Os curdos matam e deslocam civis árabes na operaçom de Raqqa?

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Luitadores das SDF na operaçom de Raqqa / ANF

Por Sinan Cudi

As forças da Ira do Eúfrates terminarom a primeira fase da operaçom para libertar Raqqa do  Estado Islâmico (ISIS) o 14 de novembro.

A declaraçom revelando os detalhes dos primeiros 10 dias da operaçom foi na aldeia de Hîşa; há pouco informara-se que fora atacada por avions da Coligaçom anti-ISIS. A declaraçom, lida pola porta-voz Cihan Ehmed dixo que 36 aldeias, 31 povos, 7 outeiros estrategicamente importantes e duas regions importantes que fornecem água e eletricidade foram liberados em umha área de 550 km do ISIS. Também informou-se que 167 militantes do ISIS foram mortos e 4 presos.

A declaraçom acrescentou que o ISIS tinha tentado 12 ataques VBIED [Veículos bomba], mas que todos os veículos tinham sido destruídos. Um grande número de armas e outros veículos também tinham sido eliminados, 240 minas desativadas. A declaraçom dizia que apenas quatro lutadores das Forças Democráticas da Síria (SDF) foram feridos na primeira fase da operaçom.

Mencionou também que o assédio de Raqqa continuava e que as pessoas nas áreas liberadas permitiria-se-lhes retornar às suas casas umha vez que a limpeza das minas terminara.

A declaraçom também se refere à reivindicaçom sobre a Aldeia de Hîşa (Hisah), que é o tema deste artigo e di: “Embora nom tenhamos encontrado nengumha evidência de que os civis foram prejudicados durante a operaçom, continuamos a investigar as alegaçons.”

Deixando de lado o conteúdo da declaraçom sobre a aldeia Hîşa, o fato de que a declaraçom foi feita na aldeia onde o suposto ataque ocorrera é umha mensagem para aqueles que fam essas alegaçons. Que os jornalistas tenham permissão para entrar e investigar na aldeia após o comunicado de imprensa é mais umha prova da confiança do SDF de que as alegaçons som falsas.

Reivindicaçons semelhantes forom feitas antes. Cada vez que o ISIS é atacado, há mentiras do tipo “os árabes estam sendo deslocados”, “há limpeza étnica”, “a demografia está sendo mudada”, “os civis estam sendo assassinados”, som postos em circulaçom para interromper a guerra contra o grupo jihadista.

A mensagem subjacente repetida com estas afirmaçons é a seguinte: “Os curdos estam matando árabes, deslocando-os, apropriando-se das suas terras e tentando criar um estado curdo.” De longe isso pode parecer plausível também. Afinal, vivemos em sociedades onde as pessoas têm bebido do cálice envenenado do nacionalismo e forom infectados polas suas ideias e que, a gente pense que é umha possibilidade fazer o anterior.

No entanto, é importante enfatizar certos feitos.

Em primeiro lugar, a maioria dos combatentes que participam na ofensiva de Raqqa som árabes. Os componentes da força de combate que participam da operaçom som proporcionais à povoaçom de Raqqa. Isto significa que os curdos representam o 25% desta força, em relaçom à povoaçom curda que vivia em Raqqa.

Em segundo lugar, durante mais de um ano, desde a ofensiva de al-Hawl, os curdos nom agem unilateralmente. As forças de comando e combate em todas as operaçons e açons militares som decididas polas SDF. Há umha ordem comum e um centro de comando. O que significa que há um exército administrado conjuntamente por árabes, curdos, assírios e turcomanos.

E, finalmente, se os curdos tivessem pretendido e desejassem deslocar os árabes, teriam começado com a povoaçom árabe movida polo regime Baath para os assentamentos curdos como parte da iniciativa do cordom árabe na década de 1960.

É possível listar muitos mais feitos, mas três som suficientes.

O que é interessante, no entanto, é que aqueles que fam estas afirmaçons estam completamente silenciosos sobre as massacres cometidos por avions de guerra turcos em Afrin e na regiom de Shehba, a destruiçom de aldeias curdas e o deslocamento de milheiros de curdos.

sinan-cudiSinan Cudi é um jornalista curdo atualmente em Rojava-Norte da Síria.

