Iram e Turquia enfrontam-se por Tal Afar

Members of the Shi'ite Badr Organisation fighters ride on military vehicles during a battle with Islamic State militants at the airport of Tal Afar west of Mosul, Iraq November 18, 2016. REUTERS/Thaier Al-Sudani - RTX2UAJW
Membros das milícias xiitas da Organizaçom Badr em veículos militares durante a batalha com o ISIS no aeroporto de Tal Afar, ao oeste de Mosul o 18 de Novembro do 2016 (Foto de REUTERS / Thaier Al-Sudani)

Resumo: Com a mobilizaçom das unidades predominantemente xiitas das PMU, com o apoio do Iram, expandem o seu control sobre a área recentemente libertada de Tal Afar, que tem umha maioria turcomana, a tensom entre as PMU e a Turquia aumentou.

BAGHDAD — “Tal Afar será o cemitério dos soldados turcos se a Turquia tenta participar da batalha “, dixo Hadi al-Amiri, chefe da Organizaçom Badr e líder das Unidades de Mobilizaçom Popular (PMU), em umha mensagem para o vizinho do norte do Iraque, em caso de que as tropas turcas implantadas em Bashiqa tentem participar na libertaçom de Tal Afar.

O 16 de novembro, Tal Afar foi libertado [Foi-lhe curtada as possibilidades de retirar-se cara Síria]. Trata-se de umha área estratégica para as PMU, umha vez que lhes dá acesso à fronteira síria e permite-lhes cortar as rotas aos luitadores do Estado Islâmico (IS) para escapar para a Síria. Após a libertaçom de Tal Afar, Amiri dixo que o presidente sírio convidou as PMU a luitar contra a oposiçom síria dentro do território sírio.

A declaraçom de Amiri contra a Turquia, que está próxima do Iram, veu em resposta a declaraçons anteriores do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, sobre a cidade de Tal Afar, em que advertiu às PMU de nom cometer “violaçons” contra os civis da cidade.

Durante umha declaraçom de imprensa o 29 de outubro, Erdogan dixo: “A cidade turcomana de Tal Afar é umha questom de grande sensibilidade para nós. No caso que as PMU cometeram atos terroristas na cidade, a nossa resposta será diferente.”

Erdogan acrescentou que recebeu informaçons que confirmam os atos terroristas das PMU na cidade, sem dar mais detalhes sobre o número de reforços ou como a retaliaçom da Turquia seria diferente.

Na mesma linha, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, respondeu ao presidente turco o 1 de novembro, dizendo que o governo iraquiano é mais ágil que qualquer outro parte em Tal Afar. Abadi nom escondeu as suas preocupaçons sobre quaisquer ameaças turcas, afirmando: “A ameaça de umha intervençom turca ainda existe.”

Tal Afar é um distrito administrativamente da governaçom de Ninevah e localizado a 63 quilômetros ao oeste de Mosul, perto da fronteira entre o Iraque e a Síria, com umha área de aproximadamente 28 quilômetros quadrados.

Abu Alaa al-Afri, que era adjunto de Abu Bakr al-Baghdadi, era de Tal Afar e foi morto na cidade em um ataque iraquiano no ano passado.

A cidade de Tal Afar, com a sua povoaçom diversa, tornou-se um polêmico campo de batalha para as partes além das fronteiras iraquianas, o que confirma a sua importância geográfica – especialmente para o Iram que busca chegar à Síria através do canal terrestre iraquiano e para a Turquia que busca reavivar a Glória da expansom otomana.

A cidade é o lar de diferentes etnias e tem umha maioria xiita turcomana, que está na base do conflito iraniano-turco (o Iram apoia os xiitas, enquanto a Turquia apóia os turcomanos).

É importante notar o conflito xiita-sunita entre a povoaçom turcomana, o que poderia desencadear umha guerra furiosa dentro do distrito, tornando mais fácil para o Iram e a Turquia obter um apoio na cidade que poderia envolver presença militar.

Para acrescentar combustível ao fogo, houvo conversas de que a libertaçom de Tal Afar, que ainda está sob o controle do IS, estará sob a supervisom do chefe das Força Quds do Iram, Qasem Soleimani. Esta seria umha grande provocaçom para os sunitas lá.

O envolvimento das PMU em Tal Afar também é controverso e é visto como umha reaçom à presença turca em Bashiqa.

O objetivo das PMU é libertar a cidade de Tal Afar e chegar à periferia de Mosul, sem entrar na cidade, a menos que o ordene o comandante em chefe das forças armadas “, dixo Faleh al-Fayad, chefe da PMU e assessor de segurança nacional no Iraque.”

O 30 de outubro, a Frente Turcomana no parlamento da Regiom do Curdistam advertiu contra qualquer mudança demográfica no distrito de Tal Afar como resultado da interferência das PMU na batalha lá e, portanto, recusou a participaçom desta última na libertaçom da cidade.

Harakat Hezbollah al-Nujaba, umha das facçons das PMU afiliadas ao Velayat-e faqih iraniano, espera que a batalha para libertar Tal Afar seja “feroz”, negando que as PMU estejam tentando provocar umha mudança demográfica no distrito, E acusando a Turquia de “manter o nariz nos asuntos dos outros”.”

É muito provável que as PMU e as tropas turcas colidem na cidade, já que estas estam estacionadas a 12 quilômetros de Tal Afar.

A Turquia acredita que a presença das PMU em Tal Afar dá-lhe terreno para entrar na cidade, especialmente após a advertência de Erdogan para interferir “se as PMU espalham o medo entre os cidadaos.”

O que é mais, a Turquia nom deseja que o Iram tenha influência em Tal Afar, que fica ao lado da fronteira com a Síria; e tornaria mais fácil para o Iram transferir armas através da rota terrestre que está procurando estabelecer de leste a oeste do Iraque. Isso também é visto como umha das razons por trás da disputa sobre Tal Afar.

Erdogan teme que Tal Afar, que fica a 60 quilômetros da fronteira turca, tornaria-se um paraíso para as facçons xiitas próximas ao Iraque. O presidente turco também tem preocupaçons sobre umha possível aliança entre as PMU e o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK) no que diz respeito a ataques que poderiam ser lançados na Turquia ou umha possível facilitaçom pelas PMU transferindo armas ao PKK que luita contra o exército turco.

Parece que haverá umha nova escalada turco-iraquiana que se pode transformar em um impasse militar, especialmente porque Abadi afirmou anteriormente: “[o Iraque] nom quer ir à guerra com a Turquia, mas se a Turquia insistir em umha guerra, nós estaremos prontos.”

No entanto, no caso de um confronto militar acontecera entre a Turquia e o Iraque, este último nom envolveria as suas tropas regulares, mas sim as PMU que vem as tropas turcas no Iraque como umha “força de ocupaçom.

Tal Afar tornou-se umha área internacional disputada entre a Turquia e o Iraque, o que está causando umha maior instabilidade em termos de segurança e abre a porta a conflitos civis, pavimentando assim o caminho a qualquer intervençom militar iraniana ou turca.

mustafa_saadoun-bwMustafa Saadoun é um jornalista iraquiano que cobre os direitos humanos e também fundador e diretor do Observatório Iraquiano dos Direitos Humanos. Anteriormente trabalhou como jornalista  do Conselho de Representantes do Iraque.

Publicado em Al-monitor.

 

Iram e Turquia estam arrastando os curdos na sua guerra fria no Oriente Médio

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O presidente iraniano, Hassan Rouhani, com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. EPA

Por Abdul-Qahar Mustafa

A rivalidade entre a Turquia e o Iram por dominar o Oriente Médio nom é algo novo. É de feito o legado do conflito histórico entre dous impérios, os persas e os turcos que dominarom o Oriente Médio por várias vezes e sob diferentes nomes e ideologias na história. No entanto, essas duas etnias tenhem desenvolvido os seus impérios e expandido os seus interesses ao custo de violar os direitos humanos de outros grupos étnicos minoritários como curdos, baloches, árabes, assírios, armênios, alavis, jazidis e gregos.

Hoje, vejo que o governo turco e iraniano, as fontes e os herdeiros dos impérios otomano e Safávida estam realizando a mesma missom dos seus antepassados. Eles estam tentando usar a povoaçom curda repetidas vezes como umha ferramenta para minar o poder e a influência de uns e os outros e expandir os seus interesses no Oriente Médio.

Assim como nos séculos passados, esses dous regimes antidemocráticos estam usando todos os meios possíveis, desde as suas capacidades militares e econômicas superiores, a religiom islâmica até o uso da força, ameaça, coaçom, abuso, intimidaçom, prisons ilegais, agressom e exploraçom de grupos de minorias étnicas, como os curdos, para desafiar uns aos outros política, económica e militarmente no Médio Oriente.

Olhando para as suas políticas no Oriente Médio, podedes facilmente notar que ambos os regimes fascistas, Turquia e Iram estam luitando umha guerra fria com o outro. A primeira grande batalha está sendo travada no Iraque e na Síria, onde as suas tradicionais rivalidades e interesses conflitem pode ser visto em pleno vigor. No entanto, o problema aqui é, tanto a Turquia como o Iram estam tentando levar os curdos no seu conflito de interesses. Eles estam arrastando os curdos para os seus conflitos usando a cenoura e a vara com as minorias curdas do Iraque, Síria, Iram e Turquia e conseguindo que eles cooperem e tomem partido nos seus conflitos.

Há momentos em que usam promessas enganosas de recompensar a proteçom dos curdos, incentivos econômicos, independência, autonomia e liberdade se cooperarem. No entanto, quando os curdos se recusam a cooperar com qualquer das partes, eles tomam medidas punitivas contra os curdos, como sançons econômicas, agressons militares, prisons arbitrárias, tortura e até mesmo assassinatos.

Obviamente, há muitas razons para a rivalidade e a guerra fria entre turcos e persas no Oriente Médio. Primeiro, o Iram considera a Turquia como um aliado de Israel e EUA, porque a Turquia já reconheceu Israel como um Estado e tem todo tipo de relaçons com Israel. Portanto, o Iram percebe a Turquia como umha ameaça à sua segurança e interesses econômicos no Oriente Médio, enquanto a Turquia pensa do Iram como um estado que pode ser bom e ruim para a Turquia porque quando os interesses da Turquia entram em conflito com EUA, UE, a Turquia muda o seu curso de imediato e estende as suas maos para países como o Iram, que estam enfrontados com Israel, EUA e países da UE.

Turquia encontra o Iram como umha peza eficaz para negociar alguns acordos com Israel e Arábia Saudita. A Turquia oferece acordos para trabalhar com Israel e Arábia Saudita e ajudá-los a desafiar o poder político e a influência do Iram no Oriente Médio, e possivelmente atrair os sunitas, curdos e turcomanos para unificar a sua voz no Iraque, no futuro parlamento sírio e votar polo reconhecimento do Estado de Israel. Mas, em troca, a Turquia aceita que os EUA, a UE, os sauditas e os israelitas cumpram as suas próprias exigências e expectativas.

Além disso, a Turquia quer que os EUA e a UE desistam dos seus supostos apoios políticos, militares e econômicos com os curdos no Iraque, na Síria e na Turquia e, segundo, pressionem os cipriotas gregos o suficiente para compartilhar a sua riqueza de recursos naturais com a povoaçom cipriota turca. Terceiro para permitir que a Turquia tenha acesso aos benefícios do maior mercado do mundo da Europa e quarto para conceder aos cidadaos turcos a visa para viajar para a Europa. A Turquia promete aos EUA e à UE distanciar-se da Rússia e do Iram se concordam com as exigências políticas e económicas da Turquia na Europa e no Médio Oriente.

Para alcançar o sucesso no seu plano, a Turquia precisa do apoio dos curdos e outras povoaçons sunitas e turcomanas para fazer qoe os seus planos se tornem realidade. A Turquia está pressionando os curdos iraquianos a abandonar o seu apoio ao governo xiita em Bagdá e, em vez disso, fazer umha frente política unida com turcos e o bloco sunita para mudar o equilíbrio do poder político em Bagdá a favor dos sunitas. No entanto, os curdos querem permanecer neutros nesses conflitos. Mas a Turquia está arrastando os curdos a apoiar o seu plano. Está usando a aproximaçom da puniçom e das recompensas com os curdos no Iraque, Turquia e Siria a fim de ajudar a Turquia e suportar o seu negócio político, econômico e de segurança com Israel e Arábia Saudita no Médio Oriente.

Por exemplo, a Turquia recentemente prendeu vários políticos curdos do HDP e os enviou para a cadeia. Também emitiu um mandado de prisom para o líder sírio curdo Saleh Muslin. Mais as forças militares turcas foram desprazadas para distritos do sudeste perto da fronteira iraquiana, em cima de outras bases militares que já existem no norte do Iraque desde 1997.

Além disso, na recente visita da delegaçom da KRG à Turquia, o primeiro-ministro turco dixo ao primeiro-ministro Nechirvan Barzani, do governo regional do Curdistam, que a Turquia ajudaria financeiramente aos curdos no futuro, enquanto continua bombardeando a zona da fronteira da regiom do Curdistam iraquiano. Centos de aldeans e agricultores curdos abandonarom as suas casas e fazendas e fugirom para as vilas e cidades no norte do Iraque. É claro que a Turquia está usando a abordagem de recompensa e puniçom para conseguir que os curdos abandonem as suas ambiçons e esforços para obter independência, autonomia ou o seu apoio ao bloco xiita. Em vez disso, a Turquia quer que os curdos ouçam e cooperem com a Turquia para alcançar os seus planos estratégicos no Oriente Médio.

Creio que a agenda oculta da Turquia é, querem nom só trazer os curdos da Turquia, Síria e Iraque sob o seu control, e usá-los para atingir o seu objetivo no Oriente Médio. Os turcos em geral nom querem ver nengum tipo de área autônoma curda ou curdistam independente. Eles querem que os curdos sejam subservientes a eles. Eles querem usar os curdos para luitar polos seus interesses contra os seus países rivais no Oriente Médio. Eles tentarom todo para impedir que o governo dos EUA e o Iraque, nom permitiram que os curdos tivessem autonomia no norte do Iraque, e estam fazendo agora também para impedir que os curdos obtenham umha área autônoma no território sírio.

A Turquia também tenta explorar a questom da hegemonia do Iram no Oriente Médio como umha oportunidade para fazer um acordo com os EUA, Israel e a UE e obter concessons a partir deles. O que isto significa na minha opiniom é que a Turquia quer se tornar um  país independente poderoso no mundo livre da influência e ordens de fora. Significa também que a Turquia quer alimentar a sua povoaçom turca às custas dos curdos e dos iranianos. No entanto, o Iram está desafiando a Turquia nesse sentido. O Iram está jogando o mesmo jogo com a Turquia.

O Iram também quer que os curdos trabalhem com todas as forças xiitas no Iraque, na Síria e no Iram, para negar à Turquia a chance de desafiar o poder dos blocos de xaque no Oriente Médio ou obter quaisquer concessons de Israel e da Arábia Saudita às custas de ferir os interesses do Iram no Oriente Médio. Na verdade, o Iram já está lidando com as ameaças à segurança da Arábia Saudita, Israel e ISIS, por isso quer fazer tantos aliados quanto puder no Oriente Médio para se fortalecer contra essas ameaças e garantir que o regime islâmico sobreviva.

