“Turquia quere formar um Estado sunita na Síria”

Ebdo Ibrahim, Presidente do Conselho de Defesa de Afrin / ANHA

O presidente do Conselho de Defesa do Cantom de Afrin da Federaçom Rojava-Norte da Síria, Ebdo Ibrahim, falou com a ANHA e dixo que a Turquia pretende dividir as terras sírias para criar um estado sunita entre Jarablus, al-Bab e Aleppo.

Na entrevista publicada abaixo Ibrahim fai avaliaçons sobre os recentes desenvolvimentos na regiom de Aleppo e Shahba.

Como avalia os desenvolvimentos militares em Afrin, Shahba e Aleppo?

As contradiçons continuam entre os grupos armados no sexto ano da crise síria, levando ao crescimento da crise. As potências internacionais que dim que estam tentando resolver a crise na Síria estam aprofundando ainda mais a crise. Esta situaçom é especialmente válida para a regiom de Shahba.

No início da Campanha de Libertaçom Martir Faysal Abu Leyla de Manbij, os grupos Jabhat al-Nusra, Ahrar al-Sham, Nour al-Din al-Zenki e Fatah Halab posicionados em torno de Aleppo dirigiram-se a Shahba para apoiar ao ISIS e intensificar os ataques a Rojava.

Quando os planos do Estado turco falharom, a regiom foi diretamente intervida. Depois que os combatentes do Conselho Militar de Manbij libertaram Manbij, o estado turco ocupou Jarablus. Agora [estado turco] continuam ocupando al-Bab e Aleppo. Alguns grupos em Azaz estam cumprindo as ordens do estado turco.

A Turquia ocupou Jarablus em duas horas, eles levaram a cabo a travessia das gangues do ISIS vestindo-as com as roupas de al-Nusra. Neste ponto, a OTAN em particular e as potências internacionais precisam perguntar-se: Como a Turquia persuadiu as gangues de al-Nusra a se retirarem de Aleppo? Pesados combates onde civis estam sendo objetivo estám ocorrendo em distritos de Aleppo leste. Por que há umha luita pesada nessas áreas em particular? Qual é o valor geopolítico dessas áreas?

Quem ganhar em Aleppo vai ganhar na Síria em geral. Entom, se o regime ganha em Aleppo, eles seram os únicos a vencer na crise síria. Houvo assentamentos entre o regime e grupos armados em muitas áreas da Síria, como Damasco, Daraa e al-Waer, por que nom deveria acontecer em Aleppo também?

Aleppo tem importância estratégica para a Turquia também. Ao mesmo tempo tem a especialidade de ser um centro econômico e financeiro. Por esta razom, a Turquia quer reviver o seu período otomano ocupando esta regiom. Turquia usa os cidadaos da Síria como material de negociaçom como umha ameaça contra a UE. No entanto, infelizmente, o povo da Síria vive desconhecendo a verdade da Turquia.

O regime e a Turquia reunirom-se em Damasco com a coordenaçom do Iram. O regime tomaria Aleppo, Turquia ocuparia Jarablus, portanto, os acordos entre as duas partes forom encerrados. Isto porque a Turquia temia que as Forças Democráticas da Síria libertassem a regiom de al-Bab e assim conduzindo à libertaçom de umha rota Afrin e Kobane.

As forças das YPG tornaram possível atravessar mais de seis mil civis do leste de Aleppo até o distrito de Sheikh Maqsoud. Que impacto esse número poderia ter sobre as questons sociais e de segurança de Sheikh Maqsoud, já que o bairro ainda está sob cerco?

Umha situaçom como esta também aconteceu em Afrin. O cantom de Afrin recebira milheiros de migrantes sírios e um campo foi feito para os migrantes devido a medidas de segurança. Mas apesar da densidade presente em Sheikh Maqsoud, o aumento da povoaçom criará efeitos negativos. Isso ocorre porque o bairro ainda está sob cerco. Por outro lado os ataques contra o bairro continua. Apesar disso, os moradores do bairro e as forças de defesa receberam os migrantes.

Algumhas fontes de notícias dim que há divisom entre as milícias no leste de Aleppo, que achas que há de certo nisso?

Os ataques intensos do regime e o avanço nos distritos em Aleppo leste e o distanciamento de Turquia das suas próprias bandas conduziram à divisom entre eles. Muitos membros das milícias desertarom e fugirom entre a povoaçom civil. As milícias optam por este método, porque sabem que seriam presos se fugiram a Turquia.

Como avalias a visita ao Iram do subsecretário do MIT (Inteligência Turca), Hakan Fidan, e do ministro turco de Relaçons Exteriores, Mevlut Cavusoglu?

Esta nom é umha situaçom nova. Depois do derrube do aviom de guerra russo, a Turquia já se desculpou com a Rússia. A Turquia dá apoio ao governo no sul do Curdistam. A visita ao Iram ocorre em um momento em que os ataques contra Rojava estam aumentando. Recentemente, a Turquia pediu ajuda contra os ataques às Posiçons de Defesa Medya [áreas controladas polo PKK].

Hoje, o Conselho Militar de al-Bab está realizando umha grande resistência contra as bandas da  SNC [Coaliçom Nacional Síria]. A SNC retirou as suas milícias em Jarablus e entregou-nas ao exército ocupante turco. O Conselho Militar de al-Bab nom permitiu que a Turquia ocupasse a regiom de Shahba. A resistência do Conselho Militar de al-Bab mostra que se os povos da regiom estam unidos, entom eles podem se opor à ocupaçom turca.

A Turquia quere dividir o norte da Síria e formar um estado sunita desde Jarablus, al-Bab e Aleppo-Idlib. No entanto, as forças SDF nom permitiram que isso ocorra.

Esta entrevista foi feita por: Seydo Ibo, Cafer Cafo, Aylina Kilic.

Publicado em Hawarnews e Kurdishquestion.

 

Por que nom devemos abandonar os curdos

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Celebraçom do Dia Internacional da Mulher, Qamishli, Rojava / Joey L (c)

Por Will TG Miller

Os curdos do norte da Síria sofrerom imensamente ao longo da história. Autóctonos da regiom nunca tiverom concedido qualquer nível significativo de autonomia ou auto-governo. Durante toda a existência da República Árabe da Síria, mantiverom o status de um dos grupos mais marginalizados, de acordo com Minority Rights International, e também forom sujeitas a níveis de detençom chocantes arbitrários, e tortura aprovados polo governo, e a apropriaçom ilegal dos seus bens.

Esta foi a pior sob o pan-arabismo durante o regime de Hafez al-Assad. Um relatório da Chatham House detalha a gravidade da situaçom; a língua curda foi proibida em público, e o seu uso, bem como a música e publicaçons curdas, eram estritamente ilegais. No entanto, pouco mudou, mesmo depois de que Assad herdasse o trono no 2000, em detrimento da minoria curda.

