Comunicado do PYD

pyd-muslinO Conselho Geral do Partiya Yekîtiya Demokrat (PYD, Partido da Unidade Democrática) condena o mandado de detençom das autoridades turcas sobre o co-Presidente do PYD, o Sr. Mohammed Saleh Muslim. Enfatizamos que nom reconhecemos essa decisom, que contradiz a legislaçom e convençons internacionais de direitos humanos, que a mesma nom satisfaze as mínimas condiçons legais e constitucionais. As acusaçons construídas contra o Sr. Saleh Muslim som falsas, infundadas e caluniosas

Mais uma vez, tem sido demonstrado à opiniom pública mundial que o Estado turco e o governo Erdogan som hostis ao povo curdo, onde quer que seja. A Turquia continua com o seu objetivo de extermínio físico, cultural e político de todos os oponentes, especialmente os curdos. O governo turco despreza e viola o direito internacional dos direitos humanos a diário e tem a intençom de cometer um novo crime contra o nosso povo.

A derrota da Turquia e os seus mercenários no campo militar, e o colapso da sua estratégia na Síria, na regiom e no mundo, provocou que o regime turco perda a cabeça, e ataque a discriçom em todas as direçons. No entanto, declaramos a todos que nada vai afectar à nossa determinaçom de luitar e defender a nossa terra e o nosso povo. Nós temos a força, temos as capacidades para atender a todos os enredos e ataques, mesmo que sejam frenéticos.

Chamamos a todos os partidos democráticos internacionais a nom permanecer em silêncio diante da matança física, jurídica e política do regime turco sobre o povo curdo, e dar um passo para deter os crimes diários cometidos polas autoridades turcas.

23 Noviembre 2016

O modelo Rojava

o-modelo-de-rojavaPor Meredith Tax

Como governam os curdos da Síria

Um novo modelo de organização social está tomando forma nas áreas curdas no norte da Síria. Rojava, como ficou conhecida, compreende três cantões na seção ocidental da  histórica terra natal do povo curdo, que está agora dividida entre Irã, Iraque, Síria, e Turquia. No que diz respeito a igualdade social, pluralismo étnico, e anti-sectarismo, o território é uma região sem igual. Esse é especialmente o caso quando falamos dos avanços das mulheres.

A atenção pública do ocidente deu um giro de 2014 a 2015, quando as milícias territoriais, as Unidades de Proteção do Povo (YPG) e as Unidades de Proteção das Mulheres (YPJ), tiveram um papel central na expulsão do Estado Islâmico, ou ISIS, de Kobane, uma cidade no noroeste da Síria. Observadores destacaram duas características do grupo: primeiro seu sucesso contra o ISIS, que as forças de segurança dos EUA e das forças de oposição Síria se esforçaram para derrotar, e segundo, o protagonismo das lutadoras femininas em suas fileiras.

Desde a Segunda Guerra Mundial, guerrilhas femininas fizera parte de lutas armadas ao redor do mundo. Mesmo a maior parte dos grupos militantes alistaram mulheres pois precisavam de soldadas, não porque desejaram empoderar as mulheres, e poucos tem priorizado tanto a igualdade das mulheres como os curdos da Turquia e da Síria.

A ênfase do Rojava sobre o papel de liderança das mulheres, no entanto, não se limita ao plano militar. Isso é definido pelos Curdos Sírios como uma visão societal mais ampla. Quarenta por cento dos membros da sociedade civil ou de qualquer órgão social em Rojava têm que ser de mulheres. Da mesma forma, todos os órgãos administrativos, projetos econômicos e organizações da sociedade civil são obrigadas a ter homens e co-presidentes do sexo feminino. Embora o Partido da União Democrática (PYD) seja dominante em Rojava  e os curdos são a maioria da sua população, Rojava é o lar de uma série de outros partidos políticos e etnias. É a única sociedade em sua região, que baseia-se nos pontos fortes de toda a sua população. Como é que as mulheres conseguiram ganhar tanto poder no meio de uma guerra pela sobrevivência?

Uma exceção regional

A história começa na Turquia em 1978, quando o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) foi fundado para criar um Estado independente curdo. Nos primeiros anos de sua insurgência contra o governo turco, o PKK foi dirigido principalmente por guerrilheiros do sexo masculino. Mas isso mudou na década de 1990. Quando a resistência civil curda mais ampla emergiu nas cidades turcas e os ativistas curdos  começaram a pressionar para ter um partido de representação no parlamento, o Partido Trabalhista Popular (HEP). Em ambos os empreendimentos, as mulheres serviram como líderes. Leyla Zana, uma ex-integrante do HEP, continua atuando no parlamento da Turquia.

Em 1993, de acordo com a jornalista Aliza Marcus, um terço dos novos membros do PKK eram mulheres; muitas delas recrutadas por Sakine Cansiz, uma de suas fundadoras.

Em 1995, o PKK formou um exército de mulheres, que agora é chamado de YJA-Estrela. A resolução que cria o exército deixou claro que iria servir como um modelo para outras organizações de mulheres “em todos os setores da economia, todas as instituições sociais, e até mesmo no campo da cultura.” A decisão foi particularmente notável pelo fato de que, na área rural do Curdistão, a subordinação do pensamento dass mulheres, tal como as práticas misóginas como os chamados assassinatos de honra,  reclusão imposta, e os casamentos de crianças tinham sido a norma. Para muitas mulheres curdas, deixar suas famílias para se juntar a um grupo insurgente foi uma enorme ruptura com a tradição patriarcal. Mulheres guerrilheiras foram pioneiras do movimento de libertação das mulheres como uma sociedade dentro da sociedade  curda.

Alguns dos líderes de Rojava, tais como os co-presidentes do PYD: como o Salih Muslim, foram originalmente membros sírios do PKK, e muitos dos ideais que têm sido postos em prática em Rojava foram testados na Turquia. Desde a fundação do PYD em 2003, a libertação das mulheres tem sido parte do programa do partido. Tal como na configuração da Estrela-Yekitiya, seu braço de organização para as mulheres, em 2005. Em 2012, como o presidente da Síria, Bashar al-Assad retirou suas tropas da maior parte do norte da Síria e dos cantões, Rojava tornou-se efetivamente autônoma e os membros do PYD começaram a se organizar de maneira mais vigorosa, tornando a defesa das mulheres uma parte integral de sua guerra contra o ISIS. A organização logo começou a recrutar novos membros de outros grupos étnicos da região, tratando de incluir assírios, árabes e Yezidis.

O grupo que mudou seu nome para Estrela de Kongreya no início deste ano, se descreveu como uma organização guarda-chuva para o movimento das mulheres de Rojava. Em nível local, a Estrela de Kongreya compreende um número de organizações, conhecidas como a comuna das mulheres, que operam em paralelo às comunas de sexo misto, que organizam tais assuntos como a alocação de energia e o uso do espaço público. O foco das comunas de mulheres sobre a violência doméstica, casamento forçado, e saúde das mulheres e programas econômicos, entre outras coisas; em muitos casos, podem se sobrepor aos seus parceiros organizacionais de sexo misto. Estrela de Kongreya no nível mais alto organiza comitês em cinco áreas: educação, especialmente educação de adultos e aulas de literatura; saúde pública, incluindo clínicas especializadas para mulheres; economia, incluindo a manutenção de cooperativas; resolução de disputas em comunidades, que inclui mediação e manutenção de abrigos para vítimas de violência doméstica; e defesa de cidadãos, que é central para a plataforma do PYD e especialmente para Estrela-Kongreya. Há três forças de defesa de mulheres em Rojava, a YPJ, que luta contra inimigos externos tais como o ISIS; as forças de segurança locais; e as forças de defesa civil atreladas às comunas, que lidam com a segurança da vizinhança, incluindo casos de violência contra as mulheres.

Autonomia e democracia

O crescimento da influência de mulheres na Rojava é parte central da transformação mais ampla da política curda ali e na Turquia. Ao contrário dos curdos iraquianos, os curdos sírios e turcos afastaram-se do nacionalismo. Eles buscam autonomia local ao invés de um arranjo federal. A ideia de longo prazo é a de assegurar a democracia, constituições democráticas que garantam uma autonomia local extensiva e protejam os direitos humanos. (Esta mudança foi executada em paralelo com a evolução ideológica do líder do PKK preso Abdullah Ocalan, um antigo militante que agora é um defensor do que ele chama de Confederalismo Democrático.)

À luz da atual turbulência da região, a visão de Rojava para uma feminista, de uma sociedade diretamente democrática, pode parecer irrealista.

No entanto, o fracasso das negociações para acabar a guerra civil síria mostrou a capacidade limitada da diplomacia para pôr fim a conflitos inflamados por atores não-estatais e financiados por potências externas, e em décadas recentes, tem havido alguns modelos políticos nas cercanias do Curdistão que oferecem muito mais uma promessa para o igualitarismo e paz como a que os curdos chamam de autonomia democrática.

Até agora, os Estados Unidos têm tratado os curdos sírios como um aliado militar de curto prazo e dado a eles apoio militar, mas não apoio político ou econômico ostensivos; Washington não insistiu para eles tomarem parte nas conversações de Genebra para acabar com a guerra na Síria. Esta abordagem é um erro. Desde os anos 1990, os Estados Unidos tem se posicionado como um defensor das mulheres e minorias sexuais. Os curdos sírios estão praticando uma forma de democracia que consagra a igualdade de género e se opõe noções de soma zero de étnico e direitos nacionais. Dado os compromissos que assumiu, os Estados Unidos deveriam estar dispostos a apoiar esses fins.

lead-Meredith-TaxMeredith Tax é escritora e ativista política desde o final da década de 1960, foi membro do Bread and Roses, fundadora presidente da Comissom Internacional de Mulheres Escritoras do PEN, presidente fundadora de  Women’s WORLD, e co-fundadora do Centre for Secular Space. Os seus últimos livros som Double Bind: The Muslim Right, the Anglo-American Left, and Universal Human Rights e A Road Unforeseen: Women Fight the Islamic State.

Esse artigo foi primeiramente publicado no website Foreign Affair e tem sido reproduzido com a permissão da autora.

Tradução ao português: Comitê de Solidariedade à Resistência Popular Curda – RJ

Esse artigo expressa a visão da autora e não necessariamente está de acordo com os Comitês de Solidariedade à Resistência Popular Curda.

 

Os curdos sírios precisam mais que armas: apoio político

lewis_syrian_kurdish_fighters_850_571Fornecendo armas sem apoio diplomático, os EUA correm o risco de aumentar as tensons na Turquia e Síria.

Por Patrick Lewis

A administraçom Obama está considerando um plano para armar mais os curdos -quem muitos em Washington chamam “o nosso parceiro mais eficaz no terreno” na Síria-a fim de incentivar a participaçom curda em umha próxima ofensiva contra o ISIS em Raqqa. Duas semanas atrás, o Chicago Tribune publicou um editorial apoiando este plano -no título proclamou isso como “Primeiro Passo” para “a Estabilidade de Síria.” E nos debates presidenciais, incluso, Hillary Clinton tem defendido um plano semelhante a noite passada.

Expulsar o ISIS de Raqqa, a maior cidade da Síria sob o control do grupo e a sua capital auto-declarada, tem sido o objetivo militar principal dos EUA na Síria desde o início da sua intervençom em 2014. Raqqa tem agora (nas mentes dos líderes políticos e militares dos EUA, polo menos) umha grande importância simbólica na guerra contra o ISIS. Assim nom é nengumha surpresa quando o Tribune declara que as muitas complicaçons e perigos de enviar ainda mais armas para os curdos podem ser deixadas de lado: “O que é importante agora é a derrubada do Estado Islâmico de Raqqa.”

Mas em chamar para mais carregamentos de armas para Síria sem qualquer semelhança a um plano para umha soluçom política a 5 anos de conflito nem o ainda mais o conflito entre a Turquia e os curdos -o Tribune está reforçando os piores aspectos da política dos EUA na regiom. Esta política continua a sestar excessivamente focada em alcançar vitórias militares de curto prazo à custa de acordos políticos de longo prazo, sem a qual umha paz duradoura é impossível. Além do mais, esta política irá quase certamente nom conseguer atingir até mesmo os objetivos limitados que se propôm, ou seja, a captura de Raqqa.

O que é necessário é o diálogo em torno das exigências curdas de um sistema federal na Síria (com autonomia local para os curdos e outras minorias); sem isso, as armas simplesmente vam privilegiar umha soluçom militar mais que a diplomática. Provavelmente vai reforçar as facçons mais combativas e radicais entre a liderança curda enquanto continua a marginalizar muitos dos líderes políticos e da sociedade civil mais responsáveis polas experiências em curso na democracia participativa radical que inspiraram admiraçom tanto de esquerdistas como liberais ocidentais.

Aldar Xelil, um membro do comitê executivo do TEV-DEM (uma organizaçom guarda-chuva que coordena grupos da sociedade civil na Rojava), fai questom similar em umha entrevista recente. Quando perguntado sobre a promessa de Clinton durante os debates para armar os aliados árabes e curdos da América na Síria, Xelil respondeu: “Claro que é importante dar apoio às forças curdas. No entanto, este apoio nom pode ser limitado a ajuda militar. Qualquer apoio que será o passo seguinte deve ser fornecido em todas as áreas; ou seja, deve ser um apoio político, diplomático, económico e social.”

Xelil cita a exclusom sistemática do PYD -o partido curdo predominante em Rojava- das conversaçons de paz de Genebra sobre a Síria. Umha percepçom cada vez mais comum em Rojava é que a América tem bloqueado repetidamente a participaçom do PYD nestas conversaçons em deferência ao seu aliado da OTAN: Turquia. (O PYD é um aliado próximo ao Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), que trava umha insurgência de três décadas contra o Estado turco no Sudeste do país.)

No final de agosto, os EUA deram o seu apoio à incursom transfronteiriça da Turquia para a Síria, para atacar o ISIS até o sul de Jarabulus. No entanto, é amplamente reconhecido (incluindo o próprio Presidente Turco Erdogan) que os curdos e os seus cantons autónomos de Rojava também eram um objetivo primário. Assim, nom foi umha surpresa para ninguém que em poucos dias de intervençom da Turquia, as Forças Democráticas Sírios (SDF) estiveram luitando com os soldados turcos ao sul de Jarabulus.

O Tribune afirma que a Turquia pode ser consolada por umha promessa dos EUA de que “os curdos nom estariam recebendo artilharia pesada, so armas ligeiras e muniçons.” Isso é totalmente absurdo, e como um insulto à inteligência dos curdos sírios -tanto como é para a Turquia. Mais as armas sem diplomacia no norte da Síria correm o risco de inflamar as tensons ainda mais tanto em Síriacoma na Turquia, onde o governo tem vindo a empreender umha nova “guerra suja” contra a sua própria povoaçom curda. Dúzias de milheiros de pessoas foram deslocadas e bairros inteiros deixados em ruínas, enquanto o governo americano se mantivo praticamente em silêncio.

