Transformemos o século XXI na era da liberdade das mulheres!

Declaraçom do Movimento das Mulheres do Curdistam (Komalên Jinên Kurdistan – KJK) polo 8 de Março

O Movimento das Mulheres do Curdistão (Komalên Jinên Kurdistan – KJK) emitiu uma declaração no âmbito do Dia Internacional da Mulher. Aqui, nós a reproduzimos na íntegra.

Nas montanhas do Curdistão, nas terras onde a sociedade se desenvolveu com a liderança das mulheres, cumprimentamo-las com nossa grande liberdade, paixão, ambição e luta inquebrável. Dos distritos de Rojava às florestas da América do Sul, das ruas da Europa às planícies da África, dos vales do Oriente Médio às praças da América do Norte, das montanhas da Ásia aos planaltos da Austrália; Com o nosso amor que não conhece fronteiras e com os nossos sentimentos mais revolucionários, abraçamos todas as mulheres que lutam pela liberdade e igualdade.

No quadro do dia 8 de março de 2018, Dia Internacional da Luta pelas Mulheres, comemoramos todas as mulheres que deram suas vidas na busca da liberdade, na resistência contra a escravidão, a exploração e a ocupação. De Rosa Luxemburg à Sakine Cansiz de Kittur Rani Chennamma à Berta Caceres, de Ella Baker à Henan Raqqa, de Djamila Bouhired da Palestina Sana’a Mehaidli à Nadia Anjuman, estamos sempre gratas as guerreiras imortais da luta de libertação das mulheres. Sua luz rompe a escuridão que nos impuseram; no caminho que elas iluminaram diante de nós, marchamos para a liberdade. Juntamente com elas, comemoramos todas as mulheres que foram assassinadas no decurso da ordem patriarcal de cinco mil anos, através de todos os tipos de violência masculina, guerras, terror do estado, ocupações colonialistas, poderes mascarados religiosamente, gangues masculinas, maridos e os chamados amantes. É a sua memória que aumenta a nossa determinação inabalável de acabar com o feminicídio, que é a guerra mais longa do mundo.

Caras Mulheres, Camaradas, Irmãs,

Estamos no meio de um processo histórico. O sistema patriarcal como um par contemporâneo da civilização estatista atravessa uma profunda crise estrutural. Como mulheres, devemos diagnosticar esta crise sistêmica com suas causas e consequências, estabelecer análises sólidas e desenvolver perspectivas que acelerem nossa luta. Porque, assim como a crise estrutural do sistema constitui uma grande ameaça para as mulheres em todo o mundo, esta situação também oferece oportunidades para garantir a liberdade das mulheres, oportunidades que só podem vir uma vez em um século. Nós até dizemos: podemos transformar o século XXI na era da libertação das mulheres! Isso não é um sonho ou uma utopia. É uma realidade, mas para torná-la real, devemos criar um programa para a libertação das mulheres para o século XXI.

Para isso, primeiro devemos entender completamente as contradições e os atributos fundamentais da época em que vivemos. Quais são as possibilidades e os riscos dessas contradições e atributos na perspectiva da libertação das mulheres? Que tipo de responsabilidades devemos assumir a este respeito, como organizações de mulheres e movimentos globais?

O sistema mundial entrou no século 21 em uma crise profunda usando termos como o “Nova Ordem Mundial”.

Na busca de se reorganizar como alternativa para sair da crise, a modernidade capitalista primeiro tentou aplicar esta nova ordem no Oriente Médio sob o nome de “Grande Projeto do Oriente Médio”. Recordamos o processo que começou com intervenções no Afeganistão e no Iraque, continuou com a Primavera árabe no norte da África e se intensificou nos últimos anos na Síria, no Iraque e na “Terceira Guerra Mundial” no Curdistão. Enquanto os regimes do Estado-nação no Oriente Médio, criados pelos estados ocidentais há cem anos para reproduzir permanentemente o caos e a crise tentam proteger o status quo, as potências estrangeiras tentam dividir a região entre eles de novo.

Chamar o período atual que o Oriente Médio vive como “Terceira Guerra Mundial” não é apenas uma tentativa de enfatizar a participação de poderes internacionais. Mais do que isso, é claro que a reconstrução da modernidade capitalista no Oriente Médio terá consequências a uma escala global. De fato, o sistema mundial contemporâneo ou a modernidade capitalista não é um fenômeno dos últimos 500 anos, já que, de fato, sua semente se enraizou na forma do primeiro estado há 5000 anos na Mesopotâmia e, desde então, sofreu diferentes transformações para se manter até hoje.

Por esta razão defender o Confederalismo Democrática como a “Terceira Via” contra disputas sobre manutenção do status-quo de estados regionais e intervencionismo redesenhados por potências estrangeiras, é uma responsabilidade fundamental para todas nós e ultrapassa as fronteiras da Síria e o Oriente Médio. O sistema de autonomia democrática que atualmente está sendo construído com a liderança das mulheres em Rojava, no norte da Síria, em condições de guerra e resistência é o único modelo de solução que tem o potencial de pôr fim à crise, ao caos, contradições e conflitos que foram reproduzidos sistematicamente na região durante o século passado. Os estados-nação criados com as fronteiras traçadas artificialmente após a Primeira Guerra Mundial não só não refletiram a composição étnica, cultural, religiosa e social da região, mas também visavam arruinar nossa cultura milenar de vida comunitária. Hoje, no norte da Síria, pela primeira vez, está sendo construído um sistema baseado na participação igual e livre das mulheres, no pluralismo étnico e religioso com democracia participativa. Como alternativa democrática, esse modelo representa uma solução para os problemas obsoletos do Oriente Médio, contra os regimes machistas, sexistas, nacionalistas e sectários, alimentados pelo sistema global há décadas.

Esta é a razão pela qual o Estado turco, que tem o segundo maior exército da OTAN, lançou uma operação contra o cantão Afrin em Rojava, no norte da Síria, em 20 de janeiro de 2018, com toda a força. Esta é também a razão pela qual as potências estrangeiras, como os Estados Unidos, a Rússia e a UE, não estão obstruindo os ataques militares contra Afrin. Isso ocorre porque Afrin está construindo um modelo de sociedade democrática com um núcleo de libertação das mulheres. A resistência é a ascensão das mulheres contra a vida capitalista moderna. A cidade e as aldeias vizinhas de Afrin resistem ao fascismo, à misoginia, ao afastamento da natureza e dos valores culturais e à animosidade entre os povos. É claro que não é apenas o estado turco e seus recrutados de gangues islâmicas, que estão enfrentando as Unidades de Defesa de Mulheres e as pessoas de Afrin. Em essência, em um pequeno território como Afrin, dois sistemas mundiais, duas ideologias, dois projetos futuros colidem em um nível colossal. Enquanto um se baseia na libertação, na ecologia e no pluralismo das mulheres, o outro é formado por misoginia, poder masculino, monismo, dominação e exploração. Um brilha com todas as cores da vida, enquanto o outro representa a escuridão. Portanto, é de vital importância para as mulheres do mundo reivindicar e defender a crescente resistência contra o fascismo em Afrin. Porque o que é atacado e o que é defendido são valores universais da liberdade das mulheres. Nesta ocasião, como KJK (Comunidade das Mulheres do Curdistão) damos as boas-vindas e felicitamos as combatentes da liberdade que assumem a liderança da resistência Afrin, bem como a cidade de Afrin, que heroicamente defende suas terras contra os invasores. As mulheres e a unidade ganharão. O fascismo perderá!

O processo de revolução em andamento em Rojava no norte da Síria demonstra esta verdade para todas nós: as revoluções reais devem ser as revoluções das mulheres. As tentativas revolucionárias que não se baseiam na libertação das mulheres não têm chance de sucesso. A razão fundamental para a incapacidade dos movimentos socialistas e revolucionárias do século XX alcançarem seus objetivos, apesar de seus inúmeros sacrifícios, dedicação e programas fortes, é o fato de não colocarem a libertação de mulheres no centro das suas batalhas. A questão da libertação das mulheres não é uma preocupação secundária, mas é a base de todas as outras questões. As mulheres são a primeira classe oprimida, escravizada, explorada, colonizada e dominada. Todas as outras formas de exploração começam após a exploração das mulheres. Por esta razão, liderar uma luta efetiva contra o sistema hegemônico só será possível no âmbito de um forte programa de ideologia e libertação, no qual as mulheres se organizem de forma independente e desempenhem um papel ativo separadamente. Nossa experiência de 30 anos de luta ideológica e prática como Movimento Pela Liberdade de Mulheres do Curdistão, nos mostra isto.

Queridas mulheres, queridas camaradas,

Uma vez que a semente do sistema global que deu base a modernidade capitalista reside no Oriente Médio, especificamente na Mesopotâmia, a atual crise sistêmica também é mostrada de forma mais clara e mais direta nesta região. Mas, como a crise vivida pelo sistema mundial capitalista patriarcal é global, não há terra que esteja livre dessa crise, nenhum lago, montanha ou rio que não tenha sido tocado, nenhuma sociedade que não tenha sido afetada pelas tentativas de dominação. No entanto, as mulheres são as mais afetadas pela crise. Isso, por sua vez, está diretamente relacionado ao caráter sexista da modernidade capitalista. O sistema está tentando superar sua crise explorando e abusando das mulheres ideologicamente e materialmente de uma maneira ainda mais enérgica.
Na verdade, é assim que tenta garantir sua existência.

Contra as reivindicações comuns, o liberalismo, como uma das ideologias fundamentais do Estado-nação, não contribuiu positivamente para a libertação e a igualdade das mulheres. Pelo contrário, especialmente na era do liberalismo, o sexismo foi desenvolvido e usado como um elemento ideológico. É uma grande mentira que o liberalismo liberta as mulheres. De fato, a mercantilização das mulheres em termos de seu corpo, personalidade e alma constitui a forma mais perigosa de escravização.

