A KRG continua a ocultar a cumplicidade de Comandantes Peshmerga no genocídio jazedi 2 anos mais tarde

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3 de agosto do 2014: As forças Peshmerga fugem de Shingal, deixando os civis nas maos do ISIS (Ronahi TV)

“Imos morrer, todos imos morrer”, dixo um Jazidi a câmera enquanto milheiros de soldados do Governo Regional do Curdistam (KRG) estavam fugindo do campo de batalha. Era o 3 de agosto de 2014, o dia em que o Estado Islâmico invadiu a área de assentamento autoctono da minoria Jazidi de Shingal e cometeu um genocídio. Os comandantes Peshmerga, juntamente com os seus 11.000 soldados a cargo da regiom fugiram no meio da noite e as primeiras horas da manhaá, deixando os civis para os executores do ISIS. Nom teria havido nengum genocídio se os Peshmerga do Partido Democrático do Curdistam (KDP) cumpriram o seu dever e responsabilidade. Poucas horas de resistência teria sido suficiente para salvar milheiros de pessoas da morte e outras milheiras de mulheres e crianças da escravitude. Inicialmente dixo-see que houvera um “recuo tático” ou que as forças Peshmerga nom possuiam acesso a suficientes armas para a defesa da regiom. Ambas as alegaçons provarom-se falsas.

O presidente curdo e comandante supremo dos Peshmerga, Massoud Barzani, anunciou a sua intençom de levar os comandantes responsáveis à justiça e puni-los. Os membros do Comité Central do KDP anunciarom, além disso, abrir umha investigaçom sobre a fuga dos Peshmerga de Shingal, incluindo a Ali Awni: “Os Peshmerga deixarum os seus deveres e abandonarom as suas posiçons quando nom deviam”. Palavras claras, que nunca forom seguidas por açons. Logo Barzani elogiou os seus Peshmerga e sua coragem em Shingal – a coragem daqueles que tinham anteriormente abandonado mulheres e crianças.

Um suposto comitê de investigaçom aprovado por Barzani interrogarom, de acordo com o KDP, 200 comandantes Peshmerga que tinham estado destacados em Shingal o 3 de agosto e fugirom da área quando o Estado Islâmico lançou a sua ofensiva. Nom houvo nengum resultado nem consequências.

Os comandantes que tinham sido implantados em torno a Shingal ainda estam livres – fiéis membros do KDP que podem contar com o governo para evitar os processos. Quando os Peshmerga, a maioria dos quais estavam filiados ao Partido Democrático do Curdistam, abandonarom as suas posiçons, combatentes Peshmerga que se dirigiam a Duhok abrirom fogo e assassinarom vários membros Jazidis Peshmerga que tinham parado o seu comboio e pedirom-lhes que luitaram ou deixaram polo menos armas para trás a fim ser capaz de se defender. Antes disso, os Jazidis tinha sido desarmados polos Peshmerga do KDP que lhes prometeram cuidar da sua segurança.

O governo curdo, no entanto, nom abordou a questom e comprometeu-se a tentativa de reabilitar a Aziz Waysi, comandante superior da Brigada Peshmerga Zerevani que fugiu de Zumar e abriu a porta para o ISIS, no leste de Shingal, em novembro do 2015, com a ajuda de “jornalistas” que cobriam a libertaçom da cidade de Shingal. Waysi foi teatralmente retratado por VICE News como um comandante sem medo, como se el nunca fora responsável pola queda da region. El nom enfrentou umha condena pola infraçom voluntária ou negligente do seu dever, nem umha investigaçom séria.

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Aziz Waysi (VICE News)

Hoje, dois anos após o genocídio, o Governo Regional do Curdistam dirigido polo KDP (KRG) está tentando tudo para esconder a cumplicidade dos seus Peshmerga. Apesar de apoiar abertamente os esforços para o reconhecimento do genocídio contra os Jazidis, a KRG estivo, ao mesmo tempo tentando pôr o seu selo pessoal sobre a narrativa do que aconteceu em Shingal.

O Ministro de Relaçons Exteriores curdo Falah Mustafa, que por um acaso é membro do KDP, apresentou um relatório sobre Shingal ao escritório do Tribunal Penal Internacional, em Den Haag. O relatório foi elaborado polas organizaçons Jazidis Yazda e FYF que figerom um incrível trabalho para a comunidade Jazidi. O relatório que Falah Mustafa apresentou ao TPI, no entanto, nom menciona umha soa vez a debandada das forças Peshmerga diante o ISIS, sublinhando a pressom que o KDP tem buscado colocar em Jazidis. Em um novo relatório, detalhado e escrito de forma independente, no entanto, Yazda chamou a atençom da debandada das forças Peshmerga diante o ISIS que levou à queda de Shingal e permitiu ao ISIS realizar um genocídio. Pedindo justiça para os Jazidis, como Falah Mustafa fai, enquanto cobrendo aos responsáveis deve ser visto como umha absoluta paródia.

Umha comissom nomeada polo Conselho dos Direitos Humanos da ONU sob Paulo Pinheiro para investigar os crimes do ISIS classificam as atrocidades da organizaçom terroristas contra os Jazidis como genocídio e divulgou um relatório salientando o papel central dos Peshmergas para que caira a regiom e, finalmente, o genocídio. Os Peshmerga, que eram a única força de segurança na regiom, fugirom, sem advertir os civis, deixando a regiom e o seu povo aos jihadistas do Estado islâmico que enfrentarom pouca ou nengumha resistência, como di o relatório.

