2º Aniversário: Um genocídio sem fim

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Álbum de fotos de umha família Jazidi nas ruínas de um edifício de Shingal (John Moore)

Lalish. Dous anos atrás, os acólitos do Estado Islâmico (ISIS) invadirom o norte do Iraque, capturando a metrópole de Mosul em um curto período de tempo. Desde entom, a milícia nom só tem aterrorizado o Iraque e a Síria. O seu terror é global e já encontrou o seu caminho para a Europa – um terror que a comunidade Jazidi tivo de suportar durante séculos.

Apenas algumhas semanas depois de ter caído Mosul o grupo terrorista, os jihadistas do ISIS perpetrarom um genocídio inimaginável, mas previsível que ja fora anunciado antes contra a povoaçom civil Jazidi de Shingal. Raramente um genocídio foi tam óbvio dado a sua intençom de destruir. Na sua revista intitulada “Dabiq”, o ISIS assumiu a responsabilidade polas suas atrocidades e até mesmo acusou os vizinhos muçulmanos dos Jazidis de nom te-los exterminado há muito tempo. Um genocídio que ainda nom chegou ao fim, desarraigando a comunidade Jazidi e mergulhando-a em umha profunda crise. Resumimos os acontecimentos e as suas consequências:

→ 450.000 refugiados – um de cada dous Jazidis
→ + 5000 mortos (cifras da ONU)
→ 7.000 raptadas (cifras da ONU)
→ até 3.800 mulheres e crianças ainda estam cautivas
→ até 8.000 crianças órfas e meio-órfas
→ mais de 30 valas comuns descobertas até agora
→ várias aldeias permanecem sob control do ISIS

Genocidio

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Jazidis deslocadas ajudadas por umha membro das Unidades de Proteçom das Mulheres (YPG), nos arredores de montanha Sinjar em 10 de Agosto de 2014. Reuters/Rodi Said

 “Um Genocídio ocorreu e ainda está a ocorrer“, Paulo Pinheiro, presidente da Comissom de Investigaçom da ONU.

Na noite do 2 para o 3 de agosto de 2014, quando os primeiros ataques começarom a tomar corpo no sul da regiom de Shingal, os Peshmerga (principalmente milícias do KDP), que vinheram supostamente a implantar-se na regiom para a segurança dos Jazidis já começaram a fugir. Shingal é a área de principal assentamento do povo Jazidi onde cerca de 500.000 dos 900.000 Jazidis de todo o mundo costumavam viver.

Os 11.000 Peshmerga que foram implantados em torno a Shingal fugirom durante a noite e as primeiras horas da manhá sem avisar à povoaçom civil ou, polo menos, proporcionar rotas de fuga. O ISIS invadiu umha aldeia atrás da outra, os vizinhos sunitas do Jazidis apoiarom a ofensiva terrorista. Voluntários Jazidis defenderom as suas aldeias durante horas. Depois de ficar sem muniçom, as pessoas tentarom escapar ao monte onde forom cercados polos terroristas do ISIS a temperaturas de 40 °. Até 60.000 Jazidis tentarom resistir lá fora por dias, muitos morrerom como resultado da falta de comida e água.

[Haveria que dizer também que ajudou a que nom fôsse maior a massacre a operaçom das YPG/YPJ (Yekîneyên Parastinê Gel) para resgatar aos Jazidis nas montanhas de Sinjar transportando comida e água e fazendo um corredor humanitário; e das HPG (Hêzên Parastina Gel), milícia do Partido dos Trabalhadores do Curdistam (PKK), que frenarom a ofensiva do ISIS em Maxmur; ambas milícias membros da KCK (Uniom de Comunidades do Curdistam].

De acordo com as Naçons Unidas, polo menos 5.000 Jazidis forom assassinados nas cidades e aldeias e até 7.000 mulheres e crianças, incluindo muitas meninas menores de idade, forom sequestradas, escravizadas e posteriormente violadas sistematicamente. Os homens e mulheres capturados forom convidados a se converter ao Islám, por exemplo, em Kojo onde acólitos do ISIS assassinarom cerca de 600 homens e sequestrarom até 1.000 mulheres e crianças depois de terem recusado a se converter. De acordo com umha série de estimativas, 1.000 meninos Jazidis estám sendo treinados militarmente em campos para se tornar futuros suicidas e combatentes do ISIS.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Parlamento Europeu, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, o governo dos EUA e o Parlamento britânico reconhecerom o genocídio. O Conselho de Segurança da ONU, no entanto, ainda nom tomou quaisquer medida. A chamada dos Jazidis para o estabelecimento de um tribunal para julgar os terroristas do ISIS no Tribunal Penal Internacional por cometer crimes de guerra e contra a humanidade.

Valas comuns

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Jazidis analisam os restos ósseos de umha vala comum.

Mais de 30 valas comuns contendo os restos mortais de homens, mulheres mas também de crianças até agora forom descobertos nas regions libertadas de Shingal. A ONU, apesar dos pedidos da comunidade Jazidi, nom forneceu nengum perito em preservaçom de provas ou documentou as valas comuns para futuros processos contra os terroristas do ISIS. Os cientistas forenses do governo curdo estam tentando faze-lo o melhor possível, mas nom tenhem o equipamento necessário. Umha das valas comuns, que foi descoberta no sul da regiom, continha os restos de 80 mulheres. Até 120 restos mais forom descobertos em outra perto da cidade Shingal. As sepulturas estam, no entanto, muitas vezes inspeccionados por luitadores, jornalistas ou Jazidis à procura dos seus parentes, o que torna difícil preservar as provas no futuro.

Escravitude

“Ela tem 12 anos. Hweida nom sabia o que era a violaçom, mas acordou com sangue entre as suas pernas.”, NBC Report.

Jazidis escravasAté 7.000 Jazidis, a maioria das quais eram mulheres e crianças, forom sequestradas. Na sua revista Dabiq, o ISIS referiu o seu rapto como a reintroduçom da “tradiçom islâmica da escravidude”. As Jazidis sequestradas forom levadas para outras partes do Iraque e da Síria. 3.200 mulheres e crianças forom libertadas ou conseguiram escapar. Elas relatarom violaçons em massa, tortura e assassinatos nas prisons do ISIS. Crianças nascidas em cautiveiro do ISIS forom entregues a famílias muçulmanas. As mulheres e crianças Jazidis raptadas som oferecidas para a venda por terroristas do ISIS através das redes sociais ou nas ruas. O ISIS usa a violaçom sistemática como umha arma psicológica contra toda a comunidade Jazidi.

3.500 outras Jazidis ainda permanecem, desde há dous anos, no cautiveiro do ISIS. O genocídio continua com o seu cativeiro e nom permite que os Jazidis poidam descansar. Até agora nom há medidas concretas para a sua libertaçom, tais como operaçons militares especiais. As famílias Jazidis pagam somas de cinco dígitos para resgatar os seus parentes, caso a opçom esteja disponível. O ISIS reforçou as medidas de segurança após umha série de tentativas de fuga bem-sucedidas, é por isso que cada vez menos mulheres e crianças podem ser resgatadas ou som capazes de escapar. Muitas das mulheres e crianças escravizadas crê-se que estam nos redutos do ISIS de Mosul e Raqqa.