Publicado em  Kurdish Question.

 

 

 

A incursom em Síria significa a Guerra perpétua da Turquia contra os Curdos

vinheta01Por Hawzhin Azeez

Nas últimas horas informaçons emergerom que o exército turco está bombardeando a aldeia de  Til-Emarne (al-Amarne) de Jarablus com fogo de artilharia e avions e também ataca às SDF em Ain Diwar (leste de Rojava) e Afrin (oeste Rojava). Fontes curdas relatarom que dúzias de civis foram feridos e mortos. A incursom da Turquia na Síria já confirmou o que muitos pensavam que era, umha agressom contra os curdos.

A propaganda pro-turcaa é abundante, afirmando que Jarablus foi “libertada” polo exército turco sem derramamento de sangue, em oposiçom às “YPG” – o que implica que as YPG som um exército invasor e selvagem que mata e assassina pessoas inocentes desnecessariamente, em oposiçom ao mais “legítimo” exército turco. Mas a realidade é que nom houvo “luita” para libertar Jarablus porque claramente havia um acordo entre o ISIS eTurquia. A relativa facilidade com que a Turquia tomou Jarablus suscitou importantes questons estratégicas e políticas. Por que combateu o ISIS tanto para manter Kobane ou Manbij mas nom Jarablus? Por que atravancarom-se, pugerom centos de minas e armadilhas em toda Kobanê e Manbij, perderom milheiros dos seus combatentes envolvidos em umha guerra de guerrilha e luitarom pola território casa por casa, rua por rua, mas nom há sinais das suas estratégias em Jarablus? Por que abandonarom tam facilmente e sem derramamento de sangue Jarablus?

Talvez a resposta pode ser encontrada em que os combatentes do ISIS forom vistos simplesmente trocando as suas roupas polos ‘uniformes’  dos geupos que apoia Turquia?

Seja qual for a verdade, a este respeito, a realidade é, o cerne do acordo ISIS eTurquia foi que após a perda espetacular de Manbij,  estrategicamente era melhor permitir que Turquia controlara Jarablus, o que efetivamente cortaria a possibilidade de uniom entre os cantons de Kobane e Cezire com o cantom de Afrin e estabelecer a “zona tampom” que a Turquia levava tempo procurando. Deixando nesse processo que o ISIS se recupere e contine os seus ataques em Afrin, no leste e sul do cantom de Kobane e em Cezire, o sudoeste de Rojava, norte da Síria. Esta estratégia também envolve o aumento de ataques suicidas e carros-bomba em Cezire, enquanto a inexistência de um corredor humanitário imposto pola Turquia e apoiado polo governo de Barzani na KRG (norte do Iraque) assegura um ambiente de pressom para as zonas autônomas assediadas.

Agora, existem sugestons de que a Turquia e os seus co-conspiradores estam decididos a “libertar” Manbij utilizando a presença das YPG como um pretexto para a guerra -quando é bem sabido que as YPG deixarom a cidade, so os conselhos locais das Forças Democrâticas da Síria e o Conselho Militar de Manbij, composto por luitadores locais quedarom lá. Este processo descarrila eficazmente o argumento de que os curdos estam “apropriando terras”, por nom mencionar que as Forças Democráticas da Síria (SDF) tenhem um grande número de árabes e outros grupos etno-religioso que se juntarom na libertaçom das cidades sob o control do ISIS, e os quais forom os responsáveis da libertaçom de Manbij.

Mas a história se repete novamente, entom pretensa guerra da Turquia sobre o ISIS na Síria com o nome de “Escudo do Eufrates”, é simplesmente umha tentativa mal disfarçada para atacar os curdos, como foi o caso no ano passado, quando em vez de atacar o ISIS atacou o PKK nas montanhas de Qandil no Curdistam do Sul. Naquela época, também os EUA tinham combinado com os curdos para o acesso à base militar de Incirlik (Adana). Mas agora as implicaçons geoestratégicas desta incursom na Síria som muito maiores do que o conflito turco-curdo. Aludindo a isto, o primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, afirmou que a invasom da Síria basea-se em “defender a integridade territorial da Síria” – mas o governo de Assad condenou fortemente a incursom como umha clara violaçom da sua soberania; pois reflete as aspiraçons crescentes da Turquia para a liderança e hegemonia regional.