Assim, a Comissom solicita ao Conselho de Segurança da ONU de tomar medidas apropriadas: “Umha preocupaçom especial e um exame das circunstâncias da retirada dos Peshmerga da regiom de Sinjar quando o ataque do ISIS começou. […] Realizar umha investigaçom pública e transparente sobre as circunstâncias da retirada das forças Peshmerga da regiom de Sinjar a começos de agosto de 2014, e assegurar que a comunidade Jazidi está envolvida e assim mantida regularmente informada dos trabalhos de investigaçom “, afirma o relatório.

Muhammed Yusuf Sadik, presidente do parlamento curdo e membro do Movimento para a Mudança (Gorran), tem, juntamente com outros partidos, constantemente apelado para castigar aos comandantes Peshmerga que forom os responsáveis do genocídio.

Nechirvan Barzani, o primeiro-ministro da KRG, dixo a umha delegaçom de membros do Congresso dos Estados Unidos que o reconhecimento do genocídio contra os Jazidis e cristians era “um dos esforços mais importantes do Governo Regional Curdo” – umha farsa. Os partidos da oposiçom e pessoas independentes, por outro lado, continuam a abordar a cumplicidade dos Peshmerga, pedindo umha condena dos responsáveis.

Como sabera o governo do KDP, o reconhecimento do genocídio pola ONU também levaria à puniçom dos responsáveis e a umha investigaçom sobre os acontecimentos de Agosto do 2014. Os membros do KDP responsáveis teriam assim de prestar contas das suas atividades diante do Tribunal Penal Internacional. Iraque, da que a regiom curda é parte, no entanto, nom ratificou o Estatuto de Roma. Isso vai-lhe bem ao KDP e diminue as possibilidades de estabelecer um Tribunal Especial.

Mentres o governo KDP continua defendendo o reconhecimento do genocídio, os seus funcionários devem primeiro cumprir o seu dever e chamar aos seus comandantes responsáveis a prestar contas. O governo curdo nom será capaz de recuperar a confiança, mas deveriam conhecer melhor o que é o valor da justiça depois de décadas de pedir justiça por Halabja. A questom continua porque as forças Peshmerga correrom diante do ataque do ISIS e – como o vídeo mostra – aparentemente tomarom umha estratégia coordenada.

Além Aziz Waisi, os seguintes comandantes e políticos forom diretamente responsáveis do genocídio em Shingal:

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Seid Kestayi

Seid Kestayi, comandante do Peshmerga (Zerevani) do KDP em Shingal, fugiu da regiom e abriu a frente de Shingal ocidental para os terroristas do ISIS. A sua fugida permitiu ao ISIS sitiar aos Jazidis que tinham procurado refúgio nas montanhas, onde centos de pessoas morrerom de sede. Kestayi e os seus soldados tinham fugido para o norte, sem advertir os civis. El, também, nem enfrentou umha condena pola infraçom voluntária ou negligente do dever, nem umha investigaçom séria. Kestayi continua a estar livre e desfrutar da sua vida.

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Serbest Bapiri

Serbest Bapiri, chefe da seçom 17do KDP em Shingal, deliberadamente nom respondeu a chamadas telefônicas de civis Jazidi armados que tinham pedido ajuda e reforços durante a noite do 3 de Agosto de 2014. Enquanto os Jazidis estavam pedindo ajuda aos Peshmerga no sul da regiom, Bapiri estava fugindo para as montanhas antes deque os  terroristas do ISIS chegaram à cidade. A sua recusa em responder os telefonemas permitiu ao ISIS avançar desde o sul e acabar com os poucos defensores Jazidi que figeram resistência. O comandante do KDP foi finalmente libertado depois de passar alguns dias em prisom domiciliar. Até agora nom há mais investigaçons. Bapiri tem estado a viver na Alemanha desde entom e vai e vem entre a Alemanha e o Iraque.

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Shewkat Duski

Shewkat Duski, responsável das forças de segurança (Asayesh) do KDP em Shingal, também fugiram durante a noite do 3 de agosto de 2014 da cidade Shingal. El foi supostamente informado por Bapiri. As forças de segurança que fugiram com o seu comandante provocarom um vazio de segurança que os vizinhos sunitas aproveitarom para atacar e escravizar Jazidis antes de que o ISIS chegasse à cidade. Duski, quem assim como Bapiri foi chamado por ajuda, nom reagiu. O ISIS foi, assim, capaz de capturar as estradas que levam para as montanhas e atacar civis inocentes. El também, foi libertado depois de passar alguns dias em prisom domiciliar e nom precisa a recear de consequências judiciais.

Outros comandantes do KDP como Tariq Sileman Herni e Musa Gerdi que fugirom do norte da regiom em Rabia e permitirom ao ISIS atacar e cercar cidades Jazidis como Khanasor e Sinune no norte, também continuam livres.

