Por que Jinealogia? Re-Construindo as Ciências para umha vida em comum e Livre

JinealogiaPor Gönül Kaya

O Movimento de Mulheres Livre do Curdistam avalia a jinealogia como um passo importante na sua luita intelectual, político-ideológica de auto-defesa e mobilizaçom em curso de cerca de 30 anos. Eu gostaria de apresentar – ainda que brevemente – os principais princípios da jinealogia, que o movimento das mulheres curdas oferece aos movimentos de mulheres de todo o mundo.

A Jinealogia é descrita como a “criaçom do paradigma das mulheres” na luita pola liberdade das mulheres curdas. Isso representa umha nova fase desde a perspectiva do movimento das mulheres curdas. O movimento de mulheres curdas surgiu e desenvolveu-se dentro da luita de libertaçom nacional curdo. Desde 1987, começou com trabalhos de organizaçom específica e autônoma das mulheres. Depois deste desenvolvimento, muitas mudanças e transformaçons importantes ocorrerom no Curdistam, que também determinarom a luita social. Por um lado, o movimento de mulheres curdas avançou na sua organizaçom específica e autónoma internamente, mas, por outro lado, transmitiu e, portanto, compartilhou as suas conclusons com todas as áreas da luita social. As revoltas do povo contra a colonizaçom do Curdistam (em curdo: “Serhildan”), que começarom depois de 1989, forom dirigidas por mulheres. Do ponto de vista da sociedade curda, este foi o início de umha fase de resistência nacional, com um caráter novo focado nas mulheres. Nesse sentido, o movimento das mulheres avançou o seu trabalho teórico e prático em campos como do intelecto, política, sociedade, cultura e auto-defesa. As seguintes etapas-chave forom: 1993 – formaçom de um exército de mulheres, 1996 – teoria e prática para a emancipaçom do sistema patriarcal, depois de 1998 – ideologia da libertaçom das mulheres, 1999 – formaçom do partido, a partir do 2000 – construçom de um sistema social democrático no interior do quadro de um paradigma da sociedade democrática, ecológica e igualitário de gênero. A criaçom de conselhos, academias, e cooperativas de mulheres forom alcançados neste contexto. Sob o lema “A libertaçom das mulheres é a libertaçom da sociedade”, o movimento das mulheres focou o trabalho ideológico, filosófico e intelectual. Dentro do quadro da unidade entre teoria e prática, trabalharom no sentido de umha transformaçom do pensamento das mulheres e da sociedade, bem como para umha maior consciência. Forom à procura de respostas a perguntas como “Quem é a mulher? De onde é que vem? Onde é que foi? Como viveu até hoje? Como as mulheres devem viver? Em que tipo de sociedade?” e desenvolveu umha crítica do campo científico vigente.

Como todos sabem, na história, os governantes e detentores do poder estabelecerom os seus sistemas primeiro no pensamento. Como umha extensom do sistema patriarcal, um campo das ciências sociais foi criado, que é masculino, de classe, e sexista. Este campo é, a vez dividido em partes diferentes que som despedaçados longe um do outro. A implementaçom das interpretaçons dessas ciências levou a consequências devastadoras para a natureza, a sociedade e os seres humanos: A normalizaçom do militarismo e da violência, o aprofundamento do sexismo e do nacionalismo, o desenvolvimento desenfreado da tecnologia, especialmente a tecnologia do armamento para o control da sociedade e dos indivíduos, a destruiçom da natureza, a energia nuclear, a cancerígena urbanizaçom, problemas demográficos, industrialismo anti-ecológico, nós que se encontram questons sociais, como a individualizaçom extrema, o aumento das políticas e práticas sexistas contra as mulheres, os direitos e liberdades que só existem no papel.

Neste ponto, propomos a Jinealogia. Observe-se que é necessária para superar o sistema dominante no campo da ciência e para a construçom de um sistema alternativo de ciência. Além disso, entendemos que os campos existentes das ciências sociais devem ser libertados do sexismo.

