‘Erdogan vai seguir os passos de Saddam ou Hitler’: Entrevista a Zubeyir Aydar, líder político curdo

01-zubeyir-aydarPor Figen Gunes

“A maior mostra de solidariedade após a resistência de Kobanê em toda a Europa entre os curdos foi depois que os líderes e deputados do HDP foram presos na Turquia “, dixo Zubeyir Aydar, membro do Comité Executivo da Uniom de Comunidades do Curdistam (KCK),  organizaçom a que pertenze o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK).

Zubeyir Aydar respondeu às perguntas de Figen Gunes sobre a ausência de protestos nas ruas na Turquia, bem como o apoio dos partidos do Governo Regional do Curdistam e as possibilidades de transformá-lo numha oportunidade para consolidar as relaçons nacionais entre os Curdos.

Figen Gunes: O povo do sudeste da Turquia sofreu umha grande destruiçom em todos os níveis desde o colapso do processo de paz. Depois de quase 200 civis terem sido queimados vivos em três sotos de Cizre, Sirnak, seria de esperar fortes protestos públicos. No entanto, nom houvo grandes manifestaços. Mas quando olhamos para a diáspora curda na Europa, especialmente na Alemanha, vemos umha  forte condenaçom do governo turco em grandes protestos de milheiros de pessoas enviando mensagens de apoio para às gente do sudeste da Turquia. Pode nos falar sobre essa dicotomia?

Zubeyir Aydar: Quando o estado está matando as pessoas nas ruas é difícil sacar as pessoas. Há milhons de pessoas em Bakur (norte do Kurdistan-sudeste da Turquia) que, de outra forma, estariam nas ruas protestando contra a opressom dos curdos. Sob as Leis de emergência, há actuaçons limitadas. Além disso, os líderes que organizariam estas mobilizaçons estam todos sob custódia ou presos.

Até 1992, grandes massas protestavam nas ruas. No entanto, quando eu fum a Sirnak no verao de 1992 como deputado da cidade, a gente mirava-nos de longe. Estavam com medo de aproximar-se-me devido à atmosfera no momento. Isso nom significava que eles estiveram contra minha ja que fum escolhido por eles. É porque o estado é muito experiente em como silenciar às pessoas.

As multitudess que vimos na Europa em protestos públicos tenhem as mesmas inclinaçons políticas com aqueles no Curdistam. Aqui na Europa, nom há nem toques de recolher nem limites aos protestos. Esta é a única razom pola qual nom vemos protestos em Diyarbakir, onde as pessoas sabem que pagariam com as suas vidas. Tendo dito que em Adana e Mersin, por exemplo, há menos pressom e as pessoas estavam criticando as decisons do governante AKP.

O Plano Colonialista de Reforma do Leste ainda está em vigor

F.G: Historicamente, o governo turco, que criaram um  espaço para conversaçons bilaterais com os líderes do PKK, classificariam mais tarde estas conversas como atos de traiçom. Pode nos dizer se o governo atual na Turquia tinha umha política para tratar os curdos de umha certa maneira desde o início ou estamos enfrentando umha liderança volátil sem planos concretos do governante AKP?

Z.A: O Plano de Reforma do Leste (Sark Islahat Plani), que chamamos de plano de genocídio, tem sido usado contra os curdos desde 1925. Este era o documento teórico detalhando como os curdos seriam erradicados. Nos últimos anos, a Turquia tentou abordar a questom curda sem recorrer à guerra, mas este discurso nom reconhecia a identidade curda. O governo turco mais umha vez nos últimos anos viu o PKK apenas como portador de armas; Eles pensavam que se o PKK desistisse das armas, a questom curda seria resolvida. Isto foi mencionado em todas as conversaçons, incluindo Oslo (2009) e Imrali [2013-2015] com o governo turco.

O governo nom apresentou um plano político para abordar a questom. Emre Taner, ex-funcionário do Serviço de Inteligência Turco (MIT), repetiu recentemente isso quando deu provas ao comitê de investigaçom do golpe. Taner foi o arquitecto das conversaçons de Oslo e admitiu que o governo turco nom ofereceu um roteiro aos curdos durante as conversaçons de Oslo para resolver a questom.

