Estou como Diyarbakir: desassossegada, furiosa, ressentida, mas ainda estou em pé!

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TOMAs turcos em Amed

Por Nurcan Baysal  

Enquanto os nossos representantes eleitos estám presos, sabemos que o governo selecionou um grupo de pessoas de famílias influentes para lançar um novo “processo de paz”.

No último venres, 370 organizaçons da sociedade civil forom fechadas polo governo sob a alegaçom de apoiar grupos terroristas. 50 dessas organizaçons som de Diyarbakir [Nome turdo da cidade de Amed, considerada  a capital de Bakur, o Curdistam sob administraçom turca], a minha cidade. Há associaçons que apóiam as famílias que perderom as suas casas durante os toques de recolher ou famílias que vivem abaixo da linha de pobreza na regiom. As associaçons que defendemm os direitos das mulheres e das crianças, os direitos lingüísticos curdos, as pessoas “desaparecidas”, pola reconciliaçom, a cultura curda, os direitos dos avogados forom todas fechadas polo governo.

Sarmaşık é umha das associaçons que estava trabalhando sobre a pobreza. Sarmaşık tem regularmente dado apoio alimentar a 32.000 pessoas todos os meses durante os últimos 11 anos.

2 dias atrás, eu estava caminhando para o encontro com a imprensa de Sarmaşık para protestar contra o seu fechamento. Havia muitos tanques, TOMAs [veículo anti-distúrbio com canos de água] e policias na entrada da rua. No encontro com a imprensa, havia so umha câmera, porque a maioria dos meios de comunicaçom forom fechados 2 meses atrás. Havia apenas 10-15 pessoas participando da reuniom de imprensa, mas havia dúzias de policias bloqueando a rua.

Após o encontro com a imprensa, eu estava sentado em um café. Apenas algumhas mesas estavam cheias. O proprietário do café dixo-me: “Depois da prisom do presidente Selahattin (Selahattin Demirtaş, co-presidente do Partido Democrático do Povo), o café ficou vazio por alguns dias. Agora as pessoas começaram a voltar, mas nom é como antes. Há umha grande tristeza.”

Outro dono de loja em Suriçi dixo que as pessoas na cidade estám com medo e muitas pessoas nom visitaram a área de Sur há meses [Sur é a parte antiga amuralhada património da humanidade que estivo meses sob toque de recolher e foi arrassada polo exército turco ante o silêncio da comunidade internacional e a UNESCO]. Em umha cidade cercada com milheiros de tanques, TOMAs, polícia e exército, esse medo é muito compreensível.

Além do medo, existem outras razons para o silêncio na cidade.

Os curdos luitarom pola paz por muitos anos. Apesar de cem anos de injustiça, indignaçom e pressom, os curdos, com os seus municípios, representantes políticos e sociedade civil, apoiarom a paz com todas as partes do seu ser. O Estado turco tem respondido a estes esforços de paz com indignaçom, assassinatos, bombardeios e encarceramento. Esta foi umha grande decepçom. Os curdos ficarom profundamente ofendidos polo Estado. Os curdos estám desesperados. As pessoas sofrem aqui. Eles estám ressentidos e tristes. É realmente difícil saber como esses sentimentos afetaram o futuro.

Todo na cidade lembra-nos que estamos em guerra. Em todos os lugares está cheio de barricadas policiais. Os edifícios do município, as estradas principais, mesmo os parques da cidade estám cercados por barricadas da polícia. Ao caminhar na cidade, temos de passar entre as barricadas, tanques e TOMAs. Enquanto comemos em um restaurante, comemos nossa comida entre policias que carregam grandes armas. Mesmo o Parque Anıt, o parque infantil no centro da cidade está cheio de bandeiras turcas. As nossas antigas muralhas da cidade estam cobertas com grandes bandeiras turcas. Há polícias vestidos de civil ou uniforme, soldados e equipes especiais em todos os lugares, em cada esquina, em cada rua.

Nom é fácil viver assim, manter-se de pé, segurar a esperança. Não é realmente fácil continuar vivendo.

Já nom temos os nossos meios de comunicaçom. Foram fechados. Nom temos mais organizaçons da sociedade civil. Forom fechadas. Já nom temos o nosso governo municipal democraticamente eleito. Administradores estatais forom nomeados para administrar os nossos municípios. Nom temos mais os nossos representantes no parlamento. A maioria deles forom detidos. Prender os nossos representantes eleitos foi esmagador. Nom so como indivíduos, mas como cidade, como comunidade todos nós sofremos!

Enquanto os nossos representantes eleitos estam na prisom, nós sabemos que o governo selecionou um grupo de pessoas de famílias influentes para lançar um novo “processo de paz”. Lançar um “processo de paz” sem representantes curdos parece absurdo. Eu amaldiço este país, que continua a cometer os mesmos erros ano após ano.

Meus amigos que vivem no Ocidente, muitas vezes me ligam e perguntam: “Como estás?

Eu estou como Diyarbakir: desassossegada, furiosa, ressentida, mas eu ainda estou em pé!

The Kurdish People Are Proud Of You Mehmet Tunç nurcan-baysalNurcan Baysal é umha autora curda que publicou numerosos livros e artigos sobre a questom curda da Turquia.

Publicado em opendemocracy.

 

“A resistência é vida, o silêncio é morte”: Entrevista exclusiva com Faysal Sariyildiz

Faysal Sariyildiz 01O deputado Faysal Sarıyıldız do Partido Democrático do Povo por Şırnak foi a única fonte de informaçom desde dentro do distrito sitiado de Cizre nos últimos dous meses. El informou à opiniom pública através das mídias sociais e fixo muitos apelos a organizaçons internacionais para acabar com o cerco em Cizre e impedir a massacre de civis.

Sarıyıldız foi eleito por primeira vez para o Parlamento em 2011 como candidato do Partido da Paz e a Democracia (BDP), o antecessor do HDP, enquanto el estava na prisom por alegada pertença a umha organizaçom terrorista. Foi preso em 2009, como parte das operaçons conra a KCK e liberado em 2014 sem ter sido julgado ou condenado. Foi re-eleito para o Parlamento em 2015.

Kurdish Question entrevistou o Sr. Sarıyıldız na esteira das massacres dos sotos para ter umha imagem mais clara, sem censura e imediata da situaçom em Cizre.

Onde está agora Mr. Sarıyıldız?

Estou no distrito de Cizre de Şırnak, onde há um toque de recolher durante 62 dias sob as ordens do governo do AKP e a decisom do Governador de Şırnak.

Em quais bairros estam ocorrendo as operaçons e assédios?

As operaçons e assédios nom estam limitados a certos bairros. O assédio está a ser implementado em cada canto do centro do distrito. No entanto, há umha concentraçom nos bairros de Nur, Cudi, Sur e Yafes, que estam sob intenso ataque e assédio.

Qual é a povoaçom que vive nesses bairros neste momento?

De acordo com o censo do 2015 a povoaçom de Cizre é de 131, 816. Os quatro bairros que mencionei componhem os 2/3. Devido aos ataques devastadores e extra-legais do estado, as pessoas que vivem nos bairros Cudi, Nur e Sur forom totalmente deslocadas, enquanto mais da metade da povoaçom em Yafes também deixarom as suas casas. Além disso, a política de deslocamento forçado do estado também foi implementado em bairros onde os ataques nom se estam concentrando. Podemos dizer que mais de 100.000 pessoas forom deslocadas.

Há mais de 2 meses que Cizre estivo sob assédio; que estam comendo e bebendo a gente, ou seja, como estam vivendo?

As pessoas consumirom tudo do que se tinham abastecido durante este tempo. Em Cizre, as relaçons sociais e de vizinhança som fortes. Além disso, há solidariedade coletiva porque as pessoas pertencem à mesma identidade política. No entanto, há sérias dificuldades por causa da duraçom do cerco. Por exemplo, o estado permitiu somente um par de lojas abertas determinados dias. Mas só as pessoas que vivem perto destas lojas poderiam tirar proveito disso. As pessoas que vivem longe dessas lojas nos bairros sob fortes ataques nom podem acessar as suas necessidades. Porque se saes da casa para comprar pam podes ser baleado ou atingido por estilhaços de um morteiro; em suma, morrer. O preço de sair a rua é a morte. Além disso, a polícia recentemente impediu que estas lojas abram.

Ao mesmo tempo, as forças estatais impedirom a dúzias de camions que continham alimentos e outras necessidades enviadas de todo o país como ajuda entrar no distrito.

Por causa dos ataques a infra-estrutura do distrito foi destruída. As forças do estado conscientemente atacarom o sistema de água e de águas residuais, bem como os transformadores de energia elétrica. Houvo falta de água durante dias. Um trabalhador do município foi para amanhar os tanques de água danificados, mas foi baleado no braço polas forças estatais; o seu braço tivo que ser cortado.

As pessoas chamam-no pedindo ajuda? Que tipo de cousas pedem?

O pedido mais comum durante o cerco foi polos cadáveres e feridos para ser levados os hospitais. Os pedidos de ajuda das pessoas retidas nos edifícios, as pessoas que estam sob ameaça de morte e as pessoas cujas casas forom queimadas também som comuns. Isso ocorre porque o Estado desligou todos os canais de comunicaçom entre as instituiçons e as pessoas; nom há nengumha via de diálogo. Os municípios nom som capazes de levar os serviços para as pessoas devido ao cerco e toque de recolher.

As pessoas pensam que porque eu som deputado eu poderei atender os seus pedidos. No entanto por causa de ser da oposiçom e a linha política que represento, os pedidos que eu fago nom deve som levados em consideraçom. Os cadáveres e feridos forom deixados nas ruas durante dias apesar dos repetidos apelos para que poidam ser recuperados. Pedidos como estes seriam atendidos imediatamente em países onde há umha democracia enraizada e a justiça e o direito está em vigor. Mas os pedidos humanos som ignorados na Turquia, que é administrado por um governo anti-democrático e totalitário.

Onde é que as pessoas que migrarom de Cizre forom? Tem algumha informaçom sobre a sua situaçom?

As pessoas que tiveram que deixar as suas casas e meios de subsistência por causa dos constantes e graves ataques por parte das forças estatais. Quando os curdos falam de devastaçom e desastre fam referência a Kobanê e Sinjar. Dous terços de Cizre em verdade nom som diferentes de Kobanê e Sinjar. As casas forom viradas em ruínas. Quase nom há casas que os bombardeios de tanques e morteiros nom bateram. Esta foi umha política consciente para deslocar as pessoas. As forças do governo violarom o direito à vida.

Houvo migraçom interna no primeiro mês do cerco. Os ataques estavam concentrados nos bairros Cudi, Nur, Yafes e Sur. As pessoas forçadas a se deslocar destas áreas migrarom para o centro do distrito ou bairros onde os ataques eram menos graves. Alguns forom morar com parentes e outros forom acolhidos por pessoas. No entanto, quando os ataques começarom a se espalhar para esses bairros, mais umha vez migrarom, desta vez para as aldeias vizinhas, o centro de Şırnak, Idil, Diyarbakir e cidades turcas. Na década de 1990 os ataques do Estado provocarom que os curdos migraram das zonas rurais para as zonas urbanas, agora está ocorrendo o oposto; porque o estado está a transformar as cidades curdas no inferno.

Por que o estado está atacando Cizre tam severamente?

Se analisarmos o significado histórico e político da Cizre, pode-se ver que tem umha qualidade simbólica, tanto para o estado como também para o povo curdo. Para compreender por que o Estado declarou o mais longo cerco e toque de recolher e cometerom atrocidades, impedindo as pessoas de enterrar os seus seres queridos e a queima de pessoas vivas, deve-se olhar para a história da resistência em Cizre.

Durante toda a década de 90 Cizre foi o lugar de maior tirania e repressom. Os feitos na celebraçom do Newroz (Ano Novo curdo), em 1992 ainda estam frescas na nossa memória. Mais de 100 civis forom mortos e centos feridos em ataques para evitar as celebraçons do Newroz. Nos mesmos anos as aldeias forom arrasadas, as migraçons forçadas, execuçons extrajudiciais e as valas comuns forom moeda diária em Cizre. O Estado viu os direitos humanos e as liberdades básicas como luxos para as pessoas deste distrito.

No entanto, apesar de toda a violência e repressom, entom e agora, o povo de Cizre nom deu nengumha concessom e nom se ajoelhou. A demanda de Cizre pola liberdade e igualdade e a resistência contra as políticas do Estado turco de negaçom e assimilaçom foi sempre inquebrável. Apesar da política de assimilaçom do estado Cizre resistiu a turquificaçom e protegeu a sua autêntica identidade cultural e política independente. É por isso que sempre foi um alvo para quem está no poder. Assim como Cizre estava no coraçom da rebeliom contra o Império Otomano em 1847, tornou-se símbolo da resistência para o povo curdo na década de 1990.

