“Turquia quere formar um Estado sunita na Síria”

Ebdo Ibrahim, Presidente do Conselho de Defesa de Afrin / ANHA

O presidente do Conselho de Defesa do Cantom de Afrin da Federaçom Rojava-Norte da Síria, Ebdo Ibrahim, falou com a ANHA e dixo que a Turquia pretende dividir as terras sírias para criar um estado sunita entre Jarablus, al-Bab e Aleppo.

Na entrevista publicada abaixo Ibrahim fai avaliaçons sobre os recentes desenvolvimentos na regiom de Aleppo e Shahba.

Como avalia os desenvolvimentos militares em Afrin, Shahba e Aleppo?

As contradiçons continuam entre os grupos armados no sexto ano da crise síria, levando ao crescimento da crise. As potências internacionais que dim que estam tentando resolver a crise na Síria estam aprofundando ainda mais a crise. Esta situaçom é especialmente válida para a regiom de Shahba.

No início da Campanha de Libertaçom Martir Faysal Abu Leyla de Manbij, os grupos Jabhat al-Nusra, Ahrar al-Sham, Nour al-Din al-Zenki e Fatah Halab posicionados em torno de Aleppo dirigiram-se a Shahba para apoiar ao ISIS e intensificar os ataques a Rojava.

Quando os planos do Estado turco falharom, a regiom foi diretamente intervida. Depois que os combatentes do Conselho Militar de Manbij libertaram Manbij, o estado turco ocupou Jarablus. Agora [estado turco] continuam ocupando al-Bab e Aleppo. Alguns grupos em Azaz estam cumprindo as ordens do estado turco.

A Turquia ocupou Jarablus em duas horas, eles levaram a cabo a travessia das gangues do ISIS vestindo-as com as roupas de al-Nusra. Neste ponto, a OTAN em particular e as potências internacionais precisam perguntar-se: Como a Turquia persuadiu as gangues de al-Nusra a se retirarem de Aleppo? Pesados combates onde civis estam sendo objetivo estám ocorrendo em distritos de Aleppo leste. Por que há umha luita pesada nessas áreas em particular? Qual é o valor geopolítico dessas áreas?

Quem ganhar em Aleppo vai ganhar na Síria em geral. Entom, se o regime ganha em Aleppo, eles seram os únicos a vencer na crise síria. Houvo assentamentos entre o regime e grupos armados em muitas áreas da Síria, como Damasco, Daraa e al-Waer, por que nom deveria acontecer em Aleppo também?

Aleppo tem importância estratégica para a Turquia também. Ao mesmo tempo tem a especialidade de ser um centro econômico e financeiro. Por esta razom, a Turquia quer reviver o seu período otomano ocupando esta regiom. Turquia usa os cidadaos da Síria como material de negociaçom como umha ameaça contra a UE. No entanto, infelizmente, o povo da Síria vive desconhecendo a verdade da Turquia.

O regime e a Turquia reunirom-se em Damasco com a coordenaçom do Iram. O regime tomaria Aleppo, Turquia ocuparia Jarablus, portanto, os acordos entre as duas partes forom encerrados. Isto porque a Turquia temia que as Forças Democráticas da Síria libertassem a regiom de al-Bab e assim conduzindo à libertaçom de umha rota Afrin e Kobane.

As forças das YPG tornaram possível atravessar mais de seis mil civis do leste de Aleppo até o distrito de Sheikh Maqsoud. Que impacto esse número poderia ter sobre as questons sociais e de segurança de Sheikh Maqsoud, já que o bairro ainda está sob cerco?

Umha situaçom como esta também aconteceu em Afrin. O cantom de Afrin recebira milheiros de migrantes sírios e um campo foi feito para os migrantes devido a medidas de segurança. Mas apesar da densidade presente em Sheikh Maqsoud, o aumento da povoaçom criará efeitos negativos. Isso ocorre porque o bairro ainda está sob cerco. Por outro lado os ataques contra o bairro continua. Apesar disso, os moradores do bairro e as forças de defesa receberam os migrantes.

Algumhas fontes de notícias dim que há divisom entre as milícias no leste de Aleppo, que achas que há de certo nisso?

Os ataques intensos do regime e o avanço nos distritos em Aleppo leste e o distanciamento de Turquia das suas próprias bandas conduziram à divisom entre eles. Muitos membros das milícias desertarom e fugirom entre a povoaçom civil. As milícias optam por este método, porque sabem que seriam presos se fugiram a Turquia.

Como avalias a visita ao Iram do subsecretário do MIT (Inteligência Turca), Hakan Fidan, e do ministro turco de Relaçons Exteriores, Mevlut Cavusoglu?

Esta nom é umha situaçom nova. Depois do derrube do aviom de guerra russo, a Turquia já se desculpou com a Rússia. A Turquia dá apoio ao governo no sul do Curdistam. A visita ao Iram ocorre em um momento em que os ataques contra Rojava estam aumentando. Recentemente, a Turquia pediu ajuda contra os ataques às Posiçons de Defesa Medya [áreas controladas polo PKK].

Hoje, o Conselho Militar de al-Bab está realizando umha grande resistência contra as bandas da  SNC [Coaliçom Nacional Síria]. A SNC retirou as suas milícias em Jarablus e entregou-nas ao exército ocupante turco. O Conselho Militar de al-Bab nom permitiu que a Turquia ocupasse a regiom de Shahba. A resistência do Conselho Militar de al-Bab mostra que se os povos da regiom estam unidos, entom eles podem se opor à ocupaçom turca.

A Turquia quere dividir o norte da Síria e formar um estado sunita desde Jarablus, al-Bab e Aleppo-Idlib. No entanto, as forças SDF nom permitiram que isso ocorra.

