O Perigroso jogo da Turquia na Síria ameaça todo Oriente Médio

Turkey DangerousPor Cihad Hammy

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan e Vladimir Putin reunirom-se recentemente para abrir um novo capítulo nas relaçons turco-russas, normalizar laços até entom tensos entre os seus países. Esta tensom começou no ano passado, quando a Turquia derrubou um aviom russo que estava violando o espaço aéreo turco. Este novo capítulo muda drasticamente toda a cena do conflito Sírio.

No centro deste novo desenvolvimento encontra-se o antagonismo profundamente arraigado de Ancara em relaçom os curdos, tanto na Síria como em Turquia. A fim de antecipar os planos curdos para conectar os três cantons de Afrin, Kobane e Jazeera, Ankara adotou medidas para normalizar as relaçons com a Rússia, o Iram e a Síria, e ganhar o seu apoio a umha intervençom militar no norte da Síria.

 Tensons de Washington e Ancara sobre os Curdos Sírios

Washington tem um sucesso notável na melhoria da sua coordenaçom com os curdos sírios para destruir o ISIS, que é agora a prioridade de Washington no conflito Sírio. A coalizom internacional liderada polos EUA estabelecerom umha parceria bem sucedida e eficaz com as Forças Democráticas da Síria (SDF). Esta força, liderada polas YPG curdas, inclui diversos povos da regiom do norte da Síria, ou seja, árabes, assírios, armênios, Turcomanos, e facçons circassianas e grande número das Unidades de Proteçom das Mulheres (YPJ).

As forças das SDF e das YPJ som eficazes em derrotar e tomar cidades do Estado Islâmico no leste e norte da Síria. Por isso, ganharom a confiança das instâncias de decisom dos EUA e agora som apoiados por ataques aéreos dos EUA e forças especiais. Sob este modelo, a cidade mais recentemente libertada foi Manbij, umha cidade altamente estratégica, que serviu como centro nas principais rotas de abastecimento do ISIS. O sucesso de Manbij cortou o ISIS com o exterior e agora os impede de mover aos seus combatentes da Síria para realizar ataques terroristas na Turquia e na Europa.

No entanto, o governo de Erdogan está extremamente descontente com o apoio que Washington fornece às SDF porque fortalece ao Partido da Uniom Democrática (PYD), um grupo curdo ideologicamente vinculado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), o odiado inimigo interno da Turquia. Ancara rejeita qualquer entidade que ostente a aparência de auto-governo curdo, tanto em Ancara ou ao longo da sua fronteira sul, e considera o PYD como parte do PKK. Em fevereiro passado, umha delegaçom, incluindo o enviado dos EUA para a coalizom internacional contra o ISIS, Brett McGurk, reuniu-se com as YPG. Isto levou a Erdogan a exigir furiosamente que Washington optara entre el ou os curdos sírios. “A quem quere de parceiro, a mim ou os terroristas de Kobane?” dixo Erdogan a jornalistas no seu aviom quando regressava de umha viagem à América Latina e o Senegal.

Nom muito tempo depois do ultimato de Erdogan, Washington respondeu declarando que o PYD nom era umha organizaçom terrorista e os combatentes curdos eram os mais bem sucedidos no combate contra o ISIS dentro da Síria. Além disso, a coalizom liderada polos Estados Unidos enviou autoridades militares e conselheiros para o norte da Síria, a fim de apoiar as forças terrestres curdas na destruiçom do ISIS. De qualquer modo recentemente Washington mudou a sua postura por apaziguar a Ankara e pedindo as forças das YPG “recuar para o leste do Eufrates”. Embora esta seja umha vitória diplomática que Ankara ganhou mudando a sua política externa e buscando apoio de Moscou, o Iram e a Síria, isso nom significa que os laços entre os curdos sírios e os EUA foram completamente cortados.

