Iram e Turquia estam arrastando os curdos na sua guerra fria no Oriente Médio

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O presidente iraniano, Hassan Rouhani, com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. EPA

Por Abdul-Qahar Mustafa

A rivalidade entre a Turquia e o Iram por dominar o Oriente Médio nom é algo novo. É de feito o legado do conflito histórico entre dous impérios, os persas e os turcos que dominarom o Oriente Médio por várias vezes e sob diferentes nomes e ideologias na história. No entanto, essas duas etnias tenhem desenvolvido os seus impérios e expandido os seus interesses ao custo de violar os direitos humanos de outros grupos étnicos minoritários como curdos, baloches, árabes, assírios, armênios, alavis, jazidis e gregos.

Hoje, vejo que o governo turco e iraniano, as fontes e os herdeiros dos impérios otomano e Safávida estam realizando a mesma missom dos seus antepassados. Eles estam tentando usar a povoaçom curda repetidas vezes como umha ferramenta para minar o poder e a influência de uns e os outros e expandir os seus interesses no Oriente Médio.

Assim como nos séculos passados, esses dous regimes antidemocráticos estam usando todos os meios possíveis, desde as suas capacidades militares e econômicas superiores, a religiom islâmica até o uso da força, ameaça, coaçom, abuso, intimidaçom, prisons ilegais, agressom e exploraçom de grupos de minorias étnicas, como os curdos, para desafiar uns aos outros política, económica e militarmente no Médio Oriente.

Olhando para as suas políticas no Oriente Médio, podedes facilmente notar que ambos os regimes fascistas, Turquia e Iram estam luitando umha guerra fria com o outro. A primeira grande batalha está sendo travada no Iraque e na Síria, onde as suas tradicionais rivalidades e interesses conflitem pode ser visto em pleno vigor. No entanto, o problema aqui é, tanto a Turquia como o Iram estam tentando levar os curdos no seu conflito de interesses. Eles estam arrastando os curdos para os seus conflitos usando a cenoura e a vara com as minorias curdas do Iraque, Síria, Iram e Turquia e conseguindo que eles cooperem e tomem partido nos seus conflitos.

Há momentos em que usam promessas enganosas de recompensar a proteçom dos curdos, incentivos econômicos, independência, autonomia e liberdade se cooperarem. No entanto, quando os curdos se recusam a cooperar com qualquer das partes, eles tomam medidas punitivas contra os curdos, como sançons econômicas, agressons militares, prisons arbitrárias, tortura e até mesmo assassinatos.

Obviamente, há muitas razons para a rivalidade e a guerra fria entre turcos e persas no Oriente Médio. Primeiro, o Iram considera a Turquia como um aliado de Israel e EUA, porque a Turquia já reconheceu Israel como um Estado e tem todo tipo de relaçons com Israel. Portanto, o Iram percebe a Turquia como umha ameaça à sua segurança e interesses econômicos no Oriente Médio, enquanto a Turquia pensa do Iram como um estado que pode ser bom e ruim para a Turquia porque quando os interesses da Turquia entram em conflito com EUA, UE, a Turquia muda o seu curso de imediato e estende as suas maos para países como o Iram, que estam enfrontados com Israel, EUA e países da UE.

Turquia encontra o Iram como umha peza eficaz para negociar alguns acordos com Israel e Arábia Saudita. A Turquia oferece acordos para trabalhar com Israel e Arábia Saudita e ajudá-los a desafiar o poder político e a influência do Iram no Oriente Médio, e possivelmente atrair os sunitas, curdos e turcomanos para unificar a sua voz no Iraque, no futuro parlamento sírio e votar polo reconhecimento do Estado de Israel. Mas, em troca, a Turquia aceita que os EUA, a UE, os sauditas e os israelitas cumpram as suas próprias exigências e expectativas.

Além disso, a Turquia quer que os EUA e a UE desistam dos seus supostos apoios políticos, militares e econômicos com os curdos no Iraque, na Síria e na Turquia e, segundo, pressionem os cipriotas gregos o suficiente para compartilhar a sua riqueza de recursos naturais com a povoaçom cipriota turca. Terceiro para permitir que a Turquia tenha acesso aos benefícios do maior mercado do mundo da Europa e quarto para conceder aos cidadaos turcos a visa para viajar para a Europa. A Turquia promete aos EUA e à UE distanciar-se da Rússia e do Iram se concordam com as exigências políticas e económicas da Turquia na Europa e no Médio Oriente.

Para alcançar o sucesso no seu plano, a Turquia precisa do apoio dos curdos e outras povoaçons sunitas e turcomanas para fazer qoe os seus planos se tornem realidade. A Turquia está pressionando os curdos iraquianos a abandonar o seu apoio ao governo xiita em Bagdá e, em vez disso, fazer umha frente política unida com turcos e o bloco sunita para mudar o equilíbrio do poder político em Bagdá a favor dos sunitas. No entanto, os curdos querem permanecer neutros nesses conflitos. Mas a Turquia está arrastando os curdos a apoiar o seu plano. Está usando a aproximaçom da puniçom e das recompensas com os curdos no Iraque, Turquia e Siria a fim de ajudar a Turquia e suportar o seu negócio político, econômico e de segurança com Israel e Arábia Saudita no Médio Oriente.

Por exemplo, a Turquia recentemente prendeu vários políticos curdos do HDP e os enviou para a cadeia. Também emitiu um mandado de prisom para o líder sírio curdo Saleh Muslin. Mais as forças militares turcas foram desprazadas para distritos do sudeste perto da fronteira iraquiana, em cima de outras bases militares que já existem no norte do Iraque desde 1997.

Além disso, na recente visita da delegaçom da KRG à Turquia, o primeiro-ministro turco dixo ao primeiro-ministro Nechirvan Barzani, do governo regional do Curdistam, que a Turquia ajudaria financeiramente aos curdos no futuro, enquanto continua bombardeando a zona da fronteira da regiom do Curdistam iraquiano. Centos de aldeans e agricultores curdos abandonarom as suas casas e fazendas e fugirom para as vilas e cidades no norte do Iraque. É claro que a Turquia está usando a abordagem de recompensa e puniçom para conseguir que os curdos abandonem as suas ambiçons e esforços para obter independência, autonomia ou o seu apoio ao bloco xiita. Em vez disso, a Turquia quer que os curdos ouçam e cooperem com a Turquia para alcançar os seus planos estratégicos no Oriente Médio.

Creio que a agenda oculta da Turquia é, querem nom só trazer os curdos da Turquia, Síria e Iraque sob o seu control, e usá-los para atingir o seu objetivo no Oriente Médio. Os turcos em geral nom querem ver nengum tipo de área autônoma curda ou curdistam independente. Eles querem que os curdos sejam subservientes a eles. Eles querem usar os curdos para luitar polos seus interesses contra os seus países rivais no Oriente Médio. Eles tentarom todo para impedir que o governo dos EUA e o Iraque, nom permitiram que os curdos tivessem autonomia no norte do Iraque, e estam fazendo agora também para impedir que os curdos obtenham umha área autônoma no território sírio.

A Turquia também tenta explorar a questom da hegemonia do Iram no Oriente Médio como umha oportunidade para fazer um acordo com os EUA, Israel e a UE e obter concessons a partir deles. O que isto significa na minha opiniom é que a Turquia quer se tornar um  país independente poderoso no mundo livre da influência e ordens de fora. Significa também que a Turquia quer alimentar a sua povoaçom turca às custas dos curdos e dos iranianos. No entanto, o Iram está desafiando a Turquia nesse sentido. O Iram está jogando o mesmo jogo com a Turquia.

O Iram também quer que os curdos trabalhem com todas as forças xiitas no Iraque, na Síria e no Iram, para negar à Turquia a chance de desafiar o poder dos blocos de xaque no Oriente Médio ou obter quaisquer concessons de Israel e da Arábia Saudita às custas de ferir os interesses do Iram no Oriente Médio. Na verdade, o Iram já está lidando com as ameaças à segurança da Arábia Saudita, Israel e ISIS, por isso quer fazer tantos aliados quanto puder no Oriente Médio para se fortalecer contra essas ameaças e garantir que o regime islâmico sobreviva.

O Iram prometeu aos curdos da Síria e Iram proteçom, ajuda financeira e autonomia, desde que nom combatam o regime de Assad ou se rebelem contra o regime islâmico em Teeram e os seus aliados no Líbano e no Iraque. O Iram prometeu aos curdos da Síria e Iram proteçom, ajuda financeira e autonomia, desde que nom combatam o regime de Assad ou se rebelem contra o regime islâmico em Teeram e os seus aliados no Líbano e no Iraque. O Iram também exigiu que os curdos continuem aliados na luita contra o ISIS. Prometeu aos iraquianos e sírios ajuda econômica e apoio político se os curdos nom iam contra os seus interesses no Oriente Médio. No entanto, advertiu os curdos a se absterem de mostrar qualquer apoio ou estabelecer qualquer tipo de relaçom com Israel, ou entom eles (os curdos) enfrentariam umha dura puniçom polo Iram.

O Iram quer fazer negócios com os curdos iraquianos, mas sob a mesma condiçom de os curdos tomarem partido em um conflito com a Turquia. Na verdade, o Governo Regional do Curdistam (KRG) teria concordado com um plano para construir dous oleodutos de petróleo de Kirkuk para o Iram para que a KRG se tornasse menos dependente da Turquia. No entanto, tanto a Turquia como Israel nom estam felizes com tal porque em primeiro lugar, Israel é um comprador do petróleo da KRG que é enviado através do porto turco de Ceyhan e, em segundo lugar, a Turquia rendimentos do oleoduto que atravessa o seu solo, e terceiro Israel nom quer que o Iram benefice do petróleo da KRG , e a quarta, Turquia sabe que os curdos som mais dependentes economicamente da Turquia, quanto mais control a Turquia pode ter sobre eles em todas as formas possíveis.

Quando os curdos permanecem neutros nos seus conflitos de interesses ou quando fazem negócios com os opositores do Iram, como Turquia e Israel, o Iram rebela-se contra os interesses dos curdos e usa a sua força militar e econômica superior e a sua influência no Iraque e na Síria e persegue os curdos bombardeando as zonas curdas da fronteira com o Iram, ou ordena que as forças de Assad bombardearem as áreas civis curdas na Síria ou congela o orçamento anual dos curdos do iraque, para tipicamente fazer que os curdos se movam na sua linha de ditados.