Os combates travados na Turquia vinherom depois de um processo de paz de vários anos entre a Turquia e o PKK que se desfixo no verao passado, em grande parte devido as tensons sobre os ganhos dos curdos na Síria. Isto é em parte culpa dos Estados Unidos, quem nom conseguiu ver como a sua política de apoio militar às SDF estava desestabilizar o processo de paz na Turquia.

Nom só a Turquia está descontente, se os curdos recebem mais armamento dos EUA, mas nom há nengumha evidência de que os curdos queiram chegar a isse acordo tampouco. Enquanto os Estados Unidos nom estam dispostos a empurrar a Turquia em direçom a um acordo global com os partidos curdos na Turquia e Síria, é perfeitamente irracional esperar que os curdos enviem os seus luitadores a Raqqa (onde centos poderiam morrer) so em troca de ” armas ligeiras e muniçons.”

Na verdade, no final de agosto, Asya Abdullah, a co-presidente do PYD, anunciou que nom haveria nengumha operaçom curda contra Raqqa enquanto a incursom da Turquia na Síria continuara.

Da mesma forma, ainda no mês passado, Polat Can, o representante oficial das YPG (o grupo dominante nas SDF) descartou explicitamente a participaçom do grupo em umha operaçom desse tipo desde que os EUA e os seus aliados ocidentais continuaram a negar o reconhecimento para o projecto político dos curdos em Rojava. “Nom somos um grupo paramilitar”, dixo-lhe ao jornalista de Washington Mutlu Civiroglu. “Nom podemos dizer ao nosso povo que nos deixe ir e luitar, sacrificar muitos de [nossos] homens e mulheres jovens [e] entom nom termos o direito de falar. Nosso povo nom vai aceitar isso e ninguém aceitaria isso.”

E depois de uma recente visita ao líder preso do PKK Abdullah Ocalan -umha das principais influências e figuras simbólicas por trás dos recentes acontecimentos políticos de Rojava- o irmao de Ocalan dixo que Ocalan pensa que a atual política dos EUA para Rojava tem o objetivo de enfraquecer a Turquia e os curdos sírios, jogando as duas umha contra a outra.

“Se os Estados Unidos nom queriam que [Turquia] “fôsse a Síria, teria dito Ocalan, “Turquia nom teria ido para a Jarabulus”. Na estimativa de Ocalan (e na estimativa de muitos dentro da liderança curda em Rojava ), os EUA é mais de conteúdo para usar os curdos como umha peça de negociaçom nas suas tentativas de controlar o governo de Erdogan e fortalecer a sua própria posiçom na Síria, ao mesmo tempo apoiando aos combatentes curdos para ganhar pontos de publicidade muito necessários na sua batalha contra o ISIS.

Independentemente das suas reais intençons, o duplo jogo da América na Síria nom está enganando ninguém. Nom pode continuar a apoiar às duas partes em conflito através de um foco míope na sua guerra contra o ISIS. Se nom conseguir encontrar umha soluçom política para o conflito, um conflito turco-curdo que tem ignorado durante décadas- mais sucessos militares contra o ISIS serám praticamente impossíveis.

Na ausência de um esforço diplomático sério para levar a Turquia e o PKK de volta à mesa de negociaçons e medidas reais em direçom a algumha forma de reconhecimento para o projeto político dos curdos em Rojava, a crise no norte da Síria só vai aprofundar ainda mais, abrindo a porta a umha ainda maior conflagraçom regional. OS EUA nom deveriam derramar mais gasolina no fogo.

 

Patrick Lewis é um estudante de Doutoramento de antropologia da Universidade de Chicago que trabalha na Turquia e o Curdistam.

Publicado em in the times.

 

Analisando as YPG: Operaçons e estratégias como Defensores de Rojava

analissando-as-ypgpor Wladimir van Wilgenburg

As YPG (Unidades de Protecçom do Povo curdas) é a força mais eficaz no terreno na Síria luitando o ISIS (Estado Islâmico). Seu sucesso contra o ISIS significa que o “califado” está lentamente entrando em colapso. Apesar do enorme papel que as YPG jogam, pouco se sabe sobre a estrutura e as capacidades do grupo que em 2012 capturou a maioria dos territórios curdos no norte da Síria.

As YPG conseguirom ganhar o apoio da coalizom liderada polos EUA contra o ISIS durante a sua defesa da cidade curda de Kobane em 2014-2015. Desde o assédio de Kobane, os curdos sírios ganharom ainda mais simpatia e apoio do Ocidente como um dos poucos grupos dispostos e aptos para derrotar o ISIS.

Ao contrário dos rebeldes árabes sírios, as YPG nom estám dispostas a trabalhar com islâmistos que som apoiados por Estados sunitas da regiom. As YPG seguem a chamada terceira linha: nom apoiar a oposiçom nem o regime sírio, já que ambos rejeitam qualquer forma de direitos dos curdos. Como resultado, chocam tanto com o regime, como também com os rebeldes sírios.

Contexto

Os três a quatro milhons de curdos sírios nom tinha nengumha experiência da insurgência armada na Síria contra o regime Ba’ath até a guerra civil. Eles nom tinham um partido curdo independente sírio forte e, como resultado, eram dependentes tanto do KDP (Partido Democrático do Curdistam) que focava a luita contra o Estado iraquiano ou o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistam) que luita em Turquia.

Como resultado, muitos curdos sírios juntarom à luita como forças Peshmerga em 1960 e 1970 no Iraque, ou com o PKK contra o Estado turco desde a década de 1980. O regime de Assad por alguns anos concedeu refúgio ao PKK na década de 1990 até que Assad restaurou os seus laços com a Turquia. O uso das bases sírias e libaneses do PKK ajudou a construir o apoio entre os curdos na Síria. O PYD (Partido da Uniom Democrática), ligado ao PKK, foi criada na Síria no 2003.

Portanto, tanto o KDP e o PKK tinham umha base de apoio no norte da Síria e ambos começarom a desempenhar um papel através dos seus representantes e partidos curdos mais pequenos quando o regime Baath sírio perdeu o control sobre grandes partes do norte da Síria em 2012.

A ideia inicial do PKK para formar as YPG iniciou-se no 2004, após o regime sírio reprimiu a revolta curda naquel ano. Grupos de auto-defesa das YPG forom formados mais adiante no 2011 e começou a organizar-se clandestinamente nas cidades curdas.

Primeira Fase

Quando a sede da segurança nacional do regime sírio em Damasco foi bombardeada o 18 de Julho de 2012, matando muitos agentes importantes de segurança, o PYD / YPG viu umha oportunidade e, o 19 de julho, iníciou o que eles descrevem como a “revoluçom de Rojava”. Primeiro tomarom o control de Kobane desde que era umha “fortaleza” do PKK sem presença de forças do regime. A cidade de Afrin foi igualmente tomada rapidamente, mas a província de Hasakah foi mais difícil devido à presença de forças do regime.

A libertaçom progrediu em três etapas: em primeiro lugar, tendo como objetivo o regime nas aldeas que actuavam como bases avançadas das YPG; segundo, confiscando as instituiçons de serviço do regime, tais como centros de electricidade, água e juventude; e terceiro, assumindo as sedes militares, espalhrom-se sobre toda a província, exceto a cidade curda de Qamishli, onde as forças do regime permanecem até hoje.

Como resultado de umha posiçom dominante no chao polas YPG, outros grupos curdos sírios alinhados com o KDP de Massoud Barzani forom marginalizados. Barzani apoiou a criaçom das forças ” Peshmerga de Rojava ‘no Curdistam iraquiano em 2012, que agora luitam na província de Mosul contra o ISIS, mas as YPG nom lhes permitirom entrar em Rojava ao temer umha guerra civil semelhante ao do Iraque curdo na década de 1990 e nom querem a concorrência dos curdos de Barzani.

Segunda Fase

Após a YPG assumiu o control da maior parte dos três enclaves curdos de Kobane, Afrin e Jazira (Hasakah), e assegurou a cidade de Serekaniye (Ras al-Ayn) em 2013, as auto-administraçons locais forom criadas para organizar a administraçom em três cantons separados em janeiro de 2014. Após isso, o principal objetivo das YPG era unir esses cantons em um território contíguo no norte da Síria.

As YPG também moveu-se para recrutar nom-curdos e trabalhar com tribos árabes locais e grupos cristians. Isto resultou, em setembro de 2014, em uma sala de coordenaçom conjunta com o FSA (Exército Livre Sírio) em Kobane. Receando essa coordenaçom receberiam apoio dos EUA, o ISIS assediava Kobane em setembro de 2014, mas foi derrotado lá em Março de 2015. Em Junho de 2015, as YPG empurrado mais e uniu os cantons de Kobane e Jazira, com o apoio dos Estados Unidos, através da captura de Tel Abyad. A avançar este movimento, as YPG criou a multi-étnica SDF (Forças Democráticas da Síria) em outubro 2015.

O objetivo das YPG agora é unir todos os cantons com as SDF, e configurar umha regiom federal no norte da Síria e Rojava, num prazo de três meses. Em maio de 2016, as SDF lançarom umha nova operaçom, com o apoio dos EUA a tomar a cidade estrategicamente crítica de Manbij. Com esta operaçom que foi concluída o 12 de agosto, as YPG esperavam unir as suas administraçons através de Manbij e al-Bab cara Afrin.

Consideraçons Finais

Parece que a Turquia fixo acordos com o Iram e Assad para parar a criaçom de umha regiom federal no norte da Síria.

O PYD conseguiu ganhar umha posiçom dominante no norte da Síria através das YPG, enquanto os partidos ligados ao KDP estam marginalizados no chao. As YPG conseguirom dominar rapidamente, devido ao planejamento cedo, Rojava, enquanto os partidos apoiados por Barzani nom estavam preparados, e inicialmente apoiarom ‘a revoluçom síria pacífica “. As YPG forom formadas antes dos Peshmerga de Rojava, e já se tornarom em autoridade de facto no terreno. Foi também mais arriscado para Barzani envolver-se na guerra civil síria, tendo que proteger a regiom autônoma do Curdistam no Iraque.

As forças das SDF acabam de derrotar o ISIS em Manbij, mas a questom é se a coalizom liderada polos EUA permitirá que as SDF marchem sobre mais cara Afrin, ou se vam empurrá-los para se concentrar em Raqqah, onde os curdos som relutantes a ir. Além disso, a intervençom da Turquia, na cidade de Jarabulus no último mes visa prevenir a unificaçom das auto-administraçons locais no norte da Síria. Parece que a Turquia fixo acordos com o Iram e Assad para parar a criaçom de umha regiom federal no norte da Síria e apoia os rebeldes sírios a tomar Jarabulus. Isto poderia criar mais desafios para as YPG. No entanto, é evidente que as SDF seram um parceiro fundamental de Ocidente, atee que a ameaça do ISIS exista na Síria.

 

Wladimir van Wilgenburg é um analista da política curda para Jamestown Foundation e jornalista freelance. Está atualmente em Qamishli, Rojava, norte da Síria, realizando um projecto de investigaçom sobre os curdos sírios para o Instituto Iraquiano de Estudos Estratégicos (IIST), financiado polo International Development Research Centre (IDRC). He tweets at @vvanwilgenburg.

 

Publicado em The London School of Economics and Political Sciences.

 

 

Por que nom devemos abandonar os curdos

nom-devemos-abardoar-os-curdos
Celebraçom do Dia Internacional da Mulher, Qamishli, Rojava / Joey L (c)

Por Will TG Miller

Os curdos do norte da Síria sofrerom imensamente ao longo da história. Autóctonos da regiom nunca tiverom concedido qualquer nível significativo de autonomia ou auto-governo. Durante toda a existência da República Árabe da Síria, mantiverom o status de um dos grupos mais marginalizados, de acordo com Minority Rights International, e também forom sujeitas a níveis de detençom chocantes arbitrários, e tortura aprovados polo governo, e a apropriaçom ilegal dos seus bens.

Esta foi a pior sob o pan-arabismo durante o regime de Hafez al-Assad. Um relatório da Chatham House detalha a gravidade da situaçom; a língua curda foi proibida em público, e o seu uso, bem como a música e publicaçons curdas, eram estritamente ilegais. No entanto, pouco mudou, mesmo depois de que Assad herdasse o trono no 2000, em detrimento da minoria curda.

Isso fai que o recente ressurgimento dos curdos no quadro da mesma Síria, que reprimiu qualquer expressom de identidade curda, muito incrível. A regiom autônoma de Rojava veu a existir em 2013 conforme as milícias curdas regionais formadas após o Exército Árabe da Síria evacuaara rapidamente vastas áreas de território em face das bandas de terroristas islâmicos, bem como outras organizaçons mais importantes, como a FSA, Jabbhat Al Nursa, e o ISIS. As milícias curdas assumirom a infra-estrutura governamental e militar deixadas para trás quando os Assadistas evacuarom.

Rojava tivo pouco tempo para se alegrar na sua independência nominal da Síria, umha vez que foi imediatamente atacada de todas as direcçons. Os ataques de grupos terroristas dentro da Síria continuou, e as pessoas de Rojava encontrarom a sua determinaçom testada na longa e sangrenta batalha de Kobanî. A vitória improvável adquirida pola ala militar do governo de Rojava, as YPG, foi à custa de muitas vidas de civis mortos por carro-bomba e bombardeios indiscriminados polo ISIS. Apesar das perdas, a derrota do ISIS sublinhou a determinaçom dos curdos de Rojava para o mundo e mostrou que eles nom iam renunciar à sua independência há muito desejada tam facilmente.

Desde entom, no entanto, parece que, embora a situaçom tem a concluir só que a pior. Apesar do feito de que Salih Muslim, co-presidente do PYD, tem declarado repetidamente que o governo de Rojava nom busca a independência da Síria, e em vez disso procura manter o seu estatuto de umha regiom autónoma semelhante ao Curdistam iraquiano, o governo sírio tem efetivamente cortado os laços com a regiom e recusa a conceder-lhe ajuda militar, econômica ou qualquer outra. Isto é apesar das repetidas aberturas de Muslim para o governo sírio e declaraçons de apoio contra os grupos islâmicos que fazem umha guerra terrorista contra as duas entidades.

A partir da sua fronteira norte com a Turquia, Rojava está sob ataque constante. O governo turco afirmou a sua intençom de nom aceitar qualquer tipo de entidade autônoma curda dentro Síria, independente ou nom, e levarom a cabo ataques regulares de bombardeio contra alvos civis a fim de enfraquecer a vontade do povo curdo. Estes ataques intensificarom no início deste ano, à frente da força oficial de invasom, que entrou no Curdistam sírio em agosto.

Assim, o incipiente governo regional de Rojava encontrou-se luitando umha guerra em três frentes; contra o o ISIS, contra a Turquia, e às vezes até mesmo contra o governo sírio. Apesar das repetidas tentativas de umha paz significativa, este estado de hostilidades diretas tem visto pouca mudança nos últimos anos. Enquanto os EUA se envolveu em lançamentos aéreos esporádicos para ajudar a Rojava nos últimos dous anos, a sua assistência (e promessas de ajuda) tem sido evasiva e indecisa. A Rússia, por outro lado, tem-se revelado um aliado muito mais eficaz, permitindo às YPG chamar por ataques aéreos identificando posiçons, dando-lhe algumha superioridade aérea muito necessária na luita contra o ISIS e outros grupos terroristas.

