Manbij Liberada!

Libertaçom de ManbijA cidade estratégica de Manbij, que liga a capital do ISIS / DAESH de Raqqa e a fronteira da Turquia foi completamente libertada polas Forças Democráticas Sírias (SDF)/YPG/YPJ e combatentes do Conselho Militar de Manbij (MMC).

A ofensiva final foi lançada no bairro de Al-Sirib esta manhá para salvar os centos de civis que estavam sendo usado polo ISIS / DAESH como escudos humanos. Mas conseguiu-se com um gosto amargo ao ter que deixar sair umha caravana do ISIS/DAESH com dúzias de veículos e mais de 400 reféns cara o noroeste.

A libertaçom de Manbij, chegou no 73 dia da Operaçom Mártir Commandante Faysal Abu Leyla, e abre o caminho para umha operaçom sobre Raqqa, ou Jareblus ou unir o Cantom de Efrîn.

O Acordo dos EUA com a Turquia mostra o seu desprezo polos curdos

Artig ianquis curdospor Joris Leverink

Na sua escolha de aliados na batalha contra o IS, os EUA estam mostrando que derrotar os jihadistas pode de feito nom ser a sua prioridade número um.

Ao fazer a guerra, escolher os aliados certos é umha empresa de cuidado. Deves fazer concessons, sem ceder demais. Precisas confiar em alguém, sem se tornar demasiado dependente. Precisas manter-te firme, e ser flexível ao mesmo tempo. Em tempo de guerra os aliados podem-se transformar em inimigos encarniçados após que a vitória seja declarada, e o seu pior inimigo pode nos feitos provar ser o seu melhor amigo depois de todo.

Nengum país do mundo sabe disso melhor do que os Estados Unidos, que nom passou por umha única década, sem entrar em guerra desde que foi fundado em 1776 – na verdade, os EUA têm estado em guerra por uns chocantes 222 anos dos seus 239 anos de existência.

Na última guerra os EUA “contra os militantes fascistas do Estado islâmico chamado (IS) é um pouco diferente das que a precederam: nom há ninguém além de si mesmo para culpar pola escalada do conflito, a desculpa é auto-defesa, o método é violência extrema e a meta é democracia – ou o que quer que pode ser rotulado como tal. Umha guerra é o terreno fértil para avançar e enquanto o objetivo em última instância fictício da paz e a estabilidade é mantida pendurada na frente da multitude como umha cenoura em umha vara, nunca há realmente umha razom para realmente deixar as armas.

Luitando ao ISIS, ou nom?

Recentemente, os EUA escolherom um novo aliado na luita contra o IS. A sua recusa em colocar as botas no cham – sem que isso iria resolver nada – significa que está constantemente à procura de outros grupos que estam dispostos a limpar a bagunça no cham, enquanto se compromete a lançar bombas deesde as seguras alturas face ao suspeitas posiçons inimigas.

A escolha entre dous aliados potenciais era umha pergunta difícil, umha vez que era basicamente um jogo de soma zero. O ódio e a desconfiança mútua dos dous aliados ‘significava que a escolha de um sobre o outro quase certamente levaria a umha deterioraçom nas relaçons com o outro.

Um aliado já provou o seu valor no campo de batalha, acrescentando umha seqüência de soadas vitórias sobre o Estado Islâmico depois de várias operaçons bem-sucedidas nos últimos meses. Este aliado nom composto de mercenários, nem soldados ou radicais de qualquer espécie. Polo contrário, eram os moradores da regiom, luitando por proteger as suas terras, aldeias e famílias. Eles nom só estavam luitando contra o IS, mas ao mesmo tempo também por valores tam importantes como a democracia real, igualdade de género e a sustentabilidade ecológica.

O outro aliado tinha umha agenda totalmente diferente. Ao longo dos últimos anos tinha mostrado nom interessar-se em luitar contra o IS. Na verdade, o IS estava livre fazer lavagem cerebral em e recrutar jovens no seu território; luitadores lesados tinham sido recebidos e tratados gratuitamente nos seus hospitais públicos; e, milheiros e milheiros de aspirantes a jihadistas foram autorizados a atravessar as suas fronteiras a território do IS. Também atravessarom as fronteiras toneladas de armas e muniçons, camions cheios de material da construçom e bens de consumo suficientes para manter as lojas locais de Raqqah bem abastecidas. Os resultados recentes também revelarom que foram os destinatários do negócio de contrabando de petróleo e, em troca fornecendo os jihadistas com milhons de dólares todos os dias para continuar a sua campanha de terror.

A primeira parte som as milícias curdas das Forças de Defesa do Povo e da Mulher (YPG e YPJ). Eles som o braço armado do PYD, um partido curdo sírio com laços estreitos com o PKK. A outra parte é a República da Turquia, lar de aproximadamente 17 milhons de curdos e cujo governo percebe as YPG e YPJ como umha ameaça maior à sua segurança nacional do que o IS.

O inimigo de meu inimigo é meu inimigo

Embora contando com 222 anos de experiência em fazer a guerra é de supor que o acima exposto nom seria um grande enigma para os chefes da guerra americanos. E, de feito, nom o era. Enquanto os luitadores das YPG e YPJ estavam arriscando as suas vidas em combate corpo-a-corpo com militantes do ISIS, os EUA e a Turquia anunciavam triunfalmente um acordo que permitia a autorizaçom para que avions de guerra norte-americanos utilizaram bases aéreas turcas em troca do “apoio” dos EUA para umha “zona de segurança” no norte da Síria que seria livre do IS, mas para as forças curdas também.

Turquia finalmente decidiu começar a luita contra o IS depois que um ataque suicida tirou a vida de 33 jovens ativistas na cidade fronteiriça turca de Suruc. Turquia, cauteloso com as relaçons cada vez mais estreitas entre os EUA e as YPG e YPJ na Síria e ao mesmo tempo preocupado que o seu tratamento de camaradagem com o IS poderia eventualmente voltar a assombrá-los, decidiu que era o momento certo para declarar a guerra ao terrorismo.

No entanto, em um movimento que surpreendeu a amigos e inimigos, depois de umha tentativa tímida a bombardear posiçons do ISIS na Síria rapidamente lançou umha guerra total contra o PKK, tanto na Turquia como no norte do Iraque. Efetivamente bombardear o processo de paz precária que deveria pôr fim a 35 anos de guerra, avions turcos figerom milheiros de surtidas, jogando o país de volta ao caos tam característico dos anos noventa, quando a guerra civil estava no seu auge.

O PKK está calificado internacionalmente como umha organizaçom terrorista, e, como tal, os seus ataques – em muitos casos meras retaliaçons por atos semelhantes de violência cometidos polo Estado turco contra os seus cidadans curdos – som por definiçom ilegítimos. Tanto os EUA e a NATO reconhecerom o direito da Turquia de “defender-se” contra a “agressom do PKK”. O que é deixado de fora da equaçom aqui, porém, é que a Turquia dificilmente poderia fazer um favor maior que atacar os guerrilheiros curdos que provarom ser os oponentes mais determinados do Estado islâmico.

Foi o PKK quem luitou contra o IS em Shengal, resgatando dúzias de milheiros de Jazidis, quando até mesmo os EUA, apoiara e armara os Peshmergas que tinham deixado o campo de batalha com o rabo entre as pernas. Os combatentes do PKK endurecidos pola batalha foram integrados nas fileiras do YPG e YPJ, e sem eles tais vitórias importantes como as de Kobane, Tel Abyad e, mais recentemente, Hassaka nunca teria acontecido.

Guerra além da paz

Se os EUA foram sérios na luita contra o ISIS, forneceriam pleno apoio – tanto em obras como em palavras – às YPG e YPJ e a sua organizaçom irmá, o PKK, mas também iria enfrentar a Turquia sobre as montanhas de evidências que há e que de feito demostram o apoio o IS. Exigiriam que as fronteiras com as regions curdas na Síria estiveram abertas, e que a campanha de bombardeios contra posiçons do PKK, bem como a campanha de terror contra civis curdos parara imediatamente. Mais importante, retiraria o PKK da lista de organizaçons terroristas.

Infelizmente, as açons norte-americanas venhem mostrando que nom está interessado em tal cousa.

Em vez de derrotar o IS, o seu objetivo é a preservaçom e ampliaçom da sua influência na regiom. Para isso, a Turquia é um parceiro muito mais valioso do que as YPG e YPJ ou o PKK. A açom fala mais alto que as palavras, e na escolha dos seus aliados os EUA tenhem mostrado claramente onde as suas prioridades realmente mentem: poder sobre democracia, influência sobre honestidade e a guerra sobre a paz.

Joris Leverink é um jornalista freelance de Istambul, editor para ROAR Magazine e colunista de TeleSUR Inglês.

Publicado primeiramente em TeleSUR English e logo em ROAR Magazine.

Comandante-General das YPG Sipan Hemo: Turquia quer estabelecer umha zona tampom para impedir o nosso avanço

Mutlu 01As YPG atrairom a atençom mundial depois de liberarem Tal Abyad do ISIS. Mais recentemente, o senhor anunciou a liberaçom de Sarrin e Hasaka. É possível atualizar-nos no campo de batalha, por favor?

Sipan Hemo: A nossa campanha anti-ISIS de longa duraçom espalhou-se. Depois de Tal Abyad liberamos Ain Issa e Sarrin. As nossas forças também luitarom contra a ofensiva do ISIS em Heseke e estabeleceu o control sobre a área. As YPG estam a implantar posiçons no Monte Abulaziz bem como nas cidades e vilas recentemente libertadas para prevenir e atender às novas ofensivas do ISIS.

Há alegaçons de que as YPG luitaram ao lado das forças do regime sírio em Hasaka, estavam lá em cooperaçom?

Sipan Hemo: Estas afirmaçons nom tenhem base na realidade; elas som claramente falsas. Para começar, o regime de Assad nom tem poder para proteger Hasaka do ISIS. Salihiya, Aziziya e bairros semelhantes costumavam estar sob control do regime. O ISIS atacou e capturou estas áreas do regime. Podo dizer claramente que o regime nom contribueu para a libertaçom desses bairros do ISIS. De feito, em várias luitas entre a Asayish (força de polícia local curda) e o regime, muitos soldados e oficiais do regime morrerom.

Há especulaçons de que o ISIS lançou novos ataques em Kobane e Tal Abyad para aliviar a pressom sobre Raqqa, a que poderia ser objetivo das YPG. Algumha opiniom sobre isso?

Sipan Hemo: Como já digemos repetidas vezes o ISIS é um grande perigo para o povo curdo, bem como todos os outros povos na regiom. Estes terroristas estam atacando nom só os curdos, mas a humanidade. Luitamos o ISIS como umha questom de princípios, como um serviço à humanidade. Embora a nossa luita contra o ISIS aconteceu no Curdistam estamos prontos para ajudar na luita contra estes terroristas onde e quando fôssemos necessários e bem-vindos. Raqqa é predominantemente umha cidade árabe. Os árabes devem tomar a liderança na luita contra a tirania no ISIS em Raqqa; estamos prontos para estender a mao para os árabes. Nós defendemos a comunhom de todas as etnias e religions em Raqqa.

