O Perigroso jogo da Turquia na Síria ameaça todo Oriente Médio

Turkey DangerousPor Cihad Hammy

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan e Vladimir Putin reunirom-se recentemente para abrir um novo capítulo nas relaçons turco-russas, normalizar laços até entom tensos entre os seus países. Esta tensom começou no ano passado, quando a Turquia derrubou um aviom russo que estava violando o espaço aéreo turco. Este novo capítulo muda drasticamente toda a cena do conflito Sírio.

No centro deste novo desenvolvimento encontra-se o antagonismo profundamente arraigado de Ancara em relaçom os curdos, tanto na Síria como em Turquia. A fim de antecipar os planos curdos para conectar os três cantons de Afrin, Kobane e Jazeera, Ankara adotou medidas para normalizar as relaçons com a Rússia, o Iram e a Síria, e ganhar o seu apoio a umha intervençom militar no norte da Síria.

 Tensons de Washington e Ancara sobre os Curdos Sírios

Washington tem um sucesso notável na melhoria da sua coordenaçom com os curdos sírios para destruir o ISIS, que é agora a prioridade de Washington no conflito Sírio. A coalizom internacional liderada polos EUA estabelecerom umha parceria bem sucedida e eficaz com as Forças Democráticas da Síria (SDF). Esta força, liderada polas YPG curdas, inclui diversos povos da regiom do norte da Síria, ou seja, árabes, assírios, armênios, Turcomanos, e facçons circassianas e grande número das Unidades de Proteçom das Mulheres (YPJ).

As forças das SDF e das YPJ som eficazes em derrotar e tomar cidades do Estado Islâmico no leste e norte da Síria. Por isso, ganharom a confiança das instâncias de decisom dos EUA e agora som apoiados por ataques aéreos dos EUA e forças especiais. Sob este modelo, a cidade mais recentemente libertada foi Manbij, umha cidade altamente estratégica, que serviu como centro nas principais rotas de abastecimento do ISIS. O sucesso de Manbij cortou o ISIS com o exterior e agora os impede de mover aos seus combatentes da Síria para realizar ataques terroristas na Turquia e na Europa.

No entanto, o governo de Erdogan está extremamente descontente com o apoio que Washington fornece às SDF porque fortalece ao Partido da Uniom Democrática (PYD), um grupo curdo ideologicamente vinculado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), o odiado inimigo interno da Turquia. Ancara rejeita qualquer entidade que ostente a aparência de auto-governo curdo, tanto em Ancara ou ao longo da sua fronteira sul, e considera o PYD como parte do PKK. Em fevereiro passado, umha delegaçom, incluindo o enviado dos EUA para a coalizom internacional contra o ISIS, Brett McGurk, reuniu-se com as YPG. Isto levou a Erdogan a exigir furiosamente que Washington optara entre el ou os curdos sírios. “A quem quere de parceiro, a mim ou os terroristas de Kobane?” dixo Erdogan a jornalistas no seu aviom quando regressava de umha viagem à América Latina e o Senegal.

Nom muito tempo depois do ultimato de Erdogan, Washington respondeu declarando que o PYD nom era umha organizaçom terrorista e os combatentes curdos eram os mais bem sucedidos no combate contra o ISIS dentro da Síria. Além disso, a coalizom liderada polos Estados Unidos enviou autoridades militares e conselheiros para o norte da Síria, a fim de apoiar as forças terrestres curdas na destruiçom do ISIS. De qualquer modo recentemente Washington mudou a sua postura por apaziguar a Ankara e pedindo as forças das YPG “recuar para o leste do Eufrates”. Embora esta seja umha vitória diplomática que Ankara ganhou mudando a sua política externa e buscando apoio de Moscou, o Iram e a Síria, isso nom significa que os laços entre os curdos sírios e os EUA foram completamente cortados.

Novas aproximaçons de Ancara e as suas reflexons sobre os curdos

Durante quase um século, os estados-naçom do Oriente Médio se unirom no combate e repressom dos curdos. Hoje, a aproximaçom de Ancara com a Rússia renova esta dinâmica, abordando nom só a sua própria agenda anticurda, mas também a de Síria e Iram.

Para Assad, a aproximaçom ajuda a manter o seu regime centralizado porque o projeto político que os curdos na Síria estam realizando tem como objectivo desmantelar o poder do Estado-naçom centralizado e em vez disso tenta capacitar as pessoas em torno de instituiçons de base. O regime também pode encontrar a oportunidade para retomar territórios no leste da Síria agora sob control curdo. Na verdade, a última luita entre o Exército sírio e as YPG em Hesekê pode ser interpretado como um gesto de boa vontade por parte do regime em relaçom a aproximaçom de Moscou com Ancara. Em troca, Ancara pode cortar o apoio de grupos islâmicos autoritários em luita contra Assad em Aleppo e direcionar estes grupos-islâmica -authoritários contra os curdos no norte da Síria. (Algo que está acontecendo agora em Jarablus.)

