Mensagens desde a prisom dos co-presidentes do HDP Demirtas e Yuksekdag

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Figen Yuksekdag e Selahattin Demirtas / HDP

Os co-presidentes do Partido Democrático Popular (HDP – Partido Democrático dos Povos) Selahattin Demirtas e Figen Yuksekdag, enviaram as primeiras mensagens desde a prisom.

Os co-presidentes forom detidos nas primeiras horas da manhá do venres e formalmente acusados de pertença a umha organizaçom ilegal no mesmo dia.

Demirtas, que foi levado em helicóptero a prisom de máxima segurança Tipo F [com celas de ilhamento e ate agora para cumprir condeas em firme] de Edirne, na Turquia europeia, enviou umha carta curta ao través do seu avogado.

Nela, o co-presidente do HDP escriviu:

“Gostaria primeiro de estender o meu mais caloroso amor e respeito a todos os amigos. A nossa ilegal prisom limita-se a somar-se à escuridade profunda ao que o nosso país está sendo arrastado a cada dia. No entanto, aqueles que pensam que nos podem obrigar a render nesta escuridade devem saber muito bem que um único fósforo, umha única vela é suficiente para iluminar a escuridade. Qualquer que seja o nosso lugar e condiçons, continuaremos, se é necessário, a arder como umha vela para que o nosso povo viva em paz num futuro livre. Todo o mundo deve continuar o seu trabalho como parte da luita pola democracia e deve luitar sem pausa para levantar essa escuridade para o nosso futuro brilhante. A minha moral é alta, minha saúde é boa. Com agarimo.”

A outra co-presidente do partido Figen Yuksekdag, que foi transferido para a prisom de máxima segurança Tipo F de Kocaeli, também enviou umha nota manuscrita para os militantes do HDP.

“Apesar de todo, eles nom podem erradicar a nossa esperança ou quebrar a nossa resistência. Seja na prisom ou nom, o HDP e nós, ainda somos a única opçom da Turquia para a liberdade e a democracia. E é por isso que eles tenhem tanto medo de nós. Nom, nem um só de vos, deixede-vos desmoralizar; Nom deixar cair a sua guarda, nem enfraquecer a resistência. Nom esqueçades que este ódio e agressom está enraizada no medo. O amor e a coragem ao final vam ganhar. Com meu caloroso amor e saudaçons.”

O HDP considera a prisom ilegal dos 9 deputados como a de “reféns.”

Recolhido de Kurdishquestion.com

 

Falido golpe da Turquia e a Agenda Anti-curda de Erdogan

Erdogan e militaresO 15 de julho de 2016 aconteceu umha tentativa fracassada de golpe de Estado na Turquia. Mesmo nesta fase inicial, o processo pós-golpe, obviamente, terá consequências importantes. É importante compreender que este processo foi iniciado o 7 de Junho do 2015, quando Erdogan perdeu as eleiçons e fixo umha intervençom anti-democrática dos resultados. É importante fazer umha análise abrangente do golpe, a fim de compreender os potenciais resultados.

Inicialmente, é importante especificar que este golpe nom foi realizada por Gulenistas. Devido ao conflito de entre o AKP e os Gulenistas, simpatizantes de Gulen podem ter tomado parte na tentativa de golpe. Mas ao dizer que “os Gulenistas deram o golpe” o AKP e Erdogan estám tentando criar uma plataforma na qual eles poidam suprimir os partidários de Gulen ainda mais. Ao classificar o golpe como Gulenista (que muitas pessoas vêem como piores / mais reacionários), estam esperando conseguir os apoios, a fim de se vingar dos golpistas. Em outras palavras, eles estam tentando matar dous coelhos de umha cajadada.

É evidente que esta tentativa foi apoiada por umha boa parte do exército. Se eles o tivessem planejado e executado de forma mais profissional, poderiam te-lo conseguido. A este respeito, nom pode dizer-se que foi realizado por Gulenistas ou umha minoria; nom há suficiente presença Gulenista no exército para fazer um golpe.

Talvez muitos dos golpistas que estam empreendendo a guerra contra os curdos no Curdistam nom estavam envolvidos na prática, mas agora fala-se que muitos dos generais na regiom apoiavam o golpe. Eles foram cuidadosos, porque a sua participaçom teria dificultado o seu esforço de guerra contra os curdos. No entanto, muitos dos generais na guerra contra os curdos forom detidos como apoiantes do golpe.

A teimosia na guerra reforçou os golpistas

Quando o AKP nom conseguiu resolver a questom curda, que desviou a umha guerra de destruiçom contra o Movimento de Libertaçom Curdo o ano passado. Especialmente a finais do 2014 e depois das eleiçons do 7 de junho do 2015, o “mecanismo golpista” estava no lugar e resultou em umha coligaçom fascista [Erdogan-AKP, o exército e os ultra-nacionalistas]. Quando Erdogan mudou para a guerra, o exército tornou-se o principal jogador. Erdogan e o AKP eram dependentes do exército na sua guerra contra o Movimento de Libertaçom Curdo.

Como Erdogan decidiu intensificar a guerra e enviou o exército a destruir cidades curdas, o mecanismo golpista foi colocado no lugar. Durante a guerra, o Exército reforçou a sua própria mao contra Erdogan. Isso ocorre porque o exército só pode tornar-se um jogador central na política turca enquanto el está em guerra contra o Movimento de Libertaçom Curdo. Entom, depois de um período em que o exército tinha perdido a sua centralidade na vida política turca, através da noçom de Erdogan de que “nós ganhamos a guerra nas cidades, nos destruimos o PKK”, o exército, mais umha vez ganhou a confiança para tentar um golpe. Este golpe desejava redesenhar a política turca. A declaraçom dos golpistas aponta claramente a isso.

