A questom turca

a-questom-turcaPor Ozkan Kocakaya

A questom de como resolver a crise causada pola deterioraçom das relaçons entre a UE ea Turquia está a ganhar intensidade cada dia. O venres, o presidente da Turquia Erdogan ameaçou com abrir as portas da fronteira para permitir que milhons de refugiados viajem para a UE em resposta ao voto nom vinculativo do jôves dos deputados europeus no Parlamento Europeu para congelar as negociaçons de adesom da Turquia. Foi o último (que nm derradeiro) capítulo que sublinhou a queda da Turquia em umha ditadura.

As negociaçons de adesom da Turquia à Comunidade Económica Europeia, antecessora da UE, começaram em 1987, com a ideia de que, ao mesmo tempo que serviam os interesses estratégicos e económicos da Europa, a Turquia poderia também ser modernizada através da adesom aos valores europeus. Embora o som principal, desta estratégia requer umha naçom que se esforça para umha evoluçom progressiva; e a Turquia nom se enquadra nesta categoria ainda.

A revelaçom de Erdogan do fascismo profundamente arraigado em todos os níveis da sociedade em Turquia é prova disso e os aliados internacionais de Turquia, pretendendo proteger os interesses acima mencionados na regiom, permitirom que a Turquia mantivesse umha fachada de democracia ao negar-se a fazer exame estrutural e social das reformas. A sua incapacidade de resolver a questom curda resultou, consequentemente, em que o membro da OTAN recorresse à extorsom e à supressom militar brutal do movimento curdo, juntamente com a propaganda sistemática sancionada polo Estado, tanto nacional como internacionalmente, por quase um século.

Os comprimentos a que a Turquia tem estado a negar o estatus curdo de qualquer tipo na regiom pode ser sintetizado polos acontecimentos dos últimos dous meses sozinho. É a insistência, e falha subseqüente, para ser-lhe permitido participar em operaçons para libertar Mosul e Raqqa foi destinado a travar o progresso dos curdos. Para distrair as suas políticas sírias e iraquianas, Erdogan acelerou as prisons contra os curdos em casa, prendendo deputados curdos. A natureza sinistra da mentalidade que resultou no feito de o Estado tome efetivamente prisioneiros deputados curdos eleitos foi revelada por Huseyin Kocabiyik, o deputado do AKP para Izmir, dizendo: “No caso de tentativas de assassinato de líderes estaduais, as pessoas iram invadir as prisons e ficarem presas os terroristas do FETO [Gulenistas] e do PKK “umha semana após essas prisons. É umha admissom categórica do desespero que toma a preensom entre círculos do AKP assim como umha derrota política.

Embora estes sejam indicativos da vontade da Turquia de recorrer a medidas tam desesperadas como a extorsom dirigida à UE e aos curdos, o que está a ficar claro é que a Turquia nunca tivo um problema curdo, mas a regiom sempre tivo um problema turco. Afinal, a Turquia tem legitimado os crimes que cometeu contra os curdos apontando o dedo para o PKK por quase quatro décadas. A questom curda é um sintoma do maior problema que está ligado a el, e a Turquia tem estado habilmente desviando a atençom dos seus próprios fracassos a nível estadual, despejando vastos recursos para apresentá-los como umha questom curda.

A decisom da Áustria de impor um embargo de armas à Turquia, o reconhecimento por parte dos tribunais alemaes do apoio da Turquia ao terrorismo e o reconhecimento de um tribunal belga da luita armada num caso histórico contra políticos curdos acusados de serem membros do PKK. O que deve seguir é o reconhecimento de que a UE e o Médio Oriente tenhem um problema turco. Até que este seja amplamente reconhecido e abertamente debatido a nível internacional, juntamente com umha forte liderança do Ocidente para negar a Turquia as plataformas de censura e propaganda no exterior, a Turquia nom vai mudar. Isto pode muito bem envolver sançons económicas e militares, mas considerando que foi necessária umha guerra mundial para combater o fascismo na Europa, será um preço menor a pagar.

A Turquia está empregando toda a força das suas capacidades militares e políticas para impedir que os curdos ganhem status em qualquer lugar, é indicativo o papel importante dos curdos em trazer estabilidade e reformas democráticas para o Oriente Médio. É também um reconhecimento da última batalha ideológica para a sobrevivência, apresentando-o como umha guerra contra os curdos, onde na verdade sempre foi uma guerra entre o fascismo e a democracia dentro da Turquia. Derrotar essa ideologia nom só serve os curdos, mas os próprios turcos.

Quando Hilary Benn deu o seu discurso apaixonado no parlamento do Reino Unido na sequência dos atentados de Paris em novembro passado, el estava-se referindo à ameaça crescente do Islamofascismo apresentado pola ISIS. No contexto do reconhecimento generalizado da cumplicidade da Turquia no surgimento do ISIS e dos paralelos na ideologia do AKP com o grupo terrorista mais vilipendiado da história, esse discurso é mais relevante para a crescente ameaça à segurança global proveniente da última casa remanescente do fascismo que é a Turquia. Assim, a questom curda da Turquia sempre foi umha cortina de fumaça para a verdadeira questom turca.

ozkan-kocakayaOzkan Kocakaya é originária da Turquia, de origem curda. Depois de ganhar umha licenciatura e um mestrado da Universidade de Liverpool em IT e assuntos relacionados com o mercado, el começou umha carreira na indústria financeira, onde ainda ganha a vida. Tendo um grande interesse na literatura e umha paixom polo Curdistam,  dedicao  seu tempo livre a escrever ficçom para promover a história e os valores curdos, bem como blogs sobre assuntos atuais no seu país de origem.

Publicado em Kurdish Question.

 

 

O fracasso contínuo do sistema internacional na questom curda

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Cidade curda destruída por artilharia militar turca

Por Hawzhin Azeez

Na semana passada, o estado turco, liderado polo presidente Erdogan e o seu governo do AKP, envolveu-se em umha das repressons mais preocupantes sobre os membros eleitos curdos do parlamento. O processo que começou com a prisom dos co-alcaldes de Diyarbakir continuou com a prisom dos co-presidentes do Partido Democrático do Povo (HDP) Selahattin Demirtas, Figen Yuksekdag e 7 deputados.

Esta última repressom ocorre em linha com os acontecimentos do fracassado golpe militar de julho. Desde entom, milheiros de funcionários públicos, professores, trabalhadores municipais, jornalistas e acadêmicos e também soldados forom presos ou demitidos. Esta repressom realça as preocupantes tendências políticas em curso na Turquia. A chamada democracia na Turquia está em sérios problemas e em rápido declínio.

A única marca da democracia da Turquia é a vergonhenta e transparente prisom de deputados, detençom de ativistas e tortura e assassinato de manifestantes.

A única certeza no sistema internacional com as suas leis farsas e falsas instituiçons é o contínuo silêncio cúmplice em vista das graves violaçons dos direitos humanos contra os curdos, grupos de esquerda e outras minorias na Turquia e as invasons inspiradas no neo-otomanismo imperialistas do AKP do Curdistam da Síria e o Iraque. A única liberdade que a imprensa internacional expressa é a sua escolha coletiva contínua de permanecer em grande parte silenciosa sobre essas violaçons. Enquanto a esquerda global permanece negligentemente subjugada, paralisada pola inaçom e indecisom.

Este pesadelo orwelliano representa o fracasso de toda a fundaçom da Nova Ordem Mundial. As suas instituiçons neoliberais, imperialistas e estatistas, outrora símbolo do argumento xenófobo da “Fim da História”, definido como o epítome da sua essência imperial, representam agora a realidade que sempre foi para os oprimidos e colonizados: violentas instituiçons indiferente e de empatia seletiva que determinam o destino das naçons, agora nom com canetas em mapas, mas com o clique de alguns botons em smartphones todo o direito das pessoas de existir ou perecer. E todo isso diante de um público global insaciável que consome com avidez o sofrimento dos oprimidos e exigem imagens cada vez mais violentas das nossas opressons para cumprir  o seu mórbido canibalismo.

Nom se engane, a resoluçom da “Questom Curda” pode ser o maior caminho rumo à estabilidade coletiva coletiva e à paz imediata, ou, se as tendências continuarem, pode implodir em outro conflito prolongado sem fim à vista. A única diferença é que agora a nossa opressom e a violência associada nom será mais contida nitidamente em nossos lares e eiras, como tem sido por décadas e séculos. Mas ela se vai espalhar na sua eira também.

Nom se esqueça que a responsabilidade nom deve ser sobre os oprimidos para provar a sua humanidade e, portanto, o seu direito à existência. Eles já estam carregados com o fardo insuportável da resistência desesperada pola sua própria sobrevivência. Mas em vez disso, a responsabilidade deve ser sempre à elite informada, privilegiada para reafirmar e recuperar a sua humanidade, fazendo algo sobre isso.

E assim imos esperar.

Enquanto permanecemos, coletivamente, no precipício de umha era perigosa.

Hawzhin AzeezHawzhin Azeez tem um doutorado em Ciência Política e Relaçons Internacionais. Ela é defensora dos direitos das mulheres e dos refugiados. Está atualmente trabalhando na reconstruçom de Kobane através do Conselhode  Reconstruçom de  Kobane.

Publicado em kurdish question.

 

Carta às mulheres polo 25 de novembro de Figen Yüksekdağ

figen-yuksekdagA co-presidente do HDP, Figen Yüksekdağ, enviou umha carta por intermédio dos seus avogados desde a prisom turca para assinalar o dia 25 de novembro, o Dia Internacional para a Eliminaçom da Violência contra a Mulher.

A carta de Figen Yüksekdağ é a seguinte:

“Nós, apesar de todo, continuamos a dizer: liberdade, paz e democracia. Em particular, no 25 de novembro, a posiçom das mulheres que enfrentam diariamente a luita contra a violência, a perseguiçom e a discriminaçom desempenha um papel vital. As mulheres vam começar a iluminar essa escuridade. Saúdo a luita conjunta que se desenvolveu nos últimos dias contra o projeto de lei de anistia ao abuso sexual [das crianças].

