2º Aniversário: Um genocídio sem fim

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Álbum de fotos de umha família Jazidi nas ruínas de um edifício de Shingal (John Moore)

Lalish. Dous anos atrás, os acólitos do Estado Islâmico (ISIS) invadirom o norte do Iraque, capturando a metrópole de Mosul em um curto período de tempo. Desde entom, a milícia nom só tem aterrorizado o Iraque e a Síria. O seu terror é global e já encontrou o seu caminho para a Europa – um terror que a comunidade Jazidi tivo de suportar durante séculos.

Apenas algumhas semanas depois de ter caído Mosul o grupo terrorista, os jihadistas do ISIS perpetrarom um genocídio inimaginável, mas previsível que ja fora anunciado antes contra a povoaçom civil Jazidi de Shingal. Raramente um genocídio foi tam óbvio dado a sua intençom de destruir. Na sua revista intitulada “Dabiq”, o ISIS assumiu a responsabilidade polas suas atrocidades e até mesmo acusou os vizinhos muçulmanos dos Jazidis de nom te-los exterminado há muito tempo. Um genocídio que ainda nom chegou ao fim, desarraigando a comunidade Jazidi e mergulhando-a em umha profunda crise. Resumimos os acontecimentos e as suas consequências:

→ 450.000 refugiados – um de cada dous Jazidis
→ + 5000 mortos (cifras da ONU)
→ 7.000 raptadas (cifras da ONU)
→ até 3.800 mulheres e crianças ainda estam cautivas
→ até 8.000 crianças órfas e meio-órfas
→ mais de 30 valas comuns descobertas até agora
→ várias aldeias permanecem sob control do ISIS

Genocidio

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Jazidis deslocadas ajudadas por umha membro das Unidades de Proteçom das Mulheres (YPG), nos arredores de montanha Sinjar em 10 de Agosto de 2014. Reuters/Rodi Said

 “Um Genocídio ocorreu e ainda está a ocorrer“, Paulo Pinheiro, presidente da Comissom de Investigaçom da ONU.

Na noite do 2 para o 3 de agosto de 2014, quando os primeiros ataques começarom a tomar corpo no sul da regiom de Shingal, os Peshmerga (principalmente milícias do KDP), que vinheram supostamente a implantar-se na regiom para a segurança dos Jazidis já começaram a fugir. Shingal é a área de principal assentamento do povo Jazidi onde cerca de 500.000 dos 900.000 Jazidis de todo o mundo costumavam viver.

Os 11.000 Peshmerga que foram implantados em torno a Shingal fugirom durante a noite e as primeiras horas da manhá sem avisar à povoaçom civil ou, polo menos, proporcionar rotas de fuga. O ISIS invadiu umha aldeia atrás da outra, os vizinhos sunitas do Jazidis apoiarom a ofensiva terrorista. Voluntários Jazidis defenderom as suas aldeias durante horas. Depois de ficar sem muniçom, as pessoas tentarom escapar ao monte onde forom cercados polos terroristas do ISIS a temperaturas de 40 °. Até 60.000 Jazidis tentarom resistir lá fora por dias, muitos morrerom como resultado da falta de comida e água.

[Haveria que dizer também que ajudou a que nom fôsse maior a massacre a operaçom das YPG/YPJ (Yekîneyên Parastinê Gel) para resgatar aos Jazidis nas montanhas de Sinjar transportando comida e água e fazendo um corredor humanitário; e das HPG (Hêzên Parastina Gel), milícia do Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), que frenarom a ofensiva do ISIS em Maxmur; ambas milícias membros da KCK (Uniom de Comunidades do Curdistam].