Esta entrevista foi feita por: Seydo Ibo, Cafer Cafo, Aylina Kilic.

Publicado em Hawarnews e Kurdishquestion.

 

Jinwar : A Aldeia de Mulheres Livres em Rojava

jinwarEm Rojava, o Comitê de Construçom da Aldeia de Mulheres Livres do Kongreya Star [confederaçom de organizaçons de mulheres em Rojava,] começou a construir umha aldeia de mulheres chamada “Jinwar” contra a violência contra as mulheres.

Enquanto as mulheres, quem criarom a revoluçom em Rojava, continuam a construir a vida, continuam as suas originais obras em todos os lugares. Começou-se a construir umha vila perto da cidade de Dirbesiye no cantom de Cizîre. A aldeia de mulheres que se chama  “Jinwar” começou a ser construída so pola solidariedade das mulheres. As obras de infra-estrutura da aldeia da vida, que é umha alternativa à violência contra as mulheres, continuaam. Em fevereiro, casas de tijolos de barro seram construídas com base nos princípios da vida ecológica. Os detalhes do projeto seram compartilhados mais tarde. O Comitê de Construçom da Vila das Mulheres Livres do Kongreya Star emitiu umha declaraçom de imprensa enquanto as mulheres estavam plantando sementeiras. Heval Rumet, da Academia de Jineologia, homenageou as irmás Mirabal em ocasiom do 25 de novembro como o Dia Internacional para a Eliminaçom da Violência contra as Mulheres e afirmou que poram em prática o projeto da aldeia de mulheres de Jinwar contra a violência contra as mulheres.

Heval, assinalou que as mulheres tinham enfrentado um genocídio das mulheres, dixo: “A ideologia de gênero pom os homens como potenciais assassinos de mulheres. A vida de cada mulher sem auto-vontade, auto-consciência, auto-organização e auto-defesa está em perigo. As mulheres, cuja vida física nom está em perigo, tenhem enfrentado a sua língua, sua cultura, seus sentimentos, seus pensamentos e seu trabalho para ser roubado e destruído. Nesse sentido, ficar de pé contra o genocídio das mulheres requer umha organizaçom multilateral e trabalhar com amor. Os projetos e as luitas exigem que se garanta que o nome da mulher nom seja referido à morte, mas a nossa cultura histórica iguala-a a vida novamente.”

Heval enfatizou que continuariam com grande asserçom e crença a desenvolver os espaços livres das mulheres sob a liderança da Jineologia, a ciência da Mulher-Vida-Sociedade e criaçom das mulheres livres. Heval expressou que plantaram sementeiras por todas as mulheres mortas e submetidas a agressons.”

1_jinha_logo_b_enPublicado em Jinha, Agência de novas feita por e de Mulheres, agora mesmo ilegalizadada em Turquia e com várias jornalistas presas em Turquia.

 

 

 

Os curdos matam e deslocam civis árabes na operaçom de Raqqa?

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Luitadores das SDF na operaçom de Raqqa / ANF

Por Sinan Cudi

As forças da Ira do Eúfrates terminarom a primeira fase da operaçom para libertar Raqqa do  Estado Islâmico (ISIS) o 14 de novembro.

A declaraçom revelando os detalhes dos primeiros 10 dias da operaçom foi na aldeia de Hîşa; há pouco informara-se que fora atacada por avions da Coligaçom anti-ISIS. A declaraçom, lida pola porta-voz Cihan Ehmed dixo que 36 aldeias, 31 povos, 7 outeiros estrategicamente importantes e duas regions importantes que fornecem água e eletricidade foram liberados em umha área de 550 km do ISIS. Também informou-se que 167 militantes do ISIS foram mortos e 4 presos.

A declaraçom acrescentou que o ISIS tinha tentado 12 ataques VBIED [Veículos bomba], mas que todos os veículos tinham sido destruídos. Um grande número de armas e outros veículos também tinham sido eliminados, 240 minas desativadas. A declaraçom dizia que apenas quatro lutadores das Forças Democráticas da Síria (SDF) foram feridos na primeira fase da operaçom.

Mencionou também que o assédio de Raqqa continuava e que as pessoas nas áreas liberadas permitiria-se-lhes retornar às suas casas umha vez que a limpeza das minas terminara.

A declaraçom também se refere à reivindicaçom sobre a Aldeia de Hîşa (Hisah), que é o tema deste artigo e di: “Embora nom tenhamos encontrado nengumha evidência de que os civis foram prejudicados durante a operaçom, continuamos a investigar as alegaçons.”

Deixando de lado o conteúdo da declaraçom sobre a aldeia Hîşa, o fato de que a declaraçom foi feita na aldeia onde o suposto ataque ocorrera é umha mensagem para aqueles que fam essas alegaçons. Que os jornalistas tenham permissão para entrar e investigar na aldeia após o comunicado de imprensa é mais umha prova da confiança do SDF de que as alegaçons som falsas.

Reivindicaçons semelhantes forom feitas antes. Cada vez que o ISIS é atacado, há mentiras do tipo “os árabes estam sendo deslocados”, “há limpeza étnica”, “a demografia está sendo mudada”, “os civis estam sendo assassinados”, som postos em circulaçom para interromper a guerra contra o grupo jihadista.

A mensagem subjacente repetida com estas afirmaçons é a seguinte: “Os curdos estam matando árabes, deslocando-os, apropriando-se das suas terras e tentando criar um estado curdo.” De longe isso pode parecer plausível também. Afinal, vivemos em sociedades onde as pessoas têm bebido do cálice envenenado do nacionalismo e forom infectados polas suas ideias e que, a gente pense que é umha possibilidade fazer o anterior.

No entanto, é importante enfatizar certos feitos.

