A Solidariedade Tamil com os curdos vai além do Paradigma ISIS-EUA

Tamil Solidarity with Kurds to Go Beyond IS-US Paradigmpor Sitharthan Sriharan, publicado originalmente em Tamil Net

Desde os assassinatos de Mullivaikkal de 2009, a diáspora Tamil focou principalmente os esforços políticos no sentido de exigir justiça para os crimes desumanos cometidos contra civis tâmeis. Embora tais esforços elevaram a consciência internacional sobre as graves violaçons dos direitos humanos cometidos polas forças armadas de Sri Lanka durante a guerra, a abordagem nom produziu resultados em processar os perpetradores dos crimes internacionais. À luz desta situaçom, é imperativo para a diáspora tâmil estabelecer alianças com os curdos e outras povos marginalizados polos estados opressivos e a comunidade internacional.

Isso nom quer dizer que buscar a justiça através dos canais legais estabelecidos nom seja produtivo. No entanto, os tâmeis, especialmente da diáspora, também devem prosseguir a construçom de alianças fora do círculo da comunidade internacional para nom ser vítima das tentativas de suprimir os ideais de libertaçom e de proteger-se contra a apatia que pode crescer à medida que luita dos tâmeis prossegue com recursos limitados. Umha maneira de fazer isso é formar alianças políticas concretas com outras naçons e povos que sofreram de forma semelhante e tenham princípios comparáveis aos tâmeis.

Os curdos destacam como um povo-chave com os quais os tâmeis devem priorizar construir ligaçons. Na luita dos EUA contra o ISIS, os curdos provaram-se como a força de combate mais eficaz no terreno. Os curdos também ideologicamente som opostos o ISIS em idéias de democracia radical, feminismo e ecologia, um feito que nom é relatado nos grandes mídias.

É difícil nom perceber os pontos em comum entre as luitas de libertaçom dos tâmeis e os curdos. Ambos tenhem umha história de militância secular progressista. Além disso, ambos tenhem por objectivo fomentar condiçons sociais mais justas para as mulheres que estam acima e além do status quo das suas respectivas regions.

Também deve-se notar que ambos, os tâmeis e curdos, encontraram-se enfrentando nom so a estados opressivos como a Turquia e Sri Lanka, mas também poderes regionais e mundiais devido aos jogos geopolíticos desempenhados por vários estados. E assim há tanto afinidade de idéias sociais cruciais e a experiência compartilhada na luita pola liberdade entre os tâmeis e curdos. Embora tenha havido solidariedade informal entre os tâmeis e curdos no passado, as condiçons presentes de ambas luitas sugerem que umha aliança Tamil-curdos mais concreta é política e moralmente necessária.

O sucesso que os curdos tiverom nos últimos anos som realmente de significado histórico. Um povo que foi capaz de permanecer politicamente consciente com umha ideologia completamente progressista que apela igualmente a outras comunidades do Oriente Médio.

É por isso que os curdos forom capazes de levar a pessoas de diferentes origens étnicas a aderir-se a eles na experiência e, Rojava do “Confederalismo Democrático”, um sistema político em que a economia e assuntos sociais som controlados por redes de comunidades locais em vez do estado. É também por isso os indivíduos nom-curdos de fora da Síria, como o cidadao britânico Konstandinos Erik Scurfield agora morto-em-batalha, unirom-se às forças militares dos curdos na luita contra o ISIS.

Em última análise, as consequências materiais da revoluçom que os curdos tenhem posto em prática em Rojava é um paradigma do governo para o Oriente Médio que nom é nem islâmico nem umha ditadura secular. Assim, os curdos estam luitando nom apenas para o seu povo, mas para todos aqueles que desejam viver em paz, a liberdade e a dignidade no Médio Oriente e para além del.

Com os ganhos os curdos figerom que muitas potências regionais estejam alarmados do papel que os os curdos estam jogando na re-moldaçom do Oriente Médio. O poder regional mais preocupado com esses “ventos de mudança” é a Turquia. Nom é segredo que a Turquia deu o ISIS algum apoio em grande parte destinado a conter os avanços curdos na Síria.

No entanto, tais esforços falharom como os curdos provarom ser umha força resiliente. Junte isso ao o feito de que o partido pró-curdo HDP consiguiu que o AKP de Erdogan (Partido da Justiça e Desenvolvimento), nom tivera a maioria absoluta nas últimas eleiçons parlamentares, nom é surpreendente que a Turquia tenha optado por um caminho de guerra para resolver a questom curda.

Desde agosto do 2015 a Turquia está em umha guerra genocida contra os curdos em um esforço para esmagar a resistência curda. A natureza e a intençom da campanha “contra-terrorista” da Turquia pode ser deduzida a partir dass declaraçons do AKP para implementar o “modelo de Sri Lanka” em destruir o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK).

Criando as condiçons para essa guerra, as forças turcas tenhem repetidamente imposto toques de recolher em cidades do Norte do Curdistam. Durante estes toques de recolher, militares turcos, policias e indivíduos armados nom registrados assassinarom civis curdos e destruirom edifícios e infra-estrutura. Os civis nom estam autorizados a deixar as suas residências enquanto esses toques de recolher som impostos porque caso contrário eles vam ser disparados ou presos.

Esta guerra suja é acompanhado por um apagom dos mídias. Como na guerra civil de Sri Lanka, nom há observadores independentes na zona de guerra, e os principais meios de comunicaçom ocidentais ignorarom a guerra.

Turquia nom só está travando a sua guerra contra os curdos no norte do Curdistam. Também começou recentemente umha campanha militar contra Rojava com bombardeios e incursons através da fronteira dos militares turcos. Ao mesmo tempo centos de combatentes islâmicos estam cruzando ao longo da Turquia.