Isso fai que o recente ressurgimento dos curdos no quadro da mesma Síria, que reprimiu qualquer expressom de identidade curda, muito incrível. A regiom autônoma de Rojava veu a existir em 2013 conforme as milícias curdas regionais formadas após o Exército Árabe da Síria evacuaara rapidamente vastas áreas de território em face das bandas de terroristas islâmicos, bem como outras organizaçons mais importantes, como a FSA, Jabbhat Al Nursa, e o ISIS. As milícias curdas assumirom a infra-estrutura governamental e militar deixadas para trás quando os Assadistas evacuarom.

Rojava tivo pouco tempo para se alegrar na sua independência nominal da Síria, umha vez que foi imediatamente atacada de todas as direcçons. Os ataques de grupos terroristas dentro da Síria continuou, e as pessoas de Rojava encontrarom a sua determinaçom testada na longa e sangrenta batalha de Kobanî. A vitória improvável adquirida pola ala militar do governo de Rojava, as YPG, foi à custa de muitas vidas de civis mortos por carro-bomba e bombardeios indiscriminados polo ISIS. Apesar das perdas, a derrota do ISIS sublinhou a determinaçom dos curdos de Rojava para o mundo e mostrou que eles nom iam renunciar à sua independência há muito desejada tam facilmente.

Desde entom, no entanto, parece que, embora a situaçom tem a concluir só que a pior. Apesar do feito de que Salih Muslim, co-presidente do PYD, tem declarado repetidamente que o governo de Rojava nom busca a independência da Síria, e em vez disso procura manter o seu estatuto de umha regiom autónoma semelhante ao Curdistam iraquiano, o governo sírio tem efetivamente cortado os laços com a regiom e recusa a conceder-lhe ajuda militar, econômica ou qualquer outra. Isto é apesar das repetidas aberturas de Muslim para o governo sírio e declaraçons de apoio contra os grupos islâmicos que fazem umha guerra terrorista contra as duas entidades.

A partir da sua fronteira norte com a Turquia, Rojava está sob ataque constante. O governo turco afirmou a sua intençom de nom aceitar qualquer tipo de entidade autônoma curda dentro Síria, independente ou nom, e levarom a cabo ataques regulares de bombardeio contra alvos civis a fim de enfraquecer a vontade do povo curdo. Estes ataques intensificarom no início deste ano, à frente da força oficial de invasom, que entrou no Curdistam sírio em agosto.

Assim, o incipiente governo regional de Rojava encontrou-se luitando umha guerra em três frentes; contra o o ISIS, contra a Turquia, e às vezes até mesmo contra o governo sírio. Apesar das repetidas tentativas de umha paz significativa, este estado de hostilidades diretas tem visto pouca mudança nos últimos anos. Enquanto os EUA se envolveu em lançamentos aéreos esporádicos para ajudar a Rojava nos últimos dous anos, a sua assistência (e promessas de ajuda) tem sido evasiva e indecisa. A Rússia, por outro lado, tem-se revelado um aliado muito mais eficaz, permitindo às YPG chamar por ataques aéreos identificando posiçons, dando-lhe algumha superioridade aérea muito necessária na luita contra o ISIS e outros grupos terroristas.

No entanto, qualquer apoio dado pola Rússia – em outras palavras, qualquer apoio substancial -tem sido constantemente prejudicado por Ocidente em cada turno. O ex-secretário de Relaçons Exteriores britânico Philip Hammond dixo no início deste ano que estava “perturbado” com os relatos de ajuda russo para as forças curdas no norte da Síria, pouco antes dos britânicos juntaram-se aos americanos em chamar os russos para ‘sair’ da Síria. No entanto, eles nom fornecem nengumha alternativa eficaz, condenando a Rojava à extinçom nas maos de Turquia e o ISIS.

O comportamento dos Estados Unidos tem sido particularmente perturbador. Após a tentativa separatista de Kosovo nos Balcás, os EUA enviaram a sua força aérea para deixar cair umha quantidade surpreendente de bombas sobre a Sérvia, a fim de garantir a independência do estado incipiente. Assegurar os direitos humanos do povo do Kosovo e impedir o genocídio estavam entre as razons usadas para legitimar esta campanha. Diante disso, as açons norte-americanas na Síria som difíceis de racionalizar. Elas som inconsistentes, nom só com as suas decisons anteriores ao enfrentar circunstâncias similares, mas também com a ideia da América como umha naçom em busca de manter a ordem internacional, evitar o genocídio e os crimes contra a humanidade, e garantir a paz no mundo.

Os Estados Unidos e a Gram-Bretanha optarom por ver Rojava e de feito o povo curdo nom como qualquer outra naçom ou merecedor das liberdades fundamentais, os direitos humanos, e direito às normas mínimas de dignidade, mas em vez disso como peons em umha espécie retorcida de Grande Jogo que está sendo jogado por políticos de Washington contra a Rússia de Putin. Como peons, os curdos estam a ser utilizados quando é conveniente e descartados quando se tornam um inconveniente. E dada a resposta silenciosa dos EUA à invasom turca de Rojava no mês passado, parece ser o caso que o ‘inconveniente’ está aumentando.

Cada vez mais, as vozes de políticos ocidentais, grupos de reflexom e os chamados “analistas políticos” parecem estar a aumentar. A condenaçom das instituiçons de Rojava polos ocidentais é cada vez mais dura. Eles criticam a regiom autónoma por nom ser plenamente democrática, apesar do fato de que está envolvida em umha guerra com os adversários genocidas cujo objetivo é nom só a destruiçom da estrutura administrativa, mas também do povo curdo como um todo. Eles exigem que o governo cesse a sua política de recrutamento, ignorando o conflito existencial, e ao mesmo tempo nom oferecendo absolutamente nada em termos de umha alternativa.

Claro, algumhas críticas sobre o governo e as forças armadas de Rojava som legítimas. Há algumhas evidências que sugerem que aconteceu em algumha ocasioom o recrutamento de menores de 18 anos, apesar de ser ilegal sob as leis de Rojava. Há também razons para criticar a estrutura do governo e o domínio total do PYD à custa de outros partidos.

Mas essas críticas estam ultrapassando nas suas conclusons. Sugerem que, desde que existem problemas como esses, o Ocidente deveria abandonar os curdos sírios aos lobos.

A fazer isso seria desastroso. Nom só seria fortalecer o Estado Islâmico, a posiçom totalitária do governo Assad, mas também umha Turquia cada vez mais islâmista e autocrática. Isso representaria umha grave traiçom das promessas anteriores de apoio feita aos curdos, e, assim, fazer que os EUA a sofrer um golpe enorme ao seu prestígio internacional. Mas o mais importante, constituiria umha traiçom dos princípios que nos som tam caros; os dos direitos humanos universais, o direito internacional e o princípio da auto-determinaçom, conforme descrito na Carta da ONU.

Abandonando os curdos nom imos ganhar nada e reforçariamos os nossos inimigos. Devemos apoiá-los contra os nossos inimigos mútuos como a única pedra de estabilidade no turbulento Oriente Médio.

Will TG Miller é um analista político e ativista da causa curda. O seu trabalho incide sobre o Oriente Médio, Islamismo, e os direitos humanos.

Publicado em Kurdish Question.