Mutlu 02Depois do atentado de Suruc que matou 31 civis [NT: 33 actualmente], Turquia proclamou o inicio de operaçons contra o ISIS. Qual é a sua opiniom sobre a posiçom turca?

Sipan Hemo: Nom queremos interferir nos assuntos internos da Turquia. No entanto, estamos criticando a Turquia pola sua hostilidade com a Revoluçom do Curdistam sírio. Esperávamos que em vez de hostilidade, Turquia seria amiga do povo curdo e nós estendemos a nossa amizade para a Turquia em todas as oportunidades. No entanto Turquia tem mostrado animosidade contra o Curdistam sírio durante os últimos quatro anos. Mais recentemente eles começarom a usar Turcomanos como umha ferramenta para impedir-nos de unir os nossos três cantons. Infelizmente a comunidade internacional está a fechar os olhos a esta agressom turca. Turquia alegou que ela vai começar operaçons contra o ISIS, na realidade nom luita contra o ISIS. A cidade de Jarablus que está sob control do ISIS está na fronteira turca e dentro da nossa visom desde Kobane; e nós nom vimos qualquer açom turca contra o ISIS em Jarablus, exatamente o oposto. Sob o pretexto de atacar o ISIS, Turquia atacou às nossas forças em Zormaxara duas vezes. Eles também atacarom as nossas forças em Tal Abyad. O objetivo de Turquia neste conflito é enfraquecer as nossas forças.

Mas a Turquia está a rejeitar essas afirmaçons?

Sipan Hemo: O Exército Sírio Livre confirmou os ataques turcos à imprensa e vemos tudo, desde Kobane. Turquia, claro, vai negar a sua agressividade. Basta olhar para os mídias turcos, nom há umha única imagem de ataques turcos no ISIS. Pode ver centos de fotografia de ataques turcos ao povo curdo na imprensa turca. A Turquia está fazendo as mesmas cousas no Curdistam do Norte [Turquia] Sul [iraque] e Oeste [Síria]. A comunidade internacional apoiou a Turquia na luita contra o ISIS, mas a Turquia usa isso como umha cortina de fumaça para atacar os curdos; infelizmente, sem nengumha reaçom da comunidade internacional.

Você dixo que a Turquia quer usar os turcomanos nas áreas ao redor Jarablus e Azaz. Fala-se de criar umha zona segura. O que é exatamente esta zona segura e que nos pode dizer sobre os turcomanos na Síria.

Sipan Hemo: Os Turcomanos componhem cerca do 1,5% da povoaçom da Síria. Estes turcomanos vivem por toda Síria, de Latakia até Idlib. Há apenas algumhas aldeias turcomanas em Azaz, nom mais de sete em toda a área de Azaz a Jarablus. Quase nengumha delas é turcomana so aldeias, muitas também tenhem residentes curdos. O objetivo da Turquia nom é proteger os turcomanos mas tornar-se um obstáculo para os ganhos dos curdos no Curdistam sírio. Há muitos mais turcomanos em Layakia e Idlib. Porque é que a Turquia nom estabelece um refúgio seguro para os turcomanos lá? Eles só querem usar os turcomanos como umha desculpa para estabelecer umha zona tampom em redor Jarablus e impedir a unificaçom dos cantons de Kobane e Afrin.

Dixo que a comunidade internacional está permanecendo em silêncio com a agressom turca. No entanto, existem reaçons nos EUA. A Administraçom Obama está sendo criticada por fazer a vista grossa com Turquia. O porta-voz do Departamento de Estado Kirby dixo que com a disponibilidade da base de Incirlic as YPG poderiam ser apoiadas de forma mais enérgica. Há muita discussom sobre o papel das YPG na estratégia síria de Washington.

Sipan Hemo: Certo! Temos vindo a colaborar com os Estados Unites na guerra contra o terror com grande sucesso por um tempo. Agradecemos mais umha vez aos Estados Unites polo apoio aéreo. Nós esperamos expandir esta colaboraçom terrorista anti-jihadista e estabelecer relaçons ainda mais perto. Todas as organizaçons terroristas som umha ameaça para o povo do Oriente Médio e devem ser neutralizadas. Desejamos cooperar com todas as pessoas / naçons e estabelecer laços de fraternidade e amizade entre os povos. Nom devemos deixar que todos os ganhos contra os terroristas jihadistas escorreguem. Gostaria de salientar aqui que um país do Oriente Meio desempenha um papel essencial na sobrevivência e expansom do ISIS. Esse país é a Turquia. Nós compartilhamos esse feito (a ajuda turca ao ISIS) com o público internacional em muitas ocasions.

Que deveria ser feito para melhorar o relacionamento com os Estados Unidos? Já receberom algumha armas dos Estados Unidos?

Sipan Hemo: Nós pugemos grande importância no apoio aéreo americano. Pedimos armas pesadas aos Estados Unidos. Pedimos também equipamentos de visom noturna e outros instrumentos técnicos. Pedimos estes, a fim de expandir a nossa capacidade de luitar o ISIS. Estamos determinados a luitar o ISIS e gostariamos de fazer progressos na luita anti-ISIS. Para isso queremos ter umha aliança mais forte com os Estados Estados.

Depois da libertaçom de Tal Abyad, há algumhas línguas afiadas contra vocês. O Governo e medios [turcos]perto de el começou a usar o argumento de que as YPG som o PKK. Que di a este respeito?

Sipan Hemo: Como digemos muitoas vezes e novamente, nom temos relaçons formais com o PKK. Nós nom agimos em nome ou em coordenaçom com o PKK. Nós vemos o PKK como um movimento curdo e Kurdistani. Sem dúvida estamos em contato com todos os partidos curdos, PKK incluído. Somente os inimigos da humanidade teriam-se de incomodar com as YPG. Caso contrário, qualquer pessoa que se preocupa com a amizade e fraternidade, independentemente da sua afiliaçom ou opiniom do PKK, teria orgulho das YPG. Isso ocorre porque as YPG e YPJ tenhem luitado o ISIS há mais de um ano, nom só para os curdos, mas também para a Síria e toda a humanidade. Como as YPG / YPJ luitamos pola democracia e queremos colaborar com todas as forças amigas ao redor do mundo na nossa luita.

Mutlu 03Que pensa dos seus aliados árabes e cristians?

Sipan Hemo: Como você sabe Síria é um mosaico de etnias e religions. Cristians, Alewitas, Turcomanos, siríacos, druzos, curdos, árabes e outros povos componhem este mosaico. Infelizmente um sistema político que represente a todos esses povos nom foi estabelecido. Todos estes povos na Síria devem estabelecer objetivos comuns. Estamos com muito cuidado sobre o que passa na regiom curda, mas também importam-nos muito o que está acontecendo na Síria em geral. Vamos, portanto, continuar a nossa luita contra as organizaçons terroristas radicais na Síria.

Embora os dous outros cantons (Jazira e Kobane) agora estam unidos, o Canton de Afrin está fisicamente separado. Qual é a situaçom em Afrin?

Sipan Hemo: Os cidadaos do Canton de Afrin desejam-se unir com os outros dous cantons. Cada curdo em Afrin sonha de tomar um ônibus em Afrin e viajar ate Erbil e voltar. No entanto, devido à intromissom de outros países, o Canton de Afrin permanece desconexo dos outros cantons. Efrin é próspero e o seu povo som patriotas. Afrin tem umha vasta experiência militar e conhecimento. Caso haja um ataque em Afrin el vai ser defendido como Kobane e Hasaka.

Eu gostaria de salientar que o povo curdo esta passando por um período muito crítico. Todos os partidos e organizaçons curdos devem prestar a máxima atençom às questons importantes da povoaçom curda. Todos os ganhos obtidos polas YPG / YPJ som ganhos para o povo curdo em todos os lugares. Todos os curdos devem estar cientes deste feito. As YPG / YPJ ganharom a admiraçom de pessoas em todo o mundo. Vamos continuar a nossa luita. Nós estamos luitando pola dignidade humana, polos valores humanos. Vamos desenvolver a nossa luita baseado nos desejos das pessoas democráticas em todo o mundo.

Entrevista realizada por Mutlu Civiroglu e traduzida ao inglês por @haktas12 e publicada no website pessoal de Mutlu Civiroglu.

“Imos onde quer que as YPG vaiam”, Al-Sanadid

Sanadid 03As forças Al-Sanadid da tribo Shammar continuam a luitar em colaboraçom com as forças das YPG/YPJ e dim que eles vam seguir as forças das YPG onde quer que elas vaiam.

O 19 de Julho, a Revoluçom da Rojava vai deixar o seu terceiro ano atrás. Durante estes três anos, as forças das YPG/YPJ empreenderom umha maior resistência contra o ISIS e liberarom Kobanê, Til Berek, Til Hemis, Mount Kizwan, Siluk, Eyn Isa e Hesekê.

As YPG conseguiram todas estas vitórias, recebendo o apoio dos povos da regiom. As forças Al-Sanadid filiadas à tribo Shammar, umha das maiores da regiom, tomarom o seu lugar entre as forças que luitam juntamente com as YPG / YPJ desde o início do processo revolucionário em Rojava
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Sanadid 02A tribo Shammar habita nas regions de Til Kocer e Jazaa do Cantom de Cizîre da Rojava assim como no Iraque. A tribo nom está sob o control de nengumha força no Iraque e só defende as suas próprias terras, enquanto em Rojava as as forças tribais Sanadid combatem em conjunto com as YPG/YPJ. As forças Sanadid dim que eles vam seguir às YPG/YPJ onde quer que vaiam, e que poderiam até mesmo liberar Bagdá conjuntamente.

As forças Sanadid dim que fam os seus planos e preparaçons para as operaçons em conjunto com as YPG. Enfatizam que os membros da tribo Shammar som pessoas das chairas, enquanto os curdos som o povo das montanhas e que as chairas e montanhas reunirom-se na natureza das cousas.

Sanadid 01Dim que a cor vermelha na sua bandeira representa o sangue, enquanto o amarelo representa a luz, chamando-se os que “marcham sobre a morte vermelha”.

Publicado por ANF.

Autodefesa Radical das Mulheres Curdas: Armadas e políticas

ypj1_dilardirik.jpg_1718483346Por Dilar Dirik

A resistência das mulheres curdas funciona sem hierarquia e dominaçom e fai parte da transformaçom e libertaçom social. As poderosas Instituiçons do mundo funcionam pola estrutura do Estado, que detém o monopólio final sobre a tomada de decisom, a economia, e o uso da força. Ao mesmo tempo, somos conhecedoras de que a violência predominante de hoje é a razom pola qual o Estado necessita proteger-nos contra nós mesmos. As comunidades que decidem a defender-se contra a injustiça som criminalizadas. Basta dar uma olhada na definiçom genérica de terrorismo: o uso da força por parte de atores nom-estatais para fins políticos.