Novas aproximaçons de Ancara e as suas reflexons sobre os curdos

Durante quase um século, os estados-naçom do Oriente Médio se unirom no combate e repressom dos curdos. Hoje, a aproximaçom de Ancara com a Rússia renova esta dinâmica, abordando nom só a sua própria agenda anticurda, mas também a de Síria e Iram.

Para Assad, a aproximaçom ajuda a manter o seu regime centralizado porque o projeto político que os curdos na Síria estam realizando tem como objectivo desmantelar o poder do Estado-naçom centralizado e em vez disso tenta capacitar as pessoas em torno de instituiçons de base. O regime também pode encontrar a oportunidade para retomar territórios no leste da Síria agora sob control curdo. Na verdade, a última luita entre o Exército sírio e as YPG em Hesekê pode ser interpretado como um gesto de boa vontade por parte do regime em relaçom a aproximaçom de Moscou com Ancara. Em troca, Ancara pode cortar o apoio de grupos islâmicos autoritários em luita contra Assad em Aleppo e direcionar estes grupos-islâmica -authoritários contra os curdos no norte da Síria. (Algo que está acontecendo agora em Jarablus.)

Teeram como Ancara, teme que os curdos sírios vaiam incentivar aos curdos iranianos a se revoltar e exigir os seus direitos cívicos e culturais. Umha revolta curda no Iram ameaça o seu regime islâmico e a segurança nacional. Iram pode deixar de lado velhas tensons com Ancara e cooperar na luita contra a maior “ameaça perigosa”, os curdos. Quanto a Moscou, a nova aproximaçom ajuda a manter no poder a Assad.

Para evitar mais autonomia dos curdos, Ancara enviou as suas tropas de terra no norte da Síria, a fim de antecipar-se a ligaçom dos cantons curdos de Kobane, Jazeera, e Afrin. No entanto, a fim de intervir no norte da Síria a esta escala, eles deveram ter tido a aprovaçom de Moscou e Teeram. Tendo feito isso, eles agora estam usando tropas e grupos islâmicos autoritários como Faylaq al-Sham, Ahrar Alsham, Sultan Murad, e o batalhom Nour al-Din al-Zenki para tomar o control de Jarablus e Al Bab.

É óbvio que a chamada guerra de Ancara contra o Estado Islâmico (ISIS), em Jarablus foi apenas umha substituiçom de combatentes do ISIS por outros grupos islâmicos autoritários que som cópias dos jihadistas. A “luita” contra o ISIS em Jarablus testemunhou que nom há armadilhas, nom há franco atiradores do ISIS, nom há lutadores à espreita do ISIS usando escudos humanos, nom houvo ataques a bomba, sem nom houvo resistência do ISIS. Nom houvo luita em Jarablus, mas sim ordes dadas polo governo turco e a realizaçom dessas ordens polos seus “soldados”. Isso ficou claro para os meios de comunicaçom internacionais e a opiniom pública e nom puido ter escapado à atençom dos governos ocidentais.

 Apoio dos Jihadistas da Turquia Mostra as Aspiraçons Neo-otomanas Estam Bem Vivas

Nom é umha coincidência que o 24 de agosto, o mesmo dia em que Ankara invadiu a Síria, é o mesmo dia da Batalha de Marj Dabiq. A batalha tivo lugar em 1516-1517 entre o Império Otomano e o Sultanato Mamluk e terminou em umha vitória otomana e a conquista de grande parte do Oriente Médio. O simbolismo da batalha de 500 anos atrás foi muito usado na Turquia antes da operaçom e é um sinal da continuaçom da mentalidade expansionista do governo turco. Embora o governo afirma que nom está na Síria permanentemente, a tentativa é colocar umha regiom sob control islâmico e a mentalidade que ocupava o Oriente Médio há 500 anos. O movimento é também umha mensagem ao mundo inteiro de que a Turquia ainda é um jogador no jogo da Síria e nom pode ser ignorada.

