido Republicano do Povo (CHP) deve tomar umha posiçom clara em relaçom às exigências fundamentais do povo curdo.

El adiantou que se vam encontrar com os líderes de alguns partidos políticos nos próximos dias para discutir a criaçom de um bloco democratico

Publicado por Kurdish Question.

Selahattin Demirtas resposta o governo turco com umha enorme demonstraçom de dignidade

Dermitas videoSelahattin Demirtas responde o governo turco com uma demonstraçom de enorme dignidade

Selahattin Demirtas, co-presidente LHDP, respondeu os ataques verbais do governo turco depois dos atentados de Ancara contra a marcha pola paz. Nos momentos de mais dor, mais graves, muitas vezes emergem as pessoas mais capazes. Mália a baixeza infinita dos membros do partido no poder logo dos acontecimentos de ontem, Demirtas emergiu como um líder com umha habilidade especial, templança, comedimento e segurança. Os próprios jornalistas, depois de mais de dez minutos de declaraçons sem ler, sem levantar a voz, sem demonstrar a raiva que el sente nem cair em provocaçons.

Selahattin Demirtas respondeu especialmente ao primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, nos seguintes termos: “Falo como alguém que perdeu quase 150 amigos nos últimos meses em ataques como este (…) Nom figestes nengumha detençom em relaçom a qualquera desses ataques. Nem no atentado de Suruç nem no de Amed. Nom ides deter aos que perpetrarom o de Ankara. Você dixo: ‘Detivemos a Abdurrahman Acikgoz e pugemo-lo a disposiçom do sistema judicial. “Em verdade, Abdurrahman Acikgoz, suicídou, explodiu em pedaços. Nom houvo umha massacre em que encontraram os criminosos que o cometeram? Ancara é a capital da Turquia, onde se um pássaro voa pelo ar o Estado sabe-o. Um pássaro!. É a sede da agência de inteligência. Era umha manifestaçom de centos de milheiros de pessoas. E nom havia umha soa medida de segurança. Mirade o que passa quando eles fam umha manifestaçom. As medidas de segurança começam dez ruas antes. Hoje, eles realmente permitirom que dous homes-bomba estivessem no meio da gente que chamava pola paz. Figerom-no sem nenhum control, sem segurança … Nom havia nada. E nom é todo. O suicída fixo-se explodir. Havia pessoas no chao, feridos, quase cincocentos. Um cento de mortos e cincocentos feridos no chao e tiverom de lidar com (a policia lançando) bombas de gás e canhons de água”. Voltando ao Davutoğlu comenta:”Perdoo-lhe que nós insulte e desqualifique polo que aconteceu hoje, quando o nosso povo está nos necrotérios … quando a sua carne nom foi removida das ruas. Avalie-se a si mesmo. Vostede nom está considerado como um primeiro-ministro. Aprendeu o governo pola força … deu um golpe de Estado. Aqueles que votam por vostedes som “cidadaos”. Aqueles que nom o fam “sujeitos” ou “inimigos”. É correcto matar-nos só porque nós nom os votamos.”

Referindo-se a autoria do ataque, o líder curdo apuntou novamente para o partido no poder: o AKP. “Eles fam-nos chegar esta mensagem ‘Podemos mata-los e faze-los explodir em pedaços em plena luz do dia no centro de Ancara. Podemos matar a todos aqueles que se levantam contra nós (o AKP) e oculta-lo. ‘Mas Demirtas também respondeu a estas ameaças com templança:
“Ao inferno com o seu voto, as suas cadeiras do parlamento e o seu palácio (referindo-se ao faraônico parlamento de Erdogan.) Mas sabei isto: Nom imos cambiar umha unha do nosso povo polos trilhons que roubachedes (em referência aos numerosos casos de corrupçom que sacudirom o AKP). O primeiro-ministro falou ontem meia hora (sobre os atentados). Passou 20 minutos a insultar-nos. O primeiro-ministro passou a metade do seu tempo em amenaçar- me enquanto falava sobre um feito onde centos de pessoas perderam as suas vidas. Ouvirom umha soa palavra de condena o ISIS? Nom!. Nós somos os que morrem. Nós somos os soldados, somos a polícia! Somos os curdos, somos os turcos. Vos estades governando este país. Sodes os responsáveis por cada morte. Nós temos apenas umha vida, e sacrificaríamo-la mil vezes polo nosso povo. Em vez de dar contas do que aconteceu, Davutoglu saiui na TV e começou a acusar o HDP e a Demirtas e um cento de pessoas nos necrotérios. O ministro, o ministro chamado de justiça respondeu às perguntas com um sorriso no rosto. Se eu fosse o primeiro-ministro, viria à tona, pediria desculpas mil vezes e, em seguida, demitiria. Algumas pessoas honradas suicídariam. Mas esta gente nom sabe o que é ter vergonha. Nom há nem umha pessoa com dignidade a qual poidamos pedimos que demita. E estamos governados por essas pessoas.