Mas mesmo depois da sua libertaçom, o seu calvário nom chega ao fim. Fortemente traumatizadas, muitas delas resistem nos campos de refugiados sem ter acesso à assistência professional. Nada abalou a comunidade Jazidi nas suas bases, como os seqüestros e as violaçons. A maioria também perderam os seus familiares nas massacres de Shingal.

Órfaos

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Crianças Jazidis do campo de refugiados de Esiya (EzidiPress)

A campanha de destruiçom do ISIS transformou milheiros de crianças em órfaos e meio-órfaos, muitos dos quais forom testemunhas de como as suas maes e/ou pais foram mortos polos terroristas do ISIS diante dos seus olhos. Há 3.000 órfaos, de acordo com dados oficiais. Estimativas nom oficiais, no entanto, indicam que há 8.000 crianças e jovens órfaos e meio-órfaos. Os que muitas vezes encontram aos seus parentes que, no entanto, também carecem de tudo. portanto os Jazidis procuramos construir orfanatos.

Êxodo em massa

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Crianças refugiadas de Shingal perto de Semel, Duhok (Ezidi Press)

“Esta terra é a nossa tumba “, refugiado Jazidi.

O plano pérfido do ISIS para destruir a comunidade Jazidi aparentemente provou ser bem sucedida. Cerca de 100.000 Jazidis já deixarom o Iraque / Regiom Autónoma do Curdistam – que é cerca do 20% da povoaçom total Jazidi. Atravessa a Turquia e o Mediterrâneo, muitos estam tentando alcançar porto seguro na Europa. Um número estimado de 30.000 Jazidis já solicitarom asilo só na Alemanha – com umha tendência crescente. Os 900.000 Jazidis já vivem nos quatro continentes, em mais de 20 países.

 Destruiçom e luita polo poder político

Um camiom com forças de segurança curdas fai o seu caminho através das ruínas de Sinjar. (John Beck / Al Jazeera)
Um camiom com forças de segurança curdas fai o seu caminho através das ruínas de Sinjar. (John Beck / Al Jazeera)

O lar tradicional do Jazidis tornou-se um lugar de luita polo poder político. Dúzias de partidos políticos e forças militares estám tentando exercer a sua influência no vazio de poder que foi deixado lá. Bandeiras de Partidos e militares som içadas acima das ruínas dos edifícios destruídos. A regiom está de facto dividida em duas zonas: os grupos ligados ao PKK [KCK em realidade], como as Jazidis YBŞ que controlam o oeste da regiom. Eles estam em umha luita de poder com o KDP, e os seus aliados Peshmergas e Jazidis que controlam o leste da regiom.

Cerca do 85% das infra-estruturas da regiom, vilas e cidades forom destruídas. O Conselho de Representantes iraquiano declarou a regiom como zona de catástrofe. De acordo com as avaliaçons fornecidas polas autoridades, seram necessários 150 milhons de euros para a reconstruçom da área. O retorno dos refugiados parece, portanto, impossível – também devido à situaçom de segurança.

 Aldeias ocupadas

Dúzias de aldeias no sul da regiom, como Kojo, permanecem sob control do ISIS. Há diferentes opinions sobre por que a regiom ainda nom foi liberada.

Crise que Ameaça a Existência

Crianças jazidis em um campo de refugiados em Midyat (Reuters)
Crianças jazidis em um campo de refugiados em Midyat (Reuters)

O genocídio, a traiçom dos Peshmerga, bem como a luita polo poder político sobre a regiom desarraiga a comunidade Jazidi e mergulhou-na em umha profunda crise, a ameaça da existência. As frentes políticas que estiveram latentes durante décadas tenhem-se endurecido, o tom entre os diversos grupos tornou-se mais forte. Acusaçons mútuas e condenaçons ameaçam com dividir a comunidade nas décadas futuras. O Conselho Religioso Jazidi parece paralisado à luz dos desafios e pressons políticas.

Os partidos políticos estam a tentar impor a sua agenda por e com os Jazidis. Especialmente as geraçons mais velhas nom parecem compreender que esta crise pode realmente levar à queda da comunidade Jazidi e, portanto, da antiga herdança da cultura mesopotâmica.

Mais umha vez, heróis no começo acabarom por ser membros leais do partido – que é umha das razons que permitirom em primeiro lugar esta crise. É, portanto, jovens activistas, como Nadia Murad que dam umha nova esperança para os Jazidis e assumem a responsabilidade pola sua comunidade.

Publicado por Êzîdî Press.

 

 

Nove perguntas e respostas para lançar umha luz sobre a violência no sudeste da Turquia

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 02 ypspor Frederike Geerdink*

Visom geral
Praticamente todos os dia estam morrendo civis na volta à violência entre o PKK e o exército turco. Alguns morrerom na rua há semanas, e nom podem ser enterrados polas suas famílias. O governo di que está luitando contra o terrorismo. Mas está? E porque é que a Europa nom di nada?

1. O que está acontecendo no sudeste da Turquia? Alguns exemplos para explicar a situaçom?

Há cadáveres nas ruas de Sur, o centro antigo da cidade de Diyarbakir. As suas famílias estam em greve de fome desde o 2 de janeiro para forçar as autoridades a permitir o enterro dos mortos, mas sem sucesso. O 13 de janeiro, a Associaçom de Direitos Humanos de Diyarbakir falou com o ajudante do governador de Diyarbakir, Mehmet Emir, que deu permisso para recolher os corpos naquela tarde. Mas quando o grupo, incluindo a deputada do HDP Sibel Yigitalp, chegarom o distrito de Sur, a polícia dixo que eles poderiam levar os corpos, mas so se que eles traiam em primeiro lugar as armas ou explosivos que jaziam na vizinhança dos corpos. Além disso, eles digerom que nom eram responsáveis pola segurança do grupo. Em seguida, o grupo considerou muito perigoso recolher os corpos. Tratava-se dos corpos de Mesut Seviktek, İsa Oran (ambos morreram o 23 de Dezembro), Ramazan Ögüt (falecido o 30 de dezembro) e Rozerin Çukur (morto o 8 de Janeiro). O mesmo acontece em outras áreas com toques de recolher.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 01 hungerstrikeOs civis estam sendo assassinados, incluindo crianças. Na semana passada em Cizre por exemplo, Hayrettin Sinik, de 10 anos, morreu de caminho para o hospital depois que el fosse ferido quando um morteiro atingiu a casa da sua família. Anteriormente, o 15 de janeiro Busra Akalin, também de 10 anos, morreu em Cizre, depois que ela foi ferida da mesma forma.

Cidades e bairros inteiros estam sendo destruídos. O exército utiliza artilharia pesada que dispara indiscriminadamente sobre áreas residenciais e sem saber contra quem e onde atingirom os projectis. Casas, mesquitas, escolas, todos estam danados, por vezes, tam fortemente que nom podem ser usados mais. O lixo acumula-se nas ruas. De acordo com Faysal Sariyildiz, deputado do HDP que está em Cizre há semanas e que relata intensivamente via twitter, a cidade cheira a lixo e pólvora.

Milheiros e milheiros de pessoas estam fugindo da violência, e porque há escassez de alimentos. Muitas vezes, a eletricidade é cortada também. O estado torna impossível às pessoas viver nas suas casas e continuar as suas vidas diárias de qualquer forma. Por vezes, durante os toques de recolher, com um pedaço de lençol branco amarrado a um pedaço de pau para tentam proteger-se contra os atiradores.