O termo jinealogia foi usado por primeira vez polo representante do povo curdo Abdullah Öcalan nos seus escritos a partir do 2003, na sua obra “A Sociologia da Liberdade”. Öcalan expressa que as mulheres e todos os indivíduos, sociedades e povos que nom som portadores do poder e o estado precisam desenvolver as suas próprias e livres ciências sociais, que estas ciências poderiam chamar-se Sociologia da Liberdade, que estes, a vez poderia estar baseada na Jinealogia, porque os movimentos que visam umha sociedade livre comunal, igualitária e democrática têm umha forte necessidade da Jineologia.

O termo Jinealogia significa “ciência das mulheres”. “Jin” é curdo e significa “mulher”. Logia derivada do termo grego “logos”, conhecimento. “Jin”, a sua vez vem do termo curdo “Jiyan”, que significa “vida”. No grupo de línguas indo-europeu e no Médio Oriente as palavras Jin, Zin ou Zen, todos significam “mulher”, e muitas vezes som sinônimo de vida e vitalidade.

Na história da humanidade, a mulher foi avaliada como a primeira existência que adquiriu conhecimento sobre o seu próprio eu. A vida e a sociabilidade forom a malha com base em princípios morais e políticos com a mulher no centro. A sociedade natural com os seus valores morais e políticos foi construído pola mulher. Há um vínculo inquebrável entre as mulheres e a vida. A mulher representa umha parte importante da natureza social no seu corpo e no seu significado. Esta é a razom para a associaçom da mulher com a vida. A mulher representa a vida, a vida simboliza à mulher. Por esta razom, a Jinealogia como a ciência das mulheres também é referida como a ciência da vida.

Após um exame das etapas do sistema patriarcal, começando com a civilizaçom suméria, é evidente que os governantes, até hoje, tenhem estabelecido as suas posiçons de poder inicialmente no pensamento. Por exemplo, a distinçom entre sujeito e objeto para as estruturas sociais foi estabelecido por primeira vez polas ciências modernas nas mentes. Esta ficçom imposta à sociedade que o homem é sujeito, a mulher é objeto, Sr. Sujeito, Sra Objecto, dono sujeito, objeto escravo, estado sujeito, sociedade objeto. Esta lógica do poder feai que as mulheres e a sociedade acreditem nessa distinçom de opressores e oprimidos. Usava a mitologia, filosofia e a ciência para esta finalidade. O paradigma do sexismo foi construído neste sentido.

As estruturas do conhecimento exigem debates livres. Mas se olharmos para a relaçom entre conhecimento e poder, isso é difícil de detectar. Neste contexto, o questionamento das estruturas patriarcais, centrada no poder é necessário. Da mesma forma, começando com umha epistemologia em favor dos seres humanos, mulheres, natureza e sociedade, há umha necessidade de umha nova investigaçom, interpretaçom, renovaçom, e consciência. Os princípios, hipóteses e resultados das ciências sociais existentes devem ser re-discutidas e analisadas criticamente. As informaçons correctas e incorrectas devem ser separadas umhas das outras. É de grande importância chegar a umha interpretaçom verdadeira da sociedade histórica.

Hoje, a mulher também representa umha entidade em que umha série de políticas estam a ser feitas. Estas políticas nom estam projetadas para libertar a mulher ou para fortalecer a sua vontade. Devido a estas políticas, a mulher é suprimida, morta e de umha maneira dura ou mole que obscurece o seu passado e presente. Hoje, o conhecimento e a ciência estam nas primeiras fileiras das esferas fundamentais do poder. Com a reproduçom constante de ideologias e políticas nas áreas da política, sociedade, economia, religiom, tecnologia, filosofia, etc., hostis às mulheres e da sociedade, as ciências desempenham um papel importante. A ligaçom entre conhecimento e poder, juntamente com a exclusom da ética, tem empurrado indefinidamente, especialmente na idade de hoje. A natureza sexista da ciência aprofundou e explicou problemas insolúveis, principalmente nesta época.