Teeram como Ancara, teme que os curdos sírios vaiam incentivar aos curdos iranianos a se revoltar e exigir os seus direitos cívicos e culturais. Umha revolta curda no Iram ameaça o seu regime islâmico e a segurança nacional. Iram pode deixar de lado velhas tensons com Ancara e cooperar na luita contra a maior “ameaça perigosa”, os curdos. Quanto a Moscou, a nova aproximaçom ajuda a manter no poder a Assad.

Para evitar mais autonomia dos curdos, Ancara enviou as suas tropas de terra no norte da Síria, a fim de antecipar-se a ligaçom dos cantons curdos de Kobane, Jazeera, e Afrin. No entanto, a fim de intervir no norte da Síria a esta escala, eles deveram ter tido a aprovaçom de Moscou e Teeram. Tendo feito isso, eles agora estam usando tropas e grupos islâmicos autoritários como Faylaq al-Sham, Ahrar Alsham, Sultan Murad, e o batalhom Nour al-Din al-Zenki para tomar o control de Jarablus e Al Bab.

É óbvio que a chamada guerra de Ancara contra o Estado Islâmico (ISIS), em Jarablus foi apenas umha substituiçom de combatentes do ISIS por outros grupos islâmicos autoritários que som cópias dos jihadistas. A “luita” contra o ISIS em Jarablus testemunhou que nom há armadilhas, nom há franco atiradores do ISIS, nom há lutadores à espreita do ISIS usando escudos humanos, nom houvo ataques a bomba, sem nom houvo resistência do ISIS. Nom houvo luita em Jarablus, mas sim ordes dadas polo governo turco e a realizaçom dessas ordens polos seus “soldados”. Isso ficou claro para os meios de comunicaçom internacionais e a opiniom pública e nom puido ter escapado à atençom dos governos ocidentais.

 Apoio dos Jihadistas da Turquia Mostra as Aspiraçons Neo-otomanas Estam Bem Vivas

Nom é umha coincidência que o 24 de agosto, o mesmo dia em que Ankara invadiu a Síria, é o mesmo dia da Batalha de Marj Dabiq. A batalha tivo lugar em 1516-1517 entre o Império Otomano e o Sultanato Mamluk e terminou em umha vitória otomana e a conquista de grande parte do Oriente Médio. O simbolismo da batalha de 500 anos atrás foi muito usado na Turquia antes da operaçom e é um sinal da continuaçom da mentalidade expansionista do governo turco. Embora o governo afirma que nom está na Síria permanentemente, a tentativa é colocar umha regiom sob control islâmico e a mentalidade que ocupava o Oriente Médio há 500 anos. O movimento é também umha mensagem ao mundo inteiro de que a Turquia ainda é um jogador no jogo da Síria e nom pode ser ignorada.

No entanto, a intervençom de Ancara nom será um piquenique turístico, mas sim um pesadelo carregado com perdas militares e humanas. Já vários tanques turcos forom destruídas e um soldado foi morto no sul de Jarablus. Turquia lançou ataques aéreos em Afrin (sudoeste) e Ain Diwar (sudeste) e dirigiu os seus tanques para a fronteira de Kobane para erigir um muro. Mas el está sendo recebido com resistência em todos os lugares, e nom só dos curdos, mas de árabes -quem Turquia alega estar liberando dos curdos- e outros grupos etno-religiosos.

Mapa Jarablus Manbij Al BabA Intervençom da Turquia vai aumentar a violência na Síria e na Turquia

Os governos ocidentais e dos Estados Unidos som forças pragmáticas; eles só ajudam movimentos ou estados quando se trata de proteger os seus próprios interesses. A este respeito, os EUA ao que parece, está contente com a intervençom turca na Síria porque a sua principal preocupaçom é degradar o ISIS. Como tal os EUA nom se preocupam com os resultados desta intervençom, o que provavelmente vai levar a anos de violência entre o governo turco e os curdos na Síria, e alimentar a violência, guerra e instabilidade na Turquia. A ‘Sirianizaçom’ da Turquia, neste sentido, é cada vez mais provável. Na verdade, cousas tais como democracia, paz e a estabilidade, que som necessários para os povos do Oriente Médio, como o pam e água som de importância secundária ou nem sequer existem na política externa dos EUA.