2. Logo, há uma guerra na Turquia?

Há. Mas nom é nova. Todo começou em 1984, quando o PKK realizou os seus dous primeiros ataques contra o Estado. Desde entom, tem havido umha guerra civil, de acordo com a definiçom comum de que umha guerra civil é um conflito armado dentro do território de um Estado, com a participaçom ativa desse estado, e com um número de mortes de mais de mil por ano (o que nom foi medido a cada ano desde 1984, mas com um número total de mortos de mais de 40.000, estes critérios podem ser considerados cumpridos). O termo guerra civil é um pouco enganador, guerra intra-estado seria mais preciso, umha vez que nom significa necessariamente que vários grupos de civis estam luitando entre si, o que nom é realmente o caso na Turquia: é umha guerra entre o Estado e o PKK, e explicitamente nom umha guerra entre curdos e turcos.

No entanto, umha das partes combatentes, o PKK, considera-a umha guerra colonial também. Consideram o exército turco e ao Estado turco umha potência ocupante. Nos seus primeiros anos, na década de 1970 e 1980 e ate o 1990, queriam a secessom da Turquia, mas há mais de umha década, mudaram o seu objetivo pola autonomia. Isso nom fixo as autoridades turcas menos potência ocupante, aos seus olhos, de modo que a guerra atual ainda é colonial também. Isto torna-se evidente, por exemplo, em declaraçons à imprensa da KCK (a KCK é umha organizaçom guarda-chuva de grupos curdos, da que o PKK forma parte), em que muitas vezes se referem ao exército turco como “exército de ocupaçom”.

O PKK considera a autodeterminaçom um direito, e de fato este direito está estabelecido solidamente em tratados internacionais dos que a Turquia é parte. É inevitável que, eventualmente, este conflito seja resolvido através da concessom aos curdos de algumha forma de autonomia. Quando esse dia chegue, nom é muito lógico que o exército e a polícia turca, que reprimirom e massacrarom os curdos desde antes mesmo da fundaçom da República Turca em 1923, continuará a ser a força armada legítima do Curdistam. Eles perderom essa legitimidade, comparável ao exército iraquiano nom ter nengumha funçom na regiom agora autônoma do Curdistam do Iraque, onde os peshmerga- considerados terroristas ilegais por Saddam Hussein – forom transformados nas forças armadas legítimas.

No final de 2015, o Congresso da Sociedade Democrática (DTK), um grupo guarda-chuva de dúzias de organizaçons da sociedade civil e dos conselhos locais, bem como membros de partidos políticos relacionados com o movimento curdo (HDP a nível nacional e DBP em um nível regional), sublinhou umha vez mais que a autonomia é essencial para a soluçom da questom curda. Vários prefeitos já declararom os seus municípios autônomos. Desde entom, a guerra, principalmente antes luitada nas áreas rurais das regions curdas, mudou-se para as cidades.

Por mais que o governo turco quer que o mundo exterior acredite que está, em verdade, luitando contra o PKK nas cidades e declarando os toques de recolher para proteger os cidadaos contra a repressom do PKK, os membros do PKK das montanhas nom descerom às vilas e cidades do Curdistam. A luita contra o exército e a polícia nas cidades é levada a cabo por um grupo de jovens, os YPS, os Yekîneyên Parastina Sivîl, em Inglês Unidades de Protecçom Civil. Estes grupos de jovens homens e mulheres anteriormente conhecidos como YDG-H, Movimento da Juventude Revolucionária Patriota. Eles consideram-se as forças armadas legítimas dos municípios onde foi declarado o autogoverno. Quando o YDG-H estava armado principalmente com cocktails molotov e pedras, as YPS também tenhem às vezes Kalashnikovs e lançadores de foguetes.

Há uma diferença importante entre o PKK e as YPS. As YPS podem estar afiliadas com o PKK, mas eles nom som, membros oficiais do PKK, sob o comando da liderança do PKK com base nas montanhas de Qandil, no norte do Iraque. oPelo menos, é isso o que o PKK afirma com veemência. Eles estam decidindo sobre o seu próprio curso de forma independente, e por isso o movimento da juventude pode ser comparado ao movimento das mulheres KJA (Congresso de Mulheres Livres), que também nom recebe ordens de ninguém.

Há somente umha pessoa a que as YPS escutariam, e é o líder do PKK, Abdullah Öcalan. El está em isolamento na ilha prisom de Imrali desde o 5 de abril de 2015 – bem, nom pode ser descartado que por trás houvesse algum contato, mas el nom pode receber os seus familiares, avogados ou membros do HDP, e, portanto, nom pode fazer qualquer declaraçom pública através deles. Se Öcalan podesse falar novamente, a chance de que a violência diminuiria é considerável. Quanto mais tempo o isolamento continue, porém, mais difícil fica para o governo do AKP quebrá-lo: isolando-o para tentar minimizar a sua importância, mas é claro que está acontecendo o oposto, o que se demostrará claramente quando el poida falar novamente. Situaçons semelhantes aconteceram antes, como em 2012, quando houvo umha greve de fome entre os membros do PKK e prisioneiros políticos em muitas prisons na Turquia, e alguns grevistas estavam prestes a morrer. O momento no que Öcalan dixo que a greve de fome tinha que parar, os presos começarom a comer novamente.

As YPS querem o exército turco fora dos “seus” territórios; o exército naturalmente nom o aceita, iguala o PKK com as YPS e tenta aniquilá-los. É notável que nom atingiram o seu objetivo, apesar de levar alguns meses de luita, com o segundo maior exército da OTAN, contra um contingente de jovens mascarados e mulheres com Kalashnikovs e foguetes. Entom, novamente, as ruas nessas cidades, especialmente em Sur (a cidade antiga de Diyarbakir), mas também em Cizre e Silopi, som estreitas, e um tanque ou veículo blindado nom chega muito longe.

Nestas batalhas de cidade, um monte de civis morrerom – ver a questom mais tarde. É, no entanto, nada de novo que a povoaçom civil é vítima da brutalidade do estado. Na década de 1990, cerca de três mil aldeias nas áreas curdas forom queimadas polo exército e milheiros de pessoas fugirom para outros povos e cidades. É por isso que muitos dos refugiados daqueles dias terminou no distrito de Sur de Diyarbakir, onde a violência é intensa agora e onde milheiros de cidadaos, mais umha vez tiverom de fugir polas suas vidas e encontrar abrigo em outro lugar.

3. Há estatísticas sobre os toques de recolher e mortes de civis?

Sim, várias organizaçons documentam o que está acontecendo.

A Fundaçom de Direitos Humanos da Turquia (TIHV) fez um informe sobre os toques de recolher e as suas consequências. Houvo 58 oficialmente confirmados, o toque de recolher por tempo indeterminado e-ininterruptus em polo menos dezanove distritos de sete cidades (eles mencionam as províncias de Diyarbakir, Mardin, Sirnak e Hakkari, mas mais especificamente, por exemplo, Silvan, Dargeçit, Nusaybin , Sur, Silopi, Cizre, Yüksekova, Lice e outros). Nessas áreas residem, cerca de 1.377.000 pessoas. Eles afirmam que, com base em dados do seu centro de documentaçom, 162 civis forom mortos, entre os quais 29 mulheres, 32 crianças e 24 pessoas com mais de 60 anos de idade.

