Analisando as YPG: Operaçons e estratégias como Defensores de Rojava

analissando-as-ypgpor Wladimir van Wilgenburg

As YPG (Unidades de Protecçom do Povo curdas) é a força mais eficaz no terreno na Síria luitando o ISIS (Estado Islâmico). Seu sucesso contra o ISIS significa que o “califado” está lentamente entrando em colapso. Apesar do enorme papel que as YPG jogam, pouco se sabe sobre a estrutura e as capacidades do grupo que em 2012 capturou a maioria dos territórios curdos no norte da Síria.

As YPG conseguirom ganhar o apoio da coalizom liderada polos EUA contra o ISIS durante a sua defesa da cidade curda de Kobane em 2014-2015. Desde o assédio de Kobane, os curdos sírios ganharom ainda mais simpatia e apoio do Ocidente como um dos poucos grupos dispostos e aptos para derrotar o ISIS.

Ao contrário dos rebeldes árabes sírios, as YPG nom estám dispostas a trabalhar com islâmistos que som apoiados por Estados sunitas da regiom. As YPG seguem a chamada terceira linha: nom apoiar a oposiçom nem o regime sírio, já que ambos rejeitam qualquer forma de direitos dos curdos. Como resultado, chocam tanto com o regime, como também com os rebeldes sírios.

Contexto

Os três a quatro milhons de curdos sírios nom tinha nengumha experiência da insurgência armada na Síria contra o regime Ba’ath até a guerra civil. Eles nom tinham um partido curdo independente sírio forte e, como resultado, eram dependentes tanto do KDP (Partido Democrático do Curdistam) que focava a luita contra o Estado iraquiano ou o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistam) que luita em Turquia.

Como resultado, muitos curdos sírios juntarom à luita como forças Peshmerga em 1960 e 1970 no Iraque, ou com o PKK contra o Estado turco desde a década de 1980. O regime de Assad por alguns anos concedeu refúgio ao PKK na década de 1990 até que Assad restaurou os seus laços com a Turquia. O uso das bases sírias e libaneses do PKK ajudou a construir o apoio entre os curdos na Síria. O PYD (Partido da Uniom Democrática), ligado ao PKK, foi criada na Síria no 2003.

Portanto, tanto o KDP e o PKK tinham umha base de apoio no norte da Síria e ambos começarom a desempenhar um papel através dos seus representantes e partidos curdos mais pequenos quando o regime Baath sírio perdeu o control sobre grandes partes do norte da Síria em 2012.

A ideia inicial do PKK para formar as YPG iniciou-se no 2004, após o regime sírio reprimiu a revolta curda naquel ano. Grupos de auto-defesa das YPG forom formados mais adiante no 2011 e começou a organizar-se clandestinamente nas cidades curdas.

Primeira Fase

Quando a sede da segurança nacional do regime sírio em Damasco foi bombardeada o 18 de Julho de 2012, matando muitos agentes importantes de segurança, o PYD / YPG viu umha oportunidade e, o 19 de julho, iníciou o que eles descrevem como a “revoluçom de Rojava”. Primeiro tomarom o control de Kobane desde que era umha “fortaleza” do PKK sem presença de forças do regime. A cidade de Afrin foi igualmente tomada rapidamente, mas a província de Hasakah foi mais difícil devido à presença de forças do regime.

A libertaçom progrediu em três etapas: em primeiro lugar, tendo como objetivo o regime nas aldeas que actuavam como bases avançadas das YPG; segundo, confiscando as instituiçons de serviço do regime, tais como centros de electricidade, água e juventude; e terceiro, assumindo as sedes militares, espalhrom-se sobre toda a província, exceto a cidade curda de Qamishli, onde as forças do regime permanecem até hoje.

Como resultado de umha posiçom dominante no chao polas YPG, outros grupos curdos sírios alinhados com o KDP de Massoud Barzani forom marginalizados. Barzani apoiou a criaçom das forças ” Peshmerga de Rojava ‘no Curdistam iraquiano em 2012, que agora luitam na província de Mosul contra o ISIS, mas as YPG nom lhes permitirom entrar em Rojava ao temer umha guerra civil semelhante ao do Iraque curdo na década de 1990 e nom querem a concorrência dos curdos de Barzani.

Segunda Fase

Após a YPG assumiu o control da maior parte dos três enclaves curdos de Kobane, Afrin e Jazira (Hasakah), e assegurou a cidade de Serekaniye (Ras al-Ayn) em 2013, as auto-administraçons locais forom criadas para organizar a administraçom em três cantons separados em janeiro de 2014. Após isso, o principal objetivo das YPG era unir esses cantons em um território contíguo no norte da Síria.

As YPG também moveu-se para recrutar nom-curdos e trabalhar com tribos árabes locais e grupos cristians. Isto resultou, em setembro de 2014, em uma sala de coordenaçom conjunta com o FSA (Exército Livre Sírio) em Kobane. Receando essa coordenaçom receberiam apoio dos EUA, o ISIS assediava Kobane em setembro de 2014, mas foi derrotado lá em Março de 2015. Em Junho de 2015, as YPG empurrado mais e uniu os cantons de Kobane e Jazira, com o apoio dos Estados Unidos, através da captura de Tel Abyad. A avançar este movimento, as YPG criou a multi-étnica SDF (Forças Democráticas da Síria) em outubro 2015.

O objetivo das YPG agora é unir todos os cantons com as SDF, e configurar umha regiom federal no norte da Síria e Rojava, num prazo de três meses. Em maio de 2016, as SDF lançarom umha nova operaçom, com o apoio dos EUA a tomar a cidade estrategicamente crítica de Manbij. Com esta operaçom que foi concluída o 12 de agosto, as YPG esperavam unir as suas administraçons através de Manbij e al-Bab cara Afrin.

Consideraçons Finais

Parece que a Turquia fixo acordos com o Iram e Assad para parar a criaçom de umha regiom federal no norte da Síria.

O PYD conseguiu ganhar umha posiçom dominante no norte da Síria através das YPG, enquanto os partidos ligados ao KDP estam marginalizados no chao. As YPG conseguirom dominar rapidamente, devido ao planejamento cedo, Rojava, enquanto os partidos apoiados por Barzani nom estavam preparados, e inicialmente apoiarom ‘a revoluçom síria pacífica “. As YPG forom formadas antes dos Peshmerga de Rojava, e já se tornarom em autoridade de facto no terreno. Foi também mais arriscado para Barzani envolver-se na guerra civil síria, tendo que proteger a regiom autônoma do Curdistam no Iraque.

As forças das SDF acabam de derrotar o ISIS em Manbij, mas a questom é se a coalizom liderada polos EUA permitirá que as SDF marchem sobre mais cara Afrin, ou se vam empurrá-los para se concentrar em Raqqah, onde os curdos som relutantes a ir. Além disso, a intervençom da Turquia, na cidade de Jarabulus no último mes visa prevenir a unificaçom das auto-administraçons locais no norte da Síria. Parece que a Turquia fixo acordos com o Iram e Assad para parar a criaçom de umha regiom federal no norte da Síria e apoia os rebeldes sírios a tomar Jarabulus. Isto poderia criar mais desafios para as YPG. No entanto, é evidente que as SDF seram um parceiro fundamental de Ocidente, atee que a ameaça do ISIS exista na Síria.

 

Wladimir van Wilgenburg é um analista da política curda para Jamestown Foundation e jornalista freelance. Está atualmente em Qamishli, Rojava, norte da Síria, realizando um projecto de investigaçom sobre os curdos sírios para o Instituto Iraquiano de Estudos Estratégicos (IIST), financiado polo International Development Research Centre (IDRC). He tweets at @vvanwilgenburg.

 

Publicado em The London School of Economics and Political Sciences.

 

 

O Inimigo do meu inimigo. Receita para o abismo

Cierzo 00Por Cierzo Bardenero

Recomendamos a leitura deste artigo para aqueles que “querem saber, entender e opinar” além de “bons e maus” no grande conflito no Oriente Médio. Titulares exagerados, e o sectarismo na imprensa e redes, fam desanimar o leitor ou resultam tendências xenófobas quando se afronta este conflito. E este artigo contribui como poucos a construir umha opiniom fundamentada.
Zabaltzen

[Este artigo de começos do outubro do 2014, quase dous, mantem as linhas gerais do que aconteceu, e está aconcento no Oriente Médio. Às vezes fam falha artigos que mais que analissar os feitos pontuais elevem o foco e deam a visom global do por que se chegou a esta situaçom. Logo de andar tempo perdido pola computadora penso que segue tendo a mesma claridade e interesse que quando foi escrito]

Só depois que Sinjar no qual dúzias de milheiros de pessoas pertencentes a minoria religiosa Jazidi foram condenados a conversom ou extermínio, e especialmente após a execuçom do jornalista americano James Foley, a opiniom pública ocidental descobriu a existência do Estado Islâmico (EI), ISIS, ou ISIL. O EI é umha organizaçom que usa a violência extrema para implementar o seu programa político-religioso sobre os territórios que ocupa na Síria e no Iraque, cujo objetivo declarado é a criaçom de um califado islâmico nos territórios pertencentes ao Iraque, Síria, Líbia, Palestina , Sinai e Chipre prévio ao estabelecimento do califado global. Mas chegar a esta situaçom foi trabalho de todos os protagonistas da área nas décadas anterioas em umha absurda estratégia política baseada em: “O inimigo do meu inimigo nom é meu amigo … mas pode ser útil. O que levou a umha contenda em múltiplas frentes que seguem a ocorrer na Síria, Iraque e Líbano com potencial para expandir-se para outros países do Oriente Médio. ”

Oriente Médio
Mapa do Oriente Medio

IraqueSíria

 Um dos pilares fundadores dessa estratégia é a divisom entre os ramos sírio e iraquiano do partido Baath nesses países que governarom depois de umha fusom entre elas e o Egito (Nasser) em 1963, que falhou pouco depois do nascimento. Ao longo do tempo as relaçons entre eles forom provocando cada vez mais purgas freqüentes de militantes Baath em ambos os ramos de militantes acusados de simpatizar com o ramo do outro país. A cousa intensificou a meados dos anos 70 em que umha organizaçom terrorista misteriosa ligada à Irmandade Muçulmana começou a atentar contra políticos, militares e pessoas de profissons liberais de confissao alawi (o mesmo que Al Assad e a cúpula do partido Baath sírio) e suspeitava-se que estava financiado polo ramo iraquiano do partido Baath (do deposto Saddam Hussein). Esta campanha terrorista foi ainda mais dura e transformada em guerra aberta desde 1979 em que foi visto como umha clara tentativa de exterminar a povoaçom alawi síria, que foi sangrentamente esmagada na massacre de Hama em 1982, enviando a prisom ou ao exílio ao islamistas sobreviventes.