O momento e o futuro seram determinados por aquelas que, contra todos os tipos de violência, assumem a resistência e a solidariedade das mulheres em todas as suas formas … Se é um crime acreditar em umha vida pacífica e igual para as mulheres e para toda a humanidade contra aqueles que adoram a violência do Estado-Macho, contra aqueles que consagram esta violência, violaçons e abusos, entóm continuaremos juntos a cometer esse “crime”…

O objetivo da violência é espalhar o medo, [e entóm] forçar a rendiçom. A resposta mais poderosa a esta violência pode ser fornecida por mulheres destemidas que recusam a render-se. Para as mulheres aprisionadas dentro dos muros da violência, da pobreza, da precariedade, da desigualdade e do desprezo, é hora de se tornar umha inspiraçom vestidas de coragem, defendendo o que é bom.

Nengum governo da crueldade ou violência conseguiu extinguir a chama da vida das mulheres. E é agora, mais umha vez, as mulheres que carregam a tocha da vida que vai iluminar os nossos povos.

Todo pode parecer muito difícil. A animosidade contra as mulheres e a vida pode parecer sob ataque desde todos os quatro cantos. Mas quem dixo que a nossa era umha tarefa fácil? A nossa tarefa é conseguir o difícil … E eu acredito que imos sair vitoriosas! Com a solidariedade e a resistência das mulheres, em todos os lugares, sob quaisquer circunstância, gritaremos diante daqueles que se alimentam da morte, da opressom e do ódio: Mulheres, vida, liberdade! (Jin, Jina, Azedi). Eles veram, mais umha vez, que nom podem tomar como reféns a nossa vontade política e que as mulheres nom trairam o seu amor pola liberdade …

Com esperança, com fé, com amor…”

 

A guerra de Erdogan contra as mulheres

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Ayla Akat Ata, porta-voz do Congresso de Mulheres Livres (KJA), celebraçom do 8 de março de 2014, quando ainda era deputada.

Por Dilar Dirik

As mulheres curdas, um dos movimentos mais fortes e radicais das mulheres no mundo está sendo reprimido polo Estado turco com total impunidade – e Europa mirando para outro lado

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Detençom de Sebahat Tuncel

“Vamos resistir e resistir até ganhar!”, berrava Sebahat Tuncel antes da sua boca ser fechada à força por meia dúzia de policias que a arrastam polo chao e a detiverom a começos de novembro.

Nove anos atrás, um comboio com sinais de vitória, slogans alegres e flores recebeu a Tuncel quando ela foi libertada da prisom para entrar no parlamento, tendo sido eleita ainda dentro. Tuncel, agora presa novamente, é umha das dúzias de políticos curdos do Partido Democrático do Povo (HDP) ou do Partido Regional Democrático (DBP), presos polas forças de segurança turcas desde o final de outubro sob as operaçons “anti-terroristas” contra aqueles que desafiam o governo autoritário do presidente turco, Erdoğan. Essa repressom acompanha a tentativa de golpe de Estado em julho e representa umha re-escalada da guerra entre o Estado e o movimento curdo desde o verao de 2015, terminando um processo de paz de dous anos e meio. Como o conselho dado ao esquadrom anti-terrorista alemao na década de 1980 “Atire as mulheres em primeiro lugar!” A masculinidade tóxica do Estado tornou-se evidente na sua declaraçom de umha guerra contra as mulheres; a força do movimento militante das mulheres curdas representa a maior ameaça ao sistema. O caso de Sebahat Tuncel nom é único.

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Foto de Gulten Kışanak.

No final de outubro, Gültan Kisanak foi detida. Ela foi a primeira co-alcalde do Município Metropolitano de Diyarbakir e ex-parlamentária, que passou dous anos na década de 1980 na famosa prisom de Diyarbakir, onde sobreviveu às formas mais atrozes de tortura, como ter de viver durante meses em umha cabana de cans cheia de excrementos, porque ela recusou a dizer “Eu sou turca”. A sua prisom foi imediatamente seguida pola detençom violenta de Ayla Akat Ata, ex-deputada e agora porta-voz do Congresso de Mulheres Livres (KJA), a maior organizaçom de mulheres no Curdistam e Turquia, que está entre as 370 organizaçons da sociedade civil proibidas polo governo desde meados de novembro. Ela foi hospitalizada várias vezes devido à violência policial durante o seu período parlamentar e sobreviveu a várias tentativas de assassinato.

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Sebahat Tuncel, Ayla Akat Ata, Selma Irmak e Pervin Buldan protestam contra umha lei de segurança no Parlamento. Todas, exceto Pervin Buldan estam agora na prisom. Foto: Murstafa Istemi/Milliyet

Selma Irmak está entre as deputadas eleitas desde a prisom, onde passou mais de 10 anos sob acusaçons de terrorismo e participou de greves de fome. Gülser Yildirim estivo presa durante cinco anos antes das eleiçons. Outra deputada é Leyla Birlik, que ficou com os civis sob fogo militar em Sirnak durante toda a duraçom do bloqueio militar, testemunhando os assassinatos brutais de inúmeros civis polo exército. O seu cunhado, Haci Lokman Birlik, ativista e cineasta, foi executado polo exército turco em outubro de 2015; Seu cadáver estava amarrado a um veículo do exército e arrastado polas ruas. Soldados filmaram isso e enviarom o vídeo para Leyla Birlik com a mensagem “Venha colher o seu cunhado”.

A lista continua. Escolhemos mulheres corajosas como nossas representantes. Elas som agora prisioneiras políticas apesar de serem eleitas por mais de cinco milhons de pessoas.

As políticas ultra-conservadoras do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) sob Erdogan levarom ao aumento da violência contra as mulheres na Turquia durante a última década e meia. Nom só membros de alto nível da administraçom, incluindo o próprio Erdogan, rejeitam frequentemente a igualdade entre mulheres e homes em favor de atitudes que normalizam a cultura da violaçom, a violência de género e a misoginia, o AKP lança ainda ataques físicos explícitos às mulheres e pessoas LGBTI +. O estado hipermilitar nom só pune coletivamente a comunidade curda como separatistas, terroristas ou conspiradores contra o Estado, retrata as ativistas curdas como “mulheres más”, prostitutas vergonhosas e violadoras do núcleo da família.

Historicamente, a violaçom e a tortura sexual, incluindo os “testes de virgindade” post-mortem, tenhem sido utilizados polo Estado turco para disciplinar e punir os corpos das mulheres como observou Anja Flach no seu livro Frauen in der Kurdischen Guerrilla que nom está ainda traduzido do alemao. Nas prisons, as mulheres som submetidas a buscas íntimas para humilhá-las sexualmente. Recentemente, soldados tiraram as roupas dos cadáveres de militantes curdas e compartilharam essas imagens nas mídias sociais. Outro vídeo brutal mostrou que o exército turco disparava contra mulheres guerrilheiras na cabeça e as atiravam dos penhascos da montanha. Os rifles GermanG3 usados no vídeo ilustram a cumplicidade ocidental nestes crimes de guerra.

Embora essas atrocidades fossem frequentemente cometidas secretamente nos anos 90, compartilhar imagens nas mídias sociais é umha nova tentativa de desmoralizar a resistência das mulheres e demonstrar o poder do Estado. Estes métodos som semelhantes aos que comete o ISIS ao outro lado da fronteira e violam todas as convençons de guerra. Abusar sexualmente de umha mulher ativista, que ousa desafiar a hegemonia masculina, tem como objetivo quebrar a sua força de vontade e impedir o ativismo. Os ataques a mulheres políticas devem ser lidos neste contexto.

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Umha mulher curda que protestava contra o exército turco em Kerboran no ano passado. Imagem: Zehra Dogan / JinHa.

Muito antes dos principais meios de comunicaçom estarem sob fogo na Turquia, as repórteiras de Jinna, a primeira agência de noticias de mulheres do Oriente Médio, foram atacadas. Comprometidas com um objetivo explicitamente feminista no seu trabalho, as trabalhadoras de Jinha expuseram os crimes do Estado sob umha perspectiva de gênero. Agora Jinha está proibida e várias dos seus membros na cadeia.

O HDP é o único partido de oposiçom progressista de esquerda na Turquia com umha agenda baseada na protecçom dos direitos seculares, da diversidade, pró-minorias, pró-dereitos das mulheres e LGBT e ecológicos. Tem, de longe, o maior percentual de mulheres nas suas fileiras. Mesmo sem o sistema de co-presidência, umha política do movimento de liberdade curdo que garante a liderança compartilhada entre umha mulher e um home, a grande maioria das alcaldes estam nas regions curdas. Através de umha luita de décadas, especialmente encorajada polo líder curdo preso Abdullah Öcalan, o papel ativo das mulheres na política é umha parte normal da vida no Curdistam de hoje.

As mulheres do HDP e do DBP nom encarnam idéias burguesas da política representativa e do feminismo corporativo. Quase todas as políticas atualmente sob ataque passaram algum tempo na prisom, foram sujeitas a brutalidade policial, tortura sexualizada, tentativas de assassinato ou algum tipo de tratamento violento por parte do Estado. Elas estam sempre na vanguarda dos protestos contra o Estado e o exército.

As mulheres também forom actores significativos no processo de paz iniciado por Abdullah Öcalan com o Estado turco em Março de 2013. Todas as reunions na Ilha Prisiom de Imrali incluíam mulheres. Em 2014, Öcalan recomendou que as mulheres fossem representadas nas reunions como umha força organizada, e nom apenas como indivíduos. Assim, Ceylan Bagriyanik se juntou às reunions como representante do movimento de mulheres. A Declaraçom de Dolmabahce, a primeira declaraçom conjunta entre as partes em conflito, incluiu a libertaçom das mulheres como um dos dez pontos para a justiça e a paz duradoura. O Estado e os meios de comunicaçom forom incapazes de dar sentido à insistência do movimento curdo sobre a centralidade da libertaçom das mulheres no processo de paz.