Vídeo da intervençom completa:


Artigo publicado por Kurdiscat.

Erdogan Sacrifíca a paz para consolidar o Seu próprio poder

erdoPor Yvo Fitzherbert

Temendo ganhos eleitorais curdos na Turquia e avanços militares na Síria, Erdogan empurra a guerra com o PKK para garantir o seu próprio futuro político.

Turquia intensificou a sua campanha contra o PKK no sábado, quando bombardeou a aldeia curda de Zergele no Curdistam iraquiano, matando polo menos seis civis e deslocando centos. Os ataques aéreos turcos tenhem como alvo posiçons do PKK nas suas bases nas montanhas do Curdistam iraquiano desde o 24 de julho em umha intensa ofensiva que fontes ligadas ao governo alega ter matado a 260 militantes do PKK até agora. Mas o bombardeio da vila de Zergele marca o primeiro ataque aéreo que têm como alvo civis no Iraque, e levou a umha análise mais profunda da nova política da Turquia contra os separatistas curdos.

Zergele, umha vila no alto na regiom de Qandil, tornou-se simbólica por umha razom completamente diferente. Em março de 2013, quando o PKK declarou um cesse-fogo e o processo de paz supostamente começou, Zergele foi a aldeia onde o PKK entregou os seus últimos prisioneiros turcos a umha delegaçom turca. Oito presos, seis deles soldados turcos, forom libertados como um gesto em direçom à paz. O comandante do PKK que estava encarregado de entregar os prisioneiros, Heval Dersim, dixo: “Hoje estamos entregando esses oito homens ao governo turco sob as ordens de Abdullah Öcalan, este é um gesto humanitário e prova da nossa boa vontade. em direçom à paz entre Ancara e nós. ”

Desde a trágica massacre de Suruç, que levou a vidas de 32 pessoas depois de um homem-bomba, ex-luitador do ISIS, a Turquia lançou um ataque frontal completo sobre a sua minoria curda. Nom só o bombardeio de bases do PKK foi retomada por primeira vez desde o Verao do 2011, mas umha repressom brutal de ativistas curdos e de esquerda tivo lugar em toda a Turquia, com o estado prendendo mais de 1.300 pessoas só na semana passada. As manifestaçons estam a ser reprimidas com brutalidade policial mais forte do habitual. Em muitos bairros, os manifestantes usarom as suas próprias armas de fogo para combater a polícia, e as mortes de ambos os lados tornaram-se comuns.

Juntamente com a prisom de ativistas de esquerda e curdos, a Turquia também tem como alvo algumhas suspeitas células do ISIS na Turquia, bem como bombardearom um número de posiçons ISIS em Jarablus no norte da Síria. Estes ataques aéreos prosseguirom o ataque contra posiçons do PKK, mas a escala das operaçons contra os militantes curdos mostram como a ofensiva contra o ISIS está sendo usado como umha cortina de fumaça para encobrir a repressom contra a resistência curda – na sociedade turca, bem como nas montanhas .

O PKK tem respondido aos recentes desenvolvimentos com os seus próprios ataques contra o Estado turco. Dous policiais forom mortos na cidade fronteiriça de Ceylanpinar um dia depois da massacre de Suruç e militantes do PKK atacarom um número de soldados, matando mais de umha dúzia. No domingo, um ataque suicida foi realizado em umha estaçom militar turca, onde três soldados forom mortos e 31 feridos. O PKK também assumiu a responsabilidade por atos de sabotagem contra um gasoduto em execuçom do Iram a Turquia, explodindo umha ponte perto de Erzurum, bem como atacando umha represa perto de Bitlis. Muitos temem que esta escalada do conflito marca um retorno à violência que caracterizou a vida na regiom curda da Turquia durante grande parte da década de 1990.