No entanto, a intervençom de Ancara nom será um piquenique turístico, mas sim um pesadelo carregado com perdas militares e humanas. Já vários tanques turcos forom destruídas e um soldado foi morto no sul de Jarablus. Turquia lançou ataques aéreos em Afrin (sudoeste) e Ain Diwar (sudeste) e dirigiu os seus tanques para a fronteira de Kobane para erigir um muro. Mas el está sendo recebido com resistência em todos os lugares, e nom só dos curdos, mas de árabes -quem Turquia alega estar liberando dos curdos- e outros grupos etno-religiosos.

Mapa Jarablus Manbij Al BabA Intervençom da Turquia vai aumentar a violência na Síria e na Turquia

Os governos ocidentais e dos Estados Unidos som forças pragmáticas; eles só ajudam movimentos ou estados quando se trata de proteger os seus próprios interesses. A este respeito, os EUA ao que parece, está contente com a intervençom turca na Síria porque a sua principal preocupaçom é degradar o ISIS. Como tal os EUA nom se preocupam com os resultados desta intervençom, o que provavelmente vai levar a anos de violência entre o governo turco e os curdos na Síria, e alimentar a violência, guerra e instabilidade na Turquia. A ‘Sirianizaçom’ da Turquia, neste sentido, é cada vez mais provável. Na verdade, cousas tais como democracia, paz e a estabilidade, que som necessários para os povos do Oriente Médio, como o pam e água som de importância secundária ou nem sequer existem na política externa dos EUA.

Nom é necessário ler volumes de saber quem está a favor e tem um projeto para a paz e a democracia na Turquia e no Oriente Médio e quem pode iniciar um fim à confusom atual. Lendo apenas umha página escrita por Abdullah Öcalan – líder curdo e pensador que inspirou o Modelo de Rojava – iria esclarecer quem quer a paz, a liberdade, a democracia, a estabilidade, a convivência, fraternidade, igualdade de gênero, e umha sociedade ecológica e ética na Turquia e o Curdistam . Todos esses valores e princípios estam agora sob sete chaves em umha prisom turca. O governo turco nom quer um fim para o conflito; se o figesse, teriam acabado com o isolamento de Öcalan para lhe permitir desempenhar um papel eficaz no fortalecimento do estagnado processo de paz. Em vez disso, optou por prosseguir a sua política de isolamento de Öcalan e dos políticos curdos em geral, mesmo após a recente tentativa de golpe.

Isso deixa apenas umha coisa para os curdos: a resistência. Porque a resistência é a única cousa que pode trazer o Estado turco de volta a qualquer tipo de mesa de negociaçom. Como o co-presidente do PYD, Saleh Moslem, dixo após a intervençom de Ancara na Síria, “A Turquia vai perder muito no lamaçal da Síria, e seram derrotados como o Daesh (ISIS).” Agora, apenas umha derrota turca rápida pode salvar a regiom. A alternativa é que todos os envolvidos perdam.

Jihad Hammy é um curdo de Kobanê. Ele era um estudante de literatura de Inglês da Universidade de Damasco antes de fugir devido à guerra civil na Síria.

Artigo publicado em Kurdish Question.

 

 

 

 

 

Em defesa de Rojava

Em defesa de RojavaPor Memed Aksoy

O exército turco, juntamente com umha gentuza de jihadistas e militantes do Exército Livre Sírio, invadiu áreas de Rojava e continua a sua incursom ainda mais no território que já fora liberado do ISIS.

Milicianos apoiados por Turquia, como os Batalhons Nour al-Din al-Zenki, Faylaq al-Sham (A Legiom Sham), Brigada Sultan Murad e Jabhat Fateh al-Sham (antes al-Nusra), entre outros -todos salafistas / grupos islâmicos responsáveis por inúmeros crimes aos direitos humanos – já declararom que iam atacar Manbij, a que celebrou recentemente depois de ser libertada do ISIS polas Forças Democráticas de Síria (SDF). Imagens de mulheres tirando os nicabs e fumando, e homes barbeando-se ainda estam frescas na memória.

