Turquia e o caminho ao genocídio

Cizre, Curdistam sob administraçom turca em março de 2016. IPPNW Alemanha

Por Djene Bajalan

Há paralelos assustadores entre o genocídio armênio e a situaçom dos curdos na Turquia hoje.

No domingo, 24 de abril do 1915, o ministro Otomano do Interior, Talat Pasha, ordenou a prisom e detençom dos líderes da comunidade armênia que residiam dentro do império. Na primeira noite, mais de duzentas pessoas foram apanhadas polas forças governamentais; com o passar dos dias o número cresceu a mais de dois mil. O ataque de Talat Pasha contra os armênios otomanos fazia parte de umha campanha mais ampla e sistemática de genocídio dirigida à comunidade armênia do império – umha campanha que deixou entre 800.000 e 1.5 milhons de mortos.

Nom é necessário aqui re-litigar a questom de se ou nom os eventos de 1915 – descritos eufemisticamente em fontes turcas oficiais como as “deslocalizaçons (tehcir)” – constituírom genocídio. Em vez disso, ao lembrar o genocídio armênio e, mais especificamente, as detençons do “Domingo Vermelho”, torna-se possível situar as políticas dos líderes atuais da Turquia em relaçom aos representantes do movimento curdo – em particular, a detençom dos líderes de pró-curdo  Partido Democrático do  Povo (HDP), Selahattin Demirtaş e Figen Yuksekdağ, o 4 de novembro – em um contexto histórico mais amplo.

Enquanto isso seria hiperbólico afirmar que os níveis de violência actualmente a ser dirigida a povoaçom curda da Turquia hoje tenham chegado à mesma magnitude que a dirigida contra os armênios pouco mais de um século atrás, inegáveis e assustadores paralelos podem, contudo, elaborar-se.

Erdogan e os curdos

Nom foi há muito tempo que o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan foi elogiado pola sua (relativamente) posiçom progressista em relaçom aos direitos curdos na Turquia. Desde a fundaçom da República da Turquia em 1923, a “questom curda” – o conflito entre as elites nacionalistas turcas em Ancara e aqueles que alegam representar a autêntica vontade nacional dos curdos da Turquia – constituiu umha das principais fontes de instabilidade política do país.

Nas décadas de 1920 e 1930, a jovem república enfrentou umha série de rebelions curdas de inspiraçom nacionalista, principalmente a Rebeliom do Sheikh Said de 1925 e a Revolta Hoybûn de 1929-1931. A postura tomada pola administraçom do pai fundador da Turquia, Mustafa Kemal Atatürk, era de supressom e negaçom. O governo republicano foi enorme para esmagar a resistência curda; por exemplo, em 1925, um terço do orçamento do governo estava direcionado para a supressom militar da insurgência do xeque Said.

No entanto, apesar da intensidade da violência empregada polo Estado durante as décadas de 1920 e 1930, a questom curda nunca foi verdadeiramente resolvida. Começando nas décadas de 1940 e 1950, umha nova geraçom de intelectuais e ativistas curdos começou a mobilizar-se em um processo que culminou com a fundaçom do Partido dos Trabalhadores do Curdistam (mais conhecido polo seu acrónimo curdo PKK) em 1978, umha organizaçom dedicada à libertaçom nacional nom só dos curdos da Turquia, mas dos curdos em todo o Oriente Médio.

Posteriormente, o Sudeste maioritariamente curdo da Turquia foi mergulhado num estado de guerra civil. Entre 1978 e a prisom do fundador do PKK Abdullah Öcalan em 1999, trinta mil vidas foram perdidas e cerca de quatro mil aldeias curdas destruídas. Ao longo destes anos de conflito, o governo turco sustentou que nom havia “questom curda”; ao invés funcionários do governo enquadram o conflito em termos da luita contra o terrorismo (e, se pressionado, desenvolvimento económico). Como dixo o primeiro-ministro Tansu Çiller durante uma entrevista concedida em 1995 a Daniel Pipes: “Nom há insurreiçom curda na Turquia. Os terroristas do PKK estam a atacar civis inocentes na parte sudeste do meu país sem poupar mulheres, crianças ou idosos.”

No entanto, o sucesso eleitoral do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) em 2002 e a ascensom de Erdoğan ao cargo de primeiro-ministro (umha posiçom que ocupou até a sua eleiçom como presidente em 2014) marcarom umha mudança sutil mas distinta na política oficial para os curdos. No Verao de 2005, o primeiro-ministro Erdoğan viajou para Diyarbakir, um bastiom do nacionalismo curdo, e proclamou que a questom curda era a sua questom e um problema colectivo para a Turquia, confessando que, no passado, ” foram cometidos erros.”

Estas declaraçons foram seguidas por umha série de medidas que facilitarom a fim as restriçons à expressom da cultura curda. Provisons forom feitas para permitir que o curdo fosse ensinado em escolas de idiomas e universidades, a televisom estatal abriu um canal de transmissom em curdo e, em 2009, o governo anunciou a chamada “abertura curda”, processo que o ministro do Interior, Beşir Atalay, Hakan Fidan, chefe da poderosa Agência Nacional de Inteligência da Turquia, estava até em negociaçons com o líder preso do PKK, Abdullah Öcalan, com vista a acabar com o período mais longo de insurgência curda.

É claro que muitas das reformas prometidas permaneceram em grande parte na teoria e o ativismo curdo continuou sendo um negócio arriscado. Em dezembro de 2009, o Partido Democrático da Sociedade (DTP), o antecessor do HDP, foi ilegalizado polo tribunal constitucional da Turquia, alegando que era umha frente para o “terrorismo”. Além disso, os contatos do governo com Abdullah Öcalan nom possuíam umha posiçom legal clara Ou um objectivo definido. No entanto, no início de 2010, parecia que a Turquia estava a avançar lentamente para algum tipo de resoluçom da “questom curda do país.”

Em retrospectiva, parece evidente que a abertura de Erdoğan para com os curdos nasceu nom de qualquer convicçom forte de que a povoaçom curda do país tinha sido vítima de umha injustiça histórica, mas um desejo básico de ganhar votos curdos. No curto prazo, este provou ser bem sucedido, com o AKP aumentando a sua parte do voto no sudeste curdo nas eleiçons gerais de 2007. Entretanto, nas eleiçons locais de 2009 muitos curdos, frustrados com o ritmo lento das reforma, abandonou o AKP, levando ao fracasso do partido para assumir o control do governo municipal de Diyarbakir do DTP pro-curdo.

As reformas lentas também impulsionaram a popularidade da ala parlamentar do movimento curdo, que, em 2014, se fundiu em um novo partido, o HDP. O HDP foi capaz de capitalizar sobre a repulsa sentida por muitos curdos (incluindo os elementos mais conservadores da sociedade curda que geralmente tinham sido solidários com o AKP) em direçom a visom de Erdoğan do movimento curdo sírio, que tinha chegado a proeminência política após a eclosom da Guerra Civil Síria em 2011.

No outono de 2014, quando os combatentes curdos sírios tentaram defender a cidade síria curda de Kobanê das forças do Estado Islâmico, as autoridades turcas se recusaram a permitir que os curdos da Turquia cruzassem a fronteira para ajudar os defensores de Kobanê, apesar de que essas mesmas autoridades tinham sido mais do que dispostas a fechar os olhos para um fluxo constante de jihadistas na Síria desde o território turco. As paixons foram ainda mais inflamadas quando Erdoğan (agora presidente) proclamou, com aparente indiferença fria, que Kobanê estava “à beira da queda”. Umha onda de protestos espalhou-se por toda a Turquia e foi brutalmente reprimida polas autoridades turcas.

A popularidade do HDP também aumentou como resultado da sua postura relativamente progressista em relaçom à economia, aos direitos LGBT e ao meio ambiente. Tais posiçons o ajudarom a construir apoio entre os turcos liberais e esquerdistas, muitos dos quais tinham participado ou simpatizado com os protestos do Parque Gezi em 2013. Assim, sob a co-liderança de Demirtaş, um curdo étnico de Elazığ e Figen Yüksekdağ, umha turca étnico de Adana, o partido conseguiu construir umha coalizom eleitoral que incluía nom apenas curdos, mas liberais turcos, esquerdistas, ambientalistas e ativistas de direitos LGBT. Concedido, a base do partido permaneceu esmagadoramente curda, mas nas eleiçons parlamentares de junho de 2015, esta coalizom pôde impulsionar o HDP após o limiar eleitoral do 10 por cento, umha barreira que em eleiçons precedentes negou-lhe aos partidos pro-Curdo representaçom parlamentar adequada (HDP ganhou o 13,1 por cento).

O sucesso eleitoral do HDP, que veio principalmente à custa do AKP, foi um desafio direto ao crescente poder de Erdoğan, e aparentemente pôs fim às suas ambiçons de reescrever a Constituiçom turca de 1982 e estabelecer umha presidência executiva forte (a Turquia é um sistema parlamentar ). Quase assim que os resultados das eleiçons foram em umha nova ofensiva militar foi lançado contra o PKK.

O estopim para a renovaçom da violência foi o atentadoo, provavelmente orquestrado polo Estado Islâmico, de um grupo de estudantes que se reuniram em Suruç, na fronteira turco-síria, para apoiar os combatentes curdos na Síria. Logo depois, forças de segurança turcas entraram em confronto com militantes curdos em Adiyaman e Ceylanpinar, deixando três soldados mortos. Embora o PKK tenha negado estar envolvido nos combates, essas mortes abriram um espaço para um novo ataque do governo contra o PKK. Sob a capa de perseguir o Estado Islâmico, a força aérea turca atacou posiçons do PKK no Iraque.

Enquanto isso, dentro das fronteiras da Turquia, as autoridades se enfrentaram com militantes curdos em cidades do sudeste. Na primavera de 2016, esta nova rodada de violência custou, segundo as autoridades turcas, 4,571 combatentes curdos, 450 soldados e policiais e polo menos 338 civis. As perdas materiais foram igualmente grandes, com muitas cidades curdas reduzidas a escombros e ruínas, adornadas com bandeiras turcas.

Apesar de alimentar o sentimento nacionalista entre os turcos, estes confrontos nom significarom o fim do HDP. Umha segunda eleiçom realizada em novembro de 2015 viu a queda do voto da HDP, mas nom abaixo do limiar eleitoral do 10%. Na verdade, em termos de assentos parlamentares, o HDP ultrapassou o Partido de Açom Nacional de extrema-direita (MHP), tornando-se o terceiro maior partido parlamentar.

No entanto, após o fracasso golpe de Estado do 15 de julho, a paisagem política na Turquia está mudando rapidamente. Erdoğan usou o caos político para consolidar ainda mais o seu poder, atacando os bastions da oposiçom remanescentes nos meios de comunicaçom, na burocracia, na educaçom e, naturalmente, no movimento curdo.

As fontes de mídia curdas, incluindo a Agência de Notícias Dicle, Azadiya Welat (Naçom Livre) e Evrensel Kültür (Cultura Universal), forom fechadas. Líderes do HDP de governos locais também forom arredondados, incluindo os co-presidentes de câmara de Diyarbakir, Gültan Kışanak e Fırat Anli. Talvez um dos movimentos mais significativos do governo tenha sido o assalto legal à delegaçom parlamentar do HDP.

Em maio de 2016, dois meses antes do golpe de Estado, o parlamento turco votou para remover a imunidade parlamentar dos membros do HDP, umha medida apoiada nom só polo AKP, mas também polo maior partido da oposiçom da Turquia, o Partido Popular Kemalista (CHP) . Na noite do 4 de novembro, as autoridades turcas figeram uso desse novo poder para, de feito, “decapitar” o movimento curdo; um movimento que lembra misteriosamente o ataque de Talat Pasha contra a intelligentsia armênia 101 anos antes.

Assim como os “jovens turcos” usaram a capa da Primeira Guerra Mundial para “resolver” a questom armênia, Erdoğan parece estar usando o pós-golpe para “limpar” a oposiçom curda.

Racializaçom do Conflito Curdo

Um aspecto significativo, mas muitas vezes ignorado, dos desenvolvimentos relacionados com a “questom curda” da Turquia é a mudança gradual na última década para a institucionalizaçom da identidade curda na Turquia. À primeira vista, isso pode parecer um desenvolvimento positivo. No entanto, à medida que a República Turca avançou para o reconhecimento, embora apenas implicitamente, de que os curdos constituem umha comunidade distinta, a comunidade curda, paradoxalmente, tornou-se mais vulnerável à violência dirigida.

A este respeito, a comparaçom com o caso arménio é particularmente relevante. Apesar dos esforços das sucessivas geraçons de reformadores otomanos no século XIX e início do XX para forjar umha “naçom” otomana através do estabelecimento de um conjunto comum de direitos e responsabilidades para todos os sujeitos otomanos, independentemente das suas afiliaçons étnicas ou religiosas, característica persistente da política otomana tardia. Isto foi particularmente verdade em comunidades predominantemente nom-muçulmanas como os armênios que gozavam de um tipo de reconhecimento oficial devido à existência do chamado sistema de milheto, umha estrutura administrativa que proporcionava às minorias religiosas umha forma de autonomia legal.

Na segunda metade do século XIX, essa autonomia institucional foi reforçada polo surgimento de um animado movimento político armênio que impulsionou (às vezes através de umha atividade revolucionária violenta) o reconhecimento dos direitos nacionais armênios (embora nom necessariamente a independência nacional). As elites políticas otomanas consideravam cada vez mais a comunidade armênia nom como “cidadaos” otomanos em potencia, mas como umha ameaça existencial à unidade imperial – umha quinta coluna trabalhando ativamente para minar a ordem política otomana.

Essa tendência foi exacerbada pola proliferaçom de idéias social-darwinistas entre a liderança do Comitê de Uniom e Progresso (mais conhecido no Ocidente como os Jovens Turcos), umha cabala secreta de funcionarios e militares que lideraram o Império Otomano durante a I Guerra Mundial. Esta tendência serviu para racializar umha comunidade que, historicamente, tinha sido compreendida principalmente em termos religiosos. Como dixo o Dr. Nazim, membro da Organizaçom Especial da CUP (Teşkilât-ı Mahsusat), umha organizaçom semi-oficial de inteligência diretamente responsável polas brutalidades contra os armênios, declarou em umha reuniom da CUP em 1915:

Se permanecermos satisfeitos. . . Com massacres locais. . . Se esta purga nom é geral e final, inevitavelmente levará a problemas. Portanto, é absolutamente necessário eliminar o povo armênio na sua totalidade, de modo que nom haja mais armênios nesta terra e o próprio conceito da Armênia seja extinto. . .