As ciências sociais em um sentido geral encobrem o fato de que as mulheres som umha realidade social. O entendimento predominante da ciência nom revela tudo aquilo que pertence às mulheres, começando com a sua história. Ao descrever as mulheres e o seu papel na sociedade, o entendimento dominante da ciência determina estatutos sobre as diferenças biológicas entre homens e mulheres. Por exemplo, com base a sua capacidade de dar à luz, afirma-se que as mulheres agem puramente “com base a emocionalidade”. Ou por causa dos atributos físicos dos homens, alega-se que a violência é parte da sua natureza. Estas declaraçons devem ser comprovadas por conceitos científicos e experimentos. Desta forma, as mulheres som feitas para desempenhar o papel passivo, enquanto aos homens lhe som atribuídos um papel activo. A subjugaçom e a violência som retratados como pertencentes à natureza da humanidade e som apresentados como fatos insuperáveis. A ciência é explorada para esta finalidade e os pilares do sistema som, assim, reforçados.

Até hoje, pesquisadoras feministas figerom um trabalho importante salientando as ligaçons entre o conhecimento e o sexismo da sociedade deesde diferentes perspectivas. Com o seu trabalho, tenhem mostrado que a ciência moderna, desde o século 17 em diante, tem umha linguagem e estrutura masculina. Mostrarom que o problema na relaçom entre sujeito e objeto, como base do conhecimento científico, foi fundado com base a metáforas sexistas desde o início. Por exemplo, eles nos mostrarom o quanto da ciência moderna no pensamento de Francis Bacon, que é considerado um dos pioneiros da ciência moderna, mostra umha atitude e linguagem sexista. Bacon considerou a relaçom de conhecimento entre natureza e espírito humano realmente como umha relaçom de dominaçom. Ele gostava de usar a família patriarcal e o casamento como metáforas e estivo envolvido na caça às bruxas. Desde o ponto de vista de Bacon, que é responsável da cita “conhecimento é poder”, a razom é do sexo masculino, enquanto a natureza é do sexo feminino. De acordo com Bacon, a relaçom entre a razom abstrata e a natureza, que foi descartada como matéria sem alma, só poderia estar no control, conquista, seduçom. E por isso que a sua utopia de Nova Atlantis consiste em umha ilha de homens, que tornam o conhecimento e a ciência a base do seu poder.

No conceito moderno do conhecimento do ego, é construído como um sujeito de control pola separaçom do “outro”, isto é, da natureza e do feminino, enquanto estes “outros” som objetivados. Por esta razom, o “outro” é controlado e colocado sob a tirania. Por exemplo, Descartes exclui, elementos empáticos intuitivos de ciência e filosofia. Isso expressa um entendimento masculinizado da ciência. O Positivismo, também, ilustra a partir do entendimento do conhecimento. As Realidades estam desconectados umhas das outras, os problemas som privados de qualquer definiçom, as razons dos problemas som procurados dentro das atuais fronteiras, as raízes históricas estam desconsideradas. De acordo com este ponto de vista, a história está morta. Ela foi vivida e chegou ao fim. Além disso, o positivismo, que aplica leis universais para a sociedade, apresenta os feitos como única verdade imutável.

Esta ciência sexista e preconceituosa explica a história, política, sociedade, economia, cultura, arte, estética e outros temas de ciências sociais de acordo com a sua compreensom do poder. A atitude das ciências existentes em relaçom às mulheres, a natureza, e todos os oprimidos é tendenciosa.

Mulheres cientistas, movimentos feministas e acadêmicas figerom contribuiçons importantes com as suas pesquisas e análises críticas, o que fortalece o nosso trabalho sobre Jinealogia. Importante trabalhos tenhem exposto a análise masculina da história. Além disso, existem universidades das mulheres, departamentos de estudos da mulher, centros de investigaçom das mulheres em todo o mundo. É um dos principais objectivos da Jinealogia construir umha ponte entre essas importantes conquistas. Do ponto de vista das mulheres, é importante trabalhar em conjunto para construir um campo alternativo de ciências sociais, para estabelecer o sistema de estudos das mulheres, para superar a actual dispersom, para fortalecer o fluxo científico e as intersecçons.

