Amigos ou inimigos? Um olhar atento sobre as relaçons entre as YPG e o Regime de Assad.

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Milícias das YPG libertando completamente o Complejo Habitacional da Juventude e partes de Ashrafieh e Bani Zaid em Aleppo.

Por @shellshocked

O 9 de agosto, o comandante major Yasser Abd ar-Rahim do Centro de Operaçons de Fatah Halab em Aleppo fixo umha declaraçons. Incluiu algumhas mensagens drásticas para as Unidades de Proteçom do Pvo (YPG) curdas, que controlam o bairro de Sheikh Maqsood, no norte da cidade. Abd ar-Rahim afirmou que as milícias da oposiçom síria teriam a sua “vingança” e que os curdos “nom iam ter um lugar para enterrar os seus mortos em Aleppo.” Nom só acusou às YPG de matar combatentes rebeldes, mas também de colaborar com as forças de Assad durante a batalha em torno a Aleppo desde o final de junho.

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Bairro de Sheikh Maqsoud
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Vista de Sheikh Maqsood com a Estrada Castello no fundo.

As suas alegaçons referem-se especificamente aos incidentes que ocorrerom durante a primeira fase da batalha de Junho/Julho do 2016. Quando as forças de Assad abrirom caminho cara o sul da estrada de Castello – até entom a única rota para fornecer a parte leste de Aleppo em mans dos rebeldes. As YPG e os rebeldes entrarom em confronto diversas vezes.

O 8 de julho as YPG figerom um primeiro impulso em direçom ao Complexo da Juventude, vizinho da estrada Castello. Capturar esta área teria, polo menos em parte, dado o control aos curdos ao longo das rotas de abastecimento controladas polos rebeldes no Leste de Aleppo. Por causa da posiçom elevada de Sheikh Maqsood, há anos que já tinham umha boa visom da estrada e o tráfego. Os combates entre as YPG e diferentes grupos rebeldes continuarom durante vários dias, levando as YPG a direcionar fogo de morteiro cara a estrada. O complexo da Juventude acabou por ser conquistado polas forças curdas o 30 de Julho.

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Operaçons do SAA e as YPG, ao norte e sul da Estrada Castello
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Mapa da Situaçom de Aleppo a 28 de JUlho do 2016

Como se esta luita nom fôsse para alimentar as alegaçons de umha aliança entre as YPG com as tropas do regime contra as forças rebeldes, no final de julho umha imagem apareceu no Twitter. Originalmente publicada em umha conta pró-regime, um grupo de homens supostamente servindo nas unidades de Assad posavam com um homem vestindo um uniforme das YPG. Já maciçamente criticado e recebendo um tratamento de hostil por levantar armas contra as forças rebeldes, a imagem, embora non seja totalmente verificavel, tornou a situaçom ainda pior.

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Foto dum suposto membro das YPG com forças pró-Assad

No entanto, o cenário da batalha Aleppo nom é a primeira a produzir tais acusaçons. As primeiras escaramuças relatadas ocorrerom em 2012, e também envolveu os grupos que luitam polo control de Sheikh Maqsood em outubro, embora as tropas do regime nom estavam directamente na cena.

Em outubro do mesmo ano as três partes estavam envolvidas na batalha de Ras al-Ayn. Posiçons de regime dentro da cidade, localizada na  governadoria de Hasakah [a 100 km ao aoeste de Qamishlo, 100 ao leste de Girê Spî e 75 ao noroeste de Hesekê] diretamente na fronteira sírio-turca, foram atacados por combatentes do Exército Livre Sírio (FSA) – logo apoiados por jihadistas de Jabhat al-Nusra e Ghuraba ash-Sham. Conseguiram fazer fugir às forças do regime, mas também estavam envolvidos em tiroteios com militantes das YPG. Isto foi seguido por umha série de confrontos e de cessar-fogo que eventualmente resultou em que os curdos assumirom todo Ras al-Ayn no Verao do 2013.

Os rumores de que tropas das YPG podem ter estado de apoio aéreo da Força Aérea Árabe (SyAAF) durante a batalha de Tal Tamer em março do 2015 som difíceis de verificar. No entanto, parece bastante improvável esta história, é inconsistente e nom tem referências a maior escala, por nom mencionar as histórias de 100 combatentes de Hezbollah ajudando às YPG.