Estes dous regimes fascistas sabem muito bem que os curdos nom tenem capacidade económica e militar suficientemente fortes para resistir à sua pressom política e económica, e que nom se podem defender contra as agressons militares da Turquia ou do Iram, aproveitando os pontos fracos dos curdos e chantageá-los até que eles os obrigam a ceder às suas demandas e trabalham para eles. Eles vêem os curdos como umha raça inferior que nom serve para nada, exceto para servir os interesses dos persas e dos turcos, como se os seus milhons de povoaçom persa e turca, e o seu poder econômico e militar superior nom fosse suficiente para realizar as suas missons por si mesmos, sem vitimizar os curdos nos seus conflitos de interesses e luitas no Oriente Médio.

Nom há dúvida de que os curdos nom querem ser chantageados ou intimidados para trabalhar de um lado contra o outro. Os curdos iraquianos tenhemm tentado todos os meios possíveis para permanecer neutrais na rivalidade e guerra fria entre xiitas e sunitas no Oriente Médio. Os curdos já pagarom um alto preço, perdendo milheiros de vidas na luita contra o ISIS e a sua povoaçom sofrendo a crise econômica. Eles certamente nom precisam ser arrastados para outro conflito no Oriente Médio.

As políticas dos curdos parecem ser claras e justas em relaçom aos seus vizinhos. Pode-se dizer que tenhem umha atitude amigável e açons razoáveis que tomam ao lidar com os seus vizinhos. Acredito firmemente que os curdos nom querem tomar partido ou favorecer aos xiitas sobre os sunitas ou vice-versa. Eles preferem ter boas relaçons com a Turquia e o Iram sem discriminaçom.

Os curdos da Turquia e da Síria também querem permanecer neutros no conflito e nos confrontos entre o exército de Assad e o exército sírio livre. Na verdade, todos os partidos curdos, do Iraque, da Turquia, do Iram e da Síria tenhem a mesma opiniom de nom tomar um ou outro lado na guerra fria entre xiitas e sunitas ou entre o Iram e a Turquia. Os curdos estam bastante focados em ter uma coexistência pacífica com árabes, turcos e persas igualmente.

Nom acho razoável se os curdos tomam partido por algum de ambos os regimes, a Turquia ou o Iram, especialmente quando se sabe que esses dous regimes nom só som  antidemocráticos, mas também tenhem um alto registro histórico de violaçom dos direitos humanos dos curdos?

Se a Europa e os Estados Unidos realmente defendem a democracia, os direitos humanos e nom os interesses partculares, nom devem permitir que a Turquia ou o Iram devorem os curdos polos seus próprios ilegítimos interesses políticos e econômicos no Oriente Médio. E se realmente acreditam na justiça, devem aplicar duras sançons econômicas e um boicote ao turismo tanto no Iram quanto na Turquia imediatamente, encerrar as negociaçons de adesom à UE e congelar participaçom da Turquia da OTAN até que volte a democracia.

Abdul-Qahar Mustafa é um estudante graduado da High School de Saint Louis em Canadá. Ele é defensor da justiça, democracia e direitos humanos. Atualmente vive em Sarsang / Duhok, no Curdistam iraquiano.

Publicado em ekurd.

http://ekurd.net/iran-turkey-dragging-kurds-2016-11-28

Os curdos matam e deslocam civis árabes na operaçom de Raqqa?

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Luitadores das SDF na operaçom de Raqqa / ANF

Por Sinan Cudi

As forças da Ira do Eúfrates terminarom a primeira fase da operaçom para libertar Raqqa do  Estado Islâmico (ISIS) o 14 de novembro.

A declaraçom revelando os detalhes dos primeiros 10 dias da operaçom foi na aldeia de Hîşa; há pouco informara-se que fora atacada por avions da Coligaçom anti-ISIS. A declaraçom, lida pola porta-voz Cihan Ehmed dixo que 36 aldeias, 31 povos, 7 outeiros estrategicamente importantes e duas regions importantes que fornecem água e eletricidade foram liberados em umha área de 550 km do ISIS. Também informou-se que 167 militantes do ISIS foram mortos e 4 presos.

A declaraçom acrescentou que o ISIS tinha tentado 12 ataques VBIED [Veículos bomba], mas que todos os veículos tinham sido destruídos. Um grande número de armas e outros veículos também tinham sido eliminados, 240 minas desativadas. A declaraçom dizia que apenas quatro lutadores das Forças Democráticas da Síria (SDF) foram feridos na primeira fase da operaçom.

Mencionou também que o assédio de Raqqa continuava e que as pessoas nas áreas liberadas permitiria-se-lhes retornar às suas casas umha vez que a limpeza das minas terminara.

A declaraçom também se refere à reivindicaçom sobre a Aldeia de Hîşa (Hisah), que é o tema deste artigo e di: “Embora nom tenhamos encontrado nengumha evidência de que os civis foram prejudicados durante a operaçom, continuamos a investigar as alegaçons.”

Deixando de lado o conteúdo da declaraçom sobre a aldeia Hîşa, o fato de que a declaraçom foi feita na aldeia onde o suposto ataque ocorrera é umha mensagem para aqueles que fam essas alegaçons. Que os jornalistas tenham permissão para entrar e investigar na aldeia após o comunicado de imprensa é mais umha prova da confiança do SDF de que as alegaçons som falsas.

Reivindicaçons semelhantes forom feitas antes. Cada vez que o ISIS é atacado, há mentiras do tipo “os árabes estam sendo deslocados”, “há limpeza étnica”, “a demografia está sendo mudada”, “os civis estam sendo assassinados”, som postos em circulaçom para interromper a guerra contra o grupo jihadista.

A mensagem subjacente repetida com estas afirmaçons é a seguinte: “Os curdos estam matando árabes, deslocando-os, apropriando-se das suas terras e tentando criar um estado curdo.” De longe isso pode parecer plausível também. Afinal, vivemos em sociedades onde as pessoas têm bebido do cálice envenenado do nacionalismo e forom infectados polas suas ideias e que, a gente pense que é umha possibilidade fazer o anterior.

No entanto, é importante enfatizar certos feitos.

Em primeiro lugar, a maioria dos combatentes que participam na ofensiva de Raqqa som árabes. Os componentes da força de combate que participam da operaçom som proporcionais à povoaçom de Raqqa. Isto significa que os curdos representam o 25% desta força, em relaçom à povoaçom curda que vivia em Raqqa.

Em segundo lugar, durante mais de um ano, desde a ofensiva de al-Hawl, os curdos nom agem unilateralmente. As forças de comando e combate em todas as operaçons e açons militares som decididas polas SDF. Há umha ordem comum e um centro de comando. O que significa que há um exército administrado conjuntamente por árabes, curdos, assírios e turcomanos.

E, finalmente, se os curdos tivessem pretendido e desejassem deslocar os árabes, teriam começado com a povoaçom árabe movida polo regime Baath para os assentamentos curdos como parte da iniciativa do cordom árabe na década de 1960.

É possível listar muitos mais feitos, mas três som suficientes.

O que é interessante, no entanto, é que aqueles que fam estas afirmaçons estam completamente silenciosos sobre as massacres cometidos por avions de guerra turcos em Afrin e na regiom de Shehba, a destruiçom de aldeias curdas e o deslocamento de milheiros de curdos.

sinan-cudiSinan Cudi é um jornalista curdo atualmente em Rojava-Norte da Síria.

Publicado em  Kurdish Question.

 

 

 

O modelo Rojava

o-modelo-de-rojavaPor Meredith Tax

Como governam os curdos da Síria

Um novo modelo de organização social está tomando forma nas áreas curdas no norte da Síria. Rojava, como ficou conhecida, compreende três cantões na seção ocidental da  histórica terra natal do povo curdo, que está agora dividida entre Irã, Iraque, Síria, e Turquia. No que diz respeito a igualdade social, pluralismo étnico, e anti-sectarismo, o território é uma região sem igual. Esse é especialmente o caso quando falamos dos avanços das mulheres.

A atenção pública do ocidente deu um giro de 2014 a 2015, quando as milícias territoriais, as Unidades de Proteção do Povo (YPG) e as Unidades de Proteção das Mulheres (YPJ), tiveram um papel central na expulsão do Estado Islâmico, ou ISIS, de Kobane, uma cidade no noroeste da Síria. Observadores destacaram duas características do grupo: primeiro seu sucesso contra o ISIS, que as forças de segurança dos EUA e das forças de oposição Síria se esforçaram para derrotar, e segundo, o protagonismo das lutadoras femininas em suas fileiras.

Desde a Segunda Guerra Mundial, guerrilhas femininas fizera parte de lutas armadas ao redor do mundo. Mesmo a maior parte dos grupos militantes alistaram mulheres pois precisavam de soldadas, não porque desejaram empoderar as mulheres, e poucos tem priorizado tanto a igualdade das mulheres como os curdos da Turquia e da Síria.

A ênfase do Rojava sobre o papel de liderança das mulheres, no entanto, não se limita ao plano militar. Isso é definido pelos Curdos Sírios como uma visão societal mais ampla. Quarenta por cento dos membros da sociedade civil ou de qualquer órgão social em Rojava têm que ser de mulheres. Da mesma forma, todos os órgãos administrativos, projetos econômicos e organizações da sociedade civil são obrigadas a ter homens e co-presidentes do sexo feminino. Embora o Partido da União Democrática (PYD) seja dominante em Rojava  e os curdos são a maioria da sua população, Rojava é o lar de uma série de outros partidos políticos e etnias. É a única sociedade em sua região, que baseia-se nos pontos fortes de toda a sua população. Como é que as mulheres conseguiram ganhar tanto poder no meio de uma guerra pela sobrevivência?

Uma exceção regional

A história começa na Turquia em 1978, quando o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) foi fundado para criar um Estado independente curdo. Nos primeiros anos de sua insurgência contra o governo turco, o PKK foi dirigido principalmente por guerrilheiros do sexo masculino. Mas isso mudou na década de 1990. Quando a resistência civil curda mais ampla emergiu nas cidades turcas e os ativistas curdos  começaram a pressionar para ter um partido de representação no parlamento, o Partido Trabalhista Popular (HEP). Em ambos os empreendimentos, as mulheres serviram como líderes. Leyla Zana, uma ex-integrante do HEP, continua atuando no parlamento da Turquia.