O Movimento de Mulheres Livres do Curdistam considera o século 21 como o século das mulheres e dos povos. A questom da igualdade de gênero e a igualdade para todos os oprimidos nunca pressionou tanto antes. A organizaçom correspondente e o desenvolvimento de sistemas e estruturas alternativas é inevitável. Umha análise do sistema extensivo e a superaçom do sexismo som na nossa opiniom metas importantes. Neste contexto, o movimento das mulheres Livres do Curdistam sugere a Jinealogia tanto como soluçom dos maiores paradoxo do nosso tempo, bem como, um método para o desenvolvimento do mundo espíritual de mulheres.

A Jinealogia apresenta umha proposta de intervençom radical na mentalidade patriarcal e o paradigma patriarcal. Neste sentido, a Jeneologia é um processo epistemológico. O objetivo é o acesso direto às mulheres e a sociedade no domínio do conhecimento e da ciência, que está actualmente controlada polos governantes. O objetivo é preparar o caminho para as raízes e identidade das mulheres e da sociedade, que forom separados da sua verdade. As mulheres devem criar as suas próprias disciplinas, chegar as suas próprias interpretaçons e significados, e compartilhá-los com toda a sociedade.

O movimento de mulheres curdas começou a construçom do campo de Jinealogia em 2011. Construindo um sistema educacional para as mulheres e a sociedade, bem como academias de mulheres. As discussons som realizadas sobre temas como as mulheres e as ciências sociais, mulheres e economia, as mulheres e história, mulheres e política, mulheres e demografia, ética feminina e estética.

É necessário expressar cientificamente a existência de mulheres com todas as suas dimensons, bem como para criticar e interpretar quaisquer estruturas de conhecimento relacionados com a história, a sociedade, a natureza e o universo de forma abrangente e sistemático. Porque a mulher é umha existência social, histórica e integral, que tem a sua origem na natureza, a definiçom de existência feminina exige umha mudança radical e profunda do conhecimento e o espírito. A partir da história da colonizaçom do espírito feminino através da colonizaçom económica, social, política, emocional e física, é necessária situar a mulher. É necessário aprofundar e mesclar os dados e interpretaçons científicas que forom alcançados no domínio das estruturas de conhecimento, psicologia, fisiologia, antropologia, ética, estética, economia, história, política, demografia, etc., e levá-los a um sistema científico. A soluçom do problema da liberdade das mulheres será possível com organizaçons e estruturas com base em um extenso campo tal, integrante do conhecimento e as ciências.

Em toda a história da humanidade, as mulheres e os oprimidos resistirom como atores para a liberdade e a democracia. No entanto, nom foi possível ultrapassar o sistema existente dominante. O principal problema é que as forças da liberdade e da democracia nom conseguirom criar um sistema para os seus valores de liberdade, igualdade e justiça, historicizar e tirá-los da parábola do poder. A necessidade de sistematizaçom e historicizar, sobretudo, a construçom de um paradigma mental alternativo.

Por esta razom, é de grande importância para nós, como movimento de libertaçom das mulheres, criar umha mentalidade, ou seja, um campo das ciências sociais que coloca as mulheres e a sociedade no centro. Precisamos ser capazes de criar o espírito do nosso sistema alternativo. E se isso nom acontecer? Em nome da alternativa, os mesmos padrons mentais, métodos e instrumentos do sistema dominante, o próprio sistema poderia ser repetido e reproduzido novamente, desta vez em nome das mulheres e oprimidos.

Esta é outra razom para a Jinealogia. O seu objetivo é decifrar o paradigma do poder, por um lado, mas por outro lado, fazer avançar a soluçom. Nom é suficiente criticar somente o sistema existente, decifrar as insuficiências deste campo ou dizer que umha alternativa deve ser parecida. É importante libertar-se da doença do liberalismo que di “praticar a crítica. Digam-me, como deve ser. Digam-me, qual é a soluçom, mas nom implementar a soluçom, basta fingir que o fas”. Para umha boa, justa e bela vida, o conhecimento nom é suficiente. É necessário superar o sistema existente e construir o novo além dos limites do antigo.

