Iram e Turquia enfrontam-se por Tal Afar

Members of the Shi'ite Badr Organisation fighters ride on military vehicles during a battle with Islamic State militants at the airport of Tal Afar west of Mosul, Iraq November 18, 2016. REUTERS/Thaier Al-Sudani - RTX2UAJW
Membros das milícias xiitas da Organizaçom Badr em veículos militares durante a batalha com o ISIS no aeroporto de Tal Afar, ao oeste de Mosul o 18 de Novembro do 2016 (Foto de REUTERS / Thaier Al-Sudani)

Resumo: Com a mobilizaçom das unidades predominantemente xiitas das PMU, com o apoio do Iram, expandem o seu control sobre a área recentemente libertada de Tal Afar, que tem umha maioria turcomana, a tensom entre as PMU e a Turquia aumentou.

BAGHDAD — “Tal Afar será o cemitério dos soldados turcos se a Turquia tenta participar da batalha “, dixo Hadi al-Amiri, chefe da Organizaçom Badr e líder das Unidades de Mobilizaçom Popular (PMU), em umha mensagem para o vizinho do norte do Iraque, em caso de que as tropas turcas implantadas em Bashiqa tentem participar na libertaçom de Tal Afar.

O 16 de novembro, Tal Afar foi libertado [Foi-lhe curtada as possibilidades de retirar-se cara Síria]. Trata-se de umha área estratégica para as PMU, umha vez que lhes dá acesso à fronteira síria e permite-lhes cortar as rotas aos luitadores do Estado Islâmico (IS) para escapar para a Síria. Após a libertaçom de Tal Afar, Amiri dixo que o presidente sírio convidou as PMU a luitar contra a oposiçom síria dentro do território sírio.

A declaraçom de Amiri contra a Turquia, que está próxima do Iram, veu em resposta a declaraçons anteriores do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, sobre a cidade de Tal Afar, em que advertiu às PMU de nom cometer “violaçons” contra os civis da cidade.

Durante umha declaraçom de imprensa o 29 de outubro, Erdogan dixo: “A cidade turcomana de Tal Afar é umha questom de grande sensibilidade para nós. No caso que as PMU cometeram atos terroristas na cidade, a nossa resposta será diferente.”

Erdogan acrescentou que recebeu informaçons que confirmam os atos terroristas das PMU na cidade, sem dar mais detalhes sobre o número de reforços ou como a retaliaçom da Turquia seria diferente.

Na mesma linha, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, respondeu ao presidente turco o 1 de novembro, dizendo que o governo iraquiano é mais ágil que qualquer outro parte em Tal Afar. Abadi nom escondeu as suas preocupaçons sobre quaisquer ameaças turcas, afirmando: “A ameaça de umha intervençom turca ainda existe.”

Tal Afar é um distrito administrativamente da governaçom de Ninevah e localizado a 63 quilômetros ao oeste de Mosul, perto da fronteira entre o Iraque e a Síria, com umha área de aproximadamente 28 quilômetros quadrados.

Abu Alaa al-Afri, que era adjunto de Abu Bakr al-Baghdadi, era de Tal Afar e foi morto na cidade em um ataque iraquiano no ano passado.

A cidade de Tal Afar, com a sua povoaçom diversa, tornou-se um polêmico campo de batalha para as partes além das fronteiras iraquianas, o que confirma a sua importância geográfica – especialmente para o Iram que busca chegar à Síria através do canal terrestre iraquiano e para a Turquia que busca reavivar a Glória da expansom otomana.

A cidade é o lar de diferentes etnias e tem umha maioria xiita turcomana, que está na base do conflito iraniano-turco (o Iram apoia os xiitas, enquanto a Turquia apóia os turcomanos).

É importante notar o conflito xiita-sunita entre a povoaçom turcomana, o que poderia desencadear umha guerra furiosa dentro do distrito, tornando mais fácil para o Iram e a Turquia obter um apoio na cidade que poderia envolver presença militar.

Para acrescentar combustível ao fogo, houvo conversas de que a libertaçom de Tal Afar, que ainda está sob o controle do IS, estará sob a supervisom do chefe das Força Quds do Iram, Qasem Soleimani. Esta seria umha grande provocaçom para os sunitas lá.

O envolvimento das PMU em Tal Afar também é controverso e é visto como umha reaçom à presença turca em Bashiqa.

O objetivo das PMU é libertar a cidade de Tal Afar e chegar à periferia de Mosul, sem entrar na cidade, a menos que o ordene o comandante em chefe das forças armadas “, dixo Faleh al-Fayad, chefe da PMU e assessor de segurança nacional no Iraque.”

O 30 de outubro, a Frente Turcomana no parlamento da Regiom do Curdistam advertiu contra qualquer mudança demográfica no distrito de Tal Afar como resultado da interferência das PMU na batalha lá e, portanto, recusou a participaçom desta última na libertaçom da cidade.

Harakat Hezbollah al-Nujaba, umha das facçons das PMU afiliadas ao Velayat-e faqih iraniano, espera que a batalha para libertar Tal Afar seja “feroz”, negando que as PMU estejam tentando provocar umha mudança demográfica no distrito, E acusando a Turquia de “manter o nariz nos asuntos dos outros”.”

É muito provável que as PMU e as tropas turcas colidem na cidade, já que estas estam estacionadas a 12 quilômetros de Tal Afar.

A Turquia acredita que a presença das PMU em Tal Afar dá-lhe terreno para entrar na cidade, especialmente após a advertência de Erdogan para interferir “se as PMU espalham o medo entre os cidadaos.”

O que é mais, a Turquia nom deseja que o Iram tenha influência em Tal Afar, que fica ao lado da fronteira com a Síria; e tornaria mais fácil para o Iram transferir armas através da rota terrestre que está procurando estabelecer de leste a oeste do Iraque. Isso também é visto como umha das razons por trás da disputa sobre Tal Afar.

Erdogan teme que Tal Afar, que fica a 60 quilômetros da fronteira turca, tornaria-se um paraíso para as facçons xiitas próximas ao Iraque. O presidente turco também tem preocupaçons sobre umha possível aliança entre as PMU e o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK) no que diz respeito a ataques que poderiam ser lançados na Turquia ou umha possível facilitaçom pelas PMU transferindo armas ao PKK que luita contra o exército turco.