Em primeiro lugar, a maioria dos combatentes que participam na ofensiva de Raqqa som árabes. Os componentes da força de combate que participam da operaçom som proporcionais à povoaçom de Raqqa. Isto significa que os curdos representam o 25% desta força, em relaçom à povoaçom curda que vivia em Raqqa.

Em segundo lugar, durante mais de um ano, desde a ofensiva de al-Hawl, os curdos nom agem unilateralmente. As forças de comando e combate em todas as operaçons e açons militares som decididas polas SDF. Há umha ordem comum e um centro de comando. O que significa que há um exército administrado conjuntamente por árabes, curdos, assírios e turcomanos.

E, finalmente, se os curdos tivessem pretendido e desejassem deslocar os árabes, teriam começado com a povoaçom árabe movida polo regime Baath para os assentamentos curdos como parte da iniciativa do cordom árabe na década de 1960.

É possível listar muitos mais feitos, mas três som suficientes.

O que é interessante, no entanto, é que aqueles que fam estas afirmaçons estam completamente silenciosos sobre as massacres cometidos por avions de guerra turcos em Afrin e na regiom de Shehba, a destruiçom de aldeias curdas e o deslocamento de milheiros de curdos.

sinan-cudiSinan Cudi é um jornalista curdo atualmente em Rojava-Norte da Síria.

Publicado em  Kurdish Question.

 

 

 

Comunicado do PYD

pyd-muslinO Conselho Geral do Partiya Yekîtiya Demokrat (PYD, Partido da Unidade Democrática) condena o mandado de detençom das autoridades turcas sobre o co-Presidente do PYD, o Sr. Mohammed Saleh Muslim. Enfatizamos que nom reconhecemos essa decisom, que contradiz a legislaçom e convençons internacionais de direitos humanos, que a mesma nom satisfaze as mínimas condiçons legais e constitucionais. As acusaçons construídas contra o Sr. Saleh Muslim som falsas, infundadas e caluniosas

Mais uma vez, tem sido demonstrado à opiniom pública mundial que o Estado turco e o governo Erdogan som hostis ao povo curdo, onde quer que seja. A Turquia continua com o seu objetivo de extermínio físico, cultural e político de todos os oponentes, especialmente os curdos. O governo turco despreza e viola o direito internacional dos direitos humanos a diário e tem a intençom de cometer um novo crime contra o nosso povo.

A derrota da Turquia e os seus mercenários no campo militar, e o colapso da sua estratégia na Síria, na regiom e no mundo, provocou que o regime turco perda a cabeça, e ataque a discriçom em todas as direçons. No entanto, declaramos a todos que nada vai afectar à nossa determinaçom de luitar e defender a nossa terra e o nosso povo. Nós temos a força, temos as capacidades para atender a todos os enredos e ataques, mesmo que sejam frenéticos.

Chamamos a todos os partidos democráticos internacionais a nom permanecer em silêncio diante da matança física, jurídica e política do regime turco sobre o povo curdo, e dar um passo para deter os crimes diários cometidos polas autoridades turcas.

23 Noviembre 2016

‘Erdogan vai seguir os passos de Saddam ou Hitler’: Entrevista a Zubeyir Aydar, líder político curdo

01-zubeyir-aydarPor Figen Gunes

“A maior mostra de solidariedade após a resistência de Kobanê em toda a Europa entre os curdos foi depois que os líderes e deputados do HDP foram presos na Turquia “, dixo Zubeyir Aydar, membro do Comité Executivo da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK),  organizaçom a que pertenze o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK).

Zubeyir Aydar respondeu às perguntas de Figen Gunes sobre a ausência de protestos nas ruas na Turquia, bem como o apoio dos partidos do Governo Regional do Curdistam e as possibilidades de transformá-lo numha oportunidade para consolidar as relaçons nacionais entre os Curdos.

Figen Gunes: O povo do sudeste da Turquia sofreu umha grande destruiçom em todos os níveis desde o colapso do processo de paz. Depois de quase 200 civis terem sido queimados vivos em três sotos de Cizre, Sirnak, seria de esperar fortes protestos públicos. No entanto, nom houvo grandes manifestaços. Mas quando olhamos para a diáspora curda na Europa, especialmente na Alemanha, vemos umha  forte condenaçom do governo turco em grandes protestos de milheiros de pessoas enviando mensagens de apoio para às gente do sudeste da Turquia. Pode nos falar sobre essa dicotomia?

Zubeyir Aydar: Quando o estado está matando as pessoas nas ruas é difícil sacar as pessoas. Há milhons de pessoas em Bakur (norte do Kurdistan-sudeste da Turquia) que, de outra forma, estariam nas ruas protestando contra a opressom dos curdos. Sob as Leis de emergência, há actuaçons limitadas. Além disso, os líderes que organizariam estas mobilizaçons estam todos sob custódia ou presos.

Até 1992, grandes massas protestavam nas ruas. No entanto, quando eu fum a Sirnak no verao de 1992 como deputado da cidade, a gente mirava-nos de longe. Estavam com medo de aproximar-se-me devido à atmosfera no momento. Isso nom significava que eles estiveram contra minha ja que fum escolhido por eles. É porque o estado é muito experiente em como silenciar às pessoas.

As multitudess que vimos na Europa em protestos públicos tenhem as mesmas inclinaçons políticas com aqueles no Curdistam. Aqui na Europa, nom há nem toques de recolher nem limites aos protestos. Esta é a única razom pola qual nom vemos protestos em Diyarbakir, onde as pessoas sabem que pagariam com as suas vidas. Tendo dito que em Adana e Mersin, por exemplo, há menos pressom e as pessoas estavam criticando as decisons do governante AKP.