No entanto, qualquer apoio dado pola Rússia – em outras palavras, qualquer apoio substancial -tem sido constantemente prejudicado por Ocidente em cada turno. O ex-secretário de Relaçons Exteriores britânico Philip Hammond dixo no início deste ano que estava “perturbado” com os relatos de ajuda russo para as forças curdas no norte da Síria, pouco antes dos britânicos juntaram-se aos americanos em chamar os russos para ‘sair’ da Síria. No entanto, eles nom fornecem nengumha alternativa eficaz, condenando a Rojava à extinçom nas maos de Turquia e o ISIS.

O comportamento dos Estados Unidos tem sido particularmente perturbador. Após a tentativa separatista de Kosovo nos Balcás, os EUA enviaram a sua força aérea para deixar cair umha quantidade surpreendente de bombas sobre a Sérvia, a fim de garantir a independência do estado incipiente. Assegurar os direitos humanos do povo do Kosovo e impedir o genocídio estavam entre as razons usadas para legitimar esta campanha. Diante disso, as açons norte-americanas na Síria som difíceis de racionalizar. Elas som inconsistentes, nom só com as suas decisons anteriores ao enfrentar circunstâncias similares, mas também com a ideia da América como umha naçom em busca de manter a ordem internacional, evitar o genocídio e os crimes contra a humanidade, e garantir a paz no mundo.

Os Estados Unidos e a Gram-Bretanha optarom por ver Rojava e de feito o povo curdo nom como qualquer outra naçom ou merecedor das liberdades fundamentais, os direitos humanos, e direito às normas mínimas de dignidade, mas em vez disso como peons em umha espécie retorcida de Grande Jogo que está sendo jogado por políticos de Washington contra a Rússia de Putin. Como peons, os curdos estam a ser utilizados quando é conveniente e descartados quando se tornam um inconveniente. E dada a resposta silenciosa dos EUA à invasom turca de Rojava no mês passado, parece ser o caso que o ‘inconveniente’ está aumentando.

Cada vez mais, as vozes de políticos ocidentais, grupos de reflexom e os chamados “analistas políticos” parecem estar a aumentar. A condenaçom das instituiçons de Rojava polos ocidentais é cada vez mais dura. Eles criticam a regiom autónoma por nom ser plenamente democrática, apesar do fato de que está envolvida em umha guerra com os adversários genocidas cujo objetivo é nom só a destruiçom da estrutura administrativa, mas também do povo curdo como um todo. Eles exigem que o governo cesse a sua política de recrutamento, ignorando o conflito existencial, e ao mesmo tempo nom oferecendo absolutamente nada em termos de umha alternativa.

Claro, algumhas críticas sobre o governo e as forças armadas de Rojava som legítimas. Há algumhas evidências que sugerem que aconteceu em algumha ocasioom o recrutamento de menores de 18 anos, apesar de ser ilegal sob as leis de Rojava. Há também razons para criticar a estrutura do governo e o domínio total do PYD à custa de outros partidos.

Mas essas críticas estam ultrapassando nas suas conclusons. Sugerem que, desde que existem problemas como esses, o Ocidente deveria abandonar os curdos sírios aos lobos.

A fazer isso seria desastroso. Nom só seria fortalecer o Estado Islâmico, a posiçom totalitária do governo Assad, mas também umha Turquia cada vez mais islâmista e autocrática. Isso representaria umha grave traiçom das promessas anteriores de apoio feita aos curdos, e, assim, fazer que os EUA a sofrer um golpe enorme ao seu prestígio internacional. Mas o mais importante, constituiria umha traiçom dos princípios que nos som tam caros; os dos direitos humanos universais, o direito internacional e o princípio da auto-determinaçom, conforme descrito na Carta da ONU.

Abandonando os curdos nom imos ganhar nada e reforçariamos os nossos inimigos. Devemos apoiá-los contra os nossos inimigos mútuos como a única pedra de estabilidade no turbulento Oriente Médio.

Will TG Miller é um analista político e ativista da causa curda. O seu trabalho incide sobre o Oriente Médio, Islamismo, e os direitos humanos.

Publicado em Kurdish Question.

 

O Perigroso jogo da Turquia na Síria ameaça todo Oriente Médio

Turkey DangerousPor Cihad Hammy

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan e Vladimir Putin reunirom-se recentemente para abrir um novo capítulo nas relaçons turco-russas, normalizar laços até entom tensos entre os seus países. Esta tensom começou no ano passado, quando a Turquia derrubou um aviom russo que estava violando o espaço aéreo turco. Este novo capítulo muda drasticamente toda a cena do conflito Sírio.

No centro deste novo desenvolvimento encontra-se o antagonismo profundamente arraigado de Ancara em relaçom os curdos, tanto na Síria como em Turquia. A fim de antecipar os planos curdos para conectar os três cantons de Afrin, Kobane e Jazeera, Ankara adotou medidas para normalizar as relaçons com a Rússia, o Iram e a Síria, e ganhar o seu apoio a umha intervençom militar no norte da Síria.

 Tensons de Washington e Ancara sobre os Curdos Sírios

Washington tem um sucesso notável na melhoria da sua coordenaçom com os curdos sírios para destruir o ISIS, que é agora a prioridade de Washington no conflito Sírio. A coalizom internacional liderada polos EUA estabelecerom umha parceria bem sucedida e eficaz com as Forças Democráticas da Síria (SDF). Esta força, liderada polas YPG curdas, inclui diversos povos da regiom do norte da Síria, ou seja, árabes, assírios, armênios, Turcomanos, e facçons circassianas e grande número das Unidades de Proteçom das Mulheres (YPJ).

As forças das SDF e das YPJ som eficazes em derrotar e tomar cidades do Estado Islâmico no leste e norte da Síria. Por isso, ganharom a confiança das instâncias de decisom dos EUA e agora som apoiados por ataques aéreos dos EUA e forças especiais. Sob este modelo, a cidade mais recentemente libertada foi Manbij, umha cidade altamente estratégica, que serviu como centro nas principais rotas de abastecimento do ISIS. O sucesso de Manbij cortou o ISIS com o exterior e agora os impede de mover aos seus combatentes da Síria para realizar ataques terroristas na Turquia e na Europa.

No entanto, o governo de Erdogan está extremamente descontente com o apoio que Washington fornece às SDF porque fortalece ao Partido da Uniom Democrática (PYD), um grupo curdo ideologicamente vinculado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), o odiado inimigo interno da Turquia. Ancara rejeita qualquer entidade que ostente a aparência de auto-governo curdo, tanto em Ancara ou ao longo da sua fronteira sul, e considera o PYD como parte do PKK. Em fevereiro passado, umha delegaçom, incluindo o enviado dos EUA para a coalizom internacional contra o ISIS, Brett McGurk, reuniu-se com as YPG. Isto levou a Erdogan a exigir furiosamente que Washington optara entre el ou os curdos sírios. “A quem quere de parceiro, a mim ou os terroristas de Kobane?” dixo Erdogan a jornalistas no seu aviom quando regressava de umha viagem à América Latina e o Senegal.

Nom muito tempo depois do ultimato de Erdogan, Washington respondeu declarando que o PYD nom era umha organizaçom terrorista e os combatentes curdos eram os mais bem sucedidos no combate contra o ISIS dentro da Síria. Além disso, a coalizom liderada polos Estados Unidos enviou autoridades militares e conselheiros para o norte da Síria, a fim de apoiar as forças terrestres curdas na destruiçom do ISIS. De qualquer modo recentemente Washington mudou a sua postura por apaziguar a Ankara e pedindo as forças das YPG “recuar para o leste do Eufrates”. Embora esta seja umha vitória diplomática que Ankara ganhou mudando a sua política externa e buscando apoio de Moscou, o Iram e a Síria, isso nom significa que os laços entre os curdos sírios e os EUA foram completamente cortados.

Novas aproximaçons de Ancara e as suas reflexons sobre os curdos

Durante quase um século, os estados-naçom do Oriente Médio se unirom no combate e repressom dos curdos. Hoje, a aproximaçom de Ancara com a Rússia renova esta dinâmica, abordando nom só a sua própria agenda anticurda, mas também a de Síria e Iram.

Para Assad, a aproximaçom ajuda a manter o seu regime centralizado porque o projeto político que os curdos na Síria estam realizando tem como objectivo desmantelar o poder do Estado-naçom centralizado e em vez disso tenta capacitar as pessoas em torno de instituiçons de base. O regime também pode encontrar a oportunidade para retomar territórios no leste da Síria agora sob control curdo. Na verdade, a última luita entre o Exército sírio e as YPG em Hesekê pode ser interpretado como um gesto de boa vontade por parte do regime em relaçom a aproximaçom de Moscou com Ancara. Em troca, Ancara pode cortar o apoio de grupos islâmicos autoritários em luita contra Assad em Aleppo e direcionar estes grupos-islâmica -authoritários contra os curdos no norte da Síria. (Algo que está acontecendo agora em Jarablus.)

Teeram como Ancara, teme que os curdos sírios vaiam incentivar aos curdos iranianos a se revoltar e exigir os seus direitos cívicos e culturais. Umha revolta curda no Iram ameaça o seu regime islâmico e a segurança nacional. Iram pode deixar de lado velhas tensons com Ancara e cooperar na luita contra a maior “ameaça perigosa”, os curdos. Quanto a Moscou, a nova aproximaçom ajuda a manter no poder a Assad.

Para evitar mais autonomia dos curdos, Ancara enviou as suas tropas de terra no norte da Síria, a fim de antecipar-se a ligaçom dos cantons curdos de Kobane, Jazeera, e Afrin. No entanto, a fim de intervir no norte da Síria a esta escala, eles deveram ter tido a aprovaçom de Moscou e Teeram. Tendo feito isso, eles agora estam usando tropas e grupos islâmicos autoritários como Faylaq al-Sham, Ahrar Alsham, Sultan Murad, e o batalhom Nour al-Din al-Zenki para tomar o control de Jarablus e Al Bab.

É óbvio que a chamada guerra de Ancara contra o Estado Islâmico (ISIS), em Jarablus foi apenas umha substituiçom de combatentes do ISIS por outros grupos islâmicos autoritários que som cópias dos jihadistas. A “luita” contra o ISIS em Jarablus testemunhou que nom há armadilhas, nom há franco atiradores do ISIS, nom há lutadores à espreita do ISIS usando escudos humanos, nom houvo ataques a bomba, sem nom houvo resistência do ISIS. Nom houvo luita em Jarablus, mas sim ordes dadas polo governo turco e a realizaçom dessas ordens polos seus “soldados”. Isso ficou claro para os meios de comunicaçom internacionais e a opiniom pública e nom puido ter escapado à atençom dos governos ocidentais.

 Apoio dos Jihadistas da Turquia Mostra as Aspiraçons Neo-otomanas Estam Bem Vivas

Nom é umha coincidência que o 24 de agosto, o mesmo dia em que Ankara invadiu a Síria, é o mesmo dia da Batalha de Marj Dabiq. A batalha tivo lugar em 1516-1517 entre o Império Otomano e o Sultanato Mamluk e terminou em umha vitória otomana e a conquista de grande parte do Oriente Médio. O simbolismo da batalha de 500 anos atrás foi muito usado na Turquia antes da operaçom e é um sinal da continuaçom da mentalidade expansionista do governo turco. Embora o governo afirma que nom está na Síria permanentemente, a tentativa é colocar umha regiom sob control islâmico e a mentalidade que ocupava o Oriente Médio há 500 anos. O movimento é também umha mensagem ao mundo inteiro de que a Turquia ainda é um jogador no jogo da Síria e nom pode ser ignorada.

No entanto, a intervençom de Ancara nom será um piquenique turístico, mas sim um pesadelo carregado com perdas militares e humanas. Já vários tanques turcos forom destruídas e um soldado foi morto no sul de Jarablus. Turquia lançou ataques aéreos em Afrin (sudoeste) e Ain Diwar (sudeste) e dirigiu os seus tanques para a fronteira de Kobane para erigir um muro. Mas el está sendo recebido com resistência em todos os lugares, e nom só dos curdos, mas de árabes -quem Turquia alega estar liberando dos curdos- e outros grupos etno-religiosos.

Mapa Jarablus Manbij Al BabA Intervençom da Turquia vai aumentar a violência na Síria e na Turquia

Os governos ocidentais e dos Estados Unidos som forças pragmáticas; eles só ajudam movimentos ou estados quando se trata de proteger os seus próprios interesses. A este respeito, os EUA ao que parece, está contente com a intervençom turca na Síria porque a sua principal preocupaçom é degradar o ISIS. Como tal os EUA nom se preocupam com os resultados desta intervençom, o que provavelmente vai levar a anos de violência entre o governo turco e os curdos na Síria, e alimentar a violência, guerra e instabilidade na Turquia. A ‘Sirianizaçom’ da Turquia, neste sentido, é cada vez mais provável. Na verdade, cousas tais como democracia, paz e a estabilidade, que som necessários para os povos do Oriente Médio, como o pam e água som de importância secundária ou nem sequer existem na política externa dos EUA.

Nom é necessário ler volumes de saber quem está a favor e tem um projeto para a paz e a democracia na Turquia e no Oriente Médio e quem pode iniciar um fim à confusom atual. Lendo apenas umha página escrita por Abdullah Öcalan – líder curdo e pensador que inspirou o Modelo de Rojava – iria esclarecer quem quer a paz, a liberdade, a democracia, a estabilidade, a convivência, fraternidade, igualdade de gênero, e umha sociedade ecológica e ética na Turquia e o Curdistam . Todos esses valores e princípios estam agora sob sete chaves em umha prisom turca. O governo turco nom quer um fim para o conflito; se o figesse, teriam acabado com o isolamento de Öcalan para lhe permitir desempenhar um papel eficaz no fortalecimento do estagnado processo de paz. Em vez disso, optou por prosseguir a sua política de isolamento de Öcalan e dos políticos curdos em geral, mesmo após a recente tentativa de golpe.

Isso deixa apenas umha coisa para os curdos: a resistência. Porque a resistência é a única cousa que pode trazer o Estado turco de volta a qualquer tipo de mesa de negociaçom. Como o co-presidente do PYD, Saleh Moslem, dixo após a intervençom de Ancara na Síria, “A Turquia vai perder muito no lamaçal da Síria, e seram derrotados como o Daesh (ISIS).” Agora, apenas umha derrota turca rápida pode salvar a regiom. A alternativa é que todos os envolvidos perdam.

Jihad Hammy é um curdo de Kobanê. Ele era um estudante de literatura de Inglês da Universidade de Damasco antes de fugir devido à guerra civil na Síria.

Artigo publicado em Kurdish Question.

 

 

 

 

 

Terá sucesso o autogoverno curdo na Síria?