A libertação das mulheres é o poder opositor fundamental ao sistema mundial capitalista patriarcal. Todas as formas de poder, hegemonia, exploração, saque, escravidão, violência e opressão que o sistema cria, depende do domínio sobre a mulher. A escravidão e a propriedade impostas às mulheres, passo a passo, se espalham pela sociedade como um todo. Essa é a razão pela qual a luta de libertação das mulheres, de todas as lutas anti-sistema, tem o maior poder para sacudir os alicerces do sistema hegemônico masculino. E, na verdade, é essa dinâmica que revela a crise que o sistema experimenta. Como mulheres, devemos ver claramente o poder que possuímos e o efeito que criamos.

Nesse sentido, o aumento maciço de violência e ataques contra mulheres em todo o mundo está diretamente relacionado a esta situação de crise e a relação entre o sistema mundial capitalista patriarcal e a libertação das mulheres. O sistema sexista, baseado na exploração, ataca a mulher, que representa o maior desafio e o perigo para seu poder. Na verdade, estamos falando de uma guerra sistemática de agressão. A forma desta guerra de agressão pode diferir no nível local, mas estamos essencialmente diante de um fenômeno universal. Devemos ver as conexões entre estupros de gangues na Ásia e violência de gênero nos EUA. De forma holística, devemos examinar os assassinatos de mulheres na América Latina, que atingiram o nível de massacres, bem como o sequestro e a escravização de mulheres e meninas por gangues mascaras religiosas na África e no Oriente Médio. Juntas, devemos analisar o surgimento dos regimes fascistas e misóginos e o ataque aos avanços alcançados pelas mulheres, como resultado do avanço de suas lutas. E temos que estar plenamente conscientes do fato de que esta guerra, liderada pelo sistema patriarcal em escala global, está tentando sufocar a busca e a luta da libertação das mulheres.

Porque talvez, o sistema dominado pelos homens, nunca tenha sido tão pressionado na história da civilização. Suas bases nunca foram abaladas em tal grau. Da mesma forma, da perspectiva das mulheres, as condições para assegurar a libertação nunca foram tão maduras. As possibilidades de realizar a segunda grande revolução das mulheres nunca chegaram a esta etapa. É por isso que estamos passando por um período histórico. Grandes oportunidades estão disponíveis, mas os perigos são de igual tamanho.

Se for esse o caso, o que devemos fazer, se quisermos enfrentar esses perigos e avaliar efetivamente as possibilidades de garantir a libertação das mulheres e, por meio disso, a libertação de toda a sociedade? Como podemos nos defender contra os ataques crescentes do sistema? Nesse sentido, a autodefesa não deve ser entendida como passiva. É necessária uma autodefesa ativa. A maior e mais efetiva forma de autodefesa é criar vida livre e restringir as veias do sistema dominado pelos homens. Devemos tornar a vida insuportável para o sistema e não o contrário. Mas para que isso aconteça, devemos levar nossa luta a um nível mais alto. Numa escala global, a luta de libertação das mulheres criou uma base sólida em termos teóricos e práticos. Mas agora é a hora de fazer um movimento.

Como Movimento para a Libertação da Mulher do Curdistão, estamos envolvidos em uma grande luta por mais de 30 anos para aprofundar a Ideologia da Libertação da Mulher, para revelar o poder e a consciência da autodefesa das mulheres, para garantir a participação igualitária e livre das mulheres na esfera política, superar o sexismo em todas as esferas da vida e acelerar a liberdade das mulheres. Neste caminho, sempre entendemos a grande importância e o significado de compartilhar nossos resultados e conclusões com todas as mulheres do mundo. E agora, com grande entusiasmo, alegria e determinação, para transformar o século XXI na era da mulher libertada, a fim de promover a segunda grande revolução das mulheres, buscamos cumprir nossa missão como Movimento de Libertação da Mulher a nível internacional.

Queridas mulheres.

É absolutamente essencial que nós organizemos a nível universal para criar um sistema global livre e igual de mulheres contra o sistema mundial machista, patriarcal e capitalista. Uma tática crucial do sistema hegemônico é a divisão. Nosso poder, no entanto, deriva da unidade. Sem rejeitar as diferenças entre nós, ao mesmo tempo em que protegemos nossas particularidades e cores, não há nada que uma luta de liberdade global de mulheres, não possa alcançar. Para que isso aconteça, devemos desenvolver alianças democráticas das mulheres. Devemos desenvolver formas, métodos e perspectivas adequadas às condições, características e necessidades do século XXI. Essencialmente, todas devemos desenvolver o programa de libertação das mulheres do século XXI.

Como Movimento de Liberdade das Mulheres do Curdistão, devemos o desenvolvimento da nossa revolução, como uma revolução feminista, ao nosso líder, Abdullah Öcalan, que, há 19 anos foi sequestrado pela conspiração da organização da gangue de estado chamada OTAN e ainda hoje é refém, em termos historicamente sem precedentes, e em condições de total isolamento na Turquia. São as análises do sistema de Öcalan, suas perspectivas de libertação, sua transformação pessoal, seus esforços intermináveis para o desenvolvimento do movimento de liberdade das mulheres que compõem o poder por trás dessa dinâmica que agora inspira pessoas em todo o mundo. Seu confinamento em uma ilha prisão nos últimos 19 anos e seu isolamento completo do mundo exterior nos últimos 3 anos, são devido a influência de suas ideias. Mas os pensamentos não podem ser isolados; Espíritos livres não podem ser reféns.

O seguinte trecho das perspectivas de Öcalan, desenvolvido em condições de isolamento na prisão, é esclarecedor da perspectiva da universalidade da luta de libertação das mulheres: “Sem dúvida, a consideração da situação das mulheres é uma dimensão da questão. Mas o que é mais importante diz respeito à questão da libertação. Em outras palavras, a solução do problema é de grande importância. Costuma-se dizer que o nível de liberdade geral da sociedade pode ser medido pela liberdade das mulheres. O que é certo e importante de considerar é como esta afirmação pode ser completada. A libertação e a igualdade das mulheres não somente determinam a liberdade e a igualdade da sociedade. Para isso, a necessária teoria, programa, organização e planos de ação são necessários. Mais importante ainda, mostra que não pode haver políticas democráticas sem mulheres e, além disso, de fato, a política de classes permanecerá inadequada para o desenvolvimento e proteção da paz e da natureza.”

Como Movimento de Liberdade da Mulher do Curdistão, por ocasião do 8 de março de 2018, pedimos às mulheres do mundo: vamos nos juntar e desenvolver conjuntamente a teoria, o programa, a organização e os planos de ação necessários para a libertação das mulheres. Com a consciência de que apenas uma luta organizada pode trazer resultados, aumentemos nossa organização em todas as esferas da vida. Vamos coletivizar nossa consciência, poder de análise, experiências de luta e perspectivas para criar nossas alianças democráticas. Não nos separemos umas das outras – vamos nos esforçar juntas. E no curso, vamos transformar o século XXI na era da libertação das mulheres! Porque este é exatamente o momento certo! É hora da revolução feminista!

Em todo lugar é Afrin, em todos os lugares é resistência!

Viva a luta universal da liberdade das mulheres!

Jin, Jiyan, Azadî!

8 de março de 2018
Komalên Jinên Kurdistan (KJK)

Em The Region e traduzido polas companheiras do Comitê Solidário aos povos do Curdistão-RS 

 

Jinwar : A Aldeia de Mulheres Livres em Rojava

jinwarEm Rojava, o Comitê de Construçom da Aldeia de Mulheres Livres do Kongreya Star [confederaçom de organizaçons de mulheres em Rojava,] começou a construir umha aldeia de mulheres chamada “Jinwar” contra a violência contra as mulheres.

Enquanto as mulheres, quem criarom a revoluçom em Rojava, continuam a construir a vida, continuam as suas originais obras em todos os lugares. Começou-se a construir umha vila perto da cidade de Dirbesiye no cantom de Cizîre. A aldeia de mulheres que se chama  “Jinwar” começou a ser construída so pola solidariedade das mulheres. As obras de infra-estrutura da aldeia da vida, que é umha alternativa à violência contra as mulheres, continuaam. Em fevereiro, casas de tijolos de barro seram construídas com base nos princípios da vida ecológica. Os detalhes do projeto seram compartilhados mais tarde. O Comitê de Construçom da Vila das Mulheres Livres do Kongreya Star emitiu umha declaraçom de imprensa enquanto as mulheres estavam plantando sementeiras. Heval Rumet, da Academia de Jineologia, homenageou as irmás Mirabal em ocasiom do 25 de novembro como o Dia Internacional para a Eliminaçom da Violência contra as Mulheres e afirmou que poram em prática o projeto da aldeia de mulheres de Jinwar contra a violência contra as mulheres.

Heval, assinalou que as mulheres tinham enfrentado um genocídio das mulheres, dixo: “A ideologia de gênero pom os homens como potenciais assassinos de mulheres. A vida de cada mulher sem auto-vontade, auto-consciência, auto-organização e auto-defesa está em perigo. As mulheres, cuja vida física nom está em perigo, tenhem enfrentado a sua língua, sua cultura, seus sentimentos, seus pensamentos e seu trabalho para ser roubado e destruído. Nesse sentido, ficar de pé contra o genocídio das mulheres requer umha organizaçom multilateral e trabalhar com amor. Os projetos e as luitas exigem que se garanta que o nome da mulher nom seja referido à morte, mas a nossa cultura histórica iguala-a a vida novamente.”

Heval enfatizou que continuariam com grande asserçom e crença a desenvolver os espaços livres das mulheres sob a liderança da Jineologia, a ciência da Mulher-Vida-Sociedade e criaçom das mulheres livres. Heval expressou que plantaram sementeiras por todas as mulheres mortas e submetidas a agressons.”

1_jinha_logo_b_enPublicado em Jinha, Agência de novas feita por e de Mulheres, agora mesmo ilegalizadada em Turquia e com várias jornalistas presas em Turquia.

 

 

 

Carta às mulheres polo 25 de novembro de Figen Yüksekdağ

figen-yuksekdagA co-presidente do HDP, Figen Yüksekdağ, enviou umha carta por intermédio dos seus avogados desde a prisom turca para assinalar o dia 25 de novembro, o Dia Internacional para a Eliminaçom da Violência contra a Mulher.