Em 1993, de acordo com a jornalista Aliza Marcus, um terço dos novos membros do PKK eram mulheres; muitas delas recrutadas por Sakine Cansiz, uma de suas fundadoras.

Em 1995, o PKK formou um exército de mulheres, que agora é chamado de YJA-Estrela. A resolução que cria o exército deixou claro que iria servir como um modelo para outras organizações de mulheres “em todos os setores da economia, todas as instituições sociais, e até mesmo no campo da cultura.” A decisão foi particularmente notável pelo fato de que, na área rural do Curdistão, a subordinação do pensamento dass mulheres, tal como as práticas misóginas como os chamados assassinatos de honra,  reclusão imposta, e os casamentos de crianças tinham sido a norma. Para muitas mulheres curdas, deixar suas famílias para se juntar a um grupo insurgente foi uma enorme ruptura com a tradição patriarcal. Mulheres guerrilheiras foram pioneiras do movimento de libertação das mulheres como uma sociedade dentro da sociedade  curda.

Alguns dos líderes de Rojava, tais como os co-presidentes do PYD: como o Salih Muslim, foram originalmente membros sírios do PKK, e muitos dos ideais que têm sido postos em prática em Rojava foram testados na Turquia. Desde a fundação do PYD em 2003, a libertação das mulheres tem sido parte do programa do partido. Tal como na configuração da Estrela-Yekitiya, seu braço de organização para as mulheres, em 2005. Em 2012, como o presidente da Síria, Bashar al-Assad retirou suas tropas da maior parte do norte da Síria e dos cantões, Rojava tornou-se efetivamente autônoma e os membros do PYD começaram a se organizar de maneira mais vigorosa, tornando a defesa das mulheres uma parte integral de sua guerra contra o ISIS. A organização logo começou a recrutar novos membros de outros grupos étnicos da região, tratando de incluir assírios, árabes e Yezidis.

O grupo que mudou seu nome para Estrela de Kongreya no início deste ano, se descreveu como uma organização guarda-chuva para o movimento das mulheres de Rojava. Em nível local, a Estrela de Kongreya compreende um número de organizações, conhecidas como a comuna das mulheres, que operam em paralelo às comunas de sexo misto, que organizam tais assuntos como a alocação de energia e o uso do espaço público. O foco das comunas de mulheres sobre a violência doméstica, casamento forçado, e saúde das mulheres e programas econômicos, entre outras coisas; em muitos casos, podem se sobrepor aos seus parceiros organizacionais de sexo misto. Estrela de Kongreya no nível mais alto organiza comitês em cinco áreas: educação, especialmente educação de adultos e aulas de literatura; saúde pública, incluindo clínicas especializadas para mulheres; economia, incluindo a manutenção de cooperativas; resolução de disputas em comunidades, que inclui mediação e manutenção de abrigos para vítimas de violência doméstica; e defesa de cidadãos, que é central para a plataforma do PYD e especialmente para Estrela-Kongreya. Há três forças de defesa de mulheres em Rojava, a YPJ, que luta contra inimigos externos tais como o ISIS; as forças de segurança locais; e as forças de defesa civil atreladas às comunas, que lidam com a segurança da vizinhança, incluindo casos de violência contra as mulheres.

Autonomia e democracia

O crescimento da influência de mulheres na Rojava é parte central da transformação mais ampla da política curda ali e na Turquia. Ao contrário dos curdos iraquianos, os curdos sírios e turcos afastaram-se do nacionalismo. Eles buscam autonomia local ao invés de um arranjo federal. A ideia de longo prazo é a de assegurar a democracia, constituições democráticas que garantam uma autonomia local extensiva e protejam os direitos humanos. (Esta mudança foi executada em paralelo com a evolução ideológica do líder do PKK preso Abdullah Ocalan, um antigo militante que agora é um defensor do que ele chama de Confederalismo Democrático.)

À luz da atual turbulência da região, a visão de Rojava para uma feminista, de uma sociedade diretamente democrática, pode parecer irrealista.

No entanto, o fracasso das negociações para acabar a guerra civil síria mostrou a capacidade limitada da diplomacia para pôr fim a conflitos inflamados por atores não-estatais e financiados por potências externas, e em décadas recentes, tem havido alguns modelos políticos nas cercanias do Curdistão que oferecem muito mais uma promessa para o igualitarismo e paz como a que os curdos chamam de autonomia democrática.

Até agora, os Estados Unidos têm tratado os curdos sírios como um aliado militar de curto prazo e dado a eles apoio militar, mas não apoio político ou econômico ostensivos; Washington não insistiu para eles tomarem parte nas conversações de Genebra para acabar com a guerra na Síria. Esta abordagem é um erro. Desde os anos 1990, os Estados Unidos tem se posicionado como um defensor das mulheres e minorias sexuais. Os curdos sírios estão praticando uma forma de democracia que consagra a igualdade de género e se opõe noções de soma zero de étnico e direitos nacionais. Dado os compromissos que assumiu, os Estados Unidos deveriam estar dispostos a apoiar esses fins.

lead-Meredith-TaxMeredith Tax é escritora e ativista política desde o final da década de 1960, foi membro do Bread and Roses, fundadora presidente da Comissom Internacional de Mulheres Escritoras do PEN, presidente fundadora de  Women’s WORLD, e co-fundadora do Centre for Secular Space. Os seus últimos livros som Double Bind: The Muslim Right, the Anglo-American Left, and Universal Human Rights e A Road Unforeseen: Women Fight the Islamic State.

Esse artigo foi primeiramente publicado no website Foreign Affair e tem sido reproduzido com a permissão da autora.

Tradução ao português: Comitê de Solidariedade à Resistência Popular Curda – RJ

Esse artigo expressa a visão da autora e não necessariamente está de acordo com os Comitês de Solidariedade à Resistência Popular Curda.

 

Os curdos sírios precisam mais que armas: apoio político

lewis_syrian_kurdish_fighters_850_571Fornecendo armas sem apoio diplomático, os EUA correm o risco de aumentar as tensons na Turquia e Síria.

Por Patrick Lewis

A administraçom Obama está considerando um plano para armar mais os curdos -quem muitos em Washington chamam “o nosso parceiro mais eficaz no terreno” na Síria-a fim de incentivar a participaçom curda em umha próxima ofensiva contra o ISIS em Raqqa. Duas semanas atrás, o Chicago Tribune publicou um editorial apoiando este plano -no título proclamou isso como “Primeiro Passo” para “a Estabilidade de Síria.” E nos debates presidenciais, incluso, Hillary Clinton tem defendido um plano semelhante a noite passada.

Expulsar o ISIS de Raqqa, a maior cidade da Síria sob o control do grupo e a sua capital auto-declarada, tem sido o objetivo militar principal dos EUA na Síria desde o início da sua intervençom em 2014. Raqqa tem agora (nas mentes dos líderes políticos e militares dos EUA, polo menos) umha grande importância simbólica na guerra contra o ISIS. Assim nom é nengumha surpresa quando o Tribune declara que as muitas complicaçons e perigos de enviar ainda mais armas para os curdos podem ser deixadas de lado: “O que é importante agora é a derrubada do Estado Islâmico de Raqqa.”

Mas em chamar para mais carregamentos de armas para Síria sem qualquer semelhança a um plano para umha soluçom política a 5 anos de conflito nem o ainda mais o conflito entre a Turquia e os curdos -o Tribune está reforçando os piores aspectos da política dos EUA na regiom. Esta política continua a sestar excessivamente focada em alcançar vitórias militares de curto prazo à custa de acordos políticos de longo prazo, sem a qual umha paz duradoura é impossível. Além do mais, esta política irá quase certamente nom conseguer atingir até mesmo os objetivos limitados que se propôm, ou seja, a captura de Raqqa.

O que é necessário é o diálogo em torno das exigências curdas de um sistema federal na Síria (com autonomia local para os curdos e outras minorias); sem isso, as armas simplesmente vam privilegiar umha soluçom militar mais que a diplomática. Provavelmente vai reforçar as facçons mais combativas e radicais entre a liderança curda enquanto continua a marginalizar muitos dos líderes políticos e da sociedade civil mais responsáveis polas experiências em curso na democracia participativa radical que inspiraram admiraçom tanto de esquerdistas como liberais ocidentais.

Aldar Xelil, um membro do comitê executivo do TEV-DEM (uma organizaçom guarda-chuva que coordena grupos da sociedade civil na Rojava), fai questom similar em umha entrevista recente. Quando perguntado sobre a promessa de Clinton durante os debates para armar os aliados árabes e curdos da América na Síria, Xelil respondeu: “Claro que é importante dar apoio às forças curdas. No entanto, este apoio nom pode ser limitado a ajuda militar. Qualquer apoio que será o passo seguinte deve ser fornecido em todas as áreas; ou seja, deve ser um apoio político, diplomático, económico e social.”

Xelil cita a exclusom sistemática do PYD -o partido curdo predominante em Rojava- das conversaçons de paz de Genebra sobre a Síria. Umha percepçom cada vez mais comum em Rojava é que a América tem bloqueado repetidamente a participaçom do PYD nestas conversaçons em deferência ao seu aliado da OTAN: Turquia. (O PYD é um aliado próximo ao Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), que trava umha insurgência de três décadas contra o Estado turco no Sudeste do país.)

No final de agosto, os EUA deram o seu apoio à incursom transfronteiriça da Turquia para a Síria, para atacar o ISIS até o sul de Jarabulus. No entanto, é amplamente reconhecido (incluindo o próprio Presidente Turco Erdogan) que os curdos e os seus cantons autónomos de Rojava também eram um objetivo primário. Assim, nom foi umha surpresa para ninguém que em poucos dias de intervençom da Turquia, as Forças Democráticas Sírios (SDF) estiveram luitando com os soldados turcos ao sul de Jarabulus.