Erdogan acende os curdos

A decisom de Erdogan para quebrar o processo de paz com os curdos vem na parte de trás da sua derrota nas últimas eleiçons. Por primeira vez desde que surgiu como partido do governo do país em 2002, o AKP caiu 18 lugares da maioria. O inimigo do AKP ao longo da campanha foi o pró-curdo Partido da Democracia Popular (HDP), que conseguiu passar o limiar do 10 por cento necessário para entrar no parlamento, tendo o 13 por cento dos votos nacionais.

Como os eleitores conservadores curdos no sudeste da Turquia mudarom o seu apoio do AKP para o HDP en masse, Erdogan perdeu muitos deputados. O papel instrumental do HDP bloquea a possibiidade de Erdogan para a maioria absoluta – o que lhe teria permitido umha reforma constitucional para aumentar os seus poderes – irritou muito o presidente, e Erdogan parece determinado a vingar-se.

A razom para esta queda em apoio curdo para Erdogan decorre tanto na sua incapacidade para fazer avançar o processo de paz, bem como as suas políticas dúbias na Síria. Em outubro, Erdogan fixo um discurso infame no qual declarou que “Kobane está prestes a cair.” Isto levou a protestos em massa em toda as áreas curdas da Turquia, resultando em dúzias de mortes e, eventualmente, forçando a Erdogan a permitir que os Peshmergas curdo iraquianos usaram o território turco para entrar em Kobane e apoiar as milícias sírio-curdas das YPG/YPJ na defesa da cidade.

Erdogan nunca estivo cómodo com a autonomia curda que vem ganhando força no norte da Síria. Como oponente do presidente Assad, forneceu um apoio significativo a várias forças de oposiçom islâmicas e seculares na Síria e permitiu o ISIS realizar atividades dentro Turquia e atravessar as suas fronteiras para contrabandear petróleo e luitadores.

Quando as YPG / YPJ conseguiro umha vitória importante em junho, assumindo a cidade fronteiriça de Tel Abyad do ISIS, Erdogan reagiu com irritaçom e anunciou que “Nós nunca permitiremos o estabelecimento de um estado no norte da Síria e o nosso sul. Continuaremos a combate-lo, nom importa os custos. nom vamos fechar os olhos a isso. “Essa reaçom mostra como Erdogan tem sido sempre muito mais confortável com o território controlado polo ISIS, na fronteira turca do que com a experiência da autonomia curda.

E assim, quando os EUA começarom a trabalhar em estreita colaboraçom com as forças das YPG/YPJ no Curdistam sírio, a regiom curda controlada no norte da Síria, a inquietude de Erdogan sobre a situaçom ficou ainda mais forte. Por meio de um acordo com os EUA, dando aos americanos o acesso as suas bases aéreas e permitindo capacidades muito maiores para a força aérea dos Estados Unidos sobre o espaço aéreo turco, Erdogan aproveitou a oportunidade para colocar um control sobre os recentes avanços curdos.

Deter o impulso do HDP

Esses avanços curdos coincidirom com o sucesso do HDP para unir o movimento curdo com um número crescente de eleitores turcos, liberais, bem como de esquerdas. Umha vez que o principal partido da oposiçom, CHP, está muito ligado às velhas elites kemalistas, que som adversários ferrenhos dos direitos dos curdos, o HDP conseguiu atrair os eleitores de várias origens em um bilhete de inclusom e reconhecimento das minorias. Essa tática pagou claramente fora, permitindo que o HDP garantir 80 deputadas nas últimas eleiçons.

Além bloquear os grandes planos de Erdogan de maiores poderes presidenciais, o sucesso do HDP também representa um novo desenvolvimento na política turca: o reconhecimento das falhas do nacionalismo turco e um desejo de mudança dentro da identidade nacional turca. O partido em si foi aprovado por Abdullah Ocalan, que declarou o HDP ” é o herdeiro do legado histórico da luita revolucionária”, e que há muito argumentou que a luita pola autonomia democrática nom se limita aos curdos.