 

O Perigroso jogo da Turquia na Síria ameaça todo Oriente Médio

Turkey DangerousPor Cihad Hammy

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan e Vladimir Putin reunirom-se recentemente para abrir um novo capítulo nas relaçons turco-russas, normalizar laços até entom tensos entre os seus países. Esta tensom começou no ano passado, quando a Turquia derrubou um aviom russo que estava violando o espaço aéreo turco. Este novo capítulo muda drasticamente toda a cena do conflito Sírio.

No centro deste novo desenvolvimento encontra-se o antagonismo profundamente arraigado de Ancara em relaçom os curdos, tanto na Síria como em Turquia. A fim de antecipar os planos curdos para conectar os três cantons de Afrin, Kobane e Jazeera, Ankara adotou medidas para normalizar as relaçons com a Rússia, o Iram e a Síria, e ganhar o seu apoio a umha intervençom militar no norte da Síria.

 Tensons de Washington e Ancara sobre os Curdos Sírios

Washington tem um sucesso notável na melhoria da sua coordenaçom com os curdos sírios para destruir o ISIS, que é agora a prioridade de Washington no conflito Sírio. A coalizom internacional liderada polos EUA estabelecerom umha parceria bem sucedida e eficaz com as Forças Democráticas da Síria (SDF). Esta força, liderada polas YPG curdas, inclui diversos povos da regiom do norte da Síria, ou seja, árabes, assírios, armênios, Turcomanos, e facçons circassianas e grande número das Unidades de Proteçom das Mulheres (YPJ).

As forças das SDF e das YPJ som eficazes em derrotar e tomar cidades do Estado Islâmico no leste e norte da Síria. Por isso, ganharom a confiança das instâncias de decisom dos EUA e agora som apoiados por ataques aéreos dos EUA e forças especiais. Sob este modelo, a cidade mais recentemente libertada foi Manbij, umha cidade altamente estratégica, que serviu como centro nas principais rotas de abastecimento do ISIS. O sucesso de Manbij cortou o ISIS com o exterior e agora os impede de mover aos seus combatentes da Síria para realizar ataques terroristas na Turquia e na Europa.

No entanto, o governo de Erdogan está extremamente descontente com o apoio que Washington fornece às SDF porque fortalece ao Partido da Uniom Democrática (PYD), um grupo curdo ideologicamente vinculado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), o odiado inimigo interno da Turquia. Ancara rejeita qualquer entidade que ostente a aparência de auto-governo curdo, tanto em Ancara ou ao longo da sua fronteira sul, e considera o PYD como parte do PKK. Em fevereiro passado, umha delegaçom, incluindo o enviado dos EUA para a coalizom internacional contra o ISIS, Brett McGurk, reuniu-se com as YPG. Isto levou a Erdogan a exigir furiosamente que Washington optara entre el ou os curdos sírios. “A quem quere de parceiro, a mim ou os terroristas de Kobane?” dixo Erdogan a jornalistas no seu aviom quando regressava de umha viagem à América Latina e o Senegal.

Nom muito tempo depois do ultimato de Erdogan, Washington respondeu declarando que o PYD nom era umha organizaçom terrorista e os combatentes curdos eram os mais bem sucedidos no combate contra o ISIS dentro da Síria. Além disso, a coalizom liderada polos Estados Unidos enviou autoridades militares e conselheiros para o norte da Síria, a fim de apoiar as forças terrestres curdas na destruiçom do ISIS. De qualquer modo recentemente Washington mudou a sua postura por apaziguar a Ankara e pedindo as forças das YPG “recuar para o leste do Eufrates”. Embora esta seja umha vitória diplomática que Ankara ganhou mudando a sua política externa e buscando apoio de Moscou, o Iram e a Síria, isso nom significa que os laços entre os curdos sírios e os EUA foram completamente cortados.

Novas aproximaçons de Ancara e as suas reflexons sobre os curdos

Durante quase um século, os estados-naçom do Oriente Médio se unirom no combate e repressom dos curdos. Hoje, a aproximaçom de Ancara com a Rússia renova esta dinâmica, abordando nom só a sua própria agenda anticurda, mas também a de Síria e Iram.

Para Assad, a aproximaçom ajuda a manter o seu regime centralizado porque o projeto político que os curdos na Síria estam realizando tem como objectivo desmantelar o poder do Estado-naçom centralizado e em vez disso tenta capacitar as pessoas em torno de instituiçons de base. O regime também pode encontrar a oportunidade para retomar territórios no leste da Síria agora sob control curdo. Na verdade, a última luita entre o Exército sírio e as YPG em Hesekê pode ser interpretado como um gesto de boa vontade por parte do regime em relaçom a aproximaçom de Moscou com Ancara. Em troca, Ancara pode cortar o apoio de grupos islâmicos autoritários em luita contra Assad em Aleppo e direcionar estes grupos-islâmica -authoritários contra os curdos no norte da Síria. (Algo que está acontecendo agora em Jarablus.)

Teeram como Ancara, teme que os curdos sírios vaiam incentivar aos curdos iranianos a se revoltar e exigir os seus direitos cívicos e culturais. Umha revolta curda no Iram ameaça o seu regime islâmico e a segurança nacional. Iram pode deixar de lado velhas tensons com Ancara e cooperar na luita contra a maior “ameaça perigosa”, os curdos. Quanto a Moscou, a nova aproximaçom ajuda a manter no poder a Assad.

Para evitar mais autonomia dos curdos, Ancara enviou as suas tropas de terra no norte da Síria, a fim de antecipar-se a ligaçom dos cantons curdos de Kobane, Jazeera, e Afrin. No entanto, a fim de intervir no norte da Síria a esta escala, eles deveram ter tido a aprovaçom de Moscou e Teeram. Tendo feito isso, eles agora estam usando tropas e grupos islâmicos autoritários como Faylaq al-Sham, Ahrar Alsham, Sultan Murad, e o batalhom Nour al-Din al-Zenki para tomar o control de Jarablus e Al Bab.

É óbvio que a chamada guerra de Ancara contra o Estado Islâmico (ISIS), em Jarablus foi apenas umha substituiçom de combatentes do ISIS por outros grupos islâmicos autoritários que som cópias dos jihadistas. A “luita” contra o ISIS em Jarablus testemunhou que nom há armadilhas, nom há franco atiradores do ISIS, nom há lutadores à espreita do ISIS usando escudos humanos, nom houvo ataques a bomba, sem nom houvo resistência do ISIS. Nom houvo luita em Jarablus, mas sim ordes dadas polo governo turco e a realizaçom dessas ordens polos seus “soldados”. Isso ficou claro para os meios de comunicaçom internacionais e a opiniom pública e nom puido ter escapado à atençom dos governos ocidentais.