Nós enfrentamos a puniçom coletiva para passar o limite eleitoral o mais elevado no mundo que exige que um partido político ganhe polo menos o 10 por cento do voto nacional para entrar no parlamento. As nossas cidades forom arrasadas, nossos seres queridos assassinados, queimados vivos, bombardeados, atirados ou espancados até a morte. O nosso património cultural e meio ambiente forom eliminados para sempre, nossos deputados arrastados nas ruas, nossos prefeitos substituídos por administradores governamentais contra a nossa vontade, nossos meios de comunicaçom censurados, as nossas mídias sociais bloqueadas. Ao destruir a possibilidade de políticas pacíficas e legais dentro dos marcos democráticos, a Turquia deixou os curdos sem outra opçom senom a da autodefesa. As instituiçons internacionais, sobretudo a Uniom Européia, falharom ao povo curdo em apaziguar a Erdogan. Em outras palavras, os governos ocidentais apoiam a eliminaçom sistemática de um dos mais fortes e radicais movimentos de mulheres no mundo.

A filosofia do movimento das mulheres curdas propom que todo organismo vivo tem os seus mecanismos de autodefesa, como a rosa com as suas espinhas. Este conceito nom é definido em um sentido físico rigoroso, mas inclui a criaçom de estruturas autônomas de autogoverno para organizar a vida social e política. A protecçom da própria identidade contra o Estado através da autodefesa é parcialmente possibilitado pola construçom de instituiçons políticas auto-suficientes.

Em umha época em que os corpos nus das mulheres som expostos nas mídias sociais polo exército e as candidatas eleitas estam sujeitas à tortura polo Estado capitalista-patriarcal, as mulheres estam luitando para demostrar que a sua honra nom está para ser definida polos homes porque a honra nom fica entre as pernas das mulheres; reside na nossa resistência, na cultura de resistência estabelecida polas pioneiras do nosso movimento. As nossas políticas encarceradas som as que defendem essa honra.

Desde a prisom, a co-presidente do HDP Figen Yüksekdag enviou esta mensagem: “Apesar de todo, eles nom podem erradicar a nossa esperança ou quebrar a nossa resistência. Seja na prisom ou nom, o HDP e nós, ainda somos a única opçom da Turquia para a liberdade e a democracia. E é por isso que eles tenhem tanto medo de nós. Nom, nem um só de vos, deixede-vos desmoralizar; Nom deixar cair a sua guarda, nem enfraquecer a resistência. Nom esqueçades que este ódio e agressom está enraizada no medo. O amor e a coragem ao final vam ganhar. “.

Dilar Dirik 34Dilar Dirik, fai parte do movimento das mulheres curdas, escritora e estudante de doutorado no Departamento de Sociologia da Universidade de Cambridge. O seu trabalho analisa o papel da luita das mulheres na articulaçom e construçom da liberdade no Curdistam. Escreve regularmente sobre o movimento de libertaçom curdo em vários meios de comunicaçom internacional.

Publicado em Opendemocracy.

 

 

Mensagens desde a prisom dos co-presidentes do HDP Demirtas e Yuksekdag

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Figen Yuksekdag e Selahattin Demirtas / HDP

Os co-presidentes do Partido Democrático Popular (HDP – Partido Democrático dos Povos) Selahattin Demirtas e Figen Yuksekdag, enviaram as primeiras mensagens desde a prisom.

Os co-presidentes forom detidos nas primeiras horas da manhá do venres e formalmente acusados de pertença a umha organizaçom ilegal no mesmo dia.

Demirtas, que foi levado em helicóptero a prisom de máxima segurança Tipo F [com celas de ilhamento e ate agora para cumprir condeas em firme] de Edirne, na Turquia europeia, enviou umha carta curta ao través do seu avogado.

Nela, o co-presidente do HDP escriviu:

“Gostaria primeiro de estender o meu mais caloroso amor e respeito a todos os amigos. A nossa ilegal prisom limita-se a somar-se à escuridade profunda ao que o nosso país está sendo arrastado a cada dia. No entanto, aqueles que pensam que nos podem obrigar a render nesta escuridade devem saber muito bem que um único fósforo, umha única vela é suficiente para iluminar a escuridade. Qualquer que seja o nosso lugar e condiçons, continuaremos, se é necessário, a arder como umha vela para que o nosso povo viva em paz num futuro livre. Todo o mundo deve continuar o seu trabalho como parte da luita pola democracia e deve luitar sem pausa para levantar essa escuridade para o nosso futuro brilhante. A minha moral é alta, minha saúde é boa. Com agarimo.”

A outra co-presidente do partido Figen Yuksekdag, que foi transferido para a prisom de máxima segurança Tipo F de Kocaeli, também enviou umha nota manuscrita para os militantes do HDP.

“Apesar de todo, eles nom podem erradicar a nossa esperança ou quebrar a nossa resistência. Seja na prisom ou nom, o HDP e nós, ainda somos a única opçom da Turquia para a liberdade e a democracia. E é por isso que eles tenhem tanto medo de nós. Nom, nem um só de vos, deixede-vos desmoralizar; Nom deixar cair a sua guarda, nem enfraquecer a resistência. Nom esqueçades que este ódio e agressom está enraizada no medo. O amor e a coragem ao final vam ganhar. Com meu caloroso amor e saudaçons.”

O HDP considera a prisom ilegal dos 9 deputados como a de “reféns.”

Recolhido de Kurdishquestion.com

 

O fim da democracia na Turquia

dermitas-artigoCOMUNICADO DE IMPRENSA do HPD:

Ontem à noite, a purga do presidente Erdogan contra o nosso partido atingiu outro pico: os nossos co-presidentes Selahattin Demirtas e Figen Yüksekdag, juntamente com outros 11 deputados do nosso partido, forom detidos na Turquia ontem à noite. Mais detençons som esperadas. O objetivo dessas medidas é eliminar o terceiro maior partido no parlamento. Este é um dia escuro nom só para o nosso partido, mas para toda a Turquia e a regiom, pois significa o fim da democracia na Turquia.

Desde que o nosso partido alcançou umha vitória histórica durante as eleiçons nacionais do 7 de junho de 2015, onde conseguimos entrar no parlamento apesar do limiar nom-democrático do 10%, o presidente Erdogan destacou nosso partido como o principal objetivo das suas políticas autoritárias. A razom é a nossa oposiçom contra o seu objectivo de introduzir um sistema presidencial na Turquia. Nossos assentos no parlamento som os maiores obstáculos para as mudanças constitucionais necessárias. Assim, el simplesmente ordenou novas eleiçons em novembro do 2015. Apesar de umha série de agressons violentas de “agressores desconhecidos” sobre os membros e infra-estrutura do nosso partido, conseguimos ultrapassar o limiar o 5 de novembro de 2015 e ganhar 59 cadeiras no Parlamento. Como nom podia reordenar eleições outra vez, o presidente Erdogan iniciou o levantamento da imunidade dos nossos deputados em maio de 2016. Como el nom poderia nos impedir de entrar no Parlamento, manda-nos para a prisom.

Milheiros de membros, executivos, prefeitos eleitos e membros dos conselhos municipais afiliados ao HDP e /ou o nosso partido irmao DBP  já forom enviados para a prisom por acusaçons infundadas desde a nossa vitória eleitoral em junho de 2015. Ainda assim, a tentativa de golpe de Estado do 15 de julho de 2016 e a subsequente declaraçom do estado de emergência foi a oportunidade do Presidente Erdogan para eliminar toda a oposiçom. Nom há liberdade de expressom, nem liberdade de imprensa, nem liberdade acadêmica, nem sistema judicial justo e independente. Com decretos governamentais, mais de 170 meios de comunicaçom críticos com Erdogan forom proibidos. Mais de 130 jornalistas estam na prisom, incluindo autores e intelectuais de renome mundial. Mais recentemente, duas agências de notícias curdas e vários diários curdos forom fechados e o chefe de redaçom, colunistas e jornalistas do diário Cumhuriyet forom detidos. Mais de 80.000 pessoas forom detidas desde o 15 de julho, e cerca da metade deles estam na prisom agora.

O 30 de novembro, a Sra. Gülten Kisanak e o Sr. Firat Anli, co-alcaldes eleitos de Diyarbakir do nosso partido, foram presos e enviados a prisom. Um governador de distrito de Ancara foi nomeado para administrar o município. Com isso, o número de municípios curdos administrados por burocratas nomeados polo governo central aumentou a 28. Cerca de 30 alcaldes curdos democraticamente eleitos estam agora na prisom e cerca de 70 deles forom demitidos polo governo central.

Condenamos energicamente a detençom dos nossos co-presidentes Selahattin Demirtas e Figen Yüksekdag, assim como os nossos deputados Nihat Akdogan, Nursel Aydogan, Idris Baluken, Leyla Birlik, Ferhat Encü, Selma Irmak, Sirri Süreyya Önder, Ziya Pir, Imam Tascier, Gülser Yildirim, Abdullah Zeydan e exigimos a sua libertaçom imediata. As acusaçons fabricadas contra eles e todos os outros membros do partido devem ser desbotados.

A história mostrou repetidamente que qualquer poder baseado na força bruta é sobrevivido pola luita pola justiça e pola liberdade. Nom nos renderemos a estas políticas ditatoriais e fazemos umha chamada os nossos amigos do mundo a se solidarizarem na nossa luita para impedir que Erdogan conduza o país a umha guerra civil e ao despotismo.
Hisyar Ozsoy

Vice Co-Presidente do HDP. Responsável de Relaçons Exteriores
Deputado por Bingol
4 de Novembro do 2016

Acreditar ser um curdo-turco é um engano

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Bandeira do PKK flanqueada pola bandeira Turquia que está cobrindo a bandeira do HDP

Nesta entrevista em profundidade feita por Robert Leonard Corda, Saladdin Ahmed, professor assistente de Filosofia na Mardin Artuklu fala sobre identidade curda, política, religiom, democracia e a situaçom atual na que se encontram os curdos no Oriente Médio.