A carta de Figen Yüksekdağ é a seguinte:

“Nós, apesar de todo, continuamos a dizer: liberdade, paz e democracia. Em particular, no 25 de novembro, a posiçom das mulheres que enfrentam diariamente a luita contra a violência, a perseguiçom e a discriminaçom desempenha um papel vital. As mulheres vam começar a iluminar essa escuridade. Saúdo a luita conjunta que se desenvolveu nos últimos dias contra o projeto de lei de anistia ao abuso sexual [das crianças].

O momento e o futuro seram determinados por aquelas que, contra todos os tipos de violência, assumem a resistência e a solidariedade das mulheres em todas as suas formas … Se é um crime acreditar em umha vida pacífica e igual para as mulheres e para toda a humanidade contra aqueles que adoram a violência do Estado-Macho, contra aqueles que consagram esta violência, violaçons e abusos, entóm continuaremos juntos a cometer esse “crime”…

O objetivo da violência é espalhar o medo, [e entóm] forçar a rendiçom. A resposta mais poderosa a esta violência pode ser fornecida por mulheres destemidas que recusam a render-se. Para as mulheres aprisionadas dentro dos muros da violência, da pobreza, da precariedade, da desigualdade e do desprezo, é hora de se tornar umha inspiraçom vestidas de coragem, defendendo o que é bom.

Nengum governo da crueldade ou violência conseguiu extinguir a chama da vida das mulheres. E é agora, mais umha vez, as mulheres que carregam a tocha da vida que vai iluminar os nossos povos.

Todo pode parecer muito difícil. A animosidade contra as mulheres e a vida pode parecer sob ataque desde todos os quatro cantos. Mas quem dixo que a nossa era umha tarefa fácil? A nossa tarefa é conseguir o difícil … E eu acredito que imos sair vitoriosas! Com a solidariedade e a resistência das mulheres, em todos os lugares, sob quaisquer circunstância, gritaremos diante daqueles que se alimentam da morte, da opressom e do ódio: Mulheres, vida, liberdade! (Jin, Jina, Azedi). Eles veram, mais umha vez, que nom podem tomar como reféns a nossa vontade política e que as mulheres nom trairam o seu amor pola liberdade …

Com esperança, com fé, com amor…”

 

“Cobertura da mídia sobre mulheres na revolução curda é superficial”, diz militante

Movimento das Mulheres no Curdistão tem se firmado como uma das mais belas iniciativas de empoderamento feminino

José Eduardo Bernardes

Brasil de Fato | São Paulo (SP), 21 de Setembro de 2016
Militantes da União de Proteção das Mulheres na frente de batalha do exército curdo / Wikicommons
Militantes da União de Proteção das Mulheres na frente de batalha do exército curdo / Wikicommons

O Curdistão é a maior nação sem um Estado do mundo. Sua população está espalhada pelo Iraque, Síria, Turquia e Irã, mas, na verdade, é como se não pertencessem a nenhum desses lugares. Enquanto lutam para serem reconhecidos de fato, os curdos resistem às tentativas de extermínio de seu povo pelo governo turco e pelo Estado Islâmico.

Na frente de batalha dessa revolução está o Movimento de Libertação das Mulheres no Curdistão, que tem se firmado como uma das mais belas iniciativas de empoderamento feminino. Tanto como parte integrante do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela independência curda, quanto na linha de frente armada que combate os turcos e o grupo extremista radical, as mulheres são pilares da revolução. Em 2015, elas estavam no fronte de batalha que expulsou o Estado Islâmico da cidade síria de Kobani.

Em setembro deste ano, a morte da combatente curda Asia Ramazan Antar, de 19 anos, que também era militante da União de Proteção das Mulheres (YPJ), brigada feminina do exército do PKK, foi transformada pela imprensa mundial em um espetáculo de objetificação da mulher curda, deixando de lado a importância da luta que elas travam por autodeterminação.

Para *Jinda Nurhak, integrante do Movimento das Mulheres do Curdistão, essa é uma clara tentativa de “esvaziar o contexto ideológico da real luta dessas mulheres”, afirma.

“Para nós, a beleza vem de dentro e, por isso, essas mulheres estão sempre sorrindo: porque a ideia de que a beleza vem de dentro as torna mais felizes”, completou Jinda.

A militante do PKK, que falou com exclusividade ao Brasil de Fato, destaca a abordagem negativa da mídia ocidental durante a cobertura dos acontecimentos no fronte de batalha contra o Estado Islâmico.

“A ideologia por trás da cobertura da mídia sobre a presença feminina na revolução é sempre superficial. A CNN [canal de notícias norte-americano] inclusive fez uma reportagem questionando porque elas não se maquiam”, diz.

Jinda também comentou sobre a questão feminina no Curdistão e como ela mesma ingressou na revolução curda. Confira alguns trechos da entrevista:

Brasil de Fato: Como nasceu a Unidade de Proteção das Mulheres?

Jinda Nurhak: O que aconteceu em Rojava, no Curdistão da Síria, mostrou que os curdos devem ter seu próprio sistema de defesa. A Unidade de Proteção das Mulheres veio de um contexto de mulheres que já lutavam no PKK. É uma rica história de mulheres tomando poder na Revolução Curda, nos últimos quatro anos.

Como as mulheres têm lutado para garantir seus direitos no Curdistão? 

A sociedade curda, na verdade, é diferente das outras na região, e as mulheres sempre ocuparam um lugar significativo. Enquanto as outras sociedades foram atingidas pelas leis islâmicas, na sociedade curda, muitas tribos são conhecidas por terem uma mulher como liderança. Mas, assim como os curdos são oprimidos por países estrangeiros, as mulheres também o são.

Assim que o movimento de revolução começou, desde o primeiro dia, as mulheres tomaram lugar nesse processo. Mas, antes disso, não havia conhecimento o bastante dos direitos das mulheres. Então, não existiam movimentos autônomos feministas e forças militares. Isso tudo veio somente depois.

Desde o início do PKK, o líder do partido, Abdullah Ocalan, dizia que o papel das mulheres nessa revolução não é apenas por questões nacionais, somente pela independência curda, mas sim para debater seus problemas como mulheres. Então, a partir daí, o nosso papel ficou cada vez mais relevante na revolução curda.

O caso da morte da jovem combatente Asia Ramazan Antar mostrou como a mídia tem reagido às mulheres que estão na linha de frente de batalha na Síria e no Iraque. Como o movimento vê essa abordagem e os questionamentos sobre a União de Proteção das Mulheres?

Desde o início, a mídia ocidental, especialmente, tem abordado a União de Proteção das Mulheres de uma maneira muito popularesco, de um jeito consumista. A ideologia por trás da cobertura da mídia sobre a presença feminina na revolução é sempre superficial. A CNN, inclusive, fez uma reportagem questionando porque elas não se maquiam e fazendo outras perguntas desse gênero.

Até mesmo a cultura ocidental consumista tentou alcançar as mulheres curdas, quando uma marca de roupas chamada H&M lançou uma linha de roupas utilizadas pelas curdas. As vendas só foram interrompidas pela quantidade de protestos que geraram.

O que eles querem fazer é esvaziar o contexto ideológico da luta dessas mulheres. Para nós, a beleza vem de dentro, e por isso essas mulheres estão sempre sorrindo: porque a ideia de que a beleza vem de dentro as torna mais felizes. Então, nós criticamos a maneira que o Ocidente aborda as nossas mulheres revolucionárias.

Como você ingressou na revolução curda, mais precisamente na União de Proteção das Mulheres?

Eu venho de uma família patriótica. Quando era mais jovem, eu não tinha ideia do que representava ser uma mulher e da luta das mulheres. Era movida por um sentimento nacionalista. Mas um livro que eu li que explicava como as mulheres curdas eram torturadas quando eram capturadas pelo governo turco me afetou bastante.

Depois de entrar no movimento e ver os treinamentos políticos da organização, para mim, os aspectos nacionais da luta passaram a segundo plano e deram lugar à luta ideológica das mulheres.

*A pedido da fonte, seu nome foi alterado.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

Publicado em Brasil de Fato.

Recuperando a esperança em Rojava

Recobrando a esperanza 01Por Jo Magpie

Em algum momento a começos de de fevereiro, eu estava animada por receber um convite para participar de umha delegaçom de mulheres a Rojava, a regiom autônoma de-facto de maioria curda no norte da Síria. A delegaçom estava aberta a mulheres jornalistas, ativistas e avogadas, e coincidia com o Dia Internacional da Mulher.

Eu ia com duas pessoas que nom tinha visto antes: Ali, umha amiga de umha amiga, e Kimmie quem eu entrevistara via Skype para o meu livro sobre mulheres caronas [NT: que fam dedo]. Ela já tinha carona em todo África Ocidental sozinha e escrivira em blogs sobre questons curdas e do Oriente Médio recentemente, de modo que parecia ser umha boa candidata para umha aventura. Nengumha de nós tinha qualquer ideia do que esperar, nom realmente. Mas todas nós estavaamos muito abertas, flexíveis e prontas para o desafio.

Precisávamos essa determinaçom e flexibilidade para atravessar a fronteira da KRG – o governo regional curdo no norte do Iraque – para Rojava. Fomos informadas de que a fronteira estava “nas maos pessoais de” Massoud Barzani, o primeiro-ministro, e que seria necessário obter um permisso.

Isto foi incrivelmente difícil, pois ninguém dos que podiam dar o permisso estava a atender o telefone ou e-mail. Para acrescentar a isto, na época em que começamos a planejar a nossa viagem, o Partido Democrático do Curdistam de Barzani, que está aliado com a Turquia, decidiu que a passagem da fronteira estivera fechada para jornalistas freelance. Logo fechada a quaisquer jornalista, com exceçom de representantes de grandes e bem conhecidas agências dos mídia. Desde que estivemos lá, a fronteira foi completamente fechada.

Nós finalmente conseguimos permisso após de dous dias de e-mails e telefonemas desde o nosso quarto de hotel em Zakho, e um dia inteiro de espera em um posto pouco antes da passagem oficial da fronteira, um rio que corta entre os dous países. Nom podedes imaginar a emoçom que sentim naquel barco azul enferrujado enquanto nos movíamos através das águas para a Síria.