Depois do acordo de sustituir  em  Jarablus ao ISSIS sem disparar um so tiro, o exército turco envolveu-se em ataques aéreos e bombardeios de áreas civis, matando polo menos 45 em duas aldeias ao sul de Jarablus. Dúzias de combatentes locais do Conselho Militar de Jarablus, filiados às SDF, forom feitos prisioneiros e torturados frente das câmeras; a maioria deles árabes.

Com a última correria militar, a Turquia tentou camuflar a sua guerra regional contra os curdos, usando o ISIS como um pretexto, tentando impedir a uniom dos três cantons de Rojava. Além disso, esta também a tentativa de reforçar às forças sunitas / Irmandade Muçulmana, alinhados ideologicamente com o governo turco do AKP. Através destes mandatários Erdogan espera reviver as suas aspiraçons neo-otomanas de poder decidir no futuro da Síria e umha influência de longo prazo no Oriente Médio e Norte da África.

O que está em jogo, porém, tanto quanto os ganhos curdos, é a possibilidade de umha política e o sistema progressista, laica e democrática na regiom. Isto é o que Rojava representa e é por isso que o regime sírio, Iram, Rússia e os EUA concordarom na invasom da Turquia. A existência de Rojava nesse sentido é umha ameaça ao status quo e interesses de todos os Estados-naçons e governos no Oriente Médio e, e por extensom, aos saqueadores da regiom. Com um modelo alternativo de governança Rojava provou que pessoas de diferentes etnias e grupos religiosos podem-se organizar a nível local, viver, produzir e luitar juntos, sem um Estado centralizado, mesmo nos tempos de umha guerra sectária. A unidade entre curdos, árabes e turcomanos contra a invasom da Turquia é prova disso.

Por esta razom, o desenvolvimento de Rojava e a uniom dos três cantons -Cezire, Kobanê e Afrîn- está a ser impedido por todos os poderes envolvidos na guerra síria. Além disso, e pola mesma razo, o desenvolvimento de Rojava nom pode ser encarados com a mesma luz que as áreas que estam sendo capturadass polos grupos jihadistas apoiados pola Turquia ou o regime. Estes dous sistemas políticos -Islamista e Baathista- nada tenhem que aportar às pessoas em termos de umha democracia humana, progressista e participativa. Na verdade, eles nem sequer fam qualquer tipo de reivindicaçom.

Ainda que Rojava, com a sua retórica anti-nacionalista já refutou as acusaçons de alguns setores de que os curdos estam tentando capturar terras árabes, também é digno de nota que a área entre Kobanê e Afrin, que está sob ataque de Turquia e jihadistas do FSA, forom sistematicamente arabizadas polo regime sírio na década de 1970. Mesmo se nom fosse este o caso, os curdos, enquanto grupo distinto vivendo em umha parte contínua de território em Turquia, Iram, Iraque e Síria, ainda teria o direito de auto-determinaçom e reconhecimento internacional. Defender o contrário significaria que os estados de acima, que tenhem grandes povoaçons curdas cujos direitos tenhem sido negado durante décadas, devem ser considerados ilegítimos desde o momento em que forom declarados.

Em suma, Rojava tornou-se um facho, umha luz de esperança para todas as pessoas progressistas do mundo; contra a desigualdade, os regimes despóticos e sistemas hierárquicos e o patriarcado, Rojava tem levantado a bandeira da humanidade contra a barbárie. É por isso que a Revoluçom de Rojava deve ser defendida contra a agressom turca e jihadista mais umha vez. Mais umha vez as pessoas revolucionárias, democratas, feministas, laicas e todas as forças progressistas devem-se unir, como figeram em Kobanê, para fazer a Revoluçom de Rojava vitoriosa novamente.

Publicado em Kurdish Question.

 

 

Cálculo sírio de Turquia: Aposta por umha invasom?