A crescente popularidade do HDP, estimulado polo charme sedutor do seu co-presidente Salahattin Demirtas, foi umha das principais razons polas que Erdogan deu as costas o processo de paz com o PKK. Em março, vários representantes do HDP e AKP reunirom-se para anunciar o acordo de Dolmabahce, que foi concebido para dar início a umha nova fase de negociaçons com um comité de monitorizaçom independente. No entanto, imediatamente após o anúncio, Erdogan rejeitou o acordo e afirmou que “nom há nengum problema curdo”.

Em umha recente entrevista, Demirtas afirmou que a razom pola que Erdogan denunciou o Acordo de Dolmabahce, apesar de o ter apoiado até aquel momento, era porque foi informado por pesquisadores de opiniom da crescente popularidade do HDP. Como resultado, el assumiu umha retórica mais nacionalista na liderança até as eleiçons, na esperança de ganhar assim votos nacionalistas.

O feito de que essa tática falhou maciçamente levou a Erdogan em busca de vingança contra o HDP. Para o presidente sedento de poder, o processo de paz foi sempre umha forma de garantir, obter e proteger a sua base de apoio curda. El parecia acreditar que, investindo no desenvolvimento da regiom curda, ao lado de um acordo de paz favorável, el afirmaria lentamente a posiçom do AKP como a força dominante entre os eleitores curdos.

No entanto, a crescente popularidade do HDP, devastou a grande visom de Erdogan para as regions curdas. Neste sentido, o mais recente ataque ao PKK e os ativistas curdos de modo mais geral é o resultado da posiçom enfraquecida de Erdogan. Para o presidente, existem poucos incentivos para retomar as negociaçons de paz com o PKK, umha vez que sente que nom precisa mais proteger a sua base de apoio curda. Em vez disso, el está esperando que, ao retomar o conflito com o PKK, el poda angariar umha febre nacionalista que vaia ganhar o apoio suficiente nas eleiçons seguintes, que el poderia, em teoria anunciar ainda para este ano.

CurdinhosO movimento curdo resposta

A recente repressom contra os curdos dentro da Turquia é definitivamente um grande passo para trás para um processo de paz desejado por muitas pessoas em toda Turquia. O PKK respondeu com umha série de ataques contra o Estado turco e as suas forças de segurança. Todo começou com um grupo filiado matando dous policiais em Ceylanpinar, mas, desde entom, militantes do PKK tiverom como alvo um número de alvos diferentes. Desde o 25 de julho, o PKK lançou três ataques em Diyarbakir e muitos mais em toda a regiom curda. A maioria dos seus alvos forom forças das unidades especiais do exército turco.

As retaliaçons começarom com um ataque em Ceylanpinar, para o qual o PKK curiosamente negou qualquer responsabilidade. Em vez disso, acredita-se que as YDG-H realizarom o ataque. As YDG-H som umha organizaçom relativamente nova de jovens curdos em várias cidades da Turquia que estam associados a militantes do PKK nas montanhas Qandil. Quando Qandil e Demirtas chamarom os curdos para a rua em outubro do ano passado para protestar contra as declaraçons de Erdogan sobre a queda iminente de Kobane, forom as YDG-H, quem assumirom a liderança. Os seus membros foram às ruas com armas de fogo e luitarom contra o Hezbollah curdo, umha organizaçom islâmica que foi inicialmente criada e apoiada polo governo para combater o PKK na década de 1990.

Ao contrário do passado mês de Outubro, Demirtas resistiu ao impulso de chamar para protestos na rua, e, em vez disso exigiu que o governo turco e o PKK “silenciaram as suas armas.” Demirtas sabe que el nom pode controlar as YDG-H, e por isso está exortando a Turquia a evitar um retorno a um cenário de guerra civil. Se a Turquia é empurrada para a guerra civil, o HDP pode muito bem encontrar-se incapaz de agir. As YDG-H poderam estar afiliadas com o mais amplo movimento curdo, mas eles também som umha organizaçom autónoma por direito próprio.