Fum fazendo-me cada vez mais cética depois de anos de relaçom com os movimentos sociais: ecológicos, anti-militaristas, feministas, pola democracia, campanhas anti rodovias, anti fracking, contra a expansom dos aeroportos e contra as guerras e as guerras e guerras. O que eu tinha aprendido era esto: podemos fazer pequenas mudanças, podemos ter pequenos sucessos, mas contra o que estamos a luitar é muito maior que nós. Eu aprendim a fazer umha acçom porque era positiva por si mesma, em vez de sonhar com o sucesso. Eu aprendim a nom deixar que a derrota me debilitar. Mas agora, eu estava prestes a ver umha revoluçom com os meus próprios olhos?

ConsegRecobrando a esperanza 02uimos chegar a tempo para o Dia Internacional da Mulher e manifestamos-nos ao lado de milhares de mulheres com vestidos coloridos e ornamentados, gritando e cantando, polas ruas de Derbesi – umha aldeia cortada ao meio pola fronteira turco-síria. “Jin! Jiyan! Azadi! “cantávamos – mulher, vida, liberdade! Muitas das mulheres e meninas levavam bandeiras ou cartazes. Todas elas sorriam para nós com carinho nos seus olhos, até mesmo as mulheres que guardavam a marcha com Kalashnikovs envelhecidos, quem nos beijavam e abraçavam como todas as maes, irmás e avoas que conhecemos naquel dia.

Ao longo dos dias seguintes, tivemos um tour relâmpago de projetos. Visitamos o centro de saúde da mulher em Serekaniye gerido por umha jovem médico da Holanda altamente comprometida, som meios muito escassos, ajudada por três companheiras curdas que está treinando. Entre lidar com pacientes, a Dra. Ronahi respondeu pacientemente às nossas perguntas , sempre sorrindo, alternando entre o curdo, inglês, turco e árabe. “Algumhas mulheres caminham muitas milhas para chegar ao centro de saúde desde as aldeias”, dixo-nos, mentres chegava um pequeno grupo de mulheres com chador preto com as crianças nos braços.

O centro de saúde foi aberto por Weqfa Jina Azad a Rojava, a Fundaçom de Mulheres Livres da Rojava, que tenhem o objetivo de abrir um centro de saúde de mulheres e umha pré-escola em cada bairro, em todas as cidades de Rojava. Também visitamos duas pré-escolas que já abriram, assim como umha academia de mulheres.

Tornava-se óbvio após o primeiro par de dias que tínhamos imensamente subestimado a dimensom desta experiência. Eu tinha sabido sobre as forças armadas de mulheres, enquanto tiveram ampla cobertura nos mídias ocidentais, e tinha ouvido falar muito sobre a força dos movimentos feministas da regiom. Mas o que vimos foi muito além do feminismo tal como o conheciamos.

As mulheres na Rojava tomarom completamente o control dos seus próprios sistemas em todos os aspectos das suas vidas, desde a saúde à educaçom,  da legislaçom a justiça, bem como organizando três forças de defesa separadas e um corpo econômico independente.

Recobrando a esperanza 03Em toda a regiom, a sociedade está a organizar-se em um sistema democrático coordenado que funciona de baixo para cima, como umha árvore. Este sistema é chamado Confederalismo democrático, e vem das idéias de Abdullah Ocalan, o líder do PKK preso em Turquia.

Neste sistema, as pessoas primeiro se reúnem a nível de “comuna” local, que pode incluir umha aldeia inteira ou de 30 a 400 ou mais famílias. As comunas enviam entom delegados eleitos rotatórios ao próximo nível o “conselho de vizinhança”, composto por conselhos de coordenaçom de 7 a 30 comunas. De lá, os delegados vam ao Conselho Popular do Distrito. As decisons som tomadas no nível ao que afetam e todos os representantes som eleitos, com um home e umha mulher em cada posto.

Há comissons para lidar com questons como a defesa, economia e justiça. Há um Conselho da Mulher em todos os níveis, e comissons só de mulheres que funcionam em conjunto com as comissons gerais, tais como a comissom de economia. Kongira Star é a organizaçom guarda-chuva do movimento de mulheres que, como todas as outras comissons e órgaos públicos, está representado no Tev Dem, ou Movimento pola Sociedade Democrática.

Muitas leis forom recentemente aprovadas em Rojava, graças à força do movimento das mulheres. Proibiu-se a poligamia e os casamentos forçados e levarom a idade mínima legal para o casamento a 18 anos. As mulheres agora automaticamente obtenhem a custódia dos seus filhos no caso de divórcio. As mulheres que sofrem umha ampla variedade de questons podem ir para a Mala Jin ou Casa da Mulher. Até agora, existem treze Mala Jin só no cantom Cizire.

Os problemas aos que se enfrontam incluem maridos que tomam segundas esposas, casamentos forçados, questons de herança e violência doméstica. Como casa de justiça, as Mala Jin tenhem umha abordagem de mediaçom, envolvendo discussons entre todas as partes sempre que for possível – um casal, umha família, duas ou mais famílias ou tribos – e encontrar umha soluçom juntos. Em casos graves, as mulheres da Mala Jin podem decidir sobre um castigo para o agressor, como um período de desterro, ou podem mandá-lo para o sistema judicial oficial, onde podem enfrentar prisom, embora as mulheres que entrevistamos no Mala Jin expressaram um forte desejo de afastar-se da prisom e outras formas nom-reparadoras de castigo.

Recobrando a esperanza 04A unidade de economia das mulheres, ou Aboriya Jin, esta envolvida na coordenaçom de cooperativas. Elas digerom-nos com orgulho que acabavam de entregar umha concessom de 700 m2 de terra a um grupo de mulheres para uso em comum. Elas também discutiram o projeto de um banco de sementes que está sendo desenvolvido. Mais tarde, tivemos a oportunidade de visitar umha cooperativa que acaba de ser criada.

O Projeto Casa Verde é um pedacinho de céu no que costumava ser a linha da frente. Este é o lugar onde eu vi árvores e até mesmo umha borboleta por primeira vez na Rojava, e onde o ar é mais limpo. Umha mulher com o encanto travesso e umha energia contagiante mostrou-nos o projeto que ela está montando. Quando tudo funcione perfeitamente, as mulheres de dezoito comunas vam-no assumir e cultivar alimentos coletivamente, como umha cooperativa.

Também estam a criar umha escola para ensinar técnicas agrícolas às mulheres, que tradicionalmente tem sido considerado um trabalho de homes.

Da-se-lhe muita importância à educaçom em todos os níveis de cada sistema. Umha enorme percentagem da povoaçom é analfabeta. A língua curda foi proibida polo regime de Assad na Síria, bem como polo vizinho estado turco e mantinha-se a regiom economicamente pobre. Adicione a isso umha cultura extremamente patriarcal com idéias arraigadas sobre as mulheres e podemos começar a ter umha ideia de quam incrível realmente é essa transformaçom.

As mulheres estam agora a frequentar academias, onde elas aprendem sobre umha ampla gama de temas incluindo a história da regiom, liderança e responsabilidade, ética, legislaçom, políticas democráticas, o sistema de Rojava, auto-defesa legal, a autonomia das mulheres, ecologia e mais. Há aulas sobre a história da mulher, com base nas ideas de Ocalan de que “A domesticaçom  da mulher é a mais antiga forma de escravitude”. Isto é realmente radical. As mulheres na comunas, aldeias e campos de refugiados ensina-se-lhes sobre os seus próprios corpos e sistemas reprodutivos, desafiando séculos de vergonha e auto-ódio. As aulas som participativas, envolvendo discussons e debates em vez da dinâmica tradicional professor-aluno. As classes levam-se para a comunidade e organizam-se nas comunas e conselhos.

As mulheres tenhem as suas próprias forças de defesa separadas em três níveis diferentes, que se desenvolvem paralelamente, mas independentemente das forças masculinas. Além das YPJ – força militar das mulheres, que tem sido objecto de muitos documentários e reportagens ocidentais; há a Asayish, que som frequentemente descritas como umha força policial e as HPC, a força de defesa civil recém-formadas.

Recobrando a esperanza 05A crítica e a autocrítica som incorporadas ao sistema em todos os níveis. As mulheres nas organizaçons que visitamos muitas vezes nos perguntarom: “Tendes algumha crítica para nós? Que poderíamos melhorar? “As mulheres na Jineologia ou “ciência das mulheres” analisa criticamente os movimentos feministas de outros países, bem como outros tipos de sistemas sociais, movimentos de libertação e ideologias, incluindo o feminismo, anarquismo, socialismo e movimentos e idéias libertárias. Elas vêem os movimentos feministas ocidentais como altamente reformistas.

A segunda semana

A nossa segunda semana em Rojava foi muito diferente da primeira. Nós já nom eramos tratadas como visitantes, nom havia mais tours, mas faziamos parte do tecido da Rojava. Estávamos na recém-inaugurada International House, participando das atividades diárias como cozinhar refeiçons coletivas, participando de reunions um pouco longas sobre assuntos domésticos, indo para aulas de língua curda e os eventos sociais ao lado de outros europeus que optaram por viver na Rojava – pessoas que estam fazendo documentários, fundando projectos, pessoas que luitarom ou estam em processo de formaçom para luitar.

Este é o lugar onde eu comecei a entender o que poderia ser a vida em Rojava se eu ficasse.

Todas pensamos na possibilidade de ficar. Para mim, esses pensamentos eram sempre passageiros. Tinha um marido esperando-me de volta para casa, compromissos incompletos e responsabilidades que me faziam impossível ficar, ou polo menos altamente irresponsavel. Ali cambiou de idéia várias vezes, mas finalmente decidiu que nom era o momento de tomar umha decisom tam importante espontaneamente. Mas Kimmie decidiu ficar.

Dizer adeus a Kimmie foi difícil. O dia que marchamos, ela veu connosco no carro enquanto Jiyan – a mulher que tinha sido a nossa tradutora, guia e amiga – levava-nos de volta ao longo da estrada aparentemente interminável, através de umha série de cidades e vilas intercaladas com os mesmos poços de petróleo e paisagem sombria, travessar umhas montanhas e, finalmente, o rio que divide a Síria do Iraque.

Lembro sentir que já não era a mesma pessoa que tinha estado no pequeno barco enferrujado duas semanas antes, que parecia ter sido umha vida atrás.

