‘Erdogan vai seguir os passos de Saddam ou Hitler’: Entrevista a Zubeyir Aydar, líder político curdo

01-zubeyir-aydarPor Figen Gunes

“A maior mostra de solidariedade após a resistência de Kobanê em toda a Europa entre os curdos foi depois que os líderes e deputados do HDP foram presos na Turquia “, dixo Zubeyir Aydar, membro do Comité Executivo da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK),  organizaçom a que pertenze o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK).

Zubeyir Aydar respondeu às perguntas de Figen Gunes sobre a ausência de protestos nas ruas na Turquia, bem como o apoio dos partidos do Governo Regional do Curdistam e as possibilidades de transformá-lo numha oportunidade para consolidar as relaçons nacionais entre os Curdos.

Figen Gunes: O povo do sudeste da Turquia sofreu umha grande destruiçom em todos os níveis desde o colapso do processo de paz. Depois de quase 200 civis terem sido queimados vivos em três sotos de Cizre, Sirnak, seria de esperar fortes protestos públicos. No entanto, nom houvo grandes manifestaços. Mas quando olhamos para a diáspora curda na Europa, especialmente na Alemanha, vemos umha  forte condenaçom do governo turco em grandes protestos de milheiros de pessoas enviando mensagens de apoio para às gente do sudeste da Turquia. Pode nos falar sobre essa dicotomia?

Zubeyir Aydar: Quando o estado está matando as pessoas nas ruas é difícil sacar as pessoas. Há milhons de pessoas em Bakur (norte do Kurdistan-sudeste da Turquia) que, de outra forma, estariam nas ruas protestando contra a opressom dos curdos. Sob as Leis de emergência, há actuaçons limitadas. Além disso, os líderes que organizariam estas mobilizaçons estam todos sob custódia ou presos.

Até 1992, grandes massas protestavam nas ruas. No entanto, quando eu fum a Sirnak no verao de 1992 como deputado da cidade, a gente mirava-nos de longe. Estavam com medo de aproximar-se-me devido à atmosfera no momento. Isso nom significava que eles estiveram contra minha ja que fum escolhido por eles. É porque o estado é muito experiente em como silenciar às pessoas.

As multitudess que vimos na Europa em protestos públicos tenhem as mesmas inclinaçons políticas com aqueles no Curdistam. Aqui na Europa, nom há nem toques de recolher nem limites aos protestos. Esta é a única razom pola qual nom vemos protestos em Diyarbakir, onde as pessoas sabem que pagariam com as suas vidas. Tendo dito que em Adana e Mersin, por exemplo, há menos pressom e as pessoas estavam criticando as decisons do governante AKP.

O Plano Colonialista de Reforma do Leste ainda está em vigor

F.G: Historicamente, o governo turco, que criaram um  espaço para conversaçons bilaterais com os líderes do PKK, classificariam mais tarde estas conversas como atos de traiçom. Pode nos dizer se o governo atual na Turquia tinha umha política para tratar os curdos de umha certa maneira desde o início ou estamos enfrentando umha liderança volátil sem planos concretos do governante AKP?

Z.A: O Plano de Reforma do Leste (Sark Islahat Plani), que chamamos de plano de genocídio, tem sido usado contra os curdos desde 1925. Este era o documento teórico detalhando como os curdos seriam erradicados. Nos últimos anos, a Turquia tentou abordar a questom curda sem recorrer à guerra, mas este discurso nom reconhecia a identidade curda. O governo turco mais umha vez nos últimos anos viu o PKK apenas como portador de armas; Eles pensavam que se o PKK desistisse das armas, a questom curda seria resolvida. Isto foi mencionado em todas as conversaçons, incluindo Oslo (2009) e Imrali [2013-2015] com o governo turco.

O governo nom apresentou um plano político para abordar a questom. Emre Taner, ex-funcionário do Serviço de Inteligência Turco (MIT), repetiu recentemente isso quando deu provas ao comitê de investigaçom do golpe. Taner foi o arquitecto das conversaçons de Oslo e admitiu que o governo turco nom ofereceu um roteiro aos curdos durante as conversaçons de Oslo para resolver a questom.