Publicado em Azidi Press

 

 

2º Aniversário: Um genocídio sem fim

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Álbum de fotos de umha família Jazidi nas ruínas de um edifício de Shingal (John Moore)

Lalish. Dous anos atrás, os acólitos do Estado Islâmico (ISIS) invadirom o norte do Iraque, capturando a metrópole de Mosul em um curto período de tempo. Desde entom, a milícia nom só tem aterrorizado o Iraque e a Síria. O seu terror é global e já encontrou o seu caminho para a Europa – um terror que a comunidade Jazidi tivo de suportar durante séculos.

Apenas algumhas semanas depois de ter caído Mosul o grupo terrorista, os jihadistas do ISIS perpetrarom um genocídio inimaginável, mas previsível que ja fora anunciado antes contra a povoaçom civil Jazidi de Shingal. Raramente um genocídio foi tam óbvio dado a sua intençom de destruir. Na sua revista intitulada “Dabiq”, o ISIS assumiu a responsabilidade polas suas atrocidades e até mesmo acusou os vizinhos muçulmanos dos Jazidis de nom te-los exterminado há muito tempo. Um genocídio que ainda nom chegou ao fim, desarraigando a comunidade Jazidi e mergulhando-a em umha profunda crise. Resumimos os acontecimentos e as suas consequências:

→ 450.000 refugiados – um de cada dous Jazidis
→ + 5000 mortos (cifras da ONU)
→ 7.000 raptadas (cifras da ONU)
→ até 3.800 mulheres e crianças ainda estam cautivas
→ até 8.000 crianças órfas e meio-órfas
→ mais de 30 valas comuns descobertas até agora
→ várias aldeias permanecem sob control do ISIS

Genocidio

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Jazidis deslocadas ajudadas por umha membro das Unidades de Proteçom das Mulheres (YPG), nos arredores de montanha Sinjar em 10 de Agosto de 2014. Reuters/Rodi Said

 “Um Genocídio ocorreu e ainda está a ocorrer“, Paulo Pinheiro, presidente da Comissom de Investigaçom da ONU.

Na noite do 2 para o 3 de agosto de 2014, quando os primeiros ataques começarom a tomar corpo no sul da regiom de Shingal, os Peshmerga (principalmente milícias do KDP), que vinheram supostamente a implantar-se na regiom para a segurança dos Jazidis já começaram a fugir. Shingal é a área de principal assentamento do povo Jazidi onde cerca de 500.000 dos 900.000 Jazidis de todo o mundo costumavam viver.

Os 11.000 Peshmerga que foram implantados em torno a Shingal fugirom durante a noite e as primeiras horas da manhá sem avisar à povoaçom civil ou, polo menos, proporcionar rotas de fuga. O ISIS invadiu umha aldeia atrás da outra, os vizinhos sunitas do Jazidis apoiarom a ofensiva terrorista. Voluntários Jazidis defenderom as suas aldeias durante horas. Depois de ficar sem muniçom, as pessoas tentarom escapar ao monte onde forom cercados polos terroristas do ISIS a temperaturas de 40 °. Até 60.000 Jazidis tentarom resistir lá fora por dias, muitos morrerom como resultado da falta de comida e água.

[Haveria que dizer também que ajudou a que nom fôsse maior a massacre a operaçom das YPG/YPJ (Yekîneyên Parastinê Gel) para resgatar aos Jazidis nas montanhas de Sinjar transportando comida e água e fazendo um corredor humanitário; e das HPG (Hêzên Parastina Gel), milícia do Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), que frenarom a ofensiva do ISIS em Maxmur; ambas milícias membros da KCK (Uniom de Comunidades do Curdistam].

De acordo com as Naçons Unidas, polo menos 5.000 Jazidis forom assassinados nas cidades e aldeias e até 7.000 mulheres e crianças, incluindo muitas meninas menores de idade, forom sequestradas, escravizadas e posteriormente violadas sistematicamente. Os homens e mulheres capturados forom convidados a se converter ao Islám, por exemplo, em Kojo onde acólitos do ISIS assassinarom cerca de 600 homens e sequestrarom até 1.000 mulheres e crianças depois de terem recusado a se converter. De acordo com umha série de estimativas, 1.000 meninos Jazidis estám sendo treinados militarmente em campos para se tornar futuros suicidas e combatentes do ISIS.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Parlamento Europeu, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, o governo dos EUA e o Parlamento britânico reconhecerom o genocídio. O Conselho de Segurança da ONU, no entanto, ainda nom tomou quaisquer medida. A chamada dos Jazidis para o estabelecimento de um tribunal para julgar os terroristas do ISIS no Tribunal Penal Internacional por cometer crimes de guerra e contra a humanidade.

Valas comuns

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Jazidis analisam os restos ósseos de umha vala comum.

Mais de 30 valas comuns contendo os restos mortais de homens, mulheres mas também de crianças até agora forom descobertos nas regions libertadas de Shingal. A ONU, apesar dos pedidos da comunidade Jazidi, nom forneceu nengum perito em preservaçom de provas ou documentou as valas comuns para futuros processos contra os terroristas do ISIS. Os cientistas forenses do governo curdo estam tentando faze-lo o melhor possível, mas nom tenhem o equipamento necessário. Umha das valas comuns, que foi descoberta no sul da regiom, continha os restos de 80 mulheres. Até 120 restos mais forom descobertos em outra perto da cidade Shingal. As sepulturas estam, no entanto, muitas vezes inspeccionados por luitadores, jornalistas ou Jazidis à procura dos seus parentes, o que torna difícil preservar as provas no futuro.