Também de acordo com o TIHV, só entre o 11 de dezembro de 2015 e o 8 de janeiro do 2016, 79 civis forom mortos, dos quais quatorze eram mulheres e um bebê por nascer (morto por um tiro no ventre). Dessas 79 pessoas, polo menos 22 foram baleadas dentro dos limites das suas casas, seja dentro de casa, na soleira da porta ou terraço ou no jardim. Quatro pessoas morrerom em operaçons ligadas fora das áreas do toque de recolher.

Os toques de recolher em Sur e Cizre estam em andamento: a 19 de janeiro, estavam em seus respectivos dias 49 e 38. Com base em relatos dos medios de informaçom, o TIHV afirma que em todas as áreas dos toques de recolher cerca de dez mil forças de segurança foram enviados, juntamente com centos de veículos militares blindados, como tanques, veículos blindados e canhons. A partir do 19 de janeiro, o toque de recolher em Silopi, que começou no mesmo dia como o de Cizre, foi levantado durante o dia de cinco am a seis pm, mas continuou nas horas da tarde e noite.

Para obter detalhes sobre as dadas dos toques de recolher e os nomes e idades dos civis mortos, a ‘tabela detalhada‘ para baixar que o TIHV oferece no seu site.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 03 silopiNom está claro quantos membros das forças de segurança (exército e polícia) foram mortos na violência em curso. Também nom fica claro quantos dos civis mortos eram realmente membros das YPS. Há perdas entre os membros do PKK também, mas estas mortes, em geral, nom ocorrem nas cidades, mas nas áreas rurais e nas montanhas de Qandil, onde os bombardeios polo exército turco estam em curso. Há exceçons: na cidade oriental de Van, doze membros do PKK forom executados o 10 de janeiro, mais informaçons neste artigo, e em Kiziltepe dous membros do PKK forom mortos pola polícia durante umha missom lá.

A Human Rights Watch publicou um relatório a meiados de Dezembro, e tinha meticulosamente investigado quinze mortes de civis em Setembro e Novembro, em Cizre (província de Sirnak), Silvan (Diyarbakir) e Nusaybin (Mardin). O relatório nom oferece estatísticas detalhadas, mas descreve as condiçons em que a povoaçom tem de viver, incluindo a falta de comida, água, eletricidade e assistência médica.

Emma Sinclair-Webb, investigadora na Turquia, di no relatório: “O governo turco deve controlar as suas forças de segurança, interromper imediatamente o uso abusivo e desproporcional da força, e investigar as mortes e danos causados polas suas operaçons. Ignorar ou encobrir o que está acontecendo com a povoaçom curda da regiom só iria confirmar a crença amplamente difundida no sudeste que, quando se trata de operaçons policiais e militares contra grupos armados curdos, nom há limites – nom há lei.” O relatório completo pode-se ler aqui.

Amnistia Internacional também falou contra os toques de recolher e as operaçons militares, em umha chamada “açom urgente”. Nom só eles apontam para os toques de recolher, que carecem de base jurídica, e as mortes de civis, mas também chamam a atençom para o feito de que as manifestaçons contra o toque de recolher som geralmente proibidas e atacadas pola polícia, violando assim o direito à liberdade de reuniom. A açom urgente pode ser lida aqui.

4. Quem di que os civis morrerom todos polo fogo do exército ou da polícia? Nom poderiam ser balas ou foguetes das YPS também?

Isso poderia ser. O problema é que nengumha das mortes está investigada completa e independentemente. Os corpos som levados para o necrotério, onde se escreve um informe da autópsia, e já. O Estado tem a obriga de investigar minuciosamente a morte violenta dos cidadaos, mas isso nom acontece.

5. Houvo um processo judicial no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (CEDH) para que as toques de recolher sejam declarados ilegais. Como vai isso?

O caso está pendente. Os avogados que recorrerom ao CEDH pedirom que os toques de recolher fôssem suspensos enquanto o tribunal está a deliberar o caso, mas o tribunal rejeitou isso. Como o tribunal funciona lentamente, nom é esperado um veredicto em breve, mas, provavelmente, dentro de um ano. O que significa que o veredicto só virá quando os toques de recolher atuais estejam já levantados, entom que exatamente é o ponto? Riza Turmen, ex-juiz do CEDH e ex-deputado polo maior partido da oposiçom, o CHP, agora ensinando a lei dos direitos humanos na Universidade de Bilkent, em Ancara, conta: “O tribunal vai determinar que aconterom violaçons dos direitos humanos, e é importante estabelecer isso. Vários direitos humanos som violados durante os toques de recolher, o mais importante o direito à vida, o direito de nom ser exposto a maus tratos e a privaçom de liberdade.’

Ramazan Demir é um dos avogados que assistente na CEDH. El di: “O tribunal nunca ordenara a um país acabar com os toques de recolher, mas pode encomendá-lo a tomar medidas contra as violaçons dos direitos humanos durante os toques de recolher. Até o veredicto é conhecido, imos requerer ao tribunal por casos concretos urgentes. ”

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 04 paksoyO primeiro pedido dos avogados ao tribunal o 18 de Janeirofoi: as autoridades tenhem de permitir umha ambulância recolher o ferido Hüseyin Paksoy das ruas em Cizre, onde tinha estado à espera por ajuda médica por quatro dias. Paksoy era para ser internado no hospital, mas já era tarde demais: morrera. Ramazan Demir: ‘Enquanto isso, há outras pessoas feridas que precisam de cuidados médicos. Estou constantemente ao telefone com Faysal Sariyildiz, (deputado em Cizre do HDP), que se está esforçando por tirar os feridos fora das ruas e leva-los os hospitais.’

6. Por que o movimento curdo declarou o auto-governo? Isso é contra a Constituiçom, certo?

Sim, é contra a Constituiçom. Assim sim, há fundamento legal para julgar os prefeitos que declaram a autonomia nos seus municípios.

No entanto, o movimento curdo, em todos os anos que luita polos direitos curdos, tem frequentemente violado a lei, porque eles nom consideram as leis da Turquia legítimas ou em conformidade com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos. Eles digerom: ‘Nós eramos curdos nos dias em isso era considerado um crime. Eles começarom aulas de língua curda antes de que fosse permitido legalmente. Eles falarom curdo em reunions políticas quando isso ainda era umha razom para ser processados (que foi até o outono do 2013). Eles abrirom escolas em que o curdo era a língua de instruçom embora ainda nom existia nengum fundamento legal para isso. Declarar a autonomia pode ser visto neste âmbito: os curdos nom esperam até que os direitos lhes som concedidos, egerzem-nos, e, eventualmente, o Estado vai apanhar e legalizar umha situaçom já existente.

Essas declaraçons e apoios o autogoverno som pressiom ao governo. Prefeitos som detidos e presos, e o AKP ameaça de levantar a imunidade parlamentar dos deputados do HDP que falarom em favor do autogoverno. Estes som riscos calculados polo movimento político curdo. Eles sabem que nom vam conseguir facilmente os seus direitos e estam dispostos a fazer sacrifícios pessoais.

7. Por que o governo está fazendo o que está fazendo?

Boa pergunta. Havia alguma esperança de que a violência iria diminuir após as eleiçons antecipadas do 1 de novembro, na qual o AKP recuperou a maioria no parlamento que perdera nas eleiçons gerais do 7 de Junho. Mas na verdade a violência tem-se intensificado.

