Amigos ou inimigos? Um olhar atento sobre as relaçons entre as YPG e o Regime de Assad.

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Milícias das YPG libertando completamente o Complejo Habitacional da Juventude e partes de Ashrafieh e Bani Zaid em Aleppo.

Por @shellshocked

O 9 de agosto, o comandante major Yasser Abd ar-Rahim do Centro de Operaçons de Fatah Halab em Aleppo fixo umha declaraçons. Incluiu algumhas mensagens drásticas para as Unidades de Proteçom do Pvo (YPG) curdas, que controlam o bairro de Sheikh Maqsood, no norte da cidade. Abd ar-Rahim afirmou que as milícias da oposiçom síria teriam a sua “vingança” e que os curdos “nom iam ter um lugar para enterrar os seus mortos em Aleppo.” Nom só acusou às YPG de matar combatentes rebeldes, mas também de colaborar com as forças de Assad durante a batalha em torno a Aleppo desde o final de junho.

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Bairro de Sheikh Maqsoud
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Vista de Sheikh Maqsood com a Estrada Castello no fundo.

As suas alegaçons referem-se especificamente aos incidentes que ocorrerom durante a primeira fase da batalha de Junho/Julho do 2016. Quando as forças de Assad abrirom caminho cara o sul da estrada de Castello – até entom a única rota para fornecer a parte leste de Aleppo em mans dos rebeldes. As YPG e os rebeldes entrarom em confronto diversas vezes.

O 8 de julho as YPG figerom um primeiro impulso em direçom ao Complexo da Juventude, vizinho da estrada Castello. Capturar esta área teria, polo menos em parte, dado o control aos curdos ao longo das rotas de abastecimento controladas polos rebeldes no Leste de Aleppo. Por causa da posiçom elevada de Sheikh Maqsood, há anos que já tinham umha boa visom da estrada e o tráfego. Os combates entre as YPG e diferentes grupos rebeldes continuarom durante vários dias, levando as YPG a direcionar fogo de morteiro cara a estrada. O complexo da Juventude acabou por ser conquistado polas forças curdas o 30 de Julho.

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Operaçons do SAA e as YPG, ao norte e sul da Estrada Castello
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Mapa da Situaçom de Aleppo a 28 de JUlho do 2016

Como se esta luita nom fôsse para alimentar as alegaçons de umha aliança entre as YPG com as tropas do regime contra as forças rebeldes, no final de julho umha imagem apareceu no Twitter. Originalmente publicada em umha conta pró-regime, um grupo de homens supostamente servindo nas unidades de Assad posavam com um homem vestindo um uniforme das YPG. Já maciçamente criticado e recebendo um tratamento de hostil por levantar armas contra as forças rebeldes, a imagem, embora non seja totalmente verificavel, tornou a situaçom ainda pior.

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Foto dum suposto membro das YPG com forças pró-Assad

No entanto, o cenário da batalha Aleppo nom é a primeira a produzir tais acusaçons. As primeiras escaramuças relatadas ocorrerom em 2012, e também envolveu os grupos que luitam polo control de Sheikh Maqsood em outubro, embora as tropas do regime nom estavam directamente na cena.

Em outubro do mesmo ano as três partes estavam envolvidas na batalha de Ras al-Ayn. Posiçons de regime dentro da cidade, localizada na  governadoria de Hasakah [a 100 km ao aoeste de Qamishlo, 100 ao leste de Girê Spî e 75 ao noroeste de Hesekê] diretamente na fronteira sírio-turca, foram atacados por combatentes do Exército Livre Sírio (FSA) – logo apoiados por jihadistas de Jabhat al-Nusra e Ghuraba ash-Sham. Conseguiram fazer fugir às forças do regime, mas também estavam envolvidos em tiroteios com militantes das YPG. Isto foi seguido por umha série de confrontos e de cessar-fogo que eventualmente resultou em que os curdos assumirom todo Ras al-Ayn no Verao do 2013.

Os rumores de que tropas das YPG podem ter estado de apoio aéreo da Força Aérea Árabe (SyAAF) durante a batalha de Tal Tamer em março do 2015 som difíceis de verificar. No entanto, parece bastante improvável esta história, é inconsistente e nom tem referências a maior escala, por nom mencionar as histórias de 100 combatentes de Hezbollah ajudando às YPG.