Assim, mesmo a conversom ao Islã (um movimento que salvara a muitos armênios da morte durante um conjunto anterior de pogroms em meados da década de 1890), nom era suficiente para salvar os infelizes moradores arménios da deportaçom para o deserto sírio ou o assassinato.

Como poderíamos entom comparar a situaçom dos armênios há um século com a situaçom dos curdos hoje?

A atitude das elites políticas na Turquia republicana em relaçom aos curdos tem sido, historicamente, um pouco diferente da atitude mostrada para os armênios polos arquitetos do genocídio. Isso nom quer sugerir que as noçons racializadas de identidade étnica nom tenham sido significativas na Turquia republicana. A lei das indemnizaçons de 1934, desde que os mecanismos legais para a deportaçom daqueles de “cultura”  nom-turca das suas casas; Umha lei usada com grande efeito para deportar curdos e outros “indesejáveis”, como os judeus da Trácia.

Ao mesmo tempo, o governo de Mustafa Kemal Atatürk estava mais do que disposto a tolerar as atividades dos supremacistas raciais turcos como Nihal Atsiz, um indivíduo que recuperou a propaganda nazista para o consumo turco e descreveu a nacionalidade turca como “umha questom de sangue”. A nível popular, os curdos forom muitas vezes considerados polos turcos como sendo um povo bestial, de pel escura, suja.

No entanto, o discurso “kemalista” oficial nom reconheceu os curdos como um povo distinto. Eles foram descritos como “turcos da montanha”; um povo que era de origem turca, mas que vinhera falar umha forma de “persa quebrado” (curdo, como o persa, é umha língua indo-iraniana). Assim, a política da Turquia para os curdos foi muitas vezes ditadas pola noçom de que a Curdicidade era umha forma de falsa consciência e que qualquer manifestaçom de descontentamento político curdo era o resultado da agitaçom externa.

Assim, os kurdos foram considerados polas elites kemalistas como sendo, para tomar um termo do estudioso Mesut Yegen “turcos prospectivos”; umha comunidade que poderia, por meio da educaçom, ser atraída para o círculo da “civilizaçom” turca moderna. Na verdade, os nacionalistas kemalistas, com a quase obsessom patológica de usar as palavras de Mustafa Kemal, muitas vezes tentavam negar a exclusividade étnica do nacionalismo turco, feita polo fundador da Turquia: “Feliz é aquel que se chama turco”, nom “Feliz é aquel que é turco”; um ponto usado para demonstrar a aparente inclusividade da identidade turca.

É claro que os “nacionalismos cívicos” assimilacionistas, como variedade do nacionalismo turco exposta polos kemalistas seculares, som muitas vezes menos perniciosos do que o chamado nacionalismo étnico (se de feito umha divisom firme entre essas duas categorias pode mesmo ser feita). A missom civilizadora kemalista, apropriadamente descrita por Welat Zeydanoğlu como “o fardo do homem branco turco”, resultou na repressom da língua curda, na prisom de ativistas curdos e em políticas como o rapto em massa de crianças curdas e o seu internamento forçado polo governo em Internatos.

No entanto, a negaçom do estado turco da existência curda também isolou os curdos de um ataque genocida. Embora a violência contra determinadas comunidades de curdos tenha, às vezes, atingido proporçons genocidas – principalmente durante a campanha de Dersim de 1937 e 1938 – enquanto os curdos fossem considerados “turcos em potencia”, ficava fora da agenda a erradicaçom física total da comunidade curda. Afinal, como se pode destruir umha naçom que o Estado se recusa a aceitar que existe?

A situaçom evoluiu no âmbito do AKP. O reconhecimento oficial parcial e imperfeito dos curdos como umha comunidade distinta ao longo da última década criou ironicamente condiçons nas quais o genocídio contra os curdos da Turquia é agora, se nom necessariamente, provável,.

Escrevendo em 2009, Mesut Yeğen observou que “o status dos curdos em relaçom à turquia está à beira de umha grande mudança”. O ponto de Yeğen era que a crença popular de que os curdos poderiam se tornar turcos estava em declínio; no seu lugar, surgiu umha nova narrativa emanando tanto das Forças Armadas turcas como da imprensa nacionalista, que retratava os curdos como pseudo-cidadaos (sözde vatandaşlar) e muitas vezes os ligava a comunidades há muito consideradas fora do círculo turco através do uso de termos como judeus-curdos ou armênios-curdos.

A tendência para ver os curdos como o “outro” claramente definido para o turco tem sido inadvertidamente reforçada por concessons oficiais (por mais escandalosas e superficiais) à identidade curda. É agora impossível para os líderes políticos turcos voltar à política de negaçom que, durante grande parte da história moderna da Turquia, definiu a atitude oficial em relaçom aos curdos. Em vez disso, os curdos som agora considerados polos círculos governamentais e por grandes setores do público turco, como ingratos que, apesar dos esforços do governo, continuam empenhados em destruir o país.

Assim, o castigo coletivo do tipo dos armênios há um século é – talvez por primeira vez na história da Turquia moderna – agora possível. Como os armênios em 1915, os curdos emergiram como um novo “outro” – um grupo distinguível da maioria turca.

A este respeito, a prisom dos co-líderes do HDP, bem como centenas de outros intelectuais e ativistas curdos, parece notavelmente semelhante aos esforços de Talat Pasha para “decapitar” a comunidade armênia. Os apologistas de Erdoğan podem muito bem tentar enquadrar essas prisons em termos da “guerra contra o terrorismo”; especialmente ao justificar as suas açons para os Estados Unidos e Europa.

No entanto, as declaraçons do ministro da Economia Nihat Zeybekçi, em que el comparou os membros do HDP a “ratos”, sugere as atitudes racistas e desumanizantes mantidas pola elite governante da Turquia. Tais declaraçons, feitas num momento em que o conflito militar entre o PKK e o exército turco estam aumentando, servem apenas para endurecer as fronteiras ideológicas que separam os curdos dos turcos e, ao fazê-lo, podem muito bem estar lançando as bases de umha campanha até entom sem precedentes Violência contra a povoaçom curda da Turquia.

Isso resultará em genocídio? Talvez seja cedo demais para dizer. Mas este é 2016, um ano em que muitas coisas que umha vez pensou impossível tornaram-se muito reais.

Djene Bajalan é professor assistente no Departamento de História da Universidade Estadual de Missouri.A sua pesquisa centra-se sobre assuntos do Oriente Médio e ensinou e estudou no Reino Unido, na Turquia e no Curdistam iraquiano.

Publicado em Jacobinmag.

 

 

 

 

 

 

 

Iram e Turquia enfrontam-se por Tal Afar

Members of the Shi'ite Badr Organisation fighters ride on military vehicles during a battle with Islamic State militants at the airport of Tal Afar west of Mosul, Iraq November 18, 2016. REUTERS/Thaier Al-Sudani - RTX2UAJW
Membros das milícias xiitas da Organizaçom Badr em veículos militares durante a batalha com o ISIS no aeroporto de Tal Afar, ao oeste de Mosul o 18 de Novembro do 2016 (Foto de REUTERS / Thaier Al-Sudani)

Resumo: Com a mobilizaçom das unidades predominantemente xiitas das PMU, com o apoio do Iram, expandem o seu control sobre a área recentemente libertada de Tal Afar, que tem umha maioria turcomana, a tensom entre as PMU e a Turquia aumentou.

BAGHDAD — “Tal Afar será o cemitério dos soldados turcos se a Turquia tenta participar da batalha “, dixo Hadi al-Amiri, chefe da Organizaçom Badr e líder das Unidades de Mobilizaçom Popular (PMU), em umha mensagem para o vizinho do norte do Iraque, em caso de que as tropas turcas implantadas em Bashiqa tentem participar na libertaçom de Tal Afar.

O 16 de novembro, Tal Afar foi libertado [Foi-lhe curtada as possibilidades de retirar-se cara Síria]. Trata-se de umha área estratégica para as PMU, umha vez que lhes dá acesso à fronteira síria e permite-lhes cortar as rotas aos luitadores do Estado Islâmico (IS) para escapar para a Síria. Após a libertaçom de Tal Afar, Amiri dixo que o presidente sírio convidou as PMU a luitar contra a oposiçom síria dentro do território sírio.

A declaraçom de Amiri contra a Turquia, que está próxima do Iram, veu em resposta a declaraçons anteriores do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, sobre a cidade de Tal Afar, em que advertiu às PMU de nom cometer “violaçons” contra os civis da cidade.

Durante umha declaraçom de imprensa o 29 de outubro, Erdogan dixo: “A cidade turcomana de Tal Afar é umha questom de grande sensibilidade para nós. No caso que as PMU cometeram atos terroristas na cidade, a nossa resposta será diferente.”

Erdogan acrescentou que recebeu informaçons que confirmam os atos terroristas das PMU na cidade, sem dar mais detalhes sobre o número de reforços ou como a retaliaçom da Turquia seria diferente.

Na mesma linha, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, respondeu ao presidente turco o 1 de novembro, dizendo que o governo iraquiano é mais ágil que qualquer outro parte em Tal Afar. Abadi nom escondeu as suas preocupaçons sobre quaisquer ameaças turcas, afirmando: “A ameaça de umha intervençom turca ainda existe.”

Tal Afar é um distrito administrativamente da governaçom de Ninevah e localizado a 63 quilômetros ao oeste de Mosul, perto da fronteira entre o Iraque e a Síria, com umha área de aproximadamente 28 quilômetros quadrados.

Abu Alaa al-Afri, que era adjunto de Abu Bakr al-Baghdadi, era de Tal Afar e foi morto na cidade em um ataque iraquiano no ano passado.

A cidade de Tal Afar, com a sua povoaçom diversa, tornou-se um polêmico campo de batalha para as partes além das fronteiras iraquianas, o que confirma a sua importância geográfica – especialmente para o Iram que busca chegar à Síria através do canal terrestre iraquiano e para a Turquia que busca reavivar a Glória da expansom otomana.

A cidade é o lar de diferentes etnias e tem umha maioria xiita turcomana, que está na base do conflito iraniano-turco (o Iram apoia os xiitas, enquanto a Turquia apóia os turcomanos).

É importante notar o conflito xiita-sunita entre a povoaçom turcomana, o que poderia desencadear umha guerra furiosa dentro do distrito, tornando mais fácil para o Iram e a Turquia obter um apoio na cidade que poderia envolver presença militar.

Para acrescentar combustível ao fogo, houvo conversas de que a libertaçom de Tal Afar, que ainda está sob o controle do IS, estará sob a supervisom do chefe das Força Quds do Iram, Qasem Soleimani. Esta seria umha grande provocaçom para os sunitas lá.

O envolvimento das PMU em Tal Afar também é controverso e é visto como umha reaçom à presença turca em Bashiqa.

O objetivo das PMU é libertar a cidade de Tal Afar e chegar à periferia de Mosul, sem entrar na cidade, a menos que o ordene o comandante em chefe das forças armadas “, dixo Faleh al-Fayad, chefe da PMU e assessor de segurança nacional no Iraque.”

O 30 de outubro, a Frente Turcomana no parlamento da Regiom do Curdistam advertiu contra qualquer mudança demográfica no distrito de Tal Afar como resultado da interferência das PMU na batalha lá e, portanto, recusou a participaçom desta última na libertaçom da cidade.

Harakat Hezbollah al-Nujaba, umha das facçons das PMU afiliadas ao Velayat-e faqih iraniano, espera que a batalha para libertar Tal Afar seja “feroz”, negando que as PMU estejam tentando provocar umha mudança demográfica no distrito, E acusando a Turquia de “manter o nariz nos asuntos dos outros”.”

É muito provável que as PMU e as tropas turcas colidem na cidade, já que estas estam estacionadas a 12 quilômetros de Tal Afar.

A Turquia acredita que a presença das PMU em Tal Afar dá-lhe terreno para entrar na cidade, especialmente após a advertência de Erdogan para interferir “se as PMU espalham o medo entre os cidadaos.”

O que é mais, a Turquia nom deseja que o Iram tenha influência em Tal Afar, que fica ao lado da fronteira com a Síria; e tornaria mais fácil para o Iram transferir armas através da rota terrestre que está procurando estabelecer de leste a oeste do Iraque. Isso também é visto como umha das razons por trás da disputa sobre Tal Afar.

Erdogan teme que Tal Afar, que fica a 60 quilômetros da fronteira turca, tornaria-se um paraíso para as facçons xiitas próximas ao Iraque. O presidente turco também tem preocupaçons sobre umha possível aliança entre as PMU e o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK) no que diz respeito a ataques que poderiam ser lançados na Turquia ou umha possível facilitaçom pelas PMU transferindo armas ao PKK que luita contra o exército turco.

Parece que haverá umha nova escalada turco-iraquiana que se pode transformar em um impasse militar, especialmente porque Abadi afirmou anteriormente: “[o Iraque] nom quer ir à guerra com a Turquia, mas se a Turquia insistir em umha guerra, nós estaremos prontos.”

No entanto, no caso de um confronto militar acontecera entre a Turquia e o Iraque, este último nom envolveria as suas tropas regulares, mas sim as PMU que vem as tropas turcas no Iraque como umha “força de ocupaçom.

Tal Afar tornou-se umha área internacional disputada entre a Turquia e o Iraque, o que está causando umha maior instabilidade em termos de segurança e abre a porta a conflitos civis, pavimentando assim o caminho a qualquer intervençom militar iraniana ou turca.

mustafa_saadoun-bwMustafa Saadoun é um jornalista iraquiano que cobre os direitos humanos e também fundador e diretor do Observatório Iraquiano dos Direitos Humanos. Anteriormente trabalhou como jornalista  do Conselho de Representantes do Iraque.

Publicado em Al-monitor.

 

“O PKK nunca permitirá a institucionalizaçom do fascismo de Erdogan-MHP na Turquia”

cemil-bayikEntrevista a Cemil Bayik, co-presidente do Conselho Executivo da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK)

O co-presidente do Conselho Executivo da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK), a organizaçom gardachuva do movimento curdo, Cemil Bayik, falou à ANF sobre os acontecimentos na Turquia, a aliança entre o AKP e o MHP, bem como umha possível operaçom transfronteiriça contra o PKK.