De acordo com as Naçons Unidas, polo menos 5.000 Jazidis forom assassinados nas cidades e aldeias e até 7.000 mulheres e crianças, incluindo muitas meninas menores de idade, forom sequestradas, escravizadas e posteriormente violadas sistematicamente. Os homens e mulheres capturados forom convidados a se converter ao Islám, por exemplo, em Kojo onde acólitos do ISIS assassinarom cerca de 600 homens e sequestrarom até 1.000 mulheres e crianças depois de terem recusado a se converter. De acordo com umha série de estimativas, 1.000 meninos Jazidis estám sendo treinados militarmente em campos para se tornar futuros suicidas e combatentes do ISIS.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Parlamento Europeu, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, o governo dos EUA e o Parlamento britânico reconhecerom o genocídio. O Conselho de Segurança da ONU, no entanto, ainda nom tomou quaisquer medida. A chamada dos Jazidis para o estabelecimento de um tribunal para julgar os terroristas do ISIS no Tribunal Penal Internacional por cometer crimes de guerra e contra a humanidade.

Valas comuns

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Jazidis analisam os restos ósseos de umha vala comum.

Mais de 30 valas comuns contendo os restos mortais de homens, mulheres mas também de crianças até agora forom descobertos nas regions libertadas de Shingal. A ONU, apesar dos pedidos da comunidade Jazidi, nom forneceu nengum perito em preservaçom de provas ou documentou as valas comuns para futuros processos contra os terroristas do ISIS. Os cientistas forenses do governo curdo estam tentando faze-lo o melhor possível, mas nom tenhem o equipamento necessário. Umha das valas comuns, que foi descoberta no sul da regiom, continha os restos de 80 mulheres. Até 120 restos mais forom descobertos em outra perto da cidade Shingal. As sepulturas estam, no entanto, muitas vezes inspeccionados por luitadores, jornalistas ou Jazidis à procura dos seus parentes, o que torna difícil preservar as provas no futuro.

Escravitude

“Ela tem 12 anos. Hweida nom sabia o que era a violaçom, mas acordou com sangue entre as suas pernas.”, NBC Report.

Jazidis escravasAté 7.000 Jazidis, a maioria das quais eram mulheres e crianças, forom sequestradas. Na sua revista Dabiq, o ISIS referiu o seu rapto como a reintroduçom da “tradiçom islâmica da escravidude”. As Jazidis sequestradas forom levadas para outras partes do Iraque e da Síria. 3.200 mulheres e crianças forom libertadas ou conseguiram escapar. Elas relatarom violaçons em massa, tortura e assassinatos nas prisons do ISIS. Crianças nascidas em cautiveiro do ISIS forom entregues a famílias muçulmanas. As mulheres e crianças Jazidis raptadas som oferecidas para a venda por terroristas do ISIS através das redes sociais ou nas ruas. O ISIS usa a violaçom sistemática como umha arma psicológica contra toda a comunidade Jazidi.

3.500 outras Jazidis ainda permanecem, desde há dous anos, no cautiveiro do ISIS. O genocídio continua com o seu cativeiro e nom permite que os Jazidis poidam descansar. Até agora nom há medidas concretas para a sua libertaçom, tais como operaçons militares especiais. As famílias Jazidis pagam somas de cinco dígitos para resgatar os seus parentes, caso a opçom esteja disponível. O ISIS reforçou as medidas de segurança após umha série de tentativas de fuga bem-sucedidas, é por isso que cada vez menos mulheres e crianças podem ser resgatadas ou som capazes de escapar. Muitas das mulheres e crianças escravizadas crê-se que estam nos redutos do ISIS de Mosul e Raqqa.

Mas mesmo depois da sua libertaçom, o seu calvário nom chega ao fim. Fortemente traumatizadas, muitas delas resistem nos campos de refugiados sem ter acesso à assistência professional. Nada abalou a comunidade Jazidi nas suas bases, como os seqüestros e as violaçons. A maioria também perderam os seus familiares nas massacres de Shingal.

Órfaos

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Crianças Jazidis do campo de refugiados de Esiya (EzidiPress)

A campanha de destruiçom do ISIS transformou milheiros de crianças em órfaos e meio-órfaos, muitos dos quais forom testemunhas de como as suas maes e/ou pais foram mortos polos terroristas do ISIS diante dos seus olhos. Há 3.000 órfaos, de acordo com dados oficiais. Estimativas nom oficiais, no entanto, indicam que há 8.000 crianças e jovens órfaos e meio-órfaos. Os que muitas vezes encontram aos seus parentes que, no entanto, também carecem de tudo. portanto os Jazidis procuramos construir orfanatos.

