Rojava inicia novo curriculum em Curdo, Árabe e Assírio

criancas-escola-artigoO ano escolar 2016-2017 começou na Federaçom do Norte da Síria – Rojava (NSR) e a auto-administraçom introduziu um novo currículo em curdo.

De acordo com a Comissom de Educaçom de Rojava, o velho currículum baathista foi substituído e a educação primária será agora ensinada em três idiomas: curdo, árabe e siríaco-assírio.

A grande maioria das escolas no nordeste da Governadoria de Hasakah da Síria estam controladas pola administraçom da NSR. As exceçons som um punhado de escolas dentro das áreas controladas polo regime e algumhas escolas privadas cristianas em Hesekê e Qamishli.

Nisirin Anez, diretor de escola em Qamishli dixo: “Na verdade, muitos estudantes começarom as aulas na regiom este ano. Muitos deles tiveram que parar de estudar por anos devido à crise em curso, enquanto outros tiveram que ir a escolas privadas. Agora, um grande número desses alunos estam matriculados nas escolas públicas [de Rojava].

Mohamed Salih Abdo, Co-Presidente da Comissom de Educaçom de Rojava, dixo que o currículum do regime foi completamente removido das escolas primárias do Cantom de Cizire. “Três curriculums substituírom o antigo, para incluir o ensino em três idiomas: Curdo, Árabe e Assírio ”

Publicado em Ara News.

 

Eu existo, dixo o dragom curdo

por Naila Bozo

Dragom CurdoHouvo umha cidade morta na Síria. Na lápida lia-se “Qamişlo” e sobre o túmulo colocarom rosas de plástico vermelhas, amarelas e verdes. Os meus joelhos ainda estam sofrendo porque muitas vezes eu ajoelhei junto ao túmulo e pedim à cidade para voltar à vida. Às vezes eu me atirei nele para evitar que um jovem ofuscado juntara com os seus pais no solo. Eles simplesmente olharom para mim e empurrarom-me. Eles tinham umha boa razom para fazê-lo, porque os humanos nom estam vivos, se eles nom existem?

Um Censo Fatal

Kime ez? perguntou Cegerxwîn (1903 – 1984), um comemorado poeta curdo. Quem som eu? Ninguém, respondeu o governo sírio: tu nom existes.

Em agosto de 1962, o governo da Síria ordenou um censo na província de Hasakeh que foi realizado em outubro de 1962. A província está situada na parte norte da Síria e está principalmente habitada por curdos já que esta área é a parte oeste do Curdistam, que foi dividido entre Turquia, Iram, Iraque e Síria como consequência do Tratado de Lausanne, em 1923.

O censo foi fatal para os curdos, umha vez que se fixo, resultou que 120.000 curdos perderom a sua cidadania síria e, assim, os seus direitos. O número de apátridas curdos de acordo com Human Rights Watch, continuou a crescer desde entom, ate 300.000, porque as crianças nascidas e criadas na Síria, nom tinham a cidadania tampouco, e eram apátridas.

Em abril de 2011 o ditador sírio, Bashar al-Assad dixo que concederia a cidadania aos curdos. Isso nom provocou muita alegria por duas razons. Em primeiro lugar, apenas os curdos registrados se lhes dariam os documentos oficiais de identidade, enquanto os nom registrados seguiriam sendo apátridas. Em segundo lugar, foi umha má maneira de tentar que os curdos, que consituem o 10-15% da povoaçom síria, juntaram-se aos protestos anti-regime que começaram apenas umhas semanas antes.

Dragom Curdo02Merecias ser gasseada!!!!

Dim que a revolta começou em Damasco, em Março do 2011. Nom, começou em Qamişlo, em Março do 2004. Um relatório da Kurd Watch que reúne informaçons sobre a violaçom dos direitos humanos contra os curdos dentro das fronteiras sírias descreve atentamente o que aconteceu o 12 de marco de 2004.

Um partido de futebol ia ser jogado no estádio de Qamişlo. A equipe de al-Futuwah era umha equipe árabe de Deir ez Zor e a outra equipe, al-Jihad, era de Qamişlo. De acordo com o Conselho Dinamarquês para os Refugiados citado no relatório, umha testemunha ocular dixo que os siareiros de al-Futuwah nom foram registrados pola segurança antes de entrar no estádio e que levavam armas como facas, paus e pedras com eles.

Um jornalista que estava sentado na sala de imprensa observou que os siareiros de al-Futuwah antes do jogo estiverom berrando: “Fallujah, Fallujah!” Depois que eles começaram a atacar aos siareiros da outra equipe com os paus e pedras que levavam. De acordo com o relatório, “Fallujah” foi umha maneira pola que os siareiros de al-Futuwah mostravam o seu apoio a Saddam Hussein, um dos piores opressores na história dos curdos, que em 1988 ordenou o gaseamento da cidade curda de Halabja, que matou mais de 5.000 pessoas e feriu a mais de 10.000.

Enquanto o ataque ocorria, três jovens entraram para a caixa de imprensa e perguntarom a um outro jornalista, que estava a comentar o jogo na rádio, se ele ia dizer que três crianças morreram durante o ataque. A notícia espalhou-se e as pessoas das cidades mais próximas forom ao estádio em tam grande número que o jornalista descreveu que o estádio estava sendo sitiado. Mas a morte de três crianças logo se provou errado e as pessoas de dentro e fora do estádio ficarom calmos.

A paz nom durou muito tempo quando as pessoas começarom a lançar pedras e a polícia, as forças armadas e os serviços de inteligência chegavam ao estádio.