Nom importa o terrorismo de Estado. Como resultado, as mulheres, a sociedade e a natureza estam sendo deixados indefesos, nom só fisicamente, mas social, econômica e politicamente. Enquanto isso, os aparatos de segurança do Estado onipresente que abertamente comérciam com armas e beneficiam-se contrapondo às comunidades umhas contra as outras polas suas sujas guerras que dam a ilusom de proteger “nós” contra um misterioso “eles”.

Durante o ano passado, o mundo testemunhou a resistência histórica da cidade curda de Kobane. Que as mulheres de umha comunidade esquecida tornarom-se os inimigos mais ferozes do grupo Estado Islâmico, cuja ideologia está baseada em destruir todas as culturas, comunidades, idiomas e cores do Oriente Médio, a compreensom convencional virada do uso da força e da guerra. Nom era porque os homens estavam protegendo as mulheres ou um estado protegendo os seus “súditos” que Kobane estará escrita na história da humanidade da resistência, mas porque o sorriso de mulheres e homens viraram as idéias e corpos na linha da frente ideológica em que o grupo Estado Islâmico e a sua visom do mundo de violadores desintegrou em pedaços. Especialmente no Oriente Médio, já nom é suficiente que as mulheres “condenem a violência” quando a violência se tornou um fator tam constante nas nossas vidas, quando a nossa percepçom, ou o status construído como “vítimas” é usado como justificativa polos imperialistas para lançar guerras nas nossas comunidades. A ascensom do grupo Estado Islâmico mostrou os desastres que a dependência total em homens e exércitos estatais trae: nada além do femicídio.

Assim, é necessário um mecanismo de auto-defesa radical.

O comportamento da movimento de libertaçom curdo da guerra repousa sobre o conceito de “legítima defesa” e inclui a criaçom de mecanismos sociais e políticos de base para proteger a sociedade além da restrita defesa física. Na natureza, os organismos vivos, tais como rosas com espinhos desenvolvem os seus sistemas de auto-defesa nom para atacar, mas para proteger a vida. Abdullah Öcalan, o representante ideológico do PKK, ou Partido dos Trabalhadores do Curdistam, chamou-lhe a isto a “teoria da rosa”.

Para que a sociedade resista de forma semelhante sem ser militarista, deve abster-se de imitar conceitos para-estatais de força e, em vez, proteger os valores comunalistas, derivando o seu poder a partir da base. A sociedade, especialmente as mulheres, reclama Ocalan, deve-se antes de tudo a “xwebûn”, ou seja a si mesma. Apenas com a realizaçom da existência própria de um e do seu significado, pode-se reivindicar o direito de viver e defender-se a um e à comunidade. Esta deve estar baseada em umha sociedade que está politizada, autoconsciente, consciente e ativa, enquanto internaliza a ética comunitária amorosa – incluindo os valores fundamentais, como o compromisso com a libertaçom das mulheres, em vez de depender da lei imposta polo Estado capitalista e o seu aparato policial. O que transformou o Curdistam em um lugar de peregrinaçom para as mulheres e os movimentos anti-sistema de todo o mundo foi essa postura ideológica que defendeu a vida, em face de um exército de morte.

As forças de defesa em Rojava ilustram como a auto-defesa pode funcionar sem hierarquia, control e dominaçom: No meio da guerra, as unidades de defesa do Povo Curdo, ou YPG, e a brigada de mulheres, a YPJ, bem como as unidades de segurança interna, Asayish, focalizarom na educaçom ideológica. A metade dela é sobre a igualdade de gênero. As Academias educam aos luitadores para entender que eles nom som uma força de vingança e que a mobilizaçom atual é umha necessidade devido à guerra. As academias Asayish trabalham na direçom a umha comunidade com umha Asayish sem armas, que verbalmente intercede nas disputas nos bairros com o objectivo final de abolir completamente as Asayish através da construçom de umha “sociedade ético-política” que vai resolver os seus próprios problemas. Eles rejeitam o rótulo de polícia, porque em vez de servir o Estado, eles servem o povo, porque eles som do povo. A academia Asayish em Rimelan costumava ser um centro do serviço secreto do regime sírio. Alguns alunos foram torturados polo regime como prisioneiros políticos lá. Os Comandantes som eleitos polos integrantes do batalhom em base à sua experiência, compromisso e vontade de assumir a responsabilidade. Essa idéia de liderança no espírito de sacrifício é a razom pola qual muitos dos mártires das YPG/YPJ eram experimentados, amados comandantes.

Para as mulheres, a auto-defesa é mais umha questom de vida ou morte: As mulheres jáziges de Shengal (Sinjar), que som retratadas como passivas vítimas lamentáveis polos meios de comunicaçom irresponsáveis, agora rejeitam ser essencializadas quanto vítimas de violaçom e, semelhante às YJA Estrela (o exército das mulheres do PKK) e as YPJ, Forças de Defesa da Mulher de Rojava, construírom o seu próprio exército autônomo de mulheres chamado YPJ-Shengal, a força de auto-defesa das mulheres jáziges, paralelamente às suas emergentes estruturas de auto-governança autónomas.

Nom é umha coincidência que os primeiros exércitos permanentes surgiram com a ascensom da acumulaçom da riqueza, que também marcou a institucionalizaçom do patriarcado e os antecessores do Estado. O Estado-naçom insidiosamente afirma a sua existência através da elaboraçom das fronteiras entre as comunidades, criando paranóia e genofobia, onde houvo mosaicos de culturas durante séculos. Assim, se estamos empenhados em defender a sociedade, devemos também filosoficamente combater todos os ataques contra a sociedade, desde os primeiros sistemas de dominaçom e hierarquia estabelecidos nos nossos pensamentos.

Dualismos como homem-mulher, estado-sociedade, humano-natureza visam retratar relaçons hierárquicas quanto naturais. O que Thomas Hobbes chamou de “homo homini lupus est” para legitimar o leviatam incontestável chamado estado, é praticada ao estilo big-brother nos nossos tempos modernos. Temos de desafiar a história escrita-fascista que deprecia a sociedade e objetiviza a natureza e, e praticamente ao invés buscar soluçons para os problemas sociais com umha “sociologia da liberdade” centrada em torno das vozes e experiências dos oprimidos.

Contra as premissas racistas do ordem do Estado-naçom separatista e as suas fronteiras físicas e mentais, a sociedade deve reforçar a noçom de “naçom democrática”, conceituada por Öcalan com dissociar a idéia de naçom a partir de formas étnicas de sentido de pertença, para fortalecer a unidade ética mais significativa com base em princípios como a liberdade das mulheres, especialmente nestes tempo do Estado Islâmico. A Revoluçom da Rojava, onde os curdos, árabes, sírios, turcomanos e chechenos tentam criam um novo sistema alternativo juntos, repousa sobre essa noçom política.

A auto-defesa deve, assim, nom só luitar contra, mas também por algo, especialmente no Oriente Médio, onde todas as formas de violência som realizados em uma escala insuportável. Assim, a auto-defesa é umhaa tentativa radical em dissociar a energia do sistema militarista patriarcal – e as mulheres devem ser a vanguarda militante na auto-defesa da auto-determinaçom, ou mais bonito, de umha vida livre. Auto-defesa, acompanhada de pensamento revolucionário, tem o potencial de gerar umha mudança social radical. A Revoluçom da Rojava com seu modelo de “Confederalismo democrático”, proposto por Öcalan, é um exemplo brilhante do poder do povo.

Como a luitadora das YPJ Amara Kobane me dixo:

“Mais umha vez, os curdos aparecerom no palco da história. Mas desta vez com um sistema de auto-defesa e auto-governaçom, especialmente para as mulheres, que agora pode, após milênios, escrever a sua própria história por primeira vez. Os nossos pontos de vista filosóficos nos fai as mulheres conscientes do feito de que só podemos viver resistindo. A nossa revoluçom vai muito além desta guerra. Para ter sucesso, é vital saber por que luitas. ”

Dilar Dirik 24Dilar Dirik,  fai parte do movimento das mulheres curdas, escritora e estudante de doutorado no Departamento de Sociologia da Universidade de Cambridge.

Publicado originalmente em telesur e traduzido com com o permisso expresso da sua autora .

 

Quem atacou Kobanê e por qué?

ISIS Amed DiclePor Amed Dicle

Vários dias depois da libertaçom de Girê Spî do ISIS, as autoridades turcas realizarom umha série de conversaçons com algumhas potências internacionais em relaçom com a administraçom de Rojava sobre a “preocupaçom com a segurança das suas fronteiras”.

Ao invés de expressar as suas preocupaçons sobre a extirpaçom do ISIS da sua fronteira, a parte turca formulou as suas demandas como “riscos de ser causadas pola relaçom PYD-PKK “, e tenta convencer às potências envolvidas na Síria sobre este assunto.

Como conseqüência de “PYD é mais perigoso do que o ISIS”, a diplomacia acelerou-se após a vitória Girê Spî, as potências internacionais em questom propugerom que a administraçom da Rojava tivera umha reuniom com o lado turco.

Este encontro previsto entre as autoridades de Rojava e a parte turca, de feito ocorreu.

E, dous dias depois, o 25 de junho, um selvagem ataque foi realizado em Kobanê. Um dos grupos envolvidos no ataque cruzou para Kobanê da Turquia. Um membro do ISIS capturado vivo confessou que o plano tinha sido feito na Turquia.

No entanto, durante a reuniom de dous dias atrás, a parte turca e Rojava assumirom compromissos mútuos sobre a segurança nas fronteiras. Isto é o que a força asayesh da Rojava (segurança pública) devia ter dito, porque eles concentrarom a sua atençom nom na fronteira, mas principalmente na linha de Raqqa. A evoluçom, no entanto, provou que a mais séria ameaça contra Rojava veu da fronteira turca. É, infelizmente, levou às fortes consequências com um total de 233 civis, a maioria das mulheres e crianças, forom barbaramente massacradas.

Quando Saleh Moslem foi convidado a Turquia em julho do 2013, grupos reunidos em Antep preparavam umha massacre em aldeias curdas perto de Aleppo, foram levados para a fronteira com o acompanhamento de umha escolta oficial.

Quando umha delegaçom turca se reuniu com a administraçom de Rojava nos meses de verao de 2014, estava-se preparando o ataque a Kobanê.

Quando o selvagem ataque já conhecido começou em Kobanê o 15 de setembro de 2014, as armas foram entregues em um trem que parou em aldeias sem estaçom na fronteira de Girê Spî-Akçakale sob a supervisom de soldados turcos.

O 4 de outubro, Saleh Moslem foi convidado a Turquia e as palavras significavas foram “A nossa porta estám abertas para vocês, se consideraram se render’.

Moslem deixou Turquia, respondendo; ‘Nom, imos resistir “.

O Co-Presidente do HDP, Selahattin Demirtaş, afirmou que el tivera 10 minutos de conversa por telefone com Davutoglu o 5 de outubro. Mais tarde, el expressou que o primeiro-ministro estava, no entanto, nom fiável.

Apenas um dia depois, Erdogan iniciou o processo da sua própria queda por dizer que ‘Kobanê está prestes a cair “.

