“Nós nom seremos levados ao matadouro.” Entrevista com Cemil Bayik co-lider do KCK

Nós não serão Conduzido até ao matadouro Artigopor Wieland Schneider, Qandil

O líder curdo Cemil Bayık compara a Erdoğan com Assad, critica a ajuda militar da OTAN para a Turquia, e demanda que a UE exerza pressom para parar a guerra.

As ruas acabam entre os campos em curvas estreitas. Em seguida, a visom abre-se a umha cadeia de montanhas cobertas de neve. Penhascos marrons escuros sobre nós. Em um deles está pendurado umha grande imagem do líder curdo Abdullah Öcalan. Aqui nas montanhas Qandil do norte do Iraque, perto da fronteira iraniana, entramos no território da organizaçom guerrilheira PKK.

Desde 1999 o líder ideológico do PKK está em umha prisom turca. Em 2013 Öcalan, desde a sua cela na prisom, pediu um cessar-fogo. Seguido de um processo de paz, que pretendia acabar com a guerra de décadas entre o Estado turco e a organizaçom clandestina curda PKK. Agora esse processo encontra-se em um caos tremendo com o o governo turco tentando destruir o PKK com umha ofensiva militar. Avions de combate turcos conduzem repetidamente ataques aéreos contra os refúgios do PKK nas montanhas de Qandil.

“Cerca de duas vezes por semana eles venhem e lançam bombas. Pode durar até seis horas “, di um jovem luitador do PKK. Um Kalashnikov e um mais velho rifle de assalto americano M-16 encostar num canto da pequena casa. Nas paredes cinzentas penduram cartazes com fotos de combatentes do PKK martirizados. Os homens bebem chá para se aquecer antes de retornar os seus postos no exterior do recinto. Este edifício é a primeira estaçom em um caminho para a área dos combatentes clandestinos curdos. Em um lugar secreto, a nossa entrevista com Cemil Bayık, o chefe do PKK- realizara-se.

Depois de umha hora de espera, o porta-voz de imprensa internacional do PKK aparece. Os nossos telefones celulares, mochilas e laptops devem ser entregues. Empilhando em um veículo todo-o-terreno, somos levados para as montanhas. Dirigimos-nos ao longo de pistas cujos profundos sulcos som preenchidos com a água marrom das choivas de inverno. Umha vez que sair, imos esperar mais umha hora em outro abrigo do PKK. Caminhamos a pé por montanhas cobertas de florestas e através dos pequenos vales que se encontram entre elas. Finalmente chegamos ao ponto onde o líder do PKK, Cemil Bayık nos espera com os seus guarda-costas.

* * *

Die Presse: Desde o Verao, forom atacados pola força aérea turca. Como conseguem sobreviver aqui nas montanhas?

CB: Nós resistimos a esses ataques porque o nosso movimento tem umha vontade forte. A Turquia nom pode quebrá-lo. A Turquia nunca vai obrigar-nos a nos submeter. Queremos viver em liberdade e de acordo com os nossos próprios valores, ou nom imos viver. Podemos pagar um preço elevado e sofrer perdas, mas o nosso movimento vai-se tornar mais forte. A Turquia é um país da OTAN e quer aderir-se à UE. Os EUA, a UE e os Estados membros da OTAN dim que cumprem certos valores. Turquia, com sua açom militar contra os curdos, está violando todos esses valores. No entanto, os EUA e a UE permanecem em absoluto silêncio e nom condenam os ataques turcos.

O que exatamente querem dos membros da Uniom Europeia, como a Áustria e a Alemanha que fagam?

Eles tenhem que intervir e avisar o governo de Ancara contra a continuaçom das violaçons dos valores europeus. Os membros da OTAN nom devem dar nengum apoio militar mais a Turquia. Áustria e Alemanha devem exercer pressom sobre o Estado turco para umha soluçom pacífica para a questom curda. A Turquia isolou o nosso líder, Abdullah Öcalan, na prisom desde abril de 2015. Desde entom, nom recebemos nengumha informaçom sobre el.

Como maciços som os ataques?

Turquia está atacando cidades no Norte do Curdistam [sudeste da Turquia] com tanques, artilharia e helicópteros. O exército turco está destruindo casas e matando qualquer pessoa que nom observe o toque de recolher. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, umha vez condenou o presidente sírio, Bashar al-Assad, por ter feito isso, por infligir terror de Estado na sua própria povoaçom. Mas agora Erdoğan está usando os mesmos métodos que Assad.

Realmente quer comparar a Erdoğan com Assad?

Sim. A Áustria e a Alemanha devem enviar delegaçons para as cidades sitiadas, como Silopi e Cizre. Dessa forma, eles vam testemunhar em primeira mao os crimes que forom cometidos lá contra os curdos. Se a UE nom intervém, esso significa que considera a devastadora situaçom nas cidades curdas como normal. A UE condenou as políticas de Assad. Por que nom fazer o mesmo com a Turquia?

Mas a Turquia é um parceiro mais importante para a UE, especialmente agora, para evitar umha emigraçom de mais refugiados sírios para a Europa. A chanceler alemá, Angela Merkel visitou o Presidente Erdoğan antes das eleiçons na Turquia. A UE precisa da Turquia.

Nós nom queremos que os membros da Uniom Europeia ou da OTAN cortem os seus laços com a Turquia. E esperamos que os países da UE cuidem dos seus próprios interesses vis-a-vis com Ankara. Mas eles nom podem promover os seus interesses à custa dos curdos.

Como pode a OTAN acabar com a sua colaboraçom militar com a Turquia? A Turquia é também um importante aliado na guerra contra o ISIS. Jatos turcos decolam de bases aéreas militares turcas e lançam bombas aqui em Qandil. Nom só isso, avions de combate norte-americanas decolam de Incirlik, como fazem os Tornados alemaes, para as suas missons contra o ISIS na Síria.

Os Estados Unidos, a UE, e a OTAN todos dim que estam luitando contra o ISIS. Eles também aceitarom a Turquia nesta aliança e usam Incirlik. Mas há aqui umha contradiçom: a Turquia é um importante apoio do ISIS, e os que luitam mais efetivamente o ISIS som os curdos.

Foi inteligente que a juventude do PKK iniciara umha rebeliom nas cidades do sudeste da Turquia? Agora todos os moradores civis estam sofrendo lá sob condiçons onerosas.

As açons do PKK nas cidades nom justificam que os militares turcos matem civis. Que o PKK apoia os rebeldes nas cidades nom dá ao Estado turco o direito de cometer os crimes que se cometem. Se se cometeu um erro, esso nom dá direito a Ankara para cometer outro erro. Os jovens nas cidades nom começarom a guerra. Eles defenderom o povo lá contra as massacres do exército. Öcalan e o PKK tenhem tentado resolver a questom curda por meio de negociaçons. Ao mesmo tempo apoiamos grupos democráticos que participam das eleiçons para entrar no parlamento e ser capazes de resolver a questom curda lá.

As eleiçons saiurom-lhe pola culatra a Erdoğan.

As eleiçons do 7 de junho foi um ponto de viragem. É privou a Erdoğan, com as suas idéias anti democráticas, da sua república presidencial. E do outro lado o HDP e outros grupos democráticos trabalharom para construir umha república democrática. O resultado das eleiçons foi que o AKP de Erdogan perdeu a maioria absoluta. El nom aceitou esse resultado e, basicamente, decidiu, dar um golpe de Estado.

Mas simpatizantes do PKK matarom dous policiais turcos em vingança polo ataque do ISIS em Suruç. E Ancara acusa o PKK e os seus seguidores da criaçom de umha administraçom paralela nas áreas curdas.

Quando vimos que Erdoğan estava a criar dificuldades à democracia em Ancara, tentamos construir estruturas democráticas ao nível local. Nom é sobre a separaçom da Turquia-é umha luita contra as idéias neo-otomana de Erdogan. O Estado turco usou a auto-gestom democrática e os políciais assassinados como umha desculpa para atacar os curdos. O planeamento militar para isso vinha acontecendo desde setembro do 2014.

Rússia tem-lhes oferecido ajuda?

Rússia compreende que os curdos som umha das forças mais importantes na regiom. Se a Rússia tivera a ajuda dos curdos, poderia aplicar as suas próprias políticas na Síria de forma mais eficaz e, ao mesmo tempo exercer pressom sobre a Turquia. O caos prevalece no Oriente Médio agora, e todo poder regional ou internacional está tentando promover os seus próprios interesses. Há, por exemplo, umha frente xiita e umha frente sunita. Rússia apoia a frente xiita, e os EUA a sunita. Os curdos nom apoiam nengum frente – nós temos o nosso próprio terceiro caminho. Mas nós queremos manter laços com integrantes individuais dessas frentes.

Se a Rússia oferecesse armas o PKK, a fim de enfraquecer Erdoğan, iriam aceitá-los?

Nós aceitaremos qualquer companheiro que aceite a soluçom democrática para a questom curda.

Se a situaçom no leste da Turquia agrava-se ainda mais, o PKK vai enviar as suas forças de guerrilha às cidades?

A Turquia já intensificou a guerra. Ninguém nesta situaçom pode negar-nos o nosso direito de autodefesa. Mesmo quando um animal é levado ao matadouro, el luita pola sua vida até o último momento. As unidades da guerrilha tenhem o direito de ir as cidades. Se as pessoas estám sendo assassinadas diante dos seus olhos, eles nom podem ficar de braços cruzados e observar.

O que deve ser feito para reiniciar o processo de paz?

Turquia deve terminar a sua política de guerra. O exército turco deve cessar os seus crimes nas cidades e regressar à mesa de negociaçons.

O presidente do Governo Regional do Curdistam, Massoud Barzani, exigiu que o PKK se retire das áreas jáziges em Sinjar, no norte do Iraque. Mas o PKK quere ficar. Nom existe o perigo de que esta situaçom poderia levar a umha luita entre o PKK e os Peshmerga da KRG?

Turquia quer provocar um conflito entre os curdos, mas nós nom imos deixar que aconteça. Já faz tempo que um congresso de unidade nacional, em que todos os partidos curdos participem.

Mas Barzani deixou claro que Sinjar deve continuar a ser parte do KRG.

Shengal [nome curdo para Sinjar] é a pátria dos jazidis, que som os curdos ancestrais. A questom de Shengal é, portanto, umha questom de todos os curdos- nom é umha questom apenas de Barzani, o KDP ou o PKK. Quando o ISIS atacou os Jazidis em Shengal, eles foram deixados indefesos. Nem os Peshmerga da KRG nem o exército iraquiano tomou a sua defesa. Foi o PKK quem enviou as suas forças guerrilheiras a Shengal para resgatar essas pessoas. Sem o PKK, todos os Jazidis teriam perecido. Sem o PKK também, os Peshmerga nom estariam em umha posiçom para depois poder voltar para Shengal.