O dia depois de sairmos de Rojava, a fronteira quedou fechada. Desde aquel dia, ninguém foi capaz de entrar ou sair legalmente, exceto um punhado de profissionais médicos. As pessoas que saem de forma irregular som detidas e presas no Iraque.

Rojava está agora enfrentando umha crise crescente: nom só ensanduichado entre o ISIS, Assad e umha Turquia muito irritada, mas a rota de abastecimento foi cortada e umha fome de grande escala está no horizonte. Os fertilizantes químicos dos quais a agricultura depende estam esgotados e a produçom de graos diminuiu drasticamente. Apenas um terço da colheita de costume de trigo seram produzidas este ano. As importaçons de alimentos e fertilizantes cessarom por causa do embargo. A regiom deve tornar-se completamente auto-suficiente, e rápido.

Alguns amigos em Rojava estam agora captando recursos para um ambicioso projeto para transformar a regiom desde um monocultivo de trigo -dependente dos químicos, em umha cultura agricultura biológica diversificada. O plano é que a regiom produça todo o adubo orgânico que necessita através da recolha de resíduos biológicos das cidades, vilas e fazendas, a par de um programa de educaçom integral para ensinar os  moradores como e por que eles deveriam separar os resíduos.

A minha liçom

Todos esses anos de organizaçom dos movimentos sociais na Europa ensinarom-me que a esperança era inútil ¬ mas estava errada. Há umha verdadeira revoluçom acontecendo agora, neste mesmo momento, e é mais bonita do que eu imaginava possível. Nom é perfeita, nada o é, mas a força, amor e determinaçom das mulheres no Rojava tenhem-me mostrado o que a luita significa realmente. Elas mostraram-me o verdadeiro significado da solidariedade, e elas derom-me esperança.

A gente perguntam-me se eu acho que essa revoluçom vai durar, se terá sucesso. Nom sei o que o futuro trará. Mas sei que esta revoluçom nom só é de baixo para cima, é também de dentro para fora. Esta é umha revoluçom na consciência, nom só na política, e tem transformado a vida de inúmeras mulheres e homens, talvez por incontáveis geraçons vindouras

Em alguns aspectos, a revoluçom já ganhou.

Jo Magpie é umha jornalista freelance e escritora, com umha paixom pola liberdade de movimento, de carona, do Curdistam e mais amplo do Oriente Médio. Entre escrever sobre fronteiras e revoluçons, está trabalhando em um livro sobre mulheres que fam boleia..

Publicado em Opendemocracy. Todas as fotografias som de Jo Magpie quem possue todos os direitos.

Do Genocídio à Resistência: As Mulheres Jázidies Contra-atacam

From Genocide to Resistance 01Por Dilar Dirik

SHENGAL – O velho provérbio curdo “Nós nom temos amigos, so as montanhas” tornou-se mais relevante do que nunca, quando o 03 de agosto de 2014, o grupo assassino do Estado Islâmico lançou o que é conhecida como a 73a massacre sobre os Jazidis ao atacar a cidade de Sinjar (em curdo: Shengal), matando milheiros de pessoas e violando e seqüestrando as mulheres para vendê-las como escravas sexuais. Dez mil jazidis fugirom para as montanhas Shengal em umha marcha da morte na que, e em especial as crianças, morrerom de fome, sede e cansaço. Este ano, no mesmo dia, os Jazidis marcharom nas montanhas de Shengal novamente. Mas, desta vez em um protesto para jurar que nada nunca mais será o mesmo novamente.

No ano passado, os Peshmerga curdo-iraquiano do Partido Democrático do Curdistam (KDP) prometeu ao povo garantir a segurança de Shengal, mas fugirom sem aviso quando o Estado Islâmico atacou, nem mesmo deixando amas para que as pessoas se defenderam. Em vez disso, foi a guerrilha curda do PKK [HPG], assim como as Unidades de Defesa do Povo, ou YPG, e as YPJ de Rojava, que, apesar de so contar com Kalashnikovs e um punhado de combatentes, abriu um corredor para Rojava, resgatando 10.000 pessoas.

Durante um ano inteiro, as mulheres Jázidies foram retratadas como vítimas indefesas de violaçons polos mídia. Inúmeras entrevistas repetidamente perguntavam-lhes quantas vezes foram violadas e vendidas, tornando-as impiedosamente a reviver o trauma por causa de umha reportagem sensacionalista. As mulheres Jázidies foram apresentadas como a personificaçom do lamento, mulheres rendendo-se passivamente, a última vítima do grupo Estado Islâmico, a bandeira branca feminina para o patriarcado. Além disso, as mais selvagens representaçons orientalistas grotescamente reduziu umha das mais antigas religions que sobrevive no mundo a umha nova área exótica ainda a ser explorada.

Ignorando o feito de que as mulheres Jázidies se armaram e agora mobilizam-se ideologica, social, politica e militarmente com a estrutura traçada por Abdullah Öcalan, líder do PKK. Em janeiro, o Shengal Founding Council foi criado polos delegados Jázidies tanto da montanha como dos campos de refugiados, exigindo um sistema de autonomia independente do governo central iraquiano ou da KRG. Vários comités de educaçom, cultura, saúde, defesa, mulheres, juventude, economia e de organizaçom das questons cotidianas. O conselho baseia-se na autonomia democrática e encontrou a dura oposiçom do KDP, o mesmo partido que fugira de Shengal sem luitar. As YBŞ recém-fundadas (Unidades de Resistência de Shengal), o exército feminino YPJ-Shengal, e o PKK [HPG] constituirom a linha de frente contra o Estado Islâmico aqui, sem receber parte das armas fornecidas aos peshmerga polas forças internacionais. Vários membros do conselho das YBŞ também foram presos no Curdistam iraquiano.

From Genocide to Resistance 02O 29 de julho, mulheres de todas as idades figerom história ao fundar o autónomo  Conselho de Mulheres de Shengal, prometendo: “A organizaçom das mulheres Jázidies será a vingança por todas as massacres” Elas decidirom que as famílias nom devem intervir quando as meninas querem participar em qualquer parte da luita e comprometer-se com a democratizaçom interna e transformando a sua própria comunidade. Elas nom querem simplesmente “recomprar” as mulheres raptadas, mas libertá-las através da mobilizaçom ativa ao estabelecer nom só umha física, mas também umha auto-defesa filosófica contra todas as formas de violência.

O sistema internacional despolitiza insidiosamente às pessoas afetadas pola guerra, especialmente os refugiados, moldando um discurso para torná-los sem vontade, conhecimento, consciência e política. No entanto, os refugiados Jázidies na montanha e no campo de Newroz em Derik (al-Malikiyah), que foi criado na Rojava imediatamente após a massacre, insistem na sua representaçom. Embora algumhas organizaçons internacionais fornecem umha ajuda limitada agora, devido ao embargo imposto pola KRG [Autonomia Curda do Iraque], quase nengumha ajuda foi capaz de atravessar para Rojava. As pessoas no  acampamento Newroz contarom-me que, apesar das tentativas do Gabinete do Alto Comissariado das Naçons Unidas para os refugiados “de modelar o campo e o seu sistema educacional de acordo com a sua visom de cima para baixo, a montagem do acampamento resistiu, forçando umha das maiores instituiçons internacionais a respeitar o seu próprio sistema autônomo. Agora, a educaçom, alfabetizaçom, arte, teatro, cultura, língua, história e ideologia som ensinados polas geraçons anteriores e as comunas organizam as as necessidades e problemas diários em Derik e Shengal.

“Todos esses conselhos, protestos, reunions, a resistência pode parecer normal. Mas todo isso surgiu desde há só um ano em Shengal, ista é umha revoluçom “, dis umha guerrilheira Jázidi do PKK. “A disposiçom de Rojava atingiu Shengal.” Hedar Reşit, umha comandante do PKK de Rojava que ensinava sobre a sociologia de Shengal antes e depois do mais recente genocídio, estava entre as sete pessoas que luitarom contra o Estado Islâmico no início da massacre e foi ferido na abertura do corredor para Rojava. A presença de mulheres como ela das quatro partes do Curdistam afetou enormemente à sociedade de Shengal.

“Por primeira vez na nossa história, tomamos as armas porque com a última From Genocide to Resistance 04massacre, entendemos que ninguém nos protegeria; devemos fazê-lo nós mesmos: “Foi o que me dixo umh jovem luitadora das YPJ-Shengal, que se rebatizou como Arin Mîrkan, umha heroína martirizada na resistência de Kobane. Ela explicou como garotas como ela nunca se atreveram a ter sonhos e só sentava na casa até que casara. Mas como ela, centos juntaram-se à luita agora, como a jovem que cortou o seu cabelo, pendurado a trança sobre o túmulo do seu marido martirizado, e juntou à resistência. O genocídio físico pode ter acabado, mas as mulheres som conscientes de ser um “branco”, ou seja, o genocídio sem derramamento de sangue, como os governos da UE, especialmente a Alemanha, tentam seduzir as mulheres Jázidies no exterior, extirpá-las das suas casas sagradas e instrumentalizando-as para as suas agendas.

Mae Xensê, membro do conselho das mulheres, beija à sua neta e explica: “Eu recebo treinamento armado, mas a educaçom ideológica é muito mais importante para que possamos compreender por que a massacre aconteceu e que cálculos fam a nossa custa. Essa é a nossa auto-defesa real. Agora nós sabemos que estávamos tam vulneraveis porque nom estávamos organizados. Mas Shengal nunca mais será a mesma novamente. Graças a Apo (Abdullah Öcalan). ”

Umha mulher Jázidi, Sozdar Avesta, membro do conselho e presidência da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK) e comandante do PKK [HPG], elaborou: “Nom é umha coincidência que o Estado Islâmico atacara umha das comunidades mais antigas do mundo. O seu objetivo é destruir todos os valores éticos e culturas do Oriente Médio. Ao atacar as Jazidis, eles tentarom acabar com a história. O Estado Islâmico organiza-se explicitamente contra a filosofia de Öcalan, contra a libertaçom das mulheres, contra a unidade de todas as comunidades. Assim, derrotar o grupo exige a sociologia certa e lietura histórica. Além de destruí-los fisicamente, nós também devemos remover a ideologia do Estado Islâmico mentalmente, que também persiste na atual ordem mundial. “Um ano atrás, o mundo assistiu ao genocídio inesquecível dos jazidis. Hoje, as mesmas pessoas que, enquanto todos os outros fugiram resgatou os Jazidis, estam sendo bombardeados polo Estado Islâmico turco com a aprovaçom da OTAN. Especialmente quando os estados que contribuíram para a ascensom do Estado Islâmico prometem derrotá-lo e destruir o tecido social do Oriente Médio polo caminho, a única opçom de sobrevivência é estabelecer a auto-defesa autónoma e a democracia de base.