O Plano Colonialista de Reforma do Leste ainda está em vigor

F.G: Historicamente, o governo turco, que criaram um  espaço para conversaçons bilaterais com os líderes do PKK, classificariam mais tarde estas conversas como atos de traiçom. Pode nos dizer se o governo atual na Turquia tinha umha política para tratar os curdos de umha certa maneira desde o início ou estamos enfrentando umha liderança volátil sem planos concretos do governante AKP?

Z.A: O Plano de Reforma do Leste (Sark Islahat Plani), que chamamos de plano de genocídio, tem sido usado contra os curdos desde 1925. Este era o documento teórico detalhando como os curdos seriam erradicados. Nos últimos anos, a Turquia tentou abordar a questom curda sem recorrer à guerra, mas este discurso nom reconhecia a identidade curda. O governo turco mais umha vez nos últimos anos viu o PKK apenas como portador de armas; Eles pensavam que se o PKK desistisse das armas, a questom curda seria resolvida. Isto foi mencionado em todas as conversaçons, incluindo Oslo (2009) e Imrali [2013-2015] com o governo turco.

O governo nom apresentou um plano político para abordar a questom. Emre Taner, ex-funcionário do Serviço de Inteligência Turco (MIT), repetiu recentemente isso quando deu provas ao comitê de investigaçom do golpe. Taner foi o arquitecto das conversaçons de Oslo e admitiu que o governo turco nom ofereceu um roteiro aos curdos durante as conversaçons de Oslo para resolver a questom.

Além disso, o primeiro objectivo estabelecido no Plano de Reforma Oriental era a assimilaçom dos curdos residentes no Oeste do Eufrates. Portanto, quando o atual governo turco di que o oeste do Eufrates é a sua linha vermelha, isso nom deve ser visto como umha coincidência. Esta fronteira de feito vem deste documento histórico. O governo pensa que se os curdos atravessaram ao oeste do Eufrates em Rojava, também o fariam no Iraque.

Declaraçom de Dolmabahce

F.G: Os curdos forom capazes de negociar um acordo com o atual governo em fevereiro de 2015. Por que entom a Declaraçom de Dolmabahce foi desfeita? 

Z.A: O atual período de guerra veu depois do estado profundo na Turquia: Ergenekon e Gulenistas estenderam a cabeça e questionaram a Declaraçom de Dolmabahce. Esta declaraçom tinha o potencial de resolver a questom curda através de dez pontos práticos. Contudo, estas forças do estado profundo digeram-lhe a Erdogan, “Vostede é o que senta no palácio mas esta declaraçom deve ser bloqueado”. Esta era inerentemente umha decisom de guerra. Queriam buscar umha resoluçom nas negociaçons de paz, ou luitar. No verao, logo da Declaraçom de Dolmabahce ter sido abandonada por Erdogan, o conflito retomou. Agora, mesmo as associaçons curdas estam sendo fechadas. Nom apenas isso, os conselhos locais eleitos e administrados polos curdos estam sendo apreendidos e substituídos por administradores designados polo governo. A prisom dos 10 deputados do HDP é também umha parte deste período de conflito. Nom reconheceremos os guardians designados. No entanto, as declaraçons para o auto-governo curdo nom estam na nossa agenda para o futuro próximo porque o povo nem sequer é capaz de respirar e mover-se livremente.

Ajoelhar-se ou morrer

F.G: Forom abordados polo governo turco para iniciar umha nova fase de negociaçons após a mesa da negociaçom ter sido derrubada.

Z.A: Nom. Nós, como Movimento de Libertaçom do Curdistam somos confrontados com a destruiçom total porque o governo di isso: ou ajoelhar-se ou morrer. Nom nos inclinaremos, portanto estamos sendo atacados. Primeiro, a Turquia apoiou o Daesh (Estado Islâmico) para bloquear os ganhos dos curdos na Síria, e entom entrou el mesmo com o mesmo objetivo. A nossa estratégia é defender-nos em Rojava e Turquia com as armas. O presidente Recep Tayyip Erdogan é um ditador e por esta razom estaremos trabalhando para construir umha frente pola democracia ao lado de outras vozes da oposiçom na Turquia.

Outra prioridade para nós é concentrar-nos com a diplomacia, neste momento particular. Vamos expor os erros da Turquia, especificamente da OTAN e a UE. Nom Imos ajoelhar, mas resistiremos e isso precisa ser explicado ao mundo inteiro.

O objetivo dos curdos umha nova aliança

F.G: A Turquia atravessa um período extraordinário. Como é que o partido no poder preenche os cargos vacios polas grandes purgas? Quem som os novos sócios do Estado?

Z.A: Erdogan formou umha nova aliança com o Ergenekon. Ironicamente, os Gulenistas e Erdogan luitaram juntos contra esta força na última década e aprisionou-nos. No entanto, agora, Erdogan tem umha aliança inversa em vigor. O primeiro objetivo desta aliança é a consolidaçom do governo de Erdogan. A segunda é a eliminaçom total dos gulenistas nas posiçons governamentais. Sob esta nova aliança o objectivo comum de luitar também os curdos.

Erdogan nom descera do seu palácio normalmente; El vai ser preso ou morrer, seguindo os passos de Hitler ou Saddam, que el tentou imitar com as suas políticas expansionistas e opressivas na Turquia e no Oriente Médio em geral. A UE e os Estados Unidos nom estam satisfeitos com esta orientaçom. Eles nom querem umha Turquia instável. Apesar de estar infelizes, ainda nom querem impor sançons contra a Turquia, o que deveria ter sido feito rapidamente.

Os grupos paramilitares de Erdogan

F.G: Como pode esta nova aliança sobreviver em meio disses inimigos?