Como apoiam os Jazidis agora?

Shengal ainda nom está inteiramente libertado. Ainda existem aldeias controladas polo ISIS. E o ISIS ainda está por perto, em Tal Afar e Mosul. Queremos ajudar os Jazidis lá para construir a sua própria administraçom e as suas próprias forças de defesa. Até que isso seja implantado, as nossas forças guerrilheiras permanecerám no lugar.

Qual lhe parece que deveria ser o futuro político da regiom?

Oficialmente, o governo central iraquiano ainda é responsável por Shengal. De facto, no entanto, a área está administrada pola KRG no norte do Iraque. O status de Shingle é, portanto, claro. Em nossa opiniom, seria bom se Shengal continua a fazer parte do Curdistam. Mas isso vai significar que adoptem um tipo de auto-administraçom. As pessoas de lá tenhem que decidir sobre o futuro estatuto de Shengal. Nengum partido curdo pode determinar um modelo para os Yazidis.

***

Cemil Bayık. Sob o nome de guerra de Cuma, co-lidera, com Bese Hozat, a KCK (Coordinadora de comunidades do Curdistam), a principal organizaçom global do PKK e os seus partidos irmaos na Síria e no Iram. As forças militares da guerrilha do PKK estam subordinadas ao KCK. Bayık é a cabeça do movimento e é o número dois, após o líder ideológico preso Abdullah Öcalan.

Bayık tem sido um membro do PKK desde a sua fundaçom, em 1978, por isso é um dos seguidores mais longos de Öcalan. O PKK originalmente marxista luitou na Turquia por um Estado curdo. Agora procuram um tipo de autonomia a nível local.

***

Este artigo foi publicado em alemao em Die Presse, 16 de janeiro de 2016 e traduzido por Janet Biehl e publicado em Kurdishquestion.

 

“Atacar o PKK Significa Defender o ISIS”: Duran Kalkan, membro do Comité Executivo do PKK

Duran KalkanDuran Kalkan, Membro do Comité Executivo do Partido Trabalhadores do Curdistam (PKK) afirmou que o Estado turco estava travando umha guerra total, e a única resposta possível para guerrilheiros do HPG e civis era exibir umha resistência total.

O membro do Comité Executivo do PKK afirmou que valorizaram as chamadas para um cessar-fogo, e as HPG só retaliam de forma limitada até o de agora. Kalkan criticou a declaraçom de Davutoğlu de que atingiu 400 objectivos em umha noite, e dixo que os guerrilheiros tinham o direito de retaliar por cada ataque, mas ainda nom responderom com toda a força.

Kalkan perguntou o que iria acontecer e se o auto-governo democrático e local da sociedade seria reforçado no caso em que pararam as retaliaçons PKK. Ele disse que aqueles que gostariam os confrontos a final teria de se concentrar sobre os motivos esses confrontos, ea melhor resposta ao fascismo AKP seria fortalecer a Autonomia Democrática.

Na sua entrevista com Med Nuce TV, traduzida o inglês polo serviço do ANF, Kalkan observou que a sua estratégia nom incluía luitar contra o exército e os guerrilheiros nom teriam retaliado se o Estado nom se tivesse gabado de ‘bater 400 objectivos em uma noite. “Kalkan destacou que o AKP estava usando o exército para a proteçom do seu poder político, e todos devem resistir contra a polícia e proteger os seus bairros, a fim de evitar mais detençons. A seguir a entrevista [em galego] de Med Nuce TV com Duran Kalkan.

O Governo do AKP efectuou a massacre de Zergelê no primeiro aniversário da massacre de Shengal. Que significa isto?

Eu condeno a massacre de Shengal e homenageo os mártires que perderom as suas vidas durante os ataques do ISIS sobre povo curdo Jazîdî em Shengal. Eu também comemoro a guerrilheiros como Genco, Dilgeş, Armanç, e Berxwedan que caírom durante a defesa de Shengal. O fascista AKP realizou umha massacre na aldeia de Zergelê em Qandil de umha forma semelhante a massacre do ISIS em Shengal. Os autores das massacres de Shengal e Zergelê, ISIS e AKP, som brutais, e enfrentamos um poder que nom vacila em espalhar o terror. Condeno veementemente a massacre de Zergelê e comemoro os civis mortos com respeito. O AKP tenta retratar os civis massacrados como guerrilheiros do PKK som deploráveis, mesmo YNK declarou alguns dos mártires de Zergelê como civis. O AKP está fingindo luitar o ISIS, mas, na verdade ataca e bombardeia o povo curdo e ao PKK.

O PKK tem estado em umha guerra contra o ISIS desde o 3 de agosto do 2014, e esta guerra dividiu todo o mundo em dous bandos: os poderes que apóiam o ISIS e as forças democráticas que se oponhem o ISIS. A resistência de Kobanê foi a luita democrática contra os últimos, e todos contra o fascismo que se unirom em oposiçom o ISIS.

Atacar o PKK é defender o ISIS, o AKP afirma estar luitando contra o PKK e o ISIS, mas isso nom é nada mais do que um engano. A Turquia tem estado enviando centos de camions para o ISIS e apoiar as gangues no Curdistam sírio, o ataque da Turquia ao PKK significa o apoio turco para o ISIS. Como a objeçom da OTAN para os recentes ataques aéreos turcos, todos luitando contra o ISIS devem levantar a voz em oposiçom às políticas turcas.

Turquia finge estar luitando o ISIS, mas forom agentes de inteligência turca no ISIS que recentemente atacarom os soldados turcos. Turquia conseguiu fazer acreditar os EUA que a Turquia estava sob ataque do ISIS através deste engano e começarom a nos atacar, sob o pretexto de combater o ISIS. O AKP está em aliança com o ISIS e todos devem decidir se apoiam esta aliança ou a luita democrática centrada em torno a resistência curda. A Turquia é umha ameaça para todos os curdos e poderia até bombardear Hewler ou Kirkuk, assim como eles ameaçarom com bombardear Kirkuk como descobrimos recentemente. Anti-curdos da Turquia fam que pareçam um touro que atacam sempre que vêm algo vermelho. Todos os poderes curdos em aliança com o AKP devem parar de colaborar com a Turquia em troca de cálculos de juros menores.

Como é que a guerra reiniciou quando todo mundo estava esperando a paz depois das eleiçons do 7 de junho?

Lembre as nossas declaraçons após as eleiçons descrevendo a vitória do HDP como a reestruturaçom da Turquia cara mais paz e democracia. Apesar da sua perda eleitoral, o AKP agiu como o governo e tomou a importante decisom de reiniciar a guerra. O AKP estava indo quer respeitar os resultados das eleiçons e negociar os passos para a democratizaçom estabelecidos na declaraçom de Dolmabahçe do 28 de Fevereiro, ou reiniciar o conflito armado como tinham planejado durante a reuniom do Conselho de Segurança Nacional do 30 de outubro do 2014, a fim de restaurar o seu poder político . Ao contrário das alegaçons do AKP, nom estávamos dando ordens aos HDP e as nossas declaraçons após as eleiçons forom mais um aviso a todos que favoreceram a democratizaçom. HDP e CHP interpretarom o processo político tarde demais, e nom previrom a atual guerra como tínhamos feito logo após as eleiçons. O nosso comentário sobre as eleiçons nom era uma “intervençom do PKK”, mas umha chamada às forças democráticas para que eles tomaram a iniciativa e garantiram a transformaçom das reunions de Imrali em umha negociaçom. Eu gostaria de perguntar a opiniom pública turca e os apoiantes do AKP, que mal estava lá em declaraçons anteriores do KCK pedindo negociaçons com base nos 10 princípios da Declaraçom de Dolmabahçe centrada na liberdade do líder Apo, a transformaçom do parlamento em umha assembléia constituinte, a elaboraçom de umha constituiçom democrática, a implementaçom de reformas legais, e o final do regime militar fascista do 12 de Setembro, na Turquia.

Mais umha vez, os avisos do PKK nom forom atos de terrorismo, mas demandas para a paz e a democracia. Nós só figemos declaraçons após as eleiçons, mas o estado respondeu com operaçons de genocídio político (detençom de mais de 1.000 ativistas políticos) e ataques aéreos desde o 24 de julho. O AKP nom é senom um governo caído, autoridades do AKP, como Bülent Arınç devem parar de fazer declaraçons freqüentemente, umha vez que nom forom eleitos o 7 junho. Irregularidades como esta mostram que há rachaduras dentro do regime, Arınç tem sido o centro das atençons, mesmo mais do que o próprio primeiro-ministro!

O governo do AKP agrediu-nos o 24 de julho porque está a perder o seu poder, e a única maneira para que o AKP ganhe as próximas eleiçons seria impedindo as massas votar a partir de agora. A declaraçom do governo de transiçom da guerra nom é legítimo, porque este governo nom recebeu apoio suficiente dos eleitores o 7 de junho.

Em troca de que acordarom com os EUA?

As autoridades turcas recentemente digerom que eles figeram um acordo com os EUA, em troca de que estava feito este acordo? Lembre acordos anteriores entre a Turquia e os EUA em 2007, 2008 e 2009? Esses acordos ajudarom nom a Yaşar Büyükanıt nem a İlker Başbuğ (ex-Chefes de Estado Maior), e o acordo mais recente nom ajudaria a Tayyip Erdoğan ou Ahmet Davutoglu. O declínio no poder de AKP continuará inevitavelmente. A declaraçom recente de Davutoglu transmitir surpresa com a presença de pessoas armadas dentro das fronteiras turcas é manipuladora, os guerrilheiros do PKK na Turquia tenhem estado armados durante 35 anos. A incapacidade do AKP fornecendo soluçons é a principal razom por trás da falsa surpresa de Davutoglu, esta incapacidade levou à utilizaçom polo AKP do exército e da força policial para cometer crimes e matar civis.

Como PKK, nós nom temos planos ou estratégias de luita contra o exército turco. Estávamos empenhados em solucionar os problemas de democratizaçom e de auto-administraçom. O uso de Davutoglu do exército para atacar-nos, e orgulhar-se de ‘bater 400 alvos em umha noite’ levou ao conflito armado em curso. O AKP está usando a força policial e o exército, a fim de salvar o seu domínio político. Eu gostaria de lembrar o conflito entre o exército e o AKP na história recente, e terminar dizendo que o governo do AKP e o AKP tenhem carácter temporário.