Êxodo em massa

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Crianças refugiadas de Shingal perto de Semel, Duhok (Ezidi Press)

“Esta terra é a nossa tumba “, refugiado Jazidi.

O plano pérfido do ISIS para destruir a comunidade Jazidi aparentemente provou ser bem sucedida. Cerca de 100.000 Jazidis já deixarom o Iraque / Regiom Autónoma do Curdistam – que é cerca do 20% da povoaçom total Jazidi. Atravessa a Turquia e o Mediterrâneo, muitos estam tentando alcançar porto seguro na Europa. Um número estimado de 30.000 Jazidis já solicitarom asilo só na Alemanha – com umha tendência crescente. Os 900.000 Jazidis já vivem nos quatro continentes, em mais de 20 países.

 Destruiçom e luita polo poder político

Um camiom com forças de segurança curdas fai o seu caminho através das ruínas de Sinjar. (John Beck / Al Jazeera)
Um camiom com forças de segurança curdas fai o seu caminho através das ruínas de Sinjar. (John Beck / Al Jazeera)

O lar tradicional do Jazidis tornou-se um lugar de luita polo poder político. Dúzias de partidos políticos e forças militares estám tentando exercer a sua influência no vazio de poder que foi deixado lá. Bandeiras de Partidos e militares som içadas acima das ruínas dos edifícios destruídos. A regiom está de facto dividida em duas zonas: os grupos ligados ao PKK [KCK em realidade], como as Jazidis YBŞ que controlam o oeste da regiom. Eles estam em umha luita de poder com o KDP, e os seus aliados Peshmergas e Jazidis que controlam o leste da regiom.

Cerca do 85% das infra-estruturas da regiom, vilas e cidades forom destruídas. O Conselho de Representantes iraquiano declarou a regiom como zona de catástrofe. De acordo com as avaliaçons fornecidas polas autoridades, seram necessários 150 milhons de euros para a reconstruçom da área. O retorno dos refugiados parece, portanto, impossível – também devido à situaçom de segurança.

 Aldeias ocupadas

Dúzias de aldeias no sul da regiom, como Kojo, permanecem sob control do ISIS. Há diferentes opinions sobre por que a regiom ainda nom foi liberada.

Crise que Ameaça a Existência

Crianças jazidis em um campo de refugiados em Midyat (Reuters)
Crianças jazidis em um campo de refugiados em Midyat (Reuters)

O genocídio, a traiçom dos Peshmerga, bem como a luita polo poder político sobre a regiom desarraiga a comunidade Jazidi e mergulhou-na em umha profunda crise, a ameaça da existência. As frentes políticas que estiveram latentes durante décadas tenhem-se endurecido, o tom entre os diversos grupos tornou-se mais forte. Acusaçons mútuas e condenaçons ameaçam com dividir a comunidade nas décadas futuras. O Conselho Religioso Jazidi parece paralisado à luz dos desafios e pressons políticas.

Os partidos políticos estam a tentar impor a sua agenda por e com os Jazidis. Especialmente as geraçons mais velhas nom parecem compreender que esta crise pode realmente levar à queda da comunidade Jazidi e, portanto, da antiga herdança da cultura mesopotâmica.

Mais umha vez, heróis no começo acabarom por ser membros leais do partido – que é umha das razons que permitirom em primeiro lugar esta crise. É, portanto, jovens activistas, como Nadia Murad que dam umha nova esperança para os Jazidis e assumem a responsabilidade pola sua comunidade.

Publicado por Êzîdî Press.