Escravitude

“Ela tem 12 anos. Hweida nom sabia o que era a violaçom, mas acordou com sangue entre as suas pernas.”, NBC Report.

Jazidis escravasAté 7.000 Jazidis, a maioria das quais eram mulheres e crianças, forom sequestradas. Na sua revista Dabiq, o ISIS referiu o seu rapto como a reintroduçom da “tradiçom islâmica da escravidude”. As Jazidis sequestradas forom levadas para outras partes do Iraque e da Síria. 3.200 mulheres e crianças forom libertadas ou conseguiram escapar. Elas relatarom violaçons em massa, tortura e assassinatos nas prisons do ISIS. Crianças nascidas em cautiveiro do ISIS forom entregues a famílias muçulmanas. As mulheres e crianças Jazidis raptadas som oferecidas para a venda por terroristas do ISIS através das redes sociais ou nas ruas. O ISIS usa a violaçom sistemática como umha arma psicológica contra toda a comunidade Jazidi.

3.500 outras Jazidis ainda permanecem, desde há dous anos, no cautiveiro do ISIS. O genocídio continua com o seu cativeiro e nom permite que os Jazidis poidam descansar. Até agora nom há medidas concretas para a sua libertaçom, tais como operaçons militares especiais. As famílias Jazidis pagam somas de cinco dígitos para resgatar os seus parentes, caso a opçom esteja disponível. O ISIS reforçou as medidas de segurança após umha série de tentativas de fuga bem-sucedidas, é por isso que cada vez menos mulheres e crianças podem ser resgatadas ou som capazes de escapar. Muitas das mulheres e crianças escravizadas crê-se que estam nos redutos do ISIS de Mosul e Raqqa.

Mas mesmo depois da sua libertaçom, o seu calvário nom chega ao fim. Fortemente traumatizadas, muitas delas resistem nos campos de refugiados sem ter acesso à assistência professional. Nada abalou a comunidade Jazidi nas suas bases, como os seqüestros e as violaçons. A maioria também perderam os seus familiares nas massacres de Shingal.

Órfaos

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Crianças Jazidis do campo de refugiados de Esiya (EzidiPress)

A campanha de destruiçom do ISIS transformou milheiros de crianças em órfaos e meio-órfaos, muitos dos quais forom testemunhas de como as suas maes e/ou pais foram mortos polos terroristas do ISIS diante dos seus olhos. Há 3.000 órfaos, de acordo com dados oficiais. Estimativas nom oficiais, no entanto, indicam que há 8.000 crianças e jovens órfaos e meio-órfaos. Os que muitas vezes encontram aos seus parentes que, no entanto, também carecem de tudo. portanto os Jazidis procuramos construir orfanatos.

Êxodo em massa

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Crianças refugiadas de Shingal perto de Semel, Duhok (Ezidi Press)

“Esta terra é a nossa tumba “, refugiado Jazidi.

O plano pérfido do ISIS para destruir a comunidade Jazidi aparentemente provou ser bem sucedida. Cerca de 100.000 Jazidis já deixarom o Iraque / Regiom Autónoma do Curdistam – que é cerca do 20% da povoaçom total Jazidi. Atravessa a Turquia e o Mediterrâneo, muitos estam tentando alcançar porto seguro na Europa. Um número estimado de 30.000 Jazidis já solicitarom asilo só na Alemanha – com umha tendência crescente. Os 900.000 Jazidis já vivem nos quatro continentes, em mais de 20 países.

 Destruiçom e luita polo poder político

Um camiom com forças de segurança curdas fai o seu caminho através das ruínas de Sinjar. (John Beck / Al Jazeera)
Um camiom com forças de segurança curdas fai o seu caminho através das ruínas de Sinjar. (John Beck / Al Jazeera)

O lar tradicional do Jazidis tornou-se um lugar de luita polo poder político. Dúzias de partidos políticos e forças militares estám tentando exercer a sua influência no vazio de poder que foi deixado lá. Bandeiras de Partidos e militares som içadas acima das ruínas dos edifícios destruídos. A regiom está de facto dividida em duas zonas: os grupos ligados ao PKK [KCK em realidade], como as Jazidis YBŞ que controlam o oeste da regiom. Eles estam em umha luita de poder com o KDP, e os seus aliados Peshmergas e Jazidis que controlam o leste da regiom.

Cerca do 85% das infra-estruturas da regiom, vilas e cidades forom destruídas. O Conselho de Representantes iraquiano declarou a regiom como zona de catástrofe. De acordo com as avaliaçons fornecidas polas autoridades, seram necessários 150 milhons de euros para a reconstruçom da área. O retorno dos refugiados parece, portanto, impossível – também devido à situaçom de segurança.

 Aldeias ocupadas

Dúzias de aldeias no sul da regiom, como Kojo, permanecem sob control do ISIS. Há diferentes opinions sobre por que a regiom ainda nom foi liberada.