“Pelejamos-nos os quatro quando deveriamos fazer política”

Os golpistas som umha nova ala nacionalista, separada dos Ergenekonistas [estatistas nacionalistas tradicionais]. Esta nova tendência foi formada por umha oposiçom às políticas do AKP. Podemos até dizer que as alteraçons efectuadas nas política externa do AKP (renovar as relaçons com Israel e Rússia, e umha mudança de política em relaçom ao Egito, Iraque e Síria) pode ter estimulado essa nova formaçom. Estes golpistas, que também podem ser chamados de “neo-nacionalistas”, assistirom de perto a relaçom de cooperaçom entre o AKP e o ISIS. Devido ao feito de que eles estam na linha de frente, onde esta relaçom está a ser aplicada, eles aprenderom como funciona a relaçom entre o AKP e o ISIS. Se o golpe tivera sido bem sucedido, com o apoio do Ocidente, eles teriam perseguido o AKP por apoiar o ISIS.

Parece que o enfoque dos golpistas era: “O principal problema político da Turquia é a questom curda, e nós somos os que estamos na linha de frente, de modo que devemos modelar a política da Turquia”. Quando os governos civis nom tenhem políticas para a resoluçom da questom curda, o mecanismo golpista está sempre funcionando. O feito de que eles nomearam-se “O Conselho da Paz no País” é um reflexo do seu pensamento de que “imos conduzir a política quando se refere à questom curda”. Em suma, a sua abordagem foi “quem está luitando contra o PKK deve dominar a política e a própria Turquia”.

Após a tentativa de golpe: o nacionalismo sectário vai criar um ISIS turco

Após o golpe foi derrotado, o AKP e os seus aliados declararam-se como a “vontade do povo” e  as “forças democráticas”. O AKP agora espera reforçar o seu domínio sobre o poder e o seu sistema anti-curdo e anti-democrático. Neste contexto, a apresentaçom do AKP, os seus defensores e os seus aliados como os defensores da democracia constitui um desenvolvimento perigoso; o AKP pode mais facilmente implementar as suas políticas anti-democráticas e anti-curdas.

Dado que os aliados do AKP som o Partido do Movimento Nacionalista (MHP) e nacionalistas chauvinistas, um aumento no sentimento anti-curdo e abordagens anti-democráticas é de esperar. Estas forças tornaram-se ainda mais unidas após a tentativa de golpe; isto levará a um aprofundamento das políticas genocidas contra os curdos. Assim como esta tentativa de golpe encorajou o AKP, aos seus aliados e aos nacionalistas, também radicalizou os círculos nacionalistas sectários perto do AKP. Isto levará a umha nova geraçom de formaçons de ISIS turcos, como Osmanli Ocaklari (Aliança Otomana), um grupo paramilitar organizada polo próprio Erdogan. Eles já estam a organizar-se nos países europeus; ligaçons entre eles e ISIS estam já a ser debatidas. Esta tendência nacionalista sectária continuará a radicalizar e tornara-se em forças de repressom contra qualquer oposiçom ao AKP. Muitas das pessoas que tomaram as ruas durante este período eram destas organizaçons. Pode esperar-se que estes grupos vam intensificar os seus ataques contra o povo curdo. As forças da liberdade do povo curdo e as forças democráticas do país devem preparar-se contra esses ataques.

O que vai fazer o AKP e as responsabilidades das forças democráticas

Há declaraçons que dim que “esta tentativa de golpe deve ser transformada em umha oportunidade e plataforma para a democratizaçom”. Essas chamadas som feitas com boas intençons, mas precisam ser seguidas. Todas as tentativas de um golpe podem ser bloqueadas pola democratizaçom. No entanto, a retórica anti-golpe de Estado de alguns nom se baseia em umha mentalidade democrática; polo contrário, tenhem mais a ver com a luita polo poder. Essas pessoas nom som democratas ou anti-golpistas! Essas pessoas já tinham tomado o poder através de um golpe contra a democracia. Por esta razom, a democratizaçom nom se pode esperar delas, a fim de impedir possíveis tentativas de golpe. Essas pessoas vam usar esta tentativa de golpe, a fim cobrir osseus rostos e intençons reais. Eles já começarom a fazer isso.

A este respeito, esperar que o AKP vaia tomar medidas para democratizar o país em resposta a esta tentativa de golpe nom é senom um auto-engano. So precisa de dar umha olhada mais atenta a Erdogan e as alianças da sua Gladio. Nada mais que a evoluçom do sentimento anti-curdo e anti-democrático pode-se esperar desta coligaçom. E quando o AKP finalmente descarte esses grupos aliados, os grupos nacionalistas sectários vam radicalizar e tornar-se a versom turca do ISIS. Sob o guarda-chuva ideológico e político do AKP, umha versom mais radical da Irmandade Muçulmana será formado na regiom. Erdogan verá esta tentativa de golpe como umha oportunidade para os preparativos e tomara medidas para esse fim. Há já há facçons nacionalistas sectárias dentro da força policial. Erdogan viu as açons desses grupos durante esta tentativa de golpe. Turquia tornara-se um Estado policial. A polícia vai-se tornar em umha força armada alternativa ao exército.

As forças democrâticas devem novamente analisar a situaçom após esta tentativa de golpe. O fascista AKP tentará suprimir todas as forças democráticas. Tentará conseguir que todas as facçons da sociedade obedeçam as suas regras. Qualquer oposiçom vai ser rotulada como ” partidários do golpe” e será brutalmente reprimida. Se as forças da democracia nom agem para mudar essa situaçom, Erdogan irá forçar a todos a submissom. A este respeito, as forças democráticas devem compreender a realidade do AKP e os seus aliados e precisam formar umha nova frente de resistência.