 

 

Breve resumo e análise da situaçom no Curdistam

Meninha palestiniano e bandeira YPGUmha aproximaçom geral à situaçom actual a cada umha das quatro regions do Curdistam

Anagrama das Forças Democraticas de SiriaRojava (Curdistam Sírio):
Os bombardeios russos sobre os jihadistas, sobre todo no norte de Aleppo, levou o enfondamento dessa frente dos jihadistas de Al Hursa e aliados, e também do FSA (Exército Livre Sírio). O que aproveitarom o SAA (Exército Sírio de Assad) e o ISIS para lançar umha ofensiva contra as suas posiçons. O FSA e o ISIS apenas se atacam entre si, e estam a ganhar territorio (Isto nom quer dizer que colabourem so que apreveitam umha situaçom que os beneficia a ambos). O ISIS está a uns 2 km da cidade de Aleppo e a 9 do Cantom de Efrîn. As YPG estam a preparar-se para o enfrontamento com o ISIS.
O plano de Turquia de criar umha zona de segurança sob o seu controlo ou de algumha milícia afim, deixou de ser um projeito viavel. Ainda assim, Turquia estivo a provocar às YPG bombardeando território sírio tentando que a resposta das YPG lhes dera umha desculpa para intervir militarmente com o seu exército frente a inoperáncia das suas milicias em território sírio.
Por outra banda, no bairro curdo de Seiq Maqsoud de Aleppo as YPG controlam duas rotas de abastezamento e reforzam as defesas.
No Monte Abdeziz, o leste de Hesekè, as YPG depois de retroceder voltou a recuperar o território e libertou alguns povos mas.
O feito mas significativo foi a formaçom das SDF (Forças Democrâticas de Síria), que é a unificaçom de operaçons de Jaysh Al-Thuwar, Burkan Al-Furat, Forças Al-Sanadid, Brigada de Grupos de Al-Jazira, Conselho Militar Assírio (MFS), YPG e YPJ. Que ainda que som os aliados que estiverom a ter as YPG/YPJ e com os que colabourarom em diferentes operaçons, é um salto qualitativo ao situar-se como alternativa o ISIS, os jihadistas vários e Assad. Os USA nom perderom o tempo é ja lhes entregarom toneladas de armas.
Na última semana as YPG estiverom enviando milicianos e armamento pesado cara o Monte Shengal de cara a começar a ofensiva da libertaçom da cidade.
Assim, o 1 de Novembro, o SDF lançou umha forte ofensiva em Al Hawl, o suleste da cidade de Hesekê e principal nó de comunicaçom entre Síria e Iraque, contando com apoio aéreo. Rompendo a linha de defesa do ISIS e avançando o travês de terreo minado.

Gente nas ruas de SIlopiBakur (Curdistam Turco):
Logo do atentado “sem reivindicar” de Ankara com mas de cem mortos, e em plena campanha eleitoral, o HDP fixo umha campanha de baixa intensidade, ou seja, nom fixo campanha de cara a evitar dar a possibilidade de mas atentados semelhantes. Logo de mas de 2000 políticos do HDP detidos, 500 encadeados, a queima de centos de locais e propriedades do HDP e sem quase fazer campanha, mália perder sobre o 15% dos votos, o HDP consiguiu manter a sua presença no parlamento curdo com 59 escanos nas eleiçons do 1 de Novembro; e por outra banda, o AKP e Erdogan, mália utilizar o assassinato, a guerra, a intimidaçom, o assédio de cidades… e as ilegalidades e irregularidades manifestas por observadores internacionais no dia das eleiçons, e conseguer o 49% dos votos e 312/316 escanos, nom consegiu nem expulsar o HDP do parlamento, nem obter os escanos necessários para cambiar a Constituiçom turca (com ou sem referendum, 330 e 367 respectivamente). O HDP e CHP mantenhem (mas ou menos) as suas zonas de influência (A histórica zona greco-assírica do Oeste o CHP e o leste o HDP) e o AKP medra a consta dos fascistas do MHP que queda por detrás do HDP em escanos como última força no Parlamento.
Sublinhar que nas cidades curdas que sufrirom assédio da polícia e exército turco o apoio ao HDP foi superior o 85%. Acoso à povoaçom civil curda que continuou e continua assim como a resistência do povo curdo. Reflexo desto é a detençom a dous dias das eleiçons de membros do HDP, incluindo um alcalde; o assalto à cidade curda de Silvan, o bombardeiro das abses do PKK em Quandil ou bombardear dentro de Síria posiçons das YPG em Girê Sipî /Tell Abyad.
A nivel militar os confrontos do HPG (guerrilha do PKK) com o exército curdo baixarom em intensidade ao longo das eleiçons . Mas com a mesma dinámica, o exército turco apenas pode entrar na zona da guerrilha e quando o consegue a resposta das HPG é contundente.