Crise que Ameaça a Existência

Crianças jazidis em um campo de refugiados em Midyat (Reuters)
Crianças jazidis em um campo de refugiados em Midyat (Reuters)

O genocídio, a traiçom dos Peshmerga, bem como a luita polo poder político sobre a regiom desarraiga a comunidade Jazidi e mergulhou-na em umha profunda crise, a ameaça da existência. As frentes políticas que estiveram latentes durante décadas tenhem-se endurecido, o tom entre os diversos grupos tornou-se mais forte. Acusaçons mútuas e condenaçons ameaçam com dividir a comunidade nas décadas futuras. O Conselho Religioso Jazidi parece paralisado à luz dos desafios e pressons políticas.

Os partidos políticos estam a tentar impor a sua agenda por e com os Jazidis. Especialmente as geraçons mais velhas nom parecem compreender que esta crise pode realmente levar à queda da comunidade Jazidi e, portanto, da antiga herdança da cultura mesopotâmica.

Mais umha vez, heróis no começo acabarom por ser membros leais do partido – que é umha das razons que permitirom em primeiro lugar esta crise. É, portanto, jovens activistas, como Nadia Murad que dam umha nova esperança para os Jazidis e assumem a responsabilidade pola sua comunidade.

Publicado por Êzîdî Press.

 

 

Jazidis em Iraque: “Este país é a nossa tumba”

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Crianças Jazedis refugiadas de Shingal no campo de refugiados de Esiya, 2015

Dohuk – “Até aqui”, di Hewas e mostra com a mao direita, a borda exterior da mao no seu antebraço esquerdo. “Até este ponto, ate o osso. É suficiente, estamos no final “, continua el. O Jazidi de 26 anos está no campo de refugiados de Esiya perto da cidade curda de Duhok, onde cerca de 18.000 Jazidis de Shingal encontrarom refúgio. El está rodeado por crianças com roupas usadas, sapatos gastos, alguns deles com os pés descalços.

Desde o genocídio da milícia terrorista “Estado islâmico” (IS) em agosto do ano passado, que continua com a prisom de milheiros de mulheres e crianças, o povo Jazidi está em um estado de emergência. A milícia terrorista bateu no meio do coraçom da alma Jazidi – Shingal, a principal área de assentamento da minoria no norte do Iraque. Civis indefesos forom invadidos, massacrados e seqüestrados pelos sequazes da milícia terrorista. Os 8.000 Peshmergas em Shingal e outros 3.000 estacionados na regiom fugiram antes mesmo de que a povoaçom civil suspeitara de que um genocídio os aguardava. Quando despertarom no início da manhá, os Peshmerga tinham fugido desde havia muito tempo, e a bandeira negra dos terroristas estava-se aproximando desde três lados. Centos de milheiros fugirom, dúzias de milheiros à procura de protecçom nas montanhas, onde eles acabarom por ser sitiados por dias e morrerom de fome e sede. Todo o mundo aqui fala em sussurros de traiçom – mesmo firmes defensores do Partido Democrático do Curdistam (PDK), que é acusado do desastre, porque poderiam ter evitado isso.

“Eles simplesmente retirarom-se. Eles nom estavam pola nossa vontade, certamente nom. Mas também nom muda nada agora. Eles nom só oferecer o nosso povo aos terroristas do Daesh [ISIS], mas eles também quebrarom o nosso orgulho “, di um alto funcionário Jazidi do PDK, que dirige um dos principais departamentos. El nom quere ser identificado. Até mesmo os funcionários do PDK nom Jazidis assentem e acatam o parecer, mas aqui ninguém se atreve a dizer isso publicamente. Isso equivaleria a umha derrota.

Remnants of a traditional garb of Yezidis from Shingal in Hardan: here, ISIS abducted over 600 women and children and killed hundreds of men

Restos de vestimenta tradicional dos Jazedis de Shengal em Hardan: aqui, o ISIS secostrou mas de 600 mulheres e crianças e matou centos de homes.

Hewas leva-nos de campo de refugiados a campo de refugiados, de Sharya a Esiya e Khanke, e de volta para Baadrê. A acampamentos selvagens, passando fora dos campos oficiais, a edifícios inacabados onde várias famílias estam hospedadas. “Nom só nós perdemos as nossas famílias, todo o nosso modo de vida foi destruído”, di um homem que vive com outras três famílias em Baadrê em um desses edifícios. El mesmo cimentou a parte inferior. A sua sobrinha de 15 anos estivo vários meses em cautiveiro dos terroristas do IS, e foi violada repetidamente. Um rapaz pequeno, cerca de cinco anos, empurra de trás do avó. Ele também escapou junto com sua avó do cautiveiro do IS. Seu pai foi morto em Shingal, sua mae capturada. O tio agora tem todo o peso da família.

Continuamos, no acampamento de refugiados oficial de Sharya, passando polas intermináveis fileiras de tendas. Do terror ao terror: Tenda No. 1791, pai e dous filhos mortos; No. 1793, Mae em cautiveiro, pai e filho morto; No. 1801, várias filhas em cautiveiro, um filho morto; No. 1823, quatro órfaos. Genocídio.

An Yezidi mother bakes bread in front of her tent in the refugee camp of Sharya

Umha mae Jazidi coze pam na frente da sua tenda no campo de refugiados de Sharya

O Hewas próprio nom é de Shingal, mas tivo que fugir rapidamente quando os terroristas também ameaçarom de conquistar a sua comunidade de Sheikhan perto de Duhok. E a linha da frente de Sheikhan ainda pode ser visto a olho nu. Nuvens de fumaça sobre umha aldeia da minoria Shabak, em que a milícia terrorista queima tudo. Nada além de terra queimada permanecerá, mesmo após a derrota.