Este artigo de opiniom foi escrito pelo Congresso Nacional do Curdistam, com sede em Bruxelas e publicado em KurdishQuestion.

 

 

Chamada urgente: Nom esperes até amanhá quando seja tarde demais para Sur!

Chamada Urgente
O estado de sítio permanente declarado polo governo do AKP em várias províncias curdas desde o 16 de agosto do ano passado continua a agravar a situaçom extrema que compromete os direitos humanos básicos e as liberdades na área, incluindo o direito à vida e à segurança pessoal.

Até hoje, os toques de recolher declararom-se em sete províncias e vinte municípios, em 395 dias. Esta política de Estado clara e diretamente viola os fundamentos da Constituiçom da República da Turquia, bem como os princípios básicos do direito internacional humanitário, em primeiro lugar as disposiçons da Convençom de Genebra para a proteçom de civis em zonas de guerra e de conflito. O exemplo mais claro de violência sistemática e massacres cometidos, acaba de dar-se na cidade de Cizre, na província de Sirnak, tudo sem que a opiniom pública turca e internacional se manifestaram: polo menos 165 civis que se refugiaram nos sotos de edifícios residenciais em meio de operaçons militares forom bombardeados até a morte polas forças de segurança turcas. Enquanto o governo AKP continua a negar a sua responsabilidade nas massacres de civis em Cizre sob o pretexto de se tratar da luita “anti-terrorista”.

Mais umha vez, as notícias do histórico bairro de Sur em Diyarbakir aterrorizam-nos, porque leva 80 dias sob toque de recolher, desde 11 de dezembro de 2015. De acordo com fontes locais e da imprensa, desde o 18 de fevereiro, cerca de 200 pessoas, incluindo crianças e pessoas feridas, permanecem presos nos sotos de edifícios residenciais no bairro de Sur, onde estám a ter lugar violentos ataques das forças de segurança. Nos últimos dias, membros e representantes do nosso partido tentarom entrar em contato com representantes do governo, exigindo umha investigaçom oficial sobre essas afirmaçons e a abertura de um corredor seguro para mover os civis encurralados. No entanto, todos os nossos esforços e exigências permanecem sem resposta. Estamos extremamente preocupados com a possibilidade de que a massacre de Cizre poida repetir-se em Sur.

Tendo em conta esta possibilidade, também estamos muito preocupados com o silêncio mostrado pola comunidade internacional contra a violência e as massacres que ocorrem nas cidades curdas.

Temos transmitido à comunidade internacional de que o seu silêncio só serve para encorajar o governo do AKP e suas forças de segurança nas suas práticas ilegais e desumanas nas cidades curdas. É mais do que provável que, se a Comunidade Internacional erguera as suas vozes, agora nom haveria centos de cadáveres recuperando-se nas ruínas de Cizre…

Fazemos um chamamento urgente a todas as instituiçons internacionais, organizaçons humanitárias e ativistas para tomar as suas responsabilidades o mais rápido possível e também que instem o Governo turco que cesse de umha vez o estado de violência nas cidades curdas e proteja as vidas de civis encurralados nos sotos de Sul.

Nom deixes que amanhá seja muito tarde para Sur!

Hişyar ÖZSOY, Vice-co-presidente do HDP Encarregado das Relaçons Exteriores

 

Mehmet Tunç: O povo curdo está orgulhoso tua

The Kurdish People Are Proud Of You Mehmet Tunç Artigopor Nurcan Baysal

O artigo publicado abaixo é umha carta aberta ao Parlamento Europeu que foi enviada a cada deputado/a e órgao da UE.

Há muitas pessoas feridas que se refugiarom nos sotos, em Cizre durante quase um mês. Houvo um homem que nos informou da verdade, ao mundo inteiro, o Parlamento Europeu, sobre o que está acontecendo em Cizre, era este homem o co-presidente da Assembléia do Povo de Cizre Mehmet Tunç.

Apesar da notícia da morte de Mehmet Tunç está sendo compartilhada nas redes sociais desde há dous dias eu nom queria acreditar. Nos últimos dous dias, telefone em mao, falando com pessoas de lugares que vam desde Cizre a Bruxelas, tenho tentado descobrir o que aconteceu com el. Eu nom queria acreditar que este homem corajoso morrera.

Esta noite, recebim a notícia de que Mehmet Tunç morrera. Eu falara com Mehmed duas semanas atrás, quando eu estava em Bruxelas para moderar um seminário como parte da 12º conferência “Uniom Europeia, Turquia, Oriente Médio e os Curdos”. Mehmet Tunç figera umha chamada ao Parlamento Europeu desde o soto no que tomaram refúgio:

“A situaçom nom é como como se mostra nos meios de comunicaçom. Existe umha massacre em Cizre; estamos diante de um genocídio. Todas as casas forom bombardeadas, utilizam tanques. Armas que som usadas contra os inimigos estam sendo usadas contra o seu próprio povo polo governo do AKP e o Estado turco. Há umha tragédia acontecendo em Cizre. Durante 60 dias, as pessoas agora estam sem pam nem água. Apenas 10 mil de umha povoaçom de 120.000 permanecem. O estado deslocou forçadamente as pessoas. Políticas semelhantes foram implementadas na década de 1990. 4 mil aldeias forom arrasadas e as pessoas movidas para lugares como Cizre. Eles despovoarom as aldeias para acabar com o PKK. Agora eles estam despovoando as cidades e dizendo que é para acabar com o PKK.