O Tribune afirma que a Turquia pode ser consolada por umha promessa dos EUA de que “os curdos nom estariam recebendo artilharia pesada, so armas ligeiras e muniçons.” Isso é totalmente absurdo, e como um insulto à inteligência dos curdos sírios -tanto como é para a Turquia. Mais as armas sem diplomacia no norte da Síria correm o risco de inflamar as tensons ainda mais tanto em Síriacoma na Turquia, onde o governo tem vindo a empreender umha nova “guerra suja” contra a sua própria povoaçom curda. Dúzias de milheiros de pessoas foram deslocadas e bairros inteiros deixados em ruínas, enquanto o governo americano se mantivo praticamente em silêncio.

Os combates travados na Turquia vinherom depois de um processo de paz de vários anos entre a Turquia e o PKK que se desfixo no verao passado, em grande parte devido as tensons sobre os ganhos dos curdos na Síria. Isto é em parte culpa dos Estados Unidos, quem nom conseguiu ver como a sua política de apoio militar às SDF estava desestabilizar o processo de paz na Turquia.

Nom só a Turquia está descontente, se os curdos recebem mais armamento dos EUA, mas nom há nengumha evidência de que os curdos queiram chegar a isse acordo tampouco. Enquanto os Estados Unidos nom estam dispostos a empurrar a Turquia em direçom a um acordo global com os partidos curdos na Turquia e Síria, é perfeitamente irracional esperar que os curdos enviem os seus luitadores a Raqqa (onde centos poderiam morrer) so em troca de ” armas ligeiras e muniçons.”

Na verdade, no final de agosto, Asya Abdullah, a co-presidente do PYD, anunciou que nom haveria nengumha operaçom curda contra Raqqa enquanto a incursom da Turquia na Síria continuara.

Da mesma forma, ainda no mês passado, Polat Can, o representante oficial das YPG (o grupo dominante nas SDF) descartou explicitamente a participaçom do grupo em umha operaçom desse tipo desde que os EUA e os seus aliados ocidentais continuaram a negar o reconhecimento para o projecto político dos curdos em Rojava. “Nom somos um grupo paramilitar”, dixo-lhe ao jornalista de Washington Mutlu Civiroglu. “Nom podemos dizer ao nosso povo que nos deixe ir e luitar, sacrificar muitos de [nossos] homens e mulheres jovens [e] entom nom termos o direito de falar. Nosso povo nom vai aceitar isso e ninguém aceitaria isso.”

E depois de uma recente visita ao líder preso do PKK Abdullah Ocalan -umha das principais influências e figuras simbólicas por trás dos recentes acontecimentos políticos de Rojava- o irmao de Ocalan dixo que Ocalan pensa que a atual política dos EUA para Rojava tem o objetivo de enfraquecer a Turquia e os curdos sírios, jogando as duas umha contra a outra.

“Se os Estados Unidos nom queriam que [Turquia] “fôsse a Síria, teria dito Ocalan, “Turquia nom teria ido para a Jarabulus”. Na estimativa de Ocalan (e na estimativa de muitos dentro da liderança curda em Rojava ), os EUA é mais de conteúdo para usar os curdos como umha peça de negociaçom nas suas tentativas de controlar o governo de Erdogan e fortalecer a sua própria posiçom na Síria, ao mesmo tempo apoiando aos combatentes curdos para ganhar pontos de publicidade muito necessários na sua batalha contra o ISIS.

Independentemente das suas reais intençons, o duplo jogo da América na Síria nom está enganando ninguém. Nom pode continuar a apoiar às duas partes em conflito através de um foco míope na sua guerra contra o ISIS. Se nom conseguir encontrar umha soluçom política para o conflito, um conflito turco-curdo que tem ignorado durante décadas- mais sucessos militares contra o ISIS serám praticamente impossíveis.

Na ausência de um esforço diplomático sério para levar a Turquia e o PKK de volta à mesa de negociaçons e medidas reais em direçom a algumha forma de reconhecimento para o projeto político dos curdos em Rojava, a crise no norte da Síria só vai aprofundar ainda mais, abrindo a porta a umha ainda maior conflagraçom regional. OS EUA nom deveriam derramar mais gasolina no fogo.

 

Patrick Lewis é um estudante de Doutoramento de antropologia da Universidade de Chicago que trabalha na Turquia e o Curdistam.

Publicado em in the times.

 

Analisando as YPG: Operaçons e estratégias como Defensores de Rojava

analissando-as-ypgpor Wladimir van Wilgenburg

As YPG (Unidades de Protecçom do Povo curdas) é a força mais eficaz no terreno na Síria luitando o ISIS (Estado Islâmico). Seu sucesso contra o ISIS significa que o “califado” está lentamente entrando em colapso. Apesar do enorme papel que as YPG jogam, pouco se sabe sobre a estrutura e as capacidades do grupo que em 2012 capturou a maioria dos territórios curdos no norte da Síria.

As YPG conseguirom ganhar o apoio da coalizom liderada polos EUA contra o ISIS durante a sua defesa da cidade curda de Kobane em 2014-2015. Desde o assédio de Kobane, os curdos sírios ganharom ainda mais simpatia e apoio do Ocidente como um dos poucos grupos dispostos e aptos para derrotar o ISIS.

Ao contrário dos rebeldes árabes sírios, as YPG nom estám dispostas a trabalhar com islâmistos que som apoiados por Estados sunitas da regiom. As YPG seguem a chamada terceira linha: nom apoiar a oposiçom nem o regime sírio, já que ambos rejeitam qualquer forma de direitos dos curdos. Como resultado, chocam tanto com o regime, como também com os rebeldes sírios.

Contexto

Os três a quatro milhons de curdos sírios nom tinha nengumha experiência da insurgência armada na Síria contra o regime Ba’ath até a guerra civil. Eles nom tinham um partido curdo independente sírio forte e, como resultado, eram dependentes tanto do KDP (Partido Democrático do Curdistam) que focava a luita contra o Estado iraquiano ou o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistam) que luita em Turquia.

Como resultado, muitos curdos sírios juntarom à luita como forças Peshmerga em 1960 e 1970 no Iraque, ou com o PKK contra o Estado turco desde a década de 1980. O regime de Assad por alguns anos concedeu refúgio ao PKK na década de 1990 até que Assad restaurou os seus laços com a Turquia. O uso das bases sírias e libaneses do PKK ajudou a construir o apoio entre os curdos na Síria. O PYD (Partido da Uniom Democrática), ligado ao PKK, foi criada na Síria no 2003.

Portanto, tanto o KDP e o PKK tinham umha base de apoio no norte da Síria e ambos começarom a desempenhar um papel através dos seus representantes e partidos curdos mais pequenos quando o regime Baath sírio perdeu o control sobre grandes partes do norte da Síria em 2012.

A ideia inicial do PKK para formar as YPG iniciou-se no 2004, após o regime sírio reprimiu a revolta curda naquel ano. Grupos de auto-defesa das YPG forom formados mais adiante no 2011 e começou a organizar-se clandestinamente nas cidades curdas.

Primeira Fase

Quando a sede da segurança nacional do regime sírio em Damasco foi bombardeada o 18 de Julho de 2012, matando muitos agentes importantes de segurança, o PYD / YPG viu umha oportunidade e, o 19 de julho, iníciou o que eles descrevem como a “revoluçom de Rojava”. Primeiro tomarom o control de Kobane desde que era umha “fortaleza” do PKK sem presença de forças do regime. A cidade de Afrin foi igualmente tomada rapidamente, mas a província de Hasakah foi mais difícil devido à presença de forças do regime.

A libertaçom progrediu em três etapas: em primeiro lugar, tendo como objetivo o regime nas aldeas que actuavam como bases avançadas das YPG; segundo, confiscando as instituiçons de serviço do regime, tais como centros de electricidade, água e juventude; e terceiro, assumindo as sedes militares, espalhrom-se sobre toda a província, exceto a cidade curda de Qamishli, onde as forças do regime permanecem até hoje.

Como resultado de umha posiçom dominante no chao polas YPG, outros grupos curdos sírios alinhados com o KDP de Massoud Barzani forom marginalizados. Barzani apoiou a criaçom das forças ” Peshmerga de Rojava ‘no Curdistam iraquiano em 2012, que agora luitam na província de Mosul contra o ISIS, mas as YPG nom lhes permitirom entrar em Rojava ao temer umha guerra civil semelhante ao do Iraque curdo na década de 1990 e nom querem a concorrência dos curdos de Barzani.

Segunda Fase

Após a YPG assumiu o control da maior parte dos três enclaves curdos de Kobane, Afrin e Jazira (Hasakah), e assegurou a cidade de Serekaniye (Ras al-Ayn) em 2013, as auto-administraçons locais forom criadas para organizar a administraçom em três cantons separados em janeiro de 2014. Após isso, o principal objetivo das YPG era unir esses cantons em um território contíguo no norte da Síria.

As YPG também moveu-se para recrutar nom-curdos e trabalhar com tribos árabes locais e grupos cristians. Isto resultou, em setembro de 2014, em uma sala de coordenaçom conjunta com o FSA (Exército Livre Sírio) em Kobane. Receando essa coordenaçom receberiam apoio dos EUA, o ISIS assediava Kobane em setembro de 2014, mas foi derrotado lá em Março de 2015. Em Junho de 2015, as YPG empurrado mais e uniu os cantons de Kobane e Jazira, com o apoio dos Estados Unidos, através da captura de Tel Abyad. A avançar este movimento, as YPG criou a multi-étnica SDF (Forças Democráticas da Síria) em outubro 2015.

O objetivo das YPG agora é unir todos os cantons com as SDF, e configurar umha regiom federal no norte da Síria e Rojava, num prazo de três meses. Em maio de 2016, as SDF lançarom umha nova operaçom, com o apoio dos EUA a tomar a cidade estrategicamente crítica de Manbij. Com esta operaçom que foi concluída o 12 de agosto, as YPG esperavam unir as suas administraçons através de Manbij e al-Bab cara Afrin.

Consideraçons Finais

Parece que a Turquia fixo acordos com o Iram e Assad para parar a criaçom de umha regiom federal no norte da Síria.

O PYD conseguiu ganhar umha posiçom dominante no norte da Síria através das YPG, enquanto os partidos ligados ao KDP estam marginalizados no chao. As YPG conseguirom dominar rapidamente, devido ao planejamento cedo, Rojava, enquanto os partidos apoiados por Barzani nom estavam preparados, e inicialmente apoiarom ‘a revoluçom síria pacífica “. As YPG forom formadas antes dos Peshmerga de Rojava, e já se tornarom em autoridade de facto no terreno. Foi também mais arriscado para Barzani envolver-se na guerra civil síria, tendo que proteger a regiom autônoma do Curdistam no Iraque.