Além disso, o primeiro objectivo estabelecido no Plano de Reforma Oriental era a assimilaçom dos curdos residentes no Oeste do Eufrates. Portanto, quando o atual governo turco di que o oeste do Eufrates é a sua linha vermelha, isso nom deve ser visto como umha coincidência. Esta fronteira de feito vem deste documento histórico. O governo pensa que se os curdos atravessaram ao oeste do Eufrates em Rojava, também o fariam no Iraque.

Declaraçom de Dolmabahce

F.G: Os curdos forom capazes de negociar um acordo com o atual governo em fevereiro de 2015. Por que entom a Declaraçom de Dolmabahce foi desfeita? 

Z.A: O atual período de guerra veu depois do estado profundo na Turquia: Ergenekon e Gulenistas estenderam a cabeça e questionaram a Declaraçom de Dolmabahce. Esta declaraçom tinha o potencial de resolver a questom curda através de dez pontos práticos. Contudo, estas forças do estado profundo digeram-lhe a Erdogan, “Vostede é o que senta no palácio mas esta declaraçom deve ser bloqueado”. Esta era inerentemente umha decisom de guerra. Queriam buscar umha resoluçom nas negociaçons de paz, ou luitar. No verao, logo da Declaraçom de Dolmabahce ter sido abandonada por Erdogan, o conflito retomou. Agora, mesmo as associaçons curdas estam sendo fechadas. Nom apenas isso, os conselhos locais eleitos e administrados polos curdos estam sendo apreendidos e substituídos por administradores designados polo governo. A prisom dos 10 deputados do HDP é também umha parte deste período de conflito. Nom reconheceremos os guardians designados. No entanto, as declaraçons para o auto-governo curdo nom estam na nossa agenda para o futuro próximo porque o povo nem sequer é capaz de respirar e mover-se livremente.

Ajoelhar-se ou morrer

F.G: Forom abordados polo governo turco para iniciar umha nova fase de negociaçons após a mesa da negociaçom ter sido derrubada.

Z.A: Nom. Nós, como Movimento de Libertaçom do Curdistam somos confrontados com a destruiçom total porque o governo di isso: ou ajoelhar-se ou morrer. Nom nos inclinaremos, portanto estamos sendo atacados. Primeiro, a Turquia apoiou o Daesh (Estado Islâmico) para bloquear os ganhos dos curdos na Síria, e entom entrou el mesmo com o mesmo objetivo. A nossa estratégia é defender-nos em Rojava e Turquia com as armas. O presidente Recep Tayyip Erdogan é um ditador e por esta razom estaremos trabalhando para construir umha frente pola democracia ao lado de outras vozes da oposiçom na Turquia.

Outra prioridade para nós é concentrar-nos com a diplomacia, neste momento particular. Vamos expor os erros da Turquia, especificamente da OTAN e a UE. Nom Imos ajoelhar, mas resistiremos e isso precisa ser explicado ao mundo inteiro.

O objetivo dos curdos umha nova aliança

F.G: A Turquia atravessa um período extraordinário. Como é que o partido no poder preenche os cargos vacios polas grandes purgas? Quem som os novos sócios do Estado?

Z.A: Erdogan formou umha nova aliança com o Ergenekon. Ironicamente, os Gulenistas e Erdogan luitaram juntos contra esta força na última década e aprisionou-nos. No entanto, agora, Erdogan tem umha aliança inversa em vigor. O primeiro objetivo desta aliança é a consolidaçom do governo de Erdogan. A segunda é a eliminaçom total dos gulenistas nas posiçons governamentais. Sob esta nova aliança o objectivo comum de luitar também os curdos.

Erdogan nom descera do seu palácio normalmente; El vai ser preso ou morrer, seguindo os passos de Hitler ou Saddam, que el tentou imitar com as suas políticas expansionistas e opressivas na Turquia e no Oriente Médio em geral. A UE e os Estados Unidos nom estam satisfeitos com esta orientaçom. Eles nom querem umha Turquia instável. Apesar de estar infelizes, ainda nom querem impor sançons contra a Turquia, o que deveria ter sido feito rapidamente.

Os grupos paramilitares de Erdogan

F.G: Como pode esta nova aliança sobreviver em meio disses inimigos?