Esta guerra continua contra a diáspora curda com a ajuda dos governos ocidentais desde a proscriçom do PKK polos EUA e a UE mantém-se. Esta proibiçom continuada do PKK permite aos governos ocidentais “a realizaçom de operaçons destinadas a reprimir os curdos como o encerramento forçado de instituiçons pró-curdas e prisons arbitrárias de indivíduos por ” apoiar o terrorismo “. Estes esforços acontecerom e continuam a acontecer em paralelo com os governos americanos e europeus que dam apoio material à Turquia que utilizao em operaçons militares contra os curdos na sua terra natal.

Os principais meios de comunicaçom, muitas vezes projetam o conflito como umha luita entre o liberalismo ocidental, simbolizado polos EUA, e o fundamentalismo islâmico, exemplificado pola ISIS. Considerando os jogos geopolíticos desempenhados entre o Ocidente e a Turquia, está claro que este binária apenas obscurece “a guerra contra o terror” tem como objetivo nom só o islamismo, mas também todos os outros povos, como os curdos e os tâmeis, que desafiam dar prioridade na ordem mundial os ditames dos interesses estaduais existentes sobre o direito dos povos à autodeterminaçom.

No trabalho das alianças mais concreto com os curdos e outros povos semelhantes, os tâmeis podem ajudar a consolidar a terceira via aberta polos curdos que combatem o paradigma ISIS-EUA. Fazer isso é um passo crucial para luitar contra as tentativas dos Estados a realizar guerras genocidas, sob o pretexto da luita antiterrorista aos povos que se lhe resistem..

Sitharthan Sriharan é um jovem da diáspora de Eelam Tamil residente nos EUA.

Recolhido de Kurdish Question.

 

Gritos de socorro desde Cizre: “a Kobane da Turquia” sob cerco

Kobane turcopor Joris Leverink

À medida que o conflito na Turquia entra em umha espiral fora de control, dúzias de pessoas forom mortas em Cizre e o exército nom mostra sinais de levantar o cerco.

Os tanques atacam o centro da cidade. A ninguém se lhe permite entrar ou sair. A eletricidade e o água forom cortadas, bem como as linhas telefônicas e o acesso à internet. As pessoas cavarom trincheiras para parar os veículos blindados de entrar nos seus bairros e pendurarom lençóis nas ruas para evitar ser vistos e baleados por atiradores de elite.

Quando lês o de acima cres que é um relatório de Kobane, de quando a cidade síria ainda estava sob ataque do Estado Islâmico (ISIS), na verdade é umha descriçom da situaçom atual em Cizre, umha cidade curda no sul da Turquia.

Cizre sob ataque

Desde que o governo turco impuxo um toque de recolher em Cizre na semana passada, os seus cidadaos forom forçados a permanecer em casa, arriscando-se a ser baleados por atiradores, assim que sair. A cidade está sob assedio total, o que significa que há polo menos umha semana que as pessoas nom tenhem acesso a alimentos frescos ou água, serviços médicos, ou qualquer outra cousa. Mesmo os feridos nom som autorizadas a ser transportados para os hospitais, com o resultado do qual um número de civis morrerom de lesons nom letais devido a perda de sangue e infecçons, entre eles um bebé de menos de dous meses.

Devido à limitaçom do telefone e acesso à internet as notícias do Cizre sitiado que atingem o mundo exterior som apenas fragmentos, o que significa que as informaçons do que está acontecendo dentro da cidade som difíceis de confirmar – um sinal muito preocupante em si.

A fim de romper o cerco – e o silêncio – o co-líder do Partido Democrático do Povo (HDP) Selahattin Demirtaş tem liderado umha marcha na tentativa de chegar à cidade a pé. Em vários casos, esta marcha foi bloqueada pola polícia em cima das ordens do ministro do Interior Selami Altinok do Partido da Justiça e Desenvolvimento no poder (AKP), que argumentou que os deputados do HDP nom estam autorizados a entrar na cidade “pola sua própria segurança.”

Enquanto tentam evadir os bloqueios policiais nas estradas que levam à cidade, seguindo pequenas trilhas através dos campos e montanhas, o co-líder do HDP sugeriu que Cizre estava sendo punido por votar um “84 por cento ao HDP” durante as últimas eleiçons de junho. Demirtaş chamou a Cizre a “Kobane da Turquia”, comparando a situaçom da cidade e a resistência dos seus cidadaos à cidade curda da Síria quando estava sob ataque do ISIS.

“Em Cizre, 120.000 pessoas forom mantidos como reféns polo Estado por umha semana”, acrescentou. “Eles colocam gelo sobre os cadáveres para detêr a putrefaçom, porque os enterros estam proibidos.”

Umha das histórias que mas me chegou é da jovem Cemile Çağırga, que foi baleada pola polícia em frente à sua casa – em que circunstâncias permanece desconhecido. Depois de sucumbir aos seus ferimentos, a sua família é incapaz de transferir o seu corpo para o necrotério, devido ao toque de recolher e a ameaça de ser alvejados por franco-atiradores e artilharia. Durante vários dias, o corpo de Cemile foi mantido em um refrigerador na casa da família antes de que a jovem poidesse ser enterrada.

Violência espiral fora de control

O cerco de Cizre ocorre num momento em que o recente recrudescimento da violência no Sudeste da regiom curda do país parece estar fora de control. Uma emboscada polos guerrilheiros curdos do PKK contra um comboio militar deixou polo menos 16 soldados mortos – mais ou menos segundo os mídias estatais – seguida dous dias depois por um outro ataque mortal em umha furgoneta da polícia, matando mais de 11 agentes.