Este processo também está testemunhando chamadas para um cesse-fogo a partir de muitos círculos. É um tal desenvolvimento possível?

Certo, o HDP tornou-se um pouco mais ativo, assim como o CHP. Alguns círculos democráticos estam chamando a ambos os lados para tirar as maos fora do gatilho e voltar à mesa de negociaçom. Agradecemos essas chamadas, mas eles devem conhecer que este conflito nom foi iniciado polo nosso lado. Nom é correto de falar sobre as açons do PKK, sem mencionar a massacre de Amed (Diyarbakir) e a mais recente de Suruç e a repressom e as detençons cada vez mais em curso.

Por outro lado, os guerrilheiros nom tenhem puxado o gatilho ainda. As suas açons atuais som de retaliaçom limitada. O próprio Primeiro-Ministro Davutoglu anunciou que 400 objectivos foram atingidos durante a primeira noite de ataques aéreos, o que dá a guerrilha o direito de retaliar 400 vezes. Além disso, alguns milheiros de pessoas forom detidos e presos depois, o que também requer retaliaçom. A este respeito, os guerrilheiros nom pegarom em armas ou puxarom o gatilho ainda.

Separadamente, o problema nom é a presença de um conflito, mas as razons por trás del. O PKK nom é umha força militar que simplesmente tomarom armas e forom para as montanhas sem nengum motivo. O governo nom está realizando esses ataques sem motivo, tampouco. Há causas deste conflito e nom pode haver nengum cessar-fogo ou umha soluçom sem umha consideraçom e resoluçom destas causas.

A guerrilha nom disparou umha soa bala desde o início do 2013, mas que fixo o governo em resposta? Nada. Dous anos e meio passarom em vam. Nom quero acabar na mesma situaçom. Nós nom vimos para as montanhas sem motivos, nem estamos dando umha luita por nada. Defendemos e precisamos de umha vida livre e democrática. Isto é polo que nós lutamos.

O conflito nom terminará a menos que as suas causas sejam eliminadas. A razom para este conflito nom é que o ‘PKK forom às montanhas e tomarom as armas “, como eles afirmam. Nós estamos nas montanhas, mas estamos a apresentar propostas importantes com soluçons. O Líder Apo fixo um grande esforço para desenvolver umha soluçom para umha política democrática, mas eles decepcionarom todo isso.

O problema é causado pola monismo, machista, nacionalista e a decisom ditatorial do AKP. Nom há nenhuma decisom democrática, a sociedade nom se lhe da a oportunidade de governar-se.

Para dar um exemplo, os deputados, alcaldes e chefes de aldeias som eleitos, mas eles nom tenhem nengumha influência sobre a administraçom local, porque toda a autoridade é detida polos governadores nomeados por Ancara. O AKP di ‘nós rematamos a hegemonia do nomeado acima do eleito, estamos estabelecendo a decisom do eleito “, mas isso é umha mentira. A decisom pertence ao nomeado, e nom o eleito. Nom é assim a democracia onde as decisons democráticas podem ser alcançadas. Existe umha ditadura dos governadores provinciais e distritais nomeados acima dos representantes eleitos. Isto nom é democracia. Nem os curdos nem Turquia podem ser governados com este sistema mais.

Esta é umha questom de mentalidade e política, devido à existência de umha mentalidade anti-democrática e fascista, , estratégia e políticas carregada de inimizade contra os curdos. O Estado turco e as autoridades quem nada objetam contra a atividade do ISIS e Al Nusra na Síria falam contra a eficácia e auto-governo do PYD nas áreas curdas.

Eles nom teriam reconhecido o KDP,se nom luitaram contra o PKK. Eles estam chamando agora amigo o KDP pola sua necessidade de luitar contra o PKK. Agora estam tendo conversaçons com o KDP, mas nós nom esquecemos o passado. No entanto, em 2007-2008, Yaşar Büyükanıt e İlker Başbuğ recusarom ter conversaçons com o KDP a quem descreverom como “líderes de clans ‘.

As mudanças e transformaçons democráticas nom podem ocorrer a menos que elas sejam realizadas na mentalidade, estratégia e política atual. Como a força mais democrática na Turquia, estamos a dar umha grande luita pola democracia desde há 35 anos, e imos continuar a fazer o mesmo no futuro, bem como, até que a Turquia seja democratizada. Figemos grandes auto-sacrifícios, perdemos os nossos combatentes e empreendimos umha luita nas situaçons mais desafiadoras.

Todos devem responder à pergunta de que vai acontecer quando nós declaramos um cesse-fogo. Será que houvo umhas decisons democráticas? Será que os povos, principalmente os curdos, forom capazes de se organizar com as suas próprias identidades? Será que as mulheres forom livres? Será que a sociedade desenvolveu administraçons democráticas locais? Será que a ditadura dos governadores nomeados polo AKP para as administraçons locais acabou? Queremos ver e entender isso. Todos estes pontos som as causas do conflito atual. Aqueles que querem um fim a este conflito deveriam antes concentrar-se sobre estas questons e procurar umha soluçom com base nisso. Nom pode haver nengumha soluçom a nom ser que essas causas sejam eliminadas.

Quais deveriam fazer as forças democráticas e povos diante dos ataques em curso do AKP?

AKP já tinha decidido atacar-nos antes das eleiçons. Eles so colocarom em prática esta decisom depois de nom aceitar os resultados eleitorais e os desenvolvimentos no Curdistam sírio. No entanto, todo mundo deve saber que o AKP, que está a atacar tam fortemente com raiva sobre essa evoluiçom, nom tem poder para permanecem de pé. O governo quer voltar ao poder por meio da forças das armas, militares e policias, e querem ter sucesso sobre os curdos.

Diante do conceito de guerra total posta em prática, a única soluçom é a resistência total. Os povos e a sociedade da Turquia devem resistir a este ataque fascista que tem como alvo o Líder Apo, os guerrilheiros e as pessoas e políticas democráticas.

Devemos descobrir a nossa vontade democrática contra aqueles que tentam impor a sua própria vontade fascista, chauvinista e centralista em nós. Toda a sociedade, as forças democráticas, as ONG, as mulheres e os jovens devem manifestar a sua vontade democrática em todas as áreas e recusar as decisons dos governadores nomeados. Democracia significa auto-decisom, razom pola qual toda a sociedade deveria estabelecer as suas próprias administraçons locais.

Isso nom significa separatismo ou dividir o país. Isso é democracia e Autonomia Democrática que une as pessoas, ao contrário do fascismo e umha mentalidade monista que separa, divide, cousifica e exclue. Todos devem declarar a sua liberdade e revelar umha vontade democrática contra a vontade centralista fascista e os ataques com o objetivo de quebrar a nossa vontade.

Este é o único conflito existente e a única razom para um conflito. O monismo, a vontade fascista, chauvinista e ditatorial do AKP precisa ser quebrada polo estabelecimento de administraçons locais democráticas. Nom há necessidade de fazer qualquer outra coisa para conseguir isso, como conferências de imprensa ou declaraçons que nom servem de nada.

O povo e a sociedade quer auto-governo dentro da naçom democrática da Turquia. Eles nom som separatistas e eles nom estam envolvidos em um conflito com as forças estaduais. No entanto, eles estam naturalmente a defender-se em caso de um ataque ou intervençom do exército. No entanto, as pessoas devem resistir à polícia que os vai deter, e nom permitir qualquer tentativa de detençom. Todos devem defender os seus bairros, vilas e cidades. Devem manifestar a sua vontade e defender-se. Isto é o que significa luita. A luita sobre esta base irá revelar um efeito permanente e quebrar a vontade monista do fascismo do AKP, e as imposiçons do MHP, que vam, assim, eliminar as causas desta guerra.

Certo, a guerrilha está desempenhando um papel e o nosso líder Öcalan está resistindo, mas nom há outra resposta que poidamos dar ao fascismo do AKP do que desenvolver o nosso auto-governo democrático, fundando as nossas próprias assembléias e governar-nos a nós mesmos no nível local. Isto é o que significa Autonomia Democrática e auto-governo democrático.

Viver um dia livre é melhor do que viver como escravos sob tanta repressom. Eles dim que vam bater e destruir-nos, e eles podem fazer isso, que, no entanto, nom importa. Kemal Pir (fundador do PKK que morreu em umha greve de fome em 1982) também elogiou umha “vida livre” quando começou umha morte rápida na prisom. A sua atitude deve ser realizada em cada bairro, aldeia, vila e cidade. A liberdade deve ser declarada e defendida. Isto é o que precisa ser feito, e esta é a postura que deve ser adotada.

Publicado por ANF News e Kurdish Question.

Erdogan Sacrifíca a paz para consolidar o Seu próprio poder

erdoPor Yvo Fitzherbert

Temendo ganhos eleitorais curdos na Turquia e avanços militares na Síria, Erdogan empurra a guerra com o PKK para garantir o seu próprio futuro político.

Turquia intensificou a sua campanha contra o PKK no sábado, quando bombardeou a aldeia curda de Zergele no Curdistam iraquiano, matando polo menos seis civis e deslocando centos. Os ataques aéreos turcos tenhem como alvo posiçons do PKK nas suas bases nas montanhas do Curdistam iraquiano desde o 24 de julho em umha intensa ofensiva que fontes ligadas ao governo alega ter matado a 260 militantes do PKK até agora. Mas o bombardeio da vila de Zergele marca o primeiro ataque aéreo que têm como alvo civis no Iraque, e levou a umha análise mais profunda da nova política da Turquia contra os separatistas curdos.

Zergele, umha vila no alto na regiom de Qandil, tornou-se simbólica por umha razom completamente diferente. Em março de 2013, quando o PKK declarou um cesse-fogo e o processo de paz supostamente começou, Zergele foi a aldeia onde o PKK entregou os seus últimos prisioneiros turcos a umha delegaçom turca. Oito presos, seis deles soldados turcos, forom libertados como um gesto em direçom à paz. O comandante do PKK que estava encarregado de entregar os prisioneiros, Heval Dersim, dixo: “Hoje estamos entregando esses oito homens ao governo turco sob as ordens de Abdullah Öcalan, este é um gesto humanitário e prova da nossa boa vontade. em direçom à paz entre Ancara e nós. ”

Desde a trágica massacre de Suruç, que levou a vidas de 32 pessoas depois de um homem-bomba, ex-luitador do ISIS, a Turquia lançou um ataque frontal completo sobre a sua minoria curda. Nom só o bombardeio de bases do PKK foi retomada por primeira vez desde o Verao do 2011, mas umha repressom brutal de ativistas curdos e de esquerda tivo lugar em toda a Turquia, com o estado prendendo mais de 1.300 pessoas só na semana passada. As manifestaçons estam a ser reprimidas com brutalidade policial mais forte do habitual. Em muitos bairros, os manifestantes usarom as suas próprias armas de fogo para combater a polícia, e as mortes de ambos os lados tornaram-se comuns.