Turkeys Syrian Calculation Gambling On An Invasionpor Patrick Cockburn, publicado originalmente em Counter Punch

Um mês antes da Turquia abater um bombardeiro russo, que acusou de entrar no seu espaço aéreo, a inteligência militar russa tinha advertido o presidente Vladimir Putin de que este era o plano turco. Diplomatas familiarizados com os eventos dim que Putin rejeitou o aviso, provavelmente porque el nom acreditava que a Turquia correria o risco de provocar a Rússia em um envolvimento militar mais profundo na guerra síria.

No evento, no dia 24 de novembro do ano passado um F-16 turco abateu um bombardeiro russo, matando um dos pilotos, em um ataque que tinha todos os sinais de ser uma emboscada bem preparada. Turquia alegou que estava respondendo ao aviom russo que entrara no seu espaço aéreo por 17 segundos, mas os militares turcos figeram todos os esforços para esconder-se, voando a baixa altitude, e pareciam estar em umha missom especial para destruir o aviom russo.

O derrubamento – o primeiro de um aviom russo por uma potência da OTAN desde a Guerra da Coreia – é importante porque mostra o quam longe a Turquia vai manter a sua posiçom na guerra feroz na parte sul da sua fronteira de 550 milhas com a Síria. É um acontecimento altamente relevante hoje, porque, dous meses mais adiante, Turquia enfrenta agora desenvolvimentos militares no norte da Síria que representam umha ameaça muito mais séria aos seus interesses do que aquela breve incursom no seu espaço aéreo, apesar de que Ankara fixo alegaçons ontem sobre umha nova violaçom russa o venres.

A guerra síria está numha fase crucial. Durante o ano passado os curdos sírios e o seu exército altamente efetivo, as Unidades de Defensa do Povo (YPG), tomarom mais da metade da fronteira da Síria com a Turquia. A principal linha de abastecimento para o Estado Islâmico (Isis), através da passagem fronteiriça de Tal Abyad no norte de Raqqa, foi capturado polas YPG em junho passado. Apoiado por um intenso bombardeio da Força Aérea dos Estados Unidos, os curdos forom avançando em todas as direçons, selando o norte da Síria da Turquia na faixa de território entre os rios Tigris e Eufrates.

Às YPG queda-lhes apenas mais de 60 milhas a percorrer, ao oeste de Jarabulus, no Eufrates, para fechar as linhas de abastecimento do Isis e os da oposiçom armada nom-ISIS, de Azzaz a Aleppo. Turquia tinha dito que a sua “linha vermelha” é que nom deveriam cruzar as YPG oeste do rio Eufrates, embora nom reagiu quando as YPG dentro das Forças Democráticas da Síria (SDF), aproveitou a barragem de Tishreen, no Eufrates e ameaçou a fortaleza do IS de Manbij. Os curdos sírios estam agora avaliando se ousam tomar o território estratégico ao norte de Aleppo e a ligaçom com o enclave curdo de Afrin.

Os desenvolvimentos nos próximos meses pode determinar quem som os vencedores e perdedores a longo prazo na regiom durante décadas. as forças do presidente Bashar al-Assad estam avançando em várias frentes sob um guarda-chuva aéreo russo. A campanha de cinco anos do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan de derrubar a Assad em Damasco, ao apoiar a oposiçom armada, parece estar perto de derrota.

Turquia poderia responder a esto, ao aceitar um facto consumado, admitindo que seria difícil para el enviar o seu exército para o norte da Síria diante das fortes objeçons dos EUA e a Rússia. Mas, se a alternativa é o fracasso e a humilhaçom, entom pode fazer exatamente isso. Gerard Chaliand, o especialista francês em guerra irregular e política do Oriente Médio, falando em Erbil na semana passada, dixo que “sem Erdogan como líder, eu diria que os turcos nom iriam intervir militarmente [no norte da Síria], mas, umha vez que é el, eu acho que o vam fazêr”.