Em resposta a esses ataques grupos nacionalistas de todo o país sairom às ruas en masse. Em muitos casos, estas marchas começarom como protestos para mostrar a sua indignaçom e raiva, mas rapidamente se transformarom em linchadores dirigidos aos bairros, lojas e pessoas curdas. Umha multitude nacionalista manifestando-se através de um bairro céntrico de Istambul gritavam “Nós nom queremos umha operaçom [militar], queremos umha massacre!”

Locais do HDP eram um objetivo popular das massas brandindo bandeiras turcas, maos erguidas no ar fazendo o “sinal do lobo” – um gesto emblemático de umha organizaçom ultra-nacionalista chamada Lobos Cinzentos, que foi acusada de inúmeros ataques racistas e xenófobos sobre armênios, curdos sírios, e até mesmo o Papa Joam Paulo II. Depois de duas noites de ataques cerca de 130 locais do partido forom destruídos ou queimados, as janelas quebradas e sinais do partido demolidos ou cobertos com bandeiras turcas.

O HDP é percebido por muitos turcos nacionalistas como o braço político do PKK, e, como tal, como umha organizaçom terrorista em si. O sucesso histórico do partido nas eleiçons de Junho, quando recolheu um sem precedentes 13 por cento dos votos e foi capaz de enviar 80 pessoas para o parlamento nacional – a primeira vez que um partido pró-curdo entrou no parlamento turco na história do país – irritou tanto a muitos nacionalistas como apoiantes do AKP.

Os nacionalistas – representados no parlamento polo Partido do Movimento Nacionalista (MHP) – preocupado por ver o que eles percebem como “terroristas curdos” dentro do parlamento; e os apoiantes do AKP virom o sonho de ver Erdogan como Sultan no século 21 foi destroçada quando o partido perdeu a maioria absoluta.

Ambas as partes tenhem razons para ser cautelosos no grande sucesso do HDP. Outra vitória curda nas próximas eleiçons de novembro viria reduzir seriamente as suas aspiraçons para ver os seus respectivos sonhos de umha utopia turca a passar: um país etnicamente puro, livre de armênios, curdos, gregos e árabes, no caso do MHP; e um revivido sultanato sob a liderança de Erdogan, no caso do AKP.

O recrudescimento da violência no leste deve ser analisado à luz das eleiçons nacionais de novembro. Mergulhando o país em umha guerra imediatamente após de quebrar as negociaçons da coalizom serve a dous propósitos. Primeiro, tenta mostrar que, sem o AKP ao volante, o país está “condenado a se desintegrar no caos e na violência”. Em segundo lugar, a escalada da violência é encorajada por causa da crença de que em tempos de crise as pessoas se voltam para um líder forte que promete restaurar a paz e a tranquilidade – se o povo lhe concede poderes excepcionais para o fazer.

Um grito a solidariedade

E enquanto os líderes do partido preparam os seus planos para restaurar o seu poder, mais umha vez as pessoas comuns som as que sofrem mais; a mae que foi baleada por um franco-atirador, segurando o seu bebê recém-nascido nos seus braços; o jovem que se cansou de ficar sentado dentro de casa e decidiu esgueirar-se fora para dar umha olhada rápida, e levou um tiro; os sete filhos que tiveram de cobrir o corpo de sua mae com garrafas de água congelada para parar a descomposiçom do corpo porque ela nom podia ser enterrada depois que fora morta a tiros.

O assédio de Cizre continua em umha violaçom flagrante de todos os costumes e valores que supostamente deveriam determinar as açons de um “país democrático.” É escandaloso que a Turquia, especialmente como um estado membro da OTAN, é permitido para bombardear os seus próprios cidadans, torturá-los coletivamente em nome de “securitizaçom” e a “luita contra o terrorismo”.

No caso de Kobane o clamor coletivo do movimento de solidariedade internacional fixo que a situaçom da cidade fosse impossível de ser ignorada. Vamos tirar as nossas liçons desta experiência e levantar as nossas vozes em solidariedade com o povo de Cizre, Silopi, Sirnak, Yüksekova, Sur e todas aquelas outras cidades, bairros e aldeias que estam sendo punidos por exigir a liberdade, torturados por recusar-se a ceder, presos por simplesmente ser curdos e disparados nas ruas por se atrever a aventurar-se fora das suas casas.

Cizre nom está so, e hora de que faigamos-lho saber ao mundo.

Joris Leverink é um jornalista freelance de Istambul, editor para ROAR Magazine e colunista de TeleSUR Inglês.

A foto é de Sertaç Kayar, mostrando ao deputado do HDP Osman Baydemir brigando com a polícia na estrada para Cizre.

Artigo publicado em Roar Magazine.

 

Mensagem do 1º de maio desde Kobane às Trabalhadoras e Trabalhadores

Kobane's May Day Message to Workers Companheiros e *Companheiras Trabalhadoras!

Organizaçons, sindicatos e Confederaçons sindicais!

Com a fraternidade dos trabalhadores e trabalhadoras do Cantom de Kobanê, o Cantom da revoluçom, da resistência e dos mártires, no primeiro de maio, comemoramos o dia da luita e resistência dos trabalhadores e trabalhadoras contra a tirania, a opressom e a explotaçom do capitalismo!

A revoluçom de Rojava é um ponto de partida histórico dos trabalhadores e trabalhadoras e da luita dos povos oprimidos no Oriente Médio e em todo o mundo, ao reapoderarem a autoridade política; e é a revoluçom das mulheres, jovens e trabalhadores para estabelecer um novo sistema baseado na transiçom do poder para as pessoas; as suas verdadeiras donas. A nossa resistência contra os terroristas do ISIS e os seus patrocinadores internacionais é, nom só para proteger a vida do nosso povo e a dignidade humana, mas também umha resistência para defender as conquistas da revoluçom e do sistema autônomo democrático no que se baseia a democracia radical e a eliminaçom de organizaçons hierárquicas.