Sempre que tivo lugar um plano de ataque a Rojava, a diplomacia aberta ou secreta foi posta em açom em paralelo.

A massacre do 25 de junho é o exemplo mais recente dessa verdade.

No entanto, este último ataque mostra que a Turquia entrou em umha nova fase na sua política desfavorável contra Rojava que seria insuficiente para descrevê-lo como um ataque do ISIS. O detonador foi desencadeado polo ISIS, mas alguns outros formados na Turquia também tiverom um lugar no ataque.

Seguindo um treinamento nas suas próprias terras, Turquia envou esses chamados FSA à Síria. Alguns deles participarom do mais recente ataque a Kobanê. Muitas indicaçons revelam que este ataque foi realizado polo ISIS e esses grupos em conjunto. Um assaltante egípcio capturado vivo polas YPG maldizou contra o ISIS e dixo que el nom era um deles, que el nom os conhecia, e que el mesmo era um soldado do derrubado líder egípcio Mursi. O agressor deu mais informaçons sobre o ISIS e a Turquia, que seram ouvidas em um período próximo.

O objetivo deste ataque selvagem nom era só cometer umha massacre, como está sendo reivindicado por alguns. Foi ocupar Kobanê mais umha vez, que os grupos atravessam da Turquia prometeu-se-lhes “ser fornecidos com reforços quanto eles continuavam luitando lá ‘. Durante as mesmas horas, grupos do ISIS lançarom ataques no sul e no oeste de Kobanê também, mas todos estes ataques forom quebrados.

O objetivo dos planificadores do ataque era estender os combates ao longo de um período de tempo, para intimidar os civis e levá-los para fora da cidade, para liderar os grupos que anteriormente cruzaram em Akçakale-Girê Spî para Kobanê, e alargar os confrontos desde o centro da cidade até as aldeias, em vez de começar a batalha desde as aldeias e estendê-la ao centro da cidade.

Este plano foi concebido para enviar de volta as forças YPG que se dirigem para Ayn Issa, Raqqa, Jarablus e Sırrin, para atacar por trás, e transformar a regiom de Girê Spî-Kobanê em umha área de combate.

Isso ia dificultar a uniom dos cantons de Rojava sem enviar soldados [turcos] a Jarablus, e permitiria acenar a bandeira “negra” ao longo da fronteira o que é muito apreciado por Turquia.

* Este artigo do jornalista Amed Dicle foi traduzido do Turco através do serviço de ANF English e dai ao galego.

Turquia planeja invadir Síria, mas para parar os curdos, nom o ISIS

Tanques turcosPor Thomas Seibert

O exército turco nom está entusiasmado e Washington pode ter as suas dúvidas, mas o presidente Erdogan parece determinado a criar umha zona tampom.

Istambul-O presidente de Turquia, Recep Tayyip Erdogan, está planejando umha intervençom militar no norte da Síria para evitar que os curdos sírios formem o seu próprio Estado lá, apesar das preocupaçons entre os seus generais e possíveis críticas de Washington e outros aliados da NATO, de acordo com as informaçons, tanto dos meios de comunicaçom pró e anti-governamentais.

Em um discurso o venres, Erdogan prometeu que a Turquia nom aceitaria umha jogada de curdos sírios para configurar o seu próprio Estado na Síria na sequência dos ganhos por combatentes curdos contra o chamado Estado islâmico, ou ISIS, nas últimas semanas. “Eu estou dizendo isso para todo o mundo: Nós nunca permitiremos o estabelecimento de um estado na nossa fronteira sul, no norte da Síria”, dixo Erdogan. “Vamos continuar a nossa luita em este respeito seja qual for o custo.” El acusou aos curdos sírios de limpeza étnica em áreas sob o seu control [sem provas].

Após o discurso, várias agências de notícias informaram que o presidente e o primeiro-ministro [em funçons] Ahmet Davutoglu tinha decidido enviar o exército turco a Síria, um movimento extremamente significativo pola segunda maior força de combate da OTAN após o exército dos EUA. Tanto o diário Yeni Safak, um porta-voz do governo, e o jornal Sozcu, que está entre os mais ferozes críticos de Erdogan, correram histórias dizendo que o exército turco tinha recebido ordens para enviar soldados ao longo da fronteira. Vários outros meios de comunicaçom tinham histórias semelhantes, todos citando fontes nom identificadas em Ancara. Nom houvo nengumha confirmaçom oficial ou negaçom polo governo.

O governo recusou a comentar sobre as informaçons. Mevlut Cavusoglu ministro de Relaçons Exteriores dixo que “o comunicado necessário” seria emitido após umha reuniom ordinária do Conselho de Segurança Nacional, que inclui o presidente, os líderes do governo e militares, este martes.

As informaçom dim que até 18 mil soldados seriam mobilizados para assumir e manter umha faixa de território de 30 quilómetros de profundidade e 100 quilômetros de extensom que atualmente está em mans do ISIS. Estende-se desde perto da cidade controlada polos curdos de Kobani no leste ate umha área mais ao oeste em mans do pró-ocidental Exército Livre Sírio (FSA) e outros grupos rebeldes, começando em torno da cidade de Mare. Esta “Linha Mare”, como a chama a imprensa, deve ser fixada com tropas terrestres, artilharia e cobertura aérea, dim as informaçons. Yeni Safak informou que as preparaçons deveriam estar concluídas o próximo venres.

Houvo especulaçons sobre umha intervençom militar turca desde que o conflito sírio começou em 2011. Ancara pediu às Naçons Unidas e os seus aliados ocidentais para dar a luz verde para criar umha zona tampom e umha área de exclussom aérea dentro da Síria, a fim de evitar o caos ao longo da fronteira com a Turquia e para ajudar os refugiados em solo sírio antes de passar para a Turquia. Mas o pedido turco caiu em ouvidos surdos.

As últimas notícias encaixam o comunicado de Erdogan do venres e a posiçom do governo sobre os ganhos recentes dos curdos sírios contra o Estado islâmico. O partido curdo sírio PYD e seu braço armado as YPG, filiais do grupo rebelde turco-curdo PKK, assegurarom umha longa faixa de território no norte da Síria desde a fronteira sírio-iraquiana ao leste de Kobani.

Ancara teme que os curdos agora voltem sua atençom para a área ao oeste de Kobani e na direcçom de Mare para ligar com a regiom curda de Afrin, ligando, assim, todas as áreas curdas da Síria ao longo da fronteira com a Turquia. Erdogan espera que os curdos sírios, cujos avanços contra ISIS tem sido ajudados polos ataques aéreos da coalizom liderada polos Estados Unidos, vaia continuar a formar o seu próprio Estado, como a Síria se desintegra após mais de quatro anos de guerra.

1435557777637.jpgO líder do PYD Saleh Muslim negou que os curdos da Síria pretendam fazer isso.

Mas os líderes da Turquia nom estam convencidos de que seja verdade. O diário Hurriyet informou que Erdogan e Davutoglu queriam “matar dous coelhos com umha pedra”, com umha intervençom militar ao longo da Linha Mare. Um dos objetivos seria dirigir ISIS longe da fronteira com a Turquia, privando os jihadistas da sua última posiçom sobre a fronteira e cortando assim as linhas de abastecimento. Tal movimento poderia combinar com a estratégia dos EUA para conter e enfraquecer o ISIS.

Um segundo objetivo da operaçom estaria mais próximo os interesses próprios de Ancara. O Hurriyet Daily News citou umha fonte dizendo que havia umha necessidade de “evitar que o PYD tome o control total sobre a fronteira turco-síria”, e também para criar umha zona em território sírio em vez de Turquia assumir novas ondas de refugiados.

Mas os militares estam relutantes, dim as informaçons. Os generais digerom-lhe ao governo que as tropas turcas poderiam vir contra o ISIS, curdos e tropas do governo sírio e ser arrastadas para o pântano sírio. Ataques de retaliaçom por parte do ISIS e militantes curdos em território turco som outra preocupaçom.

Finalmente, os soldados apontaram para a dimensom internacional. A liderança militar dixo-lhe ao governo que a comunidade internacional pode ter a impressom de que a intervençom da Turquia estava dirigida contra os curdos da Síria, informou o jornal Haberturk.

Parceiros da NATO na Turquia, alguns dos quais implantarom tropas que operam unidades de defesa de mísseis Patriot perto da fronteira com a Síria para proteger um país membro, Turquia, contra possíveis ataques da Síria, é improvável que estejam felizes com umha intervençom turca.

A imprensa pró-governo da Turquia insistiu em que nom havia tensons entre os líderes civis e militares em Ancara. “Se o governo diz ‘imos’, imos entrar”, escreveu o diário pró-Erdogan Aksam, tentando resumir a posiçom dos militares em um manchete.

O domingo, eclodiram combates entre as tropas do ISIS e unidades do FSA perto da cidade de Azaz, perto do cruzamento de Oncupinar na fronteira turca. Segundo a imprensa, o ISIS estava tentando que o lado sírio da passagem de fronteira sob o seu control. A área dos últimos confrontos encontra-se dentro da “Linha de Mare” citada como a possível localizaçom de umha incursom turca.

Publicado em The Daily Beast.

 

A autonomia curda entre sonho e realidade

A autonomia curda entre sonho e realidadepor Alex de Jong

Nesta entrevista, Joost Jongerden reflexiona sobre a revoluçom da Rojava, o papel de liderança de Öcalan, a posiçom das mulheres na luita curda e o PKK.

A defensa da cidade curda de Kobane contra o Estado islâmico chamado (IS) chamou a atençom em todo o mundo. No meio da guerra civil síria, o movimento curdo está a tentar um experimento de democracia e auto-governo em três áreas no norte do país, em conjunto chamado Rojava. A principal força política neste experimento é o PYD (Partido da Uniom Democrática).

O PYD e suas organizaçons irmás na Turquia (PKK) e Iram (PJAK) luitam pola autonomia para a povoaçom curda. Nessas áreas, os movimentos afirmam estar pola construçom de umha sociedade com igualdade de direitos entre homens e mulheres, democracia direta e justiça social. No “contrato social” de Rojava, umha espécie de constituiçom, os recursos e terra som declarados propriedade comum, enquanto as liberdades democráticas, o direito à educaçom gratuita e de um meio de subsistência estam explicitamente reconhecidos.

O processo revolucionário em Rojava é umha experiência única e umha fonte de esperança. Ao mesmo tempo ainda há muito por incerto sobre os desenvolvimentos locais. Enquanto o PYD recebe o apoio de potências ocidentais na sua luita contra o IS, a sua organizaçom irmá – o PKK – ainda está proibido nos países ocidentais como umha “organizaçom terrorista”. Muitas pessoas na Síria criticam fortemente o PYD. Que tipo de movimento é o PYD? E quais som os desenvolvimentos em Rojava?

Nesta entrevista, Joost Jongerden aborda essas questons – e outras. Jongerden ensina sociologia rural na Universidade de Wageningen, na Holanda e publicou vários livros e artigos sobre o Curdistam e o movimento curdo. Entre outras obras, escreveu Radicalising Democracy: Power, Politics, People and the PKK e co-editou um artigo em the European Journal of Turkish Studieson ‘Ideological Productions and Transformations: the Kurdistan Workers’.

