Balanço do Estado de Emergência nos Meios de Comunicaçom na Turquia

12 Decretos Legislativos (KHK) foram emitidos durante o estado de emergência que foi declarado em 20 de julho de 2016. No total, 177 meios de comunicaçom foram fechados por três dos 12 KHK, dos que 11 forom reabertos.

A Associaçom de Jornalistas da Turquia (TGC) e a Uniom de Jornalistas da Turquia (TGS) declararom que 2.500 jornalistas e trabalhadores dos mídia foram deixados desempregados devido ao encerramento de 121 órgaos de comunicaçom da comunidade Gülen e círculos curdos desde que o estado de emergência foi declarado.

Cinco agências de notícias, 28 canais de televisom e 34 de rádio, 62 jornais, 19 revistas e 29 editoras forom fechadas.

Meios de comunicaçom fechados:

Agências

Cihan Haber Agency, Muhabir Haber Agency, SEM Haber Agency. Dicle Haber Agency, Jin Haber Agency.

Canais de televisom

Barış TV, Bugün TV, Can Erzincan TV, Dünya TV, Hira TV, Irmak TV, Kanal 124, Kanaltürk, MC TV, Mehtap TV, Merkür TV, Samanyolu Haber, Samanyolu TV, SRT Televizyonu, Tuna Shopping TV, Yumurcak TV, İMC TV, Hayatın Sesi, Azadi TV, Jiyan TV, Van TV, TV10, Denge TV, Zarok TV, Birlik Medya TV, Özgür Gün TV, Van Genç TV, Mezopotamya TV.

Canais de rádio

Aksaray Mavi Radyo, Aktüel Radyo, Berfin FM, Burç FM, Cihan Radyo, Dünya Radyo, Esra Radyo, Haber Radyo Ege, Herkül FM, Jest FM, Kanaltürk Radyo, Radyo 59, Radyo Aile Rehberi, Radyo Bamteli, Radyo Cihan, Radyo Fıkıh, Radyo Küre, Radyo Mehtap, Radyo Nur, Radyo Şimşek, Samanyolu Haber Radyosu, Umut FM, Yağmur FM, Batman FM, YÖN Radyo (İstanbul), Özgür Radyo, Radyo Ses (Mersin), Radyo Dünya (Adana), Özgür Güneş Radyosu (Malatya), Radyo Karacadağ (Urfa), Radyo Rengin, Gün Radyo, Patnos FM, Doğu Radyo (Van).

Jornais

Adana Haber Gazetesi (Adana), Adana Medya Gazetesi (Adana), Akdeniz Türk (Adana), Şuhut’un Sesi Gazetesi (Afyon), Kurtuluş Gazetesi (Afyon), Lider Gazetesi (Afyon), İşçehisar Durum Gazetesi (Afyon), Türkeli Gazetesi (Afyon), Antalya Gazetesi (Antalya), Yerel Bakış Gazetesi (Aydın), Nazar (Aydın), Batman Gazetesi (Batman), Batman Postası Gazetesi (Batman), Batman Doğuş Gazetesi (Batman), Bingöl Olay Gazetesi (Bingöl), İrade Gazetesi (Hatay), İskenderun Olay Gazetesi (Hatay), Ekonomi (İstanbul), Ege’de Son Söz gazetesi (İzmir), Demokrat Gebze (Kocaeli), Kocaeli Manşet (Kocaeli), Bizim Kocaeli (Kocaeli), Haber Kütahya Gazetesi (Kütahya), Gediz Gazetesi (Kütahya), Zafer Gazetesi (Kütahya), Hisar Gazetesi (Kütahya), Turgutlu Havadis Gazetesi (Manisa), Milas Feza Gazetesi (Muğla), Türkiye’de Yeni Yıldız Gazetesi (Niğde), Hakikat Gazetesi (Sivas), Urfa Haber Agency Gazetesi (Urfa), Ajans 11 Gazetesi (Urfa), Yeni Emek (Tekirdağ), Banaz Postası Gazetesi (Uşak), Son Nokta Gazetesi (Uşak), Merkür Haber Gazetesi (Van), Millet Gazetesi, Bugün Gazetesi, Meydan Gazetesi, Özgür Düşünce Gazetesi, Taraf, Yarına Bakış, Yeni Hayat, Zaman Gazetesi, Today’s Zaman, Özgür Gündem Gazetesi (İstanbul), Azadiya Welat Gazetesi (Diyarbakır), Yüksekova Haber Gazetesi (Hakkari), Batman Çağdaş Gazetesi (Batman), Cizre Postası Gazetesi (Şırnak), İdil Haber Gazetesi (Şırnak), Güney Expres Gazetesi (Şırnak), Prestij Haber Gazetesi (Van), Urfanatik Gazetesi (Urfa), Kızıltepe’nin Sesi Gazetesi (Mardin), Ekspres Gazetesi (Adana), Türkiye Manşet Gazetesi (Çorum), Dağyeli Gazetesi (Hatay), Akis Gazetesi (Kütahya), İpekyolu Gazetesi (Ordu), Son Dakika Gazetesi (İzmir), Yedigün Gazetesi (Ankara).

Revistas

Akademik Araştırmalar Dergisi, Aksiyon, Asya Pasifik (PASİAD) Dergisi, Bisiklet Çocuk Dergisi, Diyalog Avrasya Dergisi, Ekolife Dergisi, Ekoloji Dergisi, Fountain Dergisi, Gonca Dergisi, Gül Yaprağı Dergisi, Nokta, Sızıntı, Yağmur Dergisi, Yeni Ümit, Zirve Dergisi, Tiroj Dergisi, Evrensel Kültür Dergisi, Özgürlük Dünyası Dergisi, Haberexen Dergisi.

Editoras e distribuidoras

Altın Burç Yayınları, Burak Basın Yayın Dağıtım, Define Yayınları, Dolunay Eğitim Yayın Dağıtım, Giresun Basın Yayın Dağıtım, Gonca Yayınları, Gülyurdu Yayınları, GYV Yayınları, Işık Akademi, Işık Özel Eğitim Yayınları, Işık Yayınları, İklim Basın Yayın Pazarlama, Kaydırak Yayınları, Kaynak Yayınları, Kervan Yayınları, Kuşak Yayınları, Muştu Yayınları, Nil Yayınları, Rehber Yayınları, Sürat Basım Yayın Reklamcılık ve Eğitim Araçları, Sütun Yayınları, Şahdamar Yayınları, Ufuk Basın Yayın Haber Ajans Pazarlama, Ufuk Yayınları, Waşanxaneya Nil, Yay Basın Dağıtım PAZ, Reklamcılık, Yeni Akademi Yayınları, Yitik Hazine Yayınları, Zambak Basım Yayın Eğitim Turizm.

As reabertas

Kurtuluş Gazetesi (Afyon), Lider Gazetesi (Afyon), İşçehisar Durum Gazetesi (Afyon), Bingöl Olay Gazetesi (Bingöl), Ege’de Son Söz Gazetesi (İzmir), Hakikat Gazetesi (Sivas) , SRT Televizyonu, Umut FM, Yağmur FM, Yön Radyo and Zarok TV. (EA/TK)

Publicado em Bianet.

 

 

Movimento curdo: A Turquia precisa tomar medidas para a resoluçom da questom curda

Bandeiras KCK Ocalan e PKKNota: A declaraçom da KCK, organizaçom guarda chuva do Movimento Curdo foi feita no sábado, 20 de agosto, antes do ataque em Gaziantep à um casamento curdo que deixou 51 pessoas mortas e mais de 150 feridos, o ataque foi atribuído ao ISIS.

Devido à sua importância, no que diz respeito à questom curda, estamos publicando-a detalhadamente abaixo.

A Co-Presidência do Conselho Executivo da Uniom das Comunidades do Curdistam (KCK), divulgou umha declaraçom sobre o estágio que a questão curda atingiu, ataques contra o Movimento Curdo (MC), apelam para um retorno às negociaçons (entre o MC e o Estado Turco) e as etapas necessárias de resoluçom a serem tomadas no futuro.

A KCK salientou que o movimento curdo sentiu a necessidade de re-expressar a sua abordagem em meio a demandas e as chamadas feitas por determinados governos, instituiçons internacionais, organizaçons do Governo Regional do Curdistam (KRG), as Forças Democráticas e o Partido Popular Democrático (HDP) na Turquia por um retorno às negociaçons para a resoluçom da questom curda. A KCK enfatizou que é o Estado turco, quem deve dar um passo para a resoluçom do problema.

A KCK listou os seguintes passos de urgência para a resoluçom:

“Como Movimento de Libertaçom Curdo, estamos prontos para cumprir nossas responsabilidades em todos os aspectos, se o governo do AKP demonstra ter a vontade necessária em resolver a questom curda e assegura que o povo turco vai dar um passo para isso, umha delegaçom parlamentar que envolva o HDP teria de dialogar com o nosso líder Abdullah Öcalan e decidir iniciar as negociaçons muito em breve, oportunidades seram criadas para que nosso líder se reúna com todos os partidos políticos dentro e fora do parlamento, incluindo organizaçons comunitárias que tenhem propostas para a democratizaçom e resoluçom de problemas – principalmente com os alevitas, organizaçons nom-governamentais e intelectuais”.

Observando que o fracasso da tentativa de golpe em 15 de julho foi umha grande oportunidade para a Turquia, A KCK dixo que o governo do AKP tirou proveito desta falha mobilizando assim um contra-golpe.

AKP, responsável pola tentativa de golpe na Turquia

A KCK alegou também que o governo do AKP impujo um isolamento agravado ao líder Öcalan desde 05 de abril de 2015 e rejeitou o acordo de Dolmabahçe, feito em 28 de fevereiro de 2015 entre o MC e o Estado turco. Acrescentou que o governo turco “começou a implementar a sua política e mobilizaçom de guerra”, um mecanismo de golpe para suprimir a questom curda após os resultados das eleiçons gerais do 05 de junho de 2015, que deixou o AKP sem maioria no Parlamento.

“Nosso líder Öcalan, lançou um processo de cessar fogo no final de 2012 e declarou um manifesto para a democratizaçom da Turquia no Newroz de 2013. Com um plano de três fases, el projetou a democratizaçom da Turquia, declarou a sua intençom de retirar as forças da guerrilha (PKK) das fronteiras turcas e, o PKK liberou soldados, policias e um governador de distrito. Por ter, o movimento, tomado estes passos, nosso líder tentou encorajar o estado turco a tomar medidas para a democratizaçom. No entanto, o governo do AKP se absteve de tomar medidas de resoluçom da questom curda e sustentou o cessar-fogo apenas em prol das suas próprias decisons “.

‘Plano Colapso’ colocado em açom

“Ao sustentar o cessar-fogo, apesar de todas as abordagens negativas do estado, nosso movimento deu ao governo do AKP umha oportunidade para tomar medidas em prol da resoluçom da questom curda e a democratizaçom. Em cada reuniom com o Estado e as delegaçons do HDP, o líder Öcalan advertiu aos partidos da existência de um “estado paralelo dentro do estado” e enfatizou que estas estruturas com ligaçons exteriores nom queriam a resoluçom da questom curda. Alertou repetidamente que o impasse nessa resoluçom criara um mecanismo de golpe de estado, e que este mecanismo entraria em açom ao menos que se desse um passo para sua resoluçom.

No entanto, Erdoğan e o seu entorno nom levaram em conta os esforços do nosso líder e o ambiente de nom-conflito que el negociara seriamente, nom avançou um passo sequer no fortalecimento de tais esforços.

Como resultado, o governo do AKP, na pessoa de Erdoğan, trouxe em vigor o “mecanismo de golpe” ao decidir pola guerra durante a reuniom do Conselho de Segurança Nacional (MGK), em 30 de outubro de 2014. O “Plano Colapso”, criado para esmagar o Movimento de Libertaçom Curdo, foi decidido nesta reuniom e logo das manifestaçons do 6 e 8 de outubro, ajudando a evitar a queda de Kobane.”

O Conselho de Segurança Nacional propujo que o exército esmagasse o movimento curdo

A KCK enfatizou que se entregara nas maos do exército turco a tentativa de esmagar a luita durante a mesma reuniom do Conselho de Segurança Nacional acima mencionada, e que isto ativou o ‘mecanismo de golpe’ e reforçou a facçom de dentro do exército turco que a efetivou.