Há certamente umha tragédia em Cizre. 28 pessoas forom feridas em umha casa em Cizre. 5 dos feridos morrerom por perda de sangue. Nom há água. Nós saimos do edifício para obter água e fomos disparados por franco-atiradores. Nom podemos sair. O edifício de quatro andares foi completamente destruído com ataques de morteiros. Estou dentro desse prédio agora. A situaçom é crítica. É por isso que eu estou chamandoos nossos amigos lá. Por favor, parem esta selvageria. Vostedes som o suficiente fortes para parar esta massacre em Cizre. Vostedes som o suficiente fortes para alertar o governo do AKP e levantar o cerco em Cizre. Nom fazendo-o vostedes também vam-se tornar cúmplices da massacre aqui.”

E vostedes, o Parlamento Europeu, agora som cúmplices desta massacre!

Mehmet Tunç, o homem que apelou a vostedes, também foi massacrado. Talvez el foi massacrado porque el difundiu a todo o mundo, a verdade sobre o que está acontecendo no bairro sitiado de Cizre. Eu nom sei se vostedes vam ter vergonha, mas eu tenho-a, vergonha porque eu nom fum quem de deter a sua iminente morte.

Esta talvez seja a última vez que falamos, mas nós imos morrer orgulhosos e honoráveis

Há poucos dias Mehmet Tunç falou a umha TV desde o soto de um segundo edifício em Cizre, onde muitas pessoas feridas estavam presas. “Estas talvez sejam as minhas últimas palavras”, dixo e continuou:

“Estamos face-a-face com umha segunda massacre no Hotel Madimak. Esta é umha vergonha da humanidade. As feridas da massacre de 1993, ainda nom foram curadas e aqui 30-40 pessoas ardem até a morte. A fumaça encheu o prédio e as chamas estam a começar a entrar. Os bombeiros precisam urgentemente de vir aqui e extinguir o fogo. Há pessoas que perderom as suas extremidades; há crianças, pessoas muito feridas. Eles vam-nos queimar vivos. Eu nom tenho nengumha dúvida de que isso vai ser umha vergonha pendurada sobre toda a Turquia, toda a humanidade e as Naçons Unidas. No momento, existem polo menos 37 pessoas aqui …

No momento estamos aguardando a morte. Quando este edifício colapse a humanidade vai ficar sob os escombros. Eles nom seram capazes de explicar isto…

Dirijo-me ao povo curdo agora. Esta é umha luita … Vostedes devem manter a sua moral alta. Só porque as pessoas vam morrer neste soto, isso nom significa que a longa luita pola liberdade terminara. Mas temos estado gritando, gritando, apelando para as pessoas durante 60 dias. O povo de Cizre transformou os seus corpos em escudos contra tanques, morteiros, lança-chamas e lança-foguetes. Nom tenho nengumha dúvida [sobre essa resistência]; Estou enviando saudaçons a todos os amigos que continuam a luita. Apesar do frio, a fome e a sede, o povo de Cizre nom se ajoelhara. É por isso que as pessoas que quedam necessitam estar orgulhosos de nós.

Eu sei que eles (as forças do estado) estam próximas. Existe o perigo de que eles vaiam executar-nos lentamente. Eles vinherom ontem e ameaçarom-nos dizendo: ‘Entregade-vos ou imos queima-los vivos a todos. Imos a asfixia-los a todos. ‘Eu nom conheço a intençom do governo do AKP, a governadoria do Ministério do Interior. Mas há crueldade em Cizre neste momento. Há massacrse. Mas nom nos imos ajoelhar…”

Mehmet Tunç nunca aceitou a tirania contra o seu povo, nem mesmo no seu último alento; el ficou naquel soto para ajudar os feridos e foi massacrado por fazê-lo. As pessoas no soto sabiam que as chamadas para “render-se” significavam umha massacre. É por isso que nom deixarom o soto. O 6 de fevereiro, em Cizre, Abdullah Gün, de 16 anos, confiou na chamada para se render e foi disarado por equipes das Forças Especiais como deixou o soto, el e outros que também estavam. Foi exatamente por esse motivo que Mehmet Tunç apelou a vostedes. Com o seu apoio os feridos em Cizre poderiam ter saído desses sotos de umha forma digna e segura.

Mehmet Tunç era um civil. Embora existam jovens armados nos sotos em Cizre, há também muitos civis, inclusive crianças. Independentemente de quem está nesses sotos, mesmo se estam armados da cabeça aos pés, um estado nom pode queimá-los vivos. Este é um crime de guerra; este é um crime contra a humanidade!

Os cadáveres das 27 pessoas queimadas até a morte no soto em Cizre estam, quando eu escrevo estas linhas, sendo levado para o necrotério. Nom houvo nengumha notícia durante 10 dias dos feridos presos em outro soto.

Também estaamos envergonhados de vostedes, o Parlamento Europeu!

Vostedes assistirom a morte de um homem, um político e um civil, que apelou a vostedes, que lhes pediu ajuda a vostedes. Vostedes só mirarom e nom figerom nada quando as pessoas feridas em Cizre forom queimadas vivas. E ainda assim vostedes so miram a tirania, a selvageria que está sendo cometida contra o povo curdo.

DEVIAM TER VERGONHA! ENVERGONHADOS dos princípios que tantas vezes falam de aplicar, mas so quando lhes convem!

Esta vergonha permanecerá como umha mancha sobre a civilizaçom dos direitos humanos dos que vostedes estám tam orgulhosos!

Seu povo está orgulhoso de vostede Mehmet Tunç!
The Kurdish People Are Proud Of You Mehmet Tunç nurcan-baysalEste artigo foi escrito por Nurcan Baysal e originalmente publicado em turco em T24 e traduzido o Inglês por Kurdish Question.

 

O Estado nom fala. Só dispara

O Estado nom falapor Ercan Ayboga. Traduzido o inglês por Janet Biehl.

Desde o Verao passado o Estado turco agiu brutalmente contra toda a oposiçom no sudeste da Turquia.

Um relatório de residentes em Diyarbakir.