Pode haver duas razons para isto. Primeiro o desejo do presidente Erdogan para modificar a constituiçom e substituir o sistema parlamentar por um presidencial, com el mesmo segurando as rédeas do poder. O AKP no entanto nom tem assentos suficientes no parlamento para mudar a Constituiçom e levá-la a um referendo: precisa de 330 votos no Parlamento (3/5 dos 550 assentos), e tem 317, treze por baixo. Por isso, precisa do apoio de treze deputados da oposiçom, e com a violência atual, eles podem ser capazes de convencer aos ultra-nacionalistas do MHP. Afinal de contas, a violência entre as eleiçons atraiu a muitos eleitores do MHP ao AKP, e um lider e deputado do MHP já mudou para o AKP antes do 1 de Novembro.

Com a violência, Erdogan teria atingido dous coelhos de umha pedrada. Pode ser capaz de ganhar mais deputados do MHP. Mas mais caos no país pode também ajudar a convencer os cidadaos turcos sobre a necessidade de umha presidência forte com poderes executivos – por enquanto, longe de que umha maioria de turcos parecem estar convencidos da Turquia ter um sistema presidencial.

Em segundo lugar, a situaçom na Síria é importante, e provavelmente a principal razom pola qual está acontecendo. No início de julho de 2015, a Turquia intensificou a sua luita contra o ISIS, abrindo as bases aéreas de Incirlik e Diyarbakir aos F16 dos americanos que queriam bombardear o ISIS na Síria e no Iraque. Antes disso, a Turquia já tinha aumentado as detençons de supostos membros do ISIS dentro da Turquia, também invadindo casas e confiscando armas e fardas de batalha. Parecia que os turcos figeram um acordo com os EUA, e talvez também com o PYD, que rege nos cantons curdos na Síria: os curdos na Síria nom iriam avançar ainda mais para o oeste ao longo da fronteira com a Turquia. A Turquia é apavorada com que os curdos sírios, filiados ao PKK, assumam o control de todas as terras que fazem fronteira com a Turquia. Do ponto de vista da Turquia, essa é umha ameaça maior do que ter o ISIS na fronteira, umha vez que eles percebem o ISIS como umha mera ameaça superável à segurança e o PKK como um perigo para a sua unidade nacional.

Durante meses, o PYD e as forças armadas das YPG de feito nom se moverom mais ao oeste, e a força aérea americana nom bombardeou a área ao redor Jarablus, a cidade mais próxima ao oeste do território PYD/YPG, para apoiar militarmente as YPG, como tinha feito anteriormente por um curto período de tempo. A “linha vermelha” da Turquia era o rio Eufrates, que marcava a fronteira oeste do território do PYD / YPG. Os curdos nom a cruzarom- até o 26 de dezembro, quando as Forças Democráticas Sírias (SDF), umha aliança de diferentes milícias das que as YPG é umha parte, assumiu o control da represa de Tishrin.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 05 mapmanbijA Turquia nom foi capaz de impor a sua “linha vermelha”, e nom tem meios para fazê-lo. A única maneira de enfraquecer as YPG, de acordo com a avaliaçom da Turquia, é enfraquecer o seu irmao maior, o PKK, iniciando umha guerra total contra el e os seus jovens filiais nas cidades.

Este objetivo pode ser claro, mas é incerto se a Turquia tem umha estratégia real para ganhar esta batalha contra o PKK e as YPS. Nom foi capaz de vencer a resistência nas cidades, e, embora que afirmam que matarom centos de membros do PKK, estes números som impossíveis de verificar. A organizaçom nom perdeu o seu poder ataque, como ficou claro em um ataque do PKK em umha delegacia de polícia em Cinar, província de Diyarbakir, o 14 de Janeiro, em que um número ainda incerto de policiais (o estado di que um, o PKK reivindica mais de trinta) e cinco civis, entre os quais duas crianças morrerom (mais sobre isso mais tarde). A Turquia está enviando cada vez mais equipes especiais e equipamento militar para a regiom, que com certeza nom é um sinal de que as operaçons estejam indo bem.

A guerra realiza-se contra o povo do Curdistam, bem como, contra o movimento político curdo. Nom só muitos civis som mortos, mas também milheiros de pessoas estam fugindo das suas casas, deixando as áreas do toque de recolher, segurando bandeiras brancas e algumhas das suas pertences, e contentam com o tempo de estar com a família ou em aldeias onde eles podem ter umha pequena casa de verao . Ainda nom está claro se esta limpeza das cidades com o toque de recolher é umha estratégia do Estado, ou o resultado de umha falta de estratégia – talvez as operaçons estam levando mais tempo do esperado. Bairros e cidades inteiras som abatidos a escombros por tanques, morteiros e helicópteros. Um memorial chocante da década de 1990, quando o exército destruiu de 2000 a 3000 aldeias no sudeste e provocou centos de milheiros de pessoas fugindo.

O Estado turco está determinado a quebrar a vontade curda para obter umha maior autonomia a que têm direito. Isso parece estar intimamente envolvido com a caça que o AKP começou de representantes do movimento político curdo, mais especificamente o HDP, no parlamento tem 59 escanos. E se a imunidade de alguns deputados do HDP é levantada? E se, para ser mais específica, a imunidade de 28 deputados do HDP é levantada? Isso significaria que o 5% dos escanos parlamentares nom estariam ocupados, o que significa que novas eleiçons deveriam ser realizadas. Poderia ser este o que o AKP, leia-se Erdogan, persegue? Os rumores de que o objetivo de Erdogan som novas eleiçons começarom, e esta é umha maneira no que poderia ser realizado.

Todo o que o AKP precisa fazer em umhas novas eleiçons é que o HDP esteja sob o limiar do 10%. Se conseguirem isso, os votos dos distritos onde o HDP venceu iriam para o segundo maior partido naquel distrito, que é o AKP nas regions curda. Isso poderia fazer obter o AKP umha super-maioria de 400 escanos, especialmente quando a violência é contínua e as pessoas podem estarr convencidas da necessidade de um governo forte de partido único – correçom: um sistema presidencial, com um presidente segurando poderes executivos. A Constituiçom pode ser alterada sem referendo pola votaçom de 400 deputados em favor da mudança constitucional.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey 06 weguitsurA mudança atual de muitos civis das suas cidades vai ajudar o AKP, pois ajudou o partido nas eleiçons do 1 de Novembro: análises independentes mostrarom que o HDP perdeu votos porque muitos curdos deixaram as suas cidades devido ao toque de recolher e a violência e, portanto, nom eram capazes a votar onde estavam registrados oficialmente. Com dúzias de milheiros de pessoas fugindo, e talvez uma intensificaçom dos toques de recolher em áreas onde há muita neve, umha vez que chegue a primavera, isso poderia ter um efeito significativo sobre qualquer resultado eleitoral. O HDP obtivo o 10,7% nas eleiçons do 1 de Novembro e está perigosamente perto do limiar do 10%. Poderiam retornar à estratégia anterior de correr como independentes para contornar o limite, mas isso nom é muito provável.

Especulaçons rebuscadas? Talvez, mas isto é a Turquia. Imos continuar olhando atentamente o desenvolvimento.