Recordando as observaçons do entom primeiro-ministro Ahmet Davutoglu “Solicitei ao exército e à polícia para que se preparassem em 2014”, a KCK disse que isso era umha clara confissom do papel do governo do AKP na formaçom das fundaçons que ativaram o “mecanismo de golpe.”

O isolamento de Öcalan

A declaraçom da KCK lista os principais desenvolvimentos que levarom à ativaçom do “mecanismo de golpe” tais como: a rejeiçom do Acordo de Dolmabahçe, imposiçom de isolamento agravado a Öcalan desde 5 de abril,  rejeiçom dos resultados das eleiçons de 7 de junho e o início de umha “guerra generalizada” o 24 de julho de 2015.

“Entende-se agora que o apoio dos poderes externos dados à política de guerra do AKP, depois da eleiçom do 07 de junho, está relacionado com a ativaçom deste “mecanismo de golpe”. Esta é a razom pola qual as potências externas fecharom os olhos para o governo do AKP. Eles estam queimando cidades curdas e massacrando centos de civis. O plano era que o “mecanismo de golpe” obteria resultados mais breves em um ambiente de conflito onde o AKP e PKK fossem enfraquecidos.”

A tentativa de golpe de 15 de julho começou em dezembro de 2015

A KCK observou que a tentativa de golpe do 15 de julho tivo o seu início o 14 de dezembro 2015, quando entom o governo do AKP deu sinal verde para que o Exército turco entrasse em cidades curdas com tanques, artilharia e armas pesadas “esmagando o povo curdo que declarava a autonomia.”

“Erdoğan e Ahmet Davutoglu comentarom ‘Nosso bravo exército derrotou os terroristas’ [a respeito de Sur, Cizre e Nusaybin] e isso significou que o “mecanismo de golpe” tinha sido ativado e decidiu tomar o poder do Estado. Sua reivindicaçom com esse exército era ‘Nós somos aqueles que luitam contra o PKK, estamos assumindo esse fardo pesado, e, portanto, nós somos os únicos que podem governar e determinar a política’. Os tanques, artilharia, helicópteros e jatos que foram bastante eficazes nas montanhas do Curdistam, agora mudam sua mira para Ancara, Istambul e Izmir. A fracassada tentativa de golpe surgiu como umha consequência das políticas que procuravam respostas para a questom curda e acabou por profundar o impasse. O governo do AKP afirma que este golpe foi encenado polos círculos de [Fethullah] Gülent. A verdade, porém, é que os membros do AKP desempenharom um papel importante no golpe, tanto ideológica quanto politicamente”.

A KCK dixo que sempre houveram círculos democráticos e curdos na Turquia e que os mesmos permaneceram contra os golpes de Estado, “como testemunhamos durante o golpe militar de 1980 e a guerra suja lançada polos militares na década de 90 contra os curdos.” A KCK acrescentou que ambas as partes, tanto os círculos curdos quanto democráticos, foram as que mais sofreram com os golpes.

Notando que o fracasso da tentativa de golpe de 15 de julho foi umha grande oportunidade para o povo turco, A KCK dixo que o governo do AKP nom pensar na resoluçom da questom curda e nem na democratizaçom, através das quais o mecanismo de golpe poderia ter sido eliminado.

A KCK mudou de ideia

A declaraçom da KCK observa que o movimento curdo tinha considerado fazer umha nova avaliaçom da situaçom após a recente tentativa de golpe, mas decidiu nom fazê-la devido à abordagem negativa do governo do AKP, e dixo ainda que tinha concordado que o partido precisava avançar para promover a democracia, a resoluçom da questom curda e mostrar umha verdadeira postura anti-golpe, mas que isso nom ocorreu no pós-golpe.

Em vez disso, o Estado continuou seu discurso chauvinista, declarando o estado de emergência, e anunciou a suspensom das negociaçons com Imrali (ilha turca onde Öcalan está detido) exibindo umha abordagem desfavorável ao HDP com Erdoğan instrumentalizando tudo para se manter no poder.

Resposta aos grupos que pedem negociaçons

“Mas, recentemente, foram publicados, mais umha vez, apelos e declaraçons sobre as  nossas necessidades e abordagens por certos estados, instituiçons internacionais que trabalham em soluçons de conflitos pacíficos, organizaçons cooperativas do Curdistam Iraquiano (KRG), grupos de poder na Turquia, HDP e as forças democráticas.

Nosso líder Öcalan, e nosso movimento tem, desde 20 de março de 1993 feito grandes esforços para umha soluçom política e democrática à questom curda e declaramos cessar-fogo mais de dez vezes para esse fim. Além disso, o movimento mostrou-se favorável em retirar as forças armadas das fronteiras turcas (2013) e quase o 40% das forças de guerrilha foram retiradas com muito mais mobilidade nesse sentido. Mas o Estado e o AKP nom tomarom as medidas necessárias para acabar com a negaçom aos curdos e estenderom as suas políticas genocidas, a situaçom que criou o atual e intenso conflito veio à tona. ”

O AKP tirou proveito do cessar-fogo

A KCK afirmou também que os recentes confrontos tinham se tornado mais violentos do que os anteriores, porque o governo do AKP tirou proveito do acordo de cessar-fogo para os seus próprios fins.

“Erdoğan e o governo do AKP utilizarom todos os cessar-fogos que tinham sido declarados para reforçar a sua permanência no poder. Eles criarom umha falsa esperança de resoluçom para isso. Erdoğan abordou a questom curda, como umha questom fundamental da Turquia de forma irresponsável a fim de promover os seus interesses e os do seu partido. El interrompeu o povo curdo, as forças democráticas, e todo povo turco, embora pudesse ter oferecido todas as condiçons e oportunidades para a soluçom da questom curda. Outros poderes políticos desconfiarom desse abuso de Erdogan e nom oferecerom o apoio necessário.

Portanto, esta experiência mostra-nos que a declaraçom de cessar-fogo, sem um fim para a utilizaçom da mesma só vai manter a política de uso ferramental que o partido fai, portanto, servindo à sua insistência em nom resolver a questom curda. As questons relativas ao cessar-fogo nom devem mais ser abordadas no interesse de um determinado partido, mas vistas como um problema que toda a Turquia enfrenta. Palavras, passos ou açons que nom som em prol de umha soluçom e servem apenas para enganar nom tenhem nengum significado. Repetir isso nom ajudará em nada, além de piorar a situaçom.

Nom foi o PKK nem o Movimento de Libertaçom Curdo quem criarom esse conflito. O PKK foi formado pola falta de umha soluçom para a questom curda, e chamou a atençom para isso, bem como o fortalecimento dos fundamentos de umha soluçom, umha vez que luitou contra as políticas de negaçom e de extermínio”.

O Estado turco deve dar um passo

Na sua declaraçom, a KCK foi inflexível com o feito de que o Estado turco precisa dar o primeiro passo para as negociaçons serem feitas.

“É o Estado turco, que deve dar um passo para a soluçom da questom curda e garantir umha soluçom duradoura. Se o governo nom consegue fazer isso, o povo curdo irá criar a sua própria soluçom e continuará a luitar por umha vida livre e democrática. Ninguém deve esperar umha abordagem diferente do povo curdo e do Movimento de Libertaçom. No entanto, o Estado turco nem sequer dá um passo, nem tolera a criaçom da própria soluçom do povo curdo. O Estado turco nom pode sair deste ciclo vicioso se nom abandona as suas políticas e alianças anti-curdas.”

A saúde e segurança de Öcalan

“Como Movimento de Libertaçom Curdo, sabe-se que tivemos de recorrer à guerra por necessidade. A história tem provado que a paz na Turquia virá com a soluçom da questom curda, e que isso só é possível com a libertaçom dos povos curdos e do líder Abdullah Öcalan, que iram desempenhar um papel importante na realizaçom desta soluçom. Nosso líder é a ponte fundamental entre os povos turcos e curdos. O líder Öcalan tem apresentado a abordagem mais razoável para a soluçom da questom curda, mas a sua abordagem nom foi correspondida, polo contrário, foi colocado sob isolamento mais rigoroso.

Enquanto era sabido que os golpistas estavam muito irritados com o nosso líder por causa dos seus análises, as preocupaçons do nosso povo a respeito da sua saúde e segurança nom foram respondidas, assim como a nom concessom ao acesso polos avogados da sua família e garantia dos seus direitos mais básicos. Nom respondendo a essa demanda urgente isso prova que ainda nom existem políticas para a soluçom democrática da questom curda. Se houvesse qualquer intençom de umha soluçom política democrática, umha reuniom com Öcalan teria sido estabelecida. Neste contexto, o isolamento agravado imposto ao nosso líder é, na sua essência, um isolamento da soluçom política democrática.”

Possível soluçom caso o Estado turco tome medidas

A KCK enfatizou que umha soluçom para a questom curda poderia acontecer em um curto espaço de tempo, caso o Estado turco e o governo tomassem iniciativas. “Se desenvolverem umha política para essa soluçom, a questom curda será resolvida dentro de um mês, e a paz virá para a Turquia. Como movimento de libertaçom, a nossa preferência é por umha soluçom política democrática. É claro que vamos fazer todos os sacrifícios necessários para isso, o que requer umha postura do estado e do governo que garanta que eles nom vam instrumentalizar os cessar-fogos e períodos livres de conflito. Ninguém deve esperar um passo so unilateral nesta questom.

No entanto, se o governo do AKP mostra ter vontade de resolver a questom curda e selar um compromisso com o povo turco tomando assim as medidas necessárias tais como dar início às negociaçons para umha soluçom imediata com reunions entre a Comissom Parlamentar incluindo o HDP e o nosso líder, garantirem que Öcalan terá a oportunidade de se reunir com a sua organizaçom [KCK / PKK] e todas as partes dentro e fora do Parlamento, todos os grupos dentro da Turquia que tenhem pontos de vista sobre a democratizaçom e soluçons para os seus próprios problemas, principalmente os alevitas, ONGs e organizaçons intelectuais; nós, como Movimento de Libertaçom estamos preparados para cumprir todos os deveres no âmbito das medidas a serem tomadas e os compromissos recíprocos.

Esta nom é uma imposiçom, nem umhas pre-condiçons. Estas som as etapas necessárias para certificar de que nom retornaremos às condiçons terríveis em que nos encontramos hoje. Grandes perdas e dor forom causadas polas políticas que instrumentalizarom assuntos relacionados com a soluçom da questom curda.

Se as políticas de negaçom e extensom genocidas [contra os curdos] foram descartadas, nós, como Movimento de Libertaçom seremos os defensores mais destacados e praticantes de umha soluçom que permitirá ao povo turco viver em fraternidade. Este tem sido o nosso objetivo em todas essas décadas de longa luita, e vamos concretizar isso.

Publicado em Kurdish Question baseando-se na declaraçom da KCK publicada em ANF.

 

 

 

Entrevista com o Responsável de Relaçons Exteriores do PKK: Riza Altun

Pro-Kurdish demonstrators dance and hold a flag showing Abdullah Ocalan, the jailed leader of the Kurdistan Workers' Party (PKK) during a protest in Frankfurt, Germany April 10, 2016. A 'Peace March for Turkey and the EU', organized by "Avrupa Yeni Turkler Komitesi" (AYTK, European New Turks Committee) was held in Frankfurt and other German cities on Sunday. Counter-demonstrations by Kurdish and leftist groups were simultaneously held to demonstrate against what they say are the nationalist-Islamist policies of  Erdogan.     REUTERS/Ralph Orlowski - RTX29BHQ
Protesto em Frankfurt, Alemanha, 10 de abril de 2016. (Foto de REUTERS / Ralph Orlowski)

Os curdos som o povo mais oprimido da regiom nos últimos 100 anos. Embora eles tenhem umha presença forte, antiga e bem estabelecida na regiom, que entanto, caiu vítima dos conflitos nacionalistas dos impérios que os dominarom e governarom, bem como dos interesses das potências coloniais na regiom.

A entidade federal estabelecida no norte do Iraque foi a mais importante “realizaçom” até à data, conforme os curdos olham com grande otimismo repetir o mesma experiência no norte da Síria na regiom que chamam Rojava.

Mas essa experiência continua pendente, com a Síria envolvida em umha guerra geral infinitamente complexa. Na Turquia, por outro lado, os curdos enfrentam a mais desprezível das perseguiçons étnicas, apesar de serem o maior grupo dos povos com a história mais longa de luita armada, pola que pagou um preço muito alto cheio de sacrifícios incalculáveis.