Juntamente com a prisom de ativistas de esquerda e curdos, a Turquia também tem como alvo algumhas suspeitas células do ISIS na Turquia, bem como bombardearom um número de posiçons ISIS em Jarablus no norte da Síria. Estes ataques aéreos prosseguirom o ataque contra posiçons do PKK, mas a escala das operaçons contra os militantes curdos mostram como a ofensiva contra o ISIS está sendo usado como umha cortina de fumaça para encobrir a repressom contra a resistência curda – na sociedade turca, bem como nas montanhas .

O PKK tem respondido aos recentes desenvolvimentos com os seus próprios ataques contra o Estado turco. Dous policiais forom mortos na cidade fronteiriça de Ceylanpinar um dia depois da massacre de Suruç e militantes do PKK atacarom um número de soldados, matando mais de umha dúzia. No domingo, um ataque suicida foi realizado em umha estaçom militar turca, onde três soldados forom mortos e 31 feridos. O PKK também assumiu a responsabilidade por atos de sabotagem contra um gasoduto em execuçom do Iram a Turquia, explodindo umha ponte perto de Erzurum, bem como atacando umha represa perto de Bitlis. Muitos temem que esta escalada do conflito marca um retorno à violência que caracterizou a vida na regiom curda da Turquia durante grande parte da década de 1990.

Erdogan acende os curdos

A decisom de Erdogan para quebrar o processo de paz com os curdos vem na parte de trás da sua derrota nas últimas eleiçons. Por primeira vez desde que surgiu como partido do governo do país em 2002, o AKP caiu 18 lugares da maioria. O inimigo do AKP ao longo da campanha foi o pró-curdo Partido da Democracia Popular (HDP), que conseguiu passar o limiar do 10 por cento necessário para entrar no parlamento, tendo o 13 por cento dos votos nacionais.

Como os eleitores conservadores curdos no sudeste da Turquia mudarom o seu apoio do AKP para o HDP en masse, Erdogan perdeu muitos deputados. O papel instrumental do HDP bloquea a possibiidade de Erdogan para a maioria absoluta – o que lhe teria permitido umha reforma constitucional para aumentar os seus poderes – irritou muito o presidente, e Erdogan parece determinado a vingar-se.

A razom para esta queda em apoio curdo para Erdogan decorre tanto na sua incapacidade para fazer avançar o processo de paz, bem como as suas políticas dúbias na Síria. Em outubro, Erdogan fixo um discurso infame no qual declarou que “Kobane está prestes a cair.” Isto levou a protestos em massa em toda as áreas curdas da Turquia, resultando em dúzias de mortes e, eventualmente, forçando a Erdogan a permitir que os Peshmergas curdo iraquianos usaram o território turco para entrar em Kobane e apoiar as milícias sírio-curdas das YPG/YPJ na defesa da cidade.

Erdogan nunca estivo cómodo com a autonomia curda que vem ganhando força no norte da Síria. Como oponente do presidente Assad, forneceu um apoio significativo a várias forças de oposiçom islâmicas e seculares na Síria e permitiu o ISIS realizar atividades dentro Turquia e atravessar as suas fronteiras para contrabandear petróleo e luitadores.

Quando as YPG / YPJ conseguiro umha vitória importante em junho, assumindo a cidade fronteiriça de Tel Abyad do ISIS, Erdogan reagiu com irritaçom e anunciou que “Nós nunca permitiremos o estabelecimento de um estado no norte da Síria e o nosso sul. Continuaremos a combate-lo, nom importa os custos. nom vamos fechar os olhos a isso. “Essa reaçom mostra como Erdogan tem sido sempre muito mais confortável com o território controlado polo ISIS, na fronteira turca do que com a experiência da autonomia curda.

E assim, quando os EUA começarom a trabalhar em estreita colaboraçom com as forças das YPG/YPJ no Curdistam sírio, a regiom curda controlada no norte da Síria, a inquietude de Erdogan sobre a situaçom ficou ainda mais forte. Por meio de um acordo com os EUA, dando aos americanos o acesso as suas bases aéreas e permitindo capacidades muito maiores para a força aérea dos Estados Unidos sobre o espaço aéreo turco, Erdogan aproveitou a oportunidade para colocar um control sobre os recentes avanços curdos.

Deter o impulso do HDP

Esses avanços curdos coincidirom com o sucesso do HDP para unir o movimento curdo com um número crescente de eleitores turcos, liberais, bem como de esquerdas. Umha vez que o principal partido da oposiçom, CHP, está muito ligado às velhas elites kemalistas, que som adversários ferrenhos dos direitos dos curdos, o HDP conseguiu atrair os eleitores de várias origens em um bilhete de inclusom e reconhecimento das minorias. Essa tática pagou claramente fora, permitindo que o HDP garantir 80 deputadas nas últimas eleiçons.

Além bloquear os grandes planos de Erdogan de maiores poderes presidenciais, o sucesso do HDP também representa um novo desenvolvimento na política turca: o reconhecimento das falhas do nacionalismo turco e um desejo de mudança dentro da identidade nacional turca. O partido em si foi aprovado por Abdullah Ocalan, que declarou o HDP ” é o herdeiro do legado histórico da luita revolucionária”, e que há muito argumentou que a luita pola autonomia democrática nom se limita aos curdos.

A crescente popularidade do HDP, estimulado polo charme sedutor do seu co-presidente Salahattin Demirtas, foi umha das principais razons polas que Erdogan deu as costas o processo de paz com o PKK. Em março, vários representantes do HDP e AKP reunirom-se para anunciar o acordo de Dolmabahce, que foi concebido para dar início a umha nova fase de negociaçons com um comité de monitorizaçom independente. No entanto, imediatamente após o anúncio, Erdogan rejeitou o acordo e afirmou que “nom há nengum problema curdo”.

Em umha recente entrevista, Demirtas afirmou que a razom pola que Erdogan denunciou o Acordo de Dolmabahce, apesar de o ter apoiado até aquel momento, era porque foi informado por pesquisadores de opiniom da crescente popularidade do HDP. Como resultado, el assumiu umha retórica mais nacionalista na liderança até as eleiçons, na esperança de ganhar assim votos nacionalistas.

O feito de que essa tática falhou maciçamente levou a Erdogan em busca de vingança contra o HDP. Para o presidente sedento de poder, o processo de paz foi sempre umha forma de garantir, obter e proteger a sua base de apoio curda. El parecia acreditar que, investindo no desenvolvimento da regiom curda, ao lado de um acordo de paz favorável, el afirmaria lentamente a posiçom do AKP como a força dominante entre os eleitores curdos.

No entanto, a crescente popularidade do HDP, devastou a grande visom de Erdogan para as regions curdas. Neste sentido, o mais recente ataque ao PKK e os ativistas curdos de modo mais geral é o resultado da posiçom enfraquecida de Erdogan. Para o presidente, existem poucos incentivos para retomar as negociaçons de paz com o PKK, umha vez que sente que nom precisa mais proteger a sua base de apoio curda. Em vez disso, el está esperando que, ao retomar o conflito com o PKK, el poda angariar umha febre nacionalista que vaia ganhar o apoio suficiente nas eleiçons seguintes, que el poderia, em teoria anunciar ainda para este ano.

CurdinhosO movimento curdo resposta

A recente repressom contra os curdos dentro da Turquia é definitivamente um grande passo para trás para um processo de paz desejado por muitas pessoas em toda Turquia. O PKK respondeu com umha série de ataques contra o Estado turco e as suas forças de segurança. Todo começou com um grupo filiado matando dous policiais em Ceylanpinar, mas, desde entom, militantes do PKK tiverom como alvo um número de alvos diferentes. Desde o 25 de julho, o PKK lançou três ataques em Diyarbakir e muitos mais em toda a regiom curda. A maioria dos seus alvos forom forças das unidades especiais do exército turco.

As retaliaçons começarom com um ataque em Ceylanpinar, para o qual o PKK curiosamente negou qualquer responsabilidade. Em vez disso, acredita-se que as YDG-H realizarom o ataque. As YDG-H som umha organizaçom relativamente nova de jovens curdos em várias cidades da Turquia que estam associados a militantes do PKK nas montanhas Qandil. Quando Qandil e Demirtas chamarom os curdos para a rua em outubro do ano passado para protestar contra as declaraçons de Erdogan sobre a queda iminente de Kobane, forom as YDG-H, quem assumirom a liderança. Os seus membros foram às ruas com armas de fogo e luitarom contra o Hezbollah curdo, umha organizaçom islâmica que foi inicialmente criada e apoiada polo governo para combater o PKK na década de 1990.

Ao contrário do passado mês de Outubro, Demirtas resistiu ao impulso de chamar para protestos na rua, e, em vez disso exigiu que o governo turco e o PKK “silenciaram as suas armas.” Demirtas sabe que el nom pode controlar as YDG-H, e por isso está exortando a Turquia a evitar um retorno a um cenário de guerra civil. Se a Turquia é empurrada para a guerra civil, o HDP pode muito bem encontrar-se incapaz de agir. As YDG-H poderam estar afiliadas com o mais amplo movimento curdo, mas eles também som umha organizaçom autónoma por direito próprio.

Na década de 1990, os curdos estavam com tanto medo do Estado turco, que nom ousavam falar a sua própria língua nas ruas. Em parte devido ao aumento bem sucedido do HDP como umha força central na vida política turca, tais receios forom agora substituídos com um sentimento de orgulho do que o movimento curdo conseguiu em 25 anos. E se Erdogan continua a insistir em sacrificar o processo de paz por consolidar o seu próprio poder, jovens e irados curdos como os da YDG-H estarám prontos para luitar.

Yvo Fitzherbert é um jornalista freelance que vive em Istambul, concentra-se na política turca e curda. Escreve para diferentes publicaçons. Pode-se seguer no Twitter em @yvofitz.

Publicado originalmente em RoarMag e logo em Kurdish Question e traduzido com o consentimento do autor.

Selahattin Demirtaş, co-presidente do HDP, revela detalhes do processo de paz

Artigo DermitasPor Ezgi Başaran

A recusa do governo de fornecer garantias legais para a retirada do PKK, juntamente com a construçom de fortificaçons militares, terminarom com o cesse-fogo na Turquia, dixo o co-presidente do HDP.