Turkeys Syrian Calculation Gambling on an Invasion 02Erdogan tem a reputaçom de aumentar as apostas como fixo no ano passado quando nom conseguiu ganhar umha maioria parlamentar na primeira das duas eleiçons. El aproveitou de um confronto com os curdos turcos e a fragmentaçom dos seus adversários para ganhar umha segunda eleiçom em novembro. A intervençom militar direta na Síria seria arriscada, mas o Sr. Challiand acredita que a Turquia “é capaz de fazer isso militarmente e nom será dissuadida pola Rússia”. Naturalmente, nom seria fácil. Moscou tem avions no ar e mísseis anti-aeronaves no solo, mas Putin provavelmente tem uma ideia clara das limitaçons sobre o envolvimento militar da Rússia na Síria.

Omar Sheikh Mousa veterano líder curdo sírio que vive na Europa, di que os curdos sírios “devem perceber que os russos e o governo sírio nom vai ir à guerra com o exército turco por eles”. Adverte que o partido político curdo no poder, o PYD, nom deve exagerar a sua própria força, porque a reaçom do presidente Erdogan é imprevisível.

Outros líderes curdos acreditam que a intervençom da Turquia é improvável e que, se ele ia vir, teria acontecido antes de que o jato russo fosse abatido. Isso levou a Rússia a reforçar a sua potência no ar na Síria e tendo umha atitude muito mais hostil para com a Turquia, dando suporte completo para o Exército Sírio nos avanços no norte Latakia e em torno de Aleppo.

No momento, os curdos sírios ainda estam decidindo o que devem fazer. Eles sabem que o seu quase-estado, conhecido como Rojava, tem sido capaz de expandir-se a velocidade explosiva porque os EUA precisavam de umha força terrestre para agir em colaboraçom com a sua campanha aérea contra o Isis. Os bombardeiros russos e norte-americanos, em diferentes momentos, apoiarom o avanço das SDF em direçom a Manbij. No tabuleiro de xadrez caótica da crise síria, os curdos neste momento tenhem os mesmos inimigos que o Exército sírio, mas eles sabem que a sua forte posiçom vai durar apenas enquanto dure a guerra.

Se nom houver umha intervençom turca a umha escala significativa, em seguida, Assad e os seus aliados estariam a ganhar, pois a intervençom reforçada russa, iraniana e do Hezbollah libanês inclinou a balança em seu favor. A troika de Estados sunitas da regiom – Arábia Saudita, Qatar e Turquia – falharom, até agora, para derrubar a Assad por meio de apoiar a oposiçom armada síria.

O seu entusiasmo para fazê-lo está sob pressom. A Arábia Saudita tem umha liderança volúvel, está envolvida em umha guerra no Iêmen, e o preço do petróleo pode ficar sob 30 $ US o barril. As açons de Qatar na Síria som ainda mais incalculáveis. “Nós nunca conseguemos descobrir as políticas de Qatar”, di um observador do Golfo, frustrado. Um comentarista mais cáustico, em Washington, acrescenta que “a política externa do Catar é um projeto de vaidade”, comparando-o com o desejo de Qatar por comprar edifícios de referência no estrangeiro ou acolher a Copa do Mundo em casa.

Na política síria e iraquiana quase todo mundo termina por exagerar a mao, tomando vantagem transitória para o sucesso irreversível. Isso era verdadeiro para umha grande potência como os EUA no Iraque em 2003, umha força como o Isis em 2014, e umha pequena potência, como os curdos sírios em 2016. Umha das razons que o Iram tem, até agora, sair à frente na luita por esta parte do Oriente Médio é que os iranianos moverom-se com cautela e passo a passo.

A Turquia é a última potência regional que poderia reverter a tendência dos acontecimentos na Síria pola intervençom militar aberta, um desenvolvimento que nom pode ser descontado quando a fronteira sírio-Turca está sendo progressivamente selada. Mas, salvo isso, o conflito tornou-se tam internacionalizado que só os EUA e a Rússia som capazes de leva-lo para um fim.

Publicado em Kurdish Question.

Patrick Cockburn é autor de  The Rise of Islamic State: ISIS and the New Sunni Revolution.