Robert Leonard Corda (RLR): Descreva resumidamente a sua experiência. Chama-se Saladdin por Saladin, o Grande? Como foi ensinar em umha universidade da Turquia?

Saladdin Ahmed (SA): Eu nunca sei como responder a perguntas sobre o meu passado, principalmente porque a minha identidade sempre foi modelada ao redor de negaçons em vez da promoçom de um determinado conhecimento. Eu nom diria que tenho umha crise de identidade, mas eu diria que a identidade, polo menos no mundo de hoje, é em si umha crise.

Quando ser curdo é visto como algo a ser renunciado, som curdo, nom há dúvida sobre isso. No momento em que que se torna a identidade do governante, só podo estar em oposiçom a ela com os oprimidos. Quer dizer, eu som curdo na medida em que a curdonidade é umha negaçom da opressom. A primeira vez que eu estava em um lugar onde ser curdo era equivalente a ser privilegiado, em 2013, eu encontrei-me em umha grave crise moral, entom comecei a construir laços com as minorias nom-curdas e nom-muçulmanas.

Antes que eu percebesse, criticar o nacionalismo curdo eo Islam tornaram-se as minhas principais atividades intelectuais até que eu deixei o Curdistam iraquiano.

Para lhe dar umha resposta comum, eu nascim em umha família curda em Kirkuk, Iraque, e meu nome era originalmente Sherzad. No entanto, com medo de que um nome tam nitidamente curdo poderia atrair umha investigaçom minuciosa do governo iraquiano, meu pai mudou o meu nome para Saladdin – um nome árabe com conotaçons curdas. Embora o meu mesmo nome é, de umha forma indireta, o do líder curdo Saladdin Ayubi, eu deveria afirmar claramente que, tanto quanto eu me interessei, “Saladdin o Grande” nom era nengum herói, mas sim um notório assassino como tantos outros que vinheeram antes e depois del.

Como umha criança curda, eu crescim em Kirkuk durante o regime do pensamento Baath e era um erro existencial, mas eu gostava de ser um erro. Eu ainda gosto de ser um erro.

Quanto à minha experiência no ensino, na Turquia, a situaçom quando cheguei no outono de 2014 era algo sem precedentes. Por primeira vez em quatro décadas, a regiom curda do país estava desfrutando de umha relativa paz que deu origem a um movimento cultural e intelectual impressionante. Estamos a falar de umha regiom que tem estado tam oprimida que mesmo umha dança curda tradicional é considerada um ato político. O alunado principalmente curdo estava muito envolvido na vida pública dentro e fora da universidade. Foi, em suma, um momento emocionante estar em Mardin.

Infelizmente, o meu tempo ensinando em Mardin Artuklu Universidade foi abreviada. Um par de meses depois da minha chegada do Canadá, o reitor liberal foi deposto e substituído por um islamista apoiado por Erdogan. Logo, foi formalmente nomeado por Erdogan, o novo reitor começou umha campanha para erradicar aos nom-islâmicos da administraçom da universidade. Vários meses depois, el suspendeu unilateralmente o meu contrato e os contratos de 12 professores mais, os quais eram estrangeiros. Para piorar as cousas, a guerra também retomou a regiom curda e com ela veu a opressom violenta dos jovens, vastas operaçons militares, prisons em massa, e assim por diante. O que Erdogan tem feito às universidades turcas em Istambul e Ancara durante as semanas desde o golpe fracassado do 15 de julho de 2016 começou há um ano no sudeste [Curdistam sob administraçom turca].

RLR: Temos estado todos especulando sobre o recente golpe de Estado ao longo das últimas semanas – foi real? Quem estava realmente por trás disso? Como foi Erdogan beneficiado? Será que algum dia conheceremos a verdade completa?

SA: Sim, eu acho que foi umha tentativa de golpe real, mas o fato de que houvera especulaçons de que Erdogan escenificou  o golpe di-nos muito sobre a falta de credibilidade do governo.

Penso que os kemalistas no exército forom a principal força por trás do golpe, e é possível que Gulenistas também se juntaram a eles, sentindo mais de um que a repressom era iminente. Claro, Erdogan nom podia culpar abertamente as forças kemalistas porque o kemalismo continua a ser extremamente popular entre os turcos, funcionando mais ou menos como sinônimo de patriotismo e nacionalismo turco. Assim Gulen, o rival islâmico populista com residência em Filadélfia desde 2004, era o melhor candidato para representar “o inimigo”. Se bem se lembram, quando Erdogan deu o seu primeiro discurso na noite do golpe, algumhas horas após a entrevista na CNN Turca, um enorme retrato de Mustafa Kemal Ataturk foi colocado atrás del. A mensagem, na minha opiniom, era clara: O kemalismo nom é o inimigo.

Para voltar à questom da credibilidade, as pessoas tenhem todos os motivos para desconfiar do regime de Erdogan. Para muitas pessoas na Turquia, tornou-se rotina excluir o cenário, o governo pretende ser a verdade desde o reino das possibilidades.

Em junho de 2014, quando o ISIS tomou o control de Mosul, o governo turco afirmou que o ISIS tomou 49 pessoas do Consulado turco em Mosul como reféns. Na noite da invasom do ISIS de Mosul, fugindo as autoridades iraquianas alertaram o pessoal do consulado e aconselhou-os a deixar a cidade, mas nom o figeram. Durante três meses, a Turquia usou “os reféns” como umha desculpa para nom se juntar à coalizom contra o ISIS. Em contraste com o destino dos outros reféns do ISIS, o ISIS finalmente libertou aos 49 reféns, apesar do feito de que a Turquia nom teria feito nengum pagamento de resgate.

Notavelmente, a própria narrativa do governo turco sobre a libertaçom dos reféns era conflitante, com o único detalhe consistente que era que a Organizaçom Nacional de Inteligência da Turquia (MIT) lidou com a situaçom. Desde o início, a história inteira em torno do cenário era pouco pública. Por exemplo, as pessoas eram esperadas para acreditar que o cônsul-geral conseguiu esconder o seu telefone móvel e usá-lo para fornecer atualizaçons regulares para Ankara ao longo de três meses. Para quem tem acompanhado relatórios sobre a situaçom dos reféns em poder do ISIS, é claro que esta história também era nada mais do que umha invençom destina a promover os objetivos políticos de Erdogan.

Dado todo o que a gente em Turquia e os observadores internacionais já sabem do governo turco, das suas forças armadas e o MIT, nom é surpreendente que a narrativa do governo sobre o fracasado golpe nom fôsse creida.

Som inúmeras as histórias sobre conspiraçons políticas do regime. Por exemplo, em umha reuniom de 2014 entre Ahmet Davutoglu eo chefe do MIT, Hakan Fidan, umha idéia para começar umha guerra com a Síria foi discutida. Com base em umha sugestom de Erdogan, Fidan desenvolveu um plano polo qual o MIT iria organizar um ataque de mísseis contra a Turquia, desde a Síria, dando a Ankara umha desculpa para entrar em umha guerra com a Síria. Umha gravaçom de áudio da reuniom foi divulgada e publicada no YouTube, o que levou o governo turco a lançar um dos seus bloqueios periódicas do site para controlar o fluxo de informaçons.

À luz dos acontecimentos passados, como isso, é possível que o MIT tinha algum conhecimento prévio do golpe de 15 de julho, mas permitiu que isso acontecesse, a fim de criar a oportunidade para as purgas de Erdogan? Talvez, mas o ponto é que os povos, compreensivelmente, nom acreditam a narrativa de um regime nom democrático. De qualquer forma, o que é certo é que Erdogan explorou o fracassado golpe para acabar com deslealdades reais e potenciais no exército, polícia, e no sistema judiciário e educacional.

RLR: Como sabe, existe actualmente um estado de emergência na Turquia – milheiros forom presos, muitos professores e jornalistas por nom mencionar os membros das forças armadas – e há muitas denúncias de tortura. Qual é a sua perspectiva sobre isso: como tudo vai acabar?

SA: Eu acho que os próximos anos na Turquia será umha era de terror. Esta purga vai levar a um colapso completo da confiança já frágil entre os diferentes setores das forças armadas e o MIT. Aqueles em posiçons de poder cada vez mais tentam utilizar o clima de medo e a falta de transparência para se livrar dos rivais.

Como tal, penso que as denúncias de assassinatos e tortura só se tornarám mais comuns. O exército da Turquia sempre foi considerado como o guardiam do Estado, mas agora vai ser forçado a submeter-se ao governo, e isso nom vai acontecer sem problemas.

As tramas de conspiraçom só se tornará mais complicadas e sutis. À medida que a situaçom se agrava, o regime vai atrair cada vez mais islamitas, anti-intelectuais e pessoas que só sabem ganhar a vida vigiando aos outros.

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Saladdin Ahmed

RLR: Qual é a sua opiniom da “democracia turca”? Existiu mesmo umha coisa assim? Será que Erdogan primeiro alimentá-la, e em seguida, destruí-na? Será que as pessoas nom querem a democracia de estilo ocidental? Democracia versus teocracia?

SA: Eu nom acho que tenha existido umha “democracia turca”. Sim, houvo eleiçons, mas até mesmo países como Iram e Paquistam regularmente realizam eleiçons. Há também um parlamento em Ancara, mas é um Parlamento que simboliza a rejeiçom turca da pluralidade.

Deixe-me ser mais precisos e dizer que sempre houvo duas Turquias: a ocidental e a oriental. No oeste da Turquia, estendendo-se desde Istambul, a Izmir, Antalya, Ankara, e Adana, umha sorte europeia da cotidianidade era relativamente viável, polo menos, para as estimativas de um turista típico. Concedido, isso está mudando agora, razom pola qual a actual situaçom na Turquia tem atraído tanto interesse internacional.