Portanto, o estado acredita que se Cizre, como um dos centros de resistência, é liquidado, entom podem fortalecer a sua soberania nas outras cidades do Curdistam. Mas eu acredito que a barbárie do Estado em Cizre durante o cerco foi gravada na memória coletiva do povo tam profundamente que vai criar raiva e umha reaçom organizada. As pessoas aqui forom obrigadas a umha experiência desumana e tirânica que vai passar de geraçom em geraçom.

Faysal Sariyildiz 02Que significam as barricada e trincheiras?

Significa umha forma de auto-defesa contra a política de negaçom e aniquilaçom do Estado. É claro que o povo curdo nom está feliz com a vida atrás das trincheiras, no meio de batalhas, deixando as suas casas e enterrando os seres queridos todos os dias. No entanto, há umha insistência em que os curdos vivem como escravos. Aqueles por trás das trincheiras se oponhem a isso. A maioria deles estiverom discriminados polo Estado; detidos, presos e torturados ou perderom um parente na guerra ou incendiarom a sua aldeia. Eles nom confiam no Estado. Eu sei disso porque me reunim com os jovens o ano passado, quando as negociaçons (entre o movimento curdo e o estado) ainda estavam em andamento, para que eles fecharam as trincheiras. Eles escutarom o chamado de Öcalan e figerom-no. No entanto, o mesmo dia as forças estatais dispararom e matarom umha criança, Nihat Kazanhan, desde um veículo blindado. É o conceito de guerra do estado que obrigou a Cizre a cavar trincheiras.

Há diálogo entre você e os funcionários / instituiçons estaduais?

Apesar das muitas tentativas de fazer contato e atender durante todo o cerco, o governador de distrito Cizre nom respondeu o telefone nem respondeu aos nossos pedidos para umha reuniom. O diálogo com a polícia nom evoluiconou além das constantes ameaças que nos fam.

Quem acha que está comandando as operaçons militares em Cizre? As forças de Ancara ou as locais? Quantas equipes das forças especiais, soldados, policiais etc. há em Cizre no momento?

O que aconteceu em Cizre nom é umha questom local. O mesmo aconteceu e continua a acontecer em muitas outras vilas e cidades curdas. Os funcionários do governo também afirmarom em várias ocasions que esta é umha operaçom global. Por isso, é claro que estas operaçons estam sendo planejadas e usam as instituiçons burocráticas e instrumentos políticos de todo o estado. Em março do 2015, quando o processo de resoluçom ainda estava em curso, o governo do AKP aprovou o projeto “Paquete de Segurança Interna” no Parlamento como preparaçom para o que está acontecendo hoje. Todas as operaçons que som implementadas aqui som suportadas, incitadas, e dirigidas por autoridades estaduais e do governo, incluindo o presidente, primeiro-ministro, ministro do Interior, ministro da Defesa, chefe de gabinete, governadores provinciais, governadores etc. Aqueles que executam a operaçom no terreno som pessoal do Estado. Eles estam pagos polo Estado e estám usando equipamento militar do estado. Há mais de 10.000 soldados e forças policiais especiais participando activamente na operaçons em Cizre. Se levarmos em conta todos os tipos de artilharia pesada, existem suficientes soldados e forças especiais para verificar cada casa em Cizre.

Houvo massacres em 3 sotos. Poderia dar-nos algumha informaçom concreta sobre estas massacres?

Havia cerca de 130 pessoas nos ‘3 sotos da morte’, a metade deles mortos ou feridos. Eu e as famílias dos presos falamos com a delegacia da polícia Cizre e a equipe de saúde do estado inúmeras vezes de levá-los para o hospital. Mas cada solicitaçom foi recusada por motivos de “segurança”. Os edifícios com os feridos presos forom atacados por vários dias. Eles forom deixados sob os escombros, sem comida e água por vários dias. O Estado violou todas as regras humanas e legais e massacrou os feridos de umha forma selvagem.

Nom temos informaçons concretas sobre o primeiro soto. Mas as ambulâncias do município recuperarom os corpos que forom tirados a rua polas forças estatais a 50 m de distância do soto. Nom sabemos ao certo se forom retirados do prédio. No entanto, temos a certeza de que polo menos 110 pessoas que se refugiarom nos edifícios forom massacrados, a maioria deles queimados vivos. Há polo menos 28 pessoas desaparecidas. (Umha vez que a entrevista rematara confirmou-se, que polo menos, 145 pessoas morreram).

Umha vez que o bloqueio marcial começou 62 dias atrás 209 pessoas forom mortas, as identidades de 80 pessoas forom confirmadas, enquanto o resto ainda nom estam claras. Nós acreditamos que o número de vítimas vai subir. Há muitos mais cadáveres nas ruas e nas casas.

O Estado e a imprensa turca afirmou que essas pessoas nom evacuarom os sotos apesar dos apelos. Por que essas pessoas nom deixarom os sotos?

As afirmaçons de funcionários do Estado e os meios de comunicaçom de que as pessoas nom evacuarom os sotos apesar de ter a oportunidade som para enganar a opiniom pública internacional. Se isso fosse verdade eles poderiam prova-lo. Tivem contato por telefone com as pessoas assediadas, falamos muitas vezes. Conheço muitos deles do seu trabalho na esfera social, política e de mulheres. Quase 50 estudantes universitários que tinham viajado a Cizre em solidariedade também estavam entre os feridos. Quando as ambulâncias tentarom alcançar os sotos as forças do estado tiroteiarom a cena e nom lhes permitirom a entrada na área por razons de “segurança”. Em vez de permitir que eles foram levados para o hospital, desde o início o estado abandonou à morte e queria massacrá-los. Eles figerom isso, queimarom-os vivos.

Com esta massacre do estado, à sua maneira, queriam ensinar aos que resistem a liçom e também o castigo e intimidar as pessoas de outras cidades curdas; isso também era umha ameaça para os que estám contra o estado nas cidades ocidentais da Turquia. Usando a retórica “Estamos perdendo o país polos terroristas”, o governo tentou esconder as suas práticas extra-legais e consolidar o bloco nacionalista e conservador.

Além disso, devido à crescente supressom dos meios de comunicaçom nos últimos anos, é impossível falar de uns mídias livres que informaram do que está acontecendo aqui. Os meios de comunicaçom atuais estam no lugar para legitimar todas as açons do governo e do estado. Um pequeno grupo de meios de comunicaçom livres som constantemente reprimidas com os jornalistas sendo mortos, presos e impedidos de fazer o seu trabalho. Portanto, nom é possível obter informaçom imparcial ou detalhada sobre o que está acontecendo nas cidades curdas nos mídia. Em suma, o Estado está a implementar todos os métodos de guerra psicológica à sua disposiçom.

Sabemos que os sotos em Cizre tenhem um significado especial. Desde os anos 90 as pessoas refugiarom-se nos sotos. Poderia contar mais sobre isso?

Um soto ou adega é um espaço onde as pessoas se refugiam dos ataques do estado. Este espaço é, especialmente para Cizre, histórico. Tendo experimentado a tirania do estado, a soluçom de Cizre forom os sotos. Se o povo de Cizre nom tivera construído sotos para defender e proteger-se, massacres maiores poderiam ter ocorrido.

Você é deputado por Şırnak. Umha criança desta cidade. Sabemos que perdeu muitos amigos recentemente. Como descreveria o seu estado de ánimo? Poderia nos contar o momento em que mais luitou?

O sofrimento em Cizre foi indescritível. Como podoo distinguir entre a dor causada pola morte da mae Hediye, que depois de me pedir ajuda durante umha semana, foi morta por um projetil de tanque, ou o assassinato do bebê de 3 meses Miray e o seu avô em umha emboscada sangrenta ou a morte do meu amigo Aziz, que foi morto por um único tiro na cabeça quando se dirigia salvar a umha mulher ferida, ou a perda do meu camarada Seve, que escondeu a sua convicçom na revoluçom no seu sorriso? Mas umha criança escreveu “A resistência é vida, o silêncio é morte” em umha parede com carvom em meio do bombardeio de tanques também me afetou profundamente. Porque este foi o grito de Cizre …

Eu acho que essas palavras e frases explicam Cizre e o meu estado mental; silêncio, gritos desoladores, resistência, vida, destroços, água, tirania, migraçom, coragem, liberdade, rostos ensangüentados, jovens com rostos luminosos, esperança…

Fixo chamadas a muitas organizaçons internacionais recentemente. Recebeu algumha resposta?

Nom houvo resposta significativa ou medidas tomadas em resposta às cartas escritas e as chamadas feitas por mim e o Partido Democrático dos Povos até agora.

Como podem ser paradosos ataques do Estado ?

Tanto quanto nós podemos dizer as forças estatais nom tenhem a intençom de cessar os ataques no futuro próximo. O estado quer encobrir o seu fracasso político na Síria e Rojava com esses ataques. Além disso, quer desacreditar, criminalizar e suprimir a motivaçom criada polos desenvolvimentos em Rojava, bem como as exigências feitas polos curdos durante o processo de soluçom, que forom vistas polo mundo como legítimas. A oposiçom unificada e organizada formada polas forças democráticas é a única cousa que pode enfraquecer os ataques do Estado. O apoio da opiniom pública internacional também é muito importante.

Onde acha que os desenvolvimentos nos estam levando?

A situaçom actual da economia capitalista significa que os recursos energéticos e as suas vias tornarom-se questons importantes. As potências imperialistas estam constantemente fazendo novos movimentos devido às consideráveis reservas de petróleo e gás na regiom. Os desenvolvimentos aqui, especialmente desde a primeira Guerra do Golfo, estam criando novas contradiçons, novas alianças, novos problemas e novas oportunidades todos os dias. Além disso o sectarismo está sendo aprofundado usando o Daesh (ISIS). Junto com isso nós igualmente temos os desejos democráticos e as luitas dos povos da regiom contra os regimes autoritários.

Um dos exemplos mais importantes disso som os curdos. Os curdos querem a democracia e o auto-governo. Há umha luita ativa por isso em Rojava. As demandas na Turquia dos curdos estam a ser recusadas; a sua luita criminalizada, suprimida e deslegitimiçada. No entanto, nesta era da comunicaçom nom vai ser tam fácil como era antes negar a demanda do povo pola democracia, a igualdade e a liberdade. Os curdos continuarám luitando por isso; a sua demanda por umha “cidadania igual e livre” na Turquia é significativa e preciosa. É umha exigência universal, legítima e democrática. Entom, até que um regime democrático no que os curdos tenham um estatus e opiniom vai continuar esta luita.

Obrigado por dar-nos esta entrevista e polo seu tempo.

Obrigado.

Esta entrevista foi publicada em duas partes 1 e 2 em Kurdish Question.

 

Chamada urgente: Nom esperes até amanhá quando seja tarde demais para Sur!

Chamada Urgente
O estado de sítio permanente declarado polo governo do AKP em várias províncias curdas desde o 16 de agosto do ano passado continua a agravar a situaçom extrema que compromete os direitos humanos básicos e as liberdades na área, incluindo o direito à vida e à segurança pessoal.

Até hoje, os toques de recolher declararom-se em sete províncias e vinte municípios, em 395 dias. Esta política de Estado clara e diretamente viola os fundamentos da Constituiçom da República da Turquia, bem como os princípios básicos do direito internacional humanitário, em primeiro lugar as disposiçons da Convençom de Genebra para a proteçom de civis em zonas de guerra e de conflito. O exemplo mais claro de violência sistemática e massacres cometidos, acaba de dar-se na cidade de Cizre, na província de Sirnak, tudo sem que a opiniom pública turca e internacional se manifestaram: polo menos 165 civis que se refugiaram nos sotos de edifícios residenciais em meio de operaçons militares forom bombardeados até a morte polas forças de segurança turcas. Enquanto o governo AKP continua a negar a sua responsabilidade nas massacres de civis em Cizre sob o pretexto de se tratar da luita “anti-terrorista”.

Mais umha vez, as notícias do histórico bairro de Sur em Diyarbakir aterrorizam-nos, porque leva 80 dias sob toque de recolher, desde 11 de dezembro de 2015. De acordo com fontes locais e da imprensa, desde o 18 de fevereiro, cerca de 200 pessoas, incluindo crianças e pessoas feridas, permanecem presos nos sotos de edifícios residenciais no bairro de Sur, onde estám a ter lugar violentos ataques das forças de segurança. Nos últimos dias, membros e representantes do nosso partido tentarom entrar em contato com representantes do governo, exigindo umha investigaçom oficial sobre essas afirmaçons e a abertura de um corredor seguro para mover os civis encurralados. No entanto, todos os nossos esforços e exigências permanecem sem resposta. Estamos extremamente preocupados com a possibilidade de que a massacre de Cizre poida repetir-se em Sur.

Tendo em conta esta possibilidade, também estamos muito preocupados com o silêncio mostrado pola comunidade internacional contra a violência e as massacres que ocorrem nas cidades curdas.