Z.A: Erdogan tem trabalhado na criaçom dos seus próprios grupos paramilitares. Historicamente, o partido político nacionalista MHP foi dado a esta tarefa e criou os Lobos Cinzentos para usa-los em favor do governo. Mas agora, as Unidades Otomanas (Osmanli Ocaklari) forom formadas e estam sob as ordens diretas do governo e operam como parte das unidades especiais no serviço secreto. No ano passado, houvo uma onda de ataques ao HDP. Este foi trabalho das Unidades Otomanas. Os alemaes alertaram-nos sobre a sua grande existência na Alemanha. Acreditamos que estam organizados em toda a Europa. As informaçons da Alemanha reveladas sobre eles devem ser tidas em conta e tomar medidas.

Unidade Curda

F.G: Alguns pensam que a personalidade alegre e adorável de Selahattin Demirtas pode desempenhar um papel em reunir outras seçons do movimento curdo; Vostede está esperançoso na unidade entre os curdos, especialmente depois que os líderes do HDP foram presos?

Z.A: As prisons dos líderes do HDP criaram umha reaçom entre outros líderes curdos. No entanto, eu encontrei a reaçom do KDP macia. Os problemas atuais nom podem ser resolvidos através da opressom; A liderança do KDP nom condenou as açons da Turquia. Dito isto, outros partidos curdos nas quatro partes do Curdistam mostraram a sua condenaçom da Turquia, o que é importante. Os desenvolvimentos em Mosul e Rojava criam ainda a necessidade de unifidade entre os curdos. Estamos prontos para um diálogo mais desenvolvido; No entanto, é difícil prever se isso levaria a quaisquer ganhos sob a forma de cooperaçom sólida a curto prazo.

Diferenças históricas

F.G: O PKK está perdendo força depois dos recentes ataques?

Z.A: Os curdos gozavam de autonomia sob o domínio otomano desde o início dos anos 1500 até o início do século XIX. Quando isso mudou, começarom os motins contra os otomanos. O primeiro motim foi em 1806 em Sulaymaniah. Desde entom, 210 anos passarom, mas há umha série de revoltas. O ex-presidente da Turquia, Suleyman Demirel, dixo umha vez que o PKK era a 29ª revolta curda, no entanto, de acordo com os documentos do Comandante Geral turco, o PKK é o 39º movimento curdo desde o início do Império Otomano. A diferença é que a existência do levante do PKK é a mais longa do que o total de todas aquelas que forom anteriormente. Os movimentos do passado eram locais e fracos e, portanto, forom suprimidos em um curto espaço de tempo. No entanto, o PKK tem crescido continuamente nos últimos 33 anos.

Na Turquia, os governos venhem e vam e cada um promete erradicar o PKK, mas nom foi esse o caso. Nos anos 90, tínhamos um grupo parlamentar curdo, mas agora, apesar de alguns terem sido presos, temos um grupo muito mais forte. Temos também mais municípios administrados polos curdos e o reconhecimento internacional de Rojava, que nom existia no passado. Mais umha vez na década de 1990, houvo Saddam no Iraque e o Governo Regional do Curdistam era fraco. A OTAN era um partidário proeminente da Turquia. Mas nos últimos anos, a UE e as relaçons da OTAN com a Turquia tenhem azedado. Os curdos também pagarom um preço durante este período, mas imos sair mais fortes. A operaçom de Raqqa ajudará os curdos a ganhar mais reconhecimento.

Trump no Oriente Médio

F.G: Trump vai ser um bom amigo para os curdos? Qual é a sua previsom, dado o seu populismo no período das eleiçons?

Z.A: É difícil prever, como el era um homem de negócios no passado. Nom tem experiência política. Foi eleito presidente, mas um home nom pode mudar o modelo de política da América sozinho. A sua política externa e prática nom muda com um home. Além disso Trump nom está claro sobre como vai implementar as suas políticas. Queremos que a América seja mediadora nas negociaçons de paz e entenda que a política opressiva da Turquia contra os curdos nom pode durar mais tempo.

03-figen-gunesFigen Gunes é umha jornalista de Al Jazeera Inglês com foco na liberdade de expressom, a mudança de propriedade dos mídia e julgamentos de jornalistas na Turquia. Formada em mestrado em Relaçons Internacionais, escreveu a sua tese sobre a viabilidade futura de Rojava.

Publicado em Kurdishquestion.

O modelo Rojava

o-modelo-de-rojavaPor Meredith Tax

Como governam os curdos da Síria

Um novo modelo de organização social está tomando forma nas áreas curdas no norte da Síria. Rojava, como ficou conhecida, compreende três cantões na seção ocidental da  histórica terra natal do povo curdo, que está agora dividida entre Irã, Iraque, Síria, e Turquia. No que diz respeito a igualdade social, pluralismo étnico, e anti-sectarismo, o território é uma região sem igual. Esse é especialmente o caso quando falamos dos avanços das mulheres.

A atenção pública do ocidente deu um giro de 2014 a 2015, quando as milícias territoriais, as Unidades de Proteção do Povo (YPG) e as Unidades de Proteção das Mulheres (YPJ), tiveram um papel central na expulsão do Estado Islâmico, ou ISIS, de Kobane, uma cidade no noroeste da Síria. Observadores destacaram duas características do grupo: primeiro seu sucesso contra o ISIS, que as forças de segurança dos EUA e das forças de oposição Síria se esforçaram para derrotar, e segundo, o protagonismo das lutadoras femininas em suas fileiras.

Desde a Segunda Guerra Mundial, guerrilhas femininas fizera parte de lutas armadas ao redor do mundo. Mesmo a maior parte dos grupos militantes alistaram mulheres pois precisavam de soldadas, não porque desejaram empoderar as mulheres, e poucos tem priorizado tanto a igualdade das mulheres como os curdos da Turquia e da Síria.