Bayik dixo que umha onda de fascismo estava varrendo a Turquia e que a prisom de parlamentares do Partido Democrático do Povo (HDP) era a última prova disso.

Eles estam fundindo nacionalismo e religiom

“Erdogan e Devlet Bahceli [líder ultra-nacionalista do MHP] uniram-se na Turquia e estam tentando institucionalizar o fascismo. Para fazer isso estam tentando remover todos os obstáculos no seu caminho.

“Se eles estam aprisionando deputados do HPD, bloqueando sedes do HDP para impedi-lo operar, aprisionando membros do HDP, apreendendo municípios no Curdistam através da nomeaçom de administradores, destruindo cidades, deslocando centos de milheiros de pessoas, abusando dos curdos, democratas e intelectuais, torturando presos, executando prisioneiros de Guerra, amarrando-os à parte de trás dos veículos e arrastando os seus cadáveres, expondo os corpos nus das mulheres mortas, permitindo que os animais “dizimem os cadáveres das pessoas que matarom; é porque querem institucionalizar o fascismo.

“Para conseguir isso, precisam silenciar os meios de comunicaçom, intelectuais e artistas. É por isso que eles fecharom as mídias da oposiçom e prenderom jornalistas. Eles querem impor a sua propaganda e fazer as pessoas acreditarem nela. Estam fundindo nacionalismo e religiom para formar as bases sociais para o fascismo. Todo o  mundo precisa estar ciente disso.”

Eles querem tomar a todos como reféns

Bayik continuou a afirmar que o governo e os seus aliados estavam realmente fracos e recorrendo a essas políticas por causa disso.

“Estam praticando umha guerra psicológica muito intensa. Eles estam muito fracos; é por isso que estam fechando associaçons, mídias e partidos e tentando silenciar a todos. Se fossem fortes, eles nom fariam isso.”

A luita intra-curda está a ser provocada

Bayik também observou que o governo e o MHP estavam tentando avançar os sistemas de guarda de aldeia e vigia na regiom curda da Turquia para fortalecer o que el chamou de “traiçom”.

“Eles querem organizar umha força traiçoeira que esteja em colaboraçom com eles e levá-los a atacar curdos. Desta forma, querem transformar a questom curda em umha questom intra-curda, em vez de um problema entre os curdos e o Estado.”

Umha luita alternativa precisa ser desenvolvida

O co-presidente do KCK dixo que o regime na Turquia entraria em colapso se os setores progressistas da sociedade se juntassem.

“Os jovens e as mulheres em particular tenhem um papel importante; intelectuais, artistas, escritores, acadêmicos, jornalistas e trabalhadores também. Alauitas, diferentes grupos nacionais e culturais e democratas sunitas também. Todos os que estam preocupados com este regime precisam de unir-se e formar umha aliança. Se o figeram, esse regime entraria em colapso. Este regime nom tem apoio internacional; o seu apoio interno é fraco. Eles estam tentando retratar-se como tendo um monte de apoio, mas isso nom é verdade.

“Eles tenhem medo de perder o poder, sendo aprisionados e julgados; É por isso que estam recorrendo a essas açons. Erdogan quer transformar o AKP no partido fundador do novo regime e el próprio no seu chefe. Isso significará repressom, prisom, tortura e afrontas para todos os povos e religions. É por isso que todos os círculos que estam contra a institucionalizaçom do fascismo fundado sobre a unificaçom do nacionalismo e a religiom precisam formar umha luita alternativa.

O estado de emergência nom tem legitimidade

Bayik também comentou sobre o estado de emergência na Turquia e dixo que estava sendo armado contra as pessoas.

“O governo usou a tentativa de golpe de Estado do 15 de julho como umha oportunidade para declarar o estado de emergência. Eles figeram isso para adicionar legitimidade às políticas que iriam implementar. Erdogan tem o estado de emergência militar. Está tentando enganar as forças internas e internas dessa maneira. O estado de emergência nom tem qualquer legitimidade.”

Os curdos nom vom cumprimentar o exército turco com flores

Bayık também mencionou declaraçons recentes das autoridades turcas que sugerem umha operaçom em áreas controladas polo PKK na regiom do Curdistam (KRG), ressaltando que Erdoğan nom seria capaz de derrotar o PKK apesar do provável apoio que receberia.

“Erdogan di que vai erradicar o PKK. Com isso, el está tentando fortalecer o nacionalismo, o chauvinismo e o fascismo na Turquia. El quere o genocídio dos curdos. Quere eliminar os círculos seculares, socialistas e democratas para construir um regime baseado no nacionalismo e na religiom. É por isso que Erdogan está a tentar demonizar o PKK e os curdos aos olhos da sociedade turca e da comunidade internacional.

“É claro que el quere erradicar o PKK, que sabe é a única maneira de perpetrar um genocídio curdo e institucionalizar o seu próprio regime fascista. Considera o PKK um grande obstáculo para este objetivo e ataca o PKK e qualquer pessoa relacionada a el com grande raiva. No entanto, Erdogan só trará a sua própria queda dessa maneira, assim como Hitler fixo.

“El nunca poderá erradicar o PKK. El nom é forte o suficiente para fazer isso, mesmo se usa todos os meios do estado e recebe o apoio de algumhas forças internacionais e regionais, e até de alguns curdos. O PKK é um movimento apoiado e formado por milhons de pessoas. Nom está composto apenas por um pequeno quadro, nem por um pequeno movimento de guerrilha. O PKK tem um lugar nos coraçons e mentes do povo curdo, democratas, patriotas e socialistas. O PKK é a esperança dos oprimidos, de todos os oprimidos fora da Turquia também. Se Erdoğan quer erradicar o PKK, terá de massacrar todos os curdos, todos os oprimidos, todos os intelectuais, democratas, escritores e artistas que simpatizam com el.

“Eles [as autoridades turcas] falarom recentemente em conduzir umha operaçom em Qandil (base do PKK). Deixe-os vir, se podem. O povo curdo nom vai cumprimentá-los com flores. A Turquia provavelmente experimentará a maior derrota da sua história.”

O PKK jamais permitirá que o fascismo se torne institucionalizado na Turquia

O co-presidente do Conselho Executivo do KCK, Cemil Bayik, encerrou a entrevista dizendo que nom poderia haver democracia, liberdade ou justiça ou um futuro seguro na Turquia a menos que o AKP e o MHP fossem eliminados.

“Se as pessoas querem garantir o seu futuro, devem luitar contra o fascismo de Erdogan-Bahceli. O PKK jamais permitirá que o fascismo se torne institucionalizado na Turquia. O PKK nom luita apenas para si e para os curdos, mas sim para a humanidade, a democracia e a justiça. Esta é umha luita por todos e haverá umha vitória definitiva se for apoiada por todos.”

Publicada em ANF – Ajansa Nûçeyan a Firatê e KurdishQuestion.

 

‘Erdogan vai seguir os passos de Saddam ou Hitler’: Entrevista a Zubeyir Aydar, líder político curdo

01-zubeyir-aydarPor Figen Gunes

“A maior mostra de solidariedade após a resistência de Kobanê em toda a Europa entre os curdos foi depois que os líderes e deputados do HDP foram presos na Turquia “, dixo Zubeyir Aydar, membro do Comité Executivo da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK),  organizaçom a que pertenze o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK).

Zubeyir Aydar respondeu às perguntas de Figen Gunes sobre a ausência de protestos nas ruas na Turquia, bem como o apoio dos partidos do Governo Regional do Curdistam e as possibilidades de transformá-lo numha oportunidade para consolidar as relaçons nacionais entre os Curdos.

Figen Gunes: O povo do sudeste da Turquia sofreu umha grande destruiçom em todos os níveis desde o colapso do processo de paz. Depois de quase 200 civis terem sido queimados vivos em três sotos de Cizre, Sirnak, seria de esperar fortes protestos públicos. No entanto, nom houvo grandes manifestaços. Mas quando olhamos para a diáspora curda na Europa, especialmente na Alemanha, vemos umha  forte condenaçom do governo turco em grandes protestos de milheiros de pessoas enviando mensagens de apoio para às gente do sudeste da Turquia. Pode nos falar sobre essa dicotomia?

Zubeyir Aydar: Quando o estado está matando as pessoas nas ruas é difícil sacar as pessoas. Há milhons de pessoas em Bakur (norte do Kurdistan-sudeste da Turquia) que, de outra forma, estariam nas ruas protestando contra a opressom dos curdos. Sob as Leis de emergência, há actuaçons limitadas. Além disso, os líderes que organizariam estas mobilizaçons estam todos sob custódia ou presos.

Até 1992, grandes massas protestavam nas ruas. No entanto, quando eu fum a Sirnak no verao de 1992 como deputado da cidade, a gente mirava-nos de longe. Estavam com medo de aproximar-se-me devido à atmosfera no momento. Isso nom significava que eles estiveram contra minha ja que fum escolhido por eles. É porque o estado é muito experiente em como silenciar às pessoas.

As multitudess que vimos na Europa em protestos públicos tenhem as mesmas inclinaçons políticas com aqueles no Curdistam. Aqui na Europa, nom há nem toques de recolher nem limites aos protestos. Esta é a única razom pola qual nom vemos protestos em Diyarbakir, onde as pessoas sabem que pagariam com as suas vidas. Tendo dito que em Adana e Mersin, por exemplo, há menos pressom e as pessoas estavam criticando as decisons do governante AKP.

O Plano Colonialista de Reforma do Leste ainda está em vigor

F.G: Historicamente, o governo turco, que criaram um  espaço para conversaçons bilaterais com os líderes do PKK, classificariam mais tarde estas conversas como atos de traiçom. Pode nos dizer se o governo atual na Turquia tinha umha política para tratar os curdos de umha certa maneira desde o início ou estamos enfrentando umha liderança volátil sem planos concretos do governante AKP?

Z.A: O Plano de Reforma do Leste (Sark Islahat Plani), que chamamos de plano de genocídio, tem sido usado contra os curdos desde 1925. Este era o documento teórico detalhando como os curdos seriam erradicados. Nos últimos anos, a Turquia tentou abordar a questom curda sem recorrer à guerra, mas este discurso nom reconhecia a identidade curda. O governo turco mais umha vez nos últimos anos viu o PKK apenas como portador de armas; Eles pensavam que se o PKK desistisse das armas, a questom curda seria resolvida. Isto foi mencionado em todas as conversaçons, incluindo Oslo (2009) e Imrali [2013-2015] com o governo turco.

O governo nom apresentou um plano político para abordar a questom. Emre Taner, ex-funcionário do Serviço de Inteligência Turco (MIT), repetiu recentemente isso quando deu provas ao comitê de investigaçom do golpe. Taner foi o arquitecto das conversaçons de Oslo e admitiu que o governo turco nom ofereceu um roteiro aos curdos durante as conversaçons de Oslo para resolver a questom.

Além disso, o primeiro objectivo estabelecido no Plano de Reforma Oriental era a assimilaçom dos curdos residentes no Oeste do Eufrates. Portanto, quando o atual governo turco di que o oeste do Eufrates é a sua linha vermelha, isso nom deve ser visto como umha coincidência. Esta fronteira de feito vem deste documento histórico. O governo pensa que se os curdos atravessaram ao oeste do Eufrates em Rojava, também o fariam no Iraque.

Declaraçom de Dolmabahce

F.G: Os curdos forom capazes de negociar um acordo com o atual governo em fevereiro de 2015. Por que entom a Declaraçom de Dolmabahce foi desfeita? 

Z.A: O atual período de guerra veu depois do estado profundo na Turquia: Ergenekon e Gulenistas estenderam a cabeça e questionaram a Declaraçom de Dolmabahce. Esta declaraçom tinha o potencial de resolver a questom curda através de dez pontos práticos. Contudo, estas forças do estado profundo digeram-lhe a Erdogan, “Vostede é o que senta no palácio mas esta declaraçom deve ser bloqueado”. Esta era inerentemente umha decisom de guerra. Queriam buscar umha resoluçom nas negociaçons de paz, ou luitar. No verao, logo da Declaraçom de Dolmabahce ter sido abandonada por Erdogan, o conflito retomou. Agora, mesmo as associaçons curdas estam sendo fechadas. Nom apenas isso, os conselhos locais eleitos e administrados polos curdos estam sendo apreendidos e substituídos por administradores designados polo governo. A prisom dos 10 deputados do HDP é também umha parte deste período de conflito. Nom reconheceremos os guardians designados. No entanto, as declaraçons para o auto-governo curdo nom estam na nossa agenda para o futuro próximo porque o povo nem sequer é capaz de respirar e mover-se livremente.

Ajoelhar-se ou morrer

F.G: Forom abordados polo governo turco para iniciar umha nova fase de negociaçons após a mesa da negociaçom ter sido derrubada.

Z.A: Nom. Nós, como Movimento de Libertaçom do Curdistam somos confrontados com a destruiçom total porque o governo di isso: ou ajoelhar-se ou morrer. Nom nos inclinaremos, portanto estamos sendo atacados. Primeiro, a Turquia apoiou o Daesh (Estado Islâmico) para bloquear os ganhos dos curdos na Síria, e entom entrou el mesmo com o mesmo objetivo. A nossa estratégia é defender-nos em Rojava e Turquia com as armas. O presidente Recep Tayyip Erdogan é um ditador e por esta razom estaremos trabalhando para construir umha frente pola democracia ao lado de outras vozes da oposiçom na Turquia.

Outra prioridade para nós é concentrar-nos com a diplomacia, neste momento particular. Vamos expor os erros da Turquia, especificamente da OTAN e a UE. Nom Imos ajoelhar, mas resistiremos e isso precisa ser explicado ao mundo inteiro.

O objetivo dos curdos umha nova aliança

F.G: A Turquia atravessa um período extraordinário. Como é que o partido no poder preenche os cargos vacios polas grandes purgas? Quem som os novos sócios do Estado?

Z.A: Erdogan formou umha nova aliança com o Ergenekon. Ironicamente, os Gulenistas e Erdogan luitaram juntos contra esta força na última década e aprisionou-nos. No entanto, agora, Erdogan tem umha aliança inversa em vigor. O primeiro objetivo desta aliança é a consolidaçom do governo de Erdogan. A segunda é a eliminaçom total dos gulenistas nas posiçons governamentais. Sob esta nova aliança o objectivo comum de luitar também os curdos.