8. Por que o PKK matou civis no ataque em Cinar?

O próprio PKK di que os civis nom eram o objetivo. Montarom um carro-bomba para explodir em frente à delegacia de polícia em Cinar, província de Diyarbakir, umha das estaçons onde as operaçons das forças de segurança estam sendo coordenadas. De acordo com as autoridades turcas, 6 pessoas morreram, entre os quais um policia, três civis adultos e duas crianças. De acordo com o PKK, mais de trinta policias morreram e cinco civis, incluindo duas crianças. Quem tem razom? É impossível determinar isso.

Os civis eram membros da família de policias. É comum que as famílias de policias fiquem em compostos estaduais durante o destacamento policial no sudeste, geralmente por um par de anos antes de serem transferidos para outro lugar. A delegacia de polícia tinha vários andares, os superiores em uso residencial. A questom de por que os civis estam alojados no mesmo edifício que a delegacia nom está entre as perguntas que podem ser feitas na Turquia.

O PKK pediu desculpas polas mortes de civis e ofereceu condolências às famílias. Isso causou muita raiva: primeiro matam, em seguida, pidem desculpas? Um membro do PKK disse-nos: “Matar civis é um erro. Devemos-nos preocupar especialmente polas crianças, nom devemos matar civis.’
O ataque encaixa na estratégia do PKK que como me explicou o co-líder do PKK, Cemil Bayik: o PKK ataca as forças de segurança fora das cidades para tentar enfraquecer a polícia e o exército, para que possam operar de forma menos eficaz nas vilas e cidades.

9. Por que está a Europa em silêncio? E a imprensa europeia?

Europa fixo um acordo com a Turquia sobre os refugiados. Atendendo à evoluçom da Europa e das entranhas Europeias, a Europa está centrada em fazer nada para impedir os refugiados chegar à Europa. Nom é que isso seja possível, mas ao menos para os seus cidadaos cada vez mais reclamando-o, tenhem que manter as aparências. Em troca a Turquia fará os esforços para impedir os refugiados, a UE comprometeu-se a revitalizar o processo de adesom à UE com a Turquia. Turquia conhece a UE e nom vai desistir do acordo facilmente e pode violar os direitos humanos e esmagar o movimento curdo sem impedimentos por parte da UE. A UE manobra a esta situaçom cínicamente, com conhecimento de causa e, portanto, de bom grado. Nom é nada novo, porém, que a vida dos curdos estam baixos na sua lista de prioridades. Ou as vidas dos refugiados, para este assunto.

A UE e os EUA também precisam da Turquia na sua luita contra o ISIS. Turquia usa isso para conseguir a aprovaçom implícita da sua luita contra os curdos. A UE está a dar essa aprovaçom, basicamente, explicitamente, ao reconhecer o direito da Turquia para combater o terrorismo. Nom há muito mais que poidam fazer, umha vez que o PKK também está na sua lista de organizaçons terroristas. Mas nom acho que essa lista é umha espécie de lista objetiva cientificamente provada de organizaçons terroristas; a lista é umha ferramenta política para forjar amizades entre os estados (e para cortar os fluxos de dinheiro para as organizaçons da lista, entre outras cousas). Seria bom se o PKK já nom estiver na lista de organizaçons terroristas da UE, mas é por enquanto impossível tirá-la, porque isso iria prejudicar demais as relaçons entre a Turquia e a UE. Na verdade, a Turquia está a pressionar a UE para adicionar mais organizaçons curdas à lista, como a organizaçom guarda-chuva KCK.

No entanto, nom é verdade que ninguém na Europa se preocupe com o que acontece com os curdos. Recebim chamadas e também reunim com vários políticos e decisores políticos da UE que querem informar-se melhor e saber o que pode ser feito sobre as violaçons de direitos humanos atuais. Esses contatos som confidenciais, entom nom podo revelar com quem conversei, mas certifico que nom som de partidos verdes nem de esquerda que já som antigos amigos dos curdos.

E a imprensa europeia? Há jóias, e vas ve ver e ler, se mantes umha estreita vigilância. Mas, infelizmente, há muitos grandes meios de comunicaçom que confiam demais nas informaçons das autoridades turcas e nom estam dispostos ou som capazes de informar desde o território. As jóias provam que ainda é possível ir o sudeste, e, embora as áreas do toque de recolher nom estam acessíveis para a imprensa, há bastante histórias lá, que podem ser escritas. Os meios de comunicaçom que nom o fazem abandonarom a sua missom de informar e devem mover os seus traseiros lá o mais rápido possível.

Nine questions and answers to shed a light on the violence in Southeast Turkey  07 Fréderike GeerdinkFrederike Geerdink é umha jornalista freelance de origem holandês que viveu em Turquia e o Curdistam entre o 2006 e 2015, quando foi deportada polo régime turco. Tem escrito numerosos artigos sobre o Curdistam e um livro sobre a matança de Roboski, onde a aviaçom turca assassinou a 34 aldeans.

O artigo foi traducido com o consentimento expresso da autora, e publicado originalmente em beaconreader (plataforma de jornalistas independentes).

 

Breve resumo e análise da situaçom no Curdistam

Meninha palestiniano e bandeira YPGUmha aproximaçom geral à situaçom actual a cada umha das quatro regions do Curdistam

Anagrama das Forças Democraticas de SiriaRojava (Curdistam Sírio):
Os bombardeios russos sobre os jihadistas, sobre todo no norte de Aleppo, levou o enfondamento dessa frente dos jihadistas de Al Hursa e aliados, e também do FSA (Exército Livre Sírio). O que aproveitarom o SAA (Exército Sírio de Assad) e o ISIS para lançar umha ofensiva contra as suas posiçons. O FSA e o ISIS apenas se atacam entre si, e estam a ganhar territorio (Isto nom quer dizer que colabourem so que apreveitam umha situaçom que os beneficia a ambos). O ISIS está a uns 2 km da cidade de Aleppo e a 9 do Cantom de Efrîn. As YPG estam a preparar-se para o enfrontamento com o ISIS.
O plano de Turquia de criar umha zona de segurança sob o seu controlo ou de algumha milícia afim, deixou de ser um projeito viavel. Ainda assim, Turquia estivo a provocar às YPG bombardeando território sírio tentando que a resposta das YPG lhes dera umha desculpa para intervir militarmente com o seu exército frente a inoperáncia das suas milicias em território sírio.
Por outra banda, no bairro curdo de Seiq Maqsoud de Aleppo as YPG controlam duas rotas de abastezamento e reforzam as defesas.
No Monte Abdeziz, o leste de Hesekè, as YPG depois de retroceder voltou a recuperar o território e libertou alguns povos mas.
O feito mas significativo foi a formaçom das SDF (Forças Democrâticas de Síria), que é a unificaçom de operaçons de Jaysh Al-Thuwar, Burkan Al-Furat, Forças Al-Sanadid, Brigada de Grupos de Al-Jazira, Conselho Militar Assírio (MFS), YPG e YPJ. Que ainda que som os aliados que estiverom a ter as YPG/YPJ e com os que colabourarom em diferentes operaçons, é um salto qualitativo ao situar-se como alternativa o ISIS, os jihadistas vários e Assad. Os USA nom perderom o tempo é ja lhes entregarom toneladas de armas.
Na última semana as YPG estiverom enviando milicianos e armamento pesado cara o Monte Shengal de cara a começar a ofensiva da libertaçom da cidade.
Assim, o 1 de Novembro, o SDF lançou umha forte ofensiva em Al Hawl, o suleste da cidade de Hesekê e principal nó de comunicaçom entre Síria e Iraque, contando com apoio aéreo. Rompendo a linha de defesa do ISIS e avançando o travês de terreo minado.