A ênfase do Rojava sobre o papel de liderança das mulheres, no entanto, não se limita ao plano militar. Isso é definido pelos Curdos Sírios como uma visão societal mais ampla. Quarenta por cento dos membros da sociedade civil ou de qualquer órgão social em Rojava têm que ser de mulheres. Da mesma forma, todos os órgãos administrativos, projetos econômicos e organizações da sociedade civil são obrigadas a ter homens e co-presidentes do sexo feminino. Embora o Partido da União Democrática (PYD) seja dominante em Rojava  e os curdos são a maioria da sua população, Rojava é o lar de uma série de outros partidos políticos e etnias. É a única sociedade em sua região, que baseia-se nos pontos fortes de toda a sua população. Como é que as mulheres conseguiram ganhar tanto poder no meio de uma guerra pela sobrevivência?

Uma exceção regional

A história começa na Turquia em 1978, quando o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) foi fundado para criar um Estado independente curdo. Nos primeiros anos de sua insurgência contra o governo turco, o PKK foi dirigido principalmente por guerrilheiros do sexo masculino. Mas isso mudou na década de 1990. Quando a resistência civil curda mais ampla emergiu nas cidades turcas e os ativistas curdos  começaram a pressionar para ter um partido de representação no parlamento, o Partido Trabalhista Popular (HEP). Em ambos os empreendimentos, as mulheres serviram como líderes. Leyla Zana, uma ex-integrante do HEP, continua atuando no parlamento da Turquia.

Em 1993, de acordo com a jornalista Aliza Marcus, um terço dos novos membros do PKK eram mulheres; muitas delas recrutadas por Sakine Cansiz, uma de suas fundadoras.

Em 1995, o PKK formou um exército de mulheres, que agora é chamado de YJA-Estrela. A resolução que cria o exército deixou claro que iria servir como um modelo para outras organizações de mulheres “em todos os setores da economia, todas as instituições sociais, e até mesmo no campo da cultura.” A decisão foi particularmente notável pelo fato de que, na área rural do Curdistão, a subordinação do pensamento dass mulheres, tal como as práticas misóginas como os chamados assassinatos de honra,  reclusão imposta, e os casamentos de crianças tinham sido a norma. Para muitas mulheres curdas, deixar suas famílias para se juntar a um grupo insurgente foi uma enorme ruptura com a tradição patriarcal. Mulheres guerrilheiras foram pioneiras do movimento de libertação das mulheres como uma sociedade dentro da sociedade  curda.

Alguns dos líderes de Rojava, tais como os co-presidentes do PYD: como o Salih Muslim, foram originalmente membros sírios do PKK, e muitos dos ideais que têm sido postos em prática em Rojava foram testados na Turquia. Desde a fundação do PYD em 2003, a libertação das mulheres tem sido parte do programa do partido. Tal como na configuração da Estrela-Yekitiya, seu braço de organização para as mulheres, em 2005. Em 2012, como o presidente da Síria, Bashar al-Assad retirou suas tropas da maior parte do norte da Síria e dos cantões, Rojava tornou-se efetivamente autônoma e os membros do PYD começaram a se organizar de maneira mais vigorosa, tornando a defesa das mulheres uma parte integral de sua guerra contra o ISIS. A organização logo começou a recrutar novos membros de outros grupos étnicos da região, tratando de incluir assírios, árabes e Yezidis.

O grupo que mudou seu nome para Estrela de Kongreya no início deste ano, se descreveu como uma organização guarda-chuva para o movimento das mulheres de Rojava. Em nível local, a Estrela de Kongreya compreende um número de organizações, conhecidas como a comuna das mulheres, que operam em paralelo às comunas de sexo misto, que organizam tais assuntos como a alocação de energia e o uso do espaço público. O foco das comunas de mulheres sobre a violência doméstica, casamento forçado, e saúde das mulheres e programas econômicos, entre outras coisas; em muitos casos, podem se sobrepor aos seus parceiros organizacionais de sexo misto. Estrela de Kongreya no nível mais alto organiza comitês em cinco áreas: educação, especialmente educação de adultos e aulas de literatura; saúde pública, incluindo clínicas especializadas para mulheres; economia, incluindo a manutenção de cooperativas; resolução de disputas em comunidades, que inclui mediação e manutenção de abrigos para vítimas de violência doméstica; e defesa de cidadãos, que é central para a plataforma do PYD e especialmente para Estrela-Kongreya. Há três forças de defesa de mulheres em Rojava, a YPJ, que luta contra inimigos externos tais como o ISIS; as forças de segurança locais; e as forças de defesa civil atreladas às comunas, que lidam com a segurança da vizinhança, incluindo casos de violência contra as mulheres.

Autonomia e democracia

O crescimento da influência de mulheres na Rojava é parte central da transformação mais ampla da política curda ali e na Turquia. Ao contrário dos curdos iraquianos, os curdos sírios e turcos afastaram-se do nacionalismo. Eles buscam autonomia local ao invés de um arranjo federal. A ideia de longo prazo é a de assegurar a democracia, constituições democráticas que garantam uma autonomia local extensiva e protejam os direitos humanos. (Esta mudança foi executada em paralelo com a evolução ideológica do líder do PKK preso Abdullah Ocalan, um antigo militante que agora é um defensor do que ele chama de Confederalismo Democrático.)

À luz da atual turbulência da região, a visão de Rojava para uma feminista, de uma sociedade diretamente democrática, pode parecer irrealista.

No entanto, o fracasso das negociações para acabar a guerra civil síria mostrou a capacidade limitada da diplomacia para pôr fim a conflitos inflamados por atores não-estatais e financiados por potências externas, e em décadas recentes, tem havido alguns modelos políticos nas cercanias do Curdistão que oferecem muito mais uma promessa para o igualitarismo e paz como a que os curdos chamam de autonomia democrática.