Temos transmitido à comunidade internacional de que o seu silêncio só serve para encorajar o governo do AKP e suas forças de segurança nas suas práticas ilegais e desumanas nas cidades curdas. É mais do que provável que, se a Comunidade Internacional erguera as suas vozes, agora nom haveria centos de cadáveres recuperando-se nas ruínas de Cizre…

Fazemos um chamamento urgente a todas as instituiçons internacionais, organizaçons humanitárias e ativistas para tomar as suas responsabilidades o mais rápido possível e também que instem o Governo turco que cesse de umha vez o estado de violência nas cidades curdas e proteja as vidas de civis encurralados nos sotos de Sul.

Nom deixes que amanhá seja muito tarde para Sur!

Hişyar ÖZSOY, Vice-co-presidente do HDP Encarregado das Relaçons Exteriores

 

O Estado nom fala. Só dispara

O Estado nom falapor Ercan Ayboga. Traduzido o inglês por Janet Biehl.

Desde o Verao passado o Estado turco agiu brutalmente contra toda a oposiçom no sudeste da Turquia.

Um relatório de residentes em Diyarbakir.

Vai muito frio em Amed, como é conhecida a cidade de Diyarbakir polos seus residentes. Mais de 10 centímetros de neve cobrem o chao, algo que só acontece cada três ou quatro anos. E, exatamente neste momento, a luita está aumentando no bairro antigo de Amed, Sur, e nas cidades de Cizre e Silopi, na província de Sirnak. Estou aqui no gabinete de prensa da administraçom municipal, juntamente com três jornalistas e um investigador. Estes dias, o escritório serve como base de feito para jornalistas e investigadores do oeste da Turquia e o exterior. Falamos sobre o que vem acontecendo na regiom nos últimos meses.

Os acontecimentos ocorridos aqui som quase incompreensíveis até mesmo para aqueles que vivem aqui. Todas as manhás, cada tarde, e todas as noites umha onda de cansaço invade o meu corpo enquanto eu oio tiros, detonaçons e explosons perto, em Sur. Também durante o dia, mas eu estou no trabalho. Os outros dim a mesma coisa, muitas vezes, mais dramaticamente. Muitos ficam espertos durante toda a noite, todas as noites. Na noite passada, um morteiro aterrissou no telhado, onde um deles está hospedado.

Nesta cidade de um milhom de pessoas, observamos com medo como o Estado, dúzias de vezes por dia, usa tanques e artilharia para disparar na cidade velha, para tentar quebrar a resistência de 200 a 300 jovens, organizados na ilegal YDG-H. O estado nom fala. Só dispara.

Na primavera passada o governo turco unilateralmente rompeu as negociaçons de paz com o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistam) e, em seguida, no final de julho desencadeou a guerra contra o PKK. Os jovens, em seguida, estabeleceram “espaços libertados” em várias cidades, espaços livres da repressom. Em paralelo, os conselho-democráticos de bairro do povo dos conselhos de Diyarbakir e outros 20lugares declararom autonomia..

O estado, em seguida, começou a prender activistas políticos sistematicamente no Curdistam do Norte e chegou a mil em três semanas so. Intermitentemente, entre 2009 e 2012, mais de nove mil pessoas foram presas. Muitas pessoas aqui querem que o conflito militar chegue a um fim. A maioria está enojada com que o AKP do presidente Recep Tayyip Erdogan negara o sucesso eleitoral do-pró-curdo esquerdista partido HDP nas eleiçons do 07 de junho e realizara umhas segundas eleiçons sob circunstâncias repressivas.

Como um filme ruim

Estou de caminho para casa, e ainda está nevando. Tanques rolam após minha, em direçom à cidade velha. O seu efeito sobre a cidade é aterrorizar. Isso nom pode ficar. Na primavera passada um clima rebelde prevalecia na cidade, após a cidade de Kobanî, na parte curda da Síria, foi liberada. A revoluçom da Rojava espalhou o seu esplendor brilhantemente. Hoje parece que há muito tempo e está muito longe. A paz era entom, a guerra é agora- e desta vez na cidade!

Eu penso apenas em categorias de lugares “seguros” e “perigosos”. Eu sinto como se estivesse em um filme ruim que está piorando. Entom lembro-me de algo que um amigo argentino me dixo, enquanto aqui estam fazendo um filme: “Há dous lugares surreais no planeta: México e o Curdistam”

Até outubro muitos membros do HDP em Amed -onde o partido obtivo o 78 por cento dos votos – questionavam a sentido do apelo a autonomia e todas as valas e barricadas dos jovens.

Eles ficaram atônitos. E o mais político entre eles -Amed é umha cidade muito política- nom conseguia fazer umha análise razoável. Muitos perguntavam: “Quanto tempo vai continuar? Será que eles vam se deter no próximo mês ou quando? ”

Eu acho que eles despertarom de um sonho agora e estam em estado de choque. Durante um século, nós, os curdos temos sido pessoas de segunda classe. Queremos a paz, eu sinto isso, mas queremos umha paz justa. Mesmo aqueles que perderam irmaos ou filhos nos últimos 30 anos, como guerrilheiros ou civis, polo terrorismo de estado, desejam a paz tam fortemente que eles ansiosamente acreditam em cada faísca de esperança.

Muitos desconfiam do Estado, que tem atuado cada vez mais brutal desde o verao. Os seus atos de crueldade com os toques de recolher recorrentes em Sur, desde o 1 de dezembro estam gradualmente balançando as pessoas.

Primeiro forom so os ativistas políticos, e agora até mesmo os moradores muitas vezes dim cousas como “a resistência começou” e “nom há mais nada para nós agora, mas que luitar com dignidade.”

A crítica é silenciada

Infelizmente, temos um presidente que, em um grau sem precedentes, está perseguindo toda procura da paz entre democratas curdos e nom-curdos na Turquia ocidental, eles estam, talvez, em maior estado de choque do que nós -a se estabelecer como governante eterno. Devemos resistir! Isso pode soar como propaganda ou um slogan que eleve a moral. Mas que soluçom tenhem os críticos? No passado so a resistência tivo algum efeito.

E, entretanto, os governos europeus que fam? Eles enviam o Presidente Erdogan dinheiro para que detenha os refugiados na Turquia e, eles fecham os olhos. A UE está, mais uma vez sequer a falar de adesom, para ligar a Turquia mais perto de si. De repente, todas as críticas dos últimos anos estam silenciadas. Ok, política de estado é umha porcaria. Mas aqueles que na Europa, ainda tenhem umha esfera pública a meio caminho de ser independente, que estamos a perder aqui. Ir ao assunto, e nom permitir que esse negócio sórdido aconteça!

“Matarom a minha mae”

Três horas mais tarde, eu estou traduzindo umha carta, um jovem de Silopi, Inan, cuja mae foi baleada na rua, no mês passado. Ela sucumbiu aos seus ferimentos, porque os atiradores da polícia dispararom a qualquer um que tentou ajudá-la. Umha semana atrás, um jornalista publicou a história no blog de um jornal turco.

Esta é talvez a traduçom mais difícil da minha vida. Eu quero-a compartilhar. “Quando soubemos que a minha mae tinha sido baleada, corremos para o lugar. Antes de chegarmos, o meu tio tentou chegar até ela, mas eles atiraram nele. Quando cheguei, os vizinhos estavam carregando o corpo do meu tio falecido. Eu perguntei sobre a minha mae, e digerom-me que ela ainda estava deitada na rua. Quando eu tentei ir até ela, eles segurarom-me. Eu chorei, chorei, chorei. Minha mae tinha caído no meio da rua e estava deitada lá. No início, ela movera-se um pouco, mas, em seguida, os seus movimentos diminuíram.

Todas as pessoas que chamamos -representantes, conselheiros regionais, governador da província –digerom que os atiradores deviam retirar-se para que pudéssemos remover o seu corpo. “Que estava sentindo minha mae quando ela estava lá? Ela sofreu. Durante sete dias, ela estivo na rua. Nengum de nós dormia, para que pudéssemos manter os cans e os pássaros longe dela; Ela ficou lá, a 150 metros de distância, e vimos como ela perdeu a sua vida. Nesses sete dias, o estado causou-nos tanto sofrimento como um ser humano pode causar em outro. Minha mae ainda tinha seu xale em uma das maos, as maos ficarom rígidas, a sua posiçom do corpo refletia a sua luta por sobreviver. O sangue estava seco.

As maos, o rosto, onde ela caiu no chao, estava coberto de sujeira, a sua roupa estava encharcada de sangue seco.

“Os crentes arrancarom a alma da minha mae. Os olhos da minha mae permaneciam aberto, com o rosto inclinado em direçom a nossa casa. Nom podo expressar quanto dor estou sentindo. Sete dias no mais profundo inverno ela estivo na rua. A cousa mais dolorosa nom é saber quanto tempo ela ficou viva. Espero que ela falecera de imediato. Eles matarom a minha mae. ”

Se nom sentes nada, re-le esta carta repetidamente.

Escalada

Nas últimas semanas nas regions curdas da Turquia, cidades e bairros forom transformados em zonas de guerra. Escondidas do público, as forças militares e policiais turcas utilizarom armas pesadas contra os rebeldes, muitas vezes jovens, e nom esquecerom nem os nom-participantes. Human Rights Watch reuniu testemunhos que mostram que as forças de segurança abrirom fogo mesmo sobre aqueles que tentavam deixar as suas casas. Grupos locais de direitos humanos relatam que mais de 150 civis forom mortos.

Após as eleiçons parlamentares em novembro, as esperanças aumentaram de que o governo turco iria acabar o curso dos confrontos que tinha começado em julho. Essas esperanças foram precipitadas. Polo contrário, a repressom intensificou-se, mesmo nas autoridades eleitas do HDP. Vários deles, incluindo o co-líder Selahattin Demirtas, forom ameaçados com acusaçons de separatismo.

 
Ercan Ayboga, filho de pais curdos turcos, estudou engenharia ambiental na Alemanha. Aos 39 anos, ele está ativo no movimento da ecologia da Mesopotâmia e trabalha para a administraçom da cidade de Diyarbakir como consultor ambiental e no gabinete de imprensa intencional. Ele apresenta a sua visom pessoal aqui.

Originalmente publicado em alemao em Woz Die Wochenzeitung e em inglês em Peace In Kurdistan Campaign, e logo em Kurdish Question.

Os olhos do mundo estam voltados em Turquia

The Worlds Eyes Are On Turkey Artigopor Sarah Parker, este artigo foi originalmente publicado em Left Unity

A situaçom na Turquia está mudando rapidamente, mas para ver onde estam as cousas agora, é útil olhar para trás, aos acontecimentos dos últimos sete meses. O 7 de Junho de 2015, o partido de ampla esquerda e pró-curdo HDP alcançou mais do 13% dos votos nas eleiçons gerais turcas, umha grande vitória, quebrando o limiar eleitoral e ganhando 80 cadeiras, e privando o partido AKP e o presidente Erdogan da maioria parlamentar necessária para que o AKP governara sozinho, e a maioria absoluta que precisavam para passar a um sistema presidencial mais forte de governo.

The Worlds Eyes Are On Turkey Artigo 02O fundo

Mas entre o 25 e o 28 de Junho mais de 200 civis forom assessinados em Kobanî polo ISIS em um ataque surpresa, já que o exército turco continuou a ignorar ou ajudar os ataques do ISIS sobre os curdos sírios, e o 11 de Julho a KCK (a Uniom de Comunidades do Curdistam) emitiu umha declaraçom explicando que as numerosas violaçons militares turcas de 2 anos de cessar-fogo na Turquia nom seria mais tolerado, e que, por exemplo, todos os esforços seriam feitos polo povo curdo, incluindo a guerrilha, para parar da construçom de represas para fins militares. O 16 de Julho as Forças de Defesa do Povo anunciarom que guerrilheiros estavam realizando açons de aviso em resposta ao abrupto aumento de atividade militar turca incluindo bombardeios em áreas de defesa da guerrilha. O 17 de julho Erdogan repudiou os “Acordos de Dolmabahçe”, do 28 de fevereiro como base para a paz entre a Turquia e os curdos, um sinal claro de que o processo de paz estava acabado e a guerra começava de novo.