Nom é necessário ler volumes de saber quem está a favor e tem um projeto para a paz e a democracia na Turquia e no Oriente Médio e quem pode iniciar um fim à confusom atual. Lendo apenas umha página escrita por Abdullah Öcalan – líder curdo e pensador que inspirou o Modelo de Rojava – iria esclarecer quem quer a paz, a liberdade, a democracia, a estabilidade, a convivência, fraternidade, igualdade de gênero, e umha sociedade ecológica e ética na Turquia e o Curdistam . Todos esses valores e princípios estam agora sob sete chaves em umha prisom turca. O governo turco nom quer um fim para o conflito; se o figesse, teriam acabado com o isolamento de Öcalan para lhe permitir desempenhar um papel eficaz no fortalecimento do estagnado processo de paz. Em vez disso, optou por prosseguir a sua política de isolamento de Öcalan e dos políticos curdos em geral, mesmo após a recente tentativa de golpe.

Isso deixa apenas umha coisa para os curdos: a resistência. Porque a resistência é a única cousa que pode trazer o Estado turco de volta a qualquer tipo de mesa de negociaçom. Como o co-presidente do PYD, Saleh Moslem, dixo após a intervençom de Ancara na Síria, “A Turquia vai perder muito no lamaçal da Síria, e seram derrotados como o Daesh (ISIS).” Agora, apenas umha derrota turca rápida pode salvar a regiom. A alternativa é que todos os envolvidos perdam.

Jihad Hammy é um curdo de Kobanê. Ele era um estudante de literatura de Inglês da Universidade de Damasco antes de fugir devido à guerra civil na Síria.

Artigo publicado em Kurdish Question.

 

 

 

 

 

ISIS contra Al-Qaeda e o jogo duplo das monarquias árabes

Bruno Lima Rocha*, especial para o Jornalismo B

A nova força do integrismo sunita é o denominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS). A diferença de outros grupos, como a rede coordenada pela Al-Qaeda, é o fato deste movimento armado e religioso organizar-se sobre uma base territorial tanto na Síria como no Iraque. Na prática, a ascensão do ISIS e a proclamação do Califado sob comando do teólogo Abu Bakr al-Baghdadi é o início do fim do Acordo Sykes-Picot, estabelecido entre França e Grã-Bretanha para dividir e retalhar os espólios de dominação do Império Otomano, derrotado na 1ª Guerra Mundial. As fronteiras pós-coloniais do Mundo Árabe são, em sua maioria, uma ficção jurídica delegando poder a chefes de caravanas beduínas transformados em monarcas. Os herdeiros da bênção de ingleses, franceses e estadunidenses são os financiadores do integrismo, incluindo fundos para o ISIS, que agora marcha pelas próprias pernas.

ISIS-iraque

O Estado Islâmico movimenta em torno de um milhão de dólares por dia liberando o fluxo de oleodutos instalados na Síria e no Iraque comercializados através do chamado mercado negro. Além desta fonte de recursos, tem um fluxo financeiro constante, sequestra vítimas e opositores nos terrenos onde opera para fins de extorsão, também contando com os clássicos elementos de ligação com as redes de inteligência operando dentro e fora dos círculos islamistas. Hoje o ISIS teria, aproximadamente, um contingente de 30.000 combatentes no antigo território da Síria e outros 50.000 no Iraque. Está armado com veículos leves, blindados com lagartas, conta com artilharia móvel e alguma defesa anti-aérea. O califado executa com perfeição a guerra de mobilidade e tenta criar uma limpeza cultural e religiosa nos territórios onde circula.

O trunfo do ISIS é se auto-financiar, não necessitando exclusivamente dos apoios e recursos vindos das monarquias árabes sunitas, como Arábia Saudita, Bahrein, Iêmen, Qatar, Kuwait, Omã e Emirados Árabes Unidos. Além destes Estados, outros magnatas e monarcas do mundo árabe têm fortalecido a capacidade operacional de grupos jihadistas, em geral vinculados a Al-Qaeda.

O volume de recursos vindos do Qatar e sauditas para os integristas sunis lutando na Síria contra o governo Assad fez o feitiço virar contra o feiticeiro. O principal braço da Al-Qaeda na região, a Frente Al-Nusra, tem de combater seus adversários no mesmo campo.  O ISIS é a força jihadista hegemônica do Despertar Sunita. Foi graças a este levante dos “iraquianos” que eram protegidos por Saddam Hussein e que se viram à mercê do governo xiita Al-Maliki no Iraque, somados a capacidade operacional de ex-combatentes do partido Baath, que o ISIS se torna independente da Al-Qaeda e projeta uma estratégia própria.