A ascensom do neo-otonomanismo da Turquia foi apoiado pola absoluta incapacidade da Europa em lidar com o fluxo de pessoas na Europa, resultando, paradoxalmente, no fluxo de milheiros de milhons de euros cara Turquia para “parar os refugiados”. À vez, a Turquia respondeu transportando os refugiados de volta a território sírio, atirando, matando, e batendo nos refugiados na fronteira com a Síria. Ainda mais paradoxalmente, os EUA ajudarom e incitarom a Turquia na sua invasom e violaçom da integridade territorial da Síria e a entrada em Jarablus com apoio aéreo, apesar do feito de que a Turquia tem sido aliada com a filial de Al-Qaeda, Jabhat Fatah al-Sham (antes Al Nusra) e o ISIS na Síria e Turquia. A recente visita de Joe Biden e as declaraçons de começos desta semana em apoio da Turquia aludiu à presença da Turquia na Síria sendo umha idéia a longo prazo. A consequência resultante era umha invasom apoiada polos EUA de Jarablus, quando menos de umha semana antes os EUA estavam a fornecer apoio aéreo para a libertaçom de Manbij às SDF. Enquanto isso pode ser visto como umha mensagem clara dos EUA aos curdos, esta mudança de aliança também deve ser vista como um lembrete oportuno para que os curdos mantenham a integridade ideológica e militar e continuem nom alinhados com qualquer umha das partes em conflito.

A invasão do Jarablus é também um reflexo da recente reforço do poder político de Erdogan e o seu controle do país após a recente tentativa fracassada de golpe. Os EUA tem recompensado a Erdogan pola enorme purga de militares e civis que ocorreu e reafirmou o férreo control sobre o país, fornecendo cobertura aérea para a sua invasom da Síria. Os EUA estam alinhando-se claramente com a autocracia de Erdogan, talvez em umha tentativa equivocada de controlar a situaçom na Síria, evitando “soldados em território inimigo”, um erro que fjá cometeu na invasom do Iraque em 2003 e que lhe custou muito em diversas maneiras .

Mas os EUA está muito enganado se acredita que pode manter umha guerra delegada na Síria e controlar o regime cada vez mais inestável de Erdogan. O visível envolvimento de Iram, Arábia Saudita e os seus estados aliados menores complica mais a situaçom geopolítica. Do mesmo modo, a UE permanece completamente paralisada desenrolar umha abordagem coerente e concisa em relaçom à Turquia, nom só à luz da recente invasom, o tratamento cada vez mais abusivo dos refugiados na Turquia, mas também as violaçons dos direitos humanos contra as minorias, como os curdos, alevitas e outros, que estam ocorrendo na Turquia.

Em vez de conter a Turquia e apoiar continuamente aos curdos e as Forças Democráticas da Síria (SFD , nas suas siglas em inglês, umha combinaçom de árabes, curdos, armênios, assírios e outros grupos étnico-religiosos), na luita e rejeiçom do ISIS – algo que tenhem feito com sucesso- os EUA ea UE continuam a mostrar fraca vontade, escolhendo o que parece ser a  realpolitik sobre a política ética e democrática. No entanto, esta abordagem é questionável, considerando a ampla opiniom pública global e o feito inegável que, até à data, forom as forças mais bem sucedidas na eliminaçom do ISIS, mas também na criaçom de regions pacíficas, inclusivas e democráticas.

O que está claro é que os curdos estaram em um estado de guerra perpétua para os tempos vindouros, tanto se o conflito inclui a Turquia, o ISIS ou as suas outras filiais, a Assad, ou a todos simultaneamente. Parece que a situaçom de paz para os curdos passou a significar um estado perpétuo de resistência e auto-defesa. Mas se há umha cousa que o último ano tem demonstrado, é que os curdos som muito bons na arte da guerra e na auto-defesa. Sem mencionar que nos últimos anos o terrorismo de Estado e os abusos contra os curdos já nom podem permanecer ocultos, o que levou a umha condena crescente do terrorismo de Estado da Turquia e o apoio ao regime polos EUA e a UE. Isto, combinado com o suporte global visível para as forças curdas e as SDF na sua heróica resistência contra o ISIS asseguram um interesse internacional contínuo e a visibilidade da questom.