 Apoio dos Jihadistas da Turquia Mostra as Aspiraçons Neo-otomanas Estam Bem Vivas

Nom é umha coincidência que o 24 de agosto, o mesmo dia em que Ankara invadiu a Síria, é o mesmo dia da Batalha de Marj Dabiq. A batalha tivo lugar em 1516-1517 entre o Império Otomano e o Sultanato Mamluk e terminou em umha vitória otomana e a conquista de grande parte do Oriente Médio. O simbolismo da batalha de 500 anos atrás foi muito usado na Turquia antes da operaçom e é um sinal da continuaçom da mentalidade expansionista do governo turco. Embora o governo afirma que nom está na Síria permanentemente, a tentativa é colocar umha regiom sob control islâmico e a mentalidade que ocupava o Oriente Médio há 500 anos. O movimento é também umha mensagem ao mundo inteiro de que a Turquia ainda é um jogador no jogo da Síria e nom pode ser ignorada.

No entanto, a intervençom de Ancara nom será um piquenique turístico, mas sim um pesadelo carregado com perdas militares e humanas. Já vários tanques turcos forom destruídas e um soldado foi morto no sul de Jarablus. Turquia lançou ataques aéreos em Afrin (sudoeste) e Ain Diwar (sudeste) e dirigiu os seus tanques para a fronteira de Kobane para erigir um muro. Mas el está sendo recebido com resistência em todos os lugares, e nom só dos curdos, mas de árabes -quem Turquia alega estar liberando dos curdos- e outros grupos etno-religiosos.

Mapa Jarablus Manbij Al BabA Intervençom da Turquia vai aumentar a violência na Síria e na Turquia

Os governos ocidentais e dos Estados Unidos som forças pragmáticas; eles só ajudam movimentos ou estados quando se trata de proteger os seus próprios interesses. A este respeito, os EUA ao que parece, está contente com a intervençom turca na Síria porque a sua principal preocupaçom é degradar o ISIS. Como tal os EUA nom se preocupam com os resultados desta intervençom, o que provavelmente vai levar a anos de violência entre o governo turco e os curdos na Síria, e alimentar a violência, guerra e instabilidade na Turquia. A ‘Sirianizaçom’ da Turquia, neste sentido, é cada vez mais provável. Na verdade, cousas tais como democracia, paz e a estabilidade, que som necessários para os povos do Oriente Médio, como o pam e água som de importância secundária ou nem sequer existem na política externa dos EUA.

Nom é necessário ler volumes de saber quem está a favor e tem um projeto para a paz e a democracia na Turquia e no Oriente Médio e quem pode iniciar um fim à confusom atual. Lendo apenas umha página escrita por Abdullah Öcalan – líder curdo e pensador que inspirou o Modelo de Rojava – iria esclarecer quem quer a paz, a liberdade, a democracia, a estabilidade, a convivência, fraternidade, igualdade de gênero, e umha sociedade ecológica e ética na Turquia e o Curdistam . Todos esses valores e princípios estam agora sob sete chaves em umha prisom turca. O governo turco nom quer um fim para o conflito; se o figesse, teriam acabado com o isolamento de Öcalan para lhe permitir desempenhar um papel eficaz no fortalecimento do estagnado processo de paz. Em vez disso, optou por prosseguir a sua política de isolamento de Öcalan e dos políticos curdos em geral, mesmo após a recente tentativa de golpe.

Isso deixa apenas umha coisa para os curdos: a resistência. Porque a resistência é a única cousa que pode trazer o Estado turco de volta a qualquer tipo de mesa de negociaçom. Como o co-presidente do PYD, Saleh Moslem, dixo após a intervençom de Ancara na Síria, “A Turquia vai perder muito no lamaçal da Síria, e seram derrotados como o Daesh (ISIS).” Agora, apenas umha derrota turca rápida pode salvar a regiom. A alternativa é que todos os envolvidos perdam.

Jihad Hammy é um curdo de Kobanê. Ele era um estudante de literatura de Inglês da Universidade de Damasco antes de fugir devido à guerra civil na Síria.

Artigo publicado em Kurdish Question.

 

 

 

 

 

Em defesa de Rojava

Em defesa de RojavaPor Memed Aksoy

O exército turco, juntamente com umha gentuza de jihadistas e militantes do Exército Livre Sírio, invadiu áreas de Rojava e continua a sua incursom ainda mais no território que já fora liberado do ISIS.

Milicianos apoiados por Turquia, como os Batalhons Nour al-Din al-Zenki, Faylaq al-Sham (A Legiom Sham), Brigada Sultan Murad e Jabhat Fateh al-Sham (antes al-Nusra), entre outros -todos salafistas / grupos islâmicos responsáveis por inúmeros crimes aos direitos humanos – já declararom que iam atacar Manbij, a que celebrou recentemente depois de ser libertada do ISIS polas Forças Democráticas de Síria (SDF). Imagens de mulheres tirando os nicabs e fumando, e homes barbeando-se ainda estam frescas na memória.

Depois do acordo de sustituir  em  Jarablus ao ISSIS sem disparar um so tiro, o exército turco envolveu-se em ataques aéreos e bombardeios de áreas civis, matando polo menos 45 em duas aldeias ao sul de Jarablus. Dúzias de combatentes locais do Conselho Militar de Jarablus, filiados às SDF, forom feitos prisioneiros e torturados frente das câmeras; a maioria deles árabes.

Com a última correria militar, a Turquia tentou camuflar a sua guerra regional contra os curdos, usando o ISIS como um pretexto, tentando impedir a uniom dos três cantons de Rojava. Além disso, esta também a tentativa de reforçar às forças sunitas / Irmandade Muçulmana, alinhados ideologicamente com o governo turco do AKP. Através destes mandatários Erdogan espera reviver as suas aspiraçons neo-otomanas de poder decidir no futuro da Síria e umha influência de longo prazo no Oriente Médio e Norte da África.

O que está em jogo, porém, tanto quanto os ganhos curdos, é a possibilidade de umha política e o sistema progressista, laica e democrática na regiom. Isto é o que Rojava representa e é por isso que o regime sírio, Iram, Rússia e os EUA concordarom na invasom da Turquia. A existência de Rojava nesse sentido é umha ameaça ao status quo e interesses de todos os Estados-naçons e governos no Oriente Médio e, e por extensom, aos saqueadores da regiom. Com um modelo alternativo de governança Rojava provou que pessoas de diferentes etnias e grupos religiosos podem-se organizar a nível local, viver, produzir e luitar juntos, sem um Estado centralizado, mesmo nos tempos de umha guerra sectária. A unidade entre curdos, árabes e turcomanos contra a invasom da Turquia é prova disso.

Por esta razom, o desenvolvimento de Rojava e a uniom dos três cantons -Cezire, Kobanê e Afrîn- está a ser impedido por todos os poderes envolvidos na guerra síria. Além disso, e pola mesma razo, o desenvolvimento de Rojava nom pode ser encarados com a mesma luz que as áreas que estam sendo capturadass polos grupos jihadistas apoiados pola Turquia ou o regime. Estes dous sistemas políticos -Islamista e Baathista- nada tenhem que aportar às pessoas em termos de umha democracia humana, progressista e participativa. Na verdade, eles nem sequer fam qualquer tipo de reivindicaçom.