Sem dúvida o maior evento para desencadear as acusaçons de cooperaçom entre as YPG e o regime de Assad ocorreu por volta do final do 2015 / começos do 2016. Em primeiro lugar, umha disputa irrompeu entre vários grupos rebeldes (nom todos eles ligados ao FSA) e as YPG sobre se este último tinha um acordo com o regime de fornecimento de Sheikh Maqsood por terra. Essas acusaçons forom apresentadas por Yasser Abd ar-Rahim entre outros. O comandante já mencionado no início do artigo. Ironicamente, todo isso aconteceu depois que as Forças Democráticas da Síria (SDF) forom fundadas: umha coligaçom das YPG curdas, unidades de antigos grupos afiliados ao FSA com homens em sua maioria árabes sunitas nas suas fileiras, homens das tribos sunitas e algumhas milícias cristians.

Enquanto isso, tanto as YPG como os rebeldes trocavam ocasionalmente fogo perto do isolado Canton de Afrin até que começarom em fevereiro do 2016. O 1 de fevereiro umha coalizom de tropas pró-regime constituidas polo Exército Árabe Sírio (SAA), as Forças de Defesa Nacional (FDN), os libaneses de Hezbollah, xiitas iraquianos e milícias afegans, assim como tropas iranianas começarom o ataque para liberar às cidades sitiadas de Nubl e az-Zahraa.

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Mapa que mostra a evoluo do Norte 2016 Alepo ofensivo. Linha pontilhada mostra linha de frente governo vermelho antes da linha laranja ofensivo, pontilhada mostra Linha de frente das YPG antes da ofensiva (Ofensiva começou o 1 de fevereiro de 2016; Mapa criado por MrPenguin20, Wikimedia Commons, Creative Commons Attribution-Share Alike Licença Internacional 4.0).

Este ataque constituía umha ameaça real para os rebeldes, porque, eventualmente, cortaria a rota de abastecimento vital desde Turquia a Aleppo. Assim como as forças rebeldes precisavam tanta força quanto for possível para lidar com os atacantes, as SDF / YPG lançarom o seu próprio ataque cara o leste, finalmente, alcançarom e capturarom a cidade de Tel Rifaat e a Base Aérea de Menagh. Isso efetivamente cortou a rota de abastecimento dos rebeldes e em um segundo momento levou a críticas generalizadas das empresas de informaçom e observadores ocidentais.

A Anistia Internacional afirma que, entre fevereiro e abril do 2016 nada menos que 83 civis, 30 deles crianças, morrerom em ataques de retaliaçom indiscriminados contra Sheikh Maqsood. A organizaçom acusa a vários grupos da facçom de Fatah Halab por isso. Além disso, novas armas foram usadas contra o bairro curdo. Por exemplo, em abril 2016 a Brigada dos Falcons das Montanhas financiada polos EUA atacarom várias posiçons das  SDF / YPG nos arredores de Sheikh Maqsood.

No entanto, a situaçom é muito mais complicada do que se poderia pensar que é. As acçons referidas nom devem distrair do feito de que as forças das SDF / YPG e o regime de Assad também tenhem umha história de ataques os uns contra os outros.

Disputas em Aleppo datam de setembro do 2012, quando Sheikh Maqsood ficou sob fogo. Ativistas curdos culparom o governo sírio e afirmarom que este foi um ataque de retaliaçom por hospedar membros da oposiçom que levou à morte de 21 civis. Um ataque semelhante aconteceu novamente o 26 de fevereiro de 2013, mais umha vez, causando danos e matando civis.

Por mais de dous anos, a situaçom manteve-se bastante calma até que as SDF assinarom umha trégua com as facçons rebeldes islamistas de Fatah Halab o 19 de Dezembro do 2015. Alguns dias mais tarde, as tropas das SDF e do regime de Assas entrarom em confrontos, e o mesmo Sheikh Maqsood tornou-se objetivo dos ataques da SyAAF.

Desde entom, nengumha luita importante tem ocorrido entre as duas partes na área da cidade de Aleppo. Mas, na verdade, ambos os lados luitarom entre si em outras ocasions, especialmente na governadoria nordeste de Hasakah. O governo de Assad mantém exclaves em duas grandes cidades lá: Hasakah e Qamishli. Ambos repetidamente tornou-se a definiçom de engajamentos mortais de intensidade diferente, a última sendo iniciada o 16 de agosto do 2016, envolvendo a milicianos das NDF de um lado e as tropas Asayish e YPG curdas do outro. Após umha semana de luita, o regime tivo de reconhecer umha amarga derrota: forçado a um acordo, onde todas as NDF dentro da cidade forom dissolvidas ou levadas a bases fora sem autorizaçom para entrar na cidade novamente. As únicas unidades do régime de Assad som forças policiais, que podem agir dentro do chamado quadrado de segurança, umha área que abrange nom mais do 5% da própria cidade.