Agora, através das heróicas batalhas dos nossos camaradas das Unidades de Proteçom do Povo (YPG) e as Unidades de Proteçom das Mulheres (YPJ), os terroristas foram expulsos de Kobane; no entanto ataca em áreas próximas e o bloqueio das estradas do cantom ainda continua. A nossa resistência entrou agora em umha nova fase mais difícil, a fase de restaurar a vida social de Kobanê, que está sob o cerco econômico e logístico, em uma situaçom onde mais de 80% das estruturas da cidade e das infra-estruturas vitais foram destruídas.

A história da luita de classes mostra que a uniom das trabalhadoras e dos trabalhadores nom tem fronteiras geográficas. Reconhecemos a nossa resistência contra o terrorismo selvagem e os seus promotores internacionais como a resistência de todas as pessoas em todo o mundo. Nós acreditamos que a revoluçom está prejudicando os fundamentos de dominaçom e fundando um novo mundo, garantindo o respeito, a liberdade e a igualdade para todas as pessoas, mas isso requer uma luita feroz e prática. A solidariedade internacional das trabalhadoras e trabalhadores, é a necessidade histórica e material para defender as conquistas de classe e luitar ombro a ombro contra a dominaçom e a opressom do capitalismo.

Nós, as trabalhadoras e trabalhadores e associaçons do Cantom de Kobanê, comemoramos as luitas libertárias e igualitárias dos trabalhadores e povos oprimidos de todo o mundo, e valorizamos o seu apoio e solidariedade com a nossa resistência contra os ataques terroristas, convidamos às nossas companhiras e companheiros trabalhadores, sindicatos, confederaçons e a todos as libertárias, a participar e desenvolver a solidariedade prática com a revoluçom da Rojava e a resistência de Kobanê, e convidamos-vos a juntarvos a nós nesta conjuntura histórica para proteger as conquistas da revoluçom!

Viva as luitas libertárias das pessoas em todo o mundo!

Viva a uniom internacional dos trabalhadores do mundo!

Administraçom do cantom Kobanê

* Em inglês workers traduziria-se por trabalhadores/trabalhadoras ja que nom tem gênero, quando nom se fai explícito ambos géneros é um erro de traduçom e nom do texto original.

A Resistência de Rojava: O renascimento da Luita Anti-Capitalista

por Salvador Zana para ANF

 

YPG flor01O problema que enfrentamos hoje nom é novo. As suas raízes som mais de 6000 anos atrás, como as raízes da própria civilizaçom. Foi entom que algumhas idéias tomarom posse, que atacarom a sociedade como um vírus mortal e após umha longa luita conseguiu infectar o próprio cerne das comunidades humanas em todos os lugares. Essas idéias som essencialmente opostas à própria natureza da humanidade e a própria vida: que a opressom e a escravitude som necessárias, que tenhem motivos e que os seres humanos merecem-nas. A subjugaçom da natureza abriu o caminho para a subjugaçom das mulheres, a subjugaçom das mulheres, pola sua vez permitiu a escravizaçom de homens por outros homens. Desde entom, vivimos sob o jugo desses males infligidos a nós, tendo consciência da sua presença, sem nunca realmente entendê-los. Nom me deterei nesse ponto, como umha mais das cousas sobre Ocalan é que el desenvolveu umha análise mais profunda destas questons que eu ou qualquer outro ser humano poderia esperar realizar nos nossos tempos (embora eu espero que neste prognóstico esteja equivocado). Muito mais urgente é enfatizar que el publicou essas análises do desenvolvimento do estado e da civilizaçom e sugeriu soluçons para os nossos problemas mais prementes.

Incontáveis sábios, apaixonados e corajosos tomarom luita contra este sistema, sempre mudando a sua manifestaçom externa, mas deixando o seu núcleo intacto. Em vez de superá-lo, deram ao sistema novas e poderosas armas, pontos fortes dos seus movimentos forom absorvidos pelo Leviatan insaciável. Este tem sido o destino de todas as luitas revolucionárias ao longo da história que forom capazes de desafiar a hegemonia global.

Estes movimentos tenhem umha base comum. Aparecem próximas a todas as formas imagináveis – religions, luitas pola autonomia e independência, escolas filosóficas, movimentos culturais, ideologias que se autodenominam socialistas, comunistas ou anarquistas. Por mais diferentes que poidamam parecer, estam alimentadas polos mesmos desejos universais da liberdade, de paz e de irmandade. No entanto avançam e som bem sucedidas, em nenhum lugar forom capazes de saciar o anseio por essas metas que existem em todas as sociedades humanas. No entanto conseguirom canalizar as energias que surgem a partir do grande contraste entre esses desejos e a realidade social para os seus próprios fins. As luitas do povo movido contra governos particulares ou grupos privilegiados no melhor e contra as minorias sociais e outros tipos de bodes expiatórios arbitrários no pior caso. O credo de dividir para governar levou aos oprimidos a luitar entre si, enquanto os meios de alcançar a unidade permanecem nas maos dos opressores, com base mais do que qualquer cousa no privilégio hegemônico do conhecimento.

A maioria das luitas falham porque nom possuem umha base de análise, a compreensom da dinâmica da sociedade que é necessária para atingir as verdadeiras origens da crise na que caiu a humanidade. Isso é o que fixo Ocalan um dos revolucionários mais notáveis de todos os tempos. Conseguiu apresentar umha análise profunda da crise, desenvolveu umha alternativa para o dilema atual e puxo em marcha um movimento que está disposto a luitar por esse caminho para sair da crise, tendo como alvo as suas raízes e nom apenas os sintomas do problema. O estabelecimento da autonomia da Rojava como umha confederaçom de comunidades democráticas sem estado pode hoje ser visto como o maior sucesso de mais de 40 anos luita revolucionária implacável.