Mas o leste da Turquia sempre estivo sob regime militar. Desde Istambul, a brutalidade da vida no leste do país é inimaginável. Milheiros de jovens curdos desaparecerom em operaçons militares turcas ao longo dos anos 1980 e 1990. A visom de tanques e veículos blindados em praças da cidade ou bairros em itinerância, militares e postos de control da polícia entre e dentro das cidades, enormes bases militares nos centros urbanos, e milheiros de aldeias completamente destruídas é a outra face da Turquia. Se um se permite ver essa outra cara, a noçom de “democracia turca” deveria parecer nada mais do que um absurdo.

Os movimentos islâmicos, como a Irmandade Muçulmana ou o partido AK, muitas vezes utilizam os meios democráticos para alcançar os seus fins islâmicos, que som essencialmente anti-democráticos, anti-pluralistas, anti-individualistas, e violentos. Erdogan é um típico demagogo islâmico pragmático que fingiu ser pró-democracia e contra a violência até que el ganhou poder suficiente. El agora está revelando gradualmente as suas verdadeiras crenças. Islamitas nas que acreditam que jogar qualquer truques possíveis e enganar o povo em prol de empoderar o Islam é completamente legítimo. Eles poderiam-se comportar como as pessoas mais tolerantes e pacíficas, mas isso é apenas a fim de ganhar o apoio e, assim, ganhar o poder. No momento em que eles tenhem poder suficiente, espalhar o Islam pola espada torna-se o método preferido simplesmente porque tanto a vida de Maomé e a do Alcoram refletem diretamente essa dualidade pragmática essencial: a paz quando é a única opçom, e a violência quando é umha opçom eficaz.

Para colocar isso de forma muito clara, nom existe um islamita moderado; existem radicais e islâmicos esperando-a-ser-abertamente radicais. Erdogan estivo pacientemente seguindo o caminho ao poder, e o pior ainda está por vir. Além disso, nom nos imos enganar a nós mesmos, se umha força política quer ser democrática, será democrática, nom islâmica.

A sociedade na Turquia, como em qualquer outro lugar, é extremamente complexa, com diversas forças sociais e políticas em desenvolvimento competindo, chocando-se, e assim por diante. Apesar do aumento aterrorizante do islamismo e a história de 100 anos de fascismo kemalista na Turquia, há uma forte tradiçom de movimentos progressistas no país. A democracia liberal nom tem raízes fortes na Turquia, e a dualidade principal nom é a democracia contra a teocracia. Antes a teocracia nos anos 2000 nom era vista como umha possibilidade, mas o país era sem dúvida nom menos antidemocrático.

Como todos sabemos, o secularismo nom é condiçom suficiente para a democracia em todo o mundo. O fascismo pode muito bem ser, e tem sido, historicamente, secular. Turquia tem sido governado polo fascismo kemalista, e agora está caminhando para o fascismo islamista. Ao longo dos últimos dous anos, Erdogan tem umha na longa história de ódio contra o outro na Turquia para apelar a ambos os ultra-nacionalistas e islamitas. Assim, o discurso de umha naçom, um país, um Deus, umha bandeira, um idioma já está crescendo novamente.

RLR:  Como poderíamos no Ocidente pressionar com sucesso a Erdogan e os seus seguidores para restaurar e defender os direitos humanos e o Estado de direito na Turquia?

SA: Os direitos humanos nom podem ser “restabelecidos”, porque nunca forom respeitados em primeiro lugar. Talvez o turismo pode ser recuperado, mas os direitos humanos som algo polo qual todos devemos luitar coletivamente.

Erdogan está a pressionar o Ocidente, e nom vice-versa. Polo que podo ver, Erdogan vai continuar a usar refugiados sírios e iraquianos para chantagear aos políticos europeus, todo continuando a consolidar o seu poder em todo o mundo sunita ao tempo. Como el trabalha para eliminar a oposiçom regional a sua visom de um império islâmico em 2023, devemos esperar mais guerras desastrosas no Oriente Médio, o que resultará em muitos mais refugiados que tentam escapar para a Europa. A Europa nom será capaz de manter a crise fora das suas fronteiras, baseando-se em um guardiam que el próprio é o principal instigador do problema. Vamos enfrentá-lo: o ISIS só tem sido capaz de sobreviver com o fluxo de jihadis, armas, muniçons, e dinheiro através da Turquia.

A ideia de que o chamado regime islâmico moderado em Ancara pode ser usado contra a propagaçom do chamado islamismo radical é talvez a estratégia mais inútil que se poda imaginar. Em vez disso, os chamados moderados continuarám desempenhando tanto no Ocidente como os radicais islâmicos contra o outro. Eles vam continuar a usar ambos os lados para fortalecer ainda mais a si mesmos, ganhando ainda mais força e crescendo cada vez mais radicais.

Turquia aprendeu a maneira saudita de jogar este jogo. Os sauditas som os principais financiadores dos movimentos islâmicos, mas, ao mesmo tempo eles dam aos “aliados” ocidentais informaçons de inteligência apenas o suficiente sobre os movimentos jihadistas e enredos para manter a aparência de cooperaçom. Turquia tem vindo a fazer o mesmo na guerra contra o ISIS. Ambos, o ISIS e o Ocidente tornarom dependentes da Turquia na sua guerra contra o outro; enquanto a Turquia fai o mínimo para satisfazer os seus aliados ocidentais, ao mesmo tempo, el garante que o ISIS nom vai cair. O que pode ser feito agora? O regime de Erdogan deve ser tratados da maneira que deveria Hitler ter sido tratado nos anos anteriores a 1939. Claro, nada na história acontece duas vezes exactamente da mesma forma, mas todos os sinais de um império fascista baseado na rejeiçom violenta da diversidade já estam lá.

RLR: Com relaçom ao ISIS, como achas que esse movimento bárbaro deveria ser destruído?

SA: ISIS fai o trabalho sujo para a Turquia e, em troca, Turquia atua como umha rota de abastecimento para o ISIS, além de prestar assistência directa. Enquanto a Turquia tem permisso para continuar dessa maneira, mesmo se o ISIS é destruído, dúzias de outras forças islâmicas continuarám a prosperar na Síria. Eu acho que Erdogan vai continuar a apoiar os islamistas na Síria até que el nom precise mais deles. Naturalmente, as cousas nom vam todas como el deseja. Com cada dia que passa a Turquia torna-se cada vez mais como a Síria em termos de polarizaçom da sociedade, que poderia muito bem levar à eventual erupçom da guerra civil.

A única pior fóbia da Turquia é o chamado “problema curdo”. Erdogan tem vindo a apoiar o ISIS, Jabhat al-Nusra, que recentemente mudou o nome a Jabhat Fatah al-Sham, e inúmeros outros movimentos islamistas principalmente para evitar que os curdos sírios controlem regions do norte da Síria ao longo da fronteira com a Turquia.

Quando se tornou claro que o ISIS nom podia parar as forças curdas depois da guerra de Kobane, Turquia diretamente interveu para evitar que os curdos expulsaram o ISIS dos últimos 100 km de faixa ao longo da fronteira com a Turquia. Ankara instou repetidamente à área umha “linha vermelha” que os curdos nom podiam atravessar. Assim, a área de Jarablus está essencialmente sob controlo do ISIS e protegido pola Turquia.

Erdogan também vem contando com o ISIS para conter a ameaça curda percebida dentro da Turquia. O ISIS tem realizado vários ataques contra objetivos curdos no último ano. Na massacre de Suruç o 20 de julho de 2015, 32 estudantes curdos e turcos que estavam em caminho para Kobane para ajudar a reconstruí-lo forom assassinados em um atentado suicida realizado polo ISIS. Cerca de seis semanas antes, o 5 de junho, houvo outro atentado do ISIS durante umha reuniom eleitoral curda em Diyarbakir que matou quatro pessoas. O 10 de Outubro, de 2015, um atentado do ISIS matou mais de 100 civis e feriu mais de 500 pessoas durante umha marcha pola paz em Ancara organizada polo pró-curdo Partido Democrático do Povo (HDP) e vários sindicatos.

O regime de Erdogan é o aliado ideológico e estratégico dos movimentos sunitas em toda a regiom, e há muitos deles. o ISIS tem atraído mais atençom por causa da quantidade de território que controlam e a sua produçom dos mídia. Acho que o ISIS vai perder a maior parte dos seus territórios talvez dentro de um par de anos, mas o perigo do islamismo está longe de terminar.

A chamada oposiçom islamista na Síria difere muito pouco do ISIS. Erdogan, Arábia Saudita e Qatar têm vindo a apoiar abertamente as forças islamistas, incluindo Fatah al-Sham. Na verdade, os EUA tem estado envolvido em armar muitos desses grupos também, incluindo um que recentemente decapitou um menino de 10 anos de idade.

RLR: Existe algumha maneira significante na que podemos ajudar a  aqueles atualmente encerrados em prisons turcas?

SA: A forma significativa para ajudar as vítimas de qualquer regime despótico é o primeiro, nom apoiar esse regime, quer através da venda de armas ou visitar o país por turismo. Eu acho que o Ocidente tem de libertar-se do ciclo de apoiar os islamistas para livrar-se de ditadores indesejáveis, como Qadafi e Al-Assad, e apoiar regimes militares para depor os islamistas.

É um ciclo mortal no Oriente Médio e a Turquia nom é excepçom. A longa história de opressom na Turquia deu legitimidade popular a Erdogan, e el está-se tornando um ditador opressivo. Nom é que considere que umha terceira opçom democrática nom exista, mas onde e quando o fascismo é relativamente popular, as forças democráticas som fracas precisamente por serem inerentemente contra a violência, o que os impede parar o fascismo.