As forças das SDF acabam de derrotar o ISIS em Manbij, mas a questom é se a coalizom liderada polos EUA permitirá que as SDF marchem sobre mais cara Afrin, ou se vam empurrá-los para se concentrar em Raqqah, onde os curdos som relutantes a ir. Além disso, a intervençom da Turquia, na cidade de Jarabulus no último mes visa prevenir a unificaçom das auto-administraçons locais no norte da Síria. Parece que a Turquia fixo acordos com o Iram e Assad para parar a criaçom de umha regiom federal no norte da Síria e apoia os rebeldes sírios a tomar Jarabulus. Isto poderia criar mais desafios para as YPG. No entanto, é evidente que as SDF seram um parceiro fundamental de Ocidente, atee que a ameaça do ISIS exista na Síria.

 

Wladimir van Wilgenburg é um analista da política curda para Jamestown Foundation e jornalista freelance. Está atualmente em Qamishli, Rojava, norte da Síria, realizando um projecto de investigaçom sobre os curdos sírios para o Instituto Iraquiano de Estudos Estratégicos (IIST), financiado polo International Development Research Centre (IDRC). He tweets at @vvanwilgenburg.

 

Publicado em The London School of Economics and Political Sciences.

 

 

A incursom em Síria significa a Guerra perpétua da Turquia contra os Curdos

vinheta01Por Hawzhin Azeez

Nas últimas horas informaçons emergerom que o exército turco está bombardeando a aldeia de  Til-Emarne (al-Amarne) de Jarablus com fogo de artilharia e avions e também ataca às SDF em Ain Diwar (leste de Rojava) e Afrin (oeste Rojava). Fontes curdas relatarom que dúzias de civis foram feridos e mortos. A incursom da Turquia na Síria já confirmou o que muitos pensavam que era, umha agressom contra os curdos.

A propaganda pro-turcaa é abundante, afirmando que Jarablus foi “libertada” polo exército turco sem derramamento de sangue, em oposiçom às “YPG” – o que implica que as YPG som um exército invasor e selvagem que mata e assassina pessoas inocentes desnecessariamente, em oposiçom ao mais “legítimo” exército turco. Mas a realidade é que nom houvo “luita” para libertar Jarablus porque claramente havia um acordo entre o ISIS eTurquia. A relativa facilidade com que a Turquia tomou Jarablus suscitou importantes questons estratégicas e políticas. Por que combateu o ISIS tanto para manter Kobane ou Manbij mas nom Jarablus? Por que atravancarom-se, pugerom centos de minas e armadilhas em toda Kobanê e Manbij, perderom milheiros dos seus combatentes envolvidos em umha guerra de guerrilha e luitarom pola território casa por casa, rua por rua, mas nom há sinais das suas estratégias em Jarablus? Por que abandonarom tam facilmente e sem derramamento de sangue Jarablus?

Talvez a resposta pode ser encontrada em que os combatentes do ISIS forom vistos simplesmente trocando as suas roupas polos ‘uniformes’  dos geupos que apoia Turquia?

Seja qual for a verdade, a este respeito, a realidade é, o cerne do acordo ISIS eTurquia foi que após a perda espetacular de Manbij,  estrategicamente era melhor permitir que Turquia controlara Jarablus, o que efetivamente cortaria a possibilidade de uniom entre os cantons de Kobane e Cezire com o cantom de Afrin e estabelecer a “zona tampom” que a Turquia levava tempo procurando. Deixando nesse processo que o ISIS se recupere e contine os seus ataques em Afrin, no leste e sul do cantom de Kobane e em Cezire, o sudoeste de Rojava, norte da Síria. Esta estratégia também envolve o aumento de ataques suicidas e carros-bomba em Cezire, enquanto a inexistência de um corredor humanitário imposto pola Turquia e apoiado polo governo de Barzani na KRG (norte do Iraque) assegura um ambiente de pressom para as zonas autônomas assediadas.

Agora, existem sugestons de que a Turquia e os seus co-conspiradores estam decididos a “libertar” Manbij utilizando a presença das YPG como um pretexto para a guerra -quando é bem sabido que as YPG deixarom a cidade, so os conselhos locais das Forças Democrâticas da Síria e o Conselho Militar de Manbij, composto por luitadores locais quedarom lá. Este processo descarrila eficazmente o argumento de que os curdos estam “apropriando terras”, por nom mencionar que as Forças Democráticas da Síria (SDF) tenhem um grande número de árabes e outros grupos etno-religioso que se juntarom na libertaçom das cidades sob o control do ISIS, e os quais forom os responsáveis da libertaçom de Manbij.

Mas a história se repete novamente, entom pretensa guerra da Turquia sobre o ISIS na Síria com o nome de “Escudo do Eufrates”, é simplesmente umha tentativa mal disfarçada para atacar os curdos, como foi o caso no ano passado, quando em vez de atacar o ISIS atacou o PKK nas montanhas de Qandil no Curdistam do Sul. Naquela época, também os EUA tinham combinado com os curdos para o acesso à base militar de Incirlik (Adana). Mas agora as implicaçons geoestratégicas desta incursom na Síria som muito maiores do que o conflito turco-curdo. Aludindo a isto, o primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, afirmou que a invasom da Síria basea-se em “defender a integridade territorial da Síria” – mas o governo de Assad condenou fortemente a incursom como umha clara violaçom da sua soberania; pois reflete as aspiraçons crescentes da Turquia para a liderança e hegemonia regional.

A ascensom do neo-otonomanismo da Turquia foi apoiado pola absoluta incapacidade da Europa em lidar com o fluxo de pessoas na Europa, resultando, paradoxalmente, no fluxo de milheiros de milhons de euros cara Turquia para “parar os refugiados”. À vez, a Turquia respondeu transportando os refugiados de volta a território sírio, atirando, matando, e batendo nos refugiados na fronteira com a Síria. Ainda mais paradoxalmente, os EUA ajudarom e incitarom a Turquia na sua invasom e violaçom da integridade territorial da Síria e a entrada em Jarablus com apoio aéreo, apesar do feito de que a Turquia tem sido aliada com a filial de Al-Qaeda, Jabhat Fatah al-Sham (antes Al Nusra) e o ISIS na Síria e Turquia. A recente visita de Joe Biden e as declaraçons de começos desta semana em apoio da Turquia aludiu à presença da Turquia na Síria sendo umha idéia a longo prazo. A consequência resultante era umha invasom apoiada polos EUA de Jarablus, quando menos de umha semana antes os EUA estavam a fornecer apoio aéreo para a libertaçom de Manbij às SDF. Enquanto isso pode ser visto como umha mensagem clara dos EUA aos curdos, esta mudança de aliança também deve ser vista como um lembrete oportuno para que os curdos mantenham a integridade ideológica e militar e continuem nom alinhados com qualquer umha das partes em conflito.

A invasão do Jarablus é também um reflexo da recente reforço do poder político de Erdogan e o seu controle do país após a recente tentativa fracassada de golpe. Os EUA tem recompensado a Erdogan pola enorme purga de militares e civis que ocorreu e reafirmou o férreo control sobre o país, fornecendo cobertura aérea para a sua invasom da Síria. Os EUA estam alinhando-se claramente com a autocracia de Erdogan, talvez em umha tentativa equivocada de controlar a situaçom na Síria, evitando “soldados em território inimigo”, um erro que fjá cometeu na invasom do Iraque em 2003 e que lhe custou muito em diversas maneiras .

Mas os EUA está muito enganado se acredita que pode manter umha guerra delegada na Síria e controlar o regime cada vez mais inestável de Erdogan. O visível envolvimento de Iram, Arábia Saudita e os seus estados aliados menores complica mais a situaçom geopolítica. Do mesmo modo, a UE permanece completamente paralisada desenrolar umha abordagem coerente e concisa em relaçom à Turquia, nom só à luz da recente invasom, o tratamento cada vez mais abusivo dos refugiados na Turquia, mas também as violaçons dos direitos humanos contra as minorias, como os curdos, alevitas e outros, que estam ocorrendo na Turquia.

Em vez de conter a Turquia e apoiar continuamente aos curdos e as Forças Democráticas da Síria (SFD , nas suas siglas em inglês, umha combinaçom de árabes, curdos, armênios, assírios e outros grupos étnico-religiosos), na luita e rejeiçom do ISIS – algo que tenhem feito com sucesso- os EUA ea UE continuam a mostrar fraca vontade, escolhendo o que parece ser a  realpolitik sobre a política ética e democrática. No entanto, esta abordagem é questionável, considerando a ampla opiniom pública global e o feito inegável que, até à data, forom as forças mais bem sucedidas na eliminaçom do ISIS, mas também na criaçom de regions pacíficas, inclusivas e democráticas.

O que está claro é que os curdos estaram em um estado de guerra perpétua para os tempos vindouros, tanto se o conflito inclui a Turquia, o ISIS ou as suas outras filiais, a Assad, ou a todos simultaneamente. Parece que a situaçom de paz para os curdos passou a significar um estado perpétuo de resistência e auto-defesa. Mas se há umha cousa que o último ano tem demonstrado, é que os curdos som muito bons na arte da guerra e na auto-defesa. Sem mencionar que nos últimos anos o terrorismo de Estado e os abusos contra os curdos já nom podem permanecer ocultos, o que levou a umha condena crescente do terrorismo de Estado da Turquia e o apoio ao regime polos EUA e a UE. Isto, combinado com o suporte global visível para as forças curdas e as SDF na sua heróica resistência contra o ISIS asseguram um interesse internacional contínuo e a visibilidade da questom.

O que está claro é o próximo movimento na Turquia: a invasom e desestabilizaçom de Rojava com ataques contra o três cantons e “recuperar” o território para os seus aliados islamistas. A açom militar e estratégica mais difícil dos curdos ainda está por vir.

Hawzhin AzeezHawzhin Azeez tem um doutorado em Ciência Política e Relaçons Internacionais. Ela é defensora dos direitos das mulheres e dos refugiados. Está atualmente trabalhando na reconstruçom de Kobane através do Conselhode  Reconstruçom de  Kobane.