O que está claro é o próximo movimento na Turquia: a invasom e desestabilizaçom de Rojava com ataques contra o três cantons e “recuperar” o território para os seus aliados islamistas. A açom militar e estratégica mais difícil dos curdos ainda está por vir.

Hawzhin AzeezHawzhin Azeez tem um doutorado em Ciência Política e Relaçons Internacionais. Ela é defensora dos direitos das mulheres e dos refugiados. Está atualmente trabalhando na reconstruçom de Kobane através do Conselhode  Reconstruçom de  Kobane.

Publicado originalmente por Kurdish Question.

 

 

Turquia-FSA Toma Jarablus Do ISIS Sem Luita

FSA
Membros do FSA apoiados por tanques turcos entram em Jarablus

Tropas turcas e os chamados militantes “moderados islâmicos” do Exército Livre Sírio (FSA) entrarom no centro da cidade de Jarablus e assumirom todos os edifícios públicos do Estado islâmico. Há relatos de que quase nengum confronto ocorriu entre os dous bandos, os militantes do ISIS tinham evacuado a cidade dias antes. Filmagens de militantes do FSA também mostram que nom há presença de civis nela.

Mais de 20 tanques turcos e mais de 500 tropas do FSA entrarom no Norte Síria esta manhá como parte da operaçom “Escudo do Eufrates”, o que as autoridades turcas chamam um “ataque aos terroristas do Estado Islâmico e as YPG.”

Fontes curdas relataram o bombardeio turco dos bairros de maioria curda no leste e oeste de Jarablus, onde polo menos 49 civis forom mortos.

Mais de 3000 civis fugirom para a vizinha Manbij, que foi libertada do Estado Islâmico polas Forças Democráticas da Síria (SDF) recentemente.

As autoridades curdas condenarom a incursom da Turquia como ocupaçom, e o co-presidente do PYD Saleh Moslem dixo: Turquia entrou no lamaçal sírio e seram derrotados como o Daesh (Estado Islâmico). Analistas curdos e alguns meios de comunicaçom internacionais tenhem enfatizado que a verdadeira meta da incursom militar nom é o IS mas as forças lideradas polos curdos que estavam preparando umha operaçom militar para libertar Jarablus, Al-Bab e Mare do IS e unir os três cantões de Rojava .

Esta afirmaçom é corroborada polas autoridades turcas que digerom que nom permitiriam que umha entidade curda se criara na sua fronteira.

Enquanto isso, autoridades norte-americanas, incluindo o vice-presidente Joe Biden, declararom o seu apoio à operaçom e “convidarom” às YPG a voltar ao leste do Eufrates. Muitos comentaristas chamam à postura dos EUA de “traiçom” contra os curdos. [Mídias “oficialistas” dos EUA tentam vender esta operaçom eleitoralmente como um éxito frente o ISIS].

Em resposta o comandante das YPG Redur Xelil dixo a Reuters que a decisom de retornar ao leste do Eufrates os seus combatentes deveria ser tomada polo Comando Geral das SDF (organizaçom que aglutina a árabes, siriaco-assírios, turcomanos e curdos).

O Ministro de Exteriores da Turquia Mevlut Cavusoglu também confirmou o apoio dos EUA dizendo que a operaçom fora planejada com os EUA “desde o princípio”, e advertiu ao PYD / YPG de recuar ou no caso contrário eles iriam “fazer o que for necessário.”

Comentadores digerom que os EUA, Iram, Rússia, Síria e o Governo Regional do Curdistam (KRG) derom luz verde e concordarom com a operaçom.

No entanto, o Ministério de Assuntos Exteriores sírio, também condenou a incursom como umha “violaçom da soberania do país”, e dixo que “a Turquia está substituindo um grupo terrorista por outro.”

A Rússia também valorou ao travês do Ministério das Relaçons Exteriores dizendo que eles estam receosos sobre os desenvolvimentos na fronteira Turco-Síria.

Fontes turcas estam a dizer que a operaçom poderia continuar até Al-Bab e Mare, com um empurrom final sobre Manbij, o que provavelmente levaria a confrontos com as SDF.

Recolhido de Kurdish Question.

 

Manbij Liberada!