Sem dúvida o maior evento para desencadear as acusaçons de cooperaçom entre as YPG e o regime de Assad ocorreu por volta do final do 2015 / começos do 2016. Em primeiro lugar, umha disputa irrompeu entre vários grupos rebeldes (nom todos eles ligados ao FSA) e as YPG sobre se este último tinha um acordo com o regime de fornecimento de Sheikh Maqsood por terra. Essas acusaçons forom apresentadas por Yasser Abd ar-Rahim entre outros. O comandante já mencionado no início do artigo. Ironicamente, todo isso aconteceu depois que as Forças Democráticas da Síria (SDF) forom fundadas: umha coligaçom das YPG curdas, unidades de antigos grupos afiliados ao FSA com homens em sua maioria árabes sunitas nas suas fileiras, homens das tribos sunitas e algumhas milícias cristians.

Enquanto isso, tanto as YPG como os rebeldes trocavam ocasionalmente fogo perto do isolado Canton de Afrin até que começarom em fevereiro do 2016. O 1 de fevereiro umha coalizom de tropas pró-regime constituidas polo Exército Árabe Sírio (SAA), as Forças de Defesa Nacional (FDN), os libaneses de Hezbollah, xiitas iraquianos e milícias afegans, assim como tropas iranianas começarom o ataque para liberar às cidades sitiadas de Nubl e az-Zahraa.

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Mapa que mostra a evoluo do Norte 2016 Alepo ofensivo. Linha pontilhada mostra linha de frente governo vermelho antes da linha laranja ofensivo, pontilhada mostra Linha de frente das YPG antes da ofensiva (Ofensiva começou o 1 de fevereiro de 2016; Mapa criado por MrPenguin20, Wikimedia Commons, Creative Commons Attribution-Share Alike Licença Internacional 4.0).

Este ataque constituía umha ameaça real para os rebeldes, porque, eventualmente, cortaria a rota de abastecimento vital desde Turquia a Aleppo. Assim como as forças rebeldes precisavam tanta força quanto for possível para lidar com os atacantes, as SDF / YPG lançarom o seu próprio ataque cara o leste, finalmente, alcançarom e capturarom a cidade de Tel Rifaat e a Base Aérea de Menagh. Isso efetivamente cortou a rota de abastecimento dos rebeldes e em um segundo momento levou a críticas generalizadas das empresas de informaçom e observadores ocidentais.

A Anistia Internacional afirma que, entre fevereiro e abril do 2016 nada menos que 83 civis, 30 deles crianças, morrerom em ataques de retaliaçom indiscriminados contra Sheikh Maqsood. A organizaçom acusa a vários grupos da facçom de Fatah Halab por isso. Além disso, novas armas foram usadas contra o bairro curdo. Por exemplo, em abril 2016 a Brigada dos Falcons das Montanhas financiada polos EUA atacarom várias posiçons das  SDF / YPG nos arredores de Sheikh Maqsood.

No entanto, a situaçom é muito mais complicada do que se poderia pensar que é. As acçons referidas nom devem distrair do feito de que as forças das SDF / YPG e o regime de Assad também tenhem umha história de ataques os uns contra os outros.

Disputas em Aleppo datam de setembro do 2012, quando Sheikh Maqsood ficou sob fogo. Ativistas curdos culparom o governo sírio e afirmarom que este foi um ataque de retaliaçom por hospedar membros da oposiçom que levou à morte de 21 civis. Um ataque semelhante aconteceu novamente o 26 de fevereiro de 2013, mais umha vez, causando danos e matando civis.

Por mais de dous anos, a situaçom manteve-se bastante calma até que as SDF assinarom umha trégua com as facçons rebeldes islamistas de Fatah Halab o 19 de Dezembro do 2015. Alguns dias mais tarde, as tropas das SDF e do regime de Assas entrarom em confrontos, e o mesmo Sheikh Maqsood tornou-se objetivo dos ataques da SyAAF.

Desde entom, nengumha luita importante tem ocorrido entre as duas partes na área da cidade de Aleppo. Mas, na verdade, ambos os lados luitarom entre si em outras ocasions, especialmente na governadoria nordeste de Hasakah. O governo de Assad mantém exclaves em duas grandes cidades lá: Hasakah e Qamishli. Ambos repetidamente tornou-se a definiçom de engajamentos mortais de intensidade diferente, a última sendo iniciada o 16 de agosto do 2016, envolvendo a milicianos das NDF de um lado e as tropas Asayish e YPG curdas do outro. Após umha semana de luita, o regime tivo de reconhecer umha amarga derrota: forçado a um acordo, onde todas as NDF dentro da cidade forom dissolvidas ou levadas a bases fora sem autorizaçom para entrar na cidade novamente. As únicas unidades do régime de Assad som forças policiais, que podem agir dentro do chamado quadrado de segurança, umha área que abrange nom mais do 5% da própria cidade.