O Iram prometeu aos curdos da Síria e Iram proteçom, ajuda financeira e autonomia, desde que nom combatam o regime de Assad ou se rebelem contra o regime islâmico em Teeram e os seus aliados no Líbano e no Iraque. O Iram prometeu aos curdos da Síria e Iram proteçom, ajuda financeira e autonomia, desde que nom combatam o regime de Assad ou se rebelem contra o regime islâmico em Teeram e os seus aliados no Líbano e no Iraque. O Iram também exigiu que os curdos continuem aliados na luita contra o ISIS. Prometeu aos iraquianos e sírios ajuda econômica e apoio político se os curdos nom iam contra os seus interesses no Oriente Médio. No entanto, advertiu os curdos a se absterem de mostrar qualquer apoio ou estabelecer qualquer tipo de relaçom com Israel, ou entom eles (os curdos) enfrentariam umha dura puniçom polo Iram.

O Iram quer fazer negócios com os curdos iraquianos, mas sob a mesma condiçom de os curdos tomarem partido em um conflito com a Turquia. Na verdade, o Governo Regional do Curdistam (KRG) teria concordado com um plano para construir dous oleodutos de petróleo de Kirkuk para o Iram para que a KRG se tornasse menos dependente da Turquia. No entanto, tanto a Turquia como Israel nom estam felizes com tal porque em primeiro lugar, Israel é um comprador do petróleo da KRG que é enviado através do porto turco de Ceyhan e, em segundo lugar, a Turquia rendimentos do oleoduto que atravessa o seu solo, e terceiro Israel nom quer que o Iram benefice do petróleo da KRG , e a quarta, Turquia sabe que os curdos som mais dependentes economicamente da Turquia, quanto mais control a Turquia pode ter sobre eles em todas as formas possíveis.

Quando os curdos permanecem neutros nos seus conflitos de interesses ou quando fazem negócios com os opositores do Iram, como Turquia e Israel, o Iram rebela-se contra os interesses dos curdos e usa a sua força militar e econômica superior e a sua influência no Iraque e na Síria e persegue os curdos bombardeando as zonas curdas da fronteira com o Iram, ou ordena que as forças de Assad bombardearem as áreas civis curdas na Síria ou congela o orçamento anual dos curdos do iraque, para tipicamente fazer que os curdos se movam na sua linha de ditados.

Estes dous regimes fascistas sabem muito bem que os curdos nom tenem capacidade económica e militar suficientemente fortes para resistir à sua pressom política e económica, e que nom se podem defender contra as agressons militares da Turquia ou do Iram, aproveitando os pontos fracos dos curdos e chantageá-los até que eles os obrigam a ceder às suas demandas e trabalham para eles. Eles vêem os curdos como umha raça inferior que nom serve para nada, exceto para servir os interesses dos persas e dos turcos, como se os seus milhons de povoaçom persa e turca, e o seu poder econômico e militar superior nom fosse suficiente para realizar as suas missons por si mesmos, sem vitimizar os curdos nos seus conflitos de interesses e luitas no Oriente Médio.

Nom há dúvida de que os curdos nom querem ser chantageados ou intimidados para trabalhar de um lado contra o outro. Os curdos iraquianos tenhemm tentado todos os meios possíveis para permanecer neutrais na rivalidade e guerra fria entre xiitas e sunitas no Oriente Médio. Os curdos já pagarom um alto preço, perdendo milheiros de vidas na luita contra o ISIS e a sua povoaçom sofrendo a crise econômica. Eles certamente nom precisam ser arrastados para outro conflito no Oriente Médio.

As políticas dos curdos parecem ser claras e justas em relaçom aos seus vizinhos. Pode-se dizer que tenhem umha atitude amigável e açons razoáveis que tomam ao lidar com os seus vizinhos. Acredito firmemente que os curdos nom querem tomar partido ou favorecer aos xiitas sobre os sunitas ou vice-versa. Eles preferem ter boas relaçons com a Turquia e o Iram sem discriminaçom.

Os curdos da Turquia e da Síria também querem permanecer neutros no conflito e nos confrontos entre o exército de Assad e o exército sírio livre. Na verdade, todos os partidos curdos, do Iraque, da Turquia, do Iram e da Síria tenhem a mesma opiniom de nom tomar um ou outro lado na guerra fria entre xiitas e sunitas ou entre o Iram e a Turquia. Os curdos estam bastante focados em ter uma coexistência pacífica com árabes, turcos e persas igualmente.

Nom acho razoável se os curdos tomam partido por algum de ambos os regimes, a Turquia ou o Iram, especialmente quando se sabe que esses dous regimes nom só som  antidemocráticos, mas também tenhem um alto registro histórico de violaçom dos direitos humanos dos curdos?

Se a Europa e os Estados Unidos realmente defendem a democracia, os direitos humanos e nom os interesses partculares, nom devem permitir que a Turquia ou o Iram devorem os curdos polos seus próprios ilegítimos interesses políticos e econômicos no Oriente Médio. E se realmente acreditam na justiça, devem aplicar duras sançons econômicas e um boicote ao turismo tanto no Iram quanto na Turquia imediatamente, encerrar as negociaçons de adesom à UE e congelar participaçom da Turquia da OTAN até que volte a democracia.

Abdul-Qahar Mustafa é um estudante graduado da High School de Saint Louis em Canadá. Ele é defensor da justiça, democracia e direitos humanos. Atualmente vive em Sarsang / Duhok, no Curdistam iraquiano.

Publicado em ekurd.

http://ekurd.net/iran-turkey-dragging-kurds-2016-11-28

Acreditar ser um curdo-turco é um engano

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Bandeira do PKK flanqueada pola bandeira Turquia que está cobrindo a bandeira do HDP

Nesta entrevista em profundidade feita por Robert Leonard Corda, Saladdin Ahmed, professor assistente de Filosofia na Mardin Artuklu fala sobre identidade curda, política, religiom, democracia e a situaçom atual na que se encontram os curdos no Oriente Médio.

Robert Leonard Corda (RLR): Descreva resumidamente a sua experiência. Chama-se Saladdin por Saladin, o Grande? Como foi ensinar em umha universidade da Turquia?

Saladdin Ahmed (SA): Eu nunca sei como responder a perguntas sobre o meu passado, principalmente porque a minha identidade sempre foi modelada ao redor de negaçons em vez da promoçom de um determinado conhecimento. Eu nom diria que tenho umha crise de identidade, mas eu diria que a identidade, polo menos no mundo de hoje, é em si umha crise.

Quando ser curdo é visto como algo a ser renunciado, som curdo, nom há dúvida sobre isso. No momento em que que se torna a identidade do governante, só podo estar em oposiçom a ela com os oprimidos. Quer dizer, eu som curdo na medida em que a curdonidade é umha negaçom da opressom. A primeira vez que eu estava em um lugar onde ser curdo era equivalente a ser privilegiado, em 2013, eu encontrei-me em umha grave crise moral, entom comecei a construir laços com as minorias nom-curdas e nom-muçulmanas.

Antes que eu percebesse, criticar o nacionalismo curdo eo Islam tornaram-se as minhas principais atividades intelectuais até que eu deixei o Curdistam iraquiano.

Para lhe dar umha resposta comum, eu nascim em umha família curda em Kirkuk, Iraque, e meu nome era originalmente Sherzad. No entanto, com medo de que um nome tam nitidamente curdo poderia atrair umha investigaçom minuciosa do governo iraquiano, meu pai mudou o meu nome para Saladdin – um nome árabe com conotaçons curdas. Embora o meu mesmo nome é, de umha forma indireta, o do líder curdo Saladdin Ayubi, eu deveria afirmar claramente que, tanto quanto eu me interessei, “Saladdin o Grande” nom era nengum herói, mas sim um notório assassino como tantos outros que vinheeram antes e depois del.

Como umha criança curda, eu crescim em Kirkuk durante o regime do pensamento Baath e era um erro existencial, mas eu gostava de ser um erro. Eu ainda gosto de ser um erro.

Quanto à minha experiência no ensino, na Turquia, a situaçom quando cheguei no outono de 2014 era algo sem precedentes. Por primeira vez em quatro décadas, a regiom curda do país estava desfrutando de umha relativa paz que deu origem a um movimento cultural e intelectual impressionante. Estamos a falar de umha regiom que tem estado tam oprimida que mesmo umha dança curda tradicional é considerada um ato político. O alunado principalmente curdo estava muito envolvido na vida pública dentro e fora da universidade. Foi, em suma, um momento emocionante estar em Mardin.

Infelizmente, o meu tempo ensinando em Mardin Artuklu Universidade foi abreviada. Um par de meses depois da minha chegada do Canadá, o reitor liberal foi deposto e substituído por um islamista apoiado por Erdogan. Logo, foi formalmente nomeado por Erdogan, o novo reitor começou umha campanha para erradicar aos nom-islâmicos da administraçom da universidade. Vários meses depois, el suspendeu unilateralmente o meu contrato e os contratos de 12 professores mais, os quais eram estrangeiros. Para piorar as cousas, a guerra também retomou a regiom curda e com ela veu a opressom violenta dos jovens, vastas operaçons militares, prisons em massa, e assim por diante. O que Erdogan tem feito às universidades turcas em Istambul e Ancara durante as semanas desde o golpe fracassado do 15 de julho de 2016 começou há um ano no sudeste [Curdistam sob administraçom turca].

RLR: Temos estado todos especulando sobre o recente golpe de Estado ao longo das últimas semanas – foi real? Quem estava realmente por trás disso? Como foi Erdogan beneficiado? Será que algum dia conheceremos a verdade completa?

SA: Sim, eu acho que foi umha tentativa de golpe real, mas o fato de que houvera especulaçons de que Erdogan escenificou  o golpe di-nos muito sobre a falta de credibilidade do governo.

Penso que os kemalistas no exército forom a principal força por trás do golpe, e é possível que Gulenistas também se juntaram a eles, sentindo mais de um que a repressom era iminente. Claro, Erdogan nom podia culpar abertamente as forças kemalistas porque o kemalismo continua a ser extremamente popular entre os turcos, funcionando mais ou menos como sinônimo de patriotismo e nacionalismo turco. Assim Gulen, o rival islâmico populista com residência em Filadélfia desde 2004, era o melhor candidato para representar “o inimigo”. Se bem se lembram, quando Erdogan deu o seu primeiro discurso na noite do golpe, algumhas horas após a entrevista na CNN Turca, um enorme retrato de Mustafa Kemal Ataturk foi colocado atrás del. A mensagem, na minha opiniom, era clara: O kemalismo nom é o inimigo.

Para voltar à questom da credibilidade, as pessoas tenhem todos os motivos para desconfiar do regime de Erdogan. Para muitas pessoas na Turquia, tornou-se rotina excluir o cenário, o governo pretende ser a verdade desde o reino das possibilidades.

Em junho de 2014, quando o ISIS tomou o control de Mosul, o governo turco afirmou que o ISIS tomou 49 pessoas do Consulado turco em Mosul como reféns. Na noite da invasom do ISIS de Mosul, fugindo as autoridades iraquianas alertaram o pessoal do consulado e aconselhou-os a deixar a cidade, mas nom o figeram. Durante três meses, a Turquia usou “os reféns” como umha desculpa para nom se juntar à coalizom contra o ISIS. Em contraste com o destino dos outros reféns do ISIS, o ISIS finalmente libertou aos 49 reféns, apesar do feito de que a Turquia nom teria feito nengum pagamento de resgate.

Notavelmente, a própria narrativa do governo turco sobre a libertaçom dos reféns era conflitante, com o único detalhe consistente que era que a Organizaçom Nacional de Inteligência da Turquia (MIT) lidou com a situaçom. Desde o início, a história inteira em torno do cenário era pouco pública. Por exemplo, as pessoas eram esperadas para acreditar que o cônsul-geral conseguiu esconder o seu telefone móvel e usá-lo para fornecer atualizaçons regulares para Ankara ao longo de três meses. Para quem tem acompanhado relatórios sobre a situaçom dos reféns em poder do ISIS, é claro que esta história também era nada mais do que umha invençom destina a promover os objetivos políticos de Erdogan.

Dado todo o que a gente em Turquia e os observadores internacionais já sabem do governo turco, das suas forças armadas e o MIT, nom é surpreendente que a narrativa do governo sobre o fracasado golpe nom fôsse creida.

Som inúmeras as histórias sobre conspiraçons políticas do regime. Por exemplo, em umha reuniom de 2014 entre Ahmet Davutoglu eo chefe do MIT, Hakan Fidan, umha idéia para começar umha guerra com a Síria foi discutida. Com base em umha sugestom de Erdogan, Fidan desenvolveu um plano polo qual o MIT iria organizar um ataque de mísseis contra a Turquia, desde a Síria, dando a Ankara umha desculpa para entrar em umha guerra com a Síria. Umha gravaçom de áudio da reuniom foi divulgada e publicada no YouTube, o que levou o governo turco a lançar um dos seus bloqueios periódicas do site para controlar o fluxo de informaçons.

À luz dos acontecimentos passados, como isso, é possível que o MIT tinha algum conhecimento prévio do golpe de 15 de julho, mas permitiu que isso acontecesse, a fim de criar a oportunidade para as purgas de Erdogan? Talvez, mas o ponto é que os povos, compreensivelmente, nom acreditam a narrativa de um regime nom democrático. De qualquer forma, o que é certo é que Erdogan explorou o fracassado golpe para acabar com deslealdades reais e potenciais no exército, polícia, e no sistema judiciário e educacional.

RLR: Como sabe, existe actualmente um estado de emergência na Turquia – milheiros forom presos, muitos professores e jornalistas por nom mencionar os membros das forças armadas – e há muitas denúncias de tortura. Qual é a sua perspectiva sobre isso: como tudo vai acabar?

SA: Eu acho que os próximos anos na Turquia será umha era de terror. Esta purga vai levar a um colapso completo da confiança já frágil entre os diferentes setores das forças armadas e o MIT. Aqueles em posiçons de poder cada vez mais tentam utilizar o clima de medo e a falta de transparência para se livrar dos rivais.

Como tal, penso que as denúncias de assassinatos e tortura só se tornarám mais comuns. O exército da Turquia sempre foi considerado como o guardiam do Estado, mas agora vai ser forçado a submeter-se ao governo, e isso nom vai acontecer sem problemas.

As tramas de conspiraçom só se tornará mais complicadas e sutis. À medida que a situaçom se agrava, o regime vai atrair cada vez mais islamitas, anti-intelectuais e pessoas que só sabem ganhar a vida vigiando aos outros.

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Saladdin Ahmed

RLR: Qual é a sua opiniom da “democracia turca”? Existiu mesmo umha coisa assim? Será que Erdogan primeiro alimentá-la, e em seguida, destruí-na? Será que as pessoas nom querem a democracia de estilo ocidental? Democracia versus teocracia?

SA: Eu nom acho que tenha existido umha “democracia turca”. Sim, houvo eleiçons, mas até mesmo países como Iram e Paquistam regularmente realizam eleiçons. Há também um parlamento em Ancara, mas é um Parlamento que simboliza a rejeiçom turca da pluralidade.

Deixe-me ser mais precisos e dizer que sempre houvo duas Turquias: a ocidental e a oriental. No oeste da Turquia, estendendo-se desde Istambul, a Izmir, Antalya, Ankara, e Adana, umha sorte europeia da cotidianidade era relativamente viável, polo menos, para as estimativas de um turista típico. Concedido, isso está mudando agora, razom pola qual a actual situaçom na Turquia tem atraído tanto interesse internacional.

Mas o leste da Turquia sempre estivo sob regime militar. Desde Istambul, a brutalidade da vida no leste do país é inimaginável. Milheiros de jovens curdos desaparecerom em operaçons militares turcas ao longo dos anos 1980 e 1990. A visom de tanques e veículos blindados em praças da cidade ou bairros em itinerância, militares e postos de control da polícia entre e dentro das cidades, enormes bases militares nos centros urbanos, e milheiros de aldeias completamente destruídas é a outra face da Turquia. Se um se permite ver essa outra cara, a noçom de “democracia turca” deveria parecer nada mais do que um absurdo.