Visto como um todo, as avaliaçons absolutas som impossíveis de ser feitas. O campo de batalha sírio deve ser visto como um acúmulo de muitos campos de batalha menores que nom estam necessariamente ligados uns com os outros de umha forma direta. Dous partes que estam ferozmente luitando entre si em um cenário nom é improvável que vivam lado a lado em um outro. Na sua essência, é umha forma de combater na guerra que se caracteriza por umha escassez de homens em todos os lados. As batalhas som luitas quando parecem inevitaveis. Razons para escaramuças começando ativamente podem variar, mas muitas vezes incluem determinar umha certa fraqueza do lado do adversário ou contra algum tipo de provocaçom. Embora difícil de verificar, os confrontos anteriores pareciam estar desencadeados por eventos como a detençom de rivais, ignorando checkpoints e fortalecendo as suas próprias posiçons. Ao invés de ter a vontade de expulsar aos grupos rivais umha vez por todas, esses confrontos som sobre estabelecer limites e apontar os limites que umha das partes está disposta a aceitar: umha prova de força.

Na verdade, quando se trata de levar suprimentos, ambos os lados som um tanto dependentes do outro. Polo menos desde abril de 2016, Sheikh Maqsood tem estado sob cerco do lado dos rebeldes em Aleppo. Ainda nom está claro que bens e em que cantidade podem ser contrabandeados para o distrito curdo através da linha de frente. Medicina e géneros alimentícios estam, principalmente, entrando polos corredores que ligam as áreas curdas e seguras do regime mas nom som suficientes para satisfazer as necessidades. Considerando os grupos rebeldes, como Fastaqim Kama Umirt,  isso como sinal dum pacto YPG-regime, os curdos dim que estes corredores forom abertos por curdos e sírios da Crescente Vermelha.

A SDF e o regime de Assad tenhem ambos outros inimigos principais: Considerando que o regime está luitando principalmente contra grupos rebeldes diversos desde o ponto de vista político e religioso, tentando construir um estado sírio truncado, as SDF têm os olhos sobre a ligaçom doa três cantons auto-declarado no norte da Síria. Ambos os objetivos realmente nom os fam entrar em caminho um do outro. Assad abandonou as áreas curdas no início do levante sírio, resultando no SAA fora das principais áreas e quando menos nom mostra muito interesse em recapturar issas áreas anteriormente perdidas. É por isso que territórios detidos polas SDF ou Assad e os seus aliados só compartilham quatro fronteiras: A regiom de  Qamishli (1), regiom de Hasakah (2), campo de Aleppo / Canton Afrin (3), o Oeste da cidade de Aleppo / Sheikh Maqsood (4).

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Regiom de Qamishli (1), Regiom Hasakah (2), Rural de Aleppo / Canton Afrin (3), cidade ocidental de Aleppo / Sheikh Maqsood (4).

Politicamente e ainda mais militarmente a respectiva situaçom nessas quatro linhas de frente nunca foi o mesma. Quando houvo confrontos em Sheikh Maqsood, o estado de cousas na governadoria de Hasakah normalmente permaneceu bastante calma e vice-versa. Por uma questom de feito, as tensons e brigas ocasionais entre as forças curdas e as forças pró-Assad de Gozarto em Qamishli durante janeiro do 2016 aconteceu apenas duas semanas antes do duplo corte de linhas de abastecimento dos rebeldes na regiom norte de Aleppo.

Todo isso leva à conclusom de que, em termos gerais nom há um pacto das SDF e o regime de Assad. Ambos os lados podem, por vezes, agir de umha maneira que os benefíce tanto durante determinadas operaçons, no entanto, ainda nom está claro até que ponto isso é planejado ou arranjado. Algum tipo de plano mestre de Assad e SDF / YPG  nom existe em umha escala mais ampla. O sistema de ambos os lados é que som especialistas em ser oportunistas. Sempre que serve os seus objectivos eles vam manter o cessar-fogo e aceitar a presença um do outro. No entanto, se um competidor se está tornando demasiado fraco ou muito forte, um ataque é provável que siga. Ainda assim, especialmente com a Turquia e a Rússia aproximando-se novamente, nom fica claro se os curdos e o regime sírio seram capazes e estaram dispostos a defender as suas respectivas estratégias.