A oportunidade para a vingança (e por duas vezes) viu depois da morte de Hafez al-Assad e a sua substituiçom à frente do país começou na última década. Bashar al-Assad, numha tentativa de tímida abertura abriu a porta para os Irmaos Muçulmanos presos e até brincou a legalizar esta organizaçom e outras, para transformar o país em umha democracia de estilo ocidental, mas em um gesto incompreensível de EUA, naquela época estava envolvido na derrubada de Saddam Hussein, em vez de atrai-lo a coligaçom, dedicou-se a torpedear a abertura e impor sançons à Síria que fecharom a porta a umha transiçom para a democracia e levou a segurança da Síria a promover a transferência de membros da Irmandade Muçulmana liberadoa a fazer a jihad contra os americanos que ocupavam o Iraque e acessoriamente facilitar a entrada de membros da Al Qaeda ao Iraque pola província de Al Anbar.

Apesar de que ao princípio Al Qaeda recebeu um forte apoio da povoaçom árabe sunita na sua luita contra os americanos e o governo de Bagdá (nas maos da maioria xiita) ao longo do tempo e devido ao seu o sectarismo e intolerância transformou-se em um problema tam grande que até mesmo as tribos sunitas e o governo dos EUA juntaram forças para combatê-los e reduzir à prática marginalizaçom AQI [AlQaeda de Iraque], e a cousa teria seguido assim se nom for porque na Síria o mesmo que erguerom em 1964 e 1976 -82 novamente erguerom em 2011 aproveitando a demandas populares contra a inflaçom, o custo de vida e a falta de alimentos devido às más colheitas que derivarom em um conflito armado aberto contra o governo, tanto assim que a Irmandade Muçulmana já em 2011-2012 representavam mais do 30% do FSA [Exército Livre Sírio], ao que há de sumar dúzias de brigadas independentes de grupos mais extremistas, como os salafistas, Takfiris e até mesmo um ramo da Al Qaeda chamado Jabhat Al Nusra.

É neste momento em que os EUA e a Europa também começavam a participar da doutrina do inimigo do meu inimigo, enviando armas e equipamentos pesados em colaboraçom com a Turquia, Qatar e Arábia Saudita, e Ocidente alegando que as armas iam destinadas às maos a moderados, a composiçom do FSA fazia que se estivesse equipando com armas pesadas (conscientemente) a brigadas que tinham fortes laços com grupos extremistas e até mesmo Jabhat Al Nusra com a esperança de domar o dragom umha vez que caíra Bashar Assad.

O que ninguém foi quem de prever é um problema na hierarquia do comando dentro da Al Qaeda ia provocar a cisom do ramo iraquiano da Al Qaeda e ista, com o tempo, varrera ou absorvera as restantes brigadas rebeldes, recebendo grandes quantidades de armas modernas, com as que pouderom assaltar o norte do Iraque (de povaçom árabe sunita) que esperava qualquer milícia que poidera enfrentar-se a um governo iraquiano em maos xiitas e curdas e retornar um poder que tinha monopolizado desde o estabelecimento do Iraque apesar de só representar o 25 % da povoaçom.

Em semanas, o Estado Islâmico com um número muito pequeno de homens liderou umha coalizom militar com os restos do baathismo iraquiano que tomou todas as províncias de povoaçom árabe sunita, chegando às portas de Bagdá enquanto limpavam etnicamente de xiitas, cristiaos e jazidis os territórios tomados. O avanço foi tam rápido e o colapso do Estado iraquiano tam alto que a Jordânia e a Arábia Saudita pugeram-se em alerta máxima para prevenir umha possível invasom dos seus respectivos países.

Cierzo 01 Extensom do ISIS a 22 de Setembro do 2014
Extensom do ISIS a 22 de Setembro do 2014

Umha vez consolidado o território no Iraque e proclamado o Califado, o ISIS voltou os seus olhos para a Síria lançando umha ofensiva total com o material de guerra iraquiano (recém doado polos EUA), tanto contra os restantes rebeldes, curdos como contra o Estado sírio, ofensiva que no momento parece imparável quando a suspeita e o ódio das muitas facçons em conflito impede aceitar umha estratégia conjunta para lidar com o ISIS.

Também no Iraque o sectarismo prevaleceu ao feito de parar o ISIS, e assim os curdos aproveitarom para ocupar militarmente os seus territórios históricos no norte do Iraque e em Bagdá era impossível formar um governo ante o impasse de Al Maliki e a divisom dos outros partidos.

Nesta situaçom os EUA e o Iram chegarom a um acordo para substituir al-Maliki como primeiro-ministro e por um candidato do seu próprio partido, também de confissom xiita pero mais diplomático, que resultou na chegada de equipamentos militares e homens do Iram e apoio aéreo norte-americano e que conseguiu deter o avanço do ISIS às portas de Bagdá (onde começa a área do país de maioria xiita) e umha ofensiva contra os curdos, que ameaçava chegar às portas da Regiom Autónoma Curda e a sua capital Erbil e polo caminho fazia um rastro de massacres contra as minorias xiitas, cristians e jaziguis.

Jordânia

O exemplo da Jordânia é um caso de como um país pode ser engolido por um turbilhom que el ajudou a criar e que, em virtude das suas alianças internacionais, no início da guerra civil síria, ofereceu as suas bases para que os Estados Unidos e outros paises treinaram contingentes de jovens sírios o que se chamou o Exército Livre Sírio (FSA) e permitir que a sua fronteira servesse como retaguarda e zona desde onde lançar ataques às províncias do sul de Daraa e Quneitra.

Diante da chamada para a Jihad na Síria centos de jovens radicais dos baluartes radicais de Ma’an e Zarqa e outras grandes cidades juntarom-se às brigadas da Irmandade Muçulmana do  FSA ou a grupos mais radicais como os salafistas de Ahrar al-Sham ou al Nusra. Isso começou a alarmar os serviços secretos jordanianos que temerom o retorno do contingente de milheiros de homes para casa para continuar a jihad.

O surgimento do ISIS terminou por complicar as cousas porque provocou o fracasso das organizaçons rebeldes e assim centos de homes que tinham sido treinados na Jordânia junto com os próprios jihadistas da Jordânia e toneladas de armas passarom a maos do ISIS cujo objetivo declarado era o estabelecimento um Estado islâmico transfronteiriço que incluia Jordânia entre outros.

Enquanto em 2012-2013 os protestos contra o alto custo de vida e a repressom do estado levou a manifestaçons contínuas convocadas pola Irmandade Muçulmana e organizaçons salafistas, muitos deles violentos, em 2014 e com o surgimento do ISIS os protestos resultarom em confrontos armados entre as forças de segurança e partidários do ISIS, como no caso da cidade de Ma’an onde jovens armados expulsarom por dias a polícia e o exército.

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Manifestaçom pró-ISIS em Ma’an Jordânia

Durante os primeiros meses deste ano, as forças de segurança contemplarom o ISIS como um perigo certo embora que geograficamente longínquo e preocuparom-se da repressom interna, mas a apreensom do norte do Iraque ate a passagem fronteiriço Jordâno-Iraquiano e as contínuas deserçons rebeldes cara o ISIS fam aumentar os temores de que estes obtenham as bases para atacar o país desde o norte e leste agindo coordenado com apoiantes internos do ISIS, de modo que os serviços de segurança procederom a rusgas contínuas e de olhar para trás a Israel e tentar reativar os acordos de ajuda mútua em caso de conflito.

Curdistam

Outro cenário onde as rivalidades podem ter levado à catástrofe tem sido a longa luita pola supremacia política no Curdistam entre Barzani e o seu partido (KDP), que governa junto à UPK (PUK) a Regiom Autônoma Curda contra este mesmo partido ao longo da década dos 90 na Regiom Autónoma curda do Iraque, e mais tarde contra o KCK (coordenadora de organizaçons curdas dlideradas polo pensamento de Abdullah Ocalan, preso na prisom turca de Inrali) e que som maioritárias tanto na Turquia como na Síria e no Iram.