Os movimentos islâmicos, como a Irmandade Muçulmana ou o partido AK, muitas vezes utilizam os meios democráticos para alcançar os seus fins islâmicos, que som essencialmente anti-democráticos, anti-pluralistas, anti-individualistas, e violentos. Erdogan é um típico demagogo islâmico pragmático que fingiu ser pró-democracia e contra a violência até que el ganhou poder suficiente. El agora está revelando gradualmente as suas verdadeiras crenças. Islamitas nas que acreditam que jogar qualquer truques possíveis e enganar o povo em prol de empoderar o Islam é completamente legítimo. Eles poderiam-se comportar como as pessoas mais tolerantes e pacíficas, mas isso é apenas a fim de ganhar o apoio e, assim, ganhar o poder. No momento em que eles tenhem poder suficiente, espalhar o Islam pola espada torna-se o método preferido simplesmente porque tanto a vida de Maomé e a do Alcoram refletem diretamente essa dualidade pragmática essencial: a paz quando é a única opçom, e a violência quando é umha opçom eficaz.

Para colocar isso de forma muito clara, nom existe um islamita moderado; existem radicais e islâmicos esperando-a-ser-abertamente radicais. Erdogan estivo pacientemente seguindo o caminho ao poder, e o pior ainda está por vir. Além disso, nom nos imos enganar a nós mesmos, se umha força política quer ser democrática, será democrática, nom islâmica.

A sociedade na Turquia, como em qualquer outro lugar, é extremamente complexa, com diversas forças sociais e políticas em desenvolvimento competindo, chocando-se, e assim por diante. Apesar do aumento aterrorizante do islamismo e a história de 100 anos de fascismo kemalista na Turquia, há uma forte tradiçom de movimentos progressistas no país. A democracia liberal nom tem raízes fortes na Turquia, e a dualidade principal nom é a democracia contra a teocracia. Antes a teocracia nos anos 2000 nom era vista como umha possibilidade, mas o país era sem dúvida nom menos antidemocrático.

Como todos sabemos, o secularismo nom é condiçom suficiente para a democracia em todo o mundo. O fascismo pode muito bem ser, e tem sido, historicamente, secular. Turquia tem sido governado polo fascismo kemalista, e agora está caminhando para o fascismo islamista. Ao longo dos últimos dous anos, Erdogan tem umha na longa história de ódio contra o outro na Turquia para apelar a ambos os ultra-nacionalistas e islamitas. Assim, o discurso de umha naçom, um país, um Deus, umha bandeira, um idioma já está crescendo novamente.

RLR:  Como poderíamos no Ocidente pressionar com sucesso a Erdogan e os seus seguidores para restaurar e defender os direitos humanos e o Estado de direito na Turquia?

SA: Os direitos humanos nom podem ser “restabelecidos”, porque nunca forom respeitados em primeiro lugar. Talvez o turismo pode ser recuperado, mas os direitos humanos som algo polo qual todos devemos luitar coletivamente.

Erdogan está a pressionar o Ocidente, e nom vice-versa. Polo que podo ver, Erdogan vai continuar a usar refugiados sírios e iraquianos para chantagear aos políticos europeus, todo continuando a consolidar o seu poder em todo o mundo sunita ao tempo. Como el trabalha para eliminar a oposiçom regional a sua visom de um império islâmico em 2023, devemos esperar mais guerras desastrosas no Oriente Médio, o que resultará em muitos mais refugiados que tentam escapar para a Europa. A Europa nom será capaz de manter a crise fora das suas fronteiras, baseando-se em um guardiam que el próprio é o principal instigador do problema. Vamos enfrentá-lo: o ISIS só tem sido capaz de sobreviver com o fluxo de jihadis, armas, muniçons, e dinheiro através da Turquia.

A ideia de que o chamado regime islâmico moderado em Ancara pode ser usado contra a propagaçom do chamado islamismo radical é talvez a estratégia mais inútil que se poda imaginar. Em vez disso, os chamados moderados continuarám desempenhando tanto no Ocidente como os radicais islâmicos contra o outro. Eles vam continuar a usar ambos os lados para fortalecer ainda mais a si mesmos, ganhando ainda mais força e crescendo cada vez mais radicais.

Turquia aprendeu a maneira saudita de jogar este jogo. Os sauditas som os principais financiadores dos movimentos islâmicos, mas, ao mesmo tempo eles dam aos “aliados” ocidentais informaçons de inteligência apenas o suficiente sobre os movimentos jihadistas e enredos para manter a aparência de cooperaçom. Turquia tem vindo a fazer o mesmo na guerra contra o ISIS. Ambos, o ISIS e o Ocidente tornarom dependentes da Turquia na sua guerra contra o outro; enquanto a Turquia fai o mínimo para satisfazer os seus aliados ocidentais, ao mesmo tempo, el garante que o ISIS nom vai cair. O que pode ser feito agora? O regime de Erdogan deve ser tratados da maneira que deveria Hitler ter sido tratado nos anos anteriores a 1939. Claro, nada na história acontece duas vezes exactamente da mesma forma, mas todos os sinais de um império fascista baseado na rejeiçom violenta da diversidade já estam lá.

RLR: Com relaçom ao ISIS, como achas que esse movimento bárbaro deveria ser destruído?

SA: ISIS fai o trabalho sujo para a Turquia e, em troca, Turquia atua como umha rota de abastecimento para o ISIS, além de prestar assistência directa. Enquanto a Turquia tem permisso para continuar dessa maneira, mesmo se o ISIS é destruído, dúzias de outras forças islâmicas continuarám a prosperar na Síria. Eu acho que Erdogan vai continuar a apoiar os islamistas na Síria até que el nom precise mais deles. Naturalmente, as cousas nom vam todas como el deseja. Com cada dia que passa a Turquia torna-se cada vez mais como a Síria em termos de polarizaçom da sociedade, que poderia muito bem levar à eventual erupçom da guerra civil.

A única pior fóbia da Turquia é o chamado “problema curdo”. Erdogan tem vindo a apoiar o ISIS, Jabhat al-Nusra, que recentemente mudou o nome a Jabhat Fatah al-Sham, e inúmeros outros movimentos islamistas principalmente para evitar que os curdos sírios controlem regions do norte da Síria ao longo da fronteira com a Turquia.

Quando se tornou claro que o ISIS nom podia parar as forças curdas depois da guerra de Kobane, Turquia diretamente interveu para evitar que os curdos expulsaram o ISIS dos últimos 100 km de faixa ao longo da fronteira com a Turquia. Ankara instou repetidamente à área umha “linha vermelha” que os curdos nom podiam atravessar. Assim, a área de Jarablus está essencialmente sob controlo do ISIS e protegido pola Turquia.

Erdogan também vem contando com o ISIS para conter a ameaça curda percebida dentro da Turquia. O ISIS tem realizado vários ataques contra objetivos curdos no último ano. Na massacre de Suruç o 20 de julho de 2015, 32 estudantes curdos e turcos que estavam em caminho para Kobane para ajudar a reconstruí-lo forom assassinados em um atentado suicida realizado polo ISIS. Cerca de seis semanas antes, o 5 de junho, houvo outro atentado do ISIS durante umha reuniom eleitoral curda em Diyarbakir que matou quatro pessoas. O 10 de Outubro, de 2015, um atentado do ISIS matou mais de 100 civis e feriu mais de 500 pessoas durante umha marcha pola paz em Ancara organizada polo pró-curdo Partido Democrático do Povo (HDP) e vários sindicatos.

O regime de Erdogan é o aliado ideológico e estratégico dos movimentos sunitas em toda a regiom, e há muitos deles. o ISIS tem atraído mais atençom por causa da quantidade de território que controlam e a sua produçom dos mídia. Acho que o ISIS vai perder a maior parte dos seus territórios talvez dentro de um par de anos, mas o perigo do islamismo está longe de terminar.

A chamada oposiçom islamista na Síria difere muito pouco do ISIS. Erdogan, Arábia Saudita e Qatar têm vindo a apoiar abertamente as forças islamistas, incluindo Fatah al-Sham. Na verdade, os EUA tem estado envolvido em armar muitos desses grupos também, incluindo um que recentemente decapitou um menino de 10 anos de idade.

RLR: Existe algumha maneira significante na que podemos ajudar a  aqueles atualmente encerrados em prisons turcas?

SA: A forma significativa para ajudar as vítimas de qualquer regime despótico é o primeiro, nom apoiar esse regime, quer através da venda de armas ou visitar o país por turismo. Eu acho que o Ocidente tem de libertar-se do ciclo de apoiar os islamistas para livrar-se de ditadores indesejáveis, como Qadafi e Al-Assad, e apoiar regimes militares para depor os islamistas.

É um ciclo mortal no Oriente Médio e a Turquia nom é excepçom. A longa história de opressom na Turquia deu legitimidade popular a Erdogan, e el está-se tornando um ditador opressivo. Nom é que considere que umha terceira opçom democrática nom exista, mas onde e quando o fascismo é relativamente popular, as forças democráticas som fracas precisamente por serem inerentemente contra a violência, o que os impede parar o fascismo.

Na Turquia, há um movimento progressista que está contra o fascismo nacionalista e o fascismo islamista. É um movimento democrático, laico, pluralista, multiétnico e feminista liderado polo HDP. Durante as semanas que antecederom ao golpe de julho o partido AK de Erdogan defendeu umha lei que dá imunidade contra a perseguiçom jurídica aos soldados, a fim de permitir que as forças armadas matem mais livremente na regiom curda. O partido também avançou mais um projeto de lei que retira aos deputados da sua imunidade, principalmente para atingir os deputados do HDP. O HDP é a última esperança na Turquia; se o regime de Erdogan consegue silenciar os seus líderes e ativistas seja por meio de prisom ou outros meios opressivos, a Turquia se tornar um caso de livro de ditadura.

RLR: Os curdos na Turquia tenhem umha longa e atormentada história. Por um tempo houvo um cessar-fogo com o PKK e as negociaçons com o governo. Recentemente, o HDP tem estado na defensiva, e centos de civis curdos forom mortos polas forças governamentais, pré-golpe. Vai Erdogan retomar a sua guerra contra os curdos?

SA: Erdogan nom demonstrou qualquer intençom de retomar o processo de paz. Agora está em umha aliança com os ultranacionalistas, e para sustentar essa aliança el vai manter a guerra contra os curdos. Retomou a guerra em primeiro lugar para apelar aos ultranacionalistas que som inflexiveis contra qualquer reconhecimento dos direitos curdos.

É difícil imaginar um momento em que a Turquia vai concordar em retomar o processo de paz com os curdos, mas acho que o casamento entre Ancara e o ISIS vai desmoronar mais cedo ou mais tarde. Quando isso aconteça, Ankara provavelmente irá fazer um acordo com os curdos. Historicamente, os curdos estam prontos para aceitar qualquer oferta de paz, mas eles nunca tiverom poder suficiente para impor a paz na Turquia.

Mesmo que o Ocidente agora usa os curdos para conter a ascensom do ISIS, há muito pouca cobertura da mídia internacional da brutal repressom dos curdos na Turquia. Também, porque Erdogan está essencialmente chantageando a UE com a questom dos refugiados, ameaçando abrir as portas da Europa aos refugiados sírios, a UE nom se atreve a criticar a Turquia sobre as violaçons dos direitos humanos no Curdistam.

Na Turquia, nom há pressom suficiente sobre o governo para iniciar um processo de paz também. É bastante irônico que, por um lado, os curdos som alienados diariamente, tanto através da violência do Estado e a falta de solidariedade popular suficiente, enquanto que, por outro lado, eles som acusados de nom ter um forte sentido de pertença à Turquia . O único cenário em que Ankara entraria em um processo de paz é, portanto, se e quando a própria Turquia esteja em umha grave crise.

A questom curda é extremamente complicada na Turquia. É umha questom de 100 anos de negaçom, humilhaçom, assimilaçom forçada, e engenharia social. Enquanto estivem na Turquia, diariamente eu testemunhei as consequências dolorosas da política colonial turca. Um dia eu estava montando no microônibus para a universidade quando duas crianças pequenas, juntamente com sua mae e avó entrou no ônibus. O avó falou em curdo com a mae, mas a mae falou em turco aos seus filhos. Presumo que o avó ou nom sabia turco ou sentiu estranho falar com sua filha em umha língua estrangeira. Presumo também que as crianças nom sabiam curdo, como tantas crianças curdas que forom Turkificadas polo Estado. Quando o ônibus continuou, umha das crianças começou a cantar umha música triste em curdo ao olhar para fora da janela. Em um momento ordinário assim, podia-se ver a repressom que atravessa geraçons.

RLR: Como livre – e como restrito – estam as mulheres na Turquia de hoje? As mulheres curdas e as mulheres turcas?

SA: O kemalismo ajudou as mulheres turcas a ganhar muitas das suas liberdades individuais, mas isso está mudando sob o governo islamista de Erdogan. Erdogan deixou claro em várias ocasions que el nom acredita que homes e mulheres sejam iguais. El sempre incentivou às famílias turcas a ter mais filhos e exortou as mulheres a fazer a educaçom dos filhos a sua principal prioridade.

Em umha mudança interessante, muitas feministas turcas agora tomam inspiraçom do movimento feminista curdo. Historicamente, a regiom curda tem sido mais conservadora em termos de direitos das mulheres, que estava agravada polas condiçons políticas e económicas opressivas impostas à regiom curda.

No entanto, o empoderamento das mulheres é um dos pilares do movimento de libertaçom curdo de hoje. O líder preso do PKK, Ocalan, dixo a famosa frase, “Matar o macho”, que agora é o lema da academia para mulheres em Rojava (Curdistam sírio). É claro, a declaraçom é usada metaforicamente, mas marca umha mudança poderosa na consciência. Combatentes curdos na Turquia e na Síria passam por cursos de feminismo radical para desaprender o sistema de valores patriarcal. Além disso, esse mesmo movimento fixo o sistema igualitário de género de co-presidência em todas as posiçons de governo umha regra universal na política curda na Turquia e Síria.

Municípios, partidos políticos, e as forças militares nas regions curdas da Turquia e da Síria devem cumprir os requisitos de assegurar que o poder é compartilhado entre um co-presidente home emulher.

RLR: Como é a vida para as pessoas LGBT na Turquia hoje?

SA: As pessoas LGBT também tenhem enfrentado o aumento da pressom do governo de  Erdogan nos últimos anos. Na verdade, a polícia procurou impedir as paradas do orgulho em Istambul nos últimos dous anos. Claro que, como as liberdades das mulheres, nom é fácil para o governo suprimir totalmente os direitos LGBT, mas esses direitos podem estar completamente perdidos no espaço de poucos anos, como vimos em outros lugares. Ao mesmo tempo, a sociedade iraniana era muito liberal em termos de relaçons pessoais / sexuais, apesar da brutal ditadura. Agora aos iranianos som lhes negadas essas liberdades passadas sob o regime despótico atual.

Turquia parece estar indo polo mesmo caminho: para além da falta de liberdades políticas, haverá cada vez menos liberdades “pessoais” também. O Islam, em todas as suas versons, nom tolera as liberdades individuais, assim com a ascensom do islamismo, as pessoas LGBT estaram,  evidentemente, entre aqueles que vam sofrer mais.

Esta entrevista foi publicada em Open Democracy.

 

O Perigroso jogo da Turquia na Síria ameaça todo Oriente Médio

Turkey DangerousPor Cihad Hammy

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan e Vladimir Putin reunirom-se recentemente para abrir um novo capítulo nas relaçons turco-russas, normalizar laços até entom tensos entre os seus países. Esta tensom começou no ano passado, quando a Turquia derrubou um aviom russo que estava violando o espaço aéreo turco. Este novo capítulo muda drasticamente toda a cena do conflito Sírio.