Z.A: Erdogan tem trabalhado na criaçom dos seus próprios grupos paramilitares. Historicamente, o partido político nacionalista MHP foi dado a esta tarefa e criou os Lobos Cinzentos para usa-los em favor do governo. Mas agora, as Unidades Otomanas (Osmanli Ocaklari) forom formadas e estam sob as ordens diretas do governo e operam como parte das unidades especiais no serviço secreto. No ano passado, houvo uma onda de ataques ao HDP. Este foi trabalho das Unidades Otomanas. Os alemaes alertaram-nos sobre a sua grande existência na Alemanha. Acreditamos que estam organizados em toda a Europa. As informaçons da Alemanha reveladas sobre eles devem ser tidas em conta e tomar medidas.

Unidade Curda

F.G: Alguns pensam que a personalidade alegre e adorável de Selahattin Demirtas pode desempenhar um papel em reunir outras seçons do movimento curdo; Vostede está esperançoso na unidade entre os curdos, especialmente depois que os líderes do HDP foram presos?

Z.A: As prisons dos líderes do HDP criaram umha reaçom entre outros líderes curdos. No entanto, eu encontrei a reaçom do KDP macia. Os problemas atuais nom podem ser resolvidos através da opressom; A liderança do KDP nom condenou as açons da Turquia. Dito isto, outros partidos curdos nas quatro partes do Curdistam mostraram a sua condenaçom da Turquia, o que é importante. Os desenvolvimentos em Mosul e Rojava criam ainda a necessidade de unifidade entre os curdos. Estamos prontos para um diálogo mais desenvolvido; No entanto, é difícil prever se isso levaria a quaisquer ganhos sob a forma de cooperaçom sólida a curto prazo.

Diferenças históricas

F.G: O PKK está perdendo força depois dos recentes ataques?

Z.A: Os curdos gozavam de autonomia sob o domínio otomano desde o início dos anos 1500 até o início do século XIX. Quando isso mudou, começarom os motins contra os otomanos. O primeiro motim foi em 1806 em Sulaymaniah. Desde entom, 210 anos passarom, mas há umha série de revoltas. O ex-presidente da Turquia, Suleyman Demirel, dixo umha vez que o PKK era a 29ª revolta curda, no entanto, de acordo com os documentos do Comandante Geral turco, o PKK é o 39º movimento curdo desde o início do Império Otomano. A diferença é que a existência do levante do PKK é a mais longa do que o total de todas aquelas que forom anteriormente. Os movimentos do passado eram locais e fracos e, portanto, forom suprimidos em um curto espaço de tempo. No entanto, o PKK tem crescido continuamente nos últimos 33 anos.

Na Turquia, os governos venhem e vam e cada um promete erradicar o PKK, mas nom foi esse o caso. Nos anos 90, tínhamos um grupo parlamentar curdo, mas agora, apesar de alguns terem sido presos, temos um grupo muito mais forte. Temos também mais municípios administrados polos curdos e o reconhecimento internacional de Rojava, que nom existia no passado. Mais umha vez na década de 1990, houvo Saddam no Iraque e o Governo Regional do Curdistam era fraco. A OTAN era um partidário proeminente da Turquia. Mas nos últimos anos, a UE e as relaçons da OTAN com a Turquia tenhem azedado. Os curdos também pagarom um preço durante este período, mas imos sair mais fortes. A operaçom de Raqqa ajudará os curdos a ganhar mais reconhecimento.

Trump no Oriente Médio

F.G: Trump vai ser um bom amigo para os curdos? Qual é a sua previsom, dado o seu populismo no período das eleiçons?

Z.A: É difícil prever, como el era um homem de negócios no passado. Nom tem experiência política. Foi eleito presidente, mas um home nom pode mudar o modelo de política da América sozinho. A sua política externa e prática nom muda com um home. Além disso Trump nom está claro sobre como vai implementar as suas políticas. Queremos que a América seja mediadora nas negociaçons de paz e entenda que a política opressiva da Turquia contra os curdos nom pode durar mais tempo.