Parece que haverá umha nova escalada turco-iraquiana que se pode transformar em um impasse militar, especialmente porque Abadi afirmou anteriormente: “[o Iraque] nom quer ir à guerra com a Turquia, mas se a Turquia insistir em umha guerra, nós estaremos prontos.”

No entanto, no caso de um confronto militar acontecera entre a Turquia e o Iraque, este último nom envolveria as suas tropas regulares, mas sim as PMU que vem as tropas turcas no Iraque como umha “força de ocupaçom.

Tal Afar tornou-se umha área internacional disputada entre a Turquia e o Iraque, o que está causando umha maior instabilidade em termos de segurança e abre a porta a conflitos civis, pavimentando assim o caminho a qualquer intervençom militar iraniana ou turca.

mustafa_saadoun-bwMustafa Saadoun é um jornalista iraquiano que cobre os direitos humanos e também fundador e diretor do Observatório Iraquiano dos Direitos Humanos. Anteriormente trabalhou como jornalista  do Conselho de Representantes do Iraque.

Publicado em Al-monitor.

 

Iram e Turquia estam arrastando os curdos na sua guerra fria no Oriente Médio

hassan-rouhani-and-recep-tayyip-erdogan-in-ankara-2016-photo-epa
O presidente iraniano, Hassan Rouhani, com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. EPA

Por Abdul-Qahar Mustafa

A rivalidade entre a Turquia e o Iram por dominar o Oriente Médio nom é algo novo. É de feito o legado do conflito histórico entre dous impérios, os persas e os turcos que dominarom o Oriente Médio por várias vezes e sob diferentes nomes e ideologias na história. No entanto, essas duas etnias tenhem desenvolvido os seus impérios e expandido os seus interesses ao custo de violar os direitos humanos de outros grupos étnicos minoritários como curdos, baloches, árabes, assírios, armênios, alavis, jazidis e gregos.

Hoje, vejo que o governo turco e iraniano, as fontes e os herdeiros dos impérios otomano e Safávida estam realizando a mesma missom dos seus antepassados. Eles estam tentando usar a povoaçom curda repetidas vezes como umha ferramenta para minar o poder e a influência de uns e os outros e expandir os seus interesses no Oriente Médio.

Assim como nos séculos passados, esses dous regimes antidemocráticos estam usando todos os meios possíveis, desde as suas capacidades militares e econômicas superiores, a religiom islâmica até o uso da força, ameaça, coaçom, abuso, intimidaçom, prisons ilegais, agressom e exploraçom de grupos de minorias étnicas, como os curdos, para desafiar uns aos outros política, económica e militarmente no Médio Oriente.

Olhando para as suas políticas no Oriente Médio, podedes facilmente notar que ambos os regimes fascistas, Turquia e Iram estam luitando umha guerra fria com o outro. A primeira grande batalha está sendo travada no Iraque e na Síria, onde as suas tradicionais rivalidades e interesses conflitem pode ser visto em pleno vigor. No entanto, o problema aqui é, tanto a Turquia como o Iram estam tentando levar os curdos no seu conflito de interesses. Eles estam arrastando os curdos para os seus conflitos usando a cenoura e a vara com as minorias curdas do Iraque, Síria, Iram e Turquia e conseguindo que eles cooperem e tomem partido nos seus conflitos.

Há momentos em que usam promessas enganosas de recompensar a proteçom dos curdos, incentivos econômicos, independência, autonomia e liberdade se cooperarem. No entanto, quando os curdos se recusam a cooperar com qualquer das partes, eles tomam medidas punitivas contra os curdos, como sançons econômicas, agressons militares, prisons arbitrárias, tortura e até mesmo assassinatos.

Obviamente, há muitas razons para a rivalidade e a guerra fria entre turcos e persas no Oriente Médio. Primeiro, o Iram considera a Turquia como um aliado de Israel e EUA, porque a Turquia já reconheceu Israel como um Estado e tem todo tipo de relaçons com Israel. Portanto, o Iram percebe a Turquia como umha ameaça à sua segurança e interesses econômicos no Oriente Médio, enquanto a Turquia pensa do Iram como um estado que pode ser bom e ruim para a Turquia porque quando os interesses da Turquia entram em conflito com EUA, UE, a Turquia muda o seu curso de imediato e estende as suas maos para países como o Iram, que estam enfrontados com Israel, EUA e países da UE.

Turquia encontra o Iram como umha peza eficaz para negociar alguns acordos com Israel e Arábia Saudita. A Turquia oferece acordos para trabalhar com Israel e Arábia Saudita e ajudá-los a desafiar o poder político e a influência do Iram no Oriente Médio, e possivelmente atrair os sunitas, curdos e turcomanos para unificar a sua voz no Iraque, no futuro parlamento sírio e votar polo reconhecimento do Estado de Israel. Mas, em troca, a Turquia aceita que os EUA, a UE, os sauditas e os israelitas cumpram as suas próprias exigências e expectativas.

Além disso, a Turquia quer que os EUA e a UE desistam dos seus supostos apoios políticos, militares e econômicos com os curdos no Iraque, na Síria e na Turquia e, segundo, pressionem os cipriotas gregos o suficiente para compartilhar a sua riqueza de recursos naturais com a povoaçom cipriota turca. Terceiro para permitir que a Turquia tenha acesso aos benefícios do maior mercado do mundo da Europa e quarto para conceder aos cidadaos turcos a visa para viajar para a Europa. A Turquia promete aos EUA e à UE distanciar-se da Rússia e do Iram se concordam com as exigências políticas e económicas da Turquia na Europa e no Médio Oriente.

Para alcançar o sucesso no seu plano, a Turquia precisa do apoio dos curdos e outras povoaçons sunitas e turcomanas para fazer qoe os seus planos se tornem realidade. A Turquia está pressionando os curdos iraquianos a abandonar o seu apoio ao governo xiita em Bagdá e, em vez disso, fazer umha frente política unida com turcos e o bloco sunita para mudar o equilíbrio do poder político em Bagdá a favor dos sunitas. No entanto, os curdos querem permanecer neutros nesses conflitos. Mas a Turquia está arrastando os curdos a apoiar o seu plano. Está usando a aproximaçom da puniçom e das recompensas com os curdos no Iraque, Turquia e Siria a fim de ajudar a Turquia e suportar o seu negócio político, econômico e de segurança com Israel e Arábia Saudita no Médio Oriente.