Vai muito frio em Amed, como é conhecida a cidade de Diyarbakir polos seus residentes. Mais de 10 centímetros de neve cobrem o chao, algo que só acontece cada três ou quatro anos. E, exatamente neste momento, a luita está aumentando no bairro antigo de Amed, Sur, e nas cidades de Cizre e Silopi, na província de Sirnak. Estou aqui no gabinete de prensa da administraçom municipal, juntamente com três jornalistas e um investigador. Estes dias, o escritório serve como base de feito para jornalistas e investigadores do oeste da Turquia e o exterior. Falamos sobre o que vem acontecendo na regiom nos últimos meses.

Os acontecimentos ocorridos aqui som quase incompreensíveis até mesmo para aqueles que vivem aqui. Todas as manhás, cada tarde, e todas as noites umha onda de cansaço invade o meu corpo enquanto eu oio tiros, detonaçons e explosons perto, em Sur. Também durante o dia, mas eu estou no trabalho. Os outros dim a mesma coisa, muitas vezes, mais dramaticamente. Muitos ficam espertos durante toda a noite, todas as noites. Na noite passada, um morteiro aterrissou no telhado, onde um deles está hospedado.

Nesta cidade de um milhom de pessoas, observamos com medo como o Estado, dúzias de vezes por dia, usa tanques e artilharia para disparar na cidade velha, para tentar quebrar a resistência de 200 a 300 jovens, organizados na ilegal YDG-H. O estado nom fala. Só dispara.

Na primavera passada o governo turco unilateralmente rompeu as negociaçons de paz com o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistam) e, em seguida, no final de julho desencadeou a guerra contra o PKK. Os jovens, em seguida, estabeleceram “espaços libertados” em várias cidades, espaços livres da repressom. Em paralelo, os conselho-democráticos de bairro do povo dos conselhos de Diyarbakir e outros 20lugares declararom autonomia..

O estado, em seguida, começou a prender activistas políticos sistematicamente no Curdistam do Norte e chegou a mil em três semanas so. Intermitentemente, entre 2009 e 2012, mais de nove mil pessoas foram presas. Muitas pessoas aqui querem que o conflito militar chegue a um fim. A maioria está enojada com que o AKP do presidente Recep Tayyip Erdogan negara o sucesso eleitoral do-pró-curdo esquerdista partido HDP nas eleiçons do 07 de junho e realizara umhas segundas eleiçons sob circunstâncias repressivas.

Como um filme ruim

Estou de caminho para casa, e ainda está nevando. Tanques rolam após minha, em direçom à cidade velha. O seu efeito sobre a cidade é aterrorizar. Isso nom pode ficar. Na primavera passada um clima rebelde prevalecia na cidade, após a cidade de Kobanî, na parte curda da Síria, foi liberada. A revoluçom da Rojava espalhou o seu esplendor brilhantemente. Hoje parece que há muito tempo e está muito longe. A paz era entom, a guerra é agora- e desta vez na cidade!

Eu penso apenas em categorias de lugares “seguros” e “perigosos”. Eu sinto como se estivesse em um filme ruim que está piorando. Entom lembro-me de algo que um amigo argentino me dixo, enquanto aqui estam fazendo um filme: “Há dous lugares surreais no planeta: México e o Curdistam”

Até outubro muitos membros do HDP em Amed -onde o partido obtivo o 78 por cento dos votos – questionavam a sentido do apelo a autonomia e todas as valas e barricadas dos jovens.

Eles ficaram atônitos. E o mais político entre eles -Amed é umha cidade muito política- nom conseguia fazer umha análise razoável. Muitos perguntavam: “Quanto tempo vai continuar? Será que eles vam se deter no próximo mês ou quando? ”

Eu acho que eles despertarom de um sonho agora e estam em estado de choque. Durante um século, nós, os curdos temos sido pessoas de segunda classe. Queremos a paz, eu sinto isso, mas queremos umha paz justa. Mesmo aqueles que perderam irmaos ou filhos nos últimos 30 anos, como guerrilheiros ou civis, polo terrorismo de estado, desejam a paz tam fortemente que eles ansiosamente acreditam em cada faísca de esperança.

Muitos desconfiam do Estado, que tem atuado cada vez mais brutal desde o verao. Os seus atos de crueldade com os toques de recolher recorrentes em Sur, desde o 1 de dezembro estam gradualmente balançando as pessoas.

Primeiro forom so os ativistas políticos, e agora até mesmo os moradores muitas vezes dim cousas como “a resistência começou” e “nom há mais nada para nós agora, mas que luitar com dignidade.”

A crítica é silenciada

Infelizmente, temos um presidente que, em um grau sem precedentes, está perseguindo toda procura da paz entre democratas curdos e nom-curdos na Turquia ocidental, eles estam, talvez, em maior estado de choque do que nós -a se estabelecer como governante eterno. Devemos resistir! Isso pode soar como propaganda ou um slogan que eleve a moral. Mas que soluçom tenhem os críticos? No passado so a resistência tivo algum efeito.

E, entretanto, os governos europeus que fam? Eles enviam o Presidente Erdogan dinheiro para que detenha os refugiados na Turquia e, eles fecham os olhos. A UE está, mais uma vez sequer a falar de adesom, para ligar a Turquia mais perto de si. De repente, todas as críticas dos últimos anos estam silenciadas. Ok, política de estado é umha porcaria. Mas aqueles que na Europa, ainda tenhem umha esfera pública a meio caminho de ser independente, que estamos a perder aqui. Ir ao assunto, e nom permitir que esse negócio sórdido aconteça!

“Matarom a minha mae”

Três horas mais tarde, eu estou traduzindo umha carta, um jovem de Silopi, Inan, cuja mae foi baleada na rua, no mês passado. Ela sucumbiu aos seus ferimentos, porque os atiradores da polícia dispararom a qualquer um que tentou ajudá-la. Umha semana atrás, um jornalista publicou a história no blog de um jornal turco.