Como os movimentos de mulheres e os movimentos sociais que luitam contra o sistema capitalista e patriarcal, temos que passar por umha nova fase de mudança e transformaçom. O questionamento da influência do sistema existente no nosso pensamento e nas nossas açons deve ser aprofundado. Sem dúvida, a experiência, a mudança, transformaçom e processos de renovaçom dos movimentos feministas abriram o caminho para esse questionamento. Nesse sentido, a Jinealogia é um resultado e continuaçom das experiências e esforços dos movimentos feministas. Surge como umha realidade, que também inclui o feminismo. Enquanto define o objectivo de ir um passo mais longe, é o seu princípio caminhar na trilha das experiências do movimento de mulheres.

Há umha necessidade de conceitualizar a mulher como umha realidade social, para definir a sua existência de acordo com a sua própria realidade, explicar o que nom pertence a ela, determinar o “como” da sua libertaçom e expressar as especificidades da condiçom de mulher para este propósito.

Além disso, é importante nom separar a ciência e o conhecimento do domínio social, para nom elitize, nom para torná-los a base do poder e manter as conexons da sociedade sempre forte. Nas sociedades naturais antes da civilizaçom patriarcal, conhecimento e ciência eram parte da sociedade ética e política. Enquanto as necessidades vitais da sociedade nom exigem isso, nom foi possível explorar o conhecimento para outros fins. Juntamente com a civilizaçom patriarcal, as mulheres e a sociedade forom roubados fora do conhecimento e da ciência. Detentores do poder e as forças governamentais se tornou mais forte com a ajuda do conhecimento e da ciência. Isto levou à separaçom radical do conhecimento da sociedade, especialmente da mulher. Jinealogia tem por finalidade restabelecer esta ligaçom.

Pesquisando a história da colonizaçom das mulheres exigirá a re-escrita da história da humanidade e terá um caráter esclarecedor desta forma. Juntamente com a avaliaçom ampla e profunda do abismo escravizador das mulheres, a soluçom das cifras da sua escravitude martelada também será possível.

Jinealogia irá torná-lo possível para que possamos restabelecer os laços entre conhecimento e liberdade que forom rasgados e afastados uns dos outros. Pois, existe umha relaçom importante entre o conhecimento e a liberdade. O conhecimento requer a liberdade, a liberdade, a sua vez requer conhecimento e sabedoria. A participaçom da mulher na vida social será julgado polo seu grau de liberdade. O desejo da mulher para o conhecimento e a liberdade é também umha aspiraçom pola verdade.

A verdade é a primeira e verdadeira forma de natureza social. Tudo o que foi substancial antes do sistema patriarcal ter sido distorcido por ela. Os estágios de desenvolvimento normal no sistema da sociedade natural representam o que chamamos de verdade. Por este motivo, Jinealogia também descreve o desejo por estas verdades distorcidas. Este esforço está combinado com a nossa busca polo conhecimento, sabedoria e a liberdade.

Importantes tarefas esperam-nos no século 21: o quadro filosófico-teórico e científico da libertaçom das mulheres, o desenvolvimento histórico da libertaçom e resistência das mulheres, diálogos complementares mútuos dentro dos movimentos feministas, ecológicos e democráticos, a descriçom renovada de todas as instituiçons sociais (por exemplo, família) de acordo com os princípios da libertaçom, as estruturas básicas da uniom livre, a construçom de um entendimento alternativo da ciência social com base na libertaçom das mulheres. O campo de umha nova ciência social para todos aqueles círculos que nom fazem parte do poder e do Estado devem ser construídas. Esta é a tarefa de todos os anti-colonialistas, anti-capitalistas, movimentos anti-poder, indivíduais, mulheres. Referimo-nos a estas ciências sociais alternativas como a sociologia da liberdade. Jenealogia pode construir e desenvolver a base dessas ciências sociais. É umha vanguarda a este respeito. Vai tanto construir a sociologia da liberdade e fazer parte dessa própria sociologia.