Na década de 1990, os curdos estavam com tanto medo do Estado turco, que nom ousavam falar a sua própria língua nas ruas. Em parte devido ao aumento bem sucedido do HDP como umha força central na vida política turca, tais receios forom agora substituídos com um sentimento de orgulho do que o movimento curdo conseguiu em 25 anos. E se Erdogan continua a insistir em sacrificar o processo de paz por consolidar o seu próprio poder, jovens e irados curdos como os da YDG-H estarám prontos para luitar.

Yvo Fitzherbert é um jornalista freelance que vive em Istambul, concentra-se na política turca e curda. Escreve para diferentes publicaçons. Pode-se seguer no Twitter em @yvofitz.

Publicado originalmente em RoarMag e logo em Kurdish Question e traduzido com o consentimento do autor.

Demirtas: O Ataque de Suruc nom é possível sem o apoio do Estado

DermitasO Co-Presidente do HDP Selahattin Demirtaş avaliou a massacre de Suruç para Med Nûcê e dixo que o ataque nom poderia ser organizado sem o apoio do Estado turco. Demirtaş dixo que o governo de transiçom foi diretamente responsável polo ataque, e o AKP tem que provar e esclarecer se esta a favor ou contra o ISIS. Demirtaş condenou a massacre, ofereceu condolências às famílias daqueles que foram mortos, e pediu aos civis a tomar precauçons de segurança necessárias em todos os lugares.

Demirtaş descreveu o atentado como um ataque cuidadosamente planejado com o objetivo de intervir nos desenvolvimentos políticos recentes. Demirtaş observou que o ataque tivo como alvo a juventude revolucionária mostrando a solidariedade internacionalista no aniversário da Revoluçom da Rojava e tinha por objectivo dar a mensagem de que a revoluçom seria dissolvida a qualquer custo.

Ao descrever Suruç como símbolo de solidariedade e resistência na Turquia, Demirtaş di que o ataque tinha como objetivo quebrar a vontade do povo. Demirtaş afirmou que mais de 30 pessoas perderam as suas vidas, e os parlamentares e membros do HDP estavam com os feridos recebendo tratamento nos hospitais.

Demirtaş dixo que um corpo foi completamente despedaçado e que o ataque foi um provável atentado suicida. Demirtaş dixo que o ataque ocorreu apesar das intensas atividades da inteligência na regiom, e anunciou que umha unidade de coordenaçom foi formada polo HDP, DBP, HDK e DTK, a fim de cuidar das pessoas feridas. Demirtaş também anunciou que o Comitê Executivo Central do HDP reunirá-se em Ancara amanhá.

O Co-Presidente do HDP instou os civis a tomar as precauçons de segurança necessárias em todos os lugares, a fim de evitar novas tentativas de ataques, e anunciou que os Co-Presidentes do HDP estariam em Suruç em um futuro próximo.

Demirtaş dixo que o ISIS poderia ter realizado o ataque, mas o governo de transiçom é diretamente responsável polo ataque. Demirtaş lembrou que o estado fecha os olhos para os movimentos do ISIS dentro da Turquia e mostrou a sua solidariedade com o ISIS quando descreveu as YPG como umha organizaçom mais perigosa. Demirtaş criticou o governo de Ancara polo seu silêncio em relaçom o ISIS e as ameaças contra o HDP, e dixo que os ataques como estes nom iriam forçá-los a desistir dos seus princípios de paz, democracia e justiça. Demirtaş chamou a todos para aumentar a solidariedade e tomar precauçons contra possíveis atos de barbárie do ISIS.

Demirtaş afirmou que as atividades de inteligência eram intensivas em Suruç e o estado registrou a identidade de todas as pessoas que viajaram para e desde Suruç. Lembrando que o seu comboio nom foi autorizado a entrar a Suruç recentemente, enfatizou o grau de vigilância estatal na cidade e dixo que ninguém poderia argumentar que umha pessoa conseguiu infiltrar-se no meio da multitude e realizar o ataque suicida sem o apoio do Estado.

Enfatizando que o AKP tinha de esclarecer a sua posiçom sobre o ISIS e provar se está a favor ou contra o ISIS, o Co-Presidente do HDP recordou a descriçom do estado do PYD como umha organizaçom terrorista e dixo que era impossível esperar uma luita contra o ISIS do Estado que recentemente fixo tais declaraçons relativas o PYD.

Publicado em KurdishQuestion.