O projeto da Rojava está agora numha fase crucial. Se ele permanece isolado as necessidades militares e econômicas, juntamente com a pressom ideológica do paradigma capitalista hegemônico vai forçá-lo a se transformar em umha espécie de estado socialista liberal na melhor das hipóteses. Para ser bem sucedido a libertaçom da sociedade precisa expandir-se para as regions que fazem fronteira com o Curdistam e, ainda mais importante, às sociedades do Oriente Médio. O modelo de comunidades autónomas auto-administradas e interagindo em confederaçons descentralizadas só pode prosperar se se expande. O compromisso da revoluçom da Rojava é com a libertaçom da sociedade, o desenvolvimento ecológico e a liberdade das mulheres como os seus mecanismos básicos. É vital para o seu sucesso que os três pontos sejam de todo o coraçom posto em prática.

A quarentena sócio-política atual, bem como a desgastante guerra som tóxicas para o desenvolvimento de formas revolucionárias de vida em umha sociedade na que elas ainda som muito novos. Nada leva a perigosos compromissos com o sistema, como a pressom da guerra.

Para evitar cometer erros imperdoáveis, nesta fase, temos de aprender com os exemplos de projetos revolucionários semelhantes na história. Surpreende como semelhante é à situaçom da guerra civil espanhola 1936-1938 é o que está acontecendo agora na Mesopotâmia. Umha revoluçom comunal anti-estado em movimento por umha organizaçom do povo (PYD, CNT), as tensons entre o Estado central e um povo (os curdos, os catalans) dentro del luitam pola autonomia, umha força de combate revolucionária (YPG, FAI) defender o país contra umha fascista-clerical contra-revoluçom (Daesh, Franco) em aliança com grupos oportunistas (Peshmerga, PSUC) que gostam de apoio das potências internacionais (OTAN, URSS) … Sem dúvida, há também diferenças entre ambas situaçons, principalmente talvez entre os anarquistas catalans e o movimento curdo (a comparaçom analítica destas duas revoluçons é definitivamente o material para preencher mais de um livro), mas o exemplo catalam é indispensável para entender sobre os grandes perigos que temos hoje.

A transformaçom revolucionária na Catalunha estava comprometida cada vez mais sob a pressom dos comunista e a asa-direita-socialistas no governo de unidade. Enquanto os anarquistas revolucionários estavam ligados à frente polos ataques fascistas, os oportunistas passo a passo assumirom a control das cidades por trás das linhas da frente, preparando-se para trair aos revolucionários. Citando as necessidades da guerra levarom aos conselhos para fora das fábricas, restabelerom mecanismos repressivos e formarom um obrigatório “Exército do Povo” (correspondente ao Rojavas Erka Parastina, serviço obrigatório para todos os jovens capazes de seis meses de duraçom), até que finalmente eles traíram primeiro aos socialistas revolucionários e, em seguida, aos anarquistas, atacando oseus centros nas cidades e matando milhares deles. O resultado foi que os fascistas destruírom o que restava da época da República espanhola.

Nunca devemos esquecer a facilidade com que tudo o que se luita pode perder-se se estamos desatentos por um momento. É tam tentador aliviar o longo e difícil caminho para a liberdade, fazendo concessons e acordos com o sistema. Só devemos comprovar que, se tomarmos umha outra maneira, este caminho estará perdido. A guerra levou nos a extrair todas as nossas energias e recursos para a frente, causando um estancamento perigoso no desenvolvimento revolucionário na sociedade. Alcançar os nossos objetivos exige umha mudança de idéias profundamente enraizadas, umha revoluçom de mentalidades. Vai levar mais de umha geraçom. Devemos colocá-lo em movimento agora, se a nossa luita quere ser algo mais do que umha mençom nos livros de dentro de 50 anos.

Rojava ainda tem que provar que pode concretizar a sua visom de umha república sem um Estado. Deve esse esforço, nom só ao seu próprio povo, mas para todos aqueles ao redor do mundo que hoje olham para a Mesopotâmia, com a esperança de que agora há umha idéia tomando posse mais poderosa do que todos os fascistas do mundo. Esta esperança e essa idéia pode ser capaz de levar a algo que é maior do que o Curdistam ou o Oriente Médio. Ela pode levar a um novo começo em empreendimentos revolucionários em todo o mundo.

É errado criticar apenas o estabelecimento do Erka Parastina sem olhar para as razons da sua formaçom. Simplesmente nom há alternativa para resistir contra o Daesh a todo custo – e as YPG / YPJ sozinhas dificilmente conseguem reunir os militantes necessários. O recrutamento forçado nunca é aceitável. Mas por que é que se tornou a única opçom? Todos os revolucionários internacionalistas tem que dar umha dura auto-crítica sobre isso. A defesa da revoluçom da Rojava é a nossa responsabilidade indiscussable. Se tivéssemos cheio as fileiras dos nossos camaradas em tempo, nunca teriam que ter recorrido a um dos instrumentos mais despreciaveis do Estado – forçar meninos e homens jovens para ir à guerra.

Nom é tarde para tomar as medidas certas. Rojava tornou-se um centro revolucionário para as pessoas de todos os continentes vindos para ajudar. Isso nos dá um grande chance da unidade que tanto precisamos para vencer. No momento em que os nossos inimigos nos conhecem melhor do que nós nos conhecemos. Pode ser oexemplo sobre a qual nos juntamos para marchar como umha naçom contra o estado e a opressom. E para um futuro novo.