Por exemplo, a Turquia recentemente prendeu vários políticos curdos do HDP e os enviou para a cadeia. Também emitiu um mandado de prisom para o líder sírio curdo Saleh Muslin. Mais as forças militares turcas foram desprazadas para distritos do sudeste perto da fronteira iraquiana, em cima de outras bases militares que já existem no norte do Iraque desde 1997.

Além disso, na recente visita da delegaçom da KRG à Turquia, o primeiro-ministro turco dixo ao primeiro-ministro Nechirvan Barzani, do governo regional do Curdistam, que a Turquia ajudaria financeiramente aos curdos no futuro, enquanto continua bombardeando a zona da fronteira da regiom do Curdistam iraquiano. Centos de aldeans e agricultores curdos abandonarom as suas casas e fazendas e fugirom para as vilas e cidades no norte do Iraque. É claro que a Turquia está usando a abordagem de recompensa e puniçom para conseguir que os curdos abandonem as suas ambiçons e esforços para obter independência, autonomia ou o seu apoio ao bloco xiita. Em vez disso, a Turquia quer que os curdos ouçam e cooperem com a Turquia para alcançar os seus planos estratégicos no Oriente Médio.

Creio que a agenda oculta da Turquia é, querem nom só trazer os curdos da Turquia, Síria e Iraque sob o seu control, e usá-los para atingir o seu objetivo no Oriente Médio. Os turcos em geral nom querem ver nengum tipo de área autônoma curda ou curdistam independente. Eles querem que os curdos sejam subservientes a eles. Eles querem usar os curdos para luitar polos seus interesses contra os seus países rivais no Oriente Médio. Eles tentarom todo para impedir que o governo dos EUA e o Iraque, nom permitiram que os curdos tivessem autonomia no norte do Iraque, e estam fazendo agora também para impedir que os curdos obtenham umha área autônoma no território sírio.

A Turquia também tenta explorar a questom da hegemonia do Iram no Oriente Médio como umha oportunidade para fazer um acordo com os EUA, Israel e a UE e obter concessons a partir deles. O que isto significa na minha opiniom é que a Turquia quer se tornar um  país independente poderoso no mundo livre da influência e ordens de fora. Significa também que a Turquia quer alimentar a sua povoaçom turca às custas dos curdos e dos iranianos. No entanto, o Iram está desafiando a Turquia nesse sentido. O Iram está jogando o mesmo jogo com a Turquia.

O Iram também quer que os curdos trabalhem com todas as forças xiitas no Iraque, na Síria e no Iram, para negar à Turquia a chance de desafiar o poder dos blocos de xaque no Oriente Médio ou obter quaisquer concessons de Israel e da Arábia Saudita às custas de ferir os interesses do Iram no Oriente Médio. Na verdade, o Iram já está lidando com as ameaças à segurança da Arábia Saudita, Israel e ISIS, por isso quer fazer tantos aliados quanto puder no Oriente Médio para se fortalecer contra essas ameaças e garantir que o regime islâmico sobreviva.

O Iram prometeu aos curdos da Síria e Iram proteçom, ajuda financeira e autonomia, desde que nom combatam o regime de Assad ou se rebelem contra o regime islâmico em Teeram e os seus aliados no Líbano e no Iraque. O Iram prometeu aos curdos da Síria e Iram proteçom, ajuda financeira e autonomia, desde que nom combatam o regime de Assad ou se rebelem contra o regime islâmico em Teeram e os seus aliados no Líbano e no Iraque. O Iram também exigiu que os curdos continuem aliados na luita contra o ISIS. Prometeu aos iraquianos e sírios ajuda econômica e apoio político se os curdos nom iam contra os seus interesses no Oriente Médio. No entanto, advertiu os curdos a se absterem de mostrar qualquer apoio ou estabelecer qualquer tipo de relaçom com Israel, ou entom eles (os curdos) enfrentariam umha dura puniçom polo Iram.

O Iram quer fazer negócios com os curdos iraquianos, mas sob a mesma condiçom de os curdos tomarem partido em um conflito com a Turquia. Na verdade, o Governo Regional do Curdistam (KRG) teria concordado com um plano para construir dous oleodutos de petróleo de Kirkuk para o Iram para que a KRG se tornasse menos dependente da Turquia. No entanto, tanto a Turquia como Israel nom estam felizes com tal porque em primeiro lugar, Israel é um comprador do petróleo da KRG que é enviado através do porto turco de Ceyhan e, em segundo lugar, a Turquia rendimentos do oleoduto que atravessa o seu solo, e terceiro Israel nom quer que o Iram benefice do petróleo da KRG , e a quarta, Turquia sabe que os curdos som mais dependentes economicamente da Turquia, quanto mais control a Turquia pode ter sobre eles em todas as formas possíveis.

Quando os curdos permanecem neutros nos seus conflitos de interesses ou quando fazem negócios com os opositores do Iram, como Turquia e Israel, o Iram rebela-se contra os interesses dos curdos e usa a sua força militar e econômica superior e a sua influência no Iraque e na Síria e persegue os curdos bombardeando as zonas curdas da fronteira com o Iram, ou ordena que as forças de Assad bombardearem as áreas civis curdas na Síria ou congela o orçamento anual dos curdos do iraque, para tipicamente fazer que os curdos se movam na sua linha de ditados.

Estes dous regimes fascistas sabem muito bem que os curdos nom tenem capacidade económica e militar suficientemente fortes para resistir à sua pressom política e económica, e que nom se podem defender contra as agressons militares da Turquia ou do Iram, aproveitando os pontos fracos dos curdos e chantageá-los até que eles os obrigam a ceder às suas demandas e trabalham para eles. Eles vêem os curdos como umha raça inferior que nom serve para nada, exceto para servir os interesses dos persas e dos turcos, como se os seus milhons de povoaçom persa e turca, e o seu poder econômico e militar superior nom fosse suficiente para realizar as suas missons por si mesmos, sem vitimizar os curdos nos seus conflitos de interesses e luitas no Oriente Médio.