Esta é talvez a traduçom mais difícil da minha vida. Eu quero-a compartilhar. “Quando soubemos que a minha mae tinha sido baleada, corremos para o lugar. Antes de chegarmos, o meu tio tentou chegar até ela, mas eles atiraram nele. Quando cheguei, os vizinhos estavam carregando o corpo do meu tio falecido. Eu perguntei sobre a minha mae, e digerom-me que ela ainda estava deitada na rua. Quando eu tentei ir até ela, eles segurarom-me. Eu chorei, chorei, chorei. Minha mae tinha caído no meio da rua e estava deitada lá. No início, ela movera-se um pouco, mas, em seguida, os seus movimentos diminuíram.

Todas as pessoas que chamamos -representantes, conselheiros regionais, governador da província –digerom que os atiradores deviam retirar-se para que pudéssemos remover o seu corpo. “Que estava sentindo minha mae quando ela estava lá? Ela sofreu. Durante sete dias, ela estivo na rua. Nengum de nós dormia, para que pudéssemos manter os cans e os pássaros longe dela; Ela ficou lá, a 150 metros de distância, e vimos como ela perdeu a sua vida. Nesses sete dias, o estado causou-nos tanto sofrimento como um ser humano pode causar em outro. Minha mae ainda tinha seu xale em uma das maos, as maos ficarom rígidas, a sua posiçom do corpo refletia a sua luta por sobreviver. O sangue estava seco.

As maos, o rosto, onde ela caiu no chao, estava coberto de sujeira, a sua roupa estava encharcada de sangue seco.

“Os crentes arrancarom a alma da minha mae. Os olhos da minha mae permaneciam aberto, com o rosto inclinado em direçom a nossa casa. Nom podo expressar quanto dor estou sentindo. Sete dias no mais profundo inverno ela estivo na rua. A cousa mais dolorosa nom é saber quanto tempo ela ficou viva. Espero que ela falecera de imediato. Eles matarom a minha mae. ”

Se nom sentes nada, re-le esta carta repetidamente.

Escalada

Nas últimas semanas nas regions curdas da Turquia, cidades e bairros forom transformados em zonas de guerra. Escondidas do público, as forças militares e policiais turcas utilizarom armas pesadas contra os rebeldes, muitas vezes jovens, e nom esquecerom nem os nom-participantes. Human Rights Watch reuniu testemunhos que mostram que as forças de segurança abrirom fogo mesmo sobre aqueles que tentavam deixar as suas casas. Grupos locais de direitos humanos relatam que mais de 150 civis forom mortos.

Após as eleiçons parlamentares em novembro, as esperanças aumentaram de que o governo turco iria acabar o curso dos confrontos que tinha começado em julho. Essas esperanças foram precipitadas. Polo contrário, a repressom intensificou-se, mesmo nas autoridades eleitas do HDP. Vários deles, incluindo o co-líder Selahattin Demirtas, forom ameaçados com acusaçons de separatismo.

 
Ercan Ayboga, filho de pais curdos turcos, estudou engenharia ambiental na Alemanha. Aos 39 anos, ele está ativo no movimento da ecologia da Mesopotâmia e trabalha para a administraçom da cidade de Diyarbakir como consultor ambiental e no gabinete de imprensa intencional. Ele apresenta a sua visom pessoal aqui.

Originalmente publicado em alemao em Woz Die Wochenzeitung e em inglês em Peace In Kurdistan Campaign, e logo em Kurdish Question.

Ambulâncias paradas em turquia nas cidades curdas assediadas

Ambulances halted as Turkey besieges Kurdish town ArtigoPor Frederike Geerdink

Os feridos nom conseguem receber tratamento devido ao toque de recolher na cidade rebelde de Cizre.

Polo menos 10 civis feridos em confrontos morrerom no sudeste da Turquia nas últimas duas semanas porque as ambulâncias nom conseguem chegar ate eles para levá-los a hospitais.

Pessoas que sangram até a morte na rua ou nas casas, ou foram internados em hospitais só quando era tarde demais – e os moradores temem que haverá mais mortes nos próximos dias.

As mortes ocorrem desde que o governo turco impom o toque de recolher 24 horas em Cizre, umha cidade de maioria curda com umha povoaçom de 120.000 habtantes. Alguns arriscam ir para fora a comprar as necessidades diárias, enquanto carregam umha bandeira branca para mostrar que eles nom som umha ameaça; outros permanecem escondidos dentro das casas.

O governo turco di que o toque de recolher, que está em vigor desde o 14 de dezembro, é necessário na sua luita contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), um grupo armado que o governo turco etiqueta como “terrorista”. Organizaçons dos direitos humanos como Anistia Internacional e Human Rights Watch acusou às forças de segurança turcas de usar umha violência desproporcional em confrontos com os jovens armados em Cizre, observando que dúzias de civis morrerom como resultado delas.

Segundo a imprensa turca, muitos moradores de Cizre fugirom da violência, e apenas umhas 20.000 pessoas permanecem na cidade hoje.

O deputado turco Faysal Sariyildiz, membro do partido pró-curdo HDP, passou um tempo na cidade em meio à crise recente. El dixo que 28 civis feridos em confrontos recentes entre as forças de segurança turcas e os jovens vencelhados ao PKK estavam presos no soto de umha casa, esperando em vam por ambulâncias para levá-los ao hospital.

“Seis dos feridos … sucumbirom as suas feridas”, dixo Sariyildiz a Al Jazeera em umha recente entrevista por telefone. “Eles estam deitados nos mesmos dous quartos do subsolo, onde os feridos estam à espera de ajuda.”