Depois de uma breve experiência de autonomia curda no Iraque desde 1970 até o seu colapso em 1974, os curdos do Iraque tiverom que esperar até a primeira Guerra do Golfo para iniciar uma insurreiçom geral curda (e xiita no sul do Iraque) que levou à restauraçom da regiom autônoma curda. Umha vez alcançado o objetivo comum dos curdos iraquianos de todas as ideologias logo começarom as diferenças entre eles, especialmente depois de umhas eleiçons realizadas e um  território nom delimitado povoado por curdos e em que tanto o KDP de Barzani como a PUK de Talabani considerarom ter ganhado, começando em 1994 umha guerra em que tanto um partido como o outro ajudarom-se dos governos e exércitos dos países que os ocupavam.

Cierzo 03Assim em 1996 Barzani recorreu ao exército de Saddam Hussein para ajudá-lo a derrotar as milícias da PUK em áreas onde eles eram minoria causando umha retirada destes para a fronteira com o Iram a partir da qual eles procurarom a ajuda da Guarda Revolucionária e o PKK curdo (que na época já levava umha década de luita contra o estado turco) conseguendo recuperar o território perdido. Dado o envolvimento do PKK no conflito, o exército turco lançou umha ofensiva na Regiom Autónoma curda contra o PKK causando pesadas baixas e estabelecendo um precedente de invasons do norte da regiom autônoma curda com o consentimento do seu governo para acabar com as bases do PKK.

Em 1998, após o bombardeio do Iraque polos EUA para parar a ofensiva iraquiana contra a PUK, foi estabelecida umha zona de segurança no norte do Iraque, a retirada das suas tropas ao sul da zona de segurança, e aprovado um programa da ONU chamado Petróleo por alimentos que forneceu de enormes quantidades de dinheiro a ser geridos pola Regiom Autónoma. A possibilidade de ver fluir grandes quantidades de dinheiro que poderiam gerir conjuntamente o KDP e a PUK levaram a fazer a paz esse ano e compartilhar o poder na Regiom Autónoma curda, um acordo que dura até hoje.

Umha vez que ficou claro supremacia do KDP na Regiom Autónoma Barzani só tinha um rival importante para fazer-lhe fronte como líder dos curdos: Ocalan e o PKK que levava anos de luita contra o Estado turco, e, após a queda do bloco soviético que financiou as suas atividades contra o estado turco através de umha Síria que forneceu umha retaguarda segura e serviu como um intermediário entre o PKK e Moscovo, viu como, ao ver-se sem super-potência protetora contra umha possível agressom turca finalmente assinou um acordo de segurança que implicou a expulsom do PKK da Síria. Assim, Ocalan começou umha turnê por diferentes países na busca de asilo até que foi sequestrado polos serviços secretos turcos na Quênia e preso em uma prisom de máxima segurança.

No início deste século, e depois de alguns anos de prisom, Ocalan abandonou o marxismo-leninismo abraçando o Confederalismo Democrático em umha tentativa de unir os curdos de diferentes países em umha estrutura política sem remover as fronteiras existentes.

Para isso dissolveu o PKK e criou um guarda-chuva em que as organizaçons sectoriais, os partidos políticos e as milícias que aceitaram o Confederalismo democrático estiveram representados e servir como órgao político do povo curdo no seu conjunto chamado KCK (Confederaçom de Comunidades do Curdistam/ Koma Civakên Kurdistán.

Assim, a partir dos pontos propostos por Ocalan forom surgindo um partido político para cada estado (Kongra Gel e formaçons sucessivas que tentam lidar com as ilegalizaçons na Turquia, o PYD na Síria, o PJAK no Iram e no Iraque o PÇDK), um braço armado para cada estado, se a situaçom política o requeria (todos encontrarom as suas milícias necessárias para proteger a povoaçom curda), organizaçons de mulheres, jovens e migrantes fora do Curdistam.

E enquanto a milícia do partido trasladava-se para as montanhas no norte do Curdistam iraquiano, onde sofreu represálias contínuas do exército turco, com a aprovaçom do governo da Regiom Autônoma Curda liderada por Barzani, durante a primeira década deste século, quando se sucederom as tréguas e o retorno às armas até que o governo turco e Ocalan sentarom a negociar umha paz duradoura, negociaçom esta que veu junto com a marcha de todas as milícias do PKK às montanhas de Qandill no Curdistam iraquiano.

O novo discurso de Ocalan logo prendeu nas minorias curdas na Síria e no Iram que sofriam um nível de repressom semelhante ao turco e o PYD e o PJAK tornarom-se em opçons maioritárias nas suas respeitivas comunidades. Tanto assim, que na Síria, como resultado do vácuo de poder pola guerra civil que assola o país desde 2011, o PYD conseguiu atrair a maioria da povoaçom de Rojava de todos os credos e etnias com o seu discurso e erguer um governo autónomo composto por três cantões federais com base nos princípios do Confederalismo Democrático, apesar das reticências do ramo sírio do PDK que manobrou para torpedear o processo, e a recusa em reconhecer a autonomia curda na Síria por Barzani e os órgaos políticos da Regiom Autônoma curda do Iraque.

Outro sinal de hostilidade de Barzani ao projeto político de Ocalan que sofreu o povo curdo, foi o fechamento contínuo da fronteira entre a província de Hassakah e a KRG no mais duro da ofensiva das milícias islâmicas e do ISIS contra os curdos de Rojava aos que qualificavam de apóstatas e militantes do PKK. Este processo vergonhoso culminou em 2014, quando o KRG sumou-se a Turquia ao escavar fossos profundos ao longo da fronteira para impedir a marcha dos curdos (e árabes e assírios) que fugiam da ofensiva do ISIS que pretendia erradicar a autonomia curda de Rojava.

Mas às vezes a história é caprichosa e toma a vingança, no mês de Julho de 2014, e depois de frear  o exército iraquiano a ofensiva do ISIS nas aforas de Bagdá, isso virou os olhos do ISIS contra o Curdistam iraquiano, lançando umha ofensiva contra territórios curdos do norte do Iraque protegidos por Peshmerga mas que nom som a Regiom Autónoma em sentido estrito, forçando a retirar-se aos Peshmergas quase ate as portas de Erbil e deixando à sua sorte a centos de milheiros de curdos que viveram desde tempos imemoriais nessas áreas reivindicadas pola Regiom Autónoma e com a grande desgraça de pertencer a grupos religiosos considerados heréticos polo ISIS, assim que sacrificando as forças de combate das suas respectivas frentes, membros da milícia da KCK da Turquia, Síria e do Iram chegarom à zona para combater o ISIS e evitar a certa massacre da minoria curda e umha vez afastado o perigo formar e armar umha milícia de auto-defesa dos curdos da zona de Sinjar.

Assim, a resposta solidária e altruísta às repetidas mostras de mesquinhez de Barzani trouxa enorme popularidade para a KCK no Curdistam iraquiano, onde o seu braço político (PÇDK) era bastante marginal, e isso tem forçado Barzani a colaborar com as milícias do KCK na luita contra o ISIS, a burlar o veto, a armar as milícias do KCK por estar incluídas na lista de organizaçons terroristas Ocidentais (via carregamentos de armas à PUK que esta reparte entre as outras milícias), a reconsiderar a declaraçom de independência da Autonomia curda do Iraque que baralhava meses antes (depois de receber o apoio turco e israelense a umha possível declaraçom unilateral) e assim promover a coordenaçom entre a Regiom Autónoma curda e a KCK de cara à auto-determinaçom do Curdistam e a enviar Peshmerga para ajudar às YPG a frear a  ofensiva do ISIS para erradicar o cantom autônomo curdo de Kobanê e eliminar fisicamente os seus 400.000 habitantes.

A este dia, apesar do apoio militar da Regiom Autónoma do Curdistam do Iraque e dos jovens vindos da Turquia e do exílio na Europa a situaçom em Kobanê é desesperada porque o cantom foi praticamente reduzido à cidade sofrendo ataques diários desde o oeste, sul e leste com armas pesadas, enquanto Turquia dificulta a saida de refugiados curdos e a entrada da pequena ajuda militar que recebem os curdos como armas ligeiras e voluntários. [Desde outubro de 2014, as YPG pararom e depois expulsarom da cidade o ISIS em janeiro de 2015 logo de que tomaram o 80% desta. Passando à ofensiva na luita contra o ISIS e, progressivamente, recuperando todo Canton. Criando umha força conunta com árabes, turcomanos, assírios e siriacos, as SDF que cpnseguirom unificar territorialmente o Cantom de Kobanê com o de Cizire polo Oeste; levar a linha da frente a 60 km de Kobanê no sul, e atravessando o rio Eúfrates polo oeste ate Manbij].

Líbano

Se há um lugar no Oriente Médio que melhor encarna a máxima de “O inimigo do meu inimigo …” Este é o Líbano. Desde o seu nascimento em 1920, resultado de romper o território costeiro da Síria, povoado na maior parte por maronitas que reivindicavam um Estado própria que mantivesse relaçons com o Ocidente, o Líbano viu-se arrastado a conflitos armados polas alianças regionais das diferentes minorias que componhem o país (cristians de diferentes tipos, sunitas, xiitas e drusos).

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Minorias religiosas em Líbano.