Visto como um todo, as avaliaçons absolutas som impossíveis de ser feitas. O campo de batalha sírio deve ser visto como um acúmulo de muitos campos de batalha menores que nom estam necessariamente ligados uns com os outros de umha forma direta. Dous partes que estam ferozmente luitando entre si em um cenário nom é improvável que vivam lado a lado em um outro. Na sua essência, é umha forma de combater na guerra que se caracteriza por umha escassez de homens em todos os lados. As batalhas som luitas quando parecem inevitaveis. Razons para escaramuças começando ativamente podem variar, mas muitas vezes incluem determinar umha certa fraqueza do lado do adversário ou contra algum tipo de provocaçom. Embora difícil de verificar, os confrontos anteriores pareciam estar desencadeados por eventos como a detençom de rivais, ignorando checkpoints e fortalecendo as suas próprias posiçons. Ao invés de ter a vontade de expulsar aos grupos rivais umha vez por todas, esses confrontos som sobre estabelecer limites e apontar os limites que umha das partes está disposta a aceitar: umha prova de força.

Na verdade, quando se trata de levar suprimentos, ambos os lados som um tanto dependentes do outro. Polo menos desde abril de 2016, Sheikh Maqsood tem estado sob cerco do lado dos rebeldes em Aleppo. Ainda nom está claro que bens e em que cantidade podem ser contrabandeados para o distrito curdo através da linha de frente. Medicina e géneros alimentícios estam, principalmente, entrando polos corredores que ligam as áreas curdas e seguras do regime mas nom som suficientes para satisfazer as necessidades. Considerando os grupos rebeldes, como Fastaqim Kama Umirt,  isso como sinal dum pacto YPG-regime, os curdos dim que estes corredores forom abertos por curdos e sírios da Crescente Vermelha.

A SDF e o regime de Assad tenhem ambos outros inimigos principais: Considerando que o regime está luitando principalmente contra grupos rebeldes diversos desde o ponto de vista político e religioso, tentando construir um estado sírio truncado, as SDF têm os olhos sobre a ligaçom doa três cantons auto-declarado no norte da Síria. Ambos os objetivos realmente nom os fam entrar em caminho um do outro. Assad abandonou as áreas curdas no início do levante sírio, resultando no SAA fora das principais áreas e quando menos nom mostra muito interesse em recapturar issas áreas anteriormente perdidas. É por isso que territórios detidos polas SDF ou Assad e os seus aliados só compartilham quatro fronteiras: A regiom de  Qamishli (1), regiom de Hasakah (2), campo de Aleppo / Canton Afrin (3), o Oeste da cidade de Aleppo / Sheikh Maqsood (4).

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Regiom de Qamishli (1), Regiom Hasakah (2), Rural de Aleppo / Canton Afrin (3), cidade ocidental de Aleppo / Sheikh Maqsood (4).

Politicamente e ainda mais militarmente a respectiva situaçom nessas quatro linhas de frente nunca foi o mesma. Quando houvo confrontos em Sheikh Maqsood, o estado de cousas na governadoria de Hasakah normalmente permaneceu bastante calma e vice-versa. Por uma questom de feito, as tensons e brigas ocasionais entre as forças curdas e as forças pró-Assad de Gozarto em Qamishli durante janeiro do 2016 aconteceu apenas duas semanas antes do duplo corte de linhas de abastecimento dos rebeldes na regiom norte de Aleppo.

Todo isso leva à conclusom de que, em termos gerais nom há um pacto das SDF e o regime de Assad. Ambos os lados podem, por vezes, agir de umha maneira que os benefíce tanto durante determinadas operaçons, no entanto, ainda nom está claro até que ponto isso é planejado ou arranjado. Algum tipo de plano mestre de Assad e SDF / YPG  nom existe em umha escala mais ampla. O sistema de ambos os lados é que som especialistas em ser oportunistas. Sempre que serve os seus objectivos eles vam manter o cessar-fogo e aceitar a presença um do outro. No entanto, se um competidor se está tornando demasiado fraco ou muito forte, um ataque é provável que siga. Ainda assim, especialmente com a Turquia e a Rússia aproximando-se novamente, nom fica claro se os curdos e o regime sírio seram capazes e estaram dispostos a defender as suas respectivas estratégias.