Até agora, os Estados Unidos têm tratado os curdos sírios como um aliado militar de curto prazo e dado a eles apoio militar, mas não apoio político ou econômico ostensivos; Washington não insistiu para eles tomarem parte nas conversações de Genebra para acabar com a guerra na Síria. Esta abordagem é um erro. Desde os anos 1990, os Estados Unidos tem se posicionado como um defensor das mulheres e minorias sexuais. Os curdos sírios estão praticando uma forma de democracia que consagra a igualdade de género e se opõe noções de soma zero de étnico e direitos nacionais. Dado os compromissos que assumiu, os Estados Unidos deveriam estar dispostos a apoiar esses fins.

lead-Meredith-TaxMeredith Tax é escritora e ativista política desde o final da década de 1960, foi membro do Bread and Roses, fundadora presidente da Comissom Internacional de Mulheres Escritoras do PEN, presidente fundadora de  Women’s WORLD, e co-fundadora do Centre for Secular Space. Os seus últimos livros som Double Bind: The Muslim Right, the Anglo-American Left, and Universal Human Rights e A Road Unforeseen: Women Fight the Islamic State.

Esse artigo foi primeiramente publicado no website Foreign Affair e tem sido reproduzido com a permissão da autora.

Tradução ao português: Comitê de Solidariedade à Resistência Popular Curda – RJ

Esse artigo expressa a visão da autora e não necessariamente está de acordo com os Comitês de Solidariedade à Resistência Popular Curda.

 

Os curdos sírios precisam mais que armas: apoio político

lewis_syrian_kurdish_fighters_850_571Fornecendo armas sem apoio diplomático, os EUA correm o risco de aumentar as tensons na Turquia e Síria.

Por Patrick Lewis

A administraçom Obama está considerando um plano para armar mais os curdos -quem muitos em Washington chamam “o nosso parceiro mais eficaz no terreno” na Síria-a fim de incentivar a participaçom curda em umha próxima ofensiva contra o ISIS em Raqqa. Duas semanas atrás, o Chicago Tribune publicou um editorial apoiando este plano -no título proclamou isso como “Primeiro Passo” para “a Estabilidade de Síria.” E nos debates presidenciais, incluso, Hillary Clinton tem defendido um plano semelhante a noite passada.

Expulsar o ISIS de Raqqa, a maior cidade da Síria sob o control do grupo e a sua capital auto-declarada, tem sido o objetivo militar principal dos EUA na Síria desde o início da sua intervençom em 2014. Raqqa tem agora (nas mentes dos líderes políticos e militares dos EUA, polo menos) umha grande importância simbólica na guerra contra o ISIS. Assim nom é nengumha surpresa quando o Tribune declara que as muitas complicaçons e perigos de enviar ainda mais armas para os curdos podem ser deixadas de lado: “O que é importante agora é a derrubada do Estado Islâmico de Raqqa.”

Mas em chamar para mais carregamentos de armas para Síria sem qualquer semelhança a um plano para umha soluçom política a 5 anos de conflito nem o ainda mais o conflito entre a Turquia e os curdos -o Tribune está reforçando os piores aspectos da política dos EUA na regiom. Esta política continua a sestar excessivamente focada em alcançar vitórias militares de curto prazo à custa de acordos políticos de longo prazo, sem a qual umha paz duradoura é impossível. Além do mais, esta política irá quase certamente nom conseguer atingir até mesmo os objetivos limitados que se propôm, ou seja, a captura de Raqqa.

O que é necessário é o diálogo em torno das exigências curdas de um sistema federal na Síria (com autonomia local para os curdos e outras minorias); sem isso, as armas simplesmente vam privilegiar umha soluçom militar mais que a diplomática. Provavelmente vai reforçar as facçons mais combativas e radicais entre a liderança curda enquanto continua a marginalizar muitos dos líderes políticos e da sociedade civil mais responsáveis polas experiências em curso na democracia participativa radical que inspiraram admiraçom tanto de esquerdistas como liberais ocidentais.

Aldar Xelil, um membro do comitê executivo do TEV-DEM (uma organizaçom guarda-chuva que coordena grupos da sociedade civil na Rojava), fai questom similar em umha entrevista recente. Quando perguntado sobre a promessa de Clinton durante os debates para armar os aliados árabes e curdos da América na Síria, Xelil respondeu: “Claro que é importante dar apoio às forças curdas. No entanto, este apoio nom pode ser limitado a ajuda militar. Qualquer apoio que será o passo seguinte deve ser fornecido em todas as áreas; ou seja, deve ser um apoio político, diplomático, económico e social.”

Xelil cita a exclusom sistemática do PYD -o partido curdo predominante em Rojava- das conversaçons de paz de Genebra sobre a Síria. Umha percepçom cada vez mais comum em Rojava é que a América tem bloqueado repetidamente a participaçom do PYD nestas conversaçons em deferência ao seu aliado da OTAN: Turquia. (O PYD é um aliado próximo ao Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), que trava umha insurgência de três décadas contra o Estado turco no Sudeste do país.)

No final de agosto, os EUA deram o seu apoio à incursom transfronteiriça da Turquia para a Síria, para atacar o ISIS até o sul de Jarabulus. No entanto, é amplamente reconhecido (incluindo o próprio Presidente Turco Erdogan) que os curdos e os seus cantons autónomos de Rojava também eram um objetivo primário. Assim, nom foi umha surpresa para ninguém que em poucos dias de intervençom da Turquia, as Forças Democráticas Sírios (SDF) estiveram luitando com os soldados turcos ao sul de Jarabulus.