O processo de resoluçom começou com a carta do líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK) Abdullah Öcalan que foi lida durante o Nevruz em Diyarbakir no 2013, dizendo: “A era da luita armada terminou.” Esse processo chegou agora a umha grave paralisaçom. Nos últimos 10 dias, ocorreu a massacre Suruç. Em seguida, o PKK executou policias em duas cidades e a Turquia organizou operaçons aéreas dirigidas, tanto contra Kandil, a área montanhosa do outro lado da fronteira, onde estam os acampamentos da guerrilha, como o Estado Islâmico do Iraque e Levante (ISIL) na Síria. Há um sério estado de guerra no país. Todo o mundo tem uma cronologia e/ou uma afirmaçom sobre como chegamos a este estágio.

Todos estavamos esperando que falara sobre o problema curdo, o co-prediente do Partido Democrático dos Povos (HDP), Selahattin Demirtaş, depois de permanecer em silêncio o último par de dias. Que diria, como ageria? Perguntei a Demirtaş sobre todas as alegaçons; el compartilhou conosco alguns detalhes que nunca antes tinha falado. Eu acredito que esta é uma entrevista histórica em muitos aspectos, e toda a Turquia deveria lê-la atentamente.

Todo mundo tem umha cronologia diferente do “processo de resoluçom”e de como o cesse-fogo terminou e quem deixou a mesa de negociaçom em primeiro lugar. Qual é a sua?

O período de 2013 até hoje tem sido a época de preparaçom para o Acordo de Dolmabahçe; era o seu prelúdio. Por uma questom de fato, deve-se analisar a forma como o acordo de Dolmabahçe foi preparado.

Antes disso, havia umha das peças-chave do processo, a questom da retirada de membros do PKK da Turquia. O primeiro-ministro tem enfatizado nesso nas suas declaraçons o último par de dias. Ele dixo que o lado curdo nom se retiraram; que eles nom mantiveram as suas promessas. Que aconteceu durante o período de retirada, poderia dizer e lembrar-nos os seus detalhes?

No início das negociaçons Imrali nas que eu também participei, Öcalan pensava que a retirada deveria ser muito rápido. El dixo: “Este asunto nom deve ser prolongado. Fizemos um acordo com o estado e eles vam fazer a lei sobre a retirada. Devemos fazer a retirada rapidamente de modo que nom houvera quaisquer provocaçom. Fizemos um acordo com a delegaçom estadual. A lei será emitida em muito breve, em qualquer momento. ”

Qual era o significado desta lei?

Deixe-me explicar-lo desta forma … Há pessoas armadas nas montanhas, nom é? Retirada significa que essas pessoas vam passar por povos, vilas e cidades para chegar a outros lugares. Bem, que faram as forças de segurança que vêem a essas pessoas? Que farám o juiz, procurador, governador de distrito ou governador? Será que eles vam olhar para outro lado; que vai acontecer se nom o figeream? E se eles som questionados no futuro, dizendo: “pessoas armadas passaram frente de vostedes; por que nom interviu? “Exatamente por essas razons deve haver umha lei que abrange a retirada. E o estado prometeu que faria a lei.

Quem o fixo prometer, Öcalan?

Sim. Também, depois de voltar de Imrali, realizou-se umha reuniom com a delegaçom estadual. Nós dixemos-lhes: “Concordachedes em Imrali que a tal lei de retirada seria aprovada.” Eles confirmarom. Após isso, fomos conversar com o ministro de Justiça da época, Sadullah Ergin. El dixo-nos: “Agora, no quarto do lado, os nossos especialistas estam trabalhando na lei.” Eu dixem-lhe: “Os nossos especialistas estam também a trabalhar. Vamos apresentar os textos preparados para o parlamento como o direito de retirada. “Note-se que, naquela época, Öcalan nom insistiu que esta retirada armada devia percorrer todo o caminho para Kandil. El também sugeriu que todos os grupos se reuniriam em um lugar dentro das fronteiras da Turquia. A razom para isso é que el foi concebida como tal: Nom haveria outra lei emitida entretanto e a gente das montanhas desceria [para integrar-se na sociedade].

Muitos esforços, mas nengumha lei

Onde estava o ponto de quebra nesta fase?

Eu estou compartilhando todos os detalhes para que o nosso povo o conheça. Depois de falar com o ministro da Justiça Ergin, fomos para Kandil. Digemos-lhes que tanto o ministério e nós mesmos estavamos trabalhando [na lei]. Sobre esta [o comandante do PKK] Murat Karayılan dixo: “Nós decidimos a retirada. Assim que a lei está fora, vamos começar a retirara e concluí-la da maneira mais rápida possível. “No período seguinte, o ministro da Justiça Sadullah Ergin trabalhou duro e exerceu intensos esforços para aprovar a lei, mas foi bloqueado polo entom primeiro-Ministro Erdoğan. El dixo: “Nom há nengumha lei ou semelhante.” Sobre esta, a crise eclodiu. Voltamos para Kandil; a delegaçom do Estado foi para Imrali. O Sr. Öcalan explicou os riscos de cancelamento sem um quadro jurídico, mas mais tarde compreendi que esta lei nom iria passar. Diante disso, na próxima reuniom, Abdullah Öcalan, dixo: “Nós nom poderíamos fazê-los compreender o significado desta lei, embora eles figeram umha promessa. E, no entanto, querem que aconteça a retirada. “Mais tarde, Erdoğan dixo:” Deixe-os enterrar as suas armas e retirar-se. “Mas nom há nengumha lei ou qualquer cousa. Quem vai enterrar as armas? Onde? Como vam enterrá-las? Com esta crise, a retirada prosseguiu por 45 dias. Por uma questom de feito, de acordo com o acordo, a lei teria saido imediatamente e toda a retirada teria concluído no prazo de 45 dias.

Em seguida, a retirada começou com os meios de comunicaçom autorizados para testemunhar umha parte dela, mas nom foi concluída, é assim?

Mesmo que Kandil considerou como muito arriscado, começou, nas palavras de Öcalan “começar de qualquer maneira.” Houvo um cronograma estimado para todas as forças na Turquia para recolher e retirar-se. Calculou-se a cerca de três meses. Eu leveiei esta projeçom de tempo para o governo. Eles digerom que estavam satisfeitos. Foi apenas um par de dias para o início da retirada que o porta-voz do governo Bülent Arınç, dixo depois de umha pergunta durante umha conferência de imprensa: “Eles podem ir para o inferno. Deixe-os retirar, tanto quanto eles queiram. “Esta declaraçom tivo um efeito chocante em Kandil. Eu, pessoalmente, testemunhei isso, porque nesses momentos eu também estava freqüentando as montanhas.

Surpresa em Kandil

Foram as palavras de Arınç um problema em Kandil?

Estou-che dizendo isso com toda a minha sinceridade; eles ficaram chocados. A razom é que eles tinham começado a retirada, enquanto nom havia nenguhma lei à vista, contando apenas com as palavras de Öcalan de “Vamos retirarnos a de qualquer maneira; imediatamente depois haverá umha resoluçom. “Eles já estavam muito desconfortáveis e inseguros. Mesmo que reagiram muito ferozmente a esta declaraçom, eles nom pararom o processo. Mas, depois, foi isso que sempre foi discutido em Kandil e durante outras visitas regionais: “Nessas áreas guerrilheiras que nós abandonamos, começaram rapidamente a construçom de fortificaçons, os chamados ‘kalekol’. Umha vez que vai haver paz, umha vez que estamos descendo das montanhas, porque é que há umha necessidade de kalekols no meio destas montanhas? ”

O primeiro-ministro, por outro lado está dizendo que é natural que o Estado construa represas e delegacias de polícia. Qual é a verdadeira questom aqui?

Sim, o primeiro-ministro nom entende isso; Eu quero explicar. O que eles estam construindo nom é para fins de irrigaçom ou de energia. É umha represa militar. É umha barragem construída para impeder os guerrilheiros de passar por montanhas e pradarias; eles enchem as terras baixas com água. As estradas militares construídas no alto da montanha; nom som auto-estradas duplas.

No entanto, Kandil já o sabia e estava reclamando pola construçom dessas represas e kalekols desde o início do processo. Mas, apesar disso o processo prosseguiu. Por que este problema é trazido novamente?

Tornaram-se em um problema, mais umha vez durante a retirada. Ele foi criado como este, em particular com a construçom de estradas concretas sobre picos de montanha para os veículos militares passar através da zona fronteiriça. Kandil interpretou-no como, “Estamos retirando-nos mas se o estado está construindo isso, entom eles nom tenhem a intençom da paz. Vamos retirar e eles vam começar a guerra. ” Estes debates levarom a que “a retirada deve ser retardada” discutira-se em Kandil. Transmitimos esta situaçom directamente ao governo. A resistência do Parque Gezi coincidiu com este período. A reaçom do governo contra a juventude no Gezi aumentou ainda mais a desconfiança no lado curdo. Eles digerom: “Pode um governo agir desta forma e querer a paz com nós?”

“Erdoğan irritado com o processo pola diminuiçom de votos do AKP”

Naquela época, havia umha declaraçom de Öcalan sobre a necessidade de compreender melhor os incidentes de Gezi …

Na verdade, mesmo antes de Öcalan fazer essa declaraçom, Kandil já tinha colocado os freios sobre a retirada. Entom Öcalan reforçou a sua posiçom, dizendo: “Na verdade, a retirada nom pode continuar em tal estado.” Esta é a história da retirada. Sem examinar os detalhes do que prometeu o quê a quem e quem nom mantivo a sua promessa, com destaque para os incidentes é a distorçom.

Que teria acontecido se a lei de retirada que menciona-che fosse emitida?

Sabe o que o Sr. Öcalan dizia? “Com caminhons e auto-carros, os guerrilheiros seram transportados para um ponto de umha forma muito rápida e vamos iniciar as negociaçons o mais rapidamente possível.” Isso era o que el imaginava. Por esta razom, el dizia: “Eu estou com raiva quando Murat Karayılan me di este asunto vai durar três meses; porque tem que ser muito rápido, porque é assim que nós conversamos sobre isso com o Estado. “Se o governo mantivera a sua promessa, se as guerrilhas do PKK tiveram sido transportados com autocarros e camions, em seguida, a retirada teria terminado, provavelmente o período de desarmamento teria começado. É evidente que nom se fixo a lei.

Bem, nom poderia o processo de retirada, que começou sem quaisquer garantias legais, continuar de umha forma ou de outra?

Este feito nom é umha decisom que o HDP poderia fazer, mas um processo tam delicado nom admite tal violaçom de um acordo ou tal desconfiança.