Os curdos som agora um jogador de destaque na arena de Oriente Médio, particularmente desde a eclosom da chamada Primavera Árabe. O Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK) surgiu como um influente criador de cenários, especialmente na Síria e na Turquia, e a sua presença no Iraque aumentou consideravelmente, especialmente na guerra contra o Estado islâmico (IS), onde tropas curdas fam parte ao longo das várias frentes de batalha.

Para entender melhor as aspiraçons do PKK, nom há nada melhor do que entrevistar um dos seus líderes mais destacados e fundadores, que ocupou vários cargos importantes, o mais recente responsável de relaçons exteriores do Partido.

Em outras palavras, el é ministro de Relaçons Exteriores do partido, um trabalho muito sensível nestes tempos de interesses regionais e internacionais cruzados. Seu nome é Riza Altun, bem conhecido no Líbano e na Síria desde os tempos de residência de Abdullah Ocalan em ambos os países.

Na Turquia, por outro lado, é umha das pessoas mais queridas. Os líderes do PKK nom ficam em um lugar por muito tempo, como eles estam constantemente em movimento, entrar em contato com Altun nom foi fácil, mesmo através de meios tecnológicos modernos.

Contudo no final, e graças a esses mesmos meios de comunicaçom, As-Safir conseguiu a realizaçom desta entrevista com el, na qual expressou o ponto de vista do partido neste momento crítico na história da regiom, incluindo a Turquia, em particular , após a última tentativa de golpe militar lá.

As-Safir: Imos começar com uma questom clássica: Ainda luitam por um estado curdo independente na Turquia?

Altun: Nós nom vemos a causa curda como baseada sobre as aspiraçons nacionalistas ou étnicas específicas. Acreditamos que é a base para alcançar a liberdade de todos os povos do Oriente Médio e a pedra angular da relaçom simbiótica entre todos os componentes da regiom.

Em termos gerais, a nossa postura está ligada aos laços históricos e sociais que existem entre todos os povos do Oriente Médio. Uma revisom da história da regiom revela que sempre as aspiraçons nacionalistas forom a base para o estabelecimento de uma entidade separada, ditos anseios invariavelmente levarom a conflitos étnicos, nacionalistas, religiosos ou até mesmo sectários com outros componentes da sociedade. Portanto, estamos a tentar evitar cometer os mesmos erros. Se fôssemos seguir o mesmo caminho, encontrariamos-nos imersos no mesmo lamaçal que actualmente aflige o Oriente Médio, e isso acrescentaria às outras questons controversas da regiom. Estamos à procura de umha soluçom para o status quo vigente, conforme o nosso objetivo é encontrar umha resposta baseada na “democratizaçom” dos países que respeitem a sua própria pluralidade étnica, religiosa e sectária.

Em vez de um estado independente e apelar a separaçom, partiçom e similares, devemos-nos concentrar em conseguir a liberdade social para todos os habitantes da regiom. Antes da Primeira Guerra Mundial, nom havia estados [árabes], mas sim umha naçom árabe composta de clas e tribos, que fazia a essas comunidades mais interdependentes do que atualmente. Mas depois da guerra, a naçom [árabe] foi dividida em muitos estados, levando a um aumento dos problemas e incongruências entre os componentes da referida naçom.

As-Safir: Isso significa que as chamadas anteriores do PKK por um estado independente estavam erradas?

 Altun: Prefiro nom caracterizá-las como certas ou erradas. Naquela época, chamamos polo estabelecimento de um Estado independente, mas se esse estado fosse atingido em seguida, teríamos-nos focado na democratizaçom e incutir liberdades nela. Isso nom aconteceu. Com o tempo, o termo “independência” foi substituído polo de ‘liberdade’, porque este último é fundamental para nós e outros como nós. Por definiçom, a palavra “independência” nom inclue a noçom de liberdade, mas a “liberdade” sim inclue o da independência.

Após a I Guerra Mundial, a divisom do Oriente Médio em estados nacionais só criou mais problemas. Portanto centrar-se na criaçom de um Estado curdo nacional iria exacerbar os problemas existentes, mantendo o foco na liberdade é a chave para alcançar o sucesso.

A chamada Primavera Árabe rejeitou os regimes do Oriente Médio que surgirom após a Primeira Guerra Mundial. Isses regimes nunca poderiam levar à liberdade, felicidade e bem-estar.

O movimento takfiri Salafista representado polo ISIS surgiu em paralelo com a revolta da Primavera Árabe.

Assim, o foco deve ser sobre a forma de enfrentar esse movimento e os ideais defendidos polo IS e o movimento salafista visto que a soluçom nom pode vir através deles, e a sua metodologia nom poderia mesmo levar ao estabelecimento de um califado.

Por outro lado, as potências capitalistas e imperialistas também querem que as suas políticas avanzem através das suas intervençons. Esses poderes causarom a divisom do Oriente Médio em estados que eles voltarom umm contra o outro. Esta mentalidade orientalista que confere um caráter ao contrário sobre o Oriente nom é uma receita para o sucesso. Onde está indo o Oriente Médio? Que podemos fazer em meio dessa turbulência? As entidades nacionalistas surgirom, assim como os problemas. Nom temos nengum problema no surgimento de entidades nacionalistas que reflectem identidades nacionais, mas o problema reside no fanatismo nacional dentro dessas entidades. Como resultado, nom devemos esforçarmos de separar a nossa liberdade da dos que nos rodeiam.

As variâncias étnicas e a diversidade som importantes. Mas se chegamos a umha encruzilhada, seja para unir ou separar, entom a nossa posiçom favorece a unidade na diversidade. Vou-me referir, neste caso, aos curdos, árabes e persas, mas excluo aos turcos, que se instalarom mais tarde na regiom e nom som indígenas como as outras três civilizaçons que mantiverom as suas identidades étnicas, enquanto davam forma coletivamente a cultura da regiom.

Nossas respectivas culturas, costumes, cozinhas e assim por diante som semelhantes e representam umha unidade integrada. Como se pode chamar à separaçom da referida unidade? Nós afirmamos que somos todos muçulmanos e o Islám prega o direito de todas as religions para expressar as suas crenças. No entanto, vemos que o abate sectário está sendo perpetrado em nome do Islam, como as comunidades som postas umha contra a outra. Como é isso representativo do Islám, e como pode levar a umha soluçom? É a antítese dos princípios mais básicos do Islám. O plano proposto por Ocalan baseia-se na democratizaçom de todo o Oriente Médio, com todas as entidades a oportunidade de expressar-se como parte desta federaçom regional.

 As-Safir: A sua proposta é umha soluçom perfeita para os crescentes problemas da regiom. Mas, no caso da Turquia, existem outros grupos da sociedade turca, como os nacionalistas e os secularistas fervorosos, bem como extremistas islâmicos. A sua proposta angaria aceitaçom dentro desses grupos? Por que o problema curdo nom foi resolvido ainda? Que outras opçons tenhem os curdos na ausência de umha resposta positiva: confrontaçom pacífica através do parlamento ou umha continuaçom do conflito armado?

 Altun: O que eu digem sobre umha mudança de mentalidade será difícil de alcançar durante umha noite. Mas quando existe a estrutura apropriada para tal mudança, entom acreditamos que todos as povos do Oriente Médio vam abraçar esta mentalidade, com exceçom de povos com más intençons. Todos os povos que forom vítimas da opressom, exploraçom e destruiçom da guerra, que viverom em desespero, estam agora em busca de esperança. Acreditamos que esta proposta representa a esperança que as pessoas aspiram a alcançar.

O que dis sobre a realidade turca é verdade, a situaçom é complicada, mas temos vindo a resistir durante os últimos 40 anos.

O movimento kemalista tradicional insiste em permanecer no poder, mas el está em um situaçom de declínio. Mesmo os movimentos nacionalistas começarom a perder o seu brilho na sociedade.

[Recep Tayyip] Erdogan e a mentalidade do seu partido é sectária e explora as contrariedades do Oriente Médio para fazer avançar as suas políticas. Mas, ultimamente, o referido movimento diminuiu a um estado terrível.

A nossa proposta nom é perfeita, e será traduzida em acçom assim que surgir a oportunidade. Por exemplo, as partes que surgiram de confrontar o estado vinherom como resultado do tipo de mentalidade que nos chamamos de adoptar. As eleiçons do 7 de Junho forom muito importantes a esse respeito, pois impedirom a realizaçom do sonho de Erdogan de ter umha maioria parlamentar. O Partido Republicano do Povo [MHP] e o Partido [de Açom] Nacionalista [MHP] nom conseguirom formar umha verdadeira oposiçom ao Partido da Justiça e o Desenvolvimento [AKP]. A verdadeira oposiçom foi liderada polo Partido Democrático dos Povos [HDP], graças à mentalidade que defendida no chao e a inclusom de esquerdistas, alauítas, étnicas, comunistas, cristians e outras minorias. Essa mentalidade está baseada na democracia e no feito de que ela permite que essas minorias sabem que eles estariam autorizados a expressar-se livremente.

Outro exemplo dessa mentalidade é a revoluçom de Rojava na Síria. Em al-Qamishli, por exemplo, árabes, curdos, armênios, circassianos e turcomanos, entre outros, todos vivem na cidade. Nós nunca sequera defendimos que era umha cidade curda. Nós nom exigimos a sua expulsom, mesmo quando os árabes foram levados aló como parte de umha política de arabizaçom. Nós nom usamos o termo “Estado” em Rojava, porque o seu uso significa que está sendo imbuída umha identidade nacionalista, com umha etnia particular, representando a maioria, enquanto que outras etnias som excluídas. Propusemos umha alternativa que é o cantom, onde cada grupo étnico pode representar-se a si mesmo e administrar os seus próprios assuntos, através de umha autoridade maior [central], como é o caso agora.

Nós fazemos isto um ponto que os curdos nom se intrometem nos  assuntos dos siríacos ou outros povos “, na condiçom de que nengum outro povo deve constituir umha séria ameaça para o bem-estar dos outros.

As-Safir: Mas a experiência de Rojava é atualmente insustentável na Turquia, e o Partido Democrático dos Povos recebeu o 13% dos votos na Turquia, alterando assim a equaçom política pós-07 de junho, embora nom o suficiente para instigar a mudança. Vam manter a sua presença no parlamento, apesar da aparente falta de progresso ou é a confrontaçom armada a única saída? Em outras palavras, que papel desempenhara a força militar nesta fase?

 Altun: A nossa luita é multifacetada e inclui frentes de açom social, intelectual, diplomática, meios de comunicaçom e até mesmo militares, com o método utilizado, dependendo da atitude do Estado, enquanto tentamos explorar as oportunidades que nós achamos que tenhem alguma possibilidade de sucesso. Quando o Estado usa o poder militar para ameaçar a sua própria existência, encontra-se forçado a usar a violência para defender-se, como ocorreu recentemente. Qualquer avanço na frente militar será usado para efetuar umha mudança democrática.

Temos estado recentemente submetidos a grande pressom e fomos assim forçados a recorrer à resistência armada. Partidos e meios de comunicaçom estavam fechados, a imunidade parlamentar levantada e detençons, deixando-nos, mas umha via disponível; ou seja, o uso de força.

 As-Safir: De volta para a Turquia. Quem executou e estava atrás do último golpe de Estado? Que efeito terá isso sobre a guerra contra os curdos e a causa curda, em geral, particularmente após o exército turco fosse humilhado durante o golpe? Isso afetará a motivaçom do exército na sua guerra contra os curdos?

Altun: A situaçom na Turquia é altamente complexa, tornando difícil qualquer prognóstico futuro. Erdogan está a promover a ideia de que Gulen organizou o golpe. O que é falso e qualquer papel por este teria seria extremamente restrito.

Na Turquia, o poder tradicional kemalista está sendo confirmado através de umha tutela militar com umha mentalidade anti-curda, anti-Islam e anti-socialista. A ascensom de Erdogan ao poder foi através do apoio ocidental devido à falta de perspectivas disponíveis ao regime, como resultado das suas tradiçons kemalistas, entre elas a opressom dos curdos. Durante o reinado de Erdogan, o caminho foi extremamente irregular, mas no final, a tradiçom kemalista foi quebrada. Dous desses movimentos kemalistas existiam entre os militares – os que estavam tentando de se adaptar às políticas de Erdogan e outro que é mais tradicional, que considero que foi o responsável do golpe. Contudo, ao mesmo tempo, o mesmo movimento encontrou apoio entre outras facçons do exército insatisfeitas com o governo de Erdogan. O golpe fracassou, e atualmente estamos testemunhando um contra-golpe imbuído de um carácter civil. Estamos diante de um homem, chamado Erdogan, que nom reconhece a ordem constitucional. Mais de 50.000 pessoas foram presas até agora. Todos os professores universitários perderom os seus empregos, e 17.000 professores presos, com o número subindo cada dia.