No centro deste novo desenvolvimento encontra-se o antagonismo profundamente arraigado de Ancara em relaçom os curdos, tanto na Síria como em Turquia. A fim de antecipar os planos curdos para conectar os três cantons de Afrin, Kobane e Jazeera, Ankara adotou medidas para normalizar as relaçons com a Rússia, o Iram e a Síria, e ganhar o seu apoio a umha intervençom militar no norte da Síria.

 Tensons de Washington e Ancara sobre os Curdos Sírios

Washington tem um sucesso notável na melhoria da sua coordenaçom com os curdos sírios para destruir o ISIS, que é agora a prioridade de Washington no conflito Sírio. A coalizom internacional liderada polos EUA estabelecerom umha parceria bem sucedida e eficaz com as Forças Democráticas da Síria (SDF). Esta força, liderada polas YPG curdas, inclui diversos povos da regiom do norte da Síria, ou seja, árabes, assírios, armênios, Turcomanos, e facçons circassianas e grande número das Unidades de Proteçom das Mulheres (YPJ).

As forças das SDF e das YPJ som eficazes em derrotar e tomar cidades do Estado Islâmico no leste e norte da Síria. Por isso, ganharom a confiança das instâncias de decisom dos EUA e agora som apoiados por ataques aéreos dos EUA e forças especiais. Sob este modelo, a cidade mais recentemente libertada foi Manbij, umha cidade altamente estratégica, que serviu como centro nas principais rotas de abastecimento do ISIS. O sucesso de Manbij cortou o ISIS com o exterior e agora os impede de mover aos seus combatentes da Síria para realizar ataques terroristas na Turquia e na Europa.

No entanto, o governo de Erdogan está extremamente descontente com o apoio que Washington fornece às SDF porque fortalece ao Partido da Uniom Democrática (PYD), um grupo curdo ideologicamente vinculado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), o odiado inimigo interno da Turquia. Ancara rejeita qualquer entidade que ostente a aparência de auto-governo curdo, tanto em Ancara ou ao longo da sua fronteira sul, e considera o PYD como parte do PKK. Em fevereiro passado, umha delegaçom, incluindo o enviado dos EUA para a coalizom internacional contra o ISIS, Brett McGurk, reuniu-se com as YPG. Isto levou a Erdogan a exigir furiosamente que Washington optara entre el ou os curdos sírios. “A quem quere de parceiro, a mim ou os terroristas de Kobane?” dixo Erdogan a jornalistas no seu aviom quando regressava de umha viagem à América Latina e o Senegal.

Nom muito tempo depois do ultimato de Erdogan, Washington respondeu declarando que o PYD nom era umha organizaçom terrorista e os combatentes curdos eram os mais bem sucedidos no combate contra o ISIS dentro da Síria. Além disso, a coalizom liderada polos Estados Unidos enviou autoridades militares e conselheiros para o norte da Síria, a fim de apoiar as forças terrestres curdas na destruiçom do ISIS. De qualquer modo recentemente Washington mudou a sua postura por apaziguar a Ankara e pedindo as forças das YPG “recuar para o leste do Eufrates”. Embora esta seja umha vitória diplomática que Ankara ganhou mudando a sua política externa e buscando apoio de Moscou, o Iram e a Síria, isso nom significa que os laços entre os curdos sírios e os EUA foram completamente cortados.

Novas aproximaçons de Ancara e as suas reflexons sobre os curdos

Durante quase um século, os estados-naçom do Oriente Médio se unirom no combate e repressom dos curdos. Hoje, a aproximaçom de Ancara com a Rússia renova esta dinâmica, abordando nom só a sua própria agenda anticurda, mas também a de Síria e Iram.

Para Assad, a aproximaçom ajuda a manter o seu regime centralizado porque o projeto político que os curdos na Síria estam realizando tem como objectivo desmantelar o poder do Estado-naçom centralizado e em vez disso tenta capacitar as pessoas em torno de instituiçons de base. O regime também pode encontrar a oportunidade para retomar territórios no leste da Síria agora sob control curdo. Na verdade, a última luita entre o Exército sírio e as YPG em Hesekê pode ser interpretado como um gesto de boa vontade por parte do regime em relaçom a aproximaçom de Moscou com Ancara. Em troca, Ancara pode cortar o apoio de grupos islâmicos autoritários em luita contra Assad em Aleppo e direcionar estes grupos-islâmica -authoritários contra os curdos no norte da Síria. (Algo que está acontecendo agora em Jarablus.)

Teeram como Ancara, teme que os curdos sírios vaiam incentivar aos curdos iranianos a se revoltar e exigir os seus direitos cívicos e culturais. Umha revolta curda no Iram ameaça o seu regime islâmico e a segurança nacional. Iram pode deixar de lado velhas tensons com Ancara e cooperar na luita contra a maior “ameaça perigosa”, os curdos. Quanto a Moscou, a nova aproximaçom ajuda a manter no poder a Assad.

Para evitar mais autonomia dos curdos, Ancara enviou as suas tropas de terra no norte da Síria, a fim de antecipar-se a ligaçom dos cantons curdos de Kobane, Jazeera, e Afrin. No entanto, a fim de intervir no norte da Síria a esta escala, eles deveram ter tido a aprovaçom de Moscou e Teeram. Tendo feito isso, eles agora estam usando tropas e grupos islâmicos autoritários como Faylaq al-Sham, Ahrar Alsham, Sultan Murad, e o batalhom Nour al-Din al-Zenki para tomar o control de Jarablus e Al Bab.

É óbvio que a chamada guerra de Ancara contra o Estado Islâmico (ISIS), em Jarablus foi apenas umha substituiçom de combatentes do ISIS por outros grupos islâmicos autoritários que som cópias dos jihadistas. A “luita” contra o ISIS em Jarablus testemunhou que nom há armadilhas, nom há franco atiradores do ISIS, nom há lutadores à espreita do ISIS usando escudos humanos, nom houvo ataques a bomba, sem nom houvo resistência do ISIS. Nom houvo luita em Jarablus, mas sim ordes dadas polo governo turco e a realizaçom dessas ordens polos seus “soldados”. Isso ficou claro para os meios de comunicaçom internacionais e a opiniom pública e nom puido ter escapado à atençom dos governos ocidentais.

 Apoio dos Jihadistas da Turquia Mostra as Aspiraçons Neo-otomanas Estam Bem Vivas

Nom é umha coincidência que o 24 de agosto, o mesmo dia em que Ankara invadiu a Síria, é o mesmo dia da Batalha de Marj Dabiq. A batalha tivo lugar em 1516-1517 entre o Império Otomano e o Sultanato Mamluk e terminou em umha vitória otomana e a conquista de grande parte do Oriente Médio. O simbolismo da batalha de 500 anos atrás foi muito usado na Turquia antes da operaçom e é um sinal da continuaçom da mentalidade expansionista do governo turco. Embora o governo afirma que nom está na Síria permanentemente, a tentativa é colocar umha regiom sob control islâmico e a mentalidade que ocupava o Oriente Médio há 500 anos. O movimento é também umha mensagem ao mundo inteiro de que a Turquia ainda é um jogador no jogo da Síria e nom pode ser ignorada.

No entanto, a intervençom de Ancara nom será um piquenique turístico, mas sim um pesadelo carregado com perdas militares e humanas. Já vários tanques turcos forom destruídas e um soldado foi morto no sul de Jarablus. Turquia lançou ataques aéreos em Afrin (sudoeste) e Ain Diwar (sudeste) e dirigiu os seus tanques para a fronteira de Kobane para erigir um muro. Mas el está sendo recebido com resistência em todos os lugares, e nom só dos curdos, mas de árabes -quem Turquia alega estar liberando dos curdos- e outros grupos etno-religiosos.

Mapa Jarablus Manbij Al BabA Intervençom da Turquia vai aumentar a violência na Síria e na Turquia

Os governos ocidentais e dos Estados Unidos som forças pragmáticas; eles só ajudam movimentos ou estados quando se trata de proteger os seus próprios interesses. A este respeito, os EUA ao que parece, está contente com a intervençom turca na Síria porque a sua principal preocupaçom é degradar o ISIS. Como tal os EUA nom se preocupam com os resultados desta intervençom, o que provavelmente vai levar a anos de violência entre o governo turco e os curdos na Síria, e alimentar a violência, guerra e instabilidade na Turquia. A ‘Sirianizaçom’ da Turquia, neste sentido, é cada vez mais provável. Na verdade, cousas tais como democracia, paz e a estabilidade, que som necessários para os povos do Oriente Médio, como o pam e água som de importância secundária ou nem sequer existem na política externa dos EUA.

Nom é necessário ler volumes de saber quem está a favor e tem um projeto para a paz e a democracia na Turquia e no Oriente Médio e quem pode iniciar um fim à confusom atual. Lendo apenas umha página escrita por Abdullah Öcalan – líder curdo e pensador que inspirou o Modelo de Rojava – iria esclarecer quem quer a paz, a liberdade, a democracia, a estabilidade, a convivência, fraternidade, igualdade de gênero, e umha sociedade ecológica e ética na Turquia e o Curdistam . Todos esses valores e princípios estam agora sob sete chaves em umha prisom turca. O governo turco nom quer um fim para o conflito; se o figesse, teriam acabado com o isolamento de Öcalan para lhe permitir desempenhar um papel eficaz no fortalecimento do estagnado processo de paz. Em vez disso, optou por prosseguir a sua política de isolamento de Öcalan e dos políticos curdos em geral, mesmo após a recente tentativa de golpe.

Isso deixa apenas umha coisa para os curdos: a resistência. Porque a resistência é a única cousa que pode trazer o Estado turco de volta a qualquer tipo de mesa de negociaçom. Como o co-presidente do PYD, Saleh Moslem, dixo após a intervençom de Ancara na Síria, “A Turquia vai perder muito no lamaçal da Síria, e seram derrotados como o Daesh (ISIS).” Agora, apenas umha derrota turca rápida pode salvar a regiom. A alternativa é que todos os envolvidos perdam.

Jihad Hammy é um curdo de Kobanê. Ele era um estudante de literatura de Inglês da Universidade de Damasco antes de fugir devido à guerra civil na Síria.

Artigo publicado em Kurdish Question.

 

 

 

 

 

Em defesa de Rojava

Em defesa de RojavaPor Memed Aksoy

O exército turco, juntamente com umha gentuza de jihadistas e militantes do Exército Livre Sírio, invadiu áreas de Rojava e continua a sua incursom ainda mais no território que já fora liberado do ISIS.

Milicianos apoiados por Turquia, como os Batalhons Nour al-Din al-Zenki, Faylaq al-Sham (A Legiom Sham), Brigada Sultan Murad e Jabhat Fateh al-Sham (antes al-Nusra), entre outros -todos salafistas / grupos islâmicos responsáveis por inúmeros crimes aos direitos humanos – já declararom que iam atacar Manbij, a que celebrou recentemente depois de ser libertada do ISIS polas Forças Democráticas de Síria (SDF). Imagens de mulheres tirando os nicabs e fumando, e homes barbeando-se ainda estam frescas na memória.

Depois do acordo de sustituir  em  Jarablus ao ISSIS sem disparar um so tiro, o exército turco envolveu-se em ataques aéreos e bombardeios de áreas civis, matando polo menos 45 em duas aldeias ao sul de Jarablus. Dúzias de combatentes locais do Conselho Militar de Jarablus, filiados às SDF, forom feitos prisioneiros e torturados frente das câmeras; a maioria deles árabes.

Com a última correria militar, a Turquia tentou camuflar a sua guerra regional contra os curdos, usando o ISIS como um pretexto, tentando impedir a uniom dos três cantons de Rojava. Além disso, esta também a tentativa de reforçar às forças sunitas / Irmandade Muçulmana, alinhados ideologicamente com o governo turco do AKP. Através destes mandatários Erdogan espera reviver as suas aspiraçons neo-otomanas de poder decidir no futuro da Síria e umha influência de longo prazo no Oriente Médio e Norte da África.

O que está em jogo, porém, tanto quanto os ganhos curdos, é a possibilidade de umha política e o sistema progressista, laica e democrática na regiom. Isto é o que Rojava representa e é por isso que o regime sírio, Iram, Rússia e os EUA concordarom na invasom da Turquia. A existência de Rojava nesse sentido é umha ameaça ao status quo e interesses de todos os Estados-naçons e governos no Oriente Médio e, e por extensom, aos saqueadores da regiom. Com um modelo alternativo de governança Rojava provou que pessoas de diferentes etnias e grupos religiosos podem-se organizar a nível local, viver, produzir e luitar juntos, sem um Estado centralizado, mesmo nos tempos de umha guerra sectária. A unidade entre curdos, árabes e turcomanos contra a invasom da Turquia é prova disso.

Por esta razom, o desenvolvimento de Rojava e a uniom dos três cantons -Cezire, Kobanê e Afrîn- está a ser impedido por todos os poderes envolvidos na guerra síria. Além disso, e pola mesma razo, o desenvolvimento de Rojava nom pode ser encarados com a mesma luz que as áreas que estam sendo capturadass polos grupos jihadistas apoiados pola Turquia ou o regime. Estes dous sistemas políticos -Islamista e Baathista- nada tenhem que aportar às pessoas em termos de umha democracia humana, progressista e participativa. Na verdade, eles nem sequer fam qualquer tipo de reivindicaçom.

Ainda que Rojava, com a sua retórica anti-nacionalista já refutou as acusaçons de alguns setores de que os curdos estam tentando capturar terras árabes, também é digno de nota que a área entre Kobanê e Afrin, que está sob ataque de Turquia e jihadistas do FSA, forom sistematicamente arabizadas polo regime sírio na década de 1970. Mesmo se nom fosse este o caso, os curdos, enquanto grupo distinto vivendo em umha parte contínua de território em Turquia, Iram, Iraque e Síria, ainda teria o direito de auto-determinaçom e reconhecimento internacional. Defender o contrário significaria que os estados de acima, que tenhem grandes povoaçons curdas cujos direitos tenhem sido negado durante décadas, devem ser considerados ilegítimos desde o momento em que forom declarados.

Em suma, Rojava tornou-se um facho, umha luz de esperança para todas as pessoas progressistas do mundo; contra a desigualdade, os regimes despóticos e sistemas hierárquicos e o patriarcado, Rojava tem levantado a bandeira da humanidade contra a barbárie. É por isso que a Revoluçom de Rojava deve ser defendida contra a agressom turca e jihadista mais umha vez. Mais umha vez as pessoas revolucionárias, democratas, feministas, laicas e todas as forças progressistas devem-se unir, como figeram em Kobanê, para fazer a Revoluçom de Rojava vitoriosa novamente.

Publicado em Kurdish Question.

 

 

Turquia, Síria e Iram Atacam Rojava: Ilham Ehmed

Ilham EhmedA co-presidente do Conselho Democrático da Síria (MSD) Ilham Ehmed afirmou que o ataque a Hesekê por forças do regime da Síria é o resultado dum “novo conceito” acordado entre os regimes de Turquia, Iram e Síria (Baath), e acrescentou que era um processo e situaçom novos. Ehmed dixo: “Mas nom está totalmente claro se isto é estratégico (de longo prazo) ou táctico (curto prazo). É evidente que há um grande jogo aqui e o Estado turco está à frente del”.

Ilham Ehmed falou com Ajansa Nûçeyan a Firatê (Agência de Notícias do Eúfrates – ANF) sobre o contexto do conflito entre Rojavan e as forças do regime da Síria na cidade de Hesekê no 8 dia (e final) de luitas. [Conflito encerrado o 23 de agosto de 2016 na sequência de um cessar-fogo no que as forças do regime da Síria retiram-se completamente de Hesekê.)