Nom há dúvida de que os curdos nom querem ser chantageados ou intimidados para trabalhar de um lado contra o outro. Os curdos iraquianos tenhemm tentado todos os meios possíveis para permanecer neutrais na rivalidade e guerra fria entre xiitas e sunitas no Oriente Médio. Os curdos já pagarom um alto preço, perdendo milheiros de vidas na luita contra o ISIS e a sua povoaçom sofrendo a crise econômica. Eles certamente nom precisam ser arrastados para outro conflito no Oriente Médio.

As políticas dos curdos parecem ser claras e justas em relaçom aos seus vizinhos. Pode-se dizer que tenhem umha atitude amigável e açons razoáveis que tomam ao lidar com os seus vizinhos. Acredito firmemente que os curdos nom querem tomar partido ou favorecer aos xiitas sobre os sunitas ou vice-versa. Eles preferem ter boas relaçons com a Turquia e o Iram sem discriminaçom.

Os curdos da Turquia e da Síria também querem permanecer neutros no conflito e nos confrontos entre o exército de Assad e o exército sírio livre. Na verdade, todos os partidos curdos, do Iraque, da Turquia, do Iram e da Síria tenhem a mesma opiniom de nom tomar um ou outro lado na guerra fria entre xiitas e sunitas ou entre o Iram e a Turquia. Os curdos estam bastante focados em ter uma coexistência pacífica com árabes, turcos e persas igualmente.

Nom acho razoável se os curdos tomam partido por algum de ambos os regimes, a Turquia ou o Iram, especialmente quando se sabe que esses dous regimes nom só som  antidemocráticos, mas também tenhem um alto registro histórico de violaçom dos direitos humanos dos curdos?

Se a Europa e os Estados Unidos realmente defendem a democracia, os direitos humanos e nom os interesses partculares, nom devem permitir que a Turquia ou o Iram devorem os curdos polos seus próprios ilegítimos interesses políticos e econômicos no Oriente Médio. E se realmente acreditam na justiça, devem aplicar duras sançons econômicas e um boicote ao turismo tanto no Iram quanto na Turquia imediatamente, encerrar as negociaçons de adesom à UE e congelar participaçom da Turquia da OTAN até que volte a democracia.

Abdul-Qahar Mustafa é um estudante graduado da High School de Saint Louis em Canadá. Ele é defensor da justiça, democracia e direitos humanos. Atualmente vive em Sarsang / Duhok, no Curdistam iraquiano.

Publicado em ekurd.

http://ekurd.net/iran-turkey-dragging-kurds-2016-11-28

“A Unidade no Curdistam do Sul terá um impacto positivo nas 4 Partes do Curdistam”

desmitasO co-presidente do Partido Democrático dos Povos (HDP), Selahattin Demirtaş falou sobre a visita em andamento do seu partido à Regiom do Curdistam (KRG) após a sua reuniom com o ex-líder da PUK (Uniom Patriótica do curdistam, segundo partido histórico da KRG), Jalal Talabani.

Em uma entrevista com Roj News, Demirtaş dixo que a visita tornara-se umha necessidade para abrir o caminho do Congresso Nacional Curdo e acrescentou: “Todos os nossas povos nas quatro partes do Curdistam querem que isso aconteça e querem que as tensons entre curdos diminuam.”

Iniciativa para limpar o caminho para o Congresso Nacional

Demirtaş dixo: “As tensons entre os partidos políticos no Sul do Curdistam tenhem um impacto negativo e reflexo sobre todo  o Curdistam. Sentimos a necessidade de tomar umha iniciativa na abertura do diálogo entre os partidos curdos de acalmar essa tensom e talvez abrir o caminho para o Congresso Nacional Curdo. Em última análise, o HDP tem um projeto e ideias para a resoluçom da questom curda. Também percebemos que todos os problemas estam ligados uns aos outros. Por esta razom, a evoluçom da Rojava e o Curdistam do Sul afeta-nos diretamente. Isso nom significa que estejamos a nos intrometer nos assuntos dos partidos políticos aqui. Nós estamos tentando ajudá-los a criar laços mais estreitos e manter canais de diálogo abertos. Os partidos digerom-nos que valorizam os nossos esforços.”

O co-presidente do HDP também acrescentou que era normal que os partidos políticos curdos pensaram de maneira diferente sobre as questons, mas que todas as questons, Ao final, teriam de ser resolvidas através do diálogo, algo que todos os lados estam dispostos a fazer.

Vimos desejo de umha soluçom para os problemas

“Até agora, em todas as reunions que tivemos, com Masoud e Nechirvan Barzani, o KDP, Komala, Yakgrtu (Uniom Islâmica do Curdistam) e outros partidos políticos e indivíduos, temos visto um grande desejo de resolver os problemas. Há grande desconforto com a forma como estam as cousas. Há muitas razons para os problemas que estam sendo enfrentados e cada umha tem umha abordagem diferente. Isso é compreensível. Mas nós vimos que há o desejo de reiniciar um diálogo, reúnir-se em torno de umha mesa e envolver-se diretamente. Usar a linguagem e abordagem dos partidos “um para o outro é muito importante. Um insulto ao outro e acusaçons através dos mídias tenhem que parar e todos concordam com isso. Este acordo nos faria felizes. É claro que nom é fácil de resolver todo imediatamente. Também nom é possível com umha visita e certamente nom é da responsabilidade do HDP. Os partidos políticos aqui vam resolver as questons entre si. Nós apenas queremos facilitar as cousas e abrir a porta para começar o diálogor”

Barzani assumirá as suas responsabilidades

O co-presidente do HDP também dixo que a abordagem do líder do KDP Masoud Barzani para resolver as questons em torno de unidade nacional foram positivas e que el tinha-se prometido que iria exercer as suas responsabilidades em relaçom ao Congresso Nacional.