O verdadeiro golpe é o que Erdogan está actualmente a realizar. Mesmo se nós assumimos que a tentativa de golpe fôsse bem-sucedida, o regime conseqüente nom teria sido democrático, mas anti-curdo. Nengum deles é melhor do que o outro: nem Erdogan nem o exército. Após as eleiçons do 7 de Junho, Erdogan rebelou-se contra os resultados, em um movimento que representou o golpe inicial, quando o regime se transformou em presidencial como outras instituiçons forom marginalizados, entre eles o Judiciário. O mais recente golpe militar foi um contra-golpe contra o golpe inicial de Erdogan, mas falhou, levando ainda um novo golpe.

Em suma, Erdogan é umha ameaça para os curdos e a regiom como um todo. As cousas que el fai nom passam de um prelúdio para futuras acçons seguindo as suas alianças com o IS, Jabhat al-Nusra, Ahrar al-Sham e outros movimentos reaccionários que el quixo explorar para se tornar o líder da regiom.

As-Safir: Vai aumentar a repressom interna e anti-curda após o golpe?

 Altun: Erdogan nom conseguiu atingir o seu aspirado papel, e el agora está tentando normalizar as relaçons com alguns, como Israel e Rússia. El só tem a Qatar e Arábia Saudita do lado del. Até tinha umha linha com os Estados Unidos, e o seu declínio levou-no a reavaliar as suas políticas. Internamente, os acontecimentos mudarom a situaçom no terreno, incluindo o seu monopólio da estrutura de poder. El até abandona os seus companheiros dentro do partido, e só um cortejo aquiescênte permanece ao seu lado, levando-o a cooperar com outras forças, a fim de atingir os seus objetivos. Todos estes desenvolvimentos prepararam o terreno para a última tentativa de golpe.

Erdogan nunca vai reavaliar as suas políticas passadas, mas vai continuar a aplicá-las. Chegou a umha bifurcaçom no caminho: quer permanecer no poder e matar todos os que se oponhem a el, ou ser morto. Nom há outra opçom. Se fosse a ser responsabilizado polas suas açons, el seria considerado culpavel de assassinato, corrupçom e dos subornos que recebe. Além disso, as suas açons nom conseguirom pôr fim a futuras tentativas de golpe. El vai tentar governar a Turquia, apesar do caos, mas vai embarcar Turquia em um caminho ainda mais caótico. As suas açons som claras, e el vai manter este curso e manter a mesma política contra os curdos da Síria. A questom curda é a chave para os problemas que a Turquia enfrenta, e é a chave que abre a porta para a salvaçom. Ou umha soluçom é atingida, ou a crise continua.

As-Safir: Entom el vai continuar a apoiar a oposiçom síria, apesar do golpe e a sua preocupaçom com questons internas?

Altun: Quando o Partido da Justiça e o Desenvolvimento chegou ao poder, Erdogan reconheceu a causa curda e comprometeu-se a apoiar umha retórica democrática. El dixo que iria resolver a questom curda; afirmaçons que o 80% das pessoas deu-lhes a bem-vinda, quando as conversas começarom a encontrar umha soluçom para o problema curdo. Mas voltou atrás na sua palavra e retomou as políticas adotadas anteriormente. Porque el nom conseguiu resolver a questom curda, abriu a porta para umha recorrência de futuros golpes militares. Esta onda de golpes de Estado nom vai ser interrompida até que a estabilidade seja restaurada na Turquia em breve, ou no futuro. Rejeitamos a política de Erdogan, assim como rejeitamos o golpe militar. Nós temos umha terceira linha de pensamento, segundo a qual a questom curda deve ser resolvida democraticamente.

As-Safir: Será que Erdogan perdurara devido à necessidade dos Estados Unidos del?

 Altun: A relaçom da Turquia com o Ocidente é estratégica. O Ocidente abraçou a [Mustafa Kemal] Ataturk porque este último tinha inclinaçons ocidentais. O problema reside no feito de que os turcos tenhem a sua própria cultura, mas abraçam e vivem um estilo de vida ocidental. O Ocidente utiliza os turcos como umha ferramenta contra os seus adversários. Eles aspiram a umha Turquia na OTAN e na Uniom Europeia, embora a Turquia nom concordara com as fantasias ocidentais durante a Guerra do Iraque. Por primeira vez, os kemalistas abandonarom as políticas dos EUA, levando à decisom de permitir a chegada de Erdogan e os islamitas ao poder, com os americanos jogando o papel preeminente nesse plano de matar dous pássaros com umha pedra, em que as tradiçons kemalistas decrépitas seriam superadas por novas políticas de Erdogan.

Erdogan nom é um líder nascido da vontade do povo. Os Estados Unidos preparou e trouxo-o ao poder. A estrela de Erdogan brilhou de um dia para o outro apesar de que el desprovida de qualquer estatuto oficial, exceto polo feito de que visitou os EUA, onde passou algum tempo e foi tratado como um líder. Posteriormente a isso, a fractura aumentou entre Erdogan e os EUA, devido às suas políticas contraditórias a Síria, Iraque, Líbia, Israel, Egito e outras questons. América nom podia mais tolerar as suas políticas que causarom problemas incalculáveis. Embora o Ocidente proclamou ser contra o último golpe, permanecerom em silêncio durante as primeiras horas, até que se tornou claro que o golpe tinha falhado. As declaraçons teriam sido diferentes se o golpe tivera sucesso.

As-Safir: Isso significa que os EUA desempenharom um papel no golpe?

Altun: Talvez. Guardou silêncio conforme desenrolavam-se os acontecimentos.

 As-Safir: Mas por que os EUA se envolveriam em um golpe destinado ao fracasso?

Altun: O papel da América, se houver, nom pode ser verificada. Mas Erdogan acusa a Gulen de orquestrar-lo, e este último vive nos EUA, onde nunca poderia ter organizado um golpe de Estado sem o conhecimento dos Estados Unidos.

A abordagem dos EUA ‘para a Turquia é diferente da sua abordagem para outros países. Nom importa o quam irritada pode tornar-se com a Turquia, nom deixa de ser na necessidade dos seus serviços. Existem problemas entre a Turquia e o Ocidente, mas isso nom significa que nom necessitem a Turquia, que tem um papel designado para desempenhar na regiom.

 As-Safir: Dige-ches que Erdogan adotou políticas nom em linha com as dos EUA, apesar do feito de que Washington o levou ao poder. Por quê? É por causa das suas aspiraçons de reviver o Império Otomano ou o desejo de monopolizar o poder na regiom? El nom sabe que a sua sobrevivência depende da aprovaçom dos Estados Unidos?

Altun: A ascensom de Erdogan ao poder nom tem nada a ver com as mudanças que el iniciou umha vez no poder. Erdogan surgiu devido a que as tradiçons nacionalistas, que el traiu, assim como el traiu a Necmettin Erbakan no processo, preferindo abraçar as políticas extremistas Salafistas islâmicas umha vez que assumiu o poder.

No início, Erdogan deveria ter governado por um período de tempo específico, mas os desenvolvimentos no Médio Oriente inflarom o seu ego e levou-no a adotar políticas autoritárias até o ponto onde pensou que era o líder dos sunitas no mundo muçulmano, conforme aspirava a construir um novo califado otomano, levando à sua fractura com os EUA. Todas as suas declaraçons tinham umha base no Islam, e a ironia é que a mesma Turquia, que abandonou a sua herança Oriental para adoptar tradiçons ocidentais mudou de curso para defender fortemente a sua herdança oriental e enfrentar o Ocidente.

As-Safir: Será que a América temer umha Turquia forte?

Altun: Medo da popularidade que Erdogan alcançara era motivo de preocupaçom para os americanos, levando a disputas entre eles ultimamente.

As-Safir: Há contactos entre o PKK e os EUA?

 Altun: Existem contatos, mas eles som de um nível baixo e nom incluem qualquer coordenaçom.

As-Safir: Contactos directos?

Altun: Estam em algum lugar entre diretos e indiretos.

As-Safir: Som positivos?

Altun: Caracterizar-los depende da regiom em questom. Por exemplo, na Rojava, os americanos apoiarom o modelo que surgiu lá e esforçarom-se para impedir a intervençom turca na área. Mas, por outro lado, os EUA fam vista grossa às massacres, assassinatos e a repressom perpetrada contra os curdos por parte do Estado turco. Os EUA coopera com as Unidades de Proteçom do Povo Curdo, fornece-lhes apoio e impede a intervençom turca. O papel os EUA é de duplo fio em funçom dos seus interesses, e a relaçom com Washington é, portanto, de natureza táctica.

As-Safir: Será que os americanos prometerom apoiar umha federaçom curda na Síria?

 Altun: Absolutamente nom. A política dos Estados Unidos é pragmática. Nom apoiam o federalismo, mas nom o rejeitam abertamente. Permite suportar a ideia até que o seu resultado seja evidente. Os interesses dos EUA ditam a sua abordagem do assunto. Adota umha atitude conciliatória para com todos. Nos bastidores, afirma que nom se opon à ideia de umha federaçom, mas publicamente diz que está contra o particionamento, tendo em mente que o federalismo nada tem a ver com o particionamento.

As-Safir: Será que Washington permitirá aos curdos atingir Afrin e conectar as regions curdas da área?

Altun: Os EUA estam a manobrar todos os elementos relevantes para impedir de obstruir o avanço dos Curdos cara Afrin. Mas está igualmente dizendo a Turquia que nom iria reconhecer a entidade curda de Rojava.

As-Safir: Tenhem contato com o regime sírio?

 Altun: Temos tido relaçons com Damasco desde o início, e os contactos nunca pararom. Mas eu nom podoo dizer que as reunions entre nós som numerosas.

As-Safir: Será que a saída de Ocalan da Síria afectou às relaçons com Damasco?

Altun: Honramos o nosso relacionamento e a ajuda que Damasco nos deu no passado.

As-Safir: A adoçom da nomenclatura federal sem consultar previamente afetou às relaçons à experiência, com as pessoas vendo-o como um movimento secessionista. É secessionista?

 Altun: Nós também criticamos a imposiçom de essa perspectiva, a redacçom do seu anúncio e o uso de Rojava nel porque Rojava continua a ser umha parte integrante da Síria unida. O anúncio deveria ter sido redigido de forma diferente e que se opôm ao texto do anúncio da federaçom. Apoiamos a criaçom de umha federaçom no norte da Síria, entom por que nom necessitamos de umha Rojava federal? Qual seria o destino do território sírio restante? Eles nom pensam sobre o resto da Síria.

As-Safir: De quem foi que falha? Nom há coordenaçom entre vocês e as autoridades de Rojava?

Altun:. Nom há coordenaçom no sentido de “Fazede isto ou aquilo”. Nós nom interferimos diretamente para lá, mas sim oferecemos sugestons, sem dar instruçons específicas.

Nós também criticamos te-lo anunciado antes da conclusom de um terreno adequado para o seu anúncio, que deu a impressom de que estava sendo imposta como um feito consumado, e isso é prejudicial. O plano deveria ter sido explica-lo antes de ser feito o anúncio. Nós preferimos o uso Federaçom do Norte da Síria e chamamos para a eliminaçom de Rojava do nome porque Rojava significa umha federaçom de identidade curda. Norte da Síria é o lar de todos os seus componentes, e a liberdade dos curdos nom está condicionada ao grau de liberdade doutros habitantes da regiom. A nossa atençom, portanto, é instituir umha revoluçom intelectual, sem a qual as questons tendem a ficar mais complicadas.

Riza AltunEntrevista realizada por Mohamed Noureddine e publicada em árabe em As-Safir, e traducida ao inglês por Kamal Fayad para Al-Monitor.

 

O curioso Golpe de Estado da Turquia e as Narrativas Pós-Golpe

POst PutschPor Gareth H. Jenkins

 Muitos dos detalhes do golpe de estado falido na Turquia o 15 de julho de 2016 ainda permanecem oscuros. Mas, embora seja possível que haja algum tipo de envolvimento, encontramos problemas com a narrativa a ser divulgada polo no governante Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP) que era umha questom só dos Gülenistas. O que está claro é que, dirigido por umha combinaçom de oportunismo e medo, o presidente Tayyip Erdoğan aproveitou-se do golpe para lançar umha repressom em massa que poderia desestabilizar fortemente um país já muito frágil.