Tendo obtido a independência em 1942, nom demorou mais de umha década para se tornar envolvida na agitaçom que cercou o Médio Oriente na sequência da nacionalizaçom do Canal de Suez e a subsequente guerra que envolveu Israel, Gram-Bretanha e França, por um lado, e Egito polo outro. Se a constante dos países árabes foi romper as relaçons diplomáticas com o Ocidente, o presidente recém-eleito Chaoum (de onfissom cristiam) opta por nom fazer parte da República Árabe Unida e aproximar-se diplomaticamente o Ocidente , como represália Egito e outros países árabes armam aos palestinos que foram expulsos de Israel na década passada para que este tomem o Libano estalando umha guerra civil que é sufocada polos cristians com a ajuda dos EUA.

Uma paz relativa é estabelecida no Líbano até o final dos anos 60, mas depois da Guerra dos 6 Dias e o Setembro Negro de Jordania a situaçom no Líbano polariza-se, conforme os palestinos aproveitando um acordo de extraterritorialidade usam os campos de refugiados como campos de treinamento e base para lançar ataques contra Israel sem que o exército libanês poida intervir. De 1970 a 1975, a situaçom vai gradualmente degradandp e dividindo o país em dous blocos, um conservador cristiam defensor de reprimir os palestinos e de ter ligaçons com Israel e um bloco muçulmano progressista defensor de apoiar os palestinos.

A partir de 1975 começou um conflito intermitente entre as diferentes facçons libanesas (e palestinas) apoiadas por potências estrangeiras acompanhadas por invasons do Líbano, dos países vizinhos para tentar fazer a paz, ou simplesmente evitar ataques terroristas no seu território do Líbano que durou até os Acordos de Taif em 1989.

Assim, ao longo desses 15 anos viu-se como a Síria invadiu o norte do Líbano para defender os maronitas (e assim limpar as bases terroristas islâmicas desde onde se lançava a campanha terrorista de extermínio do partido Baath e os intelectuais sírios alawítas), e posteriormente mudar de aliança e juntar-se ao bloco palestino/muçulmano/esquerdista, como Israel invadiu o território libanês repetidamente para criar zonas de segurança dentro do Líbano para acabar com as campanhas terroristas no norte do seu país, como o Iram estava envolvido no conflito organizando política e militarmente ao Hizbullah xiita ou mesmo como umha segunda frente na guerra Iram-Iraque, Saddam Hussein armava os maronitas para enfrentar-se o Hizbullah, tudo isso apesar da existência de forças de interposiçom da ONU.

Os Acordos de Taif eram básicos para alcançar a paz no Líbano e consistiu na reforma do sistema eleitoral libanês, polo que os escanos no parlamento estariam divididos ao 50% entre cristians e muçulmanos, o reparto de cargos institucionais também realizada com base a critérios religiosos polo qual o presidente sempre seria um cristiam, o primeiro-ministro sunita e o porta-voz do Parlamento xiita, também todas as facçons libanesas e palestinas concordaram em desarmar-se (exceto o Hizbullah), o exército libanês ia ser o garante da segurança nacional e despregava-se pola maior parte do estado. Apesar destes acordos os combates entre o Hizbullah e Israel e o seu aliado (Exército do Sul do Líbano) continuarom ate a marcha israelense e a derrota militar do seu aliado no 2000.

Embora a paz chegara no início dos anos 90 com a assinatura dos Acordos de Taif e a derrota das milícias cristians anti-Sírias do general Michel Aoun, a ocupaçom síria continuou até o 2005, quando as mobilizaçons após a morte em atentado do Primeiro-Ministro libanês Rafiq Hariri, e conhecida como a Revoluçom dos Cedros, levou à saída do exército e dos serviços de inteligência sírios do território libanês.

À marcha síria do Líbano e a vitória eleitoral da coalizom anti-Síria liderada por Saad Hariri nas eleiçons legislativas, foi seguido por umha campanha de atentados contra os chefes das formaçons anti-Sírisa, que tinham ganhado as eleiçons o que elevou as tensons no país, até que um acordo entre Michel Aoun e Hizbullah estabeleceu os fundamentos de entendimento entre os blocos e ainda servem de base para acordos nacionais.

Apesar da partida da Síria e Israel de território libanês, os conflitos armados e o terrorismo continuarom a assolar o país, e a meados do 2006 o rapto de dous soldados israelenses na fronteira entre o Líbano e Israel resultou em umha escalada de confrontos que levou a fortes combates entre elas por semanas e só terminou após a intervençom do Conselho de Segurança das Naçons Unidas. Se em 2006 o conflito foi devido a Hizbullah, em 2007 eram militantes salafistas acampamentos palestinos, quem quase levou à guerra civil no Líbano, ao enfrontar-se  ao exército libanês por meses em um conflito onde houvo 500 mortos e cerca de mil feridos, quando as forças de segurança libanesas forom deterr em um acampamentoo perto de Tripoli os responsáveis de explodir vários autocarros em umha cidade cristiam nas proximidades. Depois de vencer militarmente, os primeiros brinquedos de erigir governos islâmicos salafistas, os anos seguintes no Líbano tenhem decorrido entre governos provisórios, crises políticas e atentados terroristas dirigidos contra líderes políticos e indiscriminados contra a povoaçom civil.

Se esta situaçom era instável em si foi agravada com o início da guerra civil síria em 2011 em que xiitas, sunitas e alawitas libaneses estiverom envolvidos na guerra civil na Síria diante de umha inibiçom incompreensível dos cristians que considerou a guerra como algo alheio a eles, enquanto observavam as milícias sunitas ligadas aos rebeldes sírios cometer massacres de cristians na vizinha província síria de Homs.

Assim que por 3 anos houvo confrontos armados entre jovens de confessom alawíta e salafistas em Trípoli e arredores, ataques indiscriminaaos bairros de maioria xiita em Beirute efectuados por grupos terroristas ligados ao ramo sírio da Al Qaeda ou ISIS, umha insurreiçom Salafi em Sidon que foi reprimida polo exército após 25 horas de combate, e o desmantelamento das milícias do xeque Ahmed Assir e a invasom direta por militantes islâmicos de Al Nusra (Al Qaeda na Síria) e ISIS à cidade de Arsal (que acolhia a dúzias de milheiros dos  milhons de refugiados sírios no Líbano) da regiom síria de Qalamoun e que resultou na expulsom das milícias fundamentalistas d a Síria, levando consigo 20 soldados libaneses reféns.

Esta invasom e outras planejadas polo ISIS, com a intençom de integrar o Líbano como regiom do Estado Islâmico finalmente começarom a preocupar e envolver à maioria cristiam na luita contra o fundamentalismo islâmico que está sangrando a vizinha Síria e o Iraque e começa a abundar campanhas multireligiosa de repúdio ISIS como o surgimento de grupos de autodefesa mistas formados por cristians e xiitas e drusos que estam sendo armados e treinados por Hizbullah.

Qatar – Arábia Saudita

Surgida após a implosom do califado otomano e da uniom pola força das armas dos vários reinos da Península Arábica, Arábia Saudita pola legitimidade que lhe deu a custódia de duas das três cidades santas do Islam (Meca e Medina) erigiu-se por anos como líder e mediador de conflitos entre estados com maioria muçulmana, enquanto se apresentava como ideólogo e financiador mundial de umha versom radical do Islam (wahhabismo), que é a religiom oficial do país (por exemplo, Ben Laden).

Durante décadas Arábia gostava desta posiçom privilegiada graças à tolerância de países ocidentais que permitiam abusos dos direitos humanos no seu país e o financiamento de organizaçons terroristas que atentavam objetivos ocidentais em troca de petróleo barato; mas a estrela Saudita minguou após a Guerra do Golfo, na que Arábia tivo que recorrer a Ocidente para resolver umha guerra que, na opiniom de Bin Laden poderia ser resolvida entre os muçulmanos. Assim, enquanto Arabia declinava, Qatar foi emergindo como umha potência econômica e política na regiom disposta a disputar a liderança saudita.

Cierzo 05
Conselho de Cooperaçom do Golfo (GCC)

Embora a financiar por anos a semelhantes ou os mesmos grupos terroristas fundamentalistas em todo o mundo, a rivalidade entre os dous países cresceu ao longo do tempo, ja que patrocinavam duas correntes islamistas antagônicas (a Irmandade Muçulmana Qatar e Arábia o wahhabismo), sendo o detonante a descoberta de umha conspiraçom da Irmandade Muçulmana para tomar o poder nos Emirados Árabes Unidos, naquel tempo outro membro do Conselho de Cooperaçom do Golfo (GCC), do qual Qatar e Arábia fam parte.

A partir desse momento o CCG dividiu-se entre os partidários do Qatar (basicamente Kuwait), os partidários da Arábia Saudita (EAU que era a que sofrera a tentativa de golpe e Bahrein, com o seu trono dependente da presença do exército de Arábia para nom ser derrubado pola maioria xiita) e Omam quem advertiu que se eles marchavam se continuavam os conflitos internos. Ao ser maioria os pró-sauditas (ao que também se sumava Jordânia como um candidato a participar do GCC), estabelecerom um bloqueio por terra, mar e ar a Qatar até que abandonara a sua posiçom de promover golpes pró-Irmandade Muçulmana na zona.

Qatar e Kuwait com outro estado governado por um ramo da Irmandade Muçulmana como éTurquia (aliados do Ocidente) som os financiadores das milícias que procuram impor governos islâmicos do Norte de África (Tunísia, Líbia e Egito) ou em Oriente Médio (Líbano, Síria e Iraque); e som mesmo suspeitos de financiar o ISIS através de fundos privados e ONGs amplamente subsidiadas por esses governos, o que levou, à sua vez a umha ruptura de Arábia com o terrorismo islâmico e apoiar os governos seculares que enfrentam às milícias patrocinadas por Qatar , Kuwait e Turquia como nos casos da Líbia e do Egipto.