* Salvador Zana é um revolucionário internacionalista com raízes na Europa e África. El está atualmente com as YPG em Cizîre cantom de Rojava.

Publicado aneriormente em Kurdish Question

Seis meses de resistência: História da vigília na fronteira de Kobanê

Cadeia humanaDurante seis meses, a vigília na fronteira no distrito de Suruç no Norte Curdistam estivo de guarda com a resistência de Kobanê enquanto a cidade cresceu a partir das cinzas. Os ativistas prometerom que vam continuar a vigília comunitária de resistência até que todo Kobanê esteja livre.

Desde os primeiros ataques do Daesh sobre Kobanê, durante o verao, as aldeias ao norte da fronteira de Kobanê testemunharom umha açom de solidariedade na fronteira: umha vigília. Os ativistas pretenderom proteger e apoiar a resistência de Kobanê e monitorar e bloquear as açons do Daesh (que freqüentemente ocorrem com o apoio do Estado turco). Agora, com o centro da cidade liberado e as forças das YPG / YPJ continuando as operaçons nas cidades e aldeias do canton, a vigília da fronteira continua.

Em julho, quando o Daesh atacou desde o oeste, os cidadaos montarom a primeira vigília para vigiar Kobanê nas aldeias ao oeste de Suruç. Em seguida, o 15 de setembro, o Daesh começou o seu principal assalto inicialmente a partir de Til Abyad (Girê Spî), na frente oriental, entom a partir de três lados (leste, oeste e sul). A vigília da fronteira passou de aldeia em aldeia, com as frentes móveis.

Na primeira semana de outubro, com a luita intensificando-se no centro da cidade, a vigília mudou para Etmanek, umha aldeia de frente para o centro de Kobanê. Neste ponto, as forças turcas começarom os ataques mais pesados sobre a vigília, usando gás lacrimogêneo e porras. Os morteiros do Daesh frequentemente fizeram o seu caminho através da fronteira. Os ativistas solidarios, muitas vezes fugindo da repressom dos turcos e o Daesh, mudou-se entre às aldeias do leste de Elizer, Qop, Bethê, Zehwan e Dewşen e as aldeias ocidentais de Boydê, Swêdê, Aşme Serxet, Henêrk e Kolik.

Tal como milhares de pessoas inundarom as vilas de toda a Turquia, Curdistam e do mundo, o Estado turco intensificou as tentativas de removê-los. As forças de segurança anunciarom que a área ao redor das aldeias de Etmanek, Zehvan e Mürşitpınar (Kobanê Serxet) eran umha zona militar. Veículos blindados militares e inúmeros bloqueios trougerom-se em umha tentativa de dispersar a vigília.

Cadeia 05O 29 de novembro de 2014, um carro-bomba foi polo lado turco da fronteira através do portom da fronteira de Mürşitpınar, onde explodiu. O evento atraiu a atençom internacional cara as pequenas cidades fronteiriças.

No 134 dia da resistência de Kobanê, em janeiro, as forças das YPG / yPJ libertarom o centro da cidade, levando a uma atmosfera festiva às aldeias fronteiriças. Milhares dirigirom-se para as aldeias para ver ondeando a bandeira do TEV-DEM (Movimento Democrático de Base da Rojava) no outeiro de Miştenur.

Desde a libertação do centro da cidade, as YPG / YPJ forom empurrando ao Daesh de volta em todas as frentes, levantando a ocupação do Daesh de vilas e cidades em todo o canton.

No oeste, as YPG / YPJ atingirom o rio Eufrates, do outro lado da cidade estratégica de Jarablus, liberando as aldeias de Zor Mixar, Zaret, e Şêxler.

No leste, as YPG / YPJ estam a 15 quilômetros da cidade de Tel Abyad (Girê Spî), criando o pânico entre os membros do Daesh da sua “capital” de Rakka. As forças do Daesh tentarom retardar o avanço ao abrir ataques em Til Xenzir, a 30 quilômetros da cidade de Serêkaniyê no Canton Cizîrê. As forças das YPG / YPJ figerom que a tentativa do Daesh fosse dispendiosa e agora estam avançando cara Tel Abyad daquel lado também.

O 21 de fevereiro, as forças turcas procurarom a ajuda das forças das YPG / YPJ na proteção do túmulo de Süleyman Sah Tomb, um local em solo sírio, mas sob jurisdição turca. Em uma operação noturna, as forças mudarom o túmulo da aldeia de Kereqozax à aldeia de Aşme. Turquia anunciou a operação para o seu próprio público como realizada por forças turcas, embora tenha sido realizado inteiramente sob a proteção e control das YPG / YPJ e o governo do canton.

Dezenas de milhares de pessoas de Kobanê estam agora começando a voltar para a cidade a partir das suas casas temporárias nos seis acampamentos em Suruç, criadas polo Partido Democrático das Regions (PAD) local. Desde já, 30 mil cidadaos estam de volta e as operaçons de reconstrução estam em andamento.

Contanto que a resistência continua, a vigília de solidariedade e a vida comunitária nas aldeias de Suruç vai continuar ao lado del, os ativistas comprometerom-se. Atualmente, esta vida comunitária continua nas aldeias de Mehser, Miseynter e Elizer.

Através do trabalho comunitário, os participantes da vigília construirom o Museu Arîn Mîrxan para comemorar aqueles que perderom as suas vidas na luita. O museu é nomeado assim pola luitadora das YPJ que ela mesma se lançou debaixo de um tanque em um ponto crítico na batalha de Kobanê. Os ativistas também abrirom a Biblioteca Ortakaya Kader, nomeada pola jovem abatida polos soldados turcos ao tentar atravessar a fronteira para se juntar à resistência.