INTRODUÇOM: O 20 de julho de 2016, Erdoğan anunciou o estado de emergência em toda a Turquia por três meses, alegando que eram necessárias medidas especiais para “limpar” a Turquia dos seguidores do clérigo islâmico Fethullah Gülen, que vive nos EUA desde 1999 e a quem el acusa de planejar o golpe falido.

O movimento Gülen começou a infiltrar-se nas forças armadas turcas (TAF) no final de 1980, animando a adolescentes que foam recrutados através das suas instituiçons de ensino de se inscrever nas escolas de formaçom de oficiais. Durante a década de 1990, conforme os Gülenistas intensificarom os esforços, o TAF começou a esticar os seus procedimentos de investigaçom de novos membros, enquanto que a inteligência militar constantemente arrastom o oficialato para tentar identificar quaisquer Gülenistas já dentro do sistema. A partir de meados da década de 1990, o TAF começou expulsar centos de oficiais, principalmente nas reunions bianuais do Conselho Militar Supremo (YAŞ), por suspeitas de simpatias Gülenistas. O processo foi muitas vezes brutal e ineficiente. Muitos daqueles que expulsou eram culpados de nada mais do que ser muçulmanos piedosos. Mas com as expulsons houve umha reduçom significativa – embora nom erradicados completamente – o número de Gülenistas que conseguiu infiltrar-se no corpo de oficiais. Havia também ocasions em que a inteligência militar utilizou as expulsons do YAŞ para os seus próprios fins. Na época, o estigma social anexo a ser licnciados por suposto ativismo islâmico, significava que normalmente so as empresas islâmicas ou municípios administrados por partidos políticos islâmicos permitiam empregar aos oficiais expulsos. Ocasionalmente, haveria agentes secretos entre os oficiais expulsos, no conhecimento de que eles seriam entóm captados por empresas islâmicos e poderia, retroalimentar a inteligência militar.

Depois que o Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP) chegou ao poder em novembro do 2002, os seus líderes deixarom claro que eles estavam incomodados com as expulsons do YAŞ. O general Hilmi Özkök, que foi nomeado Chefe do Estado Maior do Exército em agosto de 2002, estava consideravelmente menos preocupado do que a maioria dos seus colegas pola ameaça que representava o islamismo para o Kemalismo – o legado ideológico de Kemal Atatürk (1881-1938), que fundou a moderna República turca em 1923. Embora inicialmente continuou, no tempo que Özkök se retirou em agosto de 2006, os procedimentos de investigaçom tinham-se relaxado e as expulsons do YAŞ por alegado “fundamentalismo” tinham diminuído a quase nada. Mas nom houvera um declínio no número de Gülenistas que tentavam penetrar no exército. Polo contrário, animados polo que era na época era umha estreita aliança com Erdoğan, os Gülenistas aumentarom os seus esforços.

A passividade de Özkök diante da perceçom da ameaça islâmica conduziu ao mal-estar generalizado no corpo de oficiais. Através de 2003 e 2004 membros do alto mando sondarom os seus colegas sobre a tentativa de forçar a Özkök a umha reforma. A idéia recebeu consideraveis simpatias, mas poucos estavam preparados para agir – e foi finalmente, a contra gosto, abandonado. No entanto, apesar das reivindicaçons posteriores ao contrário, nunca houvo umha trama concreta para derrubar o governo. Nem foi considerada necessária.

Havia muito que existia consciência no TAF de que a era do regime militar tinha acabado. Também nom houvo muitos desejos para seu retorno. Os três anos de governo militar após o golpe de 1980 tinham danificado fortemente a image pública dos militares – e, detestavam como muitos turcos agora estam a lembrar que, desde o início de 1990 a popularidade pública dos militares tornou-se o principal instrumento através do qual o alto mando foi capaz de moldar as políticas dos governos eleitos. Houvo também a crença de que a crescente integraçom do país na economia mundial e o seu status desde Dezembro de 1999 como candidato à adesom à UE fazia que um ataque direto ao poder fôsse quase impossível. Na época, o apoio público à adesom à UE estava indo ao 70-75 por cento. O alto mando estava convencido de que, se eles davam um golpe, a economia entraria em colapso e a candidatura da Turquia à UE seria cancelada – lidando assim um duro golpe para o prestígio popular do exército. Em vez disso, aqueles que tinham estado planejando substituir a Özkök estavam confiantes de que tudo o que precisavam era um chefe agressivo de Estado Maio, a fim de dobrar o AKP à vontade do exército. No final de agosto 2006, eles tinham um, quando Özkök foi sucedido pelo general Yasar Büyükanıt.

Em abril de 2007, Büyükanıt emitiu um comunicado alertando o AKP contra a nomeaçom do entom ministro de Relaçons Exteriores Abdullah Gül à presidência, algo que temiam daria os islamistas um domínio sobre o aparelho do Estado. O AKP respondeu chamando a eleiçons antecipadas o 22 de julho de 2007. Nem Büyükanıt nem ninguém no exército fixo plano algum de tomar o poder. A suposiçom era de que, após a declaraçom de Büyükanıt, o AKP sofreria perdas maciças nas urnas. O oposto aconteceu. Quando as eleiçons se realizarom, o AKP voltou ao poder com umha maioria de votos. Um Alto Mando atordoado apenas conseguirom ver ao Gül tornar-se presidente em agosto de 2007.

 IMPLICAÇONS: Quando el chegou ao poder, o AKP sinceramente temia que pudesse ser derrubado por um golpe a qualquer momento. Isso mudou com as eleiçons de Julho do 2007. Os Gülenistas também ficarom encorajados. A partir de setembro do 2007, Gülenistas no sistema judicial e a polícia lançarom um bombardeio de investigaçons criminais – mais notoriamente as investigaçons de Ergenekon e Sledgehammer – que levou a centos de militares em serviço e retirados presos sob a acusaçons manifestamente fabricadas. Nom só foi o alto mando incapaz de libertá-los, mas, sob o general Necdet Özel, que foi chefe de Estado Maior entre o 2011-2015, fixo poucos esforços por fazê-lo. Os oficiais só forom liberados após a queda da aliança de Erdoğan com os Gülenistas no final de 2013. O resultado foi um ressentimento considerável no corpo de oficiais contra o Alto Mando. Anteriormente os oficiais estavam confiantes de que os seus comandantes sempre os protegiam. Agora nom era simplesmente desconfiança. Se o alto mando ordenasse às forças armadas como instituiçom realizar um golpe o 15 de julho, a esmagadora maioria dos 130.000 do corpo de oficiais teria recusado.

No momento da tentativa de golpe, os Gülenistas já tinham umha presença estável nas forças armadas mesmo que eles ainda representam apenas umha minoria do corpo de oficiais. Além disso, a presença Gülenista era piramidal, com umha concentraçom consideravelmente mais elevada entre os escalons mais baixos – especialmente entre os oficiais ascendidos após a chegada do AKP ao poder. A partir do 22 de julho, um total de 7.423 militares forom detidos sob a acusaçom de cumplicidade na tentativa de golpe. Estes incluem recrutas, muitos dos quais parecem ter acreditado que estavam participando de um exercício. No entanto, 118 dos 358 generais e almirantes da Turquia forom detidos, dos quais 99 estám oficialmente presos.

Embora nunca estiveram completamente homogeneizados, o corpo de oficiais atual é muito mais divers do que há umha geraçom, quer em termos de níveis de compromisso religioso, atitudes em relaçom ao poder político e opinions sobre o lugar da Turquia no mundo. Mas grande parte dessa diversidade é altamente fluida e individualizada (com, por exemplo, um oficial concordando com um colega em umha questom, mas discordando em outra) ao invés de fragmentar o corpo de oficiais em um mosaico de facçons distintas. É só entre Gülenistas e kemalistas da linha dura que o grau de compromisso ideológico compartilhado é rígido suficiente para formar a espinha dorsal para a criaçom de uma quadrilha que poderia realizar um golpe.

Nom há dúvida de que a tentativa de golpe do 15 de Julho era séria e realizada em nome dos kemalistas da linha dura. Os golpistas que divulgarom um comunicado justificando as suas açons descreverom-se como “Yurtta Sulh Konseyi”, ou “Conselho da Paz na Casa”, umha clara referência à famosa máxima de Atatürk “Yurtta Sulh, Cihanda Sulh”, ou “Paz em casa, paz no mundo”. A palavra usada em turco moderno para a paz é “barış” nom “sulh”.

Também nom há dúvida de que, embora eram suficientes para assassinar Erdoğan, as forças implantadas na noite do 15 de julho eram só umha pequena fraçom daquelas que teriam sido necessárias para tomar todo o país. O AKP alegou que o golpe foi planejado originalmente para as 3 horas do 16 de julho, mas foi antecipada para as 22 do 15 de julho em meio a temores de que a trama tinha sido descoberta. Isso explicaria por que nom todas as forças planejadas polos golpistas foram mobilizadas. Mas ainda há umha disparidade demasiado grande entre as forças que participarom da tentativa de golpe e aqueles que teriam sido necessárias para o seu êxito. A explicaçom mais lógica é que as açons iniciais dos golpistas foram projetadas para servir como um catalisador, na expectativa de que outras pessoas que nom faziam parte da conspiraçom original – entre os militares e a povoaçom -, entom, reunir o seu apoio. Ninguém o fixo. Mas, mesmo que o figessem, dado que o golpe de estado foi feito em nome do Kemalismo, seria promovido polos Kemalistas nom polos Gülenistas. Isto significa que, se fosse umha operaçom clandestina dos Gülenistas, eles deveriam ter pensado que nom havia apoio suficiente para que um golpe pró-kemalista obteria sucesso. Esse engano está presente na Turquia, mas entre um pequeno número de kemalistas obstinados, nom de Gülenistas.

CONCLUSONS: Muitos dos detalhes do golpe de estado do 15 de julho ainda permanecem claros. Embora seja difícil entender como umha organizaçom que passou décadas criando umha vasta rede global de fundaçons com um compromisso com a nom-violência e o diálogo iria arriscar tudo organizando um golpe – mesmo um de falsa bandeira – é, no entanto teoricamente possível que o Movimento Gülen fora o responsável. Também é possível, embora nom provado, que um punhado de oficiais Gülenistas entraram em pânico polos rumores que começarom a circular de que iam ser purgados na próxima reuniom do YAŞ o 01 de agosto de 2016 – e agiu de forma independente do movimento no seu conjunto. Mas há problemas com a narrativa simplista do AKP que o golpe de estado foi um assunto puramente Gülenista – especialmente porque, polo menos, alguns dos oficiais que confessaram desempenhar um papel activo som conhecidos por serem kemalistas da linha dura.

No entanto, depois de anos em que Erdoğan repetidamente tentou atribuir os seus fracassos políticos a conspiraçons imaginárias, agora confrontou com umha real. A sua resposta – o que parece ser motivado por umha combinaçom de oportunismo e verdadeiro medo – purgar nom só supostos Gülenistas mas a qualquer pessoa que nom considerava suficiente fiel a el mesmo. Como Erdoğan continue a destripar o aparelho de Estado, a preocupaçom é que as purgas vam-se expandir a perseguiçons em massa que podem desestabilizar ainda mais um país já muito frágil.

Gareth H. Jenkins é um Investigador nom residente do Central Asia-Caucasus Institute & Silk Road Studies Program Joint Center.

Publicado em Turkey Analyst.

Atribuiçom do debujo a bloomberg.com, acessado o 22 de julho de 2016

Falido golpe da Turquia e a Agenda Anti-curda de Erdogan

Erdogan e militaresO 15 de julho de 2016 aconteceu umha tentativa fracassada de golpe de Estado na Turquia. Mesmo nesta fase inicial, o processo pós-golpe, obviamente, terá consequências importantes. É importante compreender que este processo foi iniciado o 7 de Junho do 2015, quando Erdogan perdeu as eleiçons e fixo umha intervençom anti-democrática dos resultados. É importante fazer umha análise abrangente do golpe, a fim de compreender os potenciais resultados.