A melhor forma dos EUA combaterem o ISIS, do ponto de vista estratégico, é utilizar de supremacia aérea e acabar com a infra-estrutura do inimigo. Mas, tal guerra será sempre limitada para não destruir completamente instalações petrolíferas, algo impensável para o lobby do petróleo.

*Bruno Lima Rocha é professor de relações internacionais e de ciência política – estrategiaeanalise.com.br.

 

O Atentado Contra o Charlie Hebdo, Nada Que Ver Com A Liberdade De Prensa

07-je-suis-charlie-hebdo-paris.w529.h352.2xMas veces das que gostamos, o barulho nom nos deixa ver o conxunto. Vam quase 24 horas do assassinato de 12 pessoas vencelhadas à revista Charlie Hebdo em París e nom paro de escoitar alegatos em defesa da liberdade de prensa, alegatos ditos por pessoas e empresas de comunicaçom que levam mas de 4 anos recortando essa mesma liberdade de prensa e esses mesmos direitos que dim agora defender.

Ontes, 7 de Janeiro, o assassinato de 12 pessoas em Paris, nom foi o maior atentado jihadista do dia: 37 pessoas morrerom em Iemem num atentado de carro-bomba, e mas de 20 curdos morrerom ao longo do Curdistam loitando contra o jihadismo…. Mas na Europa “da liberdade de prensa” nom houvo um anaquinho nas novas para falar deles, normal, nom eram ocidentais e sim eram muçulmanos.

Por outra banda, reproducem-se manifestos e declaraçons de muçulmanos dizendo que o atentado e o jihadismo nada tenhem que ver com o Islam. Nom fixo falta que a dereita europeista figera nengumha declaraçom para que nom a vencelharamos com o Anders Breivik e o seu atentado na ilha norueguesa de Utøya. As mesmas Empresas de Comunicaçom, e os mesmos políticos que potenciam certo clima de islamofóbia som os mesmos que lhe dam publicidade a essas declaraçons, ou ao feito, de que um dos polícias mortos fôsse muçulmano; sem prantexar-se em momento algum todas as suas declaraçons e artigos anteriores.

Mas tratar o atentado de Paris como um feito ilhado sem relaçom com o que acontece noutras partes do planeta, é o normal das empresas de comunicaçom e políticos ocidentais, ampliar o foco tambem levaria parelho amosar a sua responsabilidade nos feitos. Há mas dous anos que o jihadismo (versom Alqaeda, versom ISIS ou salafistas variados) campa por Siria com o apoio,quando menos propagandístico, do Ocidente. Nom foi ate este verao, onde o ISIS fixo-se central desaloxando aos “rebeldes moderados” da Síria, com os que estiveram colabourando, dumha ¼ do território deste país e 1/3 do Iraque, com a conquista de Mosul e o genocídio jazedí de Shingal, junto com o secostro de jornalistas ocidentais, quando Ocidente decatou que tinham criado um problema apoiando ao ISIS e tentarom voltar a umha situaçom anterior inexistente. Nesse momento, só as forças curdas, nomeadamente as YPG/YPJ da Rojava (Curdistam Sírio) e as HPG (milícias do PKK) as que quando todos os demais fugiam, figerom-lhe fronte ao ISIS, conseguindo parar a ofensiva sobre o Curdistam Iraquiano e criando um corredor que permitiu a fugida a 400.000 jazedis curdos. Acçom cum alto custo humano dos que ate o dia de hoje aparecem na lista de organizaçons terroristas da UE e USA.

Os carros-bomba e os atentados com kalashnikov em Ocidente dam boas portadas nos jornais, mas a realidade que vai por tras é bem distinta: amossam o fracasso. Uns o fracasso militar e tentar a utilizaçom de métodos desesperados para desfazer o impás militar; e o outro o fracasso de chegar às massas muçulmanas de ocidente. A corrente de jihadistas ocidentais cara as organizaçons jihadistas que loitam em Síria (ainda que significativo em números absolutos) é irrelevante se temos em conta a povoaçom de origem muçulmana na Europa (5 milhons de pessoas na França e menos dum milheiro de jihadistas, menos do 0,02%). Ao que há que sumar-lhe que a aura de invencibilidade do ISIS está a quedar junto às tumbas dos seus militantes em Kobanê, principalmente. Neste panorama só se lhes ocorreu provocar a islamofóbia de Ocidente, provocar umha reaçom geral anti-muçulmana de cara a que a povoaçom muçulmana europea, maioritariamente anti-jihadista, os veja como os únicos de defendem o Islam. Ignorando ao tempo que Ocidente e Europa nom importa jihadistas, mas bem é um dos maiores exportadores do jihadismo. Eis França, e eis o Front Nationale….
Manuel N. Carvalho
Responsavel do grupo de Facebook Curdistam e deste blogue.