Além disso, o primeiro objectivo estabelecido no Plano de Reforma Oriental era a assimilaçom dos curdos residentes no Oeste do Eufrates. Portanto, quando o atual governo turco di que o oeste do Eufrates é a sua linha vermelha, isso nom deve ser visto como umha coincidência. Esta fronteira de feito vem deste documento histórico. O governo pensa que se os curdos atravessaram ao oeste do Eufrates em Rojava, também o fariam no Iraque.

Declaraçom de Dolmabahce

F.G: Os curdos forom capazes de negociar um acordo com o atual governo em fevereiro de 2015. Por que entom a Declaraçom de Dolmabahce foi desfeita? 

Z.A: O atual período de guerra veu depois do estado profundo na Turquia: Ergenekon e Gulenistas estenderam a cabeça e questionaram a Declaraçom de Dolmabahce. Esta declaraçom tinha o potencial de resolver a questom curda através de dez pontos práticos. Contudo, estas forças do estado profundo digeram-lhe a Erdogan, “Vostede é o que senta no palácio mas esta declaraçom deve ser bloqueado”. Esta era inerentemente umha decisom de guerra. Queriam buscar umha resoluçom nas negociaçons de paz, ou luitar. No verao, logo da Declaraçom de Dolmabahce ter sido abandonada por Erdogan, o conflito retomou. Agora, mesmo as associaçons curdas estam sendo fechadas. Nom apenas isso, os conselhos locais eleitos e administrados polos curdos estam sendo apreendidos e substituídos por administradores designados polo governo. A prisom dos 10 deputados do HDP é também umha parte deste período de conflito. Nom reconheceremos os guardians designados. No entanto, as declaraçons para o auto-governo curdo nom estam na nossa agenda para o futuro próximo porque o povo nem sequer é capaz de respirar e mover-se livremente.

Ajoelhar-se ou morrer

F.G: Forom abordados polo governo turco para iniciar umha nova fase de negociaçons após a mesa da negociaçom ter sido derrubada.

Z.A: Nom. Nós, como Movimento de Libertaçom do Curdistam somos confrontados com a destruiçom total porque o governo di isso: ou ajoelhar-se ou morrer. Nom nos inclinaremos, portanto estamos sendo atacados. Primeiro, a Turquia apoiou o Daesh (Estado Islâmico) para bloquear os ganhos dos curdos na Síria, e entom entrou el mesmo com o mesmo objetivo. A nossa estratégia é defender-nos em Rojava e Turquia com as armas. O presidente Recep Tayyip Erdogan é um ditador e por esta razom estaremos trabalhando para construir umha frente pola democracia ao lado de outras vozes da oposiçom na Turquia.

Outra prioridade para nós é concentrar-nos com a diplomacia, neste momento particular. Vamos expor os erros da Turquia, especificamente da OTAN e a UE. Nom Imos ajoelhar, mas resistiremos e isso precisa ser explicado ao mundo inteiro.

O objetivo dos curdos umha nova aliança

F.G: A Turquia atravessa um período extraordinário. Como é que o partido no poder preenche os cargos vacios polas grandes purgas? Quem som os novos sócios do Estado?

Z.A: Erdogan formou umha nova aliança com o Ergenekon. Ironicamente, os Gulenistas e Erdogan luitaram juntos contra esta força na última década e aprisionou-nos. No entanto, agora, Erdogan tem umha aliança inversa em vigor. O primeiro objetivo desta aliança é a consolidaçom do governo de Erdogan. A segunda é a eliminaçom total dos gulenistas nas posiçons governamentais. Sob esta nova aliança o objectivo comum de luitar também os curdos.

Erdogan nom descera do seu palácio normalmente; El vai ser preso ou morrer, seguindo os passos de Hitler ou Saddam, que el tentou imitar com as suas políticas expansionistas e opressivas na Turquia e no Oriente Médio em geral. A UE e os Estados Unidos nom estam satisfeitos com esta orientaçom. Eles nom querem umha Turquia instável. Apesar de estar infelizes, ainda nom querem impor sançons contra a Turquia, o que deveria ter sido feito rapidamente.

Os grupos paramilitares de Erdogan

F.G: Como pode esta nova aliança sobreviver em meio disses inimigos?