Na Turquia, há um movimento progressista que está contra o fascismo nacionalista e o fascismo islamista. É um movimento democrático, laico, pluralista, multiétnico e feminista liderado polo HDP. Durante as semanas que antecederom ao golpe de julho o partido AK de Erdogan defendeu umha lei que dá imunidade contra a perseguiçom jurídica aos soldados, a fim de permitir que as forças armadas matem mais livremente na regiom curda. O partido também avançou mais um projeto de lei que retira aos deputados da sua imunidade, principalmente para atingir os deputados do HDP. O HDP é a última esperança na Turquia; se o regime de Erdogan consegue silenciar os seus líderes e ativistas seja por meio de prisom ou outros meios opressivos, a Turquia se tornar um caso de livro de ditadura.

RLR: Os curdos na Turquia tenhem umha longa e atormentada história. Por um tempo houvo um cessar-fogo com o PKK e as negociaçons com o governo. Recentemente, o HDP tem estado na defensiva, e centos de civis curdos forom mortos polas forças governamentais, pré-golpe. Vai Erdogan retomar a sua guerra contra os curdos?

SA: Erdogan nom demonstrou qualquer intençom de retomar o processo de paz. Agora está em umha aliança com os ultranacionalistas, e para sustentar essa aliança el vai manter a guerra contra os curdos. Retomou a guerra em primeiro lugar para apelar aos ultranacionalistas que som inflexiveis contra qualquer reconhecimento dos direitos curdos.

É difícil imaginar um momento em que a Turquia vai concordar em retomar o processo de paz com os curdos, mas acho que o casamento entre Ancara e o ISIS vai desmoronar mais cedo ou mais tarde. Quando isso aconteça, Ankara provavelmente irá fazer um acordo com os curdos. Historicamente, os curdos estam prontos para aceitar qualquer oferta de paz, mas eles nunca tiverom poder suficiente para impor a paz na Turquia.

Mesmo que o Ocidente agora usa os curdos para conter a ascensom do ISIS, há muito pouca cobertura da mídia internacional da brutal repressom dos curdos na Turquia. Também, porque Erdogan está essencialmente chantageando a UE com a questom dos refugiados, ameaçando abrir as portas da Europa aos refugiados sírios, a UE nom se atreve a criticar a Turquia sobre as violaçons dos direitos humanos no Curdistam.

Na Turquia, nom há pressom suficiente sobre o governo para iniciar um processo de paz também. É bastante irônico que, por um lado, os curdos som alienados diariamente, tanto através da violência do Estado e a falta de solidariedade popular suficiente, enquanto que, por outro lado, eles som acusados de nom ter um forte sentido de pertença à Turquia . O único cenário em que Ankara entraria em um processo de paz é, portanto, se e quando a própria Turquia esteja em umha grave crise.

A questom curda é extremamente complicada na Turquia. É umha questom de 100 anos de negaçom, humilhaçom, assimilaçom forçada, e engenharia social. Enquanto estivem na Turquia, diariamente eu testemunhei as consequências dolorosas da política colonial turca. Um dia eu estava montando no microônibus para a universidade quando duas crianças pequenas, juntamente com sua mae e avó entrou no ônibus. O avó falou em curdo com a mae, mas a mae falou em turco aos seus filhos. Presumo que o avó ou nom sabia turco ou sentiu estranho falar com sua filha em umha língua estrangeira. Presumo também que as crianças nom sabiam curdo, como tantas crianças curdas que forom Turkificadas polo Estado. Quando o ônibus continuou, umha das crianças começou a cantar umha música triste em curdo ao olhar para fora da janela. Em um momento ordinário assim, podia-se ver a repressom que atravessa geraçons.

RLR: Como livre – e como restrito – estam as mulheres na Turquia de hoje? As mulheres curdas e as mulheres turcas?

SA: O kemalismo ajudou as mulheres turcas a ganhar muitas das suas liberdades individuais, mas isso está mudando sob o governo islamista de Erdogan. Erdogan deixou claro em várias ocasions que el nom acredita que homes e mulheres sejam iguais. El sempre incentivou às famílias turcas a ter mais filhos e exortou as mulheres a fazer a educaçom dos filhos a sua principal prioridade.

Em umha mudança interessante, muitas feministas turcas agora tomam inspiraçom do movimento feminista curdo. Historicamente, a regiom curda tem sido mais conservadora em termos de direitos das mulheres, que estava agravada polas condiçons políticas e económicas opressivas impostas à regiom curda.

No entanto, o empoderamento das mulheres é um dos pilares do movimento de libertaçom curdo de hoje. O líder preso do PKK, Ocalan, dixo a famosa frase, “Matar o macho”, que agora é o lema da academia para mulheres em Rojava (Curdistam sírio). É claro, a declaraçom é usada metaforicamente, mas marca umha mudança poderosa na consciência. Combatentes curdos na Turquia e na Síria passam por cursos de feminismo radical para desaprender o sistema de valores patriarcal. Além disso, esse mesmo movimento fixo o sistema igualitário de género de co-presidência em todas as posiçons de governo umha regra universal na política curda na Turquia e Síria.

Municípios, partidos políticos, e as forças militares nas regions curdas da Turquia e da Síria devem cumprir os requisitos de assegurar que o poder é compartilhado entre um co-presidente home emulher.

RLR: Como é a vida para as pessoas LGBT na Turquia hoje?

SA: As pessoas LGBT também tenhem enfrentado o aumento da pressom do governo de  Erdogan nos últimos anos. Na verdade, a polícia procurou impedir as paradas do orgulho em Istambul nos últimos dous anos. Claro que, como as liberdades das mulheres, nom é fácil para o governo suprimir totalmente os direitos LGBT, mas esses direitos podem estar completamente perdidos no espaço de poucos anos, como vimos em outros lugares. Ao mesmo tempo, a sociedade iraniana era muito liberal em termos de relaçons pessoais / sexuais, apesar da brutal ditadura. Agora aos iranianos som lhes negadas essas liberdades passadas sob o regime despótico atual.

Turquia parece estar indo polo mesmo caminho: para além da falta de liberdades políticas, haverá cada vez menos liberdades “pessoais” também. O Islam, em todas as suas versons, nom tolera as liberdades individuais, assim com a ascensom do islamismo, as pessoas LGBT estaram,  evidentemente, entre aqueles que vam sofrer mais.

Esta entrevista foi publicada em Open Democracy.

 

“A Unidade no Curdistam do Sul terá um impacto positivo nas 4 Partes do Curdistam”

desmitasO co-presidente do Partido Democrático dos Povos (HDP), Selahattin Demirtaş falou sobre a visita em andamento do seu partido à Regiom do Curdistam (KRG) após a sua reuniom com o ex-líder da PUK (Uniom Patriótica do curdistam, segundo partido histórico da KRG), Jalal Talabani.

Em uma entrevista com Roj News, Demirtaş dixo que a visita tornara-se umha necessidade para abrir o caminho do Congresso Nacional Curdo e acrescentou: “Todos os nossas povos nas quatro partes do Curdistam querem que isso aconteça e querem que as tensons entre curdos diminuam.”

Iniciativa para limpar o caminho para o Congresso Nacional

Demirtaş dixo: “As tensons entre os partidos políticos no Sul do Curdistam tenhem um impacto negativo e reflexo sobre todo  o Curdistam. Sentimos a necessidade de tomar umha iniciativa na abertura do diálogo entre os partidos curdos de acalmar essa tensom e talvez abrir o caminho para o Congresso Nacional Curdo. Em última análise, o HDP tem um projeto e ideias para a resoluçom da questom curda. Também percebemos que todos os problemas estam ligados uns aos outros. Por esta razom, a evoluçom da Rojava e o Curdistam do Sul afeta-nos diretamente. Isso nom significa que estejamos a nos intrometer nos assuntos dos partidos políticos aqui. Nós estamos tentando ajudá-los a criar laços mais estreitos e manter canais de diálogo abertos. Os partidos digerom-nos que valorizam os nossos esforços.”

O co-presidente do HDP também acrescentou que era normal que os partidos políticos curdos pensaram de maneira diferente sobre as questons, mas que todas as questons, Ao final, teriam de ser resolvidas através do diálogo, algo que todos os lados estam dispostos a fazer.

Vimos desejo de umha soluçom para os problemas

“Até agora, em todas as reunions que tivemos, com Masoud e Nechirvan Barzani, o KDP, Komala, Yakgrtu (Uniom Islâmica do Curdistam) e outros partidos políticos e indivíduos, temos visto um grande desejo de resolver os problemas. Há grande desconforto com a forma como estam as cousas. Há muitas razons para os problemas que estam sendo enfrentados e cada umha tem umha abordagem diferente. Isso é compreensível. Mas nós vimos que há o desejo de reiniciar um diálogo, reúnir-se em torno de umha mesa e envolver-se diretamente. Usar a linguagem e abordagem dos partidos “um para o outro é muito importante. Um insulto ao outro e acusaçons através dos mídias tenhem que parar e todos concordam com isso. Este acordo nos faria felizes. É claro que nom é fácil de resolver todo imediatamente. Também nom é possível com umha visita e certamente nom é da responsabilidade do HDP. Os partidos políticos aqui vam resolver as questons entre si. Nós apenas queremos facilitar as cousas e abrir a porta para começar o diálogor”

Barzani assumirá as suas responsabilidades

O co-presidente do HDP também dixo que a abordagem do líder do KDP Masoud Barzani para resolver as questons em torno de unidade nacional foram positivas e que el tinha-se prometido que iria exercer as suas responsabilidades em relaçom ao Congresso Nacional.