03-figen-gunesFigen Gunes é umha jornalista de Al Jazeera Inglês com foco na liberdade de expressom, a mudança de propriedade dos mídia e julgamentos de jornalistas na Turquia. Formada em mestrado em Relaçons Internacionais, escreveu a sua tese sobre a viabilidade futura de Rojava.

Publicado em Kurdishquestion.

Cálculo sírio de Turquia: Aposta por umha invasom?

Turkeys Syrian Calculation Gambling On An Invasionpor Patrick Cockburn, publicado originalmente em Counter Punch

Um mês antes da Turquia abater um bombardeiro russo, que acusou de entrar no seu espaço aéreo, a inteligência militar russa tinha advertido o presidente Vladimir Putin de que este era o plano turco. Diplomatas familiarizados com os eventos dim que Putin rejeitou o aviso, provavelmente porque el nom acreditava que a Turquia correria o risco de provocar a Rússia em um envolvimento militar mais profundo na guerra síria.

No evento, no dia 24 de novembro do ano passado um F-16 turco abateu um bombardeiro russo, matando um dos pilotos, em um ataque que tinha todos os sinais de ser uma emboscada bem preparada. Turquia alegou que estava respondendo ao aviom russo que entrara no seu espaço aéreo por 17 segundos, mas os militares turcos figeram todos os esforços para esconder-se, voando a baixa altitude, e pareciam estar em umha missom especial para destruir o aviom russo.

O derrubamento – o primeiro de um aviom russo por uma potência da OTAN desde a Guerra da Coreia – é importante porque mostra o quam longe a Turquia vai manter a sua posiçom na guerra feroz na parte sul da sua fronteira de 550 milhas com a Síria. É um acontecimento altamente relevante hoje, porque, dous meses mais adiante, Turquia enfrenta agora desenvolvimentos militares no norte da Síria que representam umha ameaça muito mais séria aos seus interesses do que aquela breve incursom no seu espaço aéreo, apesar de que Ankara fixo alegaçons ontem sobre umha nova violaçom russa o venres.

A guerra síria está numha fase crucial. Durante o ano passado os curdos sírios e o seu exército altamente efetivo, as Unidades de Defensa do Povo (YPG), tomarom mais da metade da fronteira da Síria com a Turquia. A principal linha de abastecimento para o Estado Islâmico (Isis), através da passagem fronteiriça de Tal Abyad no norte de Raqqa, foi capturado polas YPG em junho passado. Apoiado por um intenso bombardeio da Força Aérea dos Estados Unidos, os curdos forom avançando em todas as direçons, selando o norte da Síria da Turquia na faixa de território entre os rios Tigris e Eufrates.

Às YPG queda-lhes apenas mais de 60 milhas a percorrer, ao oeste de Jarabulus, no Eufrates, para fechar as linhas de abastecimento do Isis e os da oposiçom armada nom-ISIS, de Azzaz a Aleppo. Turquia tinha dito que a sua “linha vermelha” é que nom deveriam cruzar as YPG oeste do rio Eufrates, embora nom reagiu quando as YPG dentro das Forças Democráticas da Síria (SDF), aproveitou a barragem de Tishreen, no Eufrates e ameaçou a fortaleza do IS de Manbij. Os curdos sírios estam agora avaliando se ousam tomar o território estratégico ao norte de Aleppo e a ligaçom com o enclave curdo de Afrin.

Os desenvolvimentos nos próximos meses pode determinar quem som os vencedores e perdedores a longo prazo na regiom durante décadas. as forças do presidente Bashar al-Assad estam avançando em várias frentes sob um guarda-chuva aéreo russo. A campanha de cinco anos do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan de derrubar a Assad em Damasco, ao apoiar a oposiçom armada, parece estar perto de derrota.

Turquia poderia responder a esto, ao aceitar um facto consumado, admitindo que seria difícil para el enviar o seu exército para o norte da Síria diante das fortes objeçons dos EUA e a Rússia. Mas, se a alternativa é o fracasso e a humilhaçom, entom pode fazer exatamente isso. Gerard Chaliand, o especialista francês em guerra irregular e política do Oriente Médio, falando em Erbil na semana passada, dixo que “sem Erdogan como líder, eu diria que os turcos nom iriam intervir militarmente [no norte da Síria], mas, umha vez que é el, eu acho que o vam fazêr”.