Se a oferta quebrou naquel momento, qual foi o acordo alcançado em Dolmabahçe?

Agora, vamos chegar a esse ponto … Nós encontramos-nos para esse acordo; Tudo foi preparado porque na verdade a maior parte da retirada tinha sido completada. Caso contrário, teria sido possível? Um pequeno grupo de membros do PKK tinha permanecido dentro da Turquia. O governo sabia disso muito bem. Eles nom figerom umha questom dos remanescente [combatentes], porque a maior parte da retirada estava concluída. E as conversas continuarom. O governo, nesse ponto, nom dixo, “Nom imos negociar até que a retirada estexa ao 100 por cento concluída.” As delegaçons iam e voltavam de Imrali.

Que foi dito em Imrali nos dias e semanas que antecederam ao acordo Dolmabahçe?

Essas promessas foram feitas em Imrali: Grandes delegaçons, jornalistas, outros políticos, além disso representantes de Kandil viriam a visitar a Öcalan.

Quem di isso?

A delegaçom do Estado que se reuniu Öcalan. Enquanto isso, trouxemos tudo o que falamos em Imrali a Ancara e sempre confirmamos. Nós digemos-lhes: “Digeschedes isto e isso. Nós escrivimo-lo na acta. Estas actas também foram copiadas para Kandil. A equipe de campo em Kandil aceitariam que um acordo foi feito sobre este assunto ? Confirma-lo? “Eles digerom:” Sim, nós confirmamos? “- Tanto o ministério como a delegaçom do estado.

Textos da declaraçom Dolmabahçe

Enquanto isso, durante todo este período do diálogo, dizia-se que Öcalan digera à delegaçom do HDP muitas vezes que el confiou na delegaçom do Estado e os esforços de encontrar soluçons do subsecretário [Hakan Fidan] daOrganizaçom Nacional de Inteligência (MIT). Isso é verdade?

Afirmativo. A delegaçom do Estado que também incluia o MIT dixo: “Figemos um acordo, mas os políticos tenhem outras preocupaçons, nom fomos capazes de convencê-los.” Mas em cada matéria, o que Öcalan digera que tinham acordado em Imrali; confirmou-se com Ancara depois. Informamos a Kandil deles. A delegaçom do HDP exerceu inúmeros esforços para construir a confiança entre Ancara, Kandil e Imrali.

Na delegaçom do monitoramento que foi anunciada em Dolmabahçe, forom principalmente os jornalistas e políticos pró-governo. Eles foram para visitar Imrali. Por que estava o presidente irritado com esta formaçom?

Está claro perguntando sobre o que se viu, mas quando olhas para o desenvolvimento dos eventos, entenderia que o que ele estava com raiva nom da delegaçom de monitorizaçom ou das palavras dos acordos.

O presidente nom dixo, na reuniom do seguimento do acordo de Dolmabahçe, que el nom aprovava isso? Tampouco dixo que nom fazia sentido em formar um delegaçom de monitoramento.

A cronologia aqui e o processo que ocorreu levando a essa reuniom som muito importantes. Vou precisar e entrar em detalhes para que o público o entenda.

Enquanto eu estava no Canadá – foi no início de fevereiro – a nossa delegaçom de Imrali chamou-me para dizer que acordaram um texto que para apresentar ao governo. Eles enviarom-mo também. Eu aprovei-no. Entom este texto foi para o governo; revisarom-lo. Eles digerom-nos que era inaceitável e sugerirom um outro texto. No entanto, nesse texto, havia apenas desejos e expectativas do governo. E nom era o texto discutido em Imrali.

Era muito diferente?

Era muito diferente. O texto que preparamos continha os capítulos necessários para as negociaçons, bem como umha chamada o desarmamento. No deles, havia apenas umha chamada para o desarmamento; nengumha negociaçom. Eu digem-lhes exactamente a eles: “Nós também queremos que o PKK deponha as armas, mas isso nom vai acontecer de esta maneira. Nom devemos de enganar o PKK ou Öcalan. Nom vamos construir desconfiança. Kandil diria de onde veu isso? Em seguida, todo o processo seria quebrado. Diante disso, enviamos a nossa delegaçom para Kandil para transmitir o texto do governo. Kandil dixo: “Nom, isso nom é o que foi discutido em Imrali. Nós também temos as actas. Se essa chamada é feita, nós nom a cumpriremos. “A nossa delegaçom contou tudo isso ao governo. Nós digemos: “Vamos preparar um texto que todo mundo poida aceitar.” Sobre esta, a nossa delegaçom e à delegaçom estadual forom para Imrali juntas.

Fornecerom informaçons sobre os dous textos?

Claro. Mostramos ambos textos. Diante disso, Öcalan sugeriu o texto do acordo anunciado em Dolmabahçe o 28 de fevereiro. Diante disso, as autoridades do governo reunirom-se com o presidente.

Tem certeza disso?

Claro. “Este é o texto”, digerom-lhe o presidente e receberom a sua aprovaçom. Decidiu-se que a divulgaçom do evento seria feita em Dolmabahçe. Tudo isso prolongou o anúncio 22 dias. Porque esta crise do texto foi em esse tempo. Agora, o presidente ou o primeiro-ministro está dizendo, “Öcalan fixo umha chamada para depor as armas, mas o HDP impediu-no.” Eles baseiam os seus argumentos sobre as referências a esta crise do texto.

“Eles queriam que nós enganaramos o PKK e Imrali”

Poderia explica-lo melhor?

Eles referem-se à parte em que nós nom aceitamos o seu texto. Por uma questom de feito, na verdade, naquel momento, essencialmente exigiram que enganaramos a Öcalan e o PKK. Nós digemos-lhes: “Se fazemos isso, o processo ficará danificado em uma extensom enorme, e imos ter que começar tudo de novo.” Isto é o que realmente irritou o AKP.

Apesar de tudo isso, o anúncio de Dolmabahçe foi feito.

Cada etapa, incluindo o mapa de lugares – todo foi aprovado polo presidente. O presidente resolveu a crise dos lugares. El estava envolvido no processo. Em seguida, el dixo o seguinte: “Este é um anúncio que estavamos esperando por um longo tempo. É tarde, mas um motivo para se alegrar. “Em outras palavras, a sua declaraçom inicial nom era como” Eu nom aceito isso. “Isso sempre passou despercebido. Do que el nom gosta na demonstraçom inicial foi a afirmaçom que fixo; caso contrário, el nom expressou qualquer problema com o acordo. El nom dixo que o cenário estava errado ou que o acordo era errado.

Que aconteceu depois para que el nom o aprovara?

El viu durante o tempo entre esta declaraçom inicial e a declaraçom “Eu nom o aprovo” que os votos do AKP nom tinham aumentado, na verdade, eles caíram, mas os votos do HDP foram aumentando. As Empresas de pesquisas fornecerom esta informaçom.

Como sabe isso?

Nós aprendemos a partir de dentro, de dentro do AKP. O presidente dixo exatamente isso: “Por que estamos envolvidos neste caso nom há nengum benefício nel para nós?” E começou a ser ouvido o rosmar no interior do AKP, mas eles estam centradas no presidente. El nom se reflecte muito do lado de fora, mas as nossas delegaçons estam em contacto umhas com as outras. O acordo era que o entraria em vigor e, em seguida, umha convençom sobre armas seria realizada. A sua expectativa, por outro lado, evoluiu em idéias de que Kandil iria realizar a convençom imediatamente e anunciar o desarmamento.

Qual foi o acordo original?

Uma grande mesa constituida em Imrali. A nossa delegaçom, a delegaçom estadual e observadores forom falar e discutir e, no mesmo dia, Öcalan chamaria para o desarmamento. Imrali disse OK a isso. Tudo isso ia ser realizado exatamente umha semana após o acordo de Dolmabahçe. Interpusemos os nossos peidos para ir a Imrali, para os observadores ir a Imrali, mas o lado do governo começou a dizer-nos que havia um problema. que problema? Nós encontramos-nos e conversamos publicamente; existiam expectativas. Que aconteceu? Mais tarde compreendi que Erdoğan tinha dito que nom poderia haver uma delegaçom de monitoramento ou algo assim. Como um assunto de feito, até mesmo os nomes foram esclarecidos. Imediatamente após isso, em qualquer caso, o presidente respondeu a umha pergunta prantexada, dizendo: “Eu nom aprovo o acordo de Dolmabahçe.”

Que tipo de contribuiçom fixo Hakan Fidan e o MIT neste momento? Alguma vez falou com eles?

Como parte da delegaçom estadual, mantivemos conversaçons constantes com o Gabinete do Subsecretário do MIT e a Subsecretaria de Ordem e Segurança Pública. Eles figerom promessas como a delegaçom do Estado, que o governo confirmou, mas tudo foi rejeitado de repente. Isto é exatamente o que aconteceu. Eles devem responder por si mesmos qual foi a razom exata. Eu estou explicando todo isso sem adiçom ou subtraçom. Os eventos ocorrerom exatamente assim.

“Existem controvérsias com Kandil”

Chegamos a umha perspectiva diferente do problema. Após o grande sucesso eleitoral do HDP, houvo várias declaraçons de Kandil. Em primeiro lugar, eles nom gostam da expressom “votos confiados”, em seguida, eles consideravam o HDP como passivo. Mais tarde, sobre o que aponta à Öcalan como o diretor do processo de paz, eles usarom o argumento de que “é apolítico.” Em nengum momento mencionarom o seu sucesso como Demirtaş. Qual é a posiçom de Kandil e que di respeito à HDP ou Demirtaş?

Nom há problemas pessoais entre Kandil e eu. Mas nós nom pensamos o mesmo sobre todas as questons. Nom temos que faze-lo. Eu som o co-presidente do HDP, eles som os co-presidentes do KCK. Claro, o KCK é um enorme movimento efetivo no Médio Oriente, Iram, Iraque e Síria. É natural para eles interpretar os acontecimentos políticos na Turquia. Som as suas ideias; nom ordens para nós.

Onde discorda?

Por exemplo, o HDP abriu um âmbito político significativo. Esta área política é uma caminhada incompleta. Assim, a sociedade turca deu o HDP umha grande oportunidade. O que vamos fazer com esta oportunidade irá determinar se o HDP vai encolher ou crescer. Assim, o processo do HDP nom está completo; o seu potencial é além disso. El tem o espírito de um partido no poder.

Bem, como vam alcançar este potencial na realidade?