O 23 de julho os EUA e a Turquia chegarom a um acordo polo que a Turquia entraria na chamada coalizom anti-ISIS e que os EUA poderiam usar a base aérea de Incirlik perto de Diyarbakir [3]. Este foi fiada por um suporte cético como um sinal de que a Turquia pode começar a lidar com o ISIS, ao contrário de ignorá-los ou assistindo-os. Dentro das 48 horas do acordo, a Turquia tinha feito alguns bombardeios sobre o território do ISIS na Síria, (depois pouco mais foi ouvido sobre este aspecto da campanha) e começou umha campanha aérea sistemática contra acampamentos da guerrilha no norte do Iraque, que continuou ininterruptamente até agora. Após um período de tentativas tímidas para formar um governo de coalizom, o 24 de agosto Erdoğan chamou para novas eleiçons para o 1 de novembro. Estas forom em umha atmosfera de intimidaçom flagrante depois de mais de 100 ataques contra as sedes do HDP e o bombardeio de umha manifestaçom pola paz convocada por organizaçons do movimento de trabalho e do HDP o 10 de Outubro, em que 102 pessoas foram mortas e mais de 400 feridos. Nengum grupo reivindicou o atentado, mas pensa-se que foi realizado por pessoas com ligaçons ao ISIS. Os votos do HDP ainda estiverom sobre o limiar do 10%, mas o voto do AKP aumentou apenas o suficiente para que o partido conseguira a maioria absoluta.

Autogoverno e resistênciaThe Worlds Eyes Are On Turkey Artigo 03

Desde o início de Agosto de 2015, assembleias municipais no Curdistam da Turquia começarom declarando o autogoverno, e isso foi confirmado pola reuniom do Congresso Popular Democrático o 28 de Dezembro de 2015 após o AKP de Erdogan roubou as re-eleiçons do 1 de novembro. A idéia é para construir a mais forte possível auto-organizaçom local como um meio de auto-defesa e como um passo no caminho para a liberdade por causa da perseguiçom do Estado turco. Os jovens inicialmente cavarom valas e colocarom barricadas para impedir a entrada a estas áreas a polícia e o exército. Mesmo que em muitas destas áreas os bairros já foram literalmente sitiados por 10.000 soldados por meses, o exército turco, a polícia e as forças especiais nom forom capazes de retomar-los apesar de ter expulsado a alguns moradores. Os piores cercos som os dos distritos de Cizre e Silopi, na província de Sirnak, e o de Sur, o centro histórico de Amed (Diyarbakir), atualmente sob bombardeio de morteiros pesados polo exército turco, que vem tentando desde há mais de 40 dias recapturar os bairros sob controle das novas forças de autodefesa e da povoaçom local.

Um representante do Conselho Popular de Cizre hoje (18 de janeiro) apelou por um levantamento em todo o Curdistam para apoiar a resistência curda. A resistência está no seu 33º dia em Silopi, onde os bairros estám frequentemente sob o fogo de tanques e 26 civis forom mortos, mas o Estado concedeu levantamento do toque de recolher durante o dia desde o 19 janeiro. O deputado do HDP Ferhat Encü di que as cousas som muito piores do que após o golpe militar do 1980. As dadas mais recentes som de que 283 civis forom mortos nos cercos desde o 12 de julho, enquanto se estima que 300.000 pessoas forom expulsas das suas casas nas profundezas do inverno.

A esquerda precisa despertar ao feito de que a guerra curda desceu das montanhas para as cidades e que milheiros de pessoas estam em umha resistência heróica a um importante membro da OTAN que tem dito repetidamente que esmagaram rua a rua a resistência, e fazer algum trabalho sério de solidariedade.

O grupo guarda-chuva do KCK, Koma Civakên Kurdistan (Uniom de Comunidades do Curdistam) instou às pessoas a ficar e apoiar a resistência se eles som capazes de, embora muitas pessoas tenham recuado para outros distritos, como a situaçom é muito perigosa, com pessoas que estam à vista mortos por franco-atiradores ou artilheiria, enquanto o Estado cortou água e electricidade. Deve ser notado que os centros de resistência som as cidades curdas do sudeste, que sofrerom repressom por setenta anos, além de discriminaçom e elevado desemprego, e onde o HDP recebeu muitos votos nas eleiçons, tanto em junho como em novembro de 2015, e estam perto de Rojava e o Curdistam do Iraque.

Quanto o comandante das Forças de Defesa do Povo, Murat Karayilan dixo na sua mensagem de Ano Novo: “O AKP desencadeou um ataque furioso sobre nós. As guerrilhas e também a juventude nas cidades, todos os componentes da sociedade curda, estam fazendo a sua parte na resistência “. As unidades de autodefesa forom anunciadas em mais e mais lugares, o último dos quais é umha unidade feminina (YPS-Jin) em Nusaybin. A participaçom das mulheres na luita cresce todo o tempo, e claramente a resistência das mulheres e a sua determinaçom de luitar pola liberdade é a enorme força do movimento. No geral, a resistência contra o poder do Estado turco é um feito notável e talvez de algumha forma explica o silêncio de outros membros da Otan.

Relativo ao resto da sociedade

Olhando para o Estado turco como um todo, Tariq Ali realizou umha interessante entrevista em Telesur chamado “A Turquia é umha sociedade em ebuliçom” no qual Sungur Savran destaca eventos de referência dos últimos três anos: junho-setembro de 2013, a revolta Gezi, 6-12 outubro 2014 a serhildan (levante) em áreas curdas da Turquia com milhons de pessoas na rua, e “quando ficou claro que o PKK tinha unidades armadas até mesmo nas cidades pequenas’, e a greve dos metalúrgicos do 2015, quando em maio dúzias de milheiros levantaram-se primeiro contra os sindicatos amarelos e depois contra os patrons, em umha onda que se espalha de Bursa a Izmir, Ancara, Istambul, um desenvolvimento promissor, pois o movimento operário tinha estado em grande parte dormente durante muitos anos.

Savran argumentou que as forças seculares nas grandes cidades da Turquia, a pequena burguesia e as camadas superiores da classe operária que costumavam votar o CHP (antigo partido de Ataturk, nacionalista, mas social-democrata) agora se estam tornando compreensivos com os curdos e começando votar o HDP; é vital para os socialistas continuar a trabalhar para desenhar este bloco na órbita do HDP. El também observa que Erdogan começou a mobilizar activamente os grupos de extermínio da direita (em parte porque nom pode confiar inteiramente no exército, em parte, ainda secular ligado à NATO) para usar contra a classe trabalhadora na Turquia, e contra os esquerdistas, alevitas e curdos.

Esta foi umha das razons que as pessoas decididas a colocar as barricadas – eles sabiam que teriam de se defender, cedo ou tarde.

Os desenvolvimentos mais recentes que ligarom o oeste da Turquia à guerra contra os curdos no sudeste som a bomba que matou 10 turistas, principalmente alemaes em Istambul, e a declaraçom dos Academicos pola Paz, que foi assinada por mais de 1000 acadêmicos na Turquia e muitos de fora. Os acadêmicos que assinarom a declaraçom apelando para a paz e o fim da repressom forom acusados de traiçom, e ameaçados tanto por Erdogan, como polo conhecido chefe do crime Sedat Peker. Todas as assinaturas estam sob investigaçom criminal, muitos forom presos, e alguns já forom despedidos dos seus empregos, com relatos de pressom a ser-lhes aplicadas, tais como marcas em destaque a ser colocada nas portas do escritório dos signatários. Um movimento está-se juntando na sua defesa, que, felizmente, tornou-se rapidamente internacionalizada, e recebeu considerável cobertura dos mídias, como Erdogan talvez imprudentemente estendeu a sua crítica para Noam Chomsky e Tariq Ali, os conhecidos apoiantes de luitas de libertaçom que assinarom a declaraçom. Na última contagem 299 acadêmicos na Gram-Bretanha assinarom umha declaraçom de apoio. Noam Chomsky e Tariq Ali digerom que só vai ir a Turquia se for convidado por o povo curdo e o HDP, em resposta ao convite feito polo presidente Erdogan.

Tanto o HDP e Partido Republicano do Povo (CHP) condenarom as ameaças de Erdogan e expressarom a sua preocupaçom polo caminho ao que el está levando à sociedade. O deputado do HDP Faysal Sariyildiz convidou a Chomsky para visitar a regiom do Curdistam e convidou a Erdogan e Davutoglu para conversar com el para ver a situaçom por si mesma, que acompanha os convites com a afirmaçom muito gráfica que descreve as condiçons sob o cerco, que pode ser lida aqui.

Turquia em Síria e o Iraque

É enganoso analisar as actividades do Estado turco dentro das fronteiras turcas isoladamente: a sua política exterior próxima também deve ser compreendida. Deve-se notar que o Estado turco está profundamente envolvido em operaçons militares e outras interferências no norte da Síria e norte do Iraque, tentando recuperar o rol de antiga potência regional, através de tentativas egoístas para explorar as queixas legítimas da oposiçom ao regime na Síria, juntamente com umha última tentativa para bloquear a luita do povo curdo e os seus aliados tanto na Síria como no norte do Iraque.

Só para dar umha descriçom geral sobre a luita curda na Síria, o PYD curdo (Partido de Uniom Democrática) e o seu braço militar as YPG (Unidades Defesa do Povo) na Síria, digerom constante que iriam defender as suas próprias áreas se eram atacados e figerom isso. Estam actualmente a continuar a defender os três auto-declarados cantons autónomos de maioria curda e mistos de Afrin, Kobanî e Jazira (Qamishli e Hasakah), e a área de maioria curda de Shaikh Maqsud em Alepo. As batalhas para romper o isolamento do cantom ocidental de Afrin e defender Sheikh Maqsud, recentemente bombardeada polo regime e atualmente sob ataque pesado novamente polas forças de Al Nusra e Ahrar Al Sham, e cortar as linhas de abastecimento desde Turquia o ISIS e cara o leste via Raqqa e Shengal a Mosul, estam ocorrendo actualmente.

Erdogan dixo que, se os curdos cruzavam ao oeste do Eufrates isso seria umha linha vermelha para a Turquia; isso aconteceu recentemente, quando as Forças Democráticas Sírias, (o novo nome para as forças curdas de defesa e os seus aliados, que incluem árabes e algumhas unidades assírias) cruzarom o Eufrates e tomarom a represa de Tishrin e os arredores do ISIS. Presumivelmente, a atitude dos EUA é que as forças curdas sírias atualmente útis para manter o ISIS dentro dos limites, como os peshmerga da PUK no Iraque; e que, ao seu devido tempo, a Turquia estará livre para lidar com ambos. Obviamente, a maioria do povo curdo tem uma ambiçom diferente – sobrevivência, auto-determinaçom, e a democratizaçom de todo o Oriente Médio, e é o trabalho dos socialistas ficar com eles.

O Estado turco tanto para esmagar toda resistência como retomar as terras perdidas polo Império Otomano no final da Primeira Guerra Mundial, estabeleceu bases militares do exército turco no norte do Iraque, em 1991, sob o manto da zona de exclusom aérea, definiu ostensivamente para proteger os curdos do Iraque de Saddam Hussein. As bases forom usadas em 1996 em cooperaçom com o KDP para atacar os guerrilheiros do PKK. O exército turco fixo um ataque mal sucedido em bases do PKK o 26 de Dezembro do 2007 e após umha renhida luita em que as áreas sob ataque também forom defendidas por peshmergas da PUK que correrom ao norte de Sulaymaniyah e a área circundante, o exército turco tivo que recuar às pressas com pesadas perdas ; o exército fixo várias incursons mais ao longo desse inverno. O novo Parlamento do Curdistam votado em 2008 votou que as bases devem ser retiradas, e o Primeiro-Ministro da KRG Nechirvan Barzani confirmou que as bases turcas seriam fechadas, mas nada aconteceu. No final de 2011 EUA e a OTAN “tropas treinadas” deixarom o Iraque ao longo do fracasso no acordo de imunidade para as açons das tropas americanas’; a retirada do grosso principal das forças americanas tivo lugar entre Dezembro de 2007 e 2011. Em 2012, o governo iraquiano dixo que as bases turcas tinham que ser fechadas. Entom, para essa altura as forças Americanas e outras da OTAN que tinham estado no Iraque desde 2003, em grande parte retiraram-se, mas o número de forças turcas aumentou. A presença das tropas turcas nom era popular; a petiçom com 470.000 assinaturas forom coletadas no sul do Curdistam e entregues ao Parlamento Regional do Curdistam e à Presidência, em 2012, e com quase um milhom ao Parlamento e ao Governo Regional em 2015, mas forom ignoradas.

A actual situaçom no Curdistam Iraquiano é potencialmente explosiva. Turquia e outros membros da OTAN som bem conscientes de que as pessoas no sul do Curdistam estam furiosos com as corrupçons e ineficiência do seu governo, mesmo que a situaçom é menos catastrófica do que no resto do Iraque. A política da OTAN é apoiar deliberadamente o partido de Barzani, o KDP, como contraponto para a mais radical PUK baseada em Sulaimaniyah e Kirkuk, e à crescente presença de guerrilheiros aliados ou pertencentes ao PKK, no Sul do Curdistam, nom só no refúgio de montanha de Qandil, mas desde a ascensom do ISIS e da queda de Shingal e Mosul em 2014 em outras áreas.