Z.A: Erdogan tem trabalhado na criaçom dos seus próprios grupos paramilitares. Historicamente, o partido político nacionalista MHP foi dado a esta tarefa e criou os Lobos Cinzentos para usa-los em favor do governo. Mas agora, as Unidades Otomanas (Osmanli Ocaklari) forom formadas e estam sob as ordens diretas do governo e operam como parte das unidades especiais no serviço secreto. No ano passado, houvo uma onda de ataques ao HDP. Este foi trabalho das Unidades Otomanas. Os alemaes alertaram-nos sobre a sua grande existência na Alemanha. Acreditamos que estam organizados em toda a Europa. As informaçons da Alemanha reveladas sobre eles devem ser tidas em conta e tomar medidas.

Unidade Curda

F.G: Alguns pensam que a personalidade alegre e adorável de Selahattin Demirtas pode desempenhar um papel em reunir outras seçons do movimento curdo; Vostede está esperançoso na unidade entre os curdos, especialmente depois que os líderes do HDP foram presos?

Z.A: As prisons dos líderes do HDP criaram umha reaçom entre outros líderes curdos. No entanto, eu encontrei a reaçom do KDP macia. Os problemas atuais nom podem ser resolvidos através da opressom; A liderança do KDP nom condenou as açons da Turquia. Dito isto, outros partidos curdos nas quatro partes do Curdistam mostraram a sua condenaçom da Turquia, o que é importante. Os desenvolvimentos em Mosul e Rojava criam ainda a necessidade de unifidade entre os curdos. Estamos prontos para um diálogo mais desenvolvido; No entanto, é difícil prever se isso levaria a quaisquer ganhos sob a forma de cooperaçom sólida a curto prazo.

Diferenças históricas

F.G: O PKK está perdendo força depois dos recentes ataques?

Z.A: Os curdos gozavam de autonomia sob o domínio otomano desde o início dos anos 1500 até o início do século XIX. Quando isso mudou, começarom os motins contra os otomanos. O primeiro motim foi em 1806 em Sulaymaniah. Desde entom, 210 anos passarom, mas há umha série de revoltas. O ex-presidente da Turquia, Suleyman Demirel, dixo umha vez que o PKK era a 29ª revolta curda, no entanto, de acordo com os documentos do Comandante Geral turco, o PKK é o 39º movimento curdo desde o início do Império Otomano. A diferença é que a existência do levante do PKK é a mais longa do que o total de todas aquelas que forom anteriormente. Os movimentos do passado eram locais e fracos e, portanto, forom suprimidos em um curto espaço de tempo. No entanto, o PKK tem crescido continuamente nos últimos 33 anos.

Na Turquia, os governos venhem e vam e cada um promete erradicar o PKK, mas nom foi esse o caso. Nos anos 90, tínhamos um grupo parlamentar curdo, mas agora, apesar de alguns terem sido presos, temos um grupo muito mais forte. Temos também mais municípios administrados polos curdos e o reconhecimento internacional de Rojava, que nom existia no passado. Mais umha vez na década de 1990, houvo Saddam no Iraque e o Governo Regional do Curdistam era fraco. A OTAN era um partidário proeminente da Turquia. Mas nos últimos anos, a UE e as relaçons da OTAN com a Turquia tenhem azedado. Os curdos também pagarom um preço durante este período, mas imos sair mais fortes. A operaçom de Raqqa ajudará os curdos a ganhar mais reconhecimento.

Trump no Oriente Médio

F.G: Trump vai ser um bom amigo para os curdos? Qual é a sua previsom, dado o seu populismo no período das eleiçons?

Z.A: É difícil prever, como el era um homem de negócios no passado. Nom tem experiência política. Foi eleito presidente, mas um home nom pode mudar o modelo de política da América sozinho. A sua política externa e prática nom muda com um home. Além disso Trump nom está claro sobre como vai implementar as suas políticas. Queremos que a América seja mediadora nas negociaçons de paz e entenda que a política opressiva da Turquia contra os curdos nom pode durar mais tempo.

03-figen-gunesFigen Gunes é umha jornalista de Al Jazeera Inglês com foco na liberdade de expressom, a mudança de propriedade dos mídia e julgamentos de jornalistas na Turquia. Formada em mestrado em Relaçons Internacionais, escreveu a sua tese sobre a viabilidade futura de Rojava.

Publicado em Kurdishquestion.

Um terrorista vive em Turquia

Erdogan ISSipor Naila Bozo

Desde o Verao do ano passado as forças armadas turcas estiverom a sitiar bairros e distritos inteiros em povos e cidades curdas sob o pretexto de toques de recolher impostos polo Estado, matando mais de 250 civis e deslocando 350.000 pessoas na regiom curda no sudeste da Turquia.