Erdogan nom descera do seu palácio normalmente; El vai ser preso ou morrer, seguindo os passos de Hitler ou Saddam, que el tentou imitar com as suas políticas expansionistas e opressivas na Turquia e no Oriente Médio em geral. A UE e os Estados Unidos nom estam satisfeitos com esta orientaçom. Eles nom querem umha Turquia instável. Apesar de estar infelizes, ainda nom querem impor sançons contra a Turquia, o que deveria ter sido feito rapidamente.

Os grupos paramilitares de Erdogan

F.G: Como pode esta nova aliança sobreviver em meio disses inimigos?

Z.A: Erdogan tem trabalhado na criaçom dos seus próprios grupos paramilitares. Historicamente, o partido político nacionalista MHP foi dado a esta tarefa e criou os Lobos Cinzentos para usa-los em favor do governo. Mas agora, as Unidades Otomanas (Osmanli Ocaklari) forom formadas e estam sob as ordens diretas do governo e operam como parte das unidades especiais no serviço secreto. No ano passado, houvo uma onda de ataques ao HDP. Este foi trabalho das Unidades Otomanas. Os alemaes alertaram-nos sobre a sua grande existência na Alemanha. Acreditamos que estam organizados em toda a Europa. As informaçons da Alemanha reveladas sobre eles devem ser tidas em conta e tomar medidas.

Unidade Curda

F.G: Alguns pensam que a personalidade alegre e adorável de Selahattin Demirtas pode desempenhar um papel em reunir outras seçons do movimento curdo; Vostede está esperançoso na unidade entre os curdos, especialmente depois que os líderes do HDP foram presos?

Z.A: As prisons dos líderes do HDP criaram umha reaçom entre outros líderes curdos. No entanto, eu encontrei a reaçom do KDP macia. Os problemas atuais nom podem ser resolvidos através da opressom; A liderança do KDP nom condenou as açons da Turquia. Dito isto, outros partidos curdos nas quatro partes do Curdistam mostraram a sua condenaçom da Turquia, o que é importante. Os desenvolvimentos em Mosul e Rojava criam ainda a necessidade de unifidade entre os curdos. Estamos prontos para um diálogo mais desenvolvido; No entanto, é difícil prever se isso levaria a quaisquer ganhos sob a forma de cooperaçom sólida a curto prazo.

Diferenças históricas

F.G: O PKK está perdendo força depois dos recentes ataques?

Z.A: Os curdos gozavam de autonomia sob o domínio otomano desde o início dos anos 1500 até o início do século XIX. Quando isso mudou, começarom os motins contra os otomanos. O primeiro motim foi em 1806 em Sulaymaniah. Desde entom, 210 anos passarom, mas há umha série de revoltas. O ex-presidente da Turquia, Suleyman Demirel, dixo umha vez que o PKK era a 29ª revolta curda, no entanto, de acordo com os documentos do Comandante Geral turco, o PKK é o 39º movimento curdo desde o início do Império Otomano. A diferença é que a existência do levante do PKK é a mais longa do que o total de todas aquelas que forom anteriormente. Os movimentos do passado eram locais e fracos e, portanto, forom suprimidos em um curto espaço de tempo. No entanto, o PKK tem crescido continuamente nos últimos 33 anos.

Na Turquia, os governos venhem e vam e cada um promete erradicar o PKK, mas nom foi esse o caso. Nos anos 90, tínhamos um grupo parlamentar curdo, mas agora, apesar de alguns terem sido presos, temos um grupo muito mais forte. Temos também mais municípios administrados polos curdos e o reconhecimento internacional de Rojava, que nom existia no passado. Mais umha vez na década de 1990, houvo Saddam no Iraque e o Governo Regional do Curdistam era fraco. A OTAN era um partidário proeminente da Turquia. Mas nos últimos anos, a UE e as relaçons da OTAN com a Turquia tenhem azedado. Os curdos também pagarom um preço durante este período, mas imos sair mais fortes. A operaçom de Raqqa ajudará os curdos a ganhar mais reconhecimento.

Trump no Oriente Médio

F.G: Trump vai ser um bom amigo para os curdos? Qual é a sua previsom, dado o seu populismo no período das eleiçons?

Z.A: É difícil prever, como el era um homem de negócios no passado. Nom tem experiência política. Foi eleito presidente, mas um home nom pode mudar o modelo de política da América sozinho. A sua política externa e prática nom muda com um home. Além disso Trump nom está claro sobre como vai implementar as suas políticas. Queremos que a América seja mediadora nas negociaçons de paz e entenda que a política opressiva da Turquia contra os curdos nom pode durar mais tempo.

03-figen-gunesFigen Gunes é umha jornalista de Al Jazeera Inglês com foco na liberdade de expressom, a mudança de propriedade dos mídia e julgamentos de jornalistas na Turquia. Formada em mestrado em Relaçons Internacionais, escreveu a sua tese sobre a viabilidade futura de Rojava.

Publicado em Kurdishquestion.

O modelo Rojava

o-modelo-de-rojavaPor Meredith Tax

Como governam os curdos da Síria

Um novo modelo de organização social está tomando forma nas áreas curdas no norte da Síria. Rojava, como ficou conhecida, compreende três cantões na seção ocidental da  histórica terra natal do povo curdo, que está agora dividida entre Irã, Iraque, Síria, e Turquia. No que diz respeito a igualdade social, pluralismo étnico, e anti-sectarismo, o território é uma região sem igual. Esse é especialmente o caso quando falamos dos avanços das mulheres.

A atenção pública do ocidente deu um giro de 2014 a 2015, quando as milícias territoriais, as Unidades de Proteção do Povo (YPG) e as Unidades de Proteção das Mulheres (YPJ), tiveram um papel central na expulsão do Estado Islâmico, ou ISIS, de Kobane, uma cidade no noroeste da Síria. Observadores destacaram duas características do grupo: primeiro seu sucesso contra o ISIS, que as forças de segurança dos EUA e das forças de oposição Síria se esforçaram para derrotar, e segundo, o protagonismo das lutadoras femininas em suas fileiras.

Desde a Segunda Guerra Mundial, guerrilhas femininas fizera parte de lutas armadas ao redor do mundo. Mesmo a maior parte dos grupos militantes alistaram mulheres pois precisavam de soldadas, não porque desejaram empoderar as mulheres, e poucos tem priorizado tanto a igualdade das mulheres como os curdos da Turquia e da Síria.

A ênfase do Rojava sobre o papel de liderança das mulheres, no entanto, não se limita ao plano militar. Isso é definido pelos Curdos Sírios como uma visão societal mais ampla. Quarenta por cento dos membros da sociedade civil ou de qualquer órgão social em Rojava têm que ser de mulheres. Da mesma forma, todos os órgãos administrativos, projetos econômicos e organizações da sociedade civil são obrigadas a ter homens e co-presidentes do sexo feminino. Embora o Partido da União Democrática (PYD) seja dominante em Rojava  e os curdos são a maioria da sua população, Rojava é o lar de uma série de outros partidos políticos e etnias. É a única sociedade em sua região, que baseia-se nos pontos fortes de toda a sua população. Como é que as mulheres conseguiram ganhar tanto poder no meio de uma guerra pela sobrevivência?

Uma exceção regional

A história começa na Turquia em 1978, quando o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) foi fundado para criar um Estado independente curdo. Nos primeiros anos de sua insurgência contra o governo turco, o PKK foi dirigido principalmente por guerrilheiros do sexo masculino. Mas isso mudou na década de 1990. Quando a resistência civil curda mais ampla emergiu nas cidades turcas e os ativistas curdos  começaram a pressionar para ter um partido de representação no parlamento, o Partido Trabalhista Popular (HEP). Em ambos os empreendimentos, as mulheres serviram como líderes. Leyla Zana, uma ex-integrante do HEP, continua atuando no parlamento da Turquia.

Em 1993, de acordo com a jornalista Aliza Marcus, um terço dos novos membros do PKK eram mulheres; muitas delas recrutadas por Sakine Cansiz, uma de suas fundadoras.

Em 1995, o PKK formou um exército de mulheres, que agora é chamado de YJA-Estrela. A resolução que cria o exército deixou claro que iria servir como um modelo para outras organizações de mulheres “em todos os setores da economia, todas as instituições sociais, e até mesmo no campo da cultura.” A decisão foi particularmente notável pelo fato de que, na área rural do Curdistão, a subordinação do pensamento dass mulheres, tal como as práticas misóginas como os chamados assassinatos de honra,  reclusão imposta, e os casamentos de crianças tinham sido a norma. Para muitas mulheres curdas, deixar suas famílias para se juntar a um grupo insurgente foi uma enorme ruptura com a tradição patriarcal. Mulheres guerrilheiras foram pioneiras do movimento de libertação das mulheres como uma sociedade dentro da sociedade  curda.

Alguns dos líderes de Rojava, tais como os co-presidentes do PYD: como o Salih Muslim, foram originalmente membros sírios do PKK, e muitos dos ideais que têm sido postos em prática em Rojava foram testados na Turquia. Desde a fundação do PYD em 2003, a libertação das mulheres tem sido parte do programa do partido. Tal como na configuração da Estrela-Yekitiya, seu braço de organização para as mulheres, em 2005. Em 2012, como o presidente da Síria, Bashar al-Assad retirou suas tropas da maior parte do norte da Síria e dos cantões, Rojava tornou-se efetivamente autônoma e os membros do PYD começaram a se organizar de maneira mais vigorosa, tornando a defesa das mulheres uma parte integral de sua guerra contra o ISIS. A organização logo começou a recrutar novos membros de outros grupos étnicos da região, tratando de incluir assírios, árabes e Yezidis.

O grupo que mudou seu nome para Estrela de Kongreya no início deste ano, se descreveu como uma organização guarda-chuva para o movimento das mulheres de Rojava. Em nível local, a Estrela de Kongreya compreende um número de organizações, conhecidas como a comuna das mulheres, que operam em paralelo às comunas de sexo misto, que organizam tais assuntos como a alocação de energia e o uso do espaço público. O foco das comunas de mulheres sobre a violência doméstica, casamento forçado, e saúde das mulheres e programas econômicos, entre outras coisas; em muitos casos, podem se sobrepor aos seus parceiros organizacionais de sexo misto. Estrela de Kongreya no nível mais alto organiza comitês em cinco áreas: educação, especialmente educação de adultos e aulas de literatura; saúde pública, incluindo clínicas especializadas para mulheres; economia, incluindo a manutenção de cooperativas; resolução de disputas em comunidades, que inclui mediação e manutenção de abrigos para vítimas de violência doméstica; e defesa de cidadãos, que é central para a plataforma do PYD e especialmente para Estrela-Kongreya. Há três forças de defesa de mulheres em Rojava, a YPJ, que luta contra inimigos externos tais como o ISIS; as forças de segurança locais; e as forças de defesa civil atreladas às comunas, que lidam com a segurança da vizinhança, incluindo casos de violência contra as mulheres.

Autonomia e democracia

O crescimento da influência de mulheres na Rojava é parte central da transformação mais ampla da política curda ali e na Turquia. Ao contrário dos curdos iraquianos, os curdos sírios e turcos afastaram-se do nacionalismo. Eles buscam autonomia local ao invés de um arranjo federal. A ideia de longo prazo é a de assegurar a democracia, constituições democráticas que garantam uma autonomia local extensiva e protejam os direitos humanos. (Esta mudança foi executada em paralelo com a evolução ideológica do líder do PKK preso Abdullah Ocalan, um antigo militante que agora é um defensor do que ele chama de Confederalismo Democrático.)

À luz da atual turbulência da região, a visão de Rojava para uma feminista, de uma sociedade diretamente democrática, pode parecer irrealista.

No entanto, o fracasso das negociações para acabar a guerra civil síria mostrou a capacidade limitada da diplomacia para pôr fim a conflitos inflamados por atores não-estatais e financiados por potências externas, e em décadas recentes, tem havido alguns modelos políticos nas cercanias do Curdistão que oferecem muito mais uma promessa para o igualitarismo e paz como a que os curdos chamam de autonomia democrática.

Até agora, os Estados Unidos têm tratado os curdos sírios como um aliado militar de curto prazo e dado a eles apoio militar, mas não apoio político ou econômico ostensivos; Washington não insistiu para eles tomarem parte nas conversações de Genebra para acabar com a guerra na Síria. Esta abordagem é um erro. Desde os anos 1990, os Estados Unidos tem se posicionado como um defensor das mulheres e minorias sexuais. Os curdos sírios estão praticando uma forma de democracia que consagra a igualdade de género e se opõe noções de soma zero de étnico e direitos nacionais. Dado os compromissos que assumiu, os Estados Unidos deveriam estar dispostos a apoiar esses fins.

lead-Meredith-TaxMeredith Tax é escritora e ativista política desde o final da década de 1960, foi membro do Bread and Roses, fundadora presidente da Comissom Internacional de Mulheres Escritoras do PEN, presidente fundadora de  Women’s WORLD, e co-fundadora do Centre for Secular Space. Os seus últimos livros som Double Bind: The Muslim Right, the Anglo-American Left, and Universal Human Rights e A Road Unforeseen: Women Fight the Islamic State.

Esse artigo foi primeiramente publicado no website Foreign Affair e tem sido reproduzido com a permissão da autora.

Tradução ao português: Comitê de Solidariedade à Resistência Popular Curda – RJ

Esse artigo expressa a visão da autora e não necessariamente está de acordo com os Comitês de Solidariedade à Resistência Popular Curda.

 

Os curdos sírios precisam mais que armas: apoio político

lewis_syrian_kurdish_fighters_850_571Fornecendo armas sem apoio diplomático, os EUA correm o risco de aumentar as tensons na Turquia e Síria.

Por Patrick Lewis

A administraçom Obama está considerando um plano para armar mais os curdos -quem muitos em Washington chamam “o nosso parceiro mais eficaz no terreno” na Síria-a fim de incentivar a participaçom curda em umha próxima ofensiva contra o ISIS em Raqqa. Duas semanas atrás, o Chicago Tribune publicou um editorial apoiando este plano -no título proclamou isso como “Primeiro Passo” para “a Estabilidade de Síria.” E nos debates presidenciais, incluso, Hillary Clinton tem defendido um plano semelhante a noite passada.