Publicado originalmente por Kurdish Question.

 

 

Por que nom devemos abandonar os curdos

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Celebraçom do Dia Internacional da Mulher, Qamishli, Rojava / Joey L (c)

Por Will TG Miller

Os curdos do norte da Síria sofrerom imensamente ao longo da história. Autóctonos da regiom nunca tiverom concedido qualquer nível significativo de autonomia ou auto-governo. Durante toda a existência da República Árabe da Síria, mantiverom o status de um dos grupos mais marginalizados, de acordo com Minority Rights International, e também forom sujeitas a níveis de detençom chocantes arbitrários, e tortura aprovados polo governo, e a apropriaçom ilegal dos seus bens.

Esta foi a pior sob o pan-arabismo durante o regime de Hafez al-Assad. Um relatório da Chatham House detalha a gravidade da situaçom; a língua curda foi proibida em público, e o seu uso, bem como a música e publicaçons curdas, eram estritamente ilegais. No entanto, pouco mudou, mesmo depois de que Assad herdasse o trono no 2000, em detrimento da minoria curda.

Isso fai que o recente ressurgimento dos curdos no quadro da mesma Síria, que reprimiu qualquer expressom de identidade curda, muito incrível. A regiom autônoma de Rojava veu a existir em 2013 conforme as milícias curdas regionais formadas após o Exército Árabe da Síria evacuaara rapidamente vastas áreas de território em face das bandas de terroristas islâmicos, bem como outras organizaçons mais importantes, como a FSA, Jabbhat Al Nursa, e o ISIS. As milícias curdas assumirom a infra-estrutura governamental e militar deixadas para trás quando os Assadistas evacuarom.

Rojava tivo pouco tempo para se alegrar na sua independência nominal da Síria, umha vez que foi imediatamente atacada de todas as direcçons. Os ataques de grupos terroristas dentro da Síria continuou, e as pessoas de Rojava encontrarom a sua determinaçom testada na longa e sangrenta batalha de Kobanî. A vitória improvável adquirida pola ala militar do governo de Rojava, as YPG, foi à custa de muitas vidas de civis mortos por carro-bomba e bombardeios indiscriminados polo ISIS. Apesar das perdas, a derrota do ISIS sublinhou a determinaçom dos curdos de Rojava para o mundo e mostrou que eles nom iam renunciar à sua independência há muito desejada tam facilmente.

Desde entom, no entanto, parece que, embora a situaçom tem a concluir só que a pior. Apesar do feito de que Salih Muslim, co-presidente do PYD, tem declarado repetidamente que o governo de Rojava nom busca a independência da Síria, e em vez disso procura manter o seu estatuto de umha regiom autónoma semelhante ao Curdistam iraquiano, o governo sírio tem efetivamente cortado os laços com a regiom e recusa a conceder-lhe ajuda militar, econômica ou qualquer outra. Isto é apesar das repetidas aberturas de Muslim para o governo sírio e declaraçons de apoio contra os grupos islâmicos que fazem umha guerra terrorista contra as duas entidades.

A partir da sua fronteira norte com a Turquia, Rojava está sob ataque constante. O governo turco afirmou a sua intençom de nom aceitar qualquer tipo de entidade autônoma curda dentro Síria, independente ou nom, e levarom a cabo ataques regulares de bombardeio contra alvos civis a fim de enfraquecer a vontade do povo curdo. Estes ataques intensificarom no início deste ano, à frente da força oficial de invasom, que entrou no Curdistam sírio em agosto.

Assim, o incipiente governo regional de Rojava encontrou-se luitando umha guerra em três frentes; contra o o ISIS, contra a Turquia, e às vezes até mesmo contra o governo sírio. Apesar das repetidas tentativas de umha paz significativa, este estado de hostilidades diretas tem visto pouca mudança nos últimos anos. Enquanto os EUA se envolveu em lançamentos aéreos esporádicos para ajudar a Rojava nos últimos dous anos, a sua assistência (e promessas de ajuda) tem sido evasiva e indecisa. A Rússia, por outro lado, tem-se revelado um aliado muito mais eficaz, permitindo às YPG chamar por ataques aéreos identificando posiçons, dando-lhe algumha superioridade aérea muito necessária na luita contra o ISIS e outros grupos terroristas.

No entanto, qualquer apoio dado pola Rússia – em outras palavras, qualquer apoio substancial -tem sido constantemente prejudicado por Ocidente em cada turno. O ex-secretário de Relaçons Exteriores britânico Philip Hammond dixo no início deste ano que estava “perturbado” com os relatos de ajuda russo para as forças curdas no norte da Síria, pouco antes dos britânicos juntaram-se aos americanos em chamar os russos para ‘sair’ da Síria. No entanto, eles nom fornecem nengumha alternativa eficaz, condenando a Rojava à extinçom nas maos de Turquia e o ISIS.

O comportamento dos Estados Unidos tem sido particularmente perturbador. Após a tentativa separatista de Kosovo nos Balcás, os EUA enviaram a sua força aérea para deixar cair umha quantidade surpreendente de bombas sobre a Sérvia, a fim de garantir a independência do estado incipiente. Assegurar os direitos humanos do povo do Kosovo e impedir o genocídio estavam entre as razons usadas para legitimar esta campanha. Diante disso, as açons norte-americanas na Síria som difíceis de racionalizar. Elas som inconsistentes, nom só com as suas decisons anteriores ao enfrentar circunstâncias similares, mas também com a ideia da América como umha naçom em busca de manter a ordem internacional, evitar o genocídio e os crimes contra a humanidade, e garantir a paz no mundo.

Os Estados Unidos e a Gram-Bretanha optarom por ver Rojava e de feito o povo curdo nom como qualquer outra naçom ou merecedor das liberdades fundamentais, os direitos humanos, e direito às normas mínimas de dignidade, mas em vez disso como peons em umha espécie retorcida de Grande Jogo que está sendo jogado por políticos de Washington contra a Rússia de Putin. Como peons, os curdos estam a ser utilizados quando é conveniente e descartados quando se tornam um inconveniente. E dada a resposta silenciosa dos EUA à invasom turca de Rojava no mês passado, parece ser o caso que o ‘inconveniente’ está aumentando.

Cada vez mais, as vozes de políticos ocidentais, grupos de reflexom e os chamados “analistas políticos” parecem estar a aumentar. A condenaçom das instituiçons de Rojava polos ocidentais é cada vez mais dura. Eles criticam a regiom autónoma por nom ser plenamente democrática, apesar do fato de que está envolvida em umha guerra com os adversários genocidas cujo objetivo é nom só a destruiçom da estrutura administrativa, mas também do povo curdo como um todo. Eles exigem que o governo cesse a sua política de recrutamento, ignorando o conflito existencial, e ao mesmo tempo nom oferecendo absolutamente nada em termos de umha alternativa.

Claro, algumhas críticas sobre o governo e as forças armadas de Rojava som legítimas. Há algumhas evidências que sugerem que aconteceu em algumha ocasioom o recrutamento de menores de 18 anos, apesar de ser ilegal sob as leis de Rojava. Há também razons para criticar a estrutura do governo e o domínio total do PYD à custa de outros partidos.

Mas essas críticas estam ultrapassando nas suas conclusons. Sugerem que, desde que existem problemas como esses, o Ocidente deveria abandonar os curdos sírios aos lobos.

A fazer isso seria desastroso. Nom só seria fortalecer o Estado Islâmico, a posiçom totalitária do governo Assad, mas também umha Turquia cada vez mais islâmista e autocrática. Isso representaria umha grave traiçom das promessas anteriores de apoio feita aos curdos, e, assim, fazer que os EUA a sofrer um golpe enorme ao seu prestígio internacional. Mas o mais importante, constituiria umha traiçom dos princípios que nos som tam caros; os dos direitos humanos universais, o direito internacional e o princípio da auto-determinaçom, conforme descrito na Carta da ONU.

Abandonando os curdos nom imos ganhar nada e reforçariamos os nossos inimigos. Devemos apoiá-los contra os nossos inimigos mútuos como a única pedra de estabilidade no turbulento Oriente Médio.

Will TG Miller é um analista político e ativista da causa curda. O seu trabalho incide sobre o Oriente Médio, Islamismo, e os direitos humanos.

Publicado em Kurdish Question.

 

O Perigroso jogo da Turquia na Síria ameaça todo Oriente Médio

Turkey DangerousPor Cihad Hammy

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan e Vladimir Putin reunirom-se recentemente para abrir um novo capítulo nas relaçons turco-russas, normalizar laços até entom tensos entre os seus países. Esta tensom começou no ano passado, quando a Turquia derrubou um aviom russo que estava violando o espaço aéreo turco. Este novo capítulo muda drasticamente toda a cena do conflito Sírio.

No centro deste novo desenvolvimento encontra-se o antagonismo profundamente arraigado de Ancara em relaçom os curdos, tanto na Síria como em Turquia. A fim de antecipar os planos curdos para conectar os três cantons de Afrin, Kobane e Jazeera, Ankara adotou medidas para normalizar as relaçons com a Rússia, o Iram e a Síria, e ganhar o seu apoio a umha intervençom militar no norte da Síria.

 Tensons de Washington e Ancara sobre os Curdos Sírios

Washington tem um sucesso notável na melhoria da sua coordenaçom com os curdos sírios para destruir o ISIS, que é agora a prioridade de Washington no conflito Sírio. A coalizom internacional liderada polos EUA estabelecerom umha parceria bem sucedida e eficaz com as Forças Democráticas da Síria (SDF). Esta força, liderada polas YPG curdas, inclui diversos povos da regiom do norte da Síria, ou seja, árabes, assírios, armênios, Turcomanos, e facçons circassianas e grande número das Unidades de Proteçom das Mulheres (YPJ).

As forças das SDF e das YPJ som eficazes em derrotar e tomar cidades do Estado Islâmico no leste e norte da Síria. Por isso, ganharom a confiança das instâncias de decisom dos EUA e agora som apoiados por ataques aéreos dos EUA e forças especiais. Sob este modelo, a cidade mais recentemente libertada foi Manbij, umha cidade altamente estratégica, que serviu como centro nas principais rotas de abastecimento do ISIS. O sucesso de Manbij cortou o ISIS com o exterior e agora os impede de mover aos seus combatentes da Síria para realizar ataques terroristas na Turquia e na Europa.