Ilham Ehmed salientou que foi a primeira vez que o regime lançou um ataque planejado antecipadamente sobre Rojava e dixo: “Este ataque é um ataque polo poder e ocupaçom. É um ataque para usurpar a vontade do povo que se criou nos últimos cinco anos. É por isso a resistência e a postura contra este ataque polo nosso povo e as nossas forças continua. Nom imos recuar desta posiçom e nunca imos ajoelhar “.

“Esta é umha mensagem para a Turquia”

Ehmed dixo que as forças do regime lançaram ataques a cidades como Hesekê e Qamishli antes, mas que o nível de preparaçom e o alcance do ataque era a primeira vez. Enfatizou que este ataque nom foi realizado por umha unidade local ou pequena, mas partiu do regime.

“Este ataque é um resultado do “novo conceito” acordado entre os regimes de Turquia, Iram e Baath [Síria de Assad]. É umha situaçom e processo novo. Mas nom está totalmente claro se é estratégico ou tático. É evidente que há um grande jogo aqui e o Estado turco está à frente del.

O regime abstivo-se de tais conflitos até agora, e mantinha as sensibilidades entre os curdos e o estado em mente. Apesar de haver ataques ocasionais e retaliaçons contra eles, o uso de avions de combate, declaraçons chamando as forças de segurança na regiom “PKK” mostra que eles falam a língua do Estado turco.

Com isso, o regime sírio está dando a Turquia a mensagem: “Aceite-me permanecer no poder. Convença os seus grupos aliados a fazer o mesmo. E eu vou agir como vocé e falar como vocé contra os curdos. “A Turquia quer tomar o seu lugar político em Damasco” e ser influente novamente por isso está recebendo essas mensagens. ”

“O Regime turco fixo promessas que nom irá manter”

Ilham Ehmed também dixo que a Turquia tinha feito algumhas promessas ao regime em umha base anti-curda e continuou:

“Até agora, Erdogan tinha chamado a Assad ditador. Apoiou muitos grupos terroristas, incluindo o ISIS e da oposiçom e tivo-os luitando contra o regime. Turquia perdeu todos os seus amigos na regiom e tivo a novas negociaçons com o regime na esperança de reforçar-se, revivendo a sua política e bloquear o projeto de federalismo democrático liderado polos curdos. Eles declararom verbalmente ao regime que lhes iam permitir obter o apoio de grupos de oposiçom e figerom a promessa a nom opor-se a que Assad permanecera no poder. Em troca, eles pedirom que o regime parara os curdos. Em consonância com isso, a Turquia fixo umha declaraçom imediata após o ataque (em Hesekê) e expressou que o regime tinha finalmente visto que os curdos representam umha ameaça para eles também.

“A Turquia nom abandonou Aleppo mesmo agora. Na prática, eles deixam a fronteira aberta e grupos jihadistas e muniçons passam por esta fronteira diariamente. Assim, mesmo se eles entram em umha negociaçom com o regime e dim estas coisas, na prática, eles continuam a fazer o mesmo. Turquia quer levarar a guerra de volta para as regions da Síria e Rojava que forom liberadas de todas as bandas de jihadistas. A Turquia nom tem interesse na destruiçom do ISIS e a estabilidade na regiom. ”

“O Iram está a liderar a guerra”

Comentando sobre os actores políticos e militares no conflito de Hesekê, Ilham Ehmed dixo que o ataque era politicamente do Estado turco, e do Irm na prática, e acrescentou:

“Na verdade, a principal força de combate em Hesekê é o Iram. Portanto, estas duas forças estam atacando diretamente. Foi também o Iram quem luitou em Qamishli antes. Iram quer organizar-se na regiom. Quer criar os seus próprios grupos entre os árabes. Neste sentido, quer criar o seu próprio projecto na Síria através de grupos próximos ao regime. É por isso que a guerra lançada em Hesekê neste último processo também foi desenvolvida contra o interesse das pessoas árabes na administraçom autónoma democrática, sobre que eles se juntaram às Forças Democráticas da Síria e à Assembleia Democrática da Síria, e aquecendo para o projeto da federaçom democrática. Eu nom acho que essa aliança entre Turquia, Iram e o regime sírio seja permanente. Porque eles tenhem muitos conflitos políticos e estes nom som conflitos que poidam ser resolvidos facilmente. Mas, polos seus próprios interesses, estam-se unindo contra os curdos, porque eles vêem os curdos como umha ameaça.”

O papel da Rússia ainda nom está claro ”

Ehmed também mencionou o papel da Rússia na nova situaçom e dixo que a Rússia sente que eles precisam a Turquia do seu lado para determinar a situaçom em Aleppo e que eles chegarom a um acordo sobre algumhas questons. A co-presidente da MSD dixo que queriam determinar se este acordo era umha parte do conceito, e afirmou: “Por outro lado, vemos o silêncio da Rússia contra este ataque polo regime como a aprovaçom do ataque. Mas esperamos que nom seja assim. Rússia deve clarificar a sua abordagem. A Rússia aprova a destruiçom de regions curdas, e esse tipo de ataque contra umha força que tem luitado o ISIS e a fragmentaçom na Síria e desenvolveu a democracia?  Rússia deve responder a esta pergunta.”

Uma guerra muito destrutiva pode-se desenvolver ”

Alertando os poderes envolvidos no novo processo, Ehmed afirmou que a situaçom segurava grandes perigos para todos os lados. “Essas alianças e este ataque a Hesekê som perigosos. As forças hegemônicas no Oriente Médio estam prontas agora para defender qualquer tipo de terror do ISIS, entrar numha guerra muito destrutiva, e fazer os povos da Turquia vítimas desta guerra; eles estam fazendo isso so para reforçar um conceito que vai contra o projeto de democratizaçom da regiom que começou em Rojava. O silêncio das forças internacionais e a coalizom também está contribuindo a possibilidade de umha guerra ainda maior.

“A situaçom nom interessa a Rússia ou os EUA

“Existe a possibilidade de que no futuro os interesses das potências internacionais vaiam colidir e que isso vaia abrir o caminho para umha guerra muito maior. Se se trata disso, ninguém pode pará-la. É por isso que há um grande perigo. Os acordos que Rússia e EUA tenham atingido sobre a questom de Aleppo, a questom Síria, em geral, e os acordos na luita contra o ISIS podem ser perturbados por esta guerra. Esta situaçom nom é do interesse da Rússia ou dos EUA. Neste sentido, as forças da coalizom, ambas forças devem fazer umha avaliaçom urgente da situaçom e declarar que eles estam com com as forças democráticas que criarom projectos para a democracia e fraternidade dos povos como base para o seu projeto.”

Nós nunca imos ajoelhar ”

Ilham Ehmed também comentou sobre a posiçom da povoaçom de Hesekê contra os ataques: “Até agora, a esses ataques resistirom as Unidades de Protecçom do Povo (YPG), Asayish (Segurança / Polícia) e Unidades de Defesa Civil (HPC). É claro que a postura das pessoas também tem sido muito importante. O povo de Hesekê e, especialmente, os árabes em Hesekê exibirom umha postura verdadeiramente importante e valiosa. Muitas pessoas forom evacuadas por razons de segurança, e os que permanecem estam resistindo.

“Esta agressom polo regime sírio é um ataque polo poder e ocupaçom. O objectivo é usurpar a vontade dos povos que criamos na regiom nos últimos cinco anos. É por isso que a resistência e a importante posiçom do nosso povo e forças continua. Nós nunca iremos voltar atrás e nunca imos ajoelhar. Mas estamos esperando que o regime vaia entender isso e tornar-se consciente de como o Estado turco quer trazê-los ao acordo [anti-curdo] de Adana (1998), mais umha vez, e que nom há nada a ganhar lá para eles. O regime tem de reconsiderar esta decisom e apagar o fogo que eles começarom. Se eles figeram isso, será a fim dos interesses do Estado turco na regiom.”

Publicado em Kurdish Question baseado em umha entrevista da ANF- Ajansa Nûçeyan a Firatê.

 

 

O Inimigo do meu inimigo. Receita para o abismo

Cierzo 00Por Cierzo Bardenero

Recomendamos a leitura deste artigo para aqueles que “querem saber, entender e opinar” além de “bons e maus” no grande conflito no Oriente Médio. Titulares exagerados, e o sectarismo na imprensa e redes, fam desanimar o leitor ou resultam tendências xenófobas quando se afronta este conflito. E este artigo contribui como poucos a construir umha opiniom fundamentada.
Zabaltzen

[Este artigo de começos do outubro do 2014, quase dous, mantem as linhas gerais do que aconteceu, e está aconcento no Oriente Médio. Às vezes fam falha artigos que mais que analissar os feitos pontuais elevem o foco e deam a visom global do por que se chegou a esta situaçom. Logo de andar tempo perdido pola computadora penso que segue tendo a mesma claridade e interesse que quando foi escrito]

Só depois que Sinjar no qual dúzias de milheiros de pessoas pertencentes a minoria religiosa Jazidi foram condenados a conversom ou extermínio, e especialmente após a execuçom do jornalista americano James Foley, a opiniom pública ocidental descobriu a existência do Estado Islâmico (EI), ISIS, ou ISIL. O EI é umha organizaçom que usa a violência extrema para implementar o seu programa político-religioso sobre os territórios que ocupa na Síria e no Iraque, cujo objetivo declarado é a criaçom de um califado islâmico nos territórios pertencentes ao Iraque, Síria, Líbia, Palestina , Sinai e Chipre prévio ao estabelecimento do califado global. Mas chegar a esta situaçom foi trabalho de todos os protagonistas da área nas décadas anterioas em umha absurda estratégia política baseada em: “O inimigo do meu inimigo nom é meu amigo … mas pode ser útil. O que levou a umha contenda em múltiplas frentes que seguem a ocorrer na Síria, Iraque e Líbano com potencial para expandir-se para outros países do Oriente Médio. ”

Oriente Médio
Mapa do Oriente Medio

IraqueSíria

 Um dos pilares fundadores dessa estratégia é a divisom entre os ramos sírio e iraquiano do partido Baath nesses países que governarom depois de umha fusom entre elas e o Egito (Nasser) em 1963, que falhou pouco depois do nascimento. Ao longo do tempo as relaçons entre eles forom provocando cada vez mais purgas freqüentes de militantes Baath em ambos os ramos de militantes acusados de simpatizar com o ramo do outro país. A cousa intensificou a meados dos anos 70 em que umha organizaçom terrorista misteriosa ligada à Irmandade Muçulmana começou a atentar contra políticos, militares e pessoas de profissons liberais de confissao alawi (o mesmo que Al Assad e a cúpula do partido Baath sírio) e suspeitava-se que estava financiado polo ramo iraquiano do partido Baath (do deposto Saddam Hussein). Esta campanha terrorista foi ainda mais dura e transformada em guerra aberta desde 1979 em que foi visto como umha clara tentativa de exterminar a povoaçom alawi síria, que foi sangrentamente esmagada na massacre de Hama em 1982, enviando a prisom ou ao exílio ao islamistas sobreviventes.

A oportunidade para a vingança (e por duas vezes) viu depois da morte de Hafez al-Assad e a sua substituiçom à frente do país começou na última década. Bashar al-Assad, numha tentativa de tímida abertura abriu a porta para os Irmaos Muçulmanos presos e até brincou a legalizar esta organizaçom e outras, para transformar o país em umha democracia de estilo ocidental, mas em um gesto incompreensível de EUA, naquela época estava envolvido na derrubada de Saddam Hussein, em vez de atrai-lo a coligaçom, dedicou-se a torpedear a abertura e impor sançons à Síria que fecharom a porta a umha transiçom para a democracia e levou a segurança da Síria a promover a transferência de membros da Irmandade Muçulmana liberadoa a fazer a jihad contra os americanos que ocupavam o Iraque e acessoriamente facilitar a entrada de membros da Al Qaeda ao Iraque pola província de Al Anbar.

Apesar de que ao princípio Al Qaeda recebeu um forte apoio da povoaçom árabe sunita na sua luita contra os americanos e o governo de Bagdá (nas maos da maioria xiita) ao longo do tempo e devido ao seu o sectarismo e intolerância transformou-se em um problema tam grande que até mesmo as tribos sunitas e o governo dos EUA juntaram forças para combatê-los e reduzir à prática marginalizaçom AQI [AlQaeda de Iraque], e a cousa teria seguido assim se nom for porque na Síria o mesmo que erguerom em 1964 e 1976 -82 novamente erguerom em 2011 aproveitando a demandas populares contra a inflaçom, o custo de vida e a falta de alimentos devido às más colheitas que derivarom em um conflito armado aberto contra o governo, tanto assim que a Irmandade Muçulmana já em 2011-2012 representavam mais do 30% do FSA [Exército Livre Sírio], ao que há de sumar dúzias de brigadas independentes de grupos mais extremistas, como os salafistas, Takfiris e até mesmo um ramo da Al Qaeda chamado Jabhat Al Nusra.

É neste momento em que os EUA e a Europa também começavam a participar da doutrina do inimigo do meu inimigo, enviando armas e equipamentos pesados em colaboraçom com a Turquia, Qatar e Arábia Saudita, e Ocidente alegando que as armas iam destinadas às maos a moderados, a composiçom do FSA fazia que se estivesse equipando com armas pesadas (conscientemente) a brigadas que tinham fortes laços com grupos extremistas e até mesmo Jabhat Al Nusra com a esperança de domar o dragom umha vez que caíra Bashar Assad.

O que ninguém foi quem de prever é um problema na hierarquia do comando dentro da Al Qaeda ia provocar a cisom do ramo iraquiano da Al Qaeda e ista, com o tempo, varrera ou absorvera as restantes brigadas rebeldes, recebendo grandes quantidades de armas modernas, com as que pouderom assaltar o norte do Iraque (de povaçom árabe sunita) que esperava qualquer milícia que poidera enfrentar-se a um governo iraquiano em maos xiitas e curdas e retornar um poder que tinha monopolizado desde o estabelecimento do Iraque apesar de só representar o 25 % da povoaçom.

Em semanas, o Estado Islâmico com um número muito pequeno de homens liderou umha coalizom militar com os restos do baathismo iraquiano que tomou todas as províncias de povoaçom árabe sunita, chegando às portas de Bagdá enquanto limpavam etnicamente de xiitas, cristiaos e jazidis os territórios tomados. O avanço foi tam rápido e o colapso do Estado iraquiano tam alto que a Jordânia e a Arábia Saudita pugeram-se em alerta máxima para prevenir umha possível invasom dos seus respectivos países.

Cierzo 01 Extensom do ISIS a 22 de Setembro do 2014
Extensom do ISIS a 22 de Setembro do 2014

Umha vez consolidado o território no Iraque e proclamado o Califado, o ISIS voltou os seus olhos para a Síria lançando umha ofensiva total com o material de guerra iraquiano (recém doado polos EUA), tanto contra os restantes rebeldes, curdos como contra o Estado sírio, ofensiva que no momento parece imparável quando a suspeita e o ódio das muitas facçons em conflito impede aceitar umha estratégia conjunta para lidar com o ISIS.

Também no Iraque o sectarismo prevaleceu ao feito de parar o ISIS, e assim os curdos aproveitarom para ocupar militarmente os seus territórios históricos no norte do Iraque e em Bagdá era impossível formar um governo ante o impasse de Al Maliki e a divisom dos outros partidos.

Nesta situaçom os EUA e o Iram chegarom a um acordo para substituir al-Maliki como primeiro-ministro e por um candidato do seu próprio partido, também de confissom xiita pero mais diplomático, que resultou na chegada de equipamentos militares e homens do Iram e apoio aéreo norte-americano e que conseguiu deter o avanço do ISIS às portas de Bagdá (onde começa a área do país de maioria xiita) e umha ofensiva contra os curdos, que ameaçava chegar às portas da Regiom Autónoma Curda e a sua capital Erbil e polo caminho fazia um rastro de massacres contra as minorias xiitas, cristians e jaziguis.