Assim, mália nom descobrer-se ligaçom entre Qatar e Turquia com o ISIS, tanto Arábia como Jordânia e outros membros do CCG que os apóiam tornaram-se em objectivo prioritário do ISIS e nom é de excluir que em um curto espaço de tempo campanhas terroristas em Jordânia e Arábia ou até mesmo sofrer invasons de milícias do ISIS dos seus territórios.

Conclusom

A situaçom no Médio Oriente é muito complicada após o surgimento do Estado Islâmico (ISIS) e a proclamaçom do Califado mais tarde em junho deste ano e é improvável que seja resolvida à luz dos acontecimentos relatados anteriormente devido a ressentimentos pessoais e históricos de agentes diferentes na área que impedem um acordo mínimo para combater umha organizaçom que começa a expandir os seus tentáculos ao Norte de África, Ásia Central e o Extremo Oriente, absorvendo pequenas organizaçons salafistas existentes, a excisom de franquias regionais de Al Qaeda ou a deserçom em massa de militantes destas para se juntar ao Estado Islâmico.

A cimeira em Paris para forjar umha coalizom internacional para combater o Estado islâmico é a demonstraçom prática da incapacidade, ja que parte dos envolvidos na luita nom forom convidados a ela e a maioria daqueles que comparecerom não se comprometerom com nada mais de fornecer apoio logístico para bombardear as bases do ISIS que, embora que enfraquecem a organizaçom nom a derrotam completamente, como sim o faria umha operaçom militar no terreno que estam fazendo casualmente os que nom forom convidados a cimeira, nomeadamente o Iram, Síria, Hizbullah e as milícias curdas ligadas à KCK.

Portanto, a curto prazo, nom é de excluir que, sem ter abortado o califado, o cenário do Oriente Médio se repete em outras áreas problemáticas do mundo que também estam orientadas pola máxima de que o inimigo do meu inimigo e que o caos no que está assolada Líbia desde a derrubada de Gaddafi se torne em umha plataforma para criar um califado abrangendo aos seus vizinhos Mali, Chade, Tunísia e Egito.

Publicado em outubro do 2014 em Zabaltzen.

Cierzo Bardenero, residente na Ribera de Navarra é um apaixonado pola política, história e fascinado por Catalunha e o MENA (Oriente Médio e Norte da África). Tem publicado em Zabaltzen e Endavant entre outros, e é muito ativo e atinado nas redes sociais, pode-se seguer em twitter em @Cierzo_bardener

 

Do Genocídio à Resistência: As Mulheres Jázidies Contra-atacam

From Genocide to Resistance 01Por Dilar Dirik

SHENGAL – O velho provérbio curdo “Nós nom temos amigos, so as montanhas” tornou-se mais relevante do que nunca, quando o 03 de agosto de 2014, o grupo assassino do Estado Islâmico lançou o que é conhecida como a 73a massacre sobre os Jazidis ao atacar a cidade de Sinjar (em curdo: Shengal), matando milheiros de pessoas e violando e seqüestrando as mulheres para vendê-las como escravas sexuais. Dez mil jazidis fugirom para as montanhas Shengal em umha marcha da morte na que, e em especial as crianças, morrerom de fome, sede e cansaço. Este ano, no mesmo dia, os Jazidis marcharom nas montanhas de Shengal novamente. Mas, desta vez em um protesto para jurar que nada nunca mais será o mesmo novamente.

No ano passado, os Peshmerga curdo-iraquiano do Partido Democrático do Curdistam (KDP) prometeu ao povo garantir a segurança de Shengal, mas fugirom sem aviso quando o Estado Islâmico atacou, nem mesmo deixando amas para que as pessoas se defenderam. Em vez disso, foi a guerrilha curda do PKK [HPG], assim como as Unidades de Defesa do Povo, ou YPG, e as YPJ de Rojava, que, apesar de so contar com Kalashnikovs e um punhado de combatentes, abriu um corredor para Rojava, resgatando 10.000 pessoas.

Durante um ano inteiro, as mulheres Jázidies foram retratadas como vítimas indefesas de violaçons polos mídia. Inúmeras entrevistas repetidamente perguntavam-lhes quantas vezes foram violadas e vendidas, tornando-as impiedosamente a reviver o trauma por causa de umha reportagem sensacionalista. As mulheres Jázidies foram apresentadas como a personificaçom do lamento, mulheres rendendo-se passivamente, a última vítima do grupo Estado Islâmico, a bandeira branca feminina para o patriarcado. Além disso, as mais selvagens representaçons orientalistas grotescamente reduziu umha das mais antigas religions que sobrevive no mundo a umha nova área exótica ainda a ser explorada.

Ignorando o feito de que as mulheres Jázidies se armaram e agora mobilizam-se ideologica, social, politica e militarmente com a estrutura traçada por Abdullah Öcalan, líder do PKK. Em janeiro, o Shengal Founding Council foi criado polos delegados Jázidies tanto da montanha como dos campos de refugiados, exigindo um sistema de autonomia independente do governo central iraquiano ou da KRG. Vários comités de educaçom, cultura, saúde, defesa, mulheres, juventude, economia e de organizaçom das questons cotidianas. O conselho baseia-se na autonomia democrática e encontrou a dura oposiçom do KDP, o mesmo partido que fugira de Shengal sem luitar. As YBŞ recém-fundadas (Unidades de Resistência de Shengal), o exército feminino YPJ-Shengal, e o PKK [HPG] constituirom a linha de frente contra o Estado Islâmico aqui, sem receber parte das armas fornecidas aos peshmerga polas forças internacionais. Vários membros do conselho das YBŞ também foram presos no Curdistam iraquiano.

From Genocide to Resistance 02O 29 de julho, mulheres de todas as idades figerom história ao fundar o autónomo  Conselho de Mulheres de Shengal, prometendo: “A organizaçom das mulheres Jázidies será a vingança por todas as massacres” Elas decidirom que as famílias nom devem intervir quando as meninas querem participar em qualquer parte da luita e comprometer-se com a democratizaçom interna e transformando a sua própria comunidade. Elas nom querem simplesmente “recomprar” as mulheres raptadas, mas libertá-las através da mobilizaçom ativa ao estabelecer nom só umha física, mas também umha auto-defesa filosófica contra todas as formas de violência.

O sistema internacional despolitiza insidiosamente às pessoas afetadas pola guerra, especialmente os refugiados, moldando um discurso para torná-los sem vontade, conhecimento, consciência e política. No entanto, os refugiados Jázidies na montanha e no campo de Newroz em Derik (al-Malikiyah), que foi criado na Rojava imediatamente após a massacre, insistem na sua representaçom. Embora algumhas organizaçons internacionais fornecem umha ajuda limitada agora, devido ao embargo imposto pola KRG [Autonomia Curda do Iraque], quase nengumha ajuda foi capaz de atravessar para Rojava. As pessoas no  acampamento Newroz contarom-me que, apesar das tentativas do Gabinete do Alto Comissariado das Naçons Unidas para os refugiados “de modelar o campo e o seu sistema educacional de acordo com a sua visom de cima para baixo, a montagem do acampamento resistiu, forçando umha das maiores instituiçons internacionais a respeitar o seu próprio sistema autônomo. Agora, a educaçom, alfabetizaçom, arte, teatro, cultura, língua, história e ideologia som ensinados polas geraçons anteriores e as comunas organizam as as necessidades e problemas diários em Derik e Shengal.

“Todos esses conselhos, protestos, reunions, a resistência pode parecer normal. Mas todo isso surgiu desde há só um ano em Shengal, ista é umha revoluçom “, dis umha guerrilheira Jázidi do PKK. “A disposiçom de Rojava atingiu Shengal.” Hedar Reşit, umha comandante do PKK de Rojava que ensinava sobre a sociologia de Shengal antes e depois do mais recente genocídio, estava entre as sete pessoas que luitarom contra o Estado Islâmico no início da massacre e foi ferido na abertura do corredor para Rojava. A presença de mulheres como ela das quatro partes do Curdistam afetou enormemente à sociedade de Shengal.

“Por primeira vez na nossa história, tomamos as armas porque com a última From Genocide to Resistance 04massacre, entendemos que ninguém nos protegeria; devemos fazê-lo nós mesmos: “Foi o que me dixo umh jovem luitadora das YPJ-Shengal, que se rebatizou como Arin Mîrkan, umha heroína martirizada na resistência de Kobane. Ela explicou como garotas como ela nunca se atreveram a ter sonhos e só sentava na casa até que casara. Mas como ela, centos juntaram-se à luita agora, como a jovem que cortou o seu cabelo, pendurado a trança sobre o túmulo do seu marido martirizado, e juntou à resistência. O genocídio físico pode ter acabado, mas as mulheres som conscientes de ser um “branco”, ou seja, o genocídio sem derramamento de sangue, como os governos da UE, especialmente a Alemanha, tentam seduzir as mulheres Jázidies no exterior, extirpá-las das suas casas sagradas e instrumentalizando-as para as suas agendas.