Especial agradecemento a @SerioSito e @QalaatAlMudiq

Este artigo apareceu em  Offiziere.ch e logo em bellingcat.

Turquia, Síria e Iram Atacam Rojava: Ilham Ehmed

Ilham EhmedA co-presidente do Conselho Democrático da Síria (MSD) Ilham Ehmed afirmou que o ataque a Hesekê por forças do regime da Síria é o resultado dum “novo conceito” acordado entre os regimes de Turquia, Iram e Síria (Baath), e acrescentou que era um processo e situaçom novos. Ehmed dixo: “Mas nom está totalmente claro se isto é estratégico (de longo prazo) ou táctico (curto prazo). É evidente que há um grande jogo aqui e o Estado turco está à frente del”.

Ilham Ehmed falou com Ajansa Nûçeyan a Firatê (Agência de Notícias do Eúfrates – ANF) sobre o contexto do conflito entre Rojavan e as forças do regime da Síria na cidade de Hesekê no 8 dia (e final) de luitas. [Conflito encerrado o 23 de agosto de 2016 na sequência de um cessar-fogo no que as forças do regime da Síria retiram-se completamente de Hesekê.)

Ilham Ehmed salientou que foi a primeira vez que o regime lançou um ataque planejado antecipadamente sobre Rojava e dixo: “Este ataque é um ataque polo poder e ocupaçom. É um ataque para usurpar a vontade do povo que se criou nos últimos cinco anos. É por isso a resistência e a postura contra este ataque polo nosso povo e as nossas forças continua. Nom imos recuar desta posiçom e nunca imos ajoelhar “.

“Esta é umha mensagem para a Turquia”

Ehmed dixo que as forças do regime lançaram ataques a cidades como Hesekê e Qamishli antes, mas que o nível de preparaçom e o alcance do ataque era a primeira vez. Enfatizou que este ataque nom foi realizado por umha unidade local ou pequena, mas partiu do regime.

“Este ataque é um resultado do “novo conceito” acordado entre os regimes de Turquia, Iram e Baath [Síria de Assad]. É umha situaçom e processo novo. Mas nom está totalmente claro se é estratégico ou tático. É evidente que há um grande jogo aqui e o Estado turco está à frente del.

O regime abstivo-se de tais conflitos até agora, e mantinha as sensibilidades entre os curdos e o estado em mente. Apesar de haver ataques ocasionais e retaliaçons contra eles, o uso de avions de combate, declaraçons chamando as forças de segurança na regiom “PKK” mostra que eles falam a língua do Estado turco.

Com isso, o regime sírio está dando a Turquia a mensagem: “Aceite-me permanecer no poder. Convença os seus grupos aliados a fazer o mesmo. E eu vou agir como vocé e falar como vocé contra os curdos. “A Turquia quer tomar o seu lugar político em Damasco” e ser influente novamente por isso está recebendo essas mensagens. ”

“O Regime turco fixo promessas que nom irá manter”

Ilham Ehmed também dixo que a Turquia tinha feito algumhas promessas ao regime em umha base anti-curda e continuou:

“Até agora, Erdogan tinha chamado a Assad ditador. Apoiou muitos grupos terroristas, incluindo o ISIS e da oposiçom e tivo-os luitando contra o regime. Turquia perdeu todos os seus amigos na regiom e tivo a novas negociaçons com o regime na esperança de reforçar-se, revivendo a sua política e bloquear o projeto de federalismo democrático liderado polos curdos. Eles declararom verbalmente ao regime que lhes iam permitir obter o apoio de grupos de oposiçom e figerom a promessa a nom opor-se a que Assad permanecera no poder. Em troca, eles pedirom que o regime parara os curdos. Em consonância com isso, a Turquia fixo umha declaraçom imediata após o ataque (em Hesekê) e expressou que o regime tinha finalmente visto que os curdos representam umha ameaça para eles também.