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A Fumaça ergue sobre aldeias da comunidade Shabak onde o ISIS marca a sua presença com as chamas

Hewas, um jovem de forte constituíçom olha com uma expressom séria em nós; sempre que el vê as condiçons dos Jazidis, como vivem todos os refugiados. “Aqui nom temos futuro, acredite em mim. Nom importa o que fagamos, este país é a nossa tumba”, explica. A família de Hewas pertence à classe média, diferente da maioria dos refugiados el voltará em breve para a Europa. Contrabandistas por somas de cinco dígitos e tratores contrabandearam-me para a Europa, di el. Nom através do mortal Mediterrâneo, mas sobre a terra. Mas por isso pagas o dobro do preço sem que toda a família afunda com o dinheiro.

Campo de refugiados em Baadrê. Alguns dias antes, uma mae de cinco crianças conseguiu escapar do cautiveiro da milícia terrorista. Sozinha, seus filhos ainda estam no cautiveiro do IS. Onde eles estam sendo mantidos em cautiveiro, ela nom o sabe. Seu marido foi morto na aldeia de Til Ezer em Shingal. “Eu nom quero nada mais que o retorno dos meus filhos”, di ela. Ela já ouviu falar sobre o programa na Alemanha. Que as mulheres e meninas traumatizadas recebem atendimento psicológico em Baden-Württemberg, ela também pode registrar-se na lista. “Sem os meus filhos?”, Ela responde. “Eu vou ficar aqui e esperar até que eles estexam de volta comigo.”

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Crianças de Shingal refugiados em umha obra perto de Semel, Duhok

A comunidade Jazidi está praticamente sem liderança durante este tempo difícil. Também os mais altos representantes estam impotentes diante dos enormes problemas e desafios que enfrentam. Eles nom tenhem nengum plano para o futuro, a sociedade está provavelmente mais dividida do que nunca. “Todos aqueles que nos defender, poderiam promover-nos e apoiar-nos, querem emigrar. Os fracos e os pobres som deixados para trás “, lamenta um juiz Jazidi, que trabalha na magistratura curda. El pertence à classe alta da pequena povoaçom Jazidi que pode comprar umha vida segura. Mas nom importa o quam qualificado el está no seu trabalho, el nunca será juiz principal. Para isso, el teria que fazer um juramento sobre o Alcoram na toma de posessom. Para os cristians, Jazidis e outras minorias nom-muçulmanas é inimaginável.

Isso poderia mudar com a nova Constituiçom, que está actualmente a ser elaborada por umha Comissom de 21 membros para a regiom autónoma curda. Sem Jazidis pertencentes à Comissom, só depois de protestos o PDK deixou um dos seus sete lugares. O nomeado foi o retirado juiz Jazidi Nemir, que se queixou em umha reuniom com o Conselho religioso dos Jazidis em Lalish sobre a discriminaçom. “Eles excluem-me deliberadamente, virando as costas para mim e nom querem que eu participe”, di Hakim Nemir. De novo e outra vez houvo disputas verbais no seio da Comissom, sempre o representante Jazidi tivo de se defender. “Sem o seu apoio nom vou ser capaz de fazer qualquer cousa”, dirige-se aos representantes Jazidi.

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Umha criança no campo de refugiados de Sharya. Os pais fugiram dos sequazes do ISIS para a regiom curda perto de Dohuk
Quer na regiom curda ou no resto do Iraque. Praticamente nengum Jazidis se sente seguro aqui. Apesar de ser a terra sagrada para eles em cujo solo estam os seus santuários, o val de Lalish perto Duhok ou a artéria carótida da história e da cultura Jazidi, Shingal. Para muitos, é certo que um abandono da regiom Shingal anuncia o fim do Jazidismo. Milheiros de combatentes Jazidi oferecerom-se diariamente em Shingal para evitar isso. As vítimas da guerra gravemente traumatizadas, mas so querem viver em um país seguro onde nom sexam perseguidos e massacrados por causa da sua religiom. A milícia terrorista matou mais de 5.000 Jazidis em Shingal, seqüestrou até 7000. E grande parte da regiom ainda está sob a autoridade dos auto-proclamados santos guerreiros.
Os Jazidis forom umha vez umha grande naçom, poderosa, que governou sobre grandes e influentes principados de todo o Oriente Médio. Em seguida, as conversons forçadas e as campanhas de extermínio vinherom. No entanto, umha das mais antigas religions puido salvar-se até o momento presente. O preço por isso: hoje a comunidade Jazidi conta com menos de um milhom de seguidores, distribuídos por quatro continentes em todo o mundo.

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Um mecha queimando em uma parede no santuário Jazidi de Lalish: servidores do templo acendem 366 “velas” o dia

Na memória coletiva dos Jazidis, todas as massacres últimas queimam profundamente. Nas últimas décadas, no entanto, começarom a chegar a um acordo da sua história e os seus traumas, para escrever a sua religiom e torná-lo acessível a um público amplo. Até que eles forom abalados por umha nova massacre, o genocídio em Shingal, que mais umha vez joga de volta à comunidade por anos. Milheiros de mulheres Jazidi, crianças e meninas forom raptadas, no século 21.