Turkeys Syrian Calculation Gambling on an Invasion 02Erdogan tem a reputaçom de aumentar as apostas como fixo no ano passado quando nom conseguiu ganhar umha maioria parlamentar na primeira das duas eleiçons. El aproveitou de um confronto com os curdos turcos e a fragmentaçom dos seus adversários para ganhar umha segunda eleiçom em novembro. A intervençom militar direta na Síria seria arriscada, mas o Sr. Challiand acredita que a Turquia “é capaz de fazer isso militarmente e nom será dissuadida pola Rússia”. Naturalmente, nom seria fácil. Moscou tem avions no ar e mísseis anti-aeronaves no solo, mas Putin provavelmente tem uma ideia clara das limitaçons sobre o envolvimento militar da Rússia na Síria.

Omar Sheikh Mousa veterano líder curdo sírio que vive na Europa, di que os curdos sírios “devem perceber que os russos e o governo sírio nom vai ir à guerra com o exército turco por eles”. Adverte que o partido político curdo no poder, o PYD, nom deve exagerar a sua própria força, porque a reaçom do presidente Erdogan é imprevisível.

Outros líderes curdos acreditam que a intervençom da Turquia é improvável e que, se ele ia vir, teria acontecido antes de que o jato russo fosse abatido. Isso levou a Rússia a reforçar a sua potência no ar na Síria e tendo umha atitude muito mais hostil para com a Turquia, dando suporte completo para o Exército Sírio nos avanços no norte Latakia e em torno de Aleppo.

No momento, os curdos sírios ainda estam decidindo o que devem fazer. Eles sabem que o seu quase-estado, conhecido como Rojava, tem sido capaz de expandir-se a velocidade explosiva porque os EUA precisavam de umha força terrestre para agir em colaboraçom com a sua campanha aérea contra o Isis. Os bombardeiros russos e norte-americanos, em diferentes momentos, apoiarom o avanço das SDF em direçom a Manbij. No tabuleiro de xadrez caótica da crise síria, os curdos neste momento tenhem os mesmos inimigos que o Exército sírio, mas eles sabem que a sua forte posiçom vai durar apenas enquanto dure a guerra.

Se nom houver umha intervençom turca a umha escala significativa, em seguida, Assad e os seus aliados estariam a ganhar, pois a intervençom reforçada russa, iraniana e do Hezbollah libanês inclinou a balança em seu favor. A troika de Estados sunitas da regiom – Arábia Saudita, Qatar e Turquia – falharom, até agora, para derrubar a Assad por meio de apoiar a oposiçom armada síria.

O seu entusiasmo para fazê-lo está sob pressom. A Arábia Saudita tem umha liderança volúvel, está envolvida em umha guerra no Iêmen, e o preço do petróleo pode ficar sob 30 $ US o barril. As açons de Qatar na Síria som ainda mais incalculáveis. “Nós nunca conseguemos descobrir as políticas de Qatar”, di um observador do Golfo, frustrado. Um comentarista mais cáustico, em Washington, acrescenta que “a política externa do Catar é um projeto de vaidade”, comparando-o com o desejo de Qatar por comprar edifícios de referência no estrangeiro ou acolher a Copa do Mundo em casa.

Na política síria e iraquiana quase todo mundo termina por exagerar a mao, tomando vantagem transitória para o sucesso irreversível. Isso era verdadeiro para umha grande potência como os EUA no Iraque em 2003, umha força como o Isis em 2014, e umha pequena potência, como os curdos sírios em 2016. Umha das razons que o Iram tem, até agora, sair à frente na luita por esta parte do Oriente Médio é que os iranianos moverom-se com cautela e passo a passo.

A Turquia é a última potência regional que poderia reverter a tendência dos acontecimentos na Síria pola intervençom militar aberta, um desenvolvimento que nom pode ser descontado quando a fronteira sírio-Turca está sendo progressivamente selada. Mas, salvo isso, o conflito tornou-se tam internacionalizado que só os EUA e a Rússia som capazes de leva-lo para um fim.

Publicado em Kurdish Question.

Patrick Cockburn é autor de  The Rise of Islamic State: ISIS and the New Sunni Revolution.