“A Turquia nom abandonou Aleppo mesmo agora. Na prática, eles deixam a fronteira aberta e grupos jihadistas e muniçons passam por esta fronteira diariamente. Assim, mesmo se eles entram em umha negociaçom com o regime e dim estas coisas, na prática, eles continuam a fazer o mesmo. Turquia quer levarar a guerra de volta para as regions da Síria e Rojava que forom liberadas de todas as bandas de jihadistas. A Turquia nom tem interesse na destruiçom do ISIS e a estabilidade na regiom. ”

“O Iram está a liderar a guerra”

Comentando sobre os actores políticos e militares no conflito de Hesekê, Ilham Ehmed dixo que o ataque era politicamente do Estado turco, e do Irm na prática, e acrescentou:

“Na verdade, a principal força de combate em Hesekê é o Iram. Portanto, estas duas forças estam atacando diretamente. Foi também o Iram quem luitou em Qamishli antes. Iram quer organizar-se na regiom. Quer criar os seus próprios grupos entre os árabes. Neste sentido, quer criar o seu próprio projecto na Síria através de grupos próximos ao regime. É por isso que a guerra lançada em Hesekê neste último processo também foi desenvolvida contra o interesse das pessoas árabes na administraçom autónoma democrática, sobre que eles se juntaram às Forças Democráticas da Síria e à Assembleia Democrática da Síria, e aquecendo para o projeto da federaçom democrática. Eu nom acho que essa aliança entre Turquia, Iram e o regime sírio seja permanente. Porque eles tenhem muitos conflitos políticos e estes nom som conflitos que poidam ser resolvidos facilmente. Mas, polos seus próprios interesses, estam-se unindo contra os curdos, porque eles vêem os curdos como umha ameaça.”

O papel da Rússia ainda nom está claro ”

Ehmed também mencionou o papel da Rússia na nova situaçom e dixo que a Rússia sente que eles precisam a Turquia do seu lado para determinar a situaçom em Aleppo e que eles chegarom a um acordo sobre algumhas questons. A co-presidente da MSD dixo que queriam determinar se este acordo era umha parte do conceito, e afirmou: “Por outro lado, vemos o silêncio da Rússia contra este ataque polo regime como a aprovaçom do ataque. Mas esperamos que nom seja assim. Rússia deve clarificar a sua abordagem. A Rússia aprova a destruiçom de regions curdas, e esse tipo de ataque contra umha força que tem luitado o ISIS e a fragmentaçom na Síria e desenvolveu a democracia?  Rússia deve responder a esta pergunta.”

Uma guerra muito destrutiva pode-se desenvolver ”

Alertando os poderes envolvidos no novo processo, Ehmed afirmou que a situaçom segurava grandes perigos para todos os lados. “Essas alianças e este ataque a Hesekê som perigosos. As forças hegemônicas no Oriente Médio estam prontas agora para defender qualquer tipo de terror do ISIS, entrar numha guerra muito destrutiva, e fazer os povos da Turquia vítimas desta guerra; eles estam fazendo isso so para reforçar um conceito que vai contra o projeto de democratizaçom da regiom que começou em Rojava. O silêncio das forças internacionais e a coalizom também está contribuindo a possibilidade de umha guerra ainda maior.

“A situaçom nom interessa a Rússia ou os EUA

“Existe a possibilidade de que no futuro os interesses das potências internacionais vaiam colidir e que isso vaia abrir o caminho para umha guerra muito maior. Se se trata disso, ninguém pode pará-la. É por isso que há um grande perigo. Os acordos que Rússia e EUA tenham atingido sobre a questom de Aleppo, a questom Síria, em geral, e os acordos na luita contra o ISIS podem ser perturbados por esta guerra. Esta situaçom nom é do interesse da Rússia ou dos EUA. Neste sentido, as forças da coalizom, ambas forças devem fazer umha avaliaçom urgente da situaçom e declarar que eles estam com com as forças democráticas que criarom projectos para a democracia e fraternidade dos povos como base para o seu projeto.”

Nós nunca imos ajoelhar ”

Ilham Ehmed também comentou sobre a posiçom da povoaçom de Hesekê contra os ataques: “Até agora, a esses ataques resistirom as Unidades de Protecçom do Povo (YPG), Asayish (Segurança / Polícia) e Unidades de Defesa Civil (HPC). É claro que a postura das pessoas também tem sido muito importante. O povo de Hesekê e, especialmente, os árabes em Hesekê exibirom umha postura verdadeiramente importante e valiosa. Muitas pessoas forom evacuadas por razons de segurança, e os que permanecem estam resistindo.