Libertaçom de ManbijA cidade estratégica de Manbij, que liga a capital do ISIS / DAESH de Raqqa e a fronteira da Turquia foi completamente libertada polas Forças Democráticas Sírias (SDF)/YPG/YPJ e combatentes do Conselho Militar de Manbij (MMC).

A ofensiva final foi lançada no bairro de Al-Sirib esta manhá para salvar os centos de civis que estavam sendo usado polo ISIS / DAESH como escudos humanos. Mas conseguiu-se com um gosto amargo ao ter que deixar sair umha caravana do ISIS/DAESH com dúzias de veículos e mais de 400 reféns cara o noroeste.

A libertaçom de Manbij, chegou no 73 dia da Operaçom Mártir Commandante Faysal Abu Leyla, e abre o caminho para umha operaçom sobre Raqqa, ou Jareblus ou unir o Cantom de Efrîn.

A Brigada Revolucionária de Raqqa continua a assumir a bandeira da revoluçom síria

Free Syrian Army fighters walk in al-Makman village on the outskirts of al-Shadadi town, Hasaka countryside, Syria February 19, 2016. REUTERS/Rodi Said  - RTX27SJH
REUTERS/Rodi Said

Tell Abyad, Síria – A Liwa Thuwar al-Raqqa (“Brigada Revolucionárias de Raqqa), afiliadas ao Exército Sírio Livre (FSA), é umha das facçons que continuam a guerra contra o Estado islâmico (IS). Na entrevista com Al-Monitor, o comandante da brigada, conhecido polo nome de guerra de Abu Issa, dixo que a sua brigada aderiu-se às Forças Democráticas da Síria (SFD/QSD), que inclue curdos, árabes, turcomanos e facçons cristians, como parte de umha estratégia para combatir o terrorismo do ISIS e outras organizaçons extremistas. El também dixo que a guerra da brigada contra o regime sírio nom diminui e enfatizou que Liwa Thuwar al-Raqqa continua comprometido com a revoluçom síria, como evidencia que contínuam levando a bandeira revolucionária síria.

Abu Issa sentou para umha entrevista com Al-Monitor o 10 de fevereiro em umha das suas sedes no rural de Tell Abyad na província de Raqqa e continuou a conversa por telefone em março.

Al-Monitor: Como parte das Forças Democráticas da Síria, que papel joga Liwa Thuwar al-Raqqa em liberar a parte síria da Mesopotâmia por cima e talvez de Raqqa no futuro? Vam desempenhar um papel fundamental nas operaçons, ou a sua participaçom estara limitada a fazer parte de umha aliança militar, como foi o caso em Kobanî?

Abu Issa: Desde a sua criaçom, em outubro de 2015, somos parte integrante das Forças Democráticas da Síria, que visam obter o control da maior parte da Síria, da Mesopotâmia superior [que inclui Raqqa, Deir ez-Zor, e Hasakah]. Cada facçom militar nela desempenha um papel na luita contra o IS, e a nossa parte é igual a qualquer outra facçom das Forças Democráticas da Síria.

A nossa campanha mais recente, que levou à captura bem sucedida da Represa de Tishrin, no campo Raqqa, deu-nos o control sobre umha encruzilhada estratégica que corta o acesso entre as zonas controladas polo IS de Raqqa e Manbij, na zona rural de Aleppo. Em paralelo, a campanha lançada no sul do rural de Hasakah, onde as cidades de al-Hawl e al-Shaddadi forom libertadas. Todas estas batalhas ocorreram com a coordenaçom e participaçom das facçons de todas as forças democráticas da Síria, cada umha das quais estava posicionada em lugares pré-determinados, da província de Hasakah e a província de Raqqa, até à zona rural de Aleppo. Atualmente, controlamos cerca de 25 quilômetros quadrados de terra entre a borda ocidental de Tell Abyad e o norte Raqqa, tudo está na linha da frente direto com o IS.

Todas as facçons membros desempenham um papel na estratégia militar das Forças Democráticas da Síria, todos estamos de acordo que estas forças iram formar o núcleo de um futuro exército para uma Síria democrática. Além disso, cada facçom vai desempenhar um papel na sua própria área, porque seria ilógico que nós, que vimos de Raqqa, assumiramos o control de áreas na província de Hasakah, com maioria curda esmagadora, por exemplo, e o nosso último objetivo é entregar a administraçom de cada regiom aos seus próprios habitantes.