Expulsar o ISIS de Raqqa, a maior cidade da Síria sob o control do grupo e a sua capital auto-declarada, tem sido o objetivo militar principal dos EUA na Síria desde o início da sua intervençom em 2014. Raqqa tem agora (nas mentes dos líderes políticos e militares dos EUA, polo menos) umha grande importância simbólica na guerra contra o ISIS. Assim nom é nengumha surpresa quando o Tribune declara que as muitas complicaçons e perigos de enviar ainda mais armas para os curdos podem ser deixadas de lado: “O que é importante agora é a derrubada do Estado Islâmico de Raqqa.”

Mas em chamar para mais carregamentos de armas para Síria sem qualquer semelhança a um plano para umha soluçom política a 5 anos de conflito nem o ainda mais o conflito entre a Turquia e os curdos -o Tribune está reforçando os piores aspectos da política dos EUA na regiom. Esta política continua a sestar excessivamente focada em alcançar vitórias militares de curto prazo à custa de acordos políticos de longo prazo, sem a qual umha paz duradoura é impossível. Além do mais, esta política irá quase certamente nom conseguer atingir até mesmo os objetivos limitados que se propôm, ou seja, a captura de Raqqa.

O que é necessário é o diálogo em torno das exigências curdas de um sistema federal na Síria (com autonomia local para os curdos e outras minorias); sem isso, as armas simplesmente vam privilegiar umha soluçom militar mais que a diplomática. Provavelmente vai reforçar as facçons mais combativas e radicais entre a liderança curda enquanto continua a marginalizar muitos dos líderes políticos e da sociedade civil mais responsáveis polas experiências em curso na democracia participativa radical que inspiraram admiraçom tanto de esquerdistas como liberais ocidentais.

Aldar Xelil, um membro do comitê executivo do TEV-DEM (uma organizaçom guarda-chuva que coordena grupos da sociedade civil na Rojava), fai questom similar em umha entrevista recente. Quando perguntado sobre a promessa de Clinton durante os debates para armar os aliados árabes e curdos da América na Síria, Xelil respondeu: “Claro que é importante dar apoio às forças curdas. No entanto, este apoio nom pode ser limitado a ajuda militar. Qualquer apoio que será o passo seguinte deve ser fornecido em todas as áreas; ou seja, deve ser um apoio político, diplomático, económico e social.”

Xelil cita a exclusom sistemática do PYD -o partido curdo predominante em Rojava- das conversaçons de paz de Genebra sobre a Síria. Umha percepçom cada vez mais comum em Rojava é que a América tem bloqueado repetidamente a participaçom do PYD nestas conversaçons em deferência ao seu aliado da OTAN: Turquia. (O PYD é um aliado próximo ao Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), que trava umha insurgência de três décadas contra o Estado turco no Sudeste do país.)

No final de agosto, os EUA deram o seu apoio à incursom transfronteiriça da Turquia para a Síria, para atacar o ISIS até o sul de Jarabulus. No entanto, é amplamente reconhecido (incluindo o próprio Presidente Turco Erdogan) que os curdos e os seus cantons autónomos de Rojava também eram um objetivo primário. Assim, nom foi umha surpresa para ninguém que em poucos dias de intervençom da Turquia, as Forças Democráticas Sírios (SDF) estiveram luitando com os soldados turcos ao sul de Jarabulus.

O Tribune afirma que a Turquia pode ser consolada por umha promessa dos EUA de que “os curdos nom estariam recebendo artilharia pesada, so armas ligeiras e muniçons.” Isso é totalmente absurdo, e como um insulto à inteligência dos curdos sírios -tanto como é para a Turquia. Mais as armas sem diplomacia no norte da Síria correm o risco de inflamar as tensons ainda mais tanto em Síriacoma na Turquia, onde o governo tem vindo a empreender umha nova “guerra suja” contra a sua própria povoaçom curda. Dúzias de milheiros de pessoas foram deslocadas e bairros inteiros deixados em ruínas, enquanto o governo americano se mantivo praticamente em silêncio.

Os combates travados na Turquia vinherom depois de um processo de paz de vários anos entre a Turquia e o PKK que se desfixo no verao passado, em grande parte devido as tensons sobre os ganhos dos curdos na Síria. Isto é em parte culpa dos Estados Unidos, quem nom conseguiu ver como a sua política de apoio militar às SDF estava desestabilizar o processo de paz na Turquia.

Nom só a Turquia está descontente, se os curdos recebem mais armamento dos EUA, mas nom há nengumha evidência de que os curdos queiram chegar a isse acordo tampouco. Enquanto os Estados Unidos nom estam dispostos a empurrar a Turquia em direçom a um acordo global com os partidos curdos na Turquia e Síria, é perfeitamente irracional esperar que os curdos enviem os seus luitadores a Raqqa (onde centos poderiam morrer) so em troca de ” armas ligeiras e muniçons.”

Na verdade, no final de agosto, Asya Abdullah, a co-presidente do PYD, anunciou que nom haveria nengumha operaçom curda contra Raqqa enquanto a incursom da Turquia na Síria continuara.

Da mesma forma, ainda no mês passado, Polat Can, o representante oficial das YPG (o grupo dominante nas SDF) descartou explicitamente a participaçom do grupo em umha operaçom desse tipo desde que os EUA e os seus aliados ocidentais continuaram a negar o reconhecimento para o projecto político dos curdos em Rojava. “Nom somos um grupo paramilitar”, dixo-lhe ao jornalista de Washington Mutlu Civiroglu. “Nom podemos dizer ao nosso povo que nos deixe ir e luitar, sacrificar muitos de [nossos] homens e mulheres jovens [e] entom nom termos o direito de falar. Nosso povo nom vai aceitar isso e ninguém aceitaria isso.”

E depois de uma recente visita ao líder preso do PKK Abdullah Ocalan -umha das principais influências e figuras simbólicas por trás dos recentes acontecimentos políticos de Rojava- o irmao de Ocalan dixo que Ocalan pensa que a atual política dos EUA para Rojava tem o objetivo de enfraquecer a Turquia e os curdos sírios, jogando as duas umha contra a outra.

“Se os Estados Unidos nom queriam que [Turquia] “fôsse a Síria, teria dito Ocalan, “Turquia nom teria ido para a Jarabulus”. Na estimativa de Ocalan (e na estimativa de muitos dentro da liderança curda em Rojava ), os EUA é mais de conteúdo para usar os curdos como umha peça de negociaçom nas suas tentativas de controlar o governo de Erdogan e fortalecer a sua própria posiçom na Síria, ao mesmo tempo apoiando aos combatentes curdos para ganhar pontos de publicidade muito necessários na sua batalha contra o ISIS.

Independentemente das suas reais intençons, o duplo jogo da América na Síria nom está enganando ninguém. Nom pode continuar a apoiar às duas partes em conflito através de um foco míope na sua guerra contra o ISIS. Se nom conseguir encontrar umha soluçom política para o conflito, um conflito turco-curdo que tem ignorado durante décadas- mais sucessos militares contra o ISIS serám praticamente impossíveis.

Na ausência de um esforço diplomático sério para levar a Turquia e o PKK de volta à mesa de negociaçons e medidas reais em direçom a algumha forma de reconhecimento para o projeto político dos curdos em Rojava, a crise no norte da Síria só vai aprofundar ainda mais, abrindo a porta a umha ainda maior conflagraçom regional. OS EUA nom deveriam derramar mais gasolina no fogo.

 

Patrick Lewis é um estudante de Doutoramento de antropologia da Universidade de Chicago que trabalha na Turquia e o Curdistam.

Publicado em in the times.

 

Acreditar ser um curdo-turco é um engano

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Bandeira do PKK flanqueada pola bandeira Turquia que está cobrindo a bandeira do HDP

Nesta entrevista em profundidade feita por Robert Leonard Corda, Saladdin Ahmed, professor assistente de Filosofia na Mardin Artuklu fala sobre identidade curda, política, religiom, democracia e a situaçom atual na que se encontram os curdos no Oriente Médio.

Robert Leonard Corda (RLR): Descreva resumidamente a sua experiência. Chama-se Saladdin por Saladin, o Grande? Como foi ensinar em umha universidade da Turquia?

Saladdin Ahmed (SA): Eu nunca sei como responder a perguntas sobre o meu passado, principalmente porque a minha identidade sempre foi modelada ao redor de negaçons em vez da promoçom de um determinado conhecimento. Eu nom diria que tenho umha crise de identidade, mas eu diria que a identidade, polo menos no mundo de hoje, é em si umha crise.

Quando ser curdo é visto como algo a ser renunciado, som curdo, nom há dúvida sobre isso. No momento em que que se torna a identidade do governante, só podo estar em oposiçom a ela com os oprimidos. Quer dizer, eu som curdo na medida em que a curdonidade é umha negaçom da opressom. A primeira vez que eu estava em um lugar onde ser curdo era equivalente a ser privilegiado, em 2013, eu encontrei-me em umha grave crise moral, entom comecei a construir laços com as minorias nom-curdas e nom-muçulmanas.

Antes que eu percebesse, criticar o nacionalismo curdo eo Islam tornaram-se as minhas principais atividades intelectuais até que eu deixei o Curdistam iraquiano.

Para lhe dar umha resposta comum, eu nascim em umha família curda em Kirkuk, Iraque, e meu nome era originalmente Sherzad. No entanto, com medo de que um nome tam nitidamente curdo poderia atrair umha investigaçom minuciosa do governo iraquiano, meu pai mudou o meu nome para Saladdin – um nome árabe com conotaçons curdas. Embora o meu mesmo nome é, de umha forma indireta, o do líder curdo Saladdin Ayubi, eu deveria afirmar claramente que, tanto quanto eu me interessei, “Saladdin o Grande” nom era nengum herói, mas sim um notório assassino como tantos outros que vinheeram antes e depois del.

Como umha criança curda, eu crescim em Kirkuk durante o regime do pensamento Baath e era um erro existencial, mas eu gostava de ser um erro. Eu ainda gosto de ser um erro.

Quanto à minha experiência no ensino, na Turquia, a situaçom quando cheguei no outono de 2014 era algo sem precedentes. Por primeira vez em quatro décadas, a regiom curda do país estava desfrutando de umha relativa paz que deu origem a um movimento cultural e intelectual impressionante. Estamos a falar de umha regiom que tem estado tam oprimida que mesmo umha dança curda tradicional é considerada um ato político. O alunado principalmente curdo estava muito envolvido na vida pública dentro e fora da universidade. Foi, em suma, um momento emocionante estar em Mardin.

Infelizmente, o meu tempo ensinando em Mardin Artuklu Universidade foi abreviada. Um par de meses depois da minha chegada do Canadá, o reitor liberal foi deposto e substituído por um islamista apoiado por Erdogan. Logo, foi formalmente nomeado por Erdogan, o novo reitor começou umha campanha para erradicar aos nom-islâmicos da administraçom da universidade. Vários meses depois, el suspendeu unilateralmente o meu contrato e os contratos de 12 professores mais, os quais eram estrangeiros. Para piorar as cousas, a guerra também retomou a regiom curda e com ela veu a opressom violenta dos jovens, vastas operaçons militares, prisons em massa, e assim por diante. O que Erdogan tem feito às universidades turcas em Istambul e Ancara durante as semanas desde o golpe fracassado do 15 de julho de 2016 começou há um ano no sudeste [Curdistam sob administraçom turca].

RLR: Temos estado todos especulando sobre o recente golpe de Estado ao longo das últimas semanas – foi real? Quem estava realmente por trás disso? Como foi Erdogan beneficiado? Será que algum dia conheceremos a verdade completa?

SA: Sim, eu acho que foi umha tentativa de golpe real, mas o fato de que houvera especulaçons de que Erdogan escenificou  o golpe di-nos muito sobre a falta de credibilidade do governo.

Penso que os kemalistas no exército forom a principal força por trás do golpe, e é possível que Gulenistas também se juntaram a eles, sentindo mais de um que a repressom era iminente. Claro, Erdogan nom podia culpar abertamente as forças kemalistas porque o kemalismo continua a ser extremamente popular entre os turcos, funcionando mais ou menos como sinônimo de patriotismo e nacionalismo turco. Assim Gulen, o rival islâmico populista com residência em Filadélfia desde 2004, era o melhor candidato para representar “o inimigo”. Se bem se lembram, quando Erdogan deu o seu primeiro discurso na noite do golpe, algumhas horas após a entrevista na CNN Turca, um enorme retrato de Mustafa Kemal Ataturk foi colocado atrás del. A mensagem, na minha opiniom, era clara: O kemalismo nom é o inimigo.

Para voltar à questom da credibilidade, as pessoas tenhem todos os motivos para desconfiar do regime de Erdogan. Para muitas pessoas na Turquia, tornou-se rotina excluir o cenário, o governo pretende ser a verdade desde o reino das possibilidades.

Em junho de 2014, quando o ISIS tomou o control de Mosul, o governo turco afirmou que o ISIS tomou 49 pessoas do Consulado turco em Mosul como reféns. Na noite da invasom do ISIS de Mosul, fugindo as autoridades iraquianas alertaram o pessoal do consulado e aconselhou-os a deixar a cidade, mas nom o figeram. Durante três meses, a Turquia usou “os reféns” como umha desculpa para nom se juntar à coalizom contra o ISIS. Em contraste com o destino dos outros reféns do ISIS, o ISIS finalmente libertou aos 49 reféns, apesar do feito de que a Turquia nom teria feito nengum pagamento de resgate.

Notavelmente, a própria narrativa do governo turco sobre a libertaçom dos reféns era conflitante, com o único detalhe consistente que era que a Organizaçom Nacional de Inteligência da Turquia (MIT) lidou com a situaçom. Desde o início, a história inteira em torno do cenário era pouco pública. Por exemplo, as pessoas eram esperadas para acreditar que o cônsul-geral conseguiu esconder o seu telefone móvel e usá-lo para fornecer atualizaçons regulares para Ankara ao longo de três meses. Para quem tem acompanhado relatórios sobre a situaçom dos reféns em poder do ISIS, é claro que esta história também era nada mais do que umha invençom destina a promover os objetivos políticos de Erdogan.