O movimento de mulheres curda, que tem trabalhado em Jinealogia desde 2011 e que colocou este tema em discussom atribui grande valor aos resultados obtidos até o momento sobre o tema em todo o mundo. Está muito interessado em discutir, compartilhar os resultados, cooperando e aprendendo com todas aquelas que luitam pola liberdade das mulheres.

Como mulheres curdas, dizemos: “O século 21 será o século da revoluçom das mulheres e dos povos”. Acreditamos que a tecnologia vai desempenhar um dos papéis históricos para o estabelecimento de umha mentalidade da libertaçom, estruturas éticas e políticas e umha sociedade livre que coloque a libertaçom das mulheres no centro. Acreditamos que ao desenvolver a Jinealogia e a sociologia da liberdade como umha nova ciência social, transformando-as na base base das nossas luitas sociais, será possível desfiar nós e pontos cegos da história que ainda aguardam a descoberta desde há 5000 anos.

Gönül Kaya é jornalista e representante do movimento de mulheres curdas. Este artigo é a transcriçom do seu discurso sobre Jinealogia na Conferência de março do 2014 em Colônia, Alemanha.

Publicado em Kurdish Question.

 

Kobane, Socialismo e a questom da intervençom: As Misérias da Esquerda na Europa

Guerrilheiros HPGComo o ISIS começou a ocupar as manchetes na Europa, os Estados imperialistas ocidentais também começarom a falar da legitimidade da guerra contra as acçons horríveis do ISIS, polo qual compartilha a responsabilidade.

Umha nova intervençom imperialista voltaria a ser o caso, mas, desta vez contra o ISIS, os inimigos da humanidade. A esquerda na Europa, que quase nunca se interesou polas massacres realizadas polo ISIS anteriormente, opom-se ferozmente a idéia de intervençom a partir de uma interpretaçom tradicional do socialismo. É totalmente compreensível opor-se à ideia de umha intervençom militar, ainda, que qual é a alternativa? Silêncio?

Que é o ISIS ?

O ISIS, conhecido também como ISIL ou IS, beneficiarom-se da situação política e militar complexa e intensa na regiom e auto-declarou-se um Estado islâmico nas regions dominadas polos árabes sunitas do Iraque e da Síria. Atacarom duramente qualquer grupo e manifestarom formas brutais de violência em nome do Islam. Cortando-lhe a cabeça aos “kufars”, violando e escravizando às mulheres, fusilando en massa e vários tipos de manifestaçons da violência tornarom-se em imagens comuns provenientes do Iraque e da Síria. Três opções forom dadas polo ISIS para aqueles que nom som muçulmans sunitas: converter-se ao islam, pagar a jizya (imposto aos grupos religiosos diferente do “oficial”) ou morrer. Diante dessa brutalidade, muitos emigrarom para os países vizinhos. O ISIS está a violar os valores humanos em Mesopotâmia e o mundo ocidental está apenas observando todo como se for um filme feito por um diretor famoso, continuando a falar sobre o novo “filme” e convencendo-se sobre “como de bárbaro é o resto do mundo” .

O ISIS e outros grupos jihadistas nom som novos e nom chegarom do “nada”. Eles venhem atacando aos curdos durante polo menos dous anos, durante os quais os curdos estiverom tentado chegar a esses “pragmáticos” e “racionais” “tomadores de decisons”, a fim de realçar como eles som de perigosos para o futuro de todo o mundo. No entanto, tal como já aconteceu muitas vezes, o Ocidente começou a falar sobre esta organizaçom cruel depois de terem decapitado jornalistas norte-americanos e britânicos e disponibilizado online. Certamente nom é aceitável o que fizeram com os jornalistas; nom teriamos visto tais escenas se as “pessoas que tomam as decisons” só tiveram considerado o que os curdos tinham enfrentado e estavam enfrentando. Nom surpreendentemente, a esquerda na Europa também ignorou a ameaça jihadista para a regiom e a a evoluçom que poderia tomar. É digno de repetir para a esquerda umha vez mais: essas quadrilhas estam a violar os direitos humanos, incluindo os valores da luita revolucionária.