A jornalista curda Asya Tekin da Agência de Notícias de Mulheres escreveu umha carta desde a cidade sitiada de Cizre em dezembro, descrevendo as condiçons inumanas sob as que viviam: “[…] Os feridos estám com medo de ir para o hospital porque temem ser baleados polos atiradores [da polícia e exército turco]. Mesmo aqueles que vam com bandeiras brancas som baleados e mortos. Duas mulheres que entraram em parto prematuro perderom os seus bebês recém-nascidos e ainda nom tinham o permisso para enterrá-los. […] As escolas som usadas como bases para as operaçons militares.

“O bebê de três meses Miray Ince foi baleado por um franco-atirador e morreu nos braços da sua tia. A polícia e os militares continuam atacando as pessoas que queremam enterrar os seus parentes mortos. As pessoas estám ficando sem comida. Nom houvo electricidade durante os últimos 15 dias […]”

Os toques de recolher tenhem dificultado aos jornalistas e observadores independentes ganhar acesso às áreas sob cerco, o que complica os esforços para dar um relato detalhado dos ataques contínuos do Estado turco. Os jornalistas locais som impedidos no seu trabalho enquanto som regularmente detidos pola polícia turca por fazer “propaganda de umha organizaçom ilegal”, geralmente significa propaganda do PKK, o movimento armado que luita por maiores direitos para os curdos na Turquia.

Os ataques indiscriminados das forças armadas turcas contra civis e combatentes armados curdos vêm na esteira do colapso das chamadas “negociaçons de paz” entre o Estado turco e representantes do povo curdo, que começou no início de 2013.

Normalmente disse que o PKK causou o final das negociaçons de paz quando os seus combatentes matarom um soldado turco e dous policiais o 21 e 22 de julho do 2015, como vingança polo atentado suicida do Estado islâmico na cidade de Suruç, perto da fronteira turca com a Síria, que matou 32 pessoas e feriu mais de 100, a maioria delas estudantes universitários.

Os curdos tenhem repetidamente salientado que a Turquia também carrega culpa pola massacre Suruç, pois deixou permanecer porosa a fronteira com a Síria que permitiu que combatentes estrangeiros uniram-se ao Estado islâmico e que os seus membros atravessara-na para voltar e ficar na Turquia.

Dizer que o PKK levou ao colapso o processo de paz é uma versom simplificada dos feitos, que, infelizmente favorece a Turquia e reforça a sua legitimidade nas operaçons militares contra o PKK, e que deliberadamente tem como objetivo os civis curdos. Embora houvesse algumha atençom ao conflito armado na regiom curda, a Turquia conseguiu matar centos de civis e combatentes armados, arrasar edifícios e destruir bairros inteiros com impunidade devido à simplificaçom retórica do seu conflito com o PKK e os curdos que limitou com sucesso a questom curda a ser uma questom terrorista. Por causa do estatus da Turquia como um membro da OTAN, a sua aplicaçom arbitrária da lei anti-terrorista e a inclussom politicamente motivada do  PKK nas listas de organizaçons terroristas e agora a crise de refugiados transformou os países europeus em aliados dóceis, a Turquia tem sido bem sucedida em exportar intencionalmente issa interpretaçom defeituosa dos bons turcos contra os maus curdos para o resto do mundo, culpando o PKK de pôr fim ao processo de paz. Além do que já foi mencionado, há dous problemas principais com o processo de paz que a Turquia estava explorando para sair como defensor da paz.

Tentativas fingidas em um processo de paz

Em primeiro lugar, pode-se perguntar se as conversaçons entre o PKK e a Turquia foram realmente feitas com o objetivo de trazer a paz para a Turquia e a regiom curda e por isso merecem ser chamadas “negociaçons de paz”. O tratamento dos civis curdos é um bom indicador da autenticidade das intençons. Como o Estado é capaz de rever a sua constituiçom e conceder aos curdos maiores direitos políticos, sociais e culturais que forom exigidos, a Turquia deveria ter-se movido a frente e fazer concessons que satisfizeram às pessoas. No entanto, a situaçom dos povos jamais foi aliviada e as suas queixas nom forom suficientemente abordadas. O pacote de reformas sensacionalistas a partir de 2013 foi uma tática destinada a melhorar a imagem da Turquia na comunidade internacional.