Will Syrian Kurdish self 01Por Fehim Taştekin

Muitos analistas estamo ocupados tentando entender a motivaçom que levou à declaraçom inesperada recentemente de um sistema federal dos curdos sírios, que até entom estavam promovendo um modelo cantonal que incorporasse grupos étnicos e religiosos divergentes.

Al-Monitor perguntou a Abdul Karim Omar, a principal autoridade de Relaçons Exteriores do Canton de Jazeera, em umha reuniom de 16 de março, em Bruxelas: Por qué e por qué agora? A decisom foi tomada ao mesmo tempo que o assentimento da Rússia do federalismo se os sírios assim o escolhem e a decisom do presidente russo, Vladimir Putin a retirar algumhas tropas da Síria. Foi umha coincidência ou umha manobra dos Estados Unidos e a Rússia concordaram em colocar pressom sobre o governo turco? Será que alguém sussurra algo no ouvido curdos? Ou é umha tentativa de manter os curdos fora do processo de Genebra?

Omar rejeitou as teorias de conspiraçom e tentou explicar a situaçom em termos práticos relacionados com Rojava, que é como os curdos chamam ao Curdistam sírio, e às áreas vizinhas.

Conforme o atualmente esboçado, o Sistema Federal Democrático da Rojava e do Norte da Síria teria umha povoaçom de cerca de 4 milhons e deveria incorporar os três cantons do Curdistam sírio – Jazeera, Kobanî e Afrin – bem como Tell Abyad e áreas no norte da província de Aleppo que foram recapturados por forças curdas.

“Precisamos de um novo sistema para essas áreas para a sua segurança, economia, necessidades básicas e de saúde. A nossa declaraçom de umha federaçom nom é com motivaçons nacionalistas. Shyouk, Shadadi e Tell Abyad farám parte do sistema federal, mas correram com os seus próprios assuntos. Siríacos e assírios tenhem 40 aldeias. Eles digeram que querem criar a sua própria assembleia. Quando Raqqa seja liberada do [Estado islâmico (ISIS)], será também parte do sistema federal “, dixo Omar.

El acrescentou: “Este é um modelo que nós estamos prevendo para o futuro da Síria. A transiçom para umha federaçom pode ser arriscado, mas na política, que nom o é? Se nom se mover em direçom a descentralizaçom, nom podemos resolver a questom da terror na Síria. Depois de cinco anos, nom podes simplesmente voltar ao status anterior. Nós nom actuamos devido a luz verde dos Estados Unidos ou a Rússia, mas de acordo com as nossas próprias necessidades”.

Esta estrutura está sendo trabalhada polo movimento político curdo, apesar das ameaças da Turquia. Os curdos estam levando a criaçom de assembléias populares nos lugares onde os curdos som maioria e a criaçom de assembléias constituintes (conselhos de ancians) em outros lugares.

Por exemplo, o primeiro congresso da regiom de Sheba convocado o 28 de janeiro e declarou que só reconhece as Forças Democrática Sírias (SDF), instituídas polas Unidades de Protecçom Popular (YPG), grupos árabes e turcomanos, e a Assembléia Democratica Síria que foi formada para enviar umha delegaçom para as negociaçons de paz de Genebra.

Além disso, depois de liberar Tell Abyad do ISIS, os curdos estabeleceram umha assembleia de 113 membros e um conselho executivo formado por sete árabes, quatro curdos, dous turcomanos e um armênio.

Todas essas atividades anteriormente silenciosas emergerom de repente como o Sistema Federal Democrático de Rojava e do Norte de Síria em um congresso que reuniu o 16-17 de março em Rimelan com 200 representantes dos povos curdos, árabes, siríacos, turcomanos, armênios e chechenos da regiom. O congresso elegeu umha comissom de 31 membros para resolver a logística da criaçom do grupo. O Partido da Uniom Democrática (PYD) contribuiu politicamente para o processo, e as YPG e aliados contribuirom militarmente.

Omar rejeitou a acusaçom de que todos aqueles que participarom nas reunions eram aliados do PYD.

“Ninguém pode dizer isso. Alguns sírios estam com o regime, alguns com a coalizom e alguns com nós. O Partido Yekiti curdo e o Partido Democrático do Curdistam Sírio nom estam com nós. Os turcomanos de Tell Abyad juntarom-se, e os aliados com a Coaliçom Nacional Síria nom o fixo”, dixo Omar.

O jornalista Barzan Iso, que cobriu o congresso, dixo a Al-Monitor que Muhammed Sultan dos turcomanos de Azaz veu da Turquia e contribuiu de forma positiva à reuniom.

Apesar da sua inimizade para com o PYD, o Conselho Nacional Curdo, apoiado polo presidente do Curdistam Iraquiano, Massoud Barzani, é pró modelo federalista. O dirigente de assuntos estrangeiro do conselho Kamuran Haci Ebdul expressou a crença de que a convivência em um sistema federal iria garantir a integridade territorial da Síria, dizendo: “O sistema federal é a melhor soluçom para a Síria. O federalismo é o direito natural de todos os curdos no Curdistam Oeste.”

Um apoio adicional veu do Partido Democrático do Curdistam e a Uniom Patriótica do Curdistam do Iraque.

Em poucas palavras, os opostos ao federalismo dim que vai levar à fragmentaçom do país, enquanto os partidários dim que esta é a única maneira de preservar a integridade territorial da Síria. Por exemplo, Mensur El-Selum, o co-presidente da Assembleia Constituinte do Sistema Democrático Federal, dixo em umha reuniom na prefeitura de Tell Abyad, “O federalismo é mais para os árabes que para os curdos.”

A Turquia é a pare mais persistentemente e veementemente das acusaçons de que a Síria está sendo dividida polos curdos. Os curdos dim que a participaçom dos turcomanos no sistema é umha negaçom clara da alegaçom de limpeza étnica de Ancara. Esad El Yasin, que representou aos turcomanos na reuniom de Tell Abyad, dixo que apoiava todos os aspectos do sistema de federalismo proposto e que os beneficia.

Como era de esperar, o regime de Damasco afirmou que a declaraçom unilateral de umha federaçom é ilegal. O membro do PYD, Zuhat Kobanî, dixo a Al-Monitor que os recentes confrontos entre as forças das YPG e pró-governamentais em Qamishli refletiam de desconforto de Damasco com o movimento curdo.

Poderia o federalismo realmente ser umha panaceia para a crise síria, como alguns insistem? Os curdos, sob a liderança do PYD estam confiantes do seu futuro nas áreas de maioria curda. Os curdos tenhem debatido por muito tempo o conceito de autonomia democrática formulada polo líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistam Abdullah Ocalan. Mas este nom é um conteúdo familiar para as tribos árabes da Síria. Fontes curdas dim que eles mudaram para o federalismo, porque muitas pessoas nom podiam entender o que a autonomia democrática e um sistema cantonal acarrea. Os curdos som umha comunidade organizada que pode lidar com as instituiçons democráticas autonomas. Eles adquiriram experiência em governança local significativa ao longo dos últimos cinco anos, começando com os comitês de base nos bairros e aldeias.

As mulheres desempenham um papel importante no auto-governo curdo. Os cantons curdos promovem umha quota de 40% para a participaçom das mulheres nos assuntos públicos. isso pode ser feito em regions onde às mulheres som-lhe negado um papel público?

Há muitas outras questons complexas, tais como a forma de demarcar as fronteiras, a estrutura da administraçom pública, as quotas para grupos étnicos e como regulamentar as relaçons entre as diferentes áreas. O comitê eleito de 31 membros deu-se-lhe seis meses para resolver estas questons. Para alguns, esta tarefa é muito difícil – para outros, simplesmente impossível.

De acordo com Iso, as fronteiras do sistema federal serám determinadas polos limites de control das YPG[/SDF]. Os curdos nom estam insistindo sobre a inclusom de localidades que as YPG nom seriam capazes de controlar na federaçom. É por isso que, se se libera do ISIS, Raqqa poderia formar umha entidade federal separada. O mesmo vale para El Bab, Menbic e Azaz, onde os curdos som a minoria e o control das YPG está fora de questom. Eles som conscientes de que qualquer tentativa das YPG para impor o seu domínio sobre áreas povoadas densamente por árabes e turcomanos- seria suicida. Já existem sinais preocupantes de resistência colectiva tribal árabe para o movimento Federal curdo. Nessas áreas, as SDF compostas de árabes, curdos e turcomanos promove-se como o núcleo do futuro exército sírio e tenta provar que é capaz.

Em suma, o sistema federal recém-introduzido vai passar por umha série de provas sérias por causa de consideraçons internacionais, a atitude do regime sírio e as linhas étnico-sectárias da regiom.

Will Syrian Kurdish self 02Fehim Taştekin é um turco que escreveu anteriormente para jornal turco Radikal. El é o apresentador de um programa semanal chamado “SINIRSIZ” no IMC TV. É um analista especializado em política externa turca, e assuntos do Cáucaso, Médio Oriente e da UE. É o autor de “Suriye: Yıkıl Git, Diren Kal” e foi o editor fundador da Agência do Cáucaso.
Publicado em Al-Monitor.

 

 

Nove perguntas e respostas para lançar umha luz sobre a violência no sudeste da Turquia

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 02 ypspor Frederike Geerdink*

Visom geral
Praticamente todos os dia estam morrendo civis na volta à violência entre o PKK e o exército turco. Alguns morrerom na rua há semanas, e nom podem ser enterrados polas suas famílias. O governo di que está luitando contra o terrorismo. Mas está? E porque é que a Europa nom di nada?

1. O que está acontecendo no sudeste da Turquia? Alguns exemplos para explicar a situaçom?

Há cadáveres nas ruas de Sur, o centro antigo da cidade de Diyarbakir. As suas famílias estam em greve de fome desde o 2 de janeiro para forçar as autoridades a permitir o enterro dos mortos, mas sem sucesso. O 13 de janeiro, a Associaçom de Direitos Humanos de Diyarbakir falou com o ajudante do governador de Diyarbakir, Mehmet Emir, que deu permisso para recolher os corpos naquela tarde. Mas quando o grupo, incluindo a deputada do HDP Sibel Yigitalp, chegarom o distrito de Sur, a polícia dixo que eles poderiam levar os corpos, mas so se que eles traiam em primeiro lugar as armas ou explosivos que jaziam na vizinhança dos corpos. Além disso, eles digerom que nom eram responsáveis pola segurança do grupo. Em seguida, o grupo considerou muito perigoso recolher os corpos. Tratava-se dos corpos de Mesut Seviktek, İsa Oran (ambos morreram o 23 de Dezembro), Ramazan Ögüt (falecido o 30 de dezembro) e Rozerin Çukur (morto o 8 de Janeiro). O mesmo acontece em outras áreas com toques de recolher.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 01 hungerstrikeOs civis estam sendo assassinados, incluindo crianças. Na semana passada em Cizre por exemplo, Hayrettin Sinik, de 10 anos, morreu de caminho para o hospital depois que el fosse ferido quando um morteiro atingiu a casa da sua família. Anteriormente, o 15 de janeiro Busra Akalin, também de 10 anos, morreu em Cizre, depois que ela foi ferida da mesma forma.

Cidades e bairros inteiros estam sendo destruídos. O exército utiliza artilharia pesada que dispara indiscriminadamente sobre áreas residenciais e sem saber contra quem e onde atingirom os projectis. Casas, mesquitas, escolas, todos estam danados, por vezes, tam fortemente que nom podem ser usados mais. O lixo acumula-se nas ruas. De acordo com Faysal Sariyildiz, deputado do HDP que está em Cizre há semanas e que relata intensivamente via twitter, a cidade cheira a lixo e pólvora.

Milheiros e milheiros de pessoas estam fugindo da violência, e porque há escassez de alimentos. Muitas vezes, a eletricidade é cortada também. O estado torna impossível às pessoas viver nas suas casas e continuar as suas vidas diárias de qualquer forma. Por vezes, durante os toques de recolher, com um pedaço de lençol branco amarrado a um pedaço de pau para tentam proteger-se contra os atiradores.

2. Logo, há uma guerra na Turquia?

Há. Mas nom é nova. Todo começou em 1984, quando o PKK realizou os seus dous primeiros ataques contra o Estado. Desde entom, tem havido umha guerra civil, de acordo com a definiçom comum de que umha guerra civil é um conflito armado dentro do território de um Estado, com a participaçom ativa desse estado, e com um número de mortes de mais de mil por ano (o que nom foi medido a cada ano desde 1984, mas com um número total de mortos de mais de 40.000, estes critérios podem ser considerados cumpridos). O termo guerra civil é um pouco enganador, guerra intra-estado seria mais preciso, umha vez que nom significa necessariamente que vários grupos de civis estam luitando entre si, o que nom é realmente o caso na Turquia: é umha guerra entre o Estado e o PKK, e explicitamente nom umha guerra entre curdos e turcos.

No entanto, umha das partes combatentes, o PKK, considera-a umha guerra colonial também. Consideram o exército turco e ao Estado turco umha potência ocupante. Nos seus primeiros anos, na década de 1970 e 1980 e ate o 1990, queriam a secessom da Turquia, mas há mais de umha década, mudaram o seu objetivo pola autonomia. Isso nom fixo as autoridades turcas menos potência ocupante, aos seus olhos, de modo que a guerra atual ainda é colonial também. Isto torna-se evidente, por exemplo, em declaraçons à imprensa da KCK (a KCK é umha organizaçom guarda-chuva de grupos curdos, da que o PKK forma parte), em que muitas vezes se referem ao exército turco como “exército de ocupaçom”.

O PKK considera a autodeterminaçom um direito, e de fato este direito está estabelecido solidamente em tratados internacionais dos que a Turquia é parte. É inevitável que, eventualmente, este conflito seja resolvido através da concessom aos curdos de algumha forma de autonomia. Quando esse dia chegue, nom é muito lógico que o exército e a polícia turca, que reprimirom e massacrarom os curdos desde antes mesmo da fundaçom da República Turca em 1923, continuará a ser a força armada legítima do Curdistam. Eles perderom essa legitimidade, comparável ao exército iraquiano nom ter nengumha funçom na regiom agora autônoma do Curdistam do Iraque, onde os peshmerga- considerados terroristas ilegais por Saddam Hussein – forom transformados nas forças armadas legítimas.

No final de 2015, o Congresso da Sociedade Democrática (DTK), um grupo guarda-chuva de dúzias de organizaçons da sociedade civil e dos conselhos locais, bem como membros de partidos políticos relacionados com o movimento curdo (HDP a nível nacional e DBP em um nível regional), sublinhou umha vez mais que a autonomia é essencial para a soluçom da questom curda. Vários prefeitos já declararom os seus municípios autônomos. Desde entom, a guerra, principalmente antes luitada nas áreas rurais das regions curdas, mudou-se para as cidades.

