O fracasso contínuo do sistema internacional na questom curda

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Cidade curda destruída por artilharia militar turca

Por Hawzhin Azeez

Na semana passada, o estado turco, liderado polo presidente Erdogan e o seu governo do AKP, envolveu-se em umha das repressons mais preocupantes sobre os membros eleitos curdos do parlamento. O processo que começou com a prisom dos co-alcaldes de Diyarbakir continuou com a prisom dos co-presidentes do Partido Democrático do Povo (HDP) Selahattin Demirtas, Figen Yuksekdag e 7 deputados.

Esta última repressom ocorre em linha com os acontecimentos do fracassado golpe militar de julho. Desde entom, milheiros de funcionários públicos, professores, trabalhadores municipais, jornalistas e acadêmicos e também soldados forom presos ou demitidos. Esta repressom realça as preocupantes tendências políticas em curso na Turquia. A chamada democracia na Turquia está em sérios problemas e em rápido declínio.

A única marca da democracia da Turquia é a vergonhenta e transparente prisom de deputados, detençom de ativistas e tortura e assassinato de manifestantes.

A única certeza no sistema internacional com as suas leis farsas e falsas instituiçons é o contínuo silêncio cúmplice em vista das graves violaçons dos direitos humanos contra os curdos, grupos de esquerda e outras minorias na Turquia e as invasons inspiradas no neo-otomanismo imperialistas do AKP do Curdistam da Síria e o Iraque. A única liberdade que a imprensa internacional expressa é a sua escolha coletiva contínua de permanecer em grande parte silenciosa sobre essas violaçons. Enquanto a esquerda global permanece negligentemente subjugada, paralisada pola inaçom e indecisom.

Este pesadelo orwelliano representa o fracasso de toda a fundaçom da Nova Ordem Mundial. As suas instituiçons neoliberais, imperialistas e estatistas, outrora símbolo do argumento xenófobo da “Fim da História”, definido como o epítome da sua essência imperial, representam agora a realidade que sempre foi para os oprimidos e colonizados: violentas instituiçons indiferente e de empatia seletiva que determinam o destino das naçons, agora nom com canetas em mapas, mas com o clique de alguns botons em smartphones todo o direito das pessoas de existir ou perecer. E todo isso diante de um público global insaciável que consome com avidez o sofrimento dos oprimidos e exigem imagens cada vez mais violentas das nossas opressons para cumprir  o seu mórbido canibalismo.

Nom se engane, a resoluçom da “Questom Curda” pode ser o maior caminho rumo à estabilidade coletiva coletiva e à paz imediata, ou, se as tendências continuarem, pode implodir em outro conflito prolongado sem fim à vista. A única diferença é que agora a nossa opressom e a violência associada nom será mais contida nitidamente em nossos lares e eiras, como tem sido por décadas e séculos. Mas ela se vai espalhar na sua eira também.

Nom se esqueça que a responsabilidade nom deve ser sobre os oprimidos para provar a sua humanidade e, portanto, o seu direito à existência. Eles já estam carregados com o fardo insuportável da resistência desesperada pola sua própria sobrevivência. Mas em vez disso, a responsabilidade deve ser sempre à elite informada, privilegiada para reafirmar e recuperar a sua humanidade, fazendo algo sobre isso.

E assim imos esperar.

Enquanto permanecemos, coletivamente, no precipício de umha era perigosa.

Hawzhin AzeezHawzhin Azeez tem um doutorado em Ciência Política e Relaçons Internacionais. Ela é defensora dos direitos das mulheres e dos refugiados. Está atualmente trabalhando na reconstruçom de Kobane através do Conselhode  Reconstruçom de  Kobane.

Publicado em kurdish question.

 

Carta às mulheres polo 25 de novembro de Figen Yüksekdağ

figen-yuksekdagA co-presidente do HDP, Figen Yüksekdağ, enviou umha carta por intermédio dos seus avogados desde a prisom turca para assinalar o dia 25 de novembro, o Dia Internacional para a Eliminaçom da Violência contra a Mulher.

A carta de Figen Yüksekdağ é a seguinte:

“Nós, apesar de todo, continuamos a dizer: liberdade, paz e democracia. Em particular, no 25 de novembro, a posiçom das mulheres que enfrentam diariamente a luita contra a violência, a perseguiçom e a discriminaçom desempenha um papel vital. As mulheres vam começar a iluminar essa escuridade. Saúdo a luita conjunta que se desenvolveu nos últimos dias contra o projeto de lei de anistia ao abuso sexual [das crianças].

O momento e o futuro seram determinados por aquelas que, contra todos os tipos de violência, assumem a resistência e a solidariedade das mulheres em todas as suas formas … Se é um crime acreditar em umha vida pacífica e igual para as mulheres e para toda a humanidade contra aqueles que adoram a violência do Estado-Macho, contra aqueles que consagram esta violência, violaçons e abusos, entóm continuaremos juntos a cometer esse “crime”…

O objetivo da violência é espalhar o medo, [e entóm] forçar a rendiçom. A resposta mais poderosa a esta violência pode ser fornecida por mulheres destemidas que recusam a render-se. Para as mulheres aprisionadas dentro dos muros da violência, da pobreza, da precariedade, da desigualdade e do desprezo, é hora de se tornar umha inspiraçom vestidas de coragem, defendendo o que é bom.

Nengum governo da crueldade ou violência conseguiu extinguir a chama da vida das mulheres. E é agora, mais umha vez, as mulheres que carregam a tocha da vida que vai iluminar os nossos povos.

Todo pode parecer muito difícil. A animosidade contra as mulheres e a vida pode parecer sob ataque desde todos os quatro cantos. Mas quem dixo que a nossa era umha tarefa fácil? A nossa tarefa é conseguir o difícil … E eu acredito que imos sair vitoriosas! Com a solidariedade e a resistência das mulheres, em todos os lugares, sob quaisquer circunstância, gritaremos diante daqueles que se alimentam da morte, da opressom e do ódio: Mulheres, vida, liberdade! (Jin, Jina, Azedi). Eles veram, mais umha vez, que nom podem tomar como reféns a nossa vontade política e que as mulheres nom trairam o seu amor pola liberdade …

Com esperança, com fé, com amor…”