No entanto, o governo de Erdogan está extremamente descontente com o apoio que Washington fornece às SDF porque fortalece ao Partido da Uniom Democrática (PYD), um grupo curdo ideologicamente vinculado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), o odiado inimigo interno da Turquia. Ancara rejeita qualquer entidade que ostente a aparência de auto-governo curdo, tanto em Ancara ou ao longo da sua fronteira sul, e considera o PYD como parte do PKK. Em fevereiro passado, umha delegaçom, incluindo o enviado dos EUA para a coalizom internacional contra o ISIS, Brett McGurk, reuniu-se com as YPG. Isto levou a Erdogan a exigir furiosamente que Washington optara entre el ou os curdos sírios. “A quem quere de parceiro, a mim ou os terroristas de Kobane?” dixo Erdogan a jornalistas no seu aviom quando regressava de umha viagem à América Latina e o Senegal.

Nom muito tempo depois do ultimato de Erdogan, Washington respondeu declarando que o PYD nom era umha organizaçom terrorista e os combatentes curdos eram os mais bem sucedidos no combate contra o ISIS dentro da Síria. Além disso, a coalizom liderada polos Estados Unidos enviou autoridades militares e conselheiros para o norte da Síria, a fim de apoiar as forças terrestres curdas na destruiçom do ISIS. De qualquer modo recentemente Washington mudou a sua postura por apaziguar a Ankara e pedindo as forças das YPG “recuar para o leste do Eufrates”. Embora esta seja umha vitória diplomática que Ankara ganhou mudando a sua política externa e buscando apoio de Moscou, o Iram e a Síria, isso nom significa que os laços entre os curdos sírios e os EUA foram completamente cortados.

Novas aproximaçons de Ancara e as suas reflexons sobre os curdos

Durante quase um século, os estados-naçom do Oriente Médio se unirom no combate e repressom dos curdos. Hoje, a aproximaçom de Ancara com a Rússia renova esta dinâmica, abordando nom só a sua própria agenda anticurda, mas também a de Síria e Iram.

Para Assad, a aproximaçom ajuda a manter o seu regime centralizado porque o projeto político que os curdos na Síria estam realizando tem como objectivo desmantelar o poder do Estado-naçom centralizado e em vez disso tenta capacitar as pessoas em torno de instituiçons de base. O regime também pode encontrar a oportunidade para retomar territórios no leste da Síria agora sob control curdo. Na verdade, a última luita entre o Exército sírio e as YPG em Hesekê pode ser interpretado como um gesto de boa vontade por parte do regime em relaçom a aproximaçom de Moscou com Ancara. Em troca, Ancara pode cortar o apoio de grupos islâmicos autoritários em luita contra Assad em Aleppo e direcionar estes grupos-islâmica -authoritários contra os curdos no norte da Síria. (Algo que está acontecendo agora em Jarablus.)

Teeram como Ancara, teme que os curdos sírios vaiam incentivar aos curdos iranianos a se revoltar e exigir os seus direitos cívicos e culturais. Umha revolta curda no Iram ameaça o seu regime islâmico e a segurança nacional. Iram pode deixar de lado velhas tensons com Ancara e cooperar na luita contra a maior “ameaça perigosa”, os curdos. Quanto a Moscou, a nova aproximaçom ajuda a manter no poder a Assad.

Para evitar mais autonomia dos curdos, Ancara enviou as suas tropas de terra no norte da Síria, a fim de antecipar-se a ligaçom dos cantons curdos de Kobane, Jazeera, e Afrin. No entanto, a fim de intervir no norte da Síria a esta escala, eles deveram ter tido a aprovaçom de Moscou e Teeram. Tendo feito isso, eles agora estam usando tropas e grupos islâmicos autoritários como Faylaq al-Sham, Ahrar Alsham, Sultan Murad, e o batalhom Nour al-Din al-Zenki para tomar o control de Jarablus e Al Bab.

É óbvio que a chamada guerra de Ancara contra o Estado Islâmico (ISIS), em Jarablus foi apenas umha substituiçom de combatentes do ISIS por outros grupos islâmicos autoritários que som cópias dos jihadistas. A “luita” contra o ISIS em Jarablus testemunhou que nom há armadilhas, nom há franco atiradores do ISIS, nom há lutadores à espreita do ISIS usando escudos humanos, nom houvo ataques a bomba, sem nom houvo resistência do ISIS. Nom houvo luita em Jarablus, mas sim ordes dadas polo governo turco e a realizaçom dessas ordens polos seus “soldados”. Isso ficou claro para os meios de comunicaçom internacionais e a opiniom pública e nom puido ter escapado à atençom dos governos ocidentais.

 Apoio dos Jihadistas da Turquia Mostra as Aspiraçons Neo-otomanas Estam Bem Vivas

Nom é umha coincidência que o 24 de agosto, o mesmo dia em que Ankara invadiu a Síria, é o mesmo dia da Batalha de Marj Dabiq. A batalha tivo lugar em 1516-1517 entre o Império Otomano e o Sultanato Mamluk e terminou em umha vitória otomana e a conquista de grande parte do Oriente Médio. O simbolismo da batalha de 500 anos atrás foi muito usado na Turquia antes da operaçom e é um sinal da continuaçom da mentalidade expansionista do governo turco. Embora o governo afirma que nom está na Síria permanentemente, a tentativa é colocar umha regiom sob control islâmico e a mentalidade que ocupava o Oriente Médio há 500 anos. O movimento é também umha mensagem ao mundo inteiro de que a Turquia ainda é um jogador no jogo da Síria e nom pode ser ignorada.

No entanto, a intervençom de Ancara nom será um piquenique turístico, mas sim um pesadelo carregado com perdas militares e humanas. Já vários tanques turcos forom destruídas e um soldado foi morto no sul de Jarablus. Turquia lançou ataques aéreos em Afrin (sudoeste) e Ain Diwar (sudeste) e dirigiu os seus tanques para a fronteira de Kobane para erigir um muro. Mas el está sendo recebido com resistência em todos os lugares, e nom só dos curdos, mas de árabes -quem Turquia alega estar liberando dos curdos- e outros grupos etno-religiosos.

Mapa Jarablus Manbij Al BabA Intervençom da Turquia vai aumentar a violência na Síria e na Turquia

Os governos ocidentais e dos Estados Unidos som forças pragmáticas; eles só ajudam movimentos ou estados quando se trata de proteger os seus próprios interesses. A este respeito, os EUA ao que parece, está contente com a intervençom turca na Síria porque a sua principal preocupaçom é degradar o ISIS. Como tal os EUA nom se preocupam com os resultados desta intervençom, o que provavelmente vai levar a anos de violência entre o governo turco e os curdos na Síria, e alimentar a violência, guerra e instabilidade na Turquia. A ‘Sirianizaçom’ da Turquia, neste sentido, é cada vez mais provável. Na verdade, cousas tais como democracia, paz e a estabilidade, que som necessários para os povos do Oriente Médio, como o pam e água som de importância secundária ou nem sequer existem na política externa dos EUA.

Nom é necessário ler volumes de saber quem está a favor e tem um projeto para a paz e a democracia na Turquia e no Oriente Médio e quem pode iniciar um fim à confusom atual. Lendo apenas umha página escrita por Abdullah Öcalan – líder curdo e pensador que inspirou o Modelo de Rojava – iria esclarecer quem quer a paz, a liberdade, a democracia, a estabilidade, a convivência, fraternidade, igualdade de gênero, e umha sociedade ecológica e ética na Turquia e o Curdistam . Todos esses valores e princípios estam agora sob sete chaves em umha prisom turca. O governo turco nom quer um fim para o conflito; se o figesse, teriam acabado com o isolamento de Öcalan para lhe permitir desempenhar um papel eficaz no fortalecimento do estagnado processo de paz. Em vez disso, optou por prosseguir a sua política de isolamento de Öcalan e dos políticos curdos em geral, mesmo após a recente tentativa de golpe.

Isso deixa apenas umha coisa para os curdos: a resistência. Porque a resistência é a única cousa que pode trazer o Estado turco de volta a qualquer tipo de mesa de negociaçom. Como o co-presidente do PYD, Saleh Moslem, dixo após a intervençom de Ancara na Síria, “A Turquia vai perder muito no lamaçal da Síria, e seram derrotados como o Daesh (ISIS).” Agora, apenas umha derrota turca rápida pode salvar a regiom. A alternativa é que todos os envolvidos perdam.

Jihad Hammy é um curdo de Kobanê. Ele era um estudante de literatura de Inglês da Universidade de Damasco antes de fugir devido à guerra civil na Síria.

Artigo publicado em Kurdish Question.

 

 

 

 

 

Em defesa de Rojava

Em defesa de RojavaPor Memed Aksoy

O exército turco, juntamente com umha gentuza de jihadistas e militantes do Exército Livre Sírio, invadiu áreas de Rojava e continua a sua incursom ainda mais no território que já fora liberado do ISIS.

Milicianos apoiados por Turquia, como os Batalhons Nour al-Din al-Zenki, Faylaq al-Sham (A Legiom Sham), Brigada Sultan Murad e Jabhat Fateh al-Sham (antes al-Nusra), entre outros -todos salafistas / grupos islâmicos responsáveis por inúmeros crimes aos direitos humanos – já declararom que iam atacar Manbij, a que celebrou recentemente depois de ser libertada do ISIS polas Forças Democráticas de Síria (SDF). Imagens de mulheres tirando os nicabs e fumando, e homes barbeando-se ainda estam frescas na memória.

Depois do acordo de sustituir  em  Jarablus ao ISSIS sem disparar um so tiro, o exército turco envolveu-se em ataques aéreos e bombardeios de áreas civis, matando polo menos 45 em duas aldeias ao sul de Jarablus. Dúzias de combatentes locais do Conselho Militar de Jarablus, filiados às SDF, forom feitos prisioneiros e torturados frente das câmeras; a maioria deles árabes.

Com a última correria militar, a Turquia tentou camuflar a sua guerra regional contra os curdos, usando o ISIS como um pretexto, tentando impedir a uniom dos três cantons de Rojava. Além disso, esta também a tentativa de reforçar às forças sunitas / Irmandade Muçulmana, alinhados ideologicamente com o governo turco do AKP. Através destes mandatários Erdogan espera reviver as suas aspiraçons neo-otomanas de poder decidir no futuro da Síria e umha influência de longo prazo no Oriente Médio e Norte da África.