“Durante séculos, sempre foi o mesmo. Cada 50 anos umha nova massacre, é suficiente”, di Hewas que já está caminho para a Europa. Assim como centos de outros Jazidis que a cada mês tentam escapar do campo de batalha no Iraque.

O artigo foi traduzido e publicado com o permisso explicito de EzidiPress.

A batalha demorada de Şingal

Jezedis en SinjarPor Carl Drott

Em cima de um cume com vista à cidade de Şingal (Sinjar), luitadores Pêşmerges protegem-se atrás de sacos de areia e paredes de terra. Um morteiro passa perto acima com um som agudo e um segundo depois atinge a montanha atrás de nós. Sete ou oito mais a continuaçom, provavelmente a partir de um auto-canhom de 23 milímetros. Em breve vamos ouvir o baque seco em vez da saída leve do fogo de morteiro, destinado a umha posiçom do Estado Islâmico (IS) a cerca de cinco centenas de metros de distância. Um luitador Pêşmerge corre para a frente para espreitar sobre os sacos de areia e observar o impacto, ajusta o ângulo do tubo e cai uma nova rodada nel. O procedimento é repetido até que a caixa de madeira está vazia – mas todas as sete rodadas falham o seu alvo.

shingal 001Cerca de umha hora e meia após o ocaso, ouvimos o primeiro murmúrio de aeronaves da coalizom, e 20 minutos mais tarde um míssil encontra o seu alvo com um grande estrondo. Logo depois, for detectado movimento abaixo, e um dos luitadores Pêşmerges abre fogo com o seu fuzil G36. Talvez fosse apenas umha ilusom – ou el interceptou umha patrulha do inimigo. Na cobertura da escuridade, os combatentes de ambos os lados podem sair das suas posiçons entrincheiradas ao fogo a umha distância menor, ou mesmo lançar missons de reconhecimento ou ataques. Na falta de equipamento de visom noturna, os luitadores Pêşmerges iluminam a encosta mais próxima com lanternas, mas apenas por alguns segundos de cada vez, de modo a minimizar a sua própria exposiçom. O murmúrio volta, mas nom há mais ataques aéreos esta noite.

shingal 002De repente, umha forte chuva penetra para baixo, absorvendo a todos no cume, bem como os colchons e cobertores que estam no chao. Entom, como se a natureza estiver conspirando contra eles, um vento frio começa a soprar. Os luitadores Pêşmerge levam umha vida dura, e obtenhem muito pouco polos seus esforços. Os salários baixos há muito tempo tornou normal um segundo trabalho entre implantaçons, e com a crise económica na regiom do Curdistam as cousas deteriorarom-se ainda mais. Desde que o Daesh [ISIS] nós atacou só temos um salário mensal a cada três meses. É muito difícil de gerenciar para aqueles com famílias , di Aziz Haji Taha, de trinta e sete anos que é de umha vila perto de Dîana. No entanto, todos parecem concordar que os Pêşmerge ganharam um nível completamente novo de respeito na sua própria sociedade, bem como internacionalmente, e eles esperam que o seu fazer e derramamento de sangue acabará por estabelecer as bases para um futuro diferente. Queremos a nossa independência”, di Aziz. El aponta para um estouro da rodadas marcadas em vermelho fazendo o seu caminho através do céu. E queremos que estas armas terminem, e viver como um país descontraído, sem problemas.

shingal 003As muitas forças de Şingal

Os luitadores no cume pertencem à 12ª Brigada Pêşmerge, umha unidade mista coa metade dos seus membros do Partido Democrático do Curdistam (Partiya Demokrata Kurdistanê ou PDK) e a outra metade da Uniom Patriótica do Curdistam (Yekîtiya Nîştimaniya Kurdistanê ou YNK). Na década de 1990, os dous partidos luitaram entre si em umha guerra civil sem sentido, e embora o processo de unificaçom tem sido lento, a criaçom de unidades mistas é umha história de sucesso. “Agora nós nom pensamos sobre partidos políticos, somos umha família”, di Mihemed Ehmed Mihemed de Qeladizê, que tem sido um luitador Pêşmerge desde 1991. Os mesmos sentimentos fraternos som expressos em direçom aos luitadores de outros partidos – incluindo o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (Partiya Karkerên Kurdistanê ou PKK). “Antes que o Daesh atacara tínhamos umha mentalidade diferente nas quatro partes do Curdistam, mas fizeram-nos um grupo, luitando por um objetivo, que é o Curdistam”, di Mihemed.