Dado todo o que a gente em Turquia e os observadores internacionais já sabem do governo turco, das suas forças armadas e o MIT, nom é surpreendente que a narrativa do governo sobre o fracasado golpe nom fôsse creida.

Som inúmeras as histórias sobre conspiraçons políticas do regime. Por exemplo, em umha reuniom de 2014 entre Ahmet Davutoglu eo chefe do MIT, Hakan Fidan, umha idéia para começar umha guerra com a Síria foi discutida. Com base em umha sugestom de Erdogan, Fidan desenvolveu um plano polo qual o MIT iria organizar um ataque de mísseis contra a Turquia, desde a Síria, dando a Ankara umha desculpa para entrar em umha guerra com a Síria. Umha gravaçom de áudio da reuniom foi divulgada e publicada no YouTube, o que levou o governo turco a lançar um dos seus bloqueios periódicas do site para controlar o fluxo de informaçons.

À luz dos acontecimentos passados, como isso, é possível que o MIT tinha algum conhecimento prévio do golpe de 15 de julho, mas permitiu que isso acontecesse, a fim de criar a oportunidade para as purgas de Erdogan? Talvez, mas o ponto é que os povos, compreensivelmente, nom acreditam a narrativa de um regime nom democrático. De qualquer forma, o que é certo é que Erdogan explorou o fracassado golpe para acabar com deslealdades reais e potenciais no exército, polícia, e no sistema judiciário e educacional.

RLR: Como sabe, existe actualmente um estado de emergência na Turquia – milheiros forom presos, muitos professores e jornalistas por nom mencionar os membros das forças armadas – e há muitas denúncias de tortura. Qual é a sua perspectiva sobre isso: como tudo vai acabar?

SA: Eu acho que os próximos anos na Turquia será umha era de terror. Esta purga vai levar a um colapso completo da confiança já frágil entre os diferentes setores das forças armadas e o MIT. Aqueles em posiçons de poder cada vez mais tentam utilizar o clima de medo e a falta de transparência para se livrar dos rivais.

Como tal, penso que as denúncias de assassinatos e tortura só se tornarám mais comuns. O exército da Turquia sempre foi considerado como o guardiam do Estado, mas agora vai ser forçado a submeter-se ao governo, e isso nom vai acontecer sem problemas.

As tramas de conspiraçom só se tornará mais complicadas e sutis. À medida que a situaçom se agrava, o regime vai atrair cada vez mais islamitas, anti-intelectuais e pessoas que só sabem ganhar a vida vigiando aos outros.

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Saladdin Ahmed

RLR: Qual é a sua opiniom da “democracia turca”? Existiu mesmo umha coisa assim? Será que Erdogan primeiro alimentá-la, e em seguida, destruí-na? Será que as pessoas nom querem a democracia de estilo ocidental? Democracia versus teocracia?

SA: Eu nom acho que tenha existido umha “democracia turca”. Sim, houvo eleiçons, mas até mesmo países como Iram e Paquistam regularmente realizam eleiçons. Há também um parlamento em Ancara, mas é um Parlamento que simboliza a rejeiçom turca da pluralidade.

Deixe-me ser mais precisos e dizer que sempre houvo duas Turquias: a ocidental e a oriental. No oeste da Turquia, estendendo-se desde Istambul, a Izmir, Antalya, Ankara, e Adana, umha sorte europeia da cotidianidade era relativamente viável, polo menos, para as estimativas de um turista típico. Concedido, isso está mudando agora, razom pola qual a actual situaçom na Turquia tem atraído tanto interesse internacional.

Mas o leste da Turquia sempre estivo sob regime militar. Desde Istambul, a brutalidade da vida no leste do país é inimaginável. Milheiros de jovens curdos desaparecerom em operaçons militares turcas ao longo dos anos 1980 e 1990. A visom de tanques e veículos blindados em praças da cidade ou bairros em itinerância, militares e postos de control da polícia entre e dentro das cidades, enormes bases militares nos centros urbanos, e milheiros de aldeias completamente destruídas é a outra face da Turquia. Se um se permite ver essa outra cara, a noçom de “democracia turca” deveria parecer nada mais do que um absurdo.

Os movimentos islâmicos, como a Irmandade Muçulmana ou o partido AK, muitas vezes utilizam os meios democráticos para alcançar os seus fins islâmicos, que som essencialmente anti-democráticos, anti-pluralistas, anti-individualistas, e violentos. Erdogan é um típico demagogo islâmico pragmático que fingiu ser pró-democracia e contra a violência até que el ganhou poder suficiente. El agora está revelando gradualmente as suas verdadeiras crenças. Islamitas nas que acreditam que jogar qualquer truques possíveis e enganar o povo em prol de empoderar o Islam é completamente legítimo. Eles poderiam-se comportar como as pessoas mais tolerantes e pacíficas, mas isso é apenas a fim de ganhar o apoio e, assim, ganhar o poder. No momento em que eles tenhem poder suficiente, espalhar o Islam pola espada torna-se o método preferido simplesmente porque tanto a vida de Maomé e a do Alcoram refletem diretamente essa dualidade pragmática essencial: a paz quando é a única opçom, e a violência quando é umha opçom eficaz.

Para colocar isso de forma muito clara, nom existe um islamita moderado; existem radicais e islâmicos esperando-a-ser-abertamente radicais. Erdogan estivo pacientemente seguindo o caminho ao poder, e o pior ainda está por vir. Além disso, nom nos imos enganar a nós mesmos, se umha força política quer ser democrática, será democrática, nom islâmica.

A sociedade na Turquia, como em qualquer outro lugar, é extremamente complexa, com diversas forças sociais e políticas em desenvolvimento competindo, chocando-se, e assim por diante. Apesar do aumento aterrorizante do islamismo e a história de 100 anos de fascismo kemalista na Turquia, há uma forte tradiçom de movimentos progressistas no país. A democracia liberal nom tem raízes fortes na Turquia, e a dualidade principal nom é a democracia contra a teocracia. Antes a teocracia nos anos 2000 nom era vista como umha possibilidade, mas o país era sem dúvida nom menos antidemocrático.

Como todos sabemos, o secularismo nom é condiçom suficiente para a democracia em todo o mundo. O fascismo pode muito bem ser, e tem sido, historicamente, secular. Turquia tem sido governado polo fascismo kemalista, e agora está caminhando para o fascismo islamista. Ao longo dos últimos dous anos, Erdogan tem umha na longa história de ódio contra o outro na Turquia para apelar a ambos os ultra-nacionalistas e islamitas. Assim, o discurso de umha naçom, um país, um Deus, umha bandeira, um idioma já está crescendo novamente.

RLR:  Como poderíamos no Ocidente pressionar com sucesso a Erdogan e os seus seguidores para restaurar e defender os direitos humanos e o Estado de direito na Turquia?

SA: Os direitos humanos nom podem ser “restabelecidos”, porque nunca forom respeitados em primeiro lugar. Talvez o turismo pode ser recuperado, mas os direitos humanos som algo polo qual todos devemos luitar coletivamente.

Erdogan está a pressionar o Ocidente, e nom vice-versa. Polo que podo ver, Erdogan vai continuar a usar refugiados sírios e iraquianos para chantagear aos políticos europeus, todo continuando a consolidar o seu poder em todo o mundo sunita ao tempo. Como el trabalha para eliminar a oposiçom regional a sua visom de um império islâmico em 2023, devemos esperar mais guerras desastrosas no Oriente Médio, o que resultará em muitos mais refugiados que tentam escapar para a Europa. A Europa nom será capaz de manter a crise fora das suas fronteiras, baseando-se em um guardiam que el próprio é o principal instigador do problema. Vamos enfrentá-lo: o ISIS só tem sido capaz de sobreviver com o fluxo de jihadis, armas, muniçons, e dinheiro através da Turquia.

A ideia de que o chamado regime islâmico moderado em Ancara pode ser usado contra a propagaçom do chamado islamismo radical é talvez a estratégia mais inútil que se poda imaginar. Em vez disso, os chamados moderados continuarám desempenhando tanto no Ocidente como os radicais islâmicos contra o outro. Eles vam continuar a usar ambos os lados para fortalecer ainda mais a si mesmos, ganhando ainda mais força e crescendo cada vez mais radicais.

Turquia aprendeu a maneira saudita de jogar este jogo. Os sauditas som os principais financiadores dos movimentos islâmicos, mas, ao mesmo tempo eles dam aos “aliados” ocidentais informaçons de inteligência apenas o suficiente sobre os movimentos jihadistas e enredos para manter a aparência de cooperaçom. Turquia tem vindo a fazer o mesmo na guerra contra o ISIS. Ambos, o ISIS e o Ocidente tornarom dependentes da Turquia na sua guerra contra o outro; enquanto a Turquia fai o mínimo para satisfazer os seus aliados ocidentais, ao mesmo tempo, el garante que o ISIS nom vai cair. O que pode ser feito agora? O regime de Erdogan deve ser tratados da maneira que deveria Hitler ter sido tratado nos anos anteriores a 1939. Claro, nada na história acontece duas vezes exactamente da mesma forma, mas todos os sinais de um império fascista baseado na rejeiçom violenta da diversidade já estam lá.

RLR: Com relaçom ao ISIS, como achas que esse movimento bárbaro deveria ser destruído?

SA: ISIS fai o trabalho sujo para a Turquia e, em troca, Turquia atua como umha rota de abastecimento para o ISIS, além de prestar assistência directa. Enquanto a Turquia tem permisso para continuar dessa maneira, mesmo se o ISIS é destruído, dúzias de outras forças islâmicas continuarám a prosperar na Síria. Eu acho que Erdogan vai continuar a apoiar os islamistas na Síria até que el nom precise mais deles. Naturalmente, as cousas nom vam todas como el deseja. Com cada dia que passa a Turquia torna-se cada vez mais como a Síria em termos de polarizaçom da sociedade, que poderia muito bem levar à eventual erupçom da guerra civil.

A única pior fóbia da Turquia é o chamado “problema curdo”. Erdogan tem vindo a apoiar o ISIS, Jabhat al-Nusra, que recentemente mudou o nome a Jabhat Fatah al-Sham, e inúmeros outros movimentos islamistas principalmente para evitar que os curdos sírios controlem regions do norte da Síria ao longo da fronteira com a Turquia.

Quando se tornou claro que o ISIS nom podia parar as forças curdas depois da guerra de Kobane, Turquia diretamente interveu para evitar que os curdos expulsaram o ISIS dos últimos 100 km de faixa ao longo da fronteira com a Turquia. Ankara instou repetidamente à área umha “linha vermelha” que os curdos nom podiam atravessar. Assim, a área de Jarablus está essencialmente sob controlo do ISIS e protegido pola Turquia.

Erdogan também vem contando com o ISIS para conter a ameaça curda percebida dentro da Turquia. O ISIS tem realizado vários ataques contra objetivos curdos no último ano. Na massacre de Suruç o 20 de julho de 2015, 32 estudantes curdos e turcos que estavam em caminho para Kobane para ajudar a reconstruí-lo forom assassinados em um atentado suicida realizado polo ISIS. Cerca de seis semanas antes, o 5 de junho, houvo outro atentado do ISIS durante umha reuniom eleitoral curda em Diyarbakir que matou quatro pessoas. O 10 de Outubro, de 2015, um atentado do ISIS matou mais de 100 civis e feriu mais de 500 pessoas durante umha marcha pola paz em Ancara organizada polo pró-curdo Partido Democrático do Povo (HDP) e vários sindicatos.

O regime de Erdogan é o aliado ideológico e estratégico dos movimentos sunitas em toda a regiom, e há muitos deles. o ISIS tem atraído mais atençom por causa da quantidade de território que controlam e a sua produçom dos mídia. Acho que o ISIS vai perder a maior parte dos seus territórios talvez dentro de um par de anos, mas o perigo do islamismo está longe de terminar.

A chamada oposiçom islamista na Síria difere muito pouco do ISIS. Erdogan, Arábia Saudita e Qatar têm vindo a apoiar abertamente as forças islamistas, incluindo Fatah al-Sham. Na verdade, os EUA tem estado envolvido em armar muitos desses grupos também, incluindo um que recentemente decapitou um menino de 10 anos de idade.

RLR: Existe algumha maneira significante na que podemos ajudar a  aqueles atualmente encerrados em prisons turcas?

SA: A forma significativa para ajudar as vítimas de qualquer regime despótico é o primeiro, nom apoiar esse regime, quer através da venda de armas ou visitar o país por turismo. Eu acho que o Ocidente tem de libertar-se do ciclo de apoiar os islamistas para livrar-se de ditadores indesejáveis, como Qadafi e Al-Assad, e apoiar regimes militares para depor os islamistas.

É um ciclo mortal no Oriente Médio e a Turquia nom é excepçom. A longa história de opressom na Turquia deu legitimidade popular a Erdogan, e el está-se tornando um ditador opressivo. Nom é que considere que umha terceira opçom democrática nom exista, mas onde e quando o fascismo é relativamente popular, as forças democráticas som fracas precisamente por serem inerentemente contra a violência, o que os impede parar o fascismo.

Na Turquia, há um movimento progressista que está contra o fascismo nacionalista e o fascismo islamista. É um movimento democrático, laico, pluralista, multiétnico e feminista liderado polo HDP. Durante as semanas que antecederom ao golpe de julho o partido AK de Erdogan defendeu umha lei que dá imunidade contra a perseguiçom jurídica aos soldados, a fim de permitir que as forças armadas matem mais livremente na regiom curda. O partido também avançou mais um projeto de lei que retira aos deputados da sua imunidade, principalmente para atingir os deputados do HDP. O HDP é a última esperança na Turquia; se o regime de Erdogan consegue silenciar os seus líderes e ativistas seja por meio de prisom ou outros meios opressivos, a Turquia se tornar um caso de livro de ditadura.

RLR: Os curdos na Turquia tenhem umha longa e atormentada história. Por um tempo houvo um cessar-fogo com o PKK e as negociaçons com o governo. Recentemente, o HDP tem estado na defensiva, e centos de civis curdos forom mortos polas forças governamentais, pré-golpe. Vai Erdogan retomar a sua guerra contra os curdos?