Inicialmente, é importante especificar que este golpe nom foi realizada por Gulenistas. Devido ao conflito de entre o AKP e os Gulenistas, simpatizantes de Gulen podem ter tomado parte na tentativa de golpe. Mas ao dizer que “os Gulenistas deram o golpe” o AKP e Erdogan estám tentando criar uma plataforma na qual eles poidam suprimir os partidários de Gulen ainda mais. Ao classificar o golpe como Gulenista (que muitas pessoas vêem como piores / mais reacionários), estam esperando conseguir os apoios, a fim de se vingar dos golpistas. Em outras palavras, eles estam tentando matar dous coelhos de umha cajadada.

É evidente que esta tentativa foi apoiada por umha boa parte do exército. Se eles o tivessem planejado e executado de forma mais profissional, poderiam te-lo conseguido. A este respeito, nom pode dizer-se que foi realizado por Gulenistas ou umha minoria; nom há suficiente presença Gulenista no exército para fazer um golpe.

Talvez muitos dos golpistas que estam empreendendo a guerra contra os curdos no Curdistam nom estavam envolvidos na prática, mas agora fala-se que muitos dos generais na regiom apoiavam o golpe. Eles foram cuidadosos, porque a sua participaçom teria dificultado o seu esforço de guerra contra os curdos. No entanto, muitos dos generais na guerra contra os curdos forom detidos como apoiantes do golpe.

A teimosia na guerra reforçou os golpistas

Quando o AKP nom conseguiu resolver a questom curda, que desviou a umha guerra de destruiçom contra o Movimento de Libertaçom Curdo o ano passado. Especialmente a finais do 2014 e depois das eleiçons do 7 de junho do 2015, o “mecanismo golpista” estava no lugar e resultou em umha coligaçom fascista [Erdogan-AKP, o exército e os ultra-nacionalistas]. Quando Erdogan mudou para a guerra, o exército tornou-se o principal jogador. Erdogan e o AKP eram dependentes do exército na sua guerra contra o Movimento de Libertaçom Curdo.

Como Erdogan decidiu intensificar a guerra e enviou o exército a destruir cidades curdas, o mecanismo golpista foi colocado no lugar. Durante a guerra, o Exército reforçou a sua própria mao contra Erdogan. Isso ocorre porque o exército só pode tornar-se um jogador central na política turca enquanto el está em guerra contra o Movimento de Libertaçom Curdo. Entom, depois de um período em que o exército tinha perdido a sua centralidade na vida política turca, através da noçom de Erdogan de que “nós ganhamos a guerra nas cidades, nos destruimos o PKK”, o exército, mais umha vez ganhou a confiança para tentar um golpe. Este golpe desejava redesenhar a política turca. A declaraçom dos golpistas aponta claramente a isso.

“Pelejamos-nos os quatro quando deveriamos fazer política”

Os golpistas som umha nova ala nacionalista, separada dos Ergenekonistas [estatistas nacionalistas tradicionais]. Esta nova tendência foi formada por umha oposiçom às políticas do AKP. Podemos até dizer que as alteraçons efectuadas nas política externa do AKP (renovar as relaçons com Israel e Rússia, e umha mudança de política em relaçom ao Egito, Iraque e Síria) pode ter estimulado essa nova formaçom. Estes golpistas, que também podem ser chamados de “neo-nacionalistas”, assistirom de perto a relaçom de cooperaçom entre o AKP e o ISIS. Devido ao feito de que eles estam na linha de frente, onde esta relaçom está a ser aplicada, eles aprenderom como funciona a relaçom entre o AKP e o ISIS. Se o golpe tivera sido bem sucedido, com o apoio do Ocidente, eles teriam perseguido o AKP por apoiar o ISIS.

Parece que o enfoque dos golpistas era: “O principal problema político da Turquia é a questom curda, e nós somos os que estamos na linha de frente, de modo que devemos modelar a política da Turquia”. Quando os governos civis nom tenhem políticas para a resoluçom da questom curda, o mecanismo golpista está sempre funcionando. O feito de que eles nomearam-se “O Conselho da Paz no País” é um reflexo do seu pensamento de que “imos conduzir a política quando se refere à questom curda”. Em suma, a sua abordagem foi “quem está luitando contra o PKK deve dominar a política e a própria Turquia”.

Após a tentativa de golpe: o nacionalismo sectário vai criar um ISIS turco

Após o golpe foi derrotado, o AKP e os seus aliados declararam-se como a “vontade do povo” e  as “forças democráticas”. O AKP agora espera reforçar o seu domínio sobre o poder e o seu sistema anti-curdo e anti-democrático. Neste contexto, a apresentaçom do AKP, os seus defensores e os seus aliados como os defensores da democracia constitui um desenvolvimento perigoso; o AKP pode mais facilmente implementar as suas políticas anti-democráticas e anti-curdas.

Dado que os aliados do AKP som o Partido do Movimento Nacionalista (MHP) e nacionalistas chauvinistas, um aumento no sentimento anti-curdo e abordagens anti-democráticas é de esperar. Estas forças tornaram-se ainda mais unidas após a tentativa de golpe; isto levará a um aprofundamento das políticas genocidas contra os curdos. Assim como esta tentativa de golpe encorajou o AKP, aos seus aliados e aos nacionalistas, também radicalizou os círculos nacionalistas sectários perto do AKP. Isto levará a umha nova geraçom de formaçons de ISIS turcos, como Osmanli Ocaklari (Aliança Otomana), um grupo paramilitar organizada polo próprio Erdogan. Eles já estam a organizar-se nos países europeus; ligaçons entre eles e ISIS estam já a ser debatidas. Esta tendência nacionalista sectária continuará a radicalizar e tornara-se em forças de repressom contra qualquer oposiçom ao AKP. Muitas das pessoas que tomaram as ruas durante este período eram destas organizaçons. Pode esperar-se que estes grupos vam intensificar os seus ataques contra o povo curdo. As forças da liberdade do povo curdo e as forças democráticas do país devem preparar-se contra esses ataques.

O que vai fazer o AKP e as responsabilidades das forças democráticas

Há declaraçons que dim que “esta tentativa de golpe deve ser transformada em umha oportunidade e plataforma para a democratizaçom”. Essas chamadas som feitas com boas intençons, mas precisam ser seguidas. Todas as tentativas de um golpe podem ser bloqueadas pola democratizaçom. No entanto, a retórica anti-golpe de Estado de alguns nom se baseia em umha mentalidade democrática; polo contrário, tenhem mais a ver com a luita polo poder. Essas pessoas nom som democratas ou anti-golpistas! Essas pessoas já tinham tomado o poder através de um golpe contra a democracia. Por esta razom, a democratizaçom nom se pode esperar delas, a fim de impedir possíveis tentativas de golpe. Essas pessoas vam usar esta tentativa de golpe, a fim cobrir osseus rostos e intençons reais. Eles já começarom a fazer isso.

A este respeito, esperar que o AKP vaia tomar medidas para democratizar o país em resposta a esta tentativa de golpe nom é senom um auto-engano. So precisa de dar umha olhada mais atenta a Erdogan e as alianças da sua Gladio. Nada mais que a evoluçom do sentimento anti-curdo e anti-democrático pode-se esperar desta coligaçom. E quando o AKP finalmente descarte esses grupos aliados, os grupos nacionalistas sectários vam radicalizar e tornar-se a versom turca do ISIS. Sob o guarda-chuva ideológico e político do AKP, umha versom mais radical da Irmandade Muçulmana será formado na regiom. Erdogan verá esta tentativa de golpe como umha oportunidade para os preparativos e tomara medidas para esse fim. Há já há facçons nacionalistas sectárias dentro da força policial. Erdogan viu as açons desses grupos durante esta tentativa de golpe. Turquia tornara-se um Estado policial. A polícia vai-se tornar em umha força armada alternativa ao exército.

As forças democrâticas devem novamente analisar a situaçom após esta tentativa de golpe. O fascista AKP tentará suprimir todas as forças democráticas. Tentará conseguir que todas as facçons da sociedade obedeçam as suas regras. Qualquer oposiçom vai ser rotulada como ” partidários do golpe” e será brutalmente reprimida. Se as forças da democracia nom agem para mudar essa situaçom, Erdogan irá forçar a todos a submissom. A este respeito, as forças democráticas devem compreender a realidade do AKP e os seus aliados e precisam formar umha nova frente de resistência.

Este artigo de opiniom foi escrito pelo Congresso Nacional do Curdistam, com sede em Bruxelas e publicado em KurdishQuestion.

 

 

Entrevista a Selahattin Demirtaş, co-presidente do HDP: “Nom temos outra opçom do que estar bem organizados e atentos, prontos para qualquer cousa”

demirtas 25Öcalan avisara a Erdogan sobre esta questom. ” Di-lhe, el nom entende, está agindo como um idiota “, dixo Öcalan. “Continuar o processo de resoluçom apoia-o , se esse processo termina, a mecânica do golpe vai intervir e el vai acabar como o Morsi de Egito”, avisou.

Selahattin Demirtaş, co-presidente do Partido Democrático dos Povos, definiu a tentativa de golpe como “umha tentativa de golpe de Estado duns golpistas contra outros golpistas “, e acrescentou: “Umha atitude clara deve ser adoptada contra as duas mentalidades golpistas e a luita deve ser reforçada, porque a mentalidade golpista que tentou tomar o poder através das forças militares usando tanques e canhons é ilegítima e  governar por meio de umhas eleiçons que se realizarom com umha guerra, violência, e o bombardeamento de cidades, é também um golpe civil.”

Demirtaş, lembrou que o Líder Curdo Abdullah Öcalan avisara a Erdogan sobre a “mecânica golpista” em todo o processo de diálogo, dixo que o Movimento de Libertaçom Curdo nom “aproveitou a tentativa de golpe” quando ocorreu:  as “guerrilhas curdas poderiam ter aproveitado essa tentativa e apreender muitas cidades, mas isso seria jogar da mentalidade pró-golpista. O movimento curdo, por nom fazer umha escolha entre as duas mentalidades pró-golpistas, mantivo umha postura digna, que insiste na luita democratica dos povos. No entanto, pessoas como Erdogan nom tenhem a capacidade de entender essa postura digna”.

O co-presidente do HDP chamou a “solidariedade” ao mencionar que com os grupos racistas e jihadistas que tomarom as ruas após a tentativa de golpe corre-se o risco de linchamentos e massacres.

Conversamos com Demirtaş sobre a tentativa de golpe que tivo lugar o 15 de Julho.

O que aconteceu ainda precisa de uma definiçom geral. Que foi exatamente?

Em primeiro lugar, é óbvio que houvo umha tentativa de golpe militar desde que o Exército empreendeu umha atividade militar que estendeu até bombardear o edifício do parlamento, a fim de derrubar o governo e tomar o poder. Que isso seja feito polo exército, pola força das armas exige que seja definido como umha tentativa óbvia de golpe de Estado. Umha vez que é definido de forma diferente, fica difícil de abordar a questom.

No entanto, as condiçons em que a tentativa de golpe se levou a cabo, os que desencadearom a tentativa de golpe, a posiçom do governo do AKP, estas som realmente aquelas que precisam ser definidas porque o poder atual é o poder que está governando através de um golpe de estado civil. Umha tentativa de golpe de golpistas contra golpistas … Se isso nom é precisamente definido, a questom nom pode ser feita. Entom, a posiçom tomada será igualmente errada e tal erro iria jogar nas maos do AKP no âmbito de um slogan “anti-golpe”.

É necessário tomar umha posiçom clara contra as duas mentalidades pró-golpistas e deve ser realizado um esforço. Um golpe civil para governar por meio de umhas eleiçons que foi realizada na sequencia da guerra, a violência, o bombardeando de cidades é tam ilegal quanto as forças golpistas que tentarom alcançar o poder através de meios militares, com tanques e armas.

Nós já levamos resistindo ao golpe do AKP por mais de um ano. O AKP, que extorquiu o poder desde o ano passado, nom pode ser absolvido só porque um bando dentro do exército acaba de tentar usurpar o poder. Estamos contra o golpe, principalmente; apresentamos a nossa posiçom como tal e ponto final. É necessário trabalhar umha política baseada em umha perspectiva que nom encobra o golpe feito polo AKP também. Nos nossos informes, apontamos a umha liga pola democracia tanto contra a mentalidade pró-golpista dentro do AKP como a camarilha pró-golpista dentro do exército. A alternativa é umha liga pola democracia, porque os próximos desenvolvimentos iram determinar o futuro do país. Ou o AKP vai embora e as forças da democracia terám o poder ou o AKP vai fazer o seu próprio golpe permanente, institucionalizando-o, aproveitando esta tentativa de golpe militar.