Misérias dos principais partidos e organizaçons da extrema esquerda

Pode-se simplesmente dar centos de razons polas quais a esquerda tem de opor-se e reagir contra o ISIS e o que eles tenhem feito a pessoas inocentes nos últimos dous anos. No entanto, aqueles que supostamente se manifestar contra o ISIS, principalmente os partidos e organizaçons de esquerda, simplesmente nom conseguirom chegar a umha abordagem global, estam mesmo desprovidas de entender o que está acontecendo exatamente e, infelizmente para eles, estám presos dumha interpretaçom ortodoxa do socialismo contra o imperialismo. Eles umha vez mas estam imersos na ruta marginal de culpar aos seus respectivos governos como imperialistas, que na verdade, nom significa quase nada, seja para o governo ou para a sociedade.

No caso específico da resistência contínua dos curdos em Rojava (Curdistam sírio) as Unidades de Proteçom Popular (YPG) estiverom resistindo contra os brutais ataques dos jihadistas e as agressons militares do regime sírio. Os curdos nom optarom pola cooperaçom, quer com o regime ou os principais grupos da oposiçom, devido a razonss muito convincentes e compreensíveis. O regime oprimiu aos curdos, entre outros, por um longo tempo e, portanto, era impossível para os curdos estar junto com o regime político. No entanto, enfrentando dificuldades políticas e militares no contexto da guerra em curso, o regime decidiu-se concentrar nas áreas estratégicas na sua guerra com os grupos de oposiçom e compreensívelmente, nom realizarom ofensivas militares pesadas contra os autodeclarados cantons curdos, em comparaçom para outras regions do país. Além disso, a declaraçom dos cantons curdos da Rojava representava alguns problemas para Turquia, que era um dos países mais verbalmente críticos com o regime sírio. Assim, podemos falar de uma convergência política entre o regime e os curdos, em vez de um acordo por motivos estrategicos. Além disso, os curdos nom poiderom cooperar com a linha principal da oposiçom síria por causa de duas questons centrais. A primeira, a oposiçom árabe nom reconhecem nenhum dos direitos coletivos dos curdos e adiou todas as demandas curdas para um provável período pós-Assad. A segunda, a oposiçom árabe nom tem uma agenda clara para o futuro da Síria. A questom, de se seria umha nova ditadura ou umha democracia nom tem umha resposta clara e convincente e os curdos permanecerom céticos sobre a vontade da oposiçom em relação à democratizaçom.

Levando em conta toda essa história, os curdos optarom por uma terceira linha política e começarom a fazer nos seus cantons umha nova comprensom democrática, inclusiva de todas as diferentes facções da povoaçom. Os cantonss curdos nunca realizarom umha ofensiva contra qualquer grupo, a menos respostaram a um ataque militar prévio. A resistência actual do cantom de Kobane é devido ao ataque brutal dos jihadistas do ISIS e é umha guerra de autodefesa. Os curdos estam facendo umha experiência socialista no Oriente Médio, umha das regions mais desafiadoras do mundo e a esquerda internacional é igualmente responsável pola protecçom desta esperança socialista emergente. Este experimento requer o pleno apoio da solidariedade do mundo socialista e internacionalista. (Para aqueles que estejam interessados no novo modelo da Rojava aqui está um artigo, disponível).

Guerrilheiro em montanhaNo entanto, os partidos e grupos de esquerda da Europa estam longe de compreender o que está acontecendo exatamente no Curdistam e em Kobane, nem tenhem planos para entender o fundo ideológico dos cantons da Rojava. Tenhem que admitir que foram incapazes de compreender a terceira linha política e, assim como os principais meios de comunicaçom vinherom fazendo, posicionando aos curdos em conjunto com o regime de Assad, apesar do fato de que os curdos, que declararom de forma clara e pratica. manifestando um bilhom de vezes que som um grupo da oposiçom. Continuarom a culpar aos curdos de ser um sustituto do regime. Além disso, alguns outros grupos adotaram uma abordagem restritiva e alegarom que, se os curdos nom estam com Bashar al-Assad, em seguida, tenhem que estar com a oposiçom. No entanto, deve-se lembrar às pessoas do fato de que ser contra o regime nom significa automaticamente aceitar todos os análises e projeçons da oposiçom representativa na Síria. Além disso, a oposiçom representativa na Síria também tem o suporte dos “imperialistas” contra o regime. Assim, os curdos entenderom claramente que o lugar certo para ficar era uma terceira linha.