Al-Monitor: Em novembro, a notícia se espalhou de que Liwa Thuwar al-Raqqa retirara-se das Forças Democráticas da Síria como resultado de umha disputa sobre a formaçom de um exército tribal no rural de Raqqa, mas depois reconsiderou e voltou. Por quê?

Abu Issa: Houvo umha pequena divergência referente a alguns erros individuais cometidos por ambos os lados. O problema foi resolvido, e todo voltou ao normal. A principal razom por trás da nossa retirada foi a formaçom do exército tribal, que se tornou um obstáculo para os nossos esforços, devido à falta de equipamentos e o pobre apoio que recebeu. A formaçpm de um exército necessita apoio financeiro, armas, muniçons e veículos, que nunca forom feitas adequadamente.

O propósito de formar o exército tribal era deixar claro ao mundo que as tribos se puseram contra IS, particularmente à luz das alegaçons e declaraçons de que as tribos tinham prometido fidelidade ao IS. Como resultado, a formaçom do exército tribal era uma resposta às mentiras da organizaçom de  [Abu Bakr] al-Baghdadi. Foi também umha mensagem política destinada a tranquilizar os habitantes de Raqqa e ao mundo de que as tribos se puseram contra o IS.

 Al-Monitor: Muitas das facçons de oposiçom armada síria na regiom forom derrotadas polo IS, que controla Raqqa desde 2013. Como Liwa Thuwar al-Raqqa suportou quando outros falharom? Poderia contar-nos sobre as suas experiências contra o IS e os fatores que ajudarom o último em tomar o control de Raqqa.

Abu Issa: Liwa Thuwar al-Raqqa formou parte da revoluçom síria e participou de operaçons contra o regime sírio desde o início. Em junho de 2012, iniciamos a revoluçom armada contra o regime, e em setembro do mesmo ano, nós e outras facçons, conseguimos libertar as cidades de Tell Abyad e Suluk, bem como a prisom de Raqqa e a governadoria da cidade . Mas, umha disputa seguiu entre os três grupos que controlavam a governadoria, ou seja, Liwa Thuwar al-Raqqa, Ahrar al-Sham [Movimento Islâmico dos homens livres do Levante] e outras facçons que defendem a ideologia do ISIS.

Em janeiro de 2013, umha batalha decisiva tivo lugar em Raqqa para evitar que caiara nas maos do IS. Nós, Ahrar al-Sham e Jabhat al-Nusra concordaramos em unir forças e luitar o ISIS, mas fomos traídos por Ahrar al-Sham e Jabhat al-Nusra, ambos fugirom do campo de batalha, no quarto dia do combate. Deixando-nos sozinhos, Liwa Thuwar al-Raqqa foi incapaz de derrotar o ISIS quando a batalha se alastrou por 14 dias. Quando fomos removidos de Raqqa, o nosso control abranguia cerca do 40% da zona rural da província, mas a falta de armas e muniçons obrigou-nos a retirar da cidade em direçom a Sireen, no campo de Aleppo.

Posteriormente à apreensom de Raqqa, o ISIS assumiu o control de Tel Abyad após batalhas com Ahrar al-Sham e depois seguiu para invadir a cidade de Tabaqa. Como resultado, a nossa situaçom tornou-se precária, devido ao fato de que os pontos mais estratégicos da província  caíram para o IS. Se nom fosse pola traiçom das outras duas facçons, Raqqa estaria agora governado polo seu povo e nom polo IS. Deve ser dito que a nossa aliança com Ahrar al-Sham e Jabhat al-Nusra nom era forte e foi com o único objetivo de defender Raqqa do aperto e da ideologia do ISIS’.

Naquela época, cerca de 35 militantes do ISIS desertaram e juntaram às nossas fileiras quando eles perceberom que as intençons do ISIS ‘nom serviam os interesses do povo sírio. Um desses desertores, que atende polo nome de Abu Assad, dixo-nos que eles desertaram quando descobriram que o ISIS estava coordenando-se com o regime, bem como matando, torturando e sequestrando civis.