As autoridades turcas nom dam permisso para que as ambulâncias entrem nas áreas de Cizre onde as operaçons estam em andamento. Cerca de duas semanas atrás, Huseyin Paksoy, de 16 anos, foi baleado e perdeu umha quantidade significativa de sangue, morreu em um hospital em Cizre depois que tivera esperado por ajuda médica por quatro dias. Umha ambulância só foi autorizada a buscá-lo depois de um avogado turco apelou por um processo de urgência no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (CEDH), que decidiu que as autoridades turcas nom poderiam pôr em perigo o direito à vida e à integridade física de Paksoy.

Os avogados, em seguida, decidirom meter mais aplicaçons na CEDH, em outros casos, cinco dos quais forom aceites polo tribunal no prazo de um dia desde a sua apresentaçom. A vida de Helin Oncu, de 20 anos, um estudante que foi baleado enquanto visitava Cizre em circunstâncias pouco claras, foi salvo através de umha ordem do CEDH há umha semana.

Esta é a primeira vez na história da CEDH que a moçom do processo de urgência foi usada para permitir que os civis feridos fôssem levados a um hospital. Normalmente, a moçom do processo de urgência é utilizada para evitar a extradiçom para países onde as vidas dos deportados podem estar em risco.

Ramazan Demir, avogado de Istambul que coordena os pedidos urgentes de procedimento à CEDH, dixo: “Nós decidimos usar este processo de urgência depois de a CEDH rejeitou o nosso pedido para proibir imediatamente os toque de recolher por tempo indeterminado, eles só se pronunciaram sobre se os toques de recolher estam a violar os direitos fundamentais mais tarde, possivelmente este ano.”

Mas os avogados turcos descobrirom que o seu acesso à CEDH tem sido prejudicada desde o martes, depois de ter enviado um pedido para salvar as vidas de 14 pessoas gravemente feridas no soto. Demir mostrou umha carta a Al Jazeera que recebeu do tribunal, nesse momento, que afirmou que as opçons judiciais internas devem ser esgotadas antes de poder ser solicitado intervir o CEDH.

“Figemos isso [entrar com umha açom nos tribunais nacionais] nos primeiros casos e nom obtivemos um resultado positivo, entom nos seguintes casos, decidimos saltar os tribunais nacionais para economizar tempo. Esta foi aceite polo CEDH, mas agora, de repente, eles pararom de aceitar isso “, dixo Demir, nada da execuçom relativa às 14 pessoas feridas foi devolvido para o Tribunal Constitucional da Turquia, que decidiu contra eles. O pedido já foi trazido de volta à CEDH, que está previsto que emita umha decisom o martes.

“Estamos perdendo um tempo precioso, é umha questom de vida ou morte”, di Demir.

As autoridades na província de Sirnak, onde está localizado Cizre, negam que as ambulâncias foram bloqueadas polas autoridades. Umha declaraçom por escrito divulgada polo governador afirmou que as informaçons que diziam que as ambulânciasnom foram autorizadas a apanhar os feridos eram “falsas” e “sem fundamento”. De acordo com o comunicado, os feridos podem ser levado a um certo ponto na cidade de onde eles podem ser transportados para o hospital.

Sariyildiz, no entanto, di que no âmbito de tal procedimento, os feridos corriam o risco de ser disparados de novo, e muitos estam gravemente feridos para ser movidos a qualquer lugar sem umha padiola.

Demir afirma que está com raiva do CEDH para referi-los de volta aos tribunais nacionais após aceitar a primeira. “Isso nom pode ser outra cousa senom umha decisom política”. “Os curdos estam sendo vendidos polos mecanismos internacionais de justiça.”

No entanto, o CEDH afirmou que os tribunais nacionais da Turquia estam considerados como umha soluçom eficaz. Em umha carta ao Demir, o CEDH escreveu que, dada a “fluidez e imprevisibilidade de umha situaçom de conflito armado aparente, a tarefa do Tribunal é dificultada pola falta de informaçom e a dificuldade em conhecer os feitos”.

Sariyildiz di que tem pouca fé em um resultado positivo. “Nom esperamos nengumha decisom democrática de qualquer tribunal turco”, dixo, observando que o poder judicial turco vem sendo cada vez mais levado sob o control político do partido governante AK ao longo dos últimos dous anos.

Enquanto os tribunais estam a deliberar sobre o destino das pessoas no soto, outro jovem morreu, elevando o número total de mortos a sete. Sariyildiz di que teme quem pode ser o próximo.

“Um dos feridos é um menino de 12 anos, e há muitos idosos entre os feridos”, acrescentou. “Eu temo que mais pessoas vam morrer no soto nos [próximos] dias.”
O artigo foi publicado originalmente em Al Jazeera.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 07 Fréderike GeerdinkFrederike Geerdink é umha jornalista freelance de origem holandês que viveu em Turquia e o Curdistam entre o 2006 e 2015, quando foi deportada polo régime turco. Tem escrito numerosos artigos sobre o Curdistam e um livro sobre a matança de Roboski, onde a aviaçom turca assassinou a 34 aldeans.

Desfazendo Anos de progressos na Turquia

Undoing Years of Progress in Turkey artigoO ex-prefeito (2004-2014) do distrito de Sur de Amed (Diyarbakir) Abdullah Demirbaş escreveu iste artigo de opiniom no New York Times:

Cidades e bairros inteiros estam sob cerco. Tanques atravessam ruas estreitas fechadas por barricadas e trincheiras. Os moradores estam presos dentro das casas durante semanas por causa dos toques de recolher. Aqueles que se aventuram fora correm o risco do fogo de atiradores. Os seus corpos ficam nas ruas por dias antes que poidam ser recolhidos. As balas voam polas janelas e edifícios desmoronados sob os bombardeios, matando aqueles que procuram abrigo nas casas.