As quatro partes do Curdistam estám aqui ‘

Demirtaş também falou sobre os confrontos actuais nas cidades curdas e os ataques do governo do AKP turco ao HDP. “Todo o mundo está ciente da nossa luita contra o governo estadual e o AKP turco. Acreditamos que, se pudermos garantir as relaçons entre os curdos terá um impacto positivo no Norte (Curdistam-Turquia) e Rojava. Por esta razom, é importante que haja unidade dentro de cada parte do Curdistam. Quero enfatizar que nom estamos aqui para resolver os nossos próprios problemas. Estamos a visitar para ajudar a resolver problemas entre os partidos aqui [do Sul do] Curdistam e questons de alianças e de diálogo no Norte e na Rojava. As pessoas tenhem grandes expectativas em nós. Nom so os partidos políticos, mas todo o povo nas quatro partes do Curdistam querem que sejamos bem sucedidos e desejam que as tensons entre curdos diminuam.”

Acampamento *Makhmour
*[O acampamento de refugiados de Makhmour foi fundado no 1994 com milheiros de curdos que fugirom da repressom na Turquia.]

A umha pergunta de um jornalista sobre a extradiçom de alguns curdos que tinham a sua autorizaçom de residência cancelada e foram entregues à Turquia pola KRG, Demirtaş dixo: “Eu falei esse tema ao Sr. Nechirvan Barzani e dixo que tinha expectativas a esse respeito . El está muito sensível e dixo que iria lidar com o problema. Prometeu que iria atender os problemas que enfrentam as pessoas [do Norte-Turquia] que trabalham aqui e também quaisquer problema no campo de Makhmour.”

“É uma honra estar resistindo para o nosso povo

Em relaçom à prisom de deputados do HDP Demirtaş declarou ter notícias de que o presidente da Turquia Erdogan tinha dado instruçons para isso e comentou: “Quero que o povo saiba que eles nom precisam de se preocupar por nós, polos seus deputados. Assim como todos os outros filhos deste povo sabemos como resistir, nós também imos torná-los orgulhosos. Nem umha soa pessoa vai ajoelhar ou obedecer as suas ordens e nrm umha soa pessoa vai dizer nada [no tribunal]. Este é o nosso dever e é umha honra. É umha honra resistir polo nosso povo.”

As pessoas devem-se levantar ‘

O co-presidente do HDP continuou; “Mas as pessoas também precisam de se levantar polos seus e suas deputadas. Quando há umha prisom, independentemente de quem é, todos devem tomar as ruas e fazer ouvir as suas vozes. Esta questom nom é o nosso problema pessoal. Devemos mostrar a Erdogan de que as cousas nom podem continuar desta forma. Imos resistir, imos resistir com o nosso povo. Imos levar perante os tribunais aos autores dos crimes contra o nosso povo; aqueles que queimarom e destruírom as nossas casas, mataram os nossos jovens e queimarom vivos os nossos companheiros,  nom vam ficar impunes.”

“O Presidente Öcalan fixo um chamado. Dixo que estava pronto [para a resoluçom]. El disse que tinha um projeto que poderia resolver o problema [curdo] em seis meses. Mas el também sabe que o AKP e Erdogan nom quere isso. A única maneira que nós podemos torná-lo possível é mantermos fortes, resistir e mostrar ao estado mais umha vez que eles nom podem nos fazer ajoelhar usando as armas, os bombardeos  e os tanques.”

Falando em curdo

Demirtaş respondeu as críticas de que ele era “o líder de um partido curdo, mas nom sabia falar curdo”, respondeu no dialeto curdo **Kurmancki (Zazaki).
**O zaza é um dialeto falado por 1,5-3 milhons de pessoas dos 15-20 milhons de curdos que vivem em Turquia].

Demirtaş dixo que era um curdo zaza e fala zazaki com a sua família e compreende Kurmanji e Sorani [os dous dialetos maioritários do curdo], mas nom sabe falar o suficientemente bem para fazer discursos políticos. “Por essa razom eu fago os meus discursos em turco”, dixo, antes de passar a perguntar se isso era algo para se envergonhar. “Sim, é algo para se envergonhar. Mas nom é a minha vergonha. É a vergonha do Estado turco. É a vergonha das suas políticas de assimilaçom. Essa política [de dizer que os líderes curdos som incapazes de falar curdo] é guerra suja, psicológica dos meios de comunicaçom controlados polo Estado turco. O nosso povo nom os ouve”, respondeu.

“Eu gostaria de falar todos os dialetos da minha língua materna: Zazaki, Kurmanji, Sorani e os outros dialetos. Ao invés de criticar as políticas de assimilaçom do estado eles estam tentando de nos envergonhar, o que mostra como desonrados eles som. Esta pode ser umha carência para nós, mas para eles é umha fonte de vergonha “.

 

Publicado em Roj News

 

 

Jovens curdos unem-se ao PKK para pegar em armas contra o ISIS depois de ficar desiludidos com o seu governo

PKK KRG 01Por Cathy Otten

Um número crescente de jovens curdos iraquianos estam-se juntando ao Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), apesar da quebra do cesse-fogo do grupo rebelde com o governo turco, que desatou reiterados ataques aéreos contra as suas bases no norte do Iraque.

O PKK está considerado um grupo terrorista polos EUA e a UE, bem como pola Turquia, mas os jovens curdos dim que se querem juntar aos seus combatentes na batalha contra o Isis – em parte por causa da frustraçom com as falhas percebidas do seu próprio governo na semi -autonoma regiom do Curdistam. Jovens curdos nom parecem desanimar polo risco de ataques polas forças turcas – que enviou tropas terrestres ao norte do Iraque sem autorizaçom curda, por primeira vez desde 2011, no que foi descrito como umha operaçom de “curto prazo” para caçar rebeldes curdos.

Dous batalhons de forças especiais da Turquia segundo afirmarom autoridades turcos estavam na “perseguiçom” dos envolvidos em um ataque de bomba que matou 16 soldados o domingo. Umha outra bomba atribuída ao PKK matou 14 policiais no leste da Turquia o martes.

“O povo está aborrecido das promessas nom cumpridas do governo”, di um estudante de 23 anos, de Kirkuk que pediu nom ser identificada, e que estava planejando viajar para a regiom montanhosa de Qandil para se treinar como luitador com o PKK .

PKK KRG 02El di que razons semelhantes empurraram a outros jovens curdos a arriscar as suas vidas ao se juntar ao PKK. “Se eu acreditasse e confiasse nos partidos políticos no Curdistam, eu nom iria para Qandil”, dixo el.