Ainda que Rojava, com a sua retórica anti-nacionalista já refutou as acusaçons de alguns setores de que os curdos estam tentando capturar terras árabes, também é digno de nota que a área entre Kobanê e Afrin, que está sob ataque de Turquia e jihadistas do FSA, forom sistematicamente arabizadas polo regime sírio na década de 1970. Mesmo se nom fosse este o caso, os curdos, enquanto grupo distinto vivendo em umha parte contínua de território em Turquia, Iram, Iraque e Síria, ainda teria o direito de auto-determinaçom e reconhecimento internacional. Defender o contrário significaria que os estados de acima, que tenhem grandes povoaçons curdas cujos direitos tenhem sido negado durante décadas, devem ser considerados ilegítimos desde o momento em que forom declarados.

Em suma, Rojava tornou-se um facho, umha luz de esperança para todas as pessoas progressistas do mundo; contra a desigualdade, os regimes despóticos e sistemas hierárquicos e o patriarcado, Rojava tem levantado a bandeira da humanidade contra a barbárie. É por isso que a Revoluçom de Rojava deve ser defendida contra a agressom turca e jihadista mais umha vez. Mais umha vez as pessoas revolucionárias, democratas, feministas, laicas e todas as forças progressistas devem-se unir, como figeram em Kobanê, para fazer a Revoluçom de Rojava vitoriosa novamente.

Publicado em Kurdish Question.

 

 

Turquia, Síria e Iram Atacam Rojava: Ilham Ehmed

Ilham EhmedA co-presidente do Conselho Democrático da Síria (MSD) Ilham Ehmed afirmou que o ataque a Hesekê por forças do regime da Síria é o resultado dum “novo conceito” acordado entre os regimes de Turquia, Iram e Síria (Baath), e acrescentou que era um processo e situaçom novos. Ehmed dixo: “Mas nom está totalmente claro se isto é estratégico (de longo prazo) ou táctico (curto prazo). É evidente que há um grande jogo aqui e o Estado turco está à frente del”.

Ilham Ehmed falou com Ajansa Nûçeyan a Firatê (Agência de Notícias do Eúfrates – ANF) sobre o contexto do conflito entre Rojavan e as forças do regime da Síria na cidade de Hesekê no 8 dia (e final) de luitas. [Conflito encerrado o 23 de agosto de 2016 na sequência de um cessar-fogo no que as forças do regime da Síria retiram-se completamente de Hesekê.)

Ilham Ehmed salientou que foi a primeira vez que o regime lançou um ataque planejado antecipadamente sobre Rojava e dixo: “Este ataque é um ataque polo poder e ocupaçom. É um ataque para usurpar a vontade do povo que se criou nos últimos cinco anos. É por isso a resistência e a postura contra este ataque polo nosso povo e as nossas forças continua. Nom imos recuar desta posiçom e nunca imos ajoelhar “.

“Esta é umha mensagem para a Turquia”

Ehmed dixo que as forças do regime lançaram ataques a cidades como Hesekê e Qamishli antes, mas que o nível de preparaçom e o alcance do ataque era a primeira vez. Enfatizou que este ataque nom foi realizado por umha unidade local ou pequena, mas partiu do regime.

“Este ataque é um resultado do “novo conceito” acordado entre os regimes de Turquia, Iram e Baath [Síria de Assad]. É umha situaçom e processo novo. Mas nom está totalmente claro se é estratégico ou tático. É evidente que há um grande jogo aqui e o Estado turco está à frente del.

O regime abstivo-se de tais conflitos até agora, e mantinha as sensibilidades entre os curdos e o estado em mente. Apesar de haver ataques ocasionais e retaliaçons contra eles, o uso de avions de combate, declaraçons chamando as forças de segurança na regiom “PKK” mostra que eles falam a língua do Estado turco.

Com isso, o regime sírio está dando a Turquia a mensagem: “Aceite-me permanecer no poder. Convença os seus grupos aliados a fazer o mesmo. E eu vou agir como vocé e falar como vocé contra os curdos. “A Turquia quer tomar o seu lugar político em Damasco” e ser influente novamente por isso está recebendo essas mensagens. ”

“O Regime turco fixo promessas que nom irá manter”

Ilham Ehmed também dixo que a Turquia tinha feito algumhas promessas ao regime em umha base anti-curda e continuou:

“Até agora, Erdogan tinha chamado a Assad ditador. Apoiou muitos grupos terroristas, incluindo o ISIS e da oposiçom e tivo-os luitando contra o regime. Turquia perdeu todos os seus amigos na regiom e tivo a novas negociaçons com o regime na esperança de reforçar-se, revivendo a sua política e bloquear o projeto de federalismo democrático liderado polos curdos. Eles declararom verbalmente ao regime que lhes iam permitir obter o apoio de grupos de oposiçom e figerom a promessa a nom opor-se a que Assad permanecera no poder. Em troca, eles pedirom que o regime parara os curdos. Em consonância com isso, a Turquia fixo umha declaraçom imediata após o ataque (em Hesekê) e expressou que o regime tinha finalmente visto que os curdos representam umha ameaça para eles também.

“A Turquia nom abandonou Aleppo mesmo agora. Na prática, eles deixam a fronteira aberta e grupos jihadistas e muniçons passam por esta fronteira diariamente. Assim, mesmo se eles entram em umha negociaçom com o regime e dim estas coisas, na prática, eles continuam a fazer o mesmo. Turquia quer levarar a guerra de volta para as regions da Síria e Rojava que forom liberadas de todas as bandas de jihadistas. A Turquia nom tem interesse na destruiçom do ISIS e a estabilidade na regiom. ”

“O Iram está a liderar a guerra”

Comentando sobre os actores políticos e militares no conflito de Hesekê, Ilham Ehmed dixo que o ataque era politicamente do Estado turco, e do Irm na prática, e acrescentou:

“Na verdade, a principal força de combate em Hesekê é o Iram. Portanto, estas duas forças estam atacando diretamente. Foi também o Iram quem luitou em Qamishli antes. Iram quer organizar-se na regiom. Quer criar os seus próprios grupos entre os árabes. Neste sentido, quer criar o seu próprio projecto na Síria através de grupos próximos ao regime. É por isso que a guerra lançada em Hesekê neste último processo também foi desenvolvida contra o interesse das pessoas árabes na administraçom autónoma democrática, sobre que eles se juntaram às Forças Democráticas da Síria e à Assembleia Democrática da Síria, e aquecendo para o projeto da federaçom democrática. Eu nom acho que essa aliança entre Turquia, Iram e o regime sírio seja permanente. Porque eles tenhem muitos conflitos políticos e estes nom som conflitos que poidam ser resolvidos facilmente. Mas, polos seus próprios interesses, estam-se unindo contra os curdos, porque eles vêem os curdos como umha ameaça.”

O papel da Rússia ainda nom está claro ”

Ehmed também mencionou o papel da Rússia na nova situaçom e dixo que a Rússia sente que eles precisam a Turquia do seu lado para determinar a situaçom em Aleppo e que eles chegarom a um acordo sobre algumhas questons. A co-presidente da MSD dixo que queriam determinar se este acordo era umha parte do conceito, e afirmou: “Por outro lado, vemos o silêncio da Rússia contra este ataque polo regime como a aprovaçom do ataque. Mas esperamos que nom seja assim. Rússia deve clarificar a sua abordagem. A Rússia aprova a destruiçom de regions curdas, e esse tipo de ataque contra umha força que tem luitado o ISIS e a fragmentaçom na Síria e desenvolveu a democracia?  Rússia deve responder a esta pergunta.”