SA: Erdogan nom demonstrou qualquer intençom de retomar o processo de paz. Agora está em umha aliança com os ultranacionalistas, e para sustentar essa aliança el vai manter a guerra contra os curdos. Retomou a guerra em primeiro lugar para apelar aos ultranacionalistas que som inflexiveis contra qualquer reconhecimento dos direitos curdos.

É difícil imaginar um momento em que a Turquia vai concordar em retomar o processo de paz com os curdos, mas acho que o casamento entre Ancara e o ISIS vai desmoronar mais cedo ou mais tarde. Quando isso aconteça, Ankara provavelmente irá fazer um acordo com os curdos. Historicamente, os curdos estam prontos para aceitar qualquer oferta de paz, mas eles nunca tiverom poder suficiente para impor a paz na Turquia.

Mesmo que o Ocidente agora usa os curdos para conter a ascensom do ISIS, há muito pouca cobertura da mídia internacional da brutal repressom dos curdos na Turquia. Também, porque Erdogan está essencialmente chantageando a UE com a questom dos refugiados, ameaçando abrir as portas da Europa aos refugiados sírios, a UE nom se atreve a criticar a Turquia sobre as violaçons dos direitos humanos no Curdistam.

Na Turquia, nom há pressom suficiente sobre o governo para iniciar um processo de paz também. É bastante irônico que, por um lado, os curdos som alienados diariamente, tanto através da violência do Estado e a falta de solidariedade popular suficiente, enquanto que, por outro lado, eles som acusados de nom ter um forte sentido de pertença à Turquia . O único cenário em que Ankara entraria em um processo de paz é, portanto, se e quando a própria Turquia esteja em umha grave crise.

A questom curda é extremamente complicada na Turquia. É umha questom de 100 anos de negaçom, humilhaçom, assimilaçom forçada, e engenharia social. Enquanto estivem na Turquia, diariamente eu testemunhei as consequências dolorosas da política colonial turca. Um dia eu estava montando no microônibus para a universidade quando duas crianças pequenas, juntamente com sua mae e avó entrou no ônibus. O avó falou em curdo com a mae, mas a mae falou em turco aos seus filhos. Presumo que o avó ou nom sabia turco ou sentiu estranho falar com sua filha em umha língua estrangeira. Presumo também que as crianças nom sabiam curdo, como tantas crianças curdas que forom Turkificadas polo Estado. Quando o ônibus continuou, umha das crianças começou a cantar umha música triste em curdo ao olhar para fora da janela. Em um momento ordinário assim, podia-se ver a repressom que atravessa geraçons.

RLR: Como livre – e como restrito – estam as mulheres na Turquia de hoje? As mulheres curdas e as mulheres turcas?

SA: O kemalismo ajudou as mulheres turcas a ganhar muitas das suas liberdades individuais, mas isso está mudando sob o governo islamista de Erdogan. Erdogan deixou claro em várias ocasions que el nom acredita que homes e mulheres sejam iguais. El sempre incentivou às famílias turcas a ter mais filhos e exortou as mulheres a fazer a educaçom dos filhos a sua principal prioridade.

Em umha mudança interessante, muitas feministas turcas agora tomam inspiraçom do movimento feminista curdo. Historicamente, a regiom curda tem sido mais conservadora em termos de direitos das mulheres, que estava agravada polas condiçons políticas e económicas opressivas impostas à regiom curda.

No entanto, o empoderamento das mulheres é um dos pilares do movimento de libertaçom curdo de hoje. O líder preso do PKK, Ocalan, dixo a famosa frase, “Matar o macho”, que agora é o lema da academia para mulheres em Rojava (Curdistam sírio). É claro, a declaraçom é usada metaforicamente, mas marca umha mudança poderosa na consciência. Combatentes curdos na Turquia e na Síria passam por cursos de feminismo radical para desaprender o sistema de valores patriarcal. Além disso, esse mesmo movimento fixo o sistema igualitário de género de co-presidência em todas as posiçons de governo umha regra universal na política curda na Turquia e Síria.

Municípios, partidos políticos, e as forças militares nas regions curdas da Turquia e da Síria devem cumprir os requisitos de assegurar que o poder é compartilhado entre um co-presidente home emulher.

RLR: Como é a vida para as pessoas LGBT na Turquia hoje?

SA: As pessoas LGBT também tenhem enfrentado o aumento da pressom do governo de  Erdogan nos últimos anos. Na verdade, a polícia procurou impedir as paradas do orgulho em Istambul nos últimos dous anos. Claro que, como as liberdades das mulheres, nom é fácil para o governo suprimir totalmente os direitos LGBT, mas esses direitos podem estar completamente perdidos no espaço de poucos anos, como vimos em outros lugares. Ao mesmo tempo, a sociedade iraniana era muito liberal em termos de relaçons pessoais / sexuais, apesar da brutal ditadura. Agora aos iranianos som lhes negadas essas liberdades passadas sob o regime despótico atual.

Turquia parece estar indo polo mesmo caminho: para além da falta de liberdades políticas, haverá cada vez menos liberdades “pessoais” também. O Islam, em todas as suas versons, nom tolera as liberdades individuais, assim com a ascensom do islamismo, as pessoas LGBT estaram,  evidentemente, entre aqueles que vam sofrer mais.

Esta entrevista foi publicada em Open Democracy.

 

Turquia diante de um possível aumento das tensons étnicas

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Manifestantes acenam bandeiras com a imagem do lider curdo preso Abdullah Ocalan durante umha manifestaçom em Istambul, o 15 de fevereiro de 2015.

Os medos estam crescendo na Turquia sobre o aumento das tensons étnicas entre turcos e curdos. O país está no meio de umha onda de nacionalismo turco na sequência do fracassado golpe de estado de julho, ao mesmo tempo, os rebeldes curdos do PKK intensificarom a sua campanha militar pola autonomia.

A perigosa combinaçom de forças em conflito estouparom em violência no início deste mês, na cidade do Mar Negro de Sinop. Dúzias de turcos, armados com paus e coitelos, invadirom o bairro curdo da cidade, atacando os moradores e destruindo as vitrines, com “cantos nacionalistas turcos.” A luita, que viu dúziaas de feridos, foi tal que as forças de segurança turcas forom forçadas a declarar um toque de recolher . Um apagom dos mídias sobre a história seguiu rapidamente.

A seguir o incidente de um trabalhador da construçom curdo foi queimado vivo por um companheiro de trabalho em Istambul, so uns dias antes queixara-se à sua família que era objetivo dos nacionalistas turcos por ser curdo. A imprensa local também relatou que um trabalhador do naval  foi atacado e hospitalizado em Istambul por supostamente falar curdo na rua por um telefone.

Ertugrul Kurkcu, deputado do parlamento com o principal partido pró-curdo da Turquia, o HDP, dixo que os ataques som parte de umha alarmante tendência causada pola onda de nacionalismo turco que está sendo alimentado polo presidente Recep Tayyip Erdogan e o seu governante partido AKP.

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Militantes das YBS (Unidades de Defesa Civil) em Nusaybin, Bakur, 1 de março de 2016.

“Tayyip Erdogan chama ao extermínio total do PKK, e isso é refletido polos mídias pró-AKP e, se es nacionalista, a única soluçom que você achas é decapitar aos políticos da oposiçom e ativistas curdos e esse ódio está crescendo. E isso, inevitavelmente, provoca raiva e, em umha noite, a turba podem iniciar ataques de linchamento em toda as cidades do Oeste da Turquia nos bairros curdos. “, dixo Kurkcu.

Kurkcu é deputado por Izmir, a terceira maior cidade da Turquia, situado na parte oeste do país. Izmir, como muitas cidades, tem umha grande minoria curda, muitos dos quais fugiram dos combates no sudeste devastado pola guerra do país. Izmir também é um bastiom tradicional do nacionalismo turco e a base do poder da principal oposiçom laica, o Partido Republicano do Povo (CHP).

Na sequência do golpe militar falhido de julho, o Presidente Erdogan, que por pouco escapou com vida, procurou tirar partido sem precedentes entre os partidos de oposiçom ao golpe de Estado, através da criaçom de um consenso sob a bandeira turca.

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Pessoas usam os seus telefones celulares para tirar fotos antes do discurso do presidente Recep Tayyip Erdogan na manifestaçom pola Democracia e os Mártires em Istambul, 7 de agosto de 2016.

“A única estratégia é consolidar essa aliança sunita nacionalista do 60 por cento dos Turcos”, observa o colunista político Kadir Gursel do jornal Cumhuriyet da Turquia. “Mas isso nom é um passo sensato; ele irá gerar umha dinâmica da polarizaçom, que vai gerar mais e mais conflitos e fortalecer os sentimentos separatistas “.

Muitos curdos juntarom aos turcos e forom às ruas para se opor ao golpe de Julho; mas, Erdogan, na sequência da tentativa de golpe, excluiu o líder do HDP pró-curdo, Selahattin Demirtas, das conversas entre os partidos, chamando-o um torcedor do terrorismo. A exclusom de Demirtas ‘foi seguida pola intensificaçom das operaçons militares do PKK contra as forças de segurança, matando dúzias.

O primeiro-ministro Binali Yildirim descartou a possibilidade de qualquer soluçom política para o conflito que ja dura décadas, prometendo, como todos os seus predecessores nas últimas três décadas, aniquilar o PKK.

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Um homem prende umha bandeira das YPG, durante um protesto contra o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan na frente da Brookings Institution, em Washington, onde Erdogan falava, 31 de março de 2016.

O ciclo de violência está definido para escalar ainda mais, com Ankara lançando umha incursom militar na Síria, tendo como objetivo nom, ou nom só Estado islâmico, mas as YPG, que di que som o ramo sírio do PKK. “O PKK vai intensificar os seus ataques dentro”, adverte Aydin Selcen, um ex-diplomata turco que atuou extensamente na regiom. “Na Turquia, as cousas podem-se sair de control, especialmente no Sudeste. Nesse caso, nom imos estar de volta ao processo de paz. Vai ser muito difícil prever o que vai acontecer.”

“Como vimos na crise de Kobanî, a povoaçom curda politizada na Turquia é muito sensível”, di o colunista Gursel. No outono de 2014, os curdos manifestarom-se por toda a Turquia em apoio dos combatentes curdos sírios que defendiam a cidade de Kobanî, que se enfrentava a ser invadida polo Estado islâmico. Para acabar a agitaçom, que causou 31 mortes, o governo foi forçado a recorrer ao líder preso do PKK, Abdullah Ocalan.

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Protesta contra as autoridades turcas durante o Festival de Primavera nas celebraçons do Newroz, no centro de Hannover, Alemanha, 19 de março de 2016.

Em face da renovaçom das tensons étnicas, Ankara, em um movimento amplamente interpretado como um gesto cara a minoria curda, permitiu que Ocalan fôsse visitado polo seu irmao, a sua primeira visita em mais de um ano. O deputado Kurkcu di que ambos os lados precisam agir e afastar o país do precipício.

“O ódio recíproco está crescendo e se as cousas evoluem assim, e nom há esperança de que seja possível umha vida em comum das diferentes nacionalidades e etnias, em um  futuro próximo, em seguida, os sinos de guerra civil estaram a soar. Esta é umha situaçom muito, muito arriscada.”

Dorian Jones

Publicado em Voa.

 

 

Como reagem os alevitas da Turquia ao gambito da Síria?

Turkish Alevis make v-signs, hold national flags and portraits of Mustafa Kemal Ataturk and Hadrat Ali Ibn Abu Talib, son-in-law of Prophet Mohammed, during a rally in Ankara November 9, 2008. Thousands of Turkish Alevis marched in Ankara on Sunday in their first massive demonstration to call for an end to discrimination by the government and compulsory religious classes. REUTERS/Umit Bektas (TURKEY) - RTXAF2X
Alevis turcos fam sinais de “Vitória” e portam bandeiras e retratos de Mustafa Kemal Ataturk e Hadrat Ali Ibn Abu Talib, durante um encontro em Ancara, o 9 de novembro do 2008. (Foto de REUTERS / Umit Bektas)

Resumo: Depois de anos de enfrentar a pressom do estado e da maioria sunita do país, o envolvimento militar turco na Síria provocou na minoria Alevi da Turquia mais problemas nas suas relaçons com o governo do AKP.

Por Pinar Tremblay

Na noite da tentativa de golpe de estado do 15 de julho, umha amiga chamou-me desde Nurtepe, um bairro Alevi de Istambul. Ela estava preocupada com os centos de homes marchando na sua rua com paus nas maos cantando Allahu akbar (Deus é Grande). O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan tinha chamado ao povo para sair às ruas e alguns o virom como umha oportunidade para intimidar os bairros alevitas.

Os alevis tiverom relaçons notavelmente azedas com o movimento Gulen, que muitos turcos suspeitam de orquestrar a tentativa de golpe, entom nom havia nengumha razom para suspeitar o envolvimento alevi no golpe de estado. De feito, a finais de agosto, o governo anunciara que Dersim, umha província de maioria Alevi, era a província menos infiltrada polos Gulenistas entre as 81 províncias da Turquia. Minha amiga, que estudara as massacres alevitas na Turquia moderna, estava com medo pola sua vida. Ter umha vida como Alevi ficou muito mais difícil na Turquia após da tentativa de golpe?

Al-Monitor entrevistou mais de 100 alevitas de diferentes partes do país para falar esta questom, que os meios de comunicaçom da Turquia nom cobrem.

Erdal Dogan, um proeminente avogado dos direitos humanos, dixo a Al-Monitor, “Qualquer tipo de golpe ou intervençom militar é umha situaçom política que quase todos os alevitas recusariam e resistiriam; essa foi a primeira reaçom da comunidade Alevi o 15 de julho No entanto, as tentativas de linchamento coordenadas em bairros alevitas confirmou os medos alevitas sobre a segurança “. De feito, as observaçons da minha amiga em Nurtepe nom eram isoladas, vários outros distritos alevitas forom atacados em Hatay, Istambul, Ancara e particularmente em Malatya.

Dogan dixo: “Os alevis estavam preocupados com os golpistas, tanto quanto eles estam preocupados com o tom jihadista que as manifestaçons pola democracia assumirom.”