Mae Xensê, membro do conselho das mulheres, beija à sua neta e explica: “Eu recebo treinamento armado, mas a educaçom ideológica é muito mais importante para que possamos compreender por que a massacre aconteceu e que cálculos fam a nossa custa. Essa é a nossa auto-defesa real. Agora nós sabemos que estávamos tam vulneraveis porque nom estávamos organizados. Mas Shengal nunca mais será a mesma novamente. Graças a Apo (Abdullah Öcalan). ”

Umha mulher Jázidi, Sozdar Avesta, membro do conselho e presidência da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK) e comandante do PKK [HPG], elaborou: “Nom é umha coincidência que o Estado Islâmico atacara umha das comunidades mais antigas do mundo. O seu objetivo é destruir todos os valores éticos e culturas do Oriente Médio. Ao atacar as Jazidis, eles tentarom acabar com a história. O Estado Islâmico organiza-se explicitamente contra a filosofia de Öcalan, contra a libertaçom das mulheres, contra a unidade de todas as comunidades. Assim, derrotar o grupo exige a sociologia certa e lietura histórica. Além de destruí-los fisicamente, nós também devemos remover a ideologia do Estado Islâmico mentalmente, que também persiste na atual ordem mundial. “Um ano atrás, o mundo assistiu ao genocídio inesquecível dos jazidis. Hoje, as mesmas pessoas que, enquanto todos os outros fugiram resgatou os Jazidis, estam sendo bombardeados polo Estado Islâmico turco com a aprovaçom da OTAN. Especialmente quando os estados que contribuíram para a ascensom do Estado Islâmico prometem derrotá-lo e destruir o tecido social do Oriente Médio polo caminho, a única opçom de sobrevivência é estabelecer a auto-defesa autónoma e a democracia de base.

Conforme conduzes através das montanhas Shengal, o mais fermoso indicador da mudança que tivo este lugar ferido há um ano som as crianças nas ruas, que, sempre que  os Heval, “os companheiros,” conduzem por aló, berram: “Viva a resistência de Shengal – Longa vida o PKK – Longa vivda a Apo. ”

Graças a autonomia democrática, as crianças que abriram as suas pequenas maos e pedam dinheiro aos combatentes Peshmerga agora erguem as mesmas maos em punhos e sinais de vitória. From Genocide to Resistance 05

Publicado por telesurtv.net 

Dilar-Dirik-140x140*Dilar Dirik, 23 anos, fai parte do movimento das mulheres curdas, escritora e estudante de doutorado no Departamento de Sociologia da Universidade de Cambridge.Escreve regularmente sobre o movimento de libertaçom curdo em vários meios de comunicaçom internacional.

 

 

“Nós nom seremos levados ao matadouro.” Entrevista com Cemil Bayik co-lider do KCK

Nós não serão Conduzido até ao matadouro Artigopor Wieland Schneider, Qandil

O líder curdo Cemil Bayık compara a Erdoğan com Assad, critica a ajuda militar da OTAN para a Turquia, e demanda que a UE exerza pressom para parar a guerra.

As ruas acabam entre os campos em curvas estreitas. Em seguida, a visom abre-se a umha cadeia de montanhas cobertas de neve. Penhascos marrons escuros sobre nós. Em um deles está pendurado umha grande imagem do líder curdo Abdullah Öcalan. Aqui nas montanhas Qandil do norte do Iraque, perto da fronteira iraniana, entramos no território da organizaçom guerrilheira PKK.

Desde 1999 o líder ideológico do PKK está em umha prisom turca. Em 2013 Öcalan, desde a sua cela na prisom, pediu um cessar-fogo. Seguido de um processo de paz, que pretendia acabar com a guerra de décadas entre o Estado turco e a organizaçom clandestina curda PKK. Agora esse processo encontra-se em um caos tremendo com o o governo turco tentando destruir o PKK com umha ofensiva militar. Avions de combate turcos conduzem repetidamente ataques aéreos contra os refúgios do PKK nas montanhas de Qandil.

“Cerca de duas vezes por semana eles venhem e lançam bombas. Pode durar até seis horas “, di um jovem luitador do PKK. Um Kalashnikov e um mais velho rifle de assalto americano M-16 encostar num canto da pequena casa. Nas paredes cinzentas penduram cartazes com fotos de combatentes do PKK martirizados. Os homens bebem chá para se aquecer antes de retornar os seus postos no exterior do recinto. Este edifício é a primeira estaçom em um caminho para a área dos combatentes clandestinos curdos. Em um lugar secreto, a nossa entrevista com Cemil Bayık, o chefe do PKK- realizara-se.

Depois de umha hora de espera, o porta-voz de imprensa internacional do PKK aparece. Os nossos telefones celulares, mochilas e laptops devem ser entregues. Empilhando em um veículo todo-o-terreno, somos levados para as montanhas. Dirigimos-nos ao longo de pistas cujos profundos sulcos som preenchidos com a água marrom das choivas de inverno. Umha vez que sair, imos esperar mais umha hora em outro abrigo do PKK. Caminhamos a pé por montanhas cobertas de florestas e através dos pequenos vales que se encontram entre elas. Finalmente chegamos ao ponto onde o líder do PKK, Cemil Bayık nos espera com os seus guarda-costas.

* * *

Die Presse: Desde o Verao, forom atacados pola força aérea turca. Como conseguem sobreviver aqui nas montanhas?

CB: Nós resistimos a esses ataques porque o nosso movimento tem umha vontade forte. A Turquia nom pode quebrá-lo. A Turquia nunca vai obrigar-nos a nos submeter. Queremos viver em liberdade e de acordo com os nossos próprios valores, ou nom imos viver. Podemos pagar um preço elevado e sofrer perdas, mas o nosso movimento vai-se tornar mais forte. A Turquia é um país da OTAN e quer aderir-se à UE. Os EUA, a UE e os Estados membros da OTAN dim que cumprem certos valores. Turquia, com sua açom militar contra os curdos, está violando todos esses valores. No entanto, os EUA e a UE permanecem em absoluto silêncio e nom condenam os ataques turcos.

O que exatamente querem dos membros da Uniom Europeia, como a Áustria e a Alemanha que fagam?

Eles tenhem que intervir e avisar o governo de Ancara contra a continuaçom das violaçons dos valores europeus. Os membros da OTAN nom devem dar nengum apoio militar mais a Turquia. Áustria e Alemanha devem exercer pressom sobre o Estado turco para umha soluçom pacífica para a questom curda. A Turquia isolou o nosso líder, Abdullah Öcalan, na prisom desde abril de 2015. Desde entom, nom recebemos nengumha informaçom sobre el.

Como maciços som os ataques?

Turquia está atacando cidades no Norte do Curdistam [sudeste da Turquia] com tanques, artilharia e helicópteros. O exército turco está destruindo casas e matando qualquer pessoa que nom observe o toque de recolher. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, umha vez condenou o presidente sírio, Bashar al-Assad, por ter feito isso, por infligir terror de Estado na sua própria povoaçom. Mas agora Erdoğan está usando os mesmos métodos que Assad.

Realmente quer comparar a Erdoğan com Assad?

Sim. A Áustria e a Alemanha devem enviar delegaçons para as cidades sitiadas, como Silopi e Cizre. Dessa forma, eles vam testemunhar em primeira mao os crimes que forom cometidos lá contra os curdos. Se a UE nom intervém, esso significa que considera a devastadora situaçom nas cidades curdas como normal. A UE condenou as políticas de Assad. Por que nom fazer o mesmo com a Turquia?

Mas a Turquia é um parceiro mais importante para a UE, especialmente agora, para evitar umha emigraçom de mais refugiados sírios para a Europa. A chanceler alemá, Angela Merkel visitou o Presidente Erdoğan antes das eleiçons na Turquia. A UE precisa da Turquia.

Nós nom queremos que os membros da Uniom Europeia ou da OTAN cortem os seus laços com a Turquia. E esperamos que os países da UE cuidem dos seus próprios interesses vis-a-vis com Ankara. Mas eles nom podem promover os seus interesses à custa dos curdos.

Como pode a OTAN acabar com a sua colaboraçom militar com a Turquia? A Turquia é também um importante aliado na guerra contra o ISIS. Jatos turcos decolam de bases aéreas militares turcas e lançam bombas aqui em Qandil. Nom só isso, avions de combate norte-americanas decolam de Incirlik, como fazem os Tornados alemaes, para as suas missons contra o ISIS na Síria.

Os Estados Unidos, a UE, e a OTAN todos dim que estam luitando contra o ISIS. Eles também aceitarom a Turquia nesta aliança e usam Incirlik. Mas há aqui umha contradiçom: a Turquia é um importante apoio do ISIS, e os que luitam mais efetivamente o ISIS som os curdos.

Foi inteligente que a juventude do PKK iniciara umha rebeliom nas cidades do sudeste da Turquia? Agora todos os moradores civis estam sofrendo lá sob condiçons onerosas.

As açons do PKK nas cidades nom justificam que os militares turcos matem civis. Que o PKK apoia os rebeldes nas cidades nom dá ao Estado turco o direito de cometer os crimes que se cometem. Se se cometeu um erro, esso nom dá direito a Ankara para cometer outro erro. Os jovens nas cidades nom começarom a guerra. Eles defenderom o povo lá contra as massacres do exército. Öcalan e o PKK tenhem tentado resolver a questom curda por meio de negociaçons. Ao mesmo tempo apoiamos grupos democráticos que participam das eleiçons para entrar no parlamento e ser capazes de resolver a questom curda lá.

As eleiçons saiurom-lhe pola culatra a Erdoğan.