Uma guerra muito destrutiva pode-se desenvolver ”

Alertando os poderes envolvidos no novo processo, Ehmed afirmou que a situaçom segurava grandes perigos para todos os lados. “Essas alianças e este ataque a Hesekê som perigosos. As forças hegemônicas no Oriente Médio estam prontas agora para defender qualquer tipo de terror do ISIS, entrar numha guerra muito destrutiva, e fazer os povos da Turquia vítimas desta guerra; eles estam fazendo isso so para reforçar um conceito que vai contra o projeto de democratizaçom da regiom que começou em Rojava. O silêncio das forças internacionais e a coalizom também está contribuindo a possibilidade de umha guerra ainda maior.

“A situaçom nom interessa a Rússia ou os EUA

“Existe a possibilidade de que no futuro os interesses das potências internacionais vaiam colidir e que isso vaia abrir o caminho para umha guerra muito maior. Se se trata disso, ninguém pode pará-la. É por isso que há um grande perigo. Os acordos que Rússia e EUA tenham atingido sobre a questom de Aleppo, a questom Síria, em geral, e os acordos na luita contra o ISIS podem ser perturbados por esta guerra. Esta situaçom nom é do interesse da Rússia ou dos EUA. Neste sentido, as forças da coalizom, ambas forças devem fazer umha avaliaçom urgente da situaçom e declarar que eles estam com com as forças democráticas que criarom projectos para a democracia e fraternidade dos povos como base para o seu projeto.”

Nós nunca imos ajoelhar ”

Ilham Ehmed também comentou sobre a posiçom da povoaçom de Hesekê contra os ataques: “Até agora, a esses ataques resistirom as Unidades de Protecçom do Povo (YPG), Asayish (Segurança / Polícia) e Unidades de Defesa Civil (HPC). É claro que a postura das pessoas também tem sido muito importante. O povo de Hesekê e, especialmente, os árabes em Hesekê exibirom umha postura verdadeiramente importante e valiosa. Muitas pessoas forom evacuadas por razons de segurança, e os que permanecem estam resistindo.

“Esta agressom polo regime sírio é um ataque polo poder e ocupaçom. O objectivo é usurpar a vontade dos povos que criamos na regiom nos últimos cinco anos. É por isso que a resistência e a importante posiçom do nosso povo e forças continua. Nós nunca iremos voltar atrás e nunca imos ajoelhar. Mas estamos esperando que o regime vaia entender isso e tornar-se consciente de como o Estado turco quer trazê-los ao acordo [anti-curdo] de Adana (1998), mais umha vez, e que nom há nada a ganhar lá para eles. O regime tem de reconsiderar esta decisom e apagar o fogo que eles começarom. Se eles figeram isso, será a fim dos interesses do Estado turco na regiom.”

Publicado em Kurdish Question baseado em umha entrevista da ANF- Ajansa Nûçeyan a Firatê.

 

 

Cálculo sírio de Turquia: Aposta por umha invasom?

Turkeys Syrian Calculation Gambling On An Invasionpor Patrick Cockburn, publicado originalmente em Counter Punch

Um mês antes da Turquia abater um bombardeiro russo, que acusou de entrar no seu espaço aéreo, a inteligência militar russa tinha advertido o presidente Vladimir Putin de que este era o plano turco. Diplomatas familiarizados com os eventos dim que Putin rejeitou o aviso, provavelmente porque el nom acreditava que a Turquia correria o risco de provocar a Rússia em um envolvimento militar mais profundo na guerra síria.

No evento, no dia 24 de novembro do ano passado um F-16 turco abateu um bombardeiro russo, matando um dos pilotos, em um ataque que tinha todos os sinais de ser uma emboscada bem preparada. Turquia alegou que estava respondendo ao aviom russo que entrara no seu espaço aéreo por 17 segundos, mas os militares turcos figeram todos os esforços para esconder-se, voando a baixa altitude, e pareciam estar em umha missom especial para destruir o aviom russo.

O derrubamento – o primeiro de um aviom russo por uma potência da OTAN desde a Guerra da Coreia – é importante porque mostra o quam longe a Turquia vai manter a sua posiçom na guerra feroz na parte sul da sua fronteira de 550 milhas com a Síria. É um acontecimento altamente relevante hoje, porque, dous meses mais adiante, Turquia enfrenta agora desenvolvimentos militares no norte da Síria que representam umha ameaça muito mais séria aos seus interesses do que aquela breve incursom no seu espaço aéreo, apesar de que Ankara fixo alegaçons ontem sobre umha nova violaçom russa o venres.

A guerra síria está numha fase crucial. Durante o ano passado os curdos sírios e o seu exército altamente efetivo, as Unidades de Defensa do Povo (YPG), tomarom mais da metade da fronteira da Síria com a Turquia. A principal linha de abastecimento para o Estado Islâmico (Isis), através da passagem fronteiriça de Tal Abyad no norte de Raqqa, foi capturado polas YPG em junho passado. Apoiado por um intenso bombardeio da Força Aérea dos Estados Unidos, os curdos forom avançando em todas as direçons, selando o norte da Síria da Turquia na faixa de território entre os rios Tigris e Eufrates.

Às YPG queda-lhes apenas mais de 60 milhas a percorrer, ao oeste de Jarabulus, no Eufrates, para fechar as linhas de abastecimento do Isis e os da oposiçom armada nom-ISIS, de Azzaz a Aleppo. Turquia tinha dito que a sua “linha vermelha” é que nom deveriam cruzar as YPG oeste do rio Eufrates, embora nom reagiu quando as YPG dentro das Forças Democráticas da Síria (SDF), aproveitou a barragem de Tishreen, no Eufrates e ameaçou a fortaleza do IS de Manbij. Os curdos sírios estam agora avaliando se ousam tomar o território estratégico ao norte de Aleppo e a ligaçom com o enclave curdo de Afrin.

Os desenvolvimentos nos próximos meses pode determinar quem som os vencedores e perdedores a longo prazo na regiom durante décadas. as forças do presidente Bashar al-Assad estam avançando em várias frentes sob um guarda-chuva aéreo russo. A campanha de cinco anos do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan de derrubar a Assad em Damasco, ao apoiar a oposiçom armada, parece estar perto de derrota.

Turquia poderia responder a esto, ao aceitar um facto consumado, admitindo que seria difícil para el enviar o seu exército para o norte da Síria diante das fortes objeçons dos EUA e a Rússia. Mas, se a alternativa é o fracasso e a humilhaçom, entom pode fazer exatamente isso. Gerard Chaliand, o especialista francês em guerra irregular e política do Oriente Médio, falando em Erbil na semana passada, dixo que “sem Erdogan como líder, eu diria que os turcos nom iriam intervir militarmente [no norte da Síria], mas, umha vez que é el, eu acho que o vam fazêr”.