Conforme conduzes através das montanhas Shengal, o mais fermoso indicador da mudança que tivo este lugar ferido há um ano som as crianças nas ruas, que, sempre que  os Heval, “os companheiros,” conduzem por aló, berram: “Viva a resistência de Shengal – Longa vida o PKK – Longa vivda a Apo. ”

Graças a autonomia democrática, as crianças que abriram as suas pequenas maos e pedam dinheiro aos combatentes Peshmerga agora erguem as mesmas maos em punhos e sinais de vitória. From Genocide to Resistance 05

Publicado por telesurtv.net 

Dilar-Dirik-140x140*Dilar Dirik, 23 anos, fai parte do movimento das mulheres curdas, escritora e estudante de doutorado no Departamento de Sociologia da Universidade de Cambridge.Escreve regularmente sobre o movimento de libertaçom curdo em vários meios de comunicaçom internacional.

 

 

Por que Jinealogia? Re-Construindo as Ciências para umha vida em comum e Livre

JinealogiaPor Gönül Kaya

O Movimento de Mulheres Livre do Curdistam avalia a jinealogia como um passo importante na sua luita intelectual, político-ideológica de auto-defesa e mobilizaçom em curso de cerca de 30 anos. Eu gostaria de apresentar – ainda que brevemente – os principais princípios da jinealogia, que o movimento das mulheres curdas oferece aos movimentos de mulheres de todo o mundo.

A Jinealogia é descrita como a “criaçom do paradigma das mulheres” na luita pola liberdade das mulheres curdas. Isso representa umha nova fase desde a perspectiva do movimento das mulheres curdas. O movimento de mulheres curdas surgiu e desenvolveu-se dentro da luita de libertaçom nacional curdo. Desde 1987, começou com trabalhos de organizaçom específica e autônoma das mulheres. Depois deste desenvolvimento, muitas mudanças e transformaçons importantes ocorrerom no Curdistam, que também determinarom a luita social. Por um lado, o movimento de mulheres curdas avançou na sua organizaçom específica e autónoma internamente, mas, por outro lado, transmitiu e, portanto, compartilhou as suas conclusons com todas as áreas da luita social. As revoltas do povo contra a colonizaçom do Curdistam (em curdo: “Serhildan”), que começarom depois de 1989, forom dirigidas por mulheres. Do ponto de vista da sociedade curda, este foi o início de umha fase de resistência nacional, com um caráter novo focado nas mulheres. Nesse sentido, o movimento das mulheres avançou o seu trabalho teórico e prático em campos como do intelecto, política, sociedade, cultura e auto-defesa. As seguintes etapas-chave forom: 1993 – formaçom de um exército de mulheres, 1996 – teoria e prática para a emancipaçom do sistema patriarcal, depois de 1998 – ideologia da libertaçom das mulheres, 1999 – formaçom do partido, a partir do 2000 – construçom de um sistema social democrático no interior do quadro de um paradigma da sociedade democrática, ecológica e igualitário de gênero. A criaçom de conselhos, academias, e cooperativas de mulheres forom alcançados neste contexto. Sob o lema “A libertaçom das mulheres é a libertaçom da sociedade”, o movimento das mulheres focou o trabalho ideológico, filosófico e intelectual. Dentro do quadro da unidade entre teoria e prática, trabalharom no sentido de umha transformaçom do pensamento das mulheres e da sociedade, bem como para umha maior consciência. Forom à procura de respostas a perguntas como “Quem é a mulher? De onde é que vem? Onde é que foi? Como viveu até hoje? Como as mulheres devem viver? Em que tipo de sociedade?” e desenvolveu umha crítica do campo científico vigente.

Como todos sabem, na história, os governantes e detentores do poder estabelecerom os seus sistemas primeiro no pensamento. Como umha extensom do sistema patriarcal, um campo das ciências sociais foi criado, que é masculino, de classe, e sexista. Este campo é, a vez dividido em partes diferentes que som despedaçados longe um do outro. A implementaçom das interpretaçons dessas ciências levou a consequências devastadoras para a natureza, a sociedade e os seres humanos: A normalizaçom do militarismo e da violência, o aprofundamento do sexismo e do nacionalismo, o desenvolvimento desenfreado da tecnologia, especialmente a tecnologia do armamento para o control da sociedade e dos indivíduos, a destruiçom da natureza, a energia nuclear, a cancerígena urbanizaçom, problemas demográficos, industrialismo anti-ecológico, nós que se encontram questons sociais, como a individualizaçom extrema, o aumento das políticas e práticas sexistas contra as mulheres, os direitos e liberdades que só existem no papel.

Neste ponto, propomos a Jinealogia. Observe-se que é necessária para superar o sistema dominante no campo da ciência e para a construçom de um sistema alternativo de ciência. Além disso, entendemos que os campos existentes das ciências sociais devem ser libertados do sexismo.

O termo jinealogia foi usado por primeira vez polo representante do povo curdo Abdullah Öcalan nos seus escritos a partir do 2003, na sua obra “A Sociologia da Liberdade”. Öcalan expressa que as mulheres e todos os indivíduos, sociedades e povos que nom som portadores do poder e o estado precisam desenvolver as suas próprias e livres ciências sociais, que estas ciências poderiam chamar-se Sociologia da Liberdade, que estes, a vez poderia estar baseada na Jinealogia, porque os movimentos que visam umha sociedade livre comunal, igualitária e democrática têm umha forte necessidade da Jineologia.

O termo Jinealogia significa “ciência das mulheres”. “Jin” é curdo e significa “mulher”. Logia derivada do termo grego “logos”, conhecimento. “Jin”, a sua vez vem do termo curdo “Jiyan”, que significa “vida”. No grupo de línguas indo-europeu e no Médio Oriente as palavras Jin, Zin ou Zen, todos significam “mulher”, e muitas vezes som sinônimo de vida e vitalidade.

Na história da humanidade, a mulher foi avaliada como a primeira existência que adquiriu conhecimento sobre o seu próprio eu. A vida e a sociabilidade forom a malha com base em princípios morais e políticos com a mulher no centro. A sociedade natural com os seus valores morais e políticos foi construído pola mulher. Há um vínculo inquebrável entre as mulheres e a vida. A mulher representa umha parte importante da natureza social no seu corpo e no seu significado. Esta é a razom para a associaçom da mulher com a vida. A mulher representa a vida, a vida simboliza à mulher. Por esta razom, a Jinealogia como a ciência das mulheres também é referida como a ciência da vida.

Após um exame das etapas do sistema patriarcal, começando com a civilizaçom suméria, é evidente que os governantes, até hoje, tenhem estabelecido as suas posiçons de poder inicialmente no pensamento. Por exemplo, a distinçom entre sujeito e objeto para as estruturas sociais foi estabelecido por primeira vez polas ciências modernas nas mentes. Esta ficçom imposta à sociedade que o homem é sujeito, a mulher é objeto, Sr. Sujeito, Sra Objecto, dono sujeito, objeto escravo, estado sujeito, sociedade objeto. Esta lógica do poder feai que as mulheres e a sociedade acreditem nessa distinçom de opressores e oprimidos. Usava a mitologia, filosofia e a ciência para esta finalidade. O paradigma do sexismo foi construído neste sentido.

As estruturas do conhecimento exigem debates livres. Mas se olharmos para a relaçom entre conhecimento e poder, isso é difícil de detectar. Neste contexto, o questionamento das estruturas patriarcais, centrada no poder é necessário. Da mesma forma, começando com umha epistemologia em favor dos seres humanos, mulheres, natureza e sociedade, há umha necessidade de umha nova investigaçom, interpretaçom, renovaçom, e consciência. Os princípios, hipóteses e resultados das ciências sociais existentes devem ser re-discutidas e analisadas criticamente. As informaçons correctas e incorrectas devem ser separadas umhas das outras. É de grande importância chegar a umha interpretaçom verdadeira da sociedade histórica.

Hoje, a mulher também representa umha entidade em que umha série de políticas estam a ser feitas. Estas políticas nom estam projetadas para libertar a mulher ou para fortalecer a sua vontade. Devido a estas políticas, a mulher é suprimida, morta e de umha maneira dura ou mole que obscurece o seu passado e presente. Hoje, o conhecimento e a ciência estam nas primeiras fileiras das esferas fundamentais do poder. Com a reproduçom constante de ideologias e políticas nas áreas da política, sociedade, economia, religiom, tecnologia, filosofia, etc., hostis às mulheres e da sociedade, as ciências desempenham um papel importante. A ligaçom entre conhecimento e poder, juntamente com a exclusom da ética, tem empurrado indefinidamente, especialmente na idade de hoje. A natureza sexista da ciência aprofundou e explicou problemas insolúveis, principalmente nesta época.

As ciências sociais em um sentido geral encobrem o fato de que as mulheres som umha realidade social. O entendimento predominante da ciência nom revela tudo aquilo que pertence às mulheres, começando com a sua história. Ao descrever as mulheres e o seu papel na sociedade, o entendimento dominante da ciência determina estatutos sobre as diferenças biológicas entre homens e mulheres. Por exemplo, com base a sua capacidade de dar à luz, afirma-se que as mulheres agem puramente “com base a emocionalidade”. Ou por causa dos atributos físicos dos homens, alega-se que a violência é parte da sua natureza. Estas declaraçons devem ser comprovadas por conceitos científicos e experimentos. Desta forma, as mulheres som feitas para desempenhar o papel passivo, enquanto aos homens lhe som atribuídos um papel activo. A subjugaçom e a violência som retratados como pertencentes à natureza da humanidade e som apresentados como fatos insuperáveis. A ciência é explorada para esta finalidade e os pilares do sistema som, assim, reforçados.