Isto nom é a Síria. Isto é a Turquia, país candidato à Uniom Europeia, e aclamado como campeom das Primaveras Árabe. O conflito que aqui se reiniciou após a ruptura das conversaçons entre o Estado turco e o Partido dos Trabalhadores do Curdistam, ou PKK, no verao passado transformou-se em uma devastadora guerra nas cidades curdas.

Undoing Years of Progress in Turkey 02 artigoUm dos lugares mais afetados é a cidade do histórico distrito de Sur em Diyarbakir, onde eu fum prefeito de 2004 a 2014. Sur está sob toque de recolher de 24 horas desde inícios de dezembro. Muitos dos seus bairros em ruínas. Os seus monumentos históricos estam danificados, as lojas estam fechadas, os hospitais carecem de pessoal, e as escolas estam fechadas. Duzias de milheiros de pessoas fugirom.

As muralhas de Sur envolvem umha antiga cidade que foi habitada desde há milênios. As suas ruas estreitas, pátios espaçosos e elegantes estruturas de pedra som lembranças de um rico legado multicultural – um legado que sobreviveu, embora em um estado de miséria, um século de conflito. Pequenas, mas cada vez mais visíveis comunidades de armênios, assírios, caldeus, Jazidis e outras minorias convivem com adeptos de diversas interpretaçons do Islam no que agora é umha cidade curda predominantemente sunita.

Durante a última década, o nosso concelho trabalhou duro para reviver e preservar esta herança. Nós supervisionavamos a restauraçom de muitos edifícios históricos, incluindo mesquitas e igrejas. A reabertura da Igreja Armênia de Surp Giragos, que agora é a maior igreja arménia no Oriente Médio, depois de quase um século em ruínas estimulou os “escondidos” sobreviventes do genocídio de 1915 na Turquia para redescobrir e abraçar a sua herança. Os esforços de restauraçom da antiga sinagoga em memória da umha vez vibrante comunidade judaica de Sur estavam em andamento antes do estouro da violência no verao passado.

Em 2012, líderes comunitários de Sur criarom um grupo diálogo inter-religioso que reuniu representantes de diferentes religions da regiom, culturas e grupos da sociedade civil. Conhecido como o Conselho dos Quarenta, que tem desempenhado um papel crucial em que a violência sectária nom atingira a nossa cidade. Graças aos seus esforços, Sur veu a simbolizar a visom de convivência pacífica em uma regiom assolada pola intolerância.

Provoca-me imensa tristeza ao ver que o pluralismo desmorona-se junto com os edifícios de Sur. O sectarismo está a destruir a Síria diante dos nossos olhos. Para evitar o mesmo destino na Turquia, o Conselho dos Quarenta apelou ao governo para levantar os toques de recolher, e pediu a todas as partes a fim das hostilidades e voltar às negociaçons de paz no âmbito da democracia parlamentar.

O presidente Recep Tayyip Erdogan, dixo recentemente que as operaçons militares nas cidades curdas assediados continuariam até que estiveram “limpas” de “terroristas”. “Vam ser aniquilados nessas casas, nesses edifícios, nessas fossas que cavarom”, ameaçou. Mas é que a paz pode ser construída por meio da destruiçom? Décadas de políticas militares contra os curdos tenhem mostrado so que a violência gera mais violência.

Muitos moradores dessas cidades som famílias pobres que foram forçadas a fugir do campo quando o conflito entre os curdos e o Estado turco estava no seu auge na década de 1990. Aqueles que estam cavando trincheiras e declarando o “autogoverno” em Sur e outras cidades e vilas do sudeste da Turquia hoje som jovens na sua maioria adolescentes curdos em que nasceram nesses tempos passados de violência, pobreza e deslocamento, e crescerom em guetos radicalizados.

Agora, umha nova geraçom vai crescer com o trauma da morte, destruiçom e migraçons forçadas. Onde vam ir? O que será deles? E como é que umha geraçom com mais raiva de curdos e turcos vai encontrar um terreno comum? A verdade é que a minha geraçom pode ser a última que poida chegar a umha soluçom pacífica através do diálogo.

O diálogo é possível quando quem está no poder quer. Na primavera passada, os dous lados estavam à beira de um avanço após dous anos e meio de negociaçons. Os curdos, quando se lhes da umha opçom real e justa, escolherom repetidamente a política sobre a violência e optarom pola convivência em umha Turquia democrática, onde os seus direitos e identidades som reconhecidas, sobre a separaçom. Mas, como a destruiçom continua, a sua fé em umha soluçom política murcha.

Em 2007, Sur tornou-se o primeiro concelho na Turquia a oferecer serviços nas línguas locais, incluindo curdo, armênio e assírio, além do turco oficial – um movimento que enfureceu as autoridades de Ancara, a capital, e levou a minha remoçom como prefeito. Em 2009, meses depois de ser reeleito com os dous terços dos votos, fum preso sob a acusaçom de separatismo. (Eu fum liberado cinco meses mais tarde por razons de saúde e mantivem o meu papel como prefeito ao longo da minha prisom.)

Quando eu estava reunido juntamente com centos de ativistas curdos e políticos eleitos, meu filho adolescente deixou a nossa casa para se juntar ao PKK “Você está desperdiçando o tempo com a sua política e diálogo”, dixo-me el. Eu dediquei a minha vida a tentar provar que el estava errado e trae-lo em paz para casa. Eu estivem desencorajado antes, mas nunca perdim a esperança. Hoje, eu esforço-me por manter a esperança viva.

Abdullah Demirbas é o ex-prefeito do distrito de Sur de Diyarbakir e um membro fundador do Conselho dos Quarenta.

Publicado como artigo de opiniom do New York Times e republicado em KurdishQuestion.