Como poderia esta camarilha golpista acreditar que a tentativa seria bem sucedida? Em quem ou o que confiavam?

Desconheço-o. A camarilha golpista nom tinha apoio político. Di-se que o golpe foi realizado sem apoiar-se em nengumha alternativa política. Há só umha cousa que eu sei: nom era umha camarilha que dependesse do HDP ou das forças que o HDP representa. Essa é a única cousa da que temos certeza. No entanto, se a camarilha tinha quaisquer contacto com outras forças políticas ou foi um golpe planejado por algumas outras forças políticas? Nom podemos sabe-lo. Pode ficar claro nas próximas semanas ou meses. No entanto, na Turquia algum tem sempre um entendimento de que espera a ajuda de um golpe. Houvo sempre umha mentalidade pró-golpista que acredita que nengumha força, exceto o exército pode consolidar a democracia no país, mas nom podo saber com quem essas pessoas tenhem relaçons políticas.

Esperava essa tentativa de golpe? Recebeu algumha especulaçom ou já preveia umha coisa assim?

Fazer tal previsom seria difícil, mas ao mesmo tempo durante as conversas em Imrali, o Sr. Öcalan descreveu a mecânica do golpismo e ilustrou-no correctamente com exemplos históricos. El muito bem explicou como as chamadas mecânicas golpistas funcionam na Turquia. Assim, el previa que a mecânica golpista seria implementada umha vez que o processo de resoluçom acabara. E, nesse sentido, advertiu a Erdoğan muitas vezes. El dizia: “Di-lhe, el nom entende, está agindo como um idiota.” Continuamente o avisou, dizendo: ” Continuar o processo de resoluçom apoia-o , se esse processo termina, a mecânica golpista vai intervir e el vai acabar como o Morsi de Egito”.

Como forom os passos concretos da mecânica golpista depois de rematar o processo?

Sim, poidemos observar e muito bem compreender a mecânica golpista durante essas conversas. Quando o processo terminou, a chamada mecânica golpista já estava em funcionamento de algumha forma. A guerra contra os curdos, a destruiçom no Curdistam, o esforço do exército a tomar a iniciativa de novo, Erdogan pondo-se em reserva do exército, a renuncia do seu poder sobre o exército, a sua proposta de aliança para um bloco nacional-fascista e a rendiçom da sua vontade a esse grande bloqueo, el praticamente fazendo tudo o que este bloco quer só para ganhar a guerra contra os curdos forom realmente os sinais da mecânica golpista em funçom.

Será que o Bloco de Estado Turco, que foi formada como umha consequência da guerra contra os curdos, leva a isso?

O Staff General obtivo todas as promessas de Erdogan antes de entrar na batalha das cidades. Ou seja, entregou o sistema presidencial, e, no máximo, haveria presidência com partidos políticos, Erdogan iria desistir da idéia de aproveitar todos os poderes do Estado para si mesmo; aprovaria a lei de impunidade e nom haveria caminho de volta para as negociaçons do processo de resoluçom. Tais promessas forom feitas e, portanto, o exército começou a luitar nas cidades.

Se lembrar, dixo-se no início que esta era umha guerra do Palácio e as pessoas estavam reagindo fortemente contra Erdogan nos funerais de soldados e policias. O exército também duvidava de luitar nas cidades e formulou um parecer sobre nom entrar nas cidades. Nos primeiros momentos os tanques entraram na cidade em Silvan e em pouco tempo eles afastarom os tanques da batalha, o exército expressou a Erdogan que nom iam entrar na cidade. Depois disso, Erdogan entregou-lhes a sua vontade, a fim de fazer um acordo com o exército e tornar o exército à luita nas cidades e entrar às cidades com tanques e armamento militar.

As relaçons e mecanismos internacionais também começarom a exercer pressom sobre Erdogan.

Isto foi completamente a mecânica golpista definida polo Sr. Öcalan. Estava funcionando perfeitamente. Enquanto a paz e o acordo nom forom feitas e umha aliança nom foi formada com os curdos, a guerra contra os curdos desencadeou o mecanismo de golpe como um relógio quando chega a hora.

Neste caso, nom deve estar surpreendido com a tentativa de golpe, certo?

Nom, nom estou surpreso. Estávamos esperando tal processo, mas é claro que era impossível para nós adivinhar, prever ou fornecer informaçons sobre o golpe. No entanto, nom ficamos chocados quando aconteceu porque se estava aproximando abertamente. Como isso aconteceria era um mistério. Seria um golpe pós-moderno como o do 28 de fevereiro, ou o exército completaria o golpe, aproveitando-se de Erdogan com o o exército ganhando lentamente a iniciativa da guerra no campo? Isso nom o sabiamos. No entanto, também se sabia que nom havia só umha camarilha no exército. Estruturas comunitários, chauvinistas, nacionalistas, americanistas forom separando-se em facçons. Nom é possível afirmar que esses grupos concordem entre si o 100% e concordem com Erdogan.

Sabe-se que houvo tensom antes de o Conselho Militar e que havia divergências antes das consultas. O Conselho Militar foi muito importante este ano. Cada conselho militar nos últimos anos tem sido muito importante, mas o Conselho Militar desse ano foi histórico para eles. Esperava-se que a tensom subiria. No entanto, ninguém estava esperando que isso se transformar em uma tentativa de golpe.

Após a tentativa de golpe, alguém do governo chamou ou tentou contatar com você?

Nom, ninguém o fixo. Houvo troque de informaçons com os nossos colegas, mas ninguém do governo contactou-nos.

Que vai acontecer? Por exemplo, pode haver uma mudança de política sobre a guerra curda? A paz pode estar na agenda? Ou será que a política de violência continuará a aumentar?

Isso depende da atitude que adote o Erdogan e o AKP. Na verdade, apareceu umha oportunidade. O Sr. Öcalan, durante as negociaçons, falou constantemente sobre a estrutura paralela no governo. “Essa mentalidade pró-golpista sempre foi um obstáculo para umha resoluçom”, alertou. Se essa mentalidade pró-golpista realmente vai ser dissolvida e se chegamos a um ponto onde a política civil e a resoluçom do problema curdo nom sejá abordado de forma provocativa; Se Erdogan realmente presta atençom aos avisos do Sr. Öcalan, um processo saudável e duradouro para a paz pode continuar. Em última análise, o enfraquecimento da mentalidade pró-golpista e a tradiçom golpista no exército, da vida civil, judicial, e da burocracia é para o benefício da democracia. No entanto, uma vez que há umha outra mentalidade golpista como o AKP contra nós, umha verdadeira compreensom da democracia nom surge.

 Que seria necessário para umha evoluçom em umha direcçom diferente?

Isso pode vir a ser umha oportunidade se Erdoğan entra em sentido e aqueles em torno del possuem a inteligência para perceber a magnitude do perigo e que a mecânica do golpismo nom desaparecera e compreender que a ameaça de golpe nom chegará ao fim enquanto a questom curda nom for resolvida em paz; umha democracia institucional e umha constituiçom libertária nom está na açom. No entanto, eu acho que isso é umha probabilidade muito pequena porque o AKP sempre usou essas oportunidades em favor da sua consolidaçom, o reforço do seu próprio poder, nom em favor da democracia. [As negociaçons com a] Uniom Europeia, cessar-fogo, processo de retirada dos guerrilheiros [retirada das fronteiras turcas], o AKP tentou-se beneficiar de todos estes.

Os resultados das eleiçons do 7 de junho de 2015 eram certamente umha oportunidade de democratizaçom e reconciliaçom e o AKP nom quixo usá-lo, tampouco. O AKP queria fortalecer-se novamente com umha instrumentalizaçom da guerra para as seguintes eleiçons do 1 de Novembro de 2015.

Ou seja, existe umha oportunidade para começar umha nova democracia em cima de umha fracassada tentativa de golpe; no entanto, o AKP nom é um partido capaz de fazer tal cousa e Erdoğan tampouco nom é um líder capaz de fazê-lo. Portanto, em vez de estar na expectativa de AKP e Erdoğan, precisamos ampliar o campo da democracia e levar, também, umha luta muito mais dura contra as duas mentalidades golpistas. A tensom vai aumentar a cada passo desde as multitudes que saem às ruas por Erdoğan nom estám em umha luita pola democracia ou algo assim. O primeiro-ministro está falando sobre alegria, mas este tem sido simplesmente umha festa de alguns reaccionários.

 Vários meios estam dizendo que há movimento nas ruas, o que é preocupante e prestes a cometer linchamentos …

Sim, mentalidade pró-ISIS, grupos pró-ISIS, incluindo Huda-PAR [um partido político islâmico do Curdistam Norte], AKP, todos os religiosos, grupos reacionários que estam fazendo um “tour de force” nas praças e exibindo o que entendem por democracia também. Eles nom querem ver ninguém, mesmo como cidadaos. Especialmente durante a tentativa de golpe, você já viu mesmo o que fizeram a os pobres recrutas fanfarrons inocentes. Até ontem, os que gritavam “mártires som imortais, a pátria está unida” quando os soldados de reempraço morriam na guerra estam agora linchando e torturando a esses soldados, cortando as suas gargantas.

A este respeito, estes grupos reacionários constituem umha ameaça importante, impedendo umha esperançosa democracia. É necessário dar a luita contra eles, mas também porque eles vam ficar mais atrevidos e funcionando por livre em todos os campos. Em todos os campos, eles vam tentar agir de forma mais imprudente. Eles podem realizar campanhas de linchamento contra os curdos, alevitas, esquerdistas, forças progressistas; eles podem até tentar massacres umha vez que estas pilhas se sentam muito mais forte a partir de agora. Esta será umha ilusom deles, mas eles nom som capazes de se libertar dos seus próprios delírios. Essa mentalidade reacionária está desprovida de qualquer análise histórica; desprovida de fazer avaliaçons políticas corretas; desprovida de compreensom dos equilíbrios internos da sociedade. A mentalidade de quem nom tem idéia de tudo isso pensa que pode mudar tudo com base só na força bruta.

Na verdade, a tentativa de golpe foi desativada graças ao posicionamento de companheiros de todos os partidos políticos, incluindo-nós. Claro, nós nom fizemos isto para apoiar o AKP mas o AKP vai tentar avaliá-lo assim e vai querer tomar vantagem delo. No entanto, se eles foram um pouco éticos e inteligentes, o AKP iria perceber o quam valiosa é a postura anti-golpista do HDP e do Movimento de Libertaçom Curdo. Eles dirigiriam em direçom à democratizaçom e reformas, deduzindo fazer isso nom para si mesmos. Mas eles nom tenhem umha mentalidade assim.

Qual é a posiçom do Movimento de Libertaçom Curdo contra o golpe?

Erdogan estivo acusando o movimento curdo de estar conspirando contra el junto com as estruturas paralelas. El está tentando explicar o término do cessar-fogo com este ponto de vista. Esta tentativa de golpe demonstra claramente que nom é o caso. O movimento curdo nom mostrou nengum ato de incorreçom durante as horas da tentativa de golpe na prática. Isso deve ser observado nos livros de história. Essa ampla guerra ainda está em curso, mas nem um só guerrilheiro do movimento curdo disparou sequer umha bala naquela noite. A guerrilha nom tomou posiçom com os golpistas. O povo curdo nom tomou partido com os golpistas. A guerrilha curda poderia tirar proveito dessa tentativa e entrar em várias cidades. Mas isso seria jogar nas mans dos golpistas. O movimento curdo nom escolheu entre as duas mentalidades pró-golpistas, demonstrando umha postura digna, persistente na luita dos povos pola democracia. Mas mentalidades como a de Erdogan nom tenhem a capacidade de entender essa honrosa postura.

Temos de estar preparados para um desafio mais difícil em qualquer caso. Precisamos estar preparados para umha luita muito mais difícil em todas as áreas. Erdogan e a sua mentalidade realizou “operaçons ilegais de inteligência”, umha vez no poder. Nas operaçons contra o KCK eles prenderom milheiros de pessoas e, em seguida, anunciarom ter prendido milheiros de pessoas erradas. Mais tarde, na operaçom Ergenekon, foi o mesmo. Em operaçons contra a comunidade Gulenista, eles estam prendendo pessoas aleatórias. Agora sobre a tentativa de golpe o AKP está novamente prendendo ou cessando a qualquera que eles vêem como umha ameaça. Nom há espaço para a justiça ou equidade no mundo de Erdogan. Agora, todos os grupos da oposiçom que pareçam ser opostas a Erdogan podem ser julgadas e removidas do exército e do aparelho judicial. Isso requer atençom. Os golpistas devem ser julgados, presos e condenados perante a lei. Mas no disfarce das operaçons anti-golpe, grupos de oposiçom podem ser ainda mais oprimidos, canais de televisom e meios de comunicaçom podem ser fechados. Todos isto requere mais atençom. Nom devemos permanecer em silêncio contra as políticas injustas cara círculos inocentes.