A estratégia empregada polo Estado turco foi umha abordagem defeituosa de cima para baixo com dois níveis básicamente para el. O primeiro, ou superior, era como desarmar e punir o PKK, ao mesmo tempo, enquanto o segundo, ou inferior, é o que realmente importava para o processo de paz: as pessoas. A reconciliaçom com os curdos teria sido mais bem sucedida se o Estado turco em vez empregara umha abordagem de baixo para cima: conceder maiores direitos civis, parar a perseguiçom de jornalistas curdos e pró-curdos, permitir aos curdos a reunir-se em assembléias e em protestos sem ser gaseados, atacados com canhons de água e detidos ou mortos.

Em vez disso, as reivindicaçons do presidente turco Erdogan das negociaçons de paz e de apoio e promoçom dos seus “corajosos passos para a paz” dos estados aliado tenhem corrido paralelamente às imagens sombrias de massas curdas portando ataúdes, famílias sendo atacadas fora dos hospitais e necrotérios pola polícia turca ao tentar encontrar os seus seres queridos feridos polas forças armadas turcas e um jovem assassinado sendo arrastado atrás de um veículo da segurança armada.

Consequentemente, as conversaçons de paz parecem bastante mais umha tentativa de negociaçons de paz que negociaçons de paz reais – umha tentativa fingida.

O partido político pró-curdo, cujos membros tenhem luitado duro para superar os obstáculos estabelecidos polo AKP, o partido do governo na Turquia, para luitar a batalha pola liberdade no parlamento, mas eles continuam a topar com a resistência mais feroz do AKP e o Presidente Erdogan , fundador do AKP, que estam actualmente a tentar levantar a imunidade dos deputados pró-curdos para processá-los por “insultar” a el, por “promover a inimizade” e por ser o porta-voz do PKK, todos os esforços feitos para evitar que os curdos sejam participantes legítimos no discurso político. Que sinal envia-se ao povo curdo quando vêem que as pessoas que votarom para o parlamento estam sendo empurrados para fora da esfera política e acusados de terroristas?

AKP ErdogamTurquia está luitando contra os curdos em todos os campos da sociedade. Turquia luitou contra os civis curdos que fundarom a sua própria escola em língua curda. Eles matarom umha criança que ia da casa ao trabalho. Eles negarom justiça aos 34 civis assassinados ao tentar sustentar as suas famílias através do contrabando porque a Turquia tem mantido a regiom curda empobrecida. Há inúmeros exemplos de como a Turquia está tornando a vida umha luita diária para os curdos e mantê-los aterrorizados e com medo do que vai acontecer com eles. Eles tenhem feito que alguns curdos tornaram-se oposiçom ao movimento de resistência curda porque virom o que a Turquia fai com aqueles que se oponhem as suas violaçons dos direitos humanos.

Mas que acontecerá se a Turquia consegue o silenciamento dos civis, sufocar o movimento de resistência e levar os políticos eleitos à prisom?

É indiscutível que, apesar de todas as abordagens políticas utópicas e extremistas, o PKK desempenhou um papel histórico ao apresentar o problema e a necessidade de umha soluçom de maneira mais notável e ao tornar necessária a soluçom”, Abdullah Öcalan, um dos fundadores do PKK, escreveu em 1999, no seu livro, “Declaraçom sobre a Soluçom Democrática da questom curda.”

Nom é de surpreender que o PKK nom poida desarmar-se e render-se. Será que um Estado-naçom cede o seu exército porque um “diálogo pacífico” é o melhor caminho a seguir? Nom. Entom, por que um povo que tem os direitos severamente limitados e que estam sujeitos aos ataques da Turquia o devera fazer? Por que deveriam tornar-se ainda mais vulneráveis? Há umha necessidade inerente dentro de nós em saber que estamos protegidos. E a Turquia nunca quis proteger os curdos. A Turquia é o assassino do povo curdo. Nom pode ser o seu protetor também.

Terrorismo de Estado

Há um segundo problema com o chamado processo de paz. Digamos que essa aproximaçom fora acontecendo de verdade. Por que quebrar com o PKK por matar dous soldados turcos? Por que o fim definitivo às negociaçons de paz nom aconteceu com os inúmeros casos de violaçons dos direitos humanos contra os curdos?