As quatro partes do Curdistam estám aqui ‘

Demirtaş também falou sobre os confrontos actuais nas cidades curdas e os ataques do governo do AKP turco ao HDP. “Todo o mundo está ciente da nossa luita contra o governo estadual e o AKP turco. Acreditamos que, se pudermos garantir as relaçons entre os curdos terá um impacto positivo no Norte (Curdistam-Turquia) e Rojava. Por esta razom, é importante que haja unidade dentro de cada parte do Curdistam. Quero enfatizar que nom estamos aqui para resolver os nossos próprios problemas. Estamos a visitar para ajudar a resolver problemas entre os partidos aqui [do Sul do] Curdistam e questons de alianças e de diálogo no Norte e na Rojava. As pessoas tenhem grandes expectativas em nós. Nom so os partidos políticos, mas todo o povo nas quatro partes do Curdistam querem que sejamos bem sucedidos e desejam que as tensons entre curdos diminuam.”

Acampamento *Makhmour
*[O acampamento de refugiados de Makhmour foi fundado no 1994 com milheiros de curdos que fugirom da repressom na Turquia.]

A umha pergunta de um jornalista sobre a extradiçom de alguns curdos que tinham a sua autorizaçom de residência cancelada e foram entregues à Turquia pola KRG, Demirtaş dixo: “Eu falei esse tema ao Sr. Nechirvan Barzani e dixo que tinha expectativas a esse respeito . El está muito sensível e dixo que iria lidar com o problema. Prometeu que iria atender os problemas que enfrentam as pessoas [do Norte-Turquia] que trabalham aqui e também quaisquer problema no campo de Makhmour.”

“É uma honra estar resistindo para o nosso povo

Em relaçom à prisom de deputados do HDP Demirtaş declarou ter notícias de que o presidente da Turquia Erdogan tinha dado instruçons para isso e comentou: “Quero que o povo saiba que eles nom precisam de se preocupar por nós, polos seus deputados. Assim como todos os outros filhos deste povo sabemos como resistir, nós também imos torná-los orgulhosos. Nem umha soa pessoa vai ajoelhar ou obedecer as suas ordens e nrm umha soa pessoa vai dizer nada [no tribunal]. Este é o nosso dever e é umha honra. É umha honra resistir polo nosso povo.”

As pessoas devem-se levantar ‘

O co-presidente do HDP continuou; “Mas as pessoas também precisam de se levantar polos seus e suas deputadas. Quando há umha prisom, independentemente de quem é, todos devem tomar as ruas e fazer ouvir as suas vozes. Esta questom nom é o nosso problema pessoal. Devemos mostrar a Erdogan de que as cousas nom podem continuar desta forma. Imos resistir, imos resistir com o nosso povo. Imos levar perante os tribunais aos autores dos crimes contra o nosso povo; aqueles que queimarom e destruírom as nossas casas, mataram os nossos jovens e queimarom vivos os nossos companheiros,  nom vam ficar impunes.”

“O Presidente Öcalan fixo um chamado. Dixo que estava pronto [para a resoluçom]. El disse que tinha um projeto que poderia resolver o problema [curdo] em seis meses. Mas el também sabe que o AKP e Erdogan nom quere isso. A única maneira que nós podemos torná-lo possível é mantermos fortes, resistir e mostrar ao estado mais umha vez que eles nom podem nos fazer ajoelhar usando as armas, os bombardeos  e os tanques.”

Falando em curdo

Demirtaş respondeu as críticas de que ele era “o líder de um partido curdo, mas nom sabia falar curdo”, respondeu no dialeto curdo **Kurmancki (Zazaki).
**O zaza é um dialeto falado por 1,5-3 milhons de pessoas dos 15-20 milhons de curdos que vivem em Turquia].

Demirtaş dixo que era um curdo zaza e fala zazaki com a sua família e compreende Kurmanji e Sorani [os dous dialetos maioritários do curdo], mas nom sabe falar o suficientemente bem para fazer discursos políticos. “Por essa razom eu fago os meus discursos em turco”, dixo, antes de passar a perguntar se isso era algo para se envergonhar. “Sim, é algo para se envergonhar. Mas nom é a minha vergonha. É a vergonha do Estado turco. É a vergonha das suas políticas de assimilaçom. Essa política [de dizer que os líderes curdos som incapazes de falar curdo] é guerra suja, psicológica dos meios de comunicaçom controlados polo Estado turco. O nosso povo nom os ouve”, respondeu.

“Eu gostaria de falar todos os dialetos da minha língua materna: Zazaki, Kurmanji, Sorani e os outros dialetos. Ao invés de criticar as políticas de assimilaçom do estado eles estam tentando de nos envergonhar, o que mostra como desonrados eles som. Esta pode ser umha carência para nós, mas para eles é umha fonte de vergonha “.

 

Publicado em Roj News

 

 

Abordagem do Estado turco e Por que o Isolamento de Öcalan é motivo de preocupaçom

ypj-com-foto-ocalanPor Amed Dicle

O jornal pró-curdo Özgür Gündem publicou umha entrevista muito importante sobre a situaçom na Ilha Prisom de Imrali e a abordagem do estado sobre Öcalan, vários dias antes de ser fechado (por um tribunal turco). A entrevista datada o 22 de agosto com Çetin Arkas e Nasrullah Kuran, (que estiveram ambos presos em outra seçom da prisom antes de serem forçosamente trasladados) som bastante surpreendentes e informativas em termos da compreensom das condiçons atuais sobre Imrali e a ameaça contra Öcalan.

Outro artigo de Çetin Arkas, publicado por Özgür Gündem antes desta entrevista, o 22 de Julho, mencionou umha carta anônima enviada a Öcalan, que o ameaçava.

Çetin Arkas e Nasrullah Kuran estiverom presos na Ilha de Imrali, até o 25 de Dezembro de 2015, o que torna as suas declaraçons sobre a situaçom lá importantes.

A evoluçom ao longo dos últimos anos e algumhas informaçons trazidas à luz por Arkas e Kuran oferece-nos umha visom sobre os perigos que enfrentamos hoje.

29 de novembro de 2014. À medida que as fortes luitas estavam ocorrendo em Kobanê, um grupo de membros do ISIS tentou entrar dentro do centro da cidade depois de cruzar a fronteira entre Suruç-Kobanê através do passo fornteiriço de Mürşitpınar. Este grupo foi repelido depois de confrontos pesados. Mais tarde, eles refugiaram-se nos celeiros de trigo do governo turco na fronteira. As primeiras imagens em tempo real desde o começo do ataque foram divulgadas pola agência nacional de notícias da Turquia AA (Agência Anadolu).

Logo verificou-se que umha delegaçom do Estado visitara Imrali no mesmo dia e durante as mesmas horas para manter conversaçons com Öcalan. Eles foram para dar-lhe a mensagem, ‘Kobanê caiu’.

No entanto, Kobanê foi salva e as conversas com Öcalan continuarom até o 5 de abril de 2015.

As negociaçons entre a Delegaçom de Imrali do Partido Democrático do Povo (HDP) e Öcalan foram impedidas após esta data.

A entrevista acima mencionada dá detalhes importantes sobre o período posterior ao 5 de abril, quando o isolamento agravado de Öcalan começou. Por tanto;

Umha Delegaçom do Estado encontra-se com Öcalan na Ilha de Imrali o 25 de Junho de 2015, após as eleiçons gerais do 7 de junho.

No mesmo dia (25 de Junho), militantes do ISIS entrar no centro da cidade Kobanê desde a fronteira turca e massacram 243 civis, a maioria delas crianças.

Durante esta reuniom, a delegaçom do Estado pede a Öcalan de escrever umha carta para a Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK) para ” diminuir as tensons’. Öcalan dixo-lhes que ia avaliar a sua proposta e depois dixo-lhe a um funcionário, “Quanto tempo mais quere que escreva a Qandil (KCK / PKK)? Pergunte a delegaçom para vir aqui a umha reuniom, se o Estado tem um projeto destinado a umha resoluçom da questom curda. Se o estado quer recorrer ao envio de cartas ou qualquer outra cousa para adiar a questom mais umha vez, eles nom precisam de vir, eu nom me vou reunir com eles “.

Cerca de 4 meses depois desta reuniom, em Outubro de 2015, umha “carta anônima ‘ chega-lhe a Öcalan.

Normalmente, todas as cartas enviadas a Öcalan passam porumha  inspeçom e a maioria nom lhe som entregadas, no entanto, este “carta” foi-no. Está escrito por alguém de Berlim que a introduz como um “oráculo”. A carta di: ‘Erdoğan era de feito umha boa oportunidade [de resoluçom] vocé deveria ter aceitado. Vocé vai morrer de “causas naturais” este ano “.

Çetin Arkas resume a atitude Ocalan como segue;

“Öcalan compartilhou o conteúdo da carta connosco, e pediu a nossa opiniom. Nós [seis presos] digemos que criamos que era umha ameaça. Quando Öcalan pediu informaçom à administraçom da prisom sobre a carta, eles digerom:” Escapou à nossa atençom. Foi um erro porque nom cha teriamos dado umha carta com este tipo de conteúdo “. No entanto, sabemos que nom é possível que algumha cousa escape à atençom no Sistema Penitenciário de Imrali. Todo foi desenhado em conformidade. A carta devia chegar a Öcalan.

A resposta de Öcalan foi: “Seria simplista a tomar essas cousas a sério Somos revolucionários eu já tenho jogado o meu papel até agora e vou continuar a desempenhar o meu papel após a morte, bem como dixo Che Guevera, eu digo. “Onde quer que a morte poda-nos surpreender, bem-vinda seja ‘. Eu sei que eles estam ouvindo a nossa conversa, e eu estou a dizer isto em voz alta para ter certeza de que eles me ouvem.”

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Öcalan e a entrada Prisão de máxima Segurança de Imrali

Vários dias após esta carta o 10 de outubro de 2015, o dia em que a KCK se preparava para declarar um cessar-fogo, polas eleiçons do 1 de novembro, a massacre de Ancara matando 102 pessoas tivo lugar. A declaraçom foi adiada para o dia seguinte.

Vários dias antes das eleiçons do 1 de novembro, a delegaçom do Estado fixo outra visita a Imrali.