Neste momento os peshmerga da PUK e guerrilheiros do PKK e as YJA Estrela estam segurando em conjunto um pesado assalto do ISIS no sul de Kirkuk, e nom escapou à atençom dos combatentes curdos que as forças militares turcas no Norte do Iraque estam bem posicionadas para se envolver em umha fugida do ISIS de Mosul que estam sob muita pressom lá, ou até mesmo mover-se contra a “Zona Verde” da PUK se houver um aumento do movimento de massas contra a corrupçom e a pobreza – talvez a NATO e a Turquia até mesmo ver umha presença crescente do exército turco no norte do Iraque como um substituto para o exército dos EUA.

Quebrar o silêncio

Apesar das especulaçons periódicas de que os EUA e os Estados membros da UE nom gostam de algumhas das políticas da Turquia, desde que o AKP renegou dos Acordos de Dolmabahçe entre o Estado turco e os curdos e reiniciou a guerra em julho, houvo alguns comentários de outros membros da OTAN sem excepçons com declaraçons lapidarias de apoio ao direito da Turquia de defender a sua segurança nacional. Como o inverno se aprofunda e o exército turco bombardeia cidades curdas porque nom tem sido capaz de retoma-las, há um silêncio ensurdecedor de outros governos.

O 18 de janeiro o primeiro-ministro Davutoglu visitou a David Cameron e cinco pessoas forom presas em Whitehall quando a polícia tentou impedir os manifestantes de fora do 10 de Downing Street de protestar, todo o incidente mostra claramente de que lado está ligado o governo britânico, se houvesse qualquer dúvida.

Notícias de Última Hora

Na noite do 19 de Janeiro há relatos de que o exército turco já cruzara a fronteira para a Síria em Jarablus, o último ponto de passagem do ISIS-realizada na fronteira com a Turquia, sem reacçom das forças do ISIS na área. Isso vem em meio a umha explosom de especulaçom da mídia de que as conversaçons da ONU sobre Síria será adiada porque a Turquia se recusa a aceitar que deve haver representaçom curda no lado da oposiçom nas negociaçons.

Publicado em KurdishQuestion.

 

 

Ambulâncias paradas em turquia nas cidades curdas assediadas

Ambulances halted as Turkey besieges Kurdish town ArtigoPor Frederike Geerdink

Os feridos nom conseguem receber tratamento devido ao toque de recolher na cidade rebelde de Cizre.

Polo menos 10 civis feridos em confrontos morrerom no sudeste da Turquia nas últimas duas semanas porque as ambulâncias nom conseguem chegar ate eles para levá-los a hospitais.

Pessoas que sangram até a morte na rua ou nas casas, ou foram internados em hospitais só quando era tarde demais – e os moradores temem que haverá mais mortes nos próximos dias.

As mortes ocorrem desde que o governo turco impom o toque de recolher 24 horas em Cizre, umha cidade de maioria curda com umha povoaçom de 120.000 habtantes. Alguns arriscam ir para fora a comprar as necessidades diárias, enquanto carregam umha bandeira branca para mostrar que eles nom som umha ameaça; outros permanecem escondidos dentro das casas.

O governo turco di que o toque de recolher, que está em vigor desde o 14 de dezembro, é necessário na sua luita contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), um grupo armado que o governo turco etiqueta como “terrorista”. Organizaçons dos direitos humanos como Anistia Internacional e Human Rights Watch acusou às forças de segurança turcas de usar umha violência desproporcional em confrontos com os jovens armados em Cizre, observando que dúzias de civis morrerom como resultado delas.

Segundo a imprensa turca, muitos moradores de Cizre fugirom da violência, e apenas umhas 20.000 pessoas permanecem na cidade hoje.

O deputado turco Faysal Sariyildiz, membro do partido pró-curdo HDP, passou um tempo na cidade em meio à crise recente. El dixo que 28 civis feridos em confrontos recentes entre as forças de segurança turcas e os jovens vencelhados ao PKK estavam presos no soto de umha casa, esperando em vam por ambulâncias para levá-los ao hospital.

“Seis dos feridos … sucumbirom as suas feridas”, dixo Sariyildiz a Al Jazeera em umha recente entrevista por telefone. “Eles estam deitados nos mesmos dous quartos do subsolo, onde os feridos estam à espera de ajuda.”

As autoridades turcas nom dam permisso para que as ambulâncias entrem nas áreas de Cizre onde as operaçons estam em andamento. Cerca de duas semanas atrás, Huseyin Paksoy, de 16 anos, foi baleado e perdeu umha quantidade significativa de sangue, morreu em um hospital em Cizre depois que tivera esperado por ajuda médica por quatro dias. Umha ambulância só foi autorizada a buscá-lo depois de um avogado turco apelou por um processo de urgência no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (CEDH), que decidiu que as autoridades turcas nom poderiam pôr em perigo o direito à vida e à integridade física de Paksoy.

Os avogados, em seguida, decidirom meter mais aplicaçons na CEDH, em outros casos, cinco dos quais forom aceites polo tribunal no prazo de um dia desde a sua apresentaçom. A vida de Helin Oncu, de 20 anos, um estudante que foi baleado enquanto visitava Cizre em circunstâncias pouco claras, foi salvo através de umha ordem do CEDH há umha semana.

Esta é a primeira vez na história da CEDH que a moçom do processo de urgência foi usada para permitir que os civis feridos fôssem levados a um hospital. Normalmente, a moçom do processo de urgência é utilizada para evitar a extradiçom para países onde as vidas dos deportados podem estar em risco.

Ramazan Demir, avogado de Istambul que coordena os pedidos urgentes de procedimento à CEDH, dixo: “Nós decidimos usar este processo de urgência depois de a CEDH rejeitou o nosso pedido para proibir imediatamente os toque de recolher por tempo indeterminado, eles só se pronunciaram sobre se os toques de recolher estam a violar os direitos fundamentais mais tarde, possivelmente este ano.”

Mas os avogados turcos descobrirom que o seu acesso à CEDH tem sido prejudicada desde o martes, depois de ter enviado um pedido para salvar as vidas de 14 pessoas gravemente feridas no soto. Demir mostrou umha carta a Al Jazeera que recebeu do tribunal, nesse momento, que afirmou que as opçons judiciais internas devem ser esgotadas antes de poder ser solicitado intervir o CEDH.

“Figemos isso [entrar com umha açom nos tribunais nacionais] nos primeiros casos e nom obtivemos um resultado positivo, entom nos seguintes casos, decidimos saltar os tribunais nacionais para economizar tempo. Esta foi aceite polo CEDH, mas agora, de repente, eles pararom de aceitar isso “, dixo Demir, nada da execuçom relativa às 14 pessoas feridas foi devolvido para o Tribunal Constitucional da Turquia, que decidiu contra eles. O pedido já foi trazido de volta à CEDH, que está previsto que emita umha decisom o martes.

“Estamos perdendo um tempo precioso, é umha questom de vida ou morte”, di Demir.

As autoridades na província de Sirnak, onde está localizado Cizre, negam que as ambulâncias foram bloqueadas polas autoridades. Umha declaraçom por escrito divulgada polo governador afirmou que as informaçons que diziam que as ambulânciasnom foram autorizadas a apanhar os feridos eram “falsas” e “sem fundamento”. De acordo com o comunicado, os feridos podem ser levado a um certo ponto na cidade de onde eles podem ser transportados para o hospital.

Sariyildiz, no entanto, di que no âmbito de tal procedimento, os feridos corriam o risco de ser disparados de novo, e muitos estam gravemente feridos para ser movidos a qualquer lugar sem umha padiola.

Demir afirma que está com raiva do CEDH para referi-los de volta aos tribunais nacionais após aceitar a primeira. “Isso nom pode ser outra cousa senom umha decisom política”. “Os curdos estam sendo vendidos polos mecanismos internacionais de justiça.”

No entanto, o CEDH afirmou que os tribunais nacionais da Turquia estam considerados como umha soluçom eficaz. Em umha carta ao Demir, o CEDH escreveu que, dada a “fluidez e imprevisibilidade de umha situaçom de conflito armado aparente, a tarefa do Tribunal é dificultada pola falta de informaçom e a dificuldade em conhecer os feitos”.

Sariyildiz di que tem pouca fé em um resultado positivo. “Nom esperamos nengumha decisom democrática de qualquer tribunal turco”, dixo, observando que o poder judicial turco vem sendo cada vez mais levado sob o control político do partido governante AK ao longo dos últimos dous anos.

Enquanto os tribunais estam a deliberar sobre o destino das pessoas no soto, outro jovem morreu, elevando o número total de mortos a sete. Sariyildiz di que teme quem pode ser o próximo.

“Um dos feridos é um menino de 12 anos, e há muitos idosos entre os feridos”, acrescentou. “Eu temo que mais pessoas vam morrer no soto nos [próximos] dias.”
O artigo foi publicado originalmente em Al Jazeera.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 07 Fréderike GeerdinkFrederike Geerdink é umha jornalista freelance de origem holandês que viveu em Turquia e o Curdistam entre o 2006 e 2015, quando foi deportada polo régime turco. Tem escrito numerosos artigos sobre o Curdistam e um livro sobre a matança de Roboski, onde a aviaçom turca assassinou a 34 aldeans.

Desfazendo Anos de progressos na Turquia

Undoing Years of Progress in Turkey artigoO ex-prefeito (2004-2014) do distrito de Sur de Amed (Diyarbakir) Abdullah Demirbaş escreveu iste artigo de opiniom no New York Times:

Cidades e bairros inteiros estam sob cerco. Tanques atravessam ruas estreitas fechadas por barricadas e trincheiras. Os moradores estam presos dentro das casas durante semanas por causa dos toques de recolher. Aqueles que se aventuram fora correm o risco do fogo de atiradores. Os seus corpos ficam nas ruas por dias antes que poidam ser recolhidos. As balas voam polas janelas e edifícios desmoronados sob os bombardeios, matando aqueles que procuram abrigo nas casas.

Isto nom é a Síria. Isto é a Turquia, país candidato à Uniom Europeia, e aclamado como campeom das Primaveras Árabe. O conflito que aqui se reiniciou após a ruptura das conversaçons entre o Estado turco e o Partido dos Trabalhadores do Curdistam, ou PKK, no verao passado transformou-se em uma devastadora guerra nas cidades curdas.

Undoing Years of Progress in Turkey 02 artigoUm dos lugares mais afetados é a cidade do histórico distrito de Sur em Diyarbakir, onde eu fum prefeito de 2004 a 2014. Sur está sob toque de recolher de 24 horas desde inícios de dezembro. Muitos dos seus bairros em ruínas. Os seus monumentos históricos estam danificados, as lojas estam fechadas, os hospitais carecem de pessoal, e as escolas estam fechadas. Duzias de milheiros de pessoas fugirom.

As muralhas de Sur envolvem umha antiga cidade que foi habitada desde há milênios. As suas ruas estreitas, pátios espaçosos e elegantes estruturas de pedra som lembranças de um rico legado multicultural – um legado que sobreviveu, embora em um estado de miséria, um século de conflito. Pequenas, mas cada vez mais visíveis comunidades de armênios, assírios, caldeus, Jazidis e outras minorias convivem com adeptos de diversas interpretaçons do Islam no que agora é umha cidade curda predominantemente sunita.

Durante a última década, o nosso concelho trabalhou duro para reviver e preservar esta herança. Nós supervisionavamos a restauraçom de muitos edifícios históricos, incluindo mesquitas e igrejas. A reabertura da Igreja Armênia de Surp Giragos, que agora é a maior igreja arménia no Oriente Médio, depois de quase um século em ruínas estimulou os “escondidos” sobreviventes do genocídio de 1915 na Turquia para redescobrir e abraçar a sua herança. Os esforços de restauraçom da antiga sinagoga em memória da umha vez vibrante comunidade judaica de Sur estavam em andamento antes do estouro da violência no verao passado.

Em 2012, líderes comunitários de Sur criarom um grupo diálogo inter-religioso que reuniu representantes de diferentes religions da regiom, culturas e grupos da sociedade civil. Conhecido como o Conselho dos Quarenta, que tem desempenhado um papel crucial em que a violência sectária nom atingira a nossa cidade. Graças aos seus esforços, Sur veu a simbolizar a visom de convivência pacífica em uma regiom assolada pola intolerância.

Provoca-me imensa tristeza ao ver que o pluralismo desmorona-se junto com os edifícios de Sur. O sectarismo está a destruir a Síria diante dos nossos olhos. Para evitar o mesmo destino na Turquia, o Conselho dos Quarenta apelou ao governo para levantar os toques de recolher, e pediu a todas as partes a fim das hostilidades e voltar às negociaçons de paz no âmbito da democracia parlamentar.

O presidente Recep Tayyip Erdogan, dixo recentemente que as operaçons militares nas cidades curdas assediados continuariam até que estiveram “limpas” de “terroristas”. “Vam ser aniquilados nessas casas, nesses edifícios, nessas fossas que cavarom”, ameaçou. Mas é que a paz pode ser construída por meio da destruiçom? Décadas de políticas militares contra os curdos tenhem mostrado so que a violência gera mais violência.