A guerra com o ISIS está tendo um impacto crescente na regiom do Curdistam no norte do Iraque, agora sofre umha crise financeira causada pola paralisaçom de pagamentos do governo central de Bagdá. As disputas entre o governo iraquiano e a da regiom curda mais de orçamento e faturas de petróleo estam atrasando os pagamentos dos salários a funcionários do governo, e aos luitadores Peshmerga que luitam o ISIS nas linhas da frente.

A regiom prosperou durante mais de umha década depois da invasom liderada polos EUA do Iraque, quando companhias de petróleo aproveitarom a relativa estabilidade política. Mas a guerra contra o ISIS levou a projetos que estam sendo abandonados e o skyline da capital curda de Irbil tem dúzias de edifícios semi-acabados, enquanto toda a regiom está tensa acolhendo mais de um milhom de iraquianos deslocados e refugiados da Síria.

Os avanços democráticos no Curdistam forom frustrados pola corrupçom e o nepotismo, e os jovens curdos que vivem na idade do Facebook, smartphones e filmes americanos estam frustrados com os regulares cortes de energia e umha fraca infra-estrutura.

O porta-voz do PKK Zagros Hiwa afirma que esses fatores tenhem contribuído para um “grande aumento” no recrutamento do grupo de jovens curdos do norte do Iraque. O PKK luita umha sangrenta, e longa insurgência de 30 anos com o Estado turco poos direitos curdos antes de um cesse-fogo declarado em 2013. No final de julho a Turquia começou ataques aéreos contra o PKK após um atentado do ISIS na cidade de Suruc que matou a 30 ativistas pró-curdo, e os combatentes do PKK reagirom matando policias turcos. O PKK acusou o governo turco de ajudar o ISIS, algo que el nega.

Desde entom, a Turquia realizou centos de ataques aéreos contra alvos do PKK no norte do Iraque, e em troca os rebeldes matarom mais de 80 membros das forças de segurança turcas.

A renovada luita com a Turquia, a guerra na Síria e a ameaça existencial do ISIS estimularom o interesse no PKK, cujos recrutas som radicalizados através dos ensinamentos do líder preso do grupo, Abdullah Ocalan.

PKK KRG 03Os curdos, que somam mais de 30 milhons e vivem no Iram, Iraque, Síria e Turquia, sofrerom muito tempo de tortura, assassinatos e negaçom dos seus direitos por parte dos governos hostis. Combatentes do PKK estam entretanto na vanguarda das ofensivas contra os jihadistas do ISIS.

Serkeft, um luitador de 21 anos do PKK de Kirkuk, estava cuidando as feridas causadas por estilhaços nos seus braços e pernas em um ataque do ISIS enquanto falava ao The Independent em uma base ao suloeste de Irbil. El dixo que a nova guerra contra a Turquia nom era umha distraçom na luita com o ISIS; na verdade, afirmou, eles som umha e a mesma cousa. “Temos guerrilheiros suficientes” para ambas as frentes, dixo el, acrescentando: “o governo turco é a árvore e estamos lutando contra as polas”.

O Sr. Hiwa do PKK di que cerca de 100 jovens curdos do Curdistam iraquiano vinham as suas bases de Qandil todos os meses para se juntar ao grupo. The Independent nom puido verificar as suas declaraçons, mas as conversas com potenciais recrutas, as famílias de combatentes e organizaçons políticas ligadas ao PKK apontarom para o seu atrativo crescente em comparaçom com os partidos políticos curdos.

As autoridades de segurança em Kirkuk e a cidade de Halabja digerom que nom tinham dados sobre o número de residentes que se tinham aderido ao PKK. O Dr Saed Kakei, assessor do Ministro dos Peshmergas, afirmou que o seu ministério tinha “interesse” nas pessoas que tomam as armas com o PKK, mas que “as pessoas som livres para aderir a qualquer organizaçom”.

“A nossa missom é profissionalizar os Peshmerga, nom defender os jovens que se juntam a outras organizaçons que nom estam sob o controle do Ministério dos Peshmerga”, dixo el. Perguntado sobre o que motiva os jovens curdos para se juntar ao PKK, el respondeu: “. Nós nom tomamos partido em divergências políticas”

PKK KRG 04Amanj Hamid de Kirkuk foi morto polo ISIS na cidade síria de Hassakeh o ano passado, enquanto luitava com as YPG, as forças curdas lá que estam alinhadas com o PKK. “Ao vê-los na TV, el dixo:” Eles som os verdadeiros curdos, temos que ajudá-los”, di o irmao de Amanj Faridun na casa da família, no sul de Kirkuk. A casa que deixou há três anos, com 21 anos, o Sr. Hamid, sem uma palavra. Um dia depois, el enviou a sua mae umha mensagem de texto informando que el “escolhera o caminho certo”. Eles nem falarom com el, nem o virom vivo novamente.

Jwan (nome fictício), de 23 anos, di que ela estava muito influenciada polas guerrilheiras do PKK no início deste ano. “Eu vim como as guerrilheiras luitam e eu decidi que queria ser como elas”, dixo ela, “Quando as vi eu nom queria ir para casa. Eu pensei, ‘Como é que elas vinheram aqui para nos proteger, por que nom podemos proteger-nos? ”

Como membro de umha organizaçom da juventude ligada ao PKK em Kirkuk ela está aprendendo sobre a ideologia de Abdullah Ocalan. Todos os dias ela vê os jovens que chegam a juntar-se. “A maioria está com raiva e quer ir para a Europa, mas eles vêem que eles podem fazer algo polo seu país aqui”, di ela. “Eles estam com raiva por causa dos políticos […] Eu estou com raiva porque os partidos aqui tenhem muito dinheiro e o monopólio do poder. Eles nom fornecem ao povo.. Quando o povo vê os combatentes do PKK, sem salários vem que eles som bons. ”

Combatentes do PKK experientes raramente expressam dúvidas sobre a necessidade da luita violenta. Mas Jwan admite que a sua mente nom está totalmente afeita e ela ainda está pensando sobre a possibilidade de deixar a casa da família para os campos de treinamento do grupo em Qandil, “Eu nom decidim ir para sempre por causa da minha mae – quando es umha guerrilheira nom há tempo para visitar a família, nom há férias ou sinal de telefone na montanha “, dixo ela.