A delegaçom estava chefiada polo vice-secretário de Segurança Pública do Estado turco, que fixo a seguinte ameaça a Öcalan:

” Vocé está exagerando a questom de Rojava. Podemos ter 300 avions bombardeando-a  e destrui-la ate o cham, se quigermos “.

Nom é segredo que a Turquia queria sufocar as demandas dos curdos de Rojava ‘ de direitos e liberdades desde o início da guerra na Síria. As massacres em Kobanê e o suporte ao ISIS tinham como objetivo isso. As recentes operaçons de Jarablus e Al-Rai iniciados de acordo com o ISIS estam sendo realizadas como extensons da política mencionada polo Secretário Adjunto.

Claro, nom há nada estranho na política do Estado que ameaçava Öcalan com o esmagamento de Rojava.

O que causa grande preocupaçom entre os curdos agora, porém, é a forma como esta política está sendo implementada em Imrali, especialmente após a tentativa de golpe do 15 de junho de 2016.

Membros do HDP digerom que um helicóptero controlado por golpistas atacou a Ilha de  Imrali e confrontos eclodiram entre eles e os soldados leais ao governo em torno da prisom na noite da tentativa de golpe.

Foi igualmente declarado que os soldados golpistas, em seguida, fugiram para Grécia.

O governo turco nom fixo nengumha declaraçom satisfatória sobre este incidente.

Conforme 50 políticos e ativistas curdos estam em umha greve de fome por tempo indeterminado em Diyarbakir (Amed) com umha única demanda: Um encontro direto com Öcalan, o ministro da Justiça da Turquia Bekir Bozdağ declarou: “Nom há nengum problema com relaçom à segurança de Öcalan”.

El contudo, di que os soldados que fugirom para a Grécia, nom atacarom Imrali.

Quando um estado que envia assassinos do ISIS a Kobanê e, ao mesmo tempo tem umha reuniom com Öcalan; um estado que “permitiu” o envio de umha carta de ameaças anônimas e ameaçou Rojava com 300 avions di: “Nom há nengum problema com a segurança de Öcalan”, isso é um motivo de grande preocupaçom, nom de alívio.

Apesar das exigências básicas dos Curdos sobre Öcalan, o Estado turco vê-o so como um “prisioneiro”. Esta mentalidade, que recentemente declarou que há umha “guerra total, e nengumha soluçom”, vai fazer todo o que poida contra Öcalan em Imrali, em Rojava e em qualquer outro lugar onde poidam.

Publicado por Kurdishquestion.com

 

Começa a Greve de Fame dos Curdos por Abdullah Öcalan

Greve FomeA greve de fome exigindo umha reuniom do PKK com o líder curdo Abdullah Öcalan começou ontes (luns 5 de Setembro) na capital curda da Turquia, Amed (Diyarbakır).

50 políticos, ativistas e artistas começarom a greve de fome que vai continuar até que haja umha reuniom com Öcalan, na sede do pró-autonomia curda Partido Democrático das Regions (DBP) onte à manhá.

Representantes do Partido Democrático do Povo (HDP), DBP, Congresso Democrático Popular (HDK), Congresso de Mulheres Livres (KJA) e o Congresso da Sociedade democrática (DTK) inicioarom a açom, que visa “romper o isolamento de Öcalan imposto polo Estado turco e o governo do AKP. ”

Os participantes ficarom em frente a faixas que diziam “A liberdade do nosso líder é a nossa liberdade” e “Estamos preocupados com a saúde e a segurança de Öcalan”.

A co-presidente do DBP, Sebahat Tuncel, dixo que tinham feito umha declaraçom o 31 de agosto criticando o isolamento de Abdullah Öcalan, com quem nom tiveram contacto direto desde o 5 de abril de 2015. Tuncel acrescentou que 52 dias passaram desde a fracassada tentativa de golpe na Turquia, durante a qual os autores do golpe tentaram assumir o control da Ilha Imrali.

“Apesar dos seus 18 anos de isolamento, o Sr. Öcalan tem feito grandes esforços para a resoluçom democrática e pacífica da questom curda, a democratizaçom da Turquia e para trazer a paz para o povo do Curdistam e da Turquia”, dixo Tuncel.

A co-presidente do DBP acrescentou que o processo de diálogo entre Öcalan, o movimento curdo, representantes do HDP e o Estado turco (2013-2015) tinha mostrado que a paz era possível. A decisom do Estado turco de acabar com as negociaçons após a declaraçom de Dolmabahçe resultou em dor e tragédia, dixo a porta-voz. “O isolamento de Öcalan é umha violaçom dos direitos humanos, das liberdades e da democracia”, afirmou.

O HDP e outros partidos curdos tenhem apelado para umha reuniom com o líder curdo desde o retorno dos combates entre as forças do Estado e militantes do PKK em julho passado. “Figemos todos os esforços políticos, legais, diplomáticos e humanitários para estabelecer comunicaçom com Öcalan nos últimos 510 dias, e decidimos começar a greve de fome quando todos esses esforços falharom. O Estado nom respondeu à declaraçom que figemos o 31 de agosto , por isso a nossa greve de fome indefinida e irreversível continuará até que os avogados de Ocalan, membros da família ou a delegaçom política se encontrem com el”, dixo Tuncel.

Aparecendo em um programa de televisom antontem, o ministro da Justiça da Turquia, Bekir Bozdağ, dixo que os grevistas estavam “explotando a situaçom de Öcalan.”

“Há informaçons infundadas sendo espalhadas sobre Abdullah Öcalan. Nom há nada de errado com sua saúde ou segurança”, afirmou Bozdağ.

O co-presidente do HDP, Selahattin Demirtaş, revidou dizendo que nom confiava nas declaraçons dos funcionários estatais e pediu por umha reuniom direta entre Öcalan e os seus avogados.

“Que mal pode umha breve reuniom entre Öcalan e os seus avogados fazer? Um avogado ou membro da família deve ser levado a umha reuniom com el imediatamente. Eles estam dizendo que estamos explotando a situaçom, bem, entom envie um avogado se vocé quiser colocar um fim nisso.”

Demirtaş já tinha afirmado que um confronto entre soldados do golpe e soldados que guardavam a ilha prisom de Imrali, onde Öcalan está preso, ocorreu no dia 15 de julho, com os autores do golpe tentando capturar a Öcalan.

A greve de fome de 68 dias polos presos políticos e representantes curdos no final de 2012 tinha aberto o caminho para o “processo de paz” entre 2013-2015. Comentaristas políticos curdos digeram que esta greve de fome também pretende pressionar o governo turco do AKP a voltar com as negociaçons.

Em umha das maiores campanhas de baixo assinado na história, mais de 10 milhons de pessoas assinaram umha petiçom pedindo pola arbítrio político de Öcalan e exigindo a sua liberdade.

Os nomes de quem estam em greve de fome som as seguintes:

Nadir Yıldırım: Vice co-presidente do HDP e deputado por Van

Selma Irmak: Deputada do HDP por Hakkari

Berdan Öztürk: Deputado do HDP por Ağrı

Dilek Öcalan: Deputada do HDP por Urfa

Ferhat Encü: Deputado do HDP por Şırnak

Ebru Günay: Avogada de Öcalan

Cengiz Çiçek: Avogado de Öcalan

Sebahat Tuncel: Co-presidente do DBP

Gülcihan Şimşek: Membro do Comité Executivo do DBP

Zeynel Mat: Membro da Assembelia do DBP

Mehmet Candemir: Membro da Assembelia do DBP

Uğur Bayrak: Membro da Assembelia do DBP

Zeki Baran: Membro da Assembelia do DBP

Murat Döner: da Associaçom de Solidariedade com as Famílias dos detidos e condenados (TUHAD-DER)

Leyla Güven: Co-presidenta do DTK

Hasip Yalnıç: Escritor

Zeynep Karaman: Membro do Comité Executivo do Congresso de Mulheres Livres

Ceylan Bağrıyanık: Membro da Coordenadora do Congresso de Mulheres Livres, Membro da Delegaçom de Imrali (Öcalan)

Berfin Emektar: Autora/Atriz Teatral

Abdullah Tarhan: Autor/Ator Teatral

Nazım Hikmet Çalışkan: Autor/Ator Teatral

İbrahim Halil Yıldırım: Diretor de cinema

Zeynel Doğan: Diretor de cinema

İslam Dağdeviren: Produtora de filmes

Bekir Kaya: Co-alcalde de Van

Mehmet Ali Tunç: Co- alcalde de Muradiye

Beritan Tayan: Co-alcalde de İpekyolu

Bayram Demir: Conselheiro do concelho de Batman

Berivan Özlem Kutlu: Co-alcalde de Kumçatı

Yıldız Çetin: : Co-alcalde de Gürpınar

Rukiye Eryılmaz: : Co-alcalde de Çınar

Hasan Güngör: Vice co-alcalde de Kayapınar

Zelal Abiş Birtane: Vice co alcalde de Dicle

Hayrettin Satar: Conselheiro do concelho de Bismil

Hüseyin Çelik: Conselheiro do concelho de Kayapınar

Necmi Dilmaç: Conselheiro do concelho Batman

Bayram Akman: Conselheiro do concelho Batman

Abdulkadir Çalışkan: Co-alcalde de Saray

Siyabend Yaruk: Jornalista

Arif Akkaya: Executiva do DBP de Diyarbakir (Amed)

Abbas Ercan: Co-alcalde do HDP de Kayapınar

Arzu Karaman: Co-alcalde do DBP de Bağlar

Elif Haram: Membro do Congresso de Mulheres Livre

Semra Karaduman: Membro do Congresso de Mulheres Livre

Nalan Göze: Membro do Congresso de Mulheres Livre

Talat Emre: Associaçom (Revolucionários) do 78

Rıfat Roni: Associaçom (Revolucionários) do 78

Sinan Ekinci: Execuitiva do DBP de Bağlar

Yusuf Ziya Yavuz: Trabalhador municipal

Yusuf Sökmen: Trabalhador municipal