Muitos moradores dessas cidades som famílias pobres que foram forçadas a fugir do campo quando o conflito entre os curdos e o Estado turco estava no seu auge na década de 1990. Aqueles que estam cavando trincheiras e declarando o “autogoverno” em Sur e outras cidades e vilas do sudeste da Turquia hoje som jovens na sua maioria adolescentes curdos em que nasceram nesses tempos passados de violência, pobreza e deslocamento, e crescerom em guetos radicalizados.

Agora, umha nova geraçom vai crescer com o trauma da morte, destruiçom e migraçons forçadas. Onde vam ir? O que será deles? E como é que umha geraçom com mais raiva de curdos e turcos vai encontrar um terreno comum? A verdade é que a minha geraçom pode ser a última que poida chegar a umha soluçom pacífica através do diálogo.

O diálogo é possível quando quem está no poder quer. Na primavera passada, os dous lados estavam à beira de um avanço após dous anos e meio de negociaçons. Os curdos, quando se lhes da umha opçom real e justa, escolherom repetidamente a política sobre a violência e optarom pola convivência em umha Turquia democrática, onde os seus direitos e identidades som reconhecidas, sobre a separaçom. Mas, como a destruiçom continua, a sua fé em umha soluçom política murcha.

Em 2007, Sur tornou-se o primeiro concelho na Turquia a oferecer serviços nas línguas locais, incluindo curdo, armênio e assírio, além do turco oficial – um movimento que enfureceu as autoridades de Ancara, a capital, e levou a minha remoçom como prefeito. Em 2009, meses depois de ser reeleito com os dous terços dos votos, fum preso sob a acusaçom de separatismo. (Eu fum liberado cinco meses mais tarde por razons de saúde e mantivem o meu papel como prefeito ao longo da minha prisom.)

Quando eu estava reunido juntamente com centos de ativistas curdos e políticos eleitos, meu filho adolescente deixou a nossa casa para se juntar ao PKK “Você está desperdiçando o tempo com a sua política e diálogo”, dixo-me el. Eu dediquei a minha vida a tentar provar que el estava errado e trae-lo em paz para casa. Eu estivem desencorajado antes, mas nunca perdim a esperança. Hoje, eu esforço-me por manter a esperança viva.

Abdullah Demirbas é o ex-prefeito do distrito de Sur de Diyarbakir e um membro fundador do Conselho dos Quarenta.

Publicado como artigo de opiniom do New York Times e republicado em KurdishQuestion.

 

Nove perguntas e respostas para lançar umha luz sobre a violência no sudeste da Turquia

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 02 ypspor Frederike Geerdink*

Visom geral
Praticamente todos os dia estam morrendo civis na volta à violência entre o PKK e o exército turco. Alguns morrerom na rua há semanas, e nom podem ser enterrados polas suas famílias. O governo di que está luitando contra o terrorismo. Mas está? E porque é que a Europa nom di nada?

1. O que está acontecendo no sudeste da Turquia? Alguns exemplos para explicar a situaçom?

Há cadáveres nas ruas de Sur, o centro antigo da cidade de Diyarbakir. As suas famílias estam em greve de fome desde o 2 de janeiro para forçar as autoridades a permitir o enterro dos mortos, mas sem sucesso. O 13 de janeiro, a Associaçom de Direitos Humanos de Diyarbakir falou com o ajudante do governador de Diyarbakir, Mehmet Emir, que deu permisso para recolher os corpos naquela tarde. Mas quando o grupo, incluindo a deputada do HDP Sibel Yigitalp, chegarom o distrito de Sur, a polícia dixo que eles poderiam levar os corpos, mas so se que eles traiam em primeiro lugar as armas ou explosivos que jaziam na vizinhança dos corpos. Além disso, eles digerom que nom eram responsáveis pola segurança do grupo. Em seguida, o grupo considerou muito perigoso recolher os corpos. Tratava-se dos corpos de Mesut Seviktek, İsa Oran (ambos morreram o 23 de Dezembro), Ramazan Ögüt (falecido o 30 de dezembro) e Rozerin Çukur (morto o 8 de Janeiro). O mesmo acontece em outras áreas com toques de recolher.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 01 hungerstrikeOs civis estam sendo assassinados, incluindo crianças. Na semana passada em Cizre por exemplo, Hayrettin Sinik, de 10 anos, morreu de caminho para o hospital depois que el fosse ferido quando um morteiro atingiu a casa da sua família. Anteriormente, o 15 de janeiro Busra Akalin, também de 10 anos, morreu em Cizre, depois que ela foi ferida da mesma forma.

Cidades e bairros inteiros estam sendo destruídos. O exército utiliza artilharia pesada que dispara indiscriminadamente sobre áreas residenciais e sem saber contra quem e onde atingirom os projectis. Casas, mesquitas, escolas, todos estam danados, por vezes, tam fortemente que nom podem ser usados mais. O lixo acumula-se nas ruas. De acordo com Faysal Sariyildiz, deputado do HDP que está em Cizre há semanas e que relata intensivamente via twitter, a cidade cheira a lixo e pólvora.

Milheiros e milheiros de pessoas estam fugindo da violência, e porque há escassez de alimentos. Muitas vezes, a eletricidade é cortada também. O estado torna impossível às pessoas viver nas suas casas e continuar as suas vidas diárias de qualquer forma. Por vezes, durante os toques de recolher, com um pedaço de lençol branco amarrado a um pedaço de pau para tentam proteger-se contra os atiradores.

2. Logo, há uma guerra na Turquia?

Há. Mas nom é nova. Todo começou em 1984, quando o PKK realizou os seus dous primeiros ataques contra o Estado. Desde entom, tem havido umha guerra civil, de acordo com a definiçom comum de que umha guerra civil é um conflito armado dentro do território de um Estado, com a participaçom ativa desse estado, e com um número de mortes de mais de mil por ano (o que nom foi medido a cada ano desde 1984, mas com um número total de mortos de mais de 40.000, estes critérios podem ser considerados cumpridos). O termo guerra civil é um pouco enganador, guerra intra-estado seria mais preciso, umha vez que nom significa necessariamente que vários grupos de civis estam luitando entre si, o que nom é realmente o caso na Turquia: é umha guerra entre o Estado e o PKK, e explicitamente nom umha guerra entre curdos e turcos.

No entanto, umha das partes combatentes, o PKK, considera-a umha guerra colonial também. Consideram o exército turco e ao Estado turco umha potência ocupante. Nos seus primeiros anos, na década de 1970 e 1980 e ate o 1990, queriam a secessom da Turquia, mas há mais de umha década, mudaram o seu objetivo pola autonomia. Isso nom fixo as autoridades turcas menos potência ocupante, aos seus olhos, de modo que a guerra atual ainda é colonial também. Isto torna-se evidente, por exemplo, em declaraçons à imprensa da KCK (a KCK é umha organizaçom guarda-chuva de grupos curdos, da que o PKK forma parte), em que muitas vezes se referem ao exército turco como “exército de ocupaçom”.

O PKK considera a autodeterminaçom um direito, e de fato este direito está estabelecido solidamente em tratados internacionais dos que a Turquia é parte. É inevitável que, eventualmente, este conflito seja resolvido através da concessom aos curdos de algumha forma de autonomia. Quando esse dia chegue, nom é muito lógico que o exército e a polícia turca, que reprimirom e massacrarom os curdos desde antes mesmo da fundaçom da República Turca em 1923, continuará a ser a força armada legítima do Curdistam. Eles perderom essa legitimidade, comparável ao exército iraquiano nom ter nengumha funçom na regiom agora autônoma do Curdistam do Iraque, onde os peshmerga- considerados terroristas ilegais por Saddam Hussein – forom transformados nas forças armadas legítimas.

No final de 2015, o Congresso da Sociedade Democrática (DTK), um grupo guarda-chuva de dúzias de organizaçons da sociedade civil e dos conselhos locais, bem como membros de partidos políticos relacionados com o movimento curdo (HDP a nível nacional e DBP em um nível regional), sublinhou umha vez mais que a autonomia é essencial para a soluçom da questom curda. Vários prefeitos já declararom os seus municípios autônomos. Desde entom, a guerra, principalmente antes luitada nas áreas rurais das regions curdas, mudou-se para as cidades.

Por mais que o governo turco quer que o mundo exterior acredite que está, em verdade, luitando contra o PKK nas cidades e declarando os toques de recolher para proteger os cidadaos contra a repressom do PKK, os membros do PKK das montanhas nom descerom às vilas e cidades do Curdistam. A luita contra o exército e a polícia nas cidades é levada a cabo por um grupo de jovens, os YPS, os Yekîneyên Parastina Sivîl, em Inglês Unidades de Protecçom Civil. Estes grupos de jovens homens e mulheres anteriormente conhecidos como YDG-H, Movimento da Juventude Revolucionária Patriota. Eles consideram-se as forças armadas legítimas dos municípios onde foi declarado o autogoverno. Quando o YDG-H estava armado principalmente com cocktails molotov e pedras, as YPS também tenhem às vezes Kalashnikovs e lançadores de foguetes.

Há uma diferença importante entre o PKK e as YPS. As YPS podem estar afiliadas com o PKK, mas eles nom som, membros oficiais do PKK, sob o comando da liderança do PKK com base nas montanhas de Qandil, no norte do Iraque. oPelo menos, é isso o que o PKK afirma com veemência. Eles estam decidindo sobre o seu próprio curso de forma independente, e por isso o movimento da juventude pode ser comparado ao movimento das mulheres KJA (Congresso de Mulheres Livres), que também nom recebe ordens de ninguém.

Há somente umha pessoa a que as YPS escutariam, e é o líder do PKK, Abdullah Öcalan. El está em isolamento na ilha prisom de Imrali desde o 5 de abril de 2015 – bem, nom pode ser descartado que por trás houvesse algum contato, mas el nom pode receber os seus familiares, avogados ou membros do HDP, e, portanto, nom pode fazer qualquer declaraçom pública através deles. Se Öcalan podesse falar novamente, a chance de que a violência diminuiria é considerável. Quanto mais tempo o isolamento continue, porém, mais difícil fica para o governo do AKP quebrá-lo: isolando-o para tentar minimizar a sua importância, mas é claro que está acontecendo o oposto, o que se demostrará claramente quando el poida falar novamente. Situaçons semelhantes aconteceram antes, como em 2012, quando houvo umha greve de fome entre os membros do PKK e prisioneiros políticos em muitas prisons na Turquia, e alguns grevistas estavam prestes a morrer. O momento no que Öcalan dixo que a greve de fome tinha que parar, os presos começarom a comer novamente.

As YPS querem o exército turco fora dos “seus” territórios; o exército naturalmente nom o aceita, iguala o PKK com as YPS e tenta aniquilá-los. É notável que nom atingiram o seu objetivo, apesar de levar alguns meses de luita, com o segundo maior exército da OTAN, contra um contingente de jovens mascarados e mulheres com Kalashnikovs e foguetes. Entom, novamente, as ruas nessas cidades, especialmente em Sur (a cidade antiga de Diyarbakir), mas também em Cizre e Silopi, som estreitas, e um tanque ou veículo blindado nom chega muito longe.

Nestas batalhas de cidade, um monte de civis morrerom – ver a questom mais tarde. É, no entanto, nada de novo que a povoaçom civil é vítima da brutalidade do estado. Na década de 1990, cerca de três mil aldeias nas áreas curdas forom queimadas polo exército e milheiros de pessoas fugirom para outros povos e cidades. É por isso que muitos dos refugiados daqueles dias terminou no distrito de Sur de Diyarbakir, onde a violência é intensa agora e onde milheiros de cidadaos, mais umha vez tiverom de fugir polas suas vidas e encontrar abrigo em outro lugar.

3. Há estatísticas sobre os toques de recolher e mortes de civis?

Sim, várias organizaçons documentam o que está acontecendo.

A Fundaçom de Direitos Humanos da Turquia (TIHV) fez um informe sobre os toques de recolher e as suas consequências. Houvo 58 oficialmente confirmados, o toque de recolher por tempo indeterminado e-ininterruptus em polo menos dezanove distritos de sete cidades (eles mencionam as províncias de Diyarbakir, Mardin, Sirnak e Hakkari, mas mais especificamente, por exemplo, Silvan, Dargeçit, Nusaybin , Sur, Silopi, Cizre, Yüksekova, Lice e outros). Nessas áreas residem, cerca de 1.377.000 pessoas. Eles afirmam que, com base em dados do seu centro de documentaçom, 162 civis forom mortos, entre os quais 29 mulheres, 32 crianças e 24 pessoas com mais de 60 anos de idade.