A entrevista foi feita e traduzida do holandês por Alex de Jong.

Imos começar com a evoluçom política do PYD. Esse movimento baseia-se na mesma ideologia que o PKK, umha organizaçom que começou como um movimento de libertaçom nacional marxista-leninista. Minha impressom é que, desde meados da década de 1990, e especialmente desde a prisom do líder do PKK, Abdullah Öcalan, em 1999, umha metamorfose ideológica vem ocorrendo em que a democracia direta e autonomia forom colocadas no centro do discurso do movimento.

Deixe-me começar por abordar a caracterizaçom do PKK. Esta organizaçom foi oficialmente fundada como um partido em 1978, mas já a partir de 1972 em diante, no 73 houvo um processo de formaçom do grupo que levou ao nascimento do PKK. Portanto, este grupo começou a se formar logo do golpe militar na Turquia, em 1971. Este foi um momento em que a esquerda radical na Turquia foi violentamente reprimida, dirigentes e quadros dos movimentos de esquerda forom condenados à morte ou morreram durante as operaçons militares, e muitos outros ativistas foram presos.

O que seguiu foi um período em que ativistas tentaram reconstruir a esquerda e estavam procurando um novo ponto de referência. As pessoas que mais tarde iriam formar o PKK já estavam ativos durante esses anos e estavam procurando também. Na primeira, as separaçons entre os grupos eram lenes – houvo muita discussom interna – mas, mais tarde, esses grupos evoluíram para organizaçons claramente separadas.

Umha diferença importante entre o PKK e outros grupos que se foram formando durante esse tempo foi que permaneceu independente dos modelos políticos existentes. Eu quero suavizar a impressom de que o PKK era muito “ortodoxo”. Era um partido marxista-leninista, com a hierarquia e pontos de referência ideológicos que se esperaria de tal partido. Como tal, nom foi muito diferente da maior parte da esquerda no momento.

Mas a diferença foi que o PKK nom considerou nengum dos países “socialistas” existentes para ser umha luz – nom China, nem Cuba, nom Albânia, nem a Uniom Soviética. Estes países aspiravam a realizar o socialismo, mas nengum deles foram considerados exemplos adequados. Esta foi umha importante diferença entre o PKK e muitos outros partidos de esquerda na época, os quais tendem a ver certos países como a personificaçom da sua concepçom do socialismo – como o seu modelo.

Que implicaçons tivo isto para o PKK?

O PKK tinha umha visom mais crítica da sua própria ideologia. Eles nom adoptarom um modelo existente, mas forom capazes de interrogar-se criticamente. Eles estavam mais auto-suficientes ideologicamente. Eles sempre deram muita atençom à auto-avaliaçom e à educaçom ideológica; depois de tudo eles nom tinham um modelo ou estado-guia, entom forom forçados a pensar mais para si mesmos.

A metamorfose ideológica do PKK está relacionado a isso. A meados dos anos 80, o PKK formulou umha crítica a Uniom Soviética, o que fixo que fossem atacados por partidos pró-Moscou. Hoje em dia, o PKK afirma que este período foi o início de um processo de interrogatório auto-ideológico.

Se analisarmos essa crítica hoje existe o risco de projetar coisas para el, mas é provavelmente seguro dizer que há umha relaçom entre a crítica e os desenvolvimentos posteriores. O PKK observou que a realidade nos países onde os movimentos de libertaçom nacional, ou o “socialismo real existia”, tomarom conta que era muito diferente das promessas polas que as pessoas tinham luitado.

Se falas sobre isso com os membros do PKK hoje, eles iriam dizer que é errado pretender que essas luitas nom trouxeram ganhos – mas eles também enfatizaram que os resultados ficarom aquém das promessas. Mesmo assim, perguntas sobre as razons disso já se foram conectar a umha crítica do Estado-naçom. Mas naquela época, enquanto eles tinham essa crítica, eles nom tinham umha alternativa. A mudança de paradigma na forma de pensar sobre o estado foi um processo a longo prazo que foi concluído em algum lugar em 2003-’05.

Seria correto dizer que o processo de questionar a ideologia marxista-leninista vem de mais longe, mas que no início do 2000 as respostas adequadas foram formuladas?

Sim, exatamente.

E essa crítica, foi ao estado como tal, ou a certos Estados-naçom existentes?

Ambos, na verdade. É umha crítica do Estado-naçom no sentido de que questiona como em tal estado umha certa identidade torna-se a medida de quem tem direitos – excluindo as pessoas que nom se encaixam em umha identidade particular ou empurrando-os para assimilar em graus variados. É parte da essência do nacionalismo turco, do Kemalismo, assimilar as pessoas com umha identidade cultural diferente, e os curdos formularam umha crítica feroz de tais políticas. De certa forma, isso é auto-explicativo, mas muitos movimentos de libertaçom nacional ainda criticaram o estado em que eles viviam enquanto que procuram umha soluçom na criaçom de um Estado-naçom próprio. O problema retorna como a soluçom!

Dentro do PKK, a crítica do Estado-naçom Turco levou a um questionamento da desejabilidade de um Estado-naçom curdo no qual as minorias poderiam mais umha vez ser prejudicadas. O estado, como tal, é acusado de ter penetrado nos micro-níveis da vida social e de suplantar capacidades próprias e potencialidades das pessoas para a auto-organizaçom. Nós todos relacionamos-nos com o Estado como indivíduos separados, enquanto as formas de coletividade, em grande medida, foram desmanteladas. A sociedade está estilhaçada. Em vez de voltar-se para o estado como umha soluçom, as capacidades das pessoas para a auto-organizaçom devem ser reforçadas.

Mas em muitos dos escritos de Ocalan, o líder ideológico, fala do movimento sobre umha cultura curda imutável essencial. E mesmo que isso nom está relacionado com a meta de um Estado-naçom curdo, é questionável quanto o espaço que esta deixa ao pluralismo social, para os grupos que estam fora desta categoria – tanto mais assim porque, de acordo com Öcalan, a política do PKK é supostamente com base no que el considera ser a essência desta cultura curda, que é a sua natureza igualitária e amante da liberdade.

Eu acho que os escritos de Öcalan som ambíguos. Lermos referências a umha certa concepçom da história curda, mas ao mesmo quando el discute a categoria dos “curdos”, reconhece que este é um grupo variado – por exemplo, nas línguas que som faladas, ou em termos de religiom. Portanto, se alguém iria tentar criar um estado naçom curdo, qal seria a língua nacional? Esses som o tipo de perguntas que o PKK levanta e que levam a muita discussom dentro do movimento curdo em geral. Mas nos próprios textos quase nunca encontra um interrogatório sobre a identidade curda.

A partir de mais ou menos na virada do século em diante, parece que o movimento encontrou algumhas das respostas para as perguntas que tinham na obra de Murray Bookchin, um socialista libertário dos EUA. Por que Bookchin? A minha impressom é que este começou com Öcalan que começou a ler muito depois de sua prisom, encontrando Bookchin – e o resto da organizaçom seguido depois del. Isso é correto?

Tes que considerar que Öcalan defendeu-se a si mesmo, no juiço do Estado turco contra el. Isto deu-lhe acesso quase ilimitado a literatura. Há listas dos livros que el solicitou ler na prisom e aqueles som muito extensos e variados. Bookchin é um dos autores que constam nessas listas, mas el nom é muito proeminente. Ainda assim, era claramente umha inspiraçom para Öcalan. Ocalan fala regularmente com seus avogados e essas conversaçons som gravadas, editadas e publicadas polo PKK.

Em um certo ponto durante essa conversa, Öcalan recomenda os membros dos conselhos municipais nas áreas curdas do sudeste da Turquia ler Bookchin. Claramente, a teoria espalhou-se a partir de si mesmo, de Öcalan. Ao mesmo tempo, acho que o PKK tem procurado coletivamente novas idéias, mas neste processo Öcalan permanece dominante. Ainda este papel nom é completamente incontestavel, e em 2004 houvo umha separaçom. um distânciamento do PKK de pessoas que nom concordavam com a nova orientaçom de Öcalan.

Alguns anos antes, já houvo umha cisom após as declaraçons de Öcalan no tribunal turco. Um número de militantes do PKK na época afirmou que Öcalan tinha abandonado os objetivos do movimento, por exemplo, ao afirmar que o PKK já nom queria criar um Estado curdo. Esses membros queria ficar com a velha orientaçom. A declaraçom de Öcalan no tribunal foi como um choque para muitos membros do PKK.

Sim, de feito.

Mas isso indicaria que o próprio Öcalan, como indivíduo determina este desenvolvimento. Parece haver contradiçom dentro do PKK: esta organizaçom e os seus aliados tenhem desenvolvido em um movimento reivindicando umha espécie de democracia direta como meta, mas ao mesmo tempo esse objetivo da democracia a partir de baixo parece estar baseado nas instruçons de cima, do Öcalan?

Öcalan certamente desempenha um papel predominante. A primeira vista poderia ver-se como moi forte, mas certamente poderiamos falar de motivaçom. Mas tome o movimento anarquista na Holanda no início do século XX como um exemplo: Domela Nieuwenhuis era claramente predominante neste movimento e deixou umha impressom muito forte sobre el. Ao mesmo tempo, há diversas formas auto-organizaçom em curso. Há umha certa tensom entre estes desenvolvimentos, mas um papel de destaque de um determinado indivíduo nom exclui a participaçom ativa dos outros.

O PYD alega nom ter laços organizacionais com o PKK, mas eles tenhem a mesma inspiraçom ideológica e desenvolvem-se de maneira semelhante. Os dous compartilham um objetivo comum. Esse objetivo passa por nomes diferentes. Na sua declaraçom no tribunal, Öcalan fala de umha ‘república democrática’; hoje o ênfase é sobre algo chamado “autonomia democrática”. Ambos estám cobertos por um terceiro termo, “civilizaçom democrática”. Que significam esses termos em concreto?

Eu faço umha distinçom entre república democrática, autonomia democrática e Confederalismo democrático. A república democrática é o projeto de reconstruçom da Turquia, com o seu núcleo em umha nova constituiçom que iria separar os direitos civis da identidade. Na atual Constituiçom da Turquia, os direitos civis som dependentes de ser turco e esta identidade é até certo ponto definida etnicamente. A república democrática é o nome de umha república em que os direitos civis nom som mais privilégio de um determinado grupo étnico; umha república em que os demos som separados da etnia.

A autonomia democrática significa dar-se as pessoas a si mesmas o poder de decidir sobre questons que os afetam. O Confederalismo democrático é umha estrutura administrativa dos órgaos locais, conselhos, em que este poder está organizado. Eu acho que esses som os elementos centrais. A modernidade democrática ou civilizaçom democrática é, eu diria, um termo genérico para esses princípios.

YPGE o objetivo é estender redes confederalistas democráticas através das fronteiras estaduais existentes?