Gente nas ruas de SIlopiBakur (Curdistam Turco):
Logo do atentado “sem reivindicar” de Ankara com mas de cem mortos, e em plena campanha eleitoral, o HDP fixo umha campanha de baixa intensidade, ou seja, nom fixo campanha de cara a evitar dar a possibilidade de mas atentados semelhantes. Logo de mas de 2000 políticos do HDP detidos, 500 encadeados, a queima de centos de locais e propriedades do HDP e sem quase fazer campanha, mália perder sobre o 15% dos votos, o HDP consiguiu manter a sua presença no parlamento curdo com 59 escanos nas eleiçons do 1 de Novembro; e por outra banda, o AKP e Erdogan, mália utilizar o assassinato, a guerra, a intimidaçom, o assédio de cidades… e as ilegalidades e irregularidades manifestas por observadores internacionais no dia das eleiçons, e conseguer o 49% dos votos e 312/316 escanos, nom consegiu nem expulsar o HDP do parlamento, nem obter os escanos necessários para cambiar a Constituiçom turca (com ou sem referendum, 330 e 367 respectivamente). O HDP e CHP mantenhem (mas ou menos) as suas zonas de influência (A histórica zona greco-assírica do Oeste o CHP e o leste o HDP) e o AKP medra a consta dos fascistas do MHP que queda por detrás do HDP em escanos como última força no Parlamento.
Sublinhar que nas cidades curdas que sufrirom assédio da polícia e exército turco o apoio ao HDP foi superior o 85%. Acoso à povoaçom civil curda que continuou e continua assim como a resistência do povo curdo. Reflexo desto é a detençom a dous dias das eleiçons de membros do HDP, incluindo um alcalde; o assalto à cidade curda de Silvan, o bombardeiro das abses do PKK em Quandil ou bombardear dentro de Síria posiçons das YPG em Girê Sipî /Tell Abyad.
A nivel militar os confrontos do HPG (guerrilha do PKK) com o exército curdo baixarom em intensidade ao longo das eleiçons . Mas com a mesma dinámica, o exército turco apenas pode entrar na zona da guerrilha e quando o consegue a resposta das HPG é contundente.

A crise económica que começou a afetar a Turquia (como a todos os paises produtores de matérias primas polo freo da economia chinesa) junto às diferências políticas (leste e oeste) e as tensons nacionais, sumado a proximidade a zonas de conflito, as tendeências autoritárias do presidente Erdogan (que o 3 de Novembro suspendou a 54 juizes e fiscais e proibiu-lhes sair de Turquia), a presença de milhons de refugiados, a involucraçom direta das super-potencias mundiais, a inclusom de Iram como potência Regional e a “persimividade” com o jihadismo apontam a umha situaçom de deterioramento da capacidade de Erdogan de controlar os ritmos dos acontecementos.

MUlheres das YBS Montanha Sinjar 02Basur (Curdistam Iraquiano):
À crise pola nom renovaçom da Presidência da KRG, sumou-se-lhe a crise económica que levou a nom pagar os salários dos funcionários e a greves destes. Os enfrontamentos entre grevistas e polícia (controlada polo KDP de Barzani) provocou vários mortos que derivou em acusaçons mas fortes entre o KDP e o Movemento Gorran, que foi expulso do governo de concentraçom da KRG (Governo da Regiom Curda do Iraque). Nestes enfrontamentos intra-curdos pode-se incluir a detençom de membros internacionais das YPG de regresso aos seus paises. A difiícil situaçom económica e as conversas para que o governo iraquiano ajude, alonjam os discursos independentistas nos dirigentes da regiom.
Nestas começarom os confrontos de cara a libertaçom de Shengal. Ao oeste do monte as forças das HPG e jazedis (YBŞ, HPŞ e YJÊ) começarom a libertaçom de Shilo.

Komala PeshmergaRojhelat (Curdistam Iraniano):
Em Rojhelat, aparte do diálogo entre grupos curdos (as duas ramas do PDKI, o PDKI com o PKK), pequenas acçons de guerrilheiros curdos no Iram de quando em vez e a continuidade da política iraniana de aforcar, literalmente, a disidência (curda ou nom). Nom há moita informaçom.

A batalha demorada de Şingal

Jezedis en SinjarPor Carl Drott

Em cima de um cume com vista à cidade de Şingal (Sinjar), luitadores Pêşmerges protegem-se atrás de sacos de areia e paredes de terra. Um morteiro passa perto acima com um som agudo e um segundo depois atinge a montanha atrás de nós. Sete ou oito mais a continuaçom, provavelmente a partir de um auto-canhom de 23 milímetros. Em breve vamos ouvir o baque seco em vez da saída leve do fogo de morteiro, destinado a umha posiçom do Estado Islâmico (IS) a cerca de cinco centenas de metros de distância. Um luitador Pêşmerge corre para a frente para espreitar sobre os sacos de areia e observar o impacto, ajusta o ângulo do tubo e cai uma nova rodada nel. O procedimento é repetido até que a caixa de madeira está vazia – mas todas as sete rodadas falham o seu alvo.

shingal 001Cerca de umha hora e meia após o ocaso, ouvimos o primeiro murmúrio de aeronaves da coalizom, e 20 minutos mais tarde um míssil encontra o seu alvo com um grande estrondo. Logo depois, for detectado movimento abaixo, e um dos luitadores Pêşmerges abre fogo com o seu fuzil G36. Talvez fosse apenas umha ilusom – ou el interceptou umha patrulha do inimigo. Na cobertura da escuridade, os combatentes de ambos os lados podem sair das suas posiçons entrincheiradas ao fogo a umha distância menor, ou mesmo lançar missons de reconhecimento ou ataques. Na falta de equipamento de visom noturna, os luitadores Pêşmerges iluminam a encosta mais próxima com lanternas, mas apenas por alguns segundos de cada vez, de modo a minimizar a sua própria exposiçom. O murmúrio volta, mas nom há mais ataques aéreos esta noite.

shingal 002De repente, umha forte chuva penetra para baixo, absorvendo a todos no cume, bem como os colchons e cobertores que estam no chao. Entom, como se a natureza estiver conspirando contra eles, um vento frio começa a soprar. Os luitadores Pêşmerge levam umha vida dura, e obtenhem muito pouco polos seus esforços. Os salários baixos há muito tempo tornou normal um segundo trabalho entre implantaçons, e com a crise económica na regiom do Curdistam as cousas deteriorarom-se ainda mais. Desde que o Daesh [ISIS] nós atacou só temos um salário mensal a cada três meses. É muito difícil de gerenciar para aqueles com famílias , di Aziz Haji Taha, de trinta e sete anos que é de umha vila perto de Dîana. No entanto, todos parecem concordar que os Pêşmerge ganharam um nível completamente novo de respeito na sua própria sociedade, bem como internacionalmente, e eles esperam que o seu fazer e derramamento de sangue acabará por estabelecer as bases para um futuro diferente. Queremos a nossa independência”, di Aziz. El aponta para um estouro da rodadas marcadas em vermelho fazendo o seu caminho através do céu. E queremos que estas armas terminem, e viver como um país descontraído, sem problemas.