Especial agradecemento a @SerioSito e @QalaatAlMudiq

Este artigo apareceu em  Offiziere.ch e logo em bellingcat.

“Extremistas” e “Moderados” en Kobanê

Bandeiras PKK Occalan YPGDesde há um mes, os combatentes das Unidades de Protecçom do Povo (YPG), majoritariamente curdas, mantenhem a raia às forças do Estado Islámico (IS) fora de Kobanê (Ayn al-Arab) no norde de Síria. Os actores regionais e internacionais estiverom reácios a apoiar às YPG, requerindo-lhe primeiro que estas renunciassem à sua independencia e converteram-se em parte, do majoritariamente árabe, Exército Livre Sírio (FSA). Estivem em Kobanê desde agosto ate finais de Setembro – resultou que fum o último jornalista internacional em estar em Kobanê antes de que começasse o ataque – e fum testemunha de cómo unidades das YPG e FSA estavam umhas ao carom das outras nas primeiras linhas para defender Kobanê. Entom, por qué as YPG seguem reácias a estar baixo a bandeira do FSA, e que há detrás da oposiçom do mundo em apoiar aos curdos de Kobanê?

Em definitiva, todo se reduce a cambios na percepçom de “extremistas” e “moderados”.

As YPG asumirom o control de Kobanê no verao do 2012 quando as forças do régime sírio retirarom-se do área. Um ano mas tarde, sofreu o ataque de jihadistas diversos e grupos do FSA, e a loita continuou desde entom. Logo, combatentes do IS quitarom-lhes o control de todo o território que rodea a Kobanê aos seus anteriores aliados do FSA. Progressivamente o asédio empeorou ate que o IS cortou o abastecemento de electricidade e auga, e o contrabando de comida e outras mercáncias. Mentres, Turquia mantinha a sua fronteira fechada, ilhando o enclave do resto do mundo. Logo de vários intentos continuados de capturar Kobanê ao longo da primavera e o verao, a mediados de Setembro as forças do IS lanzarom o seu maior ataque ate o de agora, conseguendo entrar em partes do povo quando estou a escrever este artigo.

Civis em um período de relativa calma antes do último ataque polo Estado islâmico. Foto por Carl Drott

Mália às circunstancias extraordinariamente dificis, os curdos de Kobanê lograrom criar e fortalecer umha administraçom civil que funcionou bem durantes os 2 últimos anos. A policía curda, a Asayish, protegeu as ruas, e mália o asédio e os contínuos ataques, vivía-se com certa normalidade. O ano pasado redactou-se umha Constituiçom onde se garantizava a igualdade de homes e mulheres, os dereitos humanos e o laicismo, mentres que na sociedade civil plural criou organizaçons de mulheres, mocidade, língua, música e teatro. O partido Unióm Democrática Curda de Síria (PYD), é o que em maior media levou a voz cantante, mas algún rivais anteriores tenhem-se unido recentemente à administraçom tambem. Agardando resolver os desacordos sobre a participaçom nos órgaos de poder, o Primeiro Ministro do cantom, Muslim Anwar, prometeu elecçons num ano como moito tardar.

Estes semelham progresos positivos. Nembargantes, umha razón obvia que esgrimem os actores internacionais, som a ligaçom do PYD com o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), que está incluido na lista de organizaçons terroristas polos USA, a Unión Europea e Turquia. Ainda que o mesmo PYD afirma que os vencelhos com o PKK som só ideológicos, a influencia do PKK nos enclaves curdos de Síria som induvidaveis. Pola contra, Turquia tem medo de que os activistas curdos baixem das montanhas e establezam umha base em Kobanê desde a que desenvoltar operaçons ao outro lado da frontera, ainda que esso tenha pouco que ver com a realidade. Em vez desso, a prioridade demostrada do PYD tem sido fortalecer umha democracia secular descentralizada, mentres as YPG intentavam proteger o seu territorio e a sua povoaçom de ataques exteriores. Ainda que o experimento político de Kobanê es´ta sendo observado moi polo miudo polo movimiento curdo em Turquia, a agenda do PYD semelha ser altamente local.