O Tribune afirma que a Turquia pode ser consolada por umha promessa dos EUA de que “os curdos nom estariam recebendo artilharia pesada, so armas ligeiras e muniçons.” Isso é totalmente absurdo, e como um insulto à inteligência dos curdos sírios -tanto como é para a Turquia. Mais as armas sem diplomacia no norte da Síria correm o risco de inflamar as tensons ainda mais tanto em Síriacoma na Turquia, onde o governo tem vindo a empreender umha nova “guerra suja” contra a sua própria povoaçom curda. Dúzias de milheiros de pessoas foram deslocadas e bairros inteiros deixados em ruínas, enquanto o governo americano se mantivo praticamente em silêncio.

Os combates travados na Turquia vinherom depois de um processo de paz de vários anos entre a Turquia e o PKK que se desfixo no verao passado, em grande parte devido as tensons sobre os ganhos dos curdos na Síria. Isto é em parte culpa dos Estados Unidos, quem nom conseguiu ver como a sua política de apoio militar às SDF estava desestabilizar o processo de paz na Turquia.

Nom só a Turquia está descontente, se os curdos recebem mais armamento dos EUA, mas nom há nengumha evidência de que os curdos queiram chegar a isse acordo tampouco. Enquanto os Estados Unidos nom estam dispostos a empurrar a Turquia em direçom a um acordo global com os partidos curdos na Turquia e Síria, é perfeitamente irracional esperar que os curdos enviem os seus luitadores a Raqqa (onde centos poderiam morrer) so em troca de ” armas ligeiras e muniçons.”

Na verdade, no final de agosto, Asya Abdullah, a co-presidente do PYD, anunciou que nom haveria nengumha operaçom curda contra Raqqa enquanto a incursom da Turquia na Síria continuara.

Da mesma forma, ainda no mês passado, Polat Can, o representante oficial das YPG (o grupo dominante nas SDF) descartou explicitamente a participaçom do grupo em umha operaçom desse tipo desde que os EUA e os seus aliados ocidentais continuaram a negar o reconhecimento para o projecto político dos curdos em Rojava. “Nom somos um grupo paramilitar”, dixo-lhe ao jornalista de Washington Mutlu Civiroglu. “Nom podemos dizer ao nosso povo que nos deixe ir e luitar, sacrificar muitos de [nossos] homens e mulheres jovens [e] entom nom termos o direito de falar. Nosso povo nom vai aceitar isso e ninguém aceitaria isso.”

E depois de uma recente visita ao líder preso do PKK Abdullah Ocalan -umha das principais influências e figuras simbólicas por trás dos recentes acontecimentos políticos de Rojava- o irmao de Ocalan dixo que Ocalan pensa que a atual política dos EUA para Rojava tem o objetivo de enfraquecer a Turquia e os curdos sírios, jogando as duas umha contra a outra.

“Se os Estados Unidos nom queriam que [Turquia] “fôsse a Síria, teria dito Ocalan, “Turquia nom teria ido para a Jarabulus”. Na estimativa de Ocalan (e na estimativa de muitos dentro da liderança curda em Rojava ), os EUA é mais de conteúdo para usar os curdos como umha peça de negociaçom nas suas tentativas de controlar o governo de Erdogan e fortalecer a sua própria posiçom na Síria, ao mesmo tempo apoiando aos combatentes curdos para ganhar pontos de publicidade muito necessários na sua batalha contra o ISIS.

Independentemente das suas reais intençons, o duplo jogo da América na Síria nom está enganando ninguém. Nom pode continuar a apoiar às duas partes em conflito através de um foco míope na sua guerra contra o ISIS. Se nom conseguir encontrar umha soluçom política para o conflito, um conflito turco-curdo que tem ignorado durante décadas- mais sucessos militares contra o ISIS serám praticamente impossíveis.

Na ausência de um esforço diplomático sério para levar a Turquia e o PKK de volta à mesa de negociaçons e medidas reais em direçom a algumha forma de reconhecimento para o projeto político dos curdos em Rojava, a crise no norte da Síria só vai aprofundar ainda mais, abrindo a porta a umha ainda maior conflagraçom regional. OS EUA nom deveriam derramar mais gasolina no fogo.

 

Patrick Lewis é um estudante de Doutoramento de antropologia da Universidade de Chicago que trabalha na Turquia e o Curdistam.

Publicado em in the times.

 

Rojava inicia novo curriculum em Curdo, Árabe e Assírio

criancas-escola-artigoO ano escolar 2016-2017 começou na Federaçom do Norte da Síria – Rojava (NSR) e a auto-administraçom introduziu um novo currículo em curdo.

De acordo com a Comissom de Educaçom de Rojava, o velho currículum baathista foi substituído e a educação primária será agora ensinada em três idiomas: curdo, árabe e siríaco-assírio.

A grande maioria das escolas no nordeste da Governadoria de Hasakah da Síria estam controladas pola administraçom da NSR. As exceçons som um punhado de escolas dentro das áreas controladas polo regime e algumhas escolas privadas cristianas em Hesekê e Qamishli.

Nisirin Anez, diretor de escola em Qamishli dixo: “Na verdade, muitos estudantes começarom as aulas na regiom este ano. Muitos deles tiveram que parar de estudar por anos devido à crise em curso, enquanto outros tiveram que ir a escolas privadas. Agora, um grande número desses alunos estam matriculados nas escolas públicas [de Rojava].

Mohamed Salih Abdo, Co-Presidente da Comissom de Educaçom de Rojava, dixo que o currículum do regime foi completamente removido das escolas primárias do Cantom de Cizire. “Três curriculums substituírom o antigo, para incluir o ensino em três idiomas: Curdo, Árabe e Assírio ”

Publicado em Ara News.