Depois, tentou eliminar a um dos comandantes do ISIS “, Abu Omar al-Shishani, no 11 dia da batalha de Sireen, mas sofreram grandes baixas, com mais de 40 mortos e 60 feridos, forçando-nos a recuar em direçom Kobanî.

Quanto à nossa perseverança na luita contra o ISIS, é atribuível ao nosso nível de organizaçom e força, para muitas das facçons mais fracas foi vítima de ISIS.

 Al-Monitor: Como parte das Forças Democráticas da Síria, está Liwa Thuwar al-Raqqa a receber um apoio adequado na preparaçom para a batalha para libertar Raqqa? Pode nos dizer sobre o nível de apoio que estám recebendo?

 Abu Issa: A criaçom das Forças Democráticas da Síria está baseada em receber apoio adequado para combater o ISIS e o terrorismo. Mas, a verdade da questom é que o mundo decepcionou-nos nesta luita e nom conseguiu fornecer-nos apoio suficiente. Mesmo o apoio americano foi escasso, com muito poucas remessas enviadas para as Forças Democráticas sírias. Claro, eu nom podo negar o papel desempenhado polas forças aéreas da coalizom internacional, que voou em apoio das forças democráticas da Síria. Mas, um monte de falar sobre o apoio nom é verdade, e já vimos que nom há sérios esforços para apoiar a libertaçom de Raqqa. Nós teria sido informado se quaisquer entidade queria oferecer apoio, e a libertaçom teria sido liderada por Liwa Thuwar al-Raqqa. O nosso complemento de armas agora consiste em armas apreendidas do ISIS, mas essas armas nom som suficientes para libertar Raqqa e a sua zona rural.

Com o apoio adequado, Raqqa seria sacado das garras do IS. As nossas fileiras incluem um monte de homens, e muitos dos habitantes da província aumentariam para libertar a sua terra natal. Mas, para que servem os homens sem armas? Nós também nom têmos veículos, que está a degradar muito as nossas capacidades. Um apoio suficiente às Forças Democráticas sírias também iria ajudar a libertar Raqqa, Hasakah, o campo Aleppo e Deir ez-Zor, e com o apoio suficiente queremos dizer armas avançadas e eficazes de longo alcance, tais como TOWs e Konkurs.

Gostaria de salientar aqui que, sem o apoio internacional, nom será possível a nossa luita contra o IS até libertar Raqqa. Devemos continuar com estes recursos e armamento débeis, podemos cair presa do IS, e negamos-nos a ser alvos fáceis.

 Al-Monitor: Liwa Thuwar al-Raqqa continua a levantar a bandeira da revoluçom síria, apesar do feito de que depois que entraram nas Forças Democráticas sírias, algumhas facçons do FSA e outros ativistas acusarom-vos de pertencer ou ser servientes das curdas Unidades de Proteçom do Povo [YPG]. Além disso, é acusado de ajudar os curdos alcançar o seu sonho de um control autônomo ou tentativa de secessom da Síria. Como responde?

 Abu Issa: Liwa Thuwar al-Raqqa é parte da revoluçom síria, e nós somos umha das facçons que continua a levantar a bandeira da revoluçom síria, porque mantemos-nos fieis aos nossos princípios e acreditamos que centos de milheiros de sírios perderom a vidas por esta bandeira. A retórica que mencionaches e as acusaçons contra os curdos som devidas ao feito de que as tropas curdas fazem parte das Forças Democráticas da Síria. Deve notar-se aqui que cada regiom da Síria tem as suas especificidades e tensons. Alguns expressam reservas sobre as YPG, que eles acusam de querer dividir a Síria ou outros planos semelhantes, o que é absolutamente falso. Nom existem tais aspiraçons, e umha vez que a formaçom das Forças Democráticas da Síria, um plano foi adotado por todas as facçons a trabalhar juntas e acabar com essas barreiras e preconceitos. Hoje pedimos às pessoas para julgar esse experimento com base nas realidades no terreno e nom boatos sozinho.

Como outros antes de nós, ouvimos muito sobre a intençom do Partido Uniom Democrata [PYD] ou as YPG de separar-se ou dividir o país e colaborar com o regime sírio. Mas, ao longo da minha relaçom com as YPG e luitando lado a lado contra o IS em Kobanî, eu nunca percebi qualquer intençom de se separar. Além disso, nom devemos esquecer que muitas facçons curdas com laços estreitos com as YPG luitarom contra o regime em Aleppo.