Os hortos cooperativos conseguirom dar novo charme à vila com campos de cebolinha, berros, menta e leituga (alface). Os invernadoiros estaram em breve e a Academia de Ciências Sociais Şehit Zinar também tem planejando abrir as suas portas em breve.

Newroz Suruç 02Agora, nas aldeias onde se forma umha cadea humana ao longo da fronteira para saudar a resistência tornou-se um ritual diário, participantes da vigília estam-se preparando para umha enorme festa de Newroz, o Ano Novo curdo, na aldeia de Etmanek. A celebração atraira dezenas de milhares de visitantes de grupos políticos e organizaçons da sociedade civil de toda a regiom para celebrar a histórica resistência.

Agência de notícias DIHA

http://www.diclehaber.com/en/news/content/view/448143?from=1923065108

Nom, nom som curdo. Desexaria ter essa genealogia ou esse corage e essa valentia.

Nom som curdo“Estou a seguer os acontecementos em Kobanê ao longo das últimas 4 ou 5 semanas cumha sensaçom crecente de orgulho e abatemento.

Nom, nom som curdo. Só desexaria ter essa clase ou esse corage e essa valentia.

Som um canadense e, se se tivera 20 anos menos, marcharía de imediato e, de algum jeito, intentaria-o e chegaria ate Kobanê e faria calquer cousa para ajudar a essas pessoas ainda que esso significasse morrer.
Nom som um grande “Heroe”, mália de que for esso o que faría.

Sempre crim que há pequenos grupos de superguerreiros culturalmente no mundo, e os curdos estam entre eles. Eles nom querem pelejar; só querem que deixem em paz o seu anaco de terra e poidam seguer as suas vidas em paz.

Pola contra, se os golpejas, vas ter que preocupar-te por faze-lo.

Kobanê tem várias gloriosas semelhanzas na história.

É o Álamo, é a evacuaçom de Dumkerke, é Horácio Cocles na ponte, é todos os actos de valentes de defesa em contra dos opressores ao longo da história.

Sem dúvida, Kobanê pode caer mas, o custe vai ser moi alto para os agressores.
Este é um exemplo perfecto de que umhas poucas pessoas valente, dispostas a pelexar ate o final, dispostos a pelexar contra tropas melhor armadas e abastecidas pode-se fazer quando a causa é justa.

Os ataques aéreos da coaliçom ajudam, mas, todo o mundo sabe que nom som o suficentemente efectivos.

Nembargantes, logo dumha longa participaçom em Irak e Afganistam, era o melhor do que iam conseguer dos US, e melhor algo que nada.

O paralelismo mas perturbador é coma Segunda Guerra Mundial onde os paises europeos quedarom quedos mentres Hitler conquistava país tras país e nom figerom nada. Quando Hitler logo invadiu os seus paises, já nom habia ninguem para fazer algo.

Temo-me que no Oriente Médio imos aprender a mesma dolorosa liçom do mesmo jeito.

Por sorte, os curdos estam aló sobre o terreo, porque doutro jeito, o ISIS atravessaria andando o Oriente Medio caendo país tras país.

Os iraquianos nom os poiderom deter, os sirios nom os podem deter, pero, os curdos detiverom-os com os seus mortos. Detiverom-os com corage, persistência e a experiência doutros países e imperios de nom deixa-los sós.

Turquia tem as forças armadas mas grandes no área. Por agora.

Cada barril de petróleo roubado, cada regate pagado, cada fanático extrangeiro, cada peza apresada acerca-os um pouco aos seus sonhos.

De certo, Turquia tem conflictos com os curdos, pero agora mesmo, esso é irrelevante. Todos os países tenhem problemas com alguem.

Pola contra, se abre a fronteira, 200.000 curdos comezar a cruza-la e destruiram ao ISIS. Nom precissaram as suas armas ou o seu treinamento nem a sua ajuda: Som Curdos. Levam confiando em si mesmos durante séculos e contunuaram a confiar neles mesmos.

Acredito firmemente em que se uniram e remataram o trabalho. E que se asentaram em paz numha naçom que teram ganhado.
Essa é a clase de povo que creo que som os curdos.

Entóm, qualquer que for as razons de Turquia nom chegam para apoiar ao ISIS, só que se quite do médio e deixe que a gente perceva a ameaça deste enimigo e quem está disposto a fazer algo ao respeito (e nego-me a chamar-lhes musulmans ou islamistas porque eu conheço aos musulmans e nom som como os assassinos raibossos do ISIS).

Se Turquia nom se aparta, ninguem a vai ajudar com ela nom ajudou a ninguem.

Deixa os teus “asuntos própios” de banda porque, como ja foi escrito: “o enimigo do meu enimigo, é amigo meu.

Sede listos, antes de que seja demasiado tarde”

Richard Wyatt
Http://www.ekurd.net/…/articl…/misc2014/10/syriakurd1558.htm

Por qué está ignorando o mundo a Revoluçom Curda em Síria?

David Graeber. theguardian.com, Mércores 8 Outubro 2014

Kurd Kurdish KurdistamNo médio da zona de guerra síria, um experimento democrático está sendo amachucado polo Estado Islámico. Que o mundo nom seja consciente é umha vergonha.

No 1937, o meu pai vai ir de voluntário a luitar com as Brigadas Internacionais na defesa da Revoluçom española. Um golpe de estado feixista fora temporalmente contido por umha revolta obreira, encabeçada por anarquistas e socialistas e na majoria da Espanha tivo lugar umha verdadeira revoluçom social, levando a ciudades enteiras directamente à gestom democrática, as industrias baixo o control obreiro, e ao empoderamento radical das mulheres.