As eleiçons do 7 de junho foi um ponto de viragem. É privou a Erdoğan, com as suas idéias anti democráticas, da sua república presidencial. E do outro lado o HDP e outros grupos democráticos trabalharom para construir umha república democrática. O resultado das eleiçons foi que o AKP de Erdogan perdeu a maioria absoluta. El nom aceitou esse resultado e, basicamente, decidiu, dar um golpe de Estado.

Mas simpatizantes do PKK matarom dous policiais turcos em vingança polo ataque do ISIS em Suruç. E Ancara acusa o PKK e os seus seguidores da criaçom de umha administraçom paralela nas áreas curdas.

Quando vimos que Erdoğan estava a criar dificuldades à democracia em Ancara, tentamos construir estruturas democráticas ao nível local. Nom é sobre a separaçom da Turquia-é umha luita contra as idéias neo-otomana de Erdogan. O Estado turco usou a auto-gestom democrática e os políciais assassinados como umha desculpa para atacar os curdos. O planeamento militar para isso vinha acontecendo desde setembro do 2014.

Rússia tem-lhes oferecido ajuda?

Rússia compreende que os curdos som umha das forças mais importantes na regiom. Se a Rússia tivera a ajuda dos curdos, poderia aplicar as suas próprias políticas na Síria de forma mais eficaz e, ao mesmo tempo exercer pressom sobre a Turquia. O caos prevalece no Oriente Médio agora, e todo poder regional ou internacional está tentando promover os seus próprios interesses. Há, por exemplo, umha frente xiita e umha frente sunita. Rússia apoia a frente xiita, e os EUA a sunita. Os curdos nom apoiam nengum frente – nós temos o nosso próprio terceiro caminho. Mas nós queremos manter laços com integrantes individuais dessas frentes.

Se a Rússia oferecesse armas o PKK, a fim de enfraquecer Erdoğan, iriam aceitá-los?

Nós aceitaremos qualquer companheiro que aceite a soluçom democrática para a questom curda.

Se a situaçom no leste da Turquia agrava-se ainda mais, o PKK vai enviar as suas forças de guerrilha às cidades?

A Turquia já intensificou a guerra. Ninguém nesta situaçom pode negar-nos o nosso direito de autodefesa. Mesmo quando um animal é levado ao matadouro, el luita pola sua vida até o último momento. As unidades da guerrilha tenhem o direito de ir as cidades. Se as pessoas estám sendo assassinadas diante dos seus olhos, eles nom podem ficar de braços cruzados e observar.

O que deve ser feito para reiniciar o processo de paz?

Turquia deve terminar a sua política de guerra. O exército turco deve cessar os seus crimes nas cidades e regressar à mesa de negociaçons.

O presidente do Governo Regional do Curdistam, Massoud Barzani, exigiu que o PKK se retire das áreas jáziges em Sinjar, no norte do Iraque. Mas o PKK quere ficar. Nom existe o perigo de que esta situaçom poderia levar a umha luita entre o PKK e os Peshmerga da KRG?

Turquia quer provocar um conflito entre os curdos, mas nós nom imos deixar que aconteça. Já faz tempo que um congresso de unidade nacional, em que todos os partidos curdos participem.

Mas Barzani deixou claro que Sinjar deve continuar a ser parte do KRG.

Shengal [nome curdo para Sinjar] é a pátria dos jazidis, que som os curdos ancestrais. A questom de Shengal é, portanto, umha questom de todos os curdos- nom é umha questom apenas de Barzani, o KDP ou o PKK. Quando o ISIS atacou os Jazidis em Shengal, eles foram deixados indefesos. Nem os Peshmerga da KRG nem o exército iraquiano tomou a sua defesa. Foi o PKK quem enviou as suas forças guerrilheiras a Shengal para resgatar essas pessoas. Sem o PKK, todos os Jazidis teriam perecido. Sem o PKK também, os Peshmerga nom estariam em umha posiçom para depois poder voltar para Shengal.

Como apoiam os Jazidis agora?

Shengal ainda nom está inteiramente libertado. Ainda existem aldeias controladas polo ISIS. E o ISIS ainda está por perto, em Tal Afar e Mosul. Queremos ajudar os Jazidis lá para construir a sua própria administraçom e as suas próprias forças de defesa. Até que isso seja implantado, as nossas forças guerrilheiras permanecerám no lugar.

Qual lhe parece que deveria ser o futuro político da regiom?

Oficialmente, o governo central iraquiano ainda é responsável por Shengal. De facto, no entanto, a área está administrada pola KRG no norte do Iraque. O status de Shingle é, portanto, claro. Em nossa opiniom, seria bom se Shengal continua a fazer parte do Curdistam. Mas isso vai significar que adoptem um tipo de auto-administraçom. As pessoas de lá tenhem que decidir sobre o futuro estatuto de Shengal. Nengum partido curdo pode determinar um modelo para os Yazidis.

***

Cemil Bayık. Sob o nome de guerra de Cuma, co-lidera, com Bese Hozat, a KCK (Coordinadora de comunidades do Curdistam), a principal organizaçom global do PKK e os seus partidos irmaos na Síria e no Iram. As forças militares da guerrilha do PKK estam subordinadas ao KCK. Bayık é a cabeça do movimento e é o número dois, após o líder ideológico preso Abdullah Öcalan.

Bayık tem sido um membro do PKK desde a sua fundaçom, em 1978, por isso é um dos seguidores mais longos de Öcalan. O PKK originalmente marxista luitou na Turquia por um Estado curdo. Agora procuram um tipo de autonomia a nível local.

***

Este artigo foi publicado em alemao em Die Presse, 16 de janeiro de 2016 e traduzido por Janet Biehl e publicado em Kurdishquestion.

 

A longa história, convulsionada, da presidência do Curdistam iraquiano

BarzaniOs problemas do Curdistam iraquiano com o seu presidente em verdade nom é nada novo. Na verdade, o presidente aqui muitas vezes nom tivo fundamento legal ou democrático. Há umha longa história por trás do debate atual.

O prazo de duraçom do presidente curdo iraquiano expirou o 20 de agosto, e os atores políticos na regiom semi-autônoma do Curdistam debatem sobre se o atual presidente, Massoud Barzani, deveria ficar ou nom por mais de dous meses, no período que antecede a esta expiraçom. Ninguém foi capaz de chegar a algum tipo de acordo e parece que, apesar dos melhores esforços de muitos, o debate vai continuar.

Mas, na verdade este debate específico já se arrasta por muito mais tempo do que o episódio atual. A questom de quem deve levar o trabalho do presidente no Curdistam iraquiano tem sido umha fonte de atritos e controvérsias desde os anos 1990.

Em 1992, seis meses após a regiom curda do Iraque foi declarada parcialmente independente do regime de Saddam Hussein em Bagdá, forom realizadas as primeiras eleiçons. Isso também incluiu eleiçons para o cargo de presidente. Os candidatos incluídos Massoud Barzani, líder do Partido Democrático do Curdistam, ou KDP, Jalal Talabani, líder da Uniom Patriótica do Curdistam, ou PUK, Uthman Abdul-Aziz de um grande partido islâmico e o político curdo, Mahmoud Othman, que agora é independente, mas antigamente era o chefe do partido socialista curdo iraquiano. Nengum dos candidatos conseguiu obter mais de 50 por cento dos votos necessária necessários para se tornar presidente.

“Os votos de Barzani forom uns poucos menos que os de Talabani, mas nengum deles atingiu o limiar necessário,” Othman recorda em umha entrevista com Niqash. “Foi por isso que as eleiçons presidenciais forom realizadas novamente após duas semanas, em seguida, elas foram adiadas por dous meses, e no final elas nom se realizarom.”

O próprio Parlamento estava quase igualmente dividido entre deputados da PUK e deputados do KDP e muitas decisons eram batidas simplesmente fora entre as duas lideranças partidárias, antes que elas sequer chegaram o Parlamento. A única decisom que ninguém poderia fazer, porém, era sobre quem devia ser o presidente.

“O problema era entre Talabani e Barzani”, disse Othman Niqash. “Nengum deles teria aceitado o outro como líder – mesmo que umha segunda volta das eleiçons fôsse realizada.”

Em 1994, como resultado das tensons em curso entre a PUK e o KDP, umha guerra civil de quatro longos anos eclodiu no Curdistam iraquiano. Após este conflito terminou com a assinatura de umha trégua em 1998, a regiom semi-autônoma estava basicamente dividida em dous. Embora as duas partes concordaram em dividir o poder e renda, na realidade, eram dous governos no poder em duas zonas relativamente separadas, com zona “amarela”do KDP em Erbil e Dohuk e zona “verde” do PUK em Sulaymaniyah; as zonas foram descritas como essas cores após as próprias cores simbólicas dos partidos.

A questom da presidência tomou umha rota diferente nesta fase, e durante a época dos dous pares de governos, o cargo realmente tomou forma – mas sem qualquer justificaçom legal real ou estrutura.

Em Erbil, a maioria do KDP aparentemente queria a Barzani para ser o seu presidente. “Pedimos a Massoud Barzani muitas vezes para assumir o cargo, mas el nunca aceitou”, lembra Jafar Sheikh Ali, que era membro do KDP presente no Parlamento no momento.

Embora Barzani digera que nom queria o cargo, na verdade, el era a mais poderosa personalidade política e administrador superior na zona do KDP, onde o seu partido era influente.

Entom em 1999, declarou-se presidente Talabani da zona verde, Sulaymaniyah, onde p seu partido, o PUK, era mais influente.