Turkeys Syrian Calculation Gambling on an Invasion 02Erdogan tem a reputaçom de aumentar as apostas como fixo no ano passado quando nom conseguiu ganhar umha maioria parlamentar na primeira das duas eleiçons. El aproveitou de um confronto com os curdos turcos e a fragmentaçom dos seus adversários para ganhar umha segunda eleiçom em novembro. A intervençom militar direta na Síria seria arriscada, mas o Sr. Challiand acredita que a Turquia “é capaz de fazer isso militarmente e nom será dissuadida pola Rússia”. Naturalmente, nom seria fácil. Moscou tem avions no ar e mísseis anti-aeronaves no solo, mas Putin provavelmente tem uma ideia clara das limitaçons sobre o envolvimento militar da Rússia na Síria.

Omar Sheikh Mousa veterano líder curdo sírio que vive na Europa, di que os curdos sírios “devem perceber que os russos e o governo sírio nom vai ir à guerra com o exército turco por eles”. Adverte que o partido político curdo no poder, o PYD, nom deve exagerar a sua própria força, porque a reaçom do presidente Erdogan é imprevisível.

Outros líderes curdos acreditam que a intervençom da Turquia é improvável e que, se ele ia vir, teria acontecido antes de que o jato russo fosse abatido. Isso levou a Rússia a reforçar a sua potência no ar na Síria e tendo umha atitude muito mais hostil para com a Turquia, dando suporte completo para o Exército Sírio nos avanços no norte Latakia e em torno de Aleppo.

No momento, os curdos sírios ainda estam decidindo o que devem fazer. Eles sabem que o seu quase-estado, conhecido como Rojava, tem sido capaz de expandir-se a velocidade explosiva porque os EUA precisavam de umha força terrestre para agir em colaboraçom com a sua campanha aérea contra o Isis. Os bombardeiros russos e norte-americanos, em diferentes momentos, apoiarom o avanço das SDF em direçom a Manbij. No tabuleiro de xadrez caótica da crise síria, os curdos neste momento tenhem os mesmos inimigos que o Exército sírio, mas eles sabem que a sua forte posiçom vai durar apenas enquanto dure a guerra.

Se nom houver umha intervençom turca a umha escala significativa, em seguida, Assad e os seus aliados estariam a ganhar, pois a intervençom reforçada russa, iraniana e do Hezbollah libanês inclinou a balança em seu favor. A troika de Estados sunitas da regiom – Arábia Saudita, Qatar e Turquia – falharom, até agora, para derrubar a Assad por meio de apoiar a oposiçom armada síria.

O seu entusiasmo para fazê-lo está sob pressom. A Arábia Saudita tem umha liderança volúvel, está envolvida em umha guerra no Iêmen, e o preço do petróleo pode ficar sob 30 $ US o barril. As açons de Qatar na Síria som ainda mais incalculáveis. “Nós nunca conseguemos descobrir as políticas de Qatar”, di um observador do Golfo, frustrado. Um comentarista mais cáustico, em Washington, acrescenta que “a política externa do Catar é um projeto de vaidade”, comparando-o com o desejo de Qatar por comprar edifícios de referência no estrangeiro ou acolher a Copa do Mundo em casa.

Na política síria e iraquiana quase todo mundo termina por exagerar a mao, tomando vantagem transitória para o sucesso irreversível. Isso era verdadeiro para umha grande potência como os EUA no Iraque em 2003, umha força como o Isis em 2014, e umha pequena potência, como os curdos sírios em 2016. Umha das razons que o Iram tem, até agora, sair à frente na luita por esta parte do Oriente Médio é que os iranianos moverom-se com cautela e passo a passo.

A Turquia é a última potência regional que poderia reverter a tendência dos acontecimentos na Síria pola intervençom militar aberta, um desenvolvimento que nom pode ser descontado quando a fronteira sírio-Turca está sendo progressivamente selada. Mas, salvo isso, o conflito tornou-se tam internacionalizado que só os EUA e a Rússia som capazes de leva-lo para um fim.

Publicado em Kurdish Question.

Patrick Cockburn é autor de  The Rise of Islamic State: ISIS and the New Sunni Revolution.

Entrevista a Salih Muslim, co-presidente do PYD: “Rússia vai parar a intervençom de Turquia na Síria”

Salih Muslim com as bandeiras de Rojava e o Grande CurdistamA intensificaçom da intervençom militar da Rússia na Síria está prestes a alterar drasticamente o equilíbrio na naçom devastada pela guerra. O grupo que mais beneficiou da revolta som os curdos, que tenhem amplias áreas consequtivas sob o seu control e som agora os maiores aliados dos Estados Unidos na luita contra o Estado Islâmico, também conhecido como IS ou Daesh. Qual será o impacto que os movimentos russos teramm sobre os curdos da Síria? Al-Monitor entrevistou a Salih Muslim, co-presidente do Partido da Uniom Democrática (PYD), no norte da Síria:

Al-Monitor: Como é que a intervençom militar da Rússia na Síria afeta os curdos?

Muslim: Nós, como Partido da Uniom Democrática acreditamos o seguinte, e compartilhamos este ponto de vista com os Estados Unidos, bem como: Vamos luitar ao lado de quem luita o Daesh. Vamos estar ao lado de quem enfrenta a mentalidade do Daesh.

Al-Monitor: Rússia também di que o presidente sírio, Bashar al-Assad deve manter-se no poder e que defende o regime.

Muslim: Rússia alinhou-se com o regime desde o início. Este é um assunto separado. Mas, tanto quanto Assad permanecer no poder, pensamos de forma diferente. Assad nom pode permanecer no poder como antes. El pode permanecer durante um período de transiçom, durante um período de diálogo entre as partes em conflito, mas, a longo prazo, parece inconcebível que a maioria do povo sírio aceitaria a sua liderança mais.

Al-Monitor: Mas nom existe o risco de que o “período de transiçom” poderia se transformar em um “período permanente”? Tendo alcançado tantos ganhos vocês certamente buscam garantias. Rússia pode ser um fiador para os curdos?

Muslim: Temos tido relaçons com a Rússia durante os últimos três anos. Nós fomos e voltamos a Rússia, em Moscou. Mas o regime nom pode permanecer como está nem podemos retroceder o relógio. Os curdos som umha realidade. E nós somos capazes de nos defender contra o regime e contra outros. Se há de ser umha soluçom para a crise síria, precisa incorporar os direitos dos curdos e de todos os outros grupos étnicos e religiosos na Síria. Isto poderia ser conseguido sob os auspícios das Naçons Unidas. A nossa autonomia democrática [os três cantons curdos no norte da Síria] precisa ser reconhecido. E se nom o forem, imos continuar com a nossa luita. Se o problema curdo continuar sem soluçom, o problema sirio nom estará resolvido. Temos certas exigências, um sistema implantado. Qualquer soluçom que se baseie na erradicaçom destes está errado e nom pode funcionar.

Al-Monitor: Acredita que os curdos poderiam resistiro Daesh sem apoio militar dos EUA?