Os revolucionários espanhois esperavam criar umha vissom dumha sociedade libre que o mundo poidesse seguer. Pola contra, os poderes mundiais declararon umha política de “nom intervençom” e mantiverom um rigurosso bloqueio sobre a república, inclusive depois de que Hitler e Mussolini, começaram a suministrar tropas e armas para reforçar o bando feixista. O resultado vam ser anos de guerra civil que acabarom com a supressom da revoluçom e com um dos mais sanguinentas masacres dum século sanguinhento.

Nunca pensei que eu veria, durante a minha vida, a mesma situaçom repetir-se. Obviamente nengum acontecemento histórico ocorre duas vezes. Há milheiros de diferências entre o que passou no 1936 em Espanha, e o que está a passar em Rojava, as tres províncias majoritariamente curdas do norde de Síria, hoje. Mas algumhas das similitudes som tam impactantes, e tam anguriantes, que sento que me incumbem, como alguem que medrou numha familia cuja política era definida em moitos aspectos pola revoluçom española, ou seja: nom podemos deixar que remate do mesmo jeito outra vez.
A regiom autónoma de Rojava, como existe a dia de hoje, é um dos poucos fachos, de certo um moi reluzente, que emergiu da tragedia da revoluçom síria, Expulsando aos agentes do régime de Assad no 2011, e mália a hostilidade da majoria dos seus vizinhos, Rojava nom só mantivo a sua independencia, senom que é um experimento democrático remarcavel. As assembleias populares fôrom criadas como órgaos de toma de decissom finais, os conselhos seleccionados com coidado equilibrio étnico (a cada concelho, por exemplo, os tres principais conselheiros tenhem de incluir um curdo, um árabe e um cristiam asírio ou arménio, e quando menos um deles tem de ser mulher), há conselhos da mocidade e de mulheres e, cum notável eco das milicias Mujeres Libres de España, um exército feminista, a milicia YPJ Estrela ( a uniom das mulheres livres, a estrela fai referencia à antiga deusa mesopotámica Ishtar), que tenhem desenrolado umha boa parte dos combates contra o Estado Islámico.

Como pode acontecer algo assim e ademais ser ignorado practicamente pola comunidade internacional, e inclusive, dum jeito amplo, pola esquerda internaciona? Sobretodo, semelha ser, porque o partido revolucionário de Rojava, o PYD, é aliado do Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK), um movimiento guerrilheiro marxista que desde o 1970 esá numha longa guerra contra o Estado turco. A OTAN, a UE e os USA clasificam-nos de organizaçom “terrorista”. Mestres que a esquerda chamam-lhes estalinistas.

Mas, de feito, o PKK mesmo deixou de ser algo que se asemelhe nem um chisco ao antigo partido leninista e vertical que algum dia foi. A sua evoluçom interna, e a conversom intelectual do seu fundador, Abdullah Ocalan, prisioneiro numha ilha turca desde 1999, levarom-os a trocar enteiramente os seus objectivos e tácticas.

O PKK declarou que nom procura um Estado curdo. Em troques, inspirado em parte pola visom do ecólogo social e anarquista Murray Bookchin adoptou a visom do “municipalismo libertário”, chamando aos curdos à criaçom de comunidades livres e autónomas, baseadas nos principios de democracia directa, que logo se uniriam mas lá das fronteiras nacionais, que com o tempo perderiam o seu significado. Neste sentido, propugerom que a luita curda poderia converter-se num modelo para um movimiento mundial de cara a umha auténtica democracia, economía cooperativa, e a dissoluçom gradual do burocrático estado-naçom.

Desde o 2005, o PKK, inspirado na estratégia dos rebeldes zapatistas de Chiapas, declarou um alto o fogo unilateral com o estado turco e começou a concentrar os seus esforços a desenvolver estructuras democráticas nos territórios que controlavam. Alguns tenhem questionado quanto de sério era todo esto. De certo, quedam elementos autoritários. Mas o que passou em Rojava, onde a revoluçom síria dou aos radicais curdos a oportunidade de levar à realidade estes experimentos num amplo territorio contíguo, sugire, que nom é fachada.Tenhem-se criado conselhos, assembleias e milicias populares, as propiedades do régimen tenhem-se entregado a cooperativas gestionadas polos trabalhadores, e todo esso, mália os ataques contínuos polas forças da extrema dereita do Estado Islámico. Os resultados cumprem com qualquer definiçom de revoluçom social. No Oriente Médio, como mínimo, estes esforços tenhem-se notado: sobre todo depois de que o PKK e as forças da Rojava intervissem abrindo-se camino com éxito ao través do territorio do Estado Islámico no Iraq para rescatar a milheiros de refugiados Yezedis atrapados no monte Sinjar logo que os Peshmerga locais fugiram. Estas acçons vam ser amplamente celebradas na regiom, mas “curiosamente” quase nom chamarom a atençom na prensa europeia e norde-americana.

Agora, o Estado Islámico voltou com dúzias de tanques feitos nos USA e artilheria colhida das forças iraquis, para se vingar das mesnas milícias revolucionárias de Kobanê, declarando a sua intençom de masacrar e escravizar – si, literalmente escravizar – a toda a povoaçom. Mentres, o exército turco mantem-se na frontera evitando que os reforços ou a muniçom poidam chegar aos defensores, e os avions dos USA pasando por riba fazendo ataques puntuais, simbólicos e ocasionais – polo que semelha, só para dizer que vam intentar apoiar aos defensores dum dos maiores experimentos democráticos do mundo.

Se há um paralelismo melhor que os assassinos falanxistas, devotos superficiais de Franco, quem senom o Estado Islámico? Se há um paralelismo com as Mujeres Livres de España, quem poderiam ser senom as valentes mulheres que defendem as barricadas em Kobanê? Será o mundo, e mas escandalosamente, a esquerda internacional – de verdade cómplice em deixar que a história volte a se repetir?