A crise económica que começou a afetar a Turquia (como a todos os paises produtores de matérias primas polo freo da economia chinesa) junto às diferências políticas (leste e oeste) e as tensons nacionais, sumado a proximidade a zonas de conflito, as tendeências autoritárias do presidente Erdogan (que o 3 de Novembro suspendou a 54 juizes e fiscais e proibiu-lhes sair de Turquia), a presença de milhons de refugiados, a involucraçom direta das super-potencias mundiais, a inclusom de Iram como potência Regional e a “persimividade” com o jihadismo apontam a umha situaçom de deterioramento da capacidade de Erdogan de controlar os ritmos dos acontecementos.

MUlheres das YBS Montanha Sinjar 02Basur (Curdistam Iraquiano):
À crise pola nom renovaçom da Presidência da KRG, sumou-se-lhe a crise económica que levou a nom pagar os salários dos funcionários e a greves destes. Os enfrontamentos entre grevistas e polícia (controlada polo KDP de Barzani) provocou vários mortos que derivou em acusaçons mas fortes entre o KDP e o Movemento Gorran, que foi expulso do governo de concentraçom da KRG (Governo da Regiom Curda do Iraque). Nestes enfrontamentos intra-curdos pode-se incluir a detençom de membros internacionais das YPG de regresso aos seus paises. A difiícil situaçom económica e as conversas para que o governo iraquiano ajude, alonjam os discursos independentistas nos dirigentes da regiom.
Nestas começarom os confrontos de cara a libertaçom de Shengal. Ao oeste do monte as forças das HPG e jazedis (YBŞ, HPŞ e YJÊ) começarom a libertaçom de Shilo.

Komala PeshmergaRojhelat (Curdistam Iraniano):
Em Rojhelat, aparte do diálogo entre grupos curdos (as duas ramas do PDKI, o PDKI com o PKK), pequenas acçons de guerrilheiros curdos no Iram de quando em vez e a continuidade da política iraniana de aforcar, literalmente, a disidência (curda ou nom). Nom há moita informaçom.

A morte Cezmi Budak mostra que os turcos estam aterrorizados com as perspectivas eleitorais curdas

Por Mark Campbellsyria turkey kurdsUm incidente no pé de um vulcam no leste da Turquia causou umha explosom de raiva entre a populaçom curda, e provocou acusaçons de que o governo de Ancara está tentando provocar um conflito com os combatentes curdos antes das eleiçons turcas dentro de dous meses.

O incidente ocorreu no sábado (11 de abril), durante um festival curdo de primavera no vulcam Monte Tendurek, que está localizado em Agri, no canto extremo oriental das Terras Acentrais dos curdos. Soldados turcos supostamente entrarom em confronto com combatentes curdos das Forças de Defesa do Povo, as HPG.

De acordo com os relatos locais, o político curdo Cezmi Budak foi morto depois de participar de um “escudo humano” destinado a acabar com a luita. Os relatórios locais sugerem que Budak foi atingido com um granada de gás disparado polos soldados turcos.

O incidente foi relatado polo político curdo Selahattin Demirtas, co-presidente do Partido Democrático do Povo (HDP). Alegou que este é apenas o mais recente em umha série de ofensivas lançadas polas tropas turcas contra as forças curdas.

De acordo com as Forças de Defesa do Povo, ou HPG, o exército turco tem instigado deliberadamente umha série de operaçons militares contra os seus combatentes. Além do confronto em Monte Tendurek, os combates também teriam ocorrido em Sirnak, Hakkari, Tunceli e Qandil, todos os quais tenhem umha forte presença das HPG.