Kobanê tem umha fábrica de cimento, e novas construçons continuam freneticamente mália a guerra. Foto por Carl Drott

Outra razón para a ausencia de apoio internacional é que as YPG forom reácias a ocupar outros enclaves do régime de Assad na regiom de Jazira no noreste de Siria. Mentres os políticos locais curdos alegam que querem evitar os contraataques do régimen, o cese de hostilidades de “facto” fai erguer as sospeitas que háumha alianza segreda entre os curdos e o régime. A verdade é que houbo numerosos enfrentamentos entre as YPG e as forzas sírias do régime em Aleppo, Qamishli e Hasakah. Os antecedentes sostenhem a percepçom de que tenhem ensaiado umha “terceira via” na longa guerra civil síria. Nos seus contactos com o FSA e as forças do régime, o PYD afianzou trégou quando e onde poido, e pelexou quando e onde tivo que face-lo. Mentres que a política declarada foi a de controlar e defender as regions próprias moi correctamente, nas zonas étnicamente mixtas houbo complicaçons.

Desde o mesmo começo, o projecto da “autonomía democrática” encontrou umha forte crítica de alguns partidos curdos rivais que pediam qie o PYD e as YPG aceptassem a autoridade da Coaliçom Nacional Siria (SNC), principal organizaçom da oposiçom “moderada” síria e vencelhada ao FSA. Turquia e os USA figerom petiçons semelhantes. Por que o PYD e as YPG spm tam reticentes a acepta-lo? Nom se poderiam unir aos rebeldes “moderados” a cámbio de apoio internacional contra Assad e o Estado Islámico? Umha mirada mas cercana aos “moderados” poderia explicar a sua oposiçom.

Desde o começo do conflicto, o SNC negou-se a reconhezer os dereitos das minorías, tando dos curdos como doutras minorías nom árabes, num futuro estado, que o SNC insiste que debería seguer a chamar-se República Árabe de Síria. O SNC tambêm tem ajudado activamente às facçons do FSA que loitarom contra as YPG ao carom dos jihadistas. Há tam pouco tempo, como em Janeiro, o SNC fixo um “feche de filas” contra as YPG em Tel Hamis – num tempo onde os principais grupos na área eran o IS, e a franquicia de al-Qaeda, Jabhat Al-Nursa e o grupo salafista Ahrar al-Sham. A loita contra as YPG a miudo tivo prioridade sobre o combate contra o régime sírio. Ademais, o SNC refire-se ao PYD coma um grupo “extremista” antirevolucionario.

Entre a povoaçom curda, os combatente do FSA som a miudo mais temidos e odiados incluso que o régime sírio. “Os seus crimes som incontaveis”, dixo-me o vendedor de coches de 50 anos, Juma Chawish. El escapou para Kobanê no último verao logo dumha campanha de limpeza étnica iniciada em Tel Abyad, a sua cidade natal, por Jabhat al-Nursa, o IS e diversos grupos rebeldos afiliados ao FSA. Alguns civis curdos fôrom sacados à força das suas casas sem as suas pertenzas, mentres outros eran secostrados e ameazados com executa-los. Varios fôrom assessinados ou desaparecidos, incluindo ao irmao de Juma, quem nom podía fugir por mor dumha operaçom recenté. Histórias como esta extendem-se ao longo de todo o norde de Síria.

Irmaos desde o começo?

A começos deste ano, grupos de combatentes do FSA trataron de expulsar ao IS de varios povos da zona de Raqqa e Aleppo que estavam baixo control conxunto. Atoparom mas resistência da que agardavam e virom-se eles forzados a escapar da zona cara às áreas seguras mas próximas, que era a zona controlada polas YPG em Kobanê. Mália os abusoscometidos quando menos por umha parte desses combatentes, as autoridades curdas deixarom-nos quedar, e desde a primavera estiverom a combatir conxuntamente em contra do Estado Islámico.

Dous luitadores com uniformes das YPG cantar e tocam junto um luitador de Liwa Thuwwar al-Raqqa. Foto por Carl Drott

A finais de agosto, visitei o povo árabe de Jadah, perto do rio Eufrates, ao suroeste de Kobanê, onde as YPG compartiam umha base com o grupo do FSA, Liwa Thuwwar al-Raqqa (Brigada Revolucionária de Raqqa). As duas terceiras partes do povo foram recentemente capturadas polo IS. Os labregos da zona chamarom aos combatentes das YPG e FSA, e como o IS estaba a utilizar Jadah como ponto para os ataques contra posiçons das YPG, estiverom encantados de ajudar.