Por mais que o governo turco quer que o mundo exterior acredite que está, em verdade, luitando contra o PKK nas cidades e declarando os toques de recolher para proteger os cidadaos contra a repressom do PKK, os membros do PKK das montanhas nom descerom às vilas e cidades do Curdistam. A luita contra o exército e a polícia nas cidades é levada a cabo por um grupo de jovens, os YPS, os Yekîneyên Parastina Sivîl, em Inglês Unidades de Protecçom Civil. Estes grupos de jovens homens e mulheres anteriormente conhecidos como YDG-H, Movimento da Juventude Revolucionária Patriota. Eles consideram-se as forças armadas legítimas dos municípios onde foi declarado o autogoverno. Quando o YDG-H estava armado principalmente com cocktails molotov e pedras, as YPS também tenhem às vezes Kalashnikovs e lançadores de foguetes.

Há uma diferença importante entre o PKK e as YPS. As YPS podem estar afiliadas com o PKK, mas eles nom som, membros oficiais do PKK, sob o comando da liderança do PKK com base nas montanhas de Qandil, no norte do Iraque. oPelo menos, é isso o que o PKK afirma com veemência. Eles estam decidindo sobre o seu próprio curso de forma independente, e por isso o movimento da juventude pode ser comparado ao movimento das mulheres KJA (Congresso de Mulheres Livres), que também nom recebe ordens de ninguém.

Há somente umha pessoa a que as YPS escutariam, e é o líder do PKK, Abdullah Öcalan. El está em isolamento na ilha prisom de Imrali desde o 5 de abril de 2015 – bem, nom pode ser descartado que por trás houvesse algum contato, mas el nom pode receber os seus familiares, avogados ou membros do HDP, e, portanto, nom pode fazer qualquer declaraçom pública através deles. Se Öcalan podesse falar novamente, a chance de que a violência diminuiria é considerável. Quanto mais tempo o isolamento continue, porém, mais difícil fica para o governo do AKP quebrá-lo: isolando-o para tentar minimizar a sua importância, mas é claro que está acontecendo o oposto, o que se demostrará claramente quando el poida falar novamente. Situaçons semelhantes aconteceram antes, como em 2012, quando houvo umha greve de fome entre os membros do PKK e prisioneiros políticos em muitas prisons na Turquia, e alguns grevistas estavam prestes a morrer. O momento no que Öcalan dixo que a greve de fome tinha que parar, os presos começarom a comer novamente.

As YPS querem o exército turco fora dos “seus” territórios; o exército naturalmente nom o aceita, iguala o PKK com as YPS e tenta aniquilá-los. É notável que nom atingiram o seu objetivo, apesar de levar alguns meses de luita, com o segundo maior exército da OTAN, contra um contingente de jovens mascarados e mulheres com Kalashnikovs e foguetes. Entom, novamente, as ruas nessas cidades, especialmente em Sur (a cidade antiga de Diyarbakir), mas também em Cizre e Silopi, som estreitas, e um tanque ou veículo blindado nom chega muito longe.

Nestas batalhas de cidade, um monte de civis morrerom – ver a questom mais tarde. É, no entanto, nada de novo que a povoaçom civil é vítima da brutalidade do estado. Na década de 1990, cerca de três mil aldeias nas áreas curdas forom queimadas polo exército e milheiros de pessoas fugirom para outros povos e cidades. É por isso que muitos dos refugiados daqueles dias terminou no distrito de Sur de Diyarbakir, onde a violência é intensa agora e onde milheiros de cidadaos, mais umha vez tiverom de fugir polas suas vidas e encontrar abrigo em outro lugar.

3. Há estatísticas sobre os toques de recolher e mortes de civis?

Sim, várias organizaçons documentam o que está acontecendo.

A Fundaçom de Direitos Humanos da Turquia (TIHV) fez um informe sobre os toques de recolher e as suas consequências. Houvo 58 oficialmente confirmados, o toque de recolher por tempo indeterminado e-ininterruptus em polo menos dezanove distritos de sete cidades (eles mencionam as províncias de Diyarbakir, Mardin, Sirnak e Hakkari, mas mais especificamente, por exemplo, Silvan, Dargeçit, Nusaybin , Sur, Silopi, Cizre, Yüksekova, Lice e outros). Nessas áreas residem, cerca de 1.377.000 pessoas. Eles afirmam que, com base em dados do seu centro de documentaçom, 162 civis forom mortos, entre os quais 29 mulheres, 32 crianças e 24 pessoas com mais de 60 anos de idade.

Também de acordo com o TIHV, só entre o 11 de dezembro de 2015 e o 8 de janeiro do 2016, 79 civis forom mortos, dos quais quatorze eram mulheres e um bebê por nascer (morto por um tiro no ventre). Dessas 79 pessoas, polo menos 22 foram baleadas dentro dos limites das suas casas, seja dentro de casa, na soleira da porta ou terraço ou no jardim. Quatro pessoas morrerom em operaçons ligadas fora das áreas do toque de recolher.

Os toques de recolher em Sur e Cizre estam em andamento: a 19 de janeiro, estavam em seus respectivos dias 49 e 38. Com base em relatos dos medios de informaçom, o TIHV afirma que em todas as áreas dos toques de recolher cerca de dez mil forças de segurança foram enviados, juntamente com centos de veículos militares blindados, como tanques, veículos blindados e canhons. A partir do 19 de janeiro, o toque de recolher em Silopi, que começou no mesmo dia como o de Cizre, foi levantado durante o dia de cinco am a seis pm, mas continuou nas horas da tarde e noite.

Para obter detalhes sobre as dadas dos toques de recolher e os nomes e idades dos civis mortos, a ‘tabela detalhada‘ para baixar que o TIHV oferece no seu site.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 03 silopiNom está claro quantos membros das forças de segurança (exército e polícia) foram mortos na violência em curso. Também nom fica claro quantos dos civis mortos eram realmente membros das YPS. Há perdas entre os membros do PKK também, mas estas mortes, em geral, nom ocorrem nas cidades, mas nas áreas rurais e nas montanhas de Qandil, onde os bombardeios polo exército turco estam em curso. Há exceçons: na cidade oriental de Van, doze membros do PKK forom executados o 10 de janeiro, mais informaçons neste artigo, e em Kiziltepe dous membros do PKK forom mortos pola polícia durante umha missom lá.

A Human Rights Watch publicou um relatório a meiados de Dezembro, e tinha meticulosamente investigado quinze mortes de civis em Setembro e Novembro, em Cizre (província de Sirnak), Silvan (Diyarbakir) e Nusaybin (Mardin). O relatório nom oferece estatísticas detalhadas, mas descreve as condiçons em que a povoaçom tem de viver, incluindo a falta de comida, água, eletricidade e assistência médica.

Emma Sinclair-Webb, investigadora na Turquia, di no relatório: “O governo turco deve controlar as suas forças de segurança, interromper imediatamente o uso abusivo e desproporcional da força, e investigar as mortes e danos causados polas suas operaçons. Ignorar ou encobrir o que está acontecendo com a povoaçom curda da regiom só iria confirmar a crença amplamente difundida no sudeste que, quando se trata de operaçons policiais e militares contra grupos armados curdos, nom há limites – nom há lei.” O relatório completo pode-se ler aqui.

Amnistia Internacional também falou contra os toques de recolher e as operaçons militares, em umha chamada “açom urgente”. Nom só eles apontam para os toques de recolher, que carecem de base jurídica, e as mortes de civis, mas também chamam a atençom para o feito de que as manifestaçons contra o toque de recolher som geralmente proibidas e atacadas pola polícia, violando assim o direito à liberdade de reuniom. A açom urgente pode ser lida aqui.

4. Quem di que os civis morrerom todos polo fogo do exército ou da polícia? Nom poderiam ser balas ou foguetes das YPS também?

Isso poderia ser. O problema é que nengumha das mortes está investigada completa e independentemente. Os corpos som levados para o necrotério, onde se escreve um informe da autópsia, e já. O Estado tem a obriga de investigar minuciosamente a morte violenta dos cidadaos, mas isso nom acontece.

5. Houvo um processo judicial no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (CEDH) para que as toques de recolher sejam declarados ilegais. Como vai isso?

O caso está pendente. Os avogados que recorrerom ao CEDH pedirom que os toques de recolher fôssem suspensos enquanto o tribunal está a deliberar o caso, mas o tribunal rejeitou isso. Como o tribunal funciona lentamente, nom é esperado um veredicto em breve, mas, provavelmente, dentro de um ano. O que significa que o veredicto só virá quando os toques de recolher atuais estejam já levantados, entom que exatamente é o ponto? Riza Turmen, ex-juiz do CEDH e ex-deputado polo maior partido da oposiçom, o CHP, agora ensinando a lei dos direitos humanos na Universidade de Bilkent, em Ancara, conta: “O tribunal vai determinar que aconterom violaçons dos direitos humanos, e é importante estabelecer isso. Vários direitos humanos som violados durante os toques de recolher, o mais importante o direito à vida, o direito de nom ser exposto a maus tratos e a privaçom de liberdade.’

Ramazan Demir é um dos avogados que assistente na CEDH. El di: “O tribunal nunca ordenara a um país acabar com os toques de recolher, mas pode encomendá-lo a tomar medidas contra as violaçons dos direitos humanos durante os toques de recolher. Até o veredicto é conhecido, imos requerer ao tribunal por casos concretos urgentes. ”

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 04 paksoyO primeiro pedido dos avogados ao tribunal o 18 de Janeirofoi: as autoridades tenhem de permitir umha ambulância recolher o ferido Hüseyin Paksoy das ruas em Cizre, onde tinha estado à espera por ajuda médica por quatro dias. Paksoy era para ser internado no hospital, mas já era tarde demais: morrera. Ramazan Demir: ‘Enquanto isso, há outras pessoas feridas que precisam de cuidados médicos. Estou constantemente ao telefone com Faysal Sariyildiz, (deputado em Cizre do HDP), que se está esforçando por tirar os feridos fora das ruas e leva-los os hospitais.’

6. Por que o movimento curdo declarou o auto-governo? Isso é contra a Constituiçom, certo?

Sim, é contra a Constituiçom. Assim sim, há fundamento legal para julgar os prefeitos que declaram a autonomia nos seus municípios.

No entanto, o movimento curdo, em todos os anos que luita polos direitos curdos, tem frequentemente violado a lei, porque eles nom consideram as leis da Turquia legítimas ou em conformidade com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos. Eles digerom: ‘Nós eramos curdos nos dias em isso era considerado um crime. Eles começarom aulas de língua curda antes de que fosse permitido legalmente. Eles falarom curdo em reunions políticas quando isso ainda era umha razom para ser processados (que foi até o outono do 2013). Eles abrirom escolas em que o curdo era a língua de instruçom embora ainda nom existia nengum fundamento legal para isso. Declarar a autonomia pode ser visto neste âmbito: os curdos nom esperam até que os direitos lhes som concedidos, egerzem-nos, e, eventualmente, o Estado vai apanhar e legalizar umha situaçom já existente.

Essas declaraçons e apoios o autogoverno som pressiom ao governo. Prefeitos som detidos e presos, e o AKP ameaça de levantar a imunidade parlamentar dos deputados do HDP que falarom em favor do autogoverno. Estes som riscos calculados polo movimento político curdo. Eles sabem que nom vam conseguir facilmente os seus direitos e estam dispostos a fazer sacrifícios pessoais.

7. Por que o governo está fazendo o que está fazendo?

Boa pergunta. Havia alguma esperança de que a violência iria diminuir após as eleiçons antecipadas do 1 de novembro, na qual o AKP recuperou a maioria no parlamento que perdera nas eleiçons gerais do 7 de Junho. Mas na verdade a violência tem-se intensificado.

Pode haver duas razons para isto. Primeiro o desejo do presidente Erdogan para modificar a constituiçom e substituir o sistema parlamentar por um presidencial, com el mesmo segurando as rédeas do poder. O AKP no entanto nom tem assentos suficientes no parlamento para mudar a Constituiçom e levá-la a um referendo: precisa de 330 votos no Parlamento (3/5 dos 550 assentos), e tem 317, treze por baixo. Por isso, precisa do apoio de treze deputados da oposiçom, e com a violência atual, eles podem ser capazes de convencer aos ultra-nacionalistas do MHP. Afinal de contas, a violência entre as eleiçons atraiu a muitos eleitores do MHP ao AKP, e um lider e deputado do MHP já mudou para o AKP antes do 1 de Novembro.

Com a violência, Erdogan teria atingido dous coelhos de umha pedrada. Pode ser capaz de ganhar mais deputados do MHP. Mas mais caos no país pode também ajudar a convencer os cidadaos turcos sobre a necessidade de umha presidência forte com poderes executivos – por enquanto, longe de que umha maioria de turcos parecem estar convencidos da Turquia ter um sistema presidencial.

Em segundo lugar, a situaçom na Síria é importante, e provavelmente a principal razom pola qual está acontecendo. No início de julho de 2015, a Turquia intensificou a sua luita contra o ISIS, abrindo as bases aéreas de Incirlik e Diyarbakir aos F16 dos americanos que queriam bombardear o ISIS na Síria e no Iraque. Antes disso, a Turquia já tinha aumentado as detençons de supostos membros do ISIS dentro da Turquia, também invadindo casas e confiscando armas e fardas de batalha. Parecia que os turcos figeram um acordo com os EUA, e talvez também com o PYD, que rege nos cantons curdos na Síria: os curdos na Síria nom iriam avançar ainda mais para o oeste ao longo da fronteira com a Turquia. A Turquia é apavorada com que os curdos sírios, filiados ao PKK, assumam o control de todas as terras que fazem fronteira com a Turquia. Do ponto de vista da Turquia, essa é umha ameaça maior do que ter o ISIS na fronteira, umha vez que eles percebem o ISIS como umha mera ameaça superável à segurança e o PKK como um perigo para a sua unidade nacional.

Durante meses, o PYD e as forças armadas das YPG de feito nom se moverom mais ao oeste, e a força aérea americana nom bombardeou a área ao redor Jarablus, a cidade mais próxima ao oeste do território PYD/YPG, para apoiar militarmente as YPG, como tinha feito anteriormente por um curto período de tempo. A “linha vermelha” da Turquia era o rio Eufrates, que marcava a fronteira oeste do território do PYD / YPG. Os curdos nom a cruzarom- até o 26 de dezembro, quando as Forças Democráticas Sírias (SDF), umha aliança de diferentes milícias das que as YPG é umha parte, assumiu o control da represa de Tishrin.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 05 mapmanbijA Turquia nom foi capaz de impor a sua “linha vermelha”, e nom tem meios para fazê-lo. A única maneira de enfraquecer as YPG, de acordo com a avaliaçom da Turquia, é enfraquecer o seu irmao maior, o PKK, iniciando umha guerra total contra el e os seus jovens filiais nas cidades.

Este objetivo pode ser claro, mas é incerto se a Turquia tem umha estratégia real para ganhar esta batalha contra o PKK e as YPS. Nom foi capaz de vencer a resistência nas cidades, e, embora que afirmam que matarom centos de membros do PKK, estes números som impossíveis de verificar. A organizaçom nom perdeu o seu poder ataque, como ficou claro em um ataque do PKK em umha delegacia de polícia em Cinar, província de Diyarbakir, o 14 de Janeiro, em que um número ainda incerto de policiais (o estado di que um, o PKK reivindica mais de trinta) e cinco civis, entre os quais duas crianças morrerom (mais sobre isso mais tarde). A Turquia está enviando cada vez mais equipes especiais e equipamento militar para a regiom, que com certeza nom é um sinal de que as operaçons estejam indo bem.