“Esta agressom polo regime sírio é um ataque polo poder e ocupaçom. O objectivo é usurpar a vontade dos povos que criamos na regiom nos últimos cinco anos. É por isso que a resistência e a importante posiçom do nosso povo e forças continua. Nós nunca iremos voltar atrás e nunca imos ajoelhar. Mas estamos esperando que o regime vaia entender isso e tornar-se consciente de como o Estado turco quer trazê-los ao acordo [anti-curdo] de Adana (1998), mais umha vez, e que nom há nada a ganhar lá para eles. O regime tem de reconsiderar esta decisom e apagar o fogo que eles começarom. Se eles figeram isso, será a fim dos interesses do Estado turco na regiom.”

Publicado em Kurdish Question baseado em umha entrevista da ANF- Ajansa Nûçeyan a Firatê.

 

 

Cálculo sírio de Turquia: Aposta por umha invasom?

Turkeys Syrian Calculation Gambling On An Invasionpor Patrick Cockburn, publicado originalmente em Counter Punch

Um mês antes da Turquia abater um bombardeiro russo, que acusou de entrar no seu espaço aéreo, a inteligência militar russa tinha advertido o presidente Vladimir Putin de que este era o plano turco. Diplomatas familiarizados com os eventos dim que Putin rejeitou o aviso, provavelmente porque el nom acreditava que a Turquia correria o risco de provocar a Rússia em um envolvimento militar mais profundo na guerra síria.

No evento, no dia 24 de novembro do ano passado um F-16 turco abateu um bombardeiro russo, matando um dos pilotos, em um ataque que tinha todos os sinais de ser uma emboscada bem preparada. Turquia alegou que estava respondendo ao aviom russo que entrara no seu espaço aéreo por 17 segundos, mas os militares turcos figeram todos os esforços para esconder-se, voando a baixa altitude, e pareciam estar em umha missom especial para destruir o aviom russo.

O derrubamento – o primeiro de um aviom russo por uma potência da OTAN desde a Guerra da Coreia – é importante porque mostra o quam longe a Turquia vai manter a sua posiçom na guerra feroz na parte sul da sua fronteira de 550 milhas com a Síria. É um acontecimento altamente relevante hoje, porque, dous meses mais adiante, Turquia enfrenta agora desenvolvimentos militares no norte da Síria que representam umha ameaça muito mais séria aos seus interesses do que aquela breve incursom no seu espaço aéreo, apesar de que Ankara fixo alegaçons ontem sobre umha nova violaçom russa o venres.

A guerra síria está numha fase crucial. Durante o ano passado os curdos sírios e o seu exército altamente efetivo, as Unidades de Defensa do Povo (YPG), tomarom mais da metade da fronteira da Síria com a Turquia. A principal linha de abastecimento para o Estado Islâmico (Isis), através da passagem fronteiriça de Tal Abyad no norte de Raqqa, foi capturado polas YPG em junho passado. Apoiado por um intenso bombardeio da Força Aérea dos Estados Unidos, os curdos forom avançando em todas as direçons, selando o norte da Síria da Turquia na faixa de território entre os rios Tigris e Eufrates.

Às YPG queda-lhes apenas mais de 60 milhas a percorrer, ao oeste de Jarabulus, no Eufrates, para fechar as linhas de abastecimento do Isis e os da oposiçom armada nom-ISIS, de Azzaz a Aleppo. Turquia tinha dito que a sua “linha vermelha” é que nom deveriam cruzar as YPG oeste do rio Eufrates, embora nom reagiu quando as YPG dentro das Forças Democráticas da Síria (SDF), aproveitou a barragem de Tishreen, no Eufrates e ameaçou a fortaleza do IS de Manbij. Os curdos sírios estam agora avaliando se ousam tomar o território estratégico ao norte de Aleppo e a ligaçom com o enclave curdo de Afrin.

Os desenvolvimentos nos próximos meses pode determinar quem som os vencedores e perdedores a longo prazo na regiom durante décadas. as forças do presidente Bashar al-Assad estam avançando em várias frentes sob um guarda-chuva aéreo russo. A campanha de cinco anos do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan de derrubar a Assad em Damasco, ao apoiar a oposiçom armada, parece estar perto de derrota.

Turquia poderia responder a esto, ao aceitar um facto consumado, admitindo que seria difícil para el enviar o seu exército para o norte da Síria diante das fortes objeçons dos EUA e a Rússia. Mas, se a alternativa é o fracasso e a humilhaçom, entom pode fazer exatamente isso. Gerard Chaliand, o especialista francês em guerra irregular e política do Oriente Médio, falando em Erbil na semana passada, dixo que “sem Erdogan como líder, eu diria que os turcos nom iriam intervir militarmente [no norte da Síria], mas, umha vez que é el, eu acho que o vam fazêr”.