O que está em jogo, porém, tanto quanto os ganhos curdos, é a possibilidade de umha política e o sistema progressista, laica e democrática na regiom. Isto é o que Rojava representa e é por isso que o regime sírio, Iram, Rússia e os EUA concordarom na invasom da Turquia. A existência de Rojava nesse sentido é umha ameaça ao status quo e interesses de todos os Estados-naçons e governos no Oriente Médio e, e por extensom, aos saqueadores da regiom. Com um modelo alternativo de governança Rojava provou que pessoas de diferentes etnias e grupos religiosos podem-se organizar a nível local, viver, produzir e luitar juntos, sem um Estado centralizado, mesmo nos tempos de umha guerra sectária. A unidade entre curdos, árabes e turcomanos contra a invasom da Turquia é prova disso.

Por esta razom, o desenvolvimento de Rojava e a uniom dos três cantons -Cezire, Kobanê e Afrîn- está a ser impedido por todos os poderes envolvidos na guerra síria. Além disso, e pola mesma razo, o desenvolvimento de Rojava nom pode ser encarados com a mesma luz que as áreas que estam sendo capturadass polos grupos jihadistas apoiados pola Turquia ou o regime. Estes dous sistemas políticos -Islamista e Baathista- nada tenhem que aportar às pessoas em termos de umha democracia humana, progressista e participativa. Na verdade, eles nem sequer fam qualquer tipo de reivindicaçom.

Ainda que Rojava, com a sua retórica anti-nacionalista já refutou as acusaçons de alguns setores de que os curdos estam tentando capturar terras árabes, também é digno de nota que a área entre Kobanê e Afrin, que está sob ataque de Turquia e jihadistas do FSA, forom sistematicamente arabizadas polo regime sírio na década de 1970. Mesmo se nom fosse este o caso, os curdos, enquanto grupo distinto vivendo em umha parte contínua de território em Turquia, Iram, Iraque e Síria, ainda teria o direito de auto-determinaçom e reconhecimento internacional. Defender o contrário significaria que os estados de acima, que tenhem grandes povoaçons curdas cujos direitos tenhem sido negado durante décadas, devem ser considerados ilegítimos desde o momento em que forom declarados.

Em suma, Rojava tornou-se um facho, umha luz de esperança para todas as pessoas progressistas do mundo; contra a desigualdade, os regimes despóticos e sistemas hierárquicos e o patriarcado, Rojava tem levantado a bandeira da humanidade contra a barbárie. É por isso que a Revoluçom de Rojava deve ser defendida contra a agressom turca e jihadista mais umha vez. Mais umha vez as pessoas revolucionárias, democratas, feministas, laicas e todas as forças progressistas devem-se unir, como figeram em Kobanê, para fazer a Revoluçom de Rojava vitoriosa novamente.

Publicado em Kurdish Question.

 

 

A Solidariedade Tamil com os curdos vai além do Paradigma ISIS-EUA

Tamil Solidarity with Kurds to Go Beyond IS-US Paradigmpor Sitharthan Sriharan, publicado originalmente em Tamil Net

Desde os assassinatos de Mullivaikkal de 2009, a diáspora Tamil focou principalmente os esforços políticos no sentido de exigir justiça para os crimes desumanos cometidos contra civis tâmeis. Embora tais esforços elevaram a consciência internacional sobre as graves violaçons dos direitos humanos cometidos polas forças armadas de Sri Lanka durante a guerra, a abordagem nom produziu resultados em processar os perpetradores dos crimes internacionais. À luz desta situaçom, é imperativo para a diáspora tâmil estabelecer alianças com os curdos e outras povos marginalizados polos estados opressivos e a comunidade internacional.

Isso nom quer dizer que buscar a justiça através dos canais legais estabelecidos nom seja produtivo. No entanto, os tâmeis, especialmente da diáspora, também devem prosseguir a construçom de alianças fora do círculo da comunidade internacional para nom ser vítima das tentativas de suprimir os ideais de libertaçom e de proteger-se contra a apatia que pode crescer à medida que luita dos tâmeis prossegue com recursos limitados. Umha maneira de fazer isso é formar alianças políticas concretas com outras naçons e povos que sofreram de forma semelhante e tenham princípios comparáveis aos tâmeis.

Os curdos destacam como um povo-chave com os quais os tâmeis devem priorizar construir ligaçons. Na luita dos EUA contra o ISIS, os curdos provaram-se como a força de combate mais eficaz no terreno. Os curdos também ideologicamente som opostos o ISIS em idéias de democracia radical, feminismo e ecologia, um feito que nom é relatado nos grandes mídias.

É difícil nom perceber os pontos em comum entre as luitas de libertaçom dos tâmeis e os curdos. Ambos tenhem umha história de militância secular progressista. Além disso, ambos tenhem por objectivo fomentar condiçons sociais mais justas para as mulheres que estam acima e além do status quo das suas respectivas regions.

Também deve-se notar que ambos, os tâmeis e curdos, encontraram-se enfrentando nom so a estados opressivos como a Turquia e Sri Lanka, mas também poderes regionais e mundiais devido aos jogos geopolíticos desempenhados por vários estados. E assim há tanto afinidade de idéias sociais cruciais e a experiência compartilhada na luita pola liberdade entre os tâmeis e curdos. Embora tenha havido solidariedade informal entre os tâmeis e curdos no passado, as condiçons presentes de ambas luitas sugerem que umha aliança Tamil-curdos mais concreta é política e moralmente necessária.

O sucesso que os curdos tiverom nos últimos anos som realmente de significado histórico. Um povo que foi capaz de permanecer politicamente consciente com umha ideologia completamente progressista que apela igualmente a outras comunidades do Oriente Médio.

É por isso que os curdos forom capazes de levar a pessoas de diferentes origens étnicas a aderir-se a eles na experiência e, Rojava do “Confederalismo Democrático”, um sistema político em que a economia e assuntos sociais som controlados por redes de comunidades locais em vez do estado. É também por isso os indivíduos nom-curdos de fora da Síria, como o cidadao britânico Konstandinos Erik Scurfield agora morto-em-batalha, unirom-se às forças militares dos curdos na luita contra o ISIS.

Em última análise, as consequências materiais da revoluçom que os curdos tenhem posto em prática em Rojava é um paradigma do governo para o Oriente Médio que nom é nem islâmico nem umha ditadura secular. Assim, os curdos estam luitando nom apenas para o seu povo, mas para todos aqueles que desejam viver em paz, a liberdade e a dignidade no Médio Oriente e para além del.

Com os ganhos os curdos figerom que muitas potências regionais estejam alarmados do papel que os os curdos estam jogando na re-moldaçom do Oriente Médio. O poder regional mais preocupado com esses “ventos de mudança” é a Turquia. Nom é segredo que a Turquia deu o ISIS algum apoio em grande parte destinado a conter os avanços curdos na Síria.

No entanto, tais esforços falharom como os curdos provarom ser umha força resiliente. Junte isso ao o feito de que o partido pró-curdo HDP consiguiu que o AKP de Erdogan (Partido da Justiça e Desenvolvimento), nom tivera a maioria absoluta nas últimas eleiçons parlamentares, nom é surpreendente que a Turquia tenha optado por um caminho de guerra para resolver a questom curda.

Desde agosto do 2015 a Turquia está em umha guerra genocida contra os curdos em um esforço para esmagar a resistência curda. A natureza e a intençom da campanha “contra-terrorista” da Turquia pode ser deduzida a partir dass declaraçons do AKP para implementar o “modelo de Sri Lanka” em destruir o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK).

Criando as condiçons para essa guerra, as forças turcas tenhem repetidamente imposto toques de recolher em cidades do Norte do Curdistam. Durante estes toques de recolher, militares turcos, policias e indivíduos armados nom registrados assassinarom civis curdos e destruirom edifícios e infra-estrutura. Os civis nom estam autorizados a deixar as suas residências enquanto esses toques de recolher som impostos porque caso contrário eles vam ser disparados ou presos.

Esta guerra suja é acompanhado por um apagom dos mídias. Como na guerra civil de Sri Lanka, nom há observadores independentes na zona de guerra, e os principais meios de comunicaçom ocidentais ignorarom a guerra.

Turquia nom só está travando a sua guerra contra os curdos no norte do Curdistam. Também começou recentemente umha campanha militar contra Rojava com bombardeios e incursons através da fronteira dos militares turcos. Ao mesmo tempo centos de combatentes islâmicos estam cruzando ao longo da Turquia.

Esta guerra continua contra a diáspora curda com a ajuda dos governos ocidentais desde a proscriçom do PKK polos EUA e a UE mantém-se. Esta proibiçom continuada do PKK permite aos governos ocidentais “a realizaçom de operaçons destinadas a reprimir os curdos como o encerramento forçado de instituiçons pró-curdas e prisons arbitrárias de indivíduos por ” apoiar o terrorismo “. Estes esforços acontecerom e continuam a acontecer em paralelo com os governos americanos e europeus que dam apoio material à Turquia que utilizao em operaçons militares contra os curdos na sua terra natal.

Os principais meios de comunicaçom, muitas vezes projetam o conflito como umha luita entre o liberalismo ocidental, simbolizado polos EUA, e o fundamentalismo islâmico, exemplificado pola ISIS. Considerando os jogos geopolíticos desempenhados entre o Ocidente e a Turquia, está claro que este binária apenas obscurece “a guerra contra o terror” tem como objetivo nom só o islamismo, mas também todos os outros povos, como os curdos e os tâmeis, que desafiam dar prioridade na ordem mundial os ditames dos interesses estaduais existentes sobre o direito dos povos à autodeterminaçom.

No trabalho das alianças mais concreto com os curdos e outros povos semelhantes, os tâmeis podem ajudar a consolidar a terceira via aberta polos curdos que combatem o paradigma ISIS-EUA. Fazer isso é um passo crucial para luitar contra as tentativas dos Estados a realizar guerras genocidas, sob o pretexto da luita antiterrorista aos povos que se lhe resistem..

Sitharthan Sriharan é um jovem da diáspora de Eelam Tamil residente nos EUA.

Recolhido de Kurdish Question.