Sim, o objectivo é formar a autonomia democrática a partir de baixo, pola tomada de decisons de baixo. O Confederalismo democrático significa que tais decisons nom som tomadas isoladamente dos outros e nom se limitam a interesses e deliberaçons locais. A autonomia local precisa ser forjada em conexom com outros, caso contrário, podes acabar em umha situaçom em que umha comunidade só está interessada em si mesma e, basicamente, ignora o resto do mundo.

Partes da Rojava som ricas em petróleo. Sem ligaçons entre localidades, pode-se acabar em umha dinâmica em que a comunidade que vive no topo do petróleo di que “é nosso”, e as desigualdades existentes entre as regions acabam sendo reproduzidas. No entanto, em declaraçons de Öcalan se encontra muito pouca discussom de tais questons sócio-económicas; ele se concentra principalmente sobre os direitos e liberdades culturais. El argumenta que, nas regions curdas nom há cristalizaçom de classes sociais e que nom há luita de classes lá. Quam realista é isso?

Há algumhas contradiçons nítidas especialmente relacionadas com à terra. Cizîrê, o maior dos três cantons em Rojava, está composto predominantemente de terras agrícolas. Ou podes tomar o sudeste da Turquia, o norte do Curdistam, que também é umha regiom predominantemente agrícola, com apenas alguns bolsons de indústria, semelhante ao Curdistom iraniano. A exceçom é o sul do Curdistam no Iraque, que é umha economia de consumo baseada na exportaçom de petróleo e importaçom de quase todas as necessidades básicas.

No sudeste da Turquia, em particular, a classe média está-se formando e as contradiçons sociais e as luitas sociais som os principais problemas enfrentados polo movimento nas cidades. Talvez nom se pode realmente dizer que há umha classe trabalhadora, porque a economia local está relativamente pouco desenvolvida, mas há umha subclasse. E a pergunta é: como é que o movimento se relaciona com isso? Em teoria, esta questom nom é realmente abordada.

Mas no ano passado houve umha série de reunions no sudeste da Turquia para discutir como umha economia poderia estar organizada no âmbito da autonomia democrática. Assim, a questom de nom receber atençom, mas é mais fácil para o movimento de organizar as pessoas em torno de questons culturais ou linguísticas do que é em torno da classe. Quando o Estado turco nom oferece educaçom em língua curda, podes organizar isso mesmo – e, em seguida, o Estado pode proibir isso, mas, polo menos, as contradiçons estam claras. A reorganizaçom da economia é mais complicada.

Nom é que essa discussom também se torna mais difícil porque há umha tendência dentro do movimento de falar em termos de curdos em geral, como luitando contra umha forma externa de opressom? Afinal, se queres discutir a questom social, como contradiçons entre camponeses sem terra e proprietários, basicamente estás falando de contradiçons entre curdos, entre o povo curdo, ou qualquer termo que desejes usar.

Isto é claramente um problema que recebe menos atençom polo momento. O antigo PKK considerada ambas, as questons sociais e de libertaçom nacional, como temas centrais em torno dos quais organizar as pessoas. Sob a autonomia democrática, na ideologia atual, a libertaçom nacional nom toma a forma de construir um Estado independente, mas sim de auto-organizaçom. A questom social deve ser umha parte disso, mas em um contexto de guerra como em Rojava hoje, isso seria muito diferente da situaçom no norte do Curdistam, por exemplo.

Em Rojava, a distribuiçom da energia e alimentos está organizado através dos órgaos de autonomia democrática. No contrato social da Rojava, a terra foi declarada sob propriedade comum -, mas a terra dos grandes proprietários de terras nom foi expropriada porque o movimento “nom quer usar a força”. Ainda assim, se as contradiçons sociais se aprofundar, qual é a alternativa? No momento em que o movimento em Rojava realmente nom foi confrontado com esta questom ainda. Muitos dos proprietários fugirom e nom está claro o que vai acontecer quando a guerra terminar, e se estes latifundiários vam voltar. Acho que foi umha escolha do movimento manter a cautela de momento.

O antigo PKK via a sua revoluçom como um projecto que se desenvolvia em duas etapas: a primeira, a libertaçom nacional, através da formaçom de um Estado curdo independente, e em seguida a libertaçom social e a igualdade. Será que a diminuiçom da centralidade da questom social hoje ainda refletem a influência dessa seqüência?

Eu nom acho. Em princípio, o movimento vê como as duas em simultâneo, mas também como processos que estám em curso. É o mesmo para a questom de gênero: o movimento nom di: “primeiro, estabelecer a autonomia democrática e cuidar das questons culturais e linguísticas e só depois é que lidamos com a posiçom das mulheres na sociedade”. Em vez disso, eles trabalham simultaneamente sobre estas questons. Em Rojava, por exemplo, algumhas famílias mantenhem as suas filhas em casa e nom lhes permitem ir para a escola. O movimento nom força essas famílias a enviar as filhas à escola; eles falam com eles para tentar convencê-los. Que a libertaçom nom acontece durante a noite – é um processo contínuo.

No caso destas famílias conservadoras, pode ser contraproducente, se o movimento tenta, de cima para baixo, forçar de mudar tais hábitos culturais.

Mas é o mesmo com a questom da terra, e de quem é o dono – que é também umha questom cultural.

Mas, no caso da terra há umha clara contradiçom entre os interesses dos grandes latifundiários e dos camponeses sem terra. A força torna-se inevitável.

É verdade, mas se um movimento camponês forte surgira para expropriar a terra eu nom acho que – e estou especulando aqui – que o PKK ou PYD se voltaria contra el. Se estes latifundiários voltam depois de anos e exigem a sua terra de volta, as pessoas que venhem cultivando a terra provavelmente nom a vam ceder facilmente. Eu acho que é possível que a realidade diária produza um processo de expropriaçom, mas isso nom é seguro.

Todo isso fala de umha certa concepçom da revoluçom; ela nom é mais como o velho PKK, que viu a sua tarefa conforme tomar o poder e, em seguida, implementar o socialismo por decreto. Em vez disso, a revoluçom é vista como um processo de conscientizaçom e dando orientaçom ideológica. O PKK hoje em dia nom di que é o “partido de vanguarda”, mas o catalisador e inspiraçom ideológica. Assim, o PKK / PYD tem como objetivo preencher essas estruturas democráticas com a sua própria ideologia.

Eu acho que sim, daí o forte ênfase na educaçom ideológica.

Um dos elementos centrais d a ideologia é a libertaçom das mulheres. Mas, como já mencionaches, há também fortes tradiçons patriarcais na regiom. Onde é que vem esta ênfase na libertaçom das mulheres?

Aqui, novamente Öcalan desempenhou um papel significativo por ter levantado esta questom dentro da organizaçom. Mas ele nom começou com ela. As mulheres desempenharam um papel importante no início do PKK já – Talvez elas nom eram muitas mas tinham influência. Que distinguiu o PKK de outros partidos de esquerda na época, que nom tinha mulheres em cargos de liderança. E a atençom para a libertaçom das mulheres cresceu ao longo do tempo. Desde o início, a luita do PKK desde um espaço em que as mulheres podem desempenhar um papel social e político, e como a influência do PKK cresceu esse espaço cresceu junto com el.

O papel de Öcalan era levantar a libertaçom das mulheres como umha questom teórica dentro do partido. Ao mesmo tempo, as mulheres do partido frequentemente se referem a el. Por volta de 2003 / ’04 houvo umha luita interna dentro do PKK após a liderança do partido decidiu que os movimentos de mulheres deveriam estar subordinados ao partido. O movimento de mulheres opujo-se fortemente e usaram os argumentos de Öcalan, o líder, para fortalecer o seu caso. Elas ganharom esta batalha. Assim, as declaraçons de Öcalan também som usadas polos membros para luitar por umha certa autonomia para si próprios.

O PKK tem umha concepçom peculiar da libertaçom das mulheres. Quase nunca se referem a pensadoras feministas ou correntes fora da sua própria organizaçom e tendem a pensar em termos de umha dicotomia entre homens e mulheres – e de priorizar essa contradiçom sobre os outros.

É verdade, mas este é umha tentativa de formar umha determinada matéria. A contradiçom colonizado-colonizador é umha contradiçom que permite a formaçom de um grupo. A questom social é outro, ainda que esta é dada menos atençom agora), e a contradiçom entre homens e mulheres – a questom de gênero – é outra. Existem vários campos de luita e a tentativa é formular um tipo de política que nom prioriza umha luita sobre a outra.

Mas muitos textos do PKK debatem ‘a mulher’, enquanto umha das percepçons dos movimentos feministas é que nom existe tal cousa como umha única categoria, homogênea de ‘a mulher’ – as mulheres estam divididas em nacionalidade, identidade sexual, de classe e etc..

Eu acho que a luita das mulheres está formulada em um nível muito político e ideológico e ocorre ao longo de linhas que som, em parte, o resultado da divisom do trabalho entre homens e mulheres, e, em parte, o resultado de concepçons culturais e religiosas sobre os papéis de homens e mulheres . As discussons sobre como dar forma a que campo de luita está a ser seguido por pessoas que estam próximas ao movimento, mas eu nom sei o impacto que isso tem no seio do partido. As pessoas que nom som afiliadas a organizaçom ou que nom som membros do partido, muitas vezes desempenham um papel importante nas discussons sobre política de esquerda, e com o PKK como bem podes ver que as pessoas tornam-se ativos em torno de umha determinada questom e discutem essas questons fora do partido também.

Será que o PKK se interessar por esse tipo de discussom?

Eles confiam fortemente na sua própria educaçom e ideologia. Ao mesmo tempo, quando das umha volta a regiom e procuras, por exemplo, em livrarias que estam perto do movimento e que vende livros que som publicados localmente, verás umha ampla gama de pensadores. Pense em pessoas como Wallerstein e Chomsky, mas Adorno e Gramsci som traduzidos também.

O que eu achei interessante foi a carta escrita por Suphi Nejat Agirnasli, que era supostamente umha membro do MLKP turco, e que caiu na defesa de Kobane. Ela referiu-se a um número de feministas de esquerda – algo que você nom esperaria a partir de um membro de umha organizaçom maoísta como o MLKP. E, recentemente, círculos que estam perto do PKK organizarom umha grande conferência na cidade alemá de Hamburgo para o qual convidou a diferentes pensadores de esquerda como John Holloway e David Harvey.

Será que o envolvimento de vários grupos turcos de esquerda com Rojava conduzira a mudanças dentro da esquerda turca?

Eu nom posso avaliar o significado disso. O que é mais importante é o desenvolvimento do partido curdo legal HDP -esquerda, e em que medida el terá êxito em encontrar apoio no oeste da Turquia. Os partidos curdos legais sempre tentaram formar alianças às eleiçons com a esquerda e, muitas vezes entraram junto a turcos, mas essas partes permaneceram pequenas. O HDP está agora a tentar construir umha estrutura partidária que pode apelar para esquerdistas turcos bem e que é mais amplo do que os existentes, grupos radicais normais. Se eles conseguem isso, há umha possibilidade de um avanço político.