Jordânia

O exemplo da Jordânia é um caso de como um país pode ser engolido por um turbilhom que el ajudou a criar e que, em virtude das suas alianças internacionais, no início da guerra civil síria, ofereceu as suas bases para que os Estados Unidos e outros paises treinaram contingentes de jovens sírios o que se chamou o Exército Livre Sírio (FSA) e permitir que a sua fronteira servesse como retaguarda e zona desde onde lançar ataques às províncias do sul de Daraa e Quneitra.

Diante da chamada para a Jihad na Síria centos de jovens radicais dos baluartes radicais de Ma’an e Zarqa e outras grandes cidades juntarom-se às brigadas da Irmandade Muçulmana do  FSA ou a grupos mais radicais como os salafistas de Ahrar al-Sham ou al Nusra. Isso começou a alarmar os serviços secretos jordanianos que temerom o retorno do contingente de milheiros de homes para casa para continuar a jihad.

O surgimento do ISIS terminou por complicar as cousas porque provocou o fracasso das organizaçons rebeldes e assim centos de homes que tinham sido treinados na Jordânia junto com os próprios jihadistas da Jordânia e toneladas de armas passarom a maos do ISIS cujo objetivo declarado era o estabelecimento um Estado islâmico transfronteiriço que incluia Jordânia entre outros.

Enquanto em 2012-2013 os protestos contra o alto custo de vida e a repressom do estado levou a manifestaçons contínuas convocadas pola Irmandade Muçulmana e organizaçons salafistas, muitos deles violentos, em 2014 e com o surgimento do ISIS os protestos resultarom em confrontos armados entre as forças de segurança e partidários do ISIS, como no caso da cidade de Ma’an onde jovens armados expulsarom por dias a polícia e o exército.

Cierzo 02
Manifestaçom pró-ISIS em Ma’an Jordânia

Durante os primeiros meses deste ano, as forças de segurança contemplarom o ISIS como um perigo certo embora que geograficamente longínquo e preocuparom-se da repressom interna, mas a apreensom do norte do Iraque ate a passagem fronteiriço Jordâno-Iraquiano e as contínuas deserçons rebeldes cara o ISIS fam aumentar os temores de que estes obtenham as bases para atacar o país desde o norte e leste agindo coordenado com apoiantes internos do ISIS, de modo que os serviços de segurança procederom a rusgas contínuas e de olhar para trás a Israel e tentar reativar os acordos de ajuda mútua em caso de conflito.

Curdistam

Outro cenário onde as rivalidades podem ter levado à catástrofe tem sido a longa luita pola supremacia política no Curdistam entre Barzani e o seu partido (KDP), que governa junto à UPK (PUK) a Regiom Autônoma Curda contra este mesmo partido ao longo da década dos 90 na Regiom Autónoma curda do Iraque, e mais tarde contra o KCK (coordenadora de organizaçons curdas dlideradas polo pensamento de Abdullah Ocalan, preso na prisom turca de Inrali) e que som maioritárias tanto na Turquia como na Síria e no Iram.

Depois de uma breve experiência de autonomia curda no Iraque desde 1970 até o seu colapso em 1974, os curdos do Iraque tiverom que esperar até a primeira Guerra do Golfo para iniciar uma insurreiçom geral curda (e xiita no sul do Iraque) que levou à restauraçom da regiom autônoma curda. Umha vez alcançado o objetivo comum dos curdos iraquianos de todas as ideologias logo começarom as diferenças entre eles, especialmente depois de umhas eleiçons realizadas e um  território nom delimitado povoado por curdos e em que tanto o KDP de Barzani como a PUK de Talabani considerarom ter ganhado, começando em 1994 umha guerra em que tanto um partido como o outro ajudarom-se dos governos e exércitos dos países que os ocupavam.

Cierzo 03Assim em 1996 Barzani recorreu ao exército de Saddam Hussein para ajudá-lo a derrotar as milícias da PUK em áreas onde eles eram minoria causando umha retirada destes para a fronteira com o Iram a partir da qual eles procurarom a ajuda da Guarda Revolucionária e o PKK curdo (que na época já levava umha década de luita contra o estado turco) conseguendo recuperar o território perdido. Dado o envolvimento do PKK no conflito, o exército turco lançou umha ofensiva na Regiom Autónoma curda contra o PKK causando pesadas baixas e estabelecendo um precedente de invasons do norte da regiom autônoma curda com o consentimento do seu governo para acabar com as bases do PKK.

Em 1998, após o bombardeio do Iraque polos EUA para parar a ofensiva iraquiana contra a PUK, foi estabelecida umha zona de segurança no norte do Iraque, a retirada das suas tropas ao sul da zona de segurança, e aprovado um programa da ONU chamado Petróleo por alimentos que forneceu de enormes quantidades de dinheiro a ser geridos pola Regiom Autónoma. A possibilidade de ver fluir grandes quantidades de dinheiro que poderiam gerir conjuntamente o KDP e a PUK levaram a fazer a paz esse ano e compartilhar o poder na Regiom Autónoma curda, um acordo que dura até hoje.

Umha vez que ficou claro supremacia do KDP na Regiom Autónoma Barzani só tinha um rival importante para fazer-lhe fronte como líder dos curdos: Ocalan e o PKK que levava anos de luita contra o Estado turco, e, após a queda do bloco soviético que financiou as suas atividades contra o estado turco através de umha Síria que forneceu umha retaguarda segura e serviu como um intermediário entre o PKK e Moscovo, viu como, ao ver-se sem super-potência protetora contra umha possível agressom turca finalmente assinou um acordo de segurança que implicou a expulsom do PKK da Síria. Assim, Ocalan começou umha turnê por diferentes países na busca de asilo até que foi sequestrado polos serviços secretos turcos na Quênia e preso em uma prisom de máxima segurança.

No início deste século, e depois de alguns anos de prisom, Ocalan abandonou o marxismo-leninismo abraçando o Confederalismo Democrático em umha tentativa de unir os curdos de diferentes países em umha estrutura política sem remover as fronteiras existentes.

Para isso dissolveu o PKK e criou um guarda-chuva em que as organizaçons sectoriais, os partidos políticos e as milícias que aceitaram o Confederalismo democrático estiveram representados e servir como órgao político do povo curdo no seu conjunto chamado KCK (Confederaçom de Comunidades do Curdistam/ Koma Civakên Kurdistán.

Assim, a partir dos pontos propostos por Ocalan forom surgindo um partido político para cada estado (Kongra Gel e formaçons sucessivas que tentam lidar com as ilegalizaçons na Turquia, o PYD na Síria, o PJAK no Iram e no Iraque o PÇDK), um braço armado para cada estado, se a situaçom política o requeria (todos encontrarom as suas milícias necessárias para proteger a povoaçom curda), organizaçons de mulheres, jovens e migrantes fora do Curdistam.

E enquanto a milícia do partido trasladava-se para as montanhas no norte do Curdistam iraquiano, onde sofreu represálias contínuas do exército turco, com a aprovaçom do governo da Regiom Autônoma Curda liderada por Barzani, durante a primeira década deste século, quando se sucederom as tréguas e o retorno às armas até que o governo turco e Ocalan sentarom a negociar umha paz duradoura, negociaçom esta que veu junto com a marcha de todas as milícias do PKK às montanhas de Qandill no Curdistam iraquiano.

O novo discurso de Ocalan logo prendeu nas minorias curdas na Síria e no Iram que sofriam um nível de repressom semelhante ao turco e o PYD e o PJAK tornarom-se em opçons maioritárias nas suas respeitivas comunidades. Tanto assim, que na Síria, como resultado do vácuo de poder pola guerra civil que assola o país desde 2011, o PYD conseguiu atrair a maioria da povoaçom de Rojava de todos os credos e etnias com o seu discurso e erguer um governo autónomo composto por três cantões federais com base nos princípios do Confederalismo Democrático, apesar das reticências do ramo sírio do PDK que manobrou para torpedear o processo, e a recusa em reconhecer a autonomia curda na Síria por Barzani e os órgaos políticos da Regiom Autônoma curda do Iraque.

Outro sinal de hostilidade de Barzani ao projeto político de Ocalan que sofreu o povo curdo, foi o fechamento contínuo da fronteira entre a província de Hassakah e a KRG no mais duro da ofensiva das milícias islâmicas e do ISIS contra os curdos de Rojava aos que qualificavam de apóstatas e militantes do PKK. Este processo vergonhoso culminou em 2014, quando o KRG sumou-se a Turquia ao escavar fossos profundos ao longo da fronteira para impedir a marcha dos curdos (e árabes e assírios) que fugiam da ofensiva do ISIS que pretendia erradicar a autonomia curda de Rojava.

Mas às vezes a história é caprichosa e toma a vingança, no mês de Julho de 2014, e depois de frear  o exército iraquiano a ofensiva do ISIS nas aforas de Bagdá, isso virou os olhos do ISIS contra o Curdistam iraquiano, lançando umha ofensiva contra territórios curdos do norte do Iraque protegidos por Peshmerga mas que nom som a Regiom Autónoma em sentido estrito, forçando a retirar-se aos Peshmergas quase ate as portas de Erbil e deixando à sua sorte a centos de milheiros de curdos que viveram desde tempos imemoriais nessas áreas reivindicadas pola Regiom Autónoma e com a grande desgraça de pertencer a grupos religiosos considerados heréticos polo ISIS, assim que sacrificando as forças de combate das suas respectivas frentes, membros da milícia da KCK da Turquia, Síria e do Iram chegarom à zona para combater o ISIS e evitar a certa massacre da minoria curda e umha vez afastado o perigo formar e armar umha milícia de auto-defesa dos curdos da zona de Sinjar.

Assim, a resposta solidária e altruísta às repetidas mostras de mesquinhez de Barzani trouxa enorme popularidade para a KCK no Curdistam iraquiano, onde o seu braço político (PÇDK) era bastante marginal, e isso tem forçado Barzani a colaborar com as milícias do KCK na luita contra o ISIS, a burlar o veto, a armar as milícias do KCK por estar incluídas na lista de organizaçons terroristas Ocidentais (via carregamentos de armas à PUK que esta reparte entre as outras milícias), a reconsiderar a declaraçom de independência da Autonomia curda do Iraque que baralhava meses antes (depois de receber o apoio turco e israelense a umha possível declaraçom unilateral) e assim promover a coordenaçom entre a Regiom Autónoma curda e a KCK de cara à auto-determinaçom do Curdistam e a enviar Peshmerga para ajudar às YPG a frear a  ofensiva do ISIS para erradicar o cantom autônomo curdo de Kobanê e eliminar fisicamente os seus 400.000 habitantes.

A este dia, apesar do apoio militar da Regiom Autónoma do Curdistam do Iraque e dos jovens vindos da Turquia e do exílio na Europa a situaçom em Kobanê é desesperada porque o cantom foi praticamente reduzido à cidade sofrendo ataques diários desde o oeste, sul e leste com armas pesadas, enquanto Turquia dificulta a saida de refugiados curdos e a entrada da pequena ajuda militar que recebem os curdos como armas ligeiras e voluntários. [Desde outubro de 2014, as YPG pararom e depois expulsarom da cidade o ISIS em janeiro de 2015 logo de que tomaram o 80% desta. Passando à ofensiva na luita contra o ISIS e, progressivamente, recuperando todo Canton. Criando umha força conunta com árabes, turcomanos, assírios e siriacos, as SDF que cpnseguirom unificar territorialmente o Cantom de Kobanê com o de Cizire polo Oeste; levar a linha da frente a 60 km de Kobanê no sul, e atravessando o rio Eúfrates polo oeste ate Manbij].

Líbano

Se há um lugar no Oriente Médio que melhor encarna a máxima de “O inimigo do meu inimigo …” Este é o Líbano. Desde o seu nascimento em 1920, resultado de romper o território costeiro da Síria, povoado na maior parte por maronitas que reivindicavam um Estado própria que mantivesse relaçons com o Ocidente, o Líbano viu-se arrastado a conflitos armados polas alianças regionais das diferentes minorias que componhem o país (cristians de diferentes tipos, sunitas, xiitas e drusos).

Cierzo 04
Minorias religiosas em Líbano.

Tendo obtido a independência em 1942, nom demorou mais de umha década para se tornar envolvida na agitaçom que cercou o Médio Oriente na sequência da nacionalizaçom do Canal de Suez e a subsequente guerra que envolveu Israel, Gram-Bretanha e França, por um lado, e Egito polo outro. Se a constante dos países árabes foi romper as relaçons diplomáticas com o Ocidente, o presidente recém-eleito Chaoum (de onfissom cristiam) opta por nom fazer parte da República Árabe Unida e aproximar-se diplomaticamente o Ocidente , como represália Egito e outros países árabes armam aos palestinos que foram expulsos de Israel na década passada para que este tomem o Libano estalando umha guerra civil que é sufocada polos cristians com a ajuda dos EUA.

Uma paz relativa é estabelecida no Líbano até o final dos anos 60, mas depois da Guerra dos 6 Dias e o Setembro Negro de Jordania a situaçom no Líbano polariza-se, conforme os palestinos aproveitando um acordo de extraterritorialidade usam os campos de refugiados como campos de treinamento e base para lançar ataques contra Israel sem que o exército libanês poida intervir. De 1970 a 1975, a situaçom vai gradualmente degradandp e dividindo o país em dous blocos, um conservador cristiam defensor de reprimir os palestinos e de ter ligaçons com Israel e um bloco muçulmano progressista defensor de apoiar os palestinos.

A partir de 1975 começou um conflito intermitente entre as diferentes facçons libanesas (e palestinas) apoiadas por potências estrangeiras acompanhadas por invasons do Líbano, dos países vizinhos para tentar fazer a paz, ou simplesmente evitar ataques terroristas no seu território do Líbano que durou até os Acordos de Taif em 1989.

Assim, ao longo desses 15 anos viu-se como a Síria invadiu o norte do Líbano para defender os maronitas (e assim limpar as bases terroristas islâmicas desde onde se lançava a campanha terrorista de extermínio do partido Baath e os intelectuais sírios alawítas), e posteriormente mudar de aliança e juntar-se ao bloco palestino/muçulmano/esquerdista, como Israel invadiu o território libanês repetidamente para criar zonas de segurança dentro do Líbano para acabar com as campanhas terroristas no norte do seu país, como o Iram estava envolvido no conflito organizando política e militarmente ao Hizbullah xiita ou mesmo como umha segunda frente na guerra Iram-Iraque, Saddam Hussein armava os maronitas para enfrentar-se o Hizbullah, tudo isso apesar da existência de forças de interposiçom da ONU.

Os Acordos de Taif eram básicos para alcançar a paz no Líbano e consistiu na reforma do sistema eleitoral libanês, polo que os escanos no parlamento estariam divididos ao 50% entre cristians e muçulmanos, o reparto de cargos institucionais também realizada com base a critérios religiosos polo qual o presidente sempre seria um cristiam, o primeiro-ministro sunita e o porta-voz do Parlamento xiita, também todas as facçons libanesas e palestinas concordaram em desarmar-se (exceto o Hizbullah), o exército libanês ia ser o garante da segurança nacional e despregava-se pola maior parte do estado. Apesar destes acordos os combates entre o Hizbullah e Israel e o seu aliado (Exército do Sul do Líbano) continuarom ate a marcha israelense e a derrota militar do seu aliado no 2000.

Embora a paz chegara no início dos anos 90 com a assinatura dos Acordos de Taif e a derrota das milícias cristians anti-Sírias do general Michel Aoun, a ocupaçom síria continuou até o 2005, quando as mobilizaçons após a morte em atentado do Primeiro-Ministro libanês Rafiq Hariri, e conhecida como a Revoluçom dos Cedros, levou à saída do exército e dos serviços de inteligência sírios do território libanês.