O Acordo dos EUA com a Turquia mostra o seu desprezo polos curdos

Artig ianquis curdospor Joris Leverink

Na sua escolha de aliados na batalha contra o IS, os EUA estam mostrando que derrotar os jihadistas pode de feito nom ser a sua prioridade número um.

Ao fazer a guerra, escolher os aliados certos é umha empresa de cuidado. Deves fazer concessons, sem ceder demais. Precisas confiar em alguém, sem se tornar demasiado dependente. Precisas manter-te firme, e ser flexível ao mesmo tempo. Em tempo de guerra os aliados podem-se transformar em inimigos encarniçados após que a vitória seja declarada, e o seu pior inimigo pode nos feitos provar ser o seu melhor amigo depois de todo.

Nengum país do mundo sabe disso melhor do que os Estados Unidos, que nom passou por umha única década, sem entrar em guerra desde que foi fundado em 1776 – na verdade, os EUA têm estado em guerra por uns chocantes 222 anos dos seus 239 anos de existência.

Na última guerra os EUA “contra os militantes fascistas do Estado islâmico chamado (IS) é um pouco diferente das que a precederam: nom há ninguém além de si mesmo para culpar pola escalada do conflito, a desculpa é auto-defesa, o método é violência extrema e a meta é democracia – ou o que quer que pode ser rotulado como tal. Umha guerra é o terreno fértil para avançar e enquanto o objetivo em última instância fictício da paz e a estabilidade é mantida pendurada na frente da multitude como umha cenoura em umha vara, nunca há realmente umha razom para realmente deixar as armas.

Luitando ao ISIS, ou nom?

Recentemente, os EUA escolherom um novo aliado na luita contra o IS. A sua recusa em colocar as botas no cham – sem que isso iria resolver nada – significa que está constantemente à procura de outros grupos que estam dispostos a limpar a bagunça no cham, enquanto se compromete a lançar bombas deesde as seguras alturas face ao suspeitas posiçons inimigas.

A escolha entre dous aliados potenciais era umha pergunta difícil, umha vez que era basicamente um jogo de soma zero. O ódio e a desconfiança mútua dos dous aliados ‘significava que a escolha de um sobre o outro quase certamente levaria a umha deterioraçom nas relaçons com o outro.

Um aliado já provou o seu valor no campo de batalha, acrescentando umha seqüência de soadas vitórias sobre o Estado Islâmico depois de várias operaçons bem-sucedidas nos últimos meses. Este aliado nom composto de mercenários, nem soldados ou radicais de qualquer espécie. Polo contrário, eram os moradores da regiom, luitando por proteger as suas terras, aldeias e famílias. Eles nom só estavam luitando contra o IS, mas ao mesmo tempo também por valores tam importantes como a democracia real, igualdade de género e a sustentabilidade ecológica.

O outro aliado tinha umha agenda totalmente diferente. Ao longo dos últimos anos tinha mostrado nom interessar-se em luitar contra o IS. Na verdade, o IS estava livre fazer lavagem cerebral em e recrutar jovens no seu território; luitadores lesados tinham sido recebidos e tratados gratuitamente nos seus hospitais públicos; e, milheiros e milheiros de aspirantes a jihadistas foram autorizados a atravessar as suas fronteiras a território do IS. Também atravessarom as fronteiras toneladas de armas e muniçons, camions cheios de material da construçom e bens de consumo suficientes para manter as lojas locais de Raqqah bem abastecidas. Os resultados recentes também revelarom que foram os destinatários do negócio de contrabando de petróleo e, em troca fornecendo os jihadistas com milhons de dólares todos os dias para continuar a sua campanha de terror.

A primeira parte som as milícias curdas das Forças de Defesa do Povo e da Mulher (YPG e YPJ). Eles som o braço armado do PYD, um partido curdo sírio com laços estreitos com o PKK. A outra parte é a República da Turquia, lar de aproximadamente 17 milhons de curdos e cujo governo percebe as YPG e YPJ como umha ameaça maior à sua segurança nacional do que o IS.