A guerra realiza-se contra o povo do Curdistam, bem como, contra o movimento político curdo. Nom só muitos civis som mortos, mas também milheiros de pessoas estam fugindo das suas casas, deixando as áreas do toque de recolher, segurando bandeiras brancas e algumhas das suas pertences, e contentam com o tempo de estar com a família ou em aldeias onde eles podem ter umha pequena casa de verao . Ainda nom está claro se esta limpeza das cidades com o toque de recolher é umha estratégia do Estado, ou o resultado de umha falta de estratégia – talvez as operaçons estam levando mais tempo do esperado. Bairros e cidades inteiras som abatidos a escombros por tanques, morteiros e helicópteros. Um memorial chocante da década de 1990, quando o exército destruiu de 2000 a 3000 aldeias no sudeste e provocou centos de milheiros de pessoas fugindo.

O Estado turco está determinado a quebrar a vontade curda para obter umha maior autonomia a que têm direito. Isso parece estar intimamente envolvido com a caça que o AKP começou de representantes do movimento político curdo, mais especificamente o HDP, no parlamento tem 59 escanos. E se a imunidade de alguns deputados do HDP é levantada? E se, para ser mais específica, a imunidade de 28 deputados do HDP é levantada? Isso significaria que o 5% dos escanos parlamentares nom estariam ocupados, o que significa que novas eleiçons deveriam ser realizadas. Poderia ser este o que o AKP, leia-se Erdogan, persegue? Os rumores de que o objetivo de Erdogan som novas eleiçons começarom, e esta é umha maneira no que poderia ser realizado.

Todo o que o AKP precisa fazer em umhas novas eleiçons é que o HDP esteja sob o limiar do 10%. Se conseguirem isso, os votos dos distritos onde o HDP venceu iriam para o segundo maior partido naquel distrito, que é o AKP nas regions curda. Isso poderia fazer obter o AKP umha super-maioria de 400 escanos, especialmente quando a violência é contínua e as pessoas podem estarr convencidas da necessidade de um governo forte de partido único – correçom: um sistema presidencial, com um presidente segurando poderes executivos. A Constituiçom pode ser alterada sem referendo pola votaçom de 400 deputados em favor da mudança constitucional.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 06 weguitsurA mudança atual de muitos civis das suas cidades vai ajudar o AKP, pois ajudou o partido nas eleiçons do 1 de Novembro: análises independentes mostrarom que o HDP perdeu votos porque muitos curdos deixaram as suas cidades devido ao toque de recolher e a violência e, portanto, nom eram capazes a votar onde estavam registrados oficialmente. Com dúzias de milheiros de pessoas fugindo, e talvez uma intensificaçom dos toques de recolher em áreas onde há muita neve, umha vez que chegue a primavera, isso poderia ter um efeito significativo sobre qualquer resultado eleitoral. O HDP obtivo o 10,7% nas eleiçons do 1 de Novembro e está perigosamente perto do limiar do 10%. Poderiam retornar à estratégia anterior de correr como independentes para contornar o limite, mas isso nom é muito provável.

Especulaçons rebuscadas? Talvez, mas isto é a Turquia. Imos continuar olhando atentamente o desenvolvimento.

8. Por que o PKK matou civis no ataque em Cinar?

O próprio PKK di que os civis nom eram o objetivo. Montarom um carro-bomba para explodir em frente à delegacia de polícia em Cinar, província de Diyarbakir, umha das estaçons onde as operaçons das forças de segurança estam sendo coordenadas. De acordo com as autoridades turcas, 6 pessoas morreram, entre os quais um policia, três civis adultos e duas crianças. De acordo com o PKK, mais de trinta policias morreram e cinco civis, incluindo duas crianças. Quem tem razom? É impossível determinar isso.

Os civis eram membros da família de policias. É comum que as famílias de policias fiquem em compostos estaduais durante o destacamento policial no sudeste, geralmente por um par de anos antes de serem transferidos para outro lugar. A delegacia de polícia tinha vários andares, os superiores em uso residencial. A questom de por que os civis estam alojados no mesmo edifício que a delegacia nom está entre as perguntas que podem ser feitas na Turquia.

O PKK pediu desculpas polas mortes de civis e ofereceu condolências às famílias. Isso causou muita raiva: primeiro matam, em seguida, pidem desculpas? Um membro do PKK disse-nos: “Matar civis é um erro. Devemos-nos preocupar especialmente polas crianças, nom devemos matar civis.’
O ataque encaixa na estratégia do PKK que como me explicou o co-líder do PKK, Cemil Bayik: o PKK ataca as forças de segurança fora das cidades para tentar enfraquecer a polícia e o exército, para que possam operar de forma menos eficaz nas vilas e cidades.

9. Por que está a Europa em silêncio? E a imprensa europeia?

Europa fixo um acordo com a Turquia sobre os refugiados. Atendendo à evoluçom da Europa e das entranhas Europeias, a Europa está centrada em fazer nada para impedir os refugiados chegar à Europa. Nom é que isso seja possível, mas ao menos para os seus cidadaos cada vez mais reclamando-o, tenhem que manter as aparências. Em troca a Turquia fará os esforços para impedir os refugiados, a UE comprometeu-se a revitalizar o processo de adesom à UE com a Turquia. Turquia conhece a UE e nom vai desistir do acordo facilmente e pode violar os direitos humanos e esmagar o movimento curdo sem impedimentos por parte da UE. A UE manobra a esta situaçom cínicamente, com conhecimento de causa e, portanto, de bom grado. Nom é nada novo, porém, que a vida dos curdos estam baixos na sua lista de prioridades. Ou as vidas dos refugiados, para este assunto.

A UE e os EUA também precisam da Turquia na sua luita contra o ISIS. Turquia usa isso para conseguir a aprovaçom implícita da sua luita contra os curdos. A UE está a dar essa aprovaçom, basicamente, explicitamente, ao reconhecer o direito da Turquia para combater o terrorismo. Nom há muito mais que poidam fazer, umha vez que o PKK também está na sua lista de organizaçons terroristas. Mas nom acho que essa lista é umha espécie de lista objetiva cientificamente provada de organizaçons terroristas; a lista é umha ferramenta política para forjar amizades entre os estados (e para cortar os fluxos de dinheiro para as organizaçons da lista, entre outras cousas). Seria bom se o PKK já nom estiver na lista de organizaçons terroristas da UE, mas é por enquanto impossível tirá-la, porque isso iria prejudicar demais as relaçons entre a Turquia e a UE. Na verdade, a Turquia está a pressionar a UE para adicionar mais organizaçons curdas à lista, como a organizaçom guarda-chuva KCK.

No entanto, nom é verdade que ninguém na Europa se preocupe com o que acontece com os curdos. Recebim chamadas e também reunim com vários políticos e decisores políticos da UE que querem informar-se melhor e saber o que pode ser feito sobre as violaçons de direitos humanos atuais. Esses contatos som confidenciais, entom nom podo revelar com quem conversei, mas certifico que nom som de partidos verdes nem de esquerda que já som antigos amigos dos curdos.

E a imprensa europeia? Há jóias, e vas ve ver e ler, se mantes umha estreita vigilância. Mas, infelizmente, há muitos grandes meios de comunicaçom que confiam demais nas informaçons das autoridades turcas e nom estam dispostos ou som capazes de informar desde o território. As jóias provam que ainda é possível ir o sudeste, e, embora as áreas do toque de recolher nom estam acessíveis para a imprensa, há bastante histórias lá, que podem ser escritas. Os meios de comunicaçom que nom o fazem abandonarom a sua missom de informar e devem mover os seus traseiros lá o mais rápido possível.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey  07 Fréderike GeerdinkFrederike Geerdink é umha jornalista freelance de origem holandês que viveu em Turquia e o Curdistam entre o 2006 e 2015, quando foi deportada polo régime turco. Tem escrito numerosos artigos sobre o Curdistam e um livro sobre a matança de Roboski, onde a aviaçom turca assassinou a 34 aldeans.

O artigo foi traducido com o consentimento expresso da autora, e publicado originalmente em beaconreader (plataforma de jornalistas independentes).

 

Turquia planeja invadir Síria, mas para parar os curdos, nom o ISIS

Tanques turcosPor Thomas Seibert

O exército turco nom está entusiasmado e Washington pode ter as suas dúvidas, mas o presidente Erdogan parece determinado a criar umha zona tampom.

Istambul-O presidente de Turquia, Recep Tayyip Erdogan, está planejando umha intervençom militar no norte da Síria para evitar que os curdos sírios formem o seu próprio Estado lá, apesar das preocupaçons entre os seus generais e possíveis críticas de Washington e outros aliados da NATO, de acordo com as informaçons, tanto dos meios de comunicaçom pró e anti-governamentais.

Em um discurso o venres, Erdogan prometeu que a Turquia nom aceitaria umha jogada de curdos sírios para configurar o seu próprio Estado na Síria na sequência dos ganhos por combatentes curdos contra o chamado Estado islâmico, ou ISIS, nas últimas semanas. “Eu estou dizendo isso para todo o mundo: Nós nunca permitiremos o estabelecimento de um estado na nossa fronteira sul, no norte da Síria”, dixo Erdogan. “Vamos continuar a nossa luita em este respeito seja qual for o custo.” El acusou aos curdos sírios de limpeza étnica em áreas sob o seu control [sem provas].

Após o discurso, várias agências de notícias informaram que o presidente e o primeiro-ministro [em funçons] Ahmet Davutoglu tinha decidido enviar o exército turco a Síria, um movimento extremamente significativo pola segunda maior força de combate da OTAN após o exército dos EUA. Tanto o diário Yeni Safak, um porta-voz do governo, e o jornal Sozcu, que está entre os mais ferozes críticos de Erdogan, correram histórias dizendo que o exército turco tinha recebido ordens para enviar soldados ao longo da fronteira. Vários outros meios de comunicaçom tinham histórias semelhantes, todos citando fontes nom identificadas em Ancara. Nom houvo nengumha confirmaçom oficial ou negaçom polo governo.

O governo recusou a comentar sobre as informaçons. Mevlut Cavusoglu ministro de Relaçons Exteriores dixo que “o comunicado necessário” seria emitido após umha reuniom ordinária do Conselho de Segurança Nacional, que inclui o presidente, os líderes do governo e militares, este martes.

As informaçom dim que até 18 mil soldados seriam mobilizados para assumir e manter umha faixa de território de 30 quilómetros de profundidade e 100 quilômetros de extensom que atualmente está em mans do ISIS. Estende-se desde perto da cidade controlada polos curdos de Kobani no leste ate umha área mais ao oeste em mans do pró-ocidental Exército Livre Sírio (FSA) e outros grupos rebeldes, começando em torno da cidade de Mare. Esta “Linha Mare”, como a chama a imprensa, deve ser fixada com tropas terrestres, artilharia e cobertura aérea, dim as informaçons. Yeni Safak informou que as preparaçons deveriam estar concluídas o próximo venres.

Houvo especulaçons sobre umha intervençom militar turca desde que o conflito sírio começou em 2011. Ancara pediu às Naçons Unidas e os seus aliados ocidentais para dar a luz verde para criar umha zona tampom e umha área de exclussom aérea dentro da Síria, a fim de evitar o caos ao longo da fronteira com a Turquia e para ajudar os refugiados em solo sírio antes de passar para a Turquia. Mas o pedido turco caiu em ouvidos surdos.

As últimas notícias encaixam o comunicado de Erdogan do venres e a posiçom do governo sobre os ganhos recentes dos curdos sírios contra o Estado islâmico. O partido curdo sírio PYD e seu braço armado as YPG, filiais do grupo rebelde turco-curdo PKK, assegurarom umha longa faixa de território no norte da Síria desde a fronteira sírio-iraquiana ao leste de Kobani.

Ancara teme que os curdos agora voltem sua atençom para a área ao oeste de Kobani e na direcçom de Mare para ligar com a regiom curda de Afrin, ligando, assim, todas as áreas curdas da Síria ao longo da fronteira com a Turquia. Erdogan espera que os curdos sírios, cujos avanços contra ISIS tem sido ajudados polos ataques aéreos da coalizom liderada polos Estados Unidos, vaia continuar a formar o seu próprio Estado, como a Síria se desintegra após mais de quatro anos de guerra.

1435557777637.jpgO líder do PYD Saleh Muslim negou que os curdos da Síria pretendam fazer isso.

Mas os líderes da Turquia nom estam convencidos de que seja verdade. O diário Hurriyet informou que Erdogan e Davutoglu queriam “matar dous coelhos com umha pedra”, com umha intervençom militar ao longo da Linha Mare. Um dos objetivos seria dirigir ISIS longe da fronteira com a Turquia, privando os jihadistas da sua última posiçom sobre a fronteira e cortando assim as linhas de abastecimento. Tal movimento poderia combinar com a estratégia dos EUA para conter e enfraquecer o ISIS.

Um segundo objetivo da operaçom estaria mais próximo os interesses próprios de Ancara. O Hurriyet Daily News citou umha fonte dizendo que havia umha necessidade de “evitar que o PYD tome o control total sobre a fronteira turco-síria”, e também para criar umha zona em território sírio em vez de Turquia assumir novas ondas de refugiados.

Mas os militares estam relutantes, dim as informaçons. Os generais digerom-lhe ao governo que as tropas turcas poderiam vir contra o ISIS, curdos e tropas do governo sírio e ser arrastadas para o pântano sírio. Ataques de retaliaçom por parte do ISIS e militantes curdos em território turco som outra preocupaçom.

Finalmente, os soldados apontaram para a dimensom internacional. A liderança militar dixo-lhe ao governo que a comunidade internacional pode ter a impressom de que a intervençom da Turquia estava dirigida contra os curdos da Síria, informou o jornal Haberturk.

Parceiros da NATO na Turquia, alguns dos quais implantarom tropas que operam unidades de defesa de mísseis Patriot perto da fronteira com a Síria para proteger um país membro, Turquia, contra possíveis ataques da Síria, é improvável que estejam felizes com umha intervençom turca.

A imprensa pró-governo da Turquia insistiu em que nom havia tensons entre os líderes civis e militares em Ancara. “Se o governo diz ‘imos’, imos entrar”, escreveu o diário pró-Erdogan Aksam, tentando resumir a posiçom dos militares em um manchete.

O domingo, eclodiram combates entre as tropas do ISIS e unidades do FSA perto da cidade de Azaz, perto do cruzamento de Oncupinar na fronteira turca. Segundo a imprensa, o ISIS estava tentando que o lado sírio da passagem de fronteira sob o seu control. A área dos últimos confrontos encontra-se dentro da “Linha de Mare” citada como a possível localizaçom de umha incursom turca.

Publicado em The Daily Beast.

 

Rojava vai criar umha nova Civilizaçom: Entrevista com o Co-presidente do PYD: Salih Muslim

Salih MuslimEsta entrevista com o copresidente do PYD Salih Muslim foi conduzida por Kovan Direj para Kurdish Question.