Turkeys Syrian Calculation Gambling on an Invasion 02Erdogan tem a reputaçom de aumentar as apostas como fixo no ano passado quando nom conseguiu ganhar umha maioria parlamentar na primeira das duas eleiçons. El aproveitou de um confronto com os curdos turcos e a fragmentaçom dos seus adversários para ganhar umha segunda eleiçom em novembro. A intervençom militar direta na Síria seria arriscada, mas o Sr. Challiand acredita que a Turquia “é capaz de fazer isso militarmente e nom será dissuadida pola Rússia”. Naturalmente, nom seria fácil. Moscou tem avions no ar e mísseis anti-aeronaves no solo, mas Putin provavelmente tem uma ideia clara das limitaçons sobre o envolvimento militar da Rússia na Síria.

Omar Sheikh Mousa veterano líder curdo sírio que vive na Europa, di que os curdos sírios “devem perceber que os russos e o governo sírio nom vai ir à guerra com o exército turco por eles”. Adverte que o partido político curdo no poder, o PYD, nom deve exagerar a sua própria força, porque a reaçom do presidente Erdogan é imprevisível.

Outros líderes curdos acreditam que a intervençom da Turquia é improvável e que, se ele ia vir, teria acontecido antes de que o jato russo fosse abatido. Isso levou a Rússia a reforçar a sua potência no ar na Síria e tendo umha atitude muito mais hostil para com a Turquia, dando suporte completo para o Exército Sírio nos avanços no norte Latakia e em torno de Aleppo.

No momento, os curdos sírios ainda estam decidindo o que devem fazer. Eles sabem que o seu quase-estado, conhecido como Rojava, tem sido capaz de expandir-se a velocidade explosiva porque os EUA precisavam de umha força terrestre para agir em colaboraçom com a sua campanha aérea contra o Isis. Os bombardeiros russos e norte-americanos, em diferentes momentos, apoiarom o avanço das SDF em direçom a Manbij. No tabuleiro de xadrez caótica da crise síria, os curdos neste momento tenhem os mesmos inimigos que o Exército sírio, mas eles sabem que a sua forte posiçom vai durar apenas enquanto dure a guerra.

Se nom houver umha intervençom turca a umha escala significativa, em seguida, Assad e os seus aliados estariam a ganhar, pois a intervençom reforçada russa, iraniana e do Hezbollah libanês inclinou a balança em seu favor. A troika de Estados sunitas da regiom – Arábia Saudita, Qatar e Turquia – falharom, até agora, para derrubar a Assad por meio de apoiar a oposiçom armada síria.

O seu entusiasmo para fazê-lo está sob pressom. A Arábia Saudita tem umha liderança volúvel, está envolvida em umha guerra no Iêmen, e o preço do petróleo pode ficar sob 30 $ US o barril. As açons de Qatar na Síria som ainda mais incalculáveis. “Nós nunca conseguemos descobrir as políticas de Qatar”, di um observador do Golfo, frustrado. Um comentarista mais cáustico, em Washington, acrescenta que “a política externa do Catar é um projeto de vaidade”, comparando-o com o desejo de Qatar por comprar edifícios de referência no estrangeiro ou acolher a Copa do Mundo em casa.

Na política síria e iraquiana quase todo mundo termina por exagerar a mao, tomando vantagem transitória para o sucesso irreversível. Isso era verdadeiro para umha grande potência como os EUA no Iraque em 2003, umha força como o Isis em 2014, e umha pequena potência, como os curdos sírios em 2016. Umha das razons que o Iram tem, até agora, sair à frente na luita por esta parte do Oriente Médio é que os iranianos moverom-se com cautela e passo a passo.

A Turquia é a última potência regional que poderia reverter a tendência dos acontecimentos na Síria pola intervençom militar aberta, um desenvolvimento que nom pode ser descontado quando a fronteira sírio-Turca está sendo progressivamente selada. Mas, salvo isso, o conflito tornou-se tam internacionalizado que só os EUA e a Rússia som capazes de leva-lo para um fim.

Publicado em Kurdish Question.

Patrick Cockburn é autor de  The Rise of Islamic State: ISIS and the New Sunni Revolution.