Além disso, devo salientar que a província de Hasakah tem as suas especificidades e sofre tensons curdo-Arabes semeadas polo regime sírio. A verdade da questom é que a maioria dos habitantes árabes da província permanecem leais ao regime, e o desastre seguiria se as partes tiveram a retórica sobre o particionamento e secessom provara ser verdadeiro. Nesse contexto, a Administraçom Autónoma Democrática e as Forças Democráticas da Síria conseguiram estabelecer um verdadeiro convívio entre todos os componentes da sociedade, como comprova-se polo feito de que o regime nom tem mais presença na área, exceto em alguns redutos de segurança nas cidades de Qamishli e Hasakah.

Após a libertaçom de Tell Abyad, um conselho tribal administrativo civil foi formado para incluir todos os componentes da sociedade lá. Podo afirmar a este respeito que o destino do país será decidido polos sírios que respeitem os direitos de todos, incluindo os direitos dos curdos, que tenhem estado oprimidos polo regime. Vamos respeitar a vontade do povo sírio, mesmo se eles concordam no federalismo ou em algumha outra forma de governo.

Al-Monitor: Liwa Thuwar al-Raqqa é do FSA, mas militares, políticos e ativistas da Síria acusaram o seu parceiro das Forças Democráticas da Síria de luitar contra o FSA no rural de Aleppo e de deslocar a povoaçom árabe lá. Como responde a essas acusaçons?

 Abu Issa: Deixe-me reiterar que cada área tem as suas próprias especificidades e fontes de tensom. Esta revoluçom tem gerado muita retórica, mas afirmamos que, como parte das forças democráticas da Síria, nunca permitiremos qualquer confronto contra umha facçom que apoie a revoluçom síria. Nem as Forças Democráticas da Síria nem tropas curdas pretendem confrontar facçons pertencentes ao FSA, o nosso objectivo é combater o IS e o terrorismo.

Aqui, devemos esclarecer que facçons som realmente consideradas como parte do FSA. Nom é razoável caracterizar quaisquer confrontos entre as Forças Democráticas sírias ou umha facçom que represente um conflito com o FSA ou um ataque em cima dele. Ultimamente, Jaish al-Thuwar, que faz parte das forças democráticas da Síria, concordou com certas facçons militares no campo Aleppo [Ahrar al-Sham] nom realizar operaçons contra os outros e afirmou claramente que o inimigo comum era o IS. No entanto, isso nom significa que nom vamos enfrentar outras facçons extremistas como Jabhat al-Nusra!

Quanto à questom dos curdos deslocando árabes, também ouvimos essas histórias, mas nunca vi qualquer prova disso. Em nossa aliança militar com o YPG, e nossa presença política no âmbito do Conselho Democrática da Síria, que inclui o PYD, nunca tenha percebido que qualquer coisa relacionada ao deslocamento ou um desejo de lutar contra o FSA. Em maio de 2015, eu disse à imprensa que os árabes nunca mais foram deslocados de Abyad Tell, embora houvesse algumas aldeias cujos habitantes ISIS-filiadas à esquerda e nom voltar. Mesmo aqui, nesta aldeia que nós controlamos, existem famílias que nom voltaram porque os membros que continuam a seguir IS e lutam nas fileiras do último em Raqqa.

 Al-Monitor: Politicamente, sodes parte do Conselho Democrático da Síria liderado por Manna Haytham, que inclui o PYD, acusados de colaborar com o regime e a Rússia, que som acusados de bombardear cidades sírias. Como explica isso?

Abu Issa: A nossa posiçom sobre a Rússia é clara, nós nunca imos aceitar o apoio russo em um momento em que a Rússia está matando sírios em outros lugares. A entente política talvez exista entre o PYD e a Rússia, mas militarmente, nom há cooperaçom entre as Forças Democráticas sírias e Russia.

Publicado em Al-Monitor.

Sardar Mla Darwish é um jornalista da Síria que trabalha em meios escritos, áudios e mídias eletrônicas. Ele estudou na Universidade de Damasco.