O primeiro de todo, quero agradecer por nos dar um pouco do seu tempo, feliz Newroz e parabéns pola libertaçom de Kobane.

P: Que aconteceu em Kobane?

R: Caso me perguntar o que aconteceu em Kobane, para ser honesto, até agora, nom sabemos. Como você sabe, há dous anos, houvo confrontos pesados e Kobane foi cercada. Desde entom, até o 15 de setembro, eles [o ISIS] atacou e tentou começar a eliminaçom de Kobane, mas o povo resistiu. Eu nom podo dizer qual foi a política da comunidade internacional, mas o que aconteceu com Kobane foi feito intencionalmente. Kobane luitou, resistiu e venceu e agora queremos curar as nossas feridas. Até agora, a guerra ainda está em curso em algumhas partes. Por outro lado, as últimas estatísticas mostram que cerca de 50 mil pessoas retornaram para Kobane. A maioria ou todos vam, eventualmente, voltar, mas agora estamos a ter um momento muito difícil com a alimentaçom e habitaçom dessas pessoas. A cidade e as aldeias ao redor também tem que ser reconstruídos. Mais do 80% da cidade foi destruída e reduzida a pó, e as aldeias nom tiverom melhor sorte, temos que reconstruir todo. Algumhas pessoas de Kobane trabalharom toda a sua vida na construçom das suas casas e gastarom todos os seus aforros neles – agora todo tornou em pó. A pergunta é quantas vezes nós temos que reconstruí-lo? Estamos esperando. Queremos pedir aos nossos amigos, à comunidade internacional e aos nossos colegas curdos para nos ajudar, para que poidamos ajudar ao nosso povo a reconstruir umha vida normal. Queremos fazer isso para que as pessoas poidam voltar. Queremos ser capazes de oferecer-lhes umha melhor qualidade de vida, em liberdade e paz, e queremos construí-la melhor que antes.

P: A principal preocupaçom é reconstruir Kobane. Como o PYD, um governo baseado na auto-gestom, há países que prometerom ajudar com a reconstruçom? Já os contratos forom assinados com esses países?

R: Como você sabe, nós seguimos a palavra do nosso povo. Se eles nos ajudam a reconstruir, o povo vai decidir como. Por esso encontramos mais relaxado que o nosso povo vai tomar a decisom. Estamos felizes porque é a decisom do nosso povo. Agora há um grande conselho instituído responsável pola reconstruçom Kobane. Polo que entendim, tem sete comissons, e agora eles estam calculando, analisando e planejando o que precisam. Para ver um exemplo, quantas casas, prédios etc.

Eu acho que com todos esses planos e cálculos atingiram umha meta. Infelizmente, nom assinamos nengum contrato fora do país, mas que já visitamos um monte de gente e batemos em muitas portas. Pedimos-lhes para nos ajudar a reconstruir Kobane. Explicamos-lhes o que aconteceu em Kobane e agora todo mundo o sabe. A nossa luita em Kobane nom era apenas para o nosso povo, mas por toda a humanidade. Por esta razom é responsabilidade da comunidade internacional para nos ajudar, eles devem fazer o seu dever. Muitos digerom que sim, mas nom recebemos ajuda. Mas acima de tudo, os países escandinavos amosarom-se bastante felizes em ajudar, e fora deles Finlândia mostrou o maior interesse. Temos vindo a informar às pessoas e pedir-lhes para ajudar através de sociedades civis e organizaçons. Isso é só o começo, ainda estamos esperando por mais. Nom só esperando, estamos sobrevivendo. Estamos pedindo à comunidade internacional ajuda.

P: Antes que alguém tinha ouvido o nome ISIS, você e seu povo forom os primeiros a combatê-los em Serekaniye há dous anos. Por que nom aceitam ao seu movimento, enquanto sim o fam com outros semelhantes ao ISIS (al-Nusra etc.)?

R: A organizaçom, mentalidade e ideologia do ISIS / Daesh existia antes do nome. Antes, forom utilizados outros nomes, tais como Jabhat al-Nusra, etc., que, em seguida, tornou-se o nome local para o ISIS. A maioria deles estava fingindo ser do FSA. Como você sabe, a sua mentalidade é Jihadi, eles querem eliminar aos outros, e, infelizmente, recentemente, tornou-se num plano para eliminar aos curdos. Nom só aos curdos, mas também outras pessoas que vivem com os curdos. O seu plano consiste em substituir e eliminar aos curdos e outras minorias. Serekaniye era umha localizaçom estratégica, tam importante quanto Kobane. Mas há três anos em Serekaniye nom era o mesmo que em Kobane. É verdade que há dous anos eles baterom lá e, desde entom, tentou atacar Kobane. Mas nom vamos esquecer Shingal, onde ocorreu o maior ataque. Eles figerom o que figerom em Shingal e, em seguida, atacarom Kobane. Se você me perguntar o que eles queriam, eu acho que eles mesmos nom o sabem. A única cousa que sei é que eles querem ir para o céu. Como você pode ver a partir das suas aços e resultados, é claro que está se tornando um plano ou um jogo para os outros. Eu nom consigo ver qualquer estratégia no que eles estam fazendo. A pessoa que os está enviando tem umha estratégia e um grande plano. Como podemos ver, há um esforço por eliminar ao povo curdo, porque eles poderiam ir contra outros. Mas temos pensamentos, umha estratégia e olhos para ver. Vemos que está sob o tapete, apoiar e armar-se. A esse respeito que eles também fam parte do projeto. O que podemos ver a partir dos luitadores do Daesh (ISIS) é que eles nom sabem o que querem. Se você olha para as pessoas que atacarom Kobane, eu estava muito curioso por capturar um. Eu queria perguntar-lhes que queriam de Kobane, para explicar-me os seus objetivos. Eu nom entendia os seus objetivos sozinho. Eu queria perguntar-lhes por que e quem os enviou para Kobane. Eles nom tiverom sorte no ataque Kobane.

P: Desde a primeira batalha de Serekaniye há dous anos, vocês acusarom à Turquia de apoiar essas organizaçons terroristas. Qual som as provas para isso?

R: Nós nom estamos acusando a Turquia de nada, mas há algumhas evidências. Há evidências de que a Turquia e os grupos tenhem conexons e relaçons. Sabemos que as cousas estam acontecendo, existem relaçons abertas e secretas conhecidas. Se você perguntasse a Turquia se eles estam ajudando ao ISIS, é claro que eles dim que nom tenhem relaçons. Nas primeiras batalhas da Serekaniye, Turquia abriu o portom e deixou-nos entrar por aquele portom. Chegarom por trem e decolarom de Serekaniye desde Turquia. Foi lá que todo ficou claro. Até agora existem muitos campos de treinamento, que a Turquia afirma ser para o FSA. Você nom pode dizer o que esses tipos de relacionamentos som, mas o que saiu nos mídia e até mesmo nos seus próprios mídias era clara. Ficou claro que, na batalha de Kobane, aqueles que atacarom o portom da fronteira de Kobane vinherom da Turquia. Os mídia mostrarom como o exército turco e os combatentes do ISIS estavam tendo conversas fronteiriças. Este nom é que o digamos nós, foi relatado polos próprios midias da Turquia. Mesmo na TV turca havia cobertura ao vivo do mesmo. Se você olhar para os relatórios de inteligência em todo o mundo estam documentando como a Turquia está ajudando ao ISIS. Agora olhe para o que aconteceu nos ataques terroristas em Paris que causou a morte de civis. Depois de três dias, umha das agressores fugiu de Paris e chegou a Raqqa. Como? Por qual caminho? Através de Turquia é claro. Entom é verdade que a estrada está mais do que aberta. Eles ir e vir livremente. Nós nom estamos apenas acusando, mas estamos pedindo à Turquia para parar e cortar todas as relaçons com esses grupos. Estamos pedindo apenas amizade, e nom estamos a tratar a Turquia como um inimigo. Estamos pedindo que as pessoas da Turquia investiguem aqueles que estam lidando com o ISIS, para trazê-los aos tribunais.

P: A acusaçom mais comum contra você e para o partido do que você é co-presidente, é de ser o PKK. Até que ponto você acha que isso é verdade?

R: O PKK para nós é um partido Kurdo e todo mundo sabe disso. Hoje nós somos um partido e estamos luitando polo Curdistam e os direitos dos curdos. Como você sabe o PKK é um partido popular curdo e a nossa relaçom com el é a mesma relaçom que temos com o KDP, o PUK, o HDP, e o BDP. Temos também relaçons com os partidos islâmicos do KRG e até mesmo com o PJAK. Temos relaçons com esses outros partidos curdos, o PKK é um deles. Mas algumhas pessoas querem bloquear a questom curda por parte da comunidade internacional e tentar fazer o trabalho de propaganda contra os direitos dos curdos na Turquia, a Síria, o Iram e o KRG. Como se o KDP, PUK e os partidos islâmicos do KRG som todos terroristas igualmente. Todos esses partidos tenhem boas relaçons com o PKK, como nós. Mas eles estam-nos acusando de umha forma negativa de ter relaçons com eles; Eu acho que existe algum tipo de propósito para essa propaganda. O objetivo dos curdos é ter relaçons com outros curdos. Eles som partes do Curdistam e por isso, devemos ter boas relaçons com eles. Isso é necessário e é o direito dos curdos. Vemos a todos os curdos como irmaos na mesma casa. Devido a isso, temos relaçons com o KDP e o PUK e, como deveríamos, com o PKK.

P: Você é acusado pola criaçom dos cantons. No futuro tenhem quaisquer pensamentos ou idéias sobre como conectar os cantonss? E depois uni-los, faram um referendo, como o KRG?

R: Eu tenho umha pergunta que eu quero que se responda. Como você sabe, o que está acontecendo na Síria tem sido ate agora quatro anos de caos. Que deve acontecer com as pessoas que som deixadas sem qualquer direcçom ou proteçom? Eu quero que esta questom sobre o futuro dessas pessoas a serem respondidas. Em resposta a isso, decidimos estabelecer os cantons. Fomos obrigados a estabelecê-los, fomos forçados a construir algo liderado polo povo. Queríamos organizar às pessoas para que elas nom viveram com fame, e ensiná-las a se protegerem. Fomos obrigados a estabelecer umha estrutura e isso, como você viu, era umha questom para o povo. Este projeto nom foi forçado sobre o povo, e foi escolhido nom só por curdos, mas também por assírio-siríacos, árabes e outros que compartilham o mesmo destino e que vivem com a gente na área. Eles criaram um conselho e no município que tomou essa decisom. Nós, como o PYD apoiamos o auto-governo democrático. O nosso projeto nom era construir esses tipos de cantons, mas o nosso projeto nom era contra isso. Tivemos vários projetos diferentes, buscamos umha Rojava como umha peça única, mas fomos obrigados a construir esses tipos de cantons. O nosso objectivo era conectar todos os cantons, mas como você sabe o ISIS está presente em muitas partes. Fomos obrigados a estabelecer a instalaçom porque nom estavamos dispostos a deixar que o ISIS prejudicara o nosso povo ou a viver sob o seu controle. Tínhamos duas opçons, ou deixar que as pessoas sofreram sob o ISIS ou proteger ao nosso povo, deixando que eles se organizaram e dirigiram. Nós vimos a criaçom de os cantons de ser umha boa maneira de proteger as pessoas. No futuro pretendemos unir Rojava e ligar os cantons um ao outro. Mas nós queremos ser abertos, de modo que os curdos vivem com outras minorias na Rojava – árabes, turcomanos e assírios-siríacos-caldeus. O que você vê no cantom Cizire é um exemplo para as outras partes. É um projeto muito inteligente. Nós pensamos que este projeto é bom nom só para a regiom curda, mas também para os outros usar em outras partes da Síria. Este é o primeiro projeto que está sucedendo no Oriente Médio. Nom há nenhum outro projeto democrático como este, desta medida no Oriente Médio. Nom é apenas democrático, mas também nom silencia as “minorias”. Aproxima-os ao projeto para que eles poidam representar a sua cultura e identidade. E nom vamos esquecer o aspecto principal desta sociedade que está centrada nas mulheres, incentivando-as e colocando-as no poder. Isso, aos nossos inimigos [ISIS] nom os fai felizes.

P: Você menciona as minorias. Rojava faz parte do Oriente Médio, e como todo mundo sabe, as minorias estam sendo empurradas para fora contra a sua vontade. Por que é Rojava diferente do resto do Oriente Médio?

R: Nós temos umha estratégia, e aqui, deixe-me corrigi-lo na medida em que nós nom os vêmos como minorias. Eles som as pessoas originais da área. Se o número é pequeno ou grande, nom importa para nós, eles vivirom com a gente por centos de anos. Partilhamos a nossa comunidade e a nossa cultura com eles. Com eles podemos melhorar a civilizaçom juntos. As primeiras civilizaçons nascerom nesta regiom; criamos juntos a Mesopotâmia. E nós queremos estabelecer um projeto real, novo e moderno. Na nossa mente vemos a Mesopotâmia melhor com diferentes pessoas, línguas e cores. Vemos como as pessoas vivirom centos de anos juntos. Se um dos povos desaparece, entom esta mesma Mesopotâmia nom continuará. Queremos fazer o oposto do que o Oriente Médio nos obrigou a fazer. Esse projeto anterior tinha como objetivo eliminar às pessoas da sua própria terra. O projeto era substituir Jazidis, siríaco-assírio-caldeus, armênios e outros. Eles queriam ter umha naçom de umha cor. Nós estamos completamente contra isso. O nosso projeto está baseado na democracia e a liberdade, incentivando as pessoas a mostrar quem eles som. Eu estou pedindo as pessoas que foram forçadas a deixar as suas terras a voltar. Ficaríamos muito felizes se todos os assírio-sírios retornaram às suas terras. A nossa terra é grande o suficiente para todos nós, somos o país mais rico do mundo. Rico nom só em recursos mas em cultura.

Como você sabe a mentalidade do ISIS tem mais de dous mil anos, eles querem forçar ao nosso povo para fazer isso. Nós estamos 180 graus contra esse projeto. Os recursos que saem da nossa terra som o suficiente para nós e para o mundo todo. Muitos tornarom-se ricos roubando osrecursos da nossa terra. Até agora eles estam sendo roubados. Eles usarom-os para comprar armas com as que luitar contra nossa. Imagine-se, nós somos os proprietários e nós estamos tendo os nossos recursos tirados de nós. Queremos que todas as pessoas viver juntas e compartilhar esses recursos. Nom há necessidade de viver em outros países e compartilhar o seu pam.

P: Imos voltar a Síria. Como se vê a si mesmo como um membrodo PYD dentro de um país chamado Síria? O vosso projetoé construir um outra KRG na Síria?

R: Nós, como o PYD escolhemos a auto-administraçom, e dizemos que nom é só para os curdos, mas para toda a Síria. Temos um projeto chamado Síria democrática, com muitas cores e etnias. Na Síria há muitas etnias e religions diferentes. Há ismaelitas, nós nom os temos em Rojava mas vivem em Hama, nom temos alauítas ou drusos em Rojava, mas existem em outras partes da Síria. Como você sabe, a Síria está composta de umha grande variedade, para o qual o projeto mais eficaz, que pode atender as necessidades dos Sírios – na nossa opiniom – é o modelo da auto-administraçom.