Publicado polo jornal britânico The Independent.

Na KRG: Presidente Responsável ou Irresponsável? Essa é a questom

KRG ParlamentoPor Sardar Aziz

A história do Parlamento do Curdistam iraquiano remonta-se a inícios dos anos 1990. Surgiu após a retirada do governo central da regiom e o surgimento de um Estado curdo de facto. Durante a maior parte da sua história o parlamento foi um veículo para os “homes fortes” para governar a regiom – sem participar no parlamento. Foi baptizado como o lugar para quadros médio dos partidos. Em 2009, após o surgimento de partidos de oposiçom na regiom por primeira vez, o parlamento passou de um sistema único político-partidário a política multipartidária. Pode-se argumentar que o surgimento da oposiçom marcou o nascimento do parlamento como umha verdadeira instituiçom.

O 23 de junho de 2015 foi outro marco na história da instituiçom. Diferente de qualquer outra sessom parlamentar, a sessom do 23 de junho foi nem mundana nem normal. O que se desenrolou qualifica-se como um evento político, por excelência. A sessom foi dedicada principalmente à primeira leitura de quatro alteraçons à lei presidencial do Curdistam. Estas alteraçons forom propostas por Gorran, a Uniom Patriótica do Curdistam (PUK), um grupo parlamentar misto (que compreende parlamentares de diferentes partidos políticos) e pelos três grupos islâmicos sob o título do bloco islâmico. Estes quatro grupos parlamentares formarom umha aliança ad hoc exigindo um sistema parlamentar adequado para a KRG. Opondo-se estava o Partido Democrático do Curdistam (KDP), em busca de um forte poder e ampla autoridade para o presidente. (Barzani, o líder do partido KDP, foi presidente da regiom por mais de umha década). Por esta razom alguns descrevem o sistema político da KRG como semi-presidencial, parecido com o modelo francês.

A abertura da sessom parlamentar foi ansiosamente esperada por ambos os lados, embora por razons diferentes. Desde o 30 de junho de 2013 o espectro que pendura sobre o parlamento forom a aliança do KDP e a PUK que aprovou umha resoluçom que prorrogava o mandato do Presidente por mais dous anos (na época o presidente já tinha estado no poder por oito anos). A PUK pagou um alto preço polas suas açons e, na última eleiçom, ela viu umha grande queda no apoio, retornando com apenas 18 deputados e caindo ao terceiro maior partido.

A sessom do 23 de junho também foi ansiosamente aguardado pola povoaçom em geral. Aos olhos de muitos os acontecimentos ocorridos provavelmente poderiam decidir o futuro da participaçom de Gorran no governo de coalizom e, criticamente, o poder do presidente do parlamento. Umha das principais ferramentas do povo som as mídias sociais. Isso dá-lhes influência na política e tomada de decisom, um caso claro de tecnologia empoderando a maioria até entom silenciada.

Os acontecimentos do 23 de junho começarom a se desenrolar cedo. De manhá cedo os deputados estavam indo para o edifício do parlamento de concepçom soviética para participar de um evento que seria histórico, nom apenas para o parlamento, mas para todo o país e um ponto de referência no processo de democratizaçom. (Apenas o funcionamento do Estado de direito e das instituiçons pode evitar que a regiom escorregue para o beco escuro de um governo de home forte, como muitos outros lugares no Oriente Médio). A atmosfera era estranha e rumores e teorias de conspiraçom eram abundantes. Na noite anterior, os dous lados incansavelmente tentou de tudo para alcançar os seus objetivos. O lado pró-parlamentar estava preocupado com a possibilidade de violência no parlamento, ou até mesmo de seus membros ser-lhes negado o acesso ao edifício que era protegido só por militantes paramilitares do KDP. Umha maneira que pensarom para evita-lo era convidar a comunidade diplomática da cidade. Mas o sistema pró-presidencial ou semi-presidencial nom só ameaçava com paus, também oferecerom umha abundância de cenouras. Como o Parlamento exige a presença da maioria absoluta para ler qualquer projeto de lei ou aprovar qualquer lei, o preço oferecido por nom comparecer no salom do parlamento forom altíssimos naquela manhá.

Quando a sessom começou o stress e a tensom eram palpáveis. Tornou-se claro que o assistência era umha aquém da quota necessária. Os grupos pró-parlamentares estavam segurando a respiraçom e esperando a chegada de um deputado para fazer o dia ou a história. Esse momento estressante durou um tempo e toda a regiom estava assistindo ao vivo pola televisom. No último momento, o único membro do Partido Comunista do Curdistam aos poucos, lentamente entrou. Pode ser o paradoxo da história na regiom que se tornou possível o destino de um tal passo decisivo para a democratizaçom por um membro de um partido comunista. A sessom começou imediatamente e tudo mudou.

As consequências ainda está para tornar-se aparente. É mais possível que as partes através dos seus politburos vaiam chegar a um consenso e tentar implementá-lo. No entanto, nom há nem umha maneira legal simples, nem mesmo um margem de manobra fácil de superar o problema. Dito isto, o presidente é inflexível e o público está ansioso. Há muitas lembranças más que assombram a todos. Tudo isso está acontecendo enquanto a regiom enfrenta muitas outras questons intimidantes na área da segurança, economia e corrupçom do goerno.

Sardar Aziz, é Assessor do Comitê de Recursos Naturais do Parlamento Regional do Curdistam e colunista.

Publicado por Kurdistan Tribune.

Vencer nas batalhas e perder a guerra?

YJA Estrela em QantilPolo Dr. Rashid Karadaghi

Eu temo polo Curdistam. Temo polo futuro do meu povo – os curdos. Em virtude de passadas experiências e as indicaçons atuais, temo que, ao final, quando esta guerra sangrenta com o ISIS chegue ao fim – e vai ser algum dia – vamos sair de maos vazias, apesar dos enormes sacrifícios que o nosso povo fixo para derrotar ao ISIS , incluindo, mais notavelmente, as preciosas vidas dos nossos heróis caídos, os Peshmerga, e o acolhimento de cerca de dous milhons de refugiados e pessoas deslocadas do Iraque e as chamadas “áreas disputadas” apesar da escassez de recursos, devido à recusa do governo iraquiano para dar ao Curdistam a sua parte do orçamento constitucionalmente atribuída como castigo por ter ousado nom se ajoelhar ante o Iraque árabe, mas esforçamos-nos para ser os mestres do nosso próprio destino.