O relatório observa que a segurança cometeu um erro, atirando ao ar e, assim, assustarom à gente; deveriam ter utilizado outras medidas para tentar dissolver a umha crescente multide enfurecida. O primeiro jornalista mencionado dixo de acordo com o relatório que os siareiros de al-Futuwah berravam-lhes aos curdos: “Saddam Hussein tratou-vos como merecedes ser tratados.”

Neste ponto, o pessoal da segurança interviu e dividiu aos dous grupos. Aos curdos ordenou-se-lhes sair enquanto os siareiros do al-Futuwah permanecerom dentro do estádio.

Segundo as testemunhas a segurança, composta pola polícia, militares e inteligência dispararom e mesmo matarom curdos que protestavam os berros discriminatórios dos siareiros de al- Futuwahs dizendo “Viva o Curdistam.” Dixo umha testemunha que a segurança mentia quando mais tarde afirmou que os curdos disparavam de volta: “Mesmo o governo nom declarou isso.”

9 pessoas morrerom o 12 de março do 2004. Os partidos curdos chegarom a um acordo com o governo; que se lhes permitia enterrar aos curdos assassinados sem o envolvimento da polícia, eles fariam de manter o cortejo fúnebre sob controle. Um jornalista descreveu a procissom acompanhado por dezenas de milhares de pessoas como tranquila. Os curdos acenavam a bandeira curda, alguns gritaram de raiva contra Bashar al-Assad e outros atiravam pedras a umha estátua do pai de Assad, Hafez al-Assad, um homem tam temido e infame que, antes nem se ousava de apontar com os dedos umha fotos del. Mas outros os curdos impedirom lhes atirar pedras e os enlutados continuarom caminhando em direçom à prefeitura.

Em algum momento durante a marcha era possível ouvir tiros que provinham de umha base militar próxima. Nada aconteceu e a procissom continuou. O jornalista que andivera com os enlutados deixou-os para visitar um avogado, cujo escritório tinha uma vista sobre a praça onde a marcha passava. El estava em pé perto da janela quando um carro passou. O carro estava aberto na parte de trás e 7-8 homens estavam sentados de frente para a praça com as suas metralhadoras. Dirigiram-se às poucas rezadeiras na parte de trás da procissom do funeral e atirou neles. Neste mesmo dia, 23 pessoas morreram.

A nova, sobre as mortes se espalhou e depois o inferno começou. O povo nas cidades curdas prenderom-lhe lume aos edifícios públicos enquanto as grandes manifestaçons realizarom-se no exterior, em solidariedade com os curdos e de apoio à muito antecipada revolta contra al-Assad.

De acordo com o relatório digerom algumhas fontes que o canal da televisom curda ROJ TV, emitindo desde Dinamarca, foi um fator importante na mobilizaçom dos curdos e reunindo as manifestaçons de dimensons nunca vistas antes no oeste do Curdistam. O governo reprimiu os protestos brutalmente, e a voz curda foi mais umha vez trazida ao silêncio.

Um Dragom curdo

Ketin xewê, ketin xewê, ketin xewa zilm û zorê, ketin xewa bindestiyê. Forom levados a um profundo sono polo opressor, dixo Cegerxwîn dos curdos. No tempo depois da revolta ninguém ousou dizer umha palavra sobre al-Assad. Muitas famílias ou tinham perdido um filho morto ou as forças da segurança que acostumavam chegar no início da manhá e levar aos jovens curdos longe. Meu amigo, que só saira a comprar pam o 12 de março, chegou vivo à casa da sua mae após um mês em umha prisom em Damasco: torturado e sem dentes.

O sofrimento dos curdos era mais profundo do que os poços nos jardins, era umha dor que paralisou à cidade e ao resto do Oeste do Curdistam. Qamişlo estava morto porque os seus filhos estavam mortos. As maes curdas arrancavam o seu cabelo e rasgavam as suas roupas, os pais curdo balançavam para frente e para trás com lágrimas escorrendo nas palmas das suas maos e as irmas e irmaos curdos sentavam lado a lado, paralisados e com suas cabeças caindo inicialmente contra o seu peito, e em seguida, contra a parede.

As janelas do Qamişlo som barradas. As barras som em forma de flores, fontes e sol nascente, mas isso nom muda o fato de que a cidade era umha prisom. A questom é como podem os mortos arrancar as barras da janela e procurar a liberdade?

Eu estava sentada em uma sala de estar em Qamişlo em janeiro do 2011, apenas algumhas semanas antes que o levantamento na Síria começara, e observando as pessoas em Tunísia derrubar a Ben Ali. Eu mais uma vez pedim aos curdos mais velhos que significava isso para eles e que fariam. Nada, responderom, Nunca nos vamos levantar contra al-Assad. Perguntei aos jovens os curdos que fariam eles. Eles nom responderom, mas eu podia ver um lume neles que eu nunca tinha visto antes.

Belê em in ejdehayê, ji xewa dili, siyar bûn niha, escreveu Cegerxwîn. O sono dos curdos nom vai durar para sempre; o povo curdo é um dragom que vai despertar, prontos para luitar contra toda a injustiça feita a el.

Dragom Curdo03O dragom é a minha geraçom, o dragom som os homens e mulheres jovens. O seu sono nom é tam profundo como o sono dos seus pais.

Eles estam vivos. Eles som o Curdistam.
Publicado o 11 de Maio do 2012.
http://kurdishrights.org/2012/05/11/i-exist-said-the-kurdish-dragon/