Na minha própria opiniom temos que deixar aos outros construir, como nós figemos. Até agora nós vemos-nos como umha parte da Síria, e estamos na Síria. Até agora, nós já pedimos a todos para vir e ver o que conseguimos. Quando as pessoas vinherom e virom o que aconteceu no terreno, eles ficam fascinados. Digerom que o projeto deve ser praticado em toda a Síria e desejamos que no futuro este projecto seja implementado em toda a Síria. Nós desejamos que a luita na Síria pare em breve. Queremos construir, com outros componentes, umha nova Síria, em que a liberdade e a democracia sejam a primeira prioridade. Queremos construir com eles, lado a lado.

P:Quero perguntar sobre as relaçons entre o PYD e o Ocidente. Algunss estam acusando-o de ser comunista e do PKK, e que estam contra os USA e as pessoas do Ocidente. Como responde a essas acusaçons?

R: Nom, claro que nom. Nós nom temos inimigos e nom somos inimigos de ninguém. E deixe-me dizer umha cousa, no momento em que listou o PKK como terrorista, nom foi umha decissom dos povos ocidentais ou dos seus governos. Foi apenas um serviço para algumhas pessoas e umha decisom muito ruim para a naçom curda. Como PYD, nom estamos envolvidos em questons em torno do PKK e outras relaçons. Essas relaçons nom som o nosso negócio. Nós nom seremos inimigo de ninguém. Queremos estabelecer relaçons com todos, e temos relaçon, mas, infelizmente, até agora, a UE, os EUA e o Ocidente nom nos vem com os seus próprios olhos nem nos julgam polas suas próprias medidas. Fam isso através das medidas de outros. Eles nom observam as leis da democracia quando se lida com o povo curdo. Até agora eles nom derom ouvidos para nós nem usaram os seus próprios ouvidos para nos ouvir. Eles nom conversam com o povo curdo usando a sua própria voz, eles usam a voz de outras pessoas. Por esta razom, a realidade dos curdos foi escondida ao povo ocidental. Mas a realidade saiu na última batalha dos curdos contra os bárbaros do ISIS, e outros como o ISIS que compartilham a mesma mentalidade. Os curdos nom som os que foram retratados como terroristas, nem estamos com fame de sangue. A verdade sobre os curdos veu à superfície, ainda mais durante o ano passado. Na UE e fora da UE, as pessoas estam começando a ver-nos com os seus próprios olhos e agora estamos tentando conversar com a gente com o seu próprio tempo e medidas. Até agora eu nom podo dizer que é suficiente. Se realmente querem estabelecer relaçons e umha democracia no Oriente Médio, se realmente querem entender a realidade do Oriente Médio, entom eles tenhem que escolher para aprender mais sobre os curdos. Nós, entom, aceitaremos quaisquer decisons que tomem em relaçom a nós, mas deixá-los nos ver com os seus próprios olhos e ouvidos. Porque o que está acontecendo agora é novo, nom para nós, mas para eles. Para nós é o mesmo, nós nom mudamos. Desejo pessoalmente estabelecer relaçons mais fortes.

P: Ouvim dizer que você foi impedido de obter a visa para os EUA. Por que acha que isso aconteceu? Por que os EUA tenhem esta política contra os curdos na Síria?

R: Deixe-me dizer que para mim ter a visa para os EUA nom é para ser turista. Se se trata de turismo eu nom quero deixar o meu país, tenho de todo no meu país. Gostaria de ir aos EUA para estabelecer relaçons e deixá-los ouvir a nossa voz, como eu já digem eles nom nos julgam de forma independente, é por isso que eu quero mostrar-lho. Há pessoas que querem que continue, e eu acredito que essas pessoas tenhem esse poder de bloquear a nossa voz. Até agora, nós insistimos em estabelecer boas relaçons com os EUA. Nós insistimos em fazer que os EUA nos ouvam com os seus próprios ouvidos, vendo-nos e que fagam o seu próprio julgamento. Queremos que eles vejam a nossa realidade no terreno, e ver quem somos. Até agora, eles nom se liberarom daqueles que estam trabalhando contra o povo curdo. Os EUA estam levando essa coalizom contra os terroristas, e no terreno estam a coordenar-se com o YPG. Nós temos relaçons com os EUA. Somos amigos nesta batalha. Deixe-me dizer-lhe umha cousa, há poucos dias, tivemos um mártir que era Inglês. El morreu nas mesmas trincheiras ca nós. Temos um mártir australiano e um alemao também. Os ocidentais estam conosco. E os nossos mártires som o tesouro mais glorioso que temos. Nós os vemos como as coroas, que som coroas e som luz que mostram o caminho para a paz e a liberdade. Para isso, por causa dos nossos mártires, estamos obrigados a estabelecer relaçons com eles. Através dos nossos mártires, já existe amizade entre os curdos e o Ocidente, mas queremos torná-lo mais forte. Queremos estabelecer relaçons mais fortes com os ingleses, australianos, alemaes e norte-americanos. Essa relaçom será alimentada polo sacrifício dos nossos mártires.

P: Um par de dias atrás, houvo umhas eleiçons em Rojava e no cantomde Cizire em particular. Havia alguns que nom se juntarom e acusarom-os de ser um ditador e o seu partido [PYD] de matanças e assediar às pessoas.

R: Tes que entender que tipo de eleiçons eram e para quê. No cantom Cizire, temos muitas cidades e vilas, como Derik, Qamishli, Serekaniye etc. e muitas aldeias que foram deixados sem liderança. Muitos municípios forom deixados sem qualquer administraçom e eles nom podiam ajudar às pessoas. Muitas padarias ficarom sem pessoas para funcionar e eles nom podiam servir ao povo. Quando contratas a alguém para leva-la, esses mesmos partidos que deixarom as padarias acusam-nos que contratamos pessoas do nosso próprio partido. Entom, queríamos fazer eleiçons para que quem for eleito contrate às pessoas. Queríamos ter eleiçons entre o povo, isso nom é umha idéia nova. Isso era para acontecer há dous anos, e como você sabe, antes, havia muitos municípios ligados ao regime. A maioria liscou quando o regime marchou. Essas pessoas que estavam a tomar o comando temporariamente nom fossem autorizadas a continuar, porque eles estavam temporariamente lá. Os líderes eleitos que foram votados polo povo vam ter que trabalhar para o povo. Queríamos fazer eleiçons e tivemos um conselho a partir destas eleiçons. Esse conselho, que como todo o mundo sabe nom tinha conexom com nós, eles eram neutros e estam na gestom da auto-administraçom. Eles estam integrados por curdos, assírios-siríacos e árabes. O conselho nom é umha idéia nova; já fai dous anos desde que tomamos esta decisom e outros partidos em umha reuniom em Hewler (Erbil). Esses partidos pedirom-nos de atrasá-las. Entom, nós adiamo-las por dous anos, mas agora nom podiamos adiá-las por mais tempo, porque essas pessoas precisam de gestom e queremos dar-lha. Pedimos aos partidos para designar os seus representantes nas eleiçons e quem obtenha os votos assumam a presidência assim como em qualquer outra naçom democrática. Esse conselho reuniu-se com outros partidos e outras forças políticas em Rojava. Eles decidirom ter umha eleiçom o 15 de março, todos concordarom. Umha semana antes das eleiçons algumhas pessoas publicarom declaraçons dizendo que eles nom estavam interessados nas eleiçons. O conselho eleitoral visitou-nos e pediu-lhes de nomear o seu representante dentro do conselho e escolher os nomes para os seus candidatos. O conselho pediu-lhes: na declaraçom que estás dizendo que esta eleiçom nom é a sua preocupaçom entom que podemos, o conselho, fazer para torná-lo certo? O conselho pediu-lhes que eles nom podiam deixar os municípios sem administraçom. Será que vamos fazer isso? Logico que nom. E eles digerom, você está certo, nom há nada de errado com isso, mas temos que adia-las. O conselho perguntou-lhes: “até quando?”, E eles responderom “mais tarde”. O conselho pediu-lhes: “quando? Um mês? “Eles responderom:” depois, depois “. O conselho pediu-lhes “, dous, três meses?” Eles repetirom a mesma resposta. O conselho pediu-lhes para escrever umha nova declaraçom que lhes mostrou pedindo para adiar as eleiçons e esperar dous meses, mas nunca o figerom. O conselho tinha de continuar com as eleiçons. Deixe-me dizer isso abertamente: Eu acho que há algumhas pessoas que só querem provocar. Eles nom querem ver Rojava como um símbolo da liberdade e da democracia na regiom, eles nom querem ver Rojava em boa forma. Se nós adiamos as eleiçonss nom veríamos Rojava, nom veríamos os cantons ou a administraçom. Se nom começamos, as nossas mulheres e esposas seriam vendidas nos mercados. O nosso povo ficaria sem nengumha proteçom. Você pode tirar o adiamento até um certo limite, mas depois el nom pode ser tomada mais. E se você fai umha declaraçom para o efeito, é só para provocar. Desejamos as pessoas a repensar esses passos e repensar o que vai beneficiar à naçom curda. Queremos ensiná-los e ensinar ao nosso povo as regras básicas da democracia. Para segurar umha caneta e escrever livremente sobre o que significa a democracia através do voto. E como você sabe, no futuro tenhamos eleiçons para as administraçons e deixar que as pessoas escolham o que queiram. Queremos que eles se juntem na administraçom dos cantons e as eleiçons que seram em julho ou agosto. Pretendemos fazer essa eleiçom e queremos ajudá-los. Queremos que todos se juntem a essa eleiçom. É para todo o nosso país, nom só para nós. Este eleiçom do conselho é feita pola decisom da reuniom Duhok-Erbil. Mesmo na reuniom de Hewler decidimos que tínhamos de ter as eleiçons que foram adiadas por um ano e meio. E na reuniom de Duhok tomamos a mesma decisom que tínhamos de ter umhas eleiçons, mas três meses depois, eles nom podiam escolher os seus representantes no conselho da Rojava devido a argumentos sobre a divisom entre si dos poderes. Sobretodo eles simplesmente dam ordens, eles nom tenhem as suas próprias normas para fazê-lo. Você tem que ser sério quando fas um trabalho, e se nom estás indo para fazê-lo, nom digas que estás indo para fazê-lo e, em seguida, retirar-se. E quando dis que vas fazer isso e nom estás indo para fazê-lo; torna-se num jogo de crianças.

P: Rojava compartilha fronteiras com duas áreas, a Turquia e a KRG e, principalmente, há um único portom da fronteira com a KRG chamado Semalka. Há acordos ou contratos com a KRG no portom da fronteira?

R: Quando conseguimos que esse portom se abrira, foi umha grande conquista. Ele deu esperança ao nosso povo de que poderiamos obter comida. Mas, infelizmente, tornou-se sujeito a pressons políticas. Usarom isso para colocar pressom política sobre nós, alguns figerom isso como tática política. Achamos que esse tipo de má política passou, porque o povo curdo das quatro partes do Curdistam estam-se unindo. E as pessoas estam pedindo aos curdos de estar unidos e nom aceitar mais erros que impedam que aconteça a unidade. Queremos construir a unidade, mesmo com o KDP. Queremos tornar o sonho dos curdos tornar-se realidade. Nós nom temos nengum outro, mas o nosso povo curdo, se nom podemos servir ao nosso povo e à nossa naçom ficariamos envergonhados. Por esta razom, queremos começar relaçons fortes com outros partidos curdos baseadas no respeito. Queremos que eles nom interrompam ou forcem aos outros a fazer o que quer que eles façam. Vemos ao KDP e a PUK como partidos curdos no mesmo nível que nós, vêmo-los como partes importantes do KRG. É da mesma maneira como vemos ao HDP no norte do Curdistam, na Turquia. Queremos que eles olhem para nós da mesma forma que olhamos para eles. Queremos construir boas relaçons e nom bloquear-nos uns aos outros. Eles estam dizendo agora vam e unem-se e, em seguida, venhem a mim, e eu abro a fronteira. Bem, eu acho que som as mesmas palavras de Bashar Al-Assad, que nos digerom no 2004. Estávamos ouvindo as mesmas palavras do regime baathista. Em 2004, tivemos umha enorme revoluçom na Rojava e tivemos umha luita contra o regime. Quando nós fomos às negociaçons eles digerom ‘sodes 10-20 partidos, quando se unam, as suas necessidades seram atendidas “. Nom é lógico e tes que ouvir às pessoas e ouvir o que eles querem. Nom encontrar umha desculpa, isso nom é a realidade. Este nom é lógico. Por esta razom, acredito que os políticos tenhem de respeitar a vontade e as decisons das pessoas. Quando fas isso como líder tes que respeitar aos outros também, e é verdade que somos irmaos e estamos felizes de ter aos partidos PUK, KDP, e Gorran. Esperamos que no futuro imos ter melhores relaçons e fazer que os desejos do nosso povo se tornem realidade.

P: Que pensa do futuro da Rojava? Qual é a sua mensagem para o povo de Rojava?

R: O povo de Rojava está passando por um teste, e estamos passando por isso agora enquanto estamos falando. Este nom é um teste normal, é mas difícil. Eles provarom-se e provarom que a vitória será sempre deles. É claro que nom termina agora, mas até agora eles ganharom a vitória. Rojava tornou-se um desejo e esperança para as três outras partes do Curdistam, e nom só para a povoaçom curda, mas para a comunidade internacional. Muitos exércitos nom conseguirom parar ao ISIS, mas os civis de Rojava figerom-o em Kobane e em outras áreas. E o que é muito interessante é que na linha da frente há batalhas, e na cidade, ao mesmo tempo realizam-se as eleiçons. Os curdos na Rojava nom tenhem exércitos ou países que os apoiem, mas a única cousa que eles tinham eram velhos AKs e umha vontade forte. Por causa de que se tornarom num exemplo para todos o mundo. E agora, quando atacam ao ISIS em muitas outras cidades eles dim-lhe ao ISIS, nom tendes vergonha de vós que a pequena cidade de Kobane vos derrotara? Nom só, mas também em Kobane, em Serekaniye e outras partes do Rojava.

Muitas vezes repetim que a Mesopotâmia criou as primeiras civilizaçons. Rojava estabeleceu umha nova civilizaçom também. E agora a Rojava está tomando a liderança em dar um exemplo de democracia em toda a Síria. E o nosso povo está orgulhoso disso. E você sabe que é verdade, quando vê um homem britânico ao seu lado na mesma vala e ele torna-se um mártir, como acontece com os australianos, alemaes e outros. Isso significa que todo mundo está olhando para você e levá-lo a sério e que a sua resistência está-se tornando um exemplo para o mundo.

http://kurdishquestion.com/index.php/kurdistan/west-kurdistan/pyd-co-chair-salih-muslim-rojava-will-establish-a-new-civilisation.html