“Nós sempre dixemos que o IS eran criminais”, dixo o comandante local, Abu Abdelrahman al-Jawlani. O seu grupo pelexou contra o IS em Raqqa, e afirma estar preparados para combati-los em qualquera lugar. “Agardamos poder derrotar ao IS conxuntamente com as YPG”. Al-Jawlani continuou, “há cooperaçom entre curdos e árabes. Nom há diferências entre nós”. Ainda que o seu grupo esteja reducido a umha fracçom do que foi, intentou sacar algo optimista: “Realmente, está tormenta, vai passar”, dixo das recentes conquistas do Estado Islámico.

Liwa Thuwwar al-Raqqa pertence ao FSA, e de certo que som vistos como “moderados” polos estánderes locais, mas é algo borroso o porque estam a pelejar. Preguntei-lhe pola sua visom sobre o futuro, e Al-Jawlano respostou “co-existência e felicidade”, nem el nem os seus combatentes respostarom às claras sobre se queriam um estado laico ou religioso. O aquel da sua ambivalencia, foi que alternarom entre o sinal dos dedos com a V de Vitória (secular) e o dedo índice “islámico” quando possarom para as fotos.

Preguntei-lhes sobre as diferentes visons que tiveram antes e agora sobre as YPG e os curdos em geral, todos eles expressarom tenras emoçons: “Fomos irmaos desde o principio”, dixo um combatente que se dixo chamar Abu Saddam Al-Raqqawi, quem levava na unidade 2 anos e medio. “É fitna (sediçom) quando alguem di algo malo sobre os curdos”.

Um combatente árabe, barbado, sorprendeu-nos quando sacou um cóitelo longo. “Esto é para despexar minas”, dixo, inspirando o escepticismo dos curdos quem sabem que nom há minas na zona e polo geral nom se sentem cómodos na companha de barbudos com cóitelos.

“Convencimos a dous para que se uniram às YPG”, comentou-me um dos curdos quando me atopei com el em Kobanê, “Nom confiamos nos demais”.

Combatentes curdos das Unidades de Proteçom do Povo (YPG) perto da linha da frente. Foto por Carl Drott

As suas sospeitas nom careciam provavelmente de fundamento, ja que Liwa Thuwwar Al-Raqqa acostumava a ser aliados de Jabhat Al-Nursa (segundo u informe do analista sírio Aymenn Jawad al-Tamimi). Di-se que os combatentes de Liwa Thuwwar Al-Raqqa tenhem secostrado curdos nos pontos de control em Raqqa, e que participaron no saqueo da cidade, e pelejarom contra as forças curdas em Tel Abyad (segum varias fontes da administraçom curda).

Umha Alianza Cautelosa

Ate o de agora, a cooperaçom entre as forças do FSA e as YPG tem avanzado maseninhamente cara umha alianza formal. Só uns poucos días antes da ofensiva do IS, houvo um video cumha declaraçom de que se criava um mando unitário das YPG-FSA no cantom de Kobanê. Num dos momentos mas duros da guera civil siria, vesse um comandante barbado do FSA berrando: “Takbir!” E os seus combatentes respostam “Allahu Akhbar!”. Mentres que as mulheres curdas respostam com slogans de apoio ao líder do PKK Abdullah Ocalan.

Os combatentes do FSA nesta área, esencialmente estam entre a espada e a parede, as suas únicas elecçons som, ou pelejar conxuntamente às YPG, ou unir-se ao Estado Islámico ou abandoar a loita. Ainda que as sospeitas estejam aí, os lideres políticos e militares curdos tenhem amosado umha notable vontade de esquecer o pasado e fazer umha alianza cautelosa com os seus anteriores enemigos. Se as correntes democráticas e plurais entre as facçons do FSA podem sair reforçadas, a cooperaçom poderia evoluir num projecto político para gobernar áreas étnicamente mixtas.

Em definitiva, a situaçom de Kobanê é heterogénea e algo desconcertante. Mentres as facçons do FSA nunca se lhes propujo que renderam contas por fazer alianzas com os jihadistas e parar um camino de violencia e destrucçom ao longo do norde de Síria, as YPG acusa-se-lhes de nom te-las todas para unir-se a elas. Os “extremistas” curdos de Kobanê afrontam hoje o mesmo ultimátum que há dous anos: abandoar o seu projecto para umha autonomía secular democrática e unir-se baixo a bandeira e ordes árabes “moderados”; ou permanecer sos enfrontando-se ao Estado Islámico.

Carl Drott é um jornalista sueco freelance que cobre o conflicto de Siria para Le Monde diplomatique, Haaretz, Syria Comment, the Carnegie Endowment for International Peace e the Stockholm Journal of International Affairs, entre outros.

http://www.warscapes.com/reportage/extremists-and-moderates-kobani