Na sua essência a situaçom curda é o anseio milenário humano por libertar-se da opressom e a dominaçom. É a história do esforço heróico dos curdos de ser livres da relaçom senhor-escravo a que foi forçado todo o Grande Curdistam polos seus cruéis vizinhos ajudados polas potências coloniais desde longe. A questom é se as democracias ocidentais, que incorporam a idéia de liberdade e da dignidade humana e dos direitos humanos para o seu próprio povo, vam ser o suficiente corajosas para ficar com os oprimidos ou continuaram nas suas formas vergonhosas de um século e fazer de opressor. O Ocidente nom é apenas um espectador nesta luita; que determina o resultado de umha grande extensom. Eu acredito que é a obrigaçom moral da Gram-Bretanha e a França, as duas potências ocidentais que pugerom aos curdos na caixa, contribuir à sua libertaçom, em vez de ficar contra el.

Temo que as braverias dos Peshmerga e das nossas e nossos combatentes em Rojawa (Curdistam ocupado por Síria) e as lendas do heroísmo em Kobani e em outros lugares no território ocupado do Curdistam contra as forças do mal e da escuridade em breve tornaram umha cousa do passado, algo para os livros de história – e talvez um filme ou dous, algo que esta geraçom vai contar à próxima. Mas, tanto quanto ganhos concretos para o nosso povo, apesar dos seus sacrifícios e o seu papel crucial na guerra contra o ISIS, temo que vai fazer pouca diferença. Tem sido sempre assim: fazemos o suor e outros colhem os benefícios.

Continuaremos a perguntar por que as democracias ocidentais, que querem a liberdade e a democracia para as suas próprias povoaçons, independentemente de raça, cor, gênero e origem nacional, optarom por um século inteiro por apoiar regimes ditatoriais ocupando o Curdistam, em vez de apoiar aos curdos na sua busca pola liberdade. O que é ainda mais surpreendente é que os opressores dos curdos nom estam escondendo os seus sentimentos anti-ocidentais profundamente enraizados e o seu ódio pola maioria dos valores ocidentais de liberdade e de igualdade de direitos. Por outro lado, aos curdos, como um todo, som conhecidos por abraçar os valores ocidentais de liberdade e democracia e os direitos humanos. O Ocidente está escolhendo o ódio dos opressores dos curdos sobre o amor dos curdos. Desafiamos ao Ocidente para fazer umha cousa certa polos curdos, assim como eles tenhem feito em muitas partes do mundo.

Umha naçom de mais de quarenta milhons ainda está em cautiveiro por causa de um mapa sem sentido atraído por alguns colonialistas britânicos e franceses, que nom tinham respeito polos direitos do povo curdo. Esse regime de cem anos atrás é o principal responsável por todo o sangue curdo que foi derramado polos ocupantes do Curdistam. É este mapa que é utilizado hoje como justificaçom para nom fornecer armas diretamente aos Peshmerga. Os governos e os povos britânicos e franceses tenhem a obrigaçom moral de compensar o crime que foi perpetrado nos seus nomes cem anos atrás, apoiando um Curdistam independente hoje.

O conceito de “integridade territorial” tem sido um dos principais obstáculos no caminho dos curdos de receber o seu direito legítimo de um Estado. O Ocidente está-se agarrando, contra toda a lógica, à integridade territorial de um Estado que foi criado em conjunto por engano por pessoas de fora para reunir pola força um grupo de pessoas muito diferentes que se odeiam e nom querem viver juntos sob o mesmo telhado! Nom devemos esperar que os herdeiros das civilizaçons que produzirom a Carta Magna e a Revoluçom Francesa e a Constituiçom dos EUA para desfazer o nó que assola a regiom há um século?

Políticos e líderes governamentais elogiam aos curdos e aos Peshmerga por luitar contra o ISIS em nome de todo o mundo para que eles nom tenham que luitar contra eles no seu solo, mas os países ocidentais entregam armas e muniçons para os Peshmerga, quem estam fazendo a maior parte da luita contra o ISIS e pagando o preço mais alto por ela, através de Bagdá, sob o pretexto de que eles nom podem tratar com os curdos e Bagdá diretamente envia aos Peshmerga apenas uma fraçom das armas destinadas a eles por causa da sua profunda inimizade para com aos curdos. Se o Ocidente age assim quando ele precisa aos curdos mal, seria reconhecer os seus direitos e recompensar o seu papel indispensável quando o perigo passe?

Como os próprios curdos, devem manter as suas posiçons nas negociaçons, como tenhem feito no campo de batalha. Tem-se dito que o que os curdos ganham no campo de batalha perdem-no na mesa de negociaçom. Isto é devido à sua natureza de confiança, polo que pagarom caro. Para alcançar o seu objetivo, devem manter-se firme nas demandas curdas e nom cair nas manobras que o outro lado joga. Os curdos, por exemplo, agora estam pagando o preço pola sua posiçom indecisa durante a elaboraçom da constituiçom do “novo” Iraque em 2003-2004 sobre umha série de questons, tais como a forma como recebem a parte do orçamento, a designaçom de áreas historicamente curdas como “territórios disputados”, e a realizaçom de um referendo no Curdistam para ver se o povo curdo queria ficar como parte do Iraque. Ao dar em sobre estas e outras questons, os negociadores curdos pugerom em perigo o futuro do seu povo. A participaçom da Curdistam no orçamento deveria ter vindo diretamente a eles a partir dos rendimentos do petróleo e nom deixa-lo aos caprichos de Bagdá, que é o caso agora. Igualmente importante, quando os árabes nom aceitarom realizar um referendo no Curdistam no praço de doze meses, os delegados curdos deveriam-se ter erguido e voltar para casa. O povo curdo nom se pode permitir fazer mais nengum erro. É tempo que negociem com a mesma confiança e determinaçom que exibem no campo de batalha.

Publicado em ekurd.net