Segundo a lei eleitoral turca, um partido tem que assegurar um mínimo do 10% dos votos nas eleiçons nacionais para garantir representaçom no parlamento. A lei foi introduzida polos generais que orquestraram o golpe militar de 1980, e os críticos sugerem que foi projetado especificamente para manter fora aos partidos curdos, que normalmente obtenhem entre o 5 e o 8%.

No entanto, com o HDP ganhando popularidade, alguns sugerirom que as tropas da Turquia estam usando a força militar para virar a opiniom pública longe dos curdos e impedi-los ter acesso ao poder legislativo.

“Como o suporte para o HDP aumenta e probavelmente vamos ultrapassar o limite de 10% , eles estam ficando incômodos”, diz Sebahat Tuncel, a co-presidente do HDP.

“A fim de evitar [ao HDP chegar ao 10%] estam usando este tipo de tensom.”

syria turkey kurdsA eleiçom de junho é provável que seja a mais crítica na história da Turquia, com o presidente Recep Tayyip Erdogan procurando conquistar umha grande maioria, a fim de ser capaz de mudar a Constituiçom em favor de reforçar os poderes presidenciais.

Esta eleiçom também é fundamental para determinar se a de longa duraçom “questom curda” será finalmente resolvida.

O lado curdo tem empreendido umha campanha aberta para os coraçons e mentes da esquerda liberal da Turquia através do HDP, que foi criado em outubro do 2012. Se o HDP chega, bem como alguns analistas estam prevendo, poderia muito bem inviabilizar a busca de Erdogan de maiores poderes presidenciais e criar umha forte oposiçom ao seu partido governante, o AKP.

“A provocaçom de Agri foi organizada de antemao”

Terríveis advertências a partir do Congresso Nacional Curdo (KNK), com sede em Bruxelas, sobre as tentativas do AKP para provocar ao lado curdo para a guerra, e criminalizá-los aos olhos do eleitorado turco.

“Se olharmos para as declaraçons feitas polo Primeiro Ministro turco Davutoglu e o presidente Erdogan, enquanto a operaçom militar ainda estava acontecendo em Agri, podemos ver que eles organizarom a provocaçom de antemao”, dixo o KNK em um comunicado.

“É claro que estes ataques som parte de um plano para sabotar o processo de resoluçom e as próximas eleiçons gerais. Tornou-se evidente agora que o acúmulo de aparato militar, pessoal e das forças especiais na área ao longo dos últimos dias foi parte desta operaçom provocadora “.

O encarcerado líder curdo Abdullah Ocalan instigou um processo de paz com o Estado turco em 2009, quando o chefe da inteligência militar turco Hakan Fidan pediu-lhe para produzir umha declaraçom completa dos seus pontos de vista. A visom de Ocalan tornou-se num documento chamado Roteiro para as Negociações, que formou a base do “processo de paz” dos curdos desde entom.

O 21 de março do 2013, Ocalan apelou para um processo de paz global e a suspensom da luita armada polo movimento curdo. Esta chamada que foi ouvida até agora; mas com as forças das HPG sendo forçadas a adoptar operaçons defensivas polo exército turco, a dedicaçom curda à paz está ameaçada.

As consequências dos eventos desta semana, se nom for controlada, som impensáveis, e podemos esperar mais provocaçons em vésperas das eleiçons o 7 de junho de 2015. Embora o lado curdo têm demonstrado o compromisso com um caminho pacífico para mudar, o partido AKP , tam interessado em pintar ao povo curdo como brutos agressivos, estam começando a bater os tambores do nacionalismo turco e da guerra.

Mark Campbell tem um blog sobre a Turquia e Curdistam, que podes encontrar aqui. Também podes saber mais sobre Mark e o seu trabalho no Twitter Hevallo.

Publicado em International Business Times.

IBTimes convidou ao Ministério de Asustos Estrangeiros da Turquia para responder às alegaçons sobre o assassinato de Cezni Budak, mas ainda nom recebemos umha resposta no momento da publicaçom.

16 de Abril do 2015

[N.T.: Depois da publicaçom deste artifo forom atacados, inclusive com armas de fogo, vários locais do HDP por “desconhecidos”.]