YPJRojava chamou muita a atençom durante a luita contra o IS em Kobane. Mas a experiência em Rojava foi possível graças a guerra civil na Síria. O PYD é acusado de ter um acordo com o regime de Assad: o regime retirou as suas tropas e o PYD nom abriria umha nova frente contra o regime, criando um tipo de situaçom win-win para Assad e os curdos.

Mas também é verdade que, desde 2005, já, as pessoas venhem a trabalhar sobre a idéia da autonomia democrática. Na Turquia, essas estruturas também estam sendo formadas e eles estam tentando iniciar o mesmo processo no Iram. Mas em Rojava este projecto foi capaz de tomar umha forma muito diferente, na verdade, em parte por causa da guerra. As pessoas trabalham no mesmo projeto e estam tentando moldar o projeto dentro das estruturas de poder existentes. A guerra civil na Síria constituiu umha oportunidade para desenvolver este projeto, mas nom se pode dizer que o movimento o quis assim. Desde o início o PYD dixo que se opunha a luita armada contra o regime de Assad. O PYD apoiou os protestos pacíficos – mas quando a luita armada começou e havia o perigo de que o Exército Sírio Livre ou os jihadistas entraram na Rojava, rapidamente se armarom.

O PYD reivindica que o YPG e as YPJ nom som a sua milícia, que formam as forças de defesa da Rojava. Outros grupos curdos nom acho isso muito credível; eles consideram estas organizaçons, o partido-milícia do PYD.

É verdade que estas forças militares estám ideologicamente intimamente relacionadas com o PYD, mas também existem grupos dentro da YPG-YPJ que nom som necessariamente membros do PYD, como as unidades de árabes ou cristians. Acho que foi umha decisom sábia do PYD limitar o número de milícias na área. E além do YPG / YPJ, as unidades locais representadas na estrutura de comando também. Estas unidades locais defendem as suas próprias vilas, mas nom som móveis; elas nom podem ser expedidas a outras áreas.

Mas há claramente contradiçons entre o PYD, por um lado, e os partidos sírios que estám ligados ao Partido Democrático Curdo do Iraque do Presidente Barzani do outro. Da mesma forma, mas em um grau um pouco menor, existem tensons com a Uniom Patriótica do Curdistam do Iraque. Esses partidos tenhem umha concepçom muito diferente de poder, do futuro e do desenvolvimento do auto-governo curdo. Eles som muito mais conservadores.

Há também contradiçons agudas entre, por um lado, o PYD e, por outro lado, para simplificar as coisas, a oposiçom árabe. O PYD nom apoiou a luita armada contra Assad, mas este tipo de luita nom era umha opçom livremente escolhida pola oposiçom – era umha questom de auto-defesa. O PYD é acusado de beneficiar o regime de Assad, nom só impedindo a formaçom de umha nova frente, mas também ao reprimir as manifestaçons anti-Assad dentro de Rojava. Pessoas foram mortas polas YPG durante tais protestos. Como vês o desenvolvimento desta relaçom?

Existe algumha cooperaçom a nível local – um número de tribos árabes juntarom-se a luita do PYD. Mas a relaçom com a oposiçom politicamente organizada é muito mais difícil, mesmo se nom houver cooperaçom com partes do FSA. Os jihadistas tenhem crescido muito forte na oposiçom árabe e a sua visom do mundo está em oposiçom direta à do PYD.

Existem outras denúncias de violaçons de direitos humhanos. Recentemente, houvo alegaçons de que o YPG obrigavas a povoaçom árabe de umha série de aldeias sob a cobertura da luita contra o Estado islâmico.

O PYD representa umha Rojava que é a expressom da diversidade cultural e étnica. Por exemplo, Efrin é o lar de muitos alevitas e a co-presidenta é Alevite. Em Cizîrê, há umha grande populaçom árabe e um dos co-presidentes é árabe. O mesmo em um nível local. Umha das principais diferenças entre o PYD e os aliados sírios do KDP é a sua atitude para com a populaçom árabe em Rojava. O atual KDP di: “Aquelas pessoas que foram trazidos aqui como parte de umha política de arabizaçom do regime Baath -eles teram que marchar, mesmo se eles estam aqui há geraçons “O PYD di que toda a gente que vive agora em Rojava deve estar envolvido na construçom de umha nova sociedade.

A defesa de Kobane foi um sucesso, em parte como resultado da ajuda polas potências ocidentais, sobretudo os ataques aéreos dos EUA. Alguns críticos dim que o PYD tornou-se em umha ferramenta do Ocidente – como respondes a isso?

Esse tipo de crítica vem da tentativa de permanecer ideologicamente puro. É mais difícil de permanecer puro, umha vez que estás envolvido na luita. Se estas envolvido, tes que navegar um campo determinado por relaçons de forças que nom forom selecionadas, e tes que fazer escolhas dentro desse campo. Nom houvo opçons reais exceto pressionar os EUA para bombardear o IS. E isso foi feito de umha maneira muito inteligente. Os EUA nom estavam ansiosos de intervir: pouco antes dos ataques aéreos a Casa Branca ainda declarou que Kobane “nom era um ativo estratégico”. O feito de que eles começaram os bombardeios, e cada vez mais intensamente, é porque o PYD fixo da defesa de Kobane em certo sentido, umha questom estratégica: se a cidade tivesse caído, teria sido um imenso golpe moral que teria afetado os EUA também . O IS seria reforçado. Poderia-se até dizer que os curdos forçarom a Ocidente para se envolver lá. Havia poucas outras opçons. Um dos defensores da Kobane twittou que se a esquerda internacional tivesse umha força aérea, eles teriam-lhe pedido ajuda.

Mas mesmo se reconheces que o PYD nom tinha outras opçons, pode-se perguntar se – contra a sua própria vontade – eles nom se tornarom dependentes dos EUA.

Mas eu nom vejo essa dependência. Talvez tenha havido acordos dos que eu nom sei nada, mas o PYD nom só se mantém a si mesmo; a sua posiçom é agora mais forte do que antes. Kobane tornou-se em um símbolo do seu sucesso.

Mas é provável que os EUA vam-se voltar contra o projeto da Rojava se, por exemplo, o PYD insiste no princípio de que os recursos como o petróleo deveram ser propriedade comum.

Isso é provável, mas é possível questionar quanta influência os EUA teram na regiom no futuro. Desde 2003, com a invasom do Iraque, a influência dos EUA tem vindo a diminuir lá. Os poderes locais, como Turquia, Qatar e Arábia Saudita desempenham um papel muito mais importante nos desenvolvimentos locais que antes. Os EUA ainda som um fator, mas já nom é tam poderoso quanto antes.

Turquia, especialmente, é actualmente um inimigo do movimento curdo.

Turquia está a fazer tudo ao seu alcance para marginalizar o PKK e o PYD, sem sucesso. Mas a relaçom da Turquia com os partidos do governo no sul do Curdistam, no norte do Iraque, é muito diferente. Eles tinham um bom relacionamento por um longo tempo, mas esses laços foram recentemente danificado. Quando a cidade de Erbil, no norte do Iraque estava em perigo de ser tomado polo IS, Barzani pediu a Turquia para ajudar, mas obtivo o indiferença.

O PYD afirma que o Estado turco apoia activamente grupos como IS e Jabhat al-Nusra. Qual é a credibilidade destas acusaçons?

Eu penso que há boas razons para acredita-las. Há muitos indícios de que a Turquia está a dar apoio directo e indirecto a grupos jihadistas. Por exemplo, existem gravaçons que mostram soldados turcos que interagem com luitadores ao longo da fronteira nas áreas controladas por jihadistas. O serviço secreto turco, MIT está envolto na entrega de armas. Existem muitos exemplos deste tipo. Recentemente soubo-se que o exército turco tinha dado apoio de artilharia a jihadistas quando eles atacaram um vilarejo armênio no norte da Síria, Kassab. Líderes de grupos jihadistas podem viajar sem problemas a Ancara; jihadis forom atendidas em hospitais turcos – podes comprova-lo ti mesmo.

Está organizado polo chamado “Estado profundo” na Turquia, ou é a política ativa do governo?

Eu acho que isso é discutido e decidido no nível governamental. A política externa da Turquia, sob o governo do AKP, os chamados neo-otomanistas, está baseado em umha política de identidade entre sunitas e, no apoio a movimentos sunitas na Síria e no Iraque. Qatar e Arábia Saudita também estám tentando ganhar influência através dos movimentos sunitas, assim como Morsi tentou fazer quando era presidente do Egito. A Turquia tem tentado, sem sucesso, reprimir o PYD ao apoiar a grupos sunitas que som hostis a el.

Esta política significa que o Estado turco está brincando com lume, apoiando grupos jihadistas. O IS já ameaçou em várias ocasions de atacar Turquia se o seu governo muda a sua atitude. Muitos luitadores do IS tenhem origem turca e eles podem no futuro tornar-se um fator de risco dentro da própria Turquia; tanto mais porque o apoio para o IS tem crescido dentro a Turquia.

Algumhas semanas atrás, o regime de Assad declarou que nom tem objeçons à bandeira curda – umha ruptura simbólica com a ideologia nacionalista árabe do Baath. Isso é umha amostra do que está por vir, umha regiom curda autônoma dentro da Síria?

A autonomia curda já é umha realidade – e mesmo se o regime de Assad decidira-se voltar contra ela, eu duvido que figera muita diferença.

As últimas semanas tenhem visto alguns confrontos muito intensos entre a YPG e o exército do governo sírio. Existe umha chance de que isso poderia levar a umha verdadeira guerra entre os dous?

É difícil de dizer, mas Assad nom tem nengum interesse em tal guerra: o seu regime já está enfraquecido. O interesse de Assad está em um acordo.

O PYD também nom tem nada a ganhar com tal confronto: eles tenhem as suas forças completas luitando o IS e al-Nusra. Mas a situaçom atual é volátil e nom vai permanecer o mesmo por muito tempo..

JoostAlex de Jong é editor da revista socialista Grenzeloosand da Holanda. Esta entrevista foi publicada originalmente em holandês em Actie voor Rojava.

Publicado em Kurdishquestion em inglês.

 

 

O mundo inteiro fala de nós, as mulheres curdas

240215 curdas

[Zilan Diyar] Todo o mundo está falando de nós, as mulheres curdas. Já é comum encontrar notícias sobre as mulheres combatentes em revistas, em periódicos e nas agências.

A televisão, os sites de notícias e os meios de comunicação social estão cheios de palavras de elogio. Tiram fotos destas mulheres de olhares radiantes de esperança. Para eles, nossa arraigada tradição é uma realidade sobre a qual apenas recentemente começaram a conhecer. Estão impressionados com tudo.

O riso das mulheres, sua naturalidade e as longas tranças, os detalhes de suas jovens vidas são como mãos estendidas aos que lutam no mar do desespero. Inclusive, existem alguns tão inspirados pela roupa que usam estas mulheres, que querem lançar uma nova tendência na moda!