shingal 003As muitas forças de Şingal

Os luitadores no cume pertencem à 12ª Brigada Pêşmerge, umha unidade mista coa metade dos seus membros do Partido Democrático do Curdistam (Partiya Demokrata Kurdistanê ou PDK) e a outra metade da Uniom Patriótica do Curdistam (Yekîtiya Nîştimaniya Kurdistanê ou YNK). Na década de 1990, os dous partidos luitaram entre si em umha guerra civil sem sentido, e embora o processo de unificaçom tem sido lento, a criaçom de unidades mistas é umha história de sucesso. “Agora nós nom pensamos sobre partidos políticos, somos umha família”, di Mihemed Ehmed Mihemed de Qeladizê, que tem sido um luitador Pêşmerge desde 1991. Os mesmos sentimentos fraternos som expressos em direçom aos luitadores de outros partidos – incluindo o Partido dos Trabalhadores do Curdistam (Partiya Karkerên Kurdistanê ou PKK). “Antes que o Daesh atacara tínhamos umha mentalidade diferente nas quatro partes do Curdistam, mas fizeram-nos um grupo, luitando por um objetivo, que é o Curdistam”, di Mihemed.

Quando o ISIS atacou Şingal em agosto, os luitadores Pêşmerges encarregados de proteger a área forom apanhados desprevenidos e recuarom rapidamente. Como os civis Jazidis (iáziges) fugiram até o Monte Şingal, forom formadas espontaneamente milícias locais que defendiam as estradas. “Quando o Daesh capturou Mosul, dixem-lhe à gente de conseguer armas para si mesmos, para que eles pudessem defender as suas famílias em caso de algo acontecer”, di Qasim Derbo, um líder de aldeia que virou em comandante da milícia. “Nós nom deixamos o Daesh subir à montanha”, continua el. Algumhas das milícias Jazidis mais tarde denominaram-se Força de Protecçom Şingal (Hêza Parastina Şingal ou HPŞ), mas complicaçons políticas seguirom quando o seu comandante Heydar Şeşo buscou o apoio de Bagdá, e em vez disso foi detido polas autoridades da regiom do Curdistam. Finalmente, foi acordado que os luitadores Jazidis estariam sob o control do Ministério Pêşmerge, e eles agora arvoram a bandeira do Curdistam, mas nom usam outras insígnias, e nom tenhem nengum nome oficial para as suas unidades.

shingal 004Após os Jazidis estavam rodeados no Monte Şingal, as forças filiadas o PKK perfurarom um corredor através do território controlado polo ISIS para permitir a evacuaçom de civis e reforçar a defesa. Enquanto algumhas unidades já voltaram para a Síria, as Forças de Defesa do Povo (Hezen Parastina gel ou HPG) e umha milícia Jazidi chamada Unidades Resistência Şingal (Yekîneyên Berxwedana Şingal ou YBŞ) ainda permanecem. No entanto, a presença militar e política do PKK é um motivo de preocupaçom para o seu antigo rival, o PDK, que dominava a área antes do ataque do ISIS ‘. E em torno do Monte Şingal, ambas as partes agora trabalhosamente marcarom a sua presença com bandeiras, grafites e retratos dos líderes.

A batalha parada

Em dezembro, as forças Pêşmerge lançarom umha grande ofensiva para capturar todo o território ao norte do Monte Şingal. “O plano nom era entrar na cidade de Şingal”, di o brigadeiro Ezedîn Sindi, comandante da 12ª Brigada Pêşmerge, que participou da operaçom de Dezembro e agora está implantado na área por segunda vez. El afirma que as forças filiadas o PKK empurrarom mais para o sul e entrarom na cidade de Şingal pola sua própria iniciativa, e só mais tarde juntarom-se os combatentes Pêşmerge. No entanto, a ofensiva estagnou e foi mesmo parcialmente desfeita; quase um ano e meio mais tarde, o brigadeiro Sindi ainda está à espera de umha ordem dos seus superiores para tentar um assalto completo na cidade de Şingal. “Toma-la nom é o problema, mas mantê-la é um problema”, di el, citando como razom que o ISIS iria contra-atacar se eles perderam a auto-estrada que atravessa a cidade, e que liga Raqqa com Tel Afar. Do ponto de vista tático a sua argumentaçom parece boa, mas a partir de umha perspectiva estratégica pode-se argumentar que este é precisamente o porque esta operaçom deveria ser umha prioridade. Apenas cerca de um quarto da cidade de Şingal encontra-se actualmente controlado polas HPG e YBŞ junto com a 101 Brigada Pêşmerge da YNK, enquanto a 12ª Brigada Pêşmerge mantém os cumes e outeiros baixos, juntamente com as milícias Jazidis do HPG.

“As armas que temos nom som suficientes, e em um lugar como este precisa-se mais muniçom”, di o brigadeiro Sindi, ecoando declaraçons dos seus combatentes. “Nós nom precisamos de mais nada. Nós nom temos problemas com a moral. “A 12ª Brigada Pêşmerge recebeu algumhas armas novas, como mísseis anti-tanque Milam e canhons sem recuo SPG-9, mas a moagem, a batalha constante requer mais muniçom para armas pesadas do que está actualmente a ser fornecido, e há muitos poucos veículos blindados. Por que esses problemas persistem, por tanto tempo na guerra? As explicaçons mais simples som de que as forças curdas tenhem uma longa linha de frente contra o ISIS, e que nom há suficientes fornecimentos do exterior, e que há um descompasso entre o que foi entregue e o que é necessário. Também é possível que as reservas de muniçom sejam retidas e salvas para umha ofensiva futura. No entanto, outra explicaçom é que os veículos blindados e o armamento pesado estam desigualmente divididos entre as diferentes unidades Pêşmerge, e as brigadas controladas por um partido em particular, som relutantes em compartilhar os seus recursos com brigadas “rivais” ou mistas.

Desde o ataque do ISIS ‘em agosto, os apoiantes de diferentes partidos curdos tenhem utilizado Şingal como umha vara para bater os seus adversários, muitas vezes através de meios de comunicaçom e mídias sociais. Enquanto os partidários do PDK acusam o PKK de aproveitar a situaçom para tentar assumir o control da área, eles próprios som frequentemente culpados por abandonar Şingal, em primeiro lugar, bem como pola impasse militar atual. No entanto, apesar que a rivalidade política permanece sempre presente, os comandantes e combatentes de diferentes partidos parecem comprometidos em trabalhar juntos para enfrentar o ISIS no campo de batalha. Considerando a história longa e desagradável de conflitos intra-curdos, é realmente notável que combatentes do PDK, YNK e PKK atualmente compartilhem a mesma trincheira em um dos cumes acima da cidade de Şingal. El também carrega lembrando que as cousas teriam sido muito pior se nom fosse a defesa inicial montada polas milícias Jazidis, enquanto sem o PKK nom teria havido nengumha evacuaçom de civis, e apenas umha decidida contra-ofensiva das forças Pêsmerge apoiadas por ataques aéreos da coalizão poderia, finalmente, romper o cerco. Todos derramarom sangue pela libertaçom de Şingal.

Publicado em Uttryck Magazine.