À marcha síria do Líbano e a vitória eleitoral da coalizom anti-Síria liderada por Saad Hariri nas eleiçons legislativas, foi seguido por umha campanha de atentados contra os chefes das formaçons anti-Sírisa, que tinham ganhado as eleiçons o que elevou as tensons no país, até que um acordo entre Michel Aoun e Hizbullah estabeleceu os fundamentos de entendimento entre os blocos e ainda servem de base para acordos nacionais.

Apesar da partida da Síria e Israel de território libanês, os conflitos armados e o terrorismo continuarom a assolar o país, e a meados do 2006 o rapto de dous soldados israelenses na fronteira entre o Líbano e Israel resultou em umha escalada de confrontos que levou a fortes combates entre elas por semanas e só terminou após a intervençom do Conselho de Segurança das Naçons Unidas. Se em 2006 o conflito foi devido a Hizbullah, em 2007 eram militantes salafistas acampamentos palestinos, quem quase levou à guerra civil no Líbano, ao enfrontar-se  ao exército libanês por meses em um conflito onde houvo 500 mortos e cerca de mil feridos, quando as forças de segurança libanesas forom deterr em um acampamentoo perto de Tripoli os responsáveis de explodir vários autocarros em umha cidade cristiam nas proximidades. Depois de vencer militarmente, os primeiros brinquedos de erigir governos islâmicos salafistas, os anos seguintes no Líbano tenhem decorrido entre governos provisórios, crises políticas e atentados terroristas dirigidos contra líderes políticos e indiscriminados contra a povoaçom civil.

Se esta situaçom era instável em si foi agravada com o início da guerra civil síria em 2011 em que xiitas, sunitas e alawitas libaneses estiverom envolvidos na guerra civil na Síria diante de umha inibiçom incompreensível dos cristians que considerou a guerra como algo alheio a eles, enquanto observavam as milícias sunitas ligadas aos rebeldes sírios cometer massacres de cristians na vizinha província síria de Homs.

Assim que por 3 anos houvo confrontos armados entre jovens de confessom alawíta e salafistas em Trípoli e arredores, ataques indiscriminaaos bairros de maioria xiita em Beirute efectuados por grupos terroristas ligados ao ramo sírio da Al Qaeda ou ISIS, umha insurreiçom Salafi em Sidon que foi reprimida polo exército após 25 horas de combate, e o desmantelamento das milícias do xeque Ahmed Assir e a invasom direta por militantes islâmicos de Al Nusra (Al Qaeda na Síria) e ISIS à cidade de Arsal (que acolhia a dúzias de milheiros dos  milhons de refugiados sírios no Líbano) da regiom síria de Qalamoun e que resultou na expulsom das milícias fundamentalistas d a Síria, levando consigo 20 soldados libaneses reféns.

Esta invasom e outras planejadas polo ISIS, com a intençom de integrar o Líbano como regiom do Estado Islâmico finalmente começarom a preocupar e envolver à maioria cristiam na luita contra o fundamentalismo islâmico que está sangrando a vizinha Síria e o Iraque e começa a abundar campanhas multireligiosa de repúdio ISIS como o surgimento de grupos de autodefesa mistas formados por cristians e xiitas e drusos que estam sendo armados e treinados por Hizbullah.

Qatar – Arábia Saudita

Surgida após a implosom do califado otomano e da uniom pola força das armas dos vários reinos da Península Arábica, Arábia Saudita pola legitimidade que lhe deu a custódia de duas das três cidades santas do Islam (Meca e Medina) erigiu-se por anos como líder e mediador de conflitos entre estados com maioria muçulmana, enquanto se apresentava como ideólogo e financiador mundial de umha versom radical do Islam (wahhabismo), que é a religiom oficial do país (por exemplo, Ben Laden).

Durante décadas Arábia gostava desta posiçom privilegiada graças à tolerância de países ocidentais que permitiam abusos dos direitos humanos no seu país e o financiamento de organizaçons terroristas que atentavam objetivos ocidentais em troca de petróleo barato; mas a estrela Saudita minguou após a Guerra do Golfo, na que Arábia tivo que recorrer a Ocidente para resolver umha guerra que, na opiniom de Bin Laden poderia ser resolvida entre os muçulmanos. Assim, enquanto Arabia declinava, Qatar foi emergindo como umha potência econômica e política na regiom disposta a disputar a liderança saudita.

Cierzo 05
Conselho de Cooperaçom do Golfo (GCC)

Embora a financiar por anos a semelhantes ou os mesmos grupos terroristas fundamentalistas em todo o mundo, a rivalidade entre os dous países cresceu ao longo do tempo, ja que patrocinavam duas correntes islamistas antagônicas (a Irmandade Muçulmana Qatar e Arábia o wahhabismo), sendo o detonante a descoberta de umha conspiraçom da Irmandade Muçulmana para tomar o poder nos Emirados Árabes Unidos, naquel tempo outro membro do Conselho de Cooperaçom do Golfo (GCC), do qual Qatar e Arábia fam parte.

A partir desse momento o CCG dividiu-se entre os partidários do Qatar (basicamente Kuwait), os partidários da Arábia Saudita (EAU que era a que sofrera a tentativa de golpe e Bahrein, com o seu trono dependente da presença do exército de Arábia para nom ser derrubado pola maioria xiita) e Omam quem advertiu que se eles marchavam se continuavam os conflitos internos. Ao ser maioria os pró-sauditas (ao que também se sumava Jordânia como um candidato a participar do GCC), estabelecerom um bloqueio por terra, mar e ar a Qatar até que abandonara a sua posiçom de promover golpes pró-Irmandade Muçulmana na zona.

Qatar e Kuwait com outro estado governado por um ramo da Irmandade Muçulmana como éTurquia (aliados do Ocidente) som os financiadores das milícias que procuram impor governos islâmicos do Norte de África (Tunísia, Líbia e Egito) ou em Oriente Médio (Líbano, Síria e Iraque); e som mesmo suspeitos de financiar o ISIS através de fundos privados e ONGs amplamente subsidiadas por esses governos, o que levou, à sua vez a umha ruptura de Arábia com o terrorismo islâmico e apoiar os governos seculares que enfrentam às milícias patrocinadas por Qatar , Kuwait e Turquia como nos casos da Líbia e do Egipto.

Assim, mália nom descobrer-se ligaçom entre Qatar e Turquia com o ISIS, tanto Arábia como Jordânia e outros membros do CCG que os apóiam tornaram-se em objectivo prioritário do ISIS e nom é de excluir que em um curto espaço de tempo campanhas terroristas em Jordânia e Arábia ou até mesmo sofrer invasons de milícias do ISIS dos seus territórios.

Conclusom

A situaçom no Médio Oriente é muito complicada após o surgimento do Estado Islâmico (ISIS) e a proclamaçom do Califado mais tarde em junho deste ano e é improvável que seja resolvida à luz dos acontecimentos relatados anteriormente devido a ressentimentos pessoais e históricos de agentes diferentes na área que impedem um acordo mínimo para combater umha organizaçom que começa a expandir os seus tentáculos ao Norte de África, Ásia Central e o Extremo Oriente, absorvendo pequenas organizaçons salafistas existentes, a excisom de franquias regionais de Al Qaeda ou a deserçom em massa de militantes destas para se juntar ao Estado Islâmico.

A cimeira em Paris para forjar umha coalizom internacional para combater o Estado islâmico é a demonstraçom prática da incapacidade, ja que parte dos envolvidos na luita nom forom convidados a ela e a maioria daqueles que comparecerom não se comprometerom com nada mais de fornecer apoio logístico para bombardear as bases do ISIS que, embora que enfraquecem a organizaçom nom a derrotam completamente, como sim o faria umha operaçom militar no terreno que estam fazendo casualmente os que nom forom convidados a cimeira, nomeadamente o Iram, Síria, Hizbullah e as milícias curdas ligadas à KCK.

Portanto, a curto prazo, nom é de excluir que, sem ter abortado o califado, o cenário do Oriente Médio se repete em outras áreas problemáticas do mundo que também estam orientadas pola máxima de que o inimigo do meu inimigo e que o caos no que está assolada Líbia desde a derrubada de Gaddafi se torne em umha plataforma para criar um califado abrangendo aos seus vizinhos Mali, Chade, Tunísia e Egito.

Publicado em outubro do 2014 em Zabaltzen.

Cierzo Bardenero, residente na Ribera de Navarra é um apaixonado pola política, história e fascinado por Catalunha e o MENA (Oriente Médio e Norte da África). Tem publicado em Zabaltzen e Endavant entre outros, e é muito ativo e atinado nas redes sociais, pode-se seguer em twitter em @Cierzo_bardener

 

Os Curdos iranianos levantam-se quando os seus líderes permanecem divididos

PAJK MilicianasA primavera chegou em Qandil, a majestosa cadeia de montanhas que separa o Iram do Iraque. Mas a calma bucólica envolvendo nesse canto longínquo do Oriente Médio poderia ser quebrada a qualquer momento. Caças iranianos periodicamente chovem bombas sobre os rebeldes do Partido da Vida Livre do Curdistam (PJAK) com base em Qandil. O grupo é o mais recente de umha série de grupos curdos que venhem luitando polo autogoverno curdo dentro do Iram.

Largamente reprimidos os curdos do Iram, incluindo muitos supostos membros do PJAK, continuam a ser presos e torturados. Um número crescente forom executados nos últimos anos. Mas, enquanto os curdos na Turquia, Síria e Iraque fazem manchetes internacionais com a sua bem-sucedida campanha contra o Estado islâmico (IS), a situaçom dos seus irmaos iranianos tem sido amplamente ignorada.

Isso foi até a semana passada, quando centenas de curdos iranianos saírom às ruas na cidade de Mahabad para protestar contra a morte misteriosa de umha camareira curda. O 7 de maio, Farinaz Khosravani caiu da janela do quarto andar do Hotel Tara. Os manifestantes dim que a moça de 25 anos saltou para evitar ser violada por um funcionário da segurança iraniana. Como a notícia da sua morte se espalhou, os moradores furiosos entrarom em confronto com a polícia e meterom o hotel em chamas. As Informaçons continuam a ser incompletas porque os mídias internacionais raramente se lhes concede o acesso às áreas curdas do Iram. As autoridades iranianas negaram que um funcionário da inteligência estivera envolvido e prendeu a um indivíduo no processo que eles alegavam era um consultor privado do hotel.

Partidos curdos e ativistas procurom retratar os acontecimentos como o prenúncio de umha “intifada” curdo-iraniana, até porque eles foram desencadeadas em Mahabad. A cidade desfruta de um status mítico na tradiçom nacionalista curda.

Em 1946, com apoio soviético, os curdos estabelecerom o seu primeiro Estado independente e de curta duraçom em Mahabad. Com um clérigo sunita respeitado, Qazi Mohammed, à sua frente, o mini-estado tinha o seu próprio gabinete e exército nacional. Mas quando os soviéticos se retiraram sob pressom do Ocidente, o governo reafirmou a sua aderência com a ajuda de tribos curdas leais ao governo. Mahabad caiu quase um ano após a sua declaraçom.

Mohammed foi enforcado em público, muito da mesma maneira que os curdos dissidentes som hoje. Todas as expressons explícitas de identidade curda forom proibidas.

Isto marcou o início de um período de “depressom política geral” para os curdos, escreveu Abdul Rahman Ghassemlou, o líder fundador do Partido Democrático do Curdistam do Iram (KDPI), que dominou a política curda até o seu assassinato em 1989 pola inteligência iraniana em Viena.

Segundo a Constituiçom iraniana, os nom-persas estam ficticiamente autorizados a ser educados nas suas próprias línguas nas escolas estatais. Mas as leis nunca foram postas em prática.

Sob Mohammad Khatami, um clérigo reformista que foi presidente do Iram 1997 e 2005, algumas restriçonss foram relaxadas. Foi permitido o ensino privado em curdo. Cerca de 30 curdos foram eleitos para o Majles, ou parlamento nacional. O atual presidente Hassan Rohani se di que favorecera novas reformas e, em outubro, os curdos forom autorizados a realizar a sua primeira manifestaçom pacífica desde 1979, em solidariedade com os curdos sírios.

A língua curda nom foi criminalizada no Iram como era há décadas na vizinha Turquia. Isto é provavelmente porque a língua nacional, farsi e os dialetos curdos Sorani e Pehlewan falados no Iram compartilham as mesmas raízes. Mas, ao contrário da Turquia, onde um partido pró-curdo está correndo para as eleiçons parlamentares do 7 de junho, todos os partidos curdos continuam proibidos. As negociaçons secretas realizadas fora do Iram entre o regime e autoridades curdas continuam esporadicamente e ainda teram de dar frutos.

Em meio a todo o bater no peito ao longo de Khosravani, muitos ativistas curdos reconhecem em privado que o regime vai prevalecer e que umha nova repressom contra o PJAK e outros grupos nacionalistas provavelmente seguirá. Como um ativista que pediu para nom ser identificado por medo das retaliaçons do governo colocou em umha mensagem de e-mail para Al-Monitor, “O regime é cruel, e os curdos estam ocupados luitando entre si.” Os líderes curdos iranianos, que conversarom com Al-Monitor no exílio – na KRG no norte do Iraque governado por curdos, repetiu esta avaliaçom sombria.

Rezan Javid, um engenheiro elétrico de Mahabad, juntou ao PJAK em 2003, pouco depois que foi fundado. El subiu ate ser o co-presidente do seu braço político recém-criado, conhecido como Kodar.

Em umha tarde recente, Al-Monitor reuniu-se com Javid em umha cabana escondida em Qandil a apenas 5 km (3 milhas) em linha recta a partir da fronteira iraniana.

“Todos os dias o regime está matando o nosso povo na procura dos seus direitos, e o mundo permanece em silêncio”, dixo Javid a Al-Monitor. “Nom há um padrom estabelecido do regime aproveitando qualquer degelo com o Ocidente como umha oportunidade para reprimir ainda mais nos seus adversários”, dixo el. Javid estava-se referindo ao acordo nuclear provisório que foi recentemente assinado entre o Iram e as seis grandes potências. Como muitos curdos, el acha que os Estados Unidos e o resto do P5 + 1 – o Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha – que negociam para limitar o programa nuclear do Iram, vai fechar os olhos aos persistentes abusos por medo de prejudicar um acordo final.

Abbas Vali, um proeminente acadêmico curdo iraniano que mora em Istambul, concorda. “O acordo nuclear é parte de umha estratégia maior para trazer o Iram de volta ao redil internacional”, dixo em umha entrevista com Al-Monitor. Acrescentou: “[O presidente dos EUA, Barack] Obama calculou que o Iram é estável e que o regime está no controle e é, portanto, relutantes em fazer negócios com atores nom-estatais, como o PJAK e o KDPI.”

O Recorde do Iram em direitos humanos é, sem dúvida horrível e os curdos estam entre os mais atingidos. “Nós sofremos de umha dupla discriminaçom, porque somos principalmente sunitas”, dixo Javid. As estimativas variam, mas quase metade dos estimados 10 milhons de curdos do Iram som provavelmente xiitas.

A República Islâmica tem as maiores taxas de execuçons no mundo depois da China. Organizaçons de direitos humanos dim que estas estam em ascenso apesar das promessas de Rouhani de apagar essa mancha. As sentenças de morte forom efectuadas contra mais de 740 presos em 2014, marcando um aumento do 10% sobre o ano anterior. E pelo menos 350 pessoas forom executadas até agora este ano.