O inimigo de meu inimigo é meu inimigo

Embora contando com 222 anos de experiência em fazer a guerra é de supor que o acima exposto nom seria um grande enigma para os chefes da guerra americanos. E, de feito, nom o era. Enquanto os luitadores das YPG e YPJ estavam arriscando as suas vidas em combate corpo-a-corpo com militantes do ISIS, os EUA e a Turquia anunciavam triunfalmente um acordo que permitia a autorizaçom para que avions de guerra norte-americanos utilizaram bases aéreas turcas em troca do “apoio” dos EUA para umha “zona de segurança” no norte da Síria que seria livre do IS, mas para as forças curdas também.

Turquia finalmente decidiu começar a luita contra o IS depois que um ataque suicida tirou a vida de 33 jovens ativistas na cidade fronteiriça turca de Suruc. Turquia, cauteloso com as relaçons cada vez mais estreitas entre os EUA e as YPG e YPJ na Síria e ao mesmo tempo preocupado que o seu tratamento de camaradagem com o IS poderia eventualmente voltar a assombrá-los, decidiu que era o momento certo para declarar a guerra ao terrorismo.

No entanto, em um movimento que surpreendeu a amigos e inimigos, depois de umha tentativa tímida a bombardear posiçons do ISIS na Síria rapidamente lançou umha guerra total contra o PKK, tanto na Turquia como no norte do Iraque. Efetivamente bombardear o processo de paz precária que deveria pôr fim a 35 anos de guerra, avions turcos figerom milheiros de surtidas, jogando o país de volta ao caos tam característico dos anos noventa, quando a guerra civil estava no seu auge.

O PKK está calificado internacionalmente como umha organizaçom terrorista, e, como tal, os seus ataques – em muitos casos meras retaliaçons por atos semelhantes de violência cometidos polo Estado turco contra os seus cidadans curdos – som por definiçom ilegítimos. Tanto os EUA e a NATO reconhecerom o direito da Turquia de “defender-se” contra a “agressom do PKK”. O que é deixado de fora da equaçom aqui, porém, é que a Turquia dificilmente poderia fazer um favor maior que atacar os guerrilheiros curdos que provarom ser os oponentes mais determinados do Estado islâmico.

Foi o PKK quem luitou contra o IS em Shengal, resgatando dúzias de milheiros de Jazidis, quando até mesmo os EUA, apoiara e armara os Peshmergas que tinham deixado o campo de batalha com o rabo entre as pernas. Os combatentes do PKK endurecidos pola batalha foram integrados nas fileiras do YPG e YPJ, e sem eles tais vitórias importantes como as de Kobane, Tel Abyad e, mais recentemente, Hassaka nunca teria acontecido.

Guerra além da paz

Se os EUA foram sérios na luita contra o ISIS, forneceriam pleno apoio – tanto em obras como em palavras – às YPG e YPJ e a sua organizaçom irmá, o PKK, mas também iria enfrentar a Turquia sobre as montanhas de evidências que há e que de feito demostram o apoio o IS. Exigiriam que as fronteiras com as regions curdas na Síria estiveram abertas, e que a campanha de bombardeios contra posiçons do PKK, bem como a campanha de terror contra civis curdos parara imediatamente. Mais importante, retiraria o PKK da lista de organizaçons terroristas.

Infelizmente, as açons norte-americanas venhem mostrando que nom está interessado em tal cousa.

Em vez de derrotar o IS, o seu objetivo é a preservaçom e ampliaçom da sua influência na regiom. Para isso, a Turquia é um parceiro muito mais valioso do que as YPG e YPJ ou o PKK. A açom fala mais alto que as palavras, e na escolha dos seus aliados os EUA tenhem mostrado claramente onde as suas prioridades realmente mentem: poder sobre democracia, influência sobre honestidade e a guerra sobre a paz.

Joris Leverink é um jornalista freelance de Istambul, editor para ROAR Magazine e colunista de TeleSUR Inglês.

Publicado primeiramente em TeleSUR English e logo em ROAR Magazine.