A maioria dos grupos de esquerda começarom a prestar atençom para a questom somente após a coalizom internacional declarou que os ataques aéreos seriam realizadas contra o ISIS. Apesar da crise humanitária em curso no Curdistam, esses grupos tenhem feito a vista grossa sobre a questom e, como sempre, a sua agenda foi definida polos imperialistas mais uma vez. Eles poderiam ter sido em solidariedade com os povos da regiom e com a única experiência democrática-socialista do Oriente Médio. Poderiam ter aumentado a sensibilizaçom sobre a ameaça dos grupos jihadistas antes de que mataram aos jazidis na regiom de Sinjar (Shengal) do Iraque e da ameaça de massacre em Kobane. É claro que a maioria desses partidos e grupos de esquerda som muito dependentes do paradigma “estado-centro” e nom tenhem a sua própria agenda nem a capacidade de mirar adiante. Permanecer em silêncio sobre a questom dos jihadistas é também umha influência para eles. O público europeu é cético sobre os muçulmanos e esse ceticismo está sendo instrumentalizado pola maioria dos partidos populistas de direita. No entanto, quando a esquerda analisa a questom do islamismo na Europa, tem que separar claramente o Islam como umha religiom e o Islam como um regime produto do jihadismo político. A maioria dos grupos de esquerda na Europa nom cumprem com essa separaçom.

Na medida em que a intervençom militar está em causa, os partidos de esquerda parlamentares votarom “nom” a umha intervençom militar e os grupos non-parlamentares protestarom contra a intervençom militar. Eu, pessoalmente, nunca estivem a favor de qualquer tipo de intervençom militar e nunca vou estar. No entanto, há um par de perguntas a serem respondidas neste sentido. Os curdos estam sendo mortos, principalmente, polas armas dos países ocidentais que foram capturadas polo ISIS dos arsenais do governo central iraquiano e as do Exército Livre da Síria, que tinham sido fornecidas por países da OTAN. Assim, nom há uma responsabilidade objetiva dos estados imperiais ocidentais para os povos do Médio Oriente, enquanto eles estam sendo massacrados polas suas armas? Os partidos de esquerda nom devem sentir-se responsáveis de lembrar ao seu governo desta responsabilidade? Qual é a alternativa a umha intervençom militar que esses partidos podem sugerir a partir de uma perspectiva da esquerda? O que podem esses grupos de esquerda fazer enquanto os curdos estam sendo massacrados polos terroristas do ISIS? E uma última pergunta: Por que nom se informarom os partidos de esquerda sobre a questom curda na Síria antes da intervençom militar da coalizom? Nom há umha resposta curta para qualquer umha dessas perguntas, mas umha maior preocupaçom sobre estas questons é vital e essencial. Além disso, diferente do discurso anti-imperialista tradicional, estas questons merecem ser repensadas e reconceptualizadas a partir da perspectiva de esquerda na Europa. No caso contrário, isso nom vai servir de nada, mas que a continuaçom da miséria.

PKK sentado no cume da montanhaOs curdos estam testando um novo modelo democrático-socialista na Rojava que precisa do apoio e solidariedade da esquerda na Europa. No entanto, como os socialistas curdos que vivem na Europa, estamos fartos das intermináveis discussons com grupos de esquerda sem que se tomem medidas concretas. Sobre a questom da solidariedade internacional, a esquerda na Europa está num ciclo de desespero, dirigindo-a numha perspectiva de sofremento, da que se deveria livrar o mais rapidamente possível.

Yasin Sunca