Porque seria prejudicial para a Turquia e os seus aliados se fora reconhecido que a Turquia nom só estava exagerando o seu uso da força contra combatentes armados e civis curdos, mas estivo perpetuando o conflito com os curdos. Nom se pode imaginar que um membro da OTAN iria admitir que um grupo armado nom-estatal foi criado como umha reaçom às suas políticas abusivas e acçons brutais contra um povo que compom mais do 18% da sua povoaçom. O tratamento do povo curdo da Turquia pode ser facilmente caracterizado como terrorismo – exceto oficialmente, nom há tal cousa de terrorismo de Estado, porque isso deslegitimaria muitos estados poderosos.

Erdogan é Gollum

Gollum ErdoganMesmo a menor crítica é considerada como separatismo, Abdullah Öcalan escreveu sobre a Turquia que tem um aguçado senso da integridade territorial; um separatista é por definiçom um terrorista.

É por isso que a Turquia detivo 27 acadêmicos no início deste ano depois de terem assinado umha petiçom de paz com mais de 1.000 outros signatários de universidades turcas exigindo o fim da “massacre deliberada e deportaçom dos curdos polo governo.” Todos os signatários estam sob investigaçom e podem enfrentar penas de prisom se fossem considerados culpaveis.

“O título de deputado, acadêmico, escritor, jornalista nom muda o feito de que eles som realmente terroristas”, Erdogan dixo o martes. “Nom é so a pessoa que puxa o gatilho, mas aqueles que figeram isso possível que também devem ser definidos como terroristas.”

Nom há diferença, acrescentou, entre “um terrorista segurando umha arma ou umha bomba e aqueles que usam a sua posiçom e caneta para servir os mesmos objectivos.”

Estudantes nacionalistas turcos marcarom as portas dos escritórios dos signatários com x vermelho para indicar que este é o lugar onde um “simpatizante do terrorismo” vivia. Polo menos 30 acadêmicos forom despedidos, 27 forom suspensos polas suas universidades pendentes investigaçom e, em alguns casos, a polícia tem buscado nas suas casas e escritórios, escreveu Human Rights Watch.

Os princípios e programas tenhem um valor, se existem para melhorar ainda mais a vida, escreveu Öcalan. O oposto exato é a realidade na Turquia no momento. O Presidente Erdogan está constantemente sufocando vozes que proferiam preocupaçom e crítica da repressom do governo sobre os curdos e as tentativas flagrantes de Erdogan para expandir a sua autoridade presidencial para ganhar mais poder. Os seus princípios e programas nom se destinam a proteger vidas civis; estimular a educaçom, o conhecemento e a liberdade. O seu objetivo é pessoal, o que o favoreça a el e aos bos turcos (como os define el mesmo). Os acadêmicos que assinaram a petiçom paz som maus turcos e as mídias leais ao Erdogan está a estigmatiza-los como tais.

Um tribunal turco permitiu os meios de comunicaçom fazer comentários depreciativos sobre os acadêmicos utilizando termos como “certificado perverso”, “professora lésbica gay” e “amantes armênios”, entre outros, afirmando que era “no âmbito da liberdade de imprensa” . É revelador a mentalidade dos simpatizantes do AKP que consideram os dous últimos termos como insultos.

Enquanto isso, o Ministério da Justiça turco aprovou a abertura de 1.845 casos contra pessoas acusadas de insultar o presidente Erdogan, um dos insultos compara-o a Gollum, a criatura do Senhor dos Anéis. A sua pessona egomaníaca é um catalisador para a deterioraçom da situaçom na Turquia e no Ocidente tem desempenhado o seu papel, encorajando a repressom sobre activistas dos direitos humanos, avogados, jornalistas e políticos, permitindo-lhe continuar sem condenaçom suficiente.

Desde golpe do governo a Zaman´s Today, a comunidade internacional tem estado visivelmente indignada com o presidente Obama falando sobre o “caminho preocupante” que a Turquia tomou, mencionado logo após detalhes da segurança de Erdogan perseguindo jornalistas e manifestantes fora da Brookings Institution, um think tank com sede em Washington.

O que é verdadeiramente preocupante é o feito de que Erdogan e a Turquia nom tenham recentemente aventurado por este caminho de restriçons de liberdade. Qual é a situaçom atual do povo curdo quando nom um indicador das tendências da Turquia? É o aspecto mais preocupante da Turquia e nom que continue a matar civis? Que nunca foi responsabilizado pola massacre de Roboski em 2011, para nom mencionar as muitas outras massacres, execuçons, deslocamentos forçados e desaparecimentos do passado?