Até hoje, pesquisadoras feministas figerom um trabalho importante salientando as ligaçons entre o conhecimento e o sexismo da sociedade deesde diferentes perspectivas. Com o seu trabalho, tenhem mostrado que a ciência moderna, desde o século 17 em diante, tem umha linguagem e estrutura masculina. Mostrarom que o problema na relaçom entre sujeito e objeto, como base do conhecimento científico, foi fundado com base a metáforas sexistas desde o início. Por exemplo, eles nos mostrarom o quanto da ciência moderna no pensamento de Francis Bacon, que é considerado um dos pioneiros da ciência moderna, mostra umha atitude e linguagem sexista. Bacon considerou a relaçom de conhecimento entre natureza e espírito humano realmente como umha relaçom de dominaçom. Ele gostava de usar a família patriarcal e o casamento como metáforas e estivo envolvido na caça às bruxas. Desde o ponto de vista de Bacon, que é responsável da cita “conhecimento é poder”, a razom é do sexo masculino, enquanto a natureza é do sexo feminino. De acordo com Bacon, a relaçom entre a razom abstrata e a natureza, que foi descartada como matéria sem alma, só poderia estar no control, conquista, seduçom. E por isso que a sua utopia de Nova Atlantis consiste em umha ilha de homens, que tornam o conhecimento e a ciência a base do seu poder.

No conceito moderno do conhecimento do ego, é construído como um sujeito de control pola separaçom do “outro”, isto é, da natureza e do feminino, enquanto estes “outros” som objetivados. Por esta razom, o “outro” é controlado e colocado sob a tirania. Por exemplo, Descartes exclui, elementos empáticos intuitivos de ciência e filosofia. Isso expressa um entendimento masculinizado da ciência. O Positivismo, também, ilustra a partir do entendimento do conhecimento. As Realidades estam desconectados umhas das outras, os problemas som privados de qualquer definiçom, as razons dos problemas som procurados dentro das atuais fronteiras, as raízes históricas estam desconsideradas. De acordo com este ponto de vista, a história está morta. Ela foi vivida e chegou ao fim. Além disso, o positivismo, que aplica leis universais para a sociedade, apresenta os feitos como única verdade imutável.

Esta ciência sexista e preconceituosa explica a história, política, sociedade, economia, cultura, arte, estética e outros temas de ciências sociais de acordo com a sua compreensom do poder. A atitude das ciências existentes em relaçom às mulheres, a natureza, e todos os oprimidos é tendenciosa.

Mulheres cientistas, movimentos feministas e acadêmicas figerom contribuiçons importantes com as suas pesquisas e análises críticas, o que fortalece o nosso trabalho sobre Jinealogia. Importante trabalhos tenhem exposto a análise masculina da história. Além disso, existem universidades das mulheres, departamentos de estudos da mulher, centros de investigaçom das mulheres em todo o mundo. É um dos principais objectivos da Jinealogia construir umha ponte entre essas importantes conquistas. Do ponto de vista das mulheres, é importante trabalhar em conjunto para construir um campo alternativo de ciências sociais, para estabelecer o sistema de estudos das mulheres, para superar a actual dispersom, para fortalecer o fluxo científico e as intersecçons.

O Movimento de Mulheres Livres do Curdistam considera o século 21 como o século das mulheres e dos povos. A questom da igualdade de gênero e a igualdade para todos os oprimidos nunca pressionou tanto antes. A organizaçom correspondente e o desenvolvimento de sistemas e estruturas alternativas é inevitável. Umha análise do sistema extensivo e a superaçom do sexismo som na nossa opiniom metas importantes. Neste contexto, o movimento das mulheres Livres do Curdistam sugere a Jinealogia tanto como soluçom dos maiores paradoxo do nosso tempo, bem como, um método para o desenvolvimento do mundo espíritual de mulheres.

A Jinealogia apresenta umha proposta de intervençom radical na mentalidade patriarcal e o paradigma patriarcal. Neste sentido, a Jeneologia é um processo epistemológico. O objetivo é o acesso direto às mulheres e a sociedade no domínio do conhecimento e da ciência, que está actualmente controlada polos governantes. O objetivo é preparar o caminho para as raízes e identidade das mulheres e da sociedade, que forom separados da sua verdade. As mulheres devem criar as suas próprias disciplinas, chegar as suas próprias interpretaçons e significados, e compartilhá-los com toda a sociedade.

O movimento de mulheres curdas começou a construçom do campo de Jinealogia em 2011. Construindo um sistema educacional para as mulheres e a sociedade, bem como academias de mulheres. As discussons som realizadas sobre temas como as mulheres e as ciências sociais, mulheres e economia, as mulheres e história, mulheres e política, mulheres e demografia, ética feminina e estética.

É necessário expressar cientificamente a existência de mulheres com todas as suas dimensons, bem como para criticar e interpretar quaisquer estruturas de conhecimento relacionados com a história, a sociedade, a natureza e o universo de forma abrangente e sistemático. Porque a mulher é umha existência social, histórica e integral, que tem a sua origem na natureza, a definiçom de existência feminina exige umha mudança radical e profunda do conhecimento e o espírito. A partir da história da colonizaçom do espírito feminino através da colonizaçom económica, social, política, emocional e física, é necessária situar a mulher. É necessário aprofundar e mesclar os dados e interpretaçons científicas que forom alcançados no domínio das estruturas de conhecimento, psicologia, fisiologia, antropologia, ética, estética, economia, história, política, demografia, etc., e levá-los a um sistema científico. A soluçom do problema da liberdade das mulheres será possível com organizaçons e estruturas com base em um extenso campo tal, integrante do conhecimento e as ciências.

Em toda a história da humanidade, as mulheres e os oprimidos resistirom como atores para a liberdade e a democracia. No entanto, nom foi possível ultrapassar o sistema existente dominante. O principal problema é que as forças da liberdade e da democracia nom conseguirom criar um sistema para os seus valores de liberdade, igualdade e justiça, historicizar e tirá-los da parábola do poder. A necessidade de sistematizaçom e historicizar, sobretudo, a construçom de um paradigma mental alternativo.

Por esta razom, é de grande importância para nós, como movimento de libertaçom das mulheres, criar umha mentalidade, ou seja, um campo das ciências sociais que coloca as mulheres e a sociedade no centro. Precisamos ser capazes de criar o espírito do nosso sistema alternativo. E se isso nom acontecer? Em nome da alternativa, os mesmos padrons mentais, métodos e instrumentos do sistema dominante, o próprio sistema poderia ser repetido e reproduzido novamente, desta vez em nome das mulheres e oprimidos.

Esta é outra razom para a Jinealogia. O seu objetivo é decifrar o paradigma do poder, por um lado, mas por outro lado, fazer avançar a soluçom. Nom é suficiente criticar somente o sistema existente, decifrar as insuficiências deste campo ou dizer que umha alternativa deve ser parecida. É importante libertar-se da doença do liberalismo que di “praticar a crítica. Digam-me, como deve ser. Digam-me, qual é a soluçom, mas nom implementar a soluçom, basta fingir que o fas”. Para umha boa, justa e bela vida, o conhecimento nom é suficiente. É necessário superar o sistema existente e construir o novo além dos limites do antigo.

Como os movimentos de mulheres e os movimentos sociais que luitam contra o sistema capitalista e patriarcal, temos que passar por umha nova fase de mudança e transformaçom. O questionamento da influência do sistema existente no nosso pensamento e nas nossas açons deve ser aprofundado. Sem dúvida, a experiência, a mudança, transformaçom e processos de renovaçom dos movimentos feministas abriram o caminho para esse questionamento. Nesse sentido, a Jinealogia é um resultado e continuaçom das experiências e esforços dos movimentos feministas. Surge como umha realidade, que também inclui o feminismo. Enquanto define o objectivo de ir um passo mais longe, é o seu princípio caminhar na trilha das experiências do movimento de mulheres.

Há umha necessidade de conceitualizar a mulher como umha realidade social, para definir a sua existência de acordo com a sua própria realidade, explicar o que nom pertence a ela, determinar o “como” da sua libertaçom e expressar as especificidades da condiçom de mulher para este propósito.

Além disso, é importante nom separar a ciência e o conhecimento do domínio social, para nom elitize, nom para torná-los a base do poder e manter as conexons da sociedade sempre forte. Nas sociedades naturais antes da civilizaçom patriarcal, conhecimento e ciência eram parte da sociedade ética e política. Enquanto as necessidades vitais da sociedade nom exigem isso, nom foi possível explorar o conhecimento para outros fins. Juntamente com a civilizaçom patriarcal, as mulheres e a sociedade forom roubados fora do conhecimento e da ciência. Detentores do poder e as forças governamentais se tornou mais forte com a ajuda do conhecimento e da ciência. Isto levou à separaçom radical do conhecimento da sociedade, especialmente da mulher. Jinealogia tem por finalidade restabelecer esta ligaçom.

Pesquisando a história da colonizaçom das mulheres exigirá a re-escrita da história da humanidade e terá um caráter esclarecedor desta forma. Juntamente com a avaliaçom ampla e profunda do abismo escravizador das mulheres, a soluçom das cifras da sua escravitude martelada também será possível.

Jinealogia irá torná-lo possível para que possamos restabelecer os laços entre conhecimento e liberdade que forom rasgados e afastados uns dos outros. Pois, existe umha relaçom importante entre o conhecimento e a liberdade. O conhecimento requer a liberdade, a liberdade, a sua vez requer conhecimento e sabedoria. A participaçom da mulher na vida social será julgado polo seu grau de liberdade. O desejo da mulher para o conhecimento e a liberdade é também umha aspiraçom pola verdade.

A verdade é a primeira e verdadeira forma de natureza social. Tudo o que foi substancial antes do sistema patriarcal ter sido distorcido por ela. Os estágios de desenvolvimento normal no sistema da sociedade natural representam o que chamamos de verdade. Por este motivo, Jinealogia também descreve o desejo por estas verdades distorcidas. Este esforço está combinado com a nossa busca polo conhecimento, sabedoria e a liberdade.