E, claro, organizar o povo, entretanto, é umha obriga.

Mas como? A confusom é comum tanto na sociedade curda como na frente democrâtica. Ou seja, que pode fazer-se para intervir no processo?

A tentativa de golpe é tam recente e ainda nom está totalmente sob control. Ainda estam desaparecidos helicópteros e comandantes do exército cuja localizaçom é desconhecida. O seu paradeiro nom é certo. Por isso, Erdogan e a sua linha da frente ainda estam nervosos. Aparentemente, o golpe nom está totalmente reprimido. A parte sistemática e ampla do golpe está terminado, mas os seus pontos focais nom estam identificados. Tanto quanto se pode ver, esta é a imagem. A sociedade também está um pouco intranquila. Claro que a sociedade está contra os golpistas, mas as multitudes do AKP está levando às ruas estám realizando manifestaçons reacionárias, e assemelham jihadistas, membros do ISIS, assim que a sociedade em geral nom pode demonstrar a sua postura anti-golpe nas ruas e praças. Somente as multitudess organizadas como turbas polo AKP estam inundando as praças.

É claro que as águas voltaram limpas em um par de dias. Nom devemos deixar o espaço público nas maos das turbas reacionáris. Devemos tomar as praças, dizendo que “nem o golpe palaciano, nem o golpe militar”, “nom há nengumha opçom mas que a democracia”, e tomar as ruas contra todas as mentalidades golpistas. Porque as ruas som legítimas. O AKP leva vantagem deste quando se trata do seu ganho, e quando nom é, eles tentam bloquear as ruas, aterrorizar as ruas. Nós nom devemos cair nesse enredo, essa tirania do AKP. Umha cousa é clara agora: As ruas nom som legítimas só para o AKP. Quando a oposiçom encha as ruas no futuro, se o AKP tenta oprimir e dominar as ruas, todos devem lembrar-lhe o AKP a legitimidade das ruas.

Os linchamentos forom comuns nas ruas; pobres soldados fanfarrons sendo abatidos. O Erdogan nom mencionou nengum deles. Por favor, lembre, quando nós chamamos as pessoas às praças para a Resistência de Kobanê, nós nom chamamos para a violência, e 48 membros do HDP forom assassinados de um total de 55 pessoas. O AKP tentou r mesmo botarnos a culpa a nós. Hoje, eles estam linchando pessoas na televisom ao vivo, estam matando jovens recrutas, inocentes que foram redigidos pola força ao serviço militar obrigatório, o que o primeiro-ministro chama de “festa da democracia” e o Presidente da República chama “direito de manifestaçom”. O povo deve estar atento a eles. Se estas turbas continuam governando o país e fortalecendo-se, o seu desejo é o de que haja linchamentos. Eles gostariam de governar com esta mentalidade e temos de tomar as ruas para impedir-lhes sentir esse falso poder.

 Entom prevê umha ameaça de linchamentos e massacres?

O AKP pode dirigir essas massas, esses grupos para atacar certos bairros. Todo o mundo precisa de prestar atençom. Bairros curdos, bairros alevitas, e esquerdistas podem-se transformar em objetivos. Todo o mundo tem direito a necessária defesa contra qualquer ataque. No caso dessa situaçom, umha força de resistência legítima seria necessária que fôra organizada para atuar independentemente de quem ataque.

Estamos passando por dias e horas críticos. O golpe nom foi totalmente anulado. Outras facçons também podem tomar medidas para um golpe. O AKP está a abusar das sensibilidades sociais, provocando-os, tentando levar a nossa postura anti-golpe a um rendimento político, e isso pode desencadear outros movimentos sociais. Nom temos outra opçom do que estar bem organizados e atentos, prontos para qualquer cousa.

Entrevista realizada por OSMAN OĞUZ e publicada na web do HDP.

 

O golpe de Estado Falido na Turquia e a Questom Curda

Falido golpe de estado e a questom curdaO seguinte artigo de opiniom foi escrito polo membro do Comité Executivo e fundador do Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), Duran Kalkan o 17 de julho do 2016. Pode ser lido como a posiçom oficial do PKK sobre a fracassada tentativa de golpe de estado na Turquia.

A tentativa de golpe de estado especulada há muito tempo finalmente chegou na noite do 15 de julho e continuou até o 16. Um grupo dentro do exército turco tentou um golpe contra Erdogan e o seu partido governante AKP. Avions e helicópteros bombardearom pontos primários: o parlamento, o palácio presidencial, o Serviço Nacional de Inteligência (MIT) e várias sedes da polícia. O hotel onde Erdogan estava hospedado também foi bombardeado umha vez que el já nom estava. Embora o golpe ainda está por ser completamente eliminado, é mais do que evidente que o golpe falhou e a situaçom tornou a ser dominada polo governo do AKP.

O fracasso do golpe nom só veu pola resistência do AKP. Os partidos da oposiçom CHP, MHP, HDP; todas as instituiçons da sociedade civil, a imprensa e a própria sociedade estava contra o golpe militar e resistiu. Umha reuniom parlamentar extraordinária o 16 de Julho tomou umha posiçom contra o golpe e assumiu o control sobre a situaçom.

Os resultados atuais mostram que a tentativa de golpe já tivo mais consequências significativas. O número de mortos está perto de 300 com 161 civis mortos. Cerca de 1.500 pessoas ficarom feridas e mais de 3000 presos (este valor tem subido desde entóm). Depois de fugir do seu hotel em Marmaris, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan estivo a voar por algumas horas após receber um aviso da cima de membros do escalom das forças armadas, incluindo o chefe do Exército, era mantido como refém polos golpistas.

Ao que parece, segundo os plans do chefe do golpe militar do 12 de setembro de 1980,  o famoso “para fazer um golpe bem sucedido” de Kenan Evren, foi um fracasso completo nesta ocasiom. A tentativa de golpe nom foi realizada pola cima do comando militar e nom se baseava na cadeia de mando. O oficial de mais alto escalom a ser preso até agora é o Segundo Comandante Militar. A maioria dos golpistas parecem ser da Força Aérea.

Erdogan e o AKP estám acusando à “estrutura paralela” da tentativa de golpe e dizendo que som “terroristas”. Em outras palavras, estam acusando ao clérigo islâmico Fethullah Gulen, actualmente a viver no exílio nos EUA, e aos seus partidários de ser responsáveis do golpe. Se esta afirmaçom é verdadeira ainda nom está confirmada. No entanto, é mais provável que os golpistas sejam um grupo pequeno, mas ideologicamente unificado.

A grande maioria da opiniom pública na Turquia se opôs ao golpe e condenou-no. É significativo e compreensível que umha sociedade, que sofreu fortemente devido aos golpes em 1960, 1971 e 1980 atos como este. A opiniom pública internacional estivo junto ao governo eleito e contra o golpe. A povoaçom curda que vive sob perseguiçom militar diária opuxo-se ao golpe militar e mostrou que estam contra todas as formas de golpe militar.

Atualmente há discussons em curso sobre a tentativa de golpe e isso vai continuar por um tempo longo. Alguns comentaristas digerom que o golpe está ligado a próxima reuniom do Conselho Militar Supremo (YAS). Alega-se que os indivíduos que iriam ser dispensado do exército efectuaram o golpe. Outros acrescentaam que o golpe foi um ataque preventivo por este grupo, que iam ser presos em umha operaçom interna.

Estas avaliaçons e suposiçons podem ter algumha validade. Mas há limitaçons para esta maneira de pensar. A Turquia é um país, que tem sérios problemas em relaçom a sua democracia, em particular no que respeita à questom curda. Desde o 24 de julho de 2015, a República da Turquia e o governo do AKP travarom umha guerra em grande escala contra o Movimento de Libertaçom Curdo e o povo curdo. Analisando a tentativa de golpe sem ter isso em conta nom é possível. Em resumo, este golpe ocorreu em um estado, que desde o ano passado vem constantemente realizando ataques brutais, a maioria dos quais som crimes de guerra, contra o povo curdo. O Exército turco, no que nasceu o grupo golpista, está luitando a maior guerra da sua história de 95 anos e realizando ataques genocidas contra os curdos. Portanto, a tentativa de golpe cresceu em um exército que está travando umha guerra muito injusta contra pessoas inocentes.

Portanto, nom é possível avaliar o golpe de Estado sem ter em conta a guerra e as massacres no Curdistam. Neste sentido, é significativo que o grupo golpista se chamasse “Conselho Turco da Paz”. Embora nom poidamos saber como pacíficos som ou teriam sido, sabemos que eram parte de um exército que está massacrando pessoas no Curdistam. Além disso, os líderes eram parte de umha força aérea que está bombardeando as montanhas do Curdistam, o centro da cidade de Nusaybin e mesmo cemitérios curdos. É certo neste sentido para nós ser cépticos. O feito de que a sua declaraçom nom despertara a devida atençom nos meios de comunicaçom é também umha causa de incerteza.

Mesmo que nom está exatamente claro o que eles queriam fazer, nós sabemos como eles queriam fazê-lo. Eles som um grupo golpista e sabemos que a democracia nom floresce de golpes militares. Aí é compreensível que os revolucionários e democratas foram os primeiros a rejeitar o golpe e de um jeito consistente. Eram só os revolucionários e democratas quem defendiam que os problemas do país nom poderiam ser resolvidos com um golpe de Estado, mas com umha revoluçom democrática e a democratizaçom.

É claro que todo golpe militar é mau e reacionário. Portanto estar em contra o golpe, exige que as condiçons que provocarom o golpe sejam alteradas. Embora o AKP está demonizando os golpistas, nom querem mudar as condiçons que tornarom possível o golpe. Os golpes de estado militares surgem normalmente em lugares onde há umha deficiência na democracia e ditadura. Assim, a tentativa de golpe é a prova de que o governo de Erdogan e o AKP nom é democrático, mas umha ditadura. Portanto, até que a ditadura de Erdogan e o AKP seja superada, umha verdadeira democracia na Turquia nom é possível, deixando a possibilidade de golpes militares continuamente na ordem do dia.

O que fai a República Turca umha ditadura e assume a administraçom de Erdogan-AKP, apesar de todo o seu protesto, por este caminho, é a sua política de genocídio e negaçom contra o povo curdo. Em outras palavras, é a questom curda que foi criada polo fascista Estado-naçom turco. Se olharmos com cuidado, podemos ver que o golpe ocorreu exatamente um ano após que Erdogan digera: “nom há nengum problema / questom curda”, e enviou o exército queimar e destruir as áreas curdas, como Sur e Cizre. Assim, enquanto a inimizade e as políticas contra os curdos continuam, a possibilidade de golpes militares continuará também.

Entom qual é a soluçom?

Isso nom pode ser mais claro; é necessária umha resoluçom democrática da questom curda, com o reconhecimento dos direitos nacionais-democráticos de todos os curdos. A mudança de mentalidade e política que realizara isso também vai tornar a Turquia umha democracia real. Umha Turquia verdadeiramente democrática significará o fim dos golpes militares. Nom há outra maneira de prevenir outro golpe. Derrotar hoje o golpe nom salvara o país de possíveis golpes futuros.

Assim, embora seja importante que o golpe recente fosse derrotado, é mais importante democratizar e mudar as condiçons para evitar um outro. Isso significa transformar a aliança anti-golpe de Estado em umha aliança e prática que pode realizar a democratizaçom, que pola sua vez significa que o AKP deve superar a sua mentalidade anti-curda e ditatorial.

Os curdos sempre digerom que estavamos prontos para a democratizaçom. O HDP e o povo curdo tenhem exibido umha atitude clara contra o golpe. o líder curdo Abdullah Ocalan advertiu o governo do AKP de um golpe 15 meses atrás e afirmou que o povo curdo estava pronto para umha soluçom democrática para a questom curda. Se as reaçons internas e externas contra o golpe som realmente sinceras, entom devem pressionar o AKP pola democratizaçom. Afinal, umha Turquia democrática é bom para todos, exceto para um punhado de turbas fascistas.

Publicado em Kurdish Question.