Só porque a matança de curdos é umha ocorrência regular nom significa que seja menos importante, menos reveladora do que o governo turco é capaz de fazer. A área do poder inclui pistas escorregadias quando já estás mantendo milhons de pessoas reprimidas.

Por isso é que é tam surpreendente quando as pessoas falam de métodos inquientantes na Turquia. Nós passamos o ponto de inquietante há muitos anos.

Seguer o assédio do movimento de resistência, Erdogan, vá em frente e expulsa os seus líderes do parlamento e vai ver que a resistência vai continuar apesar de nom só você, mas pola sua causa.

 Publicado em Kurdishrights.

 

O acordo da UE-Turquia e o destino dos refugiados da Síria

The Turkey EU deal and the fate of Syria s refugeesNo dia em que Davutoglu, primeiro-ministro da Turquia, reunia-se com os líderes da UE numha cimeira UE-Turquia para rematar o assunto dos refugiados, o presidente Erdoğan contava-lhe aos seus partidários:. “Nós já gastamos 10 bilhons $ US em três milhons de pessoas. Eles prometeram-nos dar três mil milhons de euros; quatro meses passarom desde entom e eu espero que o primeiro-ministro regresse com esse dinheiro, os três mil milhons de euros.”

No entanto, quando Davutoglu foi a Bruxelas, chegou armado com todo umha nova série de demandas, levando grande parte da Europa umha surpresa.

Em cima dos três mil milhons de euros já prometidos, exigiu mais três bilhons, dobrando o valor inicial acordado. Davutoglu também exigiu mais pressa para negociar a adesom da Turquia à UE, bem como um abrandamento imediato do regime de visas da UE para os turcos – algo que tinha sido anteriormente proposto.

No entanto, o verdadeiro argumento decisivo do acordo foi a proposta destinada a parar todo o contrabando ilegal através do Mar Egeu, ao permitir a deportaçom em massa de refugiados desde Grécia de volta a Turquia.

Essa proposta tinha sido elaborada durante a recente visita do Presidente do Conselho Europeu Donald Tusk à Turquia, fazendo referência a um acordo para “quebrar o modelo comercial do contrabando”.

A esperança é que, com a readmissom na Turquia de todos os refugiados que atravessam o Mar Egeu ate Grécia desde Turquia, os refugiados consideraram-na umha opçom muito perigosa. Em troca, a UE prometeu que “por cada sírio readmitido pola Turquia das ilhas gregas, outro sírio seria reassentado da Turquia nos estados membros da UE”.

Juntamente com o anúncio recente da implantaçom de barcos da OTAN no Mar Egeu para parar o contrabando irregular, este acordo tem como objectivo dar fim completamente ao contrabando de refugiados antes de que o tempo mude para melhor, permitindo um aumento das operaçons.

Já só este ano, 110.000 refugiados tenhem feito isso para a Grécia, de acordo com a Organizaçom Internacional das Migraçons (OIM), um nível 30 vezes maior do que no mesmo período do ano passado.

Enquanto alguns permanecem céticos sobre o assunto, outros estavam otimistas. “Esta é umha mudança real do jogo”, dixo o presidente da Comissom Europeia Jean-Claude Juncker. “Imos deixar claro que a única forma viável de vir a Europa é através dos canais legais.”

Europa está desesperada. A Turquia sabe que pode apertar o seu poder de negociaçom, e a Europa nom terá outra opçom senom aceitá-lo, sabendo muito bem que a UE quer pôr fim ao contrabando das rotas a qualquer custo.

No entanto, tal acordo pode muito bem ir contra os princípios fundadores da UE – como a reinstalaçom dos refugiados na Turquia nom seria construído no princípio do direito das pessoas a um processo de asilo justo e robusto. Anistia Internacional emitiu um comunicado alegando que as propostas fam um “escárnio” da obrigaçom da UE de fornecer acesso asilo nas suas fronteiras.

“A Uniom Europeia e os líderes turcos chegarom hoje a um novo mínimo, efetivamente o regateio afasta os direitos e a dignidade de algumas das pessoas mais vulneráveis do mundo “, dixo Iverna McGowan, diretor do Gabinete da Anistia Internacional para as Instituiçons Europeas.