Importantes tarefas esperam-nos no século 21: o quadro filosófico-teórico e científico da libertaçom das mulheres, o desenvolvimento histórico da libertaçom e resistência das mulheres, diálogos complementares mútuos dentro dos movimentos feministas, ecológicos e democráticos, a descriçom renovada de todas as instituiçons sociais (por exemplo, família) de acordo com os princípios da libertaçom, as estruturas básicas da uniom livre, a construçom de um entendimento alternativo da ciência social com base na libertaçom das mulheres. O campo de umha nova ciência social para todos aqueles círculos que nom fazem parte do poder e do Estado devem ser construídas. Esta é a tarefa de todos os anti-colonialistas, anti-capitalistas, movimentos anti-poder, indivíduais, mulheres. Referimo-nos a estas ciências sociais alternativas como a sociologia da liberdade. Jenealogia pode construir e desenvolver a base dessas ciências sociais. É umha vanguarda a este respeito. Vai tanto construir a sociologia da liberdade e fazer parte dessa própria sociologia.

O movimento de mulheres curda, que tem trabalhado em Jinealogia desde 2011 e que colocou este tema em discussom atribui grande valor aos resultados obtidos até o momento sobre o tema em todo o mundo. Está muito interessado em discutir, compartilhar os resultados, cooperando e aprendendo com todas aquelas que luitam pola liberdade das mulheres.

Como mulheres curdas, dizemos: “O século 21 será o século da revoluçom das mulheres e dos povos”. Acreditamos que a tecnologia vai desempenhar um dos papéis históricos para o estabelecimento de umha mentalidade da libertaçom, estruturas éticas e políticas e umha sociedade livre que coloque a libertaçom das mulheres no centro. Acreditamos que ao desenvolver a Jinealogia e a sociologia da liberdade como umha nova ciência social, transformando-as na base base das nossas luitas sociais, será possível desfiar nós e pontos cegos da história que ainda aguardam a descoberta desde há 5000 anos.

Gönül Kaya é jornalista e representante do movimento de mulheres curdas. Este artigo é a transcriçom do seu discurso sobre Jinealogia na Conferência de março do 2014 em Colônia, Alemanha.

Publicado em Kurdish Question.

 

Três políticas curdas assassinadas polas forças armadas turcas

Three Kurdish Politicians Killed by Turkish Armed Forces 01por Naila Bozo

Três ativistas dos direitos curdos afiliadas com o pro-minorias e pró-curdo Partido Democrático do Povo (HDP) foram mortas o luns à noite em Silopi, um distrito da província de Sirnak, no norte do Curdistam (sudeste da Turquia), quando as forças armadas turcas que sitiarom várias cidades e distritos curdos abriram fogo contra elas quando elas estavam tentando atingir o bairro de Yeşiltepe, segundo informarom agências de notícias e deputados curdos.

As mulheres assassinadas som Seve Demir, membro do Partido Democrático das Regions; Fatma Uyar, membro do Congresso de Mulheres Livres; e Pakize Nayır, co-presidente da Assembleia do Povo de Silopi.

Outra pessoa foi morta juntamente com as três mulheres. O HDP dixo à AFP que o home nom poido inicialmente ser identificado porque “o seu rosto estava gravemente desfigurado”, mas a Agência de Notícias Dicle agora di que o homem em questom é Islam Atak, de 20 anos.

Aycan İrmez, deputada no Parlamento polo HDP, chamou os assassinatos umha “execuçom deliberada”. De acordo com İrmez, As autoridades turcas recusarom a enviar umha ambulância para levar os civis feridos da cena do crime a um hospital devido a “conflito” na área.

Çağlar Demirel, outra deputada do HDP, dixo em umha conferência de imprensa sobre as três políticas que mataram que os seus assassinatos som um crime político. Mencionando o primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, tendo dito, “os políticos vam pagar também o preço ” [polo que o governo turco chama erradamente o terrorismo do PKK nas regions curdas], Demirel perguntou: “É por isso que as mulheres curdas políticas som alvejadas?”

Three Kurdish Politicians Killed by Turkish Armed Forces 02Desde julho de 2015, mais de 100 civis curdos forom assassinados devido ao uso excessivo da força das forças armadas turcas, o número continua a aumentar. E também causou o deslocamento de 200.000 pessoas.

Matando com impunidade

Apesar das alegaçons feitas polo governo turco, os seus defensores nacionais e aliados internacionais e a apresentaçom de relatórios superficiais por alguns meios de comunicaçom, ao povo curdo nom lhe forom concedidos maiores direitos culturais e políticos. Um pacote de reformas desde 2013 foi umha mera tentativa por parte da Turquia para melhorar a sua imagem perante a comunidade internacional.

Durante todo o tempo políticos, advogados, jornalistas, ativistas, acadêmicos e civis curdos continuam ser alvejados polo Estado turco. Eles som vítimas de detençons arbitrárias, perseguiçons, assassinatos e todas as reunions ou demonstraçom curdas exigindo a proteçom dos direitos e justiça curdas tem sido sem falta reprimido duramente após um uso excessivo da força que geralmente resulta na morte de um ou mais civis.

Desde meados de agosto, o Estado turco impôs o toque de recolher em várias cidades e distritos que deixam os curdos sem acesso à assistência médica, sem comida e água potável e forçados a manter os membros da sua família mortas em congeladores improvisados porque eles nom podem levá-los ao hospital nem enterrá-los.

O Estado turco tem atualmente implantado 10.000 soldados, policiais e unidades privadas de segurança nas áreas curdas sob o pretexto de combater os “terroristas do PKK”, quando na verdade é a juventude local.

Descartando qualquer simpatia pola resistência armada curda como “terrorismo” é umha clara indicaçom do fracasso do governo de perceber o seu papel a forçar o povo curdo para empoderar-se em outras esferas do que so a política. A resistência de hoje montada polos curdos no parlamento e nas ruas é umha reaçom à opressom contínua da Turquia do povo curdo e a negaçom de conferir-lhes direitos políticos e culturais significativos.

A jornalista Asya Tekin de Jinna (Agência de Notícias de Mulheres) escreveu recentemente desde Cizre na província Sirnak, onde ela testemunhou como as forças armadas turcas bombardeiavam a casa na que ela estava hospedada:

Durante estas duas semanas, 22 pessoas forom mortas por bombas, granadas, armas de mao e franco-atiradores. […] Eu testemunhei como a destruiçom massiva polo estado de casas das pessoas forçou-os a buscar refúgio nas caves e armazéns. Até 150 pessoas estavam amontoadas em tais lugares e eles precisavam desesperadamente de calor e água limpa para beber.

As pessoas em Cizre nom querem sair. Os feridos estam com medo de ir para o hospital porque temem ser baleado por atiradores. Mesmo aqueles que andam com bandeiras brancas som baleados e mortos.

Human Rights Watch (HRW) divulgou um relatório no mês passado documentando alguns dos assassinatos e as contas de civis feridos polas forças armadas turcas.

Emma Sinclair-Webb, pesquisadora de HRW em Turquia, dixo:

O governo turco deveria imediatamente refrear as suas forças de segurança, parar o abuso e uso desproporcionado da força, e investigar as mortes e ferimentos causados polas suas operaçons.

Ignorar ou encobrir o que está acontecendo com a povaçom curda da regiom só iria confirmar a crença amplamente difundida no sudeste que, quando se trata de operaçons policiais e militares contra grupos armados curdos, nom há limites – nom há nenhuma lei.

Os toques de recolher forom prejudiciais na medida em que permitem às forças armadas turcas matar com impunidade. Os jornalistas disgerom que é mais difícil agora ter acesso às regions curdas na Turquia do que a algumhas partes da Síria, portanto, nom há ninguém para observar e relatar sobre a extensom do uso do exército turco da força, as formas em que eles atingem os civis, o número de civis mortos e o grau de devastaçom causados pelos cercos do estado turco nos bairros curdos.

Há jornalistas curdos presentes mas eles som alvejados porque som curdos.

Nedim Oruç, jornalista da agência de notícias Dicle, estivo o martes desaparecido depois de ser espancado por unidades de operaçons especiais turcas. A polícia recusou a informar a família e os colegas de Oruç sobre o seu paradeiro até mais tarde, quando admitiram que estava detido pola polícia de Silopi.

El agora está acusado de “espalhar propaganda de umha organizaçom ilegal”, ou seja do PKK, o movimento de resistência armada curdo e de acordo com a agência de notícias Firat está preso na Prisom do Tipo T de Sirnak.Nedim Oruç

Apelando a fim da violência e os assassinato

Até o 5 de janeiro, 446 docentes universitários e investigadores na Turquia assinarom umha carta aberta, que insta o Estado turco para “abandonar a sua massacre deliberada e a deportaçom dos curdos e outros povos na regiom.”

O Estado turco condenou os seus cidadaos em Sur, Silvan, Nusaybin, Cizre, Silopi, e muitas outras cidades e bairros nas províncias curdas à fome através da utilizaçom de toques de recolher que estam em curso há semanas. Atacou estes povoados com armas e equipamentos pesados que só teriam de ser mobilizados em tempo de guerra. Como resultado, o direito à vida, à liberdade e segurança, e, em particular, a proibiçom da tortura e maus-tratos protegidos pola Constituiçom e as convençons internacionais forom violados.
– Academicos pola Paz

Nós, a Aliança polos Direitos curdos apoiamos a chamada exigindo que o governo turco acabe com os toques de recolher imediatamente e sem demora trazer a justiça às vítimas e parentes das vítimas do uso exagerado da violência e açons letais contra civis, incluindo crianças, mulheres e idosos.

Estamos doentes polo feito de que a comunidade internacional ainda nom expressou qualquer tipo de preocupaçom com a perda de vidas civis, alguns tendo sinais de execuçons. Estamos preocupados que a comunidade internacional permita à Turquia continuar matando civis impunemente.

Artigo publicado em Kurdish Right.
Podes seguir as mortes e agravamentos da situaçom nas áreas curdas sob toque de recolher no crowdvoice de Kurdish Right que se atualiz regularmente com notícias e relatórios recentes.