Muslim: Talvez as nossas baixas seriam maiores, no entanto, nós seriamos capazes de resistir. Acima de tudo, temos fé no nosso próprio povo e na justiça da nossa causa.

Al-Monitor: Voltando à Rússia, estamos ouvindo relatos de que avions russos nom estam so dirigidos contra o Daesh mas também Jabhat al-Nusra e Ahrar al-Sham. Como vai responder América, na sua opiniom?

Muslim: Eu nom acredito que a América se vai opor porque al-Nusra e Ahrar al-Sham nom som diferentes do Daesh. Eles som todas organizaçons terroristas e compartilham a mesma mentalidade radical. Al-Nusra está na lista dos EUA [do Departamento de Estado] de organizaçons terroristas. Eu nom sei se eles vam levantar objecçons sobre Ahrar al-Sham, mas eles sabem quem som. Nom há limites, nom há diferenças entre os três grupos. Mas se eles som empurrados para fora, os restantes grupos da oposiçom, que estam muito fracos, incluindo aqueles que estam luitando ao nosso lado, ligados ao Exército Sírio Livre, seram reforçados.

Al-Monitor: Você acredita que a intervençom da Rússia vai ajudar a trazer as partes para a mesa ou piorrara as coisas?

Muslim: Voltar à mesa de negociaçons parece difícil. O plano elaborado polo enviado da ONU em Síria, Staffan de Mistura, é apoiado sobretudo pola Rússia. Mas o pólo oposto, ou seja, Qatar, Arábia Saudita e a Turquia est am-se resistindo a este [plano]. Se os Estados Unidos querem abrir o caminho para umha soluçom, devem aplicar certa pressom sobre este campo. Em qualquer caso, se nom houvesse algum tipo de acordo entre a Rússia e a América, a Rússia nom teria intervindo.

Al-Monitor: O movimento da Rússia que significa para a Turquia?

Muslim: A política turca em Síria está totalmente falida. Há dous anos eu estava conversando com um oficial russo e el perguntou-me: “Qual é o maior temor dos curdos?” “A possível intervençom turca”, respondim. El riu e dixo: “Isso nom está na fronteira da Turquia [com a Síria], mas com a OTAN”, ao que eu respondim: “. Nesse caso, da-me alívio, obrigado” A Turquia nom pode intervir na Síria sem as bênçons dos grandes poderes.

Al-Monitor: E como será, a “zona livre do ISIS ” que a Turquia quer estabelecer ao oeste do rio Eufrates ao longo da chamada Linha Mare, ser afetados pola intervençom russa?

Muslim: A Rússia e os Estados Unidos parecem ter estabelecido as suas próprias zonas de influência dentro da Síria. Os EUA está ativo no norte. Os russos nom se vam intrometer no norte. Mas se a Turquia tenta intervir, em seguida, eles iram. A Rússia tem um acordo de defesa conjunta com a Síria. Eles vam impedir a intervençom turca nom para nós [curdos] defender, mas para defender a fronteira da Síria.

Al-Monitor: Quais som as perspectivas de cooperaçom entre a Turquia e a administraçom Rojava?

Muslim: Se a Turquia assumisse a luita contra o ISIS a sério desde o início, o ISIS ainda nom estaria nas fronteiras da Turquia. O ISIS está massacrar os curdos, evacua forçosamente os curdos, queima as suas aldeias. Porque é que a Turquia nom fai nada; por que é incapaz de parar isso? Propusemos cuidar de nós mesmos. Entom, por que está a Turquia a ficar no nosso caminho? Sabes que há umha brigada turcomana treinada pola Turquia chamado algo assim como “sultam” e algo mais. Todos eles desertaram para o Daesh. Foi um fiasco total.

Al-Monitor: Está dizendo que nom há esperança para a normalizaçom das relaçons com Ankara?

Muslim: Se a Turquia adopta umha posiçom mais moderada em relaçom a nós, nós, como políticos estamos prontos para falar e cousas boas poderiam resultar daí. Mas as autoridades turcas seguem chamando o PYD e as YPG [Unidades de Proteçom do Povo] “terroristas”. Que tipo de terrorismo exercemos?

Se eles tivessem ido junto com o que nós lhes proporamos há dous anos [cooperaçom] todo poderia ter sido diferente hoje. Em vez disso, de conviver fraternalmente, Turquia etiqueta-nos de inimigos.

O que realmente queremos é luitar o ISIS juntamente com a Turquia, Estados Unidos e as outras forças da coalizom. Além disso, nom nós opomos a umha zona de segurança. O que nos opomos é a umha zona de segurança controlada polos turcos. As zonas de exclusom aérea que foram estabelecidas no Iraque em 1992, poderiam ser aplicadas na Síria também. Se todo o norte da Síria estivera sob protecçom das Naçons Unidas, nos sentiríamos mais seguros.

Al-Monitor: Os recentes ataques do PKK contra a Turquia nom os deixarom em umha posiçom precária? Embora você argumentar que vocês som entidades separadas, que ambos estam inspirados polo fundador do PKK, Abdullah Ocalan.

Muslim: Eu nom acho que isso nos afeta militarmente. Somos organizaçons separadas. Mas a retomada do processo de paz na Turquia seria para o benefício de todos. Qualquer escalada do conflito seria em detrimento de todos. Nom somos os curdos que abraçamos a filosofia de Apo [alcunha do Abdullah Ocalan] os que somos a força de combate mais eficaz contra Daesh? Quando os ataca [o PKK], milhons de curdos sentem que est am sendo apunhalados polas costas. E eles exigem saber por que os EUA e a Europa estam permanecendo em silêncio. Se est am falando a sério sobre luitar o Daesh, entom porque nom param a Turquia? Há tais pensamentos entre os curdos.

Enquanto isso, uma tragédia humana está a ser jogada. O corpo de Aziz Guler, um cidadao turco que veu a Rojava para luitar o ISIS, nom pode ser entregue à sua família porque a Turquia nom oi deixá. Nós nom podemos entender o porquê. No passado, os cidadaos turcos que morrerom em Rojava forom entregues a suas famílias e enterradas no seu próprio país. Este nom foi mais permitido. Turquia adoptou esta política desde a retomada do conflito [com o PKK].

Al-Monitor: Você tem problemas com o Governo Regional do Curdist am (KRG) do Iraque. O presidente do KRG, Massoud Barzani, dixo que abriria rotas de abastecimento logístico desde a sua regiom a Rojava só se permitiam os combatentes curdos sírios do Partido Democrático do Curdistam da Síria (KDP-S) retornar. Você reuniu-se com o presidente Barzani em Erbil recentemente e as autoridades americanas estavam presentes nas conversaçons, mas nom forom capazes de resolver o problema. Por que nom?

Muslim: Nom há novos desenvolvimentos em relaçom a este assunto. Mas aqui está o que estamos propondo. Se eles [o KDP-S] é sério sobre a defesa dos curdos contra o Daesh, entom eles podem vir. Onde está o Daesh agora? Entre Jarablus e Azaz. Deixamos que eles venham e luitem lá. Nom há Daesh em outro lugar nas regions curdas.

Publicado em Al-Monitor.