Quando o ISIS atacou Şingal em agosto, os luitadores Pêşmerges encarregados de proteger a área forom apanhados desprevenidos e recuarom rapidamente. Como os civis Jazidis (iáziges) fugiram até o Monte Şingal, forom formadas espontaneamente milícias locais que defendiam as estradas. “Quando o Daesh capturou Mosul, dixem-lhe à gente de conseguer armas para si mesmos, para que eles pudessem defender as suas famílias em caso de algo acontecer”, di Qasim Derbo, um líder de aldeia que virou em comandante da milícia. “Nós nom deixamos o Daesh subir à montanha”, continua el. Algumhas das milícias Jazidis mais tarde denominaram-se Força de Protecçom Şingal (Hêza Parastina Şingal ou HPŞ), mas complicaçons políticas seguirom quando o seu comandante Heydar Şeşo buscou o apoio de Bagdá, e em vez disso foi detido polas autoridades da regiom do Curdistam. Finalmente, foi acordado que os luitadores Jazidis estariam sob o control do Ministério Pêşmerge, e eles agora arvoram a bandeira do Curdistam, mas nom usam outras insígnias, e nom tenhem nengum nome oficial para as suas unidades.

shingal 004Após os Jazidis estavam rodeados no Monte Şingal, as forças filiadas o PKK perfurarom um corredor através do território controlado polo ISIS para permitir a evacuaçom de civis e reforçar a defesa. Enquanto algumhas unidades já voltaram para a Síria, as Forças de Defesa do Povo (Hezen Parastina gel ou HPG) e umha milícia Jazidi chamada Unidades Resistência Şingal (Yekîneyên Berxwedana Şingal ou YBŞ) ainda permanecem. No entanto, a presença militar e política do PKK é um motivo de preocupaçom para o seu antigo rival, o PDK, que dominava a área antes do ataque do ISIS ‘. E em torno do Monte Şingal, ambas as partes agora trabalhosamente marcarom a sua presença com bandeiras, grafites e retratos dos líderes.

A batalha parada

Em dezembro, as forças Pêşmerge lançarom umha grande ofensiva para capturar todo o território ao norte do Monte Şingal. “O plano nom era entrar na cidade de Şingal”, di o brigadeiro Ezedîn Sindi, comandante da 12ª Brigada Pêşmerge, que participou da operaçom de Dezembro e agora está implantado na área por segunda vez. El afirma que as forças filiadas o PKK empurrarom mais para o sul e entrarom na cidade de Şingal pola sua própria iniciativa, e só mais tarde juntarom-se os combatentes Pêşmerge. No entanto, a ofensiva estagnou e foi mesmo parcialmente desfeita; quase um ano e meio mais tarde, o brigadeiro Sindi ainda está à espera de umha ordem dos seus superiores para tentar um assalto completo na cidade de Şingal. “Toma-la nom é o problema, mas mantê-la é um problema”, di el, citando como razom que o ISIS iria contra-atacar se eles perderam a auto-estrada que atravessa a cidade, e que liga Raqqa com Tel Afar. Do ponto de vista tático a sua argumentaçom parece boa, mas a partir de umha perspectiva estratégica pode-se argumentar que este é precisamente o porque esta operaçom deveria ser umha prioridade. Apenas cerca de um quarto da cidade de Şingal encontra-se actualmente controlado polas HPG e YBŞ junto com a 101 Brigada Pêşmerge da YNK, enquanto a 12ª Brigada Pêşmerge mantém os cumes e outeiros baixos, juntamente com as milícias Jazidis do HPG.

“As armas que temos nom som suficientes, e em um lugar como este precisa-se mais muniçom”, di o brigadeiro Sindi, ecoando declaraçons dos seus combatentes. “Nós nom precisamos de mais nada. Nós nom temos problemas com a moral. “A 12ª Brigada Pêşmerge recebeu algumhas armas novas, como mísseis anti-tanque Milam e canhons sem recuo SPG-9, mas a moagem, a batalha constante requer mais muniçom para armas pesadas do que está actualmente a ser fornecido, e há muitos poucos veículos blindados. Por que esses problemas persistem, por tanto tempo na guerra? As explicaçons mais simples som de que as forças curdas tenhem uma longa linha de frente contra o ISIS, e que nom há suficientes fornecimentos do exterior, e que há um descompasso entre o que foi entregue e o que é necessário. Também é possível que as reservas de muniçom sejam retidas e salvas para umha ofensiva futura. No entanto, outra explicaçom é que os veículos blindados e o armamento pesado estam desigualmente divididos entre as diferentes unidades Pêşmerge, e as brigadas controladas por um partido em particular, som relutantes em compartilhar os seus recursos com brigadas “rivais” ou mistas.

Desde o ataque do ISIS ‘em agosto, os apoiantes de diferentes partidos curdos tenhem utilizado Şingal como umha vara para bater os seus adversários, muitas vezes através de meios de comunicaçom e mídias sociais. Enquanto os partidários do PDK acusam o PKK de aproveitar a situaçom para tentar assumir o control da área, eles próprios som frequentemente culpados por abandonar Şingal, em primeiro lugar, bem como pola impasse militar atual. No entanto, apesar que a rivalidade política permanece sempre presente, os comandantes e combatentes de diferentes partidos parecem comprometidos em trabalhar juntos para enfrentar o ISIS no campo de batalha. Considerando a história longa e desagradável de conflitos intra-curdos, é realmente notável que combatentes do PDK, YNK e PKK atualmente compartilhem a mesma trincheira em um dos cumes acima da cidade de Şingal. El também carrega lembrando que as cousas teriam sido muito pior se nom fosse a defesa inicial montada polas milícias Jazidis, enquanto sem o PKK nom teria havido nengumha evacuaçom de civis, e apenas umha decidida contra-ofensiva das forças Pêsmerge apoiadas por ataques aéreos da coalizão poderia, finalmente, romper o cerco. Todos derramarom sangue pela libertaçom de Şingal.

Publicado em Uttryck Magazine.