Através do estabelecimento da paz, mantendo o estado “livre de combates”; sendo coerentes na nossa posiçom sobre esta matéria e dando mensagens íntegros, continuando a defender as mensagens que transmitimos antes das eleiçons. O HDP nom é um partido eleitoral; é um movimento permanente. A sua longa caminhada terá a sua marca na política turca. Assim, as chamadas à paz do HDP, chamadas ao desarmamento, sugestons sobre os métodos som parte da sua missom e papel. Isto nom é apolitico; é o núcleo da política. Estes som os meus pensamentos sobre o assunto.

Que papel pensas que Öcalan deve ter ?

Deve conduzir as negociaçons. Isto nom é uma pressom ou fardo sobre Öcalan. Cabe à Kandil de qualquer maneira tomar a decisom final sobre o desarmamento. Öcalan é o único na posiçom para fazer a chamada. El está dizendo o mesmo. No entanto, as chamadas o desarmamento durante um processo de negociaçom nom incluindo a Öcalan nom seria funcional. Kandil deve aproximar-se mais a questons democráticas da Turquia. Isto é o que eu acho.

Lógica interna de guerra

Por que forom assassinados os policias em Diyarbakir e Adıyaman?

A guerra e o combate tenhem umha lógica interna que os civis nom compreendemos. Se nom tomamos parte da lógica interna da guerra, parece dolorosa e sem sentido para nós, entom nós nom imos ser capazes de parar as mortes. Como umha pessoa envolvida em política civil, nom podo responder à pergunta por que eles forom mortos. Nom deveriam ter sido mortos. Ninguém deve ser morto. Na nossa lógica interna, no nosso mundo político civil, nom podes explicar umha cousa dessas. Eu nom encontro um motivo ou justificaçom.

Que vai dizer entom? Que nom consegue compreender?

Nom, eu nom estou dizendo que nom podemos compreender. Dentro da lógica da guerra, há uma consistência no que o Estado está fazendo e o que o PKK está fazendo. Parece sem sentido para nós, mas devemos ter essa realidade em consideraçom.

Antes que os policias foram mortos em Diyarbakir, Kandil nom tinha sido bombardeada ainda…

Já expressei que nom o aceitava de modo algum. Eu transmitim as minhas condolências; Eu teria dito que aqueles policias mortos eram filhos pobres deste povo. Nós nom temos nengumha vacilaçom sobre este assunto. Como podemos agir como o [vice-primeiro-ministro] Bülent Arınç diante da morte? Para nós, o uniforme que a pessoa morta está vestindo nom é a sua identidade política; nom há nenhum significado para el. Se eu tinha a certeza de que nom haveria provocaçons, eu teria comparecido ao funeral do policia. Eu teria visitado a sua família, teria pago os meus respeitos a essas pessoas. Quero dizer, que diferença há da minha mae? Olhe as fotos, olhe para as imagens. Eles som os mesmos. Seus irmams som como meus irmams. Seus filhos som como os meus filhos. Como podes discriminar as pessoas desta terra? Mas a maneira de parar isto nom é condenar, censurar e, em seguida, sentar-se no seu assento. A única maneira é uma negociaçom séria. Caso contrário, este asunto nom vai chegar a um fim. Vamos viver essas dores outra vez. Estamos abafados.

Se eu digera que a posiçom que vai adoptar HDP é tam importante como nunca antes o foi, concorda comigo?

A nossa política de paz nom está orientada à expiaçom, que é orientada os resultados. Nós nom engana a gente; nom temos essa intençom. Nós nom queremos dar mensagens bonitas e, em seguida, fazer outras coisas por trás. Nós nom o figemos e nom o faremos. Queremos estar de forma permanente e eficaz. O caminho para isso é conciliar os lados conflitantes, tornando-os sentar à mesa. Se o público está esperando que o HDP desempenhe um papel pacífico, eles devem entender a nossa posiçom. É uma posiçom valiosa para todos. Somos o único partido no mundo que pode falar com Ancara, Kandil e Imrali. O Povo da Turquia deve ver esse papel funcional do HDP. Estamos fazendo um trabalho prático. Caso contrário, se o HDP emite demonstraçons populares manhá, a tarde e à noite, nós nom obteriamos resultados práticos. Nós queremos fazer cousas para parar as mortes. As maes daqueles da montanha e as maes dos soldados tambêm desejam isso de nós.

O voto da mae curda pola paz

Davutoglu dixo: “Já nom imos ir a Imrali mais. Eles podem falar com quem queiram falar e fazê-los depor as armas. “Como planeja continuar?

Que pode dizer o HDP neste momento? Se formos para Kandil, que lhes vamos dizer? Vamos dizer-lhes que se rendam?

Pode ser que algumhas cousas como “Deixem as armas; agora é a hora da política civil “, como dixo Öcalan, espera-se de vostede?

Öcalan já dixo que estava pronto para fazer essa chamada. É o governo que tem deixado as conversaçons inacabadas. Estavam a espera que fora feito em troca de negociaçons. Todos esses assuntos estavam acordados; por que eles desistirom? Por que é Dolmabahçe errado? Nom houvo ato ilegal, imoral feito lá. Nós nom negociamos propostas estaduais. Fizemos um acordo sagrado para a paz na sociedade. Por que nom continuar? Até mesmo os ministros do gabinete na foto Dolmabahçe nom o defendêm. Por quê? Todo o mundo está em silêncio. Quando a situaçom é assim, como podemos proceder como HDP? Nom temos armas; eles nom estam sob o nosso control.

O presidente di que tedes um laço inorgânico …

Eu nom sei o que el quere dizer. Somos umha organizaçom diferente; o PKK é diferente. Nós nom temos nengumha relaçom superior-inferior com o PKK nem temos qualquer vínculo de agir em conjunto. Nós tornamos-nos em facilitadores durante o processo de reconciliaçom. Tornamo-nos mediadores ao longo do tempo; às vezes nós tornamos-nos em agentes de resoluçom das crises.

Em várias fases do processo de reconciliaçom, o governo dixo que Öcalan tinha umha percepçom correta dos incidentes, mas nom foi capaz de influenciar Kandil ou por causa das suas duras declaraçons, el estava tendo problemas. Qual é a verdade?

Sim, análises e vontade política de Öcalan som muito poderosos. Há muitas coisas que el pode fazer em termos da paz. Mas agora, as reunions com Öcalan terminarom. Por que está em isolamento desde há quatro meses? Eu acho que eles querem tratar a Öcalan como refém e Kandil e Öcalan nom aceitam isso. Eu podo ver isso.

Tendo em consideraçom os assassinatos dos policias, devemos dizer que há umha mudança na estratégia do PKK na Turquia? Porque Duran Kalkan [comandante do PKK] falou de umha “nova luita” há três dias …

Os pontos revelados por Öcalan em 2013 durante o Nevruz foi um ponto de ruptura estratégica. De acordo com estes pontos, o que precisava ser feito era a criaçom de umha aliança com a Turquia. Eu nom acho que esta estratégia mudara porque contém umha referência ideológica no seu núcleo. Nom é umha estratégia que proteja a conjuntura ou interesses sazonais. Desde 1997, antes que el foi levado para Imrali, Öcalan estivo sistematicamente dizendo isso. A chamada do Nevruz de 2013 nom foi feita durante a noite e isso nom vai mudar nos dias de hoje. É por isso que el nos dixo, nom desperdiçá-la por interesses eleitorais sazonais. Para Kandil, a sua posiçom estratégica nom vai mudar.

Quais som os seus planos como HDP agora?

Toda a Turquia paga o preço da guerra; de todos os lados os mortos venhem. Devemos fazer umha chamada de imediato a ambos os lados que combatem. Queremos forçar a ambos os lados, porque o direito a paz é um direito humano. Os meios nom devem voltar a fábricar a guerra. Eles devem criticar os nossos defeitos, mas eles nom devem desistir da linguagem da paz. As nossas declaraçons nom devem ser interpretadas como proteger o PKK ou batendo no governo. Precisamos de apoio. Sabemos que muitas pessoas dentro do AKP também querem a paz. Eles devem levantar as suas vozes também.

Aumentaches os votos do HDP nas eleiçons presidenciais e, em seguida, nas eleiçons gerais, mesmo ultrapassado essa taxa. Acha que os mais recentes desenvolvimentos criarom decepçom nas pessoas que o votarom?

Som as manipulaçons do AKP quem fixo isso. Nengumha das mortes som responsabilidade do HDP. Umha atmosfera caótica foi desejada enquanto as eleiçons antecipadas estavam se aproximando de modo que as pessoas iriam dizer que só o AKP é capaz de proporcionar estabilidade e segurança.

Mas a imensa maioria tem umha lógica a frente: “O PKK matou os policias. O HDP reúne-se com o PKK. Assim, el deve corrigir isso. “Pode haver erros, mas acha que isso é irracional que essa lógica está-se tornando mais generalizada?

É muito lógico e correto. Claro que precisamos de trabalhar para corrigir isso. Os atos do PKK devem parar. As operaçons do estado devem parar. A mae curda votou em nós e também para a paz. Ela vai-me perguntar: “Nós votamos por vostede. Meu filho está na montanha. As Bombas nom devem cair em cima deles à meia-noite. É capaz de falar com Ankara. Vai e corrija isso. “Ela está certa? Ela está-o.

Como umha última pergunta, existe um descontentamento particular contra vostede no partido e em Kandil?

Eu nom quero personalizar esta entrevista, mas eu vou responder brevemente. Eu tenho um estilo diferente na política, diferente do que outros. Na verdade, quando elevas o nível, o nível mais baixo da barra para os outros destacas e isso cria mal-estar. Mas este nom é umha grande parte; há um grande segmento que me apoia. Eu nom tenho nengum apego ao meu assento. Eu podo deixá-lo em qualquer momento. Sou único na tradiçom política do país. Eu som homem de ninguém; Eu nom tenho nengumha facçom, nem conexins internacionais ou de inteligência. Eu som um home do povo.

Publicado no Hurriyet Daily News.

 

Eleiçons turcas: O HDP é a barreira fundamental para deter a ditadura de Erdogan

Por Mark CampbellMani turca curda 01O 7 de Junho de 2015, a Turquia vai às furnas no que é visto como umha das mais importantes eleiçons gerais desde o estabelecimento do Estado turco.

A figura autoritária de Recep Tayyip Erdogan tenta centralizar os poderes legislativos ainda mais para si mesmo como presidente da Turquia e a futura direçom da luita do povo curdo por uns direitos constitucionais básicos na Turquia também vai ser determinada.