Estão surpresos por estas mulheres, que lutam contra os homens que querem pintar de negro as cores do Oriente Médio, e se perguntam de onde tiram sua valentia, como podem rir com tanta sinceridade. E eu me pergunto sobre eles.

Estou surpresa pelo fato de nos terem visto tão tarde, de até agora nunca terem sabido de nós. Pergunto-me como demoraram tanto a escutar as vozes das muitas mulheres corajosas que atravessaram as fronteiras da valentia, da fé, da paciência, da esperança e da beleza. Não quero queixar-me demais. Talvez nossas eras simplesmente não coincidam.

Tenho apenas algumas poucas palavras para dizer aos que só agora começam a nos notar: isso é tudo.

Hoje, uma parte de nós não está mais aqui.

Sem passado nem futuro em seu entorno, você sentiria um som, um emergir que se perde nos buracos negros do universo. A emoção e a beleza de hoje só pode ser medida por aqueles que foram capazes de trazer este dia e suas capacidade de ir mais adiante para o futuro.

No grito de Zilan (Zeynep Kinaci), que dinamitou a si mesma em 1996, no alento de Besê, que se atirou ao precipício no levante de Dersim, na década de 1930, dizendo “Não me prenderão com vida”, e no de Beritan, que não se entregou, nem seu corpo e nem sua alma, ao inimigo quando se atirou da montanha em 1992. É a razão pela qual a combatente do YPJ [Unidades de Proteção Popular, milícia voluntária do Curdistão] Arin Mirkan fez soprar um vento de montanha através de uma cidade do deserto ao detonar a si mesma ao invés de render-se ao ISIS, para cobrir suas camaradas em retirada em Kobanê no último mês de outubro.

São nos corações das mulheres yazidíes, que pegam em armas contra homens de bandeira negra, é na nostalgia de Binevs Agal, uma mulher yazidí [antiga religião pré-islâmica monoteísta da Mesopotâmia], que se uniu à guerrilha na Alemanha, na década de 1980, e cruzou continentes para regressar a seu país. São nas palavras de Ayse Efendi, copresidente da assembleia popular Kobanê: “Vou morrer em minha pátria”, onde se esconde a fúria [“odin” o original] rebelde de Zarife, que lutou no levante Dersim.

No sorriso da miliciana do YPJ que posa com seu filho enquanto porta um rifle, na esperança de Meryem Colak, uma psicóloga que escolheu lutar nas montanhas e que, muitas vezes, compartilhou conosco a saudade da filha que deixou para trás.

É em Deniz Firat, jornalista do Firat News, assassinada pelo ISIS em Makhmur, em agosto, buscando a verdade. É em Gurbetelli Ersöz, jornalista e lutadora guerrilheira que morreu nos enfrentamentos em 1997. É em Sema Yüce (Serhildan) que ateou fogo em si mesma como protesto, em uma prisão turca, no ano de 1992. São segredos que o fogo sussurrou à Leyla Wali Hussein (Viyan Soran), que se autoimolou em 2006, para chamar atenção sobre a situação de Abdullah Öcalan.

Os que hoje se admiram sobre os motivos que levaram a “Menina com o lenço vermelho”, uma garota turca desiludida com o Estado, ir às montanhas depois dos protestos em Gezi-Park teriam tido a resposta se soubessem sobre Ekin Cerén Dogruak (Amara), uma mulher revolucionária turca do PKK, cuja lápide diz “a menina do mar que se apaixonou pelas montanhas” e sobre Hüsne Akgül (Mizgin), uma guerrilheira turca do PKK que morreu em 1995. Surpresos porque estadunidenses e canadenses se unem ao YPG, mas não conhecem Andrea Wolf, uma internacionalista alemã do PKK, que foi assassinada em 1998, cujos ossos foram atirados em uma fossa comum porque sua memória não podia ser tolerada pelo Estado.

Nosso calendário não correu paralelo ao calendário do mundo. O olhar destas mulheres se centrou nas profundidades da distância. Seus passos eram rápidos, com o objetivo de tornar o futuro mais próximo, que estavam impacientes e não deixaram uma só ponte para trás. Estas razões nos mantiveram a margem das realidades do mundo.

É por isso que agora o mundo sabe das mulheres nas montanhas. Dezenas, depois centenas e, depois, milhares, durante todo esse tempo.

Agora é o momento de coordenar os calendários, de sincronizar os relógios. É a hora de contar as histórias de vida destas mulheres que se dividiam entre o sonho e a realidade, seus momentos felizes que soam como contos de fadas, as formas com que a perda demonstrou ser a professora mais notória na busca da verdade. Agora é o momento perfeito para confiar-lhes o que eu era capaz: trazer o ontem para o hoje. Para unir o calendário do mundo, vou unir nosso passado ao presente. Que meu passado seja seu presente.

Desperto-me em uma fria manhã de primavera em 1997, em Cirav. Tiro o cobertor, umedecido pela noite gelada, e vejo diante de mim um rosto diferente das guerreiras de pele morena. Era como se o sol tivesse irradiado apenas ligeiramente este rosto, como se suas mãos e seu sorriso descrevessem elegância e nobreza.

Estou feliz pelo fato de uma guerreira mais nova que eu ter chegado, o que me tornava pouquinho velha. Mais tarde, soube que estava diante de uma guerrilheira com cinco anos de luta. Nesse momento só conheci seu nome de guerra: Zinarîn…

Se não fosse pelos fios brancos em seu cabelo ou pela forma com que, às vezes, a tristeza chegava de longe em seu sorriso, não entenderia que tivesse sido guerrilheira durante cinco anos. Sou consciente das dores que experimentou, dos sacrifícios que fez em sua busca pela verdade.

Ponho-me louca de curiosidade sobre o que escrevia em seu caderno, enquanto se refugiava sob a sombra de uma árvore. Mais tarde, após seu martírio, li no diário de Zinarîn sobre os sentimentos que sentia na curta vida que compartilhei com ela.

Outono de 1997. Um dia em que os pés cansados do outono tentam nos arrastar para o inverno. Um dia no qual a dor por não conquistar Haftanin pesou em nossos corações. Soube do martírio de Zinarîn depois de meses. Continuo sendo vulnerável à dor de perdê-la. Como dou voltas com raiva, Meryem Colak lê em meu rosto como minha alma ferve de dor. Como não falei com ninguém sobre a morte de Zinarîn, perguntou “Você está com raiva?” e ela mesma respondeu a pergunta: “Não fique com raiva de nós. Fique com raiva do inimigo”.

Desde esse dia, minha imunidade à perda aumentou. Meses mais tarde, soube que Meryem Colak, quando se dirigia para Metina para sair do campo de batalha junto com um grupo de mulheres, foi assassinada por um tanque em uma emboscada. Interei-me por testemunhas que usou seu último suspiro não para enviar uma mensagem para sua filha, mas para confiar a seus companheiros sua arma, cartucheira e livro de códigos.

É 1999. Estou nas montanhas de Zagros, as mesmas que não permitiram a passagem do exército de Alexandre, mas por onde a guerrilha conseguiu abrir caminho. Estamos na metade do caminho de uma longe viagem, que duraria um mês. Comigo está Sorxwîn (Özgür Kaya), de 22 anos. Nossa Sorxwîn, que permitiu as condições da montanha governarem seu corpo, porém que não permitiu que o coração de seu filho fosse submetido às leis da guerra.

Uma comandante, uma companheira, uma mulher e uma menina. Cada uma de suas identidades acrescenta uma beleza diferente. A maior parte dessa longa e árdua viagem de um mês passou com ela nos animando a continuar marchando.

Claro, foi esta menina chamada Sorxwîn que inventou os jogos infantis que nos deram força. Com riso malicioso, dizia: “Isto não é nada. Posso levar um BKC com 400 balas nas costas. Ainda assim vou subir esta colina em quatro horas sem nenhum descanso”.

Estas mulheres não podiam ser acompanhadas pelo nosso tempo. Elas corriam para o fogo como mariposas. Porém, estão vivendo durante três gerações. Três gerações crescem com suas histórias, levam seus nomes, escutam as canções ardentes dedicadas a elas.

Recolham os rifles que estas mulheres deixaram para trás e capturem Shengal, Kobanê, Botan, Serhat. Venham trazer luz ao mundo a que os homens de bandeira negra querem escurecer. E seus nomes são Zinarîn, Beritan, Zilan, Meryem, Sorxwîn, Arjin, Amara, Viyan, Sara…

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Zilan Diyar é guerrilheira curda.

http://www.diarioliberdade.org/mundo/mulher-e-lgbt/54472-o-mundo-inteiro-fala-de-n%C3%B3s,-as-mulheres-curdas.html#.VOzgO4sh7UM.facebook

 


Prometemos às mulheres do mundo que venceremos

Gülistan Kobanê, comandante das YPJ

Uma das comandantes das YPJ (Unidades de Proteção da Mulher) em Kobane, Gülistan Kobanê, avaliou os ataques do EI (Estado Islâmico) contra o cantão, que começaram em 15 de setembro de 2014, dizendo o seguinte: “O lema das YPJ a este respeito é que enquanto defendermos Kobane, Kobane não cairá. Nesses quatro meses, cumprimos com o prometido contra todo o prognóstico inicial”.

Ela acrescentou que Kobane ainda não caiu e que as YPJ, em um esforço conjunto com as YPG (Unidades de Proteção do Povo), têm evitado que o EI avance em qualquer frente. “As YPJ demonstraram que nem o EI nem nenhuma força poderá com o povo curdo enquanto as YPJ continuarem presentes”.

A comandante recordou que as YPJ também se formaram para combater a mentalidade opressora predominante dos homens em relação às mulheres; seu inimigo por excelência, o EI e seu fascismo islâmico, tem sofrido severos golpes. “A resistência apresentada pelas YPJ contra os crimes do EI deram lugar ao surgimento da esperança entre as mulheres do mundo todo”.

“As YPJ dão honra e identidade às mulheres, elas estão lutando heroicamente na linha de frente contra o EI, e os homens combatentes antifascistas professam um grande respeito a elas”.

“Nunca pensamos que Kobane fosse cair. Combatentes como Dicle, Delila, Hevi, Nuda e Arîn Mîrkan se negaram a permitir que o inimigo avançasse e sacrificaram suas vidas heroicamente. Essas camaradas têm se convertido em um símbolo de liberdade para as mulheres curdas e do mundo todo”.

Além do mais, a comandante assegura que “a ilusão criada pelo EI tem sido esmagada”, posto que as YPJ tem sido temidas pelos terroristas do EI, fazendo alusão ao desmoronamento do principal fator de recrutamento do EI (o acesso ao paraíso e a concessão de 40 mulheres virgens após a morte na Guerra Santa), o qual está vedado àquele homem que morra em combate contra uma mulher, de acordo com os rumores entre os fascistas.

Gülistan conclui dizendo que “[…] nossa resistência e o combate continuarão. Prometemos às mulheres do mundo que, em memória às camaradas caídas, venceremos”.

http://anarquiaoubarbarie.noblogs.org/2015/01/15/prometemos-as-mulheres-do-mundo-que-venceremos/