Entre eles, estavam seis presos curdos na prisão Raja’i Shahr em Karaj, oeste de Teeram, que forom enforcados em março. As suas famílias nom forom autorizadas para recuperar os seus restos ou para assistir aos seus enterros. Os homens, todos sunitas, forom condenados por acusaçons de “morahebeh” (“inimizade contra Deus”) por suposta participaçom na violência nacionalista curda e salafista. El calcula que existem polo menos 30 prisioneiros curdos atualmente no corredor da morte, a maioria por supostas ligaçons com o PJAK.

Peshmergas PDKI

Naseem Saman, que foi condenado à morte em abril de 2013 sob essa acusaçom (e por supostamente participar de um tiroteio contra o Corpo de Guardas da Revoluçom Islâmica) é um dos casos raros de ter chamado a atençom internacional. Isso ocorre porque Naseem tinha apenas 17 anos no momento da sua detençom em 2010. Ele foi brutalmente torturado por 97 dias até que, ainda com os olhos vendados, assinou umha confissom. Citando a Convençom sobre os Direitos das Crianças, que proíbe a execuçom de delinquentes juvenis, grupos de direitos humanos internacionais tenhem apelado às autoridades iranianas para desfazer a sua sentença, mas com poucos resultados. O 18 de fevereiro, um dia antes da sua execuçom programada, Naseem foi transferido para um destino desconhecido da prisom de Orumieh, na província do Azerbaijam Ocidental. O seu destino permanece em um mistério.

O PJAK afirma que é o movimento mais influente curdo no Iram com “milheiros” de luitadores e tem o poder de obter os direitos dos Curdos. Mas os rebeldes forom forçados a chamar um cesse-fogo em setembro de 2011 e retirar as suas forças para Qandil na sequência de umha enorme ofensiva do Exército iraniano, que deixou centenas de mortos.

Os rivais do PJAK chamam-nos os rebeldes intrusos. Isso ocorre porque o PJAK foi criado por um outro equipamento de guerrilha curda com raízes turcas: o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), que vem combatendo dentro e fora de autonomia curda desde 1984 no interior da Turquia.

Enquanto o PJAK nega quaisquer laços formais com o grupo, vem a Abdullah Ocalan, o líder preso do PKK, como o seu próprio. Também repete mecanicamente na sua conversa “Confederalismo democrático”, umha forma de autonomia política que é inspirado polo falecido americano radical Murray Bookchin. Retratos gigantes de um Ocalan bigodudo penduram na cabana onde Al-Monitor se encontrou com Javid. Conversamos em turco, a principal língua de comunicaçom no âmbito do PKK.

Ahmet Sumbul, um veterano jornalista curdo da Turquia, que recentemente voltou de umha visita secreta da regiom curda do Iram, dixo à Al-Monitor que imagens de Ocalan som umha visom comum nas casas de pessoas comuns. “O PKK e o PJAK parecem estar recrutando mais do que qualquer outro grupo”, dixo.

Os confrontos entre o exército turco e o PKK praticamente pararom assim que prosseguem as negociaçons de paz irregulares com o governo turco. O intervalo tem permitido os rebeldes expandir a sua influência no Iraque e na Síria, onde eles e seu procurador sírio, Unidades de Defensa do Povo (YPG), estam luitando contra os jihadistas do ISIS com a ajuda do poder aéreo dos Estados Unidos. Voluntários curdos iranianos correrom para ajudar a libertar Kobani, umha cidade curda da Síria na fronteira com a Turquia, que surgiu como um símbolo mundial de resistência curda.

A crescente popularidade do PKK irrita aos seus competidores.

“Eles nom som um partido curdo iraniano, eles som um produto do PKK”, di Abdullah Mohtadi, que lidera o Partido Komala do Curdistam iraniano, outro grande grupo curdo iraniano.

Durante uma entrevista de três horas na sede do seu partido na periferia de Sulaimaniyah no Curdistam iraquiano, Mohtadi descreveu os altos e baixos do movimento curdo iraniano. Como muitos políticos curdos iranianos, Mohtadi vem da aristocracia curda, ainda defende pontos de vista de esquerda. Falando em um Inglês impecável, lembrou o auge após a Revoluçom Iraniana de 1979, quando Komala e KDPI de Ghassemlou controlavam amplas faixas de território ao longo da fronteira com o Iraque. O regime clerical recém-instalado do Iram estava encalhado em umha sangrenta guerra com o Iraque e fazia a vista grossa.

Mas a história repetiu-se. Quando a guerra terminou, o regime reafirmou o control. Milheiros de curdos iranianos forom mortos. Aqueles que sobreviverom fugirom para o Iraque. Komala e o KDPI começarom a luitar entre si e forom forçados a recuar para o Iraque também. Hoje, os partidos tornarom sombras dos seus antigos eus com seus homens nom contados em milheiros, mas em centenas. Rixas internas amargas levarom a cisons. Existem agora dous partidos Komala e dous KDPIs.

Khalid Azizi, o líder de umha das facçons do KDPI, atribuí tais diferenças a “um choque de personalidades.” El concorda que, para ser eficaz, os grupos curdos iranianos precisam-se unir. “Estamos tentando-o”, dixo a Al-Monitor.

Mas outras autoridades do KDPI expressam ceticismo.

O Comando central do KDPI perto da cidade curdo iraquiana de Khoya tem umha sensaçom surrealista. Luitadoras jovens com fuzis Kalashnikov pendurado sobre os seus ombros passeam em jardins verdejantes. Umha das mulheres que se identificou como “Sahra”, dixo que ela era de Mahabad. Juntou ao KDPI há três meses. “As mulheres nom tenhem direitos no Iram. Aqui eu me sinto livre, eu vivo como eu escolho”, dixo Sahra.

Mina, 25 anos, chegou há quatro meses. “Eu vim para luitar por um Curdistam independente”, dixo.

Azizi insistiu, no entanto, que o seu partido nom tem esse objetivo e repetiu o famoso slogan do KDPI, “Democracia para Iram, Autonomia para o Curdistam.”

Mas ainda nom está claro quam efetivo o grupo é para além das fronteiras desta combinaçom. “Todas esses partidos estam congelados no passado e completamente dependente dos curdos iraquianos”, dixo Vali. El acrescentou: “Eles nom figerom nengum esforço por criar um movimento clandestino dentro do Iram, acreditando que o regime iria implodir. O cálculo provou ser errado. ”

O vazio político está sendo preenchido polo PJAK e o PKK. Mas Vali acredita que a sua influência continua a ser limitada também. “Qualquer parte que estabelece umha fórmula para todos os curdos nom é realista”, dixo.

Por Amberin Zaman
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Publicado em inglês por e-kurd.

O Novo Oriente Médio: Turquia, Iram e um Curdistam independente

A YPG sniper watches the destruction in Kobane. (c) Associated Press Por Hamoon Khelghat-Doost e Govindran Jegatesen para International Policy Digest

A formaçom geopolítica atual do Oriente Médio nasceu sobre as cinzas da Primeira Guerra Mundial e da queda do Império Otomano. Hoje, no rescaldo da Primavera Árabe e a ascensom do Estado Islâmico (IS) no Iraque e na Síria de forma semelhante pavimentou o caminho para mudanças drásticas na regiom. Umha cousa, porém, permanece igual – a exclusom do povo curdo. Assim como foi há um século, o novo mapa do Oriente Médio, mais umha vez ignorou o futuro do povo curdo. Os curdos como naçom foram ignorados na formaçom geo-política anterior da regiom e o seu futuro no novo Médio Oriente nom parecem ter muita promessa também. Ao que parece, em geral, a atualidade e futuro dos curdos está intimamente ligada às políticas dos seus temíveis vizinhos, Turquia e Iram.

No final de 2013, Ancara iniciou umha nova aproximaçom à questom curda através do estabelecimento de relaçons mais estreitas com o PKK na Turquia e o Governo Regional Curdo do Iraque. Este movimento elevou as esperanças do povo curdo de um possível apoio da Turquia contra o ISIS. No entanto, o oposto provou ser verdade – apesar do optimismo inicial, os curdos forom abandonados pola Turquia diante dos ataques do ISIS no Iraque e Síria.

A falta de umha perspectiva promissora para umha intervençom militar total liderada polos Estados Unidos, tanto a Síria e o Iraque aumentou muito a pressom global e pública contra o governo turco e a sua força militar por permanecer em silêncio, apesar dos sangrentos confrontos em curso entre o ISIS, as forças iraquianas do governo central e a milícia curda no Iraque e algumhas partes da Síria. Em umha evoluçom mais recente, o governo turco também é criticado por negar a autorizaçom à coalizom liderada polos EUA de utilizar as suas bases contra o ISIS.

Desde o início na crise síria, as políticas externa e de segurança turcas foram firmemente estabelecidas para o apoiar os grupos e atividades da oposiçom que contribuíram para a derrubada do presidente Assad. No entanto, a Turquia também tivo as suas reservas ao respeito do apoio aos grupos de oposiçom curdos na Síria, por medo de perturbar o equilíbrio de poder na Síria e Iraque em favor dos curdos. Ankara era da opiniom de que o apoio dos grupos curdos anti-Assad teria reforçado a causa curda pola independência que pode, pola sua parte ameaçar o futuro da segurança nacional turca. Ao mesmo tempo, a Turquia considerou a crise síria umha plataforma adequada através da qual poderia-se conter a hegemonia estratégica xiita do Iram na regiom. A realidade no entanto, nom correspondem às expectativas da Turquia.

O surgimento do IS, a necessidade do EUA para estender um acordo com o Iram sobre o seu programa nuclear, e os erros estratégicos do Governo Regional Curdo (KRG) do Iraque provou em conjunto ser trocadores de jogo para a Turquia – fatores que acabaram por se revelar favoráveis para o Iram. Na ausência de ajuda prática turca, a KRG virou-se para o Iram procurando assistência na luita contra o IS. Os apelos de ajuda da KRG foram prontamente respondidos polo Iram, que se tornou no primeiro país a fornecer abertamente à KRG com armamento adequado e treinamento militar.

Esta última análise, deu ao Iram umha mao superior nos assuntos políticos e militares do Curdistam iraquiano, e reduziu a influência turca na regiom. Este movimento ousado pelo Iram em arrancar a autoridade na regiom foi tolerada por os EUA, como a administraçom Obama estava a precisar de intermediaçom de um acordo com o Iram sobre as negociaçons nucleares em curso. Consequentemente, através do seu papel na luita contra o IS e introduzindo-se como o único amparo Regional dos curdos, o Iram conseguiu reforçar a sua posiçom contra as potências mundiais no que di a respeito do seu programa nuclear.

Em contraste com as aspiraçons da Turquia, os recentes acontecimentos na Síria suavizarom a posiçom dos EUA contra o presidente Assad. Com o mundo examinando a Turquia pola sua posiçom passiva sobre a crise síria (especialmente o seu silêncio no caso de Kobani), Teeram – polo menos polo momento, parece ser o vencedor nesta crise atual segurando o Médio Oriente.

A influência turca na regiom parece estar a diminuir, enquanto a influência do Iram em territórios curdos continua a crescer; esses fatores – agravados com a posiçom intransigente do Iram contra um Curdistam independente, significaria que a visom curda de um Estado independente na nova formaçom geo-política do Oriente Médio tem, mais umha vez, tornar-se um sonho inatingível para o povo curdo.

Publicado por KurdishQuestion.com e traduzido com a sua autorizaçom.

 

Primavera em Rojava, inverno em Rojhelat

por Bruno JänttiTelhados Newroz LUmeA atençom dos mídias aos diversos processos políticos curdos dentro das áreas turcas, sírias e iraquianas do Curdistam aumentou significativamente com o surgimento do IS (Estado Islâmico). Mas apesar do crescente interesse do Ocidente na política curda, umha parte fundamental e ampla da área do Curdistam ainda permanece fora dos focos dos mídias – Rojhelat, o Leste ou Curdistam iraniano como é conhecido, que é o lar de a segunda maior populaçom curda.

Em comparaçom com os seus homólogos de outras partes do Curdistam, as forças progressistas curdas iranianas e as suas estruturas organizativas sofrerom mais severamente e enfrentam maiores desafios.

Rojava, a regiom curda no norte da Síria, está passando por (e, possivelmente, cimentando) umha revoluçom; o Curdistam iraquiano está manobrando na direçom à umha autonomia mais concreta; e o governo turco foi obrigado a iniciar o diálogo com o (Partido dos Trabalhadores do Curdistam) PKK principalmente em termos de organizaçom. Nestas áreas, um elemento esperado das Primaveras árabes ainda está no ar e as perspectivas de um avanço na direçom da autodeterminaçom curda som reais. Mas em Rojhelat, o regime islâmico do Iram presidiu um inverno de 30 anos que mostra poucos sinais de desaparecer.

Na década de 1940, as facçons nacionalistas curdas iranianas garantirom um grau de independência do governo central do país, durante um curto período de tempo. A cidade essencialmente curda de Mahabad no noroeste do Iram tornou no palco principal do país para o separatismo curdo. Após a Segunda Guerra Mundial, e com o apoio soviético, umha breve República de Mahabad foi declarada, embora a república incipiente englobava apenas umha parte do Curdistam iraniano. Em parte devido à pressom britânica e americana, a Uniom Soviética retirou totalmente do Iram, em 1946. Com a sua retirada, e apenas com um apoio limitado do curdos iranianos, Teeram restabeleceu o control total de Mahabad e o projeto separatista foi esmagado.

Em 1979, quando 2500 anos de monarquia persa chegou ao fim com a expulsom de Mohammad Reza Shah Pahlavi, umha forma diferente de autoritarismo caiu sobre o Iram. Umha vez que a revoluçom iraniana se tornou irreversivelmente islâmica, o novo regime consolidou o seu poder em todo o vasto país.

Ao mesmo tempo, grandeMOças Rohjelat 01s segmentos da populaçom curda do Iram começarom o que se tornou na maior de muitas revoltas no país. A rebeliom curda de base popular era, em grande parte, de tendência socialista, que poderia ter levado a melhorias sociais radicais na era pós-xá, foi recebida com umha das contra-insurgências mais meticulosamente executadas e ferozes da história pós-Segunda Guerra Mundial. O regime islâmico trouxo a Guarda Revolucionária e a Força Aérea e despedaçarom sistematicamente as estruturas políticas que dirigiam a insurreiçom.

O experimento da República de Mahabad na década de 1940 nom conseguira mobilizar umha participaçom Popular a grande escala; portanto, foi eliminada polo governo central, sem massacres. No entanto, a revolta de orientaçom socialista dos curdos iranianos após a derrubada do Xá era um amplo movimento popular: o regime só foi capaz de colocá-lo para baixo, usando a violência do Estado. A cidade de Sanandaj era um centro proeminente da organizaçom socialista curda, e foi um dos principais alvos da imensa operaçom de contra-insurgência. Só entre 1979-1982, estima-se que cerca de 10.000 curdos iranianos – umha parte substancial deles ativistas políticos e civis – forom mortos por forças do governo.

Pouco parece ser conhecido sobre esses eventos fora do Iram e do Curdistam; quase nada publicado na Europa ou os EUA, e da aniquilaçom quase total dos movimentos progressistas curdos iranianos parece território em grande parte desconhecido para a esquerda ocidental, especialmente para as geraçons mais jovens.

As estruturas políticas promissoras da Rojava, e a guerra travada polas forças curdas sírias e do PKK contra o IS, merecem a visibilidade no mundo ocidental. Maior apoio externo para as aspiraçons políticas em Rojhelat, também, beneficiariam essa menos conhecida política da esquerda curda.

Bruno Jäntti é um jornalista especializado em política internacional.

O artigo foi publicado originalmente em inglês em Le Monde Diplomatique e traduzido ao galego com o consentimento explícito do autor.