Se o Partido Democrático do Povo, HDP, um partido relativamente novo enraizado no movimento curdo, tem sucesso em ganhar mais do 10% do voto nacional, ultrapassando o limiar que foi projetado na época do golpe de estado dos generais turcos em 1980, para manter aos curdos fora do parlamento, o presidente Erdogan nom conseguira alcançar as suas declaradas ambiçons dum poder presidencial absoluto.

Mas se eles nom conseguem atingir o limite de 10%, o partido AKP de Erdogan podem ganhar um extra de até 60 cadeiras, garantindo a maioria necessária para implementar a intençom do presidente para reescrever a Constituiçom turca e dar-se um aumento dos poderes presidenciais.

Como jornalista e analista turco desde há muito tempo para a questom curda, Cengiz Candar, escreveu recentemente: “O HDP, que se pensa que está indiretamente ligado com o PKK, tem, paradoxalmente, tornar-se umha esperança para o futuro da democracia na Turquia. Por isso, tornou-se o joker das próximas eleiçons Quem visita a Turquia hoje em dia vai ser confrontado com a grande pergunta que todos perguntam-se: “Que pensas? Poderá o HDP obter 10% ou nom? ”

O HDP fai causa comum com o movimento socialista turco, a comunidade LGBT, os movimentos de mulheres e dos trabalhadores e os alevitas e seitas sunitas.

Ironicamente, o HDP também parece estar ironicamente atraindo muitos eleitores táticos do CHP, o partido de Kemal Ataturk, fundador da Turquia, como forma de reduzir os poderes de Erdogan e o AKP.

A mais famosa e bem sucedida escritora da Turquia, Elif Safak, nom é conhecida polo seu apoio aos curdos, escreveu no Financial Times: “Umha vez vistos polos nacionalistas turcos como uma subcultura atrassada, os curdos estam agora liderando as forças progressistas da Turquia.”

Até que ponto os curdos desde Leyla Zana, uma deputada curda, que fixo o juramento parlamentario depois de ser eleita para a Assembleia turca polo seu círculo eleitoral, em Diyarbakir, há 23 anos.

Ela caminhou desafiadoramente até o pódio, com a sua fita no cabelo com as cores do movimento de libertaçom curdo, vermelho, amarelo e verde, e recitou o juramento parlamentar em turco. No entanto, a última frase do juramento ela leu orgulhosamente em curdo:

“Aproveito este juramento para a fraternidade entre os povos turco e curdo.”

Por isso, ela foi despojada da sua imunidade parlamentar e condenada com os seus outros colegas parlamentares a 15 anos de prisom por traiçom e adesom ao PKK.

Ainda era um crime expressar a sua Curdinidade na Turquia nos anos 90, apesar dos anos de luita dos curdos contra as políticas de assimilaçom forçada declarados polo Estado turco.

Nos 23 anos desde entom, muitos partidos pró-curdos forom criados e, em seguida, proibidos em uma guerra política de desgaste polos curdos contra a mentalidade do establishment político turco, que era comumente conhecido como Kemalismo.

turkey-erdogan 02O PKK, o movimento de libertaçom do povo curdo, foi criado o 25 de Novembro de 1978, em uma pequena aldeia curda chamada Fis na província de Diyarbakir. O 15 de agosto de 1984 eles começarom umha guerra defensiva de baixa intensidade contra as medidas repressivas tomadas polo exército turco contra os civis curdos.

Apesar de sacrificar muito e com umha grande dose de sofrimento e dor ao longo do caminho, com dúzias de milheiros de curdos permanecendo presos políticos nas prisons da Turquia, incluindo o seu líder Abdullah Ocalan, os curdos estam prontos para serem a pedra angular nas próximas eleiçons turcas.

Há grandes esperanças para o HDP, com muitos liberais e socialistas turcos entrando para o Partido e relatos de dezenas de milhares de curdos comutando a fidelidade do AKP ao HDP nos redutos curdos, e mitins políticos massivos atraindo multitudes de pessoas em Istambul, Izmir e outras cidades turcas.

Mas o HDP adverte de provocaçons sérias entre agora e o dia das eleiçons o 7 de junho, como o AKP e Tayyip Erdogan desempenham um jogo eleitoral cada vez mais sujo.

As linhas de batalha estam definidas no que já se tornou uma guerra política feroz com 122 ataques violentos contra os locais do HDP, culminando no 18 de maio, com duas bombas coordenadas nos locais do HDP de Mersin e Adana como o co-presidente do partido, Selahattin Demirtas viajava entre as duas cidades, provocou especulaçons de umha possível tentativa de assassinato.

Também foi o primeiro assassinato político destas eleiçons o condutor de um camionete eleitoral do HDP, Hamdullah Oge, teria sido sacado do furgom e morto em um estilo de execuçom com reminiscência dos assassinatos extrajudiciais de activistas curdos na década de 1990.

O ‘processo de paz’

As eleiçons do 7 de Junho também definem o contexto do tam apregoado ‘processo de paz’, um processo que nasceu contra a fortalecimento contínuo e vitórias do movimento de libertaçom curdo.

Hakan Fidan, o entom chefe do serviço de inteligência turco, MIT, aproximou-se a Abdullah Ocalan, o líder preso do movimento de libertaçom curdo, o PKK e pediu-lhe escrever umha declaraçom global das demandas do movimento curdos em 2009 e assim começou o suposto avanze para a paz.

No entanto, desde 2009 o processo vacilou, tropeçou e morreu mil mortes que o Estado turco foi adiando, durante a realizaçom de umha guerra por procuraçom contra o movimento curdo na Rojava (norte da Síria) e a construçom de postos militares de alta tecnologia no norte-oeste da regiom muitas vezes chamada Curdistam, que fica no sudeste da Turquia. O estalishment turco esperava enfraquecer as demandas curdas em qualquer eventual acordo e, em última, com a intençom de aniquilar completamente o movimento curdo.

Muitos nom acreditam que Erdogan ou o AKP tenham umha vontade real de umha solução pacífica para a questom curda, mas o resultado das eleiçons turcas seram de importância fundamental para a forma como o movimento curdo prossegue o 8 de Junho, após as eleiçons..

Se o HDP passa o limiar eleitoral do 10%, que todas as pesquisas de opiniom mostram agora, a probabilidade de umha soluçom política pacífica para a questom curda dentro das fronteiras da Turquia parece cada vez mais provável, embora certamente nom esteja garantida.

Mas se o AKP considera fazer outra fraude eleitoral e manipulaçom eleitoral para manter o HDP propositadamente abaixo do limiar e, assim, entregar mais poderes presidenciais para Tayyip Erdogan, os curdos tenhem maior probabilidade de, em seguida, concentrar-se em avançar com a construçom de umha “autonomia democrâtica do Curdistam “, independentemente do que o HDP faga..

O povo curdo está decidido a reforçar um forte poder de base que eles já tenhem com o partido irmao do HDP, o DBP (Partido Democrático das Regions) a nível local, que já tem um firme arrel em vários concelhos na regiom às vezes chamada do sudeste da Turquia. Outro objectivo fundamental é forjar umha maior ligaçom com os cantons curdos recentemente criados em Rojava.

Como sempre, o movimento nacional curdo, umha força cada vez mais poderosa no Oriente Médio, está pronto para qualquer eventualidade política e militar e estará observando e esperando o próximo movimento do Estado turco. Erdogan finalmente vai estar preparado para sentar-se com Abdullah Ocalan e o PKK e resolver o maior problema político em pé de Turquia de umha forma política pacífica? Ou el vai-se esforçar para continuar um conflito que já custou dezenas de milhares de vidas e desalojou milhares de curdos em todo o mundo?

Os desafios dificilmente poderiam nunca ter sido maiores para o futuro da Turquia.

Mark Campbell tem um blog sobre a Turquia e Curdistão, que você pode encontrar aqui. Você também pode descobrir mais sobre Mark e o seu trabalho no Twitter @Hevallo.

Artigo publicado na ediçom para UK do International Business Times.

Os 10 artigos de Öcalan para a resoluçom do processo na Turquia

Öcalan's 10 Articles for the Resolution Process in Turkey As discussons nos meios de comunicaçom curdos e turcos recentemente forom sobre o destino do chamado “processo de resoluçom” para a questom curda. As notícias estiverom centradas em torno dos 10 artigos com as propostas de resoluçom do processo do líder do PKK, Abdullah Öcalan ao Estado turco e ao Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), assim como ao Partido Democrático do Povo (HDP) e a Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK) .

AKP queria alterar artigos

Esperava-se que se figera umha declaraçom conjunta o 15 de fevereiro do 2015 pelos Partido Democrático do Povo (HDP) e o governante Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), levando o processo de resoluçom de “passagem para a segunda fase, denominada polo líder do PKK Abdullah Öcalan como a “fase de negociaçom”. No entanto, o co-presidente do HDP, Selahattin Demirtas, revelou que isso nom aconteceu porque o governo do AKP queria mudar os 10 artigos propostos por Öcalan.

A KCK aceita os artigos

A delegaçom da HDP que se reuniu com o líder do PKK na prisom da ilha de Imrali levou os 10 artigos para o conselho da KCK recentemente e anunciou que a KCK aceita os 10 artigos e queria que as negociaçons começassem.

O AKP queria manipular o processo

Selahattin Demirtas também afirmou que o governo do AKP queria anunciar que Öcalan chamava ao PKK a depor as armas, mas que isso nom era verdade, nas condiçons atuais. Acrescentou que o PKK estava pronto para depor as armas, mas que eles estavam dizendo que só o fariam se se tomavam as medidas necessárias na fase de negociaçom. Demirtas enfatizou que nom houvo divergências entre Ocalan, o PKK e o HDP e que o governo do AKP estava tentando manipular a situaçom ao seu favor, fazendo com que pareça que o HDP estavam impedindo o desenvolvimento do processo.

Os 10 artigos de Abdullah Öcalan para o processo de resoluçom som os seguintes:

1. O conteúdo da política democrática deve ser discutido.
2. As dimensons nacionais e locais da resoluçom democrática deve ser discutido.
3. As garantias jurídicas e democráticas da cidadania livre.
4 – As posiçons sobre a relaçom entre a política democrática, o Estado e a sociedade e a institucionalizaçom destes.
5 – As dimensons sócio-económicas da resoluçom do processo.
6 – A nova estrutura de segurança a que a resoluçom do processo vai levar.
7 – Garantias legais sobre as questons das mulheres, cultura e ecologia.
8 – O desenvolvimento de mecanismos de igualdade no que respeita à definiçom e noçom de identidade.
9 – Definindo a república democrática, terra comum e as pessoas em linha com critérios democráticos.
10 – A nova Constituiçom, que vai ajudar a internalizar todos estes passos democráticos.