Mesmo se os alevis som as maiores vítimas e um dos grupos mais distantes aos presupostos do movimento Gulen, os meios de comunicaçom pró-governo publicarom tentando gerar teorias da conspiraçom sobre alevis colaborando com os golpistas. Por exemplo, o diário Turkiye publicou na sua primeira página que ” o muhtar alevi [chefe eleito de umha aldeia ou bairro] ordenara massacrar os sunitas”. As acusaçons nom tinha provas concretas, nom há nomes dos muhtar, cidades ou outros dados – so que foi na província de Hatay, na fronteira com a Síria. Os líderes alevitas em todo o país prontamente emitirom umha mensagem de solidariedade contra a tentativa de golpe antes que as tensons aumentassem mais longe.

Um sociólogo proeminente de Istambul, que investiga em Dersim dixo sob a condiçom de anonimato, “Desde a tentativa de golpe, o povo de Dersim tem todo o direitos de se gabar e brincar entre si e [recordar] estranhos, ‘Será que nós nom o digemos ja [sobre Gulen]? ‘ Em 2011, Dersim realizou umha manifestaçom de 10.000 pessoas contra o movimento Gulen. Em Dersim, os Gulenistas estavam limitados à burocracia, sobre a qual as autoridades locais nom tinham control.”

O sociólogo, no entanto, está preocupado com o impacto da lei de emergência do estado nas comunidades alevitas da Turquia oriental. “Um dos meus colegas em Dersim, um Alevi de cerca de 60 anos, dixo-me:”Para as pessoas de Istambul ou Izmir nom sei o que significa a lei de emergência, mas para nós, toda a nossa vida vai ser alterada. ‘ Agora a cidade enfrenta umha espada de dous fios com múltiplas áreas declaradas «zonas especiais”, onde a liberdade de movimento está significativamente reduzida. Particularmente as pessoas que estam envolvidas na agricultura ou criando animais estam bastante amargosos, porque os seus meios de subsistência estám diretamente afetados por estes regulamentos. Estam com raiva contra o governo,. … também temem os ataques do Islâmico [ISIS]. Há rumores de que os sírios que instalara o  Estado em áreas próximas som realmente apoiantes do ISIS e que o seu primeiro objetivo é atacar Dersim . As ruas estam desertas, as pessoas tenhem medo de realizar reunions.”

Há várias questons que preocupam profundamente à comunidade alevi. Os alevitas nom som um grupo homogêneo. Enquanto a maioria som turco e alguns som bastante nacionalistas, hai-nos que som curdos. Mas todos som laicos, de modo que a intensificaçom da retórica islâmica desde o 15 de julho assusta os alevis.

Tanto no dia do golpe e, posteriormente, a primeira reaçom de Erdogan e outras autoridades do governo “para os ataques terroristas tem sido” que a chamada à oraçom nom vai parar.” Tam reconfortante como isso pode ser para alguns moradores da Turquia, os alevitas sofrerom décadas de Sunificaçom. A construçom de mesquitas e enviando imás para as cidades alevitas é umha antiga tradiçom do governo turco.

Agora, Dersim sofre com esse esforço de umha outra maneira, como um residente de Dersim dixo: “Eles colocaram alto-falantes para o mescit [lugar de oraçom] da universidade, e agora toda a cidade tem a ouvir a chamada para a oraçom cinco vezes por dia. É uma tortura para nós. Nom podemos manter as nossas festas ou visitar os nossos santo lugares devido às preocupaçons pola segurança. é como se eles gostariam que deixaramos a nossa cidade. Mas se marchamos, seremos forçados a assimilar-nos por isso ficamos onde podemos praticar a nossa fé “.

Além disso, em todos os noticiários apareceu que diferentes ordens religiosas sunitas foram autorizadas a realizar cerimônias do dhikr (canto devoto sufi) no Palácio Presidencial, em Ancara, assim como abertamente as realizarom nas manifestaçons pola democracia desde o 15 de julho . Estas performances podem ser fascinantes para os crentes de umha ordem religiosa, mas preocupantes para outros. Considerando que os membros dessas ordens religiosas gabam-se abertamente sobre o nome da nova ponte, em Istambul, que abriu o dia 26 de agosto, como Sultan Selim, o Severo, que foi famoso polas suas massacres de alevitas na Anatólia, a insistência do governante Partido da Justiça e o Desenvolvimento [AKP] sobre este nome o distanciarom mais umha vez dos alevis. Enquanto isso, qualquer conversa sobre as demandas alevitas, tais como um estatuto legal dos seus lugares de oraçom e excepçons à educaçom religiosa obrigatória para os seus filhos, som silenciadas sob a lei de emergência.

Todos os alevitas entrevistados estavam preocupados com a recente incursom do exército turco na Síria. Hayri Tunc, um jornalista e escritor que proporciona assídua cobertura dos bairros alevitas de Istambul, dixo: “Há muito poucos ou nengum alevi que nom questionem a abordagem turca com a guerra civil na síria. Especialmente na duvidosa relaçom da Turquia com o ISIS e outros militantes jihadistas é bastante preocupante para os alevitas da Turquia. Agora que a incursom do exército turco começou, os alevitas temem novos ataques do ISIS dentro de Turquia. Existem alguns alevis que estam contra o PKK porque o vêem como sunita. Há também aqueles que apoiam a luita curda mas nom a guerra. Os alevis curdos nem apoiam o governo sírio nem às organizaçons islâmicas na Síria.”

O 4 de setembro, várias associaçons alevitas juntarom com grupos curdos em greve de fome exigindo a ter um encontro com o líder em cativeiro do PKK, Abdullah Ocalan, para reiniciar as negociaçons de paz.

Enquanto os alevis estam tentando encontrar sentido a vida sob a lei de emergência, eles nom som os únicos confusos. O 29 de agosto, o experiente político do AKP e vozeiro do parlamento Ismail Kahraman dixo-lhe à imprensa que o líder cubano Che Guevara (que é bastante popular entre os esquerdistas turcos) era um “bandido” e “assassino” e que a juventude turca nom deve vestir camisetas ou brochuras com a sua imagem. Isso levou a um boom nas vendas de itens com a imagem do Che. Um jovem estudante universitário alevi de Kadikoy dixo, “Eu nom estava usando símbolos da minha fé por medo dos ataques, mas agora vejo que mesmo umha camiseta do Che poderia ser razom para o ódio. Eu acho que o país está em um ponto crítico.”

A contínua intervençom do AKP nos direitos e liberdades individuais, e invadindo as violaçons do secularismo preocupa aos alevitas. Isso, no entanto, nom é exclusivamente umha questom alevi na Turquia, e é provável que se torne em um grande problema no futuro próximo.
pinar-tremblayPinar Tremblay é umha colunista da Turquia para Al-Monitor e professora visitante de ciência política na Universidade Estadual Politécnica da Califórnia, Pomona. Ela é colunista do canal de notícias turca T24. Os seus artigos tenhem aparecido em Time, New America, Hurriyet Daily News, Todau´s Zaman, Star e Salom

Publicado em Al-Monitor.

 

Analisando as YPG: Operaçons e estratégias como Defensores de Rojava

analissando-as-ypgpor Wladimir van Wilgenburg

As YPG (Unidades de Protecçom do Povo curdas) é a força mais eficaz no terreno na Síria luitando o ISIS (Estado Islâmico). Seu sucesso contra o ISIS significa que o “califado” está lentamente entrando em colapso. Apesar do enorme papel que as YPG jogam, pouco se sabe sobre a estrutura e as capacidades do grupo que em 2012 capturou a maioria dos territórios curdos no norte da Síria.

As YPG conseguirom ganhar o apoio da coalizom liderada polos EUA contra o ISIS durante a sua defesa da cidade curda de Kobane em 2014-2015. Desde o assédio de Kobane, os curdos sírios ganharom ainda mais simpatia e apoio do Ocidente como um dos poucos grupos dispostos e aptos para derrotar o ISIS.

Ao contrário dos rebeldes árabes sírios, as YPG nom estám dispostas a trabalhar com islâmistos que som apoiados por Estados sunitas da regiom. As YPG seguem a chamada terceira linha: nom apoiar a oposiçom nem o regime sírio, já que ambos rejeitam qualquer forma de direitos dos curdos. Como resultado, chocam tanto com o regime, como também com os rebeldes sírios.

Contexto

Os três a quatro milhons de curdos sírios nom tinha nengumha experiência da insurgência armada na Síria contra o regime Ba’ath até a guerra civil. Eles nom tinham um partido curdo independente sírio forte e, como resultado, eram dependentes tanto do KDP (Partido Democrático do Curdistam) que focava a luita contra o Estado iraquiano ou o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistam) que luita em Turquia.

Como resultado, muitos curdos sírios juntarom à luita como forças Peshmerga em 1960 e 1970 no Iraque, ou com o PKK contra o Estado turco desde a década de 1980. O regime de Assad por alguns anos concedeu refúgio ao PKK na década de 1990 até que Assad restaurou os seus laços com a Turquia. O uso das bases sírias e libaneses do PKK ajudou a construir o apoio entre os curdos na Síria. O PYD (Partido da Uniom Democrática), ligado ao PKK, foi criada na Síria no 2003.

Portanto, tanto o KDP e o PKK tinham umha base de apoio no norte da Síria e ambos começarom a desempenhar um papel através dos seus representantes e partidos curdos mais pequenos quando o regime Baath sírio perdeu o control sobre grandes partes do norte da Síria em 2012.

A ideia inicial do PKK para formar as YPG iniciou-se no 2004, após o regime sírio reprimiu a revolta curda naquel ano. Grupos de auto-defesa das YPG forom formados mais adiante no 2011 e começou a organizar-se clandestinamente nas cidades curdas.

Primeira Fase

Quando a sede da segurança nacional do regime sírio em Damasco foi bombardeada o 18 de Julho de 2012, matando muitos agentes importantes de segurança, o PYD / YPG viu umha oportunidade e, o 19 de julho, iníciou o que eles descrevem como a “revoluçom de Rojava”. Primeiro tomarom o control de Kobane desde que era umha “fortaleza” do PKK sem presença de forças do regime. A cidade de Afrin foi igualmente tomada rapidamente, mas a província de Hasakah foi mais difícil devido à presença de forças do regime.

A libertaçom progrediu em três etapas: em primeiro lugar, tendo como objetivo o regime nas aldeas que actuavam como bases avançadas das YPG; segundo, confiscando as instituiçons de serviço do regime, tais como centros de electricidade, água e juventude; e terceiro, assumindo as sedes militares, espalhrom-se sobre toda a província, exceto a cidade curda de Qamishli, onde as forças do regime permanecem até hoje.

Como resultado de umha posiçom dominante no chao polas YPG, outros grupos curdos sírios alinhados com o KDP de Massoud Barzani forom marginalizados. Barzani apoiou a criaçom das forças ” Peshmerga de Rojava ‘no Curdistam iraquiano em 2012, que agora luitam na província de Mosul contra o ISIS, mas as YPG nom lhes permitirom entrar em Rojava ao temer umha guerra civil semelhante ao do Iraque curdo na década de 1990 e nom querem a concorrência dos curdos de Barzani.

Segunda Fase

Após a YPG assumiu o control da maior parte dos três enclaves curdos de Kobane, Afrin e Jazira (Hasakah), e assegurou a cidade de Serekaniye (Ras al-Ayn) em 2013, as auto-administraçons locais forom criadas para organizar a administraçom em três cantons separados em janeiro de 2014. Após isso, o principal objetivo das YPG era unir esses cantons em um território contíguo no norte da Síria.

As YPG também moveu-se para recrutar nom-curdos e trabalhar com tribos árabes locais e grupos cristians. Isto resultou, em setembro de 2014, em uma sala de coordenaçom conjunta com o FSA (Exército Livre Sírio) em Kobane. Receando essa coordenaçom receberiam apoio dos EUA, o ISIS assediava Kobane em setembro de 2014, mas foi derrotado lá em Março de 2015. Em Junho de 2015, as YPG empurrado mais e uniu os cantons de Kobane e Jazira, com o apoio dos Estados Unidos, através da captura de Tel Abyad. A avançar este movimento, as YPG criou a multi-étnica SDF (Forças Democráticas da Síria) em outubro 2015.

O objetivo das YPG agora é unir todos os cantons com as SDF, e configurar umha regiom federal no norte da Síria e Rojava, num prazo de três meses. Em maio de 2016, as SDF lançarom umha nova operaçom, com o apoio dos EUA a tomar a cidade estrategicamente crítica de Manbij. Com esta operaçom que foi concluída o 12 de agosto, as YPG esperavam unir as suas administraçons através de Manbij e al-Bab cara Afrin.

Consideraçons Finais

Parece que a Turquia fixo acordos com o Iram e Assad para parar a criaçom de umha regiom federal no norte da Síria.

O PYD conseguiu ganhar umha posiçom dominante no norte da Síria através das YPG, enquanto os partidos ligados ao KDP estam marginalizados no chao. As YPG conseguirom dominar rapidamente, devido ao planejamento cedo, Rojava, enquanto os partidos apoiados por Barzani nom estavam preparados, e inicialmente apoiarom ‘a revoluçom síria pacífica “. As YPG forom formadas antes dos Peshmerga de Rojava, e já se tornarom em autoridade de facto no terreno. Foi também mais arriscado para Barzani envolver-se na guerra civil síria, tendo que proteger a regiom autônoma do Curdistam no Iraque.

As forças das SDF acabam de derrotar o ISIS em Manbij, mas a questom é se a coalizom liderada polos EUA permitirá que as SDF marchem sobre mais cara Afrin, ou se vam empurrá-los para se concentrar em Raqqah, onde os curdos som relutantes a ir. Além disso, a intervençom da Turquia, na cidade de Jarabulus no último mes visa prevenir a unificaçom das auto-administraçons locais no norte da Síria. Parece que a Turquia fixo acordos com o Iram e Assad para parar a criaçom de umha regiom federal no norte da Síria e apoia os rebeldes sírios a tomar Jarabulus. Isto poderia criar mais desafios para as YPG. No entanto, é evidente que as SDF seram um parceiro fundamental de Ocidente, atee que a ameaça do ISIS exista na Síria.

 

Wladimir van Wilgenburg é um analista da política curda para Jamestown Foundation e jornalista freelance. Está atualmente em Qamishli, Rojava, norte da Síria, realizando um projecto de investigaçom sobre os curdos sírios para o Instituto Iraquiano de Estudos Estratégicos (IIST), financiado polo International Development Research Centre (IDRC). He tweets at @vvanwilgenburg.

 

Publicado em The London School of Economics and Political Sciences.