Também de acordo com o TIHV, só entre o 11 de dezembro de 2015 e o 8 de janeiro do 2016, 79 civis forom mortos, dos quais quatorze eram mulheres e um bebê por nascer (morto por um tiro no ventre). Dessas 79 pessoas, polo menos 22 foram baleadas dentro dos limites das suas casas, seja dentro de casa, na soleira da porta ou terraço ou no jardim. Quatro pessoas morrerom em operaçons ligadas fora das áreas do toque de recolher.

Os toques de recolher em Sur e Cizre estam em andamento: a 19 de janeiro, estavam em seus respectivos dias 49 e 38. Com base em relatos dos medios de informaçom, o TIHV afirma que em todas as áreas dos toques de recolher cerca de dez mil forças de segurança foram enviados, juntamente com centos de veículos militares blindados, como tanques, veículos blindados e canhons. A partir do 19 de janeiro, o toque de recolher em Silopi, que começou no mesmo dia como o de Cizre, foi levantado durante o dia de cinco am a seis pm, mas continuou nas horas da tarde e noite.

Para obter detalhes sobre as dadas dos toques de recolher e os nomes e idades dos civis mortos, a ‘tabela detalhada‘ para baixar que o TIHV oferece no seu site.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 03 silopiNom está claro quantos membros das forças de segurança (exército e polícia) foram mortos na violência em curso. Também nom fica claro quantos dos civis mortos eram realmente membros das YPS. Há perdas entre os membros do PKK também, mas estas mortes, em geral, nom ocorrem nas cidades, mas nas áreas rurais e nas montanhas de Qandil, onde os bombardeios polo exército turco estam em curso. Há exceçons: na cidade oriental de Van, doze membros do PKK forom executados o 10 de janeiro, mais informaçons neste artigo, e em Kiziltepe dous membros do PKK forom mortos pola polícia durante umha missom lá.

A Human Rights Watch publicou um relatório a meiados de Dezembro, e tinha meticulosamente investigado quinze mortes de civis em Setembro e Novembro, em Cizre (província de Sirnak), Silvan (Diyarbakir) e Nusaybin (Mardin). O relatório nom oferece estatísticas detalhadas, mas descreve as condiçons em que a povoaçom tem de viver, incluindo a falta de comida, água, eletricidade e assistência médica.

Emma Sinclair-Webb, investigadora na Turquia, di no relatório: “O governo turco deve controlar as suas forças de segurança, interromper imediatamente o uso abusivo e desproporcional da força, e investigar as mortes e danos causados polas suas operaçons. Ignorar ou encobrir o que está acontecendo com a povoaçom curda da regiom só iria confirmar a crença amplamente difundida no sudeste que, quando se trata de operaçons policiais e militares contra grupos armados curdos, nom há limites – nom há lei.” O relatório completo pode-se ler aqui.

Amnistia Internacional também falou contra os toques de recolher e as operaçons militares, em umha chamada “açom urgente”. Nom só eles apontam para os toques de recolher, que carecem de base jurídica, e as mortes de civis, mas também chamam a atençom para o feito de que as manifestaçons contra o toque de recolher som geralmente proibidas e atacadas pola polícia, violando assim o direito à liberdade de reuniom. A açom urgente pode ser lida aqui.

4. Quem di que os civis morrerom todos polo fogo do exército ou da polícia? Nom poderiam ser balas ou foguetes das YPS também?

Isso poderia ser. O problema é que nengumha das mortes está investigada completa e independentemente. Os corpos som levados para o necrotério, onde se escreve um informe da autópsia, e já. O Estado tem a obriga de investigar minuciosamente a morte violenta dos cidadaos, mas isso nom acontece.

5. Houvo um processo judicial no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (CEDH) para que as toques de recolher sejam declarados ilegais. Como vai isso?

O caso está pendente. Os avogados que recorrerom ao CEDH pedirom que os toques de recolher fôssem suspensos enquanto o tribunal está a deliberar o caso, mas o tribunal rejeitou isso. Como o tribunal funciona lentamente, nom é esperado um veredicto em breve, mas, provavelmente, dentro de um ano. O que significa que o veredicto só virá quando os toques de recolher atuais estejam já levantados, entom que exatamente é o ponto? Riza Turmen, ex-juiz do CEDH e ex-deputado polo maior partido da oposiçom, o CHP, agora ensinando a lei dos direitos humanos na Universidade de Bilkent, em Ancara, conta: “O tribunal vai determinar que aconterom violaçons dos direitos humanos, e é importante estabelecer isso. Vários direitos humanos som violados durante os toques de recolher, o mais importante o direito à vida, o direito de nom ser exposto a maus tratos e a privaçom de liberdade.’

Ramazan Demir é um dos avogados que assistente na CEDH. El di: “O tribunal nunca ordenara a um país acabar com os toques de recolher, mas pode encomendá-lo a tomar medidas contra as violaçons dos direitos humanos durante os toques de recolher. Até o veredicto é conhecido, imos requerer ao tribunal por casos concretos urgentes. ”

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 04 paksoyO primeiro pedido dos avogados ao tribunal o 18 de Janeirofoi: as autoridades tenhem de permitir umha ambulância recolher o ferido Hüseyin Paksoy das ruas em Cizre, onde tinha estado à espera por ajuda médica por quatro dias. Paksoy era para ser internado no hospital, mas já era tarde demais: morrera. Ramazan Demir: ‘Enquanto isso, há outras pessoas feridas que precisam de cuidados médicos. Estou constantemente ao telefone com Faysal Sariyildiz, (deputado em Cizre do HDP), que se está esforçando por tirar os feridos fora das ruas e leva-los os hospitais.’

6. Por que o movimento curdo declarou o auto-governo? Isso é contra a Constituiçom, certo?

Sim, é contra a Constituiçom. Assim sim, há fundamento legal para julgar os prefeitos que declaram a autonomia nos seus municípios.

No entanto, o movimento curdo, em todos os anos que luita polos direitos curdos, tem frequentemente violado a lei, porque eles nom consideram as leis da Turquia legítimas ou em conformidade com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos. Eles digerom: ‘Nós eramos curdos nos dias em isso era considerado um crime. Eles começarom aulas de língua curda antes de que fosse permitido legalmente. Eles falarom curdo em reunions políticas quando isso ainda era umha razom para ser processados (que foi até o outono do 2013). Eles abrirom escolas em que o curdo era a língua de instruçom embora ainda nom existia nengum fundamento legal para isso. Declarar a autonomia pode ser visto neste âmbito: os curdos nom esperam até que os direitos lhes som concedidos, egerzem-nos, e, eventualmente, o Estado vai apanhar e legalizar umha situaçom já existente.

Essas declaraçons e apoios o autogoverno som pressiom ao governo. Prefeitos som detidos e presos, e o AKP ameaça de levantar a imunidade parlamentar dos deputados do HDP que falarom em favor do autogoverno. Estes som riscos calculados polo movimento político curdo. Eles sabem que nom vam conseguir facilmente os seus direitos e estam dispostos a fazer sacrifícios pessoais.

7. Por que o governo está fazendo o que está fazendo?

Boa pergunta. Havia alguma esperança de que a violência iria diminuir após as eleiçons antecipadas do 1 de novembro, na qual o AKP recuperou a maioria no parlamento que perdera nas eleiçons gerais do 7 de Junho. Mas na verdade a violência tem-se intensificado.

Pode haver duas razons para isto. Primeiro o desejo do presidente Erdogan para modificar a constituiçom e substituir o sistema parlamentar por um presidencial, com el mesmo segurando as rédeas do poder. O AKP no entanto nom tem assentos suficientes no parlamento para mudar a Constituiçom e levá-la a um referendo: precisa de 330 votos no Parlamento (3/5 dos 550 assentos), e tem 317, treze por baixo. Por isso, precisa do apoio de treze deputados da oposiçom, e com a violência atual, eles podem ser capazes de convencer aos ultra-nacionalistas do MHP. Afinal de contas, a violência entre as eleiçons atraiu a muitos eleitores do MHP ao AKP, e um lider e deputado do MHP já mudou para o AKP antes do 1 de Novembro.

Com a violência, Erdogan teria atingido dous coelhos de umha pedrada. Pode ser capaz de ganhar mais deputados do MHP. Mas mais caos no país pode também ajudar a convencer os cidadaos turcos sobre a necessidade de umha presidência forte com poderes executivos – por enquanto, longe de que umha maioria de turcos parecem estar convencidos da Turquia ter um sistema presidencial.

Em segundo lugar, a situaçom na Síria é importante, e provavelmente a principal razom pola qual está acontecendo. No início de julho de 2015, a Turquia intensificou a sua luita contra o ISIS, abrindo as bases aéreas de Incirlik e Diyarbakir aos F16 dos americanos que queriam bombardear o ISIS na Síria e no Iraque. Antes disso, a Turquia já tinha aumentado as detençons de supostos membros do ISIS dentro da Turquia, também invadindo casas e confiscando armas e fardas de batalha. Parecia que os turcos figeram um acordo com os EUA, e talvez também com o PYD, que rege nos cantons curdos na Síria: os curdos na Síria nom iriam avançar ainda mais para o oeste ao longo da fronteira com a Turquia. A Turquia é apavorada com que os curdos sírios, filiados ao PKK, assumam o control de todas as terras que fazem fronteira com a Turquia. Do ponto de vista da Turquia, essa é umha ameaça maior do que ter o ISIS na fronteira, umha vez que eles percebem o ISIS como umha mera ameaça superável à segurança e o PKK como um perigo para a sua unidade nacional.

Durante meses, o PYD e as forças armadas das YPG de feito nom se moverom mais ao oeste, e a força aérea americana nom bombardeou a área ao redor Jarablus, a cidade mais próxima ao oeste do território PYD/YPG, para apoiar militarmente as YPG, como tinha feito anteriormente por um curto período de tempo. A “linha vermelha” da Turquia era o rio Eufrates, que marcava a fronteira oeste do território do PYD / YPG. Os curdos nom a cruzarom- até o 26 de dezembro, quando as Forças Democráticas Sírias (SDF), umha aliança de diferentes milícias das que as YPG é umha parte, assumiu o control da represa de Tishrin.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 05 mapmanbijA Turquia nom foi capaz de impor a sua “linha vermelha”, e nom tem meios para fazê-lo. A única maneira de enfraquecer as YPG, de acordo com a avaliaçom da Turquia, é enfraquecer o seu irmao maior, o PKK, iniciando umha guerra total contra el e os seus jovens filiais nas cidades.

Este objetivo pode ser claro, mas é incerto se a Turquia tem umha estratégia real para ganhar esta batalha contra o PKK e as YPS. Nom foi capaz de vencer a resistência nas cidades, e, embora que afirmam que matarom centos de membros do PKK, estes números som impossíveis de verificar. A organizaçom nom perdeu o seu poder ataque, como ficou claro em um ataque do PKK em umha delegacia de polícia em Cinar, província de Diyarbakir, o 14 de Janeiro, em que um número ainda incerto de policiais (o estado di que um, o PKK reivindica mais de trinta) e cinco civis, entre os quais duas crianças morrerom (mais sobre isso mais tarde). A Turquia está enviando cada vez mais equipes especiais e equipamento militar para a regiom, que com certeza nom é um sinal de que as operaçons estejam indo bem.

A guerra realiza-se contra o povo do Curdistam, bem como, contra o movimento político curdo. Nom só muitos civis som mortos, mas também milheiros de pessoas estam fugindo das suas casas, deixando as áreas do toque de recolher, segurando bandeiras brancas e algumhas das suas pertences, e contentam com o tempo de estar com a família ou em aldeias onde eles podem ter umha pequena casa de verao . Ainda nom está claro se esta limpeza das cidades com o toque de recolher é umha estratégia do Estado, ou o resultado de umha falta de estratégia – talvez as operaçons estam levando mais tempo do esperado. Bairros e cidades inteiras som abatidos a escombros por tanques, morteiros e helicópteros. Um memorial chocante da década de 1990, quando o exército destruiu de 2000 a 3000 aldeias no sudeste e provocou centos de milheiros de pessoas fugindo.

O Estado turco está determinado a quebrar a vontade curda para obter umha maior autonomia a que têm direito. Isso parece estar intimamente envolvido com a caça que o AKP começou de representantes do movimento político curdo, mais especificamente o HDP, no parlamento tem 59 escanos. E se a imunidade de alguns deputados do HDP é levantada? E se, para ser mais específica, a imunidade de 28 deputados do HDP é levantada? Isso significaria que o 5% dos escanos parlamentares nom estariam ocupados, o que significa que novas eleiçons deveriam ser realizadas. Poderia ser este o que o AKP, leia-se Erdogan, persegue? Os rumores de que o objetivo de Erdogan som novas eleiçons começarom, e esta é umha maneira no que poderia ser realizado.

Todo o que o AKP precisa fazer em umhas novas eleiçons é que o HDP esteja sob o limiar do 10%. Se conseguirem isso, os votos dos distritos onde o HDP venceu iriam para o segundo maior partido naquel distrito, que é o AKP nas regions curda. Isso poderia fazer obter o AKP umha super-maioria de 400 escanos, especialmente quando a violência é contínua e as pessoas podem estarr convencidas da necessidade de um governo forte de partido único – correçom: um sistema presidencial, com um presidente segurando poderes executivos. A Constituiçom pode ser alterada sem referendo pola votaçom de 400 deputados em favor da mudança constitucional.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 06 weguitsurA mudança atual de muitos civis das suas cidades vai ajudar o AKP, pois ajudou o partido nas eleiçons do 1 de Novembro: análises independentes mostrarom que o HDP perdeu votos porque muitos curdos deixaram as suas cidades devido ao toque de recolher e a violência e, portanto, nom eram capazes a votar onde estavam registrados oficialmente. Com dúzias de milheiros de pessoas fugindo, e talvez uma intensificaçom dos toques de recolher em áreas onde há muita neve, umha vez que chegue a primavera, isso poderia ter um efeito significativo sobre qualquer resultado eleitoral. O HDP obtivo o 10,7% nas eleiçons do 1 de Novembro e está perigosamente perto do limiar do 10%. Poderiam retornar à estratégia anterior de correr como independentes para contornar o limite, mas isso nom é muito provável.

Especulaçons rebuscadas? Talvez, mas isto é a Turquia. Imos continuar olhando atentamente o desenvolvimento.

8. Por que o PKK matou civis no ataque em Cinar?

O próprio PKK di que os civis nom eram o objetivo. Montarom um carro-bomba para explodir em frente à delegacia de polícia em Cinar, província de Diyarbakir, umha das estaçons onde as operaçons das forças de segurança estam sendo coordenadas. De acordo com as autoridades turcas, 6 pessoas morreram, entre os quais um policia, três civis adultos e duas crianças. De acordo com o PKK, mais de trinta policias morreram e cinco civis, incluindo duas crianças. Quem tem razom? É impossível determinar isso.

Os civis eram membros da família de policias. É comum que as famílias de policias fiquem em compostos estaduais durante o destacamento policial no sudeste, geralmente por um par de anos antes de serem transferidos para outro lugar. A delegacia de polícia tinha vários andares, os superiores em uso residencial. A questom de por que os civis estam alojados no mesmo edifício que a delegacia nom está entre as perguntas que podem ser feitas na Turquia.

O PKK pediu desculpas polas mortes de civis e ofereceu condolências às famílias. Isso causou muita raiva: primeiro matam, em seguida, pidem desculpas? Um membro do PKK disse-nos: “Matar civis é um erro. Devemos-nos preocupar especialmente polas crianças, nom devemos matar civis.’
O ataque encaixa na estratégia do PKK que como me explicou o co-líder do PKK, Cemil Bayik: o PKK ataca as forças de segurança fora das cidades para tentar enfraquecer a polícia e o exército, para que possam operar de forma menos eficaz nas vilas e cidades.

9. Por que está a Europa em silêncio? E a imprensa europeia?

Europa fixo um acordo com a Turquia sobre os refugiados. Atendendo à evoluçom da Europa e das entranhas Europeias, a Europa está centrada em fazer nada para impedir os refugiados chegar à Europa. Nom é que isso seja possível, mas ao menos para os seus cidadaos cada vez mais reclamando-o, tenhem que manter as aparências. Em troca a Turquia fará os esforços para impedir os refugiados, a UE comprometeu-se a revitalizar o processo de adesom à UE com a Turquia. Turquia conhece a UE e nom vai desistir do acordo facilmente e pode violar os direitos humanos e esmagar o movimento curdo sem impedimentos por parte da UE. A UE manobra a esta situaçom cínicamente, com conhecimento de causa e, portanto, de bom grado. Nom é nada novo, porém, que a vida dos curdos estam baixos na sua lista de prioridades. Ou as vidas dos refugiados, para este assunto.

A UE e os EUA também precisam da Turquia na sua luita contra o ISIS. Turquia usa isso para conseguir a aprovaçom implícita da sua luita contra os curdos. A UE está a dar essa aprovaçom, basicamente, explicitamente, ao reconhecer o direito da Turquia para combater o terrorismo. Nom há muito mais que poidam fazer, umha vez que o PKK também está na sua lista de organizaçons terroristas. Mas nom acho que essa lista é umha espécie de lista objetiva cientificamente provada de organizaçons terroristas; a lista é umha ferramenta política para forjar amizades entre os estados (e para cortar os fluxos de dinheiro para as organizaçons da lista, entre outras cousas). Seria bom se o PKK já nom estiver na lista de organizaçons terroristas da UE, mas é por enquanto impossível tirá-la, porque isso iria prejudicar demais as relaçons entre a Turquia e a UE. Na verdade, a Turquia está a pressionar a UE para adicionar mais organizaçons curdas à lista, como a organizaçom guarda-chuva KCK.

No entanto, nom é verdade que ninguém na Europa se preocupe com o que acontece com os curdos. Recebim chamadas e também reunim com vários políticos e decisores políticos da UE que querem informar-se melhor e saber o que pode ser feito sobre as violaçons de direitos humanos atuais. Esses contatos som confidenciais, entom nom podo revelar com quem conversei, mas certifico que nom som de partidos verdes nem de esquerda que já som antigos amigos dos curdos.

E a imprensa europeia? Há jóias, e vas ve ver e ler, se mantes umha estreita vigilância. Mas, infelizmente, há muitos grandes meios de comunicaçom que confiam demais nas informaçons das autoridades turcas e nom estam dispostos ou som capazes de informar desde o território. As jóias provam que ainda é possível ir o sudeste, e, embora as áreas do toque de recolher nom estam acessíveis para a imprensa, há bastante histórias lá, que podem ser escritas. Os meios de comunicaçom que nom o fazem abandonarom a sua missom de informar e devem mover os seus traseiros lá o mais rápido possível.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey  07 Fréderike GeerdinkFrederike Geerdink é umha jornalista freelance de origem holandês que viveu em Turquia e o Curdistam entre o 2006 e 2015, quando foi deportada polo régime turco. Tem escrito numerosos artigos sobre o Curdistam e um livro sobre a matança de Roboski, onde a aviaçom turca assassinou a 34 aldeans.

O artigo foi traducido com o consentimento expresso da autora, e publicado originalmente em beaconreader (plataforma de jornalistas independentes).

 

Chamada urgente das organizaçons de direitos humanos da Turquia à Comunidade Internacional

Urgent Call from Turkey’s Human Rights Organizations to the International Community Artigo

Com a interrupçom das conversaçons de paz, o governo da Turquia começou, a meados de agosto, a implementar umha política de segurança que restringe ilegalmente os direitos e liberdades fundamentais naquelas cidades e vilas em grande parte povoadas por curdos.

Desde agosto de 2015, toques de recolher de longa duraçom e consecutivos forom declarados nas províncias de, e cidades ligadas a Şırnak, Mardin, Diyarbakir, Hakkari e Muş, e ainda estam em curso em algumhas cidades e vilas. Durante essas proibiçons, a imprensa nacional e internacional, as organizaçons dos direitos humanos ou profissionais, bem como os representantes do parlamento que queriam identificar as violaçons de direitos negou-se-lhes o acesso a essas cidades e vilas. De acordo com as conclusons dos relatórios elaborados polo pequeno número de organizaçons da sociedade civil que poiderom ir para a regiom diante dos enormes obstáculos, que determinarom que a povaçom civil tornou-se alvo dos franco-atiradores e do armamento pesado , que foi utilizado de umha forma arbitrária.

De acordo com os relatórios elaborados por organizaçons dos direitos humanos, 1,3 milhons de pessoas forom afetadas polos toques de recolher; mais de 150 civis -incluindo crianças e idosos perderom as suas vidas [1]. Muitas pessoas forom feridas, e centos de milheiros de pessoas deslocadas. Ocorrerom detençons arbitrárias e apreensons e os civis estam sendo submetidos a tortura e maus-tratos em centros de detençom e em campo aberto. A intrusom nas redes de telecomunicaçons restringe o direito à informaçom e à liberdade de comunicaçom. Por umha decisom oficial de mandar fora os professores da regiom, a educaçom foi interrompida sem prazo, e os serviços de saúde também foram suspensos. A diligência devida de proteger os civis nom está sendo demonstrado em qualquer sentido e a eles nem sequer se lhes proporcionou a oportunidade de atender às necessidades diárias mínimas tais como o direito à alimentaçom e água. Após os toques de recolher, nom foram realizadas investigaçons imediatas e eficazes. O julgamento e puniçom das forças de segurança que violam os direitos esta a ser impossibilitada. A política de impunidade expande-se e continua, cada vez mais grave.

Embora o toque de recolher ter sido declarado, nos termos do artigo 11 / C da Lei de Administraçons Provinciais, com a justificativa de “apreender os membros de organizaçom terrorista” e “garantir a segurança física das pessoas e as suas propriedades”, juristas concordam em grande medida que a referida lei nom dá direito a um alto funcionário público para declarar tal proibiçom, que afectaria os direitos e liberdades de povoaçons inteiras que vivem em umha cidade ou num povo. Nos termos do artigo 13 da Constituçom, essa restriçom só pode ser introduzida através da “lei”. Os Toques de recolher declarados sobre as instruçons províncias estam violando a constituiçom. O facto de o enquadramento dos toques de recolher e as sançons dos mesmos nom estam sujeitos à lei significa que as operaçons de segurança realizadas neste período e as violaçons de direitos também nom estam sujeitos a qualquer control judicial.

A nom ser em tempos de guerra, em áreas povoadas, onde um estado de emergência ou lei marcial foram declarados, as forças de segurança nom tenhem o direito de usar armamento pesado e muniçons em violaçom do princípio da necessidade absoluta sem garantir a evacuaçom da povoaçom civil . Durante o planejamento, comando e control das operaçons alegadas para servir o propósito de proteger as vidas de civis contra a violência ilegal, é inaceitável perpetuar a força arbitrária e desproporcional que nom está de acordo com o dever de cuidado esperado do Estado numha sociedade democrática. A força letal usada polo governo da Turquia nas províncias e distritos acima mencionados está atualmente em grave violaçom do princípio da proporcionalidade que deve ser assegurada entre o objectivo pretendido e a força usada para este fim em umha sociedade democrática.

O ambiente do conflito transformou os defensores dos direitos humanos em alvos da violência estatal e do assassinato político. O Presidente da Associaçom de Advogados Diyarbakir e defensor dos direitos humanos Tahir Elçi foi assassinado enquanto el estava dando umha declaraçom à imprensa em que pedia o fim das operaçons de segurança e retomada das negociaçons de paz.

A situaçom é grave e a nossa chamada é urgente!

Como organizaçons da sociedade civil exigimos da comunidade internacional de recordar ao Governo da República da Turquia que:
• A declaraçom de toques de recolher na ausência de qualquer base jurídica som inaceitáveis,
• A força letal nom pode ser usada de umha forma desproporcionada e arbitrária,
• Durante as operaçons de segurança os deveres decorrentes do direito internacional dos direitos humanos, o direito penal internacional, bem como o direito internacional humanitário nom pode ser suspenso,
• As organizaçons de direitos humanos, organizaçons profissionais, representantes do governo local e do Parlamento, luitando até o fim, para identificar e sancionar as violaçons de direitos e reflectir o processo com total transparência para a comunidade internacional, deve ser apoiada, e
• exigimos um cessar-fogo bilateral, o cesse do conflito e a retomada das negociaçons de paz de forma oficial e transparente, na presença de observadores independentes.

 

Membros assinantes da Coaliçom contra a Impunidade
Asociaçom de Avogados de Batman, Asociaçom de Avogados de Diyarbakır, Assembleia de cidadans de Helsinki – Turquia, Human Rights Agenda Association, Associaçom dos Direitos Humanos, Fundaçom de Direitos Humanos da Turquia, Asociaçom de avogados de Şırnak, Centro da Memória, Verdade e Justiça .

[1] Os números atualizados sobre as violaçons do direito à vida, como resultado de toque de recolher por diferentes fontes som as seguintes: De acordo com dados do Centro de Documentaçom da Fundaçom de Direitos Humanos da Turquia a 06 de janeiro de 2016, polo menos 151 civis perderam as suas vidas dentro do período dos toques de recolher em 17 cidades de 7 distritos. De acordo com a Unidade de Documentaçom da Associaçom dos Direitos Humanos, desde o início do conflito armado o 24 julho de 2015 até o 6 de janeiro de 2016, 134 civis que viviam em cidades nas que se declarara toques de recolher perderam as suas vidas como resultado do toque de recolher. 12 pessoas perderam suas vidas no 2016 durante o toque de recolher em Sur, Cizre e Silopi. O Centro de Informaçons do Partido Democrático do Povo, que também monitoram diariamente as violaçons do direito à vida, o número de de pessoas que perderam as suas vidas era de 152 ate o 6 de janeiro de 2016.

Recolhido em hakikat adalet hafiza merkezi.