“Talabani deu esta mensagem, a fim de aprovar umha série de leis importantes”, explica Fareed Asasard, um antigo membro da PUK. “Porque naquela época os políticos na área de Sulaymaniyah nom tinham poder.”

“Entom Talabani ocupou o cargo de Presidente da regiom na área de Sulaymaniyah e Barzani era tratado como um presidente na área de Erbil”, explica Latif Sheikh Mustafa, um jurista e membro de outro dos maiores partidos políticos do Curdistam iraquiano, o movimento Mudança (Gorran), que se separou da PUK. “Eles figeram isso porque ambos queriam satisfazer o seu desejo de poder. Nom porque existira qualquer tipo de vazio jurídico. ”

Em 2005, tendo dous líderes tornou-se insustentável – o sistema político no Curdistam iraquiano também se tinha desenvolvido – e a PUK e o do KDP concordarom que Barzani poderia tornar-se o presidente de toda a regiom, graças a umha lei elaborada no Parlamento.

Claro, havia um preço a ser pago. A PUK forçou o KDP para apoiar a nomeaçom de Talabani como presidente de todo o Iraque, um dos cargos mais importantes em todo o país. E o acordo que foi elaborado, em seguida, ainda está em vigor hoje.

Em 2005, o Parlamento nomeou a Barzani no cargo e, em seguida, em 2009 el foi eleito presidente por meio de eleiçons gerais. De acordo com as leis de 2005, o presidente só pode permanecer no poder por dous mandatos. Um mandato é de quatro anos.

Assim, o segundo mandato de Barzani deveria terminar em 2013 e as leis curdo iraquianas também dim que nom se poderia apresentar novamente. A situaçom política tinha mudado muito desde entom – embora já nom eram so as disputas entre o KDP e a PUK sobre a partilha do poder. Agora havia também partidos islâmicos e o movimento de rompimento Mudança, que foram eleitos em umha plataforma anti-corrupçom, a considerar. E estas partes nom querem ver a Barzani no cargo novamente.

No entanto Barzani agarrou-se à Presidência através da fraudulência inteligente da legislaçom que muitos consideram ilegal. Esse jogo inteligente deu-lhe mais dous anos – e estes terminarom à meia-noite, do mércores 20 de agosto de 2015.

Se Barzani quer ficar no poder de novo, tem umha luita ainda maior a frente. Agora mesmo a PUK, o antigo parceiro de justa e partilha do poder “inimiga” do KDP, di que nom querem vê-lo permanecer como presidente. Que é o mesmo, juntamente com todos os outros partidos no Parlamento.

Para complicar ainda mais as coisas a Constituiçom curdo-iraquiana está incompleta. A Constituiçom, que permanece em fase de projecto, actualmente procura limitar os poderes do Presidente iraquiano do Curdistam e mover todo o sistema político mais perto de um parlamentar, onde os deputados elegem o Presidente. O desacordo sobre a Presidência está retardando o trabalho sobre a Constituiçom e alguns chegaram a sugerir que buracos legais relativos à Constituiçom podem ser usados para manter a Barzani no poder.

“A ausência de um acordo entre os diferentes partidos no poder e a posiçom do presidente criou umha série de problemas para nós também”, diz Khamoush Omar, um membro da comissom encarregada de redigir a nova Constituiçom.

O principal argumento que muitos no Curdistam iraquiano tenhem atualmente para querer manter Barzani no poder é o feito de que, em tempos de crise, é importante ter um líder forte. Barzani nom é tímido sobre fazer afirmaçons fortes e agressivas e el ainda é visto por muitos no Curdistam iraquiano como a melhor pessoa para o cargo agora, apesar da ausência de vontade democrática por trás de um novo mandato para el.

O sociólogo local Abdul-Qader Baymand di que muitos no Curdistam preferem um líder carismático que se considere forte, sobre um líder justo e democraticamente eleito.

“Os membros das sociedades tribais podem considerar a remoçom de um líder da sua posiçom superior como um ato de degradaçom”, avisa. Os curdos mais comuns no Iraque só podem esperar que nom se chegue a esse ponto.

Por Histyar Qader em Slemani, Curdistam

Publicado em ekurd.

 

Na KRG: Presidente Responsável ou Irresponsável? Essa é a questom

KRG ParlamentoPor Sardar Aziz

A história do Parlamento do Curdistam iraquiano remonta-se a inícios dos anos 1990. Surgiu após a retirada do governo central da regiom e o surgimento de um Estado curdo de facto. Durante a maior parte da sua história o parlamento foi um veículo para os “homes fortes” para governar a regiom – sem participar no parlamento. Foi baptizado como o lugar para quadros médio dos partidos. Em 2009, após o surgimento de partidos de oposiçom na regiom por primeira vez, o parlamento passou de um sistema único político-partidário a política multipartidária. Pode-se argumentar que o surgimento da oposiçom marcou o nascimento do parlamento como umha verdadeira instituiçom.

O 23 de junho de 2015 foi outro marco na história da instituiçom. Diferente de qualquer outra sessom parlamentar, a sessom do 23 de junho foi nem mundana nem normal. O que se desenrolou qualifica-se como um evento político, por excelência. A sessom foi dedicada principalmente à primeira leitura de quatro alteraçons à lei presidencial do Curdistam. Estas alteraçons forom propostas por Gorran, a Uniom Patriótica do Curdistam (PUK), um grupo parlamentar misto (que compreende parlamentares de diferentes partidos políticos) e pelos três grupos islâmicos sob o título do bloco islâmico. Estes quatro grupos parlamentares formarom umha aliança ad hoc exigindo um sistema parlamentar adequado para a KRG. Opondo-se estava o Partido Democrático do Curdistam (KDP), em busca de um forte poder e ampla autoridade para o presidente. (Barzani, o líder do partido KDP, foi presidente da regiom por mais de umha década). Por esta razom alguns descrevem o sistema político da KRG como semi-presidencial, parecido com o modelo francês.

A abertura da sessom parlamentar foi ansiosamente esperada por ambos os lados, embora por razons diferentes. Desde o 30 de junho de 2013 o espectro que pendura sobre o parlamento forom a aliança do KDP e a PUK que aprovou umha resoluçom que prorrogava o mandato do Presidente por mais dous anos (na época o presidente já tinha estado no poder por oito anos). A PUK pagou um alto preço polas suas açons e, na última eleiçom, ela viu umha grande queda no apoio, retornando com apenas 18 deputados e caindo ao terceiro maior partido.

A sessom do 23 de junho também foi ansiosamente aguardado pola povoaçom em geral. Aos olhos de muitos os acontecimentos ocorridos provavelmente poderiam decidir o futuro da participaçom de Gorran no governo de coalizom e, criticamente, o poder do presidente do parlamento. Umha das principais ferramentas do povo som as mídias sociais. Isso dá-lhes influência na política e tomada de decisom, um caso claro de tecnologia empoderando a maioria até entom silenciada.

Os acontecimentos do 23 de junho começarom a se desenrolar cedo. De manhá cedo os deputados estavam indo para o edifício do parlamento de concepçom soviética para participar de um evento que seria histórico, nom apenas para o parlamento, mas para todo o país e um ponto de referência no processo de democratizaçom. (Apenas o funcionamento do Estado de direito e das instituiçons pode evitar que a regiom escorregue para o beco escuro de um governo de home forte, como muitos outros lugares no Oriente Médio). A atmosfera era estranha e rumores e teorias de conspiraçom eram abundantes. Na noite anterior, os dous lados incansavelmente tentou de tudo para alcançar os seus objetivos. O lado pró-parlamentar estava preocupado com a possibilidade de violência no parlamento, ou até mesmo de seus membros ser-lhes negado o acesso ao edifício que era protegido só por militantes paramilitares do KDP. Umha maneira que pensarom para evita-lo era convidar a comunidade diplomática da cidade. Mas o sistema pró-presidencial ou semi-presidencial nom só ameaçava com paus, também oferecerom umha abundância de cenouras. Como o Parlamento exige a presença da maioria absoluta para ler qualquer projeto de lei ou aprovar qualquer lei, o preço oferecido por nom comparecer no salom do parlamento forom altíssimos naquela manhá.

Quando a sessom começou o stress e a tensom eram palpáveis. Tornou-se claro que o assistência era umha aquém da quota necessária. Os grupos pró-parlamentares estavam segurando a respiraçom e esperando a chegada de um deputado para fazer o dia ou a história. Esse momento estressante durou um tempo e toda a regiom estava assistindo ao vivo pola televisom. No último momento, o único membro do Partido Comunista do Curdistam aos poucos, lentamente entrou. Pode ser o paradoxo da história na regiom que se tornou possível o destino de um tal passo decisivo para a democratizaçom por um membro de um partido comunista. A sessom começou imediatamente e tudo mudou.

As consequências ainda está para tornar-se aparente. É mais possível que as partes através dos seus politburos vaiam chegar a um consenso e tentar implementá-lo. No entanto, nom há nem umha maneira legal simples, nem mesmo um margem de manobra fácil de superar o problema. Dito isto, o presidente é inflexível e o público está ansioso. Há muitas lembranças más que assombram a todos. Tudo isso está acontecendo enquanto a regiom enfrenta muitas outras questons intimidantes na área da segurança, economia e corrupçom do goerno.

Sardar Aziz, é Assessor do Comitê de Recursos Naturais do Parlamento Regional do Curdistam e colunista.

Publicado por Kurdistan Tribune.