“A ideia de permutar refugiados por refugiados nom é apenas perigosamente desumanizante, mas também nom oferece umha soluçom sustentável a longo prazo para a crise humanitária em curso. Enviá-los de volta para a Turquia, conhecendo a sua forte pretensom de protecçom internacional provavelmente nunca mais sera ouvida revela que as alegaçons da UE de respeitar os direitos humanos dos refugiados som palavras ocas “.

Erdoğan está a pedir um resgate à UE?

Considerando o estado da democracia na Turquia nos últimos meses, culminando com a “aquisiçom” do maior jornal na Turquia a semana passada, Zaman, a demanda de Ankara das negociaçons para a adesom à UE veu como umha surpresa.

Dado que Erdoğan tem a sua mirada na concessom de mais poderes a si mesmo através de um referendo no final do ano, o seu modelo de homem forte é claramente incompatível com a UE.

Em vez disso, Erdogan pretende contrariar as críticas crescentes ao seu governo de isolar a Turquia ainda mais geopoliticamente. Sabendo muito bem que a Europa nunca vai dar-lhe a adesom à UE, el em vez disso procura resultados a curto prazo para mostrar ao público turco como prova do seu êxito.

A cimeira mais recente entre a UE e Ancara, em novembro, onde foi elaborado o acordo original de três mil milhons de euros em troca de umha repressom sobre as actividades de contrabando, aconteceu dias após a detençom dos importantes jornalistas turcos Can Dundar e Erdem Gül.

Da mesma maneira que a Europa tinha medo de criticar a Turquia sobre a aquisiçom do jornal Zaman antes que acontecera esta cimeira fundamental, as maos da Europa estavam, em seguida, amarradas sobre as detençons de Dunbar e Gül.

Erdoğan sabe jogar a Europa, bem consciente de que a Europa precisa mais da Turquia. Neste, a maneira agressiva em que Davutoglu chegou a Bruxelas armado com exigências mais duras foi uma maneira de mostrar quem está realmente ditando as regras.

Os grandes perdedores: os perseguidos, os refugiados vulneráveis

Os perdedores reais de um acordo desse tipo som os refugiados que fogem da perseguiçom e a guerra. Com esse acordo, a UE está retraindo-se da sua obrigaçom de fornecer asilo nas suas fronteiras.

Na Turquia, tampouco, nom há nengum procedimento para pedir asilo. A Turquia é um dos signatários da Convençom de Genebra sobre Refugiados de 1951, mas as suas responsabilidades limitam-se a aqueles que fogem da Europa.

Os refugiados da devastaçom da guerra no Oriente Médio som considerados oficialmente convidados temporários: isto significa que eles estám impedidos de trabalhar legalmente e som forçados ao emprego no mercado negro. É uma trapalhada extraordinária: os refugiados sírios tenhem acesso a assistência médica, mas os seus filhos nom podem ir a escolas turcas.

A integraçom, nestes termos, é quase impossível – por isso é de admirar os sonhos dos sírios de melhores perspectivas na Europa.

Considerando o fechamento das rotas de contrabando, muitos refugiados serám forçados a ficar na Turquia. Mas tal futuro virá a um custo. Se a UE leva a sério desanimar os refugiados sírios de fazer a viagem desde Turquia a Europa, nom faria mais sentido para eles persuadir a Ancara de tomar medidas concretas para integrar os dous milhons de refugiados na Turquia.

Caso contrário, muitos podem também optar por continuar fazer regularmente as rotas de contrabando, encontrar rotas alternativas que oferecem umhas maiores possibilidades de êxito.

Falei recentemente com um médico sírio que viveu durante anos em Istambul, sobrevivendo com trabalhos esporádicos como tradutor em umha agência de turismo antes de contrabandear-se para Grécia e, em seguida, fundir o resto da sua economias em ir à Alemanha.

Eu digem-lhe se as dificuldades da sua nova vida, em um país onde nom conheze nem a língua, nem tem família – enquanto que na Turquia tinha ambos, mereciam a pena.

“Mas na Turquia eu era um médico que nom podia trabalhar em um hospital”, respondeu. “Que tipo de futuro me espera a mim em esse país?”

Yvo Fitzherbert é um jornalista freelance da Turquia. Tem escrito sobre política curda, a guerra síria e a crise dos refugiados para